segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

O Santo Cura d'Ars e a virtude da Pureza

Santo Ambrósio diz que a pureza nos eleva até ao Céu e nos faz deixar a Terra, enquanto é possível a uma criatura deixá-la. Ela eleva-nos por sobre a criatura corrompida e, pelos seus sentimentos e desejos, faz-nos viver da mesma vida dos anjos. Segundo S. João Crisóstomo, a castidade duma alma é de um preço aos olhos de Deus maior do que a dos anjos, pois os cristãos só podem adquirir esta virtude pelo combate, enquanto que os anjos a têm por natureza. Os anjos não têm nada a combater para conservá-la, enquanto que um cristão é obrigado a fazer uma guerra contínua a si mesmo. 

S. Cipriano acrescenta que a castidade nos torna apenas semelhantes aos anjos mas dá-nos ainda um carácter de semelhança com o próprio Jesus Cristo. Uma alma casta é uma imagem viva de Deus sobre a terra.

Quanto mais uma alma se desapega de si mesma pela resistência às suas paixões, mais ela se une a Deus; e, por um feliz retorno, mais o bom Deus se une a ela; Ele olha-a, considera-a como sua esposa, como sua bem-amada; faz dela o objecto das suas mais caras complacências, e fixa nela a sua morada para sempre. 'Bem-aventurados', diz-nos o Salvador, 'os puros de coração, porque eles verão o bom Deus'. 

Segundo S. Basílio, se encontramos a castidade numa alma, encontramos aí todas as outras virtudes cristãs, e irá praticá-las com uma grande facilidade, 'porque para ser casto é preciso impor-se muitos sacrifícios e fazer-se uma grande violência. Mas uma vez que se alcançou tais vitórias sobre o demónio, a carne e o sangue, tudo o resto lhe custará muito pouco, pois uma alma que subjuga com autoridade este corpo sensual, vence facilmente todos os obstáculos que encontra no caminho da virtude'. 

Vemos também, meus irmãos, que os cristãos castos são os mais perfeitos. Nós vêmo-los reservados nas suas palavras, modestos em todos os seus passos, sóbrios nas suas refeições, respeitosos nos lugares santos e edificantes em toda a sua conduta. 

Santo Agostinho compara aqueles que têm a grande alegria de conservar o seu coração puro, aos lírios que se elevam directamente ao Céu e que difundem ao seu redor um odor muito agradável; só a vista deles nos faz pensar naquela preciosa virtude. Assim a Virgem Santa inspirava a pureza a todos aqueles que a olhavam... Bem-aventurada virtude, meus irmãos, que nos põe entre os anjos, que parece mesmo elevar-nos por sobre eles!

S. João Maria Vianney (o Santo Cura d'Ars) in Sermão sobre a Pureza


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domingo, 10 de dezembro de 2023

Os impressionantes números do pontificado do Papa Pio XII

Estas são as estatísticas da Igreja nos Estados Unidos durante o Pontificado do Papa Eugenio Pacelli. É impressionante ver o aumento em todas as vertentes eclesiais, sendo de destacar o aumento de 51,5% no número de sacerdotes e 68% no número de católicos.



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A miraculosa trasladação da Casa da Sagrada Família de Nazaré até Loreto

Em Loreto, Itália, venera-se a Santa Casa: quer dizer o edifício onde Nossa Senhora nasceu, viveu e recebeu o anjo São Gabriel na Anunciação, momento em que o 'Sim' da Virgem permitiu a Encarnação do Verbo e o início da Redenção do género humano.

Em Nazaré, Terra Santa, sob a cúpula da igreja da Anunciação também se venera o local onde aconteceu este sublime mistério. Como se explica essa aparente duplicidade de endereços?

Esta contradição comporta maravilhosos acontecimentos que envolvem a translação da Santa Casa de Nazaré até Loreto por obra de Anjos.

Mas, o que diz a ciência a respeito? Não é tarefa da ciência declarar se um facto foi miraculoso ou não, se foram os anjos ou não. Mas, analisar a realidade segundo os seus métodos, instrumentos e objetivos próprios. E a ciência, trabalhando sobre o mistério da Santa Casa de Nossa Senhora, vêm trazendo a lume revelações materiais que explicam o acontecido e reforçam a fé. Eis um apanhado de algumas descobertas feitas nas últimas décadas.

O Altar dos Apóstolos na Santa Casa

O arquitecto Nanni Monelli e o Pe. Giuseppe Santarelli, director-geral da Congregação da Santa Casa de Loreto, constataram que as pedras que se encontram na Gruta da Anunciação, em Nazaré, Terra Santa, têm a mesma origem da pedra do altar dos Santos Apóstolos que está na Santa Casa de Loreto, em Itália. O Altar dos Apóstolos é constituído por uma pedra – hoje coberta por uma grade de metal – trabalhada em estilo nabateano, típico da Palestina. E leva esse nome porque nele os Apóstolos teriam celebrado a Missa quando iam a Nazaré visitar a casa de Nossa Senhora.

O Professor Giorgio Nicolini, especialista na matéria e autor do livro 'La veridicità storica della miracolosa Traslazione della Santa Casa di Nazareth a Loreto' (A veracidade da milagrosa trasladação da Santa Casa de Nazaré a Loreto), explicou à agência Zenit que “sobre a autenticidade da Santa Casa de Loreto enquanto verdadeira Casa de Nazaré de Maria jamais houve dúvida alguma, a não ser da parte daqueles que não conhecem os estudos científicos a respeito. Isso é tão verdadeiro que todos os Sumos Pontífices, durante sete séculos, confirmaram a autenticidade com solenes actas canónicas de aprovação”.

