quinta-feira, 30 de dezembro de 2021
quarta-feira, 29 de dezembro de 2021
Missa de Natal à porta da igreja
terça-feira, 28 de dezembro de 2021
Como irão contar o Natal aos vossos filhos e netos
Estava Jerusalém inundada de luminárias que faziam da noite, dia, quando sobre ela se abateu uma escuridão sombria, trevas tremendas e pavorosas, das quais se arrancavam guinchos lúgubres, gritos lancinantes, sonoras iras raivosas entoando: glória a lúcifer nas profunduras e prazer irrestrito aos homens de vontade autónoma; anunciamos-vos uma grande dor, nasceu-vos hoje um desprotegedor, que o será para todo o povo; isto vos servirá de sinal, encontrareis um menino, adorado por um homem e pela mulher.
Imediatamente, os sacerdotes do género e os príncipes dos ambientalistas acorreram aos campos até encontrarem num estábulo tudo como lhes tinha sido dito. Os géneristas escandalizados com aquela discriminação claramente homofóbica, logo substituíram o homem por uma mulher, mas ao saberem que a primeira era Virgem, prontamente a vituperaram e expulsaram por constituir um péssimo e devastador exemplo para toda a gente ao renegar tão obstinadamente os ensinamentos dos doutores do género –havia a máxima urgência em retirar a criança àqueles pais, uma vez que era óbvia a sua incapacidade de lhe assegurarem uma formação sexual adequada, livre de preconceitos e discriminações.
Os príncipes dos ambientalistas, por seu turno, ao repararem na vaca, cuja emissão de gazes intestinais constituía um factor alarmante para o aquecimento global e consequente iminente fim do nosso planeta, logo dela se apoderaram para a matar ali mesmo, oferecendo-a como um sacrifício propício à mãe terra, intentando aplacar assim a sua ira – é certo que houve uma grande disputa até tomarem a resolução, pois alguns advogavam que se não se podia matar cães (dentro ou fora de canis), muito menos uma vaca, uma vez que era muito maior pois, de facto, argumentavam, se todos podemos fulminar melgas por serem pequenas, então não se pode aniquilar um bovino por ser muito maior; os sectários da matança do boi (pois, uma vez que a identidade de género não passa de uma construção social, tanto monta uma nomeação feminil como masculina) convenceram, no entanto, os seus adversários, provando que o impacto ambiental do cão era insignificante em comparação com a vaca.
Quanto ao burro, que tinha suportado tão grandes humilhações, sendo compelido violentamente, como se fora uma mísera besta, a percorrer tão longo caminho suportando a intolerável carga daqueles humanos – os terríveis predadores da natureza –, a mãe grávida e seu filho, era absolutamente imperativo reconhecer a sua eminente dignidade divina, para reparar uma injúria tão blasfema e sacrílega. Por isso, encaminhando-o para fora daquele reles presépio, de pronto lhe construíram um altar, adorando-o e ofertando-lhe oblações e sacrifícios dignos de tão magnificente divindade, a qual correspondia aos louvores e adorações com jubilosos zurros.
Imediatamente, os sacerdotes do género e os príncipes dos ambientalistas acorreram aos campos até encontrarem num estábulo tudo como lhes tinha sido dito. Os géneristas escandalizados com aquela discriminação claramente homofóbica, logo substituíram o homem por uma mulher, mas ao saberem que a primeira era Virgem, prontamente a vituperaram e expulsaram por constituir um péssimo e devastador exemplo para toda a gente ao renegar tão obstinadamente os ensinamentos dos doutores do género –havia a máxima urgência em retirar a criança àqueles pais, uma vez que era óbvia a sua incapacidade de lhe assegurarem uma formação sexual adequada, livre de preconceitos e discriminações.
Os príncipes dos ambientalistas, por seu turno, ao repararem na vaca, cuja emissão de gazes intestinais constituía um factor alarmante para o aquecimento global e consequente iminente fim do nosso planeta, logo dela se apoderaram para a matar ali mesmo, oferecendo-a como um sacrifício propício à mãe terra, intentando aplacar assim a sua ira – é certo que houve uma grande disputa até tomarem a resolução, pois alguns advogavam que se não se podia matar cães (dentro ou fora de canis), muito menos uma vaca, uma vez que era muito maior pois, de facto, argumentavam, se todos podemos fulminar melgas por serem pequenas, então não se pode aniquilar um bovino por ser muito maior; os sectários da matança do boi (pois, uma vez que a identidade de género não passa de uma construção social, tanto monta uma nomeação feminil como masculina) convenceram, no entanto, os seus adversários, provando que o impacto ambiental do cão era insignificante em comparação com a vaca.
Quanto ao burro, que tinha suportado tão grandes humilhações, sendo compelido violentamente, como se fora uma mísera besta, a percorrer tão longo caminho suportando a intolerável carga daqueles humanos – os terríveis predadores da natureza –, a mãe grávida e seu filho, era absolutamente imperativo reconhecer a sua eminente dignidade divina, para reparar uma injúria tão blasfema e sacrílega. Por isso, encaminhando-o para fora daquele reles presépio, de pronto lhe construíram um altar, adorando-o e ofertando-lhe oblações e sacrifícios dignos de tão magnificente divindade, a qual correspondia aos louvores e adorações com jubilosos zurros.
Exaustos da cerimónia orgiástica, o frenesim foi diminuindo até que se dirigiram de novo ao presépio onde depararam com gentes esfarrapadas entoando, diante da criança envolta em paninhos, uma estranha antífona: Baixíssimo, impotente, grosseiro escravo, a ti todo o aviltamento, o desprezo, a desonra e toda a maldição. A ti só, baixíssimo, se hão de prestar e todo o ser humano é digníssimo de te nomear.
De súbito, um estardalhaço de trovão ribombante atroou os campos articulando palavras retumbantes: Sou o vosso Deus, o vosso Pai, que vos tem conduzido através da história operando prodígios de amor e Este é o Meu Filho humanado que vos enviei para vos resgatar.
Imediatamente, à uma, os sacerdotes do género e os príncipes dos ambientalistas desataram numa gritaria estridente enquanto tapavam os ouvidos, não fossem escutar blasfémias maiores.
