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domingo, 5 de julho de 2015

Não se pode desprezar o homem... mesmo num discurso «verde»

O ambiente humano e o ambiente natural degradam-se em conjunto; e não podemos enfrentar adequadamente a degradação ambiental, se não prestarmos atenção às causas que têm a ver com a degradação humana e social. (...)

Gostaria de assinalar que muitas vezes falta uma consciência clara dos problemas que afectam particularmente os excluídos. Estes são a maioria do planeta, milhares de milhões de pessoas. Hoje são mencionados nos debates políticos e económicos internacionais, mas com frequência parece que os seus problemas se coloquem como um apêndice, como uma questão que se acrescenta quase por obrigação ou perifericamente, quando não são considerados meros danos colaterais. (...)

Esta falta de contacto físico e de encontroàs vezes favorecida pela fragmentação das nossas cidades, ajuda a cauterizar a consciência e a ignorar parte da realidade em análises tendenciosas. Isto, às vezes, coexiste com um discurso «verde»

Papa Francisco, Laudato Si 48., 49.



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sexta-feira, 26 de junho de 2015

Não se trata apenas de plantar árvores - D. Nuno Brás

A recente encíclica “Louvado sejas”, do Santo Padre Francisco, foi acolhida com aplausos generalizados. As notícias da sua publicação sublinhavam essencialmente o respeito por toda a realidade criada a que o Papa a todos convida.

Em particular, deu-se relevo ao primeiro capítulo, onde o Santo Padre se refere ao que “está a acontecer à nossa casa”, realçando dois tipos de problemas: “Embora a mudança faça parte da dinâmica dos sistemas complexos, a velocidade que hoje lhe impõem as ações humanas contrasta com a lentidão natural da evolução biológica. A isto vem juntar-se o problema de que os objectivos desta mudança rápida e constante não estão necessariamente orientados para o bem comum e para um desenvolvimento humano sustentável e integral” (LS 18).

Já ao contrário, por exemplo, se silenciou completamente o n.º 120 da encíclica: “Uma vez que tudo está relacionado, também não é compatível a defesa da natureza com a justificação do aborto. Não parece viável um percurso educativo para acolher os seres frágeis que nos rodeiam (…) quando não se dá proteção a um embrião humano ainda que a sua chegada seja causa de incómodos e dificuldade”. Ou, mais à frente, aquilo que diz o Papa Francisco: “épreocupante constatar que alguns movimentos ecologistas defendem a integridade do ambiente (…) mas não aplicam estes mesmos princípios à vida humana. Muitas vezes, justifica-se que se ultrapassem todos os limites quando se fazem experiências com embriões humanos vivos. Esquece-se o valor inalienável do ser humano” (n.º 136). Ou, ainda, quando o Santo Padre sublinha, contra a “ideologia de género”, que “é necessário ter apreço pelo próprio corpo na sua feminilidade ou masculinidade” (n.º 155).

Com efeito, “Não se trata apenas de plantar árvores”, como defendeu há dias o Cardeal Antonio Cañizares. Aliás, o Arcebispo de Valência foi mesmo mais longe e afirmou claramente: “Se os partidos defendessem a ecologia, não estariam a favor do aborto”.

D. Nuno Brás in Voz da Verdade


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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Papa Francisco contra propaganda de redução de nascimentos

"Em vez de resolver os problemas dos pobres e pensar num mundo diferente, alguns limitam-se a propor uma redução da natalidade.

Não faltam pressões internacionais sobre os países em vias de desenvolvimento, que condicionam as ajudas económicas a determinadas políticas de «saúde reprodutiva». Mas, «se é verdade que a desigual distribuição da população e dos recursos disponíveis cria obstáculos ao desenvolvimento e ao uso sustentável do ambiente, deve-se reconhecer que o crescimento demográfico é plenamente compatível com um desenvolvimento integral e solidário».

Culpar o incremento demográfico em vez do consumismo exacerbado e selectivo de alguns é uma forma de não enfrentar os problemas. Pretende-se, assim, legitimar o modelo distributivo actual, no qual uma minoria se julga com o direito de consumir numa proporção que seria impossível generalizar, porque o planeta não poderia sequer conter os resíduos de tal consumo."

Laudato Si 50.