Nicolini acrescentou que este estudo sobre o Altar dos Apóstolos “é importante porque, além de proporcionar uma ulterior prova da autenticidade da Santa Casa de Loreto como a Casa de Maria em Nazaré, proporciona também uma prova ainda mais espetacular da milagrosa trasladação da Santa Casa de Nazaré”.

Percurso da Santa Casa desde a Palestina até Loreto

A tradição sempre afirmou que entre 1291 e 1296 três paredes da Santa Casa de Nazaré foram miraculosamente transportadas por anjos a “vários lugares”.

Isto está registrado em documentos antigos nos quais se fala da presença desse Altar unido às três paredes. Por exemplo, em Tersatto, Dalmácia (hoje Trsat, Croácia), onde a Santa Casa esteve entre 10 de Maio de 1291 e 10 de Dezembro de 1294.

Por isso pode-se afirmar que houve um duplo milagre: o transporte milagroso das três santas paredes na sua integridade e, em segundo lugar, junto com elas, mas como um objecto distinto da casa, o Altar dos Apóstolos.

No seu livro Nicolini demonstra que, do ponto de vista histórico e arqueológico, pelo menos cinco translações milagrosas ficaram constatadas de modo indiscutível entre 1291 e 1296.

A primeira levou a Santa Casa até Tersatto (Croácia); a segunda até Posatora (província de Ancona, Itália); a terceira até a floresta da senhora Loreta, na planície que está sob a actual cidade de Loreto (cujo nome deriva precisamente do nome dessa senhora); a quarta até a roça de dois irmãos sobre o morro lauretano (conhecido também como Monte Prodo); e a quinta até uma estrada pública, onde ainda se encontra sob a cúpula da magnífica basílica posteriormente construída em volta.

Todas estas mudanças foram registradas nos diversos lugares por testemunhas oculares contemporâneas. As mudanças foram rigorosamente controladas pelos Bispos diocesanos da época, que emitiram pronunciamentos canónicos sobre a veracidade dos factos e dos testemunhos. Tal é confirmado pelas igrejas construídas nos diversos locais na época das mudanças e consagradas pelos Bispos de Fiume, Ancona, Recanati, Macerata e Nápoles, entre outros.

Nicolini esclareceu que em Loreto se encontram apenas as três paredes que constituíam o quarto de Nossa Senhora, geralmente chamado de Santa Casa, local onde aconteceu a Anunciação. A quarta parede do quarto é a gruta, a qual pode ser visitada na igreja da Anunciação em Nazaré, Terra Santa. Ali ficaram apenas a gruta e os alicerces da Casa. Enquanto em Loreto se venera a Casa desprovida dos seus alicerces, em Nazaré ficaram a gruta e os alicerces sem a casa.

Análise de pedras, tijolos e argamassa

Ao mesmo tempo em que a análise química da massa que une as pedras apresenta características típicas da zona de Nazaré, a sua homogeneidade exclui qualquer possibilidade de uma hipotética desmontagem e remontagem das pedras. A massa foi feita com sulfato de cálcio hidratado (gesso) engrossado com pó de carvão de madeira, segundo uma técnica utilizada na Palestina há 2000 anos, mas jamais empregada na Itália.

Portanto, a Santa Casa chegou a Loreto com as pedras e os tijolos unidos pela mesma massa usada para uni-los há 2000 anos em Nazaré, assim se encontrando até hoje.

Ensinamento dos Papas sobre a Santa Casa de Loreto

O Bem-aventurado Papa Pio IX escreveu na 'Bula Inter Omnia', de 26 de Agosto de 1852:

Entre todos os santuários consagrados à Mãe de Deus, a Imaculada Virgem Maria, um encontra-se no primeiro lugar e brilha com incomparável fulgor: a venerável e augustíssima casa de Loreto. consagrada pelos mistérios divinos, ilustrada por inumeráveis milagres, honrada pelo concurso e afluência dos povos, a glória do seu nome atinge toda a Igreja universal, e constitui muito justamente objecto de culto para todas as nações e para todas as raças humanas. Em Loreto venera-se aquela casa de Nazaré, tão querida ao coração de Deus, e que, fabricada na Galileia, foi mais tarde separada das suas bases e, pela força divina, trasladada além do mar, primeiro à Dalmácia e logo à Itália.

E o santo pontífice acrescentou: 

Naquela casa, a Santíssima Virgem, que por eterna e divina disposição ficou perfeitamente isenta da culpa original, foi concebida, nasceu e cresceu, e o celestial mensageiro a saudou ‘cheia de graça’ e ‘bendita tu és entre todas as mulheres’. Naquela casa, Nossa Senhora, repleta de Deus e sob a acção fecunda do Espírito Santo, sem perder nada da sua inviolável virgindade, tornou-se a mãe do filho unigénito de Deus.

Também o Sumo Pontífice Leão XIII escreveu, na sua 'Encíclica Felix Lauretana Cives', de 23 de Janeiro de 1894: 

Compreendam todos, e em primeiro lugar os italianos, quão especial dom lhes foi concedido por Deus que, com suma providência, subtraiu prodigiosamente a Casa a um poder indigno [N.: refere-se aos muçulmanos ] e com um expressivo acto de amor a ofereceu a eles. Naquela beatíssima moradia foi sancionado o início da salvação humana, com o grande e prodigioso mistério de Deus que Se fez homem, e que reconcilia a humanidade perdida com o Pai eterno e renova todas as coisas.” 

