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segunda-feira, 15 de abril de 2024

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Escola Jesuíta Católica na Florida

A 'Jesuit High School' (JHS), só para rapazes, em Tampa (Florida) é Católica e dirigida por jesuítas:

- A JHS incentiva os alunos a partilharem a sua Fé com os colegas.

- Um total de 104 alunos foram baptizados desde 2010.

- Para o Padre Richard Hermes, SJ, presidente do JHS, "nada" é mais importante do que promover a fé e conduzir os jovens a Deus.

- Os retiros são uma parte importante do ministério da escola.

- Um factor-chave na "cultura dinâmica, ortodoxa e autenticamente católica" do campus é a disponibilidade dos sacramentos.

- Há Missa diária, adoração eucarística regular, confissões.

- A joia da coroa da JHS é a Capela de Santa Cruz, um edifício românico multimilionário dedicado em 2018.

- A JHS valoriza "liturgias belas, nobres e dignas", fazendo com que as Missas e outras liturgias sejam "tão dignas e solenes quanto possível".

- Grupos de oito a dez alunos reúnem-se regularmente à hora do almoço para falar sobre a Fé.

- A escola tem um "departamento de teologia sólido como uma rocha" que oferece a verdade combinada com um amor "sem desculpas e sem transigências".

in gloria tv


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terça-feira, 21 de julho de 2020

Pai confronta o Estado em Tribunal pela liberdade de poder educar os seus filhos

Artur Mesquita Guimarães, colocou dois processos em Tribunal contra o Ministério de Educação porque os seus filhos, alunos de média de 5 e do Quadro de Honra, foram retidos dois anos devido a um Despacho assinado pelo Secretário de Estado da Educação, João Costa. O despacho, considerado pelos advogados como “ilegal e inconstitucional”, obriga os filhos de Artur a voltarem dois anos lectivos atrás, do 9º para o 7º ano, e do 7º para o 5º ano, argumentado-se no facto dos alunos não terem participado na nova disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, da qual os pais, por objecção de Consciência, não autorizaram os filhos a participar. Artur já venceu um dos processos.

Tiago de 12 anos, e Rafael de 15, naturais de Famalicão, ambos alunos do Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco, alunos de média de 5 valores e vencedores de múltiplas Olimpíadas educativas, são jovens bem-educados, respeitadores e como o pai os descreve “bons cidadãos”. Artur, pai de 6 filhos e empresário agrícola, comunicou à escola desde o início dos respectivos anos lectivos que os filhos não iriam frequentar a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento (CD), baseando-se no Artigo 36º da Constituição da República Portuguesa que refere que “Os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos.”, argumentado que os tópicos da disciplina (Sexualidade, Género, Interculturalidade, Média, Ambiente…etc) são da responsabilidade educativa das famílias e não do Estado.

A escola, no ano lectivo de 2018/2019, através do Conselho de Turma, o órgão pedagógico colegial que transita os alunos no final de cada ano, “passou” ambos os alunos apesar de não terem frequentado as aulas de CD, pois são alunos de nota 5 nas outras disciplinas. O Conselho de Turma é soberano na decisão, não podendo ser hierarquicamente ultrapassado pela Direcção da escola.

No dia 15 de Junho de 2020, no seguimento de outras notificações, o Ministério da Educação emitiu um despacho assinado pelo Sec. de Estado da Educação, João Costa, onde retroactivamente anula a decisão do Conselho de Turma do ano lectivo de 18/19 onde foi definida a transição dos dois alunos. Esta anulação, juntamente com a decisão da escola de retê-los no ano 19/20, implica a repetição de dois anos escolares. De acordo com o despacho, Tiago que deveria começar o 7º ano em Setembro, volta para o 5º, e Rafael que deveria passar para o 9º ano, passa para o 7º.

Existe uma política explicitamente anunciada e promovida pelo Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e pelo Sec. de Estado da Educação, João Costa, de reduzir os “chumbos” de forma transversal no sistema educativo, mesmo quando os alunos têm várias “negativas”. Mas neste caso, de Tiago e Rafael, apenas não frequentaram uma única disciplina, pois os pais usaram o Direito garantido na Lei e na Constituição, que é a objecção de Consciência, e mesmo assim João Costa, através do despacho, castiga os dois menores, obrigando-os ou a repor as aulas de CD dos últimos dois anos, ou a fazerem os dois anos lectivos anteriores (também com CD), desautorizando e anulando totalmente o papel dos pais na Educação dos seus filhos.

Artur já tinha publicado em jornais regionais e no Notícias Viriato várias cartas abertas ao Sec. de Estado, ao Primeiro-Ministro e ao Presidente da República a denunciar esta situação, mas depois desta decisão “absolutamente inacreditável” não teve opção senão levar esta perseguição coerciva do Estado a Tribunal.

