terça-feira, 14 de novembro de 2023

Assassinada! Indi, reza por nós

Por ordem dos tribunais britânicos, a menina Indi Gregory morreu no dia 13 de Novembro, à 1h45 da manhã. Os tribunais queriam-na morta, apesar de lhe ter sido concedida a cidadania italiana e de lhe ter sido oferecido tratamento no Bambino Gesù, o hospital pediátrico do Vaticano. Na foto, ela está vestida com o seu vestido de baptismo.

O pai Dean Gregory (que sempre se disse ateu) disse que, no tribunal, sentiu como "se o inferno me puxasse" e pensou que "se o diabo existe, então Deus também deve existir". Ele viu "como é o inferno" e queria que "Indi fosse para o Céu". Por isso, pediu o seu baptismo e considera a possibilidade de ele próprio ser baptizado.

Histórias semelhantes de bebés britânicos incluem Charlie Gard (2017) e Alfie Evans (2018).

in gloria.tv


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Oração para ser rezada todos os dias de Novembro pelas Almas do Purgatório

Ó Pai de misericórdia, Deus de infinita bondade, humildemente vos rogamos tenhais piedade das almas santas que estão penando no purgatório, especialmente das dos nossos parentes e benfeitores. Lançai um olhar propício sobre elas e chamai-as para a posse da pátria celestial. Lembrai-vos que elas são obras de vossas mãos e o preço do sangue preciosíssimo de vosso divino Filho Jesus.

Dignai-vos, pois, usar para com elas a vossa infinita misericórdia. Ouvi, Senhor, o pedido que vos fazemos com toda confiança, em vista dos merecimentos da paixão e morte de Jesus, e fazei que elas fiquem consoladas, indo gozar sem demora aquela glória imortal que tendes preparado para os vossos eleitos.

V. Misericordioso Senhor.
R. Tende piedade das benditas almas do purgatório.
V. Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso.
R. E entre os resplendores da luz perpétua fazei que descansem em paz. Ámen.


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segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Arcebispo de Washington esvaziou igreja

Em Setembro de 2022, o Arcebispo de Washington (EUA), Cardeal Wilton Gregory, proibiu a Missa Tradicional na paróquia de Santa Maria Mãe de Deus. Essa Missa tinha mais de 400 fiéis, que ocupavam todos os bancos da igreja (fotografia da direita). De um dia para o outro, os fiéis viram-se privados da Missa a que iam, sem qualquer justa-ausa.

Agora, pouco mais de 1 ano depois, o Cardeal Gregory visitou a paróquia e celebrou Missa. A igreja estava practicamente vazia, om menos de 30 fiéis (fotografia da esquerda).


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Meu Senhor e meu Deus




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domingo, 12 de novembro de 2023

Declaração de D. Athanasius Shneider sobre a destituição do Bispo Strickland

“A única acusação que agora certamente garantirá punição severa é a de manter cuidadosamente as tradições dos Padres”. Estas palavras de São Basílio (Ep. 243) são mais apropriadas para ilustrar a destituição do Bispo de Tyler, TX/EUA, Sua Excelência Joseph E. Strickland. A deposição do Bispo Joseph E. Strickland significa hoje um dia negro para a Igreja Católica.

Assistimos a uma flagrante injustiça para com um bispo que cumpriu o seu dever de pregar e defender com parrhesia a imutável fé e moral católica e de promover a sacralidade da liturgia, especialmente no imemorial rito tradicional da Missa. Todos compreendem, e mesmo os inimigos declarados deste bispo confessor, que as acusações feitas contra ele são, em última análise, insubstanciais e desproporcionais; tendo sido utilizadas como uma boa oportunidade para silenciar uma incómoda voz profética dentro da Igreja.

O que aconteceu aos bispos durante a crise ariana no século IV, que foram depostos e exilados apenas porque pregavam destemidamente a fé católica tradicional, está a acontecer novamente nos nossos dias. Ao mesmo tempo, vários bispos que apoiam publicamente a heresia, abusos litúrgicos, a ideologia de género e convidam abertamente os seus sacerdotes a abençoar casais do mesmo sexo não são de forma alguma incomodados ou sancionados pela Santa Sé.

O Bispo Strickland provavelmente entrará na história como um “Atanásio da Igreja nos Estados Unidos”, que, ao contrário de Santo Atanásio, não é perseguido pelo poder secular, mas incrivelmente pelo próprio Papa. Parece que uma espécie de “purga” dos bispos, fiéis à imutável fé católica e à disciplina apostólica, que já dura há algum tempo, atingiu agora uma fase decisiva.

Que o sacrifício que Nosso Senhor pediu ao Bispo Strickland dê frutos espirituais abundantes para o tempo e a eternidade. Dom Strickland e outros bispos fiéis, que já foram convidados a renunciar, que estão actualmente marginalizados ou que serão os próximos na fila, deveriam dizer com toda a sinceridade ao Papa Francisco:

“Santo Padre, por que o senhor nos persegue e nos bate? Tentamos fazer o que todos os santos Papas nos pediram? Com amor fraterno oferecemos o sacrifício deste tipo de perseguição e exílio pela salvação da Sua alma e pelo bom estado da Santa Igreja Romana. Na verdade, somos os seus melhores amigos, Santíssimo Padre!”

+ Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Santa Maria em Astana


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sábado, 11 de novembro de 2023

A feliz morte de São Martinho de Tours

Hoje é dia de São Martinho, convertido de pagão a cristão, foi Bispo de Tours (França). Lemos aqui a sua gloriosa entrada no Céu.