E ainda: 

Deus quis de tal maneira exaltar o Nome de Maria para tornar realidade neste lugar (Loreto), aquela famosa profecia: ‘Todas as gerações chamar-me-ão bem-aventurada.’”

Numerosos Papas aprovaram ininterruptamente desde o início a veracidade histórica do milagroso traslado da Santa Casa, desde Nicolau IV em 1292 até João Paulo II em 2005 e o Papa Bento XVI em 2007.

in cienciaconfirmaigreja.blogspot.com


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sábado, 9 de dezembro de 2023

D. Athanasius Schneider convoca uma Cruzada Mundial de Oração

Cruzada Mundial de Oração em honra do Imaculado Coração de Maria, implorando uma intervenção Divina para a crise da Igreja

Nossa Senhora em Fátima deu-nos, para o nosso tempo, como meio espiritual eficiente para obter favores Divinos especiais a oração do Rosário e a prática dos Cinco Primeiros Sábados.

A prática dos Cinco Primeiros Sábados consiste no seguinte: no primeiro Sábado de cinco meses consecutivos, receber o sacramento da Confissão e a Sagrada Comunhão, rezar o Terço e meditar durante quinze minutos pelo menos sobre um dos quinze mistérios do Rosário, com a intenção de reparar os pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Face à tremenda crise que actualmente aflige a Igreja Católica, a Confraria de Nossa Senhora de Fátima lança uma cruzada espiritual mundial que consiste na oração diária do Santo Terço e na prática dos Cinco Primeiros Sábados, para implorar, através do Imaculado Coração de Maria, a ajuda e intervenção de Deus, especialmente na Santa Sé em Roma.

Esta cruzada espiritual começará no primeiro Sábado de janeiro de 2024 (6 de Janeiro) e terminará no primeiro Sábado de Dezembro de 2024 (7 de Dezembro).

8 de Dezembro de 2023, Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria

Christopher P. Wendt, Diretor Internacional da Confraria de Nossa Senhora de Fátima
+ Dom Athanasius Schneider, Assistente Espiritual da Confraria de Nossa Senhora de Fátima, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana


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Bombeiro presta continência à imagem da Imaculada Conceição coroada na 'Piazza di Spagna' (em Roma)



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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

A doutrina da Imaculada Conceição revelada e glorificada até por um demónio

A devoção à Imaculada Conceição de Nossa Senhora vem dos tempos apostólicos. Na Idade Média, porém, adquiriu enorme força e extensão. Por fim, no século XIX foi proclamada dogma da Igreja Católica. Nenhum católico pode negá-la ou pô-la sequer em dúvida, sem cair em heresia e ficar fora da Igreja. O que passamos a descrever passou-se no século XIX.

No dia 8 de Dezembro de 1854, o Bem-aventurado Papa Pio IX promulgou solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Deus Encarnado, Nosso Senhor Jesus Cristo. E no dia 25 de Março de 1858, festa da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora e da Encarnação do Verbo, a Santíssima Virgem apareceu, em Lourdes, a Santa Bernadette. Nesse dia Ela confirmou o dogma, dizendo: “Eu sou a Imaculada Conceição”. E inaugurou uma torrente de milagres que não cessa até hoje!

Poucas pessoas sabem que em 1823, trinta anos antes da proclamação desse magnífico dogma, dois sacerdotes exorcistas obrigaram um demónio, que possuía um rapaz, a cantar o louvor dessa santa verdade. E o demónio teve que fazê-lo, obviamente a contragosto, mas com uma rima poética que reverenciou a glória de Nossa Senhora.

O demónio é “espírito de mentira”, mas o exorcismo pode obrigá-lo a dizer a verdade, inclusive sobre matérias de Fé, como a divindade de Jesus Cristo, as virtudes da Imaculada Virgem, a existência do Paraíso, do inferno, etc. Foi o que aconteceu com o demónio que tinha entrado num jovem analfabeto de apenas doze anos, residente em Adriano di Puglia, Itália, hoje Ariano Irpino, na província e diocese de Avellino.

Os exorcistas foram dois religiosos dominicanos, o Pe. Gassiti e o Pe. Pignataro, que estavam na cidade pregando uma missão. Eles haviam recebido o “placet”, ou autorização do bispo, para fazer o exorcismo. E obrigaram então aquele demónio a responder a muitas perguntas, entre as quais, uma sobre a Imaculada Conceição.

Apesar de o diabo dar sinais de máxima contrariedade, os exorcistas impuseram-lhe que falasse sobre o especialíssimo privilégio concedido por Deus a Maria Santíssima. Assim sendo, o demónio então confessou que a Virgem de Nazaré jamais esteve sob seu poder, nem mesmo durante um só instante. Pelo contrário, confessou que desde o primeiro instante da sua vida Ela sempre esteve “cheia de graça” e foi toda de Deus.

Os dois exorcistas obrigaram o espírito das trevas a testemunhar a Imaculada Conceição sob a forma de versos poéticos. E o demónio, que se perdeu por culpa própria e conhecendo perfeitamente as coisas, compôs na língua italiana um soneto impecável, perfeito como construção poética e como teologia.

Como a tradução para o português prejudica a rima, nós reproduzimo-lo em italiano no fim do post*:

Eu sou Mãe verdadeira de um Deus que é Filho
e sou filha d'Ele, embora seja sua Mãe;
Ele nasceu ab aeterno e é meu Filho,
Eu nasci no tempo e, entretanto, sou Sua Mãe.

