quinta-feira, 30 de maio de 2013

Balaustrada para a comunhão: restaurar o sentido do sagrado

Ok, mudei de ideias! É tempo de trazer de volta a balaustrada de altar! Estou tão surpreendido por esta esta mudança como qualquer outra pessoa. Há dois anos atrás expliquei a teologia da comunhão de pé e defendi-a. E porque não? Sempre recebi assim durante a maior parte da minha vida adulta; até me lembro da experiência da Igreja latina com a intinção nos anos 70. De pé e na mão sempre me pareceu sensível, prático e - com a catequese própria - apropriado. 

Mas agora, depois de alguns anos de pé do outro lado da píxide - primeiro como um Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão e agora como diácono - e a ver o que se passa, já vi o suficiente. 


Vi uma mãe, com o bébé ao colo, receber a comunhão, trazê-la de volta para o banco e partilhá-la com o bébé como se fosse uma bolacha.


Pelo menos quatro ou cinco vezes por ano tive que parar alguém que simplesmente pega na hóstia e vai-se embora com ela e pedir-lhe que a consumisse ali.


Uma ou duas vezes por mês vejo pessoas que a deixam cair. Muitas são pessoas bem intencionadas que de algum modo deixam cair a hóstia ou simplesmente desliza-lhes das mãos e Jesus cai violentamente ao chão. 


Algumas vezes por ano apanho as multidões das encomendas. Recebem a hóstia de modo próprio e depois tiram um lencinho e perguntam se podem levar outra para casa para um familiar doente.


Para além disso, sou relembrado semana atrás de semana que as pessoas não têm nenhuma maneira uniforme de receber na mão. Existe a reverente aproximação "mãos-como-um-trono"; há o "dá cá mais cinco", estilo uma mão extendida; há os notórios "ladrões de corpo" que levantam a mão e pegam na hóstia para a pôr na boca como um rebuçado depois de jantar; e há os indecisos vacilantes que se aproximam com as mãos em concha e os lábios entreabertos. Onde é que a querem e como??


Depois de experimentar isto demasiadas vezes, em demasiados sítios, sob uma variadade de circunstâncias, decidi: isto tem que parar. A catequese não tem frutos. Nós tentámos. Podem mostrar às pessoas como se faz; podem instruí-las; podem pôr lembretes no boletim e falar do púlpito. Não adianta. Uma e outra vez, há uma minoria considerável de fiéis que simplesmente não têm noção - ou, pior, são indiferentes.


O facto é que nós, homens desastrados, precisamos de lembretes externos - sejam cheiros e sinos ou posturas e gestos - para reforçar o que estamos a fazer, direccionar a nossa atenção e fazer-nos estar acima de nós mesmos. Receber a comunhão é algo acima de nós e para além de nós. Devia transcender o que fazemos normalmente. Mas o que é que diz do nosso estado de devoção e da nossa recepção da Eucaristia o facto de que se começou a parecer como uma ida ao supermercado?
A nossa liturgia moderna tornou-se tão despejada de reverência e temor, de maravilha e mistério. Os sinais e símbolos que sublinham o mistério - os vitrais, os cânticos em Latim, as espirais de incenso no altar - desapareceram e foram substituídos por... quê? Cinquenta tons de bege? Cada vez mais agora as igrejas parecem armazéns e o Corpo de Cristo é só mais uma comodidade que armazenamos e deitamos fora.

Ajoelhar para receber na língua pode ajudar a aliviar alguma coisa disto? Bem, mal não faz. E por esta razão: subir à balaustrada da comunhão e ajoelhar e receber na língua é um acto de total e descarada humildade. Nessa postura para receber o Corpo de Cristo, vocês tornam-se menos para que depois possam ser mais. Requer uma submissão da vontade e conhecimento claro do que estão a fazer, porque é que o fazem e do que está prestes a acontecer-vos.


Francamente, não devíamos apenas ser humilhados, mas devíamos ser intimidados o suficiente para perguntarmos a nós mesmos se estamos mesmo preparados espiritualmente para participar deste sacramento. Ajoelhar significa que simplesmente não posso subir e receber sem saber como se faz propriamente. Exige não só um sentido de concentração e propósito mas também algo mais, algo que tem iludido a nossa devoção por duas gerações.


Exige um sentido do sagrado. Desafia-nos ajoelhar-nos diante do milagre e curvar-nos diante da graça. Implica que não só percebamos completamente o que se está a passar, mas que apreciemos a generosidade de cortar a respiração por trás dela. Pede-nos que nos lembremos o que significa realmente "Eucaristia": acção de graças.


Eu hoje não vejo muito isso. Desapareceu. Temos que recuperá-lo. Temos que sair dos nossos pés e meter-nos de joelhos. Tragam de volta a balaustrada para a comunhão. É a hora. 


Diácono Greg Kandra


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