quarta-feira, 31 de agosto de 2022

"Por fim o meu Imaculado Coração triunfará"


Nossa Senhora de Fátima


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Quem foi São Raimundo Nonato?

Raimundo nasceu em Portell, na Catalunha, Espanha, em 1200. O seus pais eram nobres, porém não tinham grandes fortunas. O seu nascimento aconteceu de modo trágico: sua mãe morreu durante os trabalhos de parto, antes de dar-lhe à luz. Por isso Raimundo recebeu o nome de Nonato, que significa não-nascido de mãe viva, ou seja, foi extraído vivo do corpo sem vida dela. 

Dotado de grande inteligência, fez com certa tranquilidade seus estudos primários. O pai, percebendo os dotes religiosos do filho, tratou de mandá-lo administrar uma pequena fazenda de propriedade da família. Com isso queria demovê-lo da ideia de ingressar na vida religiosa. Porém as coisas aconteceram exactamente ao contrário.

Raimundo, no silêncio e na solidão em que vivia, fortificou ainda mais a sua vontade de dedicar-se unicamente à Ordem de Nossa Senhora das Mercês, fundada pelo seu amigo Pedro Nolasco, agora também santo. A Ordem tinha como principal finalidade libertar cristãos que caíam nas mãos dos mouros e eram por eles feitos escravos. 

Apesar da dificuldade, conseguiu o consentimento do pai e, finalmente, em 1224, ingressou na Ordem, recebendo o hábito das mãos do próprio fundador. Ordenou-se sacerdote e os seus dotes de missionário vieram à tona, dedicando-se a nessa missão de coração e alma. Por isso foi mandado em missão à Argélia, norte da África, para resgatar cristãos das mãos dos muçulmanos. Conseguiu libertar cento e cinquenta escravos e devolvê-los às suas famílias.

Quando se ofereceu como refém sofreu no cativeiro verdadeiras torturas e humilhações. Mas mesmo assim não abandonou o seu trabalho. Levava o conforto e a Palavra de Deus aos que sofriam mais do que ele e já estavam prestes a renunciar à Fé em Jesus. Muitas foram as pessoas convertidas por ele, o que despertou a ira dos magistrados muçulmanos, os quais mandaram que lhe perfurassem a boca e colocassem cadeados, para que Raimundo nunca mais pudesse falar e pregar a doutrina de Cristo.

Raimundo sofreu durante oito meses essa tortura até ser libertado, mas com a saúde abalada. Quando chegou à pátria, na Catalunha, em 1239, logo foi nomeado cardeal pelo Papa Gregório IX, que o chamou para ser seu conselheiro em Roma. Empreendeu a viagem no ano seguinte, mas não conseguiu concluí-la. Próximo de Barcelona, na cidade de Cardona, já com a saúde debilitada pelos sofrimentos do cativeiro, Raimundo Nonato foi acometido de forte febre e acabou morrendo, a 31 de Agosto de 1240, quando tinha, apenas, quarenta anos de idade.

Raimundo Nonato foi sepultado naquela cidade e o seu túmulo tornou-se local de peregrinação, sendo, então, erguida uma igreja para abrigar os seus restos mortais. O seu culto propagou-se pela Europa, sendo confirmado por Roma em 1681. 

São Raimundo foi canonizado em 1657, em Roma, pelo Papa Alexandre VII. Devido à condição difícil do seu nascimento, é venerado como Padroeiro das Parturientes, das Parteiras e dos Obstetras.

in Pale Ideas


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terça-feira, 30 de agosto de 2022

Seminário italiano, 1955




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Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina

Rosa viveu uma infância serena e economicamente privilegiada. Mas, de repente, a família sofreu um revés financeiro. Arregaçou, então, as mangas, ajudando a família em todo género de actividades, desde trabalhos domésticos ao cultivo de uma horta e ao bordado, como forma de ganhar a vida. 

Desde pequena aspirou a consagrar-se a Deus na vida do claustro, mas o Senhor fez-lhe conhecer a Sua vontade, de que permanecesse virgem no mundo. Leu a vida de Santa Catarina de Sena, que se tornou o seu modelo de vida, aprendendo dela o amor por Cristo, pela Sua Igreja e pelo próximo, sobretudo os irmãos índios. Como a Santa de Sena, vestiu o hábito da Ordem Terceira Regular dos Pregadores. Tinha vinte anos de idade. 


Com a permissão da família, organizou numa sala da casa materna um tipo de abrigo para os necessitados, onde dava assistência a crianças e anciãos abandonados, em particular aos de origem índia. Ainda como Santa Catarina, foi tornada digna de sofrer a Paixão do Seu divino Esposo, mas também provou o sofrimento da "noite escura", que durou uns bons 15 anos. Recebeu também o extraordinário dom das núpcias místicas. Foi enriquecida também com outros carismas, como o de fazer milagres, da profecia e da bi-locação. 

A partir de 1609, encerrou-se em uma cela de apenas dois metros quadrados, construída no jardim da casa materna, fria no Inverno e quente e cheia de mosquitos no Verão para melhor rezar em união com o Senhor. Da cela saia apenas para a função religiosa, onde passava grande parte do seus dias de joelhos, a rezar e em estreita união com o Senhor e das suas visões místicas, que começaram a ocorrer com uma impressionante regularidade, todas as semanas, de Quinta-feira ao Sábado. À oração, Rosa juntava a auto-flagelação, vigílias e jejuns, e a sua vida ascética era cheia de visões, mas também de assédios demoníacos. 

Já em vida era grande a sua fama de santidade. O episódio mais marcante da sua existência terrena no-la apresenta abraçada ao Tabernáculo para defendê-lo dos calvinistas holandeses levados ao assalto da cidade de Lima pela frota do pirata Jorge Spitzberg. A inesperada libertação da cidade, por causa da repentina morte do comandante holandês, foi atribuída à sua intercessão. Em 1615, na “Ciudad de Los Reyes” (Lima), Rosa encabeçou uma "rogativa" (oração pública) numa igreja, diante do possível desembarque de piratas holandeses que já haviam assaltado o vizinho porto de El Callao. Sem prévio aviso, uma grande tormenta impediu que as embarcações se aproximassem à terra e a cidade ficou a salvo. 

Rosa, pressentindo a chegada da morte, confidenciou: "Este é o dia de minhas núpcias eternas". Era o dia 24 de agosto de 1617, festa de São Bartolomeu. Tinha trinta e um anos de idade. 