No início da semana de 13 de Julho, com a ajuda de um advogado pro-bono, foi colocado no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga dois processos: Uma providência cautelar de carácter urgente e temporário com o objectivo de anular o despacho, e uma acção administrativa regular. A providência cautelar já teve um resultado favorável a Artur, tendo o Ministério da Educação 10 dias para apresentar uma oposição.

Artur Guimarães, no final da entrevista que fez em exclusivo para o Notícias Viriato, faz um apelo aos pais que são “manietados” e abusados pelos “tiques autoritários do Estado” a não terem medo e avançarem pelas vias legais, pois se o número suficiente de famílias se manifestar, o Governo recua.


in Notícias Viriato


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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

O dever de educar os filhos como cristãos

Há alguns anos, um pastor anglicano decidiu não confundir a sua filha ensinando-lhe moral cristã. Agora a filha usa véu integral sobre o rosto e é casada com um muçulmano. O marido muçulmano sabe o que o pai anglicano ignora: a nossa mente sem educação é como um papel branco onde os outros podem escrever. Como o ser humano é um grande imitador e emulador é muito difícil escolher livremente.

O orador brilhante leva a melhor sobre o orador medíocre mesmo que este esteja a dizer a verdade. A verdade não está na prova dos factos, mas nas sugestões que as palavras criam e nas imagens que encantam os nossos olhos.

A liberdade que o pastor inglês deu à sua filha foi na realidade uma recusa ao seu direito de educar, o pior erro que um pai pode cometer. A liberdade sem regras e raciocínio infunde preguiça mental e, sobretudo, superficialidade e tristeza interior. Se a este cocktail venenoso juntarmos a negação de Deus, a vida será reduzida a uma grande e ignóbil aldrabice. 

Progredir é humano, mas identificar progresso com aquilo que na realidade nos leva ao paganismo mais decadente é uma ofensa à inteligência. 

Agostino Nobile in 'Governados pela mentira - o suicídio do Cristianismo e do Ocidente' 


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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Papa Pio XI contra a educação sexual nas escolas

Mormente perigoso é portanto aquele naturalismo que, em nossos tempos, invade o campo da educação em matéria delicadíssima como é a honestidade dos costumes. Assaz difuso é o erro dos que, com pretensões perigosas e más palavras, promovem a pretendida educação sexual, julgando erradamente poderem precaver os jovens contra os perigos da sensualidade, com meios puramente naturais, tais como uma temerária iniciação e instrução preventiva, indistintamente para todos, e até publicamente, e pior ainda, expondo-os por algum tempo às ocasiões para os acostumar, como dizem, e quase fortalecer-lhes o espírito contra aqueles perigos.

Estes erram gravemente, não querendo reconhecer a natural fragilidade humana e a lei de que fala o Apóstolo: contrária à lei do espírito, e desprezando até a própria experiência dos factos, da qual consta que, nomeadamente nos jovens, as culpas contra os bons costumes são efeito, não tanto da ignorância intelectual, quanto e principalmente da fraqueza da vontade, exposta às ocasiões e não sustentada pelos meios da Graça.

Se consideradas todas as circunstâncias se torna necessária, em tempo oportuno, alguma instrução individual, acerca deste delicadíssimo assunto, deve, quem recebeu de Deus a missão educadora e a graça própria desse estado, tomar todas as precauções, conhecidíssimas da educação cristã tradicional, e suficientemente descritas pelo já citado Antoniano, quando diz: 

«Tal e tão grande é a nossa miséria e a inclinação para o mal, que muitas vezes até as coisas que se dizem para remédio dos pecados são ocasião e incitamento para o mesmo pecado. Por isso importa sumamente que um bom pai quando discorre com o filho em matéria tão lúbrica, esteja bem atento, e não desça a particularidades e aos vários modos pelos quais esta hidra infernal envenena uma tão grande parte do mundo; não seja o caso que, em vez de extinguir este fogo, o sopre ou acenda imprudentemente no coração simples e tenro da criança. Geralmente falando, enquanto perdura a infância, bastará usar daqueles remédios que juntamente com o próprio efeito, inoculam a virtude da castidade e fecham a entrada ao vício.» (Dell'educazione cristiana dei figliuoli, lib. II, c. 88).

Papa Pio XI in Carta Encíclica 'Divini Illius Magistri' - Sobre a educação cristã da juventude - 31 de Dezembro de 1929


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terça-feira, 16 de outubro de 2018

Ideologia de género nas escolas e hipersexualização das crianças

Uma "ficha sociodemográfica" distribuída na escola 'Francisco Torrinha', no Porto, causou uma certa indignação.

A dita ficha foi entregue a crianças de 9 e 10 anos de idade, e logo começa por perguntar o sexo/identidade de género, apresentando 3 hipóteses: homem, mulher e outro. Que "outro" é este? O que é que uma criança deve pensar quando olha para àquelas 3 hipóteses? «Será que sou um homem, uma mulher ou um outro? Se calhar sou um outro.» Mas em que "outro" estariam os responsáveis por esta ficha a pensar se na natureza humana apenas existem dois sexos: o masculino e o feminino?

