segunda-feira, 31 de julho de 2017

Pe. Vasco Pinto Magalhães, brincando com o fogo

Numa entrevista à Agência Ecclesia, o Padre Jesuíta Vasco Pinto de Magalhães fala sobre o seu mais recente livro: 'O Mal e o Demónio'. Este breve texto não é uma recensão do livro, mas antes um comentário sobre alguns pontos da referida entrevista.

Nos seus Pequenos Poemas em Prosa, Baudelaire dá voz a um pregador que diz o seguinte:

“Meus caros irmãos, não esqueçais nunca, quando escuteis glorificar o progresso das luzes, que a maior artimanha do diabo é de vos persuadir que ele não existe!”

Esta artimanha é tão bem engendrada que atingiu mesmo sacerdotes e bispos…

Vejamos algumas das citações da entrevista, colocadas lado a lado com as palavras do Catecismo, de alguns Papas e do Evangelho.

Pe. Vasco: “O demónio não é uma entidade pessoal que entra. O demónio é uma desordem, uma força desordenadora”

Catecismo: “o Mal [na petição do Pai Nosso “mas livrai-nos do Mal”] não é uma abstracção, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus.” (§2851)

Papa Paulo VI: O mal não é apenas uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Terrível realidade. Misteriosa e pavorosa. Sai do quadro do ensino bíblico e eclesiástico quem se recusa a reconhecer a sua existência (…) ou quem a explica como uma pseudo-realidade, uma personificação conceptual e fantástica das causas desconhecidas das nossas desgraças. (Audiência Geral, 16 de Novembro de 1972)

Papa Francisco: “E pensar que nos queriam fazer crer que o diabo era um mito, uma figura, uma ideia do mal! Ao contrário, o diabo existe e nós devemos lutar contra ele. São Paulo recorda: é a palavra de Deus que no-lo diz! Mas parece que não estamos convencidos desta realidade”. (30 de Outubro de 2014)

Pe. Vasco: “Mas cada vez mais a Igreja sabe que é um problema psíquico.”

Pe. Gabriele Amorth: “Mas eu não faço exorcismo ao primeiro que passa! Antes vejo as fichas clínicas, os resultados de análises e as idas ao psiquiatra. Intervenho com as orações de libertação apenas quando a medicina não fez efeito”.

Catecismo: “O exorcismo tem por fim expulsar os demónios ou libertar do poder diabólico, e isto em virtude da autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja. Muito diferente é o caso das doenças, sobretudo psíquicas, cujo tratamento depende da ciência médica. Por isso, antes de se proceder ao exorcismo, é importante ter a certeza de que se trata duma presença diabólica e não duma doença.”

Pe. Vasco: “Os grandes exorcistas, no fundo, nunca encontraram verdadeiramente um espírito, encontraram uma espiritualidade perturbada que precisa de ser reorganizada pelo amor.” “Os exorcismos de Jesus Cristo foi curar psicopatologias.”

Evangelho: «“Mestre, eu trouxe-te o meu filho que está possesso de um espírito mudo, que, onde quer que se apodere dele, o lança por terra, e o menino espuma, range com os dentes, e fica rígido. Pedi aos Teus discípulos que o expulsassem e não puderam.”

Jesus respondeu-lhes: “Ó geração incrédula! Até quando hei-de estar convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-Mo cá”. Trouxeram-Lho. Tendo visto Jesus, imediatamente o espírito o agitou com violência e, caído por terra, revolvia-se espumando. Jesus perguntou ao pai dele: “Há quanto tempo lhe sucede isto?”. Ele respondeu: “Desde a infância. O demónio tem-no lançado muitas vezes ao fogo e à água, para o matar; porém Tu, se podes alguma coisa, ajuda-nos, tem compaixão de nós”. Jesus disse-lhe: “Se podes…! Tudo é possível a quem crê”. Imediatamente o pai do menino exclamou: “Eu creio! Auxilia a minha falta de fé”. Jesus, vendo aumentar a multidão, ameaçou o espírito imundo, dizendo-lhe: “Espírito mudo e surdo, Eu te mando, sai desse menino e não voltes a entrar nele!”. Então, dando gritos e agitando-se com violência, saiu dele, e o menino ficou como morto, tanto que muitos diziam: “Está morto”. Porém, Jesus, tomando-o pela mão, levantou-o, e ele pôs-se em pé. Depois de ter entrado em casa, os Seus discípulos perguntaram-Lhe em particular: “Porque o não pudemos nós expulsar?”. Respondeu-lhes: “Esta casta de demónios não se pode expulsar senão mediante a oração e jejum”. (Mc 9, 17-29)

Pe. Vasco: “O exorcismo não tira nada lá de dentro, o exorcismo comunica paz, equilíbrio, ordem, porque não há nada a tirar – um espírito não está dentro de outro espírito (…) O espírito não tem dentro nem fora. Portanto, é uma fantasia nossa para explicar um bocadinho essa realidade”

Evangelho, de novo: “Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai dele, e não entres mais nele.”

Evangelho, mais uma vez: “Para isto é que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo” (1Jo 3, 9)

Breve comentário

A posição do Pe. Vasco é de uma assustadora ingenuidade, de grande irresponsabilidade e com consequências devastadoras. Representa, na verdade, uma certa tendência teológica presente há muito na Igreja; assim, este artigo aproveita o pretexto desta entrevista, mas visa essa corrente ‘modernista’, que está convencida que a doutrina ‘evolui’, que passámos por uma idade das trevas na Igreja e agora vamos chegando à ‘idade das luzes’.

O Pe. Vasco, com a sua ‘hermenêutica’ muito pessoal, contradiz directamente as palavras de Cristo, a doutrina da Igreja e as palavras, reiteradas sucessivamente, do próprio Papa Francisco (bem como, naturalmente, a de todos os Papas anteriores).

Terminemos, lembrando as palavras do Papa São João Paulo II, pouco tempo antes de se tornar Papa:

“Hoje, estamos diante do maior combate a que a humanidade já assistiu. Não penso que a comunidade cristã o tenha compreendido totalmente. Hoje, estamos diante da luta final entre a Igreja e a Anti-Igreja, entre o Evangelho e o Anti-Evangelho”.

