domingo, 9 de outubro de 2022

A Carta de São Francisco de Assis aos Clérigos

1. Reflitamos, todos os clérigos, sobre o grande pecado e sobre a ignorância que alguns têm sobre o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e sobre os Sacratíssimos Nomes e Palavras dele escritos, que santificam o corpo.

2. Sabemos que não pode haver o corpo se não for primeiro santificado pela palavra.

3. Pois nada temos e vemos corporalmente neste século do próprio Altíssimo a não ser o Corpo e o Sangue, os Nomes e as Palavras, pelos quais fomos feitos e remidos da morte para a vida (1Jo 3,14).

4. Portanto, todos os que administram tão santíssimos mistérios, considerem dentro de si, principalmente os que administram indiscretamente, como são vis os cálices, os corporais e panos em que é sacrificado Seu Corpo e Sangue. 

5. E é colocado por muitos em lugares vis, abandonado, é carregado de maneira miserável e é recebido indignamente, e administrado a outros indiscretamente.

6. Também os Seus Nomes e Palavras escritas às vezes são pisados;

7. Porque o homem animal não compreende as coisas que são de Deus (1Cor 2,14).

8. Será que não somos movidos pela piedade de todas essas coisas se o próprio piedoso Senhor se apresenta nas nossas mãos e O tratamos e recebemos todos os dias na nossa boca?

9. Ou ignoramos que devemos cair nas suas mãos?

10. Portanto, emendemo-nos depressa e firmemente disto tudo e de outras coisas;

11. E onde quer que esteja o Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo ilicitamente colocado e abandonado, seja removido desse lugar e colocado e confiado num lugar precioso.

12. De maneira semelhante, os nomes e palavras do Senhor escritas, onde quer que se encontrem em lugares imundos, sejam recolhidos e colocados em lugares honestos.

13. E sabemos que temos que observar todas essas coisas acima de tudo, de acordo com os preceitos do Senhor e as constituições da santa mãe Igreja.

14. E quem não fizer isso, saiba que deverá prestar contas no dia do juízo (Mt 12,36) diante de Nosso Senhor Jesus Cristo.


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sexta-feira, 7 de outubro de 2022

O dia em que Nossa Senhora do Rosário derrotou os muçulmanos em Lepanto

No ano de 1571 tinham os turcos atingido o apogeu do seu poder. Pareciam ter a Cristandade nas mãos. Os seus exércitos inebriavam-se com a vitória. Sentiam-se poderosos, estavam bem equipados e eram conduzidos por generais habilíssimos. A sua armada era superior em tudo à armada que os cristãos tinham para se defender. Estavam já em seu poder províncias das mais belas e tinham agora por objectivo dominar a França e a Itália, apoderar-se de Roma e transformar a Basílica de São Pedro em mesquita. 

São Pio V governava a Igreja; e este santo e grande Pontífice estava aterrorizado com o perigo que ameaçava arruinar a própria civilização cristã. Além de fracos, os governos cristãos estavam, infelizmente, muito divididos entre si. Intrigas, animosidades pessoais, ambições de cargos importantes impediam aquela união perfeita que se tornava tão necessária para resistir ao inimigo comum. Por fim formou-se a Liga Santa, sob o comando de João de Áustria.

São Pio V pôs toda a sua confiança no Rosário, trabalhando, ao mesmo tempo, incansavelmente por unir as, aliás fracas, forças cristãs. Deu ordem para que a armada dos cristãos se fizesse ao largo; e, embora eles fossem inferiores aos turcos em número, equipamento, artilharia e navios, incitou-os a que se batessem sem receio em nome de DEUS e de Nossa Senhora.

As duas esquadras defrontaram-se no dia 7 de Outubro. Para aumentar as dificuldades dos cristãos, o vento era lhes contrário, circunstâncias que, nesses tempos de navegação à vela, podia tornar-se fatal. Mas, obedecendo às ordens do Sumo Pontífice e colocando-os debaixo da protecção de Maria, a armada cristã investiu contra o inimigo com ânimo admirável. E de súbito, o vento, que se mostrava tão adverso, mudou soprou com violência contra os infiéis. A batalha durou umas poucas horas, com fúria encarniçada acabando pela total derrota da armadura turca. Tão completa e esmagadora foi a vitória que o poder do Islão ficou esmagado e salva a Cristandade.

Durante esses terríveis dias, e especialmente no dia da batalha São Pio V orava fervorosamente a Nossa Senhora do Rosário com fervor intenso, juntamente com jejum e penitência, recorrendo assim à Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. Enquanto decorria a batalha, uma enorme multidão enchia a Praça de São Pedro, em Roma, e realizava-se uma procissão a Nossa Senhora do Rosário pelo sucesso da missão da Liga Santa contra os Turcos.


No momento da vitória entrou em êxtase e teve a revelação de que os cristãos tinham vencido. Voltando-se para os que o rodeavam, São Pio V deu-lhes a boa notícia e todos ajoelharam para dar graças a DEUS e à Nossa Senhora.

Para recordar e agradecer a DEUS pela vitória de Lepanto, alcançada pelas armas cristãs nesse 7 de Outubro de 1571, a Santa Igreja instituiu a festa de Nossa Senhora do Rosário. Prescrita primeiramente por Gregório XIII para certas Igrejas, foi estendida por Clemente XI ao mundo católico, em acção de graças por um novo triunfo alcançado por Carlos VI da Hungria sobre os Turcos em 1716.

adaptado de 'Milagres do Rosário'


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quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Santo Afonso Maria de Ligório sobre a Santa Missa

Uma só Missa presta a Deus maior honra que todas as orações e penitências dos santos, todos os trabalhos dos apóstolos, todos os sofrimentos dos mártires, todo o amor dos serafins e mesmo da Mãe de Deus, porque todas as honras dos homens são de natureza finita, enquanto que a honra que Deus recebe pelo santo sacrifício da missa é infinita, visto que lhe é prestada por uma pessoa divina. 

