sexta-feira, 21 de março de 2014

Apontamentos para o tempo da Quaresma - D. Luigi Giussani

Quaresma é o momento da educação a tornarmo-nos como Deus nos quer. 

Um tempo de mortificação, que não é uma nossa habilidade ascética. A mortificação é um desabituarmo-nos do mal. Quanto mais estamos atentos, mais nos damos conta que o nosso pecado é grande. Daqui nasce o equívoco acerca de uma nossa incapacidade: um desespero que tem a mesma raiz da presunção.

De facto, a conversão nasce do encontro contínuo com Cristo. O modo com o qual Ele provoca a nossa conversão não o podemos prever. A Páscoa é o fim imprevisível da Quaresma.

O pecado torna-se a maior mentira quando não existe vigilância. A vigilância é: recomeçar sempre com Deus, e não buscar com as próprias forças a perfeição moral.

A verdadeira vigilância exprime-se assim: "Dá-me o tempo para que eu te possa invocar" (St. Agostinho).

A Quaresma é então o tempo desta consciência: existimos só com a sua ajuda. A ânsia, e a preocupação na vida são o sinal da mesma dureza dos Fariseus. A doçura no julgar-se a si e aos outros, vem só de ter o olhar em Deus, do apoiar-se n´Ele.

É então preciso como dote fundamental a simplicidade: seguir e basta.

Nós pelo contrário, pecamos, a maioria das vezes contra a própria simplicidade: tendemos a conceber a nossa vocação como queremos nós. Podemos chegar a experimentar irritação contra Deus que não faz a nossa vontade. Cai-se numa chantagem subtil que complica a vida. E no entanto, na forma mais dolorosa da prova (quando Ele parece que não responde àquilo que nós esperamos) descobre-se o factor maior da educação: a atenção ao essencial, porque nos chama a Ele. As provas são uma educação ao essencial.

Por estes motivos, a Quaresma é o tempo da segurança; o tempo do amor, porque percebemos que alguém nos ama. Está-se livre de todo o peso, em virtude do perdão. Penetra em nós a letícia de nos sabermos objecto da sua salvação.

Podemos olhar-nos a nós próprios com esperança. Esse é o verdadeiro jejum, porque implica olhar só para Ele. Só para Ele que nos salva. Por isso penitência e jejum são muito mais o realizar-se do amor do que o privar-se de algo.


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quinta-feira, 20 de março de 2014

Gatolicismo




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Frase do dia

"As pessoas apegadas ao mundo, mergulhadas nos seus afazeres, vivem na obscuridade e no erro; nem pensam em conhecer as coisas de Deus, nem pensam na sua salvação eterna." 

S. Pio de Pietrelcina


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terça-feira, 18 de março de 2014

A violência das ondas - José Maria André

As revoluções ideológicas abatem-se sobre os povos, como ondas contra a rocha: quem se mete na frente é esmagado. Aconteceu literalmente em Tianamen, onde as lagartas dos blindados trituraram os manifestantes, e acontece, de várias formas, em todo o mundo. Parece impossível deter as marés do poder. E, de repente,… o mar fica tão calmo que nem se acredita.

Nos EUA, a partir de 1 de Janeiro de 2014, as instituições de caridade que se recusam a proporcionar aborto e métodos contraceptivos aos colaboradores, violam o sistema de saúde instituído por Barack Obama. Como tal, o Governo aplica-lhes uma multa de 100 dólares por pessoa, por dia. Há instituições com mais de 10.000 funcionários. Passadas poucas semanas, as multas somam quantias tão incomportáveis, que a maioria das instituições abrirá falência, se o dinheiro não lhes for devolvido rapidamente.

Em 2007 passou a ser obrigatório no Reino Unido aceitar a adopção por homossexuais e, com base nisso, fecharam 85% das instituições católicas que apoiavam crianças em dificuldade. As restantes, afogadas em multas, provavelmente não vão sobreviver. No Reino Unido, há casos de tribunais que retiraram crianças a famílias por o casal ser contra a adopção por homossexuais.

Em França, François Hollande aprovou o casamento homossexual e já há processos em tribunal contra os Presidentes da Câmara que se recusam a presidir a essas fantochadas. A somar às pessoas que estão na prisão por defenderem a dignidade humana, sem excepções.

Na Bélgica e na Holanda, a eutanásia está a abranger cada vez mais pessoas e recentemente começou a aplicar-se a crianças, como extensão do aborto.

Na Suécia, nos EUA e noutros países, há gente na prisão por ler em público as passagens da Bíblia relativas à homossexualidade, ou processadas por se recusarem a colaborar em casamentos homossexuais.

No entanto, o mundo é mais complexo do que parece.

O Supremo Tribunal dos EUA acaba de dar razão às Irmãzinhas dos Pobres, que se recusaram a contratar seguros que incluíssem aborto e métodos contraceptivos. A sentença deu ânimo a muitas casas de saúde e paróquias, que foram multadas da mesma maneira, a 100 dólares por dia, por pessoa. O fanatismo chocou com a fibra de umas freiras norte-americanas que trabalham em lares de terceira idade! O Governo não compreende como umas freirinhas frágeis e sem dinheiro lhe fazem frente. Baralhado, Obama está surpreendido por esta gente que ele maltrata. Em especial, a pessoa do Papa Francisco deixa-o profundamente impressionado, como ele próprio disse à televisão.

