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quinta-feira, 23 de julho de 2026

O castigo dos pecados do Padre

Pecando, o padre perde a luz e cai nas trevas. Mais lhes valera, assegura S. Pedro, não ter conhecido o caminho da justiça, do que voltar atrás depois de o haver conhecido. Ó, sem dúvida, mais valia para um padre que peca ser antes um camponês ignorante, que nunca tivesse estudado coisa alguma; porque depois de tantos conhecimentos adquiridos, — pelos livros que leu, pelos oradores sagrados que ouviu, pelos diretores que teve — depois de tantas luzes recebidas de Deus, o desgraçado calca aos pés todas as graças, pecando, e merece que as luzes recebidas só sirvam para o tornar mais cego e impenitente. A maior ciência, diz S. Crisóstomo, dá lugar a mais severo castigo; se o pastor cometer os mesmos pecados que as suas ovelhas, não receberá o mesmo castigo, mas uma pena muito mais dura. Um padre cometerá o mesmo pecado que os seculares; mas sofrerá um castigo muito maior, permanecerá mais profundamente cego que todos os outros; será punido conforme o anúncio do Profeta: Que vendo não vejam, e ouvindo não compreendam.

É o que a experiência deixa ver, diz o autor da Obra imperfeita: Um secular, depois de pecar, facilmente se arrepende. Se assiste a uma missão, se ouve um sermão enérgico sobre alguma verdade eterna, — malícia do pecado, certeza da morte, rigor do juízo de Deus, penas do inferno, entra facilmente em si e volta-se para Deus; porque estas verdades, como coisas novas, tocam-no e penetram-no de temor. Mas quando um padre há calcado aos pés a graça de Deus, com todas as luzes e conhecimentos recebidos, — que impressão podem fazer ainda nele as verdades eternas e as ameaças das divinas Escrituras? Tudo quanto encerra a Escritura, continua o mesmo autor, é para ele uma coisa sediça de pouco valor; porque as coisas mais terríveis que lá se encontram, por muito lidas, já lhe não fazem impressão. Donde conclui que nada mais impossível que a emenda de quem sabe tudo e peca.

Quanto maior é a dignidade dos padres, diz S. Jerónimo, tanto maior é a sua ruína, se num tal estado chegam a abandonar a Deus. Quanto mais alto é o posto em que Deus os colocou, diz S. Bernardo, tanto mais funesta será a sua queda. Quando se cai em plano, diz S. Ambrósio, raro se experimenta grande mal; mas cair de alto não é só cair, é precipitar-se, e a queda será mortal.

Nós os padres regozijamo-nos, diz S. Jerónimo, por nos vermos erguidos a tão alta dignidade; mas seja igual o nosso temor de cair. Parece que é aos padres que Deus fala, quando diz pela boca de Ezequiel: Coloquei-vos sobre o monte santo de Deus… e vós pecastes; e eu vos expulsei do monte de Deus, e vos entreguei à ruína. Vós que sois padres, diz o Senhor, eu vos estabeleci sobre a montanha santa, para serdes os faróis do universo: Sois vós a luz do mundo. Uma cidade assente no cimo duma montanha não pode estar escondida.

Tem pois razão S. Lourenço Justiniano em dizer que quanto maior é graça concedida por Deus aos padres, tanto mais digno de castigo é o seu pecado, e quanto mais alto o seu estado, mais mortal a sua queda. Quem cai num rio, diz Pedro de Blois, mergulha tanto mais fundo, quanto de mais alto tiver caído.

Compreende bem, ó padre: Deus, elevando-te ao sacerdócio, ergueu-te até ao Céu, e fez de ti, já não um homem da terra, mas um homem celeste, pensa pois quanto te será funesta uma queda, segundo o aviso de S. Pedro Crisólogo. A tua queda, diz S. Bernardo, será semelhante à do raio que se precipita com impetuosidade. Quer dizer que a tua perda será irreparável. Assim, ó desgraçado, cairá sobre ti a ameaça que o Senhor lançou sobre Cafarnaum: E tu, ó Cafarnaum, erguida até ao Céu, serás abatida até ao inferno.

Um padre que peca merece tal castigo, por causa da sua ingratidão para com Deus, a quem deve um reconhecimento tanto maior quanto recebeu dele os maiores benefícios, como nota S. Gregório. Merece o ingrato ser privado de todos os bens que recebera, como observa um sábio autor. Jesus Cristo disse: Ao que já possui, dar-se-á, e ele estará na abundância; mas o que nada possui, ver-se-á despojado até do que parecia ter. Quem é grato para com Deus obterá maior abundância de graças; mas um padre que, depois de tantas luzes, depois de tantas comunhões, volta as costas a Deus, e desprezando todos os favores recebidos, renuncia à sua graça, — este padre será com justiça privado de tudo. É o Senhor liberal com todas as suas criaturas, mas nunca com os ingratos. A ingratidão, diz S. Bernardo, faz estancar a fonte da bondade divina.

Por isso S. Jerónimo pôde dizer: Nenhuma besta há no mundo mais feroz que um mau padre, porque esse não se quer deixar corrigir. E o autor da Obra imperfeita: Os leigos facilmente se emendam, mas um mau eclesiástico é incorrigível. Segundo S. Damião, é de preferência aos padres pecadores que se aplicam estas palavras do Apóstolo: Porque os que foram alumiados, os que saborearam o dom celeste, e receberam o Espírito Santo… depois caíram, é impossível que se renovem pela penitência. 