Devemos por isso reconhecer, com o santo Concílio de Trento, que a Santa Missa é a mais santa e divina de todas as obras. (...) Ainda que se sacrificasse a vida de todos os anjos e santos, mesmo assim, esse sacrifício não prestaria a Deus essa honra infinita, que lhe dá uma única Santa Missa.

Pe. Saint-Omer, C. Ss.R. in 'Obra compilada dos escritos de Santo Afonso Maria de Ligório' (Edit. Vozes, Petrópolis, 1955)


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terça-feira, 4 de outubro de 2022

O exemplo de São Francisco

Escreve G. K. Chesterton que na História da Igreja a fé cristã conheceu, no mínimo, cinco vezes uma morte aparente. Um desses períodos dramáticos de «morte lenta da Igreja» foi o tempo de S. Francisco de Assis. Desta imagem particularmente lúgubre da Igreja do século XII dão testemunho as inúmeras bulas do Papa Inocêncio III, que condenavam os abusos mais escandalosos como a usura, a corrupção, a gula, a embriaguez, a libertinagem. 

Tendo como pano de fundo aquela enorme dissolução de costumes surgem na Europa grandes heresias fanáticas e agressivas. Dentre estas conta-se o movimento dos Albigenses e dos Valdenses que quase destruíram o cristianismo. Outro golpe infligido à Igreja foi igualmente o aumento dos pregadores itinerantes, que sistematicamente criticavam os eclesiásticos, frequentemente tomados pela ganância das riquezas, aos quais se contrapunham propagando modelos de pobreza evangélica.

Pelo contrário, Francisco nunca criticava ninguém. A sua opinião era a de que, se o mal reinava ao seu redor, devia em primeiro lugar converter-se a ele próprio, e não os outros. Se um tal luxo e uma tal libertinagem reinavam à sua volta, era ele quem deveria tornar-se radicalmente pobre e puro, assumindo a responsabilidade de tudo. Os santos distinguem-se dos propagadores de heresias no pormenor destes últimos quererem converter os outros em vez de começarem por si próprios, enquanto os santos dirigem o gume de toda a crítica contra a sua própria pessoa. Para que o mundo se torne melhor esforçam-se por se converter a si mesmos. 

Quanto mais Francisco se apercebia da corrupção e dos escândalos que o rodeavam, mais desejava assemelhar-se a Cristo, puro, humilde e pobre. Se o mundo era assim tão perverso, o culpado era Francisco e, assim sendo, era ele próprio quem devia converter-se radicalmente – e a história deu-lhe razão.

De facto, quando Francisco se converteu, quando se tornou tão «transparente» ao Senhor que o rosto de Cristo podia reflectir-Se nele, a Europa começou a levantar-se da sua queda. Realizou-se, desse modo, o sonho no qual Inocêncio III vira uma figura semelhante a Francisco a amparar as paredes periclitantes da Basílica de Latrão, também chamada a «mãe e a primeira de todas as igrejas» – símbolo de toda a Igreja – e assim salvá-la.

Pe. Tadeusz Dajczer in 'Meditações sobre a Fé'


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Dia de São Francisco de Assis

São Francisco de Assis, nasceu na cidade de Assis, Úmbria, Itália, no ano de 1182, de pai comerciante, o jovem rebento de Bernardone, gostava das alegres companhias e gastava com certa prodigalidade o dinheiro do pai.

Sonhou com as glórias militares, procurando desta maneira alcançar o "status" que sua condição exigia, e aos vinte anos, alistou-se como cavaleiro no exército de Gualtieri de Brienne, que combatia pelo Papa, mas em Espoleto, teve um sonho revelador no qual era convidado a seguir de preferência o Patrão do que o servo, e em 1206 , aos 24 anos de idade para espanto de todos, Francisco de Assis abandonou tudo: riquezas, ambições, orgulho, e até da roupa que usava, para desposar a Senhora Pobreza e repropor ao mundo, em perfeita alegria, o ideal evangélico de humildade, pobreza e castidade, andando errante e maltrapilho, numa verdadeira afronta e protesto contra sua sociedade burguesa. 

Já inteiramente mudado de coração, e a ponto de mudar de vida, passou um dia pela igreja de São Damião, abandonada e quase em ruínas. Levado pelo Espírito, entrou para rezar e se ajoelhou devotamente diante do crucifixo. Tocado por uma sensação insólita, sentiu-se todo transformado. Pouco depois, coisa inaudita, a imagem do Crucificado mexeu os lábios e falou com ele. Chamando-o pelo nome, disse: "Francisco, vai e repara a minha casa que, como vês, está em ruinas". 

Com a renúncia definitiva aos bens paternos, aos 25 anos, Francisco deu início à sua vida religiosa. Com alguns amigos deu início ao que seria a Ordem dos Frades Menores ou Franciscanos, cuja ordem foi aprovada pelo Papa Inocêncio III. Santa Clara, sua dilecta amiga, fundou a Ordem das Damas Pobres ou Clarissas. 

Em 1221, sob a inspiração de seu estilo de vida nasceu a Ordem Terceira para os leigos consagrados. Neste capítulo da vida do santo é caracterizado por intensa pregação e incessantes viagens missionárias, para levar aos homens, frequentemente armados uns contra os outros, a mensagem evangélica de Paz e Bem. 

Em 1220, voltou a Assis após ter-se aventurado a viagem à Terra Santa, à Síria e ao Egipto, redigindo a segunda Regra, aprovada pelo Papa Honório III. Já debilitado fisicamente pelas duras penitências, entrou na última etapa de sua vida, que assinalou a sua perfeita configuração a Cristo, até fisicamente, com o sigilo dos estigmas, recebidos no monte Alverne a 14 de Setembro de 1224.


