terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Breve exame de consciência

Deveres para com Deus: Lembrei-me de Deus durante o dia, oferecendo-Lhe o meu trabalho, dando-Lhe graças, recorrendo a Ele com confiança de filho? Fiz bem todas as minhas orações?

Deveres para o próximo: Tratei mal os outros? Tive a preocupação de ajudar e rezar pelos que me rodeiam? Fiz algum apostolado? Caí na murmuração? Disse alguma mentira? Soube perdoar?

Deveres para comigo: Deixei-me levar por sentimentos de orgulho, vaidade, sensualidade? Esforcei-me por arrancar os meus defeitos? Fui preguiçoso ao levantar, ou no trabalho?

Que bem fiz hoje?
Que mal fiz hoje?
Que farei melhor amanhã? 

Acto de contrição: Meu Senhor Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador, Pai e Redentor meu, Por ser vós quem sois e porque vos amo sobre todas as coisas, pesa-me de todo o meu coração de vos ter ofendido, proponho firmemente a emenda de minha vida para nunca mais pecar, apartar-me de todas ocasiões de ofender-vos, confessar-me e cumprir a penitência que me foi imposta.

Ofereço-vos, Senhor, a minha vida, obras, e trabalhos em satisfação de todos os meus pecados e assim como vos suplico, assim confio em vossa bondade e misericórdia infinitas que mos perdoareis pelos méritos de vosso preciosíssimo sangue, paixão e morte e me dareis graça para emendar-me e perseverar em vosso santo serviço até o fim de minha vida. Amém.


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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Schola Cantorum do Oratório de Brompton em Londres



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Que pena! Senhor Bispo do Porto...

NB: Se as palavras do Senhor Bispo do Porto não fossem públicas, limitar-me-ia a escrever-lhe pessoalmente. Mas, visto que podem confundir ou induzir em erro a muitos, vejo-me na necessidade de tornar públicas as minhas reflexões.

1. Ensino e sector Social

O Bispo do Porto concedeu uma entrevista ao jornal Público[1] na qual revelou dados - e críticas ao estado - importantes, tais como o estrangulamento por parte do estado, que “não é pessoa fiável”, de colégios privados com contrato de associação - “Nunca tinha havido uma agressão tão grande ao ensino livre ... ” -; e que entre 2016 e 2018 a despesa por cada um dos velhinhos, nos 150 centros sociais e paroquiais, em 28 misericórdias, e 12 centros e organismos ligados à Diocese, aumentou por cada velhinho 242 euros por mês enquanto a comparticipação do estado aumentou 29 euros e 90 cêntimos. 

A Igreja quando entrou no sector social perspectivava entre 60 a 70% de comparticipação por parte de estado, mas agora ele só contribui com 30%. O facto de estarmos no limite de nos aguentarmos provocará não só a impossibilidade de abrir mais centros de apoio aos velhinhos, para a longuíssima lista de espera como acabaremos por ter de entregá-los às famílias. Um estudo realizado em Espanha mostra que o Estado ao se substituir à Igreja gasta 5 vezes mais do que aquela e o tipo de cuidados não é tão humano.

2. Celibato dos Padres e a ambiguidade, voluntária?, do Senhor Bispo

O Bispo do Porto, com uma imprecisão colossal, afirma perentoriamente: “Não é da doutrina que o padre tenha de ser celibatário ... Os primeiros discípulos eram casados.” É verdade que não é da doutrina que o padre tenha de ser celibatário, embora seja da maior conveniência. Mas quando se diz isto adiantando que os primeiros discípulos eram casados, a generalidade das pessoas conclui que os padres e os Bispos eram todos casados, o que não é verdade, e que ao serem Ordenados Sacramentalmente continuavam a fazer uso das relações conjugais, o que também é falso. A continência sexual que sempre existiu na Igreja não se pode reduzir ao celibato

3. O Sacerdócio das mulheres e a ignorância, ou pertinácia?, do Senhor Bispo

Declara o Bispo do Porto: “ ... há uma decisão do Papa João Paulo II que dá esse assunto (acesso das mulheres ao Sacerdócio ministerial) como encerrado. Será mesmo encerrado? Não sei. Aquilo que um Papa fez, outro, porventura, poderá repensar.” Parece impossível que o Senhor Bispo do Porto não saiba que a declaração de S. João Paulo II é parte do Dogma da Igreja, pelo que nunca haverá outro Papa que a possa “repensar”.

4. Matrimoniados validamente aos olhos de Deus que vivem com mulher ou homem, que não o esposo ou a esposa, como se foram casados, sendo reconhecidos civilmente. Ou, por outras palavras, que vivem obstinadamente em adultério.

Assevera o Bispo do Porto que vai validar a conclusão de um casal, que fez um discernimento com um sacerdote jesuíta[2], “de que sim, que deveria, que deveria aproximar-se da comunhão.” Adiantando que noutros casos, em que faltasse “esse requisito básico que é cumprir os deveres de justiça.”

Santo Deus! Será possível que o Bispo do Porto ignore, ou omita propositadamente, que, por um lado, o adultério, independentemente da responsabilidade ou da culpa do esposo ou da esposa, é sempre um acto, isolado ou principalmente continuado, a que falta esse requisito básico que é cumprir o dever de justiça ou melhor que é sempre profundamente injusto?; e, por outro, desminta o que antes tinha dito, a saber, “ ... o dogma ... jamais mudará”. Será possível ignorar que o casamento uno e indissolúvel é parte do Dogma? E que devemos sempre afirmar com as palavras e as obras, a vida, esse mesmo Dogma?

5. Coisas muito acertadas sobre a eutanásia (e suicídio assistido) destruídas desastrosamente no final

Começando por dizer que a Igreja é 1005% contra a eutanásia advoga garbosamente os cuidados paliativos. A propósito das fragilidades e relativismo da psicologia colectiva afirma com toda a clareza: “quando Hitler decidiu que havia determinado género de vidas que não eram dignas de serem vividas (dos judeus, dos ciganos, dos deficientes...), ele não estava sozinho. Mais de metade da sociedade chegou a apoiar essas ideias.” Em seguida alerta para que aquilo que agora se diz querer legalizar em casos de absoluta excepção se tornará uma avalanche (avalanche é o termo próprio para aquilo a que agora alguns referem como rampa deslizante). O que aliás, digo eu, é confirmado pelo que se passa na Bélgica, na Holanda e no Canadá. Depois esclarece que a Igreja também condena a distanásia asseverando que “Para a doutrina da Igreja, o encarniçamento médico é tão mau como a eutanásia.”