A situação é dramática para os católicos do Reino Unido, mas em 2010 o Parlamento, a Rainha e o povo, receberam Bento XVI como o Chefe de Estado mais importante do planeta. A Presidente do Parlamento reconheceu explicitamente a sua autoridade moral. O número de conversões em países de língua inglesa atingiu um recorde histórico. Tony Blair, antigo Primeiro Ministro, responsável pela adopção por homossexuais, converteu-se ao catolicismo.

Claramente, o mundo é complexo. A União Europeia aprovou há dias o relatório da Ulrike Lunacek (que quer fundar o mundo no aborto e na homossexualidade), mas também votou a favor da iniciativa «Um de nós», que recolheu 2 milhões de assinaturas em 20 países, pedindo protecção para os bebés desde o momento da concepção. A mesma União Europeia, que se envergonha das suas raízes cristãs, nomeou o Papa Francisco como o «Comunicador do Ano».

Mais curiosos são os comunistas. Os jornalistas da China, reunidos no «China International Press Forum», puseram o Papa em terceiro lugar, no meio dos ídolos tradicionais, o presidente iraniano Hassan Rohani, o ex-presidente egípcio Mohamed Morsi, etc.

Quase todos os meios de comunicação social, da «Time» à «Rolling Stones», riem da fidelidade no casamento, enaltecem o comportamento homossexual e tratam a Igreja como uma aberração retrógrada. No entanto, praticamente todos perceberam algo, que não sabem explicar. Um fascínio que os desarma e deixa sem argumentos. Como se explica que votem o Papa Francisco como figura do ano? Claramente, o mundo é complexo.

Em Novembro, os Bispos portugueses declararam que as leis do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo ou da co-adopção por homossexuais «são reversíveis». O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa duvida até que elas correspondam à vontade dos portugueses. Os órgãos de comunicação foram unânimes: nada pode parar a co-adopção pelos homossexuais! Será que os bispos não estão a ver a marcha imparável do progresso?

Em Janeiro, apesar do nevão que cortou as comunicações aéreas e algumas estradas, cardeais e bispos dos EUA, à frente de uma multidão imensa, proclamaram que preferiam respeitar os direitos humanos a obedecer a leis injustas. O Cardeal de Boston falou, na homilia, da precariedade do poder humano. Disse que as leis contra a dignidade humana são como aquele imperador vestido com um traje invisível, que ninguém se atrevia a contestar. De repente, uma criança, alheia às convenções sociais, desata a rir: o rei vai nu! E acrescentou que a voz da Igreja é, hoje, esta criança.

Às vezes, admiro o mar, outras vezes, os pequenos barcos que o dominam. Sobretudo aquela barquinha pequena, baloiçando na água. Teimosamente, há séculos.

A canonização de Joana Jugan, Fundadora das Irmãzinhas dos Pobres (11-X-2009).
José Maria C. S. André

in «Verdadeiro Olhar», 19-II-2014



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domingo, 16 de março de 2014

Francisco a Bento: "Releia a minha entrevista!" E chegam quatro páginas de notas

O Papa emérito Bento XVI reviu e comentou a entrevista do Papa Francisco à "La Civiltà Cattolica" e escreveu quatro páginas de comentários. A revelação foi feita pelo Arcebispo Georg Gänswein numa entrevista do programa que a ZDF transmitiu por ocasião do primeiro ano de pontificado de Bergoglio.

“Quando o padre Spadaro entregou a primeira cópia desta entrevista, isto é, deste número (ed. sem esboços) - disse o Prefeito da Casa Pontifícia e secretário de Bento XVI - o Papa Francisco deu-ma e disse-me para a levar ao Papa Bento. "Veja, a primeira página depois do índice está vazia. Aqui o Papa Bento deverá escrever todas as suas críticas que lhe venham à cabeça durante a leitura e depois você traz-mas." 

Portanto levei a entrevista ao Papa Bento e disse-lhe, "o Papa Francisco disse que aqui há uma página vazia; ele pede-lhe que escreva aqui todas as suas reflexões, todos os pontos críticos, todos os sugerimentos, e depois levo-os ao Papa Francisco." Três dias depois disse-me: "Aqui temos quatro páginas" - naturalmente não foram escritas à mão, ele tinha ditado à irmã Birgit - "numa carta, peço-lhe que as entregue ao Papa Francisco." Tinha feito os trabalhos de casa!”

O Arcebispo não fala dos conteúdos das notas, mas acrescenta: "Portanto, ele tinha lido a entrevista e cumprido o pedido do seu sucessor fazendo algumas reflexões e também algumas observações sobre determinadas afirmações ou questões, que pensava que talvez se pudessem desenvolver ainda mais numa outra ocasião. Naturalmente não vos digo sobre que coisas."

in korazym.org


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sábado, 15 de março de 2014

A juventude não vive para o prazer - Paul Claudel

A juventude não vive para o prazer, vive para o heroísmo. É um facto: a um jovem é necessário heroísmo para resistir às tentações que o envolvem, para acreditar numa doutrina desprezada, para conseguir fazer face aos argumentos, à blasfémia, aos gracejos dos livros, aos jornais, para resistir à sua família e aos seus amigos, para estar só contra todos, para ser fiel contra todos. Mas tende coragem, porque eu venci o mundo. Não acredites que ficarás diminuído, antes pelo contrário ficarás aumentado.