Um pouco mais abaixo pergunta-se se a criança namora actualmente. É suposto namorar aos 9 anos? Com que propósito?

Logo de seguida pergunta se a criança já namorou anteriormente. É suposto começar a namorar com menos de 9 anos? Com que idade se deve começar a namorar? Com que propósito?

A pergunta seguinte é sobre quem é que a criança se sente atraída, e apresenta 3 hipóteses: homens, mulheres ou ambos. Esta atracção será sexual. Mas é suposto que uma criança de 9 anos se sinta atraída sexualmente? E é suposto que tenha isso presente? 

É suposto que uma criança se sinta atraída por "homens"? É suposto que a criança olhe para um homem e se sinta atraída sexualmente? Quem foi o tarado que elaborou estas perguntas?

As escolas estão a ser usadas para fazer autênticas lavagens cerebrais às crianças, muitas vezes à revelia dos próprios pais. A ideologia de género está a ser imposta à força em crianças que não têm idade suficiente para perceber o que lhes está a ser feito. Existe uma vontade clara de criar confusão em relação ao que é a natureza humana e também de tornar as crianças sexualmente activas o mais cedo possível.

Os pais devem começar a estudar alternativas a estas escolas, nomeadamente a hipótese de juntar os filhos de várias famílias e fazer homeschooling. A lei em Portugal permite que isto seja feito, com relativa liberdade.

João Silveira


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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Estão de regresso as escolas que separam os meninos das meninas

Ressurgem as escolas exclusivas para meninos ou meninas. Essas escolas favorecem o desenvolvimento de uns e de outras; e aumentam de ano para ano. Hoje somam 240 mil escolas em 70 países no mundo.

Uma moda inspirada no espírito anárquico igualitário do Maio de 68 e no relativismo moral espalhado em nome do Concílio Vaticano II desqualificou as escolas single-sex (só para meninos ou só para meninas). A revolução cultural-sexual da Sorbonne começou na Universidade de Nanterre, na periferia de Pais, reclamando toiletes comuns para homens e mulheres.

As escolas sem distinção de sexo não deram os resultados prometidos pela utopia igualitária e danificaram várias gerações. Por isso as escolas para sexo único voltam a ganhar espaço, pois mostraram adaptar-se melhor aos ritmos diferentes de cada sexo. Essas escolas são apoiadas por estudos que apontam diferenças no desenvolvimento cognitivo e social de meninos e meninas, informou o jornal “Gazeta do Povo”.

“As aulas single-sex podem tornar mais fácil aos professores adaptar o ensino às características comportamentais dos alunos”, afirma o psicólogo da escola norte-americana Clover Park School District, Robert Kirschenbaum.

“As meninas parecem preferir ambientes mais quietos em que possam trabalhar em grupo e chegar a um consenso. Os meninos costumam preferir um ambiente mais competitivo, com mais actividades físicas e mais barulho”, completa.

Nas escolas single-sex não há diferenças nos conteúdos, mas sim nos métodos, que são mais adequados aos perfis de meninos ou meninas. O resultado é uma educação personalizada, que atende às necessidades específicas e gera resultados mais eficazes.

“Num ambiente single-sex, principalmente nas idades de 13, 14 e 15 anos, há a oportunidade, tanto para os meninos como para as meninas, de serem eles mesmos durante mais tempo”, disse o ex-director da faculdade Eton College, Tommy Little, no Fórum Global de Educação e Habilidades (GESF - Global Education and Skills Forum).

No ambiente escolar, a separação por sexo é total: os meninos têm professores e as meninas têm professoras, com aulas em prédios distintos, que ficam separados por um bosque.

Nos EUA, o sistema single-sex, ainda restrito quase exclusivamente às escolas privadas de elite e religiosas, começa a ser usado no ensino público, principalmente em regiões de baixa renda.

Na escola primária Charles Drew, na Florida, um quarto das turmas é separado por sexo. O alto desempenho observado em escolas single-sex compensa o baixo desempenho característico de uma escola periférica.

A avaliação estadual da escola subiu de nota D para C. Resultados similares foram encontrados em outras escolas públicas que adoptaram turmas single-sex em centros urbanos como Nova Iorque, Chicago e Filadélfia. Segundo o Departamento de Educação dos EUA, o país contava em 2014 com 850 escolas públicas single-sex e cerca de 750 escolas públicas que oferecem pelo menos uma turma single-sex. 

O modelo de educação personalizada ganhou força nos EUA em 2002, quando uma lei permitiu às agências educacionais locais usar fundos públicos — destinados a “programas inovadores”— para apoiar escolas que separavam estudantes por sexo. Em 2002 só uma dúzia de escolas públicas oferecia o serviço. Menos de uma década depois, em 2011, pelo menos 506 instituições públicas tinham actividades desse tipo.

