domingo, 30 de junho de 2019

11 grandes citações do Papa Bento XVI sobre a Liturgia e a Missa

1. Sobre os reformadores litúrgicos a criar uma "fabricação", um "produto banal":
«A reforma litúrgica, na sua realização concreta, distanciou-se a si mesma ainda mais da sua origem. O resultado tem sido não uma reanimação, mas devastação. Em vez da liturgia, fruto dum desenvolvimento contínuo, puseram uma liturgia fabricada. Esvaziaram um processo vital de crescimento para o substituir por uma fabricação. Não quiseram continuar o desenvolvimento, a maturação orgânica de algo vivo através dos séculos, e substituíram-na, à maneira da produção técnica, por uma fabricação, um produto banal do momento.»
(Revue Theologisches, Vol. 20, Fev. 1990, pgs. 103-104)

2. Sobre aqueles que apreciam a [antiga] Missa em Latim serem tratados erradamente como "leprosos":
«Para promover uma verdadeira consciência em matérias litúrgicas, é também muito importante que a proibição contra a forma da liturgia em uso válido até 1970 (a antiga Missa em Latim) seja levantada. Qualquer pessoa que hoje em dia defenda a existência contínua desta liturgia ou que participe nela é tratada como um leproso; toda a tolerância acaba aqui. Nunca houve nada como isto na história; ao fazer isto estamos a desprezar e a proibir o passado inteiro da Igreja. Como é que uma pessoa pode confiar nela no presente se as coisas são assim?»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, 2000)

3. Sobre a degeneração da liturgia e os "fabricantes litúrgicos":
«Temos uma liturgia que degenerou a ponto de se tornar num espectáculo que, com sucesso momentâneo para o grupo de fabricantes litúrgicos, se esforça para tornar a religião interessante na sequência das frivolidades da moda e das máximas sedutoras da moral. Consequentemente, a tendência é a cada vez maior diminuição do mercado daqueles que não procuram a liturgia para um espectáculo espiritual mas para um encontro com o Deus vivo diante do Qual todo o 'fazer' se torna insignificante, visto que apenas este encontro é capaz de nos garantir acesso à verdadeira riqueza do ser.»
(Prefácio do Cardeal Ratzinger à tradução francesa de Reform of the Roman Liturgy por Monsignor Klaus Gamber, 1992).

4. Sobre a "desintegração da liturgia":
«Estou convencido que a crise que a Igreja está a experimentar hoje é, em grande parte, devida à desintegração da liturgia.»
(Autobiografia)

5. Contra a "liturgia caseira":
«Também vale a pena observar aqui que a 'criatividade' envolvida nas liturgias fabricadas tem um alcance muito restrito. É pobre em comparação com a riqueza da liturgia recebida nas centenas e milhares de anos de história. Infelizmente, os autores das liturgias caseiras são mais lentos a aperceber-se disto do que os seus participantes...» 
(The Feast of Faith, p. 67-68)

6. Sobre a [antiga] Missa em Latim como  a "mais Santa e Elevada posse":
«Sou da opinião, para ser sincero, que o Rito Antigo devia ser concedido muito mais generosamente a todos aqueles que o desejam. É impossível ver o que poderia ser perigoso ou inaceitável nisso. Uma comunidade está a pôr o seu próprio ser em questão quando subitamente declara aquilo que até era a sua mais santa e elevada posse como estritamente proibida, e quando declara os desejos por ela absolutamente indecentes.»
(Sal da Terra, 1997)

7. Sobre o perigo dos criativos que "presidem" à Missa:
«Na realidade o que se passou foi que uma clericalização sem precedentes entrou em cena. Agora o sacerdote - o que 'preside', como agora o preferem chamar - torna-se o verdadeiro ponto de referência para toda a Liturgia. Tudo depende dele. Temos que o ver a ele, responder-lhe a ele, estar envolvidos naquilo que ele está a fazer. A sua criatividade sustém a coisa toda.»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

8. Sobre o perigo do "planeamento criativo da liturgia":
«De forma não surpreendente, as pessoas tentam reduzir este novo papel criado ao atribuir todos os tipos de funções litúrgicas a indivíduos diferentes e confiando o planeamento 'criativo' da Liturgia a grupos de pessoas que gostam de o fazer, e que devem 'dar a sua própria opinião'. Cada vez menos e menos Deus é o centro. Cada vez é mais e mais importante o que é feito pelos seres humanos que se encontram aqui e não gostam de se sujeitar a um padrão pré-determinado.»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

9. Sobre porque é que o sacerdote não devia estar voltado para o povo durante a Missa:
«O facto de o sacerdote se ter virado para o povo tornou a comunidade num círculo fechado sobre si próprio. Na sua forma exterior já não se abre ao que está à frente e por cima, mas está fechado para si mesmo. O comum voltar-se para Oriente não era uma celebração virada para a parede; não significava que o sacerdote tinha as suas costas voltadas para o povo: o próprio sacerdote não era visto como tão importante. Porque tal como a assembleia na sinagoga olhava junta para Jerusalém, também na liturgia cristã a assembleia olhava junta para o Senhor.»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

10. Sobre o sacerdote e o povo voltados para a mesma direcção:
«Por outro lado, o comum voltar-se para o Oriente durante a Oração Eucarística continua a ser essencial. Isto não é uma questão de acidentes mas de essências. Olhar para o sacerdote não tem importância nenhuma. O que importa é olhar juntos para o Senhor.» 
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

11. Sobre o "fenómeno absurdo" de substituir o crucifixo pelo sacerdote:
«Mover a cruz do centro do altar para o lado do altar, para dar uma visão sem obstáculos do sacerdote é algo que eu vejo como um dos fenómenos mais absurdos das décadas recentes. A cruz é um obstáculo durante a Missa? O sacerdote é mais importante que Nosso Senhor?» 
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

Taylor Marshall


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sexta-feira, 28 de junho de 2019

