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sábado, 2 de maio de 2026

Santo Atanásio: "Eles possuem os templos, vós a tradição da Fé apostólica"

No tempo da heresia ariana, Santo Atanásio de Alexandria, bispo, Padre da Igreja famoso por lutar quase sozinho contra esta heresia espalhada pelo mundo, escreveu uma carta aos católicos fiéis que perduravam, consolando-os.

Que Deus vos console. Sei ainda que não apenas vos entristece o meu exílio, mas também o facto de que enquanto eles [os arianos] obtiveram as igrejas através da violência, nesse entretanto vós fostes expulsos de vossos lugares. Eles então possuem os templos; vós, em troca, a tradição da Fé apostólica. É bem verdade que eles estão nas igrejas, mas fora da verdadeira Fé; enquanto vós estais fora dos edifícios, sem dúvida, mas a Fé está dentro de vós. Consideremos o que é maior, o edifício ou a Fé? Claramente a Fé verdadeira. Quem então perdeu mais, ou quem possui mais? Aquele que detém o edifício ou aquele que detém a Fé? Sem dúvida o edifício é bom, se a Fé Apostólica é pregada lá. Ele é santo se o Santo habita lá.

Porém, benditos são aqueles que pela fé estão na Igreja, habitam sobre os fundamentos da Fé e têm plena satisfação. Mesmo o grau mais elevado da fé, que entre vós permanece inabalável. Porque ela vos chegou da Tradição Apostólica, e frequentemente a execrável inveja desejou destruí-la, mas não foi capaz. Pelo contrário, eles é que se alijaram [da Fé] ao tentar destruí-la. Por isso é que foi escrito: "Vós sois o Filho do Deus vivo", Pedro confessou isso por revelação do Pai, e ouviu, "Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus."

Portanto, ninguém jamais prevalecerá contra a vossa Fé, meus queridíssimos irmãos. Porque se algum dia Deus vos devolver as igrejas (e pensamos que Ele o fará) ainda sem essa restauração das igrejas a Fé vos basta. E, falando sem as Escrituras, devo falar com muita veemência, é bom trazê-los para o testemunho das Escrituras, lembrem-se de que o Templo sem dúvida estava em Jerusalém; o Templo não estava deserto, forasteiros o invadiram, daí também o Templo estando em Jerusalém, aqueles exilados desceram para a Babilónia por decisão de Deus, que os provava, ou melhor, corrigia; enquanto lhes manifestava, em sua ignorância, punição [através] de inimigos sanguinários. 

E os forasteiros sem dúvida tinham a posse do Templo, mas não conheciam o senhor do Templo, ao passo que Ele não respondeu nem falou; eles foram abandonados pela verdade. E precisamente uma Fé tão viva supre para vós, por agora, a falta dos templos. Que proveito, então, tiraram eles do Templo?

Pois vejam que aqueles que detêm o Templo são acusados pelos que amam a Deus de torná-lo um covil de ladrões, e de transformar loucamente o Lugar Santo numa casa de comércio e numa casa de negócios judiciais para si mesmos, a quem era ilegal adentrá-lo. São essas coisas e outras piores ainda que ouvirmos daqueles que vieram de lá, caríssimos. Entretanto, realmente, eles crêem possuir a igreja, mas estão fora dela. E eles julgam-se na verdade, mas estão exilados e cativos e não obtêm vantagem da igreja. Porque a verdade das coisas é julgada…

Carta de Santo Atanásio aos fiéis perseguidos pelos arianos (356 d.C.)


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sexta-feira, 6 de março de 2026

O corajoso testemunho de Santa Perpétua antes do martírio

Prenderam alguns jovens catecúmenos: Revocato e Felicidade, ambos escravos, Saturnino e Secundino, e com eles encontrava-se Víbia Perpétua. Esta era nobre de nascimento, tivera uma educação esmerada e fizera um bom casamento. Perpétua tinha ainda pai e mãe, dois irmãos – um dos quais catecúmeno, também – e uma criança ainda de peito. Tinha cerca de vinte e dois anos. Ela própria relatou a história completa do seu martírio. Ei-la, escrita por seu punho, com base nas suas impressões: 

«Estávamos ainda com os guardas, mas o meu pai já estava a tentar convencer-me. Na sua ternura, tudo fazia para me enfraquecer a fé. 

- Pai, disse-lhe eu, estás a ver esse vaso caído no chão, a bilha e aquela coisa ali?
- Estou, disse o meu pai.
- Podemos designá-las por outro nome que não seja o seu?, pergunto-lhe eu.
- Não, respondeu.
- Pois bem, também eu não posso ter outro nome que não seja o meu, mas apenas o meu nome verdadeiro: sou cristã.

O meu pai ficou exasperado com tais palavras, e avançou para dar cabo de mim. Limitou-se a agarrar-me e abanar-me com força e foi-se embora, com os argumentos do demónio, vencido. Durante alguns dias não voltei a ver o meu pai; dei graças a Deus por isso, essa ausência foi para mim um alívio. Foi precisamente durante esse curto lapso de tempo que fomos baptizados. O Espírito Santo inspirou-me a nada pedir à santa água a não ser força para resistir fisicamente.