Espumando raivas incontidas e ódios viscerais desenfaixaram a criança e enquanto o faziam os príncipes dos ambientalistas logo pontificaram que a ser verdade ou ao menos que houvesse uma suspeita razoável da criança ser deus incarnado seria então necessário condená-lo, sem demora, à morte, uma vez que esse deus era malvado, um perigo extremo para o desenvolvimento sustentável. Não tinha ele arrasado as fertilíssimas terras de Sodoma e de Gomorra, tornando-as totalmente estéreis e matando toda a fauna marítima no mar, que por isso mesmo se chama morto? A esta indignação se ajuntou a ira descontrolada dos sacerdotes do género, acusando esse deus de homofobia, de discriminação, de coração duro, mente fechada, alheio a qualquer tipo de misericórdia.
Entretanto, desenfaixada a criança, verificaram se tratava de um varão, de um menino. Este horror veio irritar e transtornar ainda mais os sacerdotes do género, que, imediatamente, em cóleras desenfreadas acusaram a divindade de ser uma fraude, um resquício de uma projecção patriarcal, pois era evidente que o verdadeiro deus, caso se fizesse homem traria no seu corpo simultaneamente todas as características da sua identidade, a saber, lgbtqi. Aliás, a única divindade era a terra e os que naquela diversidade a habitavam.
Sem mais hesitações, num arrebatamento de indignação, desfizeram a manjedoura, e aproveitando os pregos e as tábuas da mesma, com ela formaram uma pequena cruz. Unanimemente o consideraram culpado, um engano do maligno, e todos concordaram que deveria ser crucificado. Como os pregos se mostraram demasiado grossos para prender os pulsos e os pés do Menino, arranjaram uns alfinetes especiais que serviam o propósito. Alguns dos que o escarneciam, impacientes com a demora da sua morte, recorreram a um canivete suíço para lhe trespassar o coração, do qual brotou sangue e água.
Verificada a sua morte, todos se regozijaram e a celebraram com um grande banquete, pois tinham conseguido salvar o planeta e o prazer promíscuo sem freio.
De súbito, um estardalhaço de trovão ribombante atroou os campos articulando palavras retumbantes: Sou o vosso Deus, o vosso Pai, que vos tem conduzido através da história operando prodígios de amor e Este é o Meu Filho humanado que vos enviei para vos resgatar.
Imediatamente, à uma, os sacerdotes do género e os príncipes dos ambientalistas desataram numa gritaria estridente enquanto tapavam os ouvidos, não fossem escutar blasfémias maiores.
Espumando raivas incontidas e ódios viscerais desenfaixaram a criança e enquanto o faziam os príncipes dos ambientalistas logo pontificaram que a ser verdade ou ao menos que houvesse uma suspeita razoável da criança ser deus incarnado seria então necessário condená-lo, sem demora, à morte, uma vez que esse deus era malvado, um perigo extremo para o desenvolvimento sustentável. Não tinha ele arrasado as fertilíssimas terras de Sodoma e de Gomorra, tornando-as totalmente estéreis e matando toda a fauna marítima no mar, que por isso mesmo se chama morto? A esta indignação se ajuntou a ira descontrolada dos sacerdotes do género, acusando esse deus de homofobia, de discriminação, de coração duro, mente fechada, alheio a qualquer tipo de misericórdia.
Entretanto, desenfaixada a criança, verificaram se tratava de um varão, de um menino. Este horror veio irritar e transtornar ainda mais os sacerdotes do género, que, imediatamente, em cóleras desenfreadas acusaram a divindade de ser uma fraude, um resquício de uma projecção patriarcal, pois era evidente que o verdadeiro deus, caso se fizesse homem traria no seu corpo simultaneamente todas as características da sua identidade, a saber, lgbtqi. Aliás, a única divindade era a terra e os que naquela diversidade a habitavam.
Sem mais hesitações, num arrebatamento de indignação, desfizeram a manjedoura, e aproveitando os pregos e as tábuas da mesma, com ela formaram uma pequena cruz. Unanimemente o consideraram culpado, um engano do maligno, e todos concordaram que deveria ser crucificado. Como os pregos se mostraram demasiado grossos para prender os pulsos e os pés do Menino, arranjaram uns alfinetes especiais que serviam o propósito. Alguns dos que o escarneciam, impacientes com a demora da sua morte, recorreram a um canivete suíço para lhe trespassar o coração, do qual brotou sangue e água.
Verificada a sua morte, todos se regozijaram e a celebraram com um grande banquete, pois tinham conseguido salvar o planeta e o prazer promíscuo sem freio.
Padre Nuno Serras Pereira
domingo, 26 de dezembro de 2021
A árdua tarefa de iluminar a Basílica de São Pedro para o Natal
quinta-feira, 23 de dezembro de 2021
Evitar a malícia nos juízos e suspeitas
Da mesma maneira, se a nossa alma tiver uma disposição má, tudo lhe fará mal; até as coisas vantajosas serão por ela transformadas em coisas prejudiciais. Não é verdade que, se deitarmos umas ervas amargas num pote de mel, as ervas alteram todo o conteúdo do pote, tornando amargo o mel? É isso que nós fazemos: espalhamos um pouco do nosso azedume e destruímos o bem do próximo, olhando para ele a partir da nossa má disposição.
Há outras pessoas que têm um temperamento que transforma tudo em bons humores, incluindo os alimentos nocivos. Os porcos têm uma excelente constituição. Comem cascas, caroços de tâmaras e lixo. Contudo, transformam estes alimentos em viandas suculentas. Também nós, se tivermos bons hábitos e um bom estado de alma, tudo poderemos aproveitar, incluindo aquilo que não é aproveitável. Muito bem diz o Livro dos Provérbios: «Quem olha com doçura obterá misericórdia» (12, 13). Mas também: «Todas as coisas são contrárias ao homem insensato» (14, 7).
Ouvi dizer de um irmão que, quando ia visitar outro irmão e encontrava a cela descuidada e desordenada, pensava: «Que feliz que é este irmão, que está completamente desprendido das coisas terrenas, elevando totalmente o seu espírito para o alto, de tal maneira que nem tem tempo para arrumar a cela!»