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segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Santa Teresinha queria ser amável com as Irmãs menos amáveis

Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da Igreja, tem muito para nos ensinar. Por exemplo isto:

Notei (e é muito natural) que as Irmãs mais santas são as mais amadas; procura-se conversar com elas, [e] prestam-se-lhes serviços sem que os peçam. As almas imperfeitas, pelo contrário, não são nada procuradas; as pessoas mantêm-se, sem dúvida, em relação a elas, dentro dos limites da cortesia religiosa, mas, receando talvez dizer-lhes algumas palavras pouco amáveis, evitam a companhia delas. Eis a conclusão que daí tiro: devo procurar, no recreio, nas licenças, a companhia das Irmãs que me são menos agradáveis, [e] exercer junto dessas almas feridas o ofício do Bom Samaritano [Lc 10,30-35]. 

Uma palavra, um sorriso amável, bastam, muitas vezes, para alegrar uma alma triste; mas não é exclusivamente para atingir esse objectivo que quero praticar a caridade, pois sei que bem depressa desanimaria: uma palavra que terei dito com a melhor intenção poderá ser interpretada completamente ao contrário. 

Assim, para não perder o meu tempo, quero ser amável para com todas (e em particular para com as Irmãs menos amáveis) para dar alegria a Jesus e corresponder ao conselho que Ele dá no Evangelho mais ou menos nestes termos: «Quando derdes um banquete, não convideis os vossos parentes nem os vossos amigos, não vão eles também convidar-vos, por sua vez, recebendo [vós] assim a vossa recompensa; mas convidai os pobres, os coxos, os paralíticos, e sereis felizes por eles não vos poderem retribuir, pois o vosso Pai, que vê no segredo, vos recompensará» [Mt 6,4]. Que banquete poderia uma carmelita oferecer às suas Irmãs, senão um banquete espiritual composto de caridade amável e alegre? 

Quanto a mim, não conheço outro, e quero imitar São Paulo, que se alegrava com os que encontrava alegres; é verdade que chorava também com os aflitos [Rm 12,15], e algumas vezes as lágrimas devem aparecer no banquete que quero oferecer, mas procurarei sempre que essas lágrimas se transformem em alegria [Jo 16,20], já que o Senhor ama os que dão com alegria [2Cor 9,7].

in 'Manuscrito autobiográfico C' (28rº-vº)


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Dia de Santa Teresinha do Menino Jesus

"Não espero na terra qualquer retribuição: faço tudo por Deus."


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domingo, 2 de outubro de 2022

As consequências da celebração versus populum - Cardeal Ratzinger

O que se passou foi um clericalismo sem precedentes que apareceu em cena. Agora o sacerdote - "o que preside", como agora lhe preferem chamar - tornou-se o ponto real de referência para toda a liturgia. Tudo depende dele. Temos que o ver, responder-lhe, estar envolvidos no que ele está a fazer. A sua criatividade sustém a coisa toda. Sem surpresa, as pessoas tentam reduzir esta nova função criada, atribuindo todo o tipo de funções litúrgicas a indivíduos diferentes e confiando o planeamento "criativo" da liturgia a grupos de pessoas que gostam, e deviam, "dar a sua própria contribuição." Deus está cada vez menos em campo.

O sacerdote ao voltar-se para o povo transformou a comunidade num círculo fechado em si próprio. Na sua forma aberta, já não se abre ao que jaz à frente e em cima, mas está fechado em si mesmo. O voltar-se para 'Este' habitual não era "uma celebração para a parede"; não significava que o sacerdote "tinha as suas costas para o povo"; o sacerdote não era visto como tão importante. 


in Introdução ao Espírito da Liturgia


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sábado, 1 de outubro de 2022

Karol Wojtyła (futuro Papa João Paulo II) celebra a Missa de Sempre




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São Tomás de Aquino explica o perigo e as consequências da Heresia

É muito mais grave corromper a Fé, pela qual a alma vive, do que falsificar o dinheiro, por meio do qual se conserva a vida temporal. De onde, se os falsários ou outros malfeitores são sem demora e justamente condenados à morte pelos príncipes seculares, com muito maior razão os heréticos, tão logo convencidos de heresia, podem não apenas ser excomungados, mas também e com justiça, mortos. 

Da parte da Igreja, porém, há misericórdia para a conversão dos que erram. E por isso Ela não condena imediatamente, mas só após uma primeira e segunda correcção, como ensina o Apóstolo (Tito 3, 10). Depois, todavia, se o herege ainda se mostra pertinaz, a Igreja, já não tendo esperança de sua conversão, provê a salvação dos outros, separando-o da Igreja por sentença de excomunhão, e em seguida abandona-o ao juiz secular, para ser morto.

in Summa Theologiae, II-II, q. 11, art. 3


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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Tertuliano escreve à sua mulher sobre o casamento cristão

Onde encontrar palavras para exprimir toda a excelência e felicidade do matrimónio cristão? A Igreja redige o contracto, a oferta eucarística confirma-o, a bênção coloca-lhe o selo, os anjos que são dele testemunha registam-no, e o Pai dos céus ratifica-o. Que aliança doce e santa a de dois fiéis que carregam o mesmo jugo (cf Mt 11,29), reunidos na mesma esperança, no mesmo desejo, na mesma disciplina, no mesmo serviço!

Ambos são filhos do mesmo Pai, servos do mesmo Senhor, formando uma só carne (cf Mt 19,5), um só espírito. Oram juntos, adoram juntos, jejuam juntos, ensinam-se um ao outro, encorajam-se um ao outro, apoiam-se um ao outro. 

Encontramo-los juntos na igreja, juntos no banquete divino. Partilham por igual a pobreza e a abundância, as perseguições e as consolações. Não há segredos entre eles, nenhuma falsidade: confiança inviolável, solicitude recíproca, nenhum motivo de tristeza. Não têm de se esconder um do outro para visitar os doentes, para dar assistência aos indigentes; a sua esmola não é motivo de disputa, os seus sacrifícios não conhecem escrúpulos, a observância dos seus deveres quotidianos é sem entraves. 

