terça-feira, 20 de janeiro de 2026
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
Padre John Berg no Vaticano
Hoje, 19 de Janeiro de 2026, o Papa Leão XIV recebeu em audiência o Padre John Berg, Superior-Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pedro (FSSP)
Foi a primeira vez que o Padre Berg foi recebido por um Sumo Pontífice desde a sua eleição como Superior-Geral da FSSP em Julho de 2024.
Em Setembro de 2024, a Santa Sé anunciou uma visita apostólica à FSSP, conduzida pelo Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Nessa altura, o Padre Berg reuniu-se no Vaticano com o Prefeito do Dicastério.
O encontro de hoje entre o Papa e o Padre Berg deve ser lido precisamente neste quadro: uma etapa significativa do processo de acompanhamento e de avaliação da FSSP por parte da Santa Sé.
domingo, 18 de janeiro de 2026
sábado, 17 de janeiro de 2026
Santo Antão, Pai do Monaquismo Oriental
Um dia em que os monges estavam todos reunidos junto de António para ouvir as suas palavras, ele disse-lhes, com a segurança com que fala um profeta: «As Sagradas Escrituras são suficientes para a nossa instrução; no entanto, é bom encorajarmo-nos mutuamente na fé e estimularmo-nos uns aos outros com palavras. Portanto, vós trazeis filialmente ao vosso pai o que sabeis; e eu, vosso irmão mais velho, transmito-vos aquilo de que tenho alguma experiência.
Em primeiro lugar, esforcemo-nos, todos juntos, por não abrandar, depois de termos começado bem, por não desanimar diante das dificuldades, dizendo: já vivemos há muito tempo na ascese. Pelo contrário, aumentemos todos os dias o nosso ardor, como se estivéssemos a começar. Pois a vida do homem é muito curta, comparada com os séculos vindouros, e o tempo presente nada é, em comparação com a vida eterna. Neste mundo, tudo se vende pelo seu valor ou se troca por outra coisa do mesmo preço; mas a promessa da vida eterna compra-se por pouco.
Tendo lutado na Terra, não receberemos uma herança terrena, mas uma herança celestial; e, quando deixarmos este corpo corruptível, retomá-lo-emos, mas incorruptível. Portanto, filhos bem-amados, não desanimemos, nem achemos que ainda temos muito tempo, pensando que já fazemos muito, pois «os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que há de revelar-se em nós» (Rm 8,18); mas permaneçamos firmes na ascese, fugindo da acédia, pois o Senhor colabora connosco, como está escrito: «Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam» (Rm 8,28).
Santo Atanásio in 'Vida de Santo Antão' 16-20
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
O puritanismo da Lei Seca
Há 106 anos, nos Estados Unidos, entrava em vigor a “Lei Seca”, isto é a proibição da produção, venda, transporte, importação e exportação de bebidas alcoólicas. Esta lei é um reflexo da influência de certas correntes protestantes que não conseguem ver a justa medida das coisas e por isso vêem o mal onde ele não existe.
Beber um copo de vinho ou uma cerveja, à refeição por exemplo, não é errado, a não ser que se tenha feito algum voto de não consumir bebidas alcoólicas ou que aquela bebida influencie decisivamente a pessoa a perder a recta razão.
O abuso do álcool traz consequências graves para a própria pessoa e para o bem-comum. Mas esse abuso combate-se com a educação, desde pequeno, na virtude da temperança, que neste caso nos ajuda a decidir o que comer e beber na justa medida, e não tudo o que nos aparece à frente.
Claro que vai existir sempre quem se recuse a fazer o esforço de ser virtuoso, e enfie pela goela abaixo qualquer coisa que tenha o menor (ou o maior) teor alcoólico. Mas é impossível acabar com isso por decreto. É caso para dizer: “bêbados sempre os tereis”.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Uma breve história da violência budista contra os cristãos
Cruzadas! Queimas de bruxas! Inquisição! Sacerdotes pedófilos! Já ouvi tudo isto antes. Todo o católico ouviu.
Realidade Histórica
Contudo, se se conhece a realidade por detrás destes eventos históricos, aprende-se depressa que há mais hype da Lenda Negra, histeria ateísta e ignorância secularista do que realidade histórica nestas acusações. Pior ainda, aqueles que usam estas palavras contra os católicos enganaram-se a si próprios, pensando que nós recuamos de horror à sua menção, como um vampiro perante uma tigela de sopa de alho. Apesar de si mesmos, os ignoratti (i. é, os ignorantes da história) e os aliterati (i. é, os que esperam proteger a sua ignorância da história recusando ler livros de história) agraciam-nos com uma grande bênção ― eles nada sabem sobre estes eventos para além das mentiras de Dan Brown.
Inquisição Espanhola
Na realidade, só 3.000 pessoas morreram na Inquisição Espanhola, e nenhuma delas às mãos de sacerdotes católicos. Em vez disso, a tortura e as execuções eram tratadas por funcionários seculares a trabalhar para o governo espanhol. Na verdade, a maior parte dos inquisidores eram leigos a estudar para advogados seculares e a esperança de avançar nas suas carreiras.
Sacerdotes Pedófilos
Sacerdotes pedófilos? Mesmo um é um horror, mas, graças a Deus, só 0,004 por cento dos sacerdotes católicos nos últimos 70 anos foram correctamente acusados de pedofilia.
Causas das Guerras
Religião a principal causa de guerras? De modo nenhum. A Enciclopédia da Guerra de Gordon Martel diz que só 7 por cento das guerras foram travadas por razões religiosas. Isso significa que o secularismo e os dedicados a ele são responsáveis por 93 por cento das guerras.
Mortes por Não-Crentes
Quanto ao disparate sobre quem matou o maior número de pessoas, os “vencedores” são os não-crentes. O ateu Mao Zedong matou 80 milhões de pessoas com a ajuda dos seus assistentes ateus. O ateu Estaline matou outros 20 milhões de pessoas, maioritariamente deixando-os morrer de fome. O jihadista mais mau que o mundo alguma vez conheceu, Tamerlão, só matou 17 milhões de pessoas na sua vida. No total, os ateus mataram 275 milhões de pessoas nos últimos dois séculos, incluindo lançar o primeiro genocídio da Era Moderna ― o Massacre Vendeano ― contra católicos não-combatentes ― homens, mulheres, crianças, idosos e inválidos.
Mito Budista Pacífico
Mas o facto mais estúpido, pernicioso e risível nas mãos desajeitadas de ateus fundamentalistas intelectualmente deficientes é o mito de que os budistas são o povo mais pacífico do mundo. A actual atenção mediática ao genocídio/limpeza étnica contra os Rohingya pelos pacíficos budistas da Birmânia tem andado há muitos anos. A violência é orquestrada pelo monge budista U Wirathu ― o homem que os editores da revista Time em 2013 identificaram na capa com a headline, “A Cara do Terror Budista”. Foi este monge gentil quem comparou os muçulmanos à carpa africana ― uma espécie invasora ― insistindo que eles são inerentemente violentos, propensos a reproduzir-se depressa, e querem comer os da própria espécie.
Violência Budista em Sri Lanka
Recordemos também os igualmente pacíficos budistas do Bodu Bala Sena ou Força de Poder Budista (BBS) do Sri Lanka, que massacram cristãos e muçulmanos. O monge pacifista-chefe, Galagoda Aththe Gnanasara Thero, fala do seu budismo em termos de raça, alegando que os não-budistas (i. é, cristãos) são racialmente inferiores e alvos válidos para extermínio.
Budismo Violento Histórico
Mas argumenta-se entre os ignorantes que este budismo violento é uma perturbação moderna. Nada poderia estar mais longe da verdade. O príncipe Ashoka (272-232 a. C.), tendo adoptado o budismo, lançou o *putsch* militar/massacre da maior parte do subcontinente indiano, criando o primeiro império budista do mundo. Sem entrar em pormenores gore, poucos são tão estúpidos que pensem que o príncipe estava a libertar alguém pacificamente. O sangue de 100.000 soldados e civis mancha as mãos deste devoto e pacífico budista.
