terça-feira, 16 de setembro de 2014

"Livra-nos do mal": Um polícia conta a sua experiência com exorcismos


Chegou recentemente aos cinemas o filme de terror "Livrai-nos do Mal” de Scott Derrickson, também director do filme "O Exorcismo de Emily Rose". "Livrai-nos do Mal" é um filme inspirado na experiência real de um agente da polícia de Nova York, Ralph Sarchie, experiência que quis partilhar na imprensa, aproveitando o impacto do filme.

O filme custou 30 milhões de dólares, investimento que recuperou com a venda dos bilhetes nos EUA. E no estrangeiro lucrou outros 25 milhões. 

Esta história, sobre um Sacerdote Católico Latino e exorcista e seu companheiro polícia que vai perdendo o seu cepticismo de susto em susto, pareceu não desagradar o público de Países longe da Cultura Católica: lucrou 390.ooo dólares na Coreia, 470.000 em Singapura, 360.000 em Hong Kong e um milhão na Malásia muçulmana.

O país teve maior receita até agora foi a Venezuela Bolivariana (2,4 milhões de dólares), com um público atraído pelo actor Venezuelano Edgar Ramirez, no papel do sacerdote. À Venezuela segue-se quase com a mesma receita a Austrália e a Argentina com 1,4 milhões e o Reino Unido com mais de 1 milhão. 

O ex-agente Ralph Sarchie, reformado depois de cumpridos os seus 20 anos de serviço, concordou em colaborar na divulgação e promoção por motivos de evangelização e não há dúvida que as suas reflexões sobre a natureza do mal chegaram assim até aos confins da Terra.

NO MEIO DO CRIME, ENCONTROU A FÉ

Em diversas entrevistas Sarchie explica que foi educado como católico, que se afastou da fé durante a sua juventude, mas que a recuperou quando como polícia se encontrou nas zonas mais perigosas de Nova Iorque, muitas vezes como infiltrado em grupos criminosos, o que explica as suas muitas tatuagens. Ali descobriu que, além da maldade humana dos criminosos ou dos viciados desesperados havia outra maldade mais profunda. 

"Se me ia envolver numa batalha com o demónio, precisava estar forte na religião", entendeu. "Hoje rezo o terço diariamente e peço todos os dias a Deus que faça com a minha vida o que for da sua vontade”.

Sarchie explica que só um Sacerdote ordenado e com permissão do Bispo pode celebrar exorcismos sobre as pessoas. Às vezes, ele realiza orações de libertação e bênçãos em edifícios ou lugares, mas como um leigo é essencialmente ajudante e estudioso de demonologia.

Os sinais para detectar uma pessoa possuída, diz ele, são clássicos: força que não é natural, falar em idiomas que desconhece, saber coisas que não deveria saber, a voz feminina torna-se masculina e emitir sons animalescos...

Conta que nunca cobrou "um cêntimo" pela sua actividade como demonologista, e chegou a ter custos por causa de deslocamentos para atender casos.

Também lhe custou o casamento. Nunca viveu experiencias demoníacas até que enquanto policia se dedicou a esta área e algumas destas experiências o “seguiram” até casa e assustaram a sua mulher. "E por isso é a minha ex", comenta numa entrevista. Diz que as suas filhas- já adultas- assistiram a alguns casos e que assumiram que "isso é verdade" com naturalidade. 

"Recebo comentários cépticos aqui e ali, e alguns deles realmente desagradáveis. Mas eu não me preocupo com o que pensam de mim ", explica.

ACTIVIDADE MALIGNA EM ASCENÇÃO 

O que é claro é que a actividade demoníaca está a crescer, seja através da infestação, da opressão ou de maneira mais rara da possessão. "Está em ascensão, odeio dize-lo, à medida que a sociedade expulsa Deus, não se pode negar. Há uma parte da sociedade que simplesmente não 'suporta' Jesus Cristo; quando eu vejo isso, pergunto-me de onde vem esse ódio." 

Quando lhe perguntam por um momento o que é que o assusta especialmente, conta um certo exorcismo. 

"Tínhamos um par de relíquias na igreja naquele dia, e a minha estava à direita da cabeça da pessoa, perto da orelha... eu costumo estar em frente. Conseguia ver os seus olhos. O olho direito olhava para o crucifixo, mas sem virar a cabeça, era como uma estátua. Os olhos iam e vinham, foi terrível de ver ", explica, comparando-a com um "animal encurralado e assustado" e a "um predador que procura uma saída”.

"Fui polícia muitos anos, lidei com muitas pessoas emocionalmente perturbadas e ligadas a gente muito má e nunca, nunca na minha vida nas ruas vi nada assim parecido. Um olhar de um assassino é diferente, não é parecido com o do possesso” partilha.

As suas experiências mais terríveis como ajudante de exorcista (e de polícia em zonas perigosas) estão no livro aterrador "Beware the Night". 

O SEU MESTRE NOS EXORCISMOS 

O sargento Sarchie foi ajudante em exorcismos do Padre irlandês Malachi Martin, em Nova York, que publicou em 1975 o seu livro sobre experiências exorcísticas "Hostage to the Devil", centrado em cinco casos que atendeu, embora nos anos noventa o Padre Martin explicou que fez exorcismos completos centenas de vezes. 

Este sacerdote Martin merecia o seu próprio filme: foi ajudante do Cardeal Bea no Concilio Vaticano II, especialista no diálogo com os judeus e com os Ortodoxos. Abandonou a Companhia de Jesus desencantado pelo caos pós-conciliar e emigrou para os EUA, onde trabalhou como taxista e a lavar pratos ... e, finalmente, dedicou-se a escrever romances (tinha o encargo de Paulo VI para evangelizar através da comunicação social). O sargento Sarchie foi um grande discípulo seu no atendimento às vítimas de actividade demoníaca.

UM PADRE LATINO PARA O FILME 

Para o filme, o director decidiu que, em vez de um padre irlandês queria um padre latino, "as pessoas não vão ser tão duras com ele, há maior aceitação cultural", disse no National Catholic Register

O actor escolhido, Edgar Ramirez, inspirou-se num amigo, jesuíta venezuelano que esteve dependente de drogas e que sabia o que era cair, lutar e levantar-se. Edgar Ramirez acredita que o filme, mais que entreter ao despoletar medo ensina a perdoar, como é explicado no vídeo em espanhol abaixo.

Quanto aos locais de rodagem para as filmagens, incluíram zonas perigosas de Nova York, onde o polícia fez patrulhas, incluindo ruas onde fez detenções. "Quem diria, que alguma fez filmaríamos um filme ali?" Ri-se Ralph Sarchie hoje.

in Religion en Libertad



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