Com efeito, quem mais que o padre recebeu de Deus graças abundantes? Quem mais do que ele gozou dos favores do Céu e participou dos dons do Espírito Santo? Segundo S. Tomás, permaneceram obstinados no pecado os anjos rebeldes, porque pecaram em face da luz; é assim, escreve S. Bernardo, que o padre será tratado por Deus: tornado anjo do Senhor, ou há de ser eleito como anjo, ou réprobo como o anjo. Eis o que o Senhor revelou a S. Brígida: Olho os pagãos e os judeus, mas não vejo ninguém pior que os padres: o seu pecado é como o que precipitou Lúcifer. E notemos aqui o que diz Inocêncio III: Muitas coisas que nos leigos são pecados veniais, nos eclesiásticos são mortais.

É ainda aos padres que se aplicam estas palavras de S. Paulo: Uma terra, que, depois de muito regada pelas chuvas, só produz espinhos e silvas, está reprovada e sujeita a maldição: acabará por ser entregue ao fogo. Que chuva de graças não recebe de Deus continuamente o padre? E contudo, em vez de frutos, só produz silvas e espinhos: Desgraçado! Está prestes a ser reprovado e a receber a maldição final, para ir, depois de tantas graças, que Deus lhe prodigalizou, arder no fogo do inferno! — Mas, que temor pode ter ainda do fogo do inferno um padre, que voltou as costas a Deus? 

Os padres que pecam perdem a luz, como levamos dito, e perdem também o temor de Deus. É o Senhor quem no-lo declara: Se eu sou o Senhor, onde está o meu temor, vos diz o Senhor, a vós, ó padres, que desprezais o meu nome?. Segundo S. Bernardo, os sacerdotes, caindo da altura a que se acham elevados, de tal modo se afundam na malícia, que perdem a lembrança de Deus, e tornam-se surdos a todas as ameaças da justiça divina, a tal ponto que nem o perigo da sua condenação os espanta.

Mas que haverá nisso de admirável? O padre, pecando, cai no fundo do abismo, onde fica privada da luz e despreza tudo. Acontece então o que diz o Sábio: Caído no fundo do abismo do pecado, o ímpio despreza. Este ímpio é o padre que peca por malícia; um só pecado mortal o precipita no fundo das misérias, em que cegamente permanece mergulhado. Nesse estado despreza tudo: castigos, advertências, presença de Jesus Cristo, a quem toca no altar. Não córa de se tornar pior que o traidor Judas, como o próprio Senhor um dia disse a S. Brígida: Tais padres já não são sacerdotes meus, mas verdadeiros traidores. Sim, tais padres são verdadeiros traidores, porque abusam da celebração da Missa, para ultrajarem mais cruelmente a Jesus Cristo pelo sacrílego .

E qual será, depois de tudo, o triste fim do padre mau? Ei-lo: Praticou a iniquidade na terra dos santos, não verá a glória do Senhor. Será, numa palavra, o abandono de Deus, e depois o inferno. — Mas, dirá alguém, essa linguagem é demasiado aterradora: quereis lançar-nos da desesperação? — Respondo com S. Agostinho: Se vos espanto, “é que eu próprio estou espantado”. — Assim, dirá um padre, que tiver tido a desgraça de ofender a Deus no sacerdócio, não haverá para mim esperança de perdão? — Ó, não posso afirmar isso; haverá esperanças, desde que haja arrependimento do mal cometido. 

Que esse padre seja pois extremamente reconhecido para com o Senhor, se ainda se vê ajudado da graça; mas é preciso que se apresse a dar-se a Deus, enquanto o chama, conforme o aviso de S. Agostinho: “Abramos os ouvidos à voz de Deus, enquanto nos chama, com receio de que se recuse a ouvir-nos, quando estiver prestes a julgar-nos”.

Santo Afonso Maria de Ligório


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quinta-feira, 9 de julho de 2026

De Sacerdote bêbado e mulherengo a Mártir

Hoje é dia de Santo Andries Wounters, que foi um sacerdote holandês com uma vida escandalosa.

Andries não era propriamente um Padre exemplar. Era um bêbado e um mulherengo. Já sacerdote, teve vários casos com mulheres e foi pai de vários filhos, apesar do voto de celibato. Foi suspenso por causa do seu comportamento escandaloso.
 
No entanto, quando os Calvinistas o prenderam e o obrigaram a renunciar à Fé Católica no Santíssimo Sacramento e à lealdade ao Papa, o sacerdote respondeu: “Fornicador sempre fui; herege nunca!”

Depois disso foi enforcado pelos hereges Calvinistas e é venerado na Igreja Católica como mártir.

A heresia é muitas vezes vista como um “crime sem vítimas”. Mas a primeira vítima é o próprio Deus, na verdade que por Ele nos foi revelada. A segunda são as almas que vão para o Inferno por negarem essa verdade. 

A heresia em si mesma é um pecado mais grave do que a luxúria, embora ambos sejam pecados graves que requerem arrependimento e confissão, ou martírio, para que se volte a viver em comunhão com Deus.


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domingo, 19 de abril de 2026

Devemos beijar as mãos dos sacerdotes? São Francisco diz que sim

São Francisco de Assis queria que se demonstrasse um grande respeito pelas mãos do sacerdote, porque lhe foi conferido o poder divino de consagrar o Santíssimo Sacramento. Dizia bastante vezes: 

"Se me cruzasse, ao mesmo tempo, com um santo vindo do Céu e um pobre sacerdote cumprimentaria em primeiro lugar o sacerdote e correria a beijar-lhe as mãos. E diria: Espera São Lourenço porque as mãos deste sacerdote tocam o Verbo da vida e possuem um poder sobre-humano!"

Antonio Maria Sicari in 'Il grande libro dei ritratti di Santi'


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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Influenciador Efeminado Abandona o Sacerdócio

A Arquidiocese de Milão confirmou que Alberto Ravagnani, de 32 anos, abandonou o ministério sacerdotal activo. O seu perfil nas redes sociais retrata-o como um indivíduo egocêntrico, mais evocativo da cultura das discotecas do que da vida de um sacerdote.