Ele é meu criador, porém é meu Filho,
Eu sou Sua criatura, porém sou Sua Mãe;
Foi um prodígio divino Ele ser meu Filho
Um Deus eterno me ter por Mãe.

A vida é comum entre a Mãe e o Filho
Porque o Filho recebe o ser da Mãe,
E a Mãe recebeu o ser do Filho.

Ora, se o Filho recebeu o ser da Mãe,
Ou se diz que o Filho nasceu com mancha,
Ou foi a Mãe que foi concebida sem mancha.

Se não formos piores que esse demónio do inferno, ajoelhemo-nos diante da Imaculada Virgem e veneremo-la pelos séculos dos séculos, dizendo:


“Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.

*Vera Madre son Io d’un Dio che è Figlio
e son figlia di Lui, benché sua Madre;
ab aeterno nacqu’Egli ed è mio Figlio,
in tempo Io nacqui e pur gli sono Madre.

Egli è mio creator ed è mio Figlio,
son Io sua creatura e gli son Madre;
fu prodigo divin l’esser mio Figlio
un Dio eterno, e Me d’aver per Madre.

L’esser quasi è comun tra Madre e Figlio
perché l’esser dal Figlio ebbe la Madre,
e l’esser dalla Madre ebbe anche il Figlio.

Or, se l’esser dal Figlio ebbe la Madre,
o s’ha da dir che fu macchiato il Figlio,
o senza macchia s’ha da dir la Madre 

Luis Dufaur in Ciência confirma a Igreja


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A Imaculada Conceição e a História de Portugal

As Nações sobrevivem à erosão do tempo e permanecem vivas na história dos povos se prosseguirem na fecundidade que lhes vem da sua espiritualidade e da sua cultura. A diluição espiritual e cultural de um povo significará inevitavelmente a perca da sua identidade e a sua fusão num hoje sem futuro.

A História de Portugal regista dois momentos altos na recuperação da sua independência: a Revolução 1383-1385 e a Restauração de 1640.

Na Revolução de 1383-1385 salienta-se o cerco de Lisboa, que durou cerca de cinco meses e terminou em princípios de Setembro de 1384, acentuando-se durante o assédio, o significado da vitória alcançada por D. Nuno Alvares Pereira em Atoleiros a 6 de Abril de 1384 e a eleição do Mestre de Aviz para Rei de Portugal, curiosamente a 6 de Abril de 1385. Em 15 de Agosto travou-se a Batalha de Aljubarrota, sob a chefia de D. Nuno Alvares Pereira, símbolo da vitória e da consolidação do processo revolucionário de 1383-1385.

No movimento da restauração destaca-se a coroação de D. João IV como Rei de Portugal, a 15 de Dezembro de 1640, no Terreiro do Paço em Lisboa.

A Solenidade da Imaculada Conceição liga estes dois acontecimentos decisivos na História da independência de Portugal e no contexto das Nações Europeias. Segundo secular tradição foi o condestável D. Nuno Alvares Pereira quem fundou a Igreja de Nossa Senhora do Castelo em Vila Viçosa e quem ofereceu a imagem da Virgem Padroeira, adquirida na Inglaterra. Este gesto do Contestável reconhece que a mística que levou Portugal à vitória veio da devoção de um povo a Nossa Senhora da Conceição.

Aliás, já desde o berço, já aquando da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, havia sido celebrado um pontifical de acção de graças, em Lisboa, em honra da Imaculada Conceição.

A espiritualidade que brotava da devoção a Nossa Senhora da Conceição foi novamente sublinhada no gesto que D. João IV assumiu ao coroar a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha de Portugal nas cortes de 1646.

Esta espiritualidade "imaculista" foi igualmente assumida por todos os intelectuais, que na prestigiada Universidade de Coimbra defenderam o dogma da Imaculada Conceição sob a forma de um juramento solene.

De tal modo a Imaculada Conceição caracteriza a espiritualidade dos portugueses, que durante séculos o dia 8 de Dezembro foi celebrado como "Dia da Mãe" e João Paulo II incluiu no seu inesquecível roteiro da Visita Pastoral de 1982 dois Santuários que unem o Norte e o Sul de Portugal: Vila Viçosa no Alentejo e o Sameiro no Minho.

O dia 8 de Dezembro transcende o "Dia Santo" dos Católicos e engloba indubitavelmente a comemoração da Independência de Portugal, que o dia 1 de Dezembro retoma. O feriado do dia 8 de Dezembro é religioso, mas é também celebrativo da cultura, da tradição e da espiritualidade da alma e da identidade do povo português.

Não menos importante, e em âmbito religioso e litúrgico, o tema da Imaculada Conceição da Virgem Maria é já abundantemente abordado pelos Padres da Igreja. Será o Oriente cristão o primeiro a celebrá-la. Festividade que chega à Europa Ocidental e ao continente europeu pelas mãos das cruzadas Inglesas nos séc. XI e XII. Vivamente celebrada pelos franciscanos a partir de 1263, será o também franciscano Sixto IV, Papa, que a inscreverá no calendário litúrgico romano em 1477.

De facto, o debate e a celebração desta festividade em toda a Europa é acompanhada pela história do próprio Portugal. Coimbra, como já vimos, tem um importante papel em todo este processo.

