quinta-feira, 14 de setembro de 2023

A história da Exaltação da Santa Cruz

O dia 14 de Setembro, dia da Festa da Exaltação da Santa Cruz, comemora a gloriosa reconquista da Santa Cruz das mãos dos Persas.

Chosroes II, Rei da Pérsia, pegara em armas contra o império oriental romano (610), sob o pretexto de querer vingar as crueldades que o imperador Phocas tinha praticado contra o imperador Maurício. Phocas desapareceu e teve por sucessor Heráclio, governador da África. Este fez uma proposta de paz a Chosroes que este rejeitou. Uma cidade após outra caiu em poder dos Persas, sem que Heráclio lhes pudesse tolher os passos. Senhor de Jerusalém, Chosroes praticou as maiores atrocidades contra sacerdotes e religiosos, reduziu à cinza as igrejas, e entre outras preciosidades, levou também a parte do Santo Lenho, que Santa Helena tinha deixado na cidade Santa.

Heráclio pela segunda vez pediu a paz. O rei bárbaro respondeu-lhe com arrogância e orgulho: "Os Romanos não terão paz, enquanto não adorarem o sol, em vez de um homem crucificado". Vendo assim frustrados todos os esforços, Heráclio pôs toda confiança em Deus e em 622 marchou contra a Pérsia. Vitorioso no primeiro encontro, na Arménia, no ano seguinte o exército cristão conquistou Gaza, queimou o templo, junto com a estátua de Chosroes, que nele se achava. Chosroes foi assassinado pelo próprio filho, com o qual Heráclio celebrou a paz. Uma das primeiras condições desta paz foi a restituição do Santo Lenho, o qual Heráclio levou em triunfo para Constantinopla.

Uma vez livre do jugo dos Persas, Heráclio resolveu fazer a solene trasladação do Santo Lenho para Jerusalém. Na Primavera do ano de 629, com uma grande comitiva, foi à Cidade Santa, levando consigo a preciosa relíquia. Festas extraordinárias prepararam-se na Palestina. Em procissão soleníssima foi levada a Santa Cruz, para ser depositada na igreja do Santo Sepulcro, no monte Calvário. O Imperador tinha reservado para si a honra de a carregar. 

Chegada a procissão à porta da cidade que conduz ao Gólgota, Heráclio, como retido por forças invisíveis, não pôde dar mais um passo adiante. O patriarca Zacarias, que se achava ao lado do Imperador, levantou os olhos ao Céu e como por inspiração divina, disse-lhe: "Senhor! Lembrai-vos de que Jesus Cristo era pobre, enquanto vós andais vestido de púrpura; Jesus Cristo levava uma coroa de espinhos, quando na vossa cabeça vejo brilhar uma coroa preciosíssima; Jesus Cristo andava descalço, quando vós usais calçado finíssimo". 

Heráclio com humildade aceitou o aviso do patriarca. Sem demora tirou a coroa, trocou o manto imperial por uma túnica pobre, substituindo o rico calçado por sandálias e, tomando de novo o Santo Lenho, sem dificuldade alguma o levou até a última estação. Lá chegado, todo o povo se acercou da grande relíquia, venerando-a com muita fé. Muitos doentes recuperaram a saúde.

Para todos, o dia 14 de Setembro de 629 foi um dia de triunfo e da mais pura alegria. Deus ainda glorificou-o com muitos milagres.

Pe. João Batista Lehmann in 'Na Luz Perpétua' (Editora Lar Católico, 1950)


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quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Papa Francisco encontra-se com o Núncio dos EUA para discutir a demissão do Bispo Strickland

O Papa Francisco encontrou-se no dia 9 de Setembro com o Núncio dos EUA, Arcebispo Christophe Pierre, e o Prefeito dos Bispos, Arcebispo Robert Prevost, ambos neo-Cardeais, para discutir a demissão do Bispo Joseph Strickland, 64 anos, da diocese de Tyler, Texas. O site PillarCatholic.com informa que a demissão de Strickland era "a ordem do dia".

Os dois prelados apresentaram a Francisco os resultados de uma Visita Apostólica em Junho e algumas das acções públicas de Strickland que criticam o Papa Francisco e o seu Sínodo. A expectativa é que Francisco peça a demissão de Strickland.

O site PillarCatholic.com acrescenta que, dependendo da reação de Strickland, a força do incentivo à demissão poderá aumentar, referindo-se ao estranho caso do Bispo Richard Stika.

Já durante a visita, o Clero foi questionado sobre possíveis sucessores ao seu Bispo.

in gloria.tv


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segunda-feira, 11 de setembro de 2023

O uso do Barrete Eclesiástico

O barrete litúrgico tem três pontas. Para todos os eclesiásticos, excepto os Cardeais (cor vermelha) e os Bispos (cor roxa), a cor do barrete é inteiramente preta, mesmo para os prelados de batina roxa; contudo estes últimos podem ter a borla do barrete roxa ou rosada.

I- Usa-se o barrete:

a) Nas funções litúrgicas:

1 - Para ir ao altar e ao se retirar no final os ministros revestidos, mesmo que seja só com manípulo e estola, inclusive o celebrante da Missa rezada;

2 - Durante elas, os ministros sagrados quando estão sentados, não obstante costume contrário (D. 3104); os ministros inferiores nunca usam barrete, salvo quando se sentam entre os do coro, como o fazem também estes quando estão sentados, mesmo durante a pregação. O pregador deve usar barrete (Coer. Ep. 1. c. 22. n. 3).

b) Nas procissões, o Clero dentro da Igreja vai com a cabeça descoberta, fora dela, com o barrete, os ministros paramentados, dentro e fora da Igreja, vão com o barrete.

Nas procissões com o SSmo. Sacramento e com a relíquia da Santa Cruz, o uso do barrete está proibido a todos, mesmo fora do Templo.

