segunda-feira, 25 de abril de 2016

Uma Missa em Portugal depois do 25 de Abril

A Mãe de um amigo nosso encontrou recentemente uma carta que escreveu a uma amiga quando tinha 15 anos. A época foi o pós-25 de Abril, em pleno "Verão quente". As Missas não escaparam à revolução e o texto mostra a perplexidade de uma rapariga de 15 anos que não percebia porque é que de repente a Missa já não era como tinha sido até aí.

«No outro dia, o primeiro Domingo que cá passámos, calcula lá que o senhor prior, segundo as suas ideias religiosas a que tu já estás a par, resolveu perguntar aos presentes, não habituais àquelas “reuniões ou assembleias”, como diz o senhor prior, quais eram as suas paróquias e onde se situavam!! 

Depois começou imediatamente com a 1ª leitura, seguindo-se a 2ª e por fim a 3ª! Vê lá, o senhor prior chama 3ª leitura ao Evangelho, e lê-o sentado! Claro que nós nos levantamos sempre, mas desta vez fui embalada no ritmo e não percebi sequer quando se leu o Evangelho. 

Depois segue-se a homilia (palavra que não é usada no vocabulário do senhor prior, assim como pecado, Eucaristia, missa, porque são palavras que nem todos entendem, e em vez de as explicar, substitui-as, isto é o cúmulo). 

Mas como ia a dizer, na homilia todos falam: o senhor prior e os católicos presentes, de tal maneira que chegaram (nós não!) (nem queríamos porque não é próprio não achas?) a discutir o problema dos católicos serem acusados de reaccionários ao ajudarem os desalojados de Angola. Mas como havia quem discordasse, cada um falava, e ouvia-se um burburinho dos comentários pessoais, e isto em plena homilia. 

A Mãe, não pôde mais e teve de sair. Nós ficámos, e depois a Mãe voltou para a Eucaristia. O senhor divide a missa em duas partes: primeira – leitura e sua explicação; segunda – Eucaristia. A primeira dura só 58 min e a segunda 12 min! Quer dizer a parte principal dura 1/5 da parte das “leituras”!»

24/08/1975 – Algures nos arredores de Lisboa


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1 comentário:

Nuno Melo Sampaio Soares disse...

É sempre assim em tempos revolucionários e comunistas.Eu também assisti naquela altura e ouvi barbaridades de padres na interpretação dos Evangelhos e da mais pura Doutrina Católica.A Igreja não está imune a estes "fenómenos" revolucionários, bem pelo contrário.Hoje como ontem continuamos a assistir a autênticas heresias, muitas delas dolosas e intencionais, muito para além de ingenuidades revolucionárias que muitos padres quiseram vestir. Mas o pior de tudo talvez não sejam estas ofensas a Deus, mas a indiferença dos Homens a falta de fé.Hoje como nunca a oração do Anjo de Portugal em Fátima é sublinhadamente actual.