Infelizmente, depois vem a catástrofe, quando o Bispo do Porto contradizendo toda a Doutrina da Igreja, em especial a Sua Doutrina Social, adianta: “Se os nossos deputados decidem sozinhos (a legalização da eutanásia/suicídio assistido) têm legitimidade jurídica para o fazer, mas não sei se têm legitimidade social ... Já lhe disse que, jurídica e politicamente, os deputados têm legitimidade. Isso ninguém lhes tira.” Esta afirmação é totalmente incompatível com a Doutrina e o Magistério da Igreja. Evidentemente o Senhor Bispo não estudou, ou então ter-se-á esquecido da Tradição da Igreja, de St. Agostinho, S. Tomás, e, mais recentemente, das Encíclicas de S. João Paulo II, em particular Veritas Splendor, Evangelium vitae e Fides et Ratio.

O que o Bispo do Porto afirma, seguramente inconscientemente, é o naturalismo e relativismo maçónico que se têm exprimido a nível político impondo o positivismo jurídico. Este faz com que as “leis” dependam exclusivamente da vontade humana, concretamente do mais forte, seja este um único, um grupo ou mesmo a maioria. Ora a Ordem da Criação exige que a Recta Razão, participação da Sabedoria eterna de Deus, do Seu Logos, da Sua Razão criadora, sejam o fundamento e o critério da lei positiva. De modo que a Justiça não é produzida pelas leis, mas pelo contrário são estas que têm de explicitar e traduzir o Direito, isto é, a Justiça.

É difícil de entender como é que o Bispo do Porto, por um lado condena Hitler nas suas ignóbeis e abomináveis acções, mas por outro o legitima, embora indirectamente. Hitler, é bom não o esquecer, foi designado Chanceler por um Presidente eleito democraticamente.

Uma vez que os deputados extremamente sinistros têm a maioria na assembleia tirânica segue-se que, perante a rendição declarada da Igreja, irão aprovar totalitariamente a legalização da eutanásia/cumplicidade no suicídio. Donde os serviços de saúde que deveriam cuidar de e salvar vidas, pelo contrário irão despachá-las. Assim se percebe o motivo pelo qual o estado não comparticipa os serviços da Igreja no sector social. Não é preciso ser um génio para entender a lógica diabólica que inevitavelmente desembocará no extermínio dos mais velhinhos.

Seguem-se algumas citações da Encíclica O Evangelho da vida:

As leis que autorizam e favorecem o aborto e a eutanásia colocam-se, pois, radicalmente não só contra o bem do indivíduo, mas também contra o bem comum e, por conseguinte, carecem totalmente de autêntica validade jurídica. De facto, o menosprezo do direito à vida, exactamente porque leva a eliminar a pessoa, ao serviço da qual a sociedade tem a sua razão de existir, é aquilo que se contrapõe mais frontal e irreparavelmente à possibilidade de realizar o bem comum. Segue-se daí que, quando uma lei civil legitima o aborto ou a eutanásia, deixa, por isso mesmo, de ser uma verdadeira lei civil, moralmente obrigatória.

Assim, as leis que legitimam a eliminação directa de seres humanos inocentes, por meio do aborto e da eutanásia, estão em contradição total e insanável com o direito inviolável à vida, próprio de todos os homens, e negam a igualdade de todos perante a lei. Poder-se-ia objectar que é diverso o caso da eutanásia, quando pedida em plena consciência pelo sujeito interessado. 

Mas um Estado que legitimasse tal pedido, autorizando a sua realização, estaria a legalizar um caso de suicídio-homicídio, contra os princípios fundamentais da não- -disponibilidade da vida e da tutela de cada vida inocente. Deste modo, favorece-se a diminuição do respeito pela vida e abre-se a estrada a comportamentos demolidores da confiança nas relações sociais.

O aborto e a eutanásia são, portanto, crimes que nenhuma lei humana pode pretender legitimar. Leis deste tipo não só não criam obrigação alguma para a consciência, como, ao contrário, geram uma grave e precisa obrigação de opor-se a elas através da objecção de consciência.

Portanto, no caso de uma lei intrinsecamente injusta, como aquela que admite o aborto ou a eutanásia, nunca é lícito conformar-se com ela, «nem participar numa campanha de opinião a favor de uma lei de tal natureza, nem dar-lhe a aprovação com o próprio voto».

“Tudo parece acontecer no mais firme respeito da legalidade, pelo menos quando as leis, que permitem o aborto e a eutanásia, são votadas segundo as chamadas regras democráticas. Na verdade, porém, estamos perante uma mera e trágica aparência de legalidade, e o ideal democrático, que é verdadeiramente tal apenas quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana, é atraiçoado nas suas próprias bases: « Como é possível falar ainda de dignidade de toda a pessoa humana, quando se permite matar a mais débil e a mais inocente? Em nome de qual justiça se realiza a mais injusta das discriminações entre as pessoas, declarando algumas dignas de ser defendidas, enquanto a outras esta dignidade é negada? ».16 Quando se verificam tais condições, estão já desencadeados aqueles mecanismos que levam à dissolução da convivência humana autêntica e à desagregação da própria realidade estatal.

Reivindicar o direito ao aborto, ao infanticídio, à eutanásia, e reconhecê-lo legalmente, equivale a atribuir à liberdade humana um significado perverso e iníquo: o significado de um poder absoluto sobre os outros e contra os outros. Mas isto é a morte da verdadeira liberdade: «Em verdade, em verdade vos digo: todo aquele que comete o pecado é escravo do pecado» (Jo 8, 34).”

“Na realidade, aquilo que poderia parecer lógico e humano, quando visto em profundidade, apresenta-se absurdo e desumano. Estamos aqui perante um dos sintomas mais alarmantes da «cultura de morte» que avança sobretudo nas sociedades do bem-estar, caracterizadas por uma mentalidade eficientista que faz aparecer demasiadamente gravoso e insuportável o número crescente das pessoas idosas e debilitadas. Com muita frequência, estas acabam por ser isoladas da família e da sociedade, organizada quase exclusivamente sobre a base de critérios de eficiência produtiva, segundo os quais uma vida irremediavelmente incapaz não tem mais qualquer valor.”

em conformidade com o Magistério dos meus Predecessores 81 e em comunhão com os Bispos da Igreja Católica, confirmo que a eutanásia é uma violação grave da Lei de Deus, enquanto morte deliberada moralmente inaceitável de uma pessoa humana. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal.82

A eutanásia comporta, segundo as circunstâncias, a malícia própria do suicídio ou do homicídio.