Foi beatificada em 1668 pelo Papa Clemente IX, e dois anos depois foi proclamada Patrona Principal das Américas, das Filipinas e das Índias Ocidentais, pelo Papa Clemente X. Tratava-se de um reconhecimento singular uma vez que um decreto do Papa Urbano VIII, de 1630, estabelecia que não poderiam ser dados como protectores de reinos e cidades pessoas que não haviam sido canonizadas. De qualquer forma, foi canonizada em 12 de Abril de 1671, pelo Papa Clemente X. Também é a padroeira dos jardineiros e dos floristas. É invocada em caso de feridas, contra as erupções vulcânicas e em caso de lutas na família. 

in farfalline.blogspot.pt

Fontes: 

http://www.santiebeati.it/dettaglio/28950 - Santi e Beati. Autor: Francesco Patruno (em italiano). 
https://it.wikipedia.org/wiki/Rosa_da_Lima - Wikipédia (em italiano). 
http://migre.me/qVDhx - Facebook. Com os relatos da invasão calvinista e um desenho dos navios holandeses (em espanhol).


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segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Beato Giacomo Alberione reza Santa Missa em Roma (1954)



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Degolação de São João Baptista

Execução de João Baptista «Na verdade, tinha sido Herodes quem mandara prender João e pô-lo a ferros na prisão, por causa de Herodíade, mulher de Filipe, seu irmão, que ele desposara. Porque João dizia a Herodes: ‘Não te é lícito ter contigo a mulher do teu irmão.’ Herodíade tinha-lhe rancor e queria dar-lhe a morte, mas não podia, porque Herodes temia João e, sabendo que era homem justo e santo, protegia-o; quando o ouvia, ficava muito perplexo, mas escutava-o com agrado. Mas chegou o dia oportuno, quando Herodes, pelo seu aniversário, ofereceu um banquete aos grandes da corte, aos oficiais e aos principais da Galileia.

Tendo entrado e dançado, a filha de Herodíade agradou a Herodes e aos convidados. O rei disse à jovem: ‘Pede-me o que quiseres e eu to darei.’ E acrescentou, jurando: ‘Dar-te-ei tudo o que me pedires, nem que seja metade do meu reino.’

Ela saiu e perguntou à mãe: ‘Que hei-de pedir?’ A mãe respondeu: ‘A cabeça de João Baptista.’ Voltando a entrar apressadamente, fez o seu pedido ao rei, dizendo: ‘Quero que me dês imediatamente, num prato, a cabeça de João Baptista.’ O rei ficou desolado; mas, por causa do juramento e dos convidados, não quis recusar. Sem demora, mandou um guarda com a ordem de trazer a cabeça de João. O guarda foi e decapitou-o na prisão; depois, trouxe a cabeça num prato e entregou-a à jovem, que a deu à mãe. Tendo conhecimento disto, os discípulos de João foram buscar o seu corpo e depositaram-no num sepulcro.» Mc 6, 17-29

A pintura divide-se, se assim nos podemos expressar, em duas cenas, uma de exterior e outra de interior, representando dois momentos diferentes da história – um, em que os soldados cortam a cabeça a S. João Baptista, tendo como pano de fundo um casario; o outro, em que Salomé, junto à mesa na qual se sentam Herodíade e Herodes, ostenta entre as mãos uma bandeja com a cabeça do santo, tendo como pano de fundo uma tapeçaria ou um guadameci.

O que une as duas cenas e nos dá a entender que se trata de uma mesma «história» é o facto de o pavimento do exterior (soldados e S. João Baptista) e a do interior (Salomé, Herodíade e Herodes), pousarem sobre um mesmo pavimento, quadriculado e a preto e branco.

in patrimonio.pt


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domingo, 28 de agosto de 2022

A Humildade de Jesus Cristo

Veio até nós um médico para nos restituir a saúde: Nosso Senhor, Jesus Cristo. Vendo a cegueira do nosso coração, prometeu-nos a luz que «os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, o coração do homem não pressentiu» (1Cor 2,9).
 
A humildade de Jesus Cristo é o remédio para o nosso orgulho. Não duvides nunca de quem te traz a cura e sê humilde, tu por quem Deus Se fez humilde. Com efeito, Ele bem sabia que o remédio da humildade seria a tua cura, porque conhece muito bem a enfermidade e sabe como se cura. Uma vez que não podias ser tu a visitar o Médico, foi o Médico que veio visitar-te. Veio ver-te e veio em teu socorro porque sabe muito bem de que necessitas.
 
Deus veio na sua humildade para que o homem O pudesse imitar, pois se tivesse permanecido inacessível, como poderíamos nós imitá-l'O? E, sem O imitar, como poderíamos ser curados? Veio na humildade porque sabia muito bem qual o remédio que devia receitar: um pouco amargo, por certo, mas salutar. E tu? Continuas a duvidar d'Ele, de quem te oferece a sua taça, e murmuras: «Mas que Deus é este, Senhor? Nasceu, sofreu, foi coberto de escarros, coroado de espinhos, cravado numa cruz!» Miserável alma, que vês a humildade do Médico mas não o cancro do teu orgulho! E é por isso que a humildade não te agrada.
 
Por vezes acontece aos doentes mentais baterem nos médicos; neste caso, porém, o Médico, que é misericordioso, não só não fica indignado com quem Lhe bate, como ainda cuida de o tratar. [...] O nosso Médico não teme ser atacado por pacientes dementes. Ele fez da sua morte o remédio para eles. Com efeito, Ele morreu e ressuscitou.

Santo Agostinho in Sermão Delbeau 61, 14-18


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Santo Agostinho de Hipona, Doutor da Igreja

Origens

O seu nome era Aurélio Agostinho. Nasceu em Tagaste, uma cidade do Norte da África dominada pelos romanos (na região onde hoje fica a Argélia) no dia 13 de Novembro do ano 354. Filho primogénito, o seu pai, Patrício, era pagão e pequeno proprietário de terras. A sua mãe, pelo contrário, era cristã fervorosa, tanto que se tornou santa. Santa Mónica sempre tentou educar o filho na fé cristã. Agostinho, porém, por causa do exemplo do pai, não se importava com a fé.

Infância

Santa Mónica queria que seu filho se tornasse cristão, mas percebia que a hora de Deus ainda não tinha chegado. Tanto que adiou o seu baptismo, com receio de que ele profanasse o Sacramento. Aos 11 anos, Agostinho foi enviado para estudar em Madauro, perto de Tagaste. Lá, estudou literatura latina e algo que o distanciaria da fé cristã: as práticas e crenças do paganismo local e romano.
Juventude conturbada

Com 17 anos foi para Cartago estudar retórica. Embora tenha recebido formação cristã passou a seguir a doutrina maniqueísta, negada veementemente pelos cristãos. Além disso, tornou-se hedonista, ou seja, seguidor da filosofia que tem o prazer como fim absoluto da vida. Dois anos depois, passou a viver com uma mulher cartaginense, com a qual teve um filho chamado Adeodato. O relacionamento dos dois durou 13 anos. Durante todo esse tempo, Santa Mónica rezava pela conversão do filho.