As palavras de um sacerdote que vai ser ouvido e lido devem ser pesadas e pensadas; a sua responsabilidade é a de subir acima de si mesmo e dos seus particulares pensamentos, para transmitir fielmente a doutrina da Igreja. Aos crentes enquanto tal não lhes interessa saber as opiniões pessoais, as ‘hermenêuticas’ superficiais de um sacerdote. Aos crentes, enquanto tal, interessa-lhes ouvir a doutrina de forma corajosa e clara, sobretudo num tempo que a Irmã Lúcia recorrentemente caracterizava, justamente, como de “desorientação diabólica”.

Um interessante extratexto

O grande exorcista do Vaticano, Padre Gabriele Amorth, revela-nos que a “invocação de João Paulo II tem um efeito devastador sobre o diabo” e diz ainda que “Satanás teme muitíssimo Bento XVI; as suas missas, as suas bênçãos, as suas palavras são como poderosos exorcismos”.

Pedro Sinde in Academia.edu (23 de julho de 2017) via 'odogmadafe.wordpress.com'

Eis o vídeo da entrevista em causa: Padre Vasco Pinto de Magalhães fala do Demónio


blogger

sábado, 29 de julho de 2017

Maria ganhou por humildade o que Lúcifer perdeu por orgulho

"O que Lúcifer perdeu por orgulho, ganhou-o Maria pela sua humildade; o que Eva condenou e perdeu pela desobediência, salvou-o Maria obedecendo. Eva, ao obedecer à serpente, perdeu consigo todos os seus filhos e entregou-os ao demónio. Maria, tendo sido perfeitamente fiel a Deus, salvou juntamente consigo todos os Seus filhos e servos, e consagrou-os à Divina Majestade." 

São Luís Maria Grignion de Monfort


blogger

Recomendações da Sagrada Escritura sobre a amizade

Palavras amáveis multiplicam os amigos, a linguagem afável atrai muitas respostas agradáveis.
Procura estar de bem com muitos, mas escolhe para conselheiro um entre mil.
Se queres ter um amigo, põe-no primeiro à prova, não confies nele muito depressa.
Com efeito, há amigos de ocasião, que não são fiéis no dia da tribulação.

Há amigo que se torna inimigo, que desvendará as tuas fraquezas, para tua vergonha.
Há amigo que só o é para a mesa, e que deixará de o ser no dia da desgraça;
na tua prosperidade mostra-se igual a ti, dirigindo-se com à vontade aos teus servos;
mas, se te colhe o infortúnio, volta-se contra ti, e oculta-se da tua presença.
Afasta-te daqueles que são teus inimigos, e está alerta com os teus amigos.

Um amigo fiel é uma poderosa protecção; quem o encontrou, descobriu um tesouro.
Nada se pode comparar a um amigo fiel, e nada se iguala ao seu valor.
Um amigo fiel é um bálsamo de vida; os que temem o Senhor acharão tal amigo.
O que teme o Senhor terá também boas amizades, porque o seu amigo será semelhante a ele.

in Livro de Eclesiástico 6,5-17


blogger

sexta-feira, 28 de julho de 2017

15 conselhos de Madre Teresa para alcançar a humildade

Estes 15 conselhos foram dados por Madre Teresa de Calcutá às Irmãs da Caridade:

1. Falar de si tão pouco quanto for possível.

2. Ocupar-se dos seus próprios assuntos.

3. Evitar a ociosidade.

4. Não querer resolver os assuntos dos outros.

5. Aceitar as contradições com bom humor.

6. Passar por alto as falhas dos outros.

7. Aceitar a censura mesmo quando se está inocente.

8. Ceder à vontade dos outros.

9. Aceitar insultos e injúrias.

10. Aceitar ser desconsiderado, esquecido e desprezado.

11. Ser gentil e amável mesmo quando nos provocam.

12. Não procurar ser admirado e amado.

13. Não se escudar atrás da própria dignidade.

14. Ceder nas discussões mesmo quando se tem razão.

15. Escolher sempre o mais difícil


blogger

Santuário de Nossa Senhora da Peneda (Arcos de Valdevez)

No distrito de Viana do Castelo, existe um recôndito lugar onde foi erecto um dos mais importantes e concorridos santuários do Norte de Portugal, sob a invocação de Nossa Senhora da Peneda. Ter-se-á verificado uma aparição da Virgem, em 5 de Agosto de 1220, a uma pequena pastora. Uns séculos antes, por volta dos anos 716 ou 717 os cristãos, fugidos ante a invasão dos sarracenos, terão deixado uma imagem entre as enormes fragas da Serra da Peneda.

Implantada uma ermida no século XIII, o culto de Nossa Senhora da Peneda aumentou gradualmente em Portugal e na Galiza (Espanha), afluindo largos milhares de romeiros ao longo do ano, mas muito especialmente na primeira semana de Setembro.

O Templo enquadra-se harmoniosamente em majestoso trecho da serrania, tendo ao longo do pictórico vale vinte capelas onde se evocam as cenas bíblicas de major intensidade, precedida de um átrio com as imagens do quatro evangelistas. Culmina, este invulgar santuário, por um condigno pórtico e escadaria com patamar onde se ergue imponente coluna encimada pele imagem de S. Miguel Arcanjo.

Foi nos últimos três séculos que o Santuário beneficiou de maior impulso, sob os pontos de vista espiritual e materialmente.  A igreja foi terminada em 1875.

Texto original de Antonio Afonso Do Paço



blogger

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Uma cruz feita com instrumentos de abortistas convertidos

Na Hungria foi feita uma cruz bastante simbólica. Trata-se de uma cruz constituída por instrumentos usados para realizar milhares e milhares de abortos. Esses objectos pertenciam a médicos abortistas que entretanto se converteram, e agora lutam pelo fim do aborto e pelo direito à vida dos bebés na barriga das suas Mães.


blogger

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Beata Ana Catarina Emmerich sobre rezar em latim

Não posso fazer uso das orações da Igreja traduzidas para o alemão. Elas são para mim demasiado insípidas e demasiado molestas. Na oração não estou vinculada a qualquer língua e, ao longo da minha vida, as orações da Igreja em latim sempre me pareceram muito mais profundas e mais inteligíveis. 

