sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

D. Gina, uma vida ao serviço da Capela da Universidade Católica

Foi das primeiras pessoas que conheci quando entrei para a Universidade Católica e estará para sempre ligada às vidas de dezenas e dezenas de professores, funcionários e alunos. Conhecia-a na mesma capela onde vi pela primeira vez o meu marido, e acompanhou a nossa história de perto.

Sempre presente, bem vestida, perfumada, as mãos cuidadas e delicadas, reflexo pálido da delicadeza e amor que punha em tudo quanto fazia, e que bem escondiam muitos trabalhos pesados que fez ao longo de muitos anos de serviço àquela instituição. Sempre de coração aberto, verdadeiramente boa, foi com a D. Gina que aprendi a rezar o terço da misericórdia, que sempre rezava às três da tarde. 

Cuidava de todos nós como se de um filho se tratasse -incluindo o capelão. Hoje, o sacerdote na Missa referia os “enxovais” que preparava para os seminaristas, por quem tinha especial carinho – também nós, quando nos casámos, recebemos um enxoval da D. Gina, cheio do seu amor. A sua presença maternal, a sua voz sempre amável, as suas palavras bondosas - tudo isto deu, de tudo teremos saudades.

Morreu na capela que era “sua”, a fazer o que fez tão bem, toda a vida, a tratar de Jesus. Estava por perto quando soube da notícia e não resisti a ir lá para rezar naquele local que tanto nos diz. Estava lá o presépio, tão bonito, que todos os anos fazia, as flores arranjadas, as alfaias litúrgicas polidas e engomadas, a casa do Senhor que brilha como aquela alma. 

Ajoelhada, rezei e agradeci profundamente o dom da sua Vida, e procurando algum consolo, dirigi-me a um pequeno cesto na entrada, com frases de Santos para o Advento. Calhou-me esta, de S. Adalberto:

“Não estejais tristes. Sabeis que sofremos pelo nome do Senhor, cujo poder esta acima de todo o poder, cuja beleza supera toda a formosura, que tem autoridade inexprimível e bondade inefável. Na verdade, que há de mais belo e mais delicioso que dar a vida pelo dulcíssimo Jesus?”

A D. Gina sabia isto melhor do que ninguém.

Catarina Nicolau Campos


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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O regresso à reverência pelo Santíssimo Sacramento




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A Igreja Católica condenou o "desumano mercado dos negros"

Elevados à suprema dignidade do apostolado e representando, ainda que sem nenhum mérito, a pessoa de Jesus Cristo Filho de Deus, que por sua desmedida caridade se fez homem e se dignou morrer pela redenção do mundo, sentimos que pertence à nossa solicitude pastoral esforçar-nos para dissuadir completamente os fiéis do desumano mercado dos negros e de quaisquer outros homens. 

Por essa razão nós, querendo fazer desaparecer o mencionado crime de todos os territórios cristãos, após madura consideração, recorrendo também ao conselho de nossos veneráveis irmãos cardeais da santa Igreja de Roma, seguindo as pegadas de nossos predecessores, com a nossa apostólica autoridade, admoestamos e esconjuramos energicamente no Senhor todos os fiéis cristãos de qualquer condição que, doravante, ninguém ouse fazer violência, desapropriar de seus bens ou reduzir seja quem for à condição de escravo, ou prestar ajuda ou favorecer àqueles que cometem tal delito ou querem exercitar o indigno comércio por meio do qual os negros são reduzidos a escravos – como se não fossem seres humanos, mas pura e simplesmente animais, sem nenhuma distinção, contra todos os direitos de justiça e humanidade -, são comprados, vendidos e constrangidos a trabalhos duríssimos. 

Nós, julgando as mencionadas acções indignas do nome cristão, condenamo-las com nossa apostólica autoridade. Proibimos e vetamos com a mesma autoridade a qualquer eclesiástico ou leigo defender como lícito o tráfico dos negros, qualquer seja o escopo ou pretexto, e de presumir ensinar de outro modo, pública e privadamente, contra aquilo que com a presente carta apostólica expressamos.

Papa Gregório XVI in Carta Apostólica 'In Supremo Apostolatus' (03.XII.1839)


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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Padre Nicola Bux: “O rito romano antigo não é uma excepção”

Entrevista conduzida por Bruno Volpe ao Padre Nicola Bux, professor de teologia sacramentária, especialista em liturgia e um colaborador próximo do Papa Bento XVI.

Padre Nicola, o rito romano antigo é uma excepção?

Não é isso que diz o Motu Próprio do Papa Bento XVI, Summorum Pontificum. Aliás, no texto lê-se explicitamente que os dois ritos têm igual dignidade. Quem o diz é o Papa, não eu. Portanto, considerando o documento, não podemos dizer que seja uma excepção, a não ser que queiramos chegar a uma conclusão que seja contrária ao documento do Papa.

Então de onde surge este dito carácter de “excepção”?

Não sei. Provavelmente estamos ao nível das interpretações, mas que no entanto não encontram confirmação, como dizia, no documento do Papa Bento XVI, que é a base textual.

Sobre o rito romano antigo: muitos jovens nos últimos anos estão a aproximar-se com interesse. Porquê?

Posso confirmar que existe um renovado interesse, especialmente entre os jovens. Creio que isto dependa do facto de ser precisa mística, que é uma qualidade que o rito antigo tutela e encoraja, pela própria maneira como é estruturado. Claro, é preciso dizer que este rito não tem nem o monopólio da mística e que também no rito antigo é possível celebrar desleixadamente.

Quanto à homilia, podemos dizer que se trate de um discurso “político”, como disse o Papa Francisco?

Esta definição parece-me ambígua e é preciso dar-lhe mais precisão. Se nos estamos a referir a, depois de comentar as leituras do dia, evocar factos da actualidade e da vida concreta, é lícito falar de política. Isto é, se colocarmos as leituras na vivência dos nossos dias. No entanto, a homilia não deve entrar agressivamente na vida política no sentido da luta dos partidos. Isso não. 

Enquanto Teólogo: Existem castigos divinos, isto depois da polémica desenrolada pelo Padre Cavalcoli?[1]

Nas Sagradas Escrituras, tanto no Antigo como no Novo Testamento, encontramos vários momentos onde falamos abertamente de castigos de Deus. No Evangelho, por exemplo, temos o episódio da Torre de Siloé e os massacres de Pilatos. A síntese que temos é esta: “se não vos converterdes perecereis todos da mesma maneira”. 

Uma calamidade natural ou um acto violento feito por homens não é visto necessariamente como um castigo pelo pecado, também porque se pode abater sobre pessoas inocentes, mas antes como uma advertência para nos convertermos. Como dissera Jesus, o Pai faz chover sobre os bons e sobre os maus. A questão é que muitos hoje pensam que Deus, se existe, não tem nada a ver com a vida, mesmo se depois estão prontos a lamentar-se quando vem uma catástrofe, perguntando-se onde estava Deus.

in lafedequotidiana.it


[1] Nota do editor: Depois dos terramotos de Itália deste ano, o Padre Cavalcoli foi duramente criticado por interpretar os acontecimentos enquanto castigo divino pelas políticas contrárias à lei natural adoptadas pelo país.


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Quem são os Santos Inocentes?

Hoje é dia dos Santos Inocentes, as crianças recém-nascidas que foram mandadas matar pelo rei Herodes na tentativa de matar o menino Jesus. 


Não podemos deixar passar este dia sem nos lembrarmos dos bebés inocentes que são abortados em todo o mundo. Desde 1980 foram mais de mil e trezentos milhões (1.300.000.000).

