quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Trasladação do Corpo de Santo António

Hoje no calendário antigo celebra-se a Trasladação do Corpo de Santo António. Em 1263, o corpo do santo foi encontrado praticamente feito em pó, o que é normal pois estava enterrado há 32 anos. Mas, para espanto de todos, a sua língua foi encontrada intacta.

Ainda hoje, quase oito séculos depois, a língua de Santo António continua incorrupta e é uma das relíquias mais veneradas do mundo. Encontra-se em exposição na Basílica de Santo António (de Lisboa) em Pádua.

Santo António usou a língua para anunciar Jesus Cristo a todos que se cruzavam com ele, e não para a murmuração ou conversas inúteis sobre a vida alheia. Um óptimo exemplo a seguir!


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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Jejum e abstinência nos Códigos de Direito Canónico de 1917 e 1983

Jejum e abstinência no Novo Código de Direito Canónico de 1983

Os dias e períodos de penitência para a Igreja universal são todas as Sextas-Feiras de todo o ano e o tempo da Quaresma [Cân. 1250]. A abstinência de carne ou de qualquer outro alimento determinado pela Conferência Episcopal deve ser observada em todas as Sextas, excepto nas solenidades. [Cân. 1251].

A abstinência e o jejum devem ser observados na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa. [Cân. 1252]. A lei da abstinência vincula a todos que completaram 14 anos. A lei do jejum vincula a todos que chegaram à maioridade, até ao início dos 60 anos [Cân. 1252].

Jejum e abstinência tradicionais conforme o Código de Direito Canónico de 1917

Entre 1917 e o Novo Código de 1983, certos países tinham dias de jejum e abstinência particulares, e.g., os Estados Unidos tinham a vigília da Imaculada Conceição em vez da Assunção como dia de abstinência; dispensas para o dia de São Patrício e São José, etc. Não é possível relacioná-los todos. Publicamos as prescrições do código de 1917, com menção da extensão do jejum e abstinência até meia noite do Sábado Santo que foi ordenada por Pio XII.

Dias de jejum simples:

O jejum consiste numa refeição completa e duas menores, que juntas são menos que uma refeição inteira. Não é permitido comer entre as refeições, mas líquidos podem ser tomados. É permitido comer carne em dia de jejum simples. Os dias de jejum simples são: Segundas, Terças, Quartas e Quintas-Feiras da Quaresma. [Cân. 1252/3]

Todos eram vinculados à lei do jejum a partir dos 21 até aos 60 anos.

Dias de abstinência:

A abstinência consiste em abster-se de comer carne de animais de sangue quente, molhos ou sopa de carne nos dias de abstinência. A abstinência era em todas as Sextas-Feiras, a não ser que fosse um Dia de Guarda [Cân. 1252/4]. A lei da abstinência vinculava a todos que tinham completado 7 anos de idade. [Cân. 1254/1].

Dias de jejum e abstinência:

O jejum e abstinência consistem numa refeição completa e duas refeições menores que juntas são menos que uma refeição inteira. Não era permitido comer carne de animais de sangue quente, molhos e sopas de carne. Não era permitido comer entre as refeições, embora bebidas pudessem ser tomadas. Esses dias eram: Quarta-Feira de Cinzas, todas as Sextas e Sábados da Quaresma (até meia noite no Sábado Santo), cada uma das Quatro Temporas, Vigília de Pentecostes, da Assunção,  do dia de Todos os Santos e do Natal. [Cân. 1252/2]

Os dias tradicionais de abstinência para os que usam o Escapulário de Nossa Senhora do Monte Carmelo são Quartas e Sábados.

in 'The year of Our Lord Jesus Christ 2009' - The Desert Will Flower Press
(Tradução: Fratres in Unum)


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Sermão de Quarta-Feira de Cinzas - Padre António Vieira

Ora, senhores, já que somos cristãos, já que sabemos que havemos de morrer e que somos imortais, saibamos usar da morte e da imortalidade. Tratemos desta vida como mortais, e da outra como imortais. Pode haver loucura mais rematada, pode haver cegueira mais cega que empregar-me todo na vida que há de acabar, e não tratar da vida que há de durar para sempre?

Cansar-me, afligir-me, matar-me pelo que forçosamente hei de deixar, e do que hei de lograr ou perder para sempre, não fazer nenhum caso! Tantas diligências para esta vida, nenhuma diligência para a outra vida? Tanto medo, tanto receio da morte temporal, e da eterna nenhum temor? Mortos, mortos, desenganai estes vivos.

Dizei-nos que pensamentos e que sentimentos foram os vossos quando entrastes e saístes pelas portas da morte? A morte tem duas portas: Qui exaltas me de portis mortis. Uma porta de vidro, por onde se sai da vida, outra porta de diamante, por onde se entra à eternidade. Entre estas duas portas se acha subitamente um homem no instante da morte, sem poder tornar atrás, nem parar, nem fugir, nem dilatar, senão entrar para onde não sabe, e para sempre. Oh! que transe tão apertado! Oh! que passo tão estreito! Oh! que momento tão terrível!


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terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Missa em tempo de guerra





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Saudações devotas às Sacrossantas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo

No calendário tradicional hoje é dia de uma das festas mais importantes para o mundo português: a Festa das Cinco Chagas de Nosso Senhor. Aqui fica uma belíssima oração para rezar hoje e sempre:

Adoro-vos, Sagradas Chagas do meu Salvador, como outras tantas Fontes, donde correm para todas as Gentes imensas graças e consolações celestes. E adoro-vos em particular, sagrada chaga do Coração, como entre todas a mais cristalina, e mais deliciosa.

Adoro-vos, Sagradas Chagas do meu Salvador, como outras tantas portas de salvação, abertas para todo o Mundo. E adoro-vos em particular, venerável chaga do Coração, como entre todas a mais alta e mais patente. 

