sexta-feira, 31 de março de 2017

Até os ursos já perceberam

Fotografia tirada Quarta-Feira passada em Wesleyville,
província de 'Newfoundland and Labrador' (Canadá)


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Os demónios são afastados pelo jejum

Pelo jejum são os demónios afastados como pela espada, porque lhe não suportam os benefícios: o que eles adoram são a folia e a embriaguez. Por isso, ao olharem o rosto do jejum, não podem tolerá-lo e fogem para bem longe, como nos ensina o Senhor nosso Deus: «estes demónios podem ser expulsos pelo jejum e pela oração» (Mc 9,28). É por isso que o jejum nos traz a vida eterna.

O jejum devolve aos que o seguem a habitação paterna donde Adão foi expulso. Foi o próprio Deus, o amigo dos homens (Sb 7,14), que confiou o homem ao jejum como a uma mãe extremosa ou a um mestre, tendo-o proibido de provar apenas duma árvore (Gn 2,17).

Tivesse o homem observado esse jejum e viveria para sempre com os anjos. Ao rejeitá-lo, causou para si a dor e a morte, a fereza dos espinhos e das silvas, e a angústia duma vida dolorosa (Gn 3,17ss.) Ora, se o jejum se revelou proveitoso no Paraíso, quanto mais o não será neste mundo para nos proporcionar a vida eterna!

São Romano, o Melodista in Hino "Adão e Eva", 1-5  


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quarta-feira, 29 de março de 2017

Os erros e a morte da nossa Sociedade

Os perniciosos erros que se espalham pelo mundo, tendem à descristianização completa dos povos. Ora, isto começa no século XVI com a renovação do paganismo, ou seja, com a renovação da soberba e da sensualidade pagã entre cristãos. 

Este declínio avançou com o protestantismo, através da negação do Sacrifício da Missa, do valor da absolvição sacramental e, por consequência, da confissão; pela negação da infalibilidade da Igreja, da Tradição ou Magistério, e da necessidade de se observar os preceitos para a salvação. 

Em seguida, a Revolução Francesa lutou manifestamente para a descristianização da sociedade, conforme os princípios do Deísmo e do naturalismo. O espírito da revolução conduziu ao liberalismo que, por sua vez, queria permanecer numa meia altitude entre a doutrina da Igreja e os erros modernos. 

Ora, o liberalismo nada concluía; não afirmava, nem negava, sempre distinguia, e sempre prolongava as discussões, pois não podia resolver as questões que surgiam do abandono dos princípios do cristianismo. Assim, o liberalismo não era suficiente para agir, e depois veio o radicalismo mais oposto aos princípios da Igreja, sob a capa de ''anticlericalismo'', para não dizer anticristianismo: a maçonaria. 

O radicalismo, então, conduziu ao socialismo e o socialismo, ao comunismo materialista e ateu, como na Rússia, e quis invadir a Espanha e outras nações negando a religião, a propriedade privada, a família, a pátria, e reduzindo toda a vida humana à vida económica como se só o corpo existisse; como se a religião, as ciências, as artes, o direito fossem invenções daqueles que querem oprimir os outros e possuir toda a propriedade privada.

Contra todas essas negações do comunismo materialista, só a Igreja, somente o verdadeiro Cristianismo ou Catolicismo pode resistir eficazmente, pois só ele contém a Verdade sem erro.

Portanto, o nacionalismo não pode resistir eficazmente ao comunismo. Nem, no campo religioso, o protestantismo, como na Alemanha e na Inglaterra, pois contém graves erros, e o erro mata as sociedades que nele se fundam, assim como a doença grave destrói o organismo; o protestantismo é como a tuberculose ou como o cancro, é uma necrose por causa da sua negação da Missa, da confissão, da infalibilidade da Igreja, da necessidade de observar os preceitos.

O que, pois, se segue dos erros citados no que diz respeito à legislação dos povos? Esta legislação torna-se paulatinamente ateia. Não somente desconsidera a existência de Deus e a lei divina revelada, tanto positiva como natural, mas formula várias leis contrárias à lei divina revelada, por exemplo, a lei do divórcio e a lei da escola laica, que termina por tornar-se ateia. Por fim, vem a liberdade total de cultos ou religiões, e da própria impiedade ou irreligião. 

As repercussões destas leis em toda sociedade são enormes. Por exemplo, a repercussão da lei do divórcio: qualquer que seja o ano, qualquer que seja a nação, milhares de famílias são destruídas pelo divórcio e deixam sem educação, sem orientação, crianças que acabam por se tornar ou incapazes, ou exaltadas, ou más, por vezes, péssimas. 

Do mesmo modo, saem da escola ateia, todos os anos, muitos homens ou cidadãos sem nenhum princípio religioso. E portanto, em lugar da fé, da esperança e da caridade cristã, têm eles a razão desordenada, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, o desejo de riqueza e a soberba de vida. Todas essas coisas são erigidas num sistema especialmente materialista, sob o nome de ética laica ou independente, sem obrigação e sanção, na qual às vezes remanesce algum vestígio do decálogo, mas um vestígio sempre mutável.

Portanto, qual é, segundo este princípio, o modo de discernir o falso do verdadeiro? O único modo é a livre discussão, no parlamento ou em algum outro lugar, e esta liberdade é, portanto, absoluta, nada pode ser subtraído à sua jurisdição, nem a questão do divórcio, nem a necessidade da propriedade individual, nem a da família ou da religião para os povos. 

Neste caso, é para se concluir que estas sociedades, fundadas sobre princípios falsos ou sobre uma legislação ateia, tendem para a morte. Nelas, com o auxílio da graça, as pessoas individuais ainda se podem  salvar. Mas estas sociedades, como tais, tendem para a morte, pois o erro, sobre o qual se fundam, mata, como a tuberculose ou o cancro que, progressiva e infalivelmente, destrói o nosso organismo. 

Só a fé cristã e católica pode resistir a estes erros, e tornar a cristianizar a sociedade, mas, para isso, requer-se uma condição: uma fé mais profunda, conforme a Escritura, "Este é o poder vitorioso que venceu o mundo: a nossa fé." (1 Jo 5, 4)

Frei Reginald Garrigou-Lagrange in 'De Sanctificatione Sacerdotum Secundum Nostri Temporis Exigentias'


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Ninguém agrada mais a Deus do que aquele que carrega as suas cruzes




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terça-feira, 28 de março de 2017

A traição da Irmã Lúcia

É escandaloso, mas é verdade: decorridos cem anos sobre as aparições de Fátima, é possível afirmar que a principal vidente, não obstante a sua tão longa existência, não cumpriu, com eficiência, a sua missão aqui na Terra. É estranho que os jornalistas, tão argutos e corajosos na descoberta e publicitação dos «podres» da Igreja, nunca tenham denunciado este caso. 