Em toda procissão, dentro e fora da Igreja, vão descobertos os acólitos, os cerimoniários e os demais encarregados de dirigir a procissão (D.2769 ad 6) e os que levam as relíquias, a Cruz, imagens e estandartes. Se o celebrante (D1048) leva o relicário, não se cobre com o barrete (D1043) nem os seus ministros assistentes.

II- Não se usa o barrete:

a) Em quaisquer funções na presença do Ssmo exposto, pública ou privadamente, mesmo que velado, nenhum eclesiástico, inclusive o pregador, pode usar o barrete, e qualquer costume contrário deve eliminar-se como abuso (D 488 e 2769);

b) Na administração dos sacramentos. Para a Penitencia é louvável usa-lo, já que o confessor faz as vezes de juiz; c) Para fazer inclinações e genuflexões, salvo o celebrante ao ir e voltar do altar levando o cálice nas mãos; d) Para dar alguma bênção: stando semper benedicat et aperto capite (Rit.Tit. IX. c.1; n. 7).

Nota: Se a procissão se verifica no interior da Igreja, todo o clero permanece com a cabeça descoberta, menos os que estão paramentados. Se a procissão sai da Igreja, cada qual coloca o barrete assim que estiver fora da Igreja, menos o Turiferário, o Crucífero, os Acólitos, e o Cerimoniário os quais sempre permanecem com a cabeça descoberta.

Padre Ambrosio Hays in 'Manual Litúrgico'


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A Igreja de Sempre









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domingo, 10 de setembro de 2023

Prosit! Bom proveito!

Embora já não seja muito comum, ainda há aqueles que cumprimentam os comensais com um: Bom proveito! É desejável que a refeição seja benéfica para as pessoas que a tomam. Sabe-se que às vezes isso não acontece e uma má digestão pode fazer passar horas difíceis e fastidiosas.

O pão é um alimento para o corpo e a sua digestão é útil para a pessoa.

Numa ocasião, uma multidão seguiu Jesus até Cafarnaum. No dia anterior, tinham visto a multiplicação de cinco pães alimentar mais de cinco mil pessoas. Era lógico que agora O seguissem. Mas Jesus adverte-os: "Não me procuram porque viram os milagres, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos" (Jo 6, 26).

O pão que Jesus multiplicou era exactamente isso: pão.

Ainda não era a Eucaristia. Era mais um sinal dela. Jesus não veio para alimentar apenas os corpos, mas a pessoa. Por isso que acrescentou: "Não se dê a comida perecível, mas a comida que perdura para a vida eterna, que o Filho do Homem lhe dá, porque Deus a estabeleceu com o selo."

Esta é a grande diferença entre os dois pães: o primeiro é apenas um sinal e é usado apenas para o estômago; O segundo, por outro lado, é o mesmo Corpo de Cristo e aproveita para a vida eterna.

Por este motivo, é aconselhável não perder esses costumes:

Saudar com um "Bom proveito!" as pessoas que estão reunidas à mesa.

Saudar com um "Prosit!" aqueles que comungaram. No final da Missa, já na sacristia, o sacerdote diz aos restantes: Prosit (bom proveito / que aproveite)! Ao que os restantes respondem: In vitam aeternam (para a vida eterna)!

Joan Carreras in 'Primeros educadores' 


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sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Um sacerdote explica como ter a certeza que ele morreu




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Natividade de Nossa Senhora

Na Igreja Católica não se celebra a data de nascimento mas sim a da morte, que é o dia da entrada na vida eterna. Apenas em três casos se comemoram as festas do dia do nascimento: Nosso Senhor Jesus Cristo (Natal); o nascimento de São João Batista; e a natividade da Santíssima Virgem.

A Natividade de Nossa Senhora é uma festividade religiosa celebrada pela Igreja Católica precisamente nove meses depois de comemorar a Imaculada Conceição da Virgem Maria.

Esta festa, mais antiga no Oriente, introduziu-se provavelmente na liturgia romana durante o século VII. O Papa Inocêncio IV deu-lhe Oitava no Concílio de Lião, em 1245. No último século, serviu esta data de 8 de Setembro para fixar nove meses antes, a 8 de Dezembro, a festa da Imaculada Conceição. A Santa Igreja, celebrando a Natividade da Santíssima Virgem, canta a aurora da redenção, que despontou com o aparecimento de Maria no mundo.

Eva deu os seus filhos à luz na dor, Maria dá à luz o filho de Deus com júbilo. Eva levava consigo as nossas lágrimas, Maria as nossas alegrias. Invoquemos a Virgem Santíssima com aquela invocação tão bela da sua ladainha: "Causa de nossa alegria".

No seu 'Sermão do Nascimento da Mãe de Deus', o Pe. António Vieira diz: 

“Perguntai aos enfermos para que nasce esta Celestial Menina. Dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde;
perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios;
perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo;
perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação;
perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres;
perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança;
os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz;
os discordes: para Senhora da Paz;
os desencaminhados: para Senhora da Guia;
os cativos: para Senhora do Livramento;
os cercados: para Senhora da Vitória.

Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho;
os navegantes: para Senhora da Boa Viagem;
os temerosos da sua fortuna: para Senhora do Bom Sucesso;
os desconfiados da vida: para Senhora da Boa Morte;
os pecadores todos: para Senhora da Graça;
e todos os seus devotos: para Senhora da Glória. E se todas estas vozes se unirem em uma só voz (…), dirão que nasce (…) para ser Maria e Mãe de Jesus”.

(Apud José Leite, SJ, op. cit., Vol. III, p. 33)

in Pale Ideas


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quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Leão XIII contra a maçonaria

Todos devem evitar a familiaridade ou amizade com qualquer um que seja suspeito de pertencer à maçonaria ou a grupos afiliados. Conhecei-os pelos seus frutos e evitai-os. Toda familiaridade deve ser evitada, não apenas com aqueles ímpios libertinos que promovem abertamente o carácter da seita, mas também com aqueles que se escondem sob a máscara da tolerância universal, o respeito por todas as religiões.