Adoro-vos, Sagradas Chagas do meu Salvador, como outros tantos caracteres do Livro da Vida, que contém a ciência dos Santos. E adoro-vos em particular, Divina Chaga do Coração, porque nos fazeis mais sábios, ensinando-nos uma doutrina mais sólida, que é a do Vosso amor.

Adoro-vos, Sagradas Chagas do meu Salvador, como outros tantos lugares de refúgio, onde os maiores criminosos acham o seu retiro. E adoro-vos em particular, sacrossanta chaga do Coração, como asilo mais pronto e mais favorável. 

Adoro-vos, Sagradas Chagas do meu Salvador, como outras tantas bocas eloquentes, que advogam por nós todos na presença do Pai das misericórdias; e que falam ao mesmo tempo ao nosso Espírito, recordando-nos o devido agradecimento. E adoro-vos em particular, Divina Chaga do Coração, porque Vós falais mais alto, e com uma voz mais forte e mais poderosa. 

Fazei pois que eu lhe obedeça com fervor, e prontidão, e que penetrando-me, como devo do Vosso Amor puro, siga as santas inspirações do Vosso Coração por toda a vida, para gozar dos frutos da virtude por todo o espaço da eternidade. Amen


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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Sete Santos Fundadores dos Servitas de Maria

Nos princípios do século XIII, viviam em Florença sete fidalgos, distintos pela riqueza, pela posição social e pela piedade, mas principalmente pela devoção extraordinária que tinham a Nossa Senhora. Os seus nomes eram: Bonfílio Monáldio, Bonajuncta, Manetto Antellense, Amidéo, Ugúccio, Sosteneo e Aleixo.

O povo italiano, devido a uma política mal orientada, achava-se dividido em muitos partidos que se odiavam e perseguiam. 
Deus serviu-se destes sete nobres cidadãos para, no meio de uma sociedade dilacerada pelo fanatismo e pelo ódio, estabelecer exemplos vivos de caridade e verdadeira fraternidade.  

Quando, no dia 15 de Agosto de 1233, todos se encontravam reunidos em fervorosas orações, Maria Santíssima apareceu exortando-os a abraçarem um género de vida mais perfeito. Fizeram comunicação disto ao Bispo. Trocaram as suas vestes de nobres por um hábito pobre, usando ainda um cilício por cima, e foram residir numa casa de campo, formando assim uma santa comunidade. Escolheram para este seu passo o dia da Natividade de Maria Santíssima (8 de Setembro).  

Pouco tempo depois, o povo florentino admirou o espectáculo de ver estes mesmos homens andar de porta em porta a pedir esmolas. A atitude dos homens, de fidalgos que foram até serem mendigos, causou sensação. Censurados por uns, ridicularizados por outros; pela, maioria porém, admirados e reverenciados, tiveram uma prova do beneplácito divino, quando, inesperadamente, com estupefação de todos que presenciaram a cena, vozes de crianças os aclamaram, dizendo: “Eis os Servos de Maria!”. Entre estas crianças se achava São Felipe Benício, que tinha apenas 5 meses de idade. O nome que as crianças, por inspiração divina lhes deram, ficou para sempre.

Como a sua residência se tornasse alvo de verdadeiras romarias, e assim não pudessem levar a vida de solidão, de penitência, oração e meditação que a Deus tinham prometido, retiraram-se para o monte Senário, a quatro léguas de Florença. No ermo daquela região, entregaram-se aos exercícios da mais rigorosa penitência, e por assunto quase único e predilecto das suas meditações tomaram a Paixão de Nosso Senhor e as Dores de sua Mãe Santíssima.

À  Santa Sé, pediram que se dignasse dar-lhes uma Regra escrita. Com fervorosas orações, dirigiram-se a Jesus e Maria recomendando à sua Providência e ao amor esta importante causa. Foram atendidos de uma maneira encantadora. 

Na madrugada de 28 de Fevereiro de 1239, terceiro Domingo da Quaresma, apresentaram-se-lhes a sua vinha, plantada há pouco tempo, agora com toda a pujança, toda verde, as parreiras carregadas de cachos de uvas maduras, quando os campos e as montanhas da redondeza se achavam cobertos de gelo e neve. A admiração diante deste milagre cresceu ainda mais quando o Bispo, a quem relataram o fenómeno, lhes disse que ele, na mesma noite, em sonho, tinha visto uma parreira viçosa com sete galhos, cada um trazendo sete cachos; e de Maria ouvira dizer que esta parreira iria crescer ainda. A interpretação que o Prelado deu a este sonho foi a de ser da vontade de Deus e de Nossa Senhora a Ordem se estender e os “Servos de Maria” não continuar na atitude de negar admissão a quem se lhes quisesse associar. Os santos homens prometeram se conformar com este alvitre e a aceitar candidatos.

Na noite de Sexta-feira Santa, viram-se diante de um outro milagre. Maria Santíssima apareceu aos seus Servos vestida de pesado luto. Na sua companhia, viram anjos, dos quais alguns com instrumentos martirizantes da Sagrada Paixão e Morte de Jesus, outro com o livro aberto da Regra de Santo Agostinho, e ainda outro com o título escrito em ouro: “Servos de Maria”. Seguiam mais anjos trazendo um hábito preto e uma palma. O hábito com a palma, Maria deu-o aos Religiosos, dizendo estas palavras: “Escolhi-vos, meus Servos, para que, usando do meu nome, vades trabalhar na Vinha de meu Filho. Eis aqui o hábito, que vos dou. A sua cor negra lembrar-vos as dores que hoje sofri ao pé da Cruz, assistindo a agonia de meu Filho, Jesus. A Regra de Santo Agostinho recebei-a por norma da vossa vida; a palma far-vos-á lembrar a glória eterna, prémio da perseverança fiel no meu serviço”.   