No convento, sempre me alegrei antecipadamente quando tínhamos de cantar hinos e responsórios em latim. A festa (litúrgica) tornava-se ainda mais presente para mim e via tudo o que cantava. Especialmente quando cantávamos em latim a ladainha da Santíssima Virgem, tinha uma visão maravilhosa de todas as figuras simbólicas de Maria. Era como se as minhas palavras invocassem essas imagens. No início tinha algum medo, mas depois foi para mim uma graça e fervor que incentivaram bastante a minha devoção. Tenho visto as cenas mais admiráveis.

K. E. Schmoeger in Vie d’Anne-Catherine Emmerich, vol. 1, Pierre Tequi, Paris 1950, 258


blogger

Papa Francisco e a importância das Avós na transmissão da Fé

Tive a graça de crescer no seio de uma família na qual a fé era ensinada de uma forma simples e concreta, mas foi sobretudo a minha avó, a mãe do meu pai, que marcou o meu caminho de fé. Era uma mulher que nos explicava, que nos falava de Jesus, que nos ensinava o catecismo. 

Lembro-me sempre de que na Sexta-Feira Santa nos levava à noite à procissão das velas, que no fim da procissão chegava o “Cristo jacente” e que a avó nos mandava, a nós crianças, ajoelhar e dizia: “Olhem, está morto, mas amanhã ressuscita”. 

Recebi o primeiro anúncio cristão justamente desta mulher, a minha avó! Isto é lindíssimo. O primeiro anúncio em casa, com a família! E isto leva-me a pensar no amor de tantas mães e de tantas avós na transmissão da fé. São elas que transmitem a fé. Isto acontecia também nos primeiros tempos, porque São Paulo dizia a Timóteo: “Eu recordo a fé da tua mãe e da tua avó” (cfr. 2Tm, 1,5). 

Pensai nisto todas as mães que estão aqui, todas as avós. Transmitir a fé. Porque Deus nos coloca junto das pessoas que auxiliam o nosso caminho de fé. Não encontramos a fé no abstracto, não! Há sempre alguma pessoa que prega, que nos diz quem é Jesus, que nos transmite a fé, que nos dá o primeiro anúncio. E foi esta a primeira experiência de fé que tive.

Papa Francisco - Praça de São Pedro, 18 de Maio de 2013 


blogger

Freira a alta velocidade no caminho de Santiago



blogger

terça-feira, 25 de julho de 2017

11 relíquias de Nosso Senhor Jesus Cristo

1) Fragmentos da Verdadeira Cruz
 
Há fragmentos da Verdadeira Cruz em várias igrejas espalhadas pelo mundo. Os fragmentos na foto acima estão na Fazenda Imperial, em Viena, Áustria.

2) Prego Sagrado

Este é um dos pregos usados na crucificação de Jesus. É mantido na Catedral de Bamberg, Alemanha.

3) O Santo Cálice

Acredita-se que este foi o cálice utilizado por Cristo na Última Ceia para instituir a Eucaristia. Encontra-se na catedral de Valência, Espanha.

4) Túnica de Jesus

Esta é a túnica de Cristo sobre a qual os soldados deitaram sortes durante a crucificação. É mantida na Catedral de Trier, Alemanha.

5) A lança sagrada

Esta é a lança que perfurou o peito de Cristo quando Ele estava na cruz. Está guardada no Tesouro Imperial, em Viena, Áustria.

6) Os presentes dos Reis Magos

Ouro, incenso e mirra. São mantidos no mosteiro de São Paulo, no Monte Athos, Grécia.

7) A Coroa de espinhos

Jesus usou-a durante a Sua paixão e crucificação. Está na catedral de Notre Dame, em Paris, França.

8) A Coluna da Flagelação

Jesus foi amarrado a esta coluna quando foi açoitado pelos soldados romanos. Encontra-se na Basílica de Santa Praxedes, em Roma, Itália.

9) Um frasco do preciosíssimo Sangue de Jesus

Está na Basílica do Sangue Sagrado em Bruges, Bélgica.

10) O Título da Cruz

Esta é o sinal que pendia sobre Jesus na cruz, mandado afixar por Pôncio Pilatos, dizendo "Jesus Nazareno Rei dos Judeus". Está na Basílica da Santa Cruz de Jerusalém, em Roma, Itália.
11) O Sudário de Turim ou Santo Sudário
Acredita-se que seja o tecido que cobriu o corpo de Jesus Cristo no sepulcro. É mantido na Catedral de São João Baptista em Turim, Itália.

in ChurchPOP


blogger

O valor da Missa




blogger

segunda-feira, 24 de julho de 2017

A interpretação do Concílio Vaticano II e a sua relação com a actual crise da Igreja - D. Athanasius Schneider

A situação actual da inaudita crise da Igreja é comparável com aquela geral no século IV, onde o arianismo contaminou a esmagadora maioria do episcopado e foi reinante na vida da Igreja. Devemos procurar ver esta situação actual, por um lado, com realismo e, por outro, com o espírito sobrenatural, com um profundo amor para com a Igreja, que é nossa mãe, e que está sofrendo a paixão de Cristo por meio dessa tremenda e geral confusão doutrinal, litúrgica e pastoral.

Devemos renovar a nossa Fé de que a Igreja está nas mãos seguras de Cristo e que Ele sempre intervirá para renová-la nos momentos em que a barca da Igreja parece naufragar, como é o caso óbvio em nossos dias. 

Quanto à atitude diante do Concílio Vaticano II, devemos evitar os dois extremos: uma rejeição completa (como o fazem os sedevacantistas e uma parte da FSSPX) ou uma “infalibilização” de tudo o que o Concílio falou.

O Concílio Vaticano II foi uma legítima assembleia presidida pelos Papas e devemos manter para com este concílio uma atitude de respeito. Contudo, isso não significa que não podemos exprimir dúvidas bem argumentadas e respeitosas propostas de melhoria, apoiando-se na Tradição integral da Igreja e no Magistério constante.

Pronunciamentos doutrinais tradicionais e constantes do Magistério durante um plurissecular período têm a precedência e constituem um critério de verificação acerca da exatidão de pronunciamentos magisteriais posteriores. Os pronunciamentos novos do Magistério devem, em si, ser mais exactos e mais claros, nunca, porém, ambíguos e aparentemente contrastantes com anteriores pronunciamentos constantes magisteriais.

Aqueles pronunciamentos do Vaticano II que são ambíguos devem ser lidos e interpretados segundo os pronunciamentos da inteira Tradição e do Magistério constante da Igreja.