Entre eles não há sinais da cruz furtivos, nem saudações inquietas, nem acções de graças mudas. Da sua boca, livre como o seu coração, elevam-se hinos e cânticos; a sua única rivalidade é a de ver quem celebra melhor os louvores do Senhor. Cristo alegra-Se com tal união; a tais esposos Ele envia a sua paz. «Onde dois estiverem reunidos», Ele também está presente (cf Mt 18,20); e onde Ele está presente, o inimigo da nossa salvação não tem lugar.


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quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Monte São Miguel

Construído na Normandia, após várias aparições de São Miguel Arcanjo naquele local. 


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São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate

Português:

São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate, sede o nosso auxílio contra as maldades e as ciladas do demónio. Instante e humildemente vos pedimos que Deus sobre ele impere. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, com esse poder divino, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perdição das almas. Ámen.

Latim: 

Sancte Michael Archangele, defende nos in praelio, contra nequitias et insidias diaboli esto praesidium: Imperet illi Deus, supplices deprecamur, tuque, Princeps militiae caelestis, satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute in infernum detrude. Amen.


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domingo, 25 de setembro de 2022

13 frases que demonstram o tremendo valor da Santa Missa

1- Na hora da morte, as Santas Missas que tivermos ouvido devotamente serão a nossa maior consolação.

2- Na Santa Missa, Deus perdoa todos os pecados veniais que estamos determinados a evitar.

3- Na Santa Missa, Deus perdoa os nossos pecados desconhecidos (esquecidos) que jamais confessámos.

4- O poder de Satanás sobre nós é diminuído.

5- Cada Missa irá connosco ao Julgamento e implorará por perdão para nós.

6- A cada Missa temos diminuída a punição temporal devida aos nossos pecados, mais ou menos, de acordo com o nosso fervor.

7- Assistindo devotamente à Santa Missa rendemos a maior homenagem possível à Sagrada Humanidade de Nosso Senhor.

8- Através do Santo Sacrifício, Nosso Senhor Jesus Cristo repara por muitas das nossas negligências e omissões.

9- Ouvindo piedosamente a Santa Missa, oferecemos às Almas do Purgatório o maior alívio possível.

10- Uma Missa ouvida durante a nossa vida será de maior benefício do que muitas ouvidas por nós depois da nossa morte.

11- Através da Santa Missa, somos preservados de muitos perigos e infortúnios, que de outra forma cairiam sobre nós.

12- Encurtamos o nosso Purgatório a cada Missa.

13- Durante a Santa Missa, ajoelhamo-nos entre uma multidão de santos Anjos, que estão presentes no Adorável Sacrifício com reverente temor.

São Leonardo de Porto Maurício in 'The Hidden Treasure: Holy Mass', Edit. TAN Books, 1952


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sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Dia de São Pio de Pietrelcina, mais conhecido por Padre Pio

As tentações não te devem assustar; por elas Deus quer testar e fortificar a tua alma e ao mesmo tempo dá-te a força de as vencer. Até aqui, a tua vida foi como a de uma criança; a partir de agora, o Senhor quer tratar-te como adulto. Ora, as provações de um adulto são muito superiores às duma criança, e é por isso que, a princípio, te sentes tão perturbado. Mas a vida da tua alma encontrará rapidamente a sua calma. Tem um pouco de paciência e tudo correrá pelo melhor. 

Deixa, pois, de lado essas vãs preocupações. Lembra-te de que não é a sugestão do maligno que faz o mal, mas o consentimento dado às suas sugestões. Só uma vontade livre é capaz da fazer o bem ou o mal. Mas, quando a vontade geme sob a provação infligida pelo Tentador, se não quer o que lhe é proposto, isso não é falta mas virtude. 

Guarda-te de cair na agitação ao lutar contra as tentações, pois isso só as fortalecerá. É preciso tratá-las com desprezo e não lhes ligar. Volta o teu pensamento para Jesus crucificado, para o seu corpo deposto nos teus braços e diz: «Eis a minha esperança, a fonte da minha alegria! Ligo-me a Ti com todo o meu ser, e não Te deixarei enquanto não me colocares em segurança.»


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quinta-feira, 22 de setembro de 2022

O Cristianismo libertou o Homem do medo dos Demónios

Apesar do que dizem certos teólogos superficiais, o Demónio é, para a fé cristã, uma presença misteriosa, mas real, pessoal, não-simbólica.
    
É uma realidade poderosa, 'o Príncipe deste mundo', como lhe chama o Novo Testamento, que por mais de uma vez recorda a sua existência; é uma liberdade maléfica e sobre-humana, oposta à de Deus, como mostra uma leitura realista da história, com o seu abismo de atrocidades sempre renovadas e não explicáveis apenas pelo homem.
    
O homem, sozinho, não tem força para se opor a Satanás, que não é um outro deus. Unidos a Jesus, temos a certeza de vencê-lo. Cristo é o  'Deus próximo' que tem força e vontade de nos libertar: por isso o Evangelho é realmente 'boa nova'. E por isso devemos continuar a anunciá-lo àqueles regimes de terror    que são, muitas vezes, as religiões não-cristãs.

Direi mais: a cultura ateia do Ocidente moderno sobrevive graças à libertação do medo dos demónios trazida pelo cristianismo. Mas, se esta luz redentora do Cristo se extinguisse, embora com toda a sua sabedoria e com toda a sua tecnologia, o mundo recairia no terror e no desespero.

Já existem sinais desse retorno às forças obscuras, enquanto crescem no mundo secularizado os cultos satânicos. 