É através da virtude que se é homem. A castidade tornar-te-á vigoroso, apto, vigilante, penetrante, claro como o toque da trombeta e esplêndido como o sol da manhã. A vida parecer-te-á cheia de encanto e de seriedade, um mundo de sentido e de beleza. À medida que avançares as coisas parecer-te-ão mais fáceis, os obstáculos que julgavas intransponíveis far-te-ão sorrir...

Há uma passagem na tua carta que me faz rir. É aquela em que me dizes que tens medo de encontrar na religião o fim da procura e da luta. Ah, caro amigo, no dia em que receberes Deus terás contigo o hóspede que te não dará mais momento de repouso. Não vim trazer a paz mas a espada. Será o grande fermento que fará rebentar todos os vasos, será a luta contra as paixões, a luta contra as trevas do espírito, não aquela em que se é vencido, mas a de que se sai vencedor. 

Paul Claudel, poeta francês convertido ao catolicismo


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Frase do dia

"Penitência é o cumprimento exacto do horário que te fixaste, mesmo que o corpo resista ou a mente pretenda evadir-se com sonhos quiméricos. Penitência é levantares-te pontualmente. E também, não deixar para mais tarde, sem motivo justificado, essa tarefa que te é mais difícil ou custosa.


A penitência está em saber compaginar as tuas obrigações relativas a Deus, aos outros e a ti próprio, exigindo-te, de modo que consigas encontrar o tempo necessário para cada coisa. És penitente quando te submetes amorosamente ao teu plano de oração, apesar de estares cansado, sem vontade ou frio." 

S. Josemaría Escrivá in Amigos de Deus, 138


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quinta-feira, 13 de março de 2014

Uma das frases mais fortes do primeiro ano de Pontificado

"É realmente ridículo que um cristão verdadeiro, que um padre, uma freira, um bispo, um cardeal, um papa, queiram percorrer esta estrada do mundano, é uma atitude homicida. 

O mundano mata, mata a alma, as pessoas, mata a Igreja. Hoje, aqui, peçamos a graça para todos os cristãos de que o Senhor nos dê a coragem de nos espoliar do espírito do mundo, que é a lepra e o cancro da sociedade, é o cancro da revelação de Deus. O espírito do mundo é o inimigo de Jesus.” 

Papa Francisco, Assis - 4/X/2013


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Primeiro aniversário de Pontificado do Papa Francisco




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quarta-feira, 12 de março de 2014

Morreu D. José Policarpo, Patriarca Emérito de Lisboa

Requiem aeternam dona ei, Domine. Et lux perpetua luceat ei. 
Requiescat in pace. Amen.


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O Papa Francisco, o dom das lágrimas e o Missal Tradicional

O encontro do Papa Francisco com os párocos de Roma na semana passada, que já foi posto aqui no Senza, tem imenso potencial para cada um crescer na vida interior. Um potencial que se aplica não só aos padres, mas a todos os cristãos.


De facto, para crescer em santidade, é bom que os leigos aproveitem muito daquilo que os padres costumam fazer: rezar, preocupar-se em levar almas para o Céu, viver a castidade, etc... e ao mesmo tempo manter-se na sua vida profissional e familiar normal.

É a isso que o Concílio Vaticano II se refere quando fala da santidade dos leigos. É por isso que este discurso do Papa (completo aqui) é de muito proveito para todos. 

Este tempo da Quaresma é, além disso, muito bom para meditarmos sobre o que significa cada pecado, cada ofensa a Deus e ao próximo. Estas são coisas sempre muito mais graves do que pensamos e que acabaram por levar o próprio Deus a ser flagelado e pregado na cruz. O Papa, no seu discurso aos párocos de Roma, fala precisamente em chorar por isso:
"Diz-me: tu choras? Ou perdemos as lágrimas? Lembro-me que nos Missais antigos, aqueles de um outro tempo, há uma oração lindíssima para pedir o dom das lágrimas. Começava assim, a oração: "Senhor, Tu que deste a Moisés o mandato de bater na pedra para que viesse a água, bate na pedra do meu coração para que as lágrimas...": era assim, mais ou menos, a oração. Era belíssima. Mas quantos de nós choramos diante do sofrimento de uma criança, diante da destruição de uma família, diante de tantas pessoas que não encontram o caminho?... O choro dos padres... Tu choras?"
Outro aspecto muito interessante aqui é o conhecimento que o Santo Padre tem das orações do Missal antigo, aquele que se usa hoje para celebrar a Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano.

De facto, o Papa Francisco citou uma oração (belíssima, como diz o Santo Padre) que se encontra mesmo no final do Missal tradicional, num cantinho dos cantinhos, numa secção chamada "Orações Diversas".