Na dúvida, os pronunciamentos do Magistério constante (os concílios anteriores e os documentos de Papas, cujo conteúdo demonstrava ser uma tradição segura e repetida durante séculos no mesmo sentido) prevalecem sobre aqueles pronunciamentos objectivamente ambíguos ou novos do Concílio Vaticano II, os quais, objectivamente, dificilmente concordam com específicos pronunciamentos do Magistério anterior e constante (por exemplo, o dever do Estado de venerar publicamente Cristo, Rei de todas as sociedades humanas; o verdadeiro sentido da colegialidade episcopal frente ao primado petrino e ao governo universal da Igreja; a nocividade de todas as religiões não-católicas e o perigo que elas constituem para a salvação eternas das almas).

O Vaticano II deve ser visto e aceito tal como ele quis ser e como realmente foi: um concílio primeiramente pastoral, isto é, um concílio que não teve a intenção de propor doutrinas novas ou propô-las numa forma definitiva. Na maioria dos seus pronunciamentos, o Concílio confirmou a doutrina tradicional e constante da Igreja.

Alguns dos novos pronunciamentos do Vaticano II (por exemplo, colegialidade, liberdade religiosa, diálogo ecuménico e inter-religioso, atitude para com o mundo) não são definitivos e por eles, aparentemente ou em realidade, não concordarem com os pronunciamentos tradicionais e constantes do Magistério, devem ser ainda completados com explicações mais exactas e com suplementos mais precisos de carácter doutrinal. Uma aplicação cega do princípio da “hermenêutica da continuidade” também não ajuda, pois se criam com isso interpretações forçadas, que não convencem e que não ajudam para chegar ao conhecimento mais claro das verdades imutáveis da Fé Católica e da sua aplicação concreta.

Houve casos na história onde expressões não definitivas de alguns concílios foram, mais tarde, graças a um debate teológico sereno, precisadas ou tacitamente corrigidas (por exemplo, os pronunciamentos do Concílio de Florença acerca da matéria do sacramento da ordenação, isto é, que a matéria fosse a entrega dos instrumentos, mas a tradição mais segura e constante dizia que era suficiente a imposição das mãos do bispo, o que Pio XII em 1947 confirmou). Se depois do concílio de Florença os teólogos tivessem aplicado cegamente o princípio da “hermenêutica da continuidade” a este pronunciamento específico do Concílio de Florença (um pronunciamento objetivamente errôneo), defendendo a tese que a entrega dos instrumentos como matéria do sacramento da ordem fosse uma expressão do Magistério constante da Igreja, provavelmente não se teria chegado ao consenso geral dos teólogos sobre a verdade que diz que somente a imposição das mãos do bispo constituiria propriamente a matéria do sacramento da ordem.

Deve-se criar na Igreja um clima sereno de discussão doutrinal acerca daqueles pronunciamentos do Vaticano II que são ambíguos ou que criaram interpretações erróneas. Não há nada de escandaloso nisso, pelo contrário, será uma contribuiçao para guardar e explicar na maneira mais segura e integral o depósito da Fé imutável da Igreja.

Não se deve destacar demais um determinado concílio, absolutizando-o ou equiparando-o de facto, à Palavra de Deus oral (Tradição Sagrada) ou escrita (Sagrada Escritura). O Vaticano II mesmo disse, justamente (cf. Dei Verbum, 10), que o Magistério (Papas, Concílios, magistério ordinário e universal) não estão acima da Palavra de Deus, mas sob ela, submisso a ela, e somente ministro dela (da Palavra de Deus oral = Sagrada Tradição e da Palavra de Deus escrita = Sagrada Escritura).

Do ponto de vista objectivo, os pronunciamentos do Magistério (Papas e concílios) de carácter definitivo têm mais valor e mais peso frente aos pronunciamentos de carácter pastoral, os quais são, por natureza, mutáveis e temporários, dependentes de circunstâncias históricas ou respondendo às situações pastorais de um determinado tempo, como é o caso com a maior parte dos pronunciamentos do Vaticano II.

O próprio contributo valioso e original do Concílio Vaticano II consiste no chamado universal de todos os membros da Igreja à santidade (cap. 5 da Lumen gentium), na doutrina sobre o papel central de Nossa Senhora na vida da Igreja (cap. 8 da Lumen gentium), na importância dos fiéis leigos em conservarem, defenderem e promoverem a Fé Católica e que eles devem evangelizar e santificar as realidades temporárias segundo o perene sentido da Igreja (cap. 4 da Lumen gentium), no primado da adoração de Deus na vida da Igreja e na celebração da liturgia (Sacrosanctum Concilium, nn. 2; 5-10). O resto se podia até um certo ponto considerar secundário, temporário e talvez no futuro mesmo esquecível, como foi o caso com os pronunciamentos não definitivos, pastorais e disciplinais de diversos concílios ecumênicos no passado.

Os quatro assuntos seguintes: Nossa Senhora, santificação da vida pessoal, defesa da Fé com a santificação do mundo segundo o espírito perene da Igreja e o primado da adoração de Deus são os tópicos mais urgentes a serem vividos e aplicados hoje em dia. Nisso, o Vaticano II tem um papel profético, o que, infelizmente, não está ainda realizado de modo satisfatório. Em vez de viver e de aplicar estes quatro aspectos, uma considerável parte da “nomenklatura” teológica e administrativa na vida da Igreja, há meio século, promoveu e está ainda promovendo assuntos doutrinários, pastorais e litúrgicos ambíguos, deturpando, assim, a intenção originária do Concílio ou abusando dos seus pronunciamentos doutrinários menos claros ou ambíguos a fim de criar uma outra Igreja de tipo relativista ou protestante. Estamos vivenciando o auge desse desenvolvimento em nossos dias.

O problema da actual crise da Igreja consiste, em parte, no facto de que se infalibizaram aqueles pronunciamentos do Vaticano II que são objectivamente ambíguos, ou aqueles poucos pronunciamentos dificilmente concordantes com a tradição magisterial constante da Igreja. Dessa forma, impediu-se um sadio debate e uma necessária correcção, implícita ou tácita, dando, ao mesmo tempo, o incentivo para criar afirmações teológicas contrastantes com a tradição perene (por exemplo, no que diz respeito à nova teoria de um assim chamado duplo sujeito ordinário supremo do governo da Igreja, ou seja, o Papa sozinho e todo o colégio episcopal junto com o Papa; ou a doutrina da assim chamada neutralidade do Estado frente ao culto público que ele deve prestar ao Deus verdadeiro, que é Jesus Cristo, Rei também de cada sociedade humana e política; a relativização da verdade que a Igreja Católica é o único caminho da salvação querido e ordenado por Deus).