Numa nota assinada pelo vigário-geral, Franco Agnesi, a arquidiocese declara que Ravagnani — que nunca deveria ter sido ordenado — não exerce mais funções de vigário paroquial nem colaborador no ministério juvenil diocesano.

Com mais de meio milhão de seguidores no Instagram e YouTube, Ravagnani desenvolveu uma abordagem pastoral centrada em reels, ganchos narrativos e um tom informal e directo.

O momento é notável. Ravagnani anunciou a sua decisão de abandonar o sacerdócio enquanto promovia o seu novo livro, La Scelta (A Escolha). Nele, relata a sua jornada da vida seminarística para uma ideia de sacerdócio «não convencional», que inclui o abandono do traje clerical e o uso de media digitais para autorretratos.

A sua presença em linha já estava rodeada de controvérsia nos últimos meses, particularmente após ter publicado conteúdo patrocinado para uma marca de suplementos dietéticos, amplamente considerado pelos católicos como incompatível com o ministério sacerdotal.

in gloria.tv


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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Centenas de "Sacerdotes" Anglicanos Converteram-se ao Catolicismo

Os Bispos católicos ficaram surpreendidos com a dimensão do êxodo, motivado, em parte, pela ordenação de mulheres na Igreja de Inglaterra.

Várias centenas de "sacerdotes" e mais de uma dúzia de "bispos" abandonaram o anglicanismo para se converterem ao catolicismo nas últimas três décadas, num 'surto' impulsionado em parte pela decisão de permitir a ordenação de mulheres na "Igreja" de Inglaterra, segundo um estudo recente.

Os números são “muito maiores do que a maioria das pessoas imaginaria”, afirmaram os analistas, constatando que quase um terço de todos os sacerdotes católicos ordenados em Inglaterra e no País de Gales desde 1992 são convertidos provenientes do anglicanismo.

Os investigadores afirmaram que os dados surpreenderam até os próprios Bispos católicos, que não se haviam apercebido da verdadeira dimensão das conversões.

Desde 1992 — o ano em que o Sínodo Geral da "Igreja" de Inglaterra votou a favor de permitir o acesso das mulheres ao sacerdócio — cerca de 700 "sacerdotes" anglicanos e membros de ordens religiosas anglicanas de Inglaterra, País de Gales e Escócia tornaram-se católicos.

Também houve 16 "bispos" anglicanos que fizeram a transição, muitas vezes após a reforma.

in complicitclergy.com


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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Santo André Avelino, um sacerdote incansável

Lancellotto Avellino nasceu no ano 1521, em Castronuovo (hoje, Castronuovo di Sant'Andrea), uma província do então Reino de Nápoles. Os pais, Giovanni Avellino e Margherita Appella, muito religiosos, criaram os filhos, Lancelloto e mais dois irmãos, dentro dos ensinamentos de Cristo. 

Na época oportuna, enviaram o pequeno Lancellotto para estudar com o tio, Cesare Appella, pároco da vizinha Senise. Lá ele começou sa ua vida religiosa exercitando-se no apostolado catequético dos jovens da cidade. A 17 de Agosto de 1537 foi ordenado sub-diácono. Em 1545, já era sacerdote.

Dois anos depois, seguiu para a cidade de Nápoles, onde, na universidade, se diplomou em direito canónico, in utroque iure. No exercício da profissão, assistindo à defesa de um sacerdote, decepcionou-se com as artimanhas legais permitidas e, amargurado com a situação, abandonou o processo e a carreira, em 1551.

Prosseguiu o seu apostolado como auxiliar do Vigário Geral de Nápoles, sendo um exemplo pela humildade, disciplina e dedicação total à caridade, atendendo com amor aos pobres e aos doentes. Só deixou de rezar seis horas por dia quando recebeu a incumbência de vigiar os conventos teatinos, que estavam submetidos à arquidiocese a que pertencia. 

Além disso, tornou-se evangelizador e confessor de Nápoles e de cidades vizinhas. Mas, devido à sua actuação no combate aos abusos dos conventos, sofreu dois atentados, em 1555, dos quais só escapou vivo por milagre.

No ano seguinte, Lancellotto entrou para a Ordem dos Teatinos e, a 25 de Janeiro de 1558, vestiu o hábito, tomando o nome de André Avelino. Foi um reformador da sua ordem.

As suas regras para ser um bom superior eram:

- Agir seguindo a sabedoria, com firmeza e doçura;
- Imitar o Senhor, que primeiro ensinou com o exemplo e depois, com a palavra;
- Manter presente a advertência de São Bernardo aos superiores: "vejam tudo, dissimulem (no sentido de ser discreto) tudo, corrijam pouco";
- Valorar a boa vontade dos confrades, apreciar as suas obras e fazer de exemplo para que todos se espelhem nele e se animem a copiá-lo.

Durante toda a vida dedicou-se aos pobres, encarcerados e agonizantes, sendo também director espiritual. Mas ainda se achava pecador e pedia mais sofrimento a Deus nas suas orações. Trabalhou juntamente com São Carlos Borromeu em Milão e arredores. 

Intensa foi a sua actividade epistolar (correspondência) que conta com mais de mil cartas. Escreveu numerosos tratados e opúsculos de ascética e de exegese bíblica. O epistolário foi publicado em 1731, em dois volumes. Deste escritos consta a grande devoção à Virgem Maria. As suas principais fontes de inspiração foram Santo Agostino, São João Crisóstomo, São Bernardo e São Tomás de Aquino. Entre os seus discípulos, o mais famoso é o padre Lorenzo Scupoli, teatino autor do livro 'Combate Espiritual'.