Budistas Japoneses na II Guerra Mundial
Recorde-se também que muitos dos japoneses que atacaram Pearl Harbor eram budistas, assim como os gentis, pacíficos e amantes da paz cientistas budistas que comandaram a Unidade 731 e os outros centros de investigação bio-química/campos de extermínio em que civis e POWs americanos, chineses, filipinos e coreanos foram torturados e submetidos a experiências médicas. Budistas também capitaneavam e tripulavam os navios da morte japoneses onde POWs aliados foram similarmente torturados até à morte.
Samurai Zen
Mas apesar dos livros de história estarem repletos de budistas e da sua violência, os anticristãos erguem-nos como o paradigma do “amor e compaixão”. Parece que se esqueceram que os samurais japoneses eram todos devotos do Zen Budismo ― a permutação mais “pacífica” do budismo pacífico. Mas os samurais dificilmente eram pacifistas ― eram guerreiros sedentos de sangue que matavam por ordem, se o preço fosse o certo.
Vítimas Católicas
Mas de todas as vítimas da violência budista nos últimos 500 anos, foram os católicos que sofreram o pior. O imperador vietnamita do século XVI Minh Mạng impôs grandes restrições ao catolicismo, condenando-o como uma “doutrina heterodoxa” simplesmente porque os católicos se aliaram a Duyệt, o seu rival ao trono. Minh Mạng emitiu um édito imperial que forçava todos os missionários a parar a evangelização e, uma vez Duyệt morto, ordenou a humilhação póstuma dele, a profanação do seu túmulo, a execução de 16 parentes católicos e as prisões dos seus colegas católicos. Mais de 300.000 cristãos morreram nas várias perseguições resultantes. Os 117 santos proclamados representam os muitos mártires desconhecidos.
Perseguições na Coreia
Os católicos coreanos não se saíram melhor contra os budistas. Houve quatro grandes perseguições lideradas por budistas na península coreana ― a Perseguição Ki-hae de 1839, a Perseguição Pyong-o de 1846, a Perseguição Pyong-in de 1866 e a actual opressão comunista. Antes dos horrores cometidos por ateus comunistas na Coreia do Norte, onde os católicos foram efectivamente exterminados nesse país, a perseguição anterior teve lugar em 1866, na qual 50 por cento de todos os católicos foram mortos.
Isso ascende a aproximadamente 10.000 católicos mortos às mãos de budistas coreanos ao longo de 100 anos. De todos estes mártires, 79 foram beatificados em 1925 e 24 mais em 1968. Todos juntos, 103 mártires foram canonizados pelo Papa S. João Paulo II a 6 de Maio de 1984. Ademais, o Papa Francisco beatificou Paulo Yun Ji Chung e 123 dos seus companheiros em Agosto de 2014. Actualmente, a Coreia tem o quarto maior número de santos no mundo católico.
Mártires no Japão
Os 26 Mártires Católicos do Japão foram crucificados pelos budistas de mente aberta nesse país a 5 de Fevereiro de 1597 em Nagasaki. Ao longo de um período de 15 anos, a perseguição continuou esporadicamente. Entre 1617 e 1632, 205 missionários e cristãos nativos foram executados pela sua fé. São conhecidos colectivamente como os 205 Mártires Católicos do Japão. O ensino cristão desintegrou-se até à chegada de missionários ocidentais no século XIX.
Os 16 Mártires do Japão (1633–1637) eram um grupo de missionários da Província Filipina da Ordem Dominicana que foram massacrados por recusarem negar Cristo. Os 188 Mártires do Japão (1603-1639) eram leigos e sacerdotes religiosos mortos porque acreditavam no Príncipe da Paz. Foram beatificados a 24 de Novembro de 2008 pelo Papa Bento XVI. Os Mártires Recoletos Agostinhos (1632) eram dois agostinhos espanhóis chegados ao Japão de Manila para evangelizar os japoneses. As autoridades budistas japonesas pacíficas descobriram e caçaram-nos. Foram presos e martirizados a 11 de Dezembro de 1632.
Rebelião Shimabara
Contudo, estes benditos mártires não são o número total de cristãos mortos às mãos de budistas japoneses. Os nomes da maior parte deles só são conhecidos por Deus. Por exemplo, em 1637 d. C., uma das piores perseguições da história cristã teve lugar na Rebelião de Shimabara. O líder era um devoto samurai católico de 15 anos chamado Amakusa Shiro Tokisada. Tokugawa Iemitsu, o pacífico shogun budista, queria erradicar o cristianismo e os cristãos do Japão e lançou um cerco de um ano a 40.000 católicos entrincheirados no Castelo de Hara. Perderam a guerra e todos os 40.000 foram torturados e crucificados. Felizmente, havia tantos budistas presentes no Japão, senão as coisas teriam corrido muito mal para os católicos ali.
Outros Mártires Asiáticos
Os Mártires de Songkhon foram massacrados pelo governo budista xenófobo da Tailândia a 16-26 de Dezembro de 1940. Foram beatificados pelo Papa S. João Paulo II a 22 de Outubro de 1989. Outras perseguições no reino produziram ainda mais mártires. Os Santos Mártires da China, também conhecidos como S. Agostinho Zhao Rong e os seus 119 companheiros, eram 87 católicos chineses e 33 missionários ocidentais, martirizados entre meados do século XVII até 1930 d. C. Adicionalmente, 30.000 convertidos chineses morreram na Rebelião dos Boxers quando budistas xenófobos massacraram missionários cristãos e outros estrangeiros.
A 15 de Janeiro de 1648, os manchus anticristãos invadiram a região de Fujian e torturaram e mataram o sacerdote dominicano S. Francisco Fernández de Capillas enquanto ele rezava o Rosário. É considerado o protomártir da China. Incontáveis outros cristãos foram massacrados desde então, incluindo cinco missionários espanhóis no século XVIII (1715–1747) como resultado das manobras do imperador budista Yongzheng e do seu sucessor, o imperador Qianlong.
Em 1748 d. C., dois bispos dominicanos e 4 sacerdotes foram mortos neste período, incluindo: Bispo Pedro Sanz, Bispo Francisco Serrano, Joaquim Royo, João Alcober e Francisco Diaz. No início do século XIX, mais 25 cristãos foram martirizados. Os Mártires de Shanxi (9 de Julho de 1900, também conhecido como Massacre de Taiyuan) eram frades franciscanos que incluíam dois bispos: S. Gregório Grassi e Francisco Fogolla. Os Mártires do Hunan do Sul eram mais 100 frades franciscanos e irmãs religiosas e vários salesianos mortos a 25 de Fevereiro de 1930 em Li-Thau-Tseul.
Os comunistas ateus são a mais recente permutação de ódio contra cristãos na China. Isto tem sido ininterrupto desde 1950 com o eclodir da Guerra da Coreia. O número total de mártires católicos na China é difícil de contar, mas uma estimativa é de aproximadamente 2-3 milhões nos últimos 500 anos.
Dalai Lama e Tibete
Mas e os Dalai Lamas? Até os pacíficos líderes xenófobos da escola Gelug ou “Chapéu Amarelo” do budismo tibetano têm sangue cristão nas mãos. O 13.º Dalai Lama ordenou aos seus monges massacrarem 500 famílias católicas tibetanas e arrasarem igrejas, orfanatos, escolas e hospitais em Março de 1905.
Resposta aos Críticos
Quando apresento esta informação a pessoas que têm uma visão Disney do budismo, elas insistem depressa que o número de cristãos mortos por budistas é incomparável ao número de budistas mortos por cristãos. Contudo, quando perguntadas pela fonte desta informação, elas caem apenas em disparate reaquecido da Lenda Negra, onde, magicamente, os sentimentos são de alguma forma mais importantes que os factos. As minhas recomendações de que leiam livros em vez de mentirem ao longo de uma conversa nunca caem bem a esta malta.
Angelo Stagnaro in National Catholic Register
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Uma entrevista histórica em memória de Alice Von Hildebrand
Alice Von Hildebrand morreu há exactamente quatro anos. Foi uma conhecida professora casada com o ainda mais conhecido professor Dietrich von Hildebrand, a quem o Papa Pio XII apelidou de 'Doutor da Igreja do séc. XX'. Vale a pena ler com atenção esta entrevista dada, em 2001, à 'Latin Mass Magazine':
TLM: Dra. von Hildebrand, no tempo em que o Papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano Segundo, a senhora percebeu qualquer necessidade de reforma dentro da Igreja?