Nossa Senhora também apareceu ao Bispo e ordem lhe deu para proceder à solene vestição do hábito preto aos seus Servos. Esta realizou logo no dia da Páscoa. O Papa Inocêncio IV, em 1251, deu a aprovação eclesiástica à Ordem dos Servitas. Esta rapidamente se desenvolveu. Setenta anos depois da sua fundação, contava já 10 mil religiosos em diversos Países da Europa.  

in Pale Ideas


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domingo, 11 de fevereiro de 2024

As aparições de Nossa Senhora de Lourdes

No dia 8 de Dezembro de 1854 o Papa Pio IX proclamou solenemente no Vaticano o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, concebida sem pecado original. Algo que em 1830 Nossa Senhora já tinha mostrado a Santa Catarina Labourè, quando mandou que ela cunhasse a chamada “Medalha Milagrosa”, na aparição a ela na rue du Bac, em Paris. Em torno da medalha, Santa Catarina viu em letras de ouro a expressão: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.

No dia 11 de Fevereiro de 1858, quatro anos depois, Nossa Senhora começou a aparecer a uma menina de 14 anos, Bernadette Soubirous, simples e humilde, que não sabia ler e escrever como deve ser, nem falava francês mas apenas um dialecto da região. Ela estava com uma irmã e uma vizinha a apanhar lenha perto da gruta de Massabielle. Tinham que passar descalças por um córrego, e Bernadette, que sofria de asma, não queria pôr os pés na água fria. Nisso ouviu um barulho nas árvores e viu uma Senhora muito bonita, radiante, vestida de branco, com uma faixa azul, que sorria para ela. De seguida rezou o Terço com Bernadette.

A irmã de Bernadette contou o ocorrido aos pais. Eles proibiram que ela voltasse à gruta. De tanto chorar os pais deixaram-na voltar. Uma nova aparição aconteceu no dia 18 de Fevereiro. Bernadette aspergia a rocha com água benta onde a Senhora apareceu e esta lhe sorria. Depois disse-lhe: “Queres ter a bondade de vir aqui durante quinze dias? Não te prometo a felicidade neste mundo, mas no outro.” Durante as aparições a Senhora pediu para que se rezasse pelos pecadores e convidou os fiéis à penitência.

No dia 25 de Fevereiro Nossa Senhora fez brotar uma fonte de água no chão, e convidou Bernadette a beber dessa fonte; surgiu do chão que ela cavou com as mãos. Esta fonte tornou-se a fonte milagrosa onde os peregrinos do mundo todo se banham e muitos já foram curados. Há uma equipa de médicos de várias especialidades que já confirmou muitas curas milagrosas.

Nossa Senhora pediu a Bernadette que queria ali uma igreja para dali distribuir as suas bênçãos. A vidente foi falar com o pároco de Lourdes, mas este não acreditou nela e pediu que Bernadette dissesse o nome desta Senhora que lhe aparecia, que sem isso não faria nada.

Na última aparição, então, Nossa Senhora disse a Bernadette em francês: “Je sui l'Immaculée Concepcion” (Eu sou a Imaculada Conceição). Bernadette não percebeu, pensou que Nossa Senhora tivesse dito: “Eu sou Maria”. Para não se esquecer foi até o pároco, sempre a repetir a frase em francês para não esquecer, até ser atendida pelo pároco. Este apanhou um susto quando Bernadette disse o nome da Senhora, porque ele sabia que Bernadette não tinha condições para inventar aquilo. O pároco acreditou, o bispo acreditou e hoje temos ali um dos mais belos e concorridos Santuários marianos do mundo, com muitos milagres e muitas conversões.

Apenas 4 anos antes, o Papa Pio XI tinha proclamado o dogma da Imaculada Conceição, e Nossa Senhora veio, em pessoa, confirmar o dogma e dar-nos a certeza de que o Papa não erra quando pronuncia uma sentença definitiva de Fé.

No início houve uma proibição da parte das autoridades para que o povo visitasse o lugar, mas depois o imperador Napoleão III consentiu o acesso à gruta. Peregrinos de todas as partes do mundo procuram em Lourdes não só milagres para a cura das doenças do corpo, mas a cura da alma e a paz de espírito.

Nossa Senhora é Mãe de Jesus e nossa Mãe, por isso se preocupa com os seus filhos no mundo todo. Por isso aparece onde Jesus permite, não para nos trazer novas revelações, mas para nos pedir que vivamos conforme a vontade de Deus, afastados dos pecados, e que tenhamos uma vida de oração e de penitência pela nossa conversão e pela conversão dos pecadores afastados de Deus.

Felipe Aquino


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sábado, 10 de fevereiro de 2024

Santa Escolástica era capaz de tudo para conversar com seu irmão gémeo, São Bento

Escolástica, irmã de São Bento, consagrada ao Senhor desde a infância, costumava visitar o irmão uma vez por ano. O homem de Deus vinha encontrar-se com ela num local próximo do mosteiro.

Um dia veio ela como costumava todos os anos, e ao seu encontro veio seu venerável irmão, com alguns discípulos. Passaram todo o dia no louvor de Deus e em santa conversação, de tal modo que já se aproximavam as trevas da noite quando se sentaram à mesa para comer.
 
No meio da sua santa conversação foi passando o tempo e fez-se muito tarde; a santa religiosa implorou-lhe então com estas palavras: «Peço-te irmão, que não me deixes esta noite, para que possamos continuar até de manhã a falar sobre as alegrias da vida celeste». Mas ele respondeu-lhe: «Que dizes tu, irmã? De maneira nenhuma posso passar a noite fora da minha cela».
 
Então Escolástica, ouvindo a recusa do irmão, poisou sobre a mesa as mãos com os dedos entrelaçados, inclinou a cabeça sobre elas e implorou o Senhor Omnipotente. Quando levantou a cabeça da mesa, rebentou uma grande tempestade, com tão fortes relâmpagos, trovões e aguaceiros, que nem o venerável Bento nem os irmãos que com ele se encontravam podiam pensar em sair do lugar onde estavam reunidos.
 