Alguns dias mais tarde, fomos transferidos para a prisão de Cartago. Fiquei espantada com esta prisão: nunca me vira em trevas tais. A inquietação devorava-me, por causa do meu filho. Acalmava o meu irmão, pedindo-lhe que tomasse conta do meu filho. Sofria muito por ver a minha família sofrer por causa de mim. Durante longos dias, estas inquietações torturaram-me. Acabei por conseguir que o meu filho viesse ficar comigo na prisão. Recuperou as forças sem demora. De repente, a prisão transformou-se-me num palácio, e e eu sentia-me ali melhor do que em qualquer outro lugar.»

in Paixão das Santas Felicidade e Perpétua (início do século III), §§ 2-3


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domingo, 21 de dezembro de 2025

São Tomé, o Apóstolo que duvidou

Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Só este discípulo estava ausente; e, ao voltar e ouvir contar o que acontecera, negou-se a acreditar no que ouvia. Veio outra vez o Senhor e apresentou ao discípulo incrédulo o seu lado para que lhe pudesse tocar, mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz das suas chagas, curou a ferida daquela incredulidade. Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Julgais porventura ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que ao voltar ouvisse contar, que ao ouvir duvidasse, que ao duvidar tocasse e que ao tocar acreditasse?

Tudo isto não aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A bondade de Deus actuou de modo admirável, a fim de que aquele discípulo que duvidara, ao tocar as feridas do corpo do seu Mestre curasse as feridas da nossa incredulidade. Mais proveitosa foi para a nossa fé a incredulidade de Tomé do que a fé dos discípulos que não duvidaram; porque, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde tocar, a nossa alma põe de parte toda a dúvida e confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e tocou, tornou-se testemunha da realidade da ressurreição. Tocou e exclamou: Meu Senhor e meu Deus. Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, acreditaste. 

Ora, como o apóstolo Paulo diz: A fé é o fundamento dos bens que se esperam, a prova das realidades que não se vêem, torna-se claro que a fé é a prova da verdade daquelas coisas que não podemos ver. Pois aquilo que se vê já não é objecto de fé, mas de conhecimento directo. Então, se Tomé viu e tocou, porque é que lhe diz o Senhor: Porque me viste, acreditaste? É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e fez profissão de fé na sua divindade exclamando: Meu Senhor e meu Deus. Portanto, tendo visto acreditou, porque tendo à sua vista um homem verdadeiro, exclamou que era Deus, a quem não podia ver.

Muita alegria nos dá o que se segue: Felizes os que não viram e acreditaram. Por esta frase, não há dúvida que somos nós especialmente visados, pois não O vimos em sua carne, mas possuímo-l’O no nosso espírito. Somos nós visados, desde que as obras acompanhem a nossa fé. Na verdade só acredita verdadeiramente aquele que procede segundo a fé que professa. Pelo contrário, daqueles que têm fé apenas de palavras, diz São Paulo: Professam conhecer a Deus, mas negam-n’O por obras. A este respeito diz São Tiago: A fé sem obras é morta.

São Gregório Magno (Papa) in Hom. 26, 7-9: PL 76, 1201-1202 (Séc. VI)


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sábado, 27 de setembro de 2025

Há 485 anos, Paulo III aprovava a fundação dos Jesuítas

No dia 27 de Setembro de 1540, o Papa Paulo III publicou a bula Regimini militantis Ecclesiae, aprovando a Constituição da Companhia de Jesus. A finalidade dessa empresa está resumida na Fórmula do Instituto da Companhia de Jesus:

«Todo aquele que pretender alistar-se sob a bandeira da cruz, na nossa Companhia, que desejamos se assinale com o nome de Jesus, para combater por Deus e servir somente ao Senhor e à Sua esposa a Igreja, sob a direcção do Romano Pontífice, Vigário de Cristo na terra, depois dos votos solenes de perpétua castidade, pobreza e obediência, persuada-se que é membro da Companhia.

Esta foi instituída principalmente para a defesa e a propagação da fé e o aperfeiçoamento das almas na vida e na doutrina cristãs, por meio de pregações públicas, lições e qualquer outro ministério da palavra de Deus, Exercícios Espirituais, formação cristã das crianças e dos rudes, e Confissões e administração dos outros Sacramentos, buscando principalmente a consolação espiritual dos fiéis cristãos.»


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sexta-feira, 20 de junho de 2025

'Corpus Christi' na Alemanha após a II Guerra Mundial

Há 78 anos, em 1947, a procissão do 'Corpus Christi' na cidade de Colónia foi grandiosa. Convém relembrar que a II Guerra Mundial tinha acabado há apenas 6 anos e que nesse momento a Alemanha estava praticamente destruída. É comovente ver a Fé de um povo que põe a sua confiança em Deus. Precisamos disto.


