domingo, 13 de janeiro de 2013

O "Zico" e os bebezitos

Era uma vez um cãozinho, de seu nome “Zico”. O “Zico” gostava de rebolar pelos campos, cantando música ligeira e à noite ficava deitado de barriga para cima a admirar as estrelas. Mas o Zico era arraçado de Pitbull, uma raça naturalmente disposta para o combate, conhecida pela agilidade e por morder e não largar. O “Zico” atacou uma criança de 18 meses, de seu nome Dinis, que viria a morrer no hospital. A lei portuguesa estabelece que num caso destes o cão que atacou deve ser abatido, porque não se sabe quando vai voltar a atacar alguém.

Em reacção ao cumprimento da lei, surgiu uma peticão (sem cedilha) que pede a suspensão da lei, para que o “Zico” possa viver. Estas 60 mil pessoas dizem que o “Zico” não tem culpa, a culpa é do dono (e muitos defendem que se mate este). Ora que o “Zico” não tem culpa já nós sabemos, porque um animal não distingue o bem do mal, o certo do errado, o verdadeiro do falso, por isso nunca pode ter culpa. Não existem cães bons e cães maus, existem cães com mais ou menos propensão natural para atacar, ou que foram mais ou menos treinados para não atacar.

Quando no circo vemos um leão que deixa o tratador meter a cabeça na sua boca não dizemos “Ai que boa pessoa aquele leão, é mesmo simpático, deixar o senhor meter a cabeça na boa dele.” O leão foi treinado para que tal acontecesse, não é uma decisão tomada em consciência “Ora deixa-me cá ajudar aqui o meu chefe a fazer uns trocos, e assim dá-me bifes do lombo.” O instinto do leão não é deixar pessoas meterem a cabeça na boca dele, é meter a boca na cabeça das pessoas. E não pode ser julgado por isso, mas pode ser abatido se existir o risco real de matar alguém no meio da rua.

Existe uma confusão generalizada entre a dignidade duma pessoa e a dignidade dum animal. Infelizmente é preciso reafirmar o básico: a vida duma pessoa não se compara e vale sempre sempre mais do que a dum animal, mesmo que seja a Lassie.

Cá para mim acho que a culpa disto tudo é da Disney. Põem os animaizinhos a falar, a cantar, a dizer piadas, a serem amorosos, e temos toda uma multidão que transporta isso para a vida real. Por mais que seja uma figura de estilo muito simpática (e boa pessoa), a personificação tem limites!

Para compensar, temos aqui uma petição para acabar com a matança de bebés abortados (55 por dia em Portugal), e que existe há vários meses. Neste momento contamos com 2929 signatários, ou seja 4,9% do que a petiCÃO do “Zico” conseguiu em 3 dias. Vale a pena pensar nisto…
João Silveira


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4 comentários:

Pyny disse...

É pena quando as pessoas perdem toda a noção de que um animal não é comparável a um ser humano. Por outro lado, não deixa de ser interessante reparar que as petições online em Portugal não têm qualquer tipo de valor acrescentado. Se assim fosse, o nosso estado de direito daria mais importância à salvação de um qualquer animal que se comportou como tal, em vez de dar atenção a outro tipo de comportamentos animalesecos, legais desde 2007. Será que alguém um dia vai perceber a inutilidade e a imbecilidade de criar petições como esta do Zico?

Tiago Rodrigues disse...

onde está o link da petição (com cedilha)?

João Silveira disse...

Pyny, nem mais!

João Silveira disse...

Tiago, aqui está: http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=GRATUITO