Passagem por várias doutrinas

Agostinho tornou-se um professor de retórica reconhecido. Chegou a abrir uma escola em Roma e conseguiu o posto de professor na corte imperial situada em Milão. Decepcionado com as incoerências do maniqueísmo, aproximou-se do cepticismo. A sua mãe mudou-se para Milão e exerceu certa influência sobre o seu comportamento. Nesse tempo, também decepcionado com o cepticismo, Agostinho aproximou-se do Bispo de Milão (Santo Ambrósio). A princípio, queria apenas ouvir a retórica excelente do Bispo. Antes de se converter, Agostinho separou-se da sua companheira e ainda se envolveu com outras mulheres. Depois, foi-se convencendo da verdade sobre Jesus Cristo pelas pregações de Santo Ambrósio. A sua mãe, ao mesmo tempo, não cessava de orar por ele.

Conversão

Depois das buscas incessantes pela verdade e de vários casos amorosos, Agostinho finalmente rendeu-se à coerência da mensagem de Jesus Cristo. Encontrou em Jesus o que não encontrara em nenhuma outra filosofia, em nenhum outro mestre. Assim, ele e seu filho Adeodato, então com 15 anos, foram baptizados em Milão por Santo Ambrósio, durante uma vigília Pascal. A partir de então, passou a escrever contra o maniqueísmo, que ele conhecia muito bem. Escreveu obras tão importantes que fizeram com que fosse declarado Doutor da Igreja.

Sofrimentos

Agostinho dedicava grande atenção a Adeodato formando-o na fé e nas ciências humanas. De repente, porém, o seu filho veio a falecer. Foi um grande choque. Por causa disso, decidiu voltar para Tagaste. No caminho de volta a sua mãe também faleceu. Agostinho menciona nas suas “Confissões” a maravilha e o alimento espiritual que eram os diálogos que ele tinha com sua a mãe sobre a pessoa de Jesus Cristo e a beleza da fé cristã. Esses diálogos foram decisivos para a sua formação. 

De volta à terra natal

Depois de sepultar a sua mãe continuou decidido a voltar para a terra natal. Ele chegou a Tagaste no ano 288. Lá, optou pela vida religiosa. Junto com alguns amigos na fé, deu início a uma comunidade monástica cujas regras foram escritas por ele mesmo. Deste embrião nasceram várias ordens e congregações religiosas masculinas e femininas, todas seguindo as regras e a inspiração “Agostiniana”.

Não se coloca uma lâmpada debaixo da mesa

O Bispo de Hipona, ao perceber a forte inspiração que Deus colocara na alma de Agostinho, convidou-o para ir juntamente com ele nas missões e pregações. O Bispo, já idoso e enfraquecido, vendo confirmada a sabedoria de Agostinho, ordenou-o como sacerdote, o que foi aceite com grande alegria pelos fiéis. E, depois, em 397, logo após a morte do bispo, o povo, em uma só voz, aclamou Santo Agostinho como Bispo de Hipona. Ele ocupou o cargo durante 34 anos, derramando toda a sua sabedoria nas pregações, nos livros, na caridade para com os pobres, na espiritualidade profunda. Combateu heresias, tornou-se um dos mais importantes teólogos e filósofos da Igreja, influenciando pensadores até o presente. Foi aclamado Doutor da Igreja e um dos “Padres da Igreja” por causa do seu ministério iluminador. Entre os livros de maior destaque nas suas obras, estão “Confissões” e “Cidade de Deus”.

Morte

Santo Agostinho faleceu feliz pela força da Igreja de Hipona, mas, ao mesmo tempo, triste, por causa da invasão bárbara em Hipona, motivo de grandes perseguições contra os fiéis. A sua morte ocorreu a 28 de Agosto do ano 430. Mais tarde, no ano 725, os seus restos mortais foram exumados e trasladados para a cidade de Pavia, em Itália, onde são venerados na igreja de São Pedro do Céu de Ouro. A igreja fica perto do local onde ocorreu a sua conversão.

Oração a Santo Agostinho

Gloriosíssimo Pai Santo Agostinho, que por divina providência fostes chamado das trevas da gentilidade e dos caminhos do erro e da culpa a admirável luz do Evangelho e aos rectíssimos caminhos da graça e da justificação para ser ante os homens vaso de predilecção divina e brilhar em dias calamitosos para a Igreja, como estrela da manhã entre as trevas da noite: alcançai-nos do Deus de toda consolação e misericórdia o sermos chamados e predestinados, como Vós o fostes, a vida da graça e a graça da eterna vida, onde juntamente convosco cantemos as misericórdias do Senhor e gozemos a sorte dos eleitos pelos séculos dos séculos. Amém.

in cruzterrasanta.com.br


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sábado, 27 de agosto de 2022

Shia Leboeuf, actor convertido ao Catolicismo, fala sobre a Missa Tradicional



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Quem pode distribuir a Sagrada Comunhão?

S. Tomás de Aquino explica que só o sacerdote pode distribuir a Sagrada Comunhão:

Ao sacerdote pertence a dispen­sação do corpo de Cristo, por três razões: 

Pri­meiro, porque, como dissemos, ele consagra em nome de Cristo. Ora, o próprio Cristo, assim como consagrou o seu corpo na Ceia, assim o deu a to­mar aos outros. Por onde, assim como ao sacer­dote pertence a consagração do corpo de Cristo, assim também lhe cabe dispensá-lo. 

Segundo, porque o sacerdote é constituído medianeiro entre Deus e o povo. Portanto, assim como lhe cabe oferecer a Deus os dons do povo, assim também lhe pertence dispensar ao povo os dons santifi­cados por Deus. 

Terceiro, porque a reve­rência devida a este sacramento requer que não seja tocado senão pelo que é consagrado; por isso é consagrado o corporal e o cálice e consa­gradas são as mãos do sacerdote, para tocá-lo. E ninguém o pode tocar senão em caso de neces­sidade; por exemplo, se caísse no chão ou em outro caso semelhante.

in Suma Teológica, IIIa, q.82 a.3


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sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Padre Vera, martirizado por celebrar a Santa Missa


México, início do séc. XX. Durante a guerra civil que opôs o Movimento Cristero ao Partido Revolucionário Institucional do México muitos católicos foram martirizados. Um deles foi o Padre Francisco Vera, fuzilado pelos comunistas mexicanos por ter sido apanhado a celebrar Missa. A serenidade do sacerdote, prestes a ser assassinado, revela bem a paz de quem entregou a sua vida e confia plenamente em Deus.


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Ave crux, spes unica




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quinta-feira, 25 de agosto de 2022

São Luís IX, Rei de França e Confessor

Hoje a Igreja celebra a festa do Rei São Luís da França. Luís IX nasceu no dia 25 de Abril de 1215, no castelo real de Poissy.

Era filho de Luís VIII e de Branca de Castela, ambos piedosos e zelosos, que o cercaram de cuidados, especialmente após a morte do primogénito. Trataram pessoalmente da sua educação e formação religiosa. Foram tão bem sucedidos que Luís IX se tornou um dos soberanos mais benevolentes da história, um fervoroso cristão e fiel da Igreja.  