Quando ia visitar outro irmão e encontrava a cela arrumada e em boa ordem, pensava: «A cela deste irmão está tão arrumada como a sua alma. Tal como a sua alma, assim é a sua cela.» E nunca dizia de nenhum deles: «Este é desordenado», ou: «Este é frívolo.»
Graças ao seu excelente estado de alma, de tudo tirava proveito. Que Deus, na sua bondade, nos dê também um estado bom para que possamos tudo aproveitar, sem nunca pensarmos mal do próximo. Se a nossa malícia nos inspirar juízos e suspeitas, transformemo-os rapidamente. Pois não ver o mal do próximo engendra, com a ajuda de Deus, a bondade.
Doroteu de Gaza in Carta 1
Quem nega a validade da Missa de Paulo VI? Preparem-se para uma surpresa
No seu novo (e impressionante) documento, que aumenta as restrições à Missa Tradicional, a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramento (CCDDS) acusa muitos católicos tradicionais de não reconhecerem a validade da Missa de Paulo VI (Novus Ordo). Por causa disso, dizem, a adesão à liturgia tradicional representa uma séria ameaça à unidade da Igreja.
Mas a CCDDS não fornece qualquer evidência para apoiar essa acusação contra os "tradicionalistas" - assim como, no motu proprio Traditionis Custodes, o Papa Francisco não forneceu qualquer evidência de que o inquérito dirigido aos Bispos tivesse descoberto uma preocupação generalizada sobre os atritos supostamente causado pelo movimento tradicional.
Pessoas de dentro do Vaticano revelam que, nas suas respostas ao inquérito, a maioria dos Bispos não revelou qualquer dificuldade com os "tradicionalistas". E os católicos familiarizados com o movimento tradicional raramente encontram fanáticos que negam a validade da liturgia nova. Mas, ainda que a acusação da CCDDS fosse verdadeira, as medidas apresentadas no novo documento seriam desproporcionais. Deixem-me explicar.
Os católicos que frequentam regularmente a liturgia tradicional constituem apenas cerca de 1% da população católica geral do mundo. Se 1% desses "tradicionalistas" rejeitarem o Novus Ordo (e acho que essa estimativa seria muito alta), então o problema está confinado a uma minoria quase irrisória.
No entanto, entre os católicos que assistem à Missa regularmente nas paróquias "normais", uma esmagadora maioria rejeita a validade da liturgia Novus Ordo!
Pesquisa após pesquisa demonstra que mais de 70% desses católicos não acreditam que Jesus Cristo Se torna verdadeiramente presente - Corpo, Sangue, Alma e Divindade - na Missa. Mas, se Jesus não estiver presente então a Missa não é válida. Portanto, a maioria dos fiéis numa paróquia católica comum acredita que a Missa é inválida. QED.
Claro que poucos desses católicos “comuns” diriam que a Missa é inválida, porque não reconheceriam o o silogismo que fiz no parágrafo anterior. As mais recentes gerações de catequeses miseráveis deixaram milhões de católicos apenas com uma vaga ideia do que é a Eucaristia, do que realmente acontece na Missa. Ainda assim, é evidente que a maioria dos católicos rejeita - ou talvez, mais precisamente, seja indiferente a - esse dogma central da Fé. Se são indiferentes, mais uma razão pela qual se afastam da Igreja. Se rejeitam a doutrina católica, minam a unidade dos fiéis.
Felizmente, a maioria incrédula está enganada, como qualquer tradicionalista que negue a validade da nova liturgia. O Novus Ordo é válido; a Eucaristia é a presença real de Jesus Cristo. Mas, para o bem da unidade da Igreja - para não falar da clareza da doutrina - o facto de que mais de 70% dos fiéis negarem efectivamente os ensinamentos da Igreja sobre a Eucaristia, a "fonte e ápice da vida cristã", é certamente um preocupação mais urgente do que a alegação de que 0,01% nega a validade da nova liturgia.
Phil Lawler in Catholic Culture
quarta-feira, 22 de dezembro de 2021
Bispo tenta acabar com Missa Tradicional mas IBP resiste
Quem estudou Direito sabe que uma das formas de injustiça é a arbitrariedade; uma decisão por parte da autoridade que não tem em conta os seus deveres e os direitos dos súbditos. Infelizmente, hoje em dia na Igreja Católica, o Direito é atropelado a torto e a direito pelos que o deveriam fazer cumprir.
Foi o caso do Arcebispo de Curitiba, que decidiu, sem mais nem ontem, acabar com um apostolado sólido cujos bons frutos estão à vista de todos. O Instituto Bom Pastor decidiu não acatar a ordem injusta, que vai contra a salvação das almas, e resistir à tirânica, com base na Lei da Igreja. Esperemos que outros sigam esse exemplo.
Comunicado do Superior do Distrito da América Latina
Brasília/DF, 20 de Dezembro de 2021
1. Informamos a existência de um decreto extrajudicial de Sua Excelência, Dom José Antônio Peruzzo, Arcebispo de Curitiba, proibindo o exercício de todo o ministério sacerdotal ao reverendíssimo Padre Thiago Bonifácio, IBP, no território dessa mesma Arquidiocese. Consideramos o decreto inválido e nulo segundo o direito canónico e a lei natural. Foi interposto o devido recurso canônico suspensivo do decreto.
2. Asseguramos aos fiéis de nosso apostolado em Curitiba de que não serão abandonados pelo Instituto Bom Pastor.
Permanecemos na fidelidade à Igreja Católica, ao Santo Padre, e à hierarquia católica. O Bom Pastor não abandona as suas ovelhas.