A oração que o Papa citou é a seguinte:

Omnipotens et mitíssime Deus, qui sitiénti pópulo fontem vivéntis aquae de petra produxísti: educ de cordis nostri durítia lácrimas compunctiónis; ut peccáta nostra plángere valeámus, remissionémque eórum, te miseránte, mereámur accípere. Per Dóminum nostrum Jesum Christum. 
Ó Deus bondossíssimo e omnipotente, que saciastes a sede ao povo com a fonte de água viva que produziste do rochedo, fazei rebentar da dureza do nosso coração lágrimas de compunção, para que possamos chorar os nossos pecados e merecer o perdão deles por Vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vale a pena folhear esta secção do missal, porque tem orações lindíssimas para todo o tipo de necessidades como rezar por uma comunidade ou família, pelo papa ou pelo rei, contra os perseguidores da Igreja, para pedir bom tempo, em ocasião de terramoto, em ocasião de peste nos animais, para obter o perdão dos pecados, contra os maus pensamentos, para pedir a caridade, pelos amigos, pelos inimigos, etc... São muitas!

Há muitas riquezas nos missais e nos livros antigos. S. Josemaria, por exemplo, dizia: "A Igreja de Deus e os sacerdotes de Deus, desde há vinte séculos, pregam o mesmo (…). Porque – gosto muito de dizê-lo – a religião não foi feita pelos homens de braço erguido, por votação… Pegai nos velhos catecismos! Filhas minhas, filhos meus: são tesouros maravilhosos! Não os deiteis fora!, lede-os (…) e lede-os com calma para conservar a fé dos vossos filhos."

Nuno CB


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Interrompem com gritos a favor do aborto mas são silenciadas com o "Viva a Vida"

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terça-feira, 11 de março de 2014

D. Álvaro del Portillo explica como santificar o trabalho

Hoje, dia 11 de Março de 2014, faz 100 anos que nasceu o Venerável Álvaro del Portillo, 1º sucessor de S. Josemaria à frente da Prelatura do Opus Dei, que será beatificado no próximo dia 27 de Setembro.

Em comemoração do centenário do seu nascimento fica aqui um filme em que D. Álvaro explica como se deve fazer para santificar o trabalho:


(se não aparecerem legendas em português, podem-se activar em baixo à direita)

O actual Prelado da Obra, D. Javier Echevarria, também disse algumas palavras interessantes sobre D. Álvaro:
Sempre que ocorria algum aniversário importante, D. Álvaro costumava dirigir-se ao Senhor com esta oração: «Obrigado, perdão, ajuda-me mais». É natural supor que também atuasse de modo semelhante na efeméride do seu centenário. Aquelas palavras são uma excelente oração para nos dirigirmos à Santíssima Trindade: agradecendo os benefícios recebidos – são tantos!, muitos mais do que podemos imaginar – ; pedindo perdão pelas nossas faltas e pecados; solicitando a Sua ajuda para continuar a servir, mais e melhor, como servos bons e fiéis.  
Há anos, noutro aniversário desta data, D. Álvaro detinha-se a recordar o tempo decorrido. As suas considerações podem servir-nos para também nós falarmos com Deus, sobretudo quando, seja pelo que for, nos saltem aos olhos as nossas faltas e debilidades de forma mais patente. Eram e são expressões que enchem de esperança. «Ao contemplar o calendário da minha vida, dizia, penso nas folhas passadas. São passadas mas não atiradas ao cesto dos papéis, porque perduram aos olhos de Deus. Tantos benefícios do Senhor! Já antes de nascer me preparou uma boa família cristã, que me proporcionou uma boa formação. Depois, tantos acontecimentos que marcaram a minha existência. Acima de todos, o encontro com o nosso Padre, que mudou por completo a minha vida, de forma muito rápida. E os quase quarenta anos de contacto próximo e constante com o nosso Fundador…».
in opusdei.pt


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Hermenêutica da continuidade: O Papa anda de autocarro




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segunda-feira, 10 de março de 2014

Mario Palmaro, um pai de família que combateu o bom combate

No passado dia 9 de Março, depois duma longa doença, morreu Mario Palmaro. Com apenas 46 anos de idade, este professor universitário e escritor distinguiu-se como um dos melhores estudiosos e defensores da fé católica nos tempos difíceis em que vivemos.

Aqui ficam algumas palavras suas numa entrevista a ‘Il Foglio’, onde fala da sua vida depois de saber que tinha uma doença terminal:
 
A primeira coisa que decorre desta doença é que se abate sobre nós sem nenhum aviso prévio e numa altura que não decidimos. Estamos à mercê dos acontecimentos, e não podemos fazer mais do que aceitá-los. A doença grave obriga a ter consciência que somos mortais; mesmo que a morte seja a coisa mais certa do mundo, o homem moderno vive como se nunca fosse morrer.

Com a doença percebes pela primeira vez que o tempo de vida aqui em baixo é um sopro, suportas a amargura de não teres feito o trabalho de santidade que Deus queria, experimentas uma nostalgia profunda pelo bem que poderias ter feito e pelo mal que poderias ter evitado.