AVH: A maior parte da intuição sobre isso vem do meu marido. Ele sempre disse que os membros da Igreja, devido aos efeitos do pecado original e do pecado actual, se encontram sempre com necessidade de reforma. O ensinamento da Igreja, porém, vem de Deus. Nem um único acento deve ser modificado ou necessita de reforma.
TLM: Em termos da crise actual, quando é que percebeu que algo estava terrivelmente errado?
AVH: Fevereiro de 1965, estávamos num ano sabático em Florença. O meu marido lia um jornal teológico, e de repente, ouvi-o desatar em lágrimas. Corri até ele, temerosa de que o seu coração lhe houvesse causado dores. Perguntei-lhe se estava bem. Ele disse-me que o artigo que estava a ler lhe fez perceber que o Demónio havia entrado na igreja. O meu marido foi o primeiro alemão proeminente se pronunciar-se publicamente contra Hitler e o Nazismo. As suas intuições eram sempre prescientes.
TLM: O seu marido tinha falado sobre seu o temor pela situação da Igreja antes desse incidente?
AVH: Relatei na biografia do meu marido - The Soul of a Lion - que poucos anos após a sua conversão ao Catolicismo, nos anos 20, ele começou a ensinar na Universidade de Munique. Munique era uma cidade católica. A maioria dos Católicos da época ia à Missa, mas ele sempre disse que foi ali que começou a ficar preocupado com a perda do sentido de sobrenatural entre os Católicos. Houve um incidente, em especial, que lhe deu prova disso e o entristecia imensamente. Quando passava por uma porta, o meu marido sempre deixava passar primeiro os seus alunos que eram sacerdotes. Um dia, um dos seus colegas (um Católico) expressou a sua surpresa e desagrado: “Por que razão deixa os seus alunos entrar antes de si?” “Porque são sacerdotes”, respondeu o meu marido. “Mas eles não têm doutoramento”. O meu marido sentiu-se arrasado. Valorizar o doutoramento é uma reacção natural; estar ciente da sublimidade do sacerdócio é uma reacção sobrenatural. A atitude daquele professor provava que a sua reacção em relação ao sobrenatural se havia erodido. Isso foi muito antes do Vaticano II. Mas, até ao Concílio, a beleza e a sacralidade da liturgia Tridentina mascarava esse fenómeno.
TLM: O seu marido achava que o declínio do sentido do sobrenatural havia começado nessa época, e como é que o explicava?
AVH: Não, ele acreditava que após a condenação da heresia do Modernismo pelo Papa Pio X, os seus proponentes retiraram-se para o subsolo. Ele dizia que eles tomaram uma abordagem muito mais sutil e prática. Espalhavam dúvidas simplesmente levantando questões sobre as grandes intervenções sobrenaturais ao longo da História da Salvação, tais como Nascimento Virginal e virgindade perpétua de Nossa Senhora, bem como a Ressurreição e a Sagrada Eucaristia. Eles sabiam que uma vez abalada a fé – a fundação – a liturgia e os ensinamentos morais da Igreja também desmoronar-se-iam. O meu marido intitulou um dos seus livros de 'The Devastated Vineyard' (A Vinha Devastada). Após o Vaticano II parece que um tornado havia atingido a Igreja.
O próprio Modernismo era fruto de calamidade do Renascimento e da Revolta Protestante, e foi um longo processo histórico até que se revelasse. Se fôssemos perguntar a um Católico típico da Idade Média o nome de um herói ou heroína certamente citaria um santo. O Renascimento começou a mudar isso. Ao invés de um santo, as pessoas pensariam num génio e, com a chegada da era industrial, as pessoas citariam um grande cientista. Hoje responderiam com o nome de um desportista ou personagens dos media. Por outras palavras, a perda do sentido do sobrenatural trouxe a inversão da hierarquia de valores.
Mesmo o pagão Platão estava aberto ao sentido do sobrenatural. Ele falou da fraqueza, fragilidade e covardia frequentemente evidenciadas na natureza humana. Foi-lhe perguntado por um crítico por que razão tinha a Humanidade em tal baixa estima. Platão respondeu que não denegria o homem, apenas o comparava a Deus.
Com a perda do sentido de sobrenatural, houve uma perda do sentido da necessidade para o sacrifício. Quanto mais alguém se aproxima de Deus, maior é a sua consciência de ser pecador. Quando mais alguém se afasta de Deus, como hoje, mais escutamos a filosofia new age: “Estou bem, tu estás bem”. A perda da inclinação para o sacrifício leva ao obscurecimento da missão redentora da Igreja. Onde a Cruz é subestimada, a nossa necessidade de redenção é igualmente ignorada. A aversão ao sacrifício e redenção ajudou à secularização da Igreja no seu interior. Temos ouvido durante muitos anos dos sacerdotes e bispos falar sobre a necessidade da Igreja se adaptar ao mundo. Grandes Papas como S. Pio X disseram exactamente o oposto: o mundo deve adaptar-se à Igreja.
TLM: Da nossa conversa, devo concluir que a senhora não acredita que a perda acelerada do sentido do sobrenatural seja um acidente no percurso da História.
AVH: Não, não acredito. Houve dois livros publicados em Itália nestes anos que confirmam o que meu marido suspeitava há algum tempo: que tem havido uma infiltração sistemática da Igreja pelos inimigos diabólicos durante este século. O meu marido foi um homem muito esperançoso e optimista por natureza. Durante os dez últimos anos da sua vida, porém, testemunhei muitos momentos de grande tristeza, e frequentemente ouvia-o repetir: “Eles dessacralizaram a Santa Esposa de Cristo”. Referia-se à “abominação da desolação” da qual fala o profeta Daniel.
TLM: O seu marido foi chamado 'Doutor da Igreja do Século XX' pelo Papa Pio XII. Ele não teria acesso ao Vaticano para falar dos seus temores ao Papa Paulo VI?
AVH: Foi exactamente o que ele fez! Nunca esquecerei a audiência privada que tivemos com Paulo VI mesmo antes do fim do Concílio Vaticano II. Foi no dia 21 de Junho de 1965. Assim que o meu marido começou a apelar para que ele condenasse as heresias que se espalhavam, o Papa interrompeu-o com as palavras, “Lo scriva, lo scriva.” (“Escreva sobre isso.”). Momentos depois, pela segunda vez, o meu marido expôs a gravidade da situação ao Papa. A mesma resposta. Sua Santidade recebeu-nos em pé.
Estava claro que o Papa se sentia muito inconfortável. A audiência durou apenas alguns minutos. Paulo VI deu imediatamente um sinal ao seu secretário, Pe. Capovilla, para nos trazer rosários e medalhas. Voltámos, então, a Florença onde o meu marido escreveu um longo documento (não publicado até hoje) que foi entregue a Paulo VI na véspera da última sessão do Concílio. Estávamos em Setembro de 1965. Após ler o documento do meu marido, Paulo VI disse ao sobrinho do meu marido, Dieter Sattler, que embaixador alemão da Santa Sé, que tinha lido o documento cuidadosamente, mas que “era um pouco áspero”. A razão era óbvia: o meu marido tinha, humildemente, solicitado uma clara condenação de afirmações heréticas.
TLM: Percebe, certamente, que, ao falar dessa essa ideia de infiltração, haverá aqueles que consideram tal coisa como uma teoria da conspiração.
AVH: Eu só posso dizer o que sei. Está registado publicamente públicamente que Bella Dodd, uma ex-comunista que se re-converteu à Igreja, falou abertamente da deliberada infiltração dos agentes do Partido Comunista nos seminários. Ela contou ao meu marido e a mim que, quando era membro activo do Partido, se encontrou com quatro cardeais dentro do Vaticano, “que trabalhavam para nós”. Muitas vezes ouvi os norte-americanos dizerem que os europeus “cheiram conspiração onde quer que vão”. Mas, desde o início, o Demónio tem conspirado contra a Igreja – e sempre procurou em particular destruir a Missa e destruir a fé na Real Presença de Cristo na Eucaristia.