Pe. Daniel Pinheiro, IBP Superior do Distrito da América Latina
Abaixo-assinado pela manutenção do Apostolado do Instituto Bom Pastor em Curitiba-PR: https://chng.it/gyLZV64Z
segunda-feira, 20 de dezembro de 2021
Santa Missa no ponto mais alto do continente Africano
sábado, 18 de dezembro de 2021
Mais um ataque inaceitável contra a Missa Tradicional
Foi hoje publicado um documento interpretativo do motu proprio Traditionis Custodes (TC). O autor do mesmo foi o Arcebispo Artur Roche, que se tem mostrado bastante diferente do seu predecessor - Cardeal Sarah - como prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos (CCDDS). Muito resumidamente, eis os 8 pontos mais relevantes:
1. Um Bispo pode dar uma dispensa do TC, de modo que a Missa Tradicional seja celebrada regularmente numa paróquia, no entanto tem de o pedir expressamente à Santa Sé.
Esta indicação contradiz o Cân. 87 do Código de Direito Canónico, que diz:
Cân. 87 — § l. O Bispo diocesano, sempre que julgar que isso contribui para o bem espiritual dos fiéis, pode dispensá-los das leis disciplinares tanto universais como particulares promulgadas pela autoridade suprema da Igreja para o seu território ou para os seus súbditos
Como se vê, o TC não vem reconhecer a (suposta) legitimidade dos Bispos em termos de regular a liturgia nas suas dioceses, antes os torna mais dependentes da CCDDS.
2. O Rituale Romanum, usado em cerimónias como o Baptismo ou a bênção de objectos, apenas pode ser usado em paróquias pessoas de Rito Tradicional. Quanto ao Pontificale Romanum, o livro que tem as cerimónias litúrgicas do Bispo, incluindo o Crisma e a Ordenação Sacerdotal, não pode ser usado.
Isto quereria dizer que o Pontificale Romanum foi abrogado. Mas quando? Como? Por quem? Não é dito. É mais uma afirmação profundamente anti-jurídica que não cria qualquer força de lei. Os Bispos devem continuar a Crismas os fiéis em Rito Tradicional e a ordenar os sacerdotes nesse mesmo Rito, sempre que julgarem que o devem fazer.
3. Qualquer sacerdote que não aceite concelebrar o Rito Novo, especialmente na Missa Crismal (na qual o Bispo abençoa os Santos Óleos, Quinta-Feira Santa de manhã) deve ter revogada, pelo Bispo, a "faculdade" para celebrar o Rito Tradicional.
Esta imposição vai directamente contra o direito a não concelebrar a Missa, consagrado no Cân. 902.
4. Um Bispo tem de ter autorização da Santa Sé para conferir a um sacerdote a "faculdade" para poder celebrar o Rito Tradicional.
Mais uma vez a autoridade do Bispo está dependente da CCDDS.
5. Se o sacerdote que celebrar a Missa Tradicional regularmente estiver ausente, por exemplo por doença, o sacerdote que o substituir tem também de pedir a "faculdade" ao Bispo.
6. Os diáconos e outros ministros que participem na Liturgia Tradicional têm também de pedir a "faculdade" ao Bispo para o poderem fazer.
7. Um sacerdote que celebre o Rito Novo diariamente não poderá celebrar uma segunda Missa no mesmo dia se essa Missa for segundo o Rito Tradicional.
8. Um sacerdote que tenha a "faculdade" de celebrar Rito Tradicional não o poderá fazer duas vezes no mesmo dia para dois grupos diferentes, ainda que estes estejam ambos autorizados e sejam reconhecidos pelo Bispo.
Conclusão:
Mais um texto violento, que persegue abertamente os fiéis que frequentam a Liturgia Tradicional como nenhum outro grupo - católico ou não-católico - é perseguido pela Hierarquia da Igreja.
Este documento, à semelhança do TC, sofre de graves incoerências internas e externas, colidindo com várias leis e normas da Igreja Universal que lhe são superiores. É profundamente anti-jurídico e injusto, por isso não deve ser obedecido.
Como explicou o Papa Bento XVI na carta que acompanhou o motu proprio Summorum Pontificum:
«Aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial.»
sexta-feira, 17 de dezembro de 2021
Vida e morte na Cartuxa
Os cartuxos não têm medo de deixar este mundo. O cemitério fica no meio do grande claustro. Todos os dias, a partir do noviciado, os padres caminham ao lado desse local para chegar à igreja.
Quando morre um cartuxo, toda a comunidade se reúne na cela do falecido para o levantamento do corpo. O corpo é conduzido em procissão para a igreja. No coro, o falecido já não está sozinho. Perto do corpo, deitado no chão, os monges rezam por ele.
Os próprios cartuxos cavam as sepulturas que acolhem os seus próprios corpos. O falecido é preso a uma tábua simples baixada para o solo. O cemitério não é grande; regularmente, os monges têm que esvaziar as antigas sepulturas manualmente para haver espaço para os defuntos mais recente. Os crânios e os ossos são primeiro colocados de lado antes de serem colocados de volta na sepultura, ao mesmo tempo que o novo corpo.
Tradicionalmente, o último noviço a entrar no mosteiro segura a cruz processional, colocada ao pé da sepultura. É ele quem vê com mais clareza o corpo do mais velho e o capuz abaixado sobre o rosto.
Segundo as directivas de Guigues, quinto prior do Grande Chartreuse e legislador da ordem, autor do “Estatuto dos Cartuxos” no início do século XII, a cabeça do defunto fica dirigida para a igreja conventual. O jovem monge observa os quatro cartuxos designados pelo prior para despejarem a terra com as pás. Ele ouve o som abafado dos torrões de terra que caem sobre o corpo. O verbo “enterrar” assume todo o seu significado. A comunidade espera até que a sepultura esteja preenchida.
Desde a fundação da Ordem, os dias fúnebres são considerados momentos de celebração. Nesse dia os cartuxos comem, excepcionalmente, no refeitório e não sozinhos nas celas. Se o funeral calhar em dia de jejum, isso não será observado. À noite terão uma refeição completa na sua cela.
Após o enterro, a comunidade reúne-se na sala capitular. O prior faz um sermão e relembra a vida do falecido. Em geral, durante a recreação que se segue ao funeral, os cartuxos falam do irmão que acabou de falecer.
Eles podem entrar na capela dos mortos para reflectir perto dos ossos dos primeiros cartuxos dos séculos XI e XII. A poucos passos das celas, os companheiros de São Bruno dormem neste oratório triste e sombrio. O seus crânios repousam sob o altar-mor. Nos dias de caminhada, os cartuxos vêm a este lugar para rezar antes de partir para percorrer os trilhos da montanha.