Rezemos pelos que os mataram e pelo fim do aborto no mundo inteiro.

Nota: Se no holocausto nazi foram mortas 6 milhões de pessoas, o número de abortos nos últimos 30 anos é o equivalente a 217 holocaustos nazis.

João Silveira


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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Pai desabafa emocionado: "O Síndrome de Down foi a melhor coisa que me aconteceu"

Perante a crueldade dos números: 90% de bebés com Síndrome de Down abortados, um Pai explica que ter um filho com Síndrome de Down mudou a sua vida.


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A obra prima de São João

São João evangelista começou o seu evangelho com um texto que encantou todas as gerações. O prólogo é duma beleza e profundidade tais que é lido no final de todas as Missas em Rito Romano Antigo. Vale a pena ler e rezar.



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sábado, 24 de dezembro de 2016

Natal, empresários e astronautas que não andam na lua

Há uns anos, um pai, com um diagnóstico fatal a curto prazo, quis prevenir os filhos e explicar-lhes que Jesus estava à espera, para o receber em breve. Um dos pequenos perguntou como é que o pai sabia que Jesus o ia receber no Céu: «Meu filho, há tantos anos que eu O recebo na Eucaristia e Ele, agora, não me ia receber?».

Preparar o Natal é caminhar intensamente para o encontro com Cristo. O passo em que o Papa tem insistido mais é a Confissão sacramental; outra etapa é participar na Eucaristia em que, de uma forma imediata, recebemos o próprio Cristo.

Recordo que, nos anos 80, o CEO de uma marca muito conhecida de «blue jeans» veio a Lisboa em negócio. No meio da agenda apertada de reuniões, já sabia onde ia assistir à Missa cada dia, porque tinha encarregado a secretária de telefonar antecipadamente a informar-se dos horários de várias paróquias. Para um lisboeta da época aquilo era surpreendente. Em primeiro lugar, pela capacidade de ultrapassar obstáculos, porque aquele empresário não falava português e provavelmente a secretária teve dificuldade em se fazer entender e obter a informação. Depois, pelos recursos, porque naqueles anos as chamadas internacionais a partir de Portugal eram caríssimas, embora fosse barato telefonar de outros países. Recordo que alguns engenheiros da EDP, que souberam da lista, resolveram ampliar a ideia: assim nasceu uma listagem completa, para toda a cidade de Lisboa, que circulou por muitas mãos, em fotocópias. Anos mais tarde, com o aparecimento da internet, a lista ficou «online», cada vez mais exaustiva e actualizada, e, em época mais recente, o «site» do Patriarcado encarregou-se de disponibilizar a informação.

A caminho do encontro do Natal, pergunto-me como se comportaria, nas minhas circunstâncias, o CEO de uma multinacional de «blue jeans».

À falta de informação sobre a estrela do Natal, vale a pena navegar nas páginas pessoais de alguns astronautas, por exemplo https://twitter.com/astroillini, para ver fotografias de cometas deslumbrantes no céu estrelado, planetas vibrantes, a Terra muito ao longe e a Lua muito ao perto... Além das imagens, no meio dos «tweets», encontram-se testemunhos mais pessoais. Dennis Sadowski, reuniu no «Catholic News Service» de Abril deste ano declarações de bastantes astronautas. A beleza do céu é tão impressionante que é comum eles sentirem o impulso de se referir a Deus. Muitos rezam o terço dentro da «cúpula» da nave, uma sala forrada de janelas, por onde se vê o Universo a 360º. Outros vão ler a Bíblia para a cúpula. Está no «Youtube» a célebre mensagem dos astronautas da Apollo 8, na noite de Natal de 1968, que consistiu em lerem em voz alta a parte do Génesis que descreve a Criação.

A propósito do Natal, chamou-me a atenção o empenho de alguns astronautas para não perderem a Eucaristia. Por exemplo, em 2013, Mike Scott Hopkins, que se convertera uns anos antes, conseguiu autorização para levar a Eucaristia para o espaço, para poder comungar durante os longos meses da sua missão na ISS (International Space Station). Na cúpula, rodeado de estrelas, sentia-se verdadeiramente numa catedral. «Quando se contempla a Terra deste observatório único e se admira toda a beleza natural que existe, é difícil não se sentar ali e perceber que tem de haver um poder maior que fez isto». Pelos vistos, não é pouco comum os astronautas terem acesso à Comunhão durante as missões espaciais.

Uma das mordomias que a NASA oferece aos astronautas durante o voo é a possibilidade de terem uma vídeo-conferência com a personalidade que escolherem. Recentemente, o astronauta Mark Vande Hei pediu para conversar com o Papa Francisco. Vamos ver o que a NASA consegue. Pode ter sorte, porque a NASA já conseguiu que em 2011 o Papa Bento XVI falasse durante 20 minutos com a tripulação da ISS (a vídeo-conferência pode ver-se aqui ).

José Maria C.S. André in Correio dos Açores, 4-XII-2016


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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Educação sexual nas escolas? Sou contra! Absolutamente contra!

Uma hora depois, entro na redação e apanho a correspondência. Ao abrir o primeiro envelope, apanho um susto. Era um leitor irritadíssimo. Lera algumas "Confissões" e vira em mim um brutal reacionário. Não queria, porém, ser injusto. Por isso, pedia ou exigia que eu me definisse sobre a Educação Sexual. Sou contra ou a favor? 

Bem. Vou ser o mais taxativo possível: - Sou contra. E, para evitar qualquer dúvida, ou sofisma, direi com a maior ênfase: - "Absolutamente contra". Não sei se me entendem. A Educação Sexual devia ser dada por um veterinário a bezerros, cabritos, bodes, cães e gatos vadios. 

No ser humano, sexo é amor. Portanto, os meninos, as meninas deviam ser preparados, educados no amor. Se o meu leitor progressista ainda não está satisfeito, direi algo mais. O homem está triste porque, um dia, separou o Sexo do Amor. Nada mais vil do que o desejo sem amor. A partir do momento da separação, começou o processo de aviltamento que ainda não chegou ao fim. E, assim, o homem tornou-se um impotente do sentimento e, portanto, o anti-homem, a anti-pessoa.

Nelson Rodrigues in 'O Reacionário'


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A melhor coisa que se pode oferecer a Jesus neste Natal é a confissão




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Candla

É uma nova App Portuguesa que permite acender uma vela real na sua Igreja ou Santuário à distância quando não o pode fazer fisicamente.

O Papa Bento XVI foi o grande dinamizador do uso das redes sociais na Igreja, classificando-as mesmo como portais de verdade e de fé, e o nosso querido Papa Francisco seguiu essa tendência, ou, se quisermos, essa onda jovem e popular que aproxima cada vez mais Católicos por todo o mundo.  

Foi em 2002, que o Papa João Paulo II publicou pela primeira vez uma mensagem oficial sobre o impacto da internet na Igreja Católica. Passados quase 15 anos deste primeiro passo, e após o lançamento em 2014 do « Click to Pray » Portugal volta em 2016 a estar na vanguarda da inovação com a CANDLA (www.candla.org) que é uma App que permite acender uma vela real numa Igreja ou Santuário à distância, através do seu telemóvel.

Num mundo em que as fronteiras estão cada vez mais abertas e os intercâmbios culturais são facilitados pelas plataformas digitais, com este conceito inovador, a APP Candla quer acrescentar uma nova dimensão aos gestos da fé e à expressão popular.