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sábado, 22 de fevereiro de 2025

domingo, 29 de setembro de 2024

Profissão de Fé publicada por D. Athanasius Schneider no dia de São Miguel Arcanjo

Profissão de Fé em Jesus Cristo e na Sua Igreja como o único caminho para Deus e para a salvação eterna

Cremos e professamos inabalavelmente o que o Magistério ordinário e universal da Igreja tem ensinado, contínua e infalivelmente, desde o tempo dos Apóstolos, a saber,

Que a fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado e único Salvador da Humanidade, é a única religião querida por Deus.

Após a instituição da Nova e Eterna Aliança em Jesus Cristo, ninguém poderá ser salvo pela adesão aos ensinamentos e às práticas das religiões não-cristãs. Porque «a oração, que se dirige a Deus, deve estar ligada a Cristo, Senhor de todos os homens, único Mediador (1Tm 2, 5; Heb 8, 6; 9, 15; 12, 24), o único por quem temos acesso a Deus (Rm 5, 2; Ef 2, 18; 3, 12).» (Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas, n. 6)

Cremos firmemente que «sob o céu, nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos.» (Act 4, 12), além do nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que foi crucificado e a quem Deus ressuscitou dos mortos (cf. Act 4, 10).

Cremos que é «contrário à fé católica considerar a Igreja como um caminho de salvação ao lado dos constituídos pelas outras religiões, como se estes fossem complementares à Igreja, ou até substancialmente equivalentes à mesma, embora, como se diz, convergindo com ela para o Reino escatológico de Deus.» (Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Dominus Iesus, 21)

Acreditamos e guardamos, ademais, que a Revelação Divina, fielmente transmitida pelo Magistério perene da Igreja, proíbe afirmar

Que todas as religiões são caminhos para Deus,
Que a diversidade das identidades religiosas é um dom de Deus e que
A diversidade das religiões é uma expressão da vontade sábia de Deus Criador.

Acreditamos e afirmamos, portanto, que os cristãos não são simplesmente “companheiros de viagem” juntamente com os que aderem a falsas religiões – o que é proibido por Deus.

Imploramos fervorosamente a ajuda da graça divina para todos os clérigos que, hoje em dia, através das suas palavras e acções, contradizem a verdade divinamente revelada sobre Jesus Cristo e a Sua Igreja como o único caminho pelo qual os homens podem alcançar Deus e a salvação eterna. 

Possam, estes clérigos, com a ajuda da graça divina, ser capazes de fazer uma retractação pública, necessária para o bem da sua própria alma e da alma dos outros. Pois «não aceitar Cristo é o maior perigo para o mundo!» (Santo Hilário de Poitiers, In Matth. 18).

Possam os Pastores da Igreja, e principalmente o Papa Francisco, pelas orações, lágrimas e sacrifícios de todos os verdadeiros filhos e filhas da Igreja e especialmente dos “pequeninos” na Igreja, receber a graça de imitar os Apóstolos, inúmeros Mártires, tantos Romanos Pontífices e uma multidão de Santos, especialmente São Francisco de Assis, que «era um homem católico e inteiramente apostólico, que se empenhou pessoalmente e ordenou aos seus discípulos que se
ocupassem antes de tudo com a conversão dos pagãos à Fé e à Lei de Cristo» (Papa Pio XI, Encíclica Rite expiatis, 37).

Cremos e, com a graça de Deus, estamos prontos a dar a vida por esta verdade divina pronunciada por Jesus Cristo: «Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim» (Jo 14, 6).

+ Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Maria Santíssima de Astana
com os participantes da Conferência de Identidade Católica 2024

Pittsburgh, 29 de Setembro de 2024


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quarta-feira, 11 de setembro de 2024

11 de Setembro e a derrota do Império Otomano na Batalha de Viena

O dia 11 de Setembro (de 2001) não foi escolhido por acaso. Alguns séculos atrás, a 12 de Setembro de 1683, sucedeu a mais vergonhosa e definitiva derrota que sofreu o Império Otomano, quando a Santa Liga Católica, uma união de estados do Sacro Império Romano-Germânico, liderada pelo rei polaco João III Sobieski, derrotou o exército do vizir otomano Kara Mustafa Paşa e impediu a dominação islâmica da Europa Cristã.

Por causa da sua posição estratégica como porta de entrada para os Estados Papais, os muçulmanos atacaram a Áustria com o objetivo de terminar a sua conquista da Europa pelo Sudeste, afim de construir uma mesquita no local da Catedral de São Pedro, no Vaticano.

A Batalha de Viena foi o auge de uma história de centenas de anos de guerra entre o mundo cristão e o islâmico, motivo pelo qual um dos jogadores mais importantes no tabuleiro era o Beato Marco D'Aviano, um monge capuchinho que teve a sua vida marcada pela luta na tentativa de proteger a Civilização Cristã e, finalmente, converter os islâmicos.

Depois de derrotados em Viena, os Otomanos foram sendo sucessivamente derrotados até à sua derrota final e dissolução do Império Otomano em 1918, quando acabou a Primeira Guerra Mundial. No entanto, o fim do avanço Otomano foi definitivamente conquistado pelos portugueses no mar e pela Liga em terra.

in Tradutores de Direita


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segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Alguém sabe o que é a Fé?