Mesmo quando não é motivada pela recusa egoísta de cuidar da vida de quem sofre, a eutanásia deve designar-se uma falsa compaixão, antes uma preocupante « perversão » da mesma: a verdadeira « compaixão », de facto, torna solidário com a dor alheia, não suprime aquele de quem não se pode suportar o sofrimento. E mais perverso ainda se manifesta o gesto da eutanásia, quando é realizado por aqueles que - como os parentes - deveriam assistir com paciência e amor o seu familiar, ou por quantos - como os médicos -, pela sua específica profissão, deveriam tratar o doente, inclusive nas condições terminais mais penosas.

A decisão da eutanásia torna-se mais grave, quando se configura como um homicídio, que os outros praticam sobre uma pessoa que não a pediu de modo algum nem deu nunca qualquer consentimento para a mesma. Atinge-se, enfim, o cúmulo do arbítrio e da injustiça, quando alguns, médicos ou legisladores, se arrogam o poder de decidir quem deve viver e quem deve morrer.

A tolerância legal do aborto ou da eutanásia não pode, de modo algum, fazer apelo ao respeito pela consciência dos outros, precisamente porque a sociedade tem o direito e o dever de se defender contra os abusos que se possam verificar em nome da consciência e com o pretexto da liberdade.

Padre Nuno Serras Pereira

[1] Ano XXX, nº 10.837, Terça-feira, 24 de Dezembro de 2019, pp. 2, 3, 4 e 5
[2] Todo o jesuíta tem deveria saber que Santo Inácio de Loyola não admitia discernimentos em casos de matéria grave. 


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domingo, 29 de dezembro de 2019

O Mal no Mundo segundo o Papa Bento XVI

Não obstante o seu progresso técnico, o mundo onde vivemos, em última análise – ao que parece – não se tem tornado melhor. Existem ainda guerras, terror, fome e doença, pobreza extrema e desalmada repressão. E mesmo aqueles que, na história, se consideraram «portadores de luz», mas sem ter sido iluminados por Cristo que é a única verdadeira luz, não criaram paraíso terrestre algum, antes instauraram ditaduras e sistemas totalitários onde até a mais pequena centelha de humanismo foi sufocada.

Neste ponto, não devemos calar o facto de que o mal existe. Vemo-lo em tantos lugares deste mundo; mas vemo-lo também – e isto assusta-nos – na nossa própria vida. Sim, no nosso próprio coração, existe a inclinação para o mal, o egoísmo, a inveja, a agressividade. Com uma certa autodisciplina, talvez isto se possa, em certa medida, controlar. Caso diverso e mais difícil se passa com formas de mal mais escondido, que podem envolver-nos como um nevoeiro indefinido, tais como a preguiça, a lentidão no querer e no praticar o bem. 

Repetidamente, ao longo da história, pessoas atentas fizeram notar que o dano para a Igreja não vem dos seus adversários, mas dos cristãos tíbios. «Vós sois a luz do mundo». Só Cristo pode dizer «Eu sou a luz do mundo»; todos nós somente somos luz, se estivermos naquele «vós» que, a partir do Senhor, se torna incessantemente luz. E, tal como o Senhor, num sinal de advertência, diz do sal que poderia tornar-se insípido, assim também nas palavras sobre a luz Ele incluiu uma pequena advertência: em vez de colocar a luz num candelabro, pode-se cobri-la com um alqueire. 

Perguntemo-nos: quantas vezes teremos coberto de tal modo a luz de Deus com a nossa inércia, com a nossa obstinação, que ela não pôde brilhar, por nosso intermédio, no mundo?

Papa Bento XVI in Vigília de Oração com os Jovens na Viagem Apostólica a Alemanha (Setembro 2011)


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Santíssimo Sacramento visita quem está preso



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sábado, 28 de dezembro de 2019

Concerto de Natal Vaticano inclui "catequese" sobre Pachamama

A Congregação para a Educação Católica organizou um concerto de Natal na Sala Paulo VI (Vaticano) no dia 14 de Dezembro. O concerto foi antecedido por um breve vídeo com uma mensagem do Papa Francisco para aquele evento.


Estavam presentes cerca de 5 mil pessoas e quase 2 milhões de telespectadores, através da televisão. 

Durante o evento, uma mulher latino-americana fez uma catequese sobre a Pachamama. A senhora pediu à plateia que cruzasse os braços sobre o peito e sentisse uma forte vibração, explicando que essa vibração vem "do vosso coração", mas também "do coração da Mãe Terra".

Onde há silêncio, explicou, existe o "espírito" que permite "ouvir a mensagem da Mãe Terra". Acrescentou ainda que "para nós, os povos indígenas, a Mãe Terra, o Hicha Guaia, é tudo" porque Guaia - um sinónimo de Pachamama - "dá-nos comida, água sagrada, plantas medicinais" e, portanto, recebe sacrifícios como "a placenta dos bebés e os primeiros cabelos que são cortados ao homem". 

Os Cardeais e Bispos presentes nesta "catequese" seguiram animadamente as instruções daquela senhora.

in gloria.tv


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Os Santos Inocentes

Hoje é dia dos Santos Inocentes, as crianças recém-nascidas que foram mandadas matar pelo rei Herodes na tentativa de matar o menino Jesus.

É o dia próprio para nos lembrarmos dos bebés inocentes que são abortados em todo o Mundo. Desde 1980 foram mais de mil e quinhentos milhões (1.560.000.000).

Rezemos pelos que os mataram e pelo fim do aborto no Mundo.

João Silveira

Nota: Se no Holocausto Nazi foram mortas 6 milhões de pessoas, o número de abortos nos últimos 40 anos é o equivalente a 260 holocaustos nazis.