Papa Leão XIII in Encíclica 'Custodi di quella Fede' sobre a Maçonaria (8/12/1892)


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Missas privadas na Abadia de Fontgombault



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quarta-feira, 6 de setembro de 2023

FSSPX constrói mais uma igreja de grandes dimensões

A Fraternidade Sacerdotal de São Pio X está a construir uma grande igreja em Gavrus, uma aldeia de 600 habitantes nos arredores de Caen, em França.

A igreja segue o modelo das igrejas do século XVIII. Custará apenas 1,6 milhões de euros, estará concluída em 2025 e será financiada pelos fiéis.

O France3 considera a igreja "impressionante" e surpreende-se com o facto de uma comunidade construir uma igreja nova numa região onde muitas igrejas não são utilizadas ou estão em mau estado de conservação. Desde o Concílio Vaticano II, não foi construída nenhuma igreja nova na região.

in gloria.tv


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terça-feira, 5 de setembro de 2023

Padre Pio distribui a Sagrada Comunhão a um jovem casal

Nesta época, receber o Santíssimo Sacramento na mão era impensável e um sacrilégio condenado pela Igreja múltiplas vezes.


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A missão heróica de Madre Teresa no Líbano

Agosto de 1982. Em plena guerra do Líbano, a capital, Beirute, estava sob forte ataque das forças israelitas. Diante daquele cenário dramático encontra-se uma pequena freira, conhecida por Madre Teresa de Calcutá.

Madre Teresa conseguiu que fosse negociado um cessar fogo, quando todos diziam ser impossível. Ultrapassada essa "impossibilidade", foi pessoalmente resgatar as crianças de um orfanato que tinha sido abandonado por todos os trabalhadores, por causa dos bombardeamentos constantes na zona Oeste da cidade.

As crianças daquele orfanato eram "especiais", todas sofriam de alguma deficiência física ou mental. Aquela mulher deu-se ao trabalho de se deslocar a um país em guerra, arriscar a própria vida, e a dos que a acompanhavam, num contexto de guerra intensa para salvar crianças deficientes.

Hoje em dia grande parte dessas crianças são abortadas, por sugestão médica ou desejo dos pais, exactamente por serem "especiais". Madre Teresa deu a sua vida para proteger os mais frágeis, especialmente os bebés na barriga das suas mães. Com esta operação de salvação em Beirute mostrou, mais uma vez, que todas as vidas humanas têm dignidade, independentemente do que o mundo pensa delas.


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segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Jesuítas em Espanha


21 representantes do jesuítas espanhóis reuniram-se, no Porto de Santa Maria, para definir que passos deve a Província espanhola seguir. Em 1965, quando acabou o Concílio Vaticano II, havia 3358 jesuítas em Espanha. Hoje há menos de 700, com idade média de 73 anos.

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domingo, 3 de setembro de 2023

São Pio X descreve em poucas linhas qual é a missão do Papa

O Nosso mandato apostólico exige de Nós que zelemos pela pureza da fé e pela integridade da disciplina católica. Exige de Nós que protejamos os fiéis do mal e do erro; especialmente quando o mal e o erro são apresentados numa linguagem dinâmica que, ocultando noções vagas e expressões ambíguas com palavras emotivas e sonantes, é susceptível de incendiar os corações dos homens na busca de ideais que, embora atraentes, são no entanto nefastos.

São Pio X (Papa) in Carta Apostólica 'Notre Charge Apostolique' (25/08/1910)


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sábado, 2 de setembro de 2023

O Rito Tradicional dá mais frutos

A Abadia Beneditina de Sainte-Marie de La Garde, fundada por Le Barroux em 2002, abençoou a pedra angular do novo edifício do mosteiro na diocese de Agen, em França, a 15 de Agosto.

A fundação começou com oito monges numa antiga quinta com estábulos e cresceu para cerca de 20. Passou a Abadia em 2021.

Nos próximos 16 anos, serão construídas três alas de estilo românico com refeitório, casa do capítulo, celas dos monges e sacristia (seis mil metros quadrados). Os alicerces já foram lançados. O refeitório será utilizado temporariamente como capela.







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Resumo da Rota de São Nuno 2023

A Rota de São Nuno é um campo de férias itinerante para rapazes, organizado pelos seminaristas portugueses, da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP).

O campo consiste numa caminhada de 7 dias, em Portugal, de mochila às costas e a dormir em tendas. Durante estes dias tentamos assegurar a formação espiritual através da Missa diária segundo a liturgia tradicional, catequeses, testemunhos, oração, etc. Sem esquecer a actividade física e cultural. 

Sempre sob a protecção de Nossa Senhora e de São Nuno de Santa Maria, Cristo há de reinar nos corações da juventude portuguesa!



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sexta-feira, 1 de setembro de 2023

113 anos da publicação do Juramento Anti-Modernista que todos os Bispos, Sacerdotes e Professores eram obrigados a professar

O Papa Pio X deparou-se com um movimento subversivo dentro da Igreja que visava alterar a doutrina de sempre com base num suposto aprofundamento do Dogma. Esse movimento chamava-se modernismo, apelidado pelo Papa como "soma de todas as heresias". Para o combater, São Pio X escreveu o decreto Lamentabili, a encíclica Pascendi e tornou obrigatório que todos os Bispos, Sacerdotes e Professores católicos fizessem este juramento anti-modernista. O Papa Paulo VI acabou com essa obrigação em 1967.

Em Latim:
Ego N. firmiter amplector ac recipio omnia et singula, quae ab inerranti Ecclesiae magisterio definita, adserta ac dedarata sunt, praesertim ea doctrinae capita, quae huius temporis erroribus directo adversantur.

Ac primum quidem: Deum, rerum omnium principium et finem, naturali rationis lumine per ea quae facta sunt (Rom 1,20), hoc est, per visibilia creationis opera, tamquam causam per effectus, certo cognosci, ideoque demonstrari etiam posse, profiteor.

