80 mil pessoas rezaram um 'Terço vivo' em Melbourne, na Austrália. O 'Melbourne Cricket Ground' ficou repleto mas dessa vez não havia qualquer evento desportivo, mas sim a oração que Nossa Senhora pediu insistentemente que se rezasse. Foi há mais de 74 anos atrás, em Novembro de 1951.
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terça-feira, 16 de dezembro de 2025
segunda-feira, 12 de maio de 2025
Terço e Reparação ao Imaculado Coração de Maria
Qual é a importância de rezar o Terço com a intenção de fazer Reparação ao Imaculado Coração de Maria?
A primeira vez que a palavra Reparação foi mencionada na Mensagem de Fátima, foi pelo Anjo de Portugal, aos Três Pastorinhos, na sua 2ª aparição, no Verão de 1916. Então, o Anjo de Portugal dá a entender que a Paz em Portugal depende dos nossos sacrifícios oferecidos em acto de Reparação pelos pecados com que Deus é ofendido e de súplica pela conversação dos pecadores. Na sua primeira Aparição aos Pastorinhos, na Primavera de 1916, este Anjo chamara-se a si próprio o Anjo da Paz.
Mas hoje nós ainda precisamos de Paz?
Santo Agostinho define a Paz como a ‘tranquilidade na ordem’. E tranquilidade é o que mais falta nos nossos dias... vive-se num contínuo alvoroço, numa constante correria, sem tranquilidade nenhuma sobre o nosso presente e o nosso futuro e os dos nossos filhos, em muitos âmbitos da vida...
O Anjo de Portugal e da Paz insiste na sua 3ª aparição, em fins de Setembro de 1916:
“Santíssima Trindade, (...), ofereço-vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido (…).”
E continua mais à frente:
- “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.”
Maravilhoso o fato de Deus querer precisar de cada um de nós para O consolar, fazendo Reparação pelos pecados, indiferenças e crimes cometidos contra Ele pelos homens, incluindo por nós próprios, com certeza. Grande mistério! Deus que não precisa de nada, vem mendigar por Amor o nosso amor reparador! Agradeçamos por Ele querer incluir-nos no Seu plano salvador da humanidade!
E querer ser consolado por nós, fazendo desse o meio de o Seu Santíssimo Coração ficar ’reparado’ das ‘feridas’ que os espinhos dos pecados Lhe cravam.
Quando Deus quis enviar no ano seguinte, 1917, a Sua Santíssima Mãe à Cova da Iria, transferiu o pedido de Reparação para o Coração de Maria. A Lúcia descreve o que se passou no final da aparição de 13 de Junho: “À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora, estava um coração cercado de espinhos que parecia estarem-lhe cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação.”
Em 1917, Deus põe frases muito fortes na boca de Nossa Senhora, que nos mostram que Deus quer ser agora amado e consolado, através do amor e consolação que expressarmos ao Coração de Sua Mãe Querida, Fiel, Imaculada.
Em 13 de Junho, Nossa Senhora diz à Lúcia: “Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação, e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o Seu trono.”
Como não querer ser uma dessas flores postas por Nossa Senhora a adornar o trono de Deus?!
Por isso, abraçamos com todo o Amor a devoção que Jesus nos pede ao Coração de Maria, concretizada em dois dos pedidos mais insistentes e fortes da Mensagem: a oração do terço diário e a reparação ao Imaculado Coração de Maria.
Assim, vale a pena agarrar com todas as forças esta iniciativa do Terço Reparador por Portugal. E rezá-lo unidos ao Anjo da nossa Pátria, que é o Anjo da Paz...
Terço Reparador por Portugal: https://tporportugal.wixsite.com/website
segunda-feira, 3 de março de 2025
Mistérios Gozosos meditados por S. Luís Maria Grignion de Montfort
1º Mistério – Anunciação do Anjo e encarnação do Verbo
Padre Nosso: A caridade de Deus, imensa.
1ª Ave Maria, para lamentar o desgraçado estado de Adão desobediente, a sua justa condenação e a de todos os seus filhos.
Ave Maria, para honrar:
2ª os desejos dos patriarcas e profetas, que pediam a vinda do Messias;
3ª os desejos e as preces da Santíssima Virgem, que apressaram a vinda do Messias;
4ª a caridade do Pai Eterno, que nos deu Seu divino Filho;
5ª o amor do Filho, que se entregou por nós;
6ª a embaixada e a saudação do arcanjo Gabriel;
7ª o temor virginal de Maria;
8ª a fé e o consentimento da Santíssima Virgem;
9ª a criação da alma e a formação do Corpo de Jesus Cristo no seio de Maria, pelo Espírito Santo;
10ª a adoração do Verbo Encarnado, pelos anjos, no seio de Maria.
2º Mistério – Visitação da Virgem Maria à sua prima Santa Isabel
Padre Nosso: A majestade de Deus, adorável.
Ave Maria, para honrar:
1ª o gozo do Coração de Maria e a morada durante nove meses, do Verbo em seu seio;
2ª o sacrifício que Jesus Cristo fez de Si mesmo ao Pai, ao entrar neste Mundo;
3ª as complacências de Jesus no seio humilde e virginal de Maria, e de Nossa Senhora, no gozo do seu Deus;
4ª a dúvida de São José acerca da maternidade de Maria;
5ª a eleição dos escolhidos, combinada entre Jesus e Maria, em seu seio;
6ª o fervor de Maria na sua visita a Santa Isabel;
7ª a santificação de João Baptista no ventre de sua mãe;
8ª a gratidão da Santíssima Virgem para com Deus, no Magnificat;
9ª a sua caridade e humildade em servir sua prima;
10ª a mútua dependência de Jesus e de Maria, e a devoção que devemos ter para com um e outra.