Devemos nos libertar das algemas da absolutização e da infalibilização total do Vaticano II e pedir que haja um clima de debate sereno e respeitoso, por amor sincero à Igreja e à sua Fé imutável.

Uma indicação positiva nesse sentido podemos ver no facto de que, em 2 de Agosto 2012, o Papa Bento XVI escreveu um prefácio ao volume relativo ao Concílio Vaticano II na edição da sua Opera omnia. Neste prefácio, Bento XVI exprime suas reservas quanto a um conteúdo específico dos documentos Gaudium et spes e Nostra aetate. Do teor dessas palavras de Bento XVI se vê que alguns defeitos pontuais em algumas passagens do Vaticano II não são remediáveis pela “hermenêutica da continuidade”.

Uma Fraternidade Sacerdotal de São Pio X canónica e plenamente integrada na vida da Igreja poderia também dar um válido contributo nesse debate, como também o desejou o Arcebispo Marcel Lefebvre. A presença plenamente canónica da FSSPX na vida da Igreja de hoje poderia também ajudar a criar um tal clima geral de um debate construtivo na Igreja, para que aquilo que foi crido sempre, em toda a parte e por todos os católicos durante dois mil anos, seja crido mais clara e de modo mais seguro também em nossos dias, realizando, assim, a verdadeira intenção pastoral dos Padres do Concílio Vaticano II.

A autêntica intenção pastoral visa a salvação eterna das almas, a qual se dá somente pelo anúncio de toda a vontade Divina (cf. At 20, 7). Uma ambiguidade na doutrina da fé e na sua aplicação concreta (na liturgia e na pastoral) ameaçaria a salvação eterna das almas e seria, por conseguinte, anti-pastoral, já que o anúncio da clareza e da integridade da Fé Católica e da sua fiel aplicação concreta é vontade explícita de Deus. Somente a obediência perfeita a esta vontade de Deus que, por Cristo, o Verbo Encarnado, e pelos Apóstolos nos revelou a verdadeira Fé, a Fé interpretada e praticada constantemente no mesmo sentido pelo Magistério da Igreja, traz a salvação das almas.
  
+ Dom Athanasius Schneider,

Bispo auxiliar da arquidiocese de Maria Santíssima em Astana, Cazaquistão


blogger

domingo, 23 de julho de 2017

Missa Tradicional na igreja do Santíssimo Milagre em Santarém

No séc. XIII em Santarém (Portugal) uma senhora foi convencida por uma bruxa a roubar uma Hóstia consagrada, de modo a resolver os seus problemas conjugais. A mulher assim o fez, embrulhando a Sagrada Partícula num lenço e dirigindo-se apressadamente para casa. Entretanto do lenço começou a escorrer sangue abundantemente, de tal maneira que chegada a casa encerrou dentro de uma arca o lenço com a Hóstia. 

Nessa noite, o casal acordou com a casa repleta de luz, que vinha dessa arca. A mulher confessou ao marido o que tinha feito e passaram os dois o resto da noite, de joelhos, em adoração junto à arca. A Hóstia milagrosa encontra-se na igreja paroquial de Santo Estevão, também conhecida por igreja do Santíssimo Milagre.


blogger

sábado, 22 de julho de 2017

D. Athanasius conta episódio sobre um Bispo que viveu na clandestinidade



blogger

Conselhos de São João Crisóstomo aos Esposos

Nunca chameis por ela duma maneira seca, mas empregai, pelo contrário, palavras de veneração, ternas. Palavras de amor. Honrai-a, e o pensamento de procurar as homenagens de outros não aparecerá, pois não terá a ideia de ir mendigar fora a afeição que encontrará em vós. Colocai-a acima de tudo na beleza, e na sabedoria e dai-lhe testemunho disso. Introduzi-a no amor de Deus e a vossa casa transbordará de bens.

A tua mulher terá bens pessoais e dirá: ‘Quando comprei isto não gastei nada do que te pertence, gastei só dos meus próprios recursos’. O quê? Depois do casamento, já não sois dois! Sois um só e pensais que há ainda duas propriedades distintas? É lamentável! Depois do casamento não formais senão um só ser, uma só vida. Por que dizeis: o teu, o meu? Esta palavra abominável e degradante é uma invenção diabólica. O criador fez um bem comum de coisas seguramente necessárias. Ninguém pode dizer: o meu sol, a minha luz, a minha água. E vós dizeis: os meus bens? Eis um vício que é preciso combater acima de tudo. Mas é preciso fazê-lo com muita delicadeza.

Queres que a tua mulher seja submissa como a Igreja o é a Cristo? Tem para com ela a solicitude de Cristo pela sua Igreja. Em rigor, pode dominar-se um servo pelo medo. Mas a companheira da tua vida, a mãe dos teus filhos, a causa da tua felicidade e da tua alegria, não a podes encadear pelo medo e pelas ameaças. Deves prendê-la pelo amor e pela delicadeza. Que união pode existir quando a mulher treme diante do seu marido? Que alegria pode ter o marido quando trata a mulher como uma escrava? Mesmo se sofreste um pouco por ela, não lhe atires isso à cara. Cristo fez muito mais pela sua Igreja.

Mostra-lhe a felicidade que tens em viver na sua companhia e que preferes a vida de casa à da cidade. Ela ocupa um lugar antes dos amigos e antes dos filhos que te deu: faz-lhe compreender que é por causa dela que tu os amas. Quando ela fizer qualquer coisa de bem, felicita-a, e admira o seu talento. Se faz qualquer tolice, não a censures por isso. Fazei a vossa oração em comum. Aprendei a nada temer neste mundo, senão a ofensa a Deus. Se um homem se casa com este espírito, então o matrimónio está muito próximo da perfeição”.

adaptado de: ChurchPop


blogger

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Vive em paz quem não procura agradar aos homens nem teme desagradar-lhes

Filho, não te aflijas se alguém fizer de ti mau conceito ou disser coisas que não gostas de ouvir. Pior ainda deves julgar de ti mesmo, e avaliar-te o mais imperfeito de todos. Se praticares a vida interior, pouco te importarás de palavras que voam. 