Secundo: externa revelationis argumenta, hoc est facta divina, in primisque miracula et prophetias admitto et agnosco tamquam signa certissima divinitus ortae Christianae religionis, eademque teneo aetatum omnium atque hominum, etiam huius temporis, intellegentiae esse maxime accommodata.

Tertio: firma pariter fide credo Ecclesiam, verbi revelati custodem et magistram, per ipsum verum atque historicum Christum, cum apud nos degeret, proxime ac directo institutam eamdemque super Petrum, apostolicae hierarchiae principem, eiusque in aevum successores aedificatam.

Quarto: fidei doctrinam ab apostolis per orthodoxos patres eodem sensu eademque semper sententia ad nos usque transmissam, sincere recipio; ideoque prorsus reicio haereticum commentum evolutionis dogmatum, ab uno in alium sensum transeuntium, diversum ab eo, quem prius habuit Ecclesia; pariterque damno errorem omnem quo divino deposito, Christi sponsae tradito ab eaque fideliter custodiendo, sufficitur philosophicum inventum, vel creatio humanae conscientiae, hominum conatu sensim efformatae et in posterum indefinito progressu perficiendae.

Quinto: certissime teneo ac sincere profiteor, fidem non esse caecum sensum religionis e latebris «subconscientiae» erumpentem, sub pressione cordis et inflexionis voluntatis moraliter informatae, sed verum assensum intellectus veritati extrinsecus acceptae ex auditu, quo nempe, quae a Deo personali, creatore ac Domino nostro dicta, testata et revelata sunt, vera esse credimus, propter Dei auctoritatem summe veracis.

Me etiam, qua par est reverentia, subicio totoque animo adhaereo damnationibus, declarationibus, praescriptis omnibus, quae in encyclicis litteris Pascendi et in decreto Lamentabili continentur, praesertim circa eam quam historiam dogmatum vocant.

Idem reprobo errorem affirmantium, propositam ab Ecclesia fidem posse historiae repugnare, et catholica dogmata, quo sensu nunc intelleguntur, cum verioribus Christianae religionis originibus componi non posse.

Damno quoque ac reicio eorum sententiam, qui dicunt Christianum hominem eruditiorem induere personam duplicem, aliam credentis, aliam historici, quasi liceret historico ea retinere, quae credentis fidei contradicant, aut praemissas adstruere, ex quibus consequatur, dogmata esse aut falsa aut dubia, modo haec directo non denegentur.

Reprobo pariter eam Scripturae sanctae diiudicandae atque interpretandae rationem, quae, Ecclesiae traditione, analogia fidei et apostolicae Sedis normis posthabitis, rationalistarum commentis inhaeret, et criticam textus velut unicam supremamque regulam haud minus licenter quam temere amplectitur.

Sententiam praeterea illorum reiicio, qui tenent, doctori disciplinae historicae theologicae tradendae aut iis de rebus scribenti seponendam prius esse opinionem ante conceptam sive de supernaturali origine catholicae traditionis, sive de promissa divinitus ope ad perennem conservationem uniuscuiusque revelati veri; deinde scripta patrum singulorum interpretanda solis scientiae principiis, sacra qualibet auctoritate seclusa eaque iudicii libertate, qua profana quaevis monumenta solent investigari.

In universum denique me alienissimum ab errore profiteor, quo modernistae tenent in sacra traditione nihil inesse divini, aut, quad longe deterius, pantheistico sensu illud admittunt, ita ut nihil iam restet nisi nudum factum et simplex, communibus historice factis aequandum: hominum nempe sua industria, solertia, ingenio scholam a Christo eiusque apostolis inchoatam per subsequentes aetates continuantium.

Proinde fidem patrum firmissime retineo et ad extremum vitae spiritum retinebo, de charismate veritatis certo, quad est, fuit eritque semper in episcopatus ab apostolis successione, non ut id teneatur, quod melius et aptius videri possit secundum suam cuiusque aetatis culturam, sed ut numquam aliter credatur, numquam aliter intellegatur absoluta et immutabilis veritas ab initio per apostolos praedicata.
Haec omnia spondeo me fideliter, integre sincereque servaturum et inviolabiliter custoditurum, nusquam ab us sive in docendo sive quomodolibet verbis scriptisque deflectendo. Sic spondeo, sic iuro, sic me Deus adiuvet, et haec sancta Dei Evangelia.   

Em Português:
Eu, N., firmemente aceito e creio em todas e em cada uma das verdades definidas, afirmadas e declaradas pelo magistério infalível da Igreja, sobretudo aqueles princípios doutrinais que contradizem directamente os erros do tempo presente.

Primeiro: creio que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza e pode também ser demonstrado, com as luzes da razão natural, nas obras por Ele realizadas (Cf. Rm I 20), isto é, nas criaturas visíveis, como [se conhece] a causa pelos seus efeitos.

Segundo: admito e reconheço as provas exteriores da revelação, isto é, as intervenções divinas, e sobretudo os milagres e as profecias, como sinais certíssimos da origem sobrenatural da razão cristã, e as considero perfeitamente adequadas a todos os homens de todos os tempos, inclusive aquele no qual vivemos.

Terceiro: com a mesma firme fé creio que a Igreja, guardiã e mestra da palavra revelada, foi instituída imediatamente e directamente pelo próprio Cristo verdadeiro e histórico, enquanto vivia entre nós, e que foi edificada sobre Pedro, chefe da hierarquia eclesiástica, e sobre os seus sucessores através dos séculos.

Quarto: acolho sinceramente a doutrina da fé transmitida a nós pelos apóstolos através dos padres ortodoxos, sempre com o mesmo sentido e igual conteúdo, e rejeito totalmente a fantasiosa heresia da evolução dos dogmas de um significado a outro, diferente daquele que a Igreja professava primeiro; condeno de igual modo todo o erro que pretenda substituir o depósito divino confiado por Cristo à Igreja, para que o guardasse fielmente, por uma hipótese filosófica ou uma criação da consciência que se tivesse ido formando lentamente mediante esforços humanos e contínuo aperfeiçoamento, com um progresso indefinido.