3º Mistério – Nascimento de Jesus
Padre Nosso: As riquezas de Deus, infinitas.
Ave Maria, para honrar:
1ª os desprezos e injúrias feitas a Maria e a São José em Belém;
2ª a pobreza do estábulo onde Deus veio ao mundo;
3ª a alta contemplação e o excessivo amor de Maria no momento de dar à luz;
4ª a saída do Verbo Eterno do seio de Maria sem romper o selo de sua virgindade;
5ª as adorações e cânticos dos anjos no nascimento de Jesus;
6ª a formosura arrebatadora de Sua divina infância;
7ª a vinda dos pastores ao estábulo, com seus presentes;
8ª a circuncisão de Jesus Cristo e Suas dores amorosas;
9ª a imposição do nome de Jesus Cristo e as suas grandezas;
10ª a adoração dos reis magos e os seus presentes.
4º Mistério – Apresentação de Jesus no Templo e a purificação de Nossa Senhora
Padre Nosso: Sabedoria de Deus, eterna.
Ave Maria, para honrar:
1ª a obediência de Jesus e de Maria à Lei;
2ª o sacrifício que ali fez Jesus da sua humanidade;
3ª o sacrifício que ali fez Maria da sua honra;
4ª o gozo e os cânticos de Simeão e Ana, a profetisa;
5ª o resgate de Jesus pela oferenda de duas rolas;
6ª a matança dos santos inocentes;
7ª a fuga de Jesus para o Egipto, pela obediência de São José à voz do Anjo;
8ª a estada misteriosa no Egipto;
9ª o regresso para Nazaré;
10ª o seu crescimento em idade, sabedoria e graça.
5º Mistério – Encontro de Jesus no Templo
Padre Nosso: A Santidade de Deus, incompreensível.
Ave Maria, para honrar:
1ª a Sua vida oculta, laboriosa e obediente na casa de Nazaré;
2ª a Sua perda e encontro no Templo entre os doutores;
3ª o seu jejum e tentações no deserto;
4ª o Seu Baptismo por São João Baptista;
5ª a Sua pregação admirável;
6ª os Seus milagres portentosos;
7ª a eleição dos doze Apóstolos e os poderes que lhes deu;
8ª a Sua transfiguração maravilhosa;
9ª o lava-pés dos Apóstolos;
10ª a instituição da Sagrada Eucaristia.
quinta-feira, 8 de agosto de 2024
sábado, 13 de julho de 2024
Levai as almas todas para o Céu
segunda-feira, 27 de maio de 2024
O maior Terço do Mundo
sábado, 7 de outubro de 2023
terça-feira, 3 de outubro de 2023
sexta-feira, 4 de agosto de 2023
São Domingos e a Devoção do Santíssimo Rosário
Celebrando a memória litúrgica de São Domingos, que recebeu de Nossa Senhora o Rosário, não nos esqueçamos do que a Santíssima Virgem lhe prometeu.
O Santo Rosário é sem dúvida uma enorme fonte de graças e de protecção. A irmã Lúcia, a quem Nossa Senhora apareceu em Fátima várias vezes, disse um dia:
"A Santíssima Virgem, nestes últimos tempos em que vivemos, deu nova eficácia à recitação do Rosário. Tanto é assim, que não existe nenhum problema, independentemente de quão difícil possa ser, temporal ou, sobretudo, espiritual, na vida pessoal de cada um de nós, das nossas famílias... que não possa ser resolvido com o Santo Rosário. Não existe nenhum problema, digo-vos, não importa quão difícil possa ser, que não possamos resolver com a oração do Rosário."
Nossa Senhora revelou estas promessas a São Domingos, o santo a quem foi explicado, pela primeira vez, o Santo Rosário, no século XII:
O Santo Rosário é sem dúvida uma enorme fonte de graças e de protecção. A irmã Lúcia, a quem Nossa Senhora apareceu em Fátima várias vezes, disse um dia:
"A Santíssima Virgem, nestes últimos tempos em que vivemos, deu nova eficácia à recitação do Rosário. Tanto é assim, que não existe nenhum problema, independentemente de quão difícil possa ser, temporal ou, sobretudo, espiritual, na vida pessoal de cada um de nós, das nossas famílias... que não possa ser resolvido com o Santo Rosário. Não existe nenhum problema, digo-vos, não importa quão difícil possa ser, que não possamos resolver com a oração do Rosário."
Nossa Senhora revelou estas promessas a São Domingos, o santo a quem foi explicado, pela primeira vez, o Santo Rosário, no século XII:
1. A todos os que rezarem o meu Rosário com devoção, prometo a minha protecção especial e grandíssimas graças.
2. Aquele que perseverar na oração do Meu Rosário receberá uma graça especialíssima.
3. O Rosário será uma defesa poderosíssima contra o Inferno; destruirá os vícios, libertará do pecado, dissipará as heresias.