Cardeal Joseph Ratzinger in Diálogos sobre a fé (1985)


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terça-feira, 20 de setembro de 2022

A coragem de assumir a Fé cristã diante dos carrascos

Aqueles homens santos foram presos e levados ao prefeito de Roma, chamado Rústico. Estando eles diante do tribunal, o prefeito Rústico disse a Justino: «Que doutrina professas?» Justino disse: «Procurei conhecer todas as doutrinas, mas acabei por abraçar a doutrina verdadeira dos cristãos».

O prefeito Rústico inquiriu: «Que verdade é essa?» Justino explicou: «Adoramos o Deus dos cristãos, a quem consideramos como o único Criador, desde o princípio, e autor de toda a Criação, das coisas visíveis e invisíveis, e o Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, de Quem foi anunciado pelos profetas que viria ao género humano como mensageiro da Salvação e Mestre da boa doutrina. E eu, porque sou homem e nada mais, considero insignificante tudo o que digo para exprimir a Sua divindade infinita, mas reconheço o valor das profecias e sei que eram inspirados por Deus os profetas que vaticinaram a Sua vinda ao meio dos homens». Rústico perguntou: «Onde vos reunis? Diz-me em que lugar juntas os teus discípulos». 

Justino respondeu: «Eu vivo em casa de um certo Martinho, nos banhos de Timiotino. Ali, se alguém queria ir ver-me, comunicava as palavras da verdade». Rústico perguntou: «Portanto, tu és cristão?» Justino confirmou: «Sim, sou cristão». O prefeito Rústico perguntou a Caritão: «Diz-me tu agora, Caritão, também és cristão?» Caritão respondeu: «Sou cristão por graça de Deus». Rústico perguntou a Evelpisto: «E tu, de quem és, Evelpisto?» Evelpisto, escravo de César, respondeu: «Também sou cristão, libertado por Cristo, e por graça de Cristo participo da mesma esperança que estes». 

O prefeito Rústico perguntou: «Foi Justino que vos fez cristãos?» Hierax respondeu: «Eu sou cristão há muito tempo e cristão continuarei a ser». E Peão, pondo-se de pé, disse: «Também eu sou cristão». Evelpisto disse: «Eu gostava de ouvir os discursos de Justino, mas a ser cristão aprendi-o de meus pais». O prefeito Rústico disse a Liberiano: «E tu, que dizes? Também és cristão? Também tu não tens religião?» 

Liberiano respondeu: «Também eu sou cristão e, quanto à minha religião, só adoro o Deus verdadeiro». O prefeito disse a Justino: «Ouve, tu que és tido por sábio e julgas conhecer a verdadeira doutrina: se fores flagelado e decapitado, estás convencido de que subirás ao Céu?» Justino respondeu: «Espero entrar naquela morada, se tiver de sofrer o que dizes, pois sei que a todos os que viverem santamente lhes está reservada a recompensa de Deus até ao fim dos séculos». O prefeito Rústico perguntou: «Então tu supões que hás-de subir ao Céu para receber algum prémio em retribuição?» Justino disse: «Não suponho, sei-o com toda a certeza.»

Actas do martírio de São Justino e companheiros (163 d.C.) in Antologia Litúrgica do Primeiro Milénio


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quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Coroa de Nossa Senhora das Dores

A Coroa de Nossa Senhora das Dores teve início em Itália no ano de 1617, por iniciativa da Ordem dos Servos de Maria, assim como a Missa de Nossa Senhora das Dores, que hoje é celebrada em toda a Igreja no dia 15 de Setembro. A Coroa é um dos frutos do carisma mariano da Ordem, cultivado desde 1233, ano da sua fundação. A Coroa surgiu inicialmente como alimento da piedade mariana dos leigos reunidos em grupos chamados Ordem Terceira. A Coroa das Dores teve sempre a aprovação dos Papas.

1ª Dor - Profecia de Simeão

Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser ocasião de queda e elevação de muitos em Israel e sinal de contradição. Quanto a ti, uma espada te transpassará a alma (Lc 2, 34-35). 
1 Pai Nosso; 7 Avé Marias

2ª Dor - Fuga para o Egipto

O anjo do Senhor apareceu em sonho a José e disse: Levanta, toma o menino e a mãe, foge para o Egipto e fica lá até que te avise. Pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo. Levantando-se, José tomou o menino e a mãe, e partiu para o Egipto (Mt 2, 13-14). 
1 Pai Nosso; 7 Avé Marias

3ª Dor - Maria procura Jesus em Jerusalém

Acabados os dias da festa da Páscoa, quando voltaram, o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que os pais o percebessem. Pensando que estivesse na caravana, andaram o caminho de um dia e procuraram entre parentes e conhecidos. E, não O achando, voltaram a Jerusalém à procura d'Ele (Lc 2,43b-45). 
1 Pai Nosso; 7 Avé Marias

4ª Dor - Jesus encontra a Sua Mãe no caminho do Calvário

Ao conduzir Jesus, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e encarregaram-no de levar a cruz atrás de Jesus. Seguia-o grande multidão de povo e de mulheres que batiam no peito e o lamentavam (Lc 23, 26-27). 
1 Pai Nosso; 7 Avé Marias

5ª Dor - Maria ao pé da Cruz de Jesus

Junto à cruz de Jesus estavam de pé a sua Mãe, a irmã da sua Mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Vendo a Mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse Jesus para a mãe: Mulher, eis o teu filho! Depois disse para o discípulo: Eis a tua Mãe! (Jo 19, 15-27a). 
1 Pai Nosso; 7 Avé Marias

6ª Dor - Maria recebe Jesus descido da Cruz

Chegada a tarde, porque era o dia da Preparação, isto é, a véspera de Sábado, veio José de Arimateia, entrou decidido na casa de Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos, então, deu o cadáver a José, que retirou o corpo da cruz (Mc 15, 42). 
1 Pai Nosso; 7 Avé Marias

7ª Dor - Maria deposita Jesus no Sepulcro

Os discípulos tiraram o corpo de Jesus e envolveram em faixas de linho com aromas, conforme é costume de sepultar dos judeus. Havia perto do local, onde fora crucificado, um jardim, e no jardim um sepulcro novo onde ninguém ainda fora depositado. Foi ali que puseram Jesus (Jo 19, 40-42a). 
1 Pai Nosso; 7 Avé Marias

in santissimavirgemaria.com.br


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terça-feira, 13 de setembro de 2022

Quem são os Amigos da Cruz?