No cemitério não há nomes nas sepulturas. De um lado, cruzes de madeira finas e pretas indicam os túmulos dos sacerdotes e dos irmãos leigos. Do outro lado, as cruzes de pedra são reservadas para a última habitação terrena dos priores. Os cartuxos optam primeiro por desaparecer dos olhos do mundo e, depois, dos seus próprios irmãos. Frequentemente, são incapazes de encontrar o túmulo preciso de um monge no cemitério. Os eremitas morrem sem deixar vestígios. O esquecimento segue imediatamente a morte.
No século XIX, os monges fizeram uma descoberta surpreendente. Enquanto cavavam uma cova, ao lado dos mais velhos, encontraram um cadáver perfeitamente preservado. A sua preservação, após décadas no solo, foi um milagre. Os monges correram para o reverendo prior. A sua resposta foi: “Fechem a sepultura, cavem próximo dela e não contem isto a ninguém”.
Da mesma forma, em meados do século XVII, no cemitério do antigo mosteiro cartuxo de Paris, no local do actual jardim de Luxemburgo, os milagres multiplicavam-se no túmulo de um irmão leigo que morrera em odor de santidade. Dom Inocêncio diz que o prior veio ao local para falar com o falecido: “Em nome da santa obediência, proíbo-vos de fazer milagres”. Os fenómenos extraordinários cessaram imediatamente.
Nicolas Diat in 'A Time to Die' (2018)
quinta-feira, 16 de dezembro de 2021
Da Igreja útil à Igreja inútil
Quando a Igreja, em relação ao mundo, se considera apenas útil, depressa acaba por ser considerada inútil. Naturalmente, neste caso, a sua Doutrina Social chegou ao fim.
Na encíclica Caritas in veritate lemos que o Cristianismo não só é útil mas é necessário para o desenvolvimento do homem (n. 4), porque «sem Deus o homem não sabe para onde ir e nem sequer pode compreender quem é» (n. ° 4). 78). Necessário significa que não pode faltar; útil, em vez disso, significa uma presença acidental que, existindo, produz algum efeito positivo mas não essencial e, se não estiver presente, não causa dano. De acordo com Augusto Del Noce (ele diz isso em 'The Problem of Atheism') o modo de pensar da modernidade transformou o Cristianismo de necessário em útil, porque fez do pecado um simples acidente que a dialética histórica ou a práxis humana são capazes de superar por si mesmas. A secularização do pecado e, acima de tudo, a negação do pecado original, produziu um Cristianismo útil, mas não indispensável.
Um mundo sem pecado original é capaz de se fazer por si mesmo e de se dar a salvação ao seu próprio nível, é autónomo e não precisa de Deus nem da Igreja. Mesmo um mundo aniquilado pelo pecado original - como acontece na visão protestante - não precisa de Deus e também nesse caso a religião e a Igreja não têm função essencial e insubstituível. No primeiro caso porque o mundo pensa que faz tudo por si mesmo, no segundo porque o mundo pensa que nada pode fazer de forma alguma, em ambos os casos o mundo é autónomo, adulto, adulto, senhor de si mesmo.
Na Igreja Católica, há muito tempo testemunhamos o seu afastamento do mundo e, ao mesmo tempo, a sua imersão no mundo. A retirada diz respeito à sua crença de que não tem mais algo decisivo e indispensável para trazer ao mundo; a imersão no mundo deriva dessa mesma convicção, pela qual já não acredita ter especificidade (ou missão) própria em relação ao mundo.
A Igreja considera-se apenas útil, mas existem muitas coisas úteis que o mundo usa, mas realmente não precisa de nenhuma delas. A Igreja torna-se um dos tantos instrumentos úteis, mas também, por isso mesmo, inúteis. Se a sua presença no mundo falha, ninguém percebe, nem mesmo os homens da Igreja.
Temos muitas evidências de que isso só pode ser considerado útil, especialmente nos últimos anos e mesmo nos últimos dias. A Igreja que já não defende o direito natural, que já não defende a sua própria doutrina sobre questões morais decisivas, que já não defende a vida, o casamento, a gestão correcta da sexualidade, que aceita fechar igrejas por decreto governamental, que não quer nada mais "católica" na sociedade...é uma Igreja que, depois de se ter considerado útil, passa a considerar-se inútil.
Hoje a Igreja quer tornar-se útil na defesa do meio ambiente colaborando com as agências internacionais, quer trabalhar para defender a democracia do perigo do populismo, pretende ser muito "constitucional" em defesa da Constituição republicana, pensa ser útil por não condenar mais leis injustas, mas trabalhar arduamente para melhorá-las. A Igreja quer ser útil derrubando muros e abençoando tudo o que a sociedade exprime. Para ser útil para o acolhimento ou a reconciliação renuncia para especificar a sua própria doutrina, diante de todos os problemas, não se mostra mais interessada em quê, mas em como, propondo apenas caminhos úteis de diálogo, comparação e unidade.
Mas uma Igreja tão útil já é inútil. Ser “útil para ...” sem especificar o quê, significa deixar o mundo esclarecer, segundo as suas próprias categorias, para que pode e deve ser útil. A Igreja, para ser útil, optou por renunciar à exclusividade dos fins últimos, que dão sentido a todos os fins intermediários. Desta forma, tornou-se inútil. Uma agência entre outras dedicada ao diálogo, fraternidade, hospitalidade, acompanhamento, proximidade, solidariedade, tolerância, caminhar juntos, inclusão, sustentabilidade.
Advogado do Diabo
Aqui temos o famoso "advogado do Diabo" (advocatus Diaboli) ou, oficialmente, "Promotor Fidei" que tinha o dever de preparar e anunciar todos os argumentos possíveis contra a elevação de alguém à dignidade dos altares (i.e. canonização) Esse ofício foi estabelecido pelo Papa Sisto V (séc. XVI).
Nesta imagem, o advogado do Diabo é levado até ao trono do Papa para anunciar o caso contra a canonização. Após a canonização ser concluída, o advogado era trazido de volta ao trono Papal, onde retira publicamente o caso.