4. O Rosário fará florescer as virtudes e as boas obras, e obterá para as almas a mais abundante misericórdia Divina; fará que, nos corações, o amor ao mundo seja substituído pelo amor a Deus, elevando-os ao desejo dos bens celestes e eternos. Quantas almas se santificarão por esse meio!
5. Quem se confiar a Mim, por meio do Rosário, não perecerá.
6. Quem rezar o meu Rosário com devoção, meditando nos seus mistérios, não será oprimido pela desgraça. O pecador se converterá; o justo crescerá em graças e se tornará digno da vida eterna.
7. Os verdadeiros devotos do meu Rosário não morrerão sem os Sacramentos da Igreja.
8. Aqueles que rezam o meu Rosário encontrarão, durante sua vida e na sua morte, a luz de Deus e a plenitude das Suas graças, e participarão dos méritos dos bem-aventurados.
9. Libertarei muito prontamente do Purgatório as almas devotas ao meu Rosário.
10. Os verdadeiros filhos do meu Rosário gozarão de uma grande glória no Céu.
11. Os que pedirem por meio do meu Rosário, obterão.
12. Aqueles que defenderem o meu Rosário serão socorridos por Mim, em todas as suas necessidades.
13. Obtive do meu Filho que todos os membros da Irmandade do Rosário tenham por irmãos, durante a vida e na hora da morte, os santos do Céu.
14. Aqueles que rezarem fielmente o meu Rosário serão todos meus filhos amantíssimos, irmãos e irmãs de Jesus Cristo.
15. A devoção ao meu Rosário é um grande sinal de Predestinação.
A Santa Madre Igreja sempre favoreceu esta bela devoção, tomemos o exemplo do Papa Pio XI, na Carta Encíclica Ingravescentibus Malis:
«Esta prática de piedade, Veneráveis Irmãos, admiravelmente difundida por S. Domingos, não sem a sugestão celestial e a inspiração da Virgem Mãe de Deus, é sem dúvida fácil para todos, até para os ignorantes e para os simples. Mas fogem do caminho da verdade aqueles que consideram esta devoção uma fórmula chata, repetida como um monótono tom de cantarolar, e a rejeitam como se fosse apenas boa para crianças e mulheres patetas.
Neste assunto, é de se notar que tanto a piedade como o amor, apesar de sempre renovados nas mesmas palavras, nem sempre repetem a mesma coisa, mas expressam algo novo, emitido pelo sentimento íntimo de piedade. Além de, este modo de oração ter o perfume de simplicidade evangélica e requer humildade de espírito; e, se desdenhamos a humildade, que nos ensina o Divino Redentor, será impossível para nós entrar no Reino dos Céus: "Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus." (Mt, 18, 3)»
Regressemos à recitação do Rosário, nestes tempos em que o mundo tanto precisa da nossa oração!
Sancte Dominice, ora pro nobis!
PF
quinta-feira, 22 de junho de 2023
Santa Sé reconhece as 'virtudes heróicas' da Irmã Lúcia
A pastorinha de Fátima está mais perto da beatificação, depois de terem sido reconhecidas as suas virtudes heróicas. Deixámos aqui um texto no qual a Irmã Lúcia fala da importância de rezar o Terço:
Aos que dizem que o Terço é uma oração antiquada e monótona, devido à repetição das orações que o compõem, eu pergunto-lhes se há alguma coisa que viva sem ser pela repetição continuada dos mesmos actos.
Deus criou tudo o que existe de modo a conservar-se pela repetição continuada e ininterrupta dos mesmos actos. Assim, para conservarmos a vida natural, inspiramos e expiramos sempre do mesmo modo; o coração bate continuamente seguindo sempre o mesmo ritmo. Os astros, como o Sol, a lua, os planetas, a Terra, seguem sempre a mesma rota que Deus lhes marcou. O dia sucede à noite, ano após anos, sempre do mesmo modo. A luz do Sol alumia-nos e aquece-nos na Primavera, vestem-se depois de flores, dão frutos e voltam a perder as folhas no Outono ou Inverno.
E, assim, tudo o mais segue a lei que Deus lhe marcou, e ainda ninguém lhe ocorreu dizer que era monótono, por isso prescinde-se; é que precisamos disso para viver! Pois bem, na vida espiritual temos a mesma necessidade de repetir continuamente as mesmas orações, os mesmos actos de fé, de esperança e de caridade, para termos vida, visto que a nossa vida é uma participação continuada da vida de Deus.
Quando os discípulos pediram a Jesus Cristo que os ensinasse a orar, Ele ensinou-lhes, como vimos atrás, a bela fórmula do "Pai-Nosso", dizendo: "Quando orardes dizei: "Pai..." (Lc 11,4). O Senhor mandou-nos rezar assim, sem nos dizer que, passado um certo número de anos, buscássemos nova fórmula de oração, porque esta teria passado a ser antiga e monótona.
Quando os namorados se encontram, passam horas seguidas a repetirem a mesma coisa: "amo-te!". O que falta aos que acham a oração do Terço monótona é o Amor; e tudo o que não é feito por amor não tem valor. Por isso, nos diz o Catecismo que os dez Mandamentos da Lei de Deus se encerram num só, que é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.