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sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Cristo nasceu há 2019 anos! A cronologia de Flávio Josefo estava errada

Como sabem, a.C. refere-se a "antes de Cristo" e portanto é confuso ouvir os académicos dizer que Cristo nasceu a 4 a.C. Isto significaria que Cristo nascera quatro anos antes de Cristo. No entanto, estudos cronológicos recentes e mais precisos validaram a data tradicional do nascimento de Cristo a 25 Dezembro do ano 1 a.C. [i]

Revendo os fundamentos, a datação de a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo) vem dos cálculos de Dionísio 'Exiguus'. 'Exiguus' significa pequeno, por isso ele é muitas vezes chamado de Dionísio o pequeno. Dionísio era um monge que vivia em Roma. Morreu por volta de 544 d.C. 

Em Roma, Dionísio trabalhava com os melhores registos romanos e documentos da Igreja para calcular o nascimento de Cristo. Este novo cálculo dividia o tempo em antes e depois de Cristo. Dionísio não incluía um ano zero. 31 de Dezembro do ano 1 a.C. devia passar para 1 Janeiro do ano 1 d.C. 

Dionísio identificou a Anunciação de Gabriel à Virgem e a Encarnação de Cristo no ventre da Santíssima Virgem Maria a 25 de Março do mesmo ano 1 a.C. Ele reconheceu o nascimento de Cristo a 25 de Dezembro do ano 1 a.C. A circuncisão de Cristo, oito dias depois do Seu nascimento, foi a 1 de Janeiro de 1 d.C. A Sua crucifixão foi no ano 33 d.C. 

Beda, o Venerável, pegou no esquema de datas de Dionísio, o pequeno, na sua Ecclesiastical History of the English People, e o resto é história. Continuamos a usar o seu sistema de datação até hoje: a.C. e d.C.

Dúvidas sobre o ano de nascimento de Cristo surgiram nos anos 1600. Os académicos souberam da cronologia feita pelo historiador judeu Flávio Josefo. Josefo coloca a data do Rei Herodes, o Grande, onde Dionísio chamou 4 a.C. Visto que Herodes tentou matar Cristo menino, seria necessário que Cristo já tivesse nascido antes da morte de Herodes. Se Herodes morreu em 4 a.C., então Cristo teria que ter nascido antes de 4 a.C. Assim, desde o século XVII, as pessoas têm dito que Dionísio se enganou e que Cristo nasceu quatro anos antes de Cristo.

O que é que podemos dizer disto? Bem, ou Josefo está certo ou Dionísio está certo. Não podem estar ambos. Até recentemente a maior parte dos académicos concordava com Josefo porque: A) Josefo viveu no século de Cristo, B) Josefo era judeu, e C) Josefo era um historiador profissional. Dionísio era apenas um monge que vivia em Roma mais de quinhentos anos mais tarde.

No entanto, existem agora boas razões para acreditar que Josefo se enganou. Vários estudos sobre Josefo revelam que ele de certeza que não era consistente ou preciso a datar variados acontecimentos chave na história judaica e romana. De facto, Josefo contradiz história confirmada, a Bíblia, e mesmo a sua própria cronologia cerca de uma centena de vezes. As suas datas não são muito precisas. O arqueólogo, jurista e historiador francês Theodore Reinarch foi um dos primeiros a documentar os muitos erros factuais e cronológicos de Josefo. A tradução de Reinarch de Josefo é constantemente interrompida por comentários tais como "isto é um erro" ou "noutro livro as suas personagens são diferentes." [ii]

De seguida está um exemplo da má cronologia de Josefo. Josefo regista na sua Guerra judaica que Hyrcanus reinou durante trinta e três anos. No entanto, na sua Antiguidades dos judeus, que Hyrcanus reinou trinta e dois anos. [iii] Ainda assim noutro local da sua Antiguidades, Josefo diz que Hyrcanus reinou apenas trinta anos. Isto são três alegações contraditórias - duas no mesmo livro!

Na sua Guerra judaica, Josefo regista que Aristobulus colocou o diadema na sua cabeça 471 anos depois do exílio. No entanto na sua Antiguidades, ele diz que foi 481 anos, uma diferença de dez anos. Já agora, os historiadores modernos agora sabem que foram 490 anos. Josefo está errado em todas as contas.

Podiam ser dados mais exemplos. O facto é que Josefo era desleixado com as datas, especialmente no que tocava a reis. Por isso vejamos as datas que ele dá para o Rei Herodes. Descobrimos que Josefo na verdade dá duas datas contraditórias para a morte de Herodes - 4 a.C. e 7 ou 8 d.C.

Josefo escreve que Herodes capturou Jerusalém e começou a reinar naquilo que Dionísio chama 37 a.C., e que Herodes viveu mais 34 anos depois disto. Se fizerem as contas, isto significa que Herodes morreu no ano 4 ou 3 a.C. Os académicos citam isto como a prova de autoridade de que Jesus nasceu antes de 4-3 a.C.

Ainda assim, Josefo regista uma datação diferente para a morte de Herodes noutro lado. Na sua Antiguidades, Josefo escreve que Herodes tinha quinze anos naquilo que chamaríamos 47 a.C., quando César escolheu Hyrcanus como etnarca.[iv] Mas, duas vezes noutros sítios, Josefo diz que Herodes tinha setenta anos quando morreu. Portanto se Herodes tinha 15 em 47 a.C., isso significa que morreu aos 70 de idade em 7 ou 8 d.C.

Temos uma discrepância séria nas datas de Josefo - um janela de mais de dez anos. Mais ainda, quem é que sabe realmente se ambos os números são precisos dados os seus erros noutras datas históricas?

Porque é que isto é tão importante? Revela que não devíamos deixar Josefo ter a última palavra na cronologia de Cristo. A datação de Josefo da morte de Herodes a 4 a.C. é verdadeiramente só uma versão dos seus cálculos. Porque não usar a sua data de 7 ou 8 d.C.? É um pouco arbitrário os historiadores modernos defenderem a data de 4 a.C.

A melhor maneira de datar a morte de Herodes é concentrando-nos no testemunho de que Herodes morreu poucos meses depois de um eclipse da lua bem observado. Com modelos astronómicos modernos, sabemos que um eclipse da lua como este ocorreu em Jerusalém antes do pôr do Sol de 29 de Dezembro de 1 a.C. Isto significaria que Herodes morreu pouco tempo depois de 1 d.C. Isto alinha-se perfeitamente com a cronologia de Dionísio, o pequeno. Isto significa que Cristo nasceu a 25 de Dezembro de 1 a.C. e que foi circuncidado a 1 de Janeiro de 1 d.C. 