Com a morte prematura do seu pai em 1226, a rainha, sua mãe, uma mulher caridosa, de grandes dotes morais, intelectuais e espirituais, tutelou o filho, que foi coroado rei Luís IX, pois ele era muito novo para dirigir uma Corte sozinho. Tomou as rédeas do poder e manteve o filho longe de uma vida de depravação e de pecado, tão comum das cortes. Mas Luís, já nessa idade, possuía as virtudes que o levaram à santidade, a piedade e a humildade, e que o fizeram o modelo de rei católico cristão.  

No período da sua adolescência, enquanto a sua mãe governava, foi educado e conduzido na Fé cristã e na arte de governar por São Tomás de Aquino. O santo doutor da Igreja conduziu com perfeição o processo de educação daquele que viria a ser o Rei de toda a França.  

Em 1235, casou-se com Margarida de Provença, uma jovem princesa, que, assim como ele, cultivava grandes virtudes. O marido reinou com justiça e solidariedade. Possuía um elevado senso de piedade, incomum aos nobres e poderosos de sua época. Tinha coração e espírito sempre voltados para as coisas de Deus, lia com frequência a Sagrada Escritura e as obras dos Santos Padres e aconselhava-as a todos os seus nobres da Corte.  

Com o auxilio da rainha, fundou igrejas, conventos, hospitais, abrigos para os pobres, órfãos, velhos e doentes. O casal real teve dez filhos, todos educados como eles e por eles. E o resultado dessa firme educação cristão foram reis e rainhas de muitas cortes, que governaram com sabedoria, prudência e caridade.  

Depois de ter adquirido de Balduíno II, imperador de Constantinopla, a coroa de espinhos de Cristo, que, segundo a tradição, era a mesma usada na cabeça de Jesus, ele mandou erguer uma belíssima igreja para abrigá-la numa redoma de cristal. Trata-se da belíssima Sainte-Chapelle, que pode ser visitada em Paris.  

Acometido de uma grave doença, em 1245 Luís IX quase morreu. Então, fez uma promessa: caso sobrevivesse, empreenderia uma cruzada contra os turcos muçulmanos que ocupavam a Terra Santa. Quando recuperou a saúde, em 1248, apesar das oposições da Corte, cumpriu o que havia prometido. Preparou um grande exército e, por várias vezes, comandou as cruzadas para a Terra Santa. Mas em nenhuma delas teve êxito. Primeiro, foi preso pelos muçulmanos, que o mantiveram no cativeiro durante seis anos. Depois, numa outra investida, quando se aproximava de Tunis, foi acometido pela peste e ali morreu, no dia 25 de agosto de 1270.  

Os cruzados voltaram para a França trazendo o corpo do Rei Luís IX, que já tinha fama e odor de santidade. O seu túmulo tornou-se um local de intensa peregrinação, onde vários milagres foram observados.  

Assim, em 1297, o papa Bonifácio VIII proclamou a santidade da vida de Luís IX, Rei da França, mantendo o culto já existente no dia da sua morte.

in Pale Ideas


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quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Sacerdote irlandês queixa-se que os seminaristas são demasiado conservadores

Fr. Brendan Hoban continua a ser um dos sacerdotes mais influentes da Igreja Católica na Irlanda. Nesta entrevista o sacerdote diz que os maiores problemas que enfrentam neste momento é que há muito poucas vocações e as que há são seminaristas que "querem vestir-se de preto, querem usar batinas. Querem falar sobre o pecado às pessoas. Querem a Missa em latim. Querem os paramentos litúrgicos. Como as pessoas faziam há 60 ou 70 anos."

Por isto tudo diz que "desespera com os novos sacerdotes". E que preferia que não os tivessem, se é para serem assim.


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Lição do Papa Bento XVI sobre São Bartolomeu, Apóstolo

Na série dos Apóstolos chamados por Jesus durante a sua vida terrena, hoje quem atrai a nossa atenção é o apóstolo Bartolomeu. Nos antigos elencos dos Doze ele é sempre colocado antes de Mateus, enquanto varia o nome daquele que o precede e que pode ser Filipe (cf. Mt 10, 3; Mc 3, 18; Lc 6, 14) ou Tomé (cf. Act 1, 13). O seu nome é claramente um patronímico, porque é formulado com uma referência explícita ao nome do pai. De facto, trata-se de um nome provavelmente com uma marca aramaica, Bar Talmay, que significa precisamente "filho de Talmay".
 
Não temos notícias de relevo acerca de Bartolomeu; com efeito, o seu nome recorre sempre e apenas no âmbito dos elencos dos Doze acima citados e, por conseguinte, nunca está no centro de narração alguma. Mas, tradicionalmente ele é identificado com Natanael:  um nome que significa "Deus deu". Este Natanael provinha de Caná (cf. Jo 21, 2), e portanto é possível que tenha sido testemunha do grande "sinal" realizado por Jesus naquele lugar (cf. Jo 2, 1-11). 

A identificação das duas personagens provavelmente é motivada pelo facto que este Natanael, no episódio de vocação narrada pelo Evangelho de João, é colocado ao lado de Filipe, isto é, no lugar que Bartolomeu ocupa nos elencos dos Apóstolos narrados pelos outros Evangelhos. Filipe tinha comunicado a este Natanael que encontrara "aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas:  Jesus, filho de José de Nazaré" (Jo 1, 45). Como sabemos, Natanael atribuiu-lhe um preconceito bastante pesado:  "De Nazaré pode vir alguma coisa boa?" (Jo 1, 46a). Esta espécie de contestação é, à sua maneira, importante para nós. De facto, ela mostra-nos que segundo as expectativas judaicas, o Messias não podia provir de uma aldeia tanto obscura como era precisamente Nazaré (veja também Jo 7, 42). 
Mas, ao mesmo tempo realça a liberdade de Deus, que surpreende as nossas expectativas fazendo-se encontrar precisamente onde não o esperávamos. Por outro lado, sabemos que Jesus na realidade não era exclusivamente "de Nazaré", pois tinha nascido em Belém (cf. Mt 2, 1; Lc 2, 4) e que por fim provinha do céu, do Pai que está no céu.
 
Outra reflexão sugere-nos a vicissitude de Natanael:  na nossa relação com Jesus não devemos contentar-nos unicamente com as palavras. Filipe, na sua resposta, faz um convite significativo:  "Vem e verás!" (Jo 1, 46b). O nosso conhecimento de Jesus precisa sobretudo de uma experiência viva:  o testemunho de outrem é certamente importante, porque normalmente toda a nossa vida cristã começa com o anúncio que chega até nós por obra de uma ou de várias testemunhas. Mas depois devemos ser nós próprios a deixar-nos envolver pessoalmente numa relação íntima e profunda com Jesus; de maneira análoga os Samaritanos, depois de terem ouvido o testemunho da sua concidadã que Jesus tinha encontrado ao lado do poço de Jacob, quiseram falar directamente com Ele e, depois deste colóquio, disseram à mulher:  "Já não é pelas tuas palavras que acreditamos, nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é verdadeiramente o Salvador do mundo" (Jo 4, 42).
 