Martinho soube com muita antecedência o dia da sua morte e comunicou aos seus irmãos que a separação do seu corpo estava iminente. Entretanto, viu-se obrigado a visitar a diocese de Candes. Tinham surgido, com efeito, desavenças entre os clérigos desta igreja e Martinho desejava restaurar a paz. Apesar de não ignorar o fim próximo dos seus dias, não recusou partir perante motivo desta natureza, por considerar como bom termo da sua actividade deixar a paz restabelecida nessa igreja. Permaneceu algum tempo nessa povoação ou comunidade para onde se dirigia. 

Depois de feita a paz entre os clérigos, pensou em regressar ao mosteiro. Mas de repente sentiu que lhe faltavam as forças do corpo. Reuniu os irmãos e participou-lhes que ia morrer. Então começou o pranto, a consternação e o lamento unânime de todos: «Pai, porque nos abandonas? A quem nos confias na nossa orfandade? Lobos ferozes assaltam o teu rebanho; quem nos defenderá das suas mordeduras, se nos falta o pastor? Sabemos sem dúvida que suspiras por Cristo, mas a tua recompensa está assegurada e não será diminuída se for adiada. Antes de mais, compadece te de nós, que nos deixas abandonados».

Então, comovido por estes lamentos e transbordando da terna compaixão que sempre sentia no Senhor, diz se que Martinho se associou ao seu pranto e, voltando se para o Senhor, assim falou diante daqueles que choravam: «Senhor, se ainda sou necessário ao vosso povo, não me recuso a trabalhar; seja feita a vossa vontade».

Oh homem extraordinário, que não fora vencido pelo trabalho nem o haveria de ser pela morte e que, igualmente disposto a uma ou outra coisa, nem teve medo de morrer nem se furtou a viver! Entretanto, com as mãos e os olhos sempre elevados para o céu, o seu espírito invencível não abandonava a oração. 

Quando os presbíteros, que se tinham reunido à sua volta, lhe pediram para aliviar o seu pobre corpo mudando de posição, disse: «Deixai-me, irmãos, deixai-me olhar antes para o Céu do que para a terra, para que a minha alma, ao iniciar a sua marcha para Deus, siga bem o seu caminho». Ao dizer isto, reparou que o diabo se encontrava perto. «Porque estás aqui, disse, besta sanguinária? Nada encontrarás em mim, maldito; o seio de Abraão me recebe».

Depois de pronunciar estas palavras, entregou o seu espírito ao Céu. Martinho, cheio de alegria, foi acolhido no seio de Abraão. Martinho, pobre e humilde, entrou rico no Céu. 

in Cartas de Sulpício Severo (séc.V)


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sexta-feira, 10 de novembro de 2023

São Bento aos seus monges

É este zelo que, com ardentíssimo amor, devem exercitar os monges:

- antecipem-se uns aos outros na estima recíproca;
- suportem com muita paciência as vossas enfermidades, físicas ou morais;
- rivalizem em prestar mútua obediência;
- ninguém procure o que julga útil para si, mas antes o que o é para os outros;
- amem-se mutuamente com pura caridade fraterna;
- vivam sempre no temor e no amor de Deus;
- amem o vosso abade com sincera e humilde caridade; nada absolutamente anteponham a Cristo, o qual nos conduza todos juntos à vida eterna."


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Novembro, mês das almas (do Purgatório)




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quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Fraternidade de São Pedro contraria a decadência da Igreja

Actualmente, a Fraternidade Sacerdotal de São Pedro conta com 569 membros (368 sacerdotes, 22 diáconos e 179 seminaristas).

Os padres servem 146 dioceses em 249 lugares de culto, incluindo 48 paróquias pessoais em 20 países. O número de seminaristas é o mais elevado desde a fundação da Fraternidade. Em Setembro, mais de 46 jovens entraram nos seminários da Fraternidade.

32% dos membros são americanos (183), 25% franceses (143) e 10% alemães (55).

in gloria.tv


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quarta-feira, 8 de novembro de 2023

O Monge Cartuxo que morreu com uma espingarda na mão

O site CartusiaLover.Wordpress.com contou a história do Cartuxo Padre Pedro de Mortisac.

- Foi o último amante de Mata Hari, a famosa dançarina, atriz e agente secreta holandesa, e assistiu à sua execução pelos franceses em 1917.

- Pertencente a uma família francesa muito rica, Mortisac foi educado pelos jesuítas e tornou-se um mulherengo.

- Uma adolescente que ele tinha usado e descartado suicidou-se.

- Após a morte de Mata Hari, Mortisac vendeu tudo: um castelo perto de Paris, uma casa de campo perto de Londres e uma vivenda em San Sebastián.

- Antes de entrar na Cartuxa de Miraflores, em Burgos (Espanha), por volta de 1920, vagueia sem abrigo durante dias pelos subúrbios.

- Mais tarde, foi transferido para a Cartuxa de Aula Dei, em Saragoça, que foi atacada em Julho de 1936, durante a guerra civil espanhola, por criminosos comunistas, agora glorificados pelos regimes ocidentais.

- Os Cartuxos foram informados do assalto iminente e o prior ordenou aos monges que se vestissem como civis e que rapassem as suas tonsuras e barbas.

- Os monges mais jovens tentaram salvar os objectos de culto e negociaram para que o mosteiro da Cartuxa não fosse incendiado.