Olhas o Crucificado e percebes que aquele é o coração da fé: sem o Sacrifício o catolicismo não existe. E aí dás graças a Deus por te ter feito católico, um católico “pequeno pequeno”, um pecador, mas que tem na Igreja uma mãe extremosa. Então, a doença torna-se um tempo de graça, mas muitas vezes os vícios e misérias que nos acompanharam durante a vida permanecem, ou adensam-se. É como se a agonia já tivesse começado e combate-se o destino da alma, porque ninguém está certo da sua própria salvação.

Por outro lado, a doença fez-me descobrir uma quantidade de pessoas que me querem bem e que rezam por mim, de famílias que de noite rezam o terço com as crianças pela minha cura, e fico sem palavras para descrever a beleza desta experiência, que é uma antecipação do amor de Deus na eternidade. A maior dor que tenho é a ideia de ter que deixar este mundo do qual gosto tanto, e que é tão belo e tão trágico: ter que deixar tantos amigos, a minha família, especialmente a minha mulher e os meus filhos, que são ainda novos.


Às vezes imagino a minha casa, o meu escritório vazio, e a vida continua, mesmo sem mim. É uma ideia que custa, mas extremamente realista: faz-me perceber que sou, e fui, um servo inútil, e que todos os livros que escrevi, as conferências, os artigos, são apenas palha. Mas tenho esperança na misericórdia do Senhor, e no facto que outros recolherão as minhas aspirações e as minhas batalhas, para continuarem o antigo duelo. 


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Química? - D. Nuno Brás

Está hoje na moda entre os jovens (e menos jovens) chamar “química” à atração física que alguém sente por outro. Não sei as origens desse costume. Mas sei que ele trouxe consigo duas realidades que não deixam de me preocupar.

Em  primeiro lugar, o facto de reduzir as relações humanas a uma reação química. Ao início, o uso da expressão parecia ser uma simples comparação: tal como dois reagentes dão origem a uma realidade nova, assim também os apaixonados deixavam que nascesse o amor entre eles. Mas daqui já se foi mais longe, e hoje já nos encontramos no campo da afirmação da pretensa realidade (ainda há dias encontrei alguns estudantes do ensino secundário que pensavam deste modo), ou seja: a paixão e o amor mais não seriam que o fruto de uma reação química que existiria no nosso corpo, provocada pela presença daquele outro ser. Assim como dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio juntos dão lugar à água, assim os seres humanos inevitavelmente se sentiriam impelidos um para o outro. Tudo, mesmo as relações entre seres humanos passaria a ser comandado pela inevitabilidade. Talvez mesmo algum cientista tenha a pretensão de descobrir a lei que comanda essa “química”…

Depois, aquilo que à primeira vista seria um “acto de liberdade”, ou mesmo de “libertinagem” (contra os tabus e as regras da sociedade), mais não seria que, afinal, uma inevitabilidade química. A liberdade, a generosidade, o amor seriam apenas grandes mentiras em que viveríamos. Entre seres humanos, afinal, mais não existiria que, como nos outros animais, o inevitável instinto. Toda a história universal, todas as construções, todo o altruísmo, tudo o que nos permite decidir e ser responsáveis, mais não seria que fruto de uma reação química. E o mesmo se diga de tudo o que é aberração: todos os monstros ditadores; todos os criminosos mais ou menos comuns, afinal não seriam responsáveis pelos seus atos… Seria apenas “química”!

Mas não percebemos que nos encontramos à beira do abismo e da auto-destruição? Não tenho dúvidas que a humanidade será capaz de reagir. Mas, até lá, muitos (sobretudo jovens) se perderão pelas veredas deste caminho educativo, mais ou menos espalhado pelas nossas escolas. E desses havemos de responder, por não os termos ajudado a olhar a beleza do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus!

in Voz daVerdade


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Frase do dia

“Estou convencido de que a crise eclesial em que hoje nos encontramos depende em grande parte do colapso da liturgia.” 

Papa Bento XVI in 'Introdução ao Espírito da Liturgia'


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sábado, 8 de março de 2014

A oração une a alma a Deus - Santa Juliana de Norwich

A oração une a alma a Deus. Mesmo que a nossa alma, pela sua natureza, se assemelhe sempre a Deus, restaurada que foi pela graça, de facto ela é-Lhe muitas vezes dissemelhante por causa do pecado. A oração testemunha então que a alma deveria querer o que Deus quer; reconforta a consciência; torna-nos aptos a receber a graça. 

Deus ensina-nos, assim, a rezar com uma confiança firme de que receberemos aquilo que pedimos em oração; porque Ele olha-nos com amor e quer associar-nos à sua vontade e às suas acções benfazejas. Incita-nos, assim, a rezar para que seja feita a sua vontade […]; parece dizer-nos: «Que Me poderia satisfazer mais do que ouvir uma súplica fervorosa, sábia e insistente para que os Meus desígnios se cumpram?» Portanto, pela oração, a alma entra em concordância com Deus. 

Mas quando, pela sua graça e a sua cortesia, Nosso Senhor Se revela à nossa alma, então obtemos o que desejamos. Nesse momento já não conseguimos ver que mais poderíamos pedir. Todo o nosso desejo, toda a nossa força, estão inteiramente concentrados nele, para O contemplar. Parece-me ser uma oração muito alta, impossível de sondar. 