Os que rezam diariamente o seu Terço são como os filhos que todos os dias dispõem de alguns momentos para ir até junto de seu pai, para lhe fazer companhia, manifestar-lhe o seu agradecimento, prestar-lhe os seus serviços, receber os seus conselhos e a sua bênção. É o intercâmbio e a troca do amor, do pai para com o filho e deste para com o pai, é a dádiva mútua.
Irmã Lúcia in Apelos da Mensagem de Fátima
quarta-feira, 31 de maio de 2023
A melhor maneira de rezar o Terço
sexta-feira, 12 de maio de 2023
sábado, 28 de janeiro de 2023
Jovens Católicos rezam o Terço durante encontro ecuménico
Cerca de 15 jovens católicos de rito tradicional ajoelharam-se na igreja de Belle-Beille (França) para rezar o terço durante uma cerimónia ecuménica.
O Bispo de Angers, Mons. Emmanuel Delmas, tinha reunido várias "denominações" cristãs, durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, a fim de promover a "abertura" e a "tolerância". Mas, quando os católicos começaram a rezar, o diácono Joël Caillé chamou a polícia.
O Bispo Delmas disse aos activistas dos meios de comunicação social que condenou "veementemente" a oração. Segundo ele, os jovens mostraram uma "falta de respeito pela oração" e pelo "carácter sagrado da igreja como lugar de unidade, paz e comunhão", o que, pelos vistos, exclui os católicos que rezam o terço.
Uma imagem reveladora publicada em Ouest-France.fr mostra os jovens católicos ajoelhados na igreja, no meio de pessoas secularizadas e envelhecidas.
in gloria.tv
domingo, 9 de outubro de 2022
terça-feira, 14 de junho de 2022
Morreu Maria dos Anjos, a sobrinha da Irmã Lúcia
Maria dos Anjos morreu ontem, dia 13 de Junho, aos 102 anos. Quem visitava Aljustrel, local onde nasceram e viveram os pastorinhos de Fátima, podia vê-la de terço na mão como lhe tinha recomendado a sua tia, Irmã Lúcia de Jesus: "Reza o terço todos os dias. Não te esqueças."
Quando Lúcia deixou Fátima para entrar na vida religiosa, junto das irmãs doroteias, Maria dos Anjos tinha apenas 1 ano e meio. Mas, mais tarde, quando a tia ingressou no Carmelo de Coimbra encontraram-se várias vezes. Maria dos Anjos, ainda que com 102 anos de idade, recordava essas conversas perfeitamente e tentava seguir os conselhos que lhe deixou a pastorinha de Fátima.
Nesta fotografia, o Pe. Gregory Pendergraft (sacerdote da Fraternidade de São Pedro) abençoa Maria dos Anjos, que se encontrava todos os dias num alpendre em frente à casa onde viveu a Irmã Lúcia.
domingo, 29 de maio de 2022
7 semelhanças entre o Terço e a Missa Tradicional
1. Repetição útil. Como todos os seres humanos normais sabem, e como aparentemente os reformadores litúrgicos não sabiam, a repetição é extremamente útil e importante em todo o discurso humano - como demonstrado nas linhas rítmicas dos poetas, nas conversas íntimas das pessoas que se amam, nas elevadas visões dos místicos, nas árias dos compositores de ópera, e nos frequentes pedidos das crianças para ouvir a mesma história. Nós repetimos aquilo que é amoroso para aqueles que amamos. O Terço exemplifica esta prática, mas também a liturgia tradicional, seja a Santa Missa ou o Ofício Divino. As muitas repetições aqui reforçam, amplificam e dão expressão aos pensamentos e sentimentos do coração.
Foi um exercício cruel de racionalismo cortar as supostas "inúteis" repetições como os muitos beijos do altar, as muitas enunciações "Dominus vobiscum", o Confiteor duplo, as nove vezes do Kyrie, os sinais da Cruz, as múltiplas orações antes da comunhão, o duplo "Domine, non sum dignus" dito três vezes. Pergunto-me se os responsáveis por esta deformação tiveram o desgosto de serem crianças negligenciadas que não ouviram poesia ou histórias repetidas vezes sem conta.
O único tipo de repetição que Nosso Senhor proíbe é repetição manipulativa ou sem razão. Quando uma pessoa repete vocábulos sem intenção nenhuma, ou repete palavras como feitiços que podem exercer poder sobe um outro objecto (incluindo dirigidos aos deuses, na maneira pateta como alguns pagãos os pensam). Piedade católica tradicional usa a repetição numa maneira inteiramente diferente, para honra de Deus e benefício da alma.
O único tipo de repetição que Nosso Senhor proíbe é repetição manipulativa ou sem razão. Quando uma pessoa repete vocábulos sem intenção nenhuma, ou repete palavras como feitiços que podem exercer poder sobe um outro objecto (incluindo dirigidos aos deuses, na maneira pateta como alguns pagãos os pensam). Piedade católica tradicional usa a repetição numa maneira inteiramente diferente, para honra de Deus e benefício da alma.
2. Concentração em mistérios, não em actividade. O Terço é como o saltério de Nossa Senhora: é, por assim dizer, os 150 salmos dos pobres. Mas estes pobres somos cada um de nós, todos nós; somos pobres pedintes que se ajoelham diante do trono de Deus, procurando a Sua misericórdia e bênção às mãos da Sua Santa Mãe. As orações do Terço são em si duma riqueza sem medida, inesgotáveis, a fonte de uma vida de união orante com Jesus.