Santo André morreu no dia 10 de Novembro de 1608, quando estava para iniciar o Santo Sacrifício da Missa. Ele foi acometido de apoplexia e, após ter recebido o Santo Viático, morreu aos 88 anos de idade.

O processo de beatificação começou em 1614, sendo beatificado pelo Papa Urbano VIII a 14 de Outubro de 1624, e canonizado pelo Papa Clemente XI a 22 de Maio de 1712. Repousa na Basílica de São Paulo Maior, em Nápoles. de

Santo André Avelino é invocado pelos devotos como protector celestial contra a morte repentina.

in Pale Ideas


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quarta-feira, 1 de outubro de 2025

1 de Outubro, o dia em que morreu o Padre Cruz

O Padre Francisco Cruz morreu no dia 1 de Outubro de 1948, em Lisboa. Era considerado um santo. Não somente os crentes lhe beijavam as mãos e a orla da batina, mas também os inimigos da igreja se curvavam diante dele. 

Numa das horas mais difíceis da história de Portugal, foi um símbolo de Fé inabalável. Depois da revolução de 1910, os bispos foram exilados, os padres presos e o desânimo apoderou-se das almas. Então o Padre Cruz percorria incansavelmente as cidades e aldeias prometendo um futuro melhor. Ele não se enganou: Em 1917 aparecia em Fátima a Virgem Maria pedindo oração e penitência. Foi o Padre Cruz que lhe preparou o caminho. Ele dirigia há muito essa mensagem ao povo e praticou-a na sua vida. 

O Padre Cruz não era um orador eloquente, nem um organizador. Não construiu hospitais nem escolas; não fundou ordens nem sequer uma única irmandade. Atribuem-se-lhe casos extraordinários e inúmeras versões. Exercia o seu poder sobre os homens principalmente na escuridão do confessionário. Este modesto sacerdote dominou a tempestade e as nuvens da revolução que ameaçavam aniquilar a Fé em Portugal. Repeliu o espírito de descrença, tal como São João Maria Vianney, o cura d´Ars, ao qual tanto de assemelhava.

Vianney também não possuía o dom da palavra como os grandes oradores sacros franceses. Em Ars não se ouviam pregações brilhantes, nem máximas elaboradas. O Santo cura trazia a imagem de Cristo na sua alma. A paz do paraíso brilhava nos seus olhos. Uma palavra sua na homilia, uma pequena frase no confessionário, modificava uma vida inteira e iluminava a escuridão das consciências.

Não se podia pensar numa vida de prazer, depois de uma visita à modesta aldeia d´Ars. Vianney tinha lançado nas almas uma profunda inquietação. Preparou, como um segundo S. João Baptista, o caminho para a Virgem Maria que, poucos anos antes da sua morte, aparecia em La Salette e Lourdes.

Nossa Senhora repetiu as mesmas palavras que Vianney sempre proclamara aos que o escutavam, e que ele próprio viveu: oração e penitência. Na mesma semana em que o Santo cura d´Ars morreu, nasceu em 29 de Julho de 1859 Francisco Cruz, o precursor de Fátima. O "Padre Cruz", como todos lhe chamavam, tornou-se tal como Vianney, símbolo de contradição do seu tempo, do seu povo, da sua condição. 

O velho Portugal, que outrora na força da fé derrubou o crescente das ameias dos seus castelos, o país, cujos barcos ostentavam a cruz de Cristo e que descobriu novos mundos, há muito que enverdara por caminhos completamente diferentes.

A Igreja Portuguesa estava muito na dependência do poder civil, e o governo estava em geral dominado pela maçonaria. A monarquia liberal mais atraiçoada do que apoiada pelas massas das grandes cidades, procurava conduzir a barca do poder através de todas as crises e tempestades, fazendo numerosas concessões. Nesses tempos de perturbação da ordem, e negação de todos os valores, teve lugar a acção do Padre Cruz. Não se assemelhava a Santo António, que como um meteoro apareceu no céu e iluminou toda a Europa com o fogo da sua palavra. 

A vida do Padre Cruz é idêntica à chama ardente e orientadora da lâmpada do sacrário, que na tempestade anuncia a presença do Salvador. A veneranda figura deste sacerdote foi, para o seu povo, a âncora salvadora, quando a queda da monarquia ameaçava arrastar também a igreja para o redemoinho da destruição. Permaneceu firme, enquanto tudo à sua volta se desmoronava.

Durante mais de meio século pregou em centenas de igrejas, ouviu inúmeras confissões. Trouxe aos crentes coragem e confiança num futuro melhor e mais cristão.

A coroação da sua obra, a realização da sua mensagem foi Fátima. Aquilo que já há vinte anos ele vinha exigindo - oração e penitência - foi pedido a Portugal e ao mundo inteiro pela Virgem Maria, na Cova de Iria. O Padre Cruz foi o precursor de Fátima, e merece ser conhecido. A sua vida é a melhor explicação, a mais pura realização da lei renovadora de Fátima.

Autor: desconhecido


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quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Oração pelos Sacerdotes indulgenciada por São Pio X

Ó Jesus, Pontífice Eterno, Divino Sacrificador, Vós que, no Vosso incomparável amor, deixastes sair do Vosso Sagrado Coração o sacerdócio cristão, dignai-Vos derramar, nos Vossos sacerdotes, as ondas vivificantes do Amor infinito.
 
Vivei neles, transformai-os em Vós, tornai-os, pela Vossa graça, instrumentos de Vossas Misericórdias. Actuai neles e por eles, e fazei que, revestidos inteiramente de Vós pela fiel imitação de Vossas adoráveis virtudes, operem, em Vosso nome e pela força de Vosso espírito, as obras que Vós mesmo realizastes para a salvação do mundo.
 