Voltando ao cenário de vocação, o evangelista refere-nos que, quando Jesus vê Natanael aproximar-se exclama: "Aqui está um verdadeiro Israelita, em quem não há fingimento" (Jo 1, 47). Trata-se de um elogio que recorda o texto de um Salmo:  "Feliz o homem a quem Iahweh não atribui iniquidade" (Sl 32, 2), mas que suscita a curiosidade de Natanael, o qual responde com admiração:  "Como me conheces?" (Jo 1, 48a). A resposta de Jesus não é imediatamente compreensível. Ele diz:  "Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas sob a figueira" (Jo 1, 48b). 

Não sabemos o que aconteceu sob esta figueira. É evidente que se trata de um momento decisivo na vida de Natanael. Ele sente-se comovido com estas palavras de Jesus, sente-se compreendido e compreende:  este homem sabe tudo de mim, Ele sabe e conhece o caminho da vida, a este homem posso realmente confiar-me. E assim responde com uma confissão de fé límpida e bela, dizendo:  "Rabi, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel" (Jo 1, 49). Nela é dado um primeiro e importante passo no percurso de adesão a Jesus. As palavras de Natanael ressaltam um aspecto duplo e complementar da identidade de Jesus:  Ele é reconhecido quer na sua relação especial com Deus Pai, do qual é Filho unigénito, quer na relação com o povo de Israel, do qual é proclamado rei, qualificação própria do Messias esperado. 
Nunca devemos perder de vista nenhuma destas duas componentes, porque se proclamamos apenas a dimensão celeste de Jesus,  corremos  o  risco  de  o  transformar num ser sublime e evanescente, e se ao contrário reconhecemos apenas a sua colocação concreta na história, acabamos por descuidar a dimensão divina que propriamente o qualifica.
 
Da sucessiva actividade apostólica de Bartolomeu-Natanael não temos notícias claras. Segundo uma informação referida pelo historiador Eusébio do século IV, um certo Panteno teria encontrado até na Índia os sinais de uma presença de Bartolomeu (cf.Hist. eccl., V 10, 3). Na tradição posterior, a partir da Idade Média, impôs-se a narração da sua morte por esfolamento, que se tornou muito popular. Pense-se na conhecidíssima cena do Juízo Universal na Capela Sistina, na qual Michelangelo pintou São Bartolomeu que segura com a mão esquerda a sua pele, sobre a qual o artista deixou o seu auto-retrato. As suas relíquias são veneradas aqui em Roma na Igreja a ele dedicada na Ilha Tiberina, aonde teriam sido levadas pelo Imperador alemão Otão III no ano de 983. 

Para concluir, podemos dizer que a figura de São Bartolomeu, mesmo sendo escassas as informações acerca dele, permanece contudo diante de nós para nos dizer que a adesão a Jesus pode ser vivida e testemunhada também sem cumprir obras sensacionais. Extraordinário é e permanece o próprio Jesus, ao qual cada um de nós está chamado a consagrar a própria vida e a própria morte.
 
Papa Bento XVI in Audiência Geral, 4 de Outubro de 2006


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terça-feira, 23 de agosto de 2022

Primeira Regra da Ordem dos Frades Menores

- Todos os irmãos terão o cuidado de não caluniar ninguém, de evitar palavras de discussão. Pelo contrário, tentem guardar silêncio enquanto o Senhor lhes der a graça para isso. 

- Não discutirão entre si nem com outras pessoas mas esforçar-se-ão por responder humildemente: «Somos servos inúteis» (Lc 17,10). 

- Não se irritarão: «Quem se irritar contra o seu irmão será réu perante o tribunal; quem lhe chamar 'imbecil' será réu diante do Conselho; e quem lhe chamar 'louco' será réu da Geena do fogo». 

- Amar-se-ão uns aos outros, conforme a palavra do Senhor: «O que vos mando é que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 15,12). 

- Por actos testemunharão o amor que devem ter uns pelos outros, conforme as palavras do apóstolo João: «Não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade» (1Jo 3,18). 

- Não ultrajarão ninguém; não difamarão, não denegrirão ninguém; porque está escrito que o Senhor odeia os «bisbilhoteiros e os maldizentes»; devem ser modestos, «mostrando sempre amabilidade para com todos os homens,» (Tt 3,2; Rm 1,29-30). 

- Não devem julgar nem condenar, como diz o Senhor (Lc 6,37). Não julgarão nem os mais pequenos pecados dos outros, mas reflectirão sobre os seus próprios pecados na amargura do seu coração (cf. Is 38,15). 

- Esforçar-se-ão por entrar pela «porta estreita», pois, diz o Senhor: «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir» (Lc 13,24; Mt 7,13-14).

São Francisco de Assis


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segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Ladainha ao Imaculado Coração de Maria

Senhor, tende piedade de nós 
Cristo, tende piedade de nós 
Senhor, tende piedade de nós
 
Cristo, olhai-nos. 
Cristo, escutai-nos
 
Pai do Céu, que sois Deus, tende misericórdia de nós. 
Filho Redentor do mundo, que sois Deus, tende misericórdia de nós. 
Espírito Santo, que sois Deus, tende misericórdia de nós. 
Santa Trindade que sois um só Deus, tende misericórdia de nós. 
 
Santa Maria, Coração Imaculado de Maria, rogai por nós 
Coração de Maria, cheio de graça, rogai por nós 
Coração de Maria, vaso do amor mais puro, rogai por nós 
Coração de Maria, consagrado íntegro a Deus, rogai por nós 
 
Coração de Maria, preservado de todo pecado, rogai por nós 
Coração de Maria, morada da Santíssima Trindade, rogai por nós 
Coração de Maria, delícia do Pai na Criação, rogai por nós 
Coração de Maria, instrumento do Filho na Redenção, rogai por nós 
 
Coração de Maria, a esposa do Espírito Santo, rogai por nós 
Coração de Maria, abismo e prodígio de humildade, rogai por nós 
Coração de Maria, medianeiro de todas as graças, rogai por nós 
Coração de Maria, batendo em uníssono com o Coração de Jesus, rogai por nós 
 
Coração de Maria, gozando sempre da visão beatífica, rogai por nós 
Coração de Maria, holocausto do amor divino, rogai por nós 
Coração de Maria, advogado ante a justiça divina, rogai por nós 
Coração de Maria, transpassado por uma espada, rogai por nós 
 
Coração de Maria, Coroado de espinhos por nossos pecados, rogai por nós 
Coração de Maria, agonizando na paixão de teu Filho, rogai por nós 
Coração de Maria, exultando na Ressurreição de teu Filho, rogai por nós 
Coração de Maria, triunfando eternamente com Jesus, rogai por nós 
 
Coração de Maria, fortaleza dos cristãos, rogai por nós 
Coração de Maria, refúgio dos perseguidos, rogai por nós 
Coração de Maria, esperança dos pecadores, rogai por nós 
Coração de Maria, consolo dos moribundos, rogai por nós 
 
Coração de Maria, alívio dos que sofrem, rogai por nós 
Coração de Maria, laço de união com Cristo, rogai por nós 
Coração de Maria, caminho seguro ao Céu, rogai por nós 
Coração de Maria, prenda de paz e santidade, rogai por nós 
 
Coração de Maria, vencedora das heresias, rogai por nós 
Coração de Maria, da Rainha dos Céus e Terra, rogai por nós 
Coração de Maria, da Mãe de Deus e da Igreja, rogai por nós 
Coração de Maria, que por fim triunfarás, rogai por nós 
 
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, Perdoai-nos Senhor 
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, Escutai-nos Senhor 
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, Tem misericórdia de nós. 
 