Então o homem de Deus, vendo que não podia regressar ao mosteiro, começou a lamentar-se, dizendo: «Deus te perdoe, irmã. Que foste fazer?». Ao que ela respondeu: «Vê, eu pedi-te e não me quiseste ouvir. Pedi ao meu Deus e Ele ouviu-me. Agora, se podes, vai-te embora; despede-te de mim e volta para o mosteiro».

E Bento, que não quisera ficar ali espontaneamente, teve de ficar contra vontade. E assim passaram toda a noite em vigília, animando-se um ao outro com santos colóquios sobre a vida espiritual.
 
Não nos admiremos que aquela mulher tenha tido mais poder do que ele: se na verdade, como diz João, Deus é amor, é razoável sentença que tenha tido mais poder aquela que mais amou.
 
Três dias mais tarde, encontrando-se o homem de Deus na sua cela com os olhos levantados ao céu, viu a alma da sua irmã, liberta do corpo, em figura de pomba, dar entrada no interior da morada celeste. Então, contente com a glória tão grande que a ela tinha sido concedida, deu graças ao Deus Omnipotente com hinos e cânticos de louvor, e enviou alguns irmãos a buscar o corpo e trazê-lo para o mosteiro, onde ficou depositado no túmulo que ele tinha preparado para si.

E assim, nem o túmulo separou aqueles que sempre tinham estado unidos em Deus.

Dos Diálogos de São Gregório Magno, Papa (Sec. VI)


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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Jerusalém: Judeus ortodoxos atacam Abade Beneditino

Dois jovens judeus ortodoxos foram detidos depois de terem atacado e cuspido no abade Nikodemus Schnabel, em Jerusalém.

Schnabel é o abade da abadia beneditina da Dormição em Jerusalém. O monge foi surpreendido por dois jovens judeus ortodoxos, um deles menor de idade. Começaram a atacá-lo e a cuspir nele.

O Patriarcado Latino de Jerusalém condenou o "ataque injustificado e vergonhoso" nas ruas da Cidade Velha de Jerusalém.

"A persistência de actos odiosos aumenta o sentimento de insegurança entre os religiosos cristãos na Terra Santa e especialmente em Jerusalém", acrescentou a nota do Patriarcado publicada no Twitter.

Os dois criminosos estão agora "em prisão domiciliária" (sic). Os monges e as irmãs católicas são regularmente atacados em Jerusalém.

in gloria.tv


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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Imagens históricas do Papa Pio XII



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"Bispa" Anglicana fez deu uma palestra ao Conselho de Cardeais

A Senhora Jo Bailey Wells, de 58 anos, mãe de dois filhos e antiga jogadora de hóquei no gelo, que trabalha como "bispa" anglicana e vice-secretária-geral da Comunhão Anglicana, dirigiu-se ao Conselho de Cardeais do Papa Francisco.

Wells fez campanha pela "igualdade de género" - um eufemismo para a doutrinação do feminismo e a ideologia de género, embora a sessão dos Cardeais tenha versado sobre "o papel das mulheres na Igreja".

Para além de Wells, outra oradora foi a irmã salesiana Linda Pocher, professora de Cristologia e Mariologia em Roma.

in gloria.tv


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terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

A Missa é a renovação incruenta do Sacrifício da Cruz

A Missa é a renovação incruenta do Sacrifício da Cruz. É o mesmo sacrifício que Jesus fez na Cruz, para nos salvar, repetido vezes e vezes sem conta, cada vez que uma Missa é celebrada. Na Cruz o Sangue de Jesus foi derramado, de uma vez por todas, daí que na Missa isso já não seja necessário, por isso se diz que é uma renovação incruenta.

É por este motivo que a Missa é o maior acto de culto, o maior acto de oração, que o homem pode oferecer a Deus. E é por isso que ir à Missa é importante e não irrelevante. De tal maneira que um dos 5 preceitos da Igreja Católica - como se fossem os requisitos mínimos para se ser católico - e talvez o mais importante de entre eles seja ouvir Missa aos Domingos e dias Santos de Guarda.


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Jesus Cristo, o verdadeiro dono de isto tudo




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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Capela Real de São João Baptista, uma das capelas mais bonitas do Mundo

Igreja de São Roque (Lisboa)

Esta capela, foi encomendada por D. João V aos arquitectos romanos Luigi Vanvitelli e Nicola Salvi, em 1740, e construída entre 1742 e 1747. A 15 de Dezembro de 1744, era sagrada pelo Papa Bento XIV, em Roma, tendo sido, posteriormente, armada para o Sumo Pontífice nela celebrar Missa a 6 de Maio de 1747. 

Em Setembro desse mesmo ano, foi desmontada e transportada para Lisboa, em três naus, e assente posteriormente na Igreja de São Roque, no espaço da antiga capela do Espírito Santo. A Capela de S. João Baptista é uma obra de arte única no seu estilo, sem paralelo nem na própria Itália, pois engloba um conjunto de peças de culto de excepcional qualidade artística, nomeadamente as colecções de ourivesaria e paramentaria, que se encontram parcialmente em exposição no Museu de S. Roque. 

No seu revestimento, encontramos diversos tipos de mármores: lápis-lazúli, ágata, verde antigo, alabastro, mármore de Carrara, ametista, pórfido roxo, branco-negro de França, brecha antigo, diásporo, jalde e outros. Além do mármore foram utilizados o mosaico e o bronze dourado. 

O quadro central e os dois laterais, bem como o pavimento, são em mosaico, trabalho artístico de grande perfeição. O quadro central representa o "Baptismo de Cristo", e os laterais, o "Pentecostes" (do lado esquerdo) e a "Anunciação" (do lado direito). As pinturas modelo dos três quadros são da autoria de Agostino Massucci, e a execução dos mesmos, em mosaico, foi trabalho de Mattia Moretti. Enrico Enuo foi o autor do mosaico do pavimento. 