A inovadora APP Candla, permite assim às comunidades emigrantes, e a todos os que por motivos de saúde ou profissionais não podem estar presentes na sua Igreja ou Santuário, ou que num momento especifico da sua vida querem estar mais perto do Santo da sua devoção e não o consigam fazer presencialmente, consigam esbater essas barreiras pela relação entre a APP Candla e o velário ou lampadário implementado na Igreja ou Santuário.

No entanto, este gesto não se esgota no acender de uma vela. A APP Candla, remete aos utilizadores em tempo real uma pagela com a oração do Santo ao qual acendemos a nossa vela, permitindo assim a oração ao Santo da nossa devoção.    

Já aderiram a este Projeto, muitas das Igrejas de Lisboa, como o Mosteiro dos Jerónimos ou a Igreja de Santo António ou Nossa Senhora de Fátima e agora está à distância de um toque acender uma vela nestas Igrejas. Para isso, basta apenas selecionar qual a igreja em que quer acender a vela, o Santo, a data e quantas velas quer e clicar em “acender vela”.

Para este conceito inovador, o acender de uma simples vela não é apenas uma simples prática de devoção popular com carácter sentimental, é uma expressão da essência da experiência cristã, e mesmo que tenha uma dimensão virtual, apontamos sempre para o mundo real e uma vela real irá acender-se. 


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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A Ordem dos Pregadores (Dominicanos) faz hoje 800 anos

No dia 22 de Dezembro de 1216, com a bula 'Religiosam Vitam', o Papa Honório III, aprovou a Ordem dos Pregadores. Esta é uma ordem mendicante fundada por S. Domingos de Gusmão, daí que os seus membros sejam conhecidos como 'Dominicanos'.

Como ordem mendicante, além da pobreza, adoptou desde o início um estilo de vida itinerante, de modo a melhor evangelizar, pregar e administrar os sacramentos. Além disso, os dominicanos sempre tiveram como características um carácter combativo e a prioridade dada ao estudo e à intelectualidade.

A prova disso é que o maior teólogo de sempre foi dominicano: S. Tomás de Aquino. S. Tomás é chamado o "Doutor Comum" porque não se pode fazer teologia sem fugir ao seu pensamento, de tal maneira foi profunda, e verdadeira, a sua doutrina.

Ao longo destes oito séculos, a Ordem dos Pregadores deu ao mundo muitos santos, como: S. Alberto Magno, Santa Catarina de Sena, S. Vicente Ferrer, S. Pio V (Papa), S. Martinho de Porres ou Santa Rosa de Lima.

Que todos estes santos, e especialmente o fundador S. Domingos, possam interceder para que a Ordem dos Pregadores volte a defender integralmente a doutrina e a tradição católica, tal como aconteceu ao longo dos séculos.

Aqui ficam algumas imagens do Rito Dominicano, que vem directamente de S. Domingos, e que é bastante parecido com o Rito Romano (Antigo):




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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A noiva e as carmelitas

Enquanto crescia, Maria Teresa sempre foi com a sua família à Missa ao Carmelo de Barquisimeto (Venezuela). Por isso considera as irmãs carmelitas como parte da sua família. Quando ficou noiva pediu às irmãs que lhe fizessem o ‘bouquet’ para o seu casamento. As irmãs incluíram no ‘bouquet’ dois escapulários: um para cada um dos noivos.

Maria Teresa quis partilhar a alegria pelo seu matrimónio visitando o Carmelo e as suas queridas carmelitas.


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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O oximoro

Qual a palavra, qual é ela, tão estranha, que não pertence à sua própria língua (já nasceu estrangeira) e não significa o que diz, nem o seu contrário?

Os gregos tinham a palavra «oxi», para significar agudo, vivo, atiçado («oxi» subsiste nas línguas modernas na raiz da palavra oxigénio) e tinham também a palavra «moros» como sinónimo de tonto. A inventiva que lhes faltou para juntar «oxi-moros» tiveram-na os latinos medievais, que cunharam o conceito de «vivaço tonto». A língua inglesa inspirou-se nesta conjunção impossível, popularizou-a e utilizou-a para designar as figuras de retórica baseadas na contradição. 

São oximoros as expressões «silêncio ensurdecedor» (em inglês, «thunderous silence» ou «deafening silence»), «mortos-vivos» (em inglês «living death» ou «walking dead») e várias das expressões bem-humoradas da tecnologia moderna, como «luz escura» («dark light») e «realidade virtual» («virtual reality»).

O Natal é a festa de combinações que ultrapassam a lógica humana e, por isso, perdemos-lhe o sabor quando o reduzimos a comércio, ou a ficção, ou promessa de êxito. O Natal é mais fascinante que o oximoro mais estranho, porque foi pensado pela mente de Deus e se tornou realidade graças ao seu poder.

Um colega da universidade estreou-se na carreira de investigação, ainda muito criança, com um estudo sobre a logística do Pai Natal. Partiu da suspeita de que era impossível um Pai Natal entregar presentes em todas as chaminés do mundo à meia-noite do mesmo dia e, com esse argumento, avançou para a desconfiança de que o Pai Natal não existia. Pegou num mapa, para confirmar a premissa, mas reparou: os fusos horários! Por causa dos fusos horários, o Pai Natal não teria de colocar os presentes simultaneamente em todas as chaminés, porque, ao longo de 24 horas, ia sendo meia-noite, gradualmente, na superfície do Planeta. 

Que felicidade, para uma criança, compreender o segredo da logística natalícia! Entretanto, a tal criancinha cresceu, a sua carreira científica evoluiu para outras áreas, mas não precisou de um doutoramento para descobrir que o Pai Natal, de facto, não existe. Não por uma questão técnica. Simplesmente, não existe. O Pai Natal não é uma contradição, é uma banalidade.

O Natal é diferente. Fala-nos do impossível aos homens, da vitória daquilo a que o Papa chamou a «debilidade omnipotente». Só Deus reconcilia extremos tão opostos e lhes dá sentido real.

Disse o Papa Francisco: «a única força capaz de conquistar o coração dos homens é a ternura de Deus. Aquilo que encanta e atrai, aquilo que dobra e vence, aquilo que abre e liberta das cadeias não é a força dos instrumentos ou a dureza da lei, mas a debilidade omnipotente do amor divino, que é a força irresistível da sua doçura e a promessa irreversível da sua misericórdia» (Fevereiro de 2016).

Se não fosse tão infinito, Deus não seria tão irresistível e tão amável. Por isso, no Natal, no contraste mais extremado, refulge tão profundamente a grandeza de Deus.

No longínquo 1937, em que o comunismo continuava aliado a Hitler (até Junho de 1941) e as forças russas, protegidas por este aliado aparentemente invencível, avançavam de vitória em vitória, Paul Vaillant-Couturier dava rédea solta à sua veia poética: «Somos a juventude ardente // que vem escalar o céu // num cortejo fraterno // unamos as mãos palpitantes // saibamos proteger o nosso pão // construiremos um amanhã que cante» («Nous sommes la jeunesse ardente // Qui vient escalader le ciel // Dans un cortège fraternel // Unissons nos mains frémissantes // Sachons protéger notre pain // Nous bâtirons un lendemain qui chante.» – Paul Vaillant-Couturier, Jeunesse, 1937). Esta poesia foi citada por tantos autores marxistas que a expressão «amanhãs que cantam» se tornou um lugar-comum.