Fonte: Estatatísticas Demográficas 2007, Instituto Nacional de Estatística



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sábado, 20 de junho de 2015

11 coisas que não vão ouvir sobre a encíclica do Papa Francisco

A versão oficial da eco-encíclica do Papa Francisco Laudato Si (LS) foi publicada há poucos dias. Enquanto os media se vão focar nas partes dedicadas às mudanças climáticas e ao aquecimento global, há onze coisas na encíclica que provavelmente ninguém vai ver nos cabeçalhos das notícias:

(1) A Criação tem um Criador e é mais do que apenas "natureza-mais-evolução" (LS 75, 77);

(2) Ecologia humana significa reconhecer e valorizar a diferença entre masculinidade e feminilidade (LS 155);

(3) Jesus santifica o trabalho humano (LS 98);

(4) Tirem os olhos dos telefones e encontrem-se uns aos outros (LS 47);

(5) Salvem os bébés humanos (LS 91, 120, 136);

(6) Ajudar os pobres requer mais do que simples esmolas (LS 128);

(7) A sobrepopulação não é o problema (LS 50);

(8) A verdadeira ecologia precisa de uma verdadeira antropologia e respeito pela dignidade humana (LS 65, 118);

(9) Uma mudança real precisa de uma mudança na cultura e não apenas na política (LS 123, 211);

(10) A Igreja não quer resolver questões científicos e precisamos de um debate honesto e aberto (LS 60, 118);

(11) Acabem com o cinismo, o secularismo e a imoralidade (LS 229).



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quinta-feira, 18 de junho de 2015

'Laudato Si': Papa Francisco critica ideologia de género e aborto

Foi divulgada hoje a 'Laudato Si', primeira encíclica escrita exclusivamente pelo Papa Francisco. A encíclica 'Lumen Fidei', que saiu já no pontificado actual, tinha sido escrita em grande parte pelo Papa Bento XVI.

A nova encíclica é bastante extensa, 187 páginas, e, como já se sabia, trata bastante de temas ecológicos e de sustentabilidade dos recursos naturais. 

Quando se trata de ecologia não é muito comum ver três críticas que o Papa faz: no parágrafo 50 à mentalidade contraceptiva, no parágrafo 155 à transexualidade e ideologia de género e no parágrafo 120 ao aborto. Vejamos as palavras do Papa:

50. Em vez de resolver os problemas dos pobres e pensar num mundo diferente, alguns limitam-se a propor uma redução da natalidade. Não faltam pressões internacionais sobre os países em vias de desenvolvimento, que condicionam as ajudas económicas a determinadas políticas de «saúde reprodutiva».

155. A ecologia humana implica também algo de muito profundo que é indispensável para se poder criar um ambiente mais dignificante: a relação necessária da vida do ser humano com a lei moral inscrita na sua própria natureza. Bento XVI dizia que existe uma «ecologia do homem», porque «também o homem possui uma natureza, que deve respeitar e não pode manipular como lhe apetece». 

Nesta linha, é preciso reconhecer que o nosso corpo nos põe em relação directa com o meio ambiente e com os outros seres vivos. A aceitação do próprio corpo como dom de Deus é necessária para acolher e aceitar o mundo inteiro como dom do Pai e casa comum; pelo contrário, uma lógica de domínio sobre o próprio corpo transforma-se numa lógica, por vezes subtil, de domínio sobre a criação. 

Aprender a aceitar o próprio corpo, a cuidar dele e a respeitar os seus significados é essencial para uma verdadeira ecologia humana. Também é necessário ter apreço pelo próprio corpo na sua feminilidade ou masculinidade, para se poder reconhecer a si mesmo no encontro com o outro que é diferente. 

Assim, é possível aceitar com alegria o dom específico do outro ou da outra, obra de Deus criador, e enriquecer-se mutuamente. Portanto, não é salutar um comportamento que pretenda «cancelar a diferença sexual, porque já não sabe confrontar-se com ela».

120. Uma vez que tudo está relacionado, também não é compatível a defesa da natureza com a justificação do aborto. Não parece viável um percurso educativo para acolher os seres frágeis que nos rodeiam e que, às vezes, são molestos e inoportunos, quando não se dá protecção a um embrião humano ainda que a sua chegada seja causa de incómodos e dificuldades: «Se se perde a sensibilidade pessoal e social ao acolhimento duma nova vida, definham também outras formas de acolhimento úteis à vida social».


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