Quinto: estou absolutamente convencido e sinceramente declaro que a fé não é um cego sentimento religioso que emerge da obscuridade do subconsciente por impulso do coração e inclinação da vontade moralmente educada, mas um verdadeiro assentimento do intelecto a uma verdade recebida de fora pela pregação, pelo qual, confiantes na sua autoridade supremamente veraz, nós cremos tudo aquilo que, pessoalmente, Deus, criador e senhor nosso, disse, atestou e revelou.

Submeto-me também com o devido respeito, e de todo o coração adiro a todas as condenações, declarações e prescrições da encíclica Pascendi e do decreto Lamentabili, particularmente acerca da dita história dos dogmas.

Reprovo outrossim o erro de quem sustenta que a fé proposta pela Igreja pode ser contrária à história, e que os dogmas católicos, no sentido que hoje lhes é atribuído, são inconciliáveis com as reais origens da razão cristã.

Desaprovo também e rejeito a opinião de quem pensa que o homem cristão mais instruído se reveste da dupla personalidade do crente e do histórico, como se ao histórico fosse lícito defender teses que contradizem a fé o crente ou fixar premissas das quais se conclui que os dogmas são falsos ou dúbios, desde que não sejam positivamente negados.

Condeno igualmente aquele sistema de julgar e de interpretar a sagrada Escritura que, desdenhando a tradição da Igreja, a analogia da fé e as normas da Sé apostólica, recorre ao método dos racionalistas e com desenvoltura não menos que audácia, aplica a crítica textual como regra única e suprema.

Refuto ainda a sentença de quem sustenta que o ensinamento de disciplinas histórico-teológicas ou quem delas trata por escrito deve inicialmente prescindir de qualquer ideia pré-concebida, seja quanto à origem sobrenatural da tradição católica, seja quanto à ajuda prometida por Deus para a perene salvaguarda de cada uma das verdades reveladas, e então interpretar os textos patrísticos somente sobre as bases científicas, expulsando toda autoridade religiosa, e com a mesma autonomia crítica admitida para o exame de qualquer outro documento profano.

Declaro-me enfim totalmente alheio a todos os erros dos modernistas, segundo os quais na sagrada tradição não há nada de divino ou, pior ainda, admitem-no, mas em sentido panteísta, reduzindo-o a um evento pura e simplesmente análogo àqueles ocorridos na história, pelos quais os homens com o próprio empenho, habilidade e engenho prolongam nas eras posteriores a escola inaugurada por Cristo e pelos apóstolos.

Mantenho, portanto, e até o último suspiro manterei a fé dos pais no carisma certo da verdade, que esteve, está e sempre estará na sucessão do episcopado aos apóstolos, não para que se assuma aquilo que pareça melhor e mais consoante à cultura própria e particular de cada época, mas para que a verdade absoluta e imutável, pregada no princípio pelos apóstolos, não seja jamais crida de modo diferente nem entendida de outro modo.

Empenho-me em observar tudo isto fielmente, integralmente e sinceramente, e em guardá-lo inviolavelmente, sem jamais disso me separar nem no ensinamento nem em género algum de discursos ou de escritos. Assim prometo, assim juro, assim me ajudem Deus e esses santos Evangelhos de Deus.

Dado em Roma, em São Pedro, a 1 de Setembro de 1910.

PIO PP. X.


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Santo Egídio (Gil), Abade e Confessor

Santo Egídio, também conhecido como São Gil, nasceu em Atenas, filho de pais nobres, no oitavo século e foi Abade do Monastério Beneditino de Rio Rhône, no local onde é hoje o Mosteiro de Saint-Gilles. A sua biografia foi escrita no século X.

De acordo com a Legenda Aurea, após passar dois anos em Arles, Giles tornou-se um eremita na nascente do Rio Ródano e também do Rio Gard, na região de Nimes. A sua única companhia era uma corça, enviada por Deus para alimentá-lo. Certo dia, um dos melhores caçadores de Vamba, Rei dos Visigodos, atirou uma flecha certeira contra a corça e, em vez dela morta, encontraram São Giles segurando a flecha e a corça. Diz a tradição que São Giles desviou a flecha na sua direção de modo a atingir a sua mão e não a corça.

O Rei, impressionado com o milagre e como forma de reparar o acto hediondo, disponibilizou médicos para cuidarem dos ferimentos da mão de Egídio e construiu um pequeno mosteiro para fixar o seu eremitério. Lá prosperou uma activa comunidade de monges, dos quais Giles se tornou abade. Mais tarde, Carlos Martel chamou-o para ser seu confessor.

Santo Egídio foi um dos santos mais populares da Idade Média. Vários milagres são creditados à sua intercessão, e ele é o padroeiro dos que cuidam das pessoas com problemas de locomoção (hoje seriam os fisioterapeutas) e ainda patrono dos aleijados (paraplégicos ou similares). É padroeiro dos Veterinários junto com São Brás. É invocado contra a convulsão da febre, contra o medo e a loucura. Por causa do milagre da confissão oculta de Carlos Martel, Santo Egídio é invocado em ajuda às confissões difíceis.

Na arte litúrgica da Igreja aparece mostrado ao lado de uma corça ou cuidando de uma, ou com uma flecha atravessada na mão e uma corça no colo. Ele é um dos Catorze Santos Auxiliares.

A absolvição de Carlos Martel

Antes da célebre vitória sobre os Sarracenos em Poitiers, Carlos Martel tinha cometido um pecado de incesto com a irmã. Cheio de remorsos, ele não ousava confessar o seu próprio pecado, tanto era infame a acção cometida.