- Segundo uma história não confirmada, Mortisac recusou-se a sair e defendeu a casa de Deus com uma espingarda, mas foi assassinado.

in gloria.tv


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terça-feira, 7 de novembro de 2023

Quando a morte era levada a sério

Antigamente, em algumas comunidades religiosas, deixava-se desocupado na capela e no refeitório, durante 40 dias, o lugar de um irmão que tinha falecido. 

Na capela faziam-se-lhe as saudações do costume, como se ele estivera presente; dava-se-lhe o ósculo da paz e dizia-se, na sua direção, o 'resquiescant in pace' do ofício coral.

No refeitório serviam-lhe a refeição diária e, acabada a refeição comum, vinha um pobre comê-la de joelhos, rezando pelo defunto.

Mons. José Basílio Pereira in 'Mês das Almas do Purgatório'


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Peregrinação em Rito Tradicional com mais de 2 mil pessoas






Mais de 2000 pessoas participaram na Peregrinação dos Três Corações, de Rito Romano Tradicional, em Oklahoma. A Abadia Beneditina de Clear Creek foi o ponto de chegada da peregrinação de dois dias. A Missa final na Abadia foi celebrada pelo Cardeal Burke.


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segunda-feira, 6 de novembro de 2023

São Nuno de Santa Maria: exemplo de Amor à Pátria e Santidade

A pátria não se discute, nem se condiciona a acordos e juramentos; está acima dos direitos dos homens. Se for necessário mudam-se as constituições, alteram-se os tratados, mas salva-se a pátria. A pátria não se discute porque não se escolhe, como não se escolhe a família em que nascemos; ama-se, defende-se e engrandece-se, à custa da própria vida, se for preciso.

Tinha então apenas dois séculos a Pátria portuguesa. Mas já possuía um património bem definido. Estava estabelecido o seu território continental. Já possuía língua própria e rica literatura. Tinha a sua Universidade como expressão da sua cultura. Tinha os seus santos, e tinha sobretudo uma grande vontade de viver. E viveu pela espada do Condestável, porque este a amou com o mesmo amor que amava a Deus.

Eu creio que se pode amar a pátria sem ser santo, mas também que só os santos encontram a medida exacta do amor da pátria no amor de Deus. Seria um erro pensar que os santos se esquecem da sua pátria. Seria erro pensar que o Cristianismo, por ser religião universal e chamar o homem constantemente à Pátria do Céu, o desintegra da Pátria da Terra. O próprio Cristo, exemplo máximo da santidade, amou a sua pátria e chorou por ela quando a viu encaminhar-se para a ruína.

O amor da pátria é uma das mais belas virtudes ensinadas pelo Cristianismo.

Santidade e patriotismo são coisas tão unidas que eu tive o atrevimento de procurar os exemplos de santidade de Nuno Álvares, não nos claustros do Carmo, mas nos campos de batalha. É mais eloquente a santidade vestida de guerreiro do que vestida de frade carmelita.

Eu tenho receio de que haja quem imagine a santidade em formas tão exóticas que só se vejam noutro mundo. Quando afinal é uma coisa muito simples. A santidade começa no fiel cumprimento dos nosso deveres cristãos e acaba numa intensa união com Deus. Talvez esteja nesta definição a essência da santidade. O santo começa onde começa o cristão; nem pensemos que se possa separar um do outro.

Eu já disse que escolhia apenas dois testemunhos da santidade de Nuno Álvares, e que os escolhia nas batalhas de Aljubarrota e Valverde. Na primeira eu fixo-me no pormenor que se repete em todas as histórias. O Exército Português confessou-se, comungou e jejuou. O jejum era preceito da Igreja, a confissão e a comunhão foram por devoção.

Não faltaria decerto quem tranquilizasse a consciência de Nuno Álvares dizendo-lhe que em campo de batalha não estaria obrigado ao preceito do jejum. Mas ele não precisava de tal conselho, não queria tal dispensa. Jejuou, sem receio de ver enfraquecidas as forças para manejar a espada. Jejuou e comungou, porque sabia por experiência, costumava dizer, que da comunhão "lhe resultava todo o esforço e fortaleza com que vencia e desbaratava seus contrários". E naquele dia não se enganou, porque com 7.000 portugueses em jejum venceu 30.000 castelhanos que talvez não fossem tão cuidadosos em respeitar o preceito da Igreja.

Da batalha de Valverde destacarei apenas o pormenor, sempre apregoado, do chefe que se ausenta no momento mais crítico da peleja, para ajoelhar e rezar.

Dizem que é gesto de cavaleiro medieval. Talvez hoje nenhum general assim fizesse. Até mesmo porque já se afirmou que o homem quando ajoelha perde um terço da sua altura. É assim que o orgulho mede o homem.

Mas alguém respondeu que nunca o homem é tão grande como quando ajoelha diante de Deus. É doutrina do Evangelho perder para ganhar; perder altura física pode ser a condição para ganhar a altura moral.

Por isso, os séculos admiram a figura do Condestável ajoelhado entre os penedos de Valverde, em íntima união com Deus. O gesto não é medieval, é do Evangelho, é expressivo da autêntica santidade do herói de Portugal.

Eu disse, a principiar, que subordinaria as minhas palavras ao tema Nuno Álvares Pereira, Sempre. Se há valores na vida humana, que transcendem os escassos limites do tempo, são precisamente o amor da pátria e o amor de Deus.