Promessas do Sagrado Coração de Jesus aos seus Fiéis Devotos

Mensagem afixada na entrada da Igreja de Nossa Senhora Boa Esperança, na Serra do Caramulo

Promessas do Sagrado Coração de Jesus aos seus Fiéis Devotos

I. Eu lhes darei as graças necessárias ao seu estado

II. Estabelecerei a paz nas suas famílias.

III. Consolá-los-ei em todas as suas aflições.

IV. Serei o seu refúgio seguro na vida e sobretudo na hora da morte.

V. Derramarei abundantes bênçãos sobre todas as suas empresas.

VI. Os pecadores acharão no meu Coração uma fonte e um oceano infinito de misericórdia.

VII. As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas.

VIII. As fervorosas elevar-se-ão rapidamente a uma grande perfeição.

IX. Abençoarei as habitações em que a imagem do meu Coração for exposta e venerada.

X. Darei àqueles que trabalham na salvação das almas o dom de abrandarem os corações mais endurecidos.

XI. As pessoas que propagarem esta devoção terão os nomes escritos no meu Coração donde jamais serão riscados.

XII. O amor todo poderoso do meu Coração concederá a todos aqueles que comungarem nas primeiras Sextas-feiras de nove meses seguidos a graça da perseverança final.


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quinta-feira, 27 de junho de 2019

O Corpo de Deus e a Festa do Sagrado Coração de Jesus

Estando uma vez diante do SS. Sacramento, num dia da sua oitava, recebi de Deus graças muito grandes do seu amor, e senti-me impelida do desejo de lhe corresponder de algum modo e de lhe pagar amor com amor; e ele disse-me: 

«Não me podes corresponder melhor do que fazendo o que já tantas vezes te pedi.» «Eis aqui este Coração que tanto tem amado aos homens, que a nada se tem poupado até se esgotar e consumir para lhes testemunhar o seu amor; e em reconhecimento não recebo da maior parte deles senão ingratidões por meio das irreverências e sacrilégios, tibiezas e desdéns que usam para comigo neste Sacramento de amor. E o que mais me custa ainda, é serem corações a Mim consagrados os que assim me tratam. 

Por isso peço-te que a primeira sexta-feira depois da oitava do Corpo de Deus seja dedicada a uma festa especial para honrar o meu Coração, comungando nesse dia, e dando-lhe a devida reparação por meio de um acto de desagravo, para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo que esteve exposto sobre os altares. E eu te prometo que o meu Coração se dilatará, para derramar com abundância as influências de seu divino amor sobre os que lhe tributarem esta honra, e procurarem que lha tributem

in Autobiografia de Santa Margarida-Maria Alacoque


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A impressionante Peregrinação Paris-Chartres

Este ano fui pela primeira vez à Peregrinação Paris-Chartres. Esta peregrinação começou em 1983 com o objectivo de reunir os franceses afectos ao Rito Tradicional Romano, que tinha então sido posto de lado por grande parte dos Bispos e sacerdotes, como se pudesse ser proibido. O número de peregrinos foi aumentando e, no ano 2000, a peregrinação começa a ser organizada pela associação Notre-Dame de Chrétienté.

Normalmente a peregrinação une as duas catedrais góticas de Paris e Chartres. No entanto, devido ao incêndio que destruiu parte da Catedral de Notre Dame em Paris, a peregrinação saiu da igreja de Saint-Sulpice em Paris. O destino continuou a ser a Catedral de Chartres, que é um destino de peregrinações já desde o séc. XII. 

A peregrinação está divida em dois grupos: adultos (no qual se incluem jovens) e famílias. O primeiro grupo percorre um caminho que pode ser considerado duro: são 100 quilómetros em dois dias e meio. O segundo grupo faz um caminho mais tranquilo, percorrendo menos quilómetros. Os dois grupos vão-se encontrando: para a Santa Missa, refeições ou pernoitar no mesmo local. Estima-se que este ano, na Catedral de Chartres (dentro e fora), tenham estado cerca de 15 mil pessoas.

A organização é admirável: mais de 1000 voluntários. A logística necessária numa peregrinação com 15 mil pessoas é de loucos! Tudo tem de estar organizado até ao mais ínfimo pormenor. E nisso os franceses deram uma prova de grande capacidade. O despertar era às 5 da manhã. Levantar e arrumar as coisas porque as enormes tendas começavam logo a ser desmontadas. Comer qualquer coisa e às 6h30 começavam a andar os primeiros peregrinos.

Os peregrinos estão divididos em capítulos. Os capítulos podem representar uma língua, um país ou apenas um grupo que se organizou para que pudesse caminhar junto. Este ano houve um capítulo português pela primeira vez. Estavam presentes bastantes capítulos "estrangeiros", dos mais variados países. Mas muito mais capítulos franceses, obviamente. Os capítulos seguem-se uns aos outros, segundo a ordem estipulada pela organização. 

Esta peregrinação é um verdadeiro desapego das coisas mundanas. Além do caminho que implica esforço e sofrimento, os luxos são poucos ou inexistentes. Cada um leva a própria comida, o que dá lugar a grandes "partilhas". A organização oferece café de manha, água durante o dia e sopa à noite. Nas refeições oferece também algumas pequenas 'baguettes', pão típico francês. Os banhos são escassos. As tendas estão normalmente a abarrotar de gente. Cá fora está um frio de rachar.

Na peregrinação há centenas de sacerdotes. Quase todos fazem a peregrinação de batina. Muitos deles também com sobrepeliz e estola roxa porque vão confessando peregrinos ao longo do caminho. São milhares e milhares de confissões! Também se encontram religiosos e religiosas de inúmeras congregações religiosas tradicionais. A maioria são novas vocações.
O ambiente de oração é fantástico. A começar pelas Missas, celebradas em Rito Tradicional com toda a solenidade possível, silêncio absoluto e um coro belíssimo. Os capítulos rezam alguns terços durante o dia. Era normal ouvir Avé-Marias cantadas em latim, em francês e noutras línguas. Os capítulos tinham ainda catequeses próprias, dadas enquanto se andava porque parar é morrer!