Decide então dirigir-se a Provença, à presença de um abade muito conhecido na época, Santo Egídio (Gil), para pedir-lhe a absolvição deste pecado, mas sem ousar confessá-lo e mantendo segredo sobre o crime cometido.

Egídio celebrou uma Missa com essa intenção, quando eis que aparece um Anjo, que se colocou próximo ao altar com um livro na mão, sobre o qual estava escrita a culpa não confessada. Enquanto a celebração avançava, a escrita do livro ia-se desbotando, até desaparecer completamente e Carlos Martel foi absolvido.

A notoriedade de Santo Egídio era muito grande, mesmo antes de levar a cabo este milagre. 

in Pale Ideas


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quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Cardeal Ratzinger: "Quem rejeita a Missa Tradicional rejeita o passado da Igreja"

Hoje é posto numa lista negra quem defende a continuação dessa liturgia (tradicional) ou participa directamente numa celebração desta natureza. Existe tolerância para tudo, excepto para esse assunto. Na história da Igreja nunca aconteceu nada deste género; assim é desprezado todo o passado da Igreja. Como podemos confiar no seu presente se as coisas estão assim?
 
Não entendo também, para ser franco, por quê tanta passividade, da parte de muitos irmãos Bispos, diante desta intolerância. Isso parece ser uma homenagem necessária ao espírito dos tempos, que parece contrastar, sem um motivo compreensível, com o processo da necessária reconciliação dentro da Igreja.
 
Hoje o latim na Missa parece-nos quase um pecado. Se nem sequer nas grandes liturgias romanas se pode cantar o 'Kyrie' e o 'Sanctus', e se ninguém sabe sequer o que significa o 'Gloria', verifica-se um empobrecimento cultural e a perda de elementos comuns.
 
Cardeal Joseph Ratzinger in 'Deus e o mundo' (Ed. San Paolo, 2001, p. 380)
Tradução: Senza Pagare


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Quem foi São Raimundo Nonato?

Raimundo nasceu em Portell, na Catalunha, Espanha, em 1200. O seus pais eram nobres, porém não tinham grandes fortunas. O seu nascimento aconteceu de modo trágico: sua mãe morreu durante os trabalhos de parto, antes de dar-lhe à luz. Por isso Raimundo recebeu o nome de Nonato, que significa não-nascido de mãe viva, ou seja, foi extraído vivo do corpo sem vida dela. 

Dotado de grande inteligência, fez com certa tranquilidade seus estudos primários. O pai, percebendo os dotes religiosos do filho, tratou de mandá-lo administrar uma pequena fazenda de propriedade da família. Com isso queria demovê-lo da ideia de ingressar na vida religiosa. Porém as coisas aconteceram exactamente ao contrário.

Raimundo, no silêncio e na solidão em que vivia, fortificou ainda mais a sua vontade de dedicar-se unicamente à Ordem de Nossa Senhora das Mercês, fundada pelo seu amigo Pedro Nolasco, agora também santo. A Ordem tinha como principal finalidade libertar cristãos que caíam nas mãos dos mouros e eram por eles feitos escravos. 

Apesar da dificuldade, conseguiu o consentimento do pai e, finalmente, em 1224, ingressou na Ordem, recebendo o hábito das mãos do próprio fundador. Ordenou-se sacerdote e os seus dotes de missionário vieram à tona, dedicando-se a nessa missão de coração e alma. Por isso foi mandado em missão à Argélia, norte da África, para resgatar cristãos das mãos dos muçulmanos. Conseguiu libertar cento e cinquenta escravos e devolvê-los às suas famílias.

Quando se ofereceu como refém sofreu no cativeiro verdadeiras torturas e humilhações. Mas mesmo assim não abandonou o seu trabalho. Levava o conforto e a Palavra de Deus aos que sofriam mais do que ele e já estavam prestes a renunciar à Fé em Jesus. Muitas foram as pessoas convertidas por ele, o que despertou a ira dos magistrados muçulmanos, os quais mandaram que lhe perfurassem a boca e colocassem cadeados, para que Raimundo nunca mais pudesse falar e pregar a doutrina de Cristo.

Raimundo sofreu durante oito meses essa tortura até ser libertado, mas com a saúde abalada. Quando chegou à pátria, na Catalunha, em 1239, logo foi nomeado cardeal pelo Papa Gregório IX, que o chamou para ser seu conselheiro em Roma. Empreendeu a viagem no ano seguinte, mas não conseguiu concluí-la. Próximo de Barcelona, na cidade de Cardona, já com a saúde debilitada pelos sofrimentos do cativeiro, Raimundo Nonato foi acometido de forte febre e acabou morrendo, a 31 de Agosto de 1240, quando tinha, apenas, quarenta anos de idade.

Raimundo Nonato foi sepultado naquela cidade e o seu túmulo tornou-se local de peregrinação, sendo, então, erguida uma igreja para abrigar os seus restos mortais. O seu culto propagou-se pela Europa, sendo confirmado por Roma em 1681. 

São Raimundo foi canonizado em 1657, em Roma, pelo Papa Alexandre VII. Devido à condição difícil do seu nascimento, é venerado como Padroeiro das Parturientes, das Parteiras e dos Obstetras.

in Pale Ideas


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quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Não se fartam os olhos de ver, nem o ouvido de ouvir

Lembra-te frequentemente daquele provérbio: «Não se fartam os olhos de ver, nem o ouvido de ouvir.» Procura pois desapegar o teu coração das coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis; porque os que seguem a sensualidade mancham a consciência e perdem a graça de Deus.
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(Imitação de Cristo, Livro 1, Cap.1)


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Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina

Rosa viveu uma infância serena e economicamente privilegiada. Mas, de repente, a família sofreu um revés financeiro. Arregaçou, então, as mangas, ajudando a família em todo género de actividades, desde trabalhos domésticos ao cultivo de uma horta e ao bordado, como forma de ganhar a vida. 