Um Amigo da Cruz é um homem escolhido por Deus, entre 10 mil que vivem segundo os sentidos e a razão para ser unicamente um homem todo divino e elevado acima da razão, e todo em oposição aos sentidos, por uma vida e uma luz de pura fé e por um amor ardente pela Cruz.

Um Amigo da Cruz é um rei todo-poderoso e um herói triunfante do demónio, do mundo e da carne em suas três concupiscências. Pelo amor às humilhações, esmaga o orgulho de Satanás; pelo amor à pobreza, triunfa da avareza do mundo; pelo amor à dor, amortece a sensualidade da carne.

Um Amigo da Cruz é um homem santo e separado de todo o visível, cujo coração está acima de tudo quanto é caduco e perecível, e cuja conversa está no Céu; que passa pela Terra como estrangeiro e peregrino; e que, sem lhe dar o coração, a contempla com o olho esquerdo e com indiferença, calcando-a com desprezo aos pés.

Um Amigo da Cruz é uma ilustre conquista de Jesus Cristo crucificado no Calvário, em união com a sua Santa Mãe; é um Benoni ou um Benjamim, filho da dor e da dextra, gerado em seu dolorido coração, vindo ao mundo por seu lado direito atravessado e coberto da púrpura de seu sangue. Dada a sua extracção sangrenta, só respira cruz, sangue e morte ao mundo, à carne e ao pecado, para estar totalmente oculto, aqui na Terra, com Jesus Cristo em Deus.

Enfim, um perfeito Amigo da Cruz é um verdadeiro porta-Cristo, ou antes, um Jesus Cristo, de maneira que possa, em verdade, dizer: 'Vivo, mas não eu, é Jesus Cristo que vive em mim' (Gal 2, 20).

Sois, por vossas acções, meus queridos Amigos da Cruz, aquilo que vosso grande nome significa? Ou, pelo menos, tendes verdadeiro desejo e vontade verdadeira de assim vos tornardes, com a graça de Deus, à sombra da Cruz do Calvário e de Nossa Senhora da Piedade? Entrastes no verdadeiro caminho da vida, que é o caminho estreito e espinhoso do Calvário? Não estareis, sem o pensar, no caminho largo do mundo, que é o caminho da perdição? Sabeis bem que há um caminho que parece ao homem recto e seguro, e que conduz à morte?

São Luís Maria Grignion de Montfort in 'Carta-Circular aos Amigos da Cruz'


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quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Papa Bento XVI sobre a ordenação de mulheres sacerdotes

Isso é um absurdo, pois nessa altura o mundo estava cheio de sacerdotisas. Todas as religiões tinham as suas sacerdotisas, e o mais surpreendente foi o facto de não as haver na Igreja de Jesus Cristo, o que, por sua vez, está em continuidade com a fé de Israel.

A formulação por João Paulo II é muito importante: a Igreja não tem «absolutamente a faculdade» de ordenar mulheres. Não é o mesmo que dizer que não gostamos; o que se diz é que não podemos. O Senhor deu à Igreja uma configuração com os Doze – e, na sua sucessão, com os bispos e os presbíteros e os padres. Essa configuração da Igreja não foi feita por nós, mas sim constituída por Ele. 

Segui-lo é um acto de obediência, talvez de difícil obediência na situação actual. Mas é exactamente isso que é importante que a Igreja demonstre: nós não somos um regime despótico. Não podemos fazer o que queremos. Há uma vontade do Senhor em relação a nós à qual nos mantemos fiéis, mesmo quando isso se revela difícil e trabalhoso nesta cultura e nesta civilização.

Além disso, há tantas e tão importantes funções das mulheres na Igreja que não se pode falar em discriminação. Seria esse o caso se o sacerdócio fosse uma espécie de soberania, enquanto se supõe que ele é inteiramente serviço. Olhando para a história da Igreja, vemos que a importância das mulheres – desde Maria, passando por Mónica, até à Madre Teresa – é tão eminente que, em muitos aspectos, as mulheres moldam muito mais a Igreja do que os homens. 

Pensemos por um instante nos grandes feriados católicos, como o Corpo de Deus e o do Domingo da Divina Misericórdia, que remontam a mulheres. Há em Roma, por exemplo, uma igreja na qual não aparece nenhum homem em todas as pinturas do altar.

Papa Bento XVI in Luz do Mundo (págs 146/147)


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terça-feira, 6 de setembro de 2022

A liberdade de um monge trapista

Também eu, quando estava no mundo, corria muitas vezes pelas estradas de Espanha, encantado por ver o velocímetro do meu carro marcar 90 km à hora! Que disparate! Quando me apercebi de que não tinha mais horizontes, sofri a decepção típica daquele que tem a liberdade deste mundo, pois a terra é pequena e depressa lhe damos a volta. O homem está rodeado de horizontes pequenos e limitados. 

Para quem tem a alma sedenta de horizontes infinitos, os da terra não bastam: abafam-no, não há mundo que lhe chegue e só encontra o que procura na grandeza e imensidão de Deus. Homens livres que percorreis o planeta, não tenho inveja da vossa vida neste mundo; fechado num convento e aos pés do crucifixo, tenho uma liberdade infinita, tenho um céu, tenho Deus. Que sorte tão grande ter um coração apaixonado por Ele!