A Pátria Portuguesa tem oito séculos de história. Nasceu em Guimarães e tomou o nome desta gloriosa cidade do Porto; estendeu-se a Coimbra, Santarém, Lisboa, Évora e Algarve. Passou à África, estabeleceu-se na Guiné, em Angola, em Moçambique. Chegou à Índia, à China, à Oceânia.

Criou-a a espada do Fundador, que desceu até aos campos de Ourique, e consolidou-a a espada do Condestável, que tornou possível a era do Infante das Caravelas.

Quando olhamos, ainda que de relance, a história da nossa pátria, sentimos nobre orgulho de sermos Portugueses. Não é orgulho, é amor. E a herança mais preciosa que nos deixaram os nossos antepassados, mais do que os feitos gloriosos das batalhas e das descobertas, foi precisamente a lição do seu amor a Portugal. Os feitos têm o carácter do tempo em que se realizam. Nem sempre é preciso pegar em armas para defender a pátria, como nem sempre há ocasião de desbravar terrenos incultos; mas de uma forma ou de outra é sempre necessário que vibre nos corações um intenso amor à Pátria.

E quando eu penso na idade que tinha Nuno Álvares Pereira quando assumiu a defesa nacional, quando penso que o Condestável do Reino, o braço direito do Mestre de Avis, a lutar contra o poderio ambicioso de Castela, era um jovem de 24 anos; quando penso que a batalha de Aljubarrota marcou o apogeu do génio militar, numa estratégia que ainda hoje causa a admiração dos generais de todo o mundo, e quando penso que ele tinha então 25 anos, convenço-me de que não foi apenas um herói, foi um génio. E direi até que foi um autêntico dom de Deus à Pátria Portuguesa.

Em muitas outras ocasiões Portugal sentiu que tinha Deus por si, a marcar-lhe um destino e a ajudá-lo na sua realização.

Atrevo-me até a dizer que Portugal tem Deus por si a fazer milagres quando é preciso.

A Idade Média viu um milagre em Ourique. Eu creio realmente que Ourique foi um milagre, se não no sentido em que o viu a Idade Média, no sentido não menos admirável de uma ajuda extraordinária da Providência a uma nação que nascia naquela hora.

E não será milagre o génio de Nuno Álvares, o valor desse jovem de 25 anos que salva a pátria numa das horas mais graves da sua história? Terá realmente explicação natural a série de triunfos que se chama Atoleiros, Aljubarrota, Valverde, com exércitos inimigos quatro e cinco vezes superiores?

Não será milagre a história dos nossos descobrimentos, da nossa civilização, da nossa evangelização?

Milagre não é só aquilo que se apresenta com o cenário deslumbrante do acontecimento que excede as leis comuns. Num sentido talvez mais modesto, mas não menos verdadeiro, a mão de Deus através da História portuguesa é um verdadeiro milagre da Providência.

Nuno Álvares, Hoje, foi o tema que me pediram. Pensei que deveria limitar-me a meditar os gestos rasgados do seu heroísmo e da sua virtude. Fazer a aplicação desses gestos à época conturbada em que vivemos, VV.Ex.as a farão com facilidade.

Tenho para mim que a actualidade de Nuno Álvares está no apelo que o seu heroísmo e a sua santidade fazem constantemente. A cada um de nós. Já no seu tempo ele soube galvanizar a alma da melhor juventude portuguesa. Esses moços da sua idade ouviram um dia a exposição do seu ideal, mas ouviram ao mesmo tempo a exposição das dificuldades que os esperavam. E todos à uma dispuseram-se a segui-lo para formar a invencível Ala dos Namorados.

A mensagem de Nuno Álvares é hoje exactamente a mesma, e os bons portugueses serão dignos dele na medida em que se dispuserem a tudo sacrificar pela Pátria. Mas a mensagem do Condestável é ao mesmo tempo apelo ao amor de Deus.

Do acampamento de Nuno Álvares foram banidos os jogos de perdição e os elementos de corrupção dos costumes. Rezavam em comum, jejuavam, ouviam missa e comungavam. O cronista diz que me mais parecia uma comunidade de religiosos de que um acampamento de soldados. Era um santo que arrastava os outros, se não para o heroísmo da santidade, ao menos para a integridade do dever cristão.

Havemos de reconhecer que o Condestável ainda não teve a consagração que merece. As grandes praças, as grandes avenidas, têm outros nomes, não o dele. Há estátuas de figuras bem secundárias; ele não tem estátua. Até nas nossas igrejas é raro encontrar a imagem do santo herói de Portugal. Parece que ainda não o compreendemos.

Muito se enganam ao apelidar de medieval a sua vida cristã. O Evangelho não é medieval, é de sempre; e o Condestável, porque é santo, dá testemunho do Evangelho, numa actualidade impressionante.

Saiba Portugal meditar o exemplo dos seus heróis e dos seus santos; saiba meditar e seguir o exemplo deste que é dos maiores da nossa História, e Deus mais uma vez nos salvará.

D. Francisco Rendeiro, O.P., (Bispo do Algarve, 1961) in 'S. Nuno de Santa Maria, Nuno Álvares Pereira, Antologia de Documentos e Estudos sobre a sua Espiritualidade' (selecção e apresentação de J. Pinharanda Gomes, Lisboa, Zéfiro, 2009, páginas 120 a 124)


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sábado, 4 de novembro de 2023

A 'Sinodalidade' explicada por um perito

Depois destas várias experiências [nas comissões do Concílio Vaticano II], compreende-se que eu não tenha conservado muito do meu entusiasmo juvenil pela 'conciliaridade' em geral. E ainda menos por esta conciliaridade de trazer por casa, a que hoje se chama abusivamente 'colegialidade' [sinodalidade]; com a qual gente insidiosa, através de artimanhas, faz crer às pessoas, que compõem esses órgãos colegiais, que tomaram decisões quando, na realidade, foram outros que as tomaram.