Desde pequena aspirou a consagrar-se a Deus na vida do claustro, mas o Senhor fez-lhe conhecer a Sua vontade, de que permanecesse virgem no mundo. Leu a vida de Santa Catarina de Sena, que se tornou o seu modelo de vida, aprendendo dela o amor por Cristo, pela Sua Igreja e pelo próximo, sobretudo os irmãos índios. Como a Santa de Sena, vestiu o hábito da Ordem Terceira Regular dos Pregadores. Tinha vinte anos de idade. 

Com a permissão da família, organizou numa sala da casa materna um tipo de abrigo para os necessitados, onde dava assistência a crianças e anciãos abandonados, em particular aos de origem índia. Ainda como Santa Catarina, foi tornada digna de sofrer a Paixão do Seu divino Esposo, mas também provou o sofrimento da "noite escura", que durou uns bons 15 anos. Recebeu também o extraordinário dom das núpcias místicas. Foi enriquecida também com outros carismas, como o de fazer milagres, da profecia e da bi-locação. 

A partir de 1609, encerrou-se em uma cela de apenas dois metros quadrados, construída no jardim da casa materna, fria no Inverno e quente e cheia de mosquitos no Verão para melhor rezar em união com o Senhor. Da cela saia apenas para a função religiosa, onde passava grande parte do seus dias de joelhos, a rezar e em estreita união com o Senhor e das suas visões místicas, que começaram a ocorrer com uma impressionante regularidade, todas as semanas, de Quinta-feira ao Sábado. À oração, Rosa juntava a auto-flagelação, vigílias e jejuns, e a sua vida ascética era cheia de visões, mas também de assédios demoníacos. 

Já em vida era grande a sua fama de santidade. O episódio mais marcante da sua existência terrena no-la apresenta abraçada ao Tabernáculo para defendê-lo dos calvinistas holandeses levados ao assalto da cidade de Lima pela frota do pirata Jorge Spitzberg. A inesperada libertação da cidade, por causa da repentina morte do comandante holandês, foi atribuída à sua intercessão. Em 1615, na “Ciudad de Los Reyes” (Lima), Rosa encabeçou uma "rogativa" (oração pública) numa igreja, diante do possível desembarque de piratas holandeses que já haviam assaltado o vizinho porto de El Callao. Sem prévio aviso, uma grande tormenta impediu que as embarcações se aproximassem à terra e a cidade ficou a salvo. 

Rosa, pressentindo a chegada da morte, confidenciou: "Este é o dia de minhas núpcias eternas". Era o dia 24 de agosto de 1617, festa de São Bartolomeu. Tinha trinta e um anos de idade. 

Foi beatificada em 1668 pelo Papa Clemente IX, e dois anos depois foi proclamada Patrona Principal das Américas, das Filipinas e das Índias Ocidentais, pelo Papa Clemente X. Tratava-se de um reconhecimento singular uma vez que um decreto do Papa Urbano VIII, de 1630, estabelecia que não poderiam ser dados como protectores de reinos e cidades pessoas que não haviam sido canonizadas. De qualquer forma, foi canonizada em 12 de Abril de 1671, pelo Papa Clemente X. Também é a padroeira dos jardineiros e dos floristas. É invocada em caso de feridas, contra as erupções vulcânicas e em caso de lutas na família. 

in farfalline.blogspot.pt

Fontes: 

http://www.santiebeati.it/dettaglio/28950 - Santi e Beati. Autor: Francesco Patruno (em italiano). 
https://it.wikipedia.org/wiki/Rosa_da_Lima - Wikipédia (em italiano). 
http://migre.me/qVDhx - Facebook. Com os relatos da invasão calvinista e um desenho dos navios holandeses (em espanhol).


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terça-feira, 29 de agosto de 2023

Carta de Bispo Strickland reafirma a Fé Católica e deixa aviso sobre o Sínodo de Outubro

Meus queridos filhos e filhas em Cristo: Que o amor e a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam sempre convosco!

Neste tempo de grande turbulência na Igreja e no mundo, devo falar-vos com coração de pai para vos advertir dos males que nos ameaçam e para vos assegurar a alegria e a esperança que temos sempre em Nosso Senhor Jesus Cristo. A mensagem má e falsa que invadiu a Igreja, Esposa de Cristo, é que Jesus é apenas um entre muitos, e que não é necessário que a Sua mensagem seja partilhada com toda a Humanidade. Esta ideia deve ser rejeitada e refutada. Temos de partilhar a alegre boa nova de que Jesus é o nosso único Senhor e que Ele deseja que toda a Humanidade, para todo o sempre, possa abraçar a vida eterna n'Ele.

Quando compreendermos que Jesus Cristo, o Filho Divino de Deus, é a plenitude da revelação e o cumprimento do plano de salvação do Pai para toda a Humanidade e para todos os tempos, e O abraçarmos de todo o coração, então poderemos abordar os outros erros que assolam a nossa Igreja e o nosso mundo e que foram provocados por um afastamento da Verdade.

Na carta de S. Paulo aos Gálatas, ele escreve: "Admira-me que tão depressa abandoneis Aquele que vos chamou pela graça (de Cristo) por um evangelho diferente (não que haja outro). Mas há alguns que vos estão a perturbar e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas mesmo que nós ou um Anjo do Céu vos pregasse um evangelho diferente daquele que vos pregamos, que esse seja amaldiçoado! Como já dissemos, e agora repito, se alguém vos anunciar um evangelho diferente daquele que recebestes, seja anátema!" (Gal 1, 6-9)

Como vosso pai espiritual sinto que é importante reiterar as seguintes verdades básicas que sempre foram defendidas pela Igreja, desde tempos imemoriais, e sublinhar que a Igreja não existe para redefinir questões de Fé, mas sim para salvaguardar o Depósito da Fé tal como nos foi transmitido pelo próprio Nosso Senhor através dos apóstolos, dos santos e dos mártires. Mais uma vez, recordando o aviso de S. Paulo aos Gálatas, quaisquer tentativas de perverter a verdadeira mensagem do Evangelho devem ser categoricamente rejeitadas como prejudiciais à Noiva de Cristo e aos seus membros individuais.