Como misterioso é o silêncio que salvaguarda a memória da última vidente de Fátima, quando é por demais óbvio que defraudou as expectativas que sobre ela recaíram, nomeadamente como confidente da «Senhora mais brilhante do que o sol». A matéria de facto é conhecida. Na segunda aparição da Cova da Iria, a Lúcia expressou um desejo comum aos três pastorinhos: «Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu». A esta súplica, a resposta de Maria não se fez esperar: «Sim, a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração». 

Com efeito, a 4-4-1919, menos de dois anos depois das aparições marianas, o Beato Francisco Marto «morreu a sorrir-se», como seu pai confidenciou. Sua irmã, a Beata Jacinta, faleceria menos de um ano depois, a 20-2-1920, em Lisboa, depois de um longo martírio, vivido com exemplar espírito de penitência. Não assim a prima Lúcia, a mais velha dos três e que, efectivamente, como Nossa Senhora tinha dito, ficou «cá mais algum tempo». Como Maria vive na eternidade de Deus, os 97 anos que tinha a Irmã Lúcia quando faleceu são só «algum tempo». Mas, se não acompanhou os seus primos no seu tão apressado trânsito para o Céu foi – recorde-se – para dar a conhecer e amar a Mãe de Deus e para estabelecer, a nível mundial, a devoção ao Imaculado Coração de Maria. 

 No entanto, como cumpriu a Lúcia este encargo que lhe foi expressamente pedido? Que fez, para espalhar mundialmente a devoção mariana? Pois bem, fecha-se, sob rigoroso anonimato, numa instituição religiosa, em que nem sequer às outras religiosas ou às educandas pode confidenciar a revelação de que fora alvo. Pior ainda: alguns anos depois, não satisfeita com aquele regime de voluntária reclusão, pede e alcança a graça de transitar para um convento de mais estrita clausura, onde se encerra para sempre, proibida, pela respectiva regra, de contactar com o mundo exterior, salvo em muito contadas ocasiões. 

Ora bem, a Senhora aparecida em Fátima, incumbiu-a da divulgação mundial da devoção ao seu Imaculado Coração. Era de supor, portanto, que a Lúcia se tivesse dedicado a fazer tournées e roadshows internacionais, percorrendo o mundo inteiro e dando entrevistas sobre os factos de que era a única sobrevivente. Era de esperar que tivesse recorrido aos meios de comunicação social, sem excluir as modernas redes sociais, para promover o culto mariano. Era razoável que tivesse frequentado os talk-shows, para assim poder ser vista e conhecida por milhões de telespectadores de todo o mundo. Era lógico que se tivesse dedicado a escrever best-sellers de palpitante actualidade: «Eu vi o inferno!», ou «A vidente de Nossa Senhora confessa toda a verdade!», ou mesmo «Os segredos de Fátima sem tabus!», ou ainda «Por fim, tudo o que quis saber sobre a conversão da Rússia!». 

É quanto basta para poder concluir que, humanamente, não cumpriu a sua missão. E, contudo, são às centenas de milhares os peregrinos que, ano após ano, rumam para a Cova da Iria, correspondendo ao apelo de Nossa Senhora de Fátima. Sem propaganda nem publicidade, sem marketing nem promoções, eles são, afinal, a expressão objectiva do misterioso triunfo da Irmã Lúcia ou, melhor dizendo, da eficácia sobrenatural da sua ineficiência humana. Quem sabe se não será esta tão escandalosa demonstração do poder da oração e do sacrifício, o quarto e o mais importante segredo da mensagem de Fátima?!

Pe. Gonçalo Portocarrero in Tiologias


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Breve oração de um coração contrito e arrependido

Pobre de mim, a consciência acusa-me sem cessar, e a verdade não pode desculpar-me dizendo: ele não sabia o que fazia. Perdoa, pois, Senhor, pelo preço do teu precioso sangue, todos os pecados em que caí, consciente ou inconscientemente. 

Sim, Senhor, pequei verdadeiramente, pequei por minha vontade, e pequei muito. Depois de ter tido conhecimento da verdade, ofendi o Espírito de graça; e contudo, aquando do meu baptismo, o Espírito tinha-me concedido de forma gratuita a remissão dos pecados. Mas eu, depois de ter tido conhecimento da verdade, voltei aos meus pecados, «como o cão volta ao seu vómito» (2Pe 2,22). 

Sempre acreditei em Ti , sempre Te amei, mesmo quando pequei contra Ti. Lamento profundamente os meus pecados. Do amor, porém, lamento apenas não ter amado tanto como devia.

Guilherme de Saint-Thierry (c. 1085-1148) - monge beneditino, depois cisterciense - in 'Orações meditativas', nº 5


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segunda-feira, 27 de março de 2017

A freira pirata que converteu um homossexual pela televisão

Paul era um gay americano com uma vida comodista. Como modelo internacional, fazia parte do elenco de uma das mais importantes agências. Morava com o seu companheiro numa bela casa em São Francisco, com uma vista incrível para o bosque. A sua vida resumia-se ao trabalho, ao ginásio, às discotecas e a saunas frequentadas por pessoas com atracção por pessoas do mesmo sexo. Até ao dia em que uma freira com uma pala apareceu no ecrã da sua televisão.

“É uma freira pirata! Limpe o convés”, disse ele, gozando e soltando gargalhadas, ao ver aquela figura que lhe pareceu tão estranha (tratava-se da sensacional Madre Angélica, Clarissa fundadora do canal televisivo EWTN). Mas antes de mudar de canal, Paul percebeu que aquela mulher dizia coisas inteligentes e verdadeiras. E desde então, o ateu obstinado passou a ser telespectador assíduo daquele programa, o que o levou, pouco tempo depois, a procurar Jesus Cristo na Igreja Católica.

Hoje, Paul dá testemunho da sua conversão. Se antes a sua alegria alcançava o ápice nas festas cheias de celebridades em Nova Iorque, agora ele encontra a sua satisfação na amizade com Cristo, em especial, na graça de receber o Seu Corpo e Sangue na Santa Missa.

O filme “Desejo das Colinas Eternas” (Desire of the Everlasting Hills), com duração de uma hora, traz a história de Paul, Rilene e Dan, três católicos que experimentam a graça de viver a castidade. Eles sentem atracção por pessoas do mesmo sexo, mas isso não os impede de caminhar na fé, com o coração cheio de paz.