O nosso calendário é perfeitamente preciso! 

Taylor Marshall


[i] Hugues de Nanteuil, Sur les dates de naissance et de mort de Jésus, Paris: Téqui editions, 1988. Translated by J.S. Daly and F. Egregyi. Paris, 2008.

[ii] de Nanteuil, 2008.

[iii] Josephus, Antiquities, 12.

[iv] Josephus, Antiquities, 14.


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Natal na Ordem dos Frades Menores em Lisboa (1965)



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quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Saulo contra Estêvão

A lapidação de Santo Estevão, Rembrandt van Rijn - 1625 - Musée des Beaux Arts, Lyon

Esta história tem início na cumplicidade de um crime, um linchamento, como tantos outros que aconteceram ao longo dos séculos. Este tem um nome: lapidação.

Decorrente de uma determinação a um tempo legal e religiosa, a execução não requer a presença de nenhum carrasco, apenas alguns homens vulgares que se esforçam por se impregnar de ódio para darem livre curso aos seus instintos. Cada um dos actores mune-se de pedras para as lançar sobre o alvo vivo. Cada vez mais depressa, cada vez com mais força: uma execução que é também um concurso de pontaria.

No ano 34 da nossa era, nos arrabaldes da cidade de Jerusalém, o homem atingido por essas pedras não procura esquivar-se. De joelhos, imóvel, reza. Ouvem-se estas palavras:

- Senhor Jesus, recebei o meu espírito!

Intensificam-se as pedradas contra o alvo. Começam a espalhar-se pelo corpo manchas escuras e sanguinolentas. Quebram-se os ossos. Por causa da transpiração, os executores depositaram os seus mantos aos pés de um jovem que indubitavelmente «aprova». Pelo gesto ou pela palavra?

Uma pedra atinge o lapidado em cheio na cabeça. Tem ainda força para murmurar:

- Senhor, não lhes leves em conta este pecado...

Cai. Morre. O seu nome é Estêvão. Pouco antes, a pequena comunidade cristã de Jerusalém tinha-o escolhido como um dos Sete encarregados de a administrar. Acusado de pronunciar «palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus», foi arrastado diante do Sinédrio. Não satisfeito com a afirmação da sua fé, chegou mesmo a proclamá-la.

De toda a assembleia brotou um grito:

- Lapidai-o!

O jovem que guardou os mantos chama-se Saulo. É natural de Tarso, na Cilícia.

Alain Decaux in O Aborto de Deus (Cap.I)


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O que é o 'Boxing Day' e como surgiu?

No Reino Unido todos os anos acontece um feriado especial, no dia seguinte ao dia de Natal. É o chamado Boxing Day, que acontece no dia de Santo Estêvão, morto pela fé cristã e cujo martírio se encontra descrito nos Actos dos Apóstolos.

A origem do Boxing Day remonta há, pelo menos, 800 anos. Nessa época, no dia seguinte ao do aniversário de Jesus, algumas Igrejas promoviam a abertura de uma caixa (“box”, em inglês), na qual acumulavam dinheiro doado pelos fiéis e o distribuíam aos necessitados. Assim, aqueles que tinham poucos bens podiam aproveitar o dia seguinte ao Natal para celebrar com a família, com uma refeição mais farta. 

Com esse carácter caritativo, o dia de abertura das caixas de donativos e a sua distribuição aos menos favorecidos tornou-se o feriado Boxing Day no Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, já que estar com a família é (ou era) algo inestimável em qualquer nação.

Com o passar do tempo, o comércio resolveu transformar o Boxing Day num grande dia de descontos, com ofertas irrecusáveis aos consumidores. As filas dos “menos favorecidos” deixaram de ser uma possibilidade de reunir a família com mais e melhor comida, para se tornarem numa ajuda ao escoamento dos "stocks" das lojas, depois das compras de Natal.

E o significado pelo qual morreu Santo Estêvão, de defender os ensinamentos de Jesus de amor à Humanidade, desprendimento e generosidade foi-se perdendo nos meandros da sociedade de consumo.

adaptado de portalvilamariana


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quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Missa do Galo em Roma 2019







Paróquia Trinità dei Pellegrini


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O Natal descrito pelos Padres da Igreja

«Reconheçamos o verdadeiro dia e tornemo-nos dia! Éramos, na verdade, noite quando vivíamos sem a fé em Cristo. E uma vez que a falta de fé envolvia, como uma noite, o mundo inteiro, aumentando a fé a noite veio a diminuir. Por isso, com o dia de natal de Jesus nosso Senhor a noite começa a diminuir e o dia cresce. Por isso, irmãos, festejemos solenemente este dia; mas não como os pagãos que o festejam por causa do astro solar; mas festejemo-lo por causa daquele que criou este sol. Aquele que é o Verbo feito carne, para poder viver, em nosso benefício, sob este sol: sob este sol com o corpo, porque o seu poder continua a dominar o universo inteiro do qual criou também o sol. Por outro lado, Cristo com o seu corpo está acima deste sol que é adorado, pelos cegos de inteligência, no lugar de Deus que não conseguem ver o verdadeiro sol de justiça». 
Santo Agostinho

«Ele está deitado numa manjedoura, mas contém o universo inteiro; mama num seio materno, mas é o pão dos anjos; veio em pobres panos, mas reveste-nos de imortalidade; é amamentado, mas é também adorado; não encontrou lugar na estalagem, mas constrói para si um templo no coração dos seus fiéis. Tudo isto para que a fraqueza se tornasse forte e a prepotência se tornasse fraqueza. Por isso, não só não menosprezamos, mas mais admiramos o seu nascimento corporal e reconhecemos neste acontecimento quanto a sua imensa dignidade se humilhou por nós». 
Santo Agostinho

«Chama-se dia do Natal do Senhor a data em que a Sabedoria de Deus se manifestou como criança e a Palavra de Deus, sem palavras, imitou a voz da carne. A divindade oculta foi anunciada aos pastores pela voz dos anjos e indicada aos magos pelo testemunho do firmamento. Com esta festividade anual celebramos, pois, o dia em que se realizou a profecia: A verdade brotou da terra e a justiça desceu do céu (Sl 84,12)». 
Santo Agostinho