Padre Louis Bouyer in 'Mémoires'


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O grande Bispo São Carlos Borromeu

Peça-mestra da Contra-Reforma católica, grande propugnador do Concílio de Trento, realizou profunda reforma na arquidiocese de Milão. Foi um exemplo de verdadeiro Pastor, por seu zelo pelas almas e santidade de vida.

Carlos Borromeu nasceu no castelo de Arona, nas margens do Lago Maior, Ducado de Milão, a 2 de Outubro de 1538, filho dos condes Gilberto e Margarida de Médici. A mãe era irmã do Cardeal João Ângelo, que seria elevado ao sólio pontifício com o nome de Pio IV. Dizia-se do conde que levava mais a vida de monge que a de grande senhor, rezando diariamente o breviário e dedicando muitas horas à oração e às boas obras. A condessa emulava com ele em piedade.

Todos os biógrafos do futuro santo mencionam uma claridade extraordinária que envolveu o castelo de Arona quando nascia o menino, tomada como sinal a denotar a luz de santidade que o recém-nascido projectaria em toda a Cristandade.

Com pais tão virtuosos, era natural que também se desse logo cedo à piedade, sendo as suas distrações montar altares e repetir cerimónias que via na igreja. Desabrochou logo cedo em Carlos a vocação sacerdotal, de modo que já aos oito anos recebeu a primeira tonsura; aos 12, o seu tio, Júlio César Borromeu, resignou em seu nome a Abadia de São Graciano e São Felino. Apesar da pouca idade, Carlos estava ciente de que as rendas da abadia eram património dos pobres. Pediu ao pai que as considerasse assim, e que fossem empregadas exclusivamente para esse fim.

A sua infância e juventude, como predestinado desde o berço, foi de grande inocência e perfeita integridade de costumes. Mesmo quando foi terminar os seus estudos na Universidade de Pavia, geralmente conhecida pela debochada vida dos seus estudantes, Carlos soube permanecer ileso naquele ambiente, com o auxílio da Virgem Santíssima, por quem nutria filial e confiante devoção, e dos sacramentos da confissão e comunhão.

Cardeal Arcebispo aos 22 anos

Aos 21 anos Carlos doutorou-se nos Direitos civil e eclesiástico. Os seus pais tinham já falecido. A sua carreira começaria cedo, pois no ano seguinte o seu tio, João Ângelo, eleito Papa, chamou-o para junto de si e fê-lo Cardeal Arcebispo de Milão. Encarregou-o, apesar dos seus 22 anos, da maior parte do governo da Igreja. Isto é, fê-lo Secretário de Estado sem o título, além de Protonotário Apostólico da firma pontifícia e várias outras honrarias.

Não movido pela ambição, mas pela obediência, Carlos entregou-se ao trabalho. Diz um biógrafo: “Foi coisa admirável que quanto possuía (causa comumente de ruína para os demais) foi-lhe de não pouca ajuda para a perfeição a que anelava, porque, ocupando tão grande posto e gozando de todos os bens que o ânimo mais altivo apenas atreveria prometer-se, achava tudo tão sem gosto e substância, que generosamente se deu a buscar um só e perfeito bem no qual achasse plena satisfação e cabal paz”.(1)

Carlos alojou-se, vestiu-se e mobiliou seus aposentos com magnificência, para sustentar a sua qualidade de príncipe, de cardeal e de sobrinho do Papa.

Mas repentinamente ocorreu o falecimento do Conde Frederico, seu irmão mais velho, a quem o Papa chamara também a Roma e cumulara de honras. Todos esperavam que Carlos, não tendo ainda sido ordenado sacerdote e sendo agora o único herdeiro do nome da família, deixasse a carreira eclesiástica e se casasse para perpetuar o nome. Ele, pelo contrário, acelerou a sua ordenação e consagração total a Deus de modo irrevogável.

Considerando então a sublime dignidade sacerdotal e a obrigação que tinha de ser o bom odor de Cristo, despojou-se das ricas vestes de seda, simplificou o serviço de sua casa e escolheu o piedoso Pe. João Battista Ribeira, jesuíta, para seu diretor espiritual. Vendeu também boa parte do seu património, entregando o valor aos tios com a condição de darem parte da renda para a assistência dos seminários, escolas gratuitas, hospitais, conventos e pobres.

Grande propugnador do Concílio de Trento

Uma das suas iniciativas mais importantes foi trabalhar para a conclusão do Concílio de Trento, que fora interrompido. Não podendo dele participar, por causa de seus afazeres em Roma, empenhou-se na publicação de suas Actas e do Catecismo Romano, conforme dispunha o Concílio, e da reforma do breviário. Trabalhou também para pôr em prática as resoluções dessa assembleia conciliar, principalmente no que diz respeito à reforma do clero, contando para isso com a ajuda muito eficaz de São Felipe Néri. Cooperou também para a reforma da música sacra, decretada pelo Concílio, e pela adopção da polifonia proposta e executada pelo grande compositor Giovanni Pierluigi da Palestrina.