Para ver o documentário, que está disponível com legendas em português, basta seguir este link.


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Demónios e a Consagração a Maria segundo S.João Damasceno e S.Luís de Montfort

Conhecem a consagração a Maria? Há três anos fiz a consagração de 33 dias a Jesus através de Maria, tal como ensinou S. Luís Maria Grignon de Montfort. Aconteceu uma coisa estranha. No 33º dia, que eu tinha escolhido para ser 15 de Agosto (a Assunção de Maria e o aniversário da minha mulher), entrei na igreja e tive um estranhíssimo sentimento de terror.

Foi um ataque demoníaco

Assustei-me. Senti uma presença negra. Senti emoções terríves e pensamentos terríveis começaram a inundar a minha cabeça. Estava muito assustado. Sentia que a minha alma estava a ser sufocada com fumo.

Ainda assim, acabei as minhas orações do 33º Dia da Consagração a Maria na igreja e no preciso momento em que acabei, senti que todo o fumo mau tinha sido sugado da sala. Tive uma sensação intensa de paz, amor, graça e misericórdia. Senti que Jesus me amava com imensa intensidade e que Maria me cobriu com o seu manto a toda a volta, para me proteger. Ela estava a levar-me para perto de Jesus. Eu sentia-o. Não consigo explicar.

A minha conclusão é que os demónios não queriam que eu me consagrasse a Jesus por Maria e perceberam que eu iria ganhar uma protecção especial. Fizeram uma última tentativa... e o pé de Maria esmagou as suas cabeças. Fugiram quando a consagração acabou.

Consagração a Maria?

Lamentavelmente, os teólogos desde os anos 50 começaram a questionar o conceito de "consagração a Maria." Todos concordam que as pessoas e as coisas podem ser consagradas à Santíssima Trindade, e isto é verdade de uma forma especial para a Eucaristia, mas também é verdade para o sacerdócio, para as freiras, para os vasos sagrados e para os nossos corpos de baptizados como sacrários do Espírito Santo (que é a razão pela qual devemos manter a santa puresa e a guarda da vista).

Como é que pessoas ou objectos podiam então ser consagrados à Santíssima Virgem Maria que é uma pessoa humana e criatura? Esta questão normalmente surge relacionada com o pedido da consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Alguns dizem que isso é impossível, visto que o Imaculado Coração de Maria foi criado e, portanto, não é um objecto próprio para solene consagração.

São Luís de Montfort sobre a Consagração a Maria

S. Luís de Montfort é o santo para responder a esta questão porque ele mostra que todas as consagrações a Maria (ou a qualquer santo, já agora) estão orientadas para nosso Senhor Jesus Cristo através da Sua Santíssima Humanidade. Visto que todos os santos são membros do Seu Corpo e participantes da Sua Natureza Divina, as consagrações a eles são relativas e, portanto, são feitas a Cristo nosso Deus através deles.

O mesmo é válido para as orações aos santos. Nós rezamos aos santos mas percebemos que a oração "a" um santo é relativa e não absoluta. Estritamente falando, as intercessões dos santos têm o seu fim em Jesus Cristo, o único mediador entre Deus e os homens.

"Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, um homem: Jesus Cristo." (1 Tim 2, 5)

São João Damasceno sobre a consagração a Maria

"Estamos presentes diante de vós, Ó Senhora, Senhora eu digo e outra vez Senhora, unindo as nossas almas à nossa esperança em vós, como se fosse a uma firme e segura âncora, consagramos {anathémenoi} as nossas mentes, as nossas almas, os nossos corpos, numa palavra, o nosso próprio ser, honrando-vos com salmos, hinos e cânticos espirituais, tanto quanto estivermos capazes, apesar de ser impossível fazê-lo com toda a dignidade. 

Se é verdade que, como a palavra sagrada nos ensinou, a honra paga aos nossos fiéis servidores testemunha a nossa boa vontade para com o nosso Mestre comum, como é que podíamos deixar de vos honrar, vós que trouxestes o vosso Mestre? Desta forma podemos mostrar melhor a nossa ligação ao nosso Mestre."

S. João Damasceno, “Sermo Prima de Dormitione,” Patroligia Graeca 96, 720C-D, 721A-B

“Anathema” para Maria

S. João Damasceno, um Doutor da Igreja Católica, consagrou-se a si e aos seus ouvintes à Santíssima Virgem Maria usando a palavra 'anathémenoi'. Vão reconhecer isto como a mesma palavra de onde se deriva "anátema" que pode significar "posto acima", "suspendido", "banido" e, pricipalmente "amaldiçoado." É a palavra grega usada para traduzir a palavra hebraica חֵרֶם {charem} para aquelas pessoas ou coisas que pertencem a Deus como santas ou amaldiçoadas. A mesma ideia preserva-se no Latim onde "sacrosanctum" se pode referir a pessoas que são ou "santas" ou "amaldiçoadas". Por exemplo, ser "sacrílego" tem as mesmas conotações.

Tudo isto se relaciona com as coisas "reservadas para Deus" e isto pode ser ou uma benção ou uma maldição. Por exemplo, o Santíssimo Sacramento é a maior benção para aquele que O recebe em estado de graça, mas é também a maior maldição para aquele que o recebe em estado de pecado original ou mortal. A "sacrosantidade" é cortante para ambos os lados.

De volta a S. João Damasceno. Ele consagra-se a Maria desta forma usando o termo “anathémenoi.” Isto significa que ele está totalmente e completamente entregue e guardado para a Santíssima Virgem Maria. (isto devia lembrar-nos o Beato João Paulo II, cujo motto era dirigido a Maria: "Totus tuus" ou "Todo teu.") Ai dele se falhar na sua devoção a ela. E no entanto este "anátema Mariano" também inclui as maravilhosas e brilhantes graças que ele receberá de Cristo através dela.

Mais ainda, esta consagração a Maria sob a forma de um "anátema" é Cristocêntrica (centrada em Cristo) ou, como eu prefiro dizer, Cristotélica (conduzindo a Cristo). Vejam como S. João Damasceno conclui a sua consagração a Maria: "Desta forma podemos mostrar melhor a nossa ligação ao nosso Mestre." O nosso Mestre é Cristo Senhor.

O ponto principal da consagração a Maria não é exaltar Maria ao nível da divindade ou colocá-la numa competição com Cristo. A verdadeira consagração a Maria (também defendida por S. Luís de Montfort e S. Maximiliano Kolbe) leva a um maior amor e serviço a Cristo.