Só em Espanha — país de origem do criador da Educação Personalizada, Victor García Hoz — há pelo menos 219 centros de estudo que oferecem educação diferenciada. A informação provém da Associação Europeia de Educação Single Sex (Easse, na sigla em inglês). O Supremo Tribunal de Espanha reconheceu esse direito a 9 colégios da Andaluzia. 

Via 'Valores inegociáveis: respeito à vida, à família e à religião'


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sábado, 6 de janeiro de 2018

Os presentes dos Reis e os nossos presentes

Na vizinha Espanha, só agora se trocam os presentes de Natal, à imitação dos Reis, que neste dia ofereceram ao Menino os seus presentes. É aliás a partir deste gesto simpático dos Magos que nasceu a nossa tradição de trocar prendas no dia de Natal. E que bela tradição! De regresso às aulas, faço com os meus alunos uma atividade de Speaking: em inglês, pergunto sobre as férias, as prendas, o dia de Natal. Chego à conclusão que quase todos os alunos receberam as mesmas coisas: roupa, dinheiro, alguns telemóveis. E fico a pensar…
Dar dinheiro a um adolescente ou jovem que esteja a poupar com um fim especial – uma viagem, a carta de condução, a compra de uma máquina fotográfica, etc – é uma ideia feliz. Mas dar dinheiro porque sim, para que a criança pequena o gaste a seu bel prazer, ou apenas porque não temos imaginação para outra coisa, é uma ideia triste. Cá em casa, os mais velhos sabem bem o uso a dar ao dinheiro que recebem. Mas os mais novos ficam confusos: “Podemos comprar todas as gomas que quisermos?” “Podemos ir à loja dos chineses buscar aquelas coisas todas que queremos?” Claro que faz parte da educação ensinar a usar e a poupar dinheiro, mas será esse o objetivo da troca de presentes na noite de Natal?

Oferecer roupa ou acessórios pode ter a sua utilidade, mas também pode ser apenas mais uma forma de reforçarmos a vaidade. Hoje preocupamo-nos pouco com a vaidade infantil, e até a estimulamos. Associada à vaidade vem aquilo a que os psicólogos já chamam de “erotização da infância”. Uma das atitudes mais comuns no Facebook é a colocação de “likes” em fotos que não mostram nada a não ser a própria pessoa numa nova pose. “Que bonita!” “Que sexy!” “Que rapariga gira!” Será mesmo este o caminho para desenvolver a autoestima dos nossos filhos, num mundo cada vez mais obcecado com as aparências? Recordo aqui uma passagem da autobiografia de Santa Teresinha, escrita para a sua irmã mais velha, na altura sua “Madre” em religião:
“Lembro-me de que, enquanto passeávamos na praia, um senhor e uma senhora viram-me correr alegremente à volta do papá e, aproximando-se, perguntaram se eu era dele e disseram que eu era uma menina muito bonita. O papá respondeu-lhes que sim, mas apercebi-me que lhes fez sinal para não me elogiarem… Era a primeira vez que ouvia dizer que era bonita, o que me agradou muito, pois eu não me julgava tal. Vós, minha madre, estáveis muito atenta a que ao pé de mim não houvesse nada que pudesse manchar a minha inocência, sobretudo, a não me deixar ouvir nenhuma palavra capaz de insinuar a vaidade no meu coração.”
Talvez nos choque este excesso de zelo. Mas estes pais zelosos criaram uma família de santos. Nós enaltecemos a vaidade, os pais de santos enaltecem a modéstia. Quem é que hoje fala em modéstia? Que o excesso destes pais nos faça abrandar um bocadinho no nosso excesso contrário.

Fica então a pergunta: que presentes oferecer aos filhos no Natal, quando já passou o tempo das bonecas ou dos carrinhos e ainda não chegou o tempo para ajudar com a carta de condução ou a viagem de finalistas? Que forma encontrar para, no Natal, oferecermos um presente que não afaste os nossos filhos do verdadeiro Presente, o Menino nas palhinhas? Que privilegie os mesmos sentimentos e valores do Presépio? Que não valha pelo valor material, mas pelo que possibilita de abertura ao outro e a Deus e de descoberta dos seus próprios talentos divinos?

Imaginação a trabalhar! Ofereçamos aos adolescentes ou às crianças mais velhas, e de acordo com as nossas possibilidades, um par de patins, uma prancha de skate, uma corda ou um elástico para saltar, uma tabela de basquetebol para interior ou exterior, um bilhete de cinema, um arco e flecha, um boomerang, um instrumento musical, uma caixa de costura, uma máquina de costura, uma caixa de ilusionismo.