Por outro lado, eu, nascida na Europa, sinto-me tentada a afirmar que muitos americanos são ingénuos; vivendo num país que tem sido abençoado pela paz, e conhecendo pouco de História, são mais propensos que os europeus (cuja história é tumultuosa) a ser vítimas de ilusões. Rousseau tem tido enorme influência nos Estados Unidos. Quando Cristo disse aos Seus apóstolos na Última Ceia “um de vós Me trairá”, os apóstolos ficaram perplexos. Judas havia agido de tal modo que ninguém suspeitava dele, pois um conspirador astuto sabe como cobrir os seus traços com aparência de ortodoxia.
TLM: Os dois livros escritos pelos sacerdotes italianos que mencionou contêm evidências dessa infiltração?
AVH: Os dois livros que mencionei foram publicados em 1998 e 2000 pelo sacerdote italiano, Don Luigi Villa da diocese de Brescia, que, sob a pedido do Padre Pio, dedicou muitos anos da sua vida a investigae a possível infiltração dos Franco-Maçons e Comunistas na Igreja. O meu marido e eu encontrámo-nos com Don Villa nos anos sessenta. Ele disse-nos que não faz nenhuma afirmação que não possa comprovar. Quando o livro 'Paulo VI Beato?' foi publicado (1998), foi enviada uma cópia a cada um dos Bispos italianos. Nenhum deles fez um aviso de recepção, nenhum deles discutiu as alegações de Don Villa.
Neste livro, ele conta algo que nenhuma autoridade eclesiástica refutou nem pediu para ser retratado – embora nomeie personalidades particulares. Trata do atrito entre Papa Pio XII e o então Bispo Montini (o futuro Paulo VI) que era seu Sub-Secretário do Estado. Pio XII, ciente da ameaça do Comunismo, que logo após a Segunda Guerra Mundial dominava quase metade da Europa, tinha proibido os funcionários do Vaticano de manter qualquer relação com Moscovo. Para sua decepção foi informado, um dia, através do Bispo de Upsala (Suécia) de que a sua ordem estrita havia sido contrariada. O Papa negou-se a dar crédito a esse rumor até receber evidências inegáveis de que Montini mantinha correspondência com várias agências Soviéticas. Durante todo esse tempo, o Papa Pio XII (assim como Pio XI) tinha enviado sacerdotes clandestinamente à Rússia para consolar os Católicos que viviam atrás da Cortina de Ferro. Cada um deles havia sido sistematicamente preso, torturado e mesmo executado ou enviado para o Gulag. Finalmente, um delator dentro do Vaticano foi descoberto: Alighiero Tondi, S.J., que era um conselheiro próximo de Montini. Tondi era um agente ao serviço de Estaline cuja missão era manter Moscovo informada sobre iniciativas tais como o envio de sacerdotes para a União Soviética.
Acrescente-se a isso o modo como o Papa Paulo VI tratou o Cardeal Mindszenty. Contra a sua vontade, Mindszenty foi ordenado a deixar Budapeste. Como quase todos sabem, ele havia escapado aos Comunistas e encontrou refúgio na embaixada norte-americana. O Papa tinha-lhe dado a sua promessa solene de que ele permaneceria primado [Primaz] de Hungria enquanto vivesse. Quando o Cardeal (que foi torturado pelos Comunistas) chegou em Roma, Paulo VI abraçou-o calorosamente, mas depois enviou-o em exílio para Viena. Logo depois, este santo Prelado foi informado que havia sido destituído e substituído por alguém mais agradável ao governo Húngaro Comunista. Mais intrigante e tragicamente triste é o facto de que, quando morreu Mindszenty, nenhum representante da Igreja esteve presente no seu enterro.
Outra das alusões de infiltração de Don Villa é aquela relatada pelo Cardeal Gagnon. Paulo VI tinha pedido a Gagnon para encabeçar uma investigação acerca da infiltração da Igreja por parte de inimigos poderosos. Cardeal Gagnon (há época Arcebispo) aceitou essa tarefa desagradável e compilou um longo dossier, recheado de informações preocupantes. Quando o trabalho foi completado, solicitou uma audiência com o Papa Paulo a fim de discutir pessoalmente o manuscrito com o Pontífice. Esse pedido para um encontro foi negado. O Papa deu ordem para que o documento fosse colocado nos escritórios da Congregação para os Clérigos, especificamente num cofre com dupla fechadura. Isso foi feito, mas, no dia seguinte, a caixa foi arrombada e o manuscrito desapareceu misteriosamente. A política usual do Vaticano é assegurar-se que tais incidentes nunca vejam a luz do dia. Esse roubo foi noticiado até no L’Osservatore Romano (talvez sob pressão porque isto não foi noticiado na imprensa secular). Cardeal Gagnon, logicamente, possuía uma cópia, e, novamente, solicitou ao Papa uma audiência privada. O seu pedido foi novamente negado. Então decidiu deixar Roma e retornar à sua terra natal, Canadá. Mais tarde, foi chamado de volta a Roma pelo Papa João Paulo II e feito cardeal.
TLM: Por que razão o Padre Villa escreveu essas obras tendo como alvo das suas críticas Paulo VI?
AVH: Don Villa estava relutante em publicar os livros. Mas quando vários Bispos começaram a movimentar-se para a beatificação de Paulo VI, esse sacerdote percebeu que era necessário publicar as informações recolhidas ao longo dos anos. Assim fazendo, estava a seguir as orientações de uma Congregação Romana, informando aos fiéis que era o seu dever como membros da Igreja confiar à Congregação qualquer informação que pudesse obstruir as qualificações do candidato para a beatificação. Considerando o pontificado tumultuoso de Paulo VI, e os sinais confusos que fornecia, por exemplo, mencionando o “fumo de Satanás que entrou na Igreja”, e, entretanto, recusando-se a condenar oficialmente as heresias; a sua promulgação de Humanae Vitae (a glória do seu pontificado), mas a sua cuidadosa recusa em proclamá-la ex-cathedra; oferecendo o seu Credo do Povo de Deus na Praça São Pedro, em 1968, e novamente fracassando em declará-lo como unificador de todos os Católicos; desobedecendo as ordens estritas de Pio XII em não manter contacto com Moscovo, e agradando o governo Comunista Húngaro ao renegar a promessa solene que havia feito ao Cardeal Mindszenty; o seu tratamento com relação ao santo Cardeal Slipyj, que passou 17 anos num Gulag, para depois se tornar num prisioneiro virtual no Vaticano; e finalmente, solicitando ao Arcebispo Gagnon para investigar uma possível infiltração no Vaticano e depois recusar-lhe uma audiência quando o trabalho estava completo – tudo isso fala fortemente contra a beatificação de Paulo VI, ecoando em Roma: “Paolo VI, Mesto” (Paul VI, o triste). É inegável que o dever de publicar essa informação deprimente foi oneroso e custou grande sofrimento a Don Vila. Qualquer Católico rejubila quando pode levantar os olhos e contemplar com veneração irrestrita um Papa. Mas os Católicos sabem também que, embora Cristo não tenha prometido conceder líderes perfeitos, prometeu que as portas do Inferno nunca prevaleceriam. Não nos esqueçamos que muito embora a Igreja tenha tido alguns Papas muito maus, tem sido abençoada com grandes Papas. Oitenta deles foram canonizados e vários beatificados. Esta é uma história de sucesso sem paralelo no mundo secular.
Apenas Deus é juiz de Paulo VI. Mas não se deve negar que o seu pontificado foi muito complexo e trágico. Foi sob o seu pontificado que, num curso de 15 anos, mais mudanças foram introduzidas na Igreja que em todos os séculos precedentes juntos. O que é preocupante é que quando lemos o testemunho de ex-Comunistas como Bella Dodd, e estudamos documentos maçónicos (datados do século XIX, e geralmente escritos por sacerdotes dissidentes como Paul Rocca, podemos ver que, em larga extensão, a sua agenda foi implementada: o êxodo de sacerdotes e freiras após o Vaticano II, teólogos dissidentes não censurados, o feminismo, a pressão sobre a Roma para abolir o celibato sacerdotal, imoralidade entre os clérigos, liturgias blasfemas, as mudanças radicais que foram introduzidas na sagrada liturgia e um ecumenismo sem rumo. Apenas um cego poderia negar que muitos dos planos do Inimigo têm sido perfeitamente realizados.
