segunda-feira, 9 de maio de 2016

De “sacerdote" de satanás a apóstolo do Rosário

O Beato Bartolo Longo nasceu no ano 1841 em Latiano, na Apúlia (Itália). Foi educado na fé e na oração, até que a saída de casa e da sua cidade o levou a percorrer perigas quimeras.

Após o colégio, mudou-se primeiro para a cidade de Lecce e depois para Nápoles, onde estudou Direito. Eram os anos das guerras de independência, onde o ímpeto idealista contagiava as almas de tantos brilhantes jovens italianos. Difundiam-se, especialmente nas universidades e nos círculos intelectuais, as ideias iluministas e o ódio contra a Igreja, considerada um manto obscurantista que sufocava os sonhos de liberdade.

As modas culturais do momento não pouparam o jovem Longo. Nascido numa Itália fortemente enraizada na fé e nos valores da tradição, foi-lhe irresistível a atracção de uma cidade como Nápoles, propulsora das novas e exuberantes ideias, prenunciando uma mudança cultural que viria a modificar toda a península itálica.

A decepção conduziu-o aos círculos mais fechados e elitistas da cidade. Desceu às profundezas da maçonaria, onde cultivou um sempre maior interesse com relação ao espiritismo. A companhia de intelectuais anticlericais, bem como a descida às práticas mágicas e aos conhecimentos esotéricos, eram-lhe mais uma forma de comportamento para tirar a veste provincial que trazia até aí.

Ele próprio irá dizer que foi tão tragado por esses ambientes que se tornou um verdadeiro “sacerdote de satanás”. A euforia foi-se transformando em desânimo, que o fez cair numa fortíssima depressão e o levou muitas vezes à beira do suicídio.

Em desespero, tentou algo que pudesse aliviar a sua angústia íntima. Conversou com um professor amigo, Vincenzo Pepe, da Puglia como ele, que não lhe poupou reprovações e o convidou a distanciar-se de certos ambientes. “Se continuar com estas práticas, vai terminar num manicómio!”, repetia-lhe com frequência. E convidou-o também a falar com o Pe. Alberto Radente, certo de que este dominicano, excelente director espiritual, teria conseguido ajudar Bartolo Longo a dissipar a escuridão da sua alma.

Após uma série de encontros com esse padre, o jovem Longo confessou-se e começou um caminho de mudança, mas ainda estava cheio de maus pensamentos. Um dia, quando perambulava desesperado pelo Vale de Pompeia, sentiu-se iluminado por uma frase que lhe dizia muitas vezes o Pe. Radente: “Se procura a salvação propague o Rosário. É uma promessa de Maria”. E logo depois sentiu o ressoar de um sino distante. Naquela momento elevou os braços ao Céu e gritou: “Se é verdade que prometestes a São Domingos que quem propagar o Rosário se salva, eu salvar-me-ei porque não sairei desta terra de Pompeia sem ter aqui propagado o teu Rosário!”.

Nas semanas seguintes, uma série de eventos indicaram a Longo que a sua súplica tinha sido ouvida. Estreitou laços com a condessa De Fusco e tornou-se administrador dos seus bens. Começou a frequentar os grupos de oração no Sagrado Coração de Jesus que a condessa guiava, até tornar-se o seu estreito colaborador e depois também marido.

O casal decidiu transformar o Vale de Pompeia, pobre e esquecido, num epicentro da devoção ao Santo Rosário. Escolheram uma velha igreja do lugar, onde colocaram um quadro de Nossa Senhora do Rosário que lhes tinha sido oferecido por uma irmã dominicana amiga do Pe. Radente. Aquele quadro é conhecido hoje em todo o mundo como o ícone da Beata Virgem do Santo Rosário de Pompeia, que surgiu dentro do que se tornou um Santuário entre os mais conhecidos e frequentados do mundo. Tudo graças ao trabalho da condessa De Fusco e do seu marido Bartolo Longo.

Bartolo é também o autor da Súplica à Nossa Senhora de Pompeia, escrita em 1883. Antes de morrer, no dia 5 de Outubro de 1926, mês de Maria, Bartolo Longo suspirou: "O meu único desejo é o de ver Maria, que me salvou e me salvará das garras de Satanás." No dia 26 de Outubro de 1980, foi beatificado pelo Papa João Paulo II.

in Zenit


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1 comentário:

Anónimo disse...

Depois da Cruz, são estes exemplos de vida que nos dão luzes de esperança