A questão é saber quais são os amanhãs que cantam. Em 1937, Vaillant-Couturier estava eufórico com a anexação da Finlândia, a que se seguiria a dos países Bálticos e todos os outros avanços imparáveis do comunismo no Leste europeu. Passados somente 5 anos, um outro marxista, Gabriel Péri, morria às mãos dos nazis prometendo uma nova versão de amanhãs que cantam. E, depois dele, uma catadupa de amanhãs cantantes sucedeu-se na literatura e na política.

Um futuro melodioso não é um oximoro e qualquer DJ promete música. O Natal é mais radical que os DJs, marxistas ou burgueses. É uma mensagem tão acima de todo o cálculo humano que inverte os critérios do poder e da glória, e empalidece o brilho das armas. O coração humano fica desarmado perante a «debilidade omnipotente».

Aquele bebé nos braços da mãe convoca a humanidade a uma verdadeira revolução. Um Natal sem Jesus ao colo é só um Pai Natal burguês ou um DJ a prometer um amanhã marxista. A velha profecia de Isaías vaticinava esta revolução impossível aos homens: «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz... porque um Menino nasceu para nós, um filho nos foi dado: (...) Deus forte, Príncipe da Paz». Um bebé que dorme nos braços da sua mãe é o Deus forte, o Príncipe da Paz: «O seu poder será engrandecido numa paz sem fim», dizia Isaías.

O oximoro por excelência torna-se realidade. «Porque nada é impossível a Deus», explicou o Anjo a Nossa Senhora. É quase simples. – Deus fez-Se carne e habitou entre nós.

José Maria C.S. André in Correio dos Açores, 18-XI-2016


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sábado, 17 de dezembro de 2016

500 vozes cantam músicas de Natal para felicitar o Papa



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Hoje faz anos o Papa Francisco!

V. Oremus pro Pontifice nostro Francisco.
R. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius.





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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Pode um Pai ser misericordioso e severo ao mesmo tempo?

Durante uma entrevista feita pela ACI Stampa, o Cardeal Gerhard Müller foi questionado sobre a possibilidade de ser misericordioso ao corrigir os erros doutrinais. O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé respondeu: 

“Pode um pai ser misericordioso e severo ao mesmo tempo? Na verdade, se um pai não corrige os seus filhos e, ao invés disso, justifica ou minimiza os seus erros, não os ama e envia-os directamente para a sua perdição. Um pai que não ajuda os seus filhos a reconhecer seus erros, não os ama de verdade e não confia na possibilidade de que eles mudem. Porque a misericórdia contém em si, de forma indelével e inseparavelmente, o amor e a verdade. Pertence à tradição cristã, desde as Escrituras até ao Magistério dos últimos Papas, que amor e verdade estão juntos: não existe amor sem verdade e não existe verdade autêntica sem amor. E isto não deveria ser válido também para a doutrina?”

A misericórdia, explica o Cardeal, “é o contrário do laissez faire (deixar fazer)… esta não é a atitude de Deus frente ao Homem. Basta ler os evangelhos e ver como se comportava Jesus: era bom mas ao mesmo tempo não ocultava a verdade. E a doutrina tem o mesmo objectivo de ajudar-nos a conhecer a verdade, nos ajuda a aceitá-la na sua integridade e não enganar a verdade”.

“A doutrina, para os cristãos, não tem como última referência as ideias (que temos) sobre Deus ou sobre a salvação que nos oferece, mas a vida mesma de Deus e sua irrupção na vida do homem. É uma ajuda para compreender quem é Deus e o que está em jogo com a salvação que Deus oferece à vida concreta do Homem”.

Entretanto, “para compreender tudo isto, é necessária uma razão humilde, que não se coloca presunçosamente como a medida de todas as coisas. Infelizmente, o pensamento que surge da modernidade, que nos deixou também uma herança de muitas coisas belas, privou-nos desta humildade.”

O Cardeal alemão disse ainda que “a misericórdia por meio da qual Jesus reveste o nosso coração, às vezes com força, outras vezes com doçura, é uma onda de bem e de verdade com a qual nos urge mudar a nossa vida e abrir-nos àqueles que vivem ao nosso lado, fazendo que se sintam próximos, perto.”

“A misericórdia ajuda-nos a conhecer sempre mais aquele Deus que se revela em Jesus e nos revela sempre mais a nós mesmos. E nos ensina a olhar, a amar-nos a nós mesmos e aos outros nessa perspectiva de bem e de verdade através da qual Jesus mesmo nos vê.”

Neste sentido, continuou o Cardeal, “para mim, é paradigmático da misericórdia o gesto da confissão sacramental. Cada vez que nos confessamos, aproximamo-nos do Senhor com o olhar sobre os nossos pecados e podemos sair aliviados, contagiados pelo Seu olhar sobre nós, algo justo e bom ao mesmo tempo, não faz concessões fáceis, mas não nos abandona ante nossas misérias”. 

“Espero para a Igreja e para todos nós que sigamos Jesus sempre com mais fidelidade e amor, a fim de não permanecermos prisioneiros de nossas fragilidades e misérias. Assim, poderemos servir sempre melhor aos nossos irmãos e irmãs, na Igreja ou fora dela, porque o mundo inteiro necessita de Cristo, precisa ser aliviado e renovado pelo Seu amor.” 

in acidigital


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Novena de Natal



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Procissão de Nossa Senhora de Fátima em Roma com Mons. Georg Gänswein











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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Uma carta ao 'Canal Panda' que todos os pais devem ler

Ao CEO da Dreamia, Produtora dos canais temáticos Panda e Panda Biggs, Pedro Mota Carmo

Caro Pedro,

(Desculpe o tratamento pelo primeiro nome, não o tome como falta de respeito. Não é. Se um dia me responder a este e-mail, terei todo o gosto em ser tratado apenas como Bernardo)

O meu nome é Bernardo do Valle de Castro, tenho 34 anos, casado e pai de três filhos.

Muitas vezes vou a casa de amigos e, para poder estar à conversa com eles, os filhos deles ficam a ver televisão. É um alívio, um sossego!

Sempre que passo os olhos pelos bonecos que estão a dar, no entanto, dá-me aquela sensação de nostalgia: “Os desenhos animados que eu via em pequeno é que eram bons! Desenhos bem-feitos, histórias calmas, giras.” Mas enfim, como não sou dado a nostalgias, não me interesso em continuo à conversa.

Uma vez por outra, quando tenho um bocadinho mais de paciência, fico a ver um bocado os desenhos animados e de quase-nostálgico, fico preocupado: não só os desenhos animados não são nada como os que eu via em pequeno (nem têm que ser, claro!), como são, a meu ver, feios, com personagens parvas, ridículas, com histórias absurdas, com diálogos maus, deseducativos, graves. Não percebo nada de “como é que se capta a atenção dos espectadores infantis”, mas a sensação que dá ao observador comum é que aquilo é realmente mau…e os miúdos comem com aquilo sem qualquer critério.

Naturalmente, em nossa casa, não temos televisão. Os meus filhos vêm o que eu os deixo ver: o critério sou eu quem lhes dá. Ainda são pequenos. Mais velhos, verão outras coisas, conversando comigo e com a minha mulher, e quando já souberem pensar por eles, verão o que quiserem, claro. Não temos televisão mas temos computador e internet e facebook e alguns amigos com televisão atentos aos programas de dois dos seus canais: Panda e Panda Biggs – o tal da diversão, que os filhos dos meus amigos vêem muito.