Não devemos nos esquecer que o mundo foi abalado com o que fez Hitler. Pessoas como o meu marido, porém, perceberam o que estava de facto escrito em Mein Kampf. O plano estava ali. O mundo simplesmente optou por não acreditar. Ainda assim, por mais grave seja a situação, nenhum Católico deve esquecer que Cristo prometeu que estará com a Sua Igreja até ao fim do mundo. Devemos meditar sobre a cena relatada no Evangelho quando o barco dos apóstolos foi ameaçado por uma forte tempestade. Jesus dormia! Os apóstolos, assustados, acordaram-No: Ele disse uma única palavra e, de repente, tudo se acalmou. “Ó vós, que tendes pouca fé!”
TLM: Segundo os seus comentários sobre o ecumenismo, não concorda com a política actual de “convergência” ao invés de “conversão”?
AVH: Deixe-me contar um episódio que causou grande pesar ao meu marido. Em 1946, depois da II Grande Guerra, o meu marido ensinava na Universidade de Fordham, e apareceu nas suas aulas um estudante judeu que tinha sido oficial da Marinha durante a Guerra. Um dia confidenciou ao meu marido como era belo o pôr-do-sol no Oceano Pacífico e como isso o tinha levado à busca da verdade sobre Deus. Decidiu ir para a Universidade de Columbia (Estados Unidos da América) estudar filosofia, mas percebeu que não era isso que procurava. Um amigo sugeriu-lhe que fosse estudar filosofia para Fordham e mencionou o nome Dietrich von Hildebrand.
Depois da primeira aula com o meu marido ele sabia que tinha encontrado o que procurava. Um dia, depois das aulas, o meu marido e o estudante foram dar um passeio a pé. Ele disse ao meu marido que estava surpreendido com o facto de que vários professores, depois de saberem que ele era judeu, lhe terem assegurado que não o tentariam converter ao Catolicismo. O meu marido, estupefacto, parou, virou-se para ele e disse: "Eles disseram o quê?!" O estudante repetiu a história e o meu marido disse-lhe: "Eu iria até ao fim do mundo e regressaria para fazer-te católico." Resumindo, o jovem converteu-se ao Catolicismo, entrou na única Cartuxa nos Estados Unidos (em Vermont) e foi ordenado Padre cartuxo!
TLM: A senhora passou muitos anos dando aulas em Hunter College.
AVH: Sim, e vários dos meus alunos tornaram-se Católicos. Oh, quantas e belas histórias de conversão poderia contar aqui se houvesse tempo – jovens que foram arrebatados pela verdade! Eu gostaria, entretanto, de deixar claro um ponto: não converti os meus alunos. O máximo que podemos fazer é rezar para sermos instrumentos de Deus. Para sermos instrumentos de Deus, devemos esforçar-nos para viver diariamente o Evangelho em todas as circunstâncias.
Apenas a graça de Deus pode-nos conceder o desejo e capacidade para isso. Eis um dos temores que tenho em relação aos Católicos tradicionais. Alguns roçam o fanatismo. Um fanático é aquele considera a verdade como uma posse sua em vez de ser um dom de Deus. Somos servos da verdade, e é como servos que devemos procurar partilhá-la. Estou ciente de que há Católicos fanáticos que usam a Fé e a Verdade como um instrumento intelectual. Uma apropriação autêntica da verdade conduz sempre ao esforço para a santidade. A Fé, nesta crise actual, não é um jogo de xadrez intelectual. Para aqueles que não se esforçam para ser santos, a Fé reduzir-se-á a isso. Tais pessoas fazem mais mal à Fé, particularmente se estes são defensores da Missa Tradicional.
TLM: Então a senhora acha que o único cenário para uma solução da crise actual é a renovação de um esforço para a santidade?
AVH: Não nos podemos esquecer que estamos lutando não apenas contra a carne e o sangue, mas contra “potestades e principados”. Isto deveria provocar-nos suficiente temor para nos esforçarmos mais que nunca para a santidade e rezar fervorosamente para que a Santa Esposa de Cristo, que se encontra agora no Calvário, saia desta terrível crise mais radiante do que nunca. A resposta Católica é sempre a mesma: absoluta fidelidade aos santos ensinamentos da Igreja, fidelidade à Santa Sé, recepção frequente dos sacramentos, Terço, leitura espiritual diária, e gratidão por termos recebido a plenitude da Revelação de Deus: “Gaudete, iterum dico vobis, Gaudete.”
TLM: Não posso terminar a entrevista sem fazer uma pergunta já um tanto gasta. Há quem critique a Missa no Rito Romano Tradicional dizendo que a crise na Igreja se desenvolveu no tempo em que a Missa era assim celebrada oferecida no mundo inteiro. Por que razão faz sentido achar que o seu retorno é intrínseco à solução da crise?
AVH: O Diabo odeia a Missa Antiga. Ele odeia-a porque é a formulação mais perfeita de todos os ensinamentos da Igreja. Foi o meu marido que me deu essa visão sobre a Missa.
O problema que deu início à crise actual não foi a Missa Tradicional. O problema foi que os sacerdotes que a ofereciam já haviam perdido o sentido do sobrenatural e do transcendente. Apressavam-se nas orações, murmuraram e não as enunciaram. Isto é um sinal do que eles trouxeram para a Missa: o seu crescente secularismo. A Missa Antiga não suporta irreverência, e foi por isso que tantos sacerdotes ficaram satisfeitos ao vê-la desaparecer.
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Cardeal Roche criticou o Rito Tradicional. Joseph Shaw respondeu.
Durante o recente Consistório, a reunião de Cardeais em Roma, o Cardeal Arthur Roche, Prefeito do Dicastério para o Culto Divino, distribuiu aos presentes uma folha de papel, frente e verso, contendo algumas reflexões sobre a liturgia. A liturgia figurara entre os quatro temas inicialmente propostos para discussão na reunião, mas os Cardeais decidiram concentrar‑se apenas em dois, deixando de fora a liturgia. O texto do Cardeal Roche foi, portanto, distribuído sem ser formalmente debatido.
Existiam versões em italiano e em inglês. Esta última foi claramente traduzida a partir da primeira, e não de modo impecável: a palavra italiana "sintonia", que significa “harmonia”, foi vertida por “syntony” (parágrafo 4). É surpreendente que um Cardeal inglês não tenha dado por esta calinada, e isto sugere que não foi ele próprio a redigir o documento.
O argumento do texto não é difícil de resumir. Em primeiro lugar, apresenta um argumento histórico segundo o qual a liturgia se desenvolveu frequentemente: “A história da liturgia … é a história da sua contínua ‘reforma’ num processo de desenvolvimento orgânico.”
Isto é ligado, em segundo lugar, à autoridade do Concílio Vaticano II, a pedido do qual a liturgia foi reformada.
Em terceiro lugar, o texto repete, com ilustrações da época do Papa Pio V, do Concílio Vaticano II, do Papa Bento e do Papa Francisco, a afirmação de que a unidade litúrgica é necessária para a unidade da Igreja.
Como contribuição para o debate desencadeado pela Carta Apostólica do Papa Francisco que restringe a Missa Tradicional, Traditionis custodes, isto representa um reforço da linha já assumida, e não uma tentativa de dialogar com os críticos.
O ponto central do argumento é o terceiro ponto acima: como o texto cita o Papa Francisco, “Por este motivo escrevi o Traditionis custodes, para que a Igreja possa elevar, na variedade de tantas línguas, uma e a mesma oração capaz de exprimir a sua unidade.” As palavras “uma e a mesma oração” são tiradas da Constituição Apostólica Missale Romanum (1969) do Papa Paulo VI.
Esta afirmação tem sido constantemente confrontada com a questão da legítima diversidade de ritos na Igreja. E os Ritos Orientais? E os diferentes ritos ocidentais reformados depois do Vaticano II, como os Ritos Ambrosiano, Cartuxo e Mozárabe? E as formas litúrgicas mais recentes, como o Uso do Ordinariato, o Rito Congolês e o novo uso aprovado, tão recentemente como 2024, para um grupo de indígenas numa única diocese no México?
No texto citado, o Papa Francisco dá a entender que a Missa Tradicional impede de algum modo essa possibilidade de elevar uma e a mesma oração em toda a Igreja. Ao pé da letra percebe‑se porque é que isto poderia ser assim. Mas, se há uma explicação para o facto de isto ser verdade neste rito e não em todos os outros, essa explicação não nos é fornecida neste texto.