Este cargo, tal como existia até então, foi extinto na reforma do processo das canonizações feita pelo Papa João Paulo II.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2021
terça-feira, 14 de dezembro de 2021
Cardeal Burke volta a celebrar Missa publicamente
sábado, 11 de dezembro de 2021
Alguns breves tópicos sobre o namoro
1- Não é sério namorar sem o desejo ou intenção de poder vir a casar. Não se trata de ter a certeza que se vai casar com ele ou com ela, mas o tempo de namoro deve ser uma ocasião de aprofundarem o conhecimento mútuo, que poderá confirmar ou não a intenção de vir a casar.
2- O namoro verdadeiro inclui sempre o Outro e os outros. O Outro, é Deus, é Cristo. De facto, o amor prova-se cuidando do destino último, Deus, daquele que se ama. Quem o criou?, quem a criou?, Foi Deus. Para que é que o/a criou? Para ser Santo/a, para gozar do Céu, por toda a eternidade. Quem a/o colocou na minha vida? Foi Deus, na Sua Providência, que quis que eu/ela, num desafio à santidade, nos auxiliássemos mutuamente a chegar ao destino para o qual fomos criados.
O amor, por sua própria natureza, é difusivo - se assim não fora aniquilar-se-ia a si mesmo. Daí que o desafio mútuo à santidade transborde para os outros, se coloque ao seu serviço. Alguém disse, a este propósito, “o se guarda apodrece, só aquilo que se dá é que frutifica” e se multiplica.
3- Não se pode experimentar ou antecipar aquilo que não existe. Alguém que se preparou durante anos para ser Padre, mesmo que falte um só dia para ser Ordenado, não pode perdoar os pecados que lhe forem confessado. Se 1h antes de ser Ordenado quiser celebrar Missa, tudo o que fizer será evidentemente nulo.
De modo semelhante, antes do casamento, não se podem praticar intimidades sexuais ou falsificações de actos conjugais. De facto, isso não passaria de graves abusos, repugnantes à Santidade de Deus.
4- Todos teremos conhecimento de casos de traições nos namoros - ou da parte deles ou da parte delas. Com frequência as feridas que provocam são profundas, difíceis de ultrapassar e, por vezes insanáveis. E, no entanto, parece que ninguém repara num outro tipo de traição, ainda muito mais grave.
É ou não verdade que quando um par de namorados se dão a intimidades somente próprias do casamento, estão a trair Deus que os Criou, por eles morreu na Cruz e continuamente Se dá para os Santificar? A resposta, evidentemente, só pode ser afirmativa.
Mas se assim é, como é, se algum deles vier a cair em si (ou até ambos) não será que lhes possa vir ao pensamento: se ele, por minha causa, foi capaz de trair a Deus, Amor infinito e eterno que o gerou, que garantias poderei vir a ter de que uma vez casados ele não me virá a trair com outra/s, uma vez que não passo de uma pobre criatura mesquinha em comparação com a Infinita e Gloriosa Majestade divina, origem e fonte de toda a Beleza?
Padre Nuno Serras Pereira
sexta-feira, 10 de dezembro de 2021
Alguns Pecados da língua
Nos dias que correm parece que ninguém sabe ou sequer suspeita que possam existir pecados mortais da língua. A difamação, por exemplo, pode sê-lo. Este género de pecado acontece:
a) quando se dá a conhecer publicamente qualquer pecado grave oculto de outrem b) quando se exagera uma culpa verdadeira c) quando se levanta, por acção ou omissão, uma suspeita grave d) quando se distorcem as intenções do bem praticado por outro d) quando se atribui a outrem uma culpa falsa e) quando acreditando - sem fundamento suficientemente credível a não ser o de supor que o outro diz a verdade e que não pode estar enganado -, no que nos é dito[1].
As consequências destes pecados são verdadeiramente catastróficas, calamitosas, quer na família, quer na sociedade, quer nas relações interpessoais, quer na Igreja - não só entre os fiéis leigos, mas principalmente no Clero, nas comunidades Religiosas, nas Prelaturas e, como é patente a todos na Curia e no mais alto da Hierarquia.
Infelizmente hoje em dia há muitas bocas venenosas, como a das víboras, com ares de santidade e justiça.
Padre Nuno Serras Pereira
[1] Será do máximo proveito ler o livro do Prof. Pe. Rodriguez Luño: “La difamación”
quinta-feira, 9 de dezembro de 2021
Nantes: Católicos impedem concerto de "artista" satânica em igreja
A cantora sueca Anna von Hausswolff tinha um concerto marcado para dia 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição, na igreja Notre Dame de Bon-Port, em Nantes (França).
Acontece que um grupo de jovens católicos - que estão a ser acusados de "integristas" - criaram uma barreira humana em frente das portas da igreja, enquanto cantavam a Ave Maria em francês.
Graças a isto o concerto em Nantes foi cancelado e também outro concerto da "artista" que estava marcado numa igreja em Paris. Ambos os eventos tinham sido autorizados pelos respectivos Bispos diocesanos.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
Papa Bento descreve na perfeição a beleza da Imaculada Conceição
Se reflectirmos sinceramente sobre nós mesmos e sobre a nossa história, devemos dizer que com esta narração se descreve não só a história do princípio, mas a história de todos os tempos, e que todos trazemos dentro de nós próprios uma gota do veneno daquele modo de pensar explicado nas imagens do Livro da Génesis. A esta gota de veneno, chamamos pecado original.
Precisamente na festa da Imaculada Conceição manifesta-se em nós a suspeita de que uma pessoa que não peque de modo algum, no fundo, seja tediosa; que falte algo na sua vida: a dimensão dramática do ser autónomo; que faça parte do verdadeiro ser homem, a liberdade de dizer não, o descer às trevas do pecado e o desejar realizar sozinho; que somente então seja possível desfrutar até ao fim toda a vastidão e a profundidade do nosso ser homens, do ser verdadeiramente nós mesmos; que devemos pôr à prova esta liberdade também contra Deus, para nos tornarmos realmente nós próprios.
