quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Porque é que São Leão Magno é Magno?

“Prosseguindo o nosso caminho entre os Padres da Igreja, verdadeiros astros que brilham de longe, no nosso encontro de hoje falamos sobre a figura de um Papa, que em 1754 foi proclamado por Bento XIV Doutor da Igreja: trata-se de São Leão Magno. Como indica o apelativo que depressa lhe fora atribuído pela tradição, ele foi verdadeiramente um dos maiores Pontífices que honraram a Sede romana, contribuindo muitíssimo para fortalecer a sua autoridade e prestígio.” Papa Bento XVI

O Século V
Todos sabemos o mínimo da história da Igreja Católica: Jesus ressuscitou e S. Pedro e S. Paulo foram para Roma, onde se tornaram mártires com muitos outros cristãos que lhes seguiram. Nos primeiros séculos, os cristãos foram brutalmente perseguidos pelo império romano. No ano 313, o imperador Constantino acabou estas perseguições mas os problemas não terminaram. Começaram a surgir inúmeras heresias que distorciam a doutrina da Igreja e, se não fossem uns homens fortes, sábios e santos, a Igreja não teria aguentado. Estes homens são hoje conhecidos como Padres da Igreja. S. Leão Magno foi um destes heróis e, para além das heresias que se espalhavam, viveu em pleno início das invasões bárbaras.

O império romano estava cada vez mais dividido entre Oriente e Ocidente e, em ambas as partes, reinava a corrupção. Enquanto que os soldados das legiões eram maioritariamente mercenários mal pagos, os povos da Germânia começaram a descer para o Sul da Europa. No final do ano 410 os Visigodos invadiram Roma. 

Um comandante ao serviço de Cristo
Estas invasões foram relativamente bem controladas, mas o pior ainda estava para vir. Um exército de meio milhão de homens guerreiros da Ásia começou a invadir a Europa pelo Oriente e chegou a conquistar tudo até às zonas da actual Suíça. Eram os hunos comandados por Átila que arrasavam tudo por onde passavam. No ano 452 invadiram a Itália e começaram a avançar para Roma e o imperador nada conseguia fazer para os travar. Foi então que o Papa Leão I, com outros membros do Clero, foi ao encontro do mais cruel e temido de todos os invasores, no Norte de Itália. Não sabemos do que falaram, mas uma coisa é certa, S. Leão Magno tinha uma personalidade fortíssima própria dos santos, de tal modo que Átila renunciou à conquista de Roma e retirou-se de Itália, assinando a paz com o império do Ocidente.

Três anos mais tarde o Papa também impediu que os Vândalos, quando invadiram Roma, saqueassem as Basílicas de S. Pedro, S. João e S. Paulo, onde se refugiaram centenas de pessoas.
Encontro entre S. Leão Magno e Átila, o Huno. (Rafael)
O Concílio de Calcedónia
Todas estas guerras foram perigosíssimas, mas nada comparado ao perigo das heresias que se espalhavam no interior da Igreja e que ameaçavam levar tantas almas do caminho para o Céu. S. Leão Magno foi feroz nesta luta que culminou no Concílio de Calcedónia no ano 451.
Analisando com a distância de quase um milénio, percebe-se que estes tempos de heresia foram a maneira de Nosso Senhor ajudar a definir a nossa doutrina infalível. De facto, o Concílio de Calcedónia foi o último dos primeiros Quatro Concílios Ecuménicos, onde se definiram as bases fundamentais da nossa Fé. Estes concílios foram de tal modo importantes que S. Gregório Magno, no século VI, afirmou “acolher e venerar, como os quatro livros do Santo Evangelho, os quatro Concílios”.

O Papa, devido à guerra com os hunos, não conseguiu estar presente em Calcedónia e, portanto escreveu uma carta para ser lida no Concílio. Esta carta, lida para trezentos e cinquenta Bispos, era um texto doutrinal chamado Tomo a Flaviano que argumentava de um modo fenomenal contra as várias heresias. Ao pormenor, este santo Papa derrutou a heresia dos pelagianos, que negava a existência do pecado original, afirmando que o homem se podia salvar sem a graça de Deus, a heresia dos priscilianistas, uma seita que misturava teologia com astrologia, e a mais forte de todas, a monofisita, que afirmava que Jesus Cristo era Deus mas não homem.

Na nossa vida
É devido ao Concílio de Calcedónia e ao Papa S. Leão Magno, que temos bases fortes e racionais para afirmar que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Foi também neste concílio que foi confirmada a maternidade divina de Maria. Que alegria! Nossa Senhora, nossa Mãe, é a Mãe de Deus!

Gostava de referir duas últimas coisas. A primeira é que é importantíssimo conhecermos a História da Igreja Católica, até porque isso fortifica bastante a nossa Fé. A segunda é que ao aprendermos as heresias que atacavam o Cristianismo nos primeiros séculos, revemos tudo o que se passa nos nossos dias. Em quase todas as revistas encontramos uma página com os signos, o que tem tudo a ver com o priscilianismo, ou os novos ateus que afirmam que o ser humano vive por si, sem nenhuma ajuda de Deus, que é uma espécie de definição do pelagianismo. Para nos defendermos temos que rezar e ler muito os escritos dos Padres da Igreja.

Nuno CB


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