Pobre irmão Rafael! Continua a aguardar, continua a esperar com essa doce serenidade que a esperança certa proporciona; permanece imóvel, pregado, prisioneiro do teu Deus, ao pé do Seu tabernáculo. Escuta ao longe o ruído que fazem os homens que desfrutam dos breves dias da sua liberdade no mundo; escuta ao longe as suas vozes, os seus risos, os seus choros, as suas guerras. Escuta e medita um momento; medita sobre um Deus infinito, o Deus que fez o céu e a terra e os homens, o Senhor absoluto dos céus e da terra, dos rios e dos mares; Aquele que, num instante, só por assim o querer, fez sair do nada tudo aquilo que existe.

Medita por momentos na vida de Cristo e verás que não há nela, nem liberdades, nem barulho, nem burburinho de vozes; verás o Filho de Deus submetido ao homem; verás Jesus obediente, submisso e numa paz serena, tendo como única regra de vida fazer a vontade de Seu Pai. E, finalmente, contempla Cristo pregado na cruz. De que serve então falar de liberdades?
 

São Rafael Arnaiz Baron in 'Escritos espirituais' (15/12/1936)


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segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Recomendações da Sagrada Escritura sobre a amizade

Palavras amáveis multiplicam os amigos, a linguagem afável atrai muitas respostas agradáveis.
Procura estar de bem com muitos, mas escolhe para conselheiro um entre mil.
Se queres ter um amigo, põe-no primeiro à prova, não confies nele muito depressa.
Com efeito, há amigos de ocasião, que não são fiéis no dia da tribulação.

Há amigo que se torna inimigo, que desvendará as tuas fraquezas, para tua vergonha.
Há amigo que só o é para a mesa, e que deixará de o ser no dia da desgraça;
na tua prosperidade mostra-se igual a ti, dirigindo-se com à vontade aos teus servos;
mas, se te colhe o infortúnio, volta-se contra ti, e oculta-se da tua presença.
Afasta-te daqueles que são teus inimigos, e está alerta com os teus amigos.

Um amigo fiel é uma poderosa protecção; quem o encontrou, descobriu um tesouro.
Nada se pode comparar a um amigo fiel, e nada se iguala ao seu valor.
Um amigo fiel é um bálsamo de vida; os que temem o Senhor acharão tal amigo.
O que teme o Senhor terá também boas amizades, porque o seu amigo será semelhante a ele.

in Livro de Eclesiástico 6,5-17


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domingo, 4 de setembro de 2022

Santuário de Nossa Senhora da Peneda (Arcos de Valdevez)

No distrito de Viana do Castelo, existe um recôndito lugar onde foi erecto um dos mais importantes e concorridos santuários do Norte de Portugal, sob a invocação de Nossa Senhora da Peneda. Ter-se-á verificado uma aparição da Virgem, em 5 de Agosto de 1220, a uma pequena pastora. Uns séculos antes, por volta dos anos 716 ou 717 os cristãos, fugidos ante a invasão dos sarracenos, terão deixado uma imagem entre as enormes fragas da Serra da Peneda.

Implantada uma ermida no século XIII, o culto de Nossa Senhora da Peneda aumentou gradualmente em Portugal e na Galiza (Espanha), afluindo largos milhares de romeiros ao longo do ano, mas muito especialmente na primeira semana de Setembro.

O Templo enquadra-se harmoniosamente em majestoso trecho da serrania, tendo ao longo do pictórico vale vinte capelas onde se evocam as cenas bíblicas de major intensidade, precedida de um átrio com as imagens do quatro evangelistas. Culmina, este invulgar santuário, por um condigno pórtico e escadaria com patamar onde se ergue imponente coluna encimada pele imagem de S. Miguel Arcanjo.

Foi nos últimos três séculos que o Santuário beneficiou de maior impulso, sob os pontos de vista espiritual e materialmente. A igreja foi terminada em 1875.

Texto original de Antonio Afonso Do Paço


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sábado, 3 de setembro de 2022

Gregoriano é a referência para a música sacra

"Uma composição religiosa será tanto mais sacra e litúrgica quanto mais se aproxima no andamento, inspiração e sabor da melodia gregoriana, e será tanto menos digna do templo quanto mais se afastar daquele modelo."

São Pio X in Motu Próprio 'Tra le solicitudine - sobre música Sacra'


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São Pio X: um Papa incompreendido

O Papa Pio X (1835-1914) foi um verdadeiro reformador da Igreja, mas os seus esforços têm sido muitas vezes mal interpretados: esta é a opinião do padre Bernard Ardura, presidente do Pontifício Comité de Ciências Históricas.

Poderia explicar-nos o seu papel no Comité e como surgiu a ideia de um estudo dedicado a Pio X?

Padre Bernard: Eu sou o presidente do Pontifício Comité de Ciências Históricas. Tomamos o cuidado de tratar todos os aspectos históricos que têm a ver com a história da Igreja. Este ano é o centenário da morte do Papa Pio X; ele morreu durante a noite de 21 de Agosto de 1914, três semanas após o início da Primeira Guerra Mundial e depois de onze anos de papado. Como pontífice, foi um reformador importantíssimo, mas, dentre as suas actividades reformadoras, também teve de intervir em assuntos relacionados à doutrina religiosa, porque naquela época a Igreja enfrentava um movimento difícil chamado modernismo. A sua condenação do modernismo ofuscou as partes positivas de seu papado: é lembrado como um Papa de condenação, mas a verdade é que foi um grande reformador, um grande inovador. Embora tendo condenado o modernismo, Pio X foi muito moderno, como evidenciado pelas suas reformas.

Poderia citar-nos algum exemplo de reforma de São Pio X?

Padre Bernard: Ele reformou a Cúria Romana, a mesma Cúria criada em 1538 e que ainda hoje existe. Pio X foi mais consciente do que os seus antecessores de que o pontificado tinha que seguir em frente e não podia andar pra trás. Então, teve no seu ministério esta ideia chave de que a missão da Igreja é espiritual e que deve inspirar a vida do mundo, também renovando o mundo. Portanto, todas as actividades de Pio X foram reformadoras, dado que ele se esforçou para promover uma vida cristã baseada na paz.