Uma peregrinação com 15 mil pessoas é impressionante. Uma peregrinação com 15 mil pessoas na Europa descristianizada é muito impressionante. Mas uma peregrinação na Europa descristianizada com 15 mil pessoas, das quais a grande maioria são jovens, é uma visão do Céu. A média de idades no ano passado foi 21 anos. Este é, sem dúvida, o futuro da Igreja. 

Estes católicos franceses têm vindo a preparar os seus filhos para o combate. Combate espiritual e não só. Na peregrinação havia muitos grupos de jovens com espírito verdadeiramente militante: obedientes, respeitando uma hierarquia e seguros dos valores que querem para as suas famílias e para a sociedade. Eram muitos os hinos patrióticos cantados - às vezes berrados até! - a plenos pulmões. As bandeiras e pendões eram incontáveis e do mais variado.

Na Peregrinação Paris-Chartres respira-se a fé católica e respira-se a civilização católica. Isto, como não poderia deixar de ser, no meio de uma grande alegria que é própria de quem se sabe amado por Deus e chamado a ser santo. Vale a pena experimentar aquele santo ambiente, nem que seja uma vez na vida.

João Silveira


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quarta-feira, 26 de junho de 2019

Combater o mal com o bem




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12 curtas meditações para quem quer mudar de vida

1- “Essa palavra acertada, a 'piada' que não saiu da tua boca, o sorriso amável para quem te incomoda, aquele silêncio ante a acusação injusta, a tua conversa afável com os maçadores e com os importunos, não dar importância cada dia a um pormenor ou outro, aborrecido e impertinente, de pessoas que convivem contigo... Isto, com perseverança, é que é sólida mortificação interior.”

2 - “Não digas: essa pessoa aborrece-me. - Pensa: essa pessoa santifica-me.”

3 - “Procura mortificações que não mortifiquem os outros.”

4 - “Mortificação interior. - Não acredito na tua mortificação interior, se vejo que desprezas, que não praticas a mortificação dos sentidos.”

5 - “O mundo só admira o sacrifício com espectáculo, porque ignora o valor do sacrifício escondido e silencioso.”

6 - “Tudo o que não te leva a Deus é um estorvo. Arranca-o e atira-o para longe.”

7 - “Vence-te em cada dia desde o primeiro momento, levantando-te pontualmente a uma hora fixa, sem conceder um só minuto à preguiça. Se, com a ajuda de Deus, te venceres, muito terás adiantado para o resto do dia. Desmoraliza tanto sentir-se vencido na primeira escaramuça!” 

8 - “Não sejas frouxo, mole. - Já é tempo de repelires essa estranha compaixão que sentes por ti mesmo.” 

9 - “Acertou quem disse que a alma e o corpo são dois inimigos que não se podem separar, e dois amigos que não se podem ver.” 

10 - “Estes são os saborosos frutos da alma mortificada: compreensão e transigência para as misérias alheias; intransigência para as próprias.” 

11 - “Quantos, que se deixariam cravar numa Cruz, perante o olhar atónito de milhares de espectadores, não sabem sofrer cristãmente as alfinetadas de cada dia! - Pensa então no que será mais heróico.” 

12 - “O minuto heróico. - É a hora exacta de te levantares. Sem hesitar: um pensamento sobrenatural e... fora! - O minuto heróico: aí tens uma mortificação que fortalece a tua vontade e não debilita a tua natureza.” 

Estes 12 pontos, e muitos outros, foram escritos por S. Josemaria Escrivá no seu livro 'Caminho'


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terça-feira, 25 de junho de 2019

Procissão Corpus Christi 2019 em Lyon


Vídeo: FSSP Lyon


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Governo chinês nega funeral público ao Bispo Stefano Li Side

As autoridades chinesas proibiram o funeral público e o enterro num cemitério católico ao Bispo de Tianjin, D. Stefano Li Side, falecido a 8 de Junho com 92 anos de idade. Sempre fiel ao Vaticano e ao Papa, este prelado pertencia à chamada Igreja Clandestina tendo passado quase duas décadas em campos de trabalhos forçados e encontrava-se, desde 1992, em prisão domiciliária.

Agora, após o seu falecimento, a Associação Patriótica Católica, o organismo criado pelo governo chinês para o controlo da Igreja no país e à qual o Bispo de Tianjin sempre recusou pertencer, proibiu o enterro do prelado num cemitério católico e condicionou fortemente as cerimónias fúnebres.

O Padre Ricardo Teixeira, que conheceu pessoalmente D. Esteban Li Side, afirma, em declarações à Fundação AIS, que este Bispo da Igreja Clandestina “foi um gigante na fé”, e lembra que “o seu coadjutor, que ainda está vivo, está em prisão domiciliária”.

O sacerdote português, dehoniano, de 39 anos de idade, viveu durante cerca de 4 anos na República Popular da China, entre 2013 e 2017. Durante esse período, o Padre Ricardo contactou com a chamada Igreja Clandestina, fiel ao Papa, e que tem vindo a ser alvo de uma forte política repressiva por parte das autoridades comunistas.

Entre os contactos estabelecidos, o Padre Ricardo acabou por conhecer D. Esteban Li Side, falecido a 8 de Junho. “Ele estava preso, em casa”, tal como o seu coadjutor, o que transforma esta diocese num caso evidente de perseguição por parte das autoridades chinesas. “É uma diocese com os dois bispos presos”, afirma o sacerdote português que fala da comunidade católica local como um exemplo “absolutamente extraordinário” de coragem e fidelidade.