“Mas o meu filho não sabe fazer nada disso!” Talvez o nosso presente o encoraje a começar, por que não? Irá certamente encorajá-lo a desligar o computador, o telemóvel ou o televisor para brincar, aprender novas coisas, partilhar momentos felizes com amigos e família, prolongando o tempo de infância até onde o puder prolongar. Cada vez encontramos mais crianças a viver vidas de adolescentes, adolescentes a viver vidas de jovens, jovens a viver vidas de adultos, e depois – surpresa? – adultos a viver como se ainda fossem crianças ou jovens descomprometidos, gastando horas em jogos de telemóvel e trocando de namorado e namorada como nos tempos de liceu.

Ena, Teresa, até onde nos pode levar uma reflexão sobre os presentes de Natal! É verdade. Educar é não deixar nada ao acaso, nem mesmo os presentes de Natal. E as Famílias de Caná educam para a santidade. Nem mais, nem menos…

Teresa Power in familiasdecana.pt


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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Educação sexual nas escolas? Sou contra! Absolutamente contra!

Uma hora depois, entro na redação e apanho a correspondência. Ao abrir o primeiro envelope, apanho um susto. Era um leitor irritadíssimo. Lera algumas "Confissões" e vira em mim um brutal reacionário. Não queria, porém, ser injusto. Por isso, pedia ou exigia que eu me definisse sobre a Educação Sexual. Sou contra ou a favor? 

Bem. Vou ser o mais taxativo possível: - Sou contra. E, para evitar qualquer dúvida, ou sofisma, direi com a maior ênfase: - "Absolutamente contra". Não sei se me entendem. A Educação Sexual devia ser dada por um veterinário a bezerros, cabritos, bodes, cães e gatos vadios. 

No ser humano, sexo é amor. Portanto, os meninos, as meninas deviam ser preparados, educados no amor. Se o meu leitor progressista ainda não está satisfeito, direi algo mais. O homem está triste porque, um dia, separou o Sexo do Amor. Nada mais vil do que o desejo sem amor. A partir do momento da separação, começou o processo de aviltamento que ainda não chegou ao fim. E, assim, o homem tornou-se um impotente do sentimento e, portanto, o anti-homem, a anti-pessoa.

Nelson Rodrigues in 'O Reacionário'


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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A guerra das escolas em África

Como as antigas colónias inglesas de África não seguem o calendário escolar da Europa, pude aproveitar o mês de Agosto para visitar várias escolas em funcionamento. Ao entrar numa escola do Uganda, a primeira impressão é ter chegado ao império britânico. Cada estabelecimento de ensino tem uma farda própria, que geralmente inclui saia para as raparigas e gravata para os rapazes. Crianças ou «teenagers», ninguém escapa. O espaço abunda e, no Uganda, a mais de mil metros de altura, os relvados são verdejantes: de repente, a pessoa imagina-se em Inglaterra. Em contraste, os edifícios são muitas vezes rudimentares, as paredes têm um acabamento mínimo, o chão é térreo ou com uma camada singela de cimento.

Melhor que visitar escolas, foi falar com o Prof. Charles Sotz. Tive a sorte de o apanhar de férias no Uganda e aproveitei a oportunidade para me informar sobre o sistema educativo das antigas colónias inglesas de África. Sotz é um queniano com raízes argentinas e checas, apaixonado pelo ensino e pelo desenvolvimento social, é dos que mais sabe de educação nestes países. Foi ele quem me apresentou as escolas privadas para pobres, sobretudo no ensino básico.

O fenómeno tem raízes antigas, mas acelerou na última década. Por exemplo, em 2005, havia quase uma centena de escolas estatais na província de Mombasa e um número equivalente de escolas não estatais. Em 10 anos, a procura das escolas estatais manteve-se e a das outras escolas triplicou. Na província de Nairobi, a proporção actual já é de 4 escolas privadas por cada escola estatal. No «ranking» dos exames nacionais de 2005, a melhor escola estatal da província de Mombasa estava em 23º lugar, actualmente, a melhor escola estatal está em 94º lugar.

As comparações económicas são difíceis de estabelecer, porque o custo de vida é muito diferente do da Europa, mas podemos confrontar as escolas entre si. As propinas de algumas escolas privadas custam 14 euros por mês, mas na maioria a propina é de 7 euros por mês, durante 10 meses. Ao lado, o Estado gasta mensalmente cerca de 35 euros por aluno nas escolas estatais.

Esta disparidade de custo e sobretudo de eficácia tem muitas explicações. A mais óbvia é que as instalações das escolas não estatais são realmente muito deficientes, os salários são muito inferiores aos dos funcionários públicos e geralmente os professores das escolas não estatais têm piores qualificações formais. Isto explica a diferença entre o que os pais pagam nas escolas privadas e o que o Estado gasta por aluno nas escolas estatais.

A parte interessante, e que mais ocupou as minhas conversas com Sotz, foi a razão de as escolas privadas serem tão assinaladamente melhores.

