quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Cardeal Paccelli: vestido como um soberano, pobre como um camponês

"Em público o meu Tio queria aparecer sempre perfeito, impecável. Representava a Igreja, sentia com grande responsabilidade esta suprema dignidade. O seu comportamento e as suas roupas, exteriormente, eram impecáveis como de um soberano. Mas na realidade era muito pobre."

Giulio Pacelli, sobrinho do Cardeal Eugenio Paccelli (futuro Papa Pio XII)


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6 comentários:

A disse...

Mas a Igreja representa Jesus Cristo, e Ele foi pobre. E embora não se represente a Igreja com trajes de pobre, podia-se e devia-se a meu ver evitar alguns paramentos com riqueza excessiva. Acho que a Igreja não se devia impor pelo que tem ou ostenta, mas pela sobriedade e simplicidade. A dignidade muito bem, mas quando não se distancia do que é Cristo, e não é o que acontece.

José Lima disse...

O decoro, o aprumo e a compostura dos homens de Igreja, direito e dever hoje tão esquecido e que é inerente à dignidade do seu estado, bem como a beleza e a elevação da liturgia, são também formas de manifestação de reverência pelo divino e de expressão do autêntico culto que é devido a Cristo que, na sua vida terrena tendo efectivamente sido pobre, é antes de mais Rei, Rei do Universo, Deus das Nações e Senhor dos Exércitos, e que a este mundo há-de voltar, já não pobre, mas em todo a sua majestade e glória divinas.

Anónimo disse...

Usa-se os argumentos da reverência pelo divino e de expressão do autêntico culto que é devido a Cristo, quando na realidade Ele não quer nem precisa nada disso. Nunca vi em nenhuma mensagem a nenhum Santo que Jesus pedisse esse tipo de reverências, ou alguma vez incluísse nas suas mensagens esses temas, bem pelo contrário, ele sempre falou na pobreza. Quando olho para a foto não vejo nem pobreza e nem o que Jesus pede. Onde pediu Cristo isso? Os homens é que lhe querem dar essas honras quando na verdade o que O honra não são nem as vestes nem os bens e nem as riquezas, só o Amor no íntimo do coração O pode honrar da forma mais aproximada que Ele deseja. Todo o mundo ama S. Francisco e um dos motivos é porque foi mesmo pobre e assim se assemelhou a Cristo. Sempre na mesma linha... Oh meu Deus São Francisco volta!!! padre Pio, volta!

José Lima disse...

Cristo nunca pediu? Cristo nunca quis? Talvez ande por aí alguma presunção… Convém recordar o episódio evangélico da mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus com um caro perfume, havendo por isso sido repreendida por um dos apóstolos - mais concretamente, por um certo Judas Iscariotes… - com o argumento de que teria sido melhor dar aos pobres o dinheiro gasto naquele perfume, argumento esse que foi de imediato reprovado por Jesus com o juízo de que, por uma lado, a mulher havia agido assim para o honrar, e de que, por outro lado, os homens sempre teriam os pobres entre si.

De facto, é do culto a Cristo prestado eminentemente por uma liturgia digna e reverente, centro fulcral da autêntica vida cristã, que fluem as graças que permitem incrementar o amor a Deus e concomitantemente ao próximo.

Quanto ao resto, tanto São Francisco de Assis como o Padre Pio, embora humílimos na sua vida pessoal, foram modelos extremados de reverência litúrgica.

Para São Francisco de Assis - http://www.salvemaliturgia.com/2011/07/sao-francisco-de-assis-modelo-de-amor.html

Para o Padre Pio - http://www.capela.org.br/Missa/padrepio.htm

Jesus Pereira disse...

Anônimo, o homem é corpo e alma. A reverência íntima da alma, do coração não é contrária à reverência da matéria, do corpo. Esta é uma falsa contradição, que só se torna verdadeira no hipócrita, que ostenta a piedade exterior para encobrir o vício interior. A nobreza dos objetos e paramentos de culto e dos edifícios sagrados é a nobreza da Noiva do Cordeiro que se desdobra ao seu Amado (ainda que Ele não o peça ). É verdade que Cristo foi pobre (e que como Ele São Francisco de Assis). Mas mostra-me uma censura de Cristo à grandiosidade e riqueza do templo de Jerusalém... uma crítica de São Francisco à beleza das igrejas de sua época... Acaso devemos só uma submissão teórica, intelectual, a Deus? Não a devemos totalmente, de corpo e alma, tudo entregando a Deus para lhe darmos honra e glória? Ou Lhe honramos com o coração mas reservamos os bens materiais para nós? Cobramos a pobreza nas vestes dos ministros, nos objetos sagrados para o culto e nos edifícios sagrados para quê? Para reservarmos mais para nós? Não peça a volta de São Francisco... A Igreja há muito já o pôs como modelo de virtude cristã e santidade. Amas verdadeiramente o exemplo dele? Vai e faze o mesmo.

Jesus Pereira disse...

Lendo há pouco um dos sermões do Beato John Henri Newman... Em certo momento o Beato cita I Macabeus 1, 20-24, que relata como Antíoco despojou o templo de Jerusalém de todos os objetos de valor e elementos decorativos, inclusive o ouro da fachada. E, advinhem... Antíoco é o... o tipo do Anticristo...

A quem servem os dessacralizadores do templo, os críticos do desperdício do nardo puro?

A depauperização do templo e do culto não é senão o desprezo a Deus, a quem se destina a adoração, o louvor, a honra e a glória que neles e através deles se presta.