Divino Redentor das almas, vede como é grande a multidão dos que dormem ainda nas trevas do erro; contai o número dessas ovelhas infiéis que ladeiam os precipícios; considerai a multidão dos pobres, dos famintos, dos ignorantes e dos fracos que gemem ao abandono.

Voltai para nós por intermédio dos Vossos sacerdotes. Revivei neles; actuai por eles, e passai de novo através do mundo, ensinando, perdoando, consolando, sacrificando, e reatando os laços sagrados do amor entre o Coração de Deus e o coração humano. Amém.

Oração indulgenciada pelo Papa Pio X a 3 de Março de 1905


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segunda-feira, 30 de junho de 2025

Dois novos sacerdotes portugueses na FSSP















Cinco novos sacerdotes da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro: dois portugueses e três franceses. Foram ordenados em Lindau, perto de Wigratzbad, onde se encontra o seminário europeu da FSSP. Deo gratias!



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quarta-feira, 7 de maio de 2025

Padre John Hunwicke, RIP

Há um ano, Nosso Senhor chamou à Sua presença o Padre John Hunwicke. Sempre tinha sido um anglicano “às direitas”, até que, a dado ponto, seguiu o caminho natural (e sobrenatural): converteu-se ao Catolicismo. Esta fotografia foi tirada pouco depois de ter sido ordenado sacerdote católico, já com as marcas do tempo no rosto.

Foi um intrépido defensor da Missa Tradicional. Ainda como anglicano, já era membro honorário da Latin Mass Society.

Conheci o Padre Hunwicke através do seu blog, que recomendo muito: liturgicalnotes.blogspot.com. Os textos foram escritos com um humor refinado mas, especialmente, com uma sabedoria que é raro encontrar hoje em dia. Aprende-se muito ao ler as prosas que engendrou.

Comecei a encontrá-lo pessoalmente, todos os anos, em Gardone. Aproveitei ao máximo as nossas conversas, tentando sempre que me contasse “segredos” do sacerdócio. Tenho bem presentes os valiosos conselhos que me deu sobre como ser um bom confessor.

O Padre John Hunwicke foi sem dúvida um servo bom e fiel. Que o Bom Deus lhe dê o eterno descanso.

Padre João Silveira


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sábado, 29 de março de 2025

«Priest holes» (esconderijos de padres)

Padres do Colégio dos Inglesinhos, em Lisboa, acabados de ordenar pelo Núncio Apostólico, no princípio dos anos 60

Chegou a altura de o povo britânico conhecer a sua história, é o que agora pensam os historiadores do Reino Unido. Não basta ler o que há escrito? J. J. Scarnbrick, Christopher Haig, Eamon Duffy, Diarmaid MacCulloch e outros académicos dizem que a história foi distorcida, ao serviço de uma mensagem, e é preciso recuperar as fontes. Tudo muda. Os novos livros fazem lembrar as obras antigas monumentais do Lingard, do Milner, ou a síntese do Cobbett, geralmente desprezadas como «propaganda católica».

O impacto deste novo olhar sobre os últimos quinhentos anos de história é imenso, porque, em certo sentido, é a própria identidade deste Povo que está em causa. Além disso, o movimento «revisionista» não é uma moda extravagante, é a unanimidade dos principais especialistas. Dizia-me um professor da universidade que a história do Reino Unido já não volta atrás, depois do revisionismo. Começa a aparecer um «pós-revisionismo», mas nada que ponha em causa aquela ruptura com a história habitual.

Ao mesmo tempo, é interessante notar que os revisionistas são revisionistas por razões científicas. Em geral, não alteraram as suas convicções religiosas. Alguns já eram católicos ou converteram-se ao catolicismo, mas a maioria continua a achar que o catolicismo é uma religião de pobres e italianos. O surpreendente – reconhecem os historiadores – é que esses marginais tenham realizado coisas tão extraordinárias, apesar de séculos de perseguição. Tiveram um papel determinante na educação e ainda hoje são maioria nas áreas da enfermagem e do apoio social, além de que produziram figuras de primeiro plano no âmbito da cultura.

A nova visão da história tem facetas inesperadas e até divertidas do ponto de vista turístico, como os «priest holes». A maioria já desapareceu, mas ainda se conservam muitas centenas, que se podem visitar. Estes buracos são cavidades no interior das paredes, ou poços por baixo do soalho, para esconder os padres que iam, de casa em casa, celebrar a Missa. A polícia vigiava (numas épocas mais do que noutras) e o jogo era a sério. Os disfarces e os sistemas para alimentar os padres dentro do buraco eram variados e imaginativos. Um passo em falso significava morte. Porque, desde o tempo de Henrique VIII, houve o cuidado de considerar que o catolicismo não era uma religião mas uma traição à pátria. Assim, evitava-se reconhecer a perseguição religiosa e as penas eram mais pesadas e sem apelo.

Li relatos de católicos ingleses que viajavam ao estrangeiro e ficavam escandalizados pela pressa com que se celebrava a Missa, mesmo em Roma. Imagino que estivessem habituados a Missas pouco frequentes, às escondidas, celebradas por um padre saído do «priest hole», alimentado através da gaveta da cómoda.

Ser padre, naquela época, era complicado. Os rapazes ingleses tinham de fugir do país para ir estudar para um seminário, em Roma, em França, em Espanha, na Bélgica. Até em Lisboa havia um seminário, na Travessa dos Inglesinhos, que funcionou até 1973. Para as famílias não serem perseguidas, os estudantes mudavam de nome, mal desembarcavam no continente. Em Roma, S. Filipe de Neri ajoelhava na rua, quando passava em frente do colégio dos ingleses e honrava-os como se tivessem sido mártires. Terminada a formação no seminário e ordenados, os padres regressavam clandestinamente à sua ilha e, de casa, em casa, dedicavam-se a atender os católicos. Às vezes, a coisa acabava mal. Mas, enquanto durava, era bom.