Em primeiro lugar, Sotz verificou uma diferença abissal entre a motivação dos professores, pais e alunos. No Estado, os pais não conseguem contactar com os professores e os professores não estão dispostos a sacrificar-se pelos alunos. No ensino privado, os alunos são mais responsáveis, trabalham mais e sabem o que estão a fazer na escola.

Outra observação estatística que me deixou a pensar é que não há correlação entre a qualidade dos edifícios e o nível de aprendizagem dos alunos. Se a escola não tem instalações desportivas, os alunos jogam ao ar livre; se as salas são velhas e desconfortáveis, isso não afecta o rendimento escolar. As qualificações formais dos professores também não têm relação estatística com os resultados dos alunos: um professor trabalhador e exigente é muito melhor que um diplomado em pedagogia, com uma atitude pouco generosa.

Os sindicatos dos professores das escolas estatais opõem-se ferozmente à existência de escolas livres e têm forçado o Governo a tomar medidas restritivas, tais como exigir melhores equipamentos e professores mais qualificados. Os pais reagem, porque essas medidas aumentam os custos e, se a propina aumentar acima de 7 euros por mês, as famílias mais pobres têm de colocar os filhos nas escolas do Estado. Criando mais exigências, o Governo já conseguiu fechar várias escolas privadas. (Onde é que eu já vi isto?). O surpreendente, explicou-me Sotz, é que essas escolas continuam a funcionar. Como?!

– Os pais têm lá os filhos durante todo o ano lectivo e, no final, inscrevem-nos numa escola do Estado, para eles fazerem os exames nacionais.

– E as escolas estatais aceitam esses paraquedistas?!…

– Sim, porque esses alunos têm melhor preparação que os das escolas do Estado e fazem-nas subir no «ranking».

O mundo é tão diferente, de país para país! E tão igual, nalgumas coisas! Os sindicatos dos professores de África insistem em que os «rankings» dão cabo da qualidade das escolas.

José Maria André in Verdadeiro Olhar, 9-IX-2016


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domingo, 5 de junho de 2016

A excepção mais a excepção da excepção

As escolas não estatais financiadas pelo Governo português viveram até agora de uma excepção muito curiosa.

Há mais de um século que os nossos Governos se propõem controlar a 100% a educação, mas a sociedade resiste e, enquanto não têm força, os Governos transigem nalgumas excepções. Foi assim com os maçons da Primeira República, com Salazar e Marcello Caetano e é assim com os Governos posteriores ao 25 de Abril. Nuns casos, a motivação é tirar a liberdade aos católicos, noutros casos é tirar a liberdade a todos. O facto é que avançam sempre no mesmo sentido.

A Primeira República chegou à violência física. Salazar foi menos agressivo, mas criou todos os entraves possíveis, chegando a limites caricatos. Por exemplo, as escolas não estatais que colaborassem na alimentação dos alunos, pagavam imposto hoteleiro.

Em tempos de Marcello Caetano, o Ministro Veiga Simão fechou administrativamente um bom número de escolas e, na província, construiu escolas estatais ao lado dos colégios com mais êxito. O mapa escolar ficou cómico: em extensas regiões com falta de escolas, só havia duas escolas, exactamente ao lado uma da outra! Demorou alguns anos, mas as dificuldades económicas levaram a melhor: perante uma escola boa que tinham de pagar e uma escola má que o Estado lhes oferecia, muitas famílias tiveram de mudar para a escola estatal. Assim o Governo conseguiu fechar muitas escolas da Igreja.

Depois do 25 de Abril, ao mesmo tempo que a estatização progredia, introduziu-se uma excepção curiosa. Para fomentar a alfabetização, o Estado decidiu que, quando não houvesse escolas estatais próximas, o Governo pagaria a propina nas escolas não estatais. Isto só se aplicava a poucas escolas, muito afastadas de centros urbanos grandes. Além disso, sujeitava-as a limitações: os alunos inscreviam-se na escola do Estado mais próxima que autorizava a transferência; as escolas não estatais ficavam obrigadas a receber todos os que lhes fossem enviados pela escola do Estado; a propina que o Estado pagava era inferior ao custo médio de um aluno nas escolas estatais; finalmente, as escolas não estatais não podiam receber mais dinheiro dos alunos, além da propina paga pelo Estado.

Obviamente, o objectivo de acabar com a liberdade de ensino mantinha-se. Por isso, depois de ter tolerado esta pequena excepção, conhecida como «contrato de associação», o Ministério prosseguiu a política de construir escolas novas ao lado das escolas não estatais, para lhes fazer concorrência. Assim, todos os anos, a excepção encolheu.

Perante uma escola melhor em que a propina é paga pelo Estado e uma escola pior, as famílias não têm dúvidas. Por isso a excepção resiste o mais que pode. Os Governos contra-atacam com mais dinheiro para as suas escolas, mas não conseguem atrair alunos enquanto não cortam a propina nas escolas melhores.