O Padre Ricardo Teixeira esteve essencialmente em Pequim durante os quatro anos de trabalho na China, mas chegou a participar em missas na diocese de Tianjin, a que pertencia o Bispo agora falecido. “Eu cheguei a celebrar – de Tianjin a Pequim são trinta minutos de comboio – lá, era relativamente fácil ir lá para celebrar.”

A vida de D. Esteban Li Side foi exemplar pelo compromisso de lealdade para com o Santo Padre e o Vaticano. Segundo a Agência Católica de Informações, D. Esteban nasceu em 3 de Outubro de 1927, em Zunhua (Hebei), no seio de uma família tradicional católica, tendo sido ordenado sacerdote a 10 de Julho de 1955 após ter estudado em diversos seminários, entre os quais o de Wen Sheng, em Pequim.

Com a instituição em 1958 da Associação Patriótica pelo governo chinês como forma de controlar a vida da Igreja Católica, o padre Li foi preso e esteve em cativeiro até Fevereiro de 1962, retomando então o serviço na Catedral de São José, em Tianjin. “Foi preso novamente em 1963 e, até 1980, cumpriu uma sentença em campos de trabalhos forçados. Em 15 de junho de 1982, foi ordenado em segredo como Bispo de Tianjin, mas não foi reconhecido pelo governo comunista. Em 1989, foi preso pela terceira vez depois de participar da Assembleia da Conferência Episcopal Chinesa que reivindicou ao regime maior liberdade religiosa. Em 1991, foi libertado e retornou à Catedral de São José em Tianjin.”

Em 1992, as autoridades obrigaram-no a ir viver para a aldeia de Liang Zhuang Zi, numa região montanhosa, “onde permaneceu em prisão domiciliar até à sua morte”. A agência católica de informações esclarece ainda que, desde 2007, “a maioria dos sacerdotes da Igreja oficial expressou a sua obediência a D. Li Side.”

Para o Padre Ricardo Teixeira é incompreensível a proibição do funeral público do Bispo de Tianjin, até porque “já tinha morrido, já não ia falar mal, se é que ele alguma vez falou mal” do governo ou das autoridades. “Era um homem de um amor enorme à Igreja e o amor dele pelo país – não pelo governo, mas pelo país – não era menor. E também pela cultura. Posso dizer que amava muito a Igreja e amava muito a China…”

O Padre Ricardo conheceu pessoalmente D. Stefano Li Side que tinha uma saúde debilitada especialmente após ter sofrido um AVC. No entanto, nunca falou directamente com ele sobre a amargura de viver clandestinamente o mandato episcopal.

“Ele nunca falou disso, nem eu puxei a conversa já que não devia ser um tópico muito agradável”, explicou o sacerdote português. No entanto, o Padre Ricardo sabia da sua experiência de 17 anos de prisão “em campos de concentração, campos de trabalho forçado, campos de reeducação, como agora se ouve de vez em quando falar”, mas também dos tempos em que foi “bispo passando a maior parte da sua vida encarcerado, mesmo que tenha sido em prisão domiciliária”, experiência que representou igualmente um enorme sacrifício, até pela privação de contactos com os fiéis e pela impossibilidade de acesso a cuidados médicos.

Actualmente, a Diocese de Tianjin tem cerca de 100 mil fiéis que são atendidos, assegura a agência de notícias ACI, “por 40 sacerdotes oficiais e 20 não oficiais ou subterrâneos”, pertencentes, portanto, à chamada Igreja Clandestina.

Para o padre dehoniano português, não há qualquer dúvida de que D. Stefano Li Side “foi um gigante na fé, ele e o seu coadjutor que ainda está vivo e que está em prisão domiciliária”. Trata-se de D. Melchor Shi Hongzhen, de 92 anos, que está detido em casa numa cidade montanhosa na região. “Com ele – explica o Padre Ricardo Teixeira – tem sido impossível o contacto.”



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segunda-feira, 24 de junho de 2019

São João e as notas musicais

Nunca me tinha questionado sobre a origem do nome das notas musicais. O Dó sempre foi o Dó, e o Mi, o Mi, não tinha de haver uma razão lógica para estes nomes. Entretanto descobri uma história interessante na origem da escala musical.

Tudo começa com um monge beneditino, que viveu no Séc. XI (995-1050), de seu nome Guido d'Arezzo, que denotou uma particularidade num hino a São João Baptista, uma música bastante popular na época. Este hino era composto por 7 versos com notas diferentes; e o primeiro verso começava com uma nota a que chamaria posteriormente Ut, o segundo começava com outra a que chamaria posteriormente e aí por diante até ao último verso...

Ele teve a ideia de nomear as notas conforme o início de cada verso. Este é o hino:

Ut queant laxisPara que possam, de libertas
Resonare fibrisvozes, ressoar
Mira gestorumas maravilhas das tuas acções
Famuli tuorum,dos teus servos,
Solve pollutiapaga dos impuros
Labii reatum,lábios a culpa,
Sancte Ioannes.ó São João.

Como a sílaba Ut não era fácil de ser cantada foi substituída, por Giovanni Baptista Doni, em , por volta de 1640.


Não deixa de ser irónico que, não sendo o mundo musical em geral muito católico, seja usado um hino a São João Baptista - precursor de Jesus Cristo para compor todas as músicas. Deus é realmente Omnipresente!

João Silveira


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Hoje nasceu S. João Baptista, que vem anunciar a salvação

 
Hoje a Igreja celebra a Natividade de S. João Baptista, o precursor do Messias. Neste dia lembramos o maior dos profetas, como o próprio Jesus o chama em Mt 11,11: “Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que João, o Baptista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele.” Mas porque é que João Baptista foi tão importante? Neste dia a liturgia da Igreja coloca-nos frente a esta personagem que nos ensina, com a sua vida e palavras, a ser fiéis discípulos e missionários de Cristo.

João Baptista é uma voz, mas a palavra (o Verbo) é muito mais que a voz. 