Os católicos ingleses nunca sabiam quando podiam voltar a confessar-se e assistir à Missa, de modo que queriam saborear esses momentos. No Continente, a Missa era tão rápida! Nem dava tempo para a pessoa se concentrar. Pelo menos, é o que os ingleses achavam.

José Maria C. S. André in 'Correio dos Açores'


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sábado, 8 de fevereiro de 2025

Breves tópicos sobre Direcção Espiritual

Será necessária a Direcção Espiritual para alcançar a Santidade?

1. É verdade que muitos Santos tiraram dela grande proveito, mas também é verdade que houve muitos outros Santos que dela prescindiram ou não a conheceram. Pelo que este tipo de assistência apesar de poder ser altamente recomendável para muitos, para outros poderá não sê-lo. Nos dias de hoje, é, isso sim, imprescindível, exceptuando casos excepcionais, a Confissão Sacramental periódica, tanto quanto possível recorrendo a um confessor habitual.
 
2. O Director Espiritual, mesmo quando não é confessor, uma vez que trata do foro interno, não pode fazer qualquer uso, directo ou indirecto, do conhecimento que adquiriu sobre a pessoa. Por exemplo não poderá pronunciar-se sobre aqueles que atende, seja nos Seminários seja na vida Religiosa seja mesmo na vida laical. É certo que não está sujeito à pena de excomunhão caso infrinja essa obrigação, mas está sujeito à culpa do pecado. Tanto o confessor como o director espiritual têem o dever de não se pronunciar sobre os seus ‘dirigidos’.
 
3. O ‘dirigido’ não está sujeito a qualquer tipo de obediência ao seu director. Por outras palavras, o director pode aconselhar, dar orientações, sugestões, mas não pode exigir obediência. Nem pode, muito menos, tomar decisões substituindo-se ao ‘dirigido’, abusando assim do seu papel.
 
4. A direcção Espiritual existe para acompanhar o que o Espírito Santo está operando no ‘dirigido’ ajudando-o a discernir o melhor caminho para se unir cada vez mais ao Amor de Deus - O Tratado do Amor de Deus de S. Francisco de Sales deveria ser de leitura obrigatória para todos os Sacerdotes que atendem as almas (e já agora, também a sua Introdução à Vida Devota).
 
Como coadjuvante, uma obra de grande Caridade que consiste em ajudar o ‘dirigido’ a descobrir os pecados de que o próprio não tem consciência, e discernir as raízes desses e de outros para poder superá-los. É verdade que, pelo menos em parte, amigos, familiares ou outras pessoas com quem se vive poderão, e muitas vezes o fazem, auxiliá-lo, por pura caridade, ao mesmo. Mas habitualmente isso é mal recebido porque é interpretado como uma agressão, uma depreciação ou mesmo um aviltamento...
 
5. Muito mais haveria a dizer, mas como estou tratando somente de alguns aspectos e em tópicos, fico por aqui.

Padre Nuno Serras Pereira


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sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

9 propósitos assumidos por D. Bosco antes da ordenação sacerdotal

Por vezes olhamos para as vidas dos grandes santos e pensamos como é possível que tenham sido assim tão santos. Aqui vemos o "segredo":

1. Nunca fazer passeios, a não ser por grave necessidade, visitas aos doentes etc.

2. Ocupar rigorosamente bem o tempo.

3. Sofrer, fazer humilhar-se em tudo e sempre, quando se trata de salvar as almas.

4. A caridade e a doçura de São Francisco de Sales me guiem em tudo.

5. Mostrar-me-ei sempre contente com o alimento que for servido, desde que não seja algo nocivo à saúde.

6. Beberei vinho com água, e somente como remédio; isto é, somente quando e quanto for exigido pela saúde.

7. O trabalho é uma arma poderosa contra os inimigos da alma; por isso não darei ao corpo mais que cinco horas de sono a cada noite. Ao longo do dia, especialmente após o almoço, não farei nenhum repouso. Farei algumas excepções em caso de doença.

8. Todos os dias darei algum tempo à meditação e à leitura espiritual. No decorrer do dia, farei breve visita ou, pelo menos, uma oração ao Ssmo. Sacramento. Farei pelo menos um quarto de hora de preparação, e outro tanto de acção de graças na Santa Missa.

9. Jamais terei conversas com mulheres, fora do caso de ouvi-las em confissão ou de algum outro caso de necessidade espiritual.

Giovani Battista Lemoyne in 'Vida de São João Bosco' (Vol. I)


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quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Nosso Senhor chamou Mons. Philip Reilly à Sua presença

Mons. Philip Reilly morreu aos 90 anos. Este sacerdote dedicou a sua vida a salvar bebés, falando com as mães à porta das clínicas de aborto. Este episódio foi um dos muitos que tinha para contar:

Uma vez à porta de uma clínica, uma mulher veio ter comigo, tinha 24 anos e era bonita. Não me conseguia lembrar dela. Como é que eu poderia esquecer aquela mulher bonita?

Ela disse: "A minha mãe está aqui para falar consigo".

Ora, muitas vezes, como sabem, quando uma adolescente é levada à clínica de aborto pela mãe, esse é o cenário mais difícil. A mãe vai dizer: “Ninguém vai destruir a vida da minha filha obrigando-a a ficar com esta criança”. É essa a atitude que têm. Pensei que fosse essa a situação.

Mas ela disse-me que a mãe queria agradecer-me. A mãe veio e eu também não me lembrava dela. Então disse: “Estou mesmo a perder o jeito, devo estar a ficar velho. O que é que se passa?"

Depois, ambas me agradeceram: “Há 25 anos, à porta da clínica de aborto Choices (em Queens, Nova Iorque), o senhor Padre falou comigo e disse: "Fica com a criança".