O arco exterior da capela é encimado pelas Armas Reais Portuguesas. As cancelas e as portas laterais, em bronze dourado, ostentam ao centro o monograma de D. João V. O assentamento da capela foi da responsabilidade de Francesco Feliziani e Paolo Riccoli, tendo sido executada a montagem final dos mosaicos "Baptismo de Cristo" e "Pentecostes", em Agosto de 1752, após a morte de D. João V, ocorrida em 31 de Julho de 1750. 

in museu-saoroque.com


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Santa Ágata, padroeira das doenças mamárias

Santa Águeda (também conhecida por Santa Ágata) é uma das mais gloriosas heroínas da Igreja primitiva, cuja intercessão é invocada no Cânone da Santa Missa.

Natural da Sicília, pertenceu a uma das famílias mais nobres do país. De pouca idade ainda, Águeda consagrou-se à Deus, pelo voto da castidade. O governador Quintiano, tendo tido notícia da formosura e grande riqueza de Águeda e acusada do crime de pertencer à religião cristã, mandou-lhe a ordem de prisão.

Águeda, vendo-se nas mãos dos perseguidores, exclamou:

“Jesus Cristo, Senhor de todas as coisas, vós vedes o meu coração e lhe conheceis o desejo. Tomai posse de mim e de tudo que me pertence. Sois o Pastor, meu Deus; sou vossa ovelha. Fazei que seja digna de vencer o demónio.” 

Levada à presença do governador, este achando-a de extraordinária beleza, ficou tomado de violenta paixão pela nobre cristã, à qual se atreveu importunar com propostas indecorosas. Águeda, indignada, rejeitou-lhe as impertinências desavergonhadas e declarou preferir morrer a macular o nome de cristã.

Quintiano aparentemente desistiu do plano diabólico, mas para conseguir os seus maldosos fins, mandou entregar a donzela a Afrodisia, mulher de péssima fama, na esperança de, na convivência com esta pessoa, Ágata se tornasse mais acessível. Enganou-se. Afrodisia nada conseguiu e depois de um trabalho inútil de trinta dias, pediu a Quintino que tirasse Águeda de sua casa.

Começou então o martírio da nobre siciliana. Disse-lhe o governador em pleno tribunal: “Não te envergonhas de rebaixar-te à escravidão do cristianismo, quando pertences a nobre família?” 

Ágata respondeu-lhe: “A servidão de Cristo é liberdade e está acima de todas as riquezas dos reis.” 

A resposta a esta declaração foram bofetadas, tão barbaramente aplicadas, que causaram lhe causaram uma forte hemorragia no nariz. Depois desta e de outras brutalidades a santa mártir foi metida no cárcere, com graves ameaças de ser sujeita a torturas maiores, se não resolvesse a abandonar a religião de Jesus Cristo.

O dia seguinte trouxe a realização dessas iniquidades. O tirano ordenou que a donzela fosse esticada sobre a catasta, os membros lhe foram desconjuntados e o corpo todo queimado com chapas de cobre em brasa, e os peitos atormentados com torqueses de ferro e depois cortados.

Referindo-se a esta última brutalidade, Águeda disse ao juiz: “Não te envergonhas de mutilar numa mulher, o que a tua mãe te deu para te aleitar?” 

Após esta tortura crudelíssima, Águeda foi levada novamente ao cárcere, entregue às suas dores, sem que lhe fosse administrado o mínimo tratamento. Deus, porém, que confunde os planos dos homens, veio em auxílio da sua pobre serva. Durante a noite lhe apareceu um venerável ancião, que se dizia mandado por Jesus Cristo, para trazer-lhe alívio e curá-la. O ancião, que era o Apóstolo São Pedro, elogiou-lhe a firmeza e animou-a a continuar impávida no caminho da vitória.

A visão desapareceu e Ágata, com muita admiração, viu-se completamente restabelecida. Cheia de gratidão, entoou cânticos, louvando a misericórdia e bondade de Deus. Os guardas, ouvindo-a cantar, abriram a porta do cárcere e vendo a mártir completamente curada, fugiram cheios de pavor. 

As companheiras de prisão de Ágata aconselharam-na que fugisse. Ela, porém, disse: “Deus me livre de abandonar a arena antes de ter segura em minha mão a palma da vitória.”

Passados quatro dias, foi novamente apresentada ao juiz. Este não pode deixar de se mostrar admirado, vendo-a completamente restabelecida. 

Águeda disse-lhe: “Vê e reconhece a omnipotência de Deus, a Quem adoro. Foi Ele que me curou as feridas e me restituiu os seios. Como podes, pois exigir de mim que O abandone? Não poderá haver tortura, por mais cruel que seja, que me faça separar do meu Deus.” 

O juiz não mais se conteve. Deu ordem para que Ágata fosse arrastada sobre vidros e brasas. Nesse momento a cidade foi abalada por um forte tremor de terra. Uma parede, bem perto de Quintiano, desabou e sepultou dois amigos seus. 

O povo, diante disto, não mais se conteve e em altas vozes exigiu a libertação da Mártir, dizendo: “Eis o castigo que veio, por causa do martírio da nobre donzela. Larga a tua inocente vítima, juiz perverso e sem coração!” 

Águeda voltou ao cárcere e lá chegada, de pé e de braços abertos, orou a Deus nestes termos: “Senhor, que desde a infância me protegestes, extinguistes em mim o amor ao mundo e me destes a graça de sofrer o martírio, ouvi as preces da vossa serva fiel e aceitai a minha alma.”

Santa Águeda acreditava que a morte seria um feliz final para as suas torturas. Os carrascos tinham o cuidado de não a deixarem morrer e carregaram-na de volta a cela, enquanto ela orava pela liberdade. Naquele exacto momento um terramoto sacudiu a prisão e ela veio a falecer. Deus ouviu a voz da sua filha e recebeu-a na Sua glória no ano 252. 