Algum tempo após o aparecimento do Terço, a meditação nos mistérios da vida de Jesus e Maria foi adicionada como enquadramento para as dezenas. Notem como o Terço nos faz abrandar e focar a nossa atenção nos mistérios divinos, não no apostolado externo ou num activismo frenético. Aponta mais para o ser do que para o fazer. A Missa tradicional, também, é libertada da estranha preocupação dos nossos tempos com a utilidade, com os resultados instantâneos e com nova evangelização de tudo. O Terço e a Missa formam-nos, alimentam-nos e envolvem-nos nos mistérios de Nosso Senhor, através de quem somos salvos. Isto é o pré-requisito para fazer o que for pelo reino de Deus - e é o objectivo de todo o trabalho que fazemos.
3. Foco no Senhor e na Sua Mãe, não no povo. O Terço, mesmo quando recitado em grupo, é ainda uma oração "vertical": não é sobre o grupo, ou acerca do grupo, ou focado em atender às suas necessidades reais ou estimadas, ou uma tentativa de persuadir ou incentivar alguma resposta em particular. Como a Missa, faz de facto as pessoas mais unidas, responde às nossas necessidades, e extrai de facto respostas. Mas a sua atenção, o seu propósito, toda a sua orientação, é outra.
Isto é talvez o aspecto mais notável e digno de louvor da Missa tradicional: em todas as alturas, excepto a homilia, a Missa é manifestamente um acto de culto dirigido a Deus Omnipotente, Pai, Filho e Espírito Santo, um exercício do sacerdócio de Cristo e um sacrifício do Seu Corpo e Sangue. Claramente não é um get-together social no qual o celebrante e a congregação se voltam uns para os outros e são servidos refrescos.
4. Escola de disciplina. Conquanto não haja nada de errado com recitar o Terço sentado, muitas pessoas rezam-no ajoelhadas. Isto é duro para os joelhos e para as costas: não é por nada que ajoelhar é considerado uma postura penitencial nas Igrejas Orientais, e que os católicos tradicionalmente ajoelham-se no sacramento da penitência. O Terço é uma oração que convida, e de certa medida, exige, disciplina: a disciplina do corpo, e ainda mais, da alma. Quando a atenção começa a deambular temos de trazê-la gentil, mas firmemente, de volta para a oração. É uma oração de perseverança: temos de lhe aderir, para o que der e vier. O diabo certamente não quer que continuemos a rezar o Terço. Pelo menos na minha experiência de vida, o Terço não é uma oração que se compreenda automaticamente; temos de crescer para junto dela, com confiança nas promessas de Nossa Senhora.
A Missa antiga é um verdadeiro bootcamp de disciplina espiritual. Na Missa rezada, é costume, pelo menos nos Estados Unidos, ajoelhar durante quase toda a Missa, do princípio ao fim. Não consigo expressar a ajuda que isto tem sido para a minha preguiça. Na Missa solene, também, há muitos momentos de joelhos, e toda a liturgia é longa - sem pressa aqui, e sim, Deus é mais importante que tudo o resto que nós ou as nossas famílias possam estar a fazer em casa, portanto ultrapassemos a nossa impaciência. Se alguém tem um grande número de filhos, os desafios acumulam.[1] O Terço e o rito antigo da Missa exigem - e recompensam - a disciplina.
5. Uso de sinais tangíveis junto com oração vocal e mental. Estou convencido que uma das simples razões pelas quais gostamos do Terço é que é um objecto físico: um conjunto de contas, agrupadas em padrões, com medalhas e um crucifixo. Os católicos tendem a gostar de coisas físicas, porque Deus as ama. Ele criou o mundo material para se tornar uma das maneiras de comunicar connosco e uma das maneiras nas quais podemos comunicar com Ele.
Portanto o Terço não é apenas um conjunto de palavras (a maldição da verbosidade), nem um Monte Evereste de oração mental (a maldição da devotio moderna levada ao extremo), mas uma tríade harmoniosa: as palavras repetidas, os mistérios ordenados e as contas. Há algo para cada um de nós - e, para ser honesto, isto significa que, por vezes, parte de nós vai saltar e liderar o resto de nós. Alguma vez notámos que há dias em que parecer que os nossos dedos estão a rezar mais que os lábios e a mente? Temos de ser suficientemente humildes para ser carregados pelas nossas próprias mãos.
A comparação com a Missa tradicional não está longe. Está mais repleta de sinais físicos do sagrado, do princípio ao fim, dando-nos mais cavilhas às quais agarramos as nossas orações. Permite uma grande latitude para a meditação: ninguém está constantemente à espera que se faça isto, diga aquilo, "todos juntos agora"! Há silêncio para descansar, canto para nos expandirmos, cerimónia para assistir, tempo e espaço para rezar, e, quando Deus nos favorece, uma conexão intemporal com Ele que nada mais pode trazer. A Missa antiga não é demasiado cerebral ou demasiado dita, como se fosse uma palestra apontada a melhorar moralmente os fiéis (diversas vezes um esforço vão, até na melhor altura). É um acto de culto ao qual nos podemos agarrar, no qual podemos encontrar Deus.
Os Missais, bem manuseados por aqueles que ouvem Missa, e os véus bem usados pelas mulheres, são como as contas do Terço, lembretes tangíveis do que estamos a fazer. É suficiente olhar de soslaio para uma antífona ou para uma página do Ordinário para levar os nossos pensamentos dispersos de volta para o mistério central.