É grande prudência calar-se nas horas da tribulação, volver-se interiormente a mim, e não se perturbar com os juízos humanos. Não faças depender a tua paz da boca dos homens; porque, quer julguem bem, quer mal de ti, não serás por isso homem diferente. 

Onde está a verdadeira paz e a glória verdadeira? Porventura não está em mim? Quem não procura agradar aos homens, nem teme desagradar-lhes, esse gozará grande paz. É do amor desordenado e do vão temor que nascem o desassossego do coração e a distracção dos sentidos. 

in Imitação de Cristo, Livro II, Capítulo 28


blogger

quinta-feira, 20 de julho de 2017

O caso dos "abusos" no coro dirigido pelo irmão do Papa Bento XVI

Chegou aos meios de comunicação social mais uma notícia “bombástica”. Ao longo deste texto procurarei demonstrar como é que tudo foi bem montado para, mais uma vez, fazer passar a ideia (falsa) que o Papa Bento XVI esteve, de alguma maneira, relacionado com casos de pedofilia.

O advogado alemão Ulrich Weber apresentou um relatório no qual defende que 547 rapazes (não se sabe de que idades), terão sofrido agressões físicas e, alguns deles, também sexuais, entre os anos 1945 e 1992. Segundo esse advogado, escolhido pela igreja alemã como independente para conduzir esta investigação, terão existido 500 casos de agressão física e 67 de abusos sexuais. Tudo se terá passado no coro Domspatzen, em Ratisbona, e na escola que lhe estava adjunta. 

O nome Ratzinger

O nome Ratzinger tem muita força, tal o ódio que os meios de comunicação social sempre tiveram para com o Papa Bento, que começou muito antes de ser Papa. Esta notícia consegue o feito de envolver o nome Ratzinger e “pedofilia” no mesmo texto, o que vale muitos pontos para qualquer jornalista dos nossos tempos. Mas o Papa Bento fez alguma coisa? Não. O seu nome aparece por causa do seu irmão, o Padre Georg Ratzinger, que dirigiu o coro de 1964 a 1994. Há provas que Georg Ratzinger tenha estado envolvido em qualquer abuso? Não, mas é irmão do Papa Bento por isso deve ser culpado. E o Papa Bento também é culpado da culpa que o irmão tem por ser seu irmão. Conclusão: Ratzinger é “pedófilo”! Algumas notícias apresentam a fotografia do Papa Bento, em 2006, com o coro de Ratisbona, para ficar bem claro que a culpa é dele.

O título da notícia

Na esmagadora maioria dos casos, o título apresenta o termo “abusos”, associado a um sacerdote, Georg Raztinger, ou a um Papa Joseph Ratzinger. Quando se diz que 550 crianças sofreram abusos as pessoas imaginam  imediatamente 550 crianças a serem violadas por sacerdotes, que é algo completamente escabroso. Mas na realidade a grande maioria dos actos foram de violência física e não de abusos sexuais. Mas explicar que a grande maioria dos actos foram de violência física não ajuda a cimentar a ideia de que todos os padres são pedófilos; ideia que tem sido espalhado com sucesso pelos ‘media’ e pela indústria cinematográfica. Usando a palavra “abusos” e sabendo que a grande parte das pessoas nunca vai ler o texto mas simplesmente o título, fica mais uma vez confirmado que a Igreja é uma cambada de pedófilos.

Violência física

Grande parte das 500 agressões físicas referem-se a bofetadas, ou castigo semelhante. Hoje em dia dar uma bofetada a um aluno dá direito a uma campanha difamatória nas redes sociais, ameaças físicas por parte dos familiares do estudante e talvez até dê direito a prisão. Mas entre 1945 e 1992 não era assim. As bofetadas eram bastante frequentes para os mal-comportados, tanto em casa como na escola. Não vou entrar nessa discussão, mas serve isto para explicar o contexto em que tudo terá acontecido.

Terão existido também agressões mais graves, mas não se sabe concretamente quais nem em que circunstâncias. Algumas das testemunhas falam de “clima de terror” no colégio interno, mas teríamos de ter acesso ao relatório para perceber ao que se referiam concretamente.

Abusos sexuais

A maioria dos abusos sexuais terão ocorrido nos anos 60 e 70, as décadas do “amor livre”. Muitas pessoas deixaram-se levar por essa ideia utópica de que seria bom satisfazer todos os desejos e ceder a todas as tentações, e foram cometidos actos monstruosos, especialmente no campo da moral sexual. Os sacerdotes não foram excepção. Muitos deixaram a sua condição sacerdotal para ir gozar os prazeres da carne. Alguns continuaram como sacerdotes mas aproveitaram a sua condição para abusar de menores, quase sempre rapazes adolescentes. Cada abuso destes foi um acto hediondo, uma ofensa gravíssima a Deus e uma traição a essas pessoas que em vez de terem diante de si um Pai passaram a ter um predador. 

Neste caso de Ratisbona terão existido 67 casos de abuso sexual. Todos são de uma grande gravidade, mas há actos mais graves do que outros, por exemplo um abuso com palavras é menos grave do que uma violação. No relatório talvez estejam discriminados, mas nas notícias não apareceram esses dados. 

Quem agrediu e quem abusou?

O relatório acusa 49 pessoas, das quais 40 por agressões físicas e 9 por abusos sexuais. As notícias falam de “49 membros da Igreja acusados”. A expressão “membros da Igreja” é dúbia e faz com que as pessoas pensem em sacerdotes. Mas foram acusados sacerdotes e também professores. Aliás, uma das vítimas de abusos sexuais diz que foi o professor que o obrigou a ver filmes pornográficos, e não refere qualquer sacerdote. Seria importante saber quantos dos 9 acusados de abusos sexuais eram sacerdotes e quantos leigos. É verdade que era uma instituição católica, por isso a responsabilidade é sempre da Igreja, mas não é a mesma coisa quem um abuso sexual seja feito por um sacerdote ou um leigo.  

Julgamento

Não existirá julgamento porque os crimes estão todos prescritos. As agressões e abusos tiveram lugar há largas décadas, por isso não é possível conduzir um processo em tribunal. No entanto a Igreja alemã, consciente da sua responsabilidade, patrocinou esta investigação e vai pagar voluntariamente entre 5 mil e 20 mil euros a cada uma das vítimas.

