domingo, 11 de setembro de 2016

Estado e Igreja são como corpo e alma

A Igreja não pode alcançar convenientemente os seus fins espirituais sem a cooperação dos poderes civis. É verdade que a Igreja tem a fortaleza de Cristo e é capaz de subsistir ainda no meio de reinos não cristãos. Mas a Igreja sem a Cidade é a Igreja dos mártires, porque os poderes civis não baptizados pela Igreja caem inevitavelmente sob o domínio de Satanás e tornam-se perseguidores da Igreja. E são muito poucas as almas com espírito de mártires, capazes de resistir à violência, senão física, ao menos moral das leis e costumes contrários à lei de Cristo.


Para compreender o que dissemos não é necessário, por desgraça, imaginar os primeiros séculos de cristianismo; hoje já vivemos numa sociedade apóstata cada vez mais anticristã, e as exigências espirituais para salvar-se vão sendo cada vez maiores.

Não é necessário ter vivido muito para perceber que a grande maioria dos homens segue a lei e o costume social: se é costume ir à Missa, então as pessoas vão, e se há lei de divórcio, as pessoas divorciam-se. Por isso, quando a Igreja está na Cidade – como a alma no corpo – a maioria das pessoas salva-se, mas quando não está, só se salvam almas de excepção.

O Estado não pode alcançar de nenhum modo os seus fins se não estiver na Igreja – como a parte no todo. A Cidade sem Cristo é só um cadáver de cidade, alimento dos demónios carronheiros. Ao ter ficado a natureza humana ferida pelo pecado, os homens ficaram impossibilitados de se ordenar ao bem comum, o que só pode ser feito pela graça; e o poder político transformou-se em tirania dos poderosos sobre os demais. 

Ainda que o homem não perca toda a bondade natural e possam os Reis procurar certos bens temporais, ao merecer pelo pecado ficar sob o domínio de Satanás, a carne e o mundo serão irremediavelmente instrumentalizados pelos demónios para ruína temporal e eterna do género humano.

Pe. Álvaro Calderón in 'A subordinação da ordem temporal à espiritual segundo São Tomás'


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1 comentário:

Anónimo disse...

Numa democracia o estado são as pessoas. Se as pessoas não vão ter com a igreja para serem parte dela e parte de Cristo, cabe à Igreja fazer com que todos os cidadãos participam igualmente dela, usando de esforços concretos na conversão dos pecadores. A Igreja já não parece evangelizar nas cidades indo ao encontro das pessoas, mas fica à espera delas. E nas acções sociais em que dá de comer, dá de beber parece faltar qualquer coisa, pois as pessoas não vão à missa, não vão à Igreja. Então a igreja deve participar no estado e na lei através de que poder? Social? Político? ou esperar pela graça?