6. É recebido como algo basicamente inalterado por séculos. O Terço existe há muito tempo - e não nos atrevamos a brincar com ele.[2] Não sugerimos um "Terço reformado" do qual todas as "repetições inúteis" foram retiradas. Não transformamos a forma recebida, do avesso, para a tornar mais aceitável ou ameno para o homem moderno. Não o desfazemos por ter desenvolvimento medieval ou como uma relíquia suplantada de crédula "Mariolatría". Não; nós mantemo-lo, valorizamo-lo, preservamo-lo, entregamo-lo intacto aos nossos filhos.
A lógica, a atitude, a espiritualidade é a mesma no que toca à Santa Missa. Na sua forma clássica, o Rito Romano em Latim foi desenvolvido organicamente por 1500 anos - com o seu desenvolvimento a abrandar nos séculos recentes, porque tinha atingido perfeição formal, perfeitamente proporcionada à glorificação do Deus Uno e Trino e às necessidades da comunidade orante. Somos humildemente privilegiados ao receber este tesouro imenso. Amamo-la e vamos entregá-la aos nossos filhos.
7. Nossa Senhora é invocada, pelo nome, muitas vezes. Isto é obviamente verdade no Terço, o que torna esta devoção num correctivo saudável ao racionalismo protestante que reduziria a oração a dirigirmo-nos a Deus apenas, ignorando a Sua Mãe e todos os Seus filhos, os santos, e desta maneira insultando-O e pecando contra as Suas disposições providenciais.
Da mesma maneira, a Missa tradicional exalta adequadamente Nossa Senhora mencionando-a várias vezes - nas orações fixas apenas, 10 ou 11 vezes, dependendo do dia.[3] Neste honrar frequente da Santa Theotokos, o Rito Romano mostra o seu parentesco com todas as outras liturgias cristãs autenticas, como a Divina liturgia de S. João Crisóstomo.
A liturgia tradicional, como o Terço, nunca se cansa de voltar a chamar a sua memória e de invocar a intercessão da toda-gloriosa Mãe do nosso Deus e Senhor, Jesus Cristo.
Talvez parte da razão para a continua popularidade do Terço seja que ele nutre a vida espiritual em várias maneiras semelhantes àquelas como a Missa tradicional fazia (e ainda faz, onde existe). Isto talvez possa explicar também o encaixe natural entre assistir a uma Missa rezada, rezando o Rosário. Enquanto rezar o Rosário durante a Missa talvez não seja a forma ideal de participar interiormente nas riquezas da sagrada liturgia, sabemos que a Igreja, ainda assim não proíbe ou desencoraja tal coisa na Missa rezada, e apenas apontamos que existe parentesco entre a oferta silenciosa da oração pública da Igreja e da reza silenciosa do terço de Nossa Senhora.
Existe consolação neste facto, Pois, se estamos correctos, a oração do Terço está a preparar um largo contingente de católicos para redescobrir e regressar à Missa antiga, tão profunda e puramente mariana na sua espiritualidade.[4]
Salve, Rainha do Santíssimo Rosário! Salve, Nossa Senhora da Victoria! Rogai por nós pecadores neste vale de lágrimas, e obtende de Vosso Filho a muito esperada restauração da grande e bela liturgia da Igreja Romana. Amen.
Notas:
[1] Ver o artigo “Ex ore infantium: Children and the Traditional Latin Mass” e os links lá providenciados.
[2] Claro que os Mistérios Luminosos são uma espécie de invenção, mas a ideia de usar mistérios alternativos da vida do Senhor é muito antiga e recomendada pelo próprio apóstolo do Rosário, S. Luís Maria Grignion de Monfort. Isto não significa, no entanto, que os católicos têm de adoptar os Mistérios Luminosos; até João Paulo II os apresentou como opcionais.
[3] A variação é causada pela diferença entre a Missa rezada e a Missa solene.
[4] Algo como isto, é claro, estava a acontecer de maneira espontânea e orgânica com os Frades Franciscanos da Imaculada.
[4] Algo como isto, é claro, estava a acontecer de maneira espontânea e orgânica com os Frades Franciscanos da Imaculada.
Temas:
Missa Tradicional,
Nossa Senhora,
Santa Missa,
Terço
sábado, 21 de maio de 2022
De “sacerdote" de Satanás a apóstolo do Rosário
O Beato Bartolo Longo nasceu no ano 1841 em Latiano, na Apúlia (Itália). Foi educado na fé e na oração, até que a saída de casa e da sua cidade o levou a percorrer perigas quimeras.
Após o colégio, mudou-se primeiro para a cidade de Lecce e depois para Nápoles, onde estudou Direito. Eram os anos das guerras de independência, onde o ímpeto idealista contagiava as almas de tantos brilhantes jovens italianos. Difundiam-se, especialmente nas universidades e nos círculos intelectuais, as ideias iluministas e o ódio contra a Igreja, considerada um manto obscurantista que sufocava os sonhos de liberdade.
As modas culturais do momento não pouparam o jovem Longo. Nascido numa Itália fortemente enraizada na fé e nos valores da tradição, foi-lhe irresistível a atracção de uma cidade como Nápoles, propulsora das novas e exuberantes ideias, prenunciando uma mudança cultural que viria a modificar toda a península itálica.