V. Rogai por nós Santa Mãe de Deus 
R. Para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo
 
Oremos
Vós que nos tens preparado no Coração Imaculado de Maria uma digna morada do teu Filho Jesus Cristo, concedei-nos a graça de viver sempre conforme a sua vontade e de cumprir os seus desejos. 
Por Cristo teu Filho, Nosso Senhor.
Ámen



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A devoção ao Imaculado Coração de Maria

Hoje a Igreja celebra o dia do Imaculado Coração de Maria. A devoção ao Imaculado Coração de Maria consiste na veneração do Coração de Maria, Mãe de Jesus, e ganhou grande destaque com as Aparições de Fátima. Mas a origem deste culto pode ser encontrada nas palavras do Evangelista Lucas, onde o Coração de Maria aparece como uma arca de tesouros (Lc 2, 19) que guarda as mais santas lembranças. 
 
Entretanto foi aumentando, tendo-se desenvolvido por obra de grandes Santos como São Bernardo, Santa Gertrudes, Santa Brígida, São Bernardino de Sena e São João Eudes (1601-1680), que foi um grande promotor da festa litúrgica do Imaculado Coração de Maria e que, já em 1643, começou a celebrá-la com os religiosos de sua congregação. Em 1648, consegue do Bispo de Autun (França) a concessão da festa. Em 1668, a festa e os textos litúrgicos são aprovados pelo Cardeal delegado de toda a França, enquanto Roma se negava, por diversas vezes, a confirmar a festa. 
 
Foi apenas após a introdução da festa do Sagrado Coração de Jesus, em 1765, que será concedida, aqui e ali, a faculdade de celebrar a festa do Coração de Maria, tanto que o Missal Romano de 1814 a elenca ainda entre as festas “pro aliquibus locis”. São João Eudes, nos seus escritos, nunca separou os dois Corações de Jesus e de Maria, e enfatiza a união profunda da Mãe com o Filho de Deus encarnado, cuja vida pulsou por nove meses ritmicamente com aquela do Coração de Maria.
 
A festa foi instituída oficialmente em 1805, pelo Papa Pio VII. Cinquenta anos mais tarde, Pio IX aprovou a Missa e o Ofício próprios. O Papa Pio XII estendeu, em 1944, a toda a Igreja, em perene memória da Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, realizada por ele em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial.
 
Em 1948, o Papa Pio XII convida a todos os Católicos a se consagrarem ao Imaculado Coração de Maria através da Encíclica Auspicia Quaedam, onde diz: 
 
“E como o nosso predecessor de imortal memória Leão XIII, nos albores do século XX, quis consagrar todo o género humano ao Sacratíssimo Coração de Jesus, também nós, como que representando a família humana por ele redimida, quisemos solenemente consagrá-la ao coração imaculado de Maria virgem. Desejamos que todos façam o mesmo, sempre que a oportunidade o aconselhar; e não só em cada diocese e cada paróquia, mas também em cada família. Assim esperamos que desta consagração particular e pública nasçam abundantes benefícios e favores celestiais. Seja presságio desses favores celestes e penhor de nossa benevolência paterna a bênção apostólica que damos com efusão de coração a cada um de vós, veneráveis irmãos, a todos aqueles que de boa mente corresponderem a esta nossa carta de exortação, e de um modo particular as caríssimas crianças.” (1 de Maio de 1948).
 
O culto do Imaculado Coração de Maria recebeu um forte impulso após as Aparições de Fátima, em 1917. Os Pastorinhos viram que Nossa Senhora tinha sobre a palma da mão direita um Coração cercado de espinhos que penetravam nele, fazendo-o sangrar horrivelmente. Era o Coração Imaculado de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, a pedir reparação...
 
A Irmã Lúcia, nas suas memórias, conta que depois da visão do inferno (13 de Julho de 1917), Nossa Senhora disse:
 
“(…) para salvar as almas (...) Deus quer estabelecer no mundo a Devoção ao Meu Imaculado Coração”. 
 
Deus escolheu o Imaculado Coração de Maria, sem mancha e sem pecado, para que, assim como a salvação do mundo veio por Ela na pessoa de Jesus Cristo, também é por meio d'Ela que nós haveremos de ser salvos. Nossa Senhora afirma: “Se fizerem o que eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão a paz”.
 
A Liturgia da festa ressalta a intensa actividade espiritual do Coração da primeira discípula de Cristo, e apresenta Maria propensa, no íntimo do seu coração, à escuta e ao aprofundamento da palavra de Deus. Maria meditou no seu Coração os eventos em que foi envolvida juntamente com Jesus, enquanto procurava penetrar o mistério de tudo aquilo: guardar e meditar no seu Coração todas as coisas, fez com que descobrisse a vontade do Senhor. 
 
Com este seu modo de agir, Maria ensina-nos a viver em profunda união com o Verbo de Deus, a viver saciando-nos e abeirando-nos d'Ele, e também a encontrar Deus na meditação, na oração e no silêncio. Maria ensina-nos a reflectir sobre os acontecimentos da nossa vida quotidiana e a descobrir neles Deus que se revela, inserindo-Se na nossa história.
 
O objecto primário da festa do Coração Imaculado de Maria é a Sua pessoa. O objecto secundário é o Coração simbólico, isto é, o coração físico da Virgem, por ser o símbolo do seu amor e de toda sua vida íntima. Sendo a expressão de todos os seus sentimentos, afectos, e da sua ardentíssima caridade para com Deus, para com o Seu Filho e para com todos os homens, que lhe foram confiados solenemente por Jesus agonizante na Cruz.
 