A palavra "Fé" surge muitas vezes no que dizemos, ouvimos e lemos mas nem sempre é simples precisar o que é realmente a "Fé". Deixamos aqui a definição que ensina a Igreja, que é muito conveniente saber de cor para poder explicar às outras pessoas. 

§ 2º - Da Fé  

860)  Que é a Fé?  
A  Fé e uma virtude sobrenatural, infundida por Deus em nossa alma, pela qual nós, apoiados na autoridade do mesmo Deus, acreditamos que é verdade tudo o que Ele revelou e por meio da Santa Igreja nos propõe para crer.  

861)  Como conhecemos as verdades reveladas por Deus?  
Conhecemos as verdades reveladas por Deus, por meio da Santa Igreja que é infalível, isto é, por meio do Papa, sucessor de São Pedro, e por meio dos Bispos que, em união com o Papa, são sucessores dos Apóstolos, os quais foram instruídos pelo próprio Jesus Cristo.  

862)  Temos nós a certeza de que são verdadeiras as doutrinas que a Santa Igreja nos ensina?  
Sim, temos a certeza absoluta de que são verdadeiras as doutrinas que a Santa Igreja nos ensina, porque Jesus Cristo empenhou a sua palavra, que a Igreja nunca se enganaria.  

863)  Com que pecado se perde a Fé?  
A  Fé perde-se negando ou duvidando voluntariamente, ainda que seja de um só artigo que nos é proposto para crer.  

864)  Como recuperamos a Fé?  
Recuperamos a Fé perdida, arrependendo-nos do pecado cometido e crendo de novo tudo o que crê a Santa Igreja.    

§ 3º - Dos mistérios  

865)  Podemos compreender todas as verdades da Fé?  
Não; não podemos compreender  todas as verdades da Fé, porque algumas destas verdades são mistérios. 

866)  Que são os mistérios?  
Os mistérios são verdades superiores à razão, as quais devemos crer, ainda que não as possamos compreender.  

867)  Por que devemos crer os mistérios?  
Devemos crer os mistérios, porque os revelou Deus, que, sendo Verdade e Bondade infinitas, não pode enganar-Se, nem enganar-nos.  

868)  São porventura os mistérios contrários à razão?  
Os mistérios são superiores, porém não contrários à razão; e até a própria razão nos persuade a admiti-los.  

869)  Por que os mistérios não podem ser contrários à razão?  
Os mistérios não podem ser contrários à razão, porque é o mesmo Deus quem nos deu  a luz  da razão, e quem  revelou os mistérios, e Ele não pode contradizer-Se a Si mesmo. 

in Catecismo de São Pio X


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sexta-feira, 28 de junho de 2024

Santo Ireneu resume a Fé Católica e a importância da unidade na Igreja

A Igreja disseminada por todo o mundo, até aos confins da Terra, recebeu dos apóstolos e dos seus discípulos a Fé num só Deus, Pai Todo-Poderoso, que “fez o Céu, a Terra, o mar e tudo quanto contém” (Ex 20, 11; Act 4, 24); num só Cristo Jesus, Filho de Deus, que encarnou pela nossa salvação; e no Espírito Santo que, através dos profetas, anunciou os desígnios de Deus e a vinda do bem-amado Jesus Cristo nosso Senhor, o seu nascimento da Virgem, a sua Paixão, a sua ressurreição de entre os mortos, a sua ascensão em corpo e alma aos céus, na glória do Pai, para “sujeitar todas as coisas “ (Ef 1, 22) e ressuscitar a carne de todo o género humano – a fim de que, diante de Cristo Nosso Senhor, nosso Deus, nosso Salvador e nosso Rei, segundo os desígnios do Pai invisível, “todo o joelho se dobre nos Céus, na Terra e nos infernos, e toda a língua O confesse” (Fil 2, 10-11) e de que Ele julgue com justiça todas as criaturas. 

Esta pregação que a Igreja recebeu, esta Fé, é guardada com cuidado, como se a Igreja habitasse uma só casa; embora disseminada por todo o mundo, acredita em tudo isto de forma idêntica em toda a parte, como se tivesse “um só coração e uma só alma” (Act 4, 32); prega, ensina e transmite esta mensagem com voz humana, como se tivesse uma só boca. As línguas que se falam no mundo são diversas, mas a força da tradição é uma e a mesma. As Igrejas estabelecidas na Germânia não crêem nem ensinam coisas diferentes das dos Iberos ou dos Celtas, ou das do Oriente, do Egipto ou da Líbia, nem das que foram fundadas no centro do mundo [a Terra Santa]. 

Assim como o Sol, criatura de Deus, é único e o mesmo em todo o mundo, assim a pregação da verdade brilha em toda a parte, iluminando todos os homens que querem “conhecer a verdade” (1 Tim 2, 4).

Santo Ireneu de Lião in 'Adversus haereses' (Contra as heresias), I, 10, 1-2


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domingo, 26 de maio de 2024

Símbolo Atanasiano: um resumo da Fé Católica na Santíssima Trindade

Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a Fé Católica. Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.

A Fé Católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus. Sem confundir as Pessoas nem separar a substância. Porque uma só é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo. Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade. Tal como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo.