O milagre do Vulcão

Passado um ano da morte da Santa, a cidade de Catania assistiu apavorada a uma erupção do vulcão Etna. O povo, em total aflição, quando viu as ondas da lava ameaçar a cidade, correu ao túmulo da Santa, tomou o véu que cobria o seu rosto e estendeu-o contra a torrente de fogo. Imediatamente a cidade ficou a salvo do perigo da lava e o milagre tornou-se bastante conhecido. 

Adaptado de santossanctorum.blogspot.com


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domingo, 4 de fevereiro de 2024

Explicação teológica da Missa Tradicional



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Sermão da Sexagésima - Padre António Vieira

Hoje é Domingo da Sexagésima, no qual o Evangelho é o semeador que saiu a semear (Lc 8, 4-15). Um dos sermões mais famosos do Padre António Vieira foi exactamente o sermão da Sexagésima, pregado na Capela Real em 1655. Deixamos aqui algumas linhas de cada uma das 10 partes dessa obra-prima:

I

E se quisesse Deus que este tão ilustre e tão numeroso auditório saísse hoje tão desenganado da pregação, como vem enganado com o pregador! Ouçamos o Evangelho, e ouçamo-lo todo, que todo é do caso que me levou e trouxe de tão longe.

II

Semen est verbum Dei. O trigo que semeou o pregador evangélico, diz Cristo que é a palavra de Deus. Os espinhos, as pedras, o caminho e a terra boa em que o trigo caiu, são os diversos corações dos homens. Os espinhos são os corações embaraçados com cuidados, com riquezas, com delícias; e nestes afoga-se a palavra de Deus. As pedras são os corações duros e obstinados; e nestes seca-se a palavra de Deus, e se nasce, não cria raízes. Os caminhos são os corações inquietos e perturbados com a passagem e tropel das coisas do Mundo, umas que vão, outras que vêm, outras que atravessam, e todas passam; e nestes é pisada a palavra de Deus, porque a desentendem ou a desprezam. Finalmente, a terra boa são os corações bons ou os homens de bom coração; e nestes prende e frutifica a palavra divina, com tanta fecundidade e abundância, que se colhe cento por um: Et fructum fecit centuplum.

III

Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo, pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus. Para uma alma se converter por meio de um sermão, há-de haver três concursos: há-de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; há-de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; há-de concorrer Deus com a graça, alumiando.

IV

Mas como em um pregador há tantas qualidades, e em uma pregação tantas leis, e os pregadores podem ser culpados em todas, em qual consistirá esta culpa? -- No pregador podem-se considerar cinco circunstâncias: a pessoa, a ciência, a matéria, o estilo, a voz. A pessoa que é, e ciência que tem, a matéria que trata, o estilo que segue, a voz com que fala. Todas estas circunstâncias temos no Evangelho.

V

Será porventura o estilo que hoje se usa nos púlpitos? Um estilo tão empeçado, um estilo tão dificultoso, um estilo tão afectado, um estilo tão encontrado a toda a arte e a toda a natureza? Boa razão é também esta. O estilo há-de ser muito fácil e muito natural. Por isso Cristo comparou o pregar ao semear: Exiit, qui seminat, seminare.

VI

Será pela matéria ou matérias que tomam os pregadores? Usa-se hoje o modo que chamam de 'apostilar' o Evangelho, em que tomam muitas matérias, levantam muitos assuntos e quem levanta muita caça e não segue nenhuma não é muito que se recolha com as mãos vazias. Boa razão é também esta. O sermão há-de ter um só assunto e uma só matéria. Por isso Cristo disse que o lavrador do Evangelho não semeara muitos géneros de sementes, senão uma só: Exiit, qui seminat, seminare semen. Semeou uma semente só, e não muitas, porque o sermão há-de ter uma só matéria, e não muitas matérias.

VII

Será porventura a falta de ciência que há em muitos pregadores? Muitos pregadores há que vivem do que não colheram e semeiam o que não trabalharam. Depois da sentença de Adão, a terra não costuma dar fruto, senão a quem come o seu pão com o suor do seu rosto. Boa razão parece também esta. O pregador há-de pregar o seu, e não o alheio. Por isso diz Cristo que semeou o lavrador do Evangelho o trigo seu: Semen suum. Semeou o seu, e não o alheio, porque o alheio e, o furtado não é bom para semear, ainda que o furto seja de ciência.

VIII

Será finalmente a causa, que tanto há buscamos, a voz com que hoje falam os pregadores? Antigamente pregavam bradando, hoje pregam conversando. Antigamente a primeira parte do pregador era boa voz e bom peito. E verdadeiramente, como o mundo se governa tanto pelos sentidos, podem às vezes mais os brados que a razão. Boa era também esta, mas não a podemos provar com o semeador, porque já dissemos que não era ofício de boca. Porém o que nos negou o Evangelho no semeador metafórico, nos deu no semeador verdadeiro, que é Cristo.

IX

As palavras que tomei por tema o dizem. Semen est verbum Dei. Sabeis, Cristãos, a causa por que se faz hoje tão pouco fruto com tantas pregações? É porque as palavras dos pregadores são palavras, mas não são palavras de Deus. Falo do que ordinariamente se ouve. A palavra de Deus (como diria) é tão poderosa e tão eficaz, que não só na boa terra faz fruto, mas até nas pedras e nos espinhos nasce. Mas se as palavras dos pregadores não são palavras de Deus, que muito que não tenham a eficácia e os efeitos da palavra de Deus?

X

Dir-me-eis o que a mim me dizem, e o que já tenho experimentado, que, se pregamos assim, zombam de nós os ouvintes, e não gostam de ouvir. Oh, boa razão para um servo de Jesus Cristo! Zombem e não gostem embora, e façamos nós nosso ofício! A doutrina de que eles zombam, a doutrina que eles desestimam, essa é a que lhes devemos pregar, e por isso mesmo, porque é mais proveitosa e a que mais hão mister.