«Neste dia, o Verbo de Deus revestiu-se de carne e nasceu de Maria virgem. Nasceu de modo admirável... Donde veio Maria? De Adão. Donde veio Adão? Da terra. Se Adão veio da terra e Maria de Adão, também Maria é terra. E se Maria é terra, entendemos quando cantamos: a verdade brotou da terra». 
Santo Agostinho

«Jesus é o novo sol que atravessa as paredes, invade os infernos, perscruta os corações. Ele é o novo sol que com os seus espíritos faz reviver o que está morto, restaura o que está velho, levanta o que está decadente e purifica ainda, com o seu calor, aquilo que é impuro, aquece o que está frio e consome o que o que não presta». «Preparemo-nos pois, irmãos, para acolher o natal do Senhor, adornemo-nos com vestes puras e elegantes! Falo, claro está, das vestes da alma, não do corpo… Adornemo-nos não com seda, mas com obras boas! Pois as vestes elegantes ornam o corpo, mas não podem adornar a consciência; pois seria muito vergonhoso trazer sob elegantes vestes elegantes, uma consciência contaminada. Procuremos acima de tudo embelezar os nossos afectos íntimos, e poderemos então vestir belas roupas; lavemos as manchas da alma para usarmos dignamente roupas elegantes! Não adianta dar nas vistas pelas vestes se estamos sujos em pecados, porque quanto a consciência está escura, todo o corpo fica nas trevas. Temos, porém, com que lavar as manchas da nossa consciência. Pois está escrito: Dai esmola e tudo será puro em vós (Lc 11,41). É importante este mandamento da esmola: graças a ele, ao operarmos com as mãos ficamos lavados no coração». 
São Máximo, bispo de Turim

«Nasceu hoje, irmãos, o nosso Salvador. Alegremo-nos! Não pode haver tristeza quando nasce a vida; a qual, destruindo o temor da morte, nos enche com a alegria da eternidade prometida. Ninguém está excluído da participação nesta alegria; a causa desta alegria é comum a todos, porque nossos Senhor, aquele que destrói o pecado e a morte, não tendo encontrado ninguém isento de pecado, a todos veio libertar. Exulte o santo porque está próxima a vitória; rejubile o pecador, porque é convidado ao perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida… Por isso é que, quando o Senhor nasceu, os anjos cantaram em alegria ‘glória a Deus nas alturas’ e anunciaram ‘paz na terra aos homens de boa vontade’. Porque vêem a Jerusalém celeste ser formada de todas as nações do mundo, obra inexprimível do amor divino, que, se dá tanto gozo aos anjos nas alturas do céu, que alegria não deverá dar aos homens cá na terra?». 
São Leão Magno

«Esta é a nossa festa, isto celebramos hoje: a vinda de Deus ao meio dos homens, para que, também nós cheguemos a Deus… celebremos, pois, a festa: não uma festa popular, mas uma festa de Deus, não como o mundo quer, mas como Deus quer; não celebremos as nossas coisas mas as coisas daquele que é nosso Senhor…». «Não embelezemos as portas das casas, não organizemos festas, nem adornemos as estradas, não demos banquetes em nosso proveito nem concertos para mero agrado dos ouvidos, não exageremos nos adornos nem nas comidas… e tudo isto enquanto outros padecem fome e necessidades, esses que nasceram do mesmo barro que nós». 
São Gregório de Nazianzo


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terça-feira, 24 de dezembro de 2019

A árdua tarefa de iluminar a Basílica de São Pedro para o Natal

Nestas imagens dos anos 30, percebemos a dificuldade, e os perigos, que os "sanpietrini" corriam para acender as 900 tochas e 5000 lanternas no exterior da Basílica de S. Pedro, no Vaticano. Faziam-no por devoção.


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A noite de Natal descrita pelo venerável Fulton Sheen

Uma noite sobressaiu na quietude da brisa da noite, por cima daqueles montes calcários de Belém, o choro de um bebé recém-nascido. O Verbo Se fez carne e habitou entre nós. 

A Terra não ouviu o choro, porque a Terra dormia; os homens não ouviram o choro, pois não sabiam que um Menino podia ser maior do que um homem; os reis não ouviram o choro, pois não sabiam que um Rei poderia nascer num estábulo; os impérios não ouviram o choro, pois os impérios não sabiam que um Infante poderia segurar as rédeas que dirigem sóis e mundos nos seus percursos. 

Mas os pastores e os filósofos ouviram o choro, pois só os muito simples e os muito instruídos sabem que o coração de um Deus pode gritar no choro de uma Criança. E eles vieram com presentes - e adoraram, e tão grande era a majestade sentada na testa do Menino, tão grande era a dignidade do bebé, tão poderosa era a luz daqueles olhos que brilhavam como sóis celestiais, que eles não podiam deixar de  gritar: Emanuel, Deus está connosco.

Arcebispo Fulton Sheen in 'The Life of All Living'


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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

A necessidade de atender às desculpas dos outros

Sabes bem desculpar e colorir as tuas acções, mas não queres atender às desculpas dos outros. Seria mais justo que te acusasses, e desculpasses o teu irmão. Se queres ser suportado, suporta tu os outros. Vê quão longe estás ainda da verdadeira caridade e humildade, que só sabe irritar-se e indignar-se contra si própria.

Não tem valor conviver com os que são bons e pacientes, pois isso agrada naturalmente a todos; qualquer pessoa quer de boa vontade a paz, e gosta mais do que pensam como ela. Mas poder viver em paz com os duros e os maus, com os indisciplinados, com os que se nos opõem, é grande graça e acção digna de louvor e corajosa.

Aquele que melhor sabe sofrer, maior paz conseguirá. Este é o que se vence a si mesmo e o senhor do mundo, o amigo de Cristo e o herdeiro do Céu.

in Imitação de Cristo, Livro II, cap. 3


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O burro do Presépio

No Céu também há cavalariças. É isso que ensina o burro do Presépio. Jesus disse: "Na casa de meu Pai há muitas moradas" (Jo 14, 2). O burro diz que algumas delas têm estrebaria.