O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado. O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno. E contudo não são três eternos, mas um só eterno. Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso. Da mesma maneira, o Pai é omnipotente, o Filho é omnipotente, o Espírito Santo é omnipotente. E contudo não são três omnipotentes, mas um só omnipotente.

Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. E contudo não são três deuses, mas um só Deus. Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor. E contudo não são três senhores, mas um só Senhor. Porque, assim como a verdade crista nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores.

O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém. O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho. Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos. E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas as três Pessoas são coeternas e iguais entre si. Em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade. Quem, pois, quiser salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade. 

Mas, para alcançar a salvação, é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.

É Deus, gerado na substancia do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substância da sua Mãe. Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana. Igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade. E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo. É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade. Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa.

Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo. Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos. Subiu aos Céus e está sentado a direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. E quando vier, todos os homens ressuscitarão com os seus corpos, para prestar conta dos seus actos.

E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna, e os maus para o fogo eterno. Esta é a fé católica, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar.


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sexta-feira, 10 de maio de 2024

Como for a tua Missa, assim será a tua Fé

“Como for a tua Missa, assim será a tua Fé,  Como for a tua Fé, assim será a tua moral,  Como for a tua moral, assim será a tua vida, E como tiver sido a tua vida, assim será a tua eternidade.”  

Mons. Tihamer Toth


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sábado, 27 de abril de 2024

Profissão de Fé de S. Pedro Canísio contra a heresia protestante

S. Pedro Canísio foi um sacerdote jesuíta holandês, nascido no ano 1521. Foi um forte combatente contra a revolução protestante, especialmente na Alemanha, Áustria e Suiça. O seu trabalho foi especialmente importante na Alemanha, onde se diz que a Fé católica permaneceu graças a este santo. Foi declarado Doutor da Igreja em 1925, pelo Papa Pio XI. A partir de 1571 passou a incluir esta profissão de fé em todos os seus livros:

Professo diante de Vós a minha fé, Pai e Senhor do Céu e da terra, meu Criador e Redentor, minha força e minha salvação, que desde os meus mais tenros anos não cessastes de nutrir-me com o pão sagrado da vossa Palavra e de confortar o meu coração.

A fim de que eu não vagasse, errando como as ovelhas transviadas que não têm pastor, Vós me congregastes no seio de vossa Igreja; colhido, me educastes; educado, continuastes a me ensinar com a voz daqueles Pastores nos quais Vós quereis ser ouvido e obedecido como em pessoa pelos vossos fiéis.

Confesso em alta voz, para a minha salvação, tudo aquilo que os católicos sempre acreditaram de bom direito nos seus corações.; não quero ter nada em comum com eles, porque não falam nem ouvem rectamente, nem possuem a única regra da verdadeira Fé proposta pela Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana.

Uno-me, em vez disso, na comunhão, abraço a fé, sigo a religião e aprovo a doutrina daqueles que ouvem e seguem a Cristo, não apenas quando ensinada nas Escrituras, mas também quando julgada pela boca dos Concílios Ecuménicos e definida pela boca da Cátedra de Pedro, testemunhando-a com a autoridade dos Padres.

Professo-me também filho daquela Igreja Romana que os ímpios blasfemos desprezam, perseguem e abominam como se fosse anticristã; não me afasto de nenhum ponto da sua autoridade, nem me recuso a dar a vida e derramar o meu sangue em sua defesa, e creio que os méritos de Cristo podem obter a minha salvação e a de outros somente na unidade desta mesma Igreja.

Confesso essa Fé e doutrina que aprendi ainda criança, confirmei na juventude, ensinei como adulto, e que agora, com a minha débil força, defendo. Professo francamente, com São Jerónimo, ser uno com quem é uno à Cátedra de Pedro, e protesto, com Santo Ambrósio, seguir em todas as coisas a Igreja Romana que reconheço respeitosamente, com São Cipriano, como raiz e mãe da Igreja universal.

Ao fazer esta profissão, não me move outro motivo senão a glória e honra de Deus, a consciência da verdade, a autoridade das Sagradas Escrituras, o sentimento e o consenso dos Padres da Igreja, o testemunho de fé que devo dar aos meus irmãos e, finalmente, a salvação eterna que espero no Céu e a felicidade prometida aos verdadeiros fiéis.

Se acontecer de eu vir a ser desprezado, maltratado e perseguido por causa desta minha profissão, considerá-lo-ei uma graça e um favor extraordinários, porque isso significará que Vós, meu Deus, me destes a ocasião de sofrer pela justiça e não quereis que me sejam benevolentes aqueles que, como inimigos declarados da Igreja e da verdade católica, não podem ser vossos amigos.

No entanto, perdoai-os, Senhor, porque, instigados pelo diabo e cegados pelo brilho de uma falsa doutrina, não sabem o que fazem, ou não querem saber.

Concedei-me, contudo, esta graça: de que na vida e na morte eu renda sempre um testemunho autêntico da sinceridade e fidelidade que devo a Vós, à Igreja e à verdade, que não me afaste jamais do vosso santo amor, e que esteja em comunhão com aqueles que Vos temem e guardam os vossos preceitos na Santa Igreja Romana, a cujo juízo, com ânimo pronto e respeitoso, eu me submeto e toda a minha obra.