E a mãe acrescentou: “Então, fiquei. E esta mulher de 24 anos que está à sua frente é a minha filha”.


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terça-feira, 5 de novembro de 2024

Sacerdote, quem és?

Sacerdote, tu não és tu porque és Deus. Tu não és para ti porque és servo e ministro de Cristo. Tu não és teu porque és para a Igreja.

Tu não és para ti porque és o mediador entre Deus e os homens. Tu não te bastas porque és pecador. Tu não és para ti mesmo porque não és nada.

Oh sacerdote! Quem és, então? Tudo e nada!

Tem cuidado contigo, para que não se diga de ti o que disseram de Cristo na Cruz: «salvou os outros e não pode salvar-se a si mesmo».

São Norberto


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terça-feira, 29 de outubro de 2024

O celibato está sob ataque cerrado

O celibato está sob ataque cerrado. O mundo quer o fim do celibato porque odeia o celibato. O mundo não entende como é que alguém voluntariamente se pode privar do prazer carnal, visto como o único fim do acto conjugal (que já nem conjugal é).

Dizem que o celibato dos Padres foi inventado apenas há 1000 anos (como se fosse coisa pouca) e que antes disso era tudo à grande. Mas isso não é verdade. Os Apóstolos (os primeiros Bispos) apesar de serem casados, na sua maioria, deixaram as mulheres para seguir Jesus, quando Ele os escolheu. A partir daí viveram em continência perfeita, sem qualquer relação conjugal com as suas mulheres.

O mesmo aconteceu aos sacerdotes logo nos primeiros séculos da Igreja. Por escassez de 'mão-de-obra', digamos assim, eram escolhidos também homens casados para serem ordenados Padres. As mulheres deles tinham de dar o assentimento, porque tinham com eles um vínculo indissolúvel. Depois disso vivam separados e vivam em continência.

O Concílio de Elvira (300-305 d.C.) diz que os sacerdotes se devem abster das esposas e não gerar filhos, e se algum o fizer deve ser declarado decaído do estado clerical. O Can. III do Concílio de Niceia (325 d.C.) diz que os sacerdotes apenas podem viver com a Mãe, uma irmã ou uma tia.

São Jerónimo, Doutor da Igreja e um dos 4 principais Padres da Igreja do Ocidente não deixa margem para dúvidas numa carta 'ad Pammachium':

"Cristo é virgem, virgem é Maria; mostraram a cada um dos sexos a preeminência da virgindade. Os Apóstolos são ou virgens, ou após o casamento, continentes. Escolhem-se para bispos, sacerdotes e diáconos, quer virgens, quer viúvos, ou pessoas que em todo caso, depois do sacerdócio, observam para sempre a continência."

Já se percebeu que o celibato está associado ao sacerdócio desde o seu início, por isso deixem o celibato em paz. Se 2000 anos de Padres não conseguiram acabar com ele também não vão ser vocês a conseguir.



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quarta-feira, 25 de setembro de 2024

15 sacerdotes que também foram cientistas

Qual a relação entre a ciência e a fé? Serão opostas? Não. Ciência e fé são totalmente compatíveis e a vida destes homens é prova irrefutável disso. Aqui está uma lista de 15 sacerdotes que também foram cientistas:

1) São Silvestre II, Papa (945-1003)

Foi o primeiro Papa francês da história. Foi um grande matemático e introduziu na França o sistema decimal islâmico e o uso do zero, facilitando assim os cálculos.

2) Robert Grosseteste (1175-1253)

Sendo bispo da diocese de Lincoln (Inglaterra), foi um estudioso em quase todas as áreas de conhecimento da sua época. Também foi precursor da filosofia moderna, introduzindo o pensamento aristotélico na Universidade de Oxford.

3) Santo Alberto Magno (1193-1280)

Renomado sacerdote dominicano, bispo e Doutor da Igreja. Também foi filósofo, geógrafo e um químico famoso, descobriu o arsénio.

4) Roger Bacon (1214-1294)

Franciscano conhecido como Doutor Admirável. É um dos precursores do método científico moderno. Já no seu tempo ele dizia “a matemática é a porta e a chave de toda ciência”.

5) Jean Buridan (1300-1375)

Clérigo secular francês e precursor da mecânica de Newton por meio da sua noção de ímpeto que explicava o movimento de projécteis e objectos em queda livre. Essa teoria pavimentou o caminho para a dinâmica de Galileu e para o famoso princípio da inércia, de Isaac Newton.

6) Nicolau Oresme (1323-1382)

Foi teólogo e bispo de Lisieux e também um génio intelectual. Talvez seja o pensador mais original do século XIV, por sua actividade como economista, matemático, físico, astrónomo, filósofo, psicólogo e musicólogo. Descobriu a refracção atmosférica da luz.

7) Nicolau Copérnico (1475-1543)

Este sacerdote oriundo da Polónia é o pai da astronomia moderna por meio da sua teoria heliocêntrica. Também foi matemático, astrónomo, jurista, físico, político, líder militar, diplomata e economista.

8) Francesco Maria Grimaldi (1618-1663)

Sendo jesuíta, construiu e usou os instrumentos para medir características geológicas na lua e desenhou um mapa que foi publicado por Giovanni Battista Riccioli. Também descobriu a difracção da luz.

9) Giovanni Battista Riccioli (1598-1671)

Astrónomo jesuíta italiano considerado como um pioneiro da astronomia lunar. Foi a primeira pessoa a medir a taxa de aceleração de um corpo em queda livre.

