sábado, 3 de maio de 2014

A limpeza e a santidade - G. K. Chesterton

De todos os sinais de modernidade que se parecem traduzir em algum tipo de decadência, nenhum é mais ameaçador e perigoso do que a exaltação de normas de conduta pequenas e secundárias, à custa das grandes e primárias, à custa dos laços eternos e da trágica moralidade humana. Desse modo, costuma considerar-se mais injurioso acusar um homem de mau gosto do que de má ética. 

Hoje em dia, já não se associa a limpeza à santidade, visto que a limpeza se converteu em algo essencial, ao passo que a santidade se converteu em algo ofensivo.


O grande perigo para a nossa sociedade está em que todo o seu mecanismo se possa tornar cada vez mais fixo, à medida que o espírito se torna mais inconstante.

Os pequenos actos de um homem deveriam ser livres, flexíveis, criativos; o que deveria permanecer inalterado são os seus princípios, os seus ideais.

Mas connosco o contrário é que é a verdade: os nossos pontos de vista alteram-se constantemente, mas o nosso almoço permanece inalterado.



in Tremendas trivialidades (1909)


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3 comentários:

José Miguel Pereira disse...

João, ainda me lembro de quando li este texto pela primeira vez. Já foi há alguns anos, mas ficou-me na memória.

Sugiro-te que do mesmo livro leias o capítulo "Um pedaço de giz", o meu favorito.

Abraço,
ZM

José Mourinho disse...

Um pedaço de giz, também é o meu preferido.

João Silveira disse...

Obrigado Josés! Se alguém quiser enviar-me a melhor parte desse texto eu publico e assim somos muitos a ler.