Finalmente, o actual Governo decidiu erradicar de vez a pequena excepção e forçar os alunos a frequentar as escolas do Estado, mesmo que tenham de andar uma grande distância.

A operação deparou-se com alguns problemas práticos, porque a escola do Estado é sempre pior. Se fosse melhor, nem havia necessidade de o Ministério intervir. Outro problema é que as propinas das escolas não estatais são mais baixas que o custo médio no Estado. No entanto, o problema verdadeiramente difícil são as famílias descontentes.

Aqui, começou outra pequena excepção. As famílias falaram com as autarquias, estas pediram ao Governo e este aceitou: talvez porque as eleições autárquicas se aproximam, as escolas situadas em autarquias controladas pelo partido do Governo não vão fechar já este ano.

Tanto trabalho, só para tirar autonomia às famílias e concentrar poder no Ministério!

Sem dúvida, mas ainda mais admirável é o esforço de quem insiste em trabalhar para que a juventude deste país tenha uma educação melhor. 

José Maria C.S. André in Correio dos Açores, 5-VI-2016


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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Qual é o segredo? - Madalena Fontoura

A Mãe tem um cargo directivo de grande responsabilidade e intensidade. O Pai tem um trabalho que, com frequência, invade fins-de-semana e férias. A filha tem sete anos. São os Avós que a vão buscar à escola porque a Mãe trabalha até tarde. E o Pai também.

Este é o filme da vida de uma boa parte das famílias portuguesas. Dá pano para mangas para conversas sobre conciliação entre o trabalho e a família. E dá também sustento a muitos psicólogos e outros profissionais da saúde mental das pessoas.

Mas na casa desta família nada disto é dramático. Os Pais espalham alegria, vitalidade e disponibilidade para os outros. A filha, além de alegre, é duma esperteza e duma perspicácia que impressionam e fazem sorrir. Qual é o segredo?

Aqui há tempos a Mãe contava-me, divertida, uns palpites que a filha tinha dado sobre a equipa que a Mãe dirige e como aproveitá-la melhor. E o mais engraçado é que as observações eram pertinentes! Semanas depois, a Mãe tinha que preparar uma apresentação pública no seu trabalho. Falou disso em casa. Estava à procura de uma maneira criativa de ilustrar uma determinada ideia. De repente, ouve-se a voz da filha: “podia ser ‘As Crónicas de Narnia’, ficava mesmo bem!” Era o livro preferido dela, lido e relido em família. A Mãe olhou-a espantada. É que a ideia era mesmo boa. Pegou nela, tratou-a, usou-a e foi um sucesso!

Fiquei a pensar nesta história e em tudo o que ela tem dentro. Primeiro, uma Mãe que fala do seu trabalho em casa, como uma coisa boa e interessante. Sobretudo como uma coisa real, que não se deixa à porta porque faz parte da vida. Não só da sua, mas da dos seus.

Depois um Pai que está sempre pronto a ajudar toda a gente, para quem os problemas dos outros não são um peso, mas sim uma provocação. Lembrei-me das crianças e jovens em dificuldades graves que esta família já acolheu no seu pequeno apartamento. E também das Avós e Tias velhinhas que nesta casa têm sempre lugar e carinho.

Uma criança, que cresce assim, vê o trabalho da Mãe como parte da sua vida e aprende com o Pai a tomar cada dificuldade alheia como um desafio a encontrar uma solução. Nada é estranho, nada é inimigo, nada é inconciliável. Além disso conhece C. S. Lewis pela voz dos Pais, ainda antes de saber ler. Porque lá em casa contar histórias não é um soporífero, é um acontecimento. E por isso não serve qualquer uma, tem que ser bonita e ter dentro um mistério.

Enfrento esta semana desejando para mim esta unidade de vida, em que cada parte não brigue com as outras como uma guerra civil, que destrói e enfraquece. Desejo o mesmo para a família de cada um dos meus alunos. E tomo como desafio ajudar a construir uma escola, onde se aprenda a viver assim.

Madalena Fontoura in fundacaomariaulrich.blogspot.pt


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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Ler bons romances... porquê e para quê?

Costumam ler Romances?

É uma resposta de Sim ou Não. Aqui ficam algumas ideias sobre cada uma das respostas possíveis:

Não? Bem, deviam. Ou, se isto soa demasiado moralista: ler bons romances pode tornar-vos pessoas melhores, mais felizes, num "novo e mais nobre eu" (Hopkins).

A sério? Porquê? As razões são muitas e o espaço demasiado curto, por isso vou dar apenas uma. Podem chamar a isto um argumento de autoridade. (Vou omitir as más razões para ler mesmo bons romances.)

Quem foi o maior professor do mundo? O que é que ele ensinou? Às vezes dava conferências ao ar livre, pregava sermões - de vez em quando até uma homilia - e usava o método do segundo maior professor do mundo (um grego; o seu nome começa por "S"). Mas ele ensinava "com autoridade", que significa, entre outras coisas, que era um "autor". E, basicamente, ele contava histórias.