O objectivo da nossa oração é estarmos unidos, pela visão e pela contemplação, Àquele a Quem rezamos, com uma alegria maravilhosa e um temor respeitoso, numa doçura e delícia tão grandes que, nesses momentos, não podemos rezar senão como Ele nos conduz a fazê-lo. Bem sei que, quanto mais Deus Se revela a uma alma, mais ela tem sede dele, pela sua graça; mas, quando não O vemos, sentimos a necessidade e a urgência de rezar a Jesus, por causa da nossa fraqueza e da nossa incapacidade.


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A política de Nossa Senhora de Fátima - Pe. Gonçalo Portocarrero

Há quem não aprecie Nossa Senhora de Fátima por achar que esta «santinha», ao contrário de outras suas homónimas, é muito «política» e, até, uma anticomunista um pouco primária.

É verdade que as aparições na Cova da Iria desestabilizaram a já muito instável primeira república portuguesa. Houve, no início, quem temesse que tudo fosse uma montagem anticlerical, para desacreditar a Igreja e desencadear novas perseguições. Uma Nossa Senhora que, para além de interferir com a república, ainda se pronuncia sobre a Guerra Mundial e o fim do comunismo soviético parece, com efeito, política demais, sobretudo para quem só tolera os santos nos desvãos das sacristias.

Para pôr termo ao conflito internacional e evitar a expansão do comunismo, Maria não se fez ver pelos políticos, não se mostrou aos exércitos, não interveio nos parlamentos, não enviou mensagens aos chefes de Estado. Mas apareceu a três crianças analfabetas e pediu-lhes um impossível, sem outros meios do que a oração e o sacrifício.

Não são só os titulares de cargos públicos, os chefes dos partidos, os agentes económicos e os dirigentes sindicais que são protagonistas da política: todos o somos, porque todos temos o direito e o dever de participar no que a todos diz respeito. Alguns, é certo, agindo directamente nas estruturas do poder; outros, intervindo indirectamente, através da sua acção social; quase todos, participando nos actos eleitorais. Mas, para um cidadão crente, para além destes meios humanos, que não deve descurar, há uma intervenção ainda mais eficaz: a oração. 

Para um cristão, pedir a Deus pelos governantes e agradecer o seu serviço é um dever religioso e uma sua muito importante actuação política. in ionline


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sexta-feira, 7 de março de 2014

Um Homem para a Eternidade - 8 de Março 2014 em Lisboa

A propósito dos Óscares e das recentes conversas sobre a família e o divórcio, há um filme que não pode deixar de ser mencionado esta semana.

Este filme fala de um homem que foi decapitado precisamente por ser contra o divórcio, aquilo que hoje tantos parecem querer aceitar como normal.

Mais ainda, este homem foi quem escreveu uma das obras mais conhecidas do humanismo que a Europa viveu no Renascimento - a Utopia.

Foi um intelectual do seu tempo, que trocou cartas com muitos outros intelectuais do seu tempo, como Erasmus.

Este homem, além de ser um cidadão humilde e discreto, foi também Chanceler-Mor do reino de Inglaterra, uma posição mais importante da que é hoje a posição de Primeiro-Ministro.

Renunciar a essa posição para mostrar que não concordava com as políticas que o rei Henrique VIII queria levar sobre o casamento não foi suficiente. Como tal, a sua condenação no Parlamento Inglês marcou o início do fim do Catolicismo na Grã Bretanha.

Desde então, excepto num ou noutro período de tempo, a Inglaterra afirmou-se contra a Igreja Católica e contra o Papa que afirmava o mesmo que afirma hoje o Papa Francisco: divorciados recasados não podem comungar.

Falamos, claro, de S. Tomás More.

A história de S. Tomás foi passada para filme em 1966 e, apesar de todas as críticas conhecidas aos ensinamentos morais da Igreja Católica, ganhou o Óscar de Melhor Filme nesse ano. Ganhou também o óscar de melhor actor principal, melhor realizador e melhor argumento.

Este filme, Um Homem para a Eternidade, vai ser passado em
Ecrã grande amanhã (8.Março)
em Lisboa,
no Oratório de S. Josemaria,
às 16:15.

Aqui fica o trailer:





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Um prenúncio de um cataclisma? Ícones da Rússia e da Ucrânia começaram a chorar!


Será que Deus nos está a avisar de um cataclisma gigante que pode ter início na Rússia e na Ucrânia? Esta ideia não está excluída. Em ambos os países, em vários conventos os ícones começaram a chorar.

Na Rússia e na Ucrânia, em vários conventos e igrejas ortodoxas, os ícones começaram a escorrer lágrimas. Na tradição ortodoxa (tal como na ocidental, onde as imagens que choram anunciam acontecimentos importantes), isto é um sinal visível do Alto que consiste num chamamento à conversão e num aviso de que se avizinham tempos difíceis. 

Actualmente os ícones choram, entre outros, em Rostów nad Donem, Odessa, Równy e Nowokuznieck. No passado tiveram lugar acontecimentos semelhantes, na Rússia e na Ucrânia, antes da Revolução de Outubro e da queda do czar, assim como antes da queda da União Soviética.