Em síntese, pensamos que o mal no fundo seja bem, que dele temos necessidade, pelo menos um pouco, para experimentar a plenitude do ser. Julgamos que Mefistófeles o tentador tem razão, quando diz que é a força "que deseja sempre o mal e realiza sempre o bem" (J.W. v. Goethe, Fausto I, 3). Pensamos que pactuar com o mal, reservando para nós mesmos um pouco de liberdade contra Deus, em última análise, seja um bem, talvez até necessário.
Precisamente na festa da Imaculada Conceição manifesta-se em nós a suspeita de que uma pessoa que não peque de modo algum, no fundo, seja tediosa; que falte algo na sua vida: a dimensão dramática do ser autónomo; que faça parte do verdadeiro ser homem, a liberdade de dizer não, o descer às trevas do pecado e o desejar realizar sozinho; que somente então seja possível desfrutar até ao fim toda a vastidão e a profundidade do nosso ser homens, do ser verdadeiramente nós mesmos; que devemos pôr à prova esta liberdade também contra Deus, para nos tornarmos realmente nós próprios.
Em síntese, pensamos que o mal no fundo seja bem, que dele temos necessidade, pelo menos um pouco, para experimentar a plenitude do ser. Julgamos que Mefistófeles o tentador tem razão, quando diz que é a força "que deseja sempre o mal e realiza sempre o bem" (J.W. v. Goethe, Fausto I, 3). Pensamos que pactuar com o mal, reservando para nós mesmos um pouco de liberdade contra Deus, em última análise, seja um bem, talvez até necessário.
Contudo, quando olhamos para o mundo à nossa volta, podemos ver que não é assim, ou seja, que o mal envenena sempre, que não eleva o homem mas o rebaixa e humilha, que não o enobrece, não o torna mais puro nem mais rico, mas o prejudica e faz com que se torne menor. É sobretudo isto que devemos aprender no dia da Imaculada: o homem que se abandona totalmente nas mãos de Deus não se torna um fantoche de Deus, uma maçadora pessoa consencientemente; ele não perde a sua liberdade. Somente o homem que confia totalmente em Deus encontra a verdadeira liberdade, a grande e criativa vastidão da liberdade do bem.
O homem que recorre a Deus não se torna menor, mas maior, porque graças a Deus e juntamente com Ele se torna grande, divino, verdadeiramente ele mesmo. O homem que se coloca nas mãos de Deus não se afasta dos outros, retirando-se na sua salvação particular; pelo contrário, só então o seu coração desperta verdadeiramente e ele torna-se uma pessoa sensível e por isso benévola e aberta.
O homem que recorre a Deus não se torna menor, mas maior, porque graças a Deus e juntamente com Ele se torna grande, divino, verdadeiramente ele mesmo. O homem que se coloca nas mãos de Deus não se afasta dos outros, retirando-se na sua salvação particular; pelo contrário, só então o seu coração desperta verdadeiramente e ele torna-se uma pessoa sensível e por isso benévola e aberta.
Quanto mais próximo de Deus o homem está, tanto mais próximo está dos homens. Vemo-lo em Maria. O facto de Ela estar totalmente junto de Deus é a razão pela qual se encontra também próxima dos homens. Por isso, pode ser a Mãe de toda a consolação e de toda a ajuda, uma Mãe à qual, em qualquer necessidade, todos podem dirigir-se na própria debilidade e no próprio pecado, porque Ela tudo compreende e para todos constitui a força aberta da bondade criativa.
É nela que Deus imprime a sua própria imagem, a imagem daquela que vai à procura da ovelha perdida, até às montanhas e até ao meio dos espinhos e das sarças dos pecados deste mundo, deixando-se ferir pela coroa de espinhos destes pecados, para salvar a ovelha e para a reconduzir a casa. Como Mãe que se compadece, Maria é a figura antecipada e o retrato permanente do Filho. E assim vemos que também a imagem da Virgem das Dores, da Mãe que compartilha o sofrimento e o amor, é uma verdadeira imagem da Imaculada. Mediante o ser e o sentir juntamente com Deus, o seu coração alargou-se.
Nela a bondade de Deus aproximou-se e aproxima-se muito de nós. Assim, Maria está diante de nós como sinal de consolação, de encorajamento e de esperança. Ela dirige-se a nós, dizendo: "Tem a coragem de ousar com Deus! Tenta! Não tenhas medo d'Ele! Tem a coragem de arriscar com a fé! Tem a coragem de arriscar com a bondade!
É nela que Deus imprime a sua própria imagem, a imagem daquela que vai à procura da ovelha perdida, até às montanhas e até ao meio dos espinhos e das sarças dos pecados deste mundo, deixando-se ferir pela coroa de espinhos destes pecados, para salvar a ovelha e para a reconduzir a casa. Como Mãe que se compadece, Maria é a figura antecipada e o retrato permanente do Filho. E assim vemos que também a imagem da Virgem das Dores, da Mãe que compartilha o sofrimento e o amor, é uma verdadeira imagem da Imaculada. Mediante o ser e o sentir juntamente com Deus, o seu coração alargou-se.
Nela a bondade de Deus aproximou-se e aproxima-se muito de nós. Assim, Maria está diante de nós como sinal de consolação, de encorajamento e de esperança. Ela dirige-se a nós, dizendo: "Tem a coragem de ousar com Deus! Tenta! Não tenhas medo d'Ele! Tem a coragem de arriscar com a fé! Tem a coragem de arriscar com a bondade!
Tem a coragem de arriscar com o coração puro! Compromete-te com Deus, e então verás que precisamente assim a tua vida se há-de tornar ampla e iluminada, não tediosa, mas repleta de surpresas infinitas, porque a bondade infinita de Deus jamais se esgota!".
Neste dia de festa, queremos agradecer ao Senhor o grande sinal da sua bondade, que nos concedeu em Maria, sua Mãe e Mãe da Igreja. Queremos pedir-lhe que ponha Maria no nosso caminho, como luz que nos ajuda a tornar-nos também nós luz e a levar esta luz pelas noites da história. Amém!