Esta Festa do Imaculado Coração de Maria sugere o louvor e acção de graças ao Senhor por nos haver dado uma Mãe tão poderosa e misericordiosa, à qual nos podemos dirigir confiadamente em qualquer necessidade. Inspira também que conduzamos uma vida segundo o Coração de Deus, e que peçamos à Virgem Santa a chama de uma ardente caridade.
 
adaptado de 'Pale Ideas'


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domingo, 21 de agosto de 2022

O maior no Reino dos Céus

"Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céus. 
Quem, pois, se fizer humilde como este menino será o maior no Reino do Céus." Mt 18, 3-4


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sábado, 20 de agosto de 2022

Outros hábitos




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"Lembrai-Vos", a oração de São Bernardo a Nossa Senhora

Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria,
que nunca se ouviu dizer
que algum daqueles
que têm recorrido à vossa protecção,
implorado a vossa assistência,
e reclamado o vosso socorro,
fosse por Vós desamparado.

Animado eu, pois, de igual confiança, 
a Vós, Virgem entre todas singular,
como a Mãe recorro,
de Vós me valho e,
gemendo sob o peso dos meus pecados,
me prostro aos Vossos pés.

Não desprezeis as minhas súplicas, 
ó Mãe do Filho de Deus humanado,
mas dignai-Vos
de as ouvir propícia
e de me alcançar o que Vos rogo. Ámen.


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sexta-feira, 19 de agosto de 2022

A aparição de Nossa Senhora de Fátima no dia 19 de Agosto

Nas aparições de Nossa Senhora em Fátima, o mês de Agosto foi diferente dos outros porque no dia 13 os Pastorinhos foram feitos prisioneiros. Mas a Mãe de Deus não se deixou intimidar pelos políticos anti-clericais e apareceu mesmo, uns dias depois de dia 13. A data mais provável é o dia 19 de Agosto, que foi o primeiro Domingo depois do dia 13. O local também mudou, desta feita a aparição deu-se nos Valinhos. Eis a descrição feita pela Irmã Lúcia nas suas Memórias:

Andando com as ovelhas, na companhia de Francisco e seu irmão João, num lugar chamado Valinhos, e sentindo que alguma coisa de sobrenatural se aproximava e nos envolvia, suspeitando que Nossa Senhora nos viesse a aparecer e tendo pena que a Jacinta ficasse sem A ver, pedimos a seu irmão João que a fosse a chamar. Como ele não queria ir, ofereci-lhe, para isso, dois vinténs e lá foi a correr. 

Entretanto, vi, com o Francisco, o reflexo da luz a que chamávamos relâmpago; e chegada a Jacinta, um instante depois, vimos Nossa Senhora sobre uma carrasqueira.

 – Que é que Vossemecê me quer? 
– Quero que continueis a ir à Cova de Iria no dia 13, que continueis a rezar o terço todos os dias. No último mês, farei o milagre, para que todos acreditem. 
– Que é que Vossemecê quer que se faça ao dinheiro que o povo deixa na Cova de Iria? 

– Façam dois andores: um, leva-o tu com a Jacinta e mais duas meninas vestidas de branco; o outro, que o leve o Francisco com mais três meninos. O dinheiro dos andores é para a festa de Nossa Senhora do Rosário e o que sobrar é para a ajuda duma capela que hão-de mandar fazer. 
– Queria pedir-Lhe a cura dalguns doentes. – Sim; alguns curarei durante o ano. E tomando um aspecto mais triste:

– Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios por os pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas. E, como de costume, começou a elevar-se em direcção ao nascente. 


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São João Eudes, precursor da devoção aos Sagrados Corações

Fundador de duas congregações religiosas e de seis seminários, foi grande pregador popular, realizando mais de cem missões. Deixou escritas inúmeras obras ascéticas e místicas.

São João Eudes nasceu na pequena cidade de Ry (diocese de Séez, na Baixa-Normandia, França), no dia 13 de Novembro de 1601. O seu pai, Isaac, havia tentado a carreira sacerdotal, mas fora obrigado a abandoná-la devido à morte de quase toda a família, vítima da peste. Dedicou-se então à agricultura, exercendo também as funções de médico rural. Rezava diariamente o breviário e rivalizava em virtude com a esposa, Marta. O primogénito dos sete filhos que tiveram, João Eudes, foi mais “fruto da oração que da natureza”. Por isso ofereceram-no a Nossa Senhora do Socorro, em acção de graças pelo seu nascimento.

O menino correspondeu ao desvelo dos pais, e aos 14 anos fez o voto de perpétua virgindade. Nessa época, foi enviado ao colégio dos padres jesuítas de Caen, onde estudou com brilho humanidades, retórica e filosofia. Desde muito pequeno, por inspiração do Divino Espírito Santo, João Eudes tinha profunda devoção aos Corações de Jesus e Maria. Em 1618 entrou para a Congregação Mariana do colégio, para incrementar ainda mais a sua devoção a Nossa Senhora. Recebeu então da Mãe de Deus inúmeras graças.

Em 1623, desejando tornar-se sacerdote, entrou para a Sociedade do Oratório de Jesus, fundada pouco antes pelo famoso Cardeal de Bérulle. O fundador concebeu por João Eudes uma estima tal, que o fazia pregar em público antes mesmo de sua ordenação sacerdotal. Esta deu-se em 1625. Apenas ordenado, foi cuidar de pessoas infectadas pela peste. Passou depois para o Oratório de Caen, tendo em vista preparar-se para a sua carreira missionária.

Recolhimento forçado por dois anos

Desde os 22 anos de idade, trabalhou incansavelmente no campo das missões populares. Pregador nato, tornou-se famoso como missionário. Dizia-se que, desde São Vicente Ferrer, a França não tivera um maior do que ele. Maravilhosamente bem dotado para a eloquência popular, entusiasmava as multidões e lograva copiosíssimos frutos de penitência. Impugnava com vigor todos os vícios, cortava na raiz os escândalos, e a todos pregava a verdade salvadora. A ardente caridade que manifestava no confessionário atraía os penitentes, porque ele, ao fulminar os vícios, sabia apiedar-se do pecador.

No ano de 1641, São João Eudes cumpria 40 anos de idade. Foi então atacado subitamente por grave enfermidade, que o levou a um repouso forçado, absoluto, durante dois anos. A Providência Divina queria que ele se preparasse no recolhimento para nova fase da sua vida, talvez a mais proveitosa: “Deus deu-me estes dois anos para empregá-los no retiro, para vagar na oração, na leitura de livros de piedade e em outros exercícios espirituais, a fim de preparar-me melhor para as missões.”

Ao recuperar a saúde, lançou-se novamente à vida missionária com novo fruto. Entretanto, afligia-se ao ver os resultados pouco duradouros das missões. Atribuía isso à falta de pastores cultos e piedosos que continuassem a acção dos missionários, mantendo aceso o fervor adquirido durante as missões. Para isso faltavam seminários nos quais os seminaristas recebessem, a par das virtudes próprias do seu sagrado estado, preparação para exercer os ofícios do seu ministério missionário. Se não havia seminários, por que não fundá-los? Muitos aconselhavam-no nesse sentido. Mas, devido às oposições, ele titubeava diante de tamanha responsabilidade.