Como a missão de um bispo é guiar as suas ovelhas, começou, para esse fim, a exercitar-se na pregação, com assombro de todos, pois não era costume na época que cardeais se entregassem a esse ministério. As suas palavras penetravam a fundo, obtendo grande fruto.

Sabendo como era necessário aos bispos o conhecimento da doutrina católica para opor-se às falsas doutrinas dos hereges, começou o estudo de lógica e filosofia. Mas, sobretudo, queria pôr em prática as normas do Concílio na sua Arquidiocese de Milão, como pastor de almas que era. Depois de muito insistir, obteve do Papa licença para dela tomar posse.

Autêntica reforma na diocese

Chegando a Milão, o Cardeal Borromeu, seguindo a orientação do Concílio, começou a reforma do clero. Que este necessitava urgentemente de reforma, é certo, pois “os padres eram ainda mais desregrados que o povo; a sua ignorância era tão grande, que a maioria não sabia as fórmulas dos sacramentos; alguns não acreditavam mesmo que fossem obrigados a confessar-se, porque confessavam os outros. A bebedeira e o concubinato eram muito comuns entre eles, e acrescentavam a esses sacrilégios outros mais execráveis, pela administração dos sacramentos e celebração dos Santos Mistérios num estado criminoso e escandaloso. [...] Os mosteiros femininos estavam [também] abertos a toda a dissolução”.(2) 

Como o mal não era somente da cidade de Milão, mas de toda a arquidiocese, Carlos convocou um concílio provincial para promulgar os decretos do Concílio de Trento. A ele acorreram 11 bispos da região. Chegou a convocar seis concílios provinciais e 11 sínodos diocesanos com o mesmo fim.

Começou por sua própria casa a reforma que pregava, estabelecendo nela um regulamento para que todos vivessem com simplicidade e modéstia. Havia horário para as orações vocal e mental e para o exame de consciência, e ninguém podia ausentar-se desses actos sem permissão. Os sacerdotes eram obrigados a confessar-se todas as semanas e a celebrar o Santo Sacrifício diariamente. Os não-sacerdotes deveriam confessar-se e comungar semanalmente e assistir à Missa diariamente. 

As refeições eram em comum, com a leitura de algum livro de vida espiritual. Enfim, ordenou a sua casa como se fosse um colégio da Companhia de Jesus, com exercícios, costumes e ofícios semelhantes aos que há nas casas da Companhia. Ele dava o exemplo, sendo o mais observante de todos. Mas, como tinha mais responsabilidade, pois era o pastor, passou a levar uma vida de verdadeiro anacoreta: dormia poucas horas, sobre umas pranchas, flagelava-se impiedosamente e comia pouco, chegando no fim da vida a viver só de pão e água uma vez por dia. A sua delicada saúde ressentiu-se disso, e foi necessário apelar para o novo Papa, São Pio V, para que lhe ordenasse atenuar um tanto as suas penitências.

Na terrificante peste de 1576

As obras do santo foram incontáveis. “Estabeleceu uma ordem edificante na catedral de Milão; a devoção dos eclesiásticos, a magnificência dos ornamentos, o esplendor das cerimónias formavam um conjunto do mais tocante efeito. Edificou muitos seminários, fundou um colégio de nobres; os edifícios eram soberbos e as regras traziam o cunho da sabedoria do santo fundador. Estabeleceu em Milão os padres teatinos. [...] Recebeu os padres da Companhia de Jesus. Fundou também uma congregação de sacerdotes sem votos (Padres Oblatos de Santo Ambrósio), dependentes só dele como seu chefe imediato, a fim de os ter à mão para os empregar consoante o pedissem as necessidades da diocese”.(3)

Entretanto, onde o zelo do santo mais se desdobrou foi por ocasião da violenta peste que assolou Milão em 1576. Todos que puderam fugiram, inclusive as autoridades civis. Mas o Pastor não podia abandonar as suas ovelhas feridas. Vendeu toda a prataria do palácio episcopal para socorrer os atingidos, deu-lhes todos os móveis da sua casa e até o seu próprio leito. Ele ia confessá-los e administrar-lhes os últimos sacramentos, visitava-os nos hospitais ou nos tugúrios, ordenou preces e procissões para pedir o fim da epidemia, e ofereceu-se como vítima pelos pecados de toda a sua diocese. As coisas que fez durante essa epidemia foram tão admiráveis, que encheram de assombro toda a corte romana e toda a Cristandade.

São Carlos Borromeu morreu aos 46 anos, a 4 de Novembro de 1584, tendo sido canonizado em 1610.(4)

Plínio Solimeo in catolicismo.com.br

Notas:
1. Pe. Pedro Ribadaneira, Flos Sanctorum, in Dr. Eduardo Ma. Vilarrasa, La Leyenda de Oro, L. González y Compañia, Barcelona, 1897, tomo 4º, p. 237.
2. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints d’après le Père Giry, Paris, Bloud et Barral, 1882, tomo 13, pp. 180-181.
3. Pe. José Leite, S.J., Santos de Cada Dia, Editorial A.O., Braga, 1987, tomo III, pp. 263 e ss.
4. Outras obras consultadas: Fr. Justo Perez de Urbel, Año Cristiano, Ediciones Fax, Madrid, 1945, tomo IV, pp. 264 e ss.; Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, Saragoça, 1949, tomo VI, p.41 e ss.


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sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Recordando a Missa Pontifical do Cardeal Raymond Burke em Fátima

Há 6 anos, neste dia, o Cardeal Burke celebrou uma Missa Pontifical em Fátima. Discutiu-se muito a roupa do Cardeal mas nada se disse sobre a beleza e sacralidade da celebração. Fica aqui uma pequena amostra.