Todos os santos, triunfantes no Céu ou militantes na terra, que estais indissoluvelmente unidos no vínculo da paz na Igreja Católica, mostrai a vossa imensa bondade e rezai por mim.

Vós sois o princípio e o fim de todos os meus bens; a Vós sejam dados, em tudo e por tudo, louvor, honra e glória sempiterna. Ámen.

PF


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terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

A Irmã Lúcia descreveu a enorme Fé da pequenina Jacinta

Pouco tempo antes de ir para o hospital, [a Jacinta] dizia-me:
 
- Já me falta pouco tempo para ir para o Céu. Tu ficas cá para dizeres que Deus quer estabelecer no Mundo a devoção do Imaculado Coração de Maria. Quando for para dizeres isso, não te escondas.

Diz a toda a gente que Deus nos concede as graças por meio do Coração Imaculado de Maria; Que lhas peçam a ela; que o Coração de Jesus quer que, a Seu lado, se venere o Coração Imaculado de Maria; que peçam a paz ao Imaculado Coração de Maria, que Deus lha entregou a ela.

Se eu pudesse meter no coração de toda a gente o lume que tenho cá dentro no peito a queimar-me e a fazer-me gostar tanto do Coração de Jesus e do Coração de Maria...

in Memórias da Irmã Lúcia III, nº9, p.112


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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Fé e Razão

Fé e Razão. Fazendo uma analogia, poderíamos dizer que a Fé é como uns óculos (graduados). Quem vê mal ao longe, se está numa sala de aula e olha para o quadro não percebe o que lá está escrito. Bem tenta semi-cerrar os olhos mas apenas vejo uma grande névoa. No entanto, quando põe os óculos vê tudo claramente, percebe tudo o que está escrito e tudo faz sentido.

A Fé são os óculos. É o instrumento que me permite ver o que apenas com os olhos não se consegue. Os olhos são a Razão. Servem para ver certas coisas mas só com eles não se percebe o que está escrito no quadro ou quem é aquela pessoa ao longe na rua a dizer adeus. Os óculos são necessários para ter acesso a essa informação. Mas se alguém fechar os olhos (Razão), os óculos (Fé) não servem para nada. A Fé vai onde a razão já não consegue ir, e a razão é o ponto de apoio que, usado na sua plenitude, permite que a Fé mostre a verdade sobre essas coisas longínquas.

Quem tem Fé sabe coisas que quem não tem Fé não sabe. Essas coisas são tão reais como o livro que estou a ler ou o copo de água que estou a beber. Do mesmo modo como, a partir do momento em que ponho os óculos, as palavras que estão naquele quadro se tornam tão reais e inteligíveis como a caneta ou o caderno que tenho à minha frente, que consigo ver perfeitamente sem óculos.

A Fé e a Razão são ambas necessárias para percebermos o mundo natural e o sobrenatural.


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sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Profissão de Fé do Concílio de Trento

994. Eu N. creio firmemente e confesso tudo o que contém o Símbolo da fé usado pela Santa Igreja Romana, a saber: Creio em um só Deus, Pai Omnipotente, ...

995. Aceito e abraço firmemente as tradições apostólicas e eclesiásticas, bem como as demais observâncias e constituições da mesma Igreja. Admito também a Sagrada Escritura naquele sentido em que é interpretada pela Santa Madre Igreja, a quem pertence julgar sobre o verdadeiro sentido e interpretação das Sagradas Escrituras. E jamais aceitá-la-ei e interpretá-la-ei senão conforme o consenso unânime dos Padres.

996. Confesso também que são sete os verdadeiros e próprios sacramentos da Nova Lei, instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo, embora nem todos para cada um necessários, porém para a salvação do género humano. São eles: Baptismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimónio, os quais conferem a graça; mas não sem sacrilégio se fará a reiteração do Baptismo, da Confirmação e da Ordem. Da mesma forma aceito e admito os ritos da Igreja Católica recebidos e aprovados para a administração solene de todos os supracitados sacramentos. Abraço e recebo tudo o que foi definido e declarado no Concílio Tridentino sobre o pecado original e a justificação.

997. Confesso outrossim que na Missa se oferece a Deus um sacrifício verdadeiro, próprio e propiciatório pelos vivos e defuntos, e que no santo sacramento da Eucaristia estão verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, operando-se a conversão de toda a substância do pão no corpo, e de toda a substância do vinho no sangue; conversão esta chamada pela Igreja de transubstanciação. Confesso também que sob uma só espécie se recebe o Cristo todo inteiro e como verdadeiro sacramento.

998. Sustento sempre que há um purgatório, e que as almas aí retidas podem ser socorridas pelos sufrágios dos fiéis; que os Santos, que reinam com Cristo, também devem ser invocados; que eles oferecem suas orações por nós, e que suas relíquias devem ser veneradas. Firmemente declaro que se devem ter e conservar as imagens de Cristo, da sempre Virgem Mãe de Deus, como também as dos outros Santos, e a eles se deve honra e veneração. Sustento que o poder de conceder indulgências foi deixado por Cristo à Igreja, e que o seu uso é muito salutar para os fiéis cristãos.