Querem consagrar-se ao Imaculado Coração nesta forma? Se sim, eu recomendo de coração a consagração a S. Luís de Montfort, mas especialmente a de S. Maximiliano Maria Kolbe.

Para usar a consagração de Kolbe de uma forma solene, escolham uma festa Mariana. Façam jejum no dia anterior (uma refeição), rezem o Terço, confessem-se e vão à Santa Missa nesse dia de festa Mariano, e depois recitem a oração de consagração a Maria. Renovem a consagração anualmente.

Nossa Senhora Imaculada, Mãe da Igreja, rogai por nós.

Taylor Marshall


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sábado, 25 de março de 2017

26º Aniversário da morte de Mons. Lefebvre

Nesta solenidade da Anunciação do Anjo à Santíssima Virgem, que com o seu fiat acolheu o Verbo encarnado no seu seio, passam 26 anos da morte de Mons. Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
Requiem aeternam dona ei, Domine, et lux perpetua luceat ei. 
Requiescat in pace. Amen.

Rezemos pela alma do Arcebispo Lefebvre e pelo bom desfecho das conversações entre a FSSPX e a Santa Sé.


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sexta-feira, 24 de março de 2017

A Paixão de Jesus aconteceu à hora do pecado de Adão

Havia uma árvore no meio do paraíso e a serpente serviu-se dela para enganar os nossos primeiros pais. Reparai nesta coisa espantosa: para iludir o homem, a serpente vai recorrer a um sentimento inerente à sua natureza. 

Com efeito, ao modelar o homem, o Senhor tinha colocado nele, para além de um conhecimento geral do universo, o desejo de Deus. Logo que o demónio descobriu esse desejo ardente, disse ao homem: «Sereis como deuses (Gn 3,5). Agora sois apenas homens e não podeis estar sempre com Deus; mas, se vos tornardes como deuses, estareis sempre com ele».

Foi precisamente na hora em que Adão acabava de comer que o Senhor sofreu a sua paixão, nessas horas marcadas pelo pecado e pelo julgamento, isto é, entre a sexta e a nona hora. Na hora sexta, Adão comeu, de acordo com a lei da natureza; em seguida, escondeu-se. E ao cair da tarde, Deus veio até ele. 

Adão tinha desejado tornar-se Deus: tinha desejado uma coisa impossível. Mas Cristo realizou esse desejo. «Quiseste tornar-te», disse Ele, «o que não podias ser; mas Eu desejo tornar-Me homem, e posso sê-lo. Deus faz o contrário do que tu fizeste ao deixares-te seduzir: tu desejaste o que estava acima de ti e Eu tomo o que está abaixo de Mim. Tu desejaste ser igual a Deus e Eu quero ser igual ao homem.

Tu desejaste tornar-te Deus e não pudeste, e Eu faço-Me homem para tornar possível o que era impossível.» Sim, foi realmente para isso que Deus veio. Deus desceu ao cair da tarde e disse: «Adão, onde estás?» (Gn 3,9). Aquele que veio para sofrer é o mesmo que desceu ao Paraíso.

Severino de Gabala in 6ª Homilia sobre a criação do mundo, 5-6


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quinta-feira, 23 de março de 2017

O que causou a guerra no Líbano causará também na Europa?



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Papa Francisco autoriza a canonização dos Pastorinhos

O segundo milagre necessário para a canonização dos Pastorinhos, Francisco e Jacinta, foi reconhecido pela Congregação para as Causas dos Santos e o respectivo decreto foi promulgado pelo Papa Francisco. A informação, que ja tinha sido avançada há mais de 1 mês, foi hoje tornada oficial através do boletim da Santa Sé:

"O Santo Padre Francisco recebeu em audiência Sua Eminência o Cardeal Angelo Amato, S.D.B., Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Durante a audiência, o Santo Padre autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a promulgar o decreto que diz respeito a um milagre atribuído à intercessão do Beato Francesco Marto, que nasceu a 11 de Junho de 1908 e morreu a 4 de Abril de 1919, e da Beata Jacinta Marto, que nasceu a 11 de Março de 1910 e morreu a 20 de Fevereiro de 1920, os pastorinhos de Fátima."

A data e o local da canonização serão decididos no consistório dos Cardeais, marcado para o próximo dia 20 de Abril. 

Esperemos que esta canonização seja mais uma confirmação do triunfo do Imaculado Coração de Maria e que os Pastorinhos de Fátima continuem a interceder por Portugal e pelo Mundo inteiro, junto de Nossa Senhora.


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terça-feira, 21 de março de 2017

Fala 4 idiomas, toca violino, dá conferências...tem Trissomia 21

Tem 20 anos. Fala inglês e espanhol na perfeição e domina o francês e o latim com fluência. Sendo ainda um adolescente, a sua destreza com o violino é memorável, tendo já protagonizado concertos com orquestras sinfónicas. Chegou a dar também conferências nos EUA e outros países.

O seu nome é Emmanuel Joseph Bishop e, atentando na sua história, é possível dizer que está por certo num patamar elevado quando comparado com a maioria dos jovens da sua idade. Este jovem talento tem síndroma de Down. Em vários países, a lei permite abortar casos como este, eliminando-os antes do seu nascimento: abortável por Down.

A sua história causa um impacto tal, que tem dado a volta ao mundo através das redes sociais.

Um talento em perigo de extinção

Na actualidade será bastante complicado encontrar um talento como o de Emmanuel, uma vez que não o iriam deixar nascer por ter síndroma de Down. Simplesmente por não cumprir os requisitos que, alegadamente, são necessários para ser digno desta vida. Tudo isto é suportado pela lei.

No entanto, a história de Emmanuel aparece como um vendaval que destrói todas estas falácias que justificam o aborto de milhares e milhares de bebés que não são considerados aptos. Este adolescente americano veio demonstrar todas as suas potencialidades, provando ao mundo do que era capaz.

Um católico devoto

Emmanuel é ainda um católico muito devoto, segundo o próprio afirma orgulhoso. Para além disso, realiza as suas orações em latim. Dirigiu o Terço em várias ocasiões, assim como orações comunitárias.

Neste sentido, o jovem pretende utilizar o dom com que Deus o brindou para um fim maior. Os seus esforços estão destinados a mostrar àqueles com diferenças nas capacidades que são igualmente dotadas de habilidades para mostrar ao mundo. Definitivamente, convence-los que são igualmente úteis, contrariamente ao que o mundo os tenta convencer.

Um talento precoce

Emmanuel nasceu a 21 de Dezembro de 1996 na cidade norte americana de Grafton. Cedo começou a surpreender todos em seu redor. Aos dois anos já lia e aos três já era capaz de ler cartões em francês num colégio do Ilinóis.