Não é, de facto, surpreendente que a Igreja pós‑conciliar tenha tolerado uma variedade de ritos e usos religiosos, uma vez que o Concílio ensinou que estes não comprometem, na realidade, a unidade da Igreja. Ele exortou as Igrejas Orientais em comunhão com a Santa Sé a “regressarem às suas tradições ancestrais”: por outras palavras, deveriam pôr em marcha atrás o processo de “latinização” que tinha levado a uma convergência gradual dos seus ritos com os do Ocidente (Orientalium Ecclesiarum, 6). Quanto ao próprio Ocidente, a Sacrosanctum Concilium insiste em que “a Igreja não deseja impor uma rígida uniformidade” (37).
Se as palavras do Papa Paulo VI sobre “uma e a mesma oração” parecem estranhas neste contexto, é porque foram ao mesmo tempo mal traduzidas e retiradas do contexto. A tradução da Constituição Apostólica no sítio do Vaticano dá a expressão mais exacta “uma oração única” (una eademque cunctorum precatio). Dado que o latim fora defendido por alguns como garantia de unidade, o Papa Paulo está a sublinhar que, apesar das diferentes línguas a serem doravante usadas, a Missa continua a ser a Missa: é uma oração única que une a Igreja apesar da variedade litúrgica. Na realidade, ele está a dizer precisamente o contrário daquilo que lhe é atribuído na citação feita pelo Papa Francisco.
O truque utilizado para fazer funcionar este argumento tem paralelos com as outras etapas do raciocínio. É‑nos dito que a reforma do Vaticano II teve precedente na “reforma parcial” do Concílio de Trento, e mesmo em anteriores “reformas franco‑germânicas” e outros casos, mas em nenhum destes exemplos houve uma reescrita total dos textos litúrgicos. Em vez disso, nessas “reformas”, os textos encontrados num missal antigo eram privilegiados em relação às versões encontradas noutros missais, que se consideravam menos fidedignos.
De modo semelhante, o argumento segundo o qual a autoridade do Concílio Vaticano II garante os resultados dos reformadores litúrgicos ignora o facto de o Concílio não ter mandado todas as coisas que os reformadores fizeram: tal coisa teria sido, evidentemente, impraticável. Há também o incómodo facto de os reformadores terem na prática contrariado alguns dos princípios estabelecidos pelo Concílio na Sacrosanctum Concilium. O caso mais conhecido é o do parágrafo 36.1: “o uso da língua latina deve ser conservado nos ritos latinos”. O parágrafo 23 é, porém, ainda mais devastador: “não haja inovações, a não ser que o bem da Igreja o exija de modo genuíno e certo”. É uma das ironias da história que os Padres conciliares tenham acrescentado a palavra “certo”, certa (no texto original em latim), a uma versão anterior deste parágrafo, tentando travar um processo que rapidamente haveria de sair seriamente fora de controlo.
O texto do Cardeal Roche não procura responder às objecções levantadas pelos críticos de Traditionis custodes. Este texto não é uma tentativa de entrar num debate, mas, por assim dizer, de afastar o debate simplesmente insistindo numa narrativa histórica e teológica que sustentaria a supressão da Missa Tradicional. Sobre aqueles cardeais, provavelmente a grande maioria, que não sabem muito sobre a história da liturgia, isto poderá muito bem produzir o efeito desejado. Cumpre esperar que, antes de os cardeais oferecerem o seu parecer sobre este assunto ao Papa Leão, tenham a oportunidade de ouvir uma resposta completa.
Joseph Shaw, Presidente da Federação Internacional Una Voce
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Vários Cardeais comentam o Consistório
O 'The Catholic Herald' cita vários Cardeais, a maioria falando sob anonimato, que se pronunciaram sobre o Consistório extraordinário de 7 e 8 de Janeiro, em Roma:
Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Jerusalém: “Reforma não é uma linguagem da Igreja. Na Igreja não há reformas. Devemos reflectir sobre a nossa missão e vocação segundo os tempos, mas fiéis às raízes e à missão da Igreja.”
Cardeal Frank Leo, Toronto: “Não creio que o Colégio Cardinalício esteja dividido de forma alguma.”
Arcebispo Anders Arborelius, Estocolmo, sobre a liturgia: “Espero que possamos encontrar um compromisso.”
Outro Cardeal: “Alguns amigos do Papa Francisco falaram de uma nova Igreja e de uma mudança absoluta.”
Cardeal conservador, anónimo: “Todo este estilo sinodal não faz sentido para mim. Não compreendo os homens inteligentes que escrevem incessantemente sobre o assunto.”
Cardeal progressista, anónimo: “Estar sentados em torno de mesas, em vez de voltados para líderes à frente, é um sinal brilhante de colegialidade.”
Um Cardeal conservador sugeriu, acerca dos consistórios, “fazê-los por Zoom ou algo do género para poupar dinheiro”.
Cardeal conservador, anónimo: “Estava tudo muito controlado. Um cardeal chegou mesmo a chamá-lo de ‘escola secundária’.”
Outro Cardeal conservador: “Houve tempo para as intervenções livres, mas foram muito, muito curtas. Penso que as chamadas intervenções livres não eram livres, mas sim intervenções impostas.”
Cardeal europeu, antigo membro da Cúria, anónimo: “Falámos durante três horas, não? Mas, no fim, ninguém levou em conta a nossa opinião.”
Cardeal africano sobre a ideia do Sínodo: “Poderia tornar-se num grupo de pressão de leigos, sacerdotes, talvez até de bispos e cardeais.”
in gloria.tv
sábado, 10 de janeiro de 2026
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Centenas de "Sacerdotes" Anglicanos Converteram-se ao Catolicismo
Os Bispos católicos ficaram surpreendidos com a dimensão do êxodo, motivado, em parte, pela ordenação de mulheres na Igreja de Inglaterra.
Várias centenas de "sacerdotes" e mais de uma dúzia de "bispos" abandonaram o anglicanismo para se converterem ao catolicismo nas últimas três décadas, num 'surto' impulsionado em parte pela decisão de permitir a ordenação de mulheres na "Igreja" de Inglaterra, segundo um estudo recente.
Os números são “muito maiores do que a maioria das pessoas imaginaria”, afirmaram os analistas, constatando que quase um terço de todos os sacerdotes católicos ordenados em Inglaterra e no País de Gales desde 1992 são convertidos provenientes do anglicanismo.
Os investigadores afirmaram que os dados surpreenderam até os próprios Bispos católicos, que não se haviam apercebido da verdadeira dimensão das conversões.
Desde 1992 — o ano em que o Sínodo Geral da "Igreja" de Inglaterra votou a favor de permitir o acesso das mulheres ao sacerdócio — cerca de 700 "sacerdotes" anglicanos e membros de ordens religiosas anglicanas de Inglaterra, País de Gales e Escócia tornaram-se católicos.
Também houve 16 "bispos" anglicanos que fizeram a transição, muitas vezes após a reforma.
in complicitclergy.com
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Os Cardeais evitaram o assunto-chave no Consistório: a ajuda não vem a caminho
Ontem, num artigo cautelosamente optimista sobre a reunião desta semana do Colégio de Cardeais, observei que “é difícil imaginar como é que o consistório poderia discutir a liturgia sem imediatamente levantar o tema mais controverso dentro desse âmbito: a supressão da Missa Tradicional em Latim ao abrigo da Traditionis Custodes.
Pois bem, os Cardeais conseguiram desfazer as minhas esperanças imediatamente. Ainda antes de os meus comentários serem publicados, já tinham votado retirar o tema da liturgia da ordem de trabalhos do consistório. Em vez disso, a reunião de dois dias irá concentrar-se principalmente em… preparemo‑nos… sinodalidade.
Sinodalidade: o mesmo tema que foi discutido nas duas últimas assembleias do Sínodo dos Bispos. O mesmo tema que foi tratado num número sem precedentes de reuniões preparatórias, nas quais católicos que trabalham para a Igreja falaram entre si sobre como alargar as suas conversas. Sinodalidade: um tema que tem dominado por completo as conversas nos meios eclesiásticos há já vários anos, sem que daí tenha resultado qualquer compreensão clara do que a palavra significa.