A decepção conduziu-o aos círculos mais fechados e elitistas da cidade. Desceu às profundezas da maçonaria, onde cultivou um sempre maior interesse com relação ao espiritismo. A companhia de intelectuais anticlericais, bem como a descida às práticas mágicas e aos conhecimentos esotéricos, eram-lhe mais uma forma de comportamento para tirar a veste provincial que trazia até aí.
Ele próprio irá dizer que foi tão tragado por esses ambientes que se tornou um verdadeiro “sacerdote de satanás”. A euforia foi-se transformando em desânimo, que o fez cair numa fortíssima depressão e o levou muitas vezes à beira do suicídio.
Em desespero, tentou algo que pudesse aliviar a sua angústia íntima. Conversou com um professor amigo, Vincenzo Pepe, da Puglia como ele, que não lhe poupou reprovações e o convidou a distanciar-se de certos ambientes. “Se continuar com estas práticas, vai terminar num manicómio!”, repetia-lhe com frequência. E convidou-o também a falar com o Pe. Alberto Radente, certo de que este dominicano, excelente director espiritual, teria conseguido ajudar Bartolo Longo a dissipar a escuridão da sua alma.
Após uma série de encontros com esse padre, o jovem Longo confessou-se e começou um caminho de mudança, mas ainda estava cheio de maus pensamentos. Um dia, quando perambulava desesperado pelo Vale de Pompeia, sentiu-se iluminado por uma frase que lhe dizia muitas vezes o Pe. Radente: “Se procura a salvação propague o Rosário. É uma promessa de Maria”. E logo depois sentiu o ressoar de um sino distante. Naquela momento elevou os braços ao Céu e gritou: “Se é verdade que prometestes a São Domingos que quem propagar o Rosário se salva, eu salvar-me-ei porque não sairei desta terra de Pompeia sem ter aqui propagado o teu Rosário!”.
Nas semanas seguintes, uma série de eventos indicaram a Longo que a sua súplica tinha sido ouvida. Estreitou laços com a condessa De Fusco e tornou-se administrador dos seus bens. Começou a frequentar os grupos de oração no Sagrado Coração de Jesus que a condessa guiava, até tornar-se o seu estreito colaborador e depois também marido.
O casal decidiu transformar o Vale de Pompeia, pobre e esquecido, num epicentro da devoção ao Santo Rosário. Escolheram uma velha igreja do lugar, onde colocaram um quadro de Nossa Senhora do Rosário que lhes tinha sido oferecido por uma irmã dominicana amiga do Pe. Radente. Aquele quadro é conhecido hoje em todo o mundo como o ícone da Beata Virgem do Santo Rosário de Pompeia, que surgiu dentro do que se tornou um Santuário entre os mais conhecidos e frequentados do mundo. Tudo graças ao trabalho da condessa De Fusco e do seu marido Bartolo Longo.
Bartolo é também o autor da Súplica à Nossa Senhora de Pompeia, escrita em 1883. Antes de morrer, no dia 5 de Outubro de 1926, mês de Maria, Bartolo Longo suspirou: "O meu único desejo é o de ver Maria, que me salvou e me salvará das garras de Satanás." No dia 26 de Outubro de 1980, foi beatificado pelo Papa João Paulo II.
in Zenit
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sexta-feira, 20 de maio de 2022
sábado, 14 de maio de 2022
Nossa Senhora de Fátima pediu o Terço todos os dias mas...e a Missa diária?
A Irmã Lúcia responde a uma pergunta que lhe foi feita muitas vezes desde que Nossa Senhora lhe apareceu em Fátima:
Qual terá sido o motivo por que Nossa Senhora nos mandou rezar o Terço todos os dias, e não mandou ir todos os dias assistir e tomar parte na Santa Missa?
Trata-se de uma pergunta que me tem sido feita muitas vezes, e à qual gostava de dar resposta agora. Certeza absoluta do porquê não a tenho, porque Nossa Senhora não o explicou e a mim também não me ocorreu de Lho perguntar. Digo, por isso, simplesmente o que me parece e me é dado compreender a este respeito. Na verdade, a interpretação do sentido da Mensagem deixo-a inteiramente livre à Santa Igreja, porque é a Ela que pertence e compete; por isso, humildemente e de boa vontade me submeto a tudo o que Ela disser e quiser corrigir, emendar ou declarar.
A respeito da pergunta acima feita, penso que Deus é Pai; e como Pai acomoda-se às necessidades e possibilidades dos Seus filhos. Ora, se Deus, por meio de Nossa Senhora, nos tivesse pedido para irmos todos os dias participar e comungar na Santa Missa, por certo haveria muitos a dizerem, com justo motivo, que não lhes era possível. Uns, por causa da distância que os separa da igreja mais próxima onde se celebra a Eucaristia; outros, porque não lho permitem as suas ocupações, os seus deveres de estado, o emprego, o seu estado de saúde, etc. Ao contrário, a oração do Terço é acessível a todos, pobres e ricos, sábios e ignorantes, grandes e pequenos.
Todas as pessoas de boa vontade podem e devem, diariamente, rezar o seu Terço. E para quê? Para nos pormos em contacto com Deus, agradecer os Seus benefícios e pedir-Lhe as graças de que temos necessidade. É a oração que nos leva ao encontro familiar com Deus, como o filho que vai ter com o seu pai para lhe agradecer os benefícios recebidos, tratar com ele os seus assuntos particulares, receber a sua orientação, a sua ajuda, o seu apoio e a sua bênção.