Em 8 de Dezembro de 1854, viverá a Igreja o auge de toda esta riqueza teológica e celebrativa. Através da bula "Ineffabilis Deus", Pio IX, após consultar os bispos do mundo, definirá solenemente o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

Não estamos diante de uma simples festa cristã ou de capricho religioso. O dogma resulta de tudo quanto a Igreja viveu até aqui e vive hoje em toda a sua plenitude. Faz parte da identidade da Igreja. Isso mesmo o prova o texto proclamado por Pio IX que apoia a sua argumentação nos Padres e Doutores da Igreja e na sua forma de interpretar a Sagrada Escritura. Ele, de facto, reconhece que este dogma faz parte, depois de muitos séculos, do ensinamento ordinário da Igreja.

Portugal, segundo Nuno Alvares Pereira, ou melhor, São Nuno de Santa Maria, e D. João IV isso mesmo o demonstram, não só como resultado da sua própria fé mas como expressão de um povo deveras agradecido pela sua Independência e Liberdade.

A Conceição Imaculada da Virgem é um dogma de fé segundo o qual Maria é considerada a primeira redimida pela Páscoa de Cristo.

Pe. Francisco Couto,
Reitor do Santuário de Vila Viçosa, professor do Instituto Superior de Teologia de Évora
Pe. Senra Coelho, professor do Instituto Superior de Teologia de Évora, Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa. (O Pe. Senra Coelho é actualmente Arcebispo de Évora)


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quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Seminaristas cantam: Tota pulchra es Maria



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As lágrimas de Santo Ambrósio pela morte do seu irmão

Nem todas as lágrimas são um sinal de falta de fé ou de fraqueza. Uma coisa é a dor natural, outra a tristeza que resulta da descrença. 

A dor não é a única a manifestar-se com lágrimas; também a alegria tem as suas lágrimas, também o afecto suscita lágrimas, a palavra rega o solo com lágrimas, e a oração, segundo as palavras do profeta, banha de lágrimas o nosso leito (Sl 6,7). 

Quando os patriarcas eram sepultados, o seu povo também chorava muito. As lágrimas são, pois, um sinal de afecto e não incitações à dor. Chorei, confesso-o, mas também o Senhor chorou (Jo 11,35); Ele chorou uma pessoa que não era da sua família, eu choro um irmão. Ele, num só homem, chorou todos os homens; e eu chorar-te-ei, meu irmão, em todos os homens.


Santo Ambrósio (c. 340-397) - bispo de Milão, doutor da Igreja


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quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

O silêncio culpável do Papa Honório I

A heresia Nestoriana defendia que em Jesus Cristo havia duas pessoas e duas naturezas. O Concílio de Éfeso (431 d.C.) ensina que em Jesus Cristo há apenas uma pessoa (e não duas), na qual co-existem duas naturezas - humana e divina - em união hipostática. Ainda como tentativa de resposta ao Nestorianismo surge outra heresia, o Monotelismo. Esta defendia que Jesus Cristo tinha apenas uma vontade. Essa teve o apoio (tácito) do Papa Honório I. O Papa nunca apoiou explicitamente o Monotelismo mas contribuiu com o seu silêncio para que se espalhasse e por isso foi condenado, como explica Santo Afonso:  

Não negamos que Honório tenha errado ao impor silêncio àqueles que discutiam sobre se Jesus Cristo tinha uma ou duas vontade. Sendo uma questão de erro, impor o silêncio é favorecer o erro. Onde existe um erro é necessário denunciá-lo e abatê-lo. Esta foi a falta de Honório. 

Mas é indubitável que Honório jamais tenha abraçado a heresia dos Monotelistas, que dizem o contrário os hereges...responde o Sínodo que condenou Honório, não por ter abraçado formalmente a heresia, mas pelo favor que prestou aos hereges; como (o Papa) Leão II escreveu na epístola a Constantino Pogonato na qual confirma o Sínodo. 

Nessa epístola, depois de enumerar os hereges condenados, fautores dos erros, como Teodoro de Faran, Ciro de Alexandria, Sérgio, Pirro, Paulo e Pedro sucessores na sede de Constantinopla, anatematiza também Honório; não por ter adoptado a sua falsa doutrina, mas por ter permitido que ela não fosse derrubada.

Santo Afonso Maria de Ligório in 'História das Heresias' (t. I, c. VII, art. II.)


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A morte do primeiro Rei de Portugal

A 6 de Dezembro de 1185, há 838 anos, morria o primeiro Rei de Portugal. D. Afonso Henriques foi escolhido por Deus para congregar a nossa gente e encaminhar a nossa Nação de modo a que cumprisse o seu destino: levar a Cruz de Cristo ao mundo inteiro.

O túmulo deste valente guerreiro encontra-se na igreja da Santa Cruz, em Coimbra, e conta com esta belíssima inscrição em latim:

«Aqui jaz um outro Alexandre, ou outro Júlio César,
guerreiro invencível, honra brilhante do orbe.
Douto na arte de governar, alcançou tempos seguros,
alternando a sucessão da paz e das armas.

Quanto a religião de Cristo deve a este homem
provam-no os reinos conquistados para o culto da fé.
Alimentado pela doçura da mesma fé, cumulou,
além das honras do reino, riquezas para os pobres infelizes.

Que foi defensor da Cruz e protegido pela Cruz
assinala-o a Cruz, formada de escudos, no seu próprio escudo.
Ó Fama imortal, ainda que reserves para ti tempos longos,
ninguém pode proclamar palavras dignas de seus méritos.»