Através do prefácio da Missa de hoje percebemos as principais dimensões da importância de S. João Baptista: 

"Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte: por Cristo nosso Senhor. 
Ao celebrarmos hoje a glória do Precursor, São João Baptista, proclamado o maior entre os filhos dos homens, anunciamos as vossas maravilhas: antes de nascer, ele exultou de alegria, sentindo a presença do Salvador; quando veio ao mundo, muitos se alegraram pelo seu nascimento; foi ele, entre todos os Profetas, que mostrou o Cordeiro que tira o pecado do mundo; nas águas do Jordão, ele baptizou o autor do Baptismo e desde então a água viva tem poder de santificar os crentes; por fim deu o mais belo testemunho de Cristo, derramando por Ele o seu sangue. 
Por isso, com os Anjos e os Santos no Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz..."

Explica Santo Agostinho:

"Foi para ensinar o homem a humilhar-se que João nasceu no dia a partir do qual os dias começam a decrescer; para nos mostrar que Deus deve ser exaltado, Jesus Cristo nasceu no dia em que os dias começam a aumentar. Há aqui um ensinamento profundamente misterioso. Nós celebramos a natividade de João como celebramos a de Cristo, porque essa natividade está cheia de mistério. De que mistério? Do mistério da nossa grandeza. Diminuamo-nos em nós próprios para podermos crescer em Deus; humilhemo-nos na nossa baixeza, para sermos exaltados na Sua grandeza."

Diz o Evangelista, S. João, a propósito do Senhor, Jesus Cristo, que «Era a Luz verdadeira que ilumina todo o homem que vem a este mundo» (Jo 1,9). Foi no preciso momento em que a duração da noite ultrapassava a do dia que, de repente, a vinda do Senhor projectou todo o seu esplendor; e se o seu nascimento afastou dos homens as trevas do pecado, a sua vinda pôs fim à noite e trouxe-lhes a luz do dia claro.

S. João, no seu Evangelho (Jo, 1,6-7) diz-nos também: "Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João. Ele veio como testemunho, para dar testemunho da luz, a fim de que todos pudessem crer por seu intermédio." e ainda, "Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que é antes de mim, porque foi primeiro do que eu." - (Jo, 1, 30)

João, foi o Precursor de Cristo. De tal maneira que celebramos hoje, por assim dizer, um segundo Natal. O nascimento do Baptista é um inseparável do nascimento do Filho do Deus Vivo. É um nascimento que participa do mistério da Encarnação que o próprio Santo anuncia. No calendário litúrgico romano é o único santo do qual celebramos o nascimento. João Baptista foi santificado desde o seu nascimento, tal como a Santíssima Virgem. Quando esta visita a sua prima Isabel, sabemos que o menino no ventre de Isabel encheu-se do Espírito Santo, nascendo portanto sem mácula do pecado original. Por esta razão é ele o maior entre os filhos dos homens.

S. João Baptista é também aquele que liga o Antigo e o Novo Testamento. O último dos profetas e aquele que mostra ao mundo o Cordeiro de Deus, o seu primo Jesus Cristo. Nosso Senhor aparece pela primeira vez em público, quando João, que pregava um baptismo de penitência, baptiza assim o Filho do Homem, que é ele mesmo o autor do Baptismo, como nos diz o prefácio. Baptismo pela água do lado de Cristo. Baptismo, também penitencial, que nos livra do pecado original.

Por fim, João configurou-se com a morte de Cristo na Cruz, e sofreu o martírio, mais uma vez prevendo a morte do Messias. O maior dos santos depois da Virgem e dos santos anjos, imola-se, para defender a verdade, diante do poder de Herodes.

Cantemos hoje, como fez Zacarias, o Benedictus, louvando a Deus pelo nascimento deste santo que veio anunciar a Salvação do mundo:

Em Latim:  

Benedictus Dominus Deus Israel; quia visitavit et fecit redemptionem plebi suaeet erexit cornu salutis nobis, in domo David pueri sui,sicut locutus est per os sanctorum, qui a saeculo sunt, prophetarum eius,salutem ex inimicis nostris, et de manu omnium, qui oderunt nos;ad faciendam misericordiam cum patribus nostris, et memorari testamenti sui sancti,iusiurandum, quod iuravit ad Abraham patrem nostrum, daturum se nobis,ut sine timore, de manu inimicorum liberati, serviamus illiin sanctitate et iustitia coram ipso omnibus diebus nostris

Et tu, puer, propheta Altissimi vocaberis: praeibis enim ante faciem Domini parare vias eius,ad dandam scientiam salutis plebi eius in remissionem peccatorum eorum,per viscera misericordiae Dei nostri, in quibus visitabit nos oriens ex alto,illuminare his, qui in tenebris et in umbra mortis sedent, ad dirigendos pedes nostros in viam pacis.


Em Português: 
Bendito o Senhor Deus de Israel que visitou e redimiu o seu povo e nos deu um Salvador poderoso na casa de David, seu servo, conforme prometeu pela boca dos seus santos, os profetas dos tempos antigos, para nos libertar dos nossos inimigos e das mãos daqueles que nos odeiam, para mostrar a sua misericórdia a favor dos nossos pais, recordando a sua sagrada aliança e o juramento que fizera a Abraão, nosso pai, que nos havia de conceder esta graça: de O servirmos um dia, sem temor, livres das mãos dos nossos inimigos, em santidade e justiça, na sua presença, todos os dias da nossa vida. 
E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás à sua frente a preparar os seus caminhos, para dar a conhecer ao seu povo a salvação pela remissão dos seus pecados, graças ao coração misericordioso do nosso Deus, que das alturas nos visita como sol nascente, para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz.

PF


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sábado, 22 de junho de 2019

140 anos de adoração eucarística ininterrupta

Em 1878 estas irmãs descobriram que eram chamadas por Deus à adoração perpétua. Comprometeram-se a ter, pelo menos, duas irmãs em oração diante da Santíssimo Sacramento durante 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano...acontecesse o que acontecesse. Decidiram passar a chamar-se Irmãs Franciscanas da Adoração Perpétua.