Ultimamente tenho visto excertos destes dois canais, que me têm chegado por facebook. Digo sem exagero que, quem tenha bom senso, não pode ficar senão horrorizado com aquilo. Na verdade, não é horrorizado com aquilo: é horrorizado com a hipótese de miúdos de 4, 5 e 6 anos verem aquilo sem qualquer critério, só porque os pais, coitados, querem estar a descansar. Pergunto-lhe, sem ser em tom de provocação (não é mesmo essa a minha intenção. Não me conhece, mas garanto-lhe.), se já alguma vez viu aqueles canais? É assustador.

Fui, então, ver quem era a entidade responsável pelos canais Panda e percebi que era uma empresa chamada Dreamia. A partir daí foi fácil: linked in e cheguei ao nome do CEO da empresa – o seu, desde há 2 anos e 10 meses.

Não sei quais são as funções de um CEO de uma empresa responsável por estes canais. Provavelmente não é sua a função da escolha da programação, mas imagino que seja seu o papel de supervisão geral, nem que seja pelas pessoas responsáveis pela escolha dos conteúdos dos seus canais. Por isso é a si que dirijo esta carta, para lhe expor a minha preocupação e algumas dúvidas que tenho.

Penso nas motivações que o levaram a aceitar este cargo: teria uma ideia para os seus canais? Uma linha orientadora? Um conteúdo que gostava de apresentar? Talvez fosse mais empresarial, o seu propósito, e tenha querido apenas assegurar que os seus canais seriam cada vez mais líderes de audiências, no matter what!

Duvido sinceramente que alguém no seu lugar nunca se tenha posto a questão: “Qual a função da televisão? Dado o incrível poder deste aparelho, interessará questionar-me sobre se a televisão tem ou deve ter alguma função, já que é tão espectacularmente influenciadora? Tudo se deve resumir, realmente, ao descartar absoluto da responsabilidade no «só vê quem quer?»”. Pergunto-me se alguma vez o Pedro se terá feito alguma destas perguntas. Sendo ou não sua a responsabilidade da escolha da programação, o Pedro lidera a entidade responsável por ela. Que poderosa responsabilidade, a sua!

Sei que também tem outros canais – não apenas os vocacionados para crianças. E se, aí sim, me aprece mais claro o “só vê quem quer, seja bom ou mau o conteúdo”, no que toca aos canais infantis penso que a questão não pode deixar de se colocar. Apetecia-me ilustrar algumas passagens dos desenhos animados que passam nos dois Pandas, mas quero manter o nível desta carta e não o baixar ao nível perverso dos desenhos animados infantis que infinitas crianças vêem pelo nosso país fora, formando os critérios de futuros portuguesinhos, formação essa para a qual, em parte, obviamente, o Pedro contribuiu.

Já lhe perguntei antes se o Pedro alguma vez viu aqueles canais. Quero acreditar que sim. Por isso, pergunto-me também se deixaria um filho seu ver aquilo. Espero sinceramente que não. É realmente mau demais para ser verdade.

Tenho curiosidade para, um dia, me sentar numa mesa das vossas, onde estão a decidir que programas comprar para serem reproduzidos nos canais Panda: não consigo mesmo perceber qual o critério que é usado para decisões dessas. Não que a televisão tenha que ter carácter educativo para as crianças, e que esse seja o critério com base no qual compram os vossos programas: só os vê quem quer, por isso podem pôr lá o lixo inteiro, que, no limite, a responsabilidade é dos pais. Agora, o conteúdo daqueles desenhos animados é propositadamente deseducativo! Parece que, nessa tal mesa redonda onde essas coisas são decididas, os seus colegas assumem o direito de colocarem o que querem como uma obrigação de subserviência ao lixo que vos chega.

Se, por hipótese meramente académica, fizéssemos um teste, e colocássemos uma criança a ver exclusivamente os canais Panda durante vários dias, nos seus tempos livres em casa, o resultado seria certamente uma criança perturbada: os seus comportamentos adaptar-se-iam aos dos seus heróis, aos dos seus exemplos, aos dos seus pequenos ídolos animados.
Ups! Isto não é uma hipótese meramente académica: esta é a realidade diária de milhares de crianças portuguesas que estão presas ao lixo que vêem durante duas horas. (Desculpe a linguagem, mas sou mais pela verdade que pelos eufemismos).

Se calhar, afinal, sou saudosista, porque gostava muito mais dos desenhos animados que eu via quando era pequenino, porque recebi com as suas personagens critérios que me acompanharam à medida que cresci: a procura da beleza, da história bem contada, das personagens exemplares com quem nos queremos identificar, do bem e do mal, do certo e do errado, dos crescidos que estão lá para nos ajudar e são referência. Enfim, tudo, absolutamente tudo o contrário do que hoje é possível ver nos desenhos animados que os meus filhos não vêm mas que os filhos de pessoas de quem gosto vêm.

Caro Pedro, não me tome a mal este meu desabafo: é o de alguém naturalmente preocupado com o mundo no qual os seus filhos crescerão, e onde tanta coisa é o contrário absoluto do que lhes quero ensinar. Se faz favor, perceba que não podia ficar calado!

Com amizade,

Bernardo do Valle de Castro


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O matrimónio faz de dois corpos uma só carne

O matrimónio é um sacramento que faz de dois corpos uma só carne: como diz com expressão forte a teologia, são os próprios corpos dos contraentes que constituem a sua matéria. O Senhor santifica e abençoa o amor do marido à mulher e o da mulher ao marido; e ordenou não só a fusão das suas almas, mas também a dos seus corpos. Nenhum cristão, esteja ou não chamado à vida matrimonial, pode deixar de a estimar.

O Criador deu-nos a inteligência, centelha do entendimento divino, que nos permite – com vontade livre, outro dom de Deus – conhecer e amar; e deu ao nosso corpo a possibilidade de gerar, que é como uma participação do seu poder criador. Deus quis servir-se do amor conjugal para trazer novas criaturas ao mundo e aumentar o corpo da Igreja. O sexo não é uma realidade vergonhosa; é uma dádiva divina que se orienta limpamente para a vida, para o amor, para a fecundidade. 

S. Josemaria Escrivá in Cristo que passa, 24


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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

S. Josemaria, D. Javier e a Virgem de Guadalupe

S. Josemaria visitou o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, na Cidade do México nos anos 70. Foi pedir a Nossa Senhora por intenções muito concretas, em particular pela fortaleza da Igreja. No dia em que chegou à Cidade do México pediu para ir directamente do aeroporto ao Santuário, mas D. Pedro Casciaro, que o recebera, sorriu. Não só já era muito tarde, como alguém com a idade de S. Josemaria precisava de descansar da viagem e habituar-se à alta atmosfera da Cidade do México.

Quando chegou ao Santuário no dia seguinte, S. Josemaria ficou horas de joelhos a rezar. As pessoas foram chegando à Basílica, até não caberem mais. S. Josemaria queria fazer uma novena à Virgem de Guadalupe e nos oito dias seguintes voltou à Basílica para rezar um Rosário diante da imagem. Para não chamar as atenções, pediu um lugar mais discreto e por isso, nesses dias, rezou numa pequena varanda interna, por cima do altar, ficando ainda mais próximo da imagem de Nossa Senhora. O Beato Álvaro del Portillo e D. Javier Echevarría acompanharam-no nestas orações e registaram tudo o que ele disse durante a meditação dos mistérios. 