Com seis anos apenas leu o discurso de boas vindas da conferência anual da Sociedade Nacional do Síndroma de Down. Fê-lo em três idiomas perante um auditório de mais de 600 pessoas. Já com essa idade aprendia a tocar violino, uma das suas grandes paixões.

A vida de Emmanuel evoluía a um ritmo vertiginoso. Aos 8 anos andava de bicicleta e já era medalhista nas Olimpíadas Especiais do seu Estado tanto em Golf como em Natação, onde ganhou os 200 e 400m livres. Dois anos mais tarde marcava vários recordes na categoria de juniores em diferentes provas de natação.

O violino: a sua arma e o seu escudo

Aos 12 anos deu um recital em violino no décimo congresso mundial de síndroma de Down celebrado na Irlanda em 2009. Para além disso, no mesmo evento, realizou uma apresentação numa das sessões de trabalho.

Um ano de pois passou a ser auxiliar na sua paróquia e aos 14 anos recebia o sacramento da Confirmação. Em 2010 cumpria um dos seus sonhos quando no dia mundial do síndroma de Down foi convidado a tocar na Turquia com uma orquestra sinfónica.

O seu objectivo de ajudar outras crianças

Emmanuel foi educado em casa com os seus pais, que nunca duvidaram das suas capacidades. Com esforço e perseverança, este rapaz viria a sobrepor-se às limitações da sua condição. Assim, a principal função de Emmanuel era que o seu exemplo de superação movesse mais rapazes e raparigas.

Nas suas apresentações fala, no fundo, da sua vida, um adolescente com síndroma de Down e com interesses, que gosta de desporto, de música, que vai frequentemente  nadar e andar de bicicleta.

Os seus objectivos dividem-se me quatro pontos:

1. Destacar as habilidades, talentos e potencial das crianças na mesma condição
2. Quebrar o mito das baixas expectativas atribuídas aos jovens com síndroma de Down
3. Demonstrar que a alegria de viver não se opõe a estas pessoas
4. Alertar para a incidência de que tudo o que está dito e escrito acerca do síndroma de Down tem origem em pessoas que não possuem esta condição.

Um exemplo para todos

O resultado de toda esta dinâmica foi efectivado na reunião anual sobre Trissomia 21 em Houston (Texas). Ali, Emmanuel iluminou todos com os testemunhos das aventuras das suas viagens pelo mundo, bem como dos seus estudos e do seu violino. Falou inclusivamente em francês, comentando as obras de arte que havia admirado na sua passagem por Paris. De seguida respondeu a perguntas que lhe foram feitas acerca da sua vida e esclareceu outras dúvidas que o público lhe colocou.

A educação que recebeu em casa deixou muitos perplexos, bem como a sua alfabetização precoce. Exemplos concretos ajudam visivelmente a luta contra a corrente. O seu testemunho, mais pela sua capacidade de superação que pelas suas habilidades adquiridas, é um estímulo, uma força tanto para crianças com síndroma de Down como para as suas famílias. Nenhum deles está só. Todos são úteis em sociedade, por vezes mais até do que podem imaginar. 

in religionenlibertad


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5 coisas que um filho precisa ouvir do Pai

Por graça de Deus, eu sou o pai de quatro filhos fantásticos: três meninas e um menino. Assim como é maravilhoso ser o pai de filhas, é maravilhoso ser pai de um filho.

Em minha casa, Daniel Jr (4 anos de idade) e eu estamos a perder 4-2 com as raparigas, e por isso fizemos uma espécie de aliança para garantir que nem tudo fica pintado de cor-de- rosa, que vemos futebol com alguma regularidade, e que se vêem tantos filmes de super-heróis como filmes da Barbie. 

Falando a sério, o trabalho de criar um filho é uma tarefa nobre e importante. Infelizmente, é um trabalho que muitos homens desleixam, abrindo caminho ao que agora se vê como uma crise de grandes proporções no nosso país: a crise da paternidade. 

Quando tiver vagar veja as estatísticas e ficar a saber que uma percentagem muito elevada dos jovens que estão na prisão tiveram pouca ou nenhuma experiência de envolvimento com o pai. Na minha função pastoral, eu vi os efeitos devastadores da ausência do pai ou da sua falta de liderança na vida do filho. 

Homens, ser pai para os filhos é um trabalho sério. Por isso, gostaria de apontar 5 coisas que todo filho precisa ouvir do pai: 

1. Gosto de ti 

Qualquer rapaz precisa de ouvir e saber que o pai o ama. Sem essa afirmação, um homem carrega feridas profundas que afectam os seus relacionamentos mais importantes.

Encontrei homens de todas idades que sonham ouvir essas palavras mágicas que significam bem mais quando vêm do pai: gosto de ti. Nesta altura o meu filho tem só 4 anos, por isso é mais fácil dizer essas coisas. Suspeito que, à medida que crescer, vai ser um pouco mais complicado. Mas continuo a pensar dizer.

Porque por detrás de uma aparência às vezes áspera de um rapaz jovem há um coração que deseja sentir o amor do pai. O que você pode não perceber é que a primeira imagem que o miúdo vai ter do seu Pai celestial é a imagem do pai terreno quando olha para ele. Ou seja, toca a dizer ao seu rapaz que gosta dele.

2. Estou orgulhoso de ti 

Nem sei dizer quantos homens conheço que ainda hoje vivem à espera de ter a aprovação do pai. No fundo do coração perguntam, porto-me minimamente bem? Estou a fazer o que é certo? O meu pai estará contente comigo? 

Ando a aprender que é importante para nós, pais, sermos firmes com os filhos de muitas maneiras (ver abaixo), mas nunca devemos negar a nossa aprovação. Eles precisam de saber, nos momentos certos das suas vidas, que não é preciso que façam mais para conquistar o nosso favor. 

Claro, às vezes eles vão decepcionar e temos de lho fazer saber e sentir. E, no entanto, é importante não sermos como senhores que, ao tentar motivar os nossos filhos para a grandeza, omitimos o maior condimento que pode facilitar o êxito: a confiança. 

Lembro-me da aprovação que Deus faz ao seu Filho quando estava a ser baptizado por João Baptista. "Este é o meu Filho amado, em ponho a minha complacência" (Mateus 3,17 e Marcos 19,35). Sim, há implicações teológicas importantes nesta frase para além da aprovação, mas não posso deixar de ver a aprovação de Deus a Jesus como um modelo para a relação que temos com os nossos filhos. 