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Conferência de D. Athanasius Schneider em Lisboa




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quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso

Hoje a Igreja comemora o dia dos Fiéis Defuntos. É dia de rezar por todos os que já morreram, especialmente pelas pessoas da nossa família e pelos nossos amigos que já foram chamados à presença de Deus. Também é bom visitar as suas campas durante esta primeira semana de Novembro. É bom rezar esta oração muitas vezes:

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso,
nos esplendores da luz perpétua. 
Que descansem em paz. 
Ámen.


Requiem æternam dona eis, Domine,
et lux perpetua luceat eis.
Te decet hymnus Deus, in Sion,
et tibi reddetur votum in Ierusalem.
Exaudi orationem meam;
ad te omnis caro veniet.
Requiem æternam dona eis, Domine,
et lux perpetua luceat eis.


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O Dia dos Fiéis Defuntos

Os Santos que estão no Céu não precisam das nossas orações. Às almas que penam no Inferno de nada lhes aproveitam as nossas súplicas. As almas do Purgatório, essas sim, são auxiliadas pelos nossos sufrágios, que muito agradecem rezando também por nós.

1. É costume, bem o sabemos, haver no dia dos Fiéis Defuntos (que a maçonaria quer agora intitular de dia de Luto Nacional) grandíssima concorrência aos cemitérios. Essa imensidade de pessoas será movida pela saudade e gratidão para com os que partiram. A saudade poderá, em alguns casos, não passar de um forte protesto da natureza, que recusando-se a aceitar a morte quer perpetuar, através da memória e do sentimento, a vida daqueles que partiram - será um esforço admirável mas ultimamente vão, enganador e inútil. A limpeza das campas, as flores e demais adornos, poderão ser em alguns casos, um sinal de gratidão ou mesmo de reparação pelos remorsos que se experimentam devido ao mal ou insuficiências de amor que foram, ou se julga terem sido feitas, à pessoa que partiu.


Creio, porém, que na maioria das pessoas que assim rumam aos ‘mortos’ há uma espécie de “instinto” da imortalidade, da eternidade, da Salvação. Essa intuição poderá ser nebulosa, confusa, não explícita, mas é certamente real.

 

2. No dia 1 de Novembro celebramos e festejamos todos os Santos, canonizados ou não, suplicando a sua intercessão por nós, contemplando os exemplos de suas vidas, tomando consciência da sua companhia. Comemoramos, pois, aqueles que, sem dúvida alguma, nos podem ajudar. Pelo contrário, no dia seguinte, imploramos a Deus por todos aqueles que estão no Purgatório, suplicando que alcancem o Céu o mais rapidamente possível. De facto, essas almas (recorrendo a uma linguagem simples) não se podem ajudar a si próprias, porém, nós podemos e devemos, em virtude do Amor-Caridade a que somos chamados, auxiliá-las muito abreviando os seus padecimentos purificadores, quer aplicando-lhes indulgências, quer fazendo sacrifícios, quer ajudando os pobres (em particular os mais inocentes e indefesos), quer, principalmente, pedindo que se celebrem Missas em sufrágio de suas almas (as esmolas que se dão por ocasião destas celebrações são importantes: 1- para que o fiel que as manda celebrar tenha, em virtude dessa caridade, uma participação mais frutuosa no Santo Sacrifício que é oferecido; 2 - para o sustento dos Sacerdotes e de várias obras da Santa Igreja tais como, por exemplo, obras caritativas e as Missões).

 

3. Recém Ordenado Padre fui enviado para Coimbra. Cerca de um mês depois calhou o 2 de Novembro. Nesse dia, repetindo-se em outros anos, como era costume nesse convento, cada Padre rezava três Missas seguidas, uma vez que assim é autorizado. Tirante quem sacrificava fora, recordo-me de celebrarmos, nesses tempos, nove Missas seguidas na nossa Igreja, que estava sempre completamente cheia de fiéis transbordantes de devoção. 


Era palpável uma enorme consciência do poder da oração, do Transcendente e das Realidades Últimas, em particular da Salvação definitiva e, consequentemente, da Ressurreição. Quando mais tarde deixei aquele convento, não nunca mais voltei a ver o mesmo... 

Mas tenhamos Esperança!


Padre Nuno Serras Pereira



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quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Se há tantos santos, porque não eu?

A beatitude consiste em alcançar aquilo que preenche e torna feliz o coração do homem. É a felicidade que conseguiram os santos que hoje celebramos, todos reunidos numa única festa. É um grupo que ninguém pode enumerar e que lavaram as suas vestes no sangue do Cordeiro, isto é, experimentaram em vida e na morte a infinita Misericórdia Divina e vivem também, pela virtude deles, na beatitude eterna.

Uma beatitude à qual todo fiel aspira na esperança que o próprio Cristo nos infunde. O Cristo anuncia uma felicidade que não é da ordem dos valores terrenos, mas é em vista do Reino, proclamado por Ele, e, mesmo começando já nesta Terra para aqueles que acolhem Cristo e as suas exigências, será definitiva somente na eternidade. 

A Igreja, formada por todos os santos, convida-nos hoje a olhar para o futuro e para o prémio que Deus reservou àqueles que o seguem no difícil caminho da perfeição evangélica. Todos nós gostaríamos que, depois da nossa morte, este dia fosse também a nossa festa. Jesus convida-nos a regozijarmos e alegrarmos já durante o percurso, em vista à chegada final. 