Uma outra contribuição importante foi aquela relacionada com os sacramentos, especialmente a Comunhão. Avançou na ideia de que os menores de idade, já com sete anos, podiam receber a sua primeira Sagrada Comunhão, embora se, naquele momento das suas vidas, não estivessem plenamente conscientes da doutrina da Igreja. Foi adiante também na ideia de que os adultos deveriam comungar com mais frequência. Anteriormente, a opinião geral era de que um cristão deveria confessar-se antes de receber a comunhão, mas Pio X, sempre sugerindo a confissão regularmente, apresentou a ideia de comungar com mais frequência, até mesmo diariamente.

Até as suas reformas litúrgicas, como as relativas à música sacra, foram importantes. E pela primeira vez, pediu que fosse promulgado um claro código de Direito Canónico. Assim se fez e este código teve um efeito duradouro após a sua morte.

Portanto, hoje nós temos a oportunidade de estudar estas reformas e estes progressos, que foram importantes não só para renovar a Igreja, mas também pela capacidade da Igreja de inspirar a vida cristã.

Vê semelhanças entre Pio X e o Papa Francisco?

Padre Bernard: Definitivamente, existem semelhanças. Mas não podemos esquecer que há todo um século entre os dois. Portanto, os contextos são muito diferentes. No entanto, é verdade que tanto o Papa Pio X como o Papa Francisco prestam uma especial atenção à qualidade de vida dos cristãos - tanto leigos, quanto sacerdotes e bispos - porque essa qualidade de vida é necessária, a fim de dar testemunho do Evangelho. Por esta razão, estes dois papas compartilham a ideia de que, se algo pode ser reformado, então deve ser reformado.

Por que acha que Pio X poderá ter sido mal interpretado?

Padre Bernard: Ele foi mal interpretado, assim como quase todos os seus trabalhos e as suas reformas não receberam o devido crédito por causa da questão do modernismo. Assim, com a sua condenação do modernismo, ele foi considerado por muitos como o Papa que não entendia nada, mas isso não era verdade.

Para aqueles que não estão familiarizados com este conceito, poderia explicar-nos o que é o modernismo?

Padre Bernard: É um erro filosófico que relativiza um pouco de tudo e, do ponto de vista doutrinal, torna-se uma questão delicada. Por exemplo, ideias diferentes foram expressas por meio do contexto cultural daquele tempo. Mas hoje, não podemos relativizar a doutrina com essas ideias diferentes.

A Igreja em que acreditamos é inspirada pelo Espírito Santo, num contexto que não nos é dado por uma causa acidental, mas, num contexto que contém a essência dos ensinamentos que nos dá o Espírito Santo. Portanto, não temos que relativizar estas realidades que são fundamentais, caso contrário, corremos o risco de pôr em dúvida tudo aquilo em que acreditamos.

Que tipo de reforma, que Pio X tenha apoiado, acha que tenha sido a mais importante e a mais necessária para a Igreja de hoje?

Padre Bernard: A reforma da conversão do coração, uma reforma interior. Devemos lembrar o que Jesus disse: se o sal perde o seu sabor, então torna-se inútil. Como uma luz, somos testemunhas do Evangelho e, portanto, como evidenciado pelos esforços e mensagens de Pio X, temos constantemente a necessidade de reforma. 

in Zenit


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sexta-feira, 2 de setembro de 2022

A beleza da humildade de acordo com São Bento

Irmãos, a Escritura divina proclama-nos que «quem se exaltar será humilhado e quem se humilhar será exaltado» e com isso quer mostrar-nos que toda a exaltação é uma forma de orgulho. Assim prova o salmista, que dele se acautela quando diz: «Senhor, o meu coração não é orgulhoso, nem os meus olhos são altivos; não corro atrás de grandezas ou de coisas superiores a mim» (Sl 130,1). Daqui resulta, irmãos, que, se quisermos atingir o cume da suprema humildade e rapidamente chegar às alturas celestes aonde podemos subir pela humildade de vida terrena, temos de pôr de pé a escada que apareceu em sonhos a Jacob e trepar por ela com os nossos actos tal como ele viu «os anjos subir e descer» (Gn 28,12). 

Sem dúvida que este subir e este descer não têm para nós outro significado senão o de pela exaltação se descer e pela humildade se subir. Ora, aquela escada posta de pé mais não é do que a nossa vida neste mundo, que o Senhor levanta até ao céu sempre que se humilha o nosso coração.

O primeiro degrau da humildade consiste em ter sempre presente no pensamento o temor de Deus e em nunca o esquecer, esforçando-nos por relembrar sempre tudo aquilo a que Deus mandou obedecer. Para estar vigilante contra a malícia dos seus pensamentos, o irmão deveras humilde há-de repetir sem parar no seu coração: «Tenho sido sincero para com Deus e guardei-me do pecado» (Sl 17,24). 


E quanto a seguirmos a nossa vontade própria, a Escritura no-lo impede ao dizer-nos: «Refreia os teus apetites» (Sir 18,30). É por essa razão que, no Pai Nosso, pedimos a Deus que a Sua vontade se faça em nós. «Os olhos do Senhor observam maus e bons; do céu o Senhor olha para os seres humanos, a ver se há alguém sensato, alguém que ainda procure a Deus» (Pr 15,3; Sl 13,2).

Tendo subido todos os degraus da humildade, o monge depressa chegará ao amor de Deus, a esse amor que, tornado perfeito, afugenta todo o temor (1Jo 4,18); graças a ele, tudo aquilo que dantes cumpria a medo, agora levará a cabo sem custo algum, com toda a naturalidade e de modo habitual, por amor a Cristo, por hábito do bem e gosto da virtude. Tudo isso o Senhor de aí em diante Se dignará manifestar no Seu operário pelo Espírito Santo. 


in Regra monástica, cap. 7


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