O eterno Verbo de Deus tornou-se Carne em Jesus Cristo. E Jesus encarnou os seus ensinamentos em histórias a que chamamos parábolas. Ele sabia que essa era a melhor forma de nós aprendermos, de percebermos o não-sucessivo (verdade eterna) no sucessivo (um enredo temporal).

Toda a boa história é uma encarnação de verdade, beleza e bondade - uma participação nas palavras encarnadas do Verbo Encarnado. Isto não significa que uma história, para ser boa, tem que escrita por ou sobre Católicos. E, claro, pode ser boa artisticamente sem ser boa no seu sentido mais profundo.

Mas, as histórias que nos transformam como as histórias de Jesus transformaram os seus discípulos, têm que surgir de uma imaginação arreigada na Verdade. (Há uma razão para o Senhor dos Anéis, do Católico Tolkien, ser a maior história do século XX.)

Estas são o tipo de histórias que a Ignatius Press procura publicar. Nós pensamos que vão gostar delas porque são bem contadas. Esperamos que vos enriqueçam de uma forma que só as histórias conseguem.

Sim? Então deviam ler boas histórias. Vejam acima para uma explicação.

Fr. Joseph Fessio, S.J.
Editor e fundador da Ignatius Press

in ipnovels.com


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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Religião ou Moral?

São grupos de miúdos muito variados. Mas todos decididos a ter aquela disciplina. Podiam não ter. Não só é opcional como, frequentemente, os horários são bastante dissuasores. Ultimamente, ouvi vários testemunhos de iniciativas nascidas destas aulas únicas: experiências de voluntariado e até uma viagem a Roma. Que disciplina é esta tão contracorrente? Chama-se Educação Moral e Religiosa Católica. E é neste nome que reside um equívoco, que se estende para lá do âmbito da própria disciplina.

Demos um passo atrás. A busca de um significado, a intuição da existência de Alguém que esteja na origem e no destino do trajeto humano é a atividade mais difundida na História dos homens, de todos os tempos e de todos os lugares. Reconhecê-lo não é, em si, uma posição religiosa ou de fé, mas apenas uma questão de justiça com a realidade.

Por isso, a dimensão religiosa faz parte de uma educação integral. Os sistemas educativos dos vários países abordam a questão de várias maneiras. Alguns daqueles que temos como mais desenvolvidos dedicam-lhe uma disciplina obrigatória no ensino básico. E como se há-de chamar-se uma disciplina que trata desta dimensão religiosa do homem? Religião, Experiência Religiosa, Busca Religiosa, Sentido Religioso…

Em Portugal, o nome da disciplina conheceu esta distorção subtil, em várias etapas: primeiro a disciplina, que dantes se chamava simplesmente Religião, passou a chamar-se Religião e Moral. Como se a educação moral fosse o passaporte de entrada da Religião nas escolas públicas, onde o laicismo se foi instalando de forma crescente. A seguir passou a chamar-se Educação Moral e Religiosa, passando a Religião para segundo plano. E como é que esta disciplina é conhecida coloquialmente? Moral: a aula de Moral, o “setor” de Moral, etc…

Podia ser só uma questão de nome e não ter um peso de identidade assim tão grande. Mas não é o caso. Este nome foi empurrando a disciplina para o único âmbito que lhe é permitido: tentar que os alunos sejam boas pessoas. E nem sequer a moral católica pode ser proposta com clareza e desassombro. Os programas são prudentes nesse campo, que pode ser tão controverso, e os Professores tendem a não arriscar demais, para não ferir susceptibilidades nem perder alunos.

Ainda assim, a escola laica tem uma dívida de gratidão para com estes Professores que cumprem a tarefa que lhes é distribuída, com boa vontade e sucesso, criando nas aulas pequenas comunidades de convivência fraterna e convite à bondade e ao acolhimento. Os Professores, sobretudo os mais vivos, conseguem ainda, além disso, testemunhar a alegria da sua fé, deixando, assim, uma semente, que pode vir a germinar.

Mas vale a pena relembrar que a educação religiosa tem um valor em si mesma: o de alargar o conhecimento, perceber que há mais na vida do que aquilo que se vê e se toca, não deixar anestesiar a busca do significado, libertar as pessoas da tirania do imediato e da tentação do superficial. Além disso, a religião católica tem um tesouro a dar aos que a encontram: Cristo.

A todos os Professores, que dão a vida para testemunhar a sua amizade com Jesus através das suas aulas, lanço o apelo a que não se deixem tratar por “stores de Moral”, trazendo, assim, mais luz e verdade ao entendimento que o mundo tem da sua incomparável missão.

Madalena Fontoura in fundacaomariaulrich.blogspot.pt


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