Nos palácios do Céu estão os grandes apóstolos, os mártires heróicos, pastores atentos, doutores sublimes, virgens puras, santos incomparáveis. Mas lá também há lugar para aqueles de nós que nos limitamos a levar com fidelidade e diligência a carga que nos foi imposta. Sem fazer coisas extraordinárias, sem sequer compreender bem o sentido de tudo isto, mas desempenhando todos os dias a tarefa que nos está atribuída. É normal que no fim não tenhamos lugar nas mansões do Céu. Mas lá até as cocheiras são maravilhosas. Porque no Céu os currais são Presépio.

Quer isto dizer que qualquer asno entra no Céu? Afinal também lá chegam as vozes de burro? Não. Não basta ser um bom jerico para chegar ao Céu: é preciso mais uma coisa. Claro que é condição indispensável ser um jumento de qualidade. E isso, admitamos, não é nada fácil. Muitos conseguem carregar certas coisas algum tempo, mas o bom burro é aquele que leva o que for preciso e leva-o todos os dias. Carrega aquilo que tiver de ser, sem discutir, sem escolher, sem resmungar, sem pedir descanso, contentando-se com a ração. Aos apóstolos, mártires e pastores valem-lhes os feitos, aos doutores, virgens e grandes santos cabem-lhes os merecimentos. Mas os burros apenas lá chegam pela fidelidade e diligência.

Existe ainda uma outra condição: é preciso reconhecer o tempo em que se é visitado (cf Lc 19, 44). Além de levar a carga tem de se compreender o que a carga tem dentro. É preciso perceber que no jugo que nos oprime está Jesus. O burro do Presépio levava uma mulher, como tantas outras. Mas a Senhora tinha dentro de si o Salvador. Era isso que fazia dele o burro do Presépio. Aqueles que pretenderem seguir os seus passos para chegar ao Céu têm de reconhecer que dentro de tudo o que levam na vida está o mesmo Jesus. Só assim a vida ganha sentido. Só assim a tarefa bruta, árdua, pesada que repetimos quotidianamente se torna caminho de salvação.

Aliás desta forma o caminho do burro do Presépio ganha uma grandeza que, em certa medida, é superior aos demais. Porque nem todos são apóstolos, poucos são pastores atentos e doutores sublimes, são raras as virgens puras e os santos incomparáveis. Mas todos, até esses, numa altura ou outra do caminho para o Céu, têm de passar pela tarefa do burro do Presépio. Todos os santos cumprem com fidelidade e diligência a tarefa que lhes está atribuída: "Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (Mt 16, 24). Assim se entra no Céu, levando a carga da vida, reconhecendo nela a presença do Senhor: carregar a nossa cruz, de onde pende Cristo.

Esta é a grandeza do burro do Presépio, uma das mais notáveis da história da salvação. Mesmo que acabe na cavalariça, mas numa cavalariça do Céu. Mesmo que termine num estábulo, mas num estábulo transformado em Presépio pela presença do Senhor do universo. Do Senhor do Universo que só se dignou deitar, não num palácio da Terra, mas numa manjedoura. Numa manjedoura de burro.

O Presépio podia existir sem vaca. Podia existir sem pastores, carneiros ou magos. Até podia existir sem S. José ou os Anjos. No Presépio existem apenas três personagens indispensáveis: Jesus, Maria e o burro. Jesus é o Deus que se faz homem, que muda o sentido do universo, que cria o Presépio. Maria é o caminho que Jesus escolheu para vir. O burro é o meio de lá chegarem. Sem Jesus o Presépio não havia. Sem Maria, Jesus não tinha nascido. Sem o burro, Maria não chegaria ao Presépio.

Esta importância volta a ver-se no final. Estas três são as únicas personagens do Presépio que estão na Paixão. Na Semana Santa já lá não está S. José, não se vêem os magos, pastores ou carneiros, nem sequer há vacas e os Anjos vêm de fugida. Está lá Jesus crucificado, a Senhora das Dores e o burro que leva o Rei no Domingo de Ramos. Até à glória da cavalariça celestial.

João César das Neves in DN


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domingo, 22 de dezembro de 2019

À espera...




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"Bispo" Anglicano e ex-capelão da Rainha de Inglaterra revela por que se converteu ao Catolicismo

Gavin Ashenden é um "Bispo" Anglicano que foi capelão da Rainha de Inglaterra, Isabel II. A sua conversão ao Catolicismo foi anunciada há uns dias e criou uma grande sensação, dada a alta posição que tinha na hierarquia anglicana. Foi acolhido na Igreja Católica neste Domingo e resolveu tornar públicas as razões da sua conversão:

No início dos anos 80, quando jovem sacerdote anglicano, tornei-me um contrabandista. Cruzei a cortina de ferro com Bíblias, livros e remédios para cristãos ortodoxos e católicos privados de todos eles.

As minhas viagens a Praga, em particular, envolveram carregar malas de livros teológicos para fornecer um seminário católico subterrâneo, para que os padres pudessem continuar a ser ensinado treinados e ordenados, apesar da proibição de ordenações na Igreja Católica controlada pelo Estado. A Igreja Católica subterrânea era a única alternativa organizada e ideológica ao totalitarismo.

Quando o Muro de Berlim caiu, em 1989, pensei que era o fim do marxismo. Eu e muitos outros estávamos errados. Mal sabia eu que as minhas experiências da Igreja Católica clandestina na Checoslováquia funcionariam como um catalisador e um exemplo para me levar ao meu verdadeiro lar espiritual.

O marxismo está de volta, mas de uma forma diferente; o que poderíamos chamar de marxismo 2.0, cultural ou neomarxismo. Esse é o motor que acciona o que a maioria das pessoas conhece como o irritante politicamente correcto. É mais do que irritante, é um novo ataque à democracia e à Igreja Cristã.

Recentemente, começou a discriminar as crenças cristãs e tenta silenciar as vozes cristãs nos media, locais de trabalho e praça pública. O que começou como uma campanha contra o uso da cruz no trabalho mudou para a exclusão dos cristãos dos media, política e serviço público.

Durante 25 anos trabalhei numa de nossas universidades mais progressistas, como capelão e académico, dando palestras em Psicologia da Religião. Tornei-me um simpatizante de causas progressistas, mas sentia um crescente desconforto: por trás do sistema progressivo de valores, emergia uma determinação em promover dois males relacionados: o "crime de pensamento" e o fim da liberdade de expressão.

A cultura universitária está (ou estava) cerca de 10 a 15 anos à frente da vida do lado de fora, e vi que essa “cruzada” secular contra a fé logo se espalharia por toda a nossa democracia, e estava em jogo a liberdade de expressão, a liberdade de acreditar e liberdade para evangelizar e adorar.