A adoração começou às 11 da manhã do dia 1 de Agosto de 1878...e não parou desde então.

Durante estes 140 anos já houve episódios de séria pressão para que parasse a adoração. Em 1923 um grande incêndio começou num prédio adjacente. A cidade foi inundada em 1965. Houve surtos de doenças e tempestades terríveis. Mas as irmãs continuaram sempre em adoração.

O número de vocações, infelizmente, diminuiu bastante nas últimas décadas, pelo que tiveram de procurar a ajuda da comunidade local. Agora, as irmãs e os leigos voluntários revezam-se para continuar a adoração eucarística. É muito provavelmente a oração contínua mais antiga nos Estados Unidos.

As irmãs rezem especialmente pelos doentes e pelos que sofrem. Estimam que, na última década, tenham rezado por 150000 pessoas. Quem tiver algum pedido pode fazê-lo através deste formulário: https://www.fspa.org/prayer-request.php


adaptado de churchpop.com


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sexta-feira, 21 de junho de 2019

Cardeal Arinze celebra Missa Tradicional no dia de Corpus Christi

O Cardeal Francis Arinze, ex-Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramento, celebrou ontem uma Missa Pontifical na igreja de Corpus Christi, em Maiden Lane (Londres). A Missa foi celebrada em Rito Tradicional. 








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Carta de São Luís Gonzaga à sua Mãe antes de morrer

A graça e a consolação do Espírito Santo estejam sempre convosco. A vossa carta encontrou-me ainda vivo na região dos mortos; mas agora espero ir em breve louvar a Deus eternamente na região dos vivos. Pensava mesmo que a esta hora já teria dado esse passo.

Se a caridade, segundo São Paulo, ensina a chorar com os que choram e a alegrar-se com os que estão alegres, muito grande deve ser a alegria de Vossa Senhoria, pela graça que Deus Vos concede na minha pessoa, chamando-me à verdadeira alegria e dando-me a segurança de O não poder perder jamais.

Confesso-vos, ilustríssima Senhora, que me perco e arrebato na contemplação da divina bondade, mar sem praia e sem fundo, que me chama a um descanso eterno por um trabalho tão breve e pequeno; que me convida e chama ao Céu para aí me dar aquele soberano bem que tão negligentemente procurei, e que me promete o fruto daquelas lágrimas que tão parcamente derramei.

Por conseguinte, ilustríssima Senhora, considerai bem e ponde todo o cuidado em não ofender esta bondade de Deus, como certamente aconteceria se viésseis a chorar como morto aquele que vai viver na contemplação de Deus e que maiores serviços vos fará com as suas orações do que nesta terra vos prestava.

A nossa separação será breve; lá no Céu nos tornaremos a ver; lá seremos felizes e viveremos para sempre juntos, porque estaremos unidos ao nosso Redentor, louvando-O com todas as forças da nossa alma e cantando eternamente as suas misericórdias. Se Deus toma novamente o que nos tinha dado, não o faz senão para o colocar em lugar mais seguro e ao abrigo de qualquer perigo, e para nos dar aqueles bens que acima de tudo desejamos. 

Digo tudo isto para que Vós, Senhora minha Mãe, e toda a família, aceiteis a minha morte como um dom precioso da graça. A vossa bênção de mãe me assista e me ajude a alcançar com felicidade o porto dos meus desejos e esperanças. Escrevo-vos com tanto maior prazer quanto é certo que não me resta outra ocasião para vos testemunhar o respeito e o amor filial que vos devo.

Da Carta escrita por São Luís Gonzaga à sua mãe (Acta Sanctorum, Iuni, 5,578 - Séc.XVI)


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A devoção ao Sagrado Coração de Jesus em Portugal

A Rainha D. Maria I conheceu a mensagem de Santa Margarida Maria Alacoque e soube que o Senhor desejava "entrar com pompa e magnificência na casa dos príncipes e dos reis, para aí ser honrado tanto quanto foi ultrajado, desprezado e humilhado na sua Paixão". Procurou, pois, empenhadamente, cumprir e fazer cumprir, nos seus Reinos e Domínios, todos os pedidos que o Senhor dirigia, em vão, ao Rei de França. [...]

Mandou erigir em Lisboa uma grandiosa basílica, a primeira do mundo inteiro, dedicada ao culto do Sagrado Coração de Jesus, a fim de propagar em Portugal esta devoção. Colocou, pelas suas próprias mãos, a primeira pedra e inaugurou-a solenemente a 14.11.1789. Fundou pouco depois o primeiro convento português da Ordem da Visitação, a Ordem de Santa Margarida Maria.[...]

Anos antes, e como já se disse na introdução deste livro, a Rainha pedira ao Papa Pio VI que aprovasse para Portugal o Ofício e a Missa do Sagrado Coração, já concedidos à Polónia. O Papa aprovou o pedido, concedendo Ofício e Missa próprios para Portugal, além de particulares indulgências. [...]

Pediu ainda a Piedosa que o dia que a Igreja consagra ao Coração de Jesus fosse considerado santificado no calendário litúrgico português. O Papa também aprovou.

Finalmente, em 7 de Julho de 1779, a soberana obteve do Papa a autorização para consagrar os seus Reinos e Domínios ao Sagrado Coração de Jesus.

Espalhou-se por Portugal inteiro esta devoção. Fundam-se numerosas confrarias, erigem-se capelas, igrejas e santuários. Inicia-se um luminoso percurso, que iria levar a devoção ao Coração divino do Redentor a todas as terras que prosperavam, então, debaixo da sombra bendita da Bandeira das Cinco Chagas.