Se o seu filho não subir à 1ª divisão, se ele entrar numa universidade que não é Harvard, se ele se tornar camionista e não um gestor de empresas, nunca lhe dê a impressão de que gosta menos dele. 

3. Tu não és um choninhas, és um soldado 

Hoje a cultura apresenta uma imagem confusa da masculinidade.

O que é um homem? A cultura dominante diz que ele é uma espécie de inútil e que o melhor que ele consegue é desperdiçar a adolescência satisfazendo os impulsos sexuais, brincando às guerras na playstation, e sem qualquer tipo de ambição nobre. Mas Deus não fez o seu filho, ou o meu filho, para ser um indolente, mas para ser um soldado.

Por favor, não se ponham nervosos com a palavra "soldado". É bom para encorajar os filhos a serem masculinos. Isto não tem a ver com ser caçador de leões, condutor de camiões TIR. Muitos homens verdadeiros bebem leite, conduzem utilitários pequenos, e detestam camuflados (como eu). 

Há uma visão de masculinidade na Bíblia, de nobreza e força, de coragem e sacrifício. Um homem de verdade luta por aquilo que ama. Um homem de verdade valoriza a mulher que Deus lhe dá. Não se serve dela. 

Um verdadeiro homem procura seguir o chamamento que Deus estampou na sua alma, e que é descoberto através da intimidade com Deus, da identificação com os dons e talentos recebidos, e da satisfação das necessidades profundas do mundo (para parafrasear Buechner).

Ninguém consegue ajudar melhor os nossos filhos a orientar-se para a sua missão que nós, os pais. Não deixemos o futuro dos nossos filhos ao acaso. Vamos estar ao lado deles, modelando para eles um modo de viver que tenha sentido.

4. O trabalho duro é um dom, não uma maldição 

Ócio, preguiça e indecisão são as melhores ferramentas do diabo para arruinar as vidas dos homens jovens. Pessoal, os nossos filhos precisam de nos trabalhar no duro e ser incentivados e preparados para trabalhar no duro.

Eles precisam de perceber que o trabalho é mais duro por causa da queda original, mas em última análise foi dado por Deus para saborear o seu beneplácito. Ficar com as mãos sujas no esforço, na luta, no cansaço – tudo isto é bom, não é mau. 

Infelizmente muitos jovens nunca viram como é importante para um homem poder trabalhar. Vamos mostrar-lhes que o trabalho traz alegria. O trabalho honra a Deus. O trabalho bem feito dá glória ao Criador. 

Seja feito com os dedos num teclado, cortando árvores à machadada, ou manobrando uma empilhadora. Seja feito num escritório com ar-condicionado, em pântanos lamacentos, ou debaixo de um carro. Mas não se enganem: o trabalho importa e o que fizermos com as nossas mãos, se for bem feito, é um sinal do Criador. 

5. Tens talento, mas não és Deus 

Vamos embeber os nossos filhos num sentimento de confiança, de aprovação, de dignidade. Mas vamos lembrar-lhes que, embora agraciados pelo Criador, eles não são Deus. Temos de lhes ensinar que a masculinidade genuína não se envaidece. Inclina-se. Pega numa toalha e lava os pés dos outros. 

Um homem de verdade sente-se confortável tanto quando reza como quando fala. Ele sabe que a sua força não está nas suas façanhas ou naquilo que ele acha que as pessoas pensam dele. A força vem de Deus. 

Esta humildade alimenta a compaixão e vai permitir-lhes perdoar àqueles que os hão-de ferir duramente. Vamos ajudar os nossos filhos a saber que as suas vidas realmente começam, não quando eles tiverem 18 anos ou quando tiverem o primeiro trabalho ou quando se apaixonarem por uma mulher. 

As suas vidas começaram numa colina poeirenta há 2000 anos, aos pés de uma cruz romana, onde a justiça e o perdão se reuniram no sacrifício sangrento do seu salvador. Vamos ensiná-los que viver a vida sem Jesus é como dar um concerto no convés do Titanic. É bom enquanto dura, mas, por fim, acaba na tristeza.

Daniel Darling


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domingo, 19 de março de 2017

Um filho vê o que faz o seu Pai e segue o seu exemplo



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Papa Francisco apela a que se recorra aos exorcistas

Quem se aproxima do confessionário pode encontrar-se em variadas situações: Pode ser que sofra de distúrbios espirituais, cuja natureza deve ser submetido a um cuidadoso discernimento, tendo em conta todas as circunstâncias existenciais, eclesiais, naturais e sobrenaturais. 

Quando o confessor estiver se aperceber da presença de verdadeiros distúrbios espirituais - embora possam ser também psicológicos, o que deve ser verificado por meio de uma colaboração saudável com as ciências humanas - não deverá hesitar em referir-se àqueles que, na diocese, são responsáveis por este ministério tão delicado e tão necessário: os exorcistas. Estes devem ser escolhidos com muito cuidado e muita prudência.

Papa Francisco in Discurso aos participantes no XXVIII curso sobre o foro interno organizado pela Penitenciaria Apostólica (17/III/2017)


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sábado, 18 de março de 2017

Cada fase da vida humana é diferente mas todas têm a mesma dignidade




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Papa Francisco confessou e confessou-se

No decorrer da 'Liturgia Penitencial' o Papa Francisco confessou-se e depois confessou vários fiéis, num dos muitos confessionários que se encontram na Basílica de São Pedro. Esta cerimónia acontece todos os anos durante a Quaresma. Desta feita, a homilia do Papa foi substituída por um longo silêncio que ecoou por toda a Basílica Vaticana.

Foi posto à disposição dos fiéis um exame de consciência que fazia perguntas como: 

- Esqueci-me ou, propositadamente, não confessei pecados graves na confissão anterior ou em confissões passadas? Tenho reparado os erros que fiz?

- O meu coração está verdadeiramente orientado para Deus; posso dizer que realmente O amo acima de todas as coisas e, com amor de filho, na fiel observância dos Seus mandamentos? Deixei-me absorver demasiado por coisas materiais? É sempre recta a minha intenção no agir?

- Aderi totalmente à doutrina da Igreja? Preocupei-me com a minha formação cristã, ouvindo a palavra de Deus, participando em catequeses, evitando qualquer coisa que pudesse minar a minha fé. Professei sempre com coragem e sem medo a minha fé em Deus e na Igreja? Mostrei na vida pública e privada que sou cristão ?

- Rezei de manhã e à noite? E a minha oração é um verdadeiro colóquio coração-a-coração com Deus, ou é apenas uma prática externa vazia? Soube oferecer a Deus as minhas ocupações, alegrias e tristezas? Recoro a Ele com confiança, mesmo nas tentações?