S. Josemaria ficou muitos mais dias no México, a visitar alguns dos trabalhos da Obra nesse país, fora da cidade. Houve um dia em que esteve especialmente mal e os médicos obrigaram-no a ficar de cama. À frente da cama, tinha uma representação da última aparição de Nossa Senhora em Guadalupe. Era a cena em que Nossa Senhora colocava umas flores na tilma de S. Juan Diego. Ao ver isto, S. Josemaria disse à Virgem de Guadalupe o quanto gostaria de morrer recebendo flores das mãos d'Ela. Poucos anos depois, S. Josemaria morreu logo depois de cumprimentar a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe que tinha à entrada do escritório, em Roma. 

Durante as suas meditações a rezar Terços diante da “Morenita”, S. Josemaria falou-lhe de um grande Santuário que queria construir, dedicado a Nossa Senhora. Queria com esse Santuário afogar todo o mal do mundo num mar de bem, com graças alcançadas por Nossa Senhora. Nesse momento em Guadalupe prometeu que poria no Santuário uma grande imagem da Morenita, em agradecimento por todas as graças alcançadas por Ela.

O Santuário de Torreciudad, numas montanhas perto dos Pirinéus, em Espanha está já construído há alguns anos. S. Josemaria nunca chegou a ver o Santuário completo, mas acompanhou o início da construção. Anos mais tarde, o Beato Álvaro e D. Javier foram ao Santuário de Torreciudad abençoar a nova imagem da Virgem de Guadalupe. Como conta D. Pedro Casciaro em Sonhai e ficareis aquém, D. Javier começou a ler as palavras que S. Josemaria proferira naqueles dias no México, em que fez aquela promessa. Ao ler comoveu-se e começou a chorar, lembrando S. Josemaria mas também comovido pelas graças que Nossa Senhora não parava de largar. Há 485 anos no México e até aos dias de hoje em todo o mundo.

Não seria extraordinário se também Nossa Senhora de Guadalupe tivesse um papel especial na vida do Padre Javier Echevarría?* 


Obrigado!

Nuno CB

*D. Javier Echevarria acabou mesmo por falecer no dia 12 de Dezembro de 2016.


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Manto de Nossa Senhora de Guadalupe: um mistério para a ciência



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sábado, 10 de dezembro de 2016

Oração do Papa Francisco a Nossa Senhora


Ó Maria, nossa Mãe Imaculada,
no dia da tua festa venho a Ti,
e não venho sozinho:
trago comigo todos aqueles que o teu Filho me confiou,
nesta Cidade de Roma e no mundo inteiro,
para que Tu os abençoes e os salves dos perigos.

Levo-Te, Mãe, os meninos,
especialmente aqueles que estão sós, abandonados,
e que por isso são enganados e explorados.
Levo-Te, Mãe, as famílias,
que levam para a frente a vida e a sociedade
com o seu empenho quotidiano e discreto;
em particular as famílias que sofrem mais
por tantos problemas internos e externos.
Levo-Te, Mãe, todos os trabalhadores, homens e mulheres,
e confio-te especialmente o que, por necessidade,
se esforça por lutar num trabalho indigno
e aquele que perdeu o trabalho ou não consegue encontrá-lo.

Precisamos da tua protecção Imaculada,
para recuperar a capacidade de olhar as pessoas e as coisas
com respeito e reconhecimento
sem interesses egoístas ou hipocrisias.

Precisamos do teu coração Imaculado,
para amar de forma gratuita,
sem segundos fins mas procurando o bem do outro,
com simplicidade e sinceridade, renunciando às máscaras e aos truques.

Precisamos das tuas mãos Imaculadas,
para acariciar com ternura,
para tocar a carne de Jesus
nos irmãos pobres, doentes, desprezados,
para levantar o que caiu e sustentar o que vacila.

Precisamos dos teus pés Imaculados,
para andar ao encontro do que não sabe dar o primeiro passo,
para caminhar sobre os trilhos do que se perdeu,
para andar a encontrar as pessoas que estão sozinhas.

Agradecemos-Te, ó Mãe, para que mostrando-te a nós,
nos livres de toda a mancha do pecado,
Tu recordas-nos que acima de tudo está a graça de Deus,
está o amor de Jesus Cristo que deu a vida por nós,
está a força do Espírito Santo que tudo renova.

Faz com que não cedamos ao desencorajamento,
mas, confiando na tua ajuda constante,
nos empenhemos a fundo para nos renovarmos a nós mesmos,
a esta Cidade e ao mundo inteiro.

Roga por nós, Santa Mãe de Deus!

Papa Francisco, 8/12/2016


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O retorno à devoção eucarística

Quarant' Ore no Oratório de S. Filipe Néri em Brompton
O grande mal de nossa época é que não vamos a Jesus Cristo como a seu Salvador e a seu Deus. Abandona-se o único fundamento, a única fé, a única graça da salvação... Então o que fazer? Retornar à fonte da vida, mas não ao Jesus histórico ou ao Jesus glorificado no céu mas sim ao Jesus que está na Eucaristia. Temos que fazê-lo sair de seu esconderijo para que possa de novo colocar-se à cabeça da sociedade cristã... Que venha cada vez mais o reino da Eucaristia: Adveniat regnum tuum!

São Pedro Julião Eymard


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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Akathistos - Cantado de pé para a Nossa Mãe do Céu

O hino Akathistos (ou seja, “cantado de pé”) é a mais bela composição mariana do Rito Bizantino. Canta o mistério da encarnação salvífica do Verbo de Deus, desde a anunciação até à parusia, contemplando a Virgem Mãe indissoluvelmente unida a Cristo e à Igreja. Composto pouco depois do Concílio de Calcedónia (451), apresenta em forma de síntese orante, tudo o que a Igreja dos primeiros séculos acreditou e exprimiu sobre Maria em declarações do magistério e no consenso universal da fé - e que a Igreja continua a acreditar.

Maria é "ícone da Igreja, símbolo e antecipação da humanidade transfigurada pela graça, modelo e esperança segura para todos aqueles que dirigem os seus passos para a Jerusalém do Céu" (Orientale Lumen, 6)

Este dia estamos todos repletos de profunda alegria: a alegria de louvar Maria com o Hino "Akathistos", tão querido à tradição oriental. É um cântico todo centrado em Cristo, contemplado à luz da sua Virgem Mãe. Por 144 vezes ele convida-nos a renovar a Maria a saudação do Arcanjo Gabriel: Ave Maria! Repercorremos as etapas da sua existência e louvamos os prodígios realizados nela pelo Omnipotente: desde a concepção virginal, início e princípio da nova criação, até à sua maternidade divina, à partilha da missão do seu Filho, sobretudo nos momentos da sua paixão, morte e ressurreição. Mãe do Senhor ressuscitado e Mãe da Igreja, Maria precede-nos e guia-nos ao conhecimento autêntico de Deus e ao encontro com o Redentor. Ela indica-nos o caminho e mostra-nos o seu Filho. Ao celebrá-la com alegria e gratidão, honramos a santidade de Deus, cuja misericórdia fez maravilhas na sua humilde serva. Saudámo-la com o título de Cheia de graça e imploramos a sua intercessão por todos os filhos da Igreja que, com este Hino Akathistos, celebra a sua glória.
Que ela nos guie à contemplação, no próximo Natal, do mistério de Deus feito homem para nossa salvação! (S. João Paulo II - 8 de Dezembro de 2000)
Mãe de Deus Soberana Virgem!
Erguemos para Ti nossos louvores,
O nosso cântico de acção de graças!
Teu poderoso braço nos envolva qual sólida muralha!
Salva-nos do perigo! Salva-nos do perigo!
Não tarde o Teu socorro aos fiéis que Te cantam:

Salve, Esposa Imaculada!
Enviado do Céu veio sublime Arcanjo Para saudar a Mãe de Deus: – Ave Maria! E ao ver que, à sua voz, Deus Se fazia homem Junto dela cantou o seu deslumbramento:

Ave Maria! Tu és o resplendor da nossa Salvação! Ave Maria! Por Ti a maldição enfim desaparece! Ave Maria! És Tu quem levanta Adão da sua queda! Ave Maria! Enxugas finalmente as lágrimas de Eva! Ave Maria! Montanha inacessível ao pensamento humano! Ave Maria! Oceano impenetrável ao próprio olhar dos Anjos! Ave Maria! És o trono e o palácio do divino Rei! Ave Maria! Sustentas em Ti Aquele que sustenta o Universo! Ave Maria! Estrela que anuncias o Sol que vai nascer! Ave Maria! És o fecundo seio da incarnação divina! Ave Maria! Todas as criaturas em Ti são recriadas! Ave Maria! Em Ti o Criador tornou-Se uma criança!