1. Cristo estabeleceu uma Igreja - a Igreja Católica - e, portanto, só a Igreja Católica fornece a plenitude da verdade de Cristo e o caminho autêntico para a Sua salvação para todos nós. 

2. A Eucaristia e todos os sacramentos são divinamente instituídos, não desenvolvidos pelo Homem. A Eucaristia é verdadeiramente o Corpo e o Sangue de Cristo, a Alma e a Divindade, e recebê-Lo na Comunhão indignamente (isto é, num estado de pecado grave e impenitente) é um sacrilégio devastador para o indivíduo e para a Igreja. (1 Cor 11, 27-29)

3. O sacramento do Matrimónio foi instituído por Deus. Através da Lei Natural, Deus estabeleceu o matrimónio como sendo entre um homem e uma mulher fiéis um ao outro para toda a vida e abertos a ter filhos. A Humanidade não tem o direito ou a verdadeira capacidade de redefinir o matrimónio.

4. Cada pessoa humana é criada à imagem de Deus, homem ou mulher, e todas as pessoas devem ser ajudadas a descobrir as suas verdadeiras identidades como filhos de Deus, e não apoiadas numa tentativa desordenada de rejeitar a sua inegável identidade biológica e dada por Deus.

5. A actividade sexual fora do casamento é sempre gravemente pecaminosa e não pode ser tolerada, abençoada ou considerada permissível por qualquer autoridade dentro da Igreja.

6. A ideia de que todos os homens e mulheres serão salvos independentemente da forma como vivem as suas vidas (um conceito comummente designado por universalismo) é falsa e perigosa, pois contradiz o que Jesus nos diz repetidamente no Evangelho.  Jesus diz que devemos "negar-nos a nós próprios, tomar a nossa cruz e segui-Lo" (Mt 16, 24). Ele deu-nos o caminho, através da Sua graça, para a vitória sobre o pecado e a morte através do arrependimento e da confissão sacramental. É essencial abraçarmos a alegria e a esperança, bem como a liberdade, que advêm do arrependimento e da confissão humilde dos nossos pecados. Através do arrependimento e da confissão sacramental, cada batalha contra a tentação e o pecado pode ser uma pequena vitória que nos leva a abraçar a grande vitória que Cristo conquistou para nós.

7. Para seguir Jesus Cristo, temos de escolher voluntariamente tomar a nossa cruz em vez de tentar evitar a cruz e o sofrimento que Nosso Senhor oferece a cada um de nós individualmente na nossa vida quotidiana.  O mistério do sofrimento redentor - ou seja, o sofrimento que Nosso Senhor permite que experimentemos e aceitemos neste mundo e que depois Lhe devolvamos em união com o Seu sofrimento - humilha-nos, purifica-nos e leva-nos mais profundamente à alegria de uma vida vivida em Cristo. Isto não quer dizer que devamos gostar ou procurar o sofrimento, mas se estivermos unidos a Cristo, ao experimentarmos os nossos sofrimentos quotidianos, podemos encontrar a esperança e a alegria que existem no meio do sofrimento e perseverar até ao fim em todo o nosso sofrimento. (cf. 2 Tim 4, 6-8)

Nas próximas semanas e meses, muitas destas verdades serão examinadas no âmbito do Sínodo sobre a Sinodalidade. Devemos agarrar-nos a estas verdades e desconfiar de todas as tentativas de apresentar uma alternativa ao Evangelho de Jesus Cristo, ou de promover uma fé que fala de diálogo e de fraternidade, ao mesmo tempo que tenta eliminar a paternidade de Deus. Quando procuramos inovar sobre o que Deus, na sua grande misericórdia, nos deu, encontramo-nos em terreno traiçoeiro. A base mais segura que podemos encontrar é mantermo-nos firmes nos ensinamentos perenes da fé.

Lamentavelmente, é possível que alguns classifiquem como cismáticos aqueles que discordam das mudanças que estão a ser propostas. No entanto, pode ter a certeza de que ninguém que permaneça firmemente na linha de prumo da nossa Fé Católica é um cismático. Devemos permanecer sem pudor e verdadeiramente Católicos, independentemente do que possa ser apresentado. Devemos também estar conscientes de que não é abandonando a Igreja que nos mantemos firmes contra estas mudanças propostas. Como disse S. Pedro: "Senhor, a quem iremos nós?  Tu tens as palavras da vida eterna". (Jo 6,68) Por isso, mantermo-nos firmes não significa que estamos a tentar deixar a Igreja. Pelo contrário, aqueles que propõem mudanças naquilo que não pode ser mudado procuram apoderar-se da Igreja de Cristo, e são de facto os verdadeiros cismáticos.

Exorto-vos, meus filhos e filhas em Cristo, que agora é o momento de vos certificardes de que estais firmemente apoiados na fé católica dos tempos. Todos nós fomos criados para procurar o Caminho, a Verdade e a Vida, e nesta era moderna de confusão, o verdadeiro caminho é aquele que é iluminado pela luz de Jesus Cristo, pois a Verdade tem um rosto e, de facto, é o Seu rosto. Ficai certos de que Ele não abandonará a Sua Esposa.

Continuo a ser o vosso humilde pai e servo,
Reverendíssimo Joseph E. Strickland, Bispo de Tyler


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São João Baptista preferiu perder a vida do que perder a alma

Hoje é dia do Martírio de São João Baptista, um homem que não teve medo de ser assassinado por dizer a verdade.

Foi um homem viril, e exactamente o contrário do "politicamente correcto", do "que será que eles vão pensar de mim?" e do "é melhor ficar calado para não sofrer consequências".

João Baptista preferiu perder a vida do que perder a alma. Escolheu a melhor parte.


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