Papa Bento XVI in 'Homilia da Santa Missa da Imaculada Conceição' (Vaticano, 8 de Dezembro de 2005)
Papa Bento XVI in 'Homilia da Santa Missa da Imaculada Conceição' (Vaticano, 8 de Dezembro de 2005)
terça-feira, 7 de dezembro de 2021
Viva a Imaculada Conceição! Tota Pulchra es Maria!
Tota Pulchra es, Maria!
Tota Pulchra es, Maria!
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Toda Bela sois, Maria!
Toda Bela sois, Maria!
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Et macula originalis non est in te!
Et macula originalis non est in te!
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E a mancha original não existe em ti
E a mancha original não existe em ti
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Tu, Gloria Ierusalem!
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Tu, Glória de Jerusalém!
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Tu, Laetitia Israel!
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Tu, Alegria de Israel!
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Tu, honorificentia populi nostril!
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Tu, Honra do nosso povo!
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Tu, advocata peccatorum!
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Tu, Advogada dos pecadores!
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O Maria!
O Maria!
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Ó Maria!
Ó Maria!
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Virgo Prudentissima,
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Virgem Prudentíssima,
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Mater Clementissima,
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Mãe Clementíssima,
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Ora pro nobis.
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Rogai por nós.
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Intercede pro nobis
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Intecedei por nós
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ad Dominum Iesum Christum!
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ao Senhor Jesus Cristo!
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V. In Conceptione tua, Virgo, Immaculata fuisti.
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V. Vós fostes, ó Virgem, Imaculada em vossa Conceição.
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R. Ora pro nobis Patrem, cuius Filium peperisti.
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R. Rogai por nós ao Pai, cujo Filho destes à luz.
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Oremus. Deus, qui per immaculatam Virginis Conceptionem dignum Filio tuo habitaculum praeparasti, quaesumus, ut qui ex morte eiusdem Filii tui praevista eam ab omni labe praeservasti, nos quoque mundos eius intercessione ad te pervenire concedas. Per eumdem Christum Dominum nostrum.
Amen.
| Oremos. Ó Deus que preparastes uma digna habitação para o vosso Filho, pela imaculada Conceição da Virgem Maria, preservando-a de todo pecado, em previsão dos méritos de Cristo, concedei-nos chegar até vós purificados também de toda culpa, por sua maternal intercessão. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso.
Amém.
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Devo amar ainda mais a Deus do que amo os meus pais?
Se compreendermos que a religião vem em primeiro lugar e a piedade filial em segundo, esta questão fica esclarecida; com efeito, o humano tem de vir depois do divino. Porque, se temos deveres para com os pais, quanto mais para com o Pai dos pais, a quem devemos estar reconhecidos pelos nossos pais!
Ele não diz, portanto, que é preciso renunciar aos que amamos, mas que há que preferir Deus a todos. Aliás, encontramos noutro livro: «Quem amar pai ou mãe mais do que a Mim não é digno de Mim» (Mt 10,37). Não te é interdito amares os teus pais, mas preferi-los a Deus. Porque as relações naturais são benefícios do Senhor, e ninguém deve amar os benefícios recebidos mais do que a Deus, que preserva os benefícios que dá.
Santo Ambrósio in Comentário ao evangelho de Lucas, 7, 134
segunda-feira, 6 de dezembro de 2021
Quando um Bispo ou Sacerdote vos negar a Missa Tradicional mostrem-lhe estas palavras do Papa
"Assim é também a Igreja: católica, isto é, universal, espaço aberto onde todos são acolhidos e abrangidos pela misericórdia de Deus e pelo convite a amar. Não há – e oxalá nunca existam – muros na Igreja Católica."
"Não há – e oxalá nunca existam – muros na Igreja Católica. Vo-lo peço por favor! É uma casa comum, é o lugar das relações, é a convivência da diversidade: este rito, aquele rito...; um pensa assim, esta irmã viu dum modo, aquela viu doutro…
A diversidade de todos e, nesta diversidade, a riqueza da unidade. E quem faz a unidade? O Espírito Santo. E quem faz a diversidade? O Espírito Santo. Quem puder compreender, compreenda. Ele é o autor da diversidade, tal como é o autor da harmonia. Assim o dizia São Basílio: «Ipse harmonia est – Ele próprio é a harmonia». É Ele Quem faz a diversidade dos dons e a unidade harmoniosa da Igreja."
sábado, 4 de dezembro de 2021
Oração, Jejum e Misericórdia - São Pedro Crisólogo
Há três coisas, irmãos, pelas quais se confirma a fé, se fortalece a devoção e se mantém a virtude: a oração, o jejum e a misericórdia. O que pede a oração, alcança-o o jejum e recebe-o a misericórdia. Oração, jejum e misericórdia: três coisas que são uma só e se vivificam mutuamente.
O jejum é a alma da oração, e a misericórdia é a vida do jejum. Ninguém tente dividi-las, porque são inseparáveis. Quem pratica apenas uma das três, ou não as pratica todas simultaneamente, na realidade não pratica nenhuma delas. Portanto, quem ora, jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede, pois aquele que não fecha os seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.
Quem jejua, entenda bem o que é o jejum: seja sensível à fome dos outros, se quer que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso, se espera alcançar misericórdia; compadeça-se, se pede compaixão; dê generosamente, se pretende receber. Muito mal suplica quem nega aos outros o que pede para si. Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a prontidão que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e prontidão.
Façamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única operação sob três formas distintas. Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não o saber apreciar; imolemos pelo jejum as nossas almas, porque nada melhor podemos oferecer a Deus, como ensina o Profeta: Sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido; Deus não despreza um coração contrito e humilhado.
Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo fica em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos se podem oferecer a si mesmos.
Mas para que esta oferta seja aceite a Deus, deve acompanhá-la a misericórdia; o jejum não dá fruto se não for regado pela misericórdia; seca o jejum se secar a misericórdia; o que a chuva é para a terra é a misericórdia para o jejum. Por muito que cultive o coração, purifique a carne, extermine vícios e semeie virtudes, nenhum fruto recolherá quem jejua, se não abrir os caudais da misericórdia.
Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu o não possuirás.
Sermões de São Pedro Crisólogo
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