Quando se encontra com os outros paroquianos depois da Missa de Domingo, dá por si a notar que a conversa deriva para a sinodalidade? Eu também não. Não é um tema de que os católicos comuns e fiéis falem. No entanto, tornou‑se o assunto preferido — quase obsessivo — nas conversas entre os responsáveis eclesiásticos.
Os leitores que acompanham os meus escritos há tempo suficiente hão‑de lembrar‑se de que, quando o Papa Francisco foi eleito, a minha primeira reacção foi entusiástica. Fiquei entusiasmado com a sua rejeição de um modelo “auto‑referencial” de Igreja — um modelo em que os responsáveis eclesiásticos dedicavam a sua atenção e energia a programas e problemas internos, em vez de à administração dos sacramentos e à difusão do Evangelho. Infelizmente, o seu pontificado foi uma traição a essa promessa, produzindo uma abordagem ainda mais “auto‑referencial”, que não se manifestou em parte alguma de modo tão evidente como na obstinada perseguição da sinodalidade.
De todos os temas que os Cardeais poderiam ter escolhido, ao procurarem aconselhar o Papa Leão na sua orientação da Igreja universal, como pôde a sinodalidade chegar ao topo da lista? Não se preocupam os Cardeais com a deserção generalizada dos jovens em relação à fé — ou, se adoptarem a atitude do “copo meio cheio”, não estão ansiosos por compreender os recentes sinais de um novo interesse pelo catolicismo nessa mesma geração emergente? Não se inquietam com o colapso das famílias, das sociedades e até dos próprios Estados‑nação? Com o desafio do Islão? Com a toxicodependência, o suicídio, o niilismo e o ressurgimento do paganismo? Mais importante ainda, não reconhecem a importância primordial da celebração da Eucaristia, “fonte e ápice da vida cristã”?
Aliás, o consistório também retirou da sua agenda uma proposta de discussão de 'Praedicate Evangelium' e da reforma da Cúria Romana. Na medida em que os Cardeais estão a aconselhar o Pontífice sobre o seu cuidado da Igreja Universal, e na medida em que a Cúria existe para servir as Igrejas locais, é evidente que os Cardeais — que interagem regularmente com os ofícios da Cúria, se é que não servem neles — hão‑de ter opiniões esclarecidas sobre o assunto. As mudanças iniciadas pelo Papa Francisco estão a produzir uma verdadeira reforma, ou apenas mais uma rearrumação do organograma? O consistório também escolheu não abordar essa questão.
Oh, os Cardeais podem ainda abordar esses outros temas, se assim o quiserem. “Um tema não exclui outro”, assegurou aos jornalistas Matteo Bruni, director da Sala de Imprensa da Santa Sé. “Pode encontrar‑se um modo de os abordar dentro dos outros.” Assim, um Cardeal determinado poderá ainda levantar questões sobre a liturgia. Mas o consistório já decidiu que não será um tema principal. Não mudem de assunto: sinodalidade!
No seu discurso à sessão de abertura, o Papa Leão disse aos Cardeais: “Não devemos chegar a um texto, mas continuar uma conversa.” Parece que a tradução vaticana do seu discurso não é exacta; talvez fosse melhor verter assim: “Não precisamos de chegar a um texto…” Mas o deslize na tradução é revelador; tal como está, a afirmação do Papa sugere que o objectivo do consistório não é chegar a qualquer conclusão clara, não é fixar uma orientação nítida. Se assim for, então este consistório não é uma reunião para resolver problemas, não é uma reunião orientada para a acção, mas uma reunião auto‑referencial.
E, no entanto, nesse mesmo discurso o Papa apontou para além dos limites do Salão do Sínodo, para além das trocas entre prelados, para lhes recordar:
«Além disso, não é a Igreja que atrai, mas Cristo; e, se um cristão ou uma comunidade eclesial atrai, é porque através desse “canal” corre a linfa vital da caridade que jorra do Coração do Salvador.»
Há uma esperança para o futuro da Igreja expressa de modo tão simples e claro nesta formulação da Fé cristã fundamental, centrada em Cristo. Esta é uma mensagem que o mundo precisa de ouvir, uma mensagem que o mundo pode compreender.
Quanto à “sinodalidade”, se depois de todos estes anos de palavreado os responsáveis da Igreja ainda não chegaram a uma compreensão comum do que ela significa — e, no entanto, persistem na discussão inflexível do tema — alguém poderia ser perdoado por concluir que afinal a tradução vaticana estava correcta e que o objectivo do consistório é não falar com clareza.
Phill Lawler in pflawler.substack.com
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Bênção das casas depois da Epifania
Ontem, dia 6, foi o dia da Epifania, uma das solenidades mais importantes do ano litúrgico. A Epifania, que significa manifestação, é uma das solenidades mais importantes do ano litúrgico. Neste dia a Igreja celebra as manifestações divinas de Jesus, em particular a adoração dos Reis Magos, o baptismo de Jesus no rio Jordão e o primeiro milagre público de Jesus, nas bodas de Caná.
A esta Solenidade desde muito cedo se associou o louvável costume de abençoar ouro, incenso e mirra, e giz. Este último é usado para abençoar a casa dos fiéis. No ritual da bênção marca-se, por cima da porta da casa, do lado exterior, a seguinte inscrição com giz abençoado: 20+C+M+B+25.
O 20 e o 26 representam 2026, o ano em que nos encontramos. O “C M B” representam “Christus Mansionem Benedicat” – Cristo Abençoe esta Casa, e cada letra é intercalada com uma cruz.
A sigla CMB significa também o nome dos 3 Reis Magos: Gaspar, Melchior e Baltasar.
Bênção do Giz (feita pelo sacerdote)
V. Adiutorium nostrum in nomine Domini.
R. Qui fecit caelum et terram.
V. Dominus vobiscum.
R. Et cum spiritu tuo.
Bene+dic, Domine Deus, creaturam istam cretae: ut sit salutaris humano generi; et praesta per invocationem nominis tui sanctissimi, ut, quicumque ex ea sumpserint, vel ea in domus suae portis scripserint nomina sanctorum tuorum Gasparis, Melchioris et Baltassar, per eorum intercessionem et merita, corporis sanitatem, et animae tutelam, percipiant. Per Christum Dominum nostrum. R. Amen
Com o giz abençoado, um membro da Família, normalmente o Pai, faz a inscrição do texto na parte superior das portas: 20+C+M+B+26.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Bênção da Água na Vigília da Epifania
Neste dia da vigília da Epifania é feita a tradicional bênção da água. Existe uma ligação a este ritual e à água do Jordão, onde Nosso Senhor Jesus Cristo foi baptizado por São João Baptista - cerimónia que é (também) comemorada no dia da Epifania. A bênção da água foi usada durante muitos séculos no rito oriental até que, no séc. XIX, foi permitida pela Sacra Congregação para os os Ritos para ser feita em rito romano.
É uma bênção bastante longa, com vários salmos, orações, ladainha dos santos, muitos exorcismos, aspersão de água benta sobre o povo e termina com o Te Deum. Fica aqui a transcrição de parte dos exorcismos:
Em nome de nosso Senhor Jesus + Cristo e pelo seu poder, expulsamo-vos, todo o espírito imundo, todo o poder diabólico, todo o assalto do adversário infernal, toda a legião, todo o grupo e seita diabólicos; retirai-vos e permanecei longe da Igreja de Deus, de todos os que foram feitos à imagem de Deus e remidos pelo preciosíssimo sangue do divino + Cordeiro. Nunca mais ouseis, serpente astuta, enganar o género humano, perseguir a Igreja de Deus, nem ferir os eleitos de Deus e peneirá-los como + trigo. Porque é o Deus Altíssimo que vos ordena, + Ele, a quem outrora, no vosso grande orgulho, vos considerastes iguais; Ele que deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Deus Pai + vos ordena. Deus Filho + vos ordena. Deus Espírito + Santo vos ordena. A majestade de Cristo, o Verbo eterno de Deus feito carne + vos ordena...