- Santifiquei o Domingo e as festas da Igreja, participando atenta e piedosamente nas celebrações litúrgicas, especialmente a Santa Missa? Observei o preceito da confissão, pelo menos anualmente, e comunhão pascal?

- Existem para mim outros "deuses", isto é expressões ou coisas que me interessam mais do que confiar em Deus, por exemplo: riqueza, superstição, espiritismo e outras formas de magia?

- Para os pais: Preocupei-me com a educação cristã dos meus filhos? Dei-lhes um bom exemplo? 

- Para os cônjuges: Fui fiel tanto nas afeições como nas acções? Fui compreensivo nos momentos de maior ansiedade (entre o casal)? 

- Respeitei a verdade e fidelidade, ou causei danos nos outros com mentiras, calúnias, deduções, juízos temerários, violação de segredos?

- Fiz ou aconselhei o aborto? Na vida matrimonial segui e respeitei o ensinamento da Igreja sobre a abertura à vida? Agi contra a minha integridade física (por exemplo: esterilização)? Fui sempre fiel, mesmo em pensamentos?

- Vivo com a esperança na vida eterna? Tentei vitalizar a minha vida espiritual com a oração, leitura e meditação da palavra de Deus, a participação nos sacramentos? Mortifiquei-me? Mostrei-me pronto e determinado a acabar com os vícios, a subjugar as paixões e inclinações perversas? Reagi por causa da inveja? Dominei a gula? Fui convencido e soberbo? 

- Que uso fiz do tempo, das forças, dos dons recebidos de Deus como o "talento do evangelho"? Uso todos esses meios para crescer cada vez mais na perfeição da vida espiritual e no serviço dos outros? Fui inerte e preguiçoso? Como usei a Internet e outros meios de comunicação?

- Suportei com paciência, num espírito de fé, as dores e provações da vida? Como procurei praticar a mortificação, para cumprir o que falta à Paixão de Cristo? Obedeci ao preceito do jejum e da abstinência?

- Guardei puro e casto o meu corpo, no meu estado de vida, pensando que é o templo do Espírito Santo, destinado à ressurreição e glória? Mantive os meus sentidos protegidos e evitei ficar sujo no espírito e no corpo com maus pensamentos e desejos, palavras e acções indignas? Permiti-me leituras, palestras, performances, entretenimento em contraste com a honestidade humana e cristã?


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quinta-feira, 16 de março de 2017

O Príncipe e o milagre de S. Filipe Néri

Todos os anos, no dia 16 de Março os príncipes Massimo, uma das famílias mais antigas de Roma, abre as portas do “Palazzo Massimo alle Colonne”, situado no centro de Roma, a quem o queira visitar.

É o dia em que se comemora o milagre que ali aconteceu. Tudo começou com a doença do príncipe Paolo Máximo, que tinha 14 anos. O jovem corria perigo de vida, e S. Filipe Néri, amigo da família, visitava-o diariamente. Mas no dia 16 de Março de 1583, Filipe estava a celebrar Missa algures, e no fim foi avisado que o príncipe estava prestes a morrer. 

Apressou-se para o Palácio, encontrando o jovem já sem vida, e sem que tivesse podido receber os últimos sacramentos. Comovido, S. Filipe encostou-se ao seu peito, meteu-lhe a mão na testa e rezou intensamente durante 7 a 8 minutos; ao aspergi-lo com água benta e encostando-se novamente ao seu peito, chamou o seu nome. 

O jovem príncipe abriu os olhos, falou durante alguns minutos com S. Filipe, e recebeu os sacramentos. Depois disto, o santo perguntou-lhe se queria ir já para o Céu. Ele respondeu que sim, porque estaria com a mãe e a irmã. S. Filipe disse-lhe “Vai em paz…”, e Paolo voltou a morrer.

O quarto do príncipe foi transformado numa capela lindíssima, onde neste dia são celebradas Missas ininterruptamente, desde as 7 da manhã. Às 11 horas celebrou o Arcebispo Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão "Ecclesia Dei", para todo o povo.

João Silveira


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Ajoelhar: uma coisa do passado?

“É notório que ajoelhar-se é um acto estranho para a cultura moderna – enquanto cultura que se afastou da Fé, e já não conhece Aquele diante do qual o estar de joelhos é a postura devida e necessária.
 
Quem aprende a crer aprende também a ajoelhar-se. Uma Fé ou uma Liturgia que já não conhece o ajoelhar-se tem o seu núcleo (o seu coração) doente. Nos lugares onde se perdeu, o acto de ajoelhar deve ser recuperado.”

Cardeal Ratzinger (Papa Bento XVI), in Introdução ao Espírito da Liturgia


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quarta-feira, 15 de março de 2017