Se, de facto, estes fenómenos estão a ocorrer, então – mesmo apesar do que os jornalistas contam sobre terem ocorrido situações semelhantes antes da queda da União Soviética nos inquietar e despertar em nós desconfiança – vale a pena questionarmo-nos: Não será que Deus nos quer, deste modo, avisar dos tempos difíceis que aí vêm e convidar à conversão? 

A oração nunca é demais e o panorama internacional e civilizacional não está inclinado para um optimismo exagerado... Por isso, ao rosário, à oração e à conversão! Cada acontecimento destes é um chamamento aos cristãos para mudarem de vida e o sinal daquilo que há-de vir. Tomasz P. Terlikowski in fronda.pl


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terça-feira, 4 de março de 2014

Testemunho de D. Athanasius Schneider nos Jerónimos

No passado dia 16 de Fevereiro de 2014, D. Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar de Astana, Cazaquistão, foi aos Jerónimos dar um testemunho sobre a perseguição aos Cristãos pelo regime comunista na antiga União Soviética, na Ásia Central.


O testemunho é impressionante. Talvez um dia todas estas histórias sejam escritas em livro para a posteridade. Algumas já estão disponíveis no livro de D. Athanasius, Dominus Est.


No mesmo dia, D. Athanasius Schneider celebrou a Santa Missa também nos Jerónimos. A homilia pode ser encontrada aqui

in adtelevavi.blogspot.com


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"A fé não se negocia" - Papa Francisco

“A fé não se negocia. Esta tentação sempre existiu na história do povo de Deus: cortar um pedaço da fé, ainda que não seja muito. Mas a fé é assim, tal como a recitamos no Credo. É necessário superar a tentação de fazer o que todos fazem, não ser tão, tão rígidos, porque precisamente daí começa um caminho que acaba na apostasia. 

De facto, quando começamos a destroçar a fé, a negociá-la, a vendê-la à melhor oferta, começamos o caminho da apostasia, da não fidelidade ao Senhor.” Homilia, 7/IV/2013


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segunda-feira, 3 de março de 2014

Há 75 anos era eleito o Papa Pio XII

Há 138 anos, no dia 2 de Março de 1876, em Roma, nasceu Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli.


Há 75 anos, no dia 2 de Março de 1939, em Roma, Eugenio Pacelli foi eleito Papa, passando a chamar-se Pio XII.

Muitas vezes injustiçado pelas calúnias levantadas contra si, sobre uma suposta colaboração com o regime nazi, lentamente os caluniadores vão sendo obrigados a admitir que o Papa Pio XII foi corajoso e salvou a vida a milhares de judeus durante a II Guerra Mundial

Vale a pena conhecer melhor a vida deste grande homem. 


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domingo, 2 de março de 2014

Homilia de D. Athanasius Schneider nos Jerónimos

No passado dia 16 de Fevereiro de 2014, D. Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar de Astana, Cazaquistão, foi aos Jerónimos dar um testemunho sobre a perseguição aos Cristãos pelo regime comunista na antiga União Soviética, na Ásia Central.

No mesmo dia, ele celebrou também a Santa Missa nos Jerónimos. Aqui fica a homilia pregada por ele:
Livro de D. Athanasius publicado em Portugal

"Caros irmãos e irmãs!

Nesta Santa Missa queremos de modo particular exprimir a nossa fé católica, renovar a nossa fidelidade à imutável fé católica, e a nossa alegria de poder crer de modo católico. A expressão mais sublime da imutável fé católica é a liturgia, tal como nos foi transmitida, de um modo orgânico, a partir dos santos Apóstolos. Nós devemos continuar hoje a ter a mesma fé eucarística e a mesmo respeito para com o Santíssimo Sacramento que tiveram tantos Santos durante mais de um milénio, a mesma fé dos nossos pais e avôs; e se nós ou outras pessoas poderem comportar-se do mesmo modo ainda hoje, isso deverá comover-nos profundamente.

“Credo in sanctam catholicam Ecclesiam”. “Creio na Santa Igreja Católica”. Quando professamos a fé na Igreja Católica, professamos a verdade de que Cristo instituiu a Igreja, e que ela é una e única, e que esta Igreja é a Igreja Católica. Cristo fundou a Igreja, não somente sobre o fundamento que Ele mesmo é, mas também sobra a rocha visível, que é o Apóstolo Pedro e cada um dos seus sucessores. Vendo o quadro dos inumeráveis cismas entre os discípulos de Cristo e entre os mesmos bispos durante toda a história da Igreja, verificamos que S. Pedro e seus sucessores, os Romanos Pontífices, mostraram ao mundo toda a verdade das palavras divinas: “Sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16, 18). Desde os tempos antigos, escutavam-se estas palavras: “Ubi Petrus, ibi Ecclesia”, “onde está Pedro, aí está a Igreja”, palavras de Santo Ambrósio. Quem está com Pedro e com os seus sucessores, encontra-se sem dúvida na única Igreja de Cristo. Por essa razão, todos os perseguidores da Igreja e todos os cismáticos de todos os tempos tentaram separar os fiéis da rocha de Pedro, qual é a Cátedra Romana.