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terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Tríduo a Nossa Senhora da Imaculada Conceição: 5 a 7 de Dezembro

Pelo sinal + da Santa Cruz, livrai-nos, Deus + Nosso Senhor, dos nossos + inimigos. Em nome do Pai +, e do Filho + e do Espírito Santo +. Amém.

HINO

Avé, esperança nossa,
Avé, benigna e pia,
Avé, plena de graça,
Ó Virgem Maria.
Ó Trindade santíssima,
A ti o hino de graças,
Por Maria, estupenda criatura,
Por todos os séculos. Amém.

ACTO PENITENCIAL

Eu pecador me confesso a Deus todo-poderoso, à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado João Baptista, aos santos apóstolos Pedro e Paulo, a todos os Santos e a vós, Pai, porque pequei muitas vezes, por pensamentos, palavras e obras, (bate-se três vezes no peito) por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa. Portanto, rogo à bem-aventurada Virgem Maria, ao bem-aventurado Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado João Baptista, aos santos apóstolos Pedro e Paulo, a todos os Santos e a vós, Padre, que rogueis por mim a Deus Nosso Senhor.

V. Kyrie eleison;
R. Christe eleison;
V. Kyrie eleison.
R. Senhor, tende piedade de nós;
V. Cristo, tende piedade de nós;
R. Senhor, tende piedade de nós.

LEITURA DO DIA: (Is 7,14)

Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Connosco.

REFLEXÃO

O Senhor não habita da mesma maneira com a Bem-aventurada Virgem e com os Anjos. Deus está com Maria como seu Filho; com os Anjos Deus habita como Senhor. O Espírito Santo está em Maria como no seu templo, onde opera. O Arcanjo anunciou (Lc 1, 35): O Espírito Santo virá sobre ti. Assim, pois, Maria concebeu por efeito do Espírito Santo e chamamos-lhe «Templo do Senhor», «Santuário do Espírito Santo». (cf. liturgia das festas de Nossa Senhora). Portanto, a Bem-aventurada Virgem goza de uma intimidade com Deus maior do que a criatura angélica. Com ela está o Senhor Pai, o Senhor Filho, o Senhor Espírito Santo, a Santíssima Trindade inteira. Por isso canta a Igreja: «Sois digno trono de toda a Trindade». É esta então a palavra mais nobre, a mais expressiva, como louvor, que podemos dirigir à Virgem. (Sermão de São Tomás de Aquino).

ORAÇÃO:

Santa Maria, Rainha dos Céus, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, que a nenhum pecador desamparais nem desprezais; ponde, Senhora, em mim os olhos de Vossa piedade e alcançai-me de Vosso amado Filho o perdão de todos os meus pecados, para que eu, que agora venero com devoção a Vossa santa e Imaculada Conceição, mereça na outra vida alcançar o prémio da bem-aventurança, por mercê do Vosso benditíssimo Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor, que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina para sempre. Amém.

Pai-nosso; Ave-Maria; Glória ao Pai.

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a vós. (Repetir três vezes).

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!
Para sempre seja louvado e Sua Mãe Maria Santíssima!

V. Salve Maria Imaculada!
R. Sem pecado concebida!


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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Oração para uma boa Confissão

Oração para uma boa confissão (antes da confissão):

Meu Deus, por causa dos meus pecados crucifiquei de novo o Vosso Divino Filho e escarneci d'Ele. Por isto sou merecedor da Vossa cólera e expus-me ao fogo do Inferno. E como fui ingrato para conVosco, meu Pai do Céu, que me criastes do nada, me redimistes pelo preciosíssimo sangue do Vosso Filho e me santificastes pelos Vossos santos Sacramentos e pelo Espírito Santo! Mas Vós poupastes-me pela Vossa misericórdia, para que eu pudesse fazer esta confissão. 

Recebei-me, pois, como Vosso filho pródigo e dai-me a graça de uma boa confissão, para que possa recomeçar a amar-Vos de todo o meu coração e de toda a minha alma, e para que possa, a partir de agora, cumprir os Vossos Mandamentos e sofrer com paciência os castigos temporais que possam cair sobre mim. Espero, pela Vossa bondade e poder, obter a vida eterna no Paraíso. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

Acto de Contrição (no final da confissão):

Meu Deus, porque sois infinitamente bom e Vos amo de todo o meu coração, pesa-me de Vos ter ofendido, e com o auxílio da Vossa divina graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Peço e espero o perdão das minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia. Ámen.


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O jejum e a alegria - S. Pedro Crisólogo

«Porque é que nós jejuamos e os Teus discípulos não jejuam?» Porquê? Porque para vós o jejum é uma questão de lei. Não é um dom espontâneo. Em si mesmo, o jejum não tem valor; o que conta é o desejo daquele que jejua. Que proveito pensais tirar do vosso jejum, se jejuais constrangidos e forçados por uma lei? O jejum é um arado maravilhoso para lavrar o campo da santidade. Mas os discípulos de Cristo foram enviados a trabalhar no campo já maduro da santidade; eles comem o pão da colheita nova. Como poderiam eles ser obrigados a praticar jejuns agora caducos? «Poderão os convidados para a boda jejuar enquanto o Esposo está com eles?»

Aquele que se casa entrega-se inteiramente à alegria e toma parte do banquete; mostra-se muito afável e alegre para com os convidados; faz tudo o que lhe inspira o seu afecto pela esposa. Cristo celebra as Suas bodas com a Igreja enquanto vive na terra. É por isso que aceita tomar parte nas refeições para as quais é convidado. Cheio de benevolência e amor, mostra-Se humano, acessível e amável. Não veio Ele para unir o homem a Deus e fazer dos Seus companheiros membros da família de Deus?     