Dado que todos temos necessidade de orar, Deus pede-nos, digamos como medida diária, uma oração que está ao nosso alcance: a oração do Terço, que tanto se pode fazer em comum como em particular, tanto na igreja diante do Santíssimo como no lar em família ou a sós, tanto pelo caminho quando de viagem como num tranqüilo passeio pelos campos. A mãe de família pode rezar enquanto embala o berço do filho pequenino ou trata do arranjo de casa. O nosso dia tem vinte e quatro horas...não será muito se reservarmos um quarto de hora para a vida espiritual, para o nosso trato íntimo e familiar com Deus!
Por outro lado, eu creio que, depois da oração litúrgica do Santo Sacrifício da Missa, a oração do santo Rosário ou Terço, pela origem e sublimidade das orações que o compõem e pelos mistérios da Redenção que recordamos e meditamos em cada dezena, é a oração mais agradável que podemos oferecer a Deus e de maior proveito para as nossas almas. Se assim não fosse, Nossa Senhora não o teria recomendado com tanta insistência.
Ao dizer Rosário ou Terço, não quero significar que Deus necessite que contemos as vezes que Lhe dirigimos as nossas súplicas, os nossos louvores ou agradecimentos. Certamente Deus não precisa que os contemos: n''Ele tudo está presente! Mas nós precisamos de os contar, para termos a consciência viva e certa dos nossos actos e sabermos com clareza se temos ou não cumprido o que nos propusemos oferecer a Deus cada dia, para preservarmos e aumentar o nosso trato de directa convivência com Deus, e, por esse meio, conservarmos e aumentarmos em nós a fé, a esperança e a caridade.
Direi ainda que, mesmo aquelas pessoas que têm possibilidade de tomar parte diariamente na Santa Missa, não devem, por isso, descuidar-se de rezar diariamente o seu Terço. Bem entendido que o tempo apropriado para a oração do Terço não é aquele em que toma parte na Santa Missa. Para estas pessoas, a oração do Terço pode considerar-se uma preparação para melhor participarem da Eucaristia, ou então como uma ação de graças pelo dia afora.
Não sei bem, mas do pouco conhecimento que tenho do trato directo com as pessoas em geral, vejo que é muito limitado o número das almas verdadeiramente contemplativas que mantêm e conservam um trato de íntima familiaridade com Deus que as prepare dignamente para a recepção de Cristo, na Eucaristia. Assim, também para estas, se torna necessária a oração vocal, o mais possível meditada, ponderada e reflectida, como o deve ser o Terço.
Há muitas e belas orações que bem podem servir de preparação para receber Cristo na Eucaristia e para manter o nosso trato familiar de íntima união com Deus. Mas não me parece que encontremos alguma mais que se possa indicar e que melhor sirva para todos em geral, como a oração do Terço ou Rosário. Por exemplo, a oração da Liturgia das Horas é maravilhosa, mas não creio que possa ser acessível a todos, nem que alguns dos salmos recitados possam ser bem compreendidos por todos em geral. É que requer uma certa instrução e preparação que a muitos não se pode pedir.
Talvez por todos estes motivos e outros que nós não conhecemos, Deus, que é Pai e compreende melhor do que nós as necessidades dos Seus filhos, quis pedir a reza diária do Terço condescendendo até ao nível simples e comum de todos nós para nos facilitar o caminho do acesso a Ele.
Enfim, tendo presente o que nos tem dito, sobre a oração do Rosário ou Terço, o Magistério da Igreja ao longo dos anos - alguma coisa vos recordarei mais adiante -, e o que Deus, por meio da Sua Mensagem, tanto nos recomenda, podemos pensar que aquela é a fórmula de oração vocal que a todos, em geral, mais nos convém, e da qual devemos ter sumo apreço e na qual devemos pôr o melhor empenho para nunca a deixar. Porque melhor do que ninguém, sabem Deus e Nossa Senhora aquilo que mais nos convém e de que temos mais necessidade. E será um meio poderoso para nos ajudar a conservar a fé, a esperança e a caridade.
Mesmo para as pessoas que não sabem ou não são capazes de recolher o espírito a meditar, o simples ato de tomar as contas na mão para rezar é já um lembrar-se de Deus, e o mencionar em cada dezena um mistério da vida de Cristo é já recordá-los, e esta recordação deixará acesa nas almas a terna luz da fé que sustenta a mecha que ainda fumega, não permitindo assim que se extinga de todo.
Pelo contrário, os que abandonam a oração do Terço e não tomam diariamente parte no Santo Sacrifício da Missa, nada têm que os sustente, acabando por se perderem no materialismo da vida terrena.
Assim, o Rosário ou Terço é a oração que Deus, por meio da Sua Igreja e de Nossa Senhora, nos tem recomendado com maior insistência para todos em geral, como caminho e porta de salvação: «Rezem o Terço todos os dias» (Nossa Senhora, 13 de Maio de 1917).
Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado in 'Apelos da Mensagem de Fátima' (Edição: Secretariado dos Pastorinhos, Fátima - Portugal - 2000, págs. 115-124
sábado, 7 de maio de 2022
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