O que deu aos mártires e aos confessores a força de sofrer, e sobretudo a força da paz da alma no meio das condições desumanas dos cárceres e dos campos de concentração, foi a Santíssima Eucaristia. Quando lemos os testemunhos das suas vidas, descobrimos também nós, hoje, o exemplo da profundíssima fé no mistério da Santíssima Eucaristia, do ardente amor e da delicada reverência para com este máximo mistério da nossa fé, porque eles sabiam: a Eucaristia é o Senhor. “Dominus est”. E com isto está tudo dito.

Desejo citar alguns dos confessores de Cristo num dos mais horríveis campos de concentração estalinistas, das ilhas Solovetskin, no Mar Branco. O Pe. Donato Nowitsky escreveu: “Durante muito tempo celebrávamos a santa Missa no sótão, o tempo todo de joelhos, porque era impossível estar de pé. O Pe. Nikolaj ia todos os dias para a capela. Depois de um dia de desgastantes trabalhos forçados, levantou-se as cinco da manhã, tomou uma pequena quantidade de vinho, misturado com uma gota de água, e um pedaço de pão, e correu para a capela. As nossas celebrações da Eucaristia eram momentos de grandes alegrias espirituais. Agradeço a Deus que eu tenha podido estar nas ilhas Solovki. Não raramente experimentei, naquele horrível lugar, o sopro do paraíso e raras e grandes alegrias. Seguimos este princípio: olhar todas as coisas com os olhos da fé e alegrar-nos sempre na consciência de servir a verdade e gozar dela em cada momento».

O Pe. Donato Nowitsky deixou o seguinte comovente testemunho da sua própria ordenação sacerdotal, realizada em segredo: “Havia uma situação própria das catacumbas: na pobre capela estava sentado num simples banco, em vez de numa cátedra, o jovem bispo Boleslaw Sloskans. O bispo oficiava sem mitra e báculo. O seu rosto irradiava uma grande perfeição espiritual e substituía de certo modo estes sinais ordinários do poder episcopal. Na capela sentia-se o aroma da graça. Experimentámos que aqui, nesta terrível ilha, as palavras de Cristo eram cheias de significado real: “Eu estou convosco todos os dias”, “as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja”. Era o dia 7 de Dezembro de 1928. Eu não consegui conter silenciosas e alegres lágrimas, quando o bispo Boleslaw impôs as mãos sobre a minha cabeça dizendo: “Accipe Spiritum Sanctum”, “Recebe o Espírito Santo”, e quando também os outros sacerdotes confessores tocaram a minha cabeça. Sentia que a principal força, com a qual eu podia servir Deus no cárcere, era o santo Sacrifício da Missa. Sentia que Cristo é para sempre meu, e que sou seu servo para aliviar os seus sofrimentos. A minha alma sentia e dizia somente uma coisa: “Meu Senhor e meu Deus”.

Caríssimos irmãos e irmãs, estes exemplos devem comover-nos e encorajar-nos no exercício da nossa santa fé. Para os nossos irmãos mártires e confessores, a Eucaristia era o centro de cada dia e o verdadeiro fim de toda a sua vida. Mesmo nas miseráveis condições das catacumbas, eles demonstraram a máxima atenção e reverência para com a Eucaristia. Nem sequer um detalhe do rito da Missa e dos gestos exteriores consideraram que fossem secundários. Que exemplo para nós, que vivemos na liberdade, ainda na liberdade, tendo tantas possibilidades de celebrar a Santa Missa com solenidade e com toda a riqueza do culto, digno da majestade divina! Queremos competir com eles no modo de celebrar e venerar a Eucaristia. Que exemplo de fé seria se, no meio da crise litúrgica da Igreja latina nos nossos dias, em todas as Santas Missas, em todo o orbe, os católicos recebessem a santa Comunhão de joelhos e na boca: que durante a liturgia da Missa fossem sempre mais os sinais de adoração, do silêncio, da sacralidade da música; se o sacerdote e os fiéis estivessem orientados na alma e no corpo para o Senhor, olhando juntos para o Crucifixo e para o rosto de Cristo no Sacrário, no centro da igreja. Deste modo a fé poderia crescer e tornar-se mais católica, sempre mais eucarística.

A liturgia é o rosto mesmo de Cristo, para o qual todos devem ser orientados. A verdadeira renovação da Igreja nos nossos dias acontecerá somente quando os fiéis, e em primeiro lugar o clero, aspirarem sinceramente à perfeição da caridade. Contudo, não haverá santidade e caridade para com o próximo sem a adoração reverente de Deus, isso é sem uma liturgia reverente e cristocêntrica. A santidade e a verdadeira caridade para com o próximo não existirão sem que a Igreja dos nossos dias se ajoelhe com amor e tremor diante de Cristo, real e substancialmente presente no mistério eucarístico.

Que toda a vida da fé e toda a liturgia sejam permeadas com a reverência diante da majestade de Deus, sabendo que tudo vem d’Ele, e que sejam ao mesmo tempo permeadas com a alegria de podermos aproximar-nos de Deus, que alegra a juventude da nossa alma. A santidade e a beleza celestiais da liturgia da Missa proclamam esta verdade e nos confortam nela: “Credo in Ecclesiam catholicam apostolicam et romanam”, “Creio na Santa Igreja católica romana”. Amen. 

 in adtelevavi.blogspot.com


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