António Carlos de Azeredo in 'Santa Margarida Maria e a devoção em Portugal ao Sagrado Coração de Jesus'


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quarta-feira, 19 de junho de 2019

Procissão de Corpus Christi em 1945 na Polónia



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Composição, origem e destino do Ser Humano

O ser humano é composto de corpo e alma. O corpo é material, por isso corruptível. A alma é imaterial, por isso é imortal, nunca irá desaparecer. A alma é a forma do corpo, ou seja é o que faz com que a matéria que compõe o corpo daquele ser humano componha um ser humano e não seja outra coisa qualquer. 

Para tentar perceber isto melhor: uma garrafa de plástico é uma garrafa de plástico porque aquele plástico (matéria) tem a forma de uma garrafa. Aquela matéria poderia ter outra forma, de prato, por exemplo, e nesse caso seria um prato de plástico e não uma garrafa. 

Do mesmo modo, é a alma que dá forma ao corpo, que faz com a matéria que o compõe esteja unida como um corpo. De tal maneira que quando se dá a separação entre a alma e o corpo, ou seja quando a pessoa morre, o corpo se vai degradando, até que aquela matéria se transforme noutra coisa qualquer.

A alma humana, ao contrário do corpo, não é gerada na fecundação, quando se dá a união entre o gâmeta masculino e feminino. A alma é infundida por Deus após a concepção. Sendo imagem de Deus, a alma é imaterial e possui duas faculdades: inteligência e vontade. São estas características da alma humana que distinguem o ser humano de qualquer outro animal à face da Terra. 

Os animais não têm inteligência e vontade, têm instintos e, alguns, capacidade de aprendizagem por repetição. O ser humano, graças à inteligência, pode tentar compreender o mundo que o rodeia, e a si mesmo, especular, apreender conceitos e ter pensamentos abstractivos. Com a vontade consegue pode tentar perceber se um determinado objecto ou acção lhe é favorável ou desfavorável e em que medida. 

Os animais são apenas matéria, por isso quando morrem desaparecem. O ser humano é matéria (corpo) e espírito (alma), por isso nunca irão desaparecer mesmo depois da morte. O corpo fica na Terra e desaparecerá. A alma será julgada por Deus e será salva ou perdida para sempre, consoante o amor a Deus e aos outros que pautou as acções daquela pessoa até ao seu último suspiro de vida terrena. No fim dos tempos, os corpos ressuscitarão e unir-se-ão às almas, as que estão no Céu para a felicidade eterna e as que estão no Inferno para o sofrimento eterno.

João Silveira


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terça-feira, 18 de junho de 2019

Colapso da Liturgia e Crise na Igreja segundo Papa Bento

“Estou convencido de que a crise eclesial em que hoje nos encontramos depende em grande parte do colapso da liturgia.” 

Papa Bento XVI in 'Introdução ao Espírito da Liturgia'


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Bispo do Funchal tenta reintegrar sacerdote desobediente

D. Nuno Brás, Bispo da diocese do Funchal, revogou a suspensão a divinis do Padre Martins Júnior. Este sacerdote, em 1974, recebeu ordem do Bispo D. Francisco Antunes Santana para que se retirasse da paróquia onde se encontrava. Recusou obedecer ao seu Bispo e este suspendeu-o a divinis em 1977. Na altura a acusação era envolvimento directo na política, algo proibido aos clérigos, nomeadamente em partidos de índole socialista/comunista. 

Mesmo suspenso pelo Bispo, o Padre Martins Júnior recusou-se a sair da paróquia da Ribeira Seca e lá continuou como pároco ilegal até agora. Entretanto desempenhou vários cargos políticos, a saber: Presidente da Câmara Municipal de Machico e Deputado da Assembleia Legislativa Regional da Região Autónoma da Madeira.

Tendo cessado essa actividade, e com o desejo de resolver uma situação insustentável, D. Nuno Brás retirou agora a suspensão ao Padre Martins Júnior e nomeou-o pároco de Machico. É louvável a tentativa de pacificação deste caso. O Padre Martins Júnior deixou de estar suspenso, mas será que é uma boa influência para os fiéis?

Numa entrevista que deu há 6 meses - intitulada 'A história do padre rebelde da Madeira' - o Padre Martins Júnior define o celibato como: "Uma anormalidade e um atentado contra a vida e contra a natureza" (00:29). Sobre a eutanásia diz: "Eu sou pela eutanásia. Adoro. Abraço a eutanásia. Eu quero a eutanásia. A eutanásia é a pessoa que conscientemente diz a Deus: ofereço-te a minha vida" (01:17). No minuto 05:58 vê-se o então jovem Padre Martins Júnior "despejar" as Hóstias consagradas no altar, de modo que cada fiel lá fosse comungar em modo 'self-service'.

Ao longo destes anos sempre fez da desobediência a sua bandeira. E, como não poderia deixar de ser, até nos sacramentos faz o que lhe apetece e não o que a Igreja lhe diz para fazer. Neste vídeo vemos 3 excertos de 3 "Missas" celebradas pelo Padre Martins Júnior, em 2014, 2015 e 2018:
Esta "Missa" é muito provavelmente inválida, por isso não é Missa. O Padre Martins Júnior não usa o essencial das palavras da Consagração, que são: "Isto é o meu Corpo" (consagrando o pão) e "Isto é o meu Sangue" (consagrando o vinho). Falta, portanto, a forma do sacramento, sem a qual o sacramento não existe. Provavelmente faltará também a intenção, mas não podemos ter a certeza disso apenas pelo vídeo. 

O Padre Martins Júnior inventa as palavras da consagração, as palavras mais importantes durante a Missa. Além disso omite a Oração Eucarística (a oração mais importante da Missa), antes e depois da consagração, passando directamente do "Santo" para a consagração e desta directamente para o "Pai Nosso".