Do mesmo modo, diz Jesus: «Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha». Esse pano novo é o tecido do Evangelho, que está em vias de ser entretecido com a lã do Cordeiro de Deus: uma veste real que o sangue da Paixão irá em breve tingir de vermelho. Como aceitaria Cristo unir esse pano novo com a vetustez do legalismo de Israel? 

Assim como «ninguém deita vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho romperá os odres e perde-se o vinho, tal como os odres. Mas vinho novo, em odres novos.» Esses odres novos são os cristãos. O jejum de Cristo é que purificará esses odres de toda a sujidade, para que fique intacto o sabor do vinho novo. O cristão torna-se assim o odre novo, pronto a receber o vinho novo, o vinho das bodas do Filho, pisado na prensa da cruz.

in Sermão sobre Marcos 2; PL 52, 287


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domingo, 3 de dezembro de 2023

Começa a aventura do Advento

Hoje inicia-se o tempo do Advento, portanto preparemo-nos para mais uma vez celebrar o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. E a melhor maneira de fazê-lo é dirigir-se a Mãe do Menino que está prestar a nascer. Caminhemos com Ela e São José de Nazaré a Belém, façamos companhia ao Santo Casal e meditemos quais seriam as cogitações de Maria e as preocupações de José.

O mundo está no caos e numa imoralidade assustadora; as almas fieis devem permanecer junto a Eles e procurar compensar as tristezas que Eles sentem ao ver a Humanidade em tal abismo. Rezemos e roguemos pelo momento em que Deus voltará a ser o centro de todos os corações, de todas as famílias e de todas as nações.
  
De Nazaré a Belém

César Augusto ordenou a realização de um recenseamento em todo o Império Romano, devendo cada um alistar-se na sua cidade. Partiram pois São José e a Santíssima Virgem da cidade de Nazaré, na Galileia, rumo a Belém de Judá, a cidade de David, a cuja Casa real pertenciam. Tiveram que enfrentar uma caminhada de cerca de 120 k durante 8-10 dias, o que deve ter sido bastante penoso para Nossa Senhora, que estava prestes a dar à luz o Messias.

Hoje, quem visita a região encontra vilarejos rurais, olivais, belas paisagens e pessoas hospitaleiras. É a chamada Rota da Natividade, que entretanto não se inicia em Nazaré devido as dificuldades de movimentação em parte da região em conflito. São muitos os visitantes que procuram refazer o provável caminho seguido por Maria e José.

Revelações particulares contam interessantes pormenores da viagem de Nazaré a Belém realizada pelo Santo Casal. Seguindo em direcção a Jerusalém, Nossa Senhora e São José atravessaram vales frios, cobertos de geada. Às vezes paravam em lugares convenientes e descansavam. Antes da viagem um Anjo aparecera a São José ordenando-lhe que levasse, além do jumento que serviria de montaria à Virgem, uma jumentinha que os precederia, indicando o caminho.

São José partira animado, certo da boa acolhida que teria em Belém. Porém, antes mesmo de chegar à cidade dos seus pais, começaram as decepções. A dez léguas de Jerusalém foi tratado grosseiramente por um homem que lhe negou hospedagem. Pouco adiante a jumentinha aguardava-os junto a um rancho onde passaram a noite. Em outras ocasiões foram recebidos asperamente, tornando ainda mais penosa a viagem para a Santíssima Virgem.

A Beata Ana Catarina Emmerich, mística alemã do século XIX, conta que, ao chegar a Belém, São José e Maria Santíssima não entraram imediatamente na cidade. Já caia a noite e pernoitaram afastados do caminho, sob uma árvore. No dia seguinte, São José dirigiu-se a um grande edifício, a alguns minutos do caminho, fora de Belém. Era o antigo solar de David, Profeta e Rei, e casa paterna de São José, mas que servia então de recebedoria de impostos do Império Romano. Os funcionários verificaram a genealogia de José e Maria, notando que ambos descendiam de David em linha recta. Só depois estes entraram na cidade, procurando pousada.

Verificou-se então a pungente rejeição da cidade ao Santo Casal, conforme registaram os Evangelhos. E São José passou pela dura prova da recusa dos amigos, que não o quiseram reconhecer. Caminhando de rua em rua, batendo de porta em porta, recebia sempre a invariável resposta negativa.
     
Estava assim simbolizado o repúdio do povo judeu ao Messias: "Veio para o que era seu, e os seus não O receberam"(Jo 1, 11). Partiram, pois, José e a sua Esposa. Nas proximidades da gruta onde se abrigariam, veio-lhes ao encontro, em alegres saltos, a jumentinha que haviam deixado fora de Belém.

in heroinasdacristandade.blogspot.com


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Quem foi São Francisco Xavier?

André Reinoso, 'S. Francisco Xavier prega em a Goa', cerca de 1619, Santa Casa de Misericórdia, Lisboa
São Francisco Xavier: um dos fundadores da Companhia de Jesus, junto com Santo Inácio de Loyola. A sua família fazia parte da nobreza de Navarra, território hoje pertencente à Espanha. Foi enviado pelo Rei de Portugal, D. João III, para realizar trabalho missionário nas Índias. Viajou pela África, Índia, Macau, Japão e Ilhas Molucas, na actual Indonésia. É o santo padroeiro dos missionários e da diocese de Macau, na República Popular da China.  