Em cada geração, o cristianismo deve converter a sua cultura circundante ou ser convertido por ela. A história do Ocidente é a história dessa luta.

Como anglicano acreditei, durante algum tempo que seria uma vantagem trabalhar a minha fé numa igreja ampla, o que me dava muito espaço para explorar. Pode ter sido o caso até ao anglicanismo começar uma repentina capitulação às demandas cada vez mais intensas e inegociáveis ​​da cultura secular.

Vi como o anglicanismo sofreu um colapso da sua integridade interior e absorveu os erros da sociedade secular até se tornar numa cultura pós-cristã.

Acima de tudo, na redefinição do "amor". Isso envolveu uma substituição dos valores da compaixão auto-sacrificial por uma cultura de crescente narcisismo. Está associado a uma concentração de visão que se restringia a ver a Humanidade através das lentes de categorias de poder, a redistribuição de poder e o chamado privilégio.

Diante das complexidades de um espectro de complexidade cultural, impulsionado por uma procura marxista de igualdade de resultados, em vez de oferecer uma crítica cristã, engoliu-a por atacado, como muito do protestantismo liberal. Em vez de confrontar essa demolição da cultura cristã, procurou aplacá-la.

Todas as igrejas do Ocidente enfrentam o mesmo desafio. Alguns amigos avisaram-me que não vou encontrar a relva mais verde do lado católico da cerca. Claro que não. A Igreja Católica enfrenta exactamente a mesma crise espiritual, cultural e política. Mas a peregrinação não é sobre conforto, é sobre verdade e integridade.

Três coisas, em particular, levaram-me ao catolicismo.

O primeiro foi um exame do encontro entre as crianças e Nossa Senhora de Garabandal em 1963 (que não foi autenticado pela Santa Sé). Curioso e céptico, eu estava assistindo às filmagens com um amigo psicólogo infantil que observou que "o que estava acontecendo com as crianças era essencialmente real, pois o êxtase entre as crianças nunca poderia ser falsificado".

A partir daí encontrei toda a história das aparições de Nossa Senhora, começando com Gregory Thaumaturges, no século III, até Zeitoun, no Cairo, em 1968 e, de facto, nos dias actuais, é profundamente convincente. As circunstâncias levaram-me a uma amizade com o Abbé René Laurentin, especialista da Igreja Católica em aparições marianas, e a minha perspectiva teológica floresceu até profunda dependência do Rosário. Curiosamente, isso foi acompanhado por uma visita indesejada ao mal metafísico, que apenas o Rosário parecia superar.

A segunda foi a descoberta dos fenómenos dos milagres eucarísticos. O facto de serem desconhecidos entre os que celebraram a versão anglicana da Eucaristia traz implicações óbvias.

É de grande alívio pertencer a uma comunidade eclesial onde a Missa é verdadeiramente a Missa. É um alívio celebrar um relacionamento sem constrangimentos com Nossa Senhora e os santos (especialmente no meu caso, companheiros que incluem São Padre Pio, Santa Faustina e São João Vianney). É uma alegria pertencer e estar em comunhão mística com figuras que amo há muito tempo, como São Martinho de Tours, Santo Agostinho, Santo Anselmo e totalmente reconciliado com o ministério petrino.

Mas a terceira razão é o Magisterium. Diante do ataque cada vez mais letal à fé, nos nossos dias, descobri que não há meios teológicos para reunir anglicanos "ortodoxos" em união eclesial. Podemos encontrar um anglicanismo diferente em cada dia da semana. Percebi (muito tempo depois de Newman e Chesterton já terem explicado porquê) que apenas a Igreja Católica, com o peso do Magistério, possuí a integridade eclesial, maturidade teológica e potência espiritual para defender a fé, renovar a sociedade e salvar almas na plenitude da fé. Deus vult.

Gavin Ashenden


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sábado, 21 de dezembro de 2019

Rorate Caeli, o hino do Advento

Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum
Derramai, ó Céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo

Ne irascáris Dómine, ne ultra memíneris iniquitátis
Ecce cívitas Sancti facta est desérta
Sion desérta facta est, Jerúsalem desoláta est.
Domus sanctificatiónis tuae et gloriae tuae
Ubi laudavérunt Te patres nostri.

Não vos ireis, Senhor, nem vos lembreis da iniquidade.
Eis que a cidade do Santuário ficou deserta:
Sião tornou-se deserta; Jerusalém está desolada.
A casa da vossa santificação e da vossa glória,
Onde os nossos pais vos louvaram.

Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.
Derramai, ó Céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo

Peccávimus et facti sumus tamquam immúndus nos,
Et cecídimus quasi fólium univérsi
Et iniquitátes nostrae quasi ventus abstulérunt nos
Abscondísti fáciem tuam a nobis
Et allisísti nos in mánu iniquitátis nostrae.

Pecámos e tornamo-nos como os imundos,
E caímos, todos, como folhas.
E as nossas iniquidades, como um vento, dispersaram-nos.
Escondestes de nós o vosso rosto
E esmagastes-nos pela mão das nossas iniquidades.

Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.
Derramai, ó Céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo

Víde, Dómine, afflictiónem pópuli tui
Et mitte quem missúrus es
Emítte Agnum dominatórem terrae
De pétra desérti ad montem fíliae Sion
Ut áuferat ipse jugum captivitátis nostrae.

Olhai, ó Senhor, para a aflição do vosso povo,
E enviai Aquele que estais para enviar!
Enviai o Cordeiro dominador da Terra
Da pedra do deserto ao monte da filha de Sião
Para que Ele retire o jugo do nosso cativeiro.

Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.
Derramai, ó Céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo

Consolámini, consolámini, pópule meus
Cito véniet salus tua
Quare moeróre consúmeris, quia innovávit te dolor?
Salvábo te, noli timére
Ego énim sum Dóminus Deus túus Sánctus Israël, Redémptor túus.

Consola-te, consola-te, povo meu,
Em breve há de vir a tua salvação!
Por que te consomes na tristeza, se a dor te renovou?
Eu te salvarei, não tenhas medo!
Porque Eu sou o Senhor, teu Deus,
o Santo de Israel, o teu Redentor.

Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.
Derramai, ó Céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo


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