Salve, Esposa Imaculada!
Maria, conhecendo a Sua Virgindade, Respondeu firmemente ao Anjo Gabriel: “Não entende a minha alma tão rara Palavra: Um filho gerarei sem deixar de ser Virgem?”

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Tão profundo mistério buscando entender, Pergunta ao Anjo a Virgem: – “No meu casto seio Como será possível ser gerado um filho?” E em grande reverência o Anjo assim cantava:

Ave Maria! Inefáveis desígnios Te foram revelados! Ave Maria! És guardiã dum secretíssimo Mistério! Ave Maria! Ó sagrado começo dos prodígios de Cristo! Ave Maria! Sumário de todas as Suas divinas verdades! Ave Maria! Escada celeste por onde desce o Senhor! Ave Maria! Ponte que nos levas da terra para o Céu! Ave Maria! Inesgotável prodígio cantado pelos Anjos! Ave Maria! Fonte de lamentos para demónios! Ave Maria! Que dás à luz inefavelmente a Luz! Ave Maria! Que não revelaste a ninguém um tal mistério! Ave Maria! Cujo saber ultrapassa toda a ciência dos sábios! Ave Maria! És a iluminação do espírito dos crentes!

Salve, Esposa Imaculada!
Cobriu de Sua sombra o Omnipotente Deus A imaculada Esposa e fê-la conceber. O seu fecundo ventre é como um campo fértil, Seara redentora dos que assim exultam:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Levando o Senhor Deus no seu materno seio Entrou a Virgem-Mãe na casa de Isabel: No ventre de Isabel, em saltos de alegria, Louvou João a Mãe do Cristo Salvador:

Ave Maria! Haste de onde brota a incorruptível flor! Ave Maria! Ramo de onde nasce o saboroso fruto! Ave Maria! Jardim onde germina o Senhor nosso Amigo! Ave Maria! Canteiro semeado de Quem semeia a nossa vida! Ave Maria! Campo que produz a abundância do perdão! Ave Maria! Sagrada Mesa do banquete propiciatório! Ave Maria! Para nós cultivas um jardim delicioso! Ave Maria! Às nossas almas preparas um abrigo de paz! Ave Maria! Tu és um incenso de agradável odor! Ave Maria! És o dom propício para o universo! Ave Maria! Benevolência de Deus para a criatura humana! Ave Maria! Advogada nossa na presença do Senhor!

Salve, Esposa Imaculada!

Sentindo o coração de dúvidas cercado Sofre o casto José a dor da suspeição: Conhecendo-Te Virgem mas Te vendo Mãe, Ouve o Espírito Santo e exclama de alegria:


Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Ouviram os pastores o louvor dos Anjos À vinda do Senhor que se tornara humano; Ao seu Pastor correndo, viram-n’O Cordeiro Nos braços de Maria a quem assim cantaram:

Ave Maria! Mãe do Cordeiro e Mãe do Bom Pastor! Ave Maria! Redil que recebes as espirituais ovelhas! Ave Maria! Tu as proteges dos lobos devoradores! Ave Maria! És tu quem nos abre as portas do Paraíso! Ave Maria! Por ti o Céu exulta de harmonia com a terra! Ave Maria! Por ti os Anjos rejubilem convivendo com os homens! Ave Maria! Boca dos Apóstolos que jamais conheces o silêncio! Ave Maria! Incomparável Coragem dos vitoriosos Mártires! Ave Maria! Firmíssima coluna em que se apoia a nossa fé! Ave Maria! Radiosa manifestação da graça de Senhor! Ave Maria! Por ti o negro inferno é despojado das suas vítimas! Ave Maria! Por ti vestimos de novo a gloriosa claridade!

Salve, Esposa Imaculada!
Quando viram a Estrela por Deus dirigida, Os Magos a seguiram – rútila bandeira! A Luz os conduziu ao Rei omnipotente E aos pés do Inacessível cantaram em júbilo:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Vendo o seu Criador, os Magos da Caldeia No regaço da Virgem o Senhor adoram! Em seu aspecto humano Lhe oferecem prendas E cantam de alegria à Bem-Aventurada:

Ave Maria! Mãe da Estrela que não tem ocaso! Ave Maria! Aurora do Dia de espiritual claridade! Ave Maria! Por quem foi extinto o clarão infernal! Ave Maria! Luz que nos revelas o mistério da Trindade! Ave Maria! Expulsaste do seu reino o Tirano dos homens! Ave Maria! Ostensório de Cristo Senhor, o Amigo dos homens! Ave Maria! Tu nos libertaste dos cultos do paganismo! Ave Maria! Tu nos libertaste das nossas vãs acções! Ave Maria! Tu fizeste desaparecer a adoração do fogo! Ave Maria! Tu em nós apaziguaste o fogo das paixões! Ave Maria! Guia que nos orienta para a sabedoria de Deus! Ave Maria! Exultante alegria de toda a humanidade!

Salve, Esposa Imaculada!
Arautos do Senhor, cumprindo as profecias, Regressaram os Magos para Babilónia: Anunciaram Cristo a todas as nações, Apenas não cantando Herodes-o-Tirano:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
E no Egipto, Senhor, brilhou Vossa Verdade E as trevas da mentira Vós as expulsastes: Seus ídolos tombaram frente à vossa Luz E o povo libertado a Virgem aclamou:

Ave Maria! Esperança dos homens e seu ressurgimento! Ave Maria! Desespero dos demónios e sua derrocada! Ave Maria! Os teus pés esmagaram a serpente enganadora! Ave Maria! Tu lançaste por terra a máscara dos ídolos! Ave Maria! Mar onde foi engolido o Faraó diabólico! Ave Maria! Rochedo que dais água aos que têm sede da vida! Ave Maria! Coluna de fogo que nos orientas nas trevas! Ave Maria! Muralha abrigo do mundo, mais vasta que o firmamento! Ave Maria! Vaso contendo o maná, nosso pão celestial! Ave Maria! Serva que nos preparas as sacrossantas delícias! Ave Maria! Inefável paraíso da Terra Prometida! Ave Maria! Ó Terra da Promessa onde correm o leite e o mel!


Salve, Esposa Imaculada!