999. Reconheço a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana, como Mestra e Mãe de todas as Igrejas. Prometo e Juro prestar verdadeira obediência ao Romano Pontífice, Sucessor de S. Pedro, príncipe dos Apóstolos e Vigário de Jesus Cristo.

1000. Da mesma forma aceito e confesso indubitavelmente tudo o mais que foi determinado, definido e declarado pelos sagrados cânones, pelos Concílios Ecuménicos, especialmente pelo santo Concílio Tridentino (e pelo Concílio Ecuménico do Vaticano, principalmente no que se refere ao Primado do Romano Pontífice e ao Magistério infalível). Condeno ao mesmo tempo, rejeito e anatematizo as doutrinas contrárias e todas as heresias condenadas, rejeitadas e anatematizadas pela Igreja. 

Eu mesmo, N., prometo e juro com o auxílio de Deus conservar e professar íntegra e imaculada até ao fim de minha vida esta verdadeira fé católica, fora da qual não pode haver salvação, e que agora livremente professo. E quanto em mim estiver, cuidarei que seja mantida, ensinada e pregada a meus súbditos ou àqueles, cujo cuidado por ofício me foi confiado. Que para isto me ajudem Deus e estes santos Evangelhos!


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quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Dia do Apóstolo São Tomé: Será racional acreditar sem ver?

São Tomé duvidou que Jesus tivesse ressuscitado e aparecido aos apóstolos. Quando Jesus voltou a aparecer, desta vez estando presente Tomé, repreende a sua falta de fé: "Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto".

Muitos prosélitos do anti-cristianismo, citam habitualmente esta frase como prova que o 'Jesus dos evangelhos' pede que os homens abdiquem da sua racionalidade, e do seu sentido crítico. Neste caso, Tomé é visto como o verdadeiro homem racional, já que exige ver para acreditar.

Mas pensando um bocado melhor sobre este caso, lembramo-nos que, sendo Tomé um dos 12 apóstolos, tinha seguido Jesus, e testemunhado muitos dos episódios presentes nos evangelhos. Jesus profetizou o Seu próprio "destino" e disse por várias vezes que o Messias teria que morrer e ressuscitar. Ainda que os apóstolos não percebessem o que Ele estava a dizer, alguma coisa deste estranho discurso deve ter ficado na memória.

Por outro lado, Jesus ressuscitado aparece aos apóstolos todos, com a excepção de Tomé, que andava a passear. Eles contaram-lhe o que aconteceu. Os seus amigos, os seus melhores amigos, com quem passou a parte mais importante da sua vida, com quem partilhava tudo, asseguram-lhe que estiveram com o Mestre ressuscitado, mas Tomé exige ver para crer.

Esta exigência é racional? Não, muito pelo contrário. A razão é a faculdade que nos permite entender a realidade, saber a verdade, mas Tomé, assim como tanta gente, quer reduzir a razão à verificação na primeira pessoa - exige ver - quer estreitar a razão conforme as suas exigências. Neste caso, assim como em tantos, não é racional desprezar os testemunhos de pessoas credíveis, é antes uma exigência de honestidade connosco próprios que levemos a sério o que pessoas sérias nos dizem. 

Ainda mais, ele sabia bem que Jesus não era um homem igual aos outros, apesar de o ser fisicamente. Ele tinha visto os milagres, sabia bem que Pedro tinha feito a profissão de Fé dos apóstolos, dizendo: "Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo". Se Tomé estivesse atento à realidade, com o máximo amor que essa atenção exige, quando lhe contaram que estiveram com Jesus ressuscitado, tudo deveria ter feito sentido para ele, tudo se deveria ter encaixado como um puzzle, mas escolheu ficar agarrado à sua incerteza, à sua falta de confiança, quando a razão exigia que confiasse.

A razão não é castradora, não elimina partes da realidade que não dão jeito serem tidas em conta. É antes uma visão alargada, que abarca toda a realidade. Tomé não fez uso da sua razão, o que, por um lado, foi uma coisa boa porque nos ensinou uma das maiores profissões de Fé da história da Igreja, dirigindo-se a Jesus como: "Meu Senhor e Meu Deus".


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quinta-feira, 14 de setembro de 2023

D. Athanasius: Os futuros Papas agradecerão ao Bispo Strickland a sua fidelidade à Igreja Católica

Louvado seja Jesus Cristo! Vossa Excelência, Bispo Strickland, querido e estimado irmão no episcopado!