Os fiéis devem ser aconselhados a não ir a "Missas" celebradas pelo Padre Martins Júnior porque não são Missas. São cerimónias inventadas por ele próprio. Quem nelas participar não foi à Missa, foi a um teatro no qual o protagonista principal é o sacerdote que se faz mestre e senhor da Liturgia. Quem comunga não recebe o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo mas apenas pão. Aquela cerimónia é sacrílega porque transforma um ritual sagrado num "faça-você-mesmo", sem o mínimo dos mínimos para que o sacramento seja válido. E ainda que seja válido é gravemente ilícito, e portanto nenhum fiel católico pode estar presente.

É justo dizer que o Padre Martins Júnior ajudou o povo da Ribeira Seca com a sua generosidade, motivação e simpatia. Mas ser Padre é muito mais do que isso. Para ser Padre é preciso ser obediente a Deus e à Igreja, algo que o Padre Martins Júnior nunca foi. Esperemos que comece a sê-lo aos 81 anos.

João Silveira


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segunda-feira, 17 de junho de 2019

Todas as crianças precisam de Pai e Mãe

Pai, Mãe: Sois precisos os dois para que a vida desabroche, e os dois também para que ela atinja o seu completo desenvolvimento. O pai, sozinho, é a autoridade demasiadamente dura, a razão muito fria, a força que se faz sentir de mais; a mãe, sozinha, é o amor sem limites, a suavidade sem regra, a ternura sem correctivo.

Juntos, os dois são necessários à educação. A natureza uniu-os e fundiu-os como dois elementos que se completam, e de onde brotam, na alma da criança, o calor e a luz.

R. P. Monsabré in 'Le Mariage' (Edit. P. Lethielleux, 1893)


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Comunismo chinês teme até os mártires enterrados

Quando, no último dia 13 de Abril (2019), os fiéis foram visitar o túmulo de Mons. Pedro José Fan Xueyan (1907-1992), ex-Cardeal e Bispo da diocese de Baoding, província de Hebei, depararam-se com um obstáculo: duas viaturas de polícia, com câmeras de vigilância e espionagem, bloqueavam a estrada, informou Bitter Winter. Os policias interrogavam os transeuntes e diziam: “Se vão procurar os vossos parentes podem passar. Mas se vão visitar o túmulo (do Bispo), então não podem”. 

Segundo um dos fiéis, também havia agentes do governo de uniforme que faziam guarda em volta da sepultura do bispo. Outro posto de controle e bloqueio foi montado na entrada da aldeia de Xiaowangting onde morou o falecido sucessor dos Apóstolos. Cerca de 20 policias com uniformes camuflados garantiam a vigilância em postos de controle ostensivo, analisando cada pedestre que passava. 

Um fiel contou que muitos não ousam aproximar-se da sepultura com medo das represálias dos agentes do Partido Comunista. Nestes casos, lembram a memória de Mons. Fan com cerimónias no interior das suas casas. Em 2018, desafiando a polícia, alguns fiéis fizeram uma Cruz com flores sobre o túmulo de Mons. Fan. 

“Malgrado a perseguição constante do comunismo, o Bispo preferiu morrer antes que aceitar compromissos. A sua fé inspirou sempre os fiéis sinceros. É isto que assusta o Partido Comunista, que o considera inaceitável”, acrescentou.

O bispo passou mais de trinta anos na prisão porque se recusou a romper a união com Roma e aderir à Associação Patriótica Católica Chinesa, uma dependência do estado marxista. Foi um dos prisioneiros de consciência encarcerados durante o mais longo período de tempo no mundo. 

Foi nomeado bispo da diocese de Baoding no dia 12 de Abril de 1951 e foi sagrado dois meses depois. Foi um dos últimos bispos chineses sagrados pela Santa Sé antes que a China maoista rompesse as relações.

Mons. Fan desapareceu em Novembro de 1990. Dava-se por certo o seu martírio até que a 16 de Abril de 1992, a polícia abandonou o seu cadáver congelado num saco de plástico do lado de fora da casa de parentes seus.

As autoridades alegaram que o prelado morrera de pneumonia três dias antes. Porém o corpo presentava fracturas ósseas e outras feridas compatíveis com a tortura. Desde então, desafiando a proibição, todos os anos os fiéis se reúnem em volta do seu túmulo para lhe render homenagem. 

Em 2001 o governo enviou um bulldozer para impedir a visita. Também incrementou a vigilância na zona entre os dias 11 e 13 de Abril, bloqueando as estradas num perímetro de 7 quilómetros e meio em volta do lugar da sepultura do heróico prelado.

Numerosos bispos da Igreja Católica dita “clandestina” são perseguidos actualmente porque se recusam a aderir à Associação Patriótica controlada pelo governo. Alguns pagaram com a própria vida. Outros sofrem espionagem constante ou detenções domiciliares e não podem exercer a sua missão episcopal.

A situação deles piorou após a assinatura de um Acordo secreto entre a diplomacia da Santa Sé e o regime marxista de Pequim em 2018. O Vaticano diz que o acordo deveria unificar os bispos “patrióticos” alinhados com o comunismo e os “clandestinos” fiéis a Roma. 

Mas o Partido Comunista usa o Acordo para impor a submissão dos padres e bispos “clandestinos” ao comunismo por meio da Associação Patriótica.

Os que perseveram na Igreja e recusam a submissão inaceitável ficam sob controles abusivos constantes do Partido Comunista, ou são directamente perseguidos.

Mons. Estêvão Li Side, bispo legítimo “clandestino” da diocese católica de Tianjin, que foi sagrado secretamente em 1982, foi capturado dois anos depois e condenado a prisão domiciliar. Desde então, o Partido Comunista prendeu-o de tempos em tempos até que, em 1991, o condenou a uma prisão domiciliar em Liangzhuangzi, zona montanhosa do distrito de Jizhou, longe da sua cidade. 

Mons. Li ainda pode administrar os sacramentos, celebrar missa e funerais. Mas, sempre sob controle do governo e estritamente vigiado. Hoje o bispo tem 94 anos e já não pode cuidar de si próprio, tendo necessidade de que alguém tome conta dele.


Luis Dufaur in pesadelochines.blogspot.com


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