O burro de Balaão e a mortificação corporal

A mortificação corporal ou exterior é o tema do vigésimo terceiro capítulo da terceira parte do clássico de espiritualidade Introdução à Vida Devota pelo Doutor da Caridade, S. Francisco de Sales. Um livro que vale a pena ler algumas duzentas ou mais vezes antes de morrer, a Introdução à Vida Devota é particularmente notável pelo seu balanço próprio em todas as coisas, enquanto guia a alma com um zelo verdadeiro para servir Deus com todo o coração, mente e fortaleza.
Ao entrarmos na época da Quaresma - um tempo particularmente dedicado à mortificação corporal e ao jejum - fazemos bem em considerar a sabedoria e conselhos do santo Bispo de Genebra que vai mostrar o verdadeiro caminho da devoção para aqueles de nós que vivem no mundo (e não na clausura de um mosteiro ou convento).
S. Francisco de Sales dá uma indicação importante no que toca à intenção da mortificação exterior através de um comentário espiritual à história do burro de Balaão, que se encontra no Antigo Testamento, em Números 22, 21-35.
Mortificação exterior no mundo
Os monges e as freiras, que são sustentadas pela vida comum do mosteiro ou convento e que são, para além disso, guiados tanto pela regra da sua Ordem como pela sabedoria do seu superior, devem praticar a mortificação exterior de uma maneira ligeiramente diversa daquela dada àquelas pessoas cuja vocação é viver fora no mundo.
Seguindo a Regra de S. Bento, os religiosos de clausura podem fazer jejum numa refeição por dia durante toda a Quaresma, e abster-se de qualquer carne (não durante a Quaresma, mas durante o ano). Muitas comunidades tradicionais adicionam mais austeridade (incluindo  a disciplina ou o cilício). Todas estas práticas são boas e bem ajustadas para a vida monástica, mas são dificilmente concretizáveis por aqueles que vivem no mundo.
Como é que um homem casado, que não só tem os deveres da sua ocupação (que podem envolver trabalho físico) mas também as tarefas da vida da casa, sustentar-se com uma dieta de uma refeição por dia sem carne? Poderá uma mãe que educa os filhos em casa praticar proveitosamente a disciplina a meio do dia de escola?
Seguindo S. Francisco de Sales, eu digo que (para os leigos) o diligente e alegre cumprimento dos deveres diários de cada um vale mais do que fazer jejum e mortificações. De facto, o trabalho de uma pessoa pode valer-lhe muito mais do que qualquer jejum. A tarefa de educar uma criança a ir à casa de banho sozinha é muitas vezes uma maior mortificação para uma mãe de cinco crianças do que qualquer cilício poderia ser.
Ainda assim, S. Francisco e eu não defendemos o pôr de parte todas as formas de jejum e mortificação  - não, nada disso! Antes, recomendamos apenas que a prática da mortificação corporal seja adaptada para servir a vocação do penitente.
Oiçam as palavras do Gentil Doutor, no que toca ao jejum e abstinência:
“Se conseguem aguentar o jejum, farão bem em jejuar em certos dias para além daqueles prescritos pela Igreja. [...] Mesmo que não façamos jejum muitas vezes, o inimigo tem grande medo de nós quando vê que conseguimos jejuar. Quartas, Sextas e Sábados são os dias em que os primeiros Cristãos observavam rigorosamente a abstinência e vós devíeis, portanto, escolher alguns deles para jejuar tanto quanto a vossa devoção e o julgamento do vosso director vos aconselhar.
Ao longo do ano, podem ter um bom proveito fazendo algum pequeno sacrifício em todas as Quartas, Sextas e Sábados - para além de se abster da carne em todas as Sextas do ano, de acordo com um costume antigo. Durante a Quaresma, pode ser bom aumentar a intensidade desta mortificação corporal ao abster-se da carne em cada um destes três dias.
Em vez de privar o corpo do sono, S. Francisco de Sales recomenda uma disciplina mais prudente:
“Devemos usar a noite para dormir, cada um de acordo com a sua disposição, para obter aquilo que é necessário para passar o dia com utilidade. Muitas passagens da Escritura, o exemplo dos santos e a razão natural recomendam-nos fortemente a manhã como a melhor e mais proveitosa parte do dia. [...] Assim, eu penso que é prudente para nós ir descansar cedo à noite para que possamos acordar cedo pela manhã."
Seria especialmente bom focar-nos em retirarmo-nos um pouco mais cedo durante a Quaresma (e não seria esta uma grande mortificação para muitos de nós?!), para nos podermos levantar mais cedo no dia para uma meia hora extra de oração.
Viremo-nos agora para o exemplo que o burro do profeta pagão Balaam nos dá no que toca à razão da mortificação corporal.
A história do burro que fala de Balaão
Lembrar-se-ão da história do burro de Balaão, que é dada em Números 22. O profeta pagão Balaão tinha sido chamado pelo rei pagão Balak para amaldiçõar os Israelitas. Eventualmente Balaão levanta-se e vai cumprir o pedido do rei e, porque o seu coração era mau, o Anjo do Senhor pôs-se no caminho, com uma espada em punho para o cortar para a morte. No entanto, Balaão não conseguia ver o Anjo, mas apenas o seu burro que voltava para trás e de nenhum modo ia para a frente.
Nessa altura, Balaão bateu três vezes no burro (com grande severidade) - e notamos que o burro fez uma ferida ao pé de Balaão no processo. Ainda assim, o burro não ia para a frente, pois temia o Anjo mais do que o profeta.
Depois, por um poder milagroso, a boca do burro abriu-se e falou para Balaão e o Anjo do Senhor revelou-se-lhe. Balaão caiu por terra e percebeu que o pobre burro não tinha feito nada de mal, mas que ele tinha acabado de ficar em falta - o burro não merecia as pancadas, mas ele merecia ser cortado pelo Anjo. Pelo seu arrependimento, o Anjo permitiu a Balaão continuar a sua viagem.
O comentário espiritual de S. Francisco de Sales
Lemos na Introdução à Vida Devota:
“Vês Filoteia, apesar de Balaão ser a causa do mal, ele bate e derrota uma pobre besta que não o podia evitar.
É o que se passa connosco muitas vezes. Uma mulher vê o seu marido ou a sua criança deitados doentes e de repente começa a jejuar, a usar cilício e disciplina, como David fez numa ocasião parecida. Infelizmente, minha amiga, também tu derrotaste a pobre besta, castigaste o corpo, mas isso não pôde remediar o mal, nem foi a razão pela qual a espada de Deus estava apontada a ti. Corrige o teu coração, que tem como ídolo o teu marido e que tolera as muitas falhas da criança, preparando-a para o orgulho, a vaidade e a ambição.
Um homem vê novamente que cai frequentemente bem dentro do pecado da pureza. Remorsos interiores assaltam a sua consciência como uma espada afiada a espetá-lo com um santo medo e, quando o seu coração ganha controlo sobre si mesmo, ele diz 'Ah, carne malvada, corpo traidor, traíste-me!' Imediatamente através do jejum sem moderação, do uso excessivo da disciplina e do cilício difícil de suportar, ele cria grandes golpes no seu corpo.
Oh pobre alma, se a tua carne pudesses falar como o burro de Balaão, dir-te-ia 'Homem infeliz, porque me atacas? É contra ti, oh minha alma, que Deus prepara vingança. És tu que és o criminoso. Porque usas os meus olhos, as minhas mãos e os meus lábios para a devassidão? Porque me incomodas com pensamentos impuros? Alimenta os bons pensamentos e eu não farei maus movimentos. Evita as más companhias e eu não serei estimulado para a luxúria. És tu, ai de mim! que me atiras para as chamas e depois não queres que me queime. Lanças fumo para os meus olhos mas não queres que se inflamem.
Em tais casos Deus dir-vos-à sem dúvida: Batei, quebrai, rasgai e esmaguei o vosso coração em pedaços, pois é especialmente contra ele que a minha ira se levante (cf. Joel 2, 13). Para curar a comichão não há tanta necessidade de limpar e lavar como de purificar o sangue e purificar o fígado. Por isso também, para ser curar dos vícios, é de facto bom mortificar a carne, mas é ainda mais necessário limpar os nossos afectos e purgar os nossos corações.
Mas, acima de tudo e em qualquer lugar, não devemos nunca começar austeridades corporais sem o conselho do nosso director espiritual.
in New Theological Movement


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