'Timing'

O momento em que este relatório se tornou público é curioso, pois foi exactamente quando todos falavam sobre a mensagem enviada pelo Papa Bento para ser lida nas exéquias do Cardeal Meisner. Nessa mensagem, o Papa Bento elogiou o Cardeal Meisner, um dos 4 Cardeais dos Dubia, dizendo: “aquilo que mais me impressionou foi que, no período final da sua vida, aprendeu a deixar-se estar e a viver cada vez mais na crença de que o Senhor não abandona a sua Igreja, mesmo quando a barca está tão inundada que quase se afunda.”

João Silveira


blogger

D. Athanasius Schneider na Loca do Anjo

D. Athanasius Schneider passou um longo tempo em oração na Loca do Anjo. A Loca do Anjo, também conhecida por Loca do Cabeço, foi o local onde os Pastorinhos de Fátima tiveram a primeira e terceira aparições do Anjo. Foi nesse local que o Anjo alertou os Pastorinhos para os ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que o Santíssimo Sacramento é tratado pelos homens ingratos. 

D. Athanasius é um dos maiores defensores da comunhão de joelhos e na boca. Já escreveu vários livros nos quais demonstra que a comunhão na mão, tal como acontece hoje em dia nas nossas igrejas, nunca existiu na Igreja Católica e foi introduzida por protestantes, que não acreditam na Presença Real de Nosso Senhor na Eucaristia. A comunhão na mão diminui a reverência e aumenta exponencialmente a possibilidade de roubos de Hóstias e queda de fragmentos no chão, que são graves ofensas a Deus.



blogger

A maldita sodomia

A maldita sodomia sempre foi detestada por todos os que vivem de acordo com Deus. Nenhum pecado no mundo prende tanto a alma. Agitada por uma ânsia insaciável de prazer, a pessoa não obedece à razão, e sim ao delírio, pois a paixão desviada é próxima à loucura. 

Esse vício transtorna o intelecto, destrói a elevação e generosidade da alma, rebaixa a mente dos grandes pensamentos para os mais baixos, torna a pessoa preguiçosa, irascível, obstinada e endurecida, servil e relaxada, incapaz de qualquer coisa. 

Os seus adeptos tornam-se cegos, e enquanto os seus pensamentos deveriam elevar-se para coisas altas e grandes, são despedaçados e reduzidos a coisas vis, inúteis e pútridas, que nunca podem torná-los felizes. 

Da mesma forma que as pessoas virtuosas participam na glória de Deus em diversos graus, também no inferno alguns sofrem mais que outros. Quem viveu com esse vício da sodomia sofre mais do que os outros, pois este é o maior pecado.

São Bernardino de Siena (monge franciscano) in 'Le Prediche Volgari'. Edit. Rizzoli, Milão, 1936. Sermão XXXIX, p. 869, ff. 915.


blogger

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Entrevista a D. Athanasius Schneider em Portugal

A vaticanista Aura Miguel, da Rádio Renascença, conduziu uma entrevista bastante completa a D. Athanasius Schneider. Vale a pena ouvir do princípio ao fim.


blogger

terça-feira, 18 de julho de 2017

Mensagem de Bento XVI aquando do funeral do Cardeal Meisner

Apresentamos aqui a mensagem de Bento XVI, lida pelo seu secretário, o Arcebispo Georg Gänswein, aquando do funeral do Cardeal Meisner, um dos autores dos dubia.
Neste momento, em que a Igreja de Colónia e os fiéis mais distantes se despedem do Cardeal Joachim Meisner, estou junto deles no meu coração e nos meus pensamentos e tenho a satisfação de atender ao desejo do Cardeal Woelki e dirigir-lhes umas palavras de reflexão.

Quando, na quarta-feira passada, fui informado, por telefone, da morte do Cardeal Meisner, a princípio, não consegui acreditar. Tinhamos conversado no dia anterior. Pela maneira de falar, ele estava grato por agora estar a descansar, depois de ter participado, no domingo anterior (25 de junho), na beatificação do bispo Teofilius Maturlionis, em Vilnius. O seu amor pelas Igrejas vizinhas do Oriente, que sofreram perseguição sob o Comunismo, bem como a gratidão pela resistência no sofrimento durante esse tempo deixaram uma marca indelével no Cardeal. Portanto, certamente não foi por acaso que a última visita da sua vida foi a um confessor da fé.O que me tocou particularmente nas últimas conversas com o Cardeal, agora de volta à casa do Pai, foi a sua alegria natural, a sua paz interior e a tranquilidade que havia encontrado. Sabemos que foi difícil para ele, um apaixonado pastor de almas, deixar o seu cargo, e isso no preciso momento em que a Igreja tinha uma necessidade urgente de pastores que se opusessem à ditadura do zeitgeist, totalmente decididos a agir e pensar da perspectiva da fé. No entanto, aquilo que mais me impressionou foi que, no período final da sua vida, aprendeu a deixar-se estar e a viver cada vez mais na crença de que o Senhor não abandona a sua Igreja, mesmo quando a barca está tão inundada que quase se afunda.

Havia duas coisas que neste período final lhe permitiam ficar cada vez mais feliz e tranquilo:

– A primeira foi aquilo que ele muitas vezes me contava que o enchia de profunda alegria, que era experimentar, no Sacramento da Penitência, como os mais jovens, acima de tudo os jovens rapazes, passaram a experimentar a misericórdia do perdão, o dom de, em efeito, descobrir a vida que só Deus pode lhes dar.

– A segunda, que sempre o comovia e deixava feliz, foi o aumento perceptível da adoração Eucarística. Para ele esse foi o tema central das Jornadas Mundiais da Juventude em Colónia – o facto de que havia Adoração, um silêncio, em que o Senhor sozinho fala aos corações. Algumas autoridades pastorais e litúrgicas consideravam que não seria possível conseguir esse silêncio na contemplação do Senhor com um número tão grande de pessoas. Alguns também pensavam que a adoração Eucarística, como tal, tinha sido ultrapassada, porque o Senhor queria ser recebido no pão Eucarístico, em vez de ser contemplado. No entanto, o facto de que uma pessoa não pode comer desse pão apenas como duma espécie de alimento, e que “receber” o Senhor no Sacramento Eucarístico inclui todas as dimensões da nossa existência – receber tem que ser adoração, algo que entretanto tornou-se cada vez mais claro. Assim, o período de adoração Eucarística nas Jornadas Mundiais da Juventude de Colónia tornou-se um evento interior que permanece inesquecível, e não apenas ao Cardeal. Posteriormente, esse momento esteve sempre presente no seu coração e deu-lhe grandes luzes.