A santidade, portanto, não é a meta de poucos privilegiados, mas a aspiração contínua e constante de todo crente, na firme convicção de que ela é antes de tudo um projecto divino que a ninguém exclui e que nos foi confirmada a preço do sacrifício de Cristo, que deu a vida pela nossa salvação, e, portanto, pela nossa santidade. 

Não conseguir a meta significaria tornar-se responsável daquele grande pecado, que esperamos que ninguém cometa, de frustrar a obra redentora do Salvador. Santo Agostinho, movido por santa inveja costumava repetir a si mesmo: “Se tantos e tantas, porque não eu?”

Dos Sermões de São Bernardo, Abade e Doutor da Igreja


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Pão Por Deus: História de uma tradição bem Portuguesa

O Pão Por Deus é uma tradição bem Portuguesa, mas a sua origem evolução e história até hoje é algo fascinante. Por vezes no entanto pensamos que poderá estar ameaçado por um Halloween que até poderá ter raízes longínquas partilhadas.

A globalização tem cada vez implementado mais o Halloween entre os Portugueses. O fenómeno da televisão, e mais recentemente a Internet, trazem até nós esta festividade anglo-saxónica.

As Origens Pagãs

As oferendas aos mortos nestas alturas do ano são comuns em diversas culturas pagãs, incluindo as celtas que habitaram o que é hoje Portugal.

Tendo em conta que muitas teses apontam a origem do Halloween como festividades célticas é interessante ver as semelhanças e desenvolvimento de ambos.

Também sabemos que muitas festas pagãs foram aos poucos tomando roupagens Cristãs, e a pouco e pouco se fundiram.

A Origem do Pão Por Deus Cristão

Com o passar dos anos foi cada vez mais promovido pela Igreja Católica o culto dos mortos, e a tradição de reservar lugar à mesa, e também de deixar comida para os mesmos.

Começou também o costume de deixar o primeiro pão de uma fornada nesta altura à porta da casa tapado por um pano. Seria para honrar os mortos, mas a intenção era também quem de mais pobre por ali passasse tomasse a parte física para si.

Assim este pão para os fieis defuntos começou a ter a vertente de partilha com quem necessitava.

O Terremoto de 1755

Um dos dias mais negros da história de Portugal é o de 1 de Novembro de 1755. Neste Dia de Todos os Santos, Lisboa viria a sofrer a maior catástrofe da sua história, sendo muito do país também afectado por ela.

Aí os afectados por tal tormenta foram a quem algo salvou pedir Pão Por Deus, tentando ter algo para matar a fome, aos que sobreviveram à catástrofe,

Relatos contam que nos anos seguintes nesse mesmo dia se aumentou o costume do Pão Por Deus, em jeito de celebração e agradecimento a quem tinha sobrevivido. Talvez por isso esta tradição seja tradicionalmente mais forte na região da grande Lisboa.

A Evolução até aos dias de Hoje

Com o passar dos anos progressivamente passou a ser cada vez mais um peditório das crianças. No século XX, onde os registos são mais constantes e fiáveis, começamos a ver muito o Pão Por Deus como a festa das Crianças.

Neste dia as crianças de manhã cedo iam de porta em porta a pedir o Pão Por Deus. Recebendo tradicionalmente frutos secos, romãs, pão e bolos.

Nos anos mais recentes, e mesmo contando alguns ciclos de menor fulgor, começou a ver-se cada vez mais como um dia em que as crianças pedem de porta em porta doces, sendo que ainda se continua a ver alguns frutos secos.

O saco de pano do Pão Por Deus é muito comum em todos estes registos, e nos dias que correm continua a existir, sendo que com a Internet temos visto muitos pequenos negócios a vender até versões personalizadas dos mesmos.

O Doçura ou Travessura Português

Um dos pontos de enfoque da cultura popular americana, que nos chega pela televisão e Internet, é a doçura ou travessura. É, no entanto, engraçado ver que algo semelhante existe tradicionalmente registado em Portugal.

As rimas e cantigas são normalmente descritas quando as crianças batem à porta. E em alguns casos vemos que detêm estrofes de agradecimento a quem oferta doces, mas menos simpáticas para quem não o faz.

A cantiga inicial:

Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós,
Para dar aos finados
Que estão mortos e enterrados

À bela, bela cruz
Truz, Truz!

A senhora que está lá dentro
Sentada num banquinho
Faz favor de s’alevantar
Para vir dar um tostãozinho.

A resposta nas casas em que são ofertados doces:

Esta casa cheira a broa,
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho,
Aqui mora um santinho.

E a resposta para quem não os dá
Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho.
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto

Variações ao longo do país

Em muitas outras regiões do país o Pão Por Deus é celebrado. No entanto existe ao longo do território algumas variações do mesmo.

Na estremadura é conhecido muitas vezes como o “Bolinho”, e a tradição é dar bolos festivos especialmente confeccionados nesta época do ano.

Já nos Açores a tradição é dar estas caspiadas, que dizem lembrar a o topo de uma caveira humana, honrando assim também os mortos.

Desde a tradição celtica, passando por todas as tradições cristãs, o Pão Por Deus é neste momento uma festa do povo, e mais que tudo das crianças.

Com ou sem máscaras, com ou sem Halloween, o Pão Por Deus está para ficar, e penso até que tem voltado a crescer nos últimos anos. E é mais uma bela tradição de Portugal.

in ofportugal.com


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