10) Athanasius Kircher (1602-1680)

Este sacerdote jesuíta foi um dos cientistas mais importantes do período barroco. Era poliglota, erudito e estudioso orientalista. Usando um microscópio rudimentar, examinou doentes com peste e observou de forma pioneira os vermes, construiu um aparelho para projectar imagens, conhecido como lanterna mágica (1646) e relacionou peste bubónica com putrefacção.

11) Nicolau Steno (1638-1686)

É considerado o pai da geologia. Era um polímata, médico, e anatomista dinamarquês. Aderiu ao catolicismo na vida adulta, morreu como bispo missionário. Após converter-se ao catolicismo, foi ordenado padre em 1675, tendo sido ordenado bispo dois anos depois. Veio a falecer em 1686, tendo sido beatificado pelo Papa João Paulo II em 1988.

12) Ruder Boskovic (1711-1787)

Físico, astrónomo, matemático, filósofo, poeta e sacerdote jesuíta da República de Ragusa (hoje Croácia). Influenciou nas obras de Faraday, Kelvin, Einstein, etc.

13) Gregor Mendel (1822-1884)

Agostiniano austríaco, pai da genética por descobrir a origem da herança genética, através de pesquisas que conduziu com diferentes ervilhas. As chamadas “Leis de Mendel” falam da transmissão dos caracteres hereditários.

14) Georges Lemaitre (1894-1966)

Sacerdote belga, astrónomo e professor de física. Lemaitre propôs o que ficou conhecido como teoria da origem do Universo do Big Bang, que ele chamava de “hipótese do átomo primordial“, ou também conhecido como “ovo cósmico”, que posteriormente foi desenvolvida por George Gamow.

15) Manuel Carreira (1931)

Sacerdote jesuíta, teólogo, filósofo e astrofísico espanhol. É membro do Observatório Vaticano e ele tem trabalhado em numerosos projectos para a NASA. É um firme defensor da compatibilidade entre ciência e fé.

in pt.churchpop


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sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Os últimos anos do Cura d'Ars

No último ano da sua vida, o Cura d'Ars viu passar pela sua igreja, pelo menos, uns 100 mil peregrinos. Diante de tal afluência havia em Ars diversos sacerdotes para auxiliar o santo cura. Mas muitos fiéis não se conformavam e preferiam ficar até seis dias à espera para poder falar-lhe por alguns minutos. O abnegado sacerdote embora reduzisse o seu precário descanso a uma ou duas horas por dia não vencia a avalanche dos que o procuravam. Os catecismos a que se dedicava com extremado amor já não passavam duma série de exclamações que acabavam em lágrimas. Apenas a custo se podia ouvi-lo ou entende-lo. Com sobre-humano esforço, a sua voz debilitada por uma tosse intermitente, já quase não lhe permitia articular palavras inteligíveis.

Eis o relato do jornalista, Jorge Seigneur, em Março de 1859, cinco meses antes da sua morte: O Cura d'Ars estava no confessionário. Ao ajoelhar-me ouvi um soluço que não posso reproduzir: era um gemido de sofrimento? Era um grito de amor? O soluço repetia-se a cada 10 minutos.

Enquanto lhe restou um pouco de energia, o santo cura esteve confessando e abençoando. Conscientemente, deixou-se imolar no altar dos seus sagrados deveres. Deu até a sua última gota de sangue e vida por eles. Não lhe restando força alguma resignou-se humildemente a que por mãos de amigos mais chegados repousassem o seu minguado corpo – pobre cadáver – como gostava de chamá-lo, sobre sua humilde enxerga.

Já sem fala e exangue, vez por outra esboçava um doce sorriso de benevolência e agradecimento ao pequeno conforto que lhe buscavam oferecer. Lúcido e em pleno gozo de todas as suas faculdades até o último instante de vida. Depois de receber o viático ainda pôde reconhecer e esboçar com um sorriso, o seu agradecimento pela visita do seu Vispo Mons. Langalerie a quem logo pôde reconhecer.

O mês de Julho de 1859 foi verdadeiramente abrasador. Fora das casas parecia-se respirar fogo. Prostrado já mortalmente no seu leito, ainda pôde pressentir o seu momento derradeiro e pediu que chamassem o seu confessor, o Cura de Jassans. Chamado também o médico este constatou que o enfermo tinha chegado a uma debilidade extrema. E ainda declarou: se o calor diminuir ainda haverá alguma esperança.

Muitos dos seus queridos paroquianos, movidos de terna compaixão pelo seu santo cura, chegaram a estender sobre o telhado grandes toalhas que, trepados em escadas molhavam de quando em quando para mitigar a penúria do seu querido pároco. Era um testemunho silencioso de devoção pelo amoroso pastor que não vacilou em dar toda a sua vida pelo amado rebanho.

Finalmente, no dia 4 de Agosto de 1859, às duas da madrugada, enquanto nos céus de Ars se desencadeava uma violenta tempestade, João Maria Batista Vianney, sem agonia, entregou a sua alma ao seu Bom Deus. Contava então, 73 anos, 10 meses e 27 dias; há 41 anos, 5 meses e 23 dias que era Cura de Ars.

A 14 de Agosto de 1859 o corpo foi depositado numa sepultura aberta no centro da nave. Sobre ela foi colocada uma lápide de mármore preto em que se gravaram em forma de cruz um cálice e esta simples inscrição: Aqui jaz João Maria Batista Vianney, Cura d'Ars.

A 8 de Janeiro de 1905, o Papa Pio X assinou o decreto de beatificação do Cura d'Ars. No dia 12 de Abril de 1905, Pio X declarou-o Patrono de todos os sacerdotes que têm cura de almas em França e nos territórios do seu domínio. E a 28 de Setembro de 1925, 15 dias depois da canonização de Teresinha do menino Jesus, o humilde pároco de Ars era canonizado pelo Papa Pio XI.

Francis Trochu in 'O Santo Cura d'Ars'


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