Quando, na sua última manhã, o cardeal Meisner não apareceu para a missa, foi encontrado morto no seu quarto. O breviário havia escorregado das suas mãos. Morreu enquanto rezava, com o rosto no Senhor, em diálogo com Deus. A arte de partir, que lhe ali foi dada, demonstrava novamente como ele viveu: com o rosto em Deus e em diálogo com Ele. Assim, podemos confiar sua alma à bondade de Deus. Senhor, agradecemos o testemunho deste Vosso servo, Joachim. Deixai-o agora interceder pela Igreja de Colónia e pelo mundo inteiro! Requiescat in pace!


blogger

segunda-feira, 17 de julho de 2017

É errado usar bikini? -- Jason e Crystalina Evert explicam

Estudantes rapazes na Universidade de Princeton fizeram recentemente uns estudos sobre como o cérebro do homem reage ao ver pessoas a usar diferentes quantidades de roupas. Os sujeitos do teste foram colocados num scanner cerebral e durante uma fracção de segundo viram fotografias de mulheres em bikinis, assim como homens e mulheres vestidos de uma forma modesta.

Quando os jovens rapazes viram as mulheres seminuas, a parte do seu cérebro associada com ferramentas acendeu. Apesar de algumas das imagens serem mostradas por apenas duas décimas de segundo, as fotografias mais fáceis de lembrar foram as mulheres de biquíni cujas cabeças foram cortadas das fotos!

O objectivo da investigação, de acordo com Susan Fiske, uma professora de psicologia na Universidade de Princeton, era examinar as maneiras pelas quais as pessoas viam outras como um meio para atingir um fim. Os resultados da investigação foram apresentados no encontro anual da American Association for the Advancement of Science (Associação Americana para o Avanço da Ciência), em Chicago.

Os investigadores também descobriram que quando alguns dos homens viam mulheres seminuas, o seu córtex mediano pré-frontal era desactivado. Esta é a região do cérebro associada com a análise aos pensamentos de uma pessoa, as suas intenções e os seus sentimentos. Fiske lembrou, "é como se estivessem a reagir a estas mulheres como se não fossem totalmente humanas." Ela acrescentou, "É um estudo preliminar mas consistente com a ideia de que estão a responder a estas fotografias como se estivessem a responder a objectos em vez de pessoas."

Ela considerou esta descoberta chocante, porque "a falta de activação desta área de cognição social é verdadeiramente estranha, porque raramente acontece." Os investigadores testemunharam antes tal ausência deshumanizadora de actividade cerebral apenas uma vez, durante um estudo onde as pessoas observaram imagens de drogados e sem-abrigo.

Outro estudo feito em estudantes de licenciatura de Princeton descobriu que quando os homens vêem imagens de mulheres em biquíni associam as mulheres a verbos na primeira pessoa, tais como eu "empurro", "uso" e "agarro". Quando vêem imanges de mulheres vestidades de forma modesta, associam as imagens a verbos na terceira pessoa, tais como ela "empurra", "usa" e "agarra". Por outras palavras, as mulheres vestidas eram vistas como estando em controlo das suas próprias acções, enquanto que as mais despidas eram para ser controladas por outrem.

Apesar dos cientistas terem ficado surpreendidos com estas descobertas, não são assim tão chocantes para quem sabe as origens do bikini. O seu inventor foi um francês chamado Louis Reard, que pegou no lingerie da sua mãe para fazer negócio. Quando criou o seu fato de banho de duas peças em 1946, teve que contratar uma stripper para o apresentar, porque nenhuma modelo quis usá-lo na passadeira! Afinal de conta, que tipo de mulher quereria usar a sua roupa interior em público, só porque se tornou à prova de água? Há meio século, estas modelos francesas tinham como óbvio aquilo que surpreendeu os cientistas de Princeton.

A Dra. Alice Von Hildebrand disse uma vez que " se as raparigas conhecessem o grande mistério de lhes foi confiado, a sua pureza estaria garantida. A própria reverência que iam ter em relação aos seus corpos seria inevitavelmente ser percebida pelo outro sexo. Os homens são talentosos ao ler a linguagem corporal das mulheres e não querem arriscar ser humilhados quando a recusa é certa. Vendo a modéstia das mulheres, percebiam a deixa e, em troca, aproximavam-se do sexo feminino com reverência."

Tal como os bikinis fazem os cérebros dos homens passar por cima das intenções e pensamentos de uma mulher, a modéstia faz exactamente o contrário. Convida os homens a considerar o quanto uma mulher tem para oferecer. Se os bikinis tornam a mulher em objecto, a modéstia dá-lhes personalidade. Portanto, as mulheres que querem ser levadas a sério pelos homens deviam reconsiderar o poder da modéstia. O seu propósito não é esconder o corpo da mulher porque é mau. Antes pelo contrário! Uma mulher modesta não se está a esconder dos homens. Está a revelar-lhes a sua dignidade.

Nada na terra se assemelha à beleza da mulher. Por esta razão, tem que se fazer esta pergunta às mulheres, "Como é que vais usar a tua beleza?". O Papa João Paulo II disse que a dignidade e o equilíbrio da vida humana depende, em cada momento da história e em cada lugar, de quem o homem vai ser para a mulher e de quem a mulher vai ser para o homem. Portanto, quem é que vão ser para os homens?

Se as mulheres se tornaram objectos nas mentes de muitos homens, o que é que pode ser feito para restaurar os corações e as mentes de ambos? Se o mundo quiser ver um reaparecimento de valores, modéstia e cavalheirismo, vai precisar tanto dos homens como das mulheres para pegar no que está nos seus corações e examinar quem é que se tornaram um para o outro.

Jason & Crystalina Evert in ChastityProject.com

Nota Senza Pagare: Podem a ler a notícia sobre o artigo de Princeton em vários sites. A CNN, por exemplo, diz :"It may seem obvious that men perceive women in sexy bathing suits as objects, but now there's science to back it up."


blogger