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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Fé e Razão

Fé e Razão. Fazendo uma analogia, poderíamos dizer que a Fé é como uns óculos (graduados). Quem vê mal ao longe, se está numa sala de aula e olha para o quadro não percebe o que lá está escrito. Bem tenta semi-cerrar os olhos mas apenas vejo uma grande névoa. No entanto, quando põe os óculos vê tudo claramente, percebe tudo o que está escrito e tudo faz sentido.

A Fé são os óculos. É o instrumento que me permite ver o que apenas com os olhos não se consegue. Os olhos são a Razão. Servem para ver certas coisas mas só com eles não se percebe o que está escrito no quadro ou quem é aquela pessoa ao longe na rua a dizer adeus. Os óculos são necessários para ter acesso a essa informação. Mas se alguém fechar os olhos (Razão), os óculos (Fé) não servem para nada. A Fé vai onde a razão já não consegue ir, e a razão é o ponto de apoio que, usado na sua plenitude, permite que a Fé mostre a verdade sobre essas coisas longínquas.

Quem tem Fé sabe coisas que quem não tem Fé não sabe. Essas coisas são tão reais como o livro que estou a ler ou o copo de água que estou a beber. Do mesmo modo como, a partir do momento em que ponho os óculos, as palavras que estão naquele quadro se tornam tão reais e inteligíveis como a caneta ou o caderno que tenho à minha frente, que consigo ver perfeitamente sem óculos.

A Fé e a Razão são ambas necessárias para percebermos o mundo natural e o sobrenatural.


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Dia da Apresentação do Menino Jesus no Templo

Até 1969, a antiga festa de 2 de Fevereiro, de origem oriental, tinha no Ocidente o título de "Purificação da Bem-aventurada Virgem Maria" e encerrava o ciclo do Natal, quarenta dias após o nascimento de Jesus.

No Oriente bizantino ela concentra-se no mistério da Hypapante, isto é, no Encontro do Salvador com aqueles que veio salvar, representados pelas pessoas de Simeão e Ana, segundo as palavras de Lucas 2, 29-32, usadas nos cantos litúrgicos da festa: «Luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel».

É precisamente de Simeão a prece que se recita nas "Completas", a oração da Liturgia das Horas rezada antes de dormir: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque meus olhos viram a salvação que oferecestes a todos os povos, luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

É costume os fiéis participarem na procissão comemorativa da entrada de Jesus no templo. No Ocidente, esta procissão substituiu cortejos pagãos de cariz licencioso, sendo inicialmente de caráter penitencial. Mais tarde caracterizou-se pela bênção das velas, levadas acesas na procissão em honra de Cristo.

A tradição deste cortejo levou a que à Apresentação do Senhor se desse também o nome de festa de Nossa Senhora da Candelária, ou apenas Candelária, designação que radica na palavra "candeia", que por sua vez tem origem no latim "candere" (arder), significando vela ou círio.

Na tradição de alguns países, estas velas, depois de benzidas, são levadas para casa e acendidas nos momentos de perigo, durante os temporais e os cataclismos, em sinal da entrega de si, da família e de quanto se possui à proteção divina. Há também o costume de colocar a vela benzida nesta festa entre as mãos do cristão, no leito de morte, para que ilumine os últimos passos do seu caminho rumo à eternidade.

Os fiéis são também sensíveis ao gesto realizado pela Virgem Maria, que a par da apresentação de Jesus se submete ao rito da purificação, segundo o estipulado na Lei de Moisés (cf. Levítico 12, 1-8).

Em algumas Igrejas locais, a valorização de elementos inerentes ao relato evangélico desta festa, como a obediência de José e de Maria à Lei judaica - que os levou a apresentarem o Menino no templo, acompanhado da oferta de duas rolas ou pombinhas, como previa o preceito -, a pobreza dos esposos e a condição virginal de mãe de Jesus sugeriram que se fizesse do dia 2 de fevereiro a festa daqueles que se dedicaram ao serviço de Deus e do povo nas várias formas de vida consagrada.

Neste sentido, no domingo da festa da Apresentação do Senhor assinala-se em Portugal o último dia da Semana do Consagrado.

Sobre a festa da Apresentação do Senhor, escreveu o bispo S. Sofrónio (séc. VI-VII):

«Todos nós que celebramos e veneramos com tanta piedade o mistério do Encontro do Senhor, corramos para Ele com todo o fervor do nosso espírito. Ninguém deixe de participar neste Encontro, ninguém se recuse a levar a sua luz.

Levemos em nossas mãos o brilho das velas, para significar o esplendor divino daquele que se aproxima e ilumina todas as coisas, dissipando as trevas do mal com a sua luz eterna, e também para manifestar o esplendor da alma, com o qual devemos correr ao encontro de Cristo.

Assim como a Virgem Mãe de Deus levou ao colo a luz verdadeira e a comunicou àqueles que jaziam nas trevas, assim também nós, iluminados pelo seu fulgor e trazendo na mão uma luz que brilha diante de todos, devemos acorrer pressurosos ao encontro daquele que é a verdadeira luz.

Na verdade a luz veio ao mundo e, dispersando as trevas que o envolviam, encheu-o de esplendor; visitou-nos do alto o Sol nascente e derramou a sua luz sobre os que se encontravam nas trevas: este é o significado do mistério que hoje celebramos.

Caminhemos empunhando as lâmpadas, acorramos trazendo as luzes, não só para indicar que a luz refulge já em nós, mas também para anunciar o esplendor maior que dela nos há de vir. Por isso, vamos todos juntos, corramos ao encontro de Deus.

Eis que veio a luz verdadeira, que ilumina todo o homem que vem a este mundo. Todos nós, portanto, irmãos, deixemo-nos iluminar, para que brilhe em nós esta luz verdadeira.