Portanto, dragão maldito e toda legião diabólica, conjuramo-vos pelo Deus + vivo, pelo Deus + verdadeiro, pelo Deus + santo, pelo Deus que tanto amou o mundo que entregou o Seu Filho unigénito, para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna; cessai de enganar o género humano e de lhe dar a beber o veneno da condenação eterna; deixai de prejudicar a Igreja e de tolher a sua liberdade. Retira-te, Satanás, pai e mestre da mentira e inimigo do género humano. Cede lugar a Cristo, em quem não encontraste nenhuma das tuas obras; cede lugar à Igreja una, santa, católica e apostólica, que o próprio Cristo adquiriu com o Seu sangue. Sejas abatido sob a poderosa mão de Deus. Treme e foge ao invocarmos o santo e tremendo nome de Jesus, diante do qual o inferno estremece...
domingo, 4 de janeiro de 2026
Festa do Santíssimo Nome de Jesus
O próprio Deus revelou o Nome a ser imposto ao Verbo Encarnado, para significar a sua missão de Salvador do género humano. É um nome grande e eterno, poderoso e terrível, vitorioso e misericordioso, o único que nos pode salvar. É melodia para o ouvido, cântico para os lábios e alegria para o coração... “Ilumina, conforta e nutre; é luz, remédio e alimento” (São Bernardo).
A devoção ao Santíssimo Nome de Jesus, já arraigada na Igreja desde o seu início, foi pregada e inculcada de modo particular por São Bernardo, por São Bernardino de Sena (Franciscano) e pelos Franciscanos, os quais difundiram pequenos quadros trazendo as letras do Nome de Jesus.
História e significado do Santo Nome
No caminho para a capela na qual São Filipe orava, em Monte Spaccato, percebem-se algumas inscrições reproduzidas na pedra ao lado do atalho: círculos com a inscrição YHS. Elas foram reproduzidas pelo próprio São Bernardino, pois era sua missão proclamar o Nome de Jesus, e foi daquela forma que ele abreviou o Nome Santo, embora outros o tenham substituído pela forma mais familiar IHS.
O nome “Jesus Cristo” foi-nos dado em grego, e pode ser escrito em letras maiúsculas gregas deste modo: IHCOYC XPICTOC Durante séculos, a forma padrão de abreviar este nome foi usar simplesmente a primeira e a última letras, IC XC, como se encontra na maioria dos ícones orientais. São Bernardino, no começo do século XV, mudou tudo, escolhendo usar as duas primeiras letras com a última, portanto IHC e XPC. A letra grega “c” é na verdade um “s”, então era natural escrever IHS XPS, forma na qual o Nome Santo se tornou muito familiar.
Mas por que São Bernardino quis inserir o “h” (que é, na verdade, um “e”)? E por que mudar o “i” em “y”, uma letra não usada em italiano nem em latim? A resposta é que estudiosos cristãos cabalísticos deram atenção ao facto de que o Nome de Jesus, na sua forma original hebraica, contém as quatro letras no Nome Impronunciável de Deus revelado no Antigo Testamento. Com o acréscimo de duas letras hebraicas extras, torna-se pronunciável o Nome Impronunciável. O Nome revelado a Moisés no Êxodo (Ex 3) é apropriadamente escrito apenas com consoantes, YHWH. De acordo com uma tradição de 3.000 anos, não é permitido tentar pronunciá-lo, e ninguém realmente saberia como fazê-lo, mesmo se pudesse ser feito. Isso porque o Nome, YHWH, não é simplesmente um nome como outro qualquer: ele tem um significado, que é: o nosso Deus é Aquele que É, o único Ser essencial, o “fundamento do nosso ser”.
Nós apenas existimos por causa Dele. O Nome Inefável expressa que: Ele É e Ele Será. Revelando o Seu Nome a Moisés, Deus revelou algo absolutamente essencial sobre Ele e sobre a Sua relação com o Seu povo. Os deuses de outras nações têm nomes comuns como qualquer pessoa, Moloch ou Astarte, Diana ou Baco. Estes nomes dizem-nos algo sobre as pessoas que os usam, mas não muito... São realmente nomes comuns que muitas pessoas poderiam usar, o próprio São Paulo mesmo enumerou um Apolo e um Dionísio entre seus amigos.
O Nome de Deus é diferente. Mas, o Nome tornou-se um nome humano, pelo acréscimo das letras hebraicas ‘shin’ e ‘ain’ às quatro originais, produzindo Yehoshuwah; a forma hebraica do nome que conhecemos por JESUS. Assim o Nome Divino se torna um nome humano, o inacessível e impronunciável se torna próximo e familiar. Assim Deus se torna um de nós, e o Nome realmente é “Emanuel – Deus connosco”.
A São José é dado o tremendo privilégio de Lhe dar o Nome: “Ela dará a luz um filho e tu lhe porás o nome de Jesus”. Assim fazendo, São José transfere para a criança a plenitude da rica herança de Israel, tornando Nosso Senhor o herdeiro de todos os nomes que lemos nas genealogias de Mateus e Lucas.
O Nome é dado novamente por Pôncio Pilatos, pela forma hebraica da inscrição na Cruz, usando as quatro letras do Nome Divino como as iniciais das quatro palavras: Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus: Yeshu Ha-Nozri, WaMelek Ha Yehudim. Não é de se admirar que os chefes dos sacerdotes tivessem ficado tão preocupados com tal inscrição! (Jo 19,19-22) Pois Pilatos, de improviso, escreveu – e para todo o mundo ver! – que o seu galileu crucificado é o Deus eterno, o Criador, assim como o Redentor do Mundo! A devoção Nós não podemos pronunciar o Nome do Êxodo, mas nós podemos, e devemos, pronunciar o Nome de Jesus, como São Paulo e todos os escritores espirituais subsequentes enfatizaram.
São Bernardino de Sena, como todos os grandes pregadores, não estavam a ensinar algo novo, mas lembrar aos seus ouvintes o que eles já deveriam ter plena consciência. Ao pregar, ele costumava segurar uma pequena prancheta de madeira, na qual o monograma IHS que ele privilegiava, era circundado por doze raios de luz, e ele encorajava “cada joelho a se dobrar” perante o monograma. A devoção ao Nome Santo espalhou-se pela Europa com rapidez surpreendente. Em 1432, o Papa Eugénio IV emitiu uma Bula promovendo a devoção ao símbolo IHS escrito.
A devoção popular levou à composição de um Ofício do Nome Santo, e ao estabelecimento de um dia comemorativo.
Em Camaiore di Luca (Itália) começou-se a celebrar a festa, depois de aprovada para a Ordem dos Franciscanos (1530) e sob o pontificado de Inocêncio XIII (1721), estendida a toda a Igreja.
O dia da festa variou através dos séculos, mas muitos o lembram como o domingo depois do Natal, até 1969, quando foi suprimido. O Santo Padre João Paulo II, na mais recente edição do Missal Romano, restabeleceu a Festa do Santíssimo Nome de Jesus no dia 3 de Janeiro.
Para os Franciscanos esta devoção continua muito forte. Em muitos conventos, pelo mundo fora, se vê nas portas das "celas" - quartos - cópias destas placas difundidas por s. Bernardinho de Sena e depois "aproveitadas" pela Companhia de Jesus na sua missão evangelizadora.
Termino com palavras, à guiza de oração - do próprio S. Bernardino de Sena:
"Ó nome glorioso, gracioso, amoroso e animoso! Por ti se perdoam todos os pecados, se vence o inimigo, se curam os enfermos e nas adversidades se encorajam e consolam os que sofrem. Tu és a glória dos que crêem, o mestre dos que pregam, a força dos que trabalham, o remédio dos que estão em necessidade.
Ao calor e fervor do teu fogo, os bons desejos encandescem; as orações que se fazem têm bom despacho; as almas contemplativas se arroubam; e sumamente se alegram os que já triunfam no paraíso. Com os quais, por este vosso santíssimo Nome, fazei que reinemos, ó dulcíssimo Jesus."
O mês de Janeiro é dedicado ao Santo Nome de Jesus. Através dessa devoção, a Igreja recorda-nos o poder do Nome de Cristo. A oração abaixo deve ser dita como uma devoção, e esperança de obter graças pelos méritos de Jesus, pode ser rezada enquanto executamos nossas tarefas automáticas, para evitar pensamentos inutéis é bom criar o habito da oração e adoração.
in Pale Ideas
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