A Igreja sempre se apoiou nos missionários para sua expansão no decorrer dos séculos. Primeiro foram os Apóstolos que se espalharam pelo mundo após a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Durante o período do Descobrimento, entre os séculos XV e XVI, o Cristianismo encontrou nos missionários da Companhia de Jesus, os Jesuítas, a forma de iniciar a evangelização nas Américas e no Oriente: Índia, Japão e China.

Francisco Xavier, nascido Francisco de Jasso Azpilcueta Atondo y Aznáres, considerado o maior dos missionários jesuítas, foi o fundador dessas missões no Oriente. Nasceu em Xavier, no Reino de Navarra, Espanha, em 7 de abril de 1506. Era filho de uma família nobre, que havia projectado para ele um futuro de glória e riqueza no mundo, matriculando-o, com 18 anos, na Universidade de Paris. Mas não foi no campo terreno que ele se sobressaiu mas sim no espiritual. Francisco formou-se em filosofia e leccionava na mesma Universidade, onde conheceu um aluno bem mais velho, e de ideias objectivas, e tudo mudou. Tratava-se do futuro Santo Inácio de Loyola, fundador dos Jesuítas.

Loyola sonhava formar uma companhia de apóstolos para a defesa e propagação do Cristianismo no mundo. Viu em Francisco alguém capaz de ajudá-lo na empreitada e tentou conquistá-lo para a causa. Tarefa que se revelou nada fácil, por causa do orgulho e da ambição que Xavier tinha, projectadas em si pela sua família. Loyola, enfim, convenceu-o com uma frase que lhe tocou a alma: "De que vale a um homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?" (Mc 8, 36). Francisco tomou-a como lema e nunca mais a abandonou, nem ao seu autor, N. S. Jesus Cristo.

Os papéis inverteram-se, e Inácio passou a ser mestre do seu professor, ensinando-lhe o difícil caminho da humildade e dos exercícios espirituais. Xavier, por fim, retirou-se durante quarenta dias na solidão, preparando-se para receber a ordenação sacerdotal. Celebrou a sua primeira Missa com trinta e um anos, e tornou-se co-fundador da Companhia de Jesus. Passou, então, a cuidar dos leprosos, segregados pela Sociedade. Com outros companheiros, fixou-se, em 1537, em Veneza, onde recolhia das ruas e tratava aqueles a quem ninguém tinha coragem de tocar.

Foi então que D. João III, Rei de Portugal, pediu a Inácio de Loyola para organizar um grupo de sacerdotes que acompanhassem as expedições ao Oriente e depois evangelizassem as Índias. O grupo estava pronto e treinado quando um dos missionários adoeceu, e Francisco Xavier decidiu tomar o seu lugar. O navio com 900 passageiros, entre eles Francisco Xavier, partiu de Lisboa com destino às Índias. Foi o início de uma viagem perigosíssima e cheia de transtornos, que demorou praticamente um ano. Durante todo esse tempo, Francisco trabalhou em todos os serviços mais humildes do navio. Era auxiliar de cozinha, faxineiro e enfermeiro. Finalmente, chegaram ao porto de Goa.

Viagens de São Francisco Xavier

Desde aí, Francisco Xavier realizou uma das missões mais árduas da Igreja Católica. Ia de aldeia em aldeia, evangelizava os nativos, baptizava as crianças e os adultos. Reunia as aldeias em grupos, fundava comunidades eclesiais e deixava outro Sacerdote continuar a obra, enquanto investia em novas frentes apostólicas noutra região.  

Acabou por sair das Índias para pregar no Japão, além de ter feito algumas incursões clandestinas na China. Numa delas, na Ilha de Sanchoão, adoeceu e uma febre persistente debilitou-o, levando-o à morte, no dia 3 de Dezembro de 1552, com apenas 46 de idade. Está sepultado na Basílica do Bom Jesus, em Goa Velha, Índia.  

Foi beatificado pelo Papa Paulo V a 25 de Outubro de 1619 e canonizado pelo Papa Gregório XV, a 12 de Março de 1622, em simultâneo com Inácio de Loyola. Celebrado no dia da sua morte, como exemplo do missionário moderno, São Francisco Xavier foi, com toda a justiça, proclamado pela Igreja Patrono das Missões, e pelo trabalho tão significativo recebeu o apelido de São Paulo do Oriente ou Apóstolo do Oriente.  

in Pale Ideas


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sábado, 2 de dezembro de 2023

Fraternidade de São Pedro expulsa de uma paróquia francesa

A paróquia de Quimper, na Bretanha, anunciou que, em Setembro, a Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP) será expulsa da igreja central de Saint-Matthieu.

Nestes tempos de ideologia ecologista, os seus 250 fiéis (500 no Verão) terão de se deslocar 15 km para noroeste, para uma igreja menos visível, não servida por transportes públicos, nos arredores de Quimper.

Em Quimper (63000 habitantes), há apenas 1300 crentes, incluindo os Católicos de Missa em latim.

O pretexto para o despejo: Haverá uma Missa ao Sábado ao final da tarde em Saint-Matthieu e a FSSP utiliza a igreja todos os dias.

A PaixLiturgique.org cita um Católico que assiste à Missa nessa igreja: "Estão-se nas tintas para Saint-Matthieu. Quando a FSSP desaparecer, voltará a estar como que estava antes, ou seja, vazia e suja". E: "O que irrita a paróquia do centro de Quimper é que a Missa Tridentina atrai os jovens, que já não são muitos."

in gloria.tv


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