Nenhum fique excluído deste esplendor, nenhum persista em continuar imerso na noite, mas avancemos todos resplandecentes; iluminados por este fulgor, vamos todos juntos ao seu encontro e com o velho Simeão recebamos a luz clara e eterna; associemo-nos à sua alegria e cantemos com ele um hino de ação de graças ao Pai da luz, que enviou a luz verdadeira e, afastando todas as trevas, nos fez participantes do seu esplendor.

A salvação de Deus, com efeito, preparada diante de todos os povos, manifestou a glória que nos pertence a nós, que somos o novo Israel; e nós próprios, graças a Ele, vimos essa salvação e fomos absolvidos da antiga e tenebrosa culpa, tal como Simeão, depois de ver a Cristo, foi libertado dos laços da vida presente.

Também nós, abraçando pela fé a Cristo Jesus que vem de Belém, nos convertemos de pagãos em povo de Deus (Jesus é com efeito a Salvação de Deus Pai) e vemos com os nossos próprios olhos Deus feito carne; e porque vimos a presença de Deus e a recebemos, por assim dizer, nos braços do nosso espírito, nos chamamos novo Israel. Com esta festa celebramos cada ano de novo essa presença, que nunca esquecemos.»

in www.snpcultura.org


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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

O sangue dos mártires é semente de novos Cristãos

Santo Inácio de Antioquia, Bispo e Mártir, rogai por nós.


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O Regicídio descrito pela Rainha D. Amélia

Há 116 anos, no dia 1 de Fevereiro de 1908, foi assassinado, em Lisboa, o Rei de Portugal e Algarves - D. Carlos I - e o príncipe herdeiro - D. Luís Filipe de Bragança. Este regicídio, planeado pela carbonária, veio a originar, dois anos mais tarde, a queda da Monarquia - contra a vontade popular - e a implantação da República maçónica.

Nesse triste dia em que foram mortos o seu marido e o seu filho, a Rainha Dona Amélia de Portugal escreveu o seguinte no seu diário:

«Lisboa, Palácio das Necessidades, Sábado, 1 de Fevereiro de 1908

Escrever. Escrever para não gritar. Para não perder a razão - sim, para não perder a razão. Para expulsar, por um instante que seja, as terríveis imagens deste dia, e suportar o longo horror desta noite, a primeira de todas as que estão para vir.  Escrevo para mim. 

Escrevo para não enlouquecer, (...) mas a rainha de Portugal não se entrega à loucura. Ela cumpre o seu dever, ou morre como morreu hoje o rei de Portugal, D. Carlos I, como morreu hoje o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe, como ela própria deveria ter morrido sob as balas dos assassinos. 

Meu Deus, porque permitiste que matassem o meu filho? Protegi-o com todo o meu corpo, expus-me aos tiros, quis desesperadamente que eles me trespassassem a mim. E bastou uma única bala para destruir o rosto do meu filho. (...) 

A dor cobriu tudo. Esvaziou-me o Espírito. As recordações desapareceram, estou incapaz de chorar. Inerte. (...) Preciso de continuar a escrever até que o dia rompa, em vez de deixar que os pesadelos me invadam num sono inquieto. É preciso descrever a realidade, mais cruel do que o pior dos pesadelos.

Amélia, rainha.»


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quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Vale dos Caídos, em Espanha. A maior Cruz da Europa.




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As duas artimanhas do demónio para afastar os jovens da virtude - S. João Bosco

O demónio tem normalmente duas principais artimanhas para afastar os jovens da virtude. A primeira consiste em persuadi-los de que o serviço de Deus exige uma vida triste, sem nenhum divertimento nem prazer. Mas isto não é verdade, meus caros jovens. Vou mostrar-vos um plano de vida cristã que poderá manter-vos alegres e contentes, fazendo-vos conhecer ao mesmo tempo quais são os verdadeiros divertimentos e os verdadeiros prazeres, para que possais exclamar com o santo profeta David: “Sirvamos ao Senhor na santa alegria”.

A segunda artimanha do demónio consiste em fazer-vos conceber uma falsa esperança duma vida longa,  que permite converter-se na velhice ou na hora da morte. Prestem atenção, meus caros jovens, muitos já se deixaram prender por esta mentira. Quem nos garante que chegaremos à velhice? Se se tratasse de fazer um pacto com a morte e de esperar até então... Mas a vida e a morte estão nas mãos de Deus, que dispõe de tudo a seu bel-prazer.

E mesmo se Deus vos concedesse uma vida longa, escutai entretanto a sua advertência: “O caminho do homem começa na juventude, ele segue-o na velhice até à morte”. Ou seja, se começamos com uma vida exemplar, seremos exemplares na idade adulta, a nossa morte será santa e entraremos na felicidade eterna. Se, pelo contrário, os vícios começam a dominar-nos desde a juventude, é muito provável que nos mantenham na escravidão toda a nossa vida até a morte, triste prelúdio de uma eternidade terrível.

Para que esta infelicidade não vos aconteça, apresento-vos um método de vida alegre e fácil, mas que lhes bastará para se tornarem a consolação dos vossos pais, a honra da vossa pátria, bons cidadãos, e depois felizes habitantes do Céu...

Meus caros jovens, amo-vos de todo o coração e basta-me que sejam jovens para que vos ame extraordinariamente. Garanto-vos que encontrareis livros que vos foram dirigidos por pessoas mais virtuosas e mais sábias que eu em muitos pontos, mas dificilmente encontrareis alguém que vos ame mais do que eu, em Jesus Cristo, e que deseje mais a vossa felicidade.

Conservem no coração o tesouro da virtude, porque possuindo-o tendes tudo, mas se o perdeis, sereis os homens mais infelizes do mundo. Que o Senhor esteja sempre convosco e vos conceda seguir os simples conselhos presentes, para que sejais capazes de aumentar a glória de Deus e obter a salvação da alma, fim supremo para o qual fomos criados. Que o Céu vos dê longos anos de vida feliz e que o santo temor de Deus seja sempre a grande riqueza que vos enche de bens celestes aqui e por toda a eternidade.


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