Por outro lado, nas missões ele havia convertido um bom número de mulheres perdidas. Tocadas pela graça, elas queriam expiar, numa existência consagrada, a sua má vida. O missionário reuniu-as numa casa que alugara. Mas era difícil dirigi-las sem estarem ligadas por votos religiosos. O que fazer?

O encontro com Maria des Vallées

Foi então que, em meados de 1643, quando pregava na cidade de Coutances, recebeu um dos maiores favores da sua vida, como ele mesmo declara, ao encontrar-se com Maria des Vallées, uma virgem favorecida por fama de santidade. Filha de pobres agricultores, atraía os olhares de todos quando tratavam com ela das coisas da religião. Inteligente, bela, recusou diversas propostas de casamento, pois escolhera a Jesus Cristo como seu único Esposo. Ela havia se oferecido como vítima expiatória pelos pecados do mundo.

Um dos seus pretendentes recorreu à bruxaria para fazê-la mudar de ideias, e lançou sobre a jovem um malefício obtido de uma bruxa. Imediatamente Maria des Vallées foi possuída pelo demónio. O príncipe das trevas teve assim poder sobre o seu corpo, mas não podia penetrar na sua vontade. Frades e bispos exorcizaram-na sem sucesso.

Maria des Vallées aceitou com docilidade o facto, submetendo-se resignadamente à vontade de Deus. Assim, mesmo no meio das piores crises provocadas pelo pai da mentira, ela não perdia a sua admirável calma e fé invencível. Nos momentos em que o demónio a deixava, ela rezava, trabalhava e fazia penitência pela conversão dos pecadores.

Apesar das crises e das tentações, ela passou por quase todos os fenômenos da vida mística, inclusive o da troca de vontades com o supremo Senhor do Céu e da Terra. Durante dois anos sofreu em espírito os suplícios do inferno, e durante doze participou dos tormentos de Cristo.

Culto aos Sagrados Corações de Jesus e Maria

São João Eudes ficou sumamente cativado pela virtude dessa mulher heróica. Escutava-a com admiração e respeito, recebia os seus conselhos com avidez, e seguia-os escrupulosamente. Durante 15 anos, Maria des Vallées ofereceu-lhe a sua preciosa ajuda e poderoso apoio, tornando-se por vezes para o santo uma divina conselheira e inspiradora.

Foi ela quem incentivou São João Eudes a fundar uma ordem religiosa destinada à formação do clero nos seminários, e uma congregação de religiosas cuja missão seria a regeneração das mulheres arrependidas: “O projecto é sumamente agradável a Deus, e foi o próprio Deus Quem o inspirou”, disse-lhe, depois de muito rezar.

Assim incentivado, São João Eudes desligou-se da Congregação do Oratório e dedicou-se às novas fundações. Compôs um ofício em honra do Sagrado Coração de Maria, e começou a propagar o culto aos Sagrados Corações. Note-se que a sua pregação da devoção ao Sagrado Coração de Jesus deu-se antes mesmo das revelações deste Coração divino a Santa Margarida Maria Alacoque.

Assim nasceram as Congregação de Jesus e Maria, ou dos Padres Eudistas, e a de Nossa Senhora da Caridade do Refúgio, ou Irmãs do Bom Pastor. O Instituto dos Padres Eudistas era secular, como o do Oratório, e tinha como fim principal a formação de sacerdotes zelosos, por meio de seminários e exercícios espirituais. Só após concluírem essa obra primordial, podiam seus membros pregar missões nas paróquias.

São João Eudes fundou também, para leigos que desejavam viver uma vida de perfeição, a Sociedade do Coração da Mãe Mais Admirável, que se assemelha às Ordens Terceiras de São Francisco e São Domingos, e dedicou as capelas dos seus seminários de Caen e Coutances aos Sagrados Corações. Neles estabeleceu confrarias em honra desses Sagrados Corações.

Persuadido de que não havia melhor modo de inspirar sólida piedade e de manter fervor durável do que a devoção aos Sagrados Corações, pregava por toda parte essa dupla devoção, que conhecia melhor do que ninguém. No fim das missões, ele estabelecia uma confraria, a do Santíssimo Coração de Maria.

São João Eudes fez celebrar a festa do Santíssimo Coração de Maria, pela primeira vez, em 1648. E mais tarde, em 1672, podia afirmar que essa comemoração se celebrava em toda a França. Nesse mesmo ano ele ordenou que, em todas as casas do seu Instituto, se celebrasse no dia 20 de Outubro a festa do Sagrado Coração de Jesus. O Ofício próprio e a Missa para essas solenidades foram compostos por ele, antecipando-se a Santa Margarida Maria no culto ao Sagrado Coração de Jesus. Com efeito, esta santa teve as suas revelações sobre o Sagrado Coração de Jesus em 1674, época na qual tal festa já se celebrava publicamente na família religiosa do Pe. Eudes, com os ofícios aprovados pelos bispos locais. Por isso, o Papa Leão XIII, ao proclamar em 1903 a heroicidade das suas virtudes, denominou-o “Autor do Culto Litúrgico do Sagrado Coração de Jesus e do Santo Coração de Maria”. 

São João Eudes pode ser considerado o doutor desses cultos, por ter exposto seu fundamento teológico, apresentado as fórmulas precisas de sua inovação, determinado o seu sentido prático e litúrgico, obtendo assim a aprovação da Hierarquia e os breves apostólicos destinados a propagar e perpetuar essa devoção.

Perseguido por inimigos internos

São João Eudes foi um inimigo declarado da heresia jansenista, essa espécie de protestantismo, que levava as pessoas a afastarem-se dos Sacramentos sob pretexto de indignidade. Os adeptos dessa heresia foram os que mais combateram as devoções pregadas pelo Santo. Se bem que não fosse partidário de disputas públicas e violentas, refutava esses inimigos disfarçados da Igreja, apoiando-se na doutrina tradicional católica e nas constituições pontifícias.

No ocaso de sua vida, São João Eudes teve que suportar muitas e pesadas cruzes, como enfermidades e lutos por amigos e benfeitores; murmurações e calúnias, não só da parte dos jansenistas, mas também de pessoas consagradas a Deus, que o acusavam de zelo indiscreto; manobras que visavam desacreditá-lo ante o Papa e o rei da França; e também a publicação de um libelo difamatório. Tudo isso perseguiu-o até o túmulo. 

Já no ano de 1680, tinha ele renunciado ao cargo de superior geral da sua congregação. Preparando-se com todos os tesouros espirituais que a Igreja possui para a última hora, rendeu o seu espírito no dia 19 de Agosto de 1680, aos 79 anos de idade.

Plinio Maria Solimeo in catolicismo.com.br

Obras utilizadas:

– Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo XV, pp. 542 e ss.
– Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madri, 1945, tomo III, pp. 381 e ss.
– Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1948, tomo IV, pp. 503 e ss.
– Charles Lebrun, Saint John Eudes, The Catholic Encyclopedia, tomo V, online edition,www.NewAdvent.org


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