Estando Simeão no termo dos seus dias, Em forma de criança viram-Te os seus olhos: Em ti reconheceu a perfeição divina E Te aclamou – ó Sapiência Inacessível:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
O Eterno Criador fez nova a Criação Mostrando-se criança às suas criaturas: Imaculado ventre O gera sem o sémen E por tal maravilha, Mãe-Virgem, Te cantamos:

Ave Maria! Botão do qual floresce a vida que não tem fim! Ave Maria! Preciosa coroa da excelsa castidade! Ave Maria! Imagem fulgurante da Ressurreição! Ave Maria! Só Tu és igual à condição dos Anjos! Ave Maria! Árvore de luminosos frutos, alimento dos fiéis! Ave Maria! Árvore de frondosa frescura, abrigo de multidões! Ave Maria! Do Teu seio foi nascido o Salvador dos errantes! Ave Maria! Tu deste aos pobres cativos um libertador! Ave Maria! Advogada que nos defende diante do Juiz equitativo! Ave Maria! És a reconciliação de tantos pecadores! Ave Maria! Manto que revestes os despidos pela desgraça! Ave Maria! Ternura que ultrapassas todos os gestos de amor!

Salve, Esposa Imaculada!
Perante a maravilha deste nascimento Levantemos ao Céu os nossos corações: Homem humilde, o excelso Deus à terra veio Chamar para as alturas quantos O louvarem:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Sem ter deixado os Céus, o transcendente Verbo Por divina vontade em corpo humano incarna, Deixando inviolado o corpo virginal Da Mãe por Si eleita, Aquela que aclamamos:

Ave Maria! Tabernáculo d’Aquele que os espaços não encerram! Ave Maria! Pórtico de entrada para o insondável mistério! Ave Maria! Estranha notícia que os descrentes não entendem! Ave Maria! Ó evidente glória para aqueles que acreditam! Ave Maria! Carro triunfal de Deus transportado pelos Querubins! Ave Maria! Trono glorioso de Deus transportado pelos Serafins! Ave Maria! Tu levas à unidade o que se encontra disperso! Ave Maria! Em Ti a virgindade tornou-se maternal! Ave Maria! Tu desprendes os laços que nos ligam à morte! Ave Maria! Por Ti o paraíso é de novo aberto! Ave Maria! És a porta do Céu, a chave do Reino de Cristo! Ave Maria! És o penhor de esperança da felicidade eterna!

Salve, Esposa Imaculada!
Assombraram-se os Anjos face à Incarnação Ao ver o Inacessível tão ao pé dos homens! Com os mortais humanos conversava Deus E deles recebia a sua aclamação:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Os grandes oradores, como peixes mudos, Ao falarem de Ti – ó Mãe de Deus – ignoram Como é que foste Mãe guardando a virgindade, Admirável mistério por que Te louvamos:

Ave Maria! Vaso da admirável sabedoria de Deus! Ave Maria! Tu guardas o tesouro da providência divina! Ave Maria! Diante de Ti os sábios são simples ignorantes! Ave Maria! Diante de Ti os Mestres revelam-se insensatos! Ave Maria! Diante de Ti os inventores do mal sentem-se confundidos! Ave Maria! Diante de Ti desaparecem os contadores de mitos! Ave Maria! Tu rasgas as armadilhas dos pensadores de Atenas! Ave Maria! És Tu quem enche as redes aos pescadores de homens! Ave Maria! És Tu quem nos afasta dos abismos da ignorância! Ave Maria! És Tu quem nos dá a luz da verdadeira ciência! Ave Maria! Navio que nos salva das furiosas ondas! Ave Maria! Porto de paz para os navegantes!

Salve, Esposa Imaculada!
Para salvar o mundo, por vontade Sua, O Criador Se faz dos homens o Pastor! Homem igual a nós, de Deus faz-Se Cordeiro; A Si igual nos faz – por isso Lhe cantamos:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Ó Virgem Mãe de Deus, das virgens fortaleza, Muralha que proteges os que em Ti se abrigam: Vestiu-Te o Criador da máxima beleza Para habitar teu seio e para Te cantarmos:

Ave Maria! Coluna de inocência e de virgindade! Ave Maria! Porta da Salvação e da redenção dos homens! Ave Maria! A nova criação em Ti foi começada! Ave Maria! Mensageira que trazes a divina caridade! Ave Maria! Trouxestes a liberdade aos nascidos no pecado! Ave Maria! Acendestes a luz nos corações perdidos! Ave Maria! Aos Teus pés esmagaste a serpente da corrupção! Ave Maria! Destes à luz o Cordeiro da imaculada pureza! Ave Maria! O Teu leito de núpcias é leito de castidade! Ave Maria! És a íntima união dos fiéis com o Senhor! Ave Maria! És o sustente das virgens, o alimento dos castos! Ave Maria! Vestes as nossas almas para as núpcias do Cordeiro!

Salve, Esposa Imaculada!
Não chegam nossos hinos para Vos louvarem – Senhor – os vossos actos de misericórdia! Como a areia do mar fossem tão incontáveis, Não seriam bastantes para Vos cantar:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Fogo resplandecente em mais escura noite, Um místico farol a Virgem nos acende: Guia que nos conduz à celestial Ciência, Louvamos seu fulgor num cântico de júbilo:

Ave Maria! Claridade que anuncia o Sol do Povo de Deus! Ave Maria! Fulgurante clarão da Luz que não tem ocaso! Ave Maria! Deslumbrante fulgor que acende os nossos corações! Ave Maria! Tempestade cujos raios atingem o cruel Inimigo! Ave Maria! Mensageira que és portadora do sacrossanto Fogo! Ave Maria! Estuário que recebes um rio de águas abundantes! Ave Maria! Imagem viva e santa da nascente do Baptismo! Ave Maria! Tu lavas as nossas almas das manchas do pecado! Ave Maria! Vaso em que se purifica a nossa consciência! Ave Maria! Cálice que derramas a alegria e a vida! Ave Maria! Perfume que nos envolve de espiritual suavidade! Ave Maria! Luz viva que foste acesa no celestial banquete!

Salve, Esposa Imaculada!
A nós, seus devedores, o perdão concede E ao nosso encontro vem o Deus de quem fugimos! Perdoa a culpa humana e as dívidas esquece! Da humanidade inteira escute a aclamação:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
O Teu parto exaltamos em louvor eterno, Ó Santa Mãe de Deus, seu verdadeiro Templo! O Altíssimo Senhor Te fez Sua Morada: Nós Te glorificamos, nós Te bendizemos:

Ave Maria! Sagrada Tenda onde vive o Verbo Filho de Deus! Ave Maria! És mais que o Santo dos Santos, no Templo de Jerusalém! Ave Maria! Arca revestida a ouro pelo Espírito de Deus! Ave Maria! Tesouro inesgotável do qual a Vida emana! Ave Maria! Precioso diadema dos príncipes cristãos! Ave Maria! Ó venerável glória dos santos sacerdotes! Ave Maria! Ó inexpugnável torre da Santa Igreja de Deus! Ave Maria! Ó inabalável defesa de todo o povo cristão! Ave Maria! Por Ti nós exultamos erguendo estandartes! Ave Maria! Por Ti foi derrotado o Inimigo da humanidade! Ave Maria! Remédio para os corpos e salvação das almas!

Salve, Esposa Imaculada!
Virgem e Mãe, digníssima de ser louvada, O Verbo deste à luz, dos santos o Santíssimo! Protege de futuras penas e desgraças O Povo que Te exalta em cântico de júbilo:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Neste dia da Imaculada Conceição da Virgem Maria, rezemos à Santíssima Virgem, Rainha de Portugal, pelo nosso país, pela conversão dos pecadores e pela exaltação da Santa Igreja:
O Maria sine labe originali concepta, ora pro nobis qui confugimus ad te!

PF


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