É para mim um privilégio e uma alegria exprimir-vos toda a minha gratidão e apreço pela vossa intrépida dedicação em manter, transmitir e defender intransigentemente a Fé Católica, que os Apóstolos entregaram à Igreja e com a qual todas as gerações de Católicos, especialmente os nossos antepassados, os nossos pais e mães, os nossos sacerdotes e religiosas catequistas, foram educados. Na verdade, podemos aplicar a V. Exa., caro Bispo Strickland, o que São Basílio afirmou no seu tempo: «A única acusação que agora é segura de garantir punição severa é a guarda cuidadosa das tradições dos Padres.» (Ep. 243)

Permitam-me que partilhe convosco as seguintes palavras, muito oportunas, do mesmo grande e santo Bispo:

«As doutrinas da verdadeira religião estão derrubadas. As leis da Igreja estão em confusão. A ambição dos homens, que não têm temor de Deus, precipita-se para os altos cargos da Igreja, e os cargos elevados são agora publicamente conhecidos como o prémio da impiedade. O resultado é que quanto mais um homem blasfema, mais apto o povo o considera para ser um Bispo. A dignidade clerical é uma coisa do passado. Há uma completa falta de homens que pastoreiem o rebanho do Senhor com conhecimento. Os eclesiásticos com autoridade têm medo de falar, porque aqueles que alcançaram o poder por interesse humano são escravos daqueles a quem devem a sua promoção. A fé é incerta; as almas estão encharcadas de ignorância porque os adulteradores da palavra imitam a verdade. As bocas dos verdadeiros crentes estão mudas, enquanto toda a língua blasfema se agita livremente; as coisas santas são pisadas.» (Ep. 92)

Vivemos, de facto, numa época como a descrita por São Basílio, com uma semelhança impressionante. As palavras de São Basílio na sua Carta ao Papa São Dâmaso, na qual pedia a ajuda e a intervenção eficaz do Papa, são plenamente aplicáveis à nossa situação actual:

«A sabedoria deste mundo ganha os maiores prémios na Igreja e rejeitou a glória da cruz. Os pastores foram expulsos e, em seu lugar, foram introduzidos lobos cruéis que apressam o rebanho de Cristo. As casas de oração não têm quem se reúna nelas; os lugares desertos estão cheios de multidões que se lamentam. Os mais velhos lamentam quando comparam o presente com o passado. Os mais jovens são ainda mais dignos de compaixão, pois não sabem do que foram privados.» (Ep. 90)

Caro Bispo Strickland, ao contrário de São Basílio, que se dirigiu ao Papa Dâmaso, infelizmente, V. Exa. não tem a oportunidade real de se dirigir ao Papa Francisco para o ajudar a manter zelosamente as santas tradições do passado. Pelo contrário, a Santa Sé colocou-o agora sob escrutínio e ameaça-o com intimidações e com a privação do cuidado episcopal do seu rebanho em Tyler, basicamente apenas pela única razão de que V. Exa., como São Basílio, Santo Atanásio e muitos outros bispos-confessores, está a manter as tradições dos Padres; apenas porque não está a silenciar a verdade, apenas porque não se está a comportar como não poucos dos bispos dos nossos dias, que - usando as palavras de São Gregório de Nazianzo - não estão a manter as tradições dos Padres. São Gregório de Nazianzo - «estão ao serviço dos tempos e das exigências das massas, deixando o seu barco ao sabor do vento que sopra no momento, e, como camaleões, sabem dar muitas cores à sua palavra.» (De vita sua Carmina 2, 11)

No entanto, caro Bispo Strickland, tem a felicidade de saber que todos os Papas do passado, todos os corajosos confessores-bispos do passado, todos os mártires católicos, que, nas palavras de Santa Teresa de Ávila, estavam «decididos a sofrer mil mortes por qualquer artigo do Credo» (A Vida de Teresa de Jesus, 25:12), o apoiam e encorajam. Além disso, os pequeninos da Igreja rezam por si e apoiam-no; são um exército cada vez maior, mas pequeno, de fiéis leigos - nos Estados Unidos e em todo o mundo - que foram colocados na periferia pelas altas esferas eclesiásticas, mesmo no Vaticano, cujas principais preocupações parecem ser agradar ao mundo e promover a sua agenda naturalista e a aprovação do pecado da actividade homossexual sob o pretexto de acolhimento e inclusão.

Caro Bispo Strickland, obrigado por estar decidido a "servir o Senhor, e não o tempo", como Santo Atanásio uma vez admoestou os bispos (Ep. ad Dracontium). Rezo para que mais bispos dos nossos dias possam, como vós, erguer a voz em defesa da Fé católica, proporcionando assim o alimento espiritual e a consolação a muitos católicos, que se sentem muitas vezes abandonados como órfãos.

Certamente, os futuros Papas agradecer-vos-ão pela vossa intrépida fidelidade à Fé Católica e às suas santas tradições, com a qual contribuístes para a honra da Sé Apostólica, em parte obscurecida e manchada pelo nosso tempo desfavorável.

São José, vosso patrono, o "servo bom e fiel", esteja sempre do vosso lado e a Bem-aventurada Virgem Maria, nossa doce Mãe celeste, destruidora de todas as heresias, seja a vossa força e refúgio.

Com profunda estima, unidos na santa batalha pela Fé e nas orações,
+ D. Athanasius Schneider


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sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Oração para o Triunfo da Fé Católica - D. Athanasius Schneider

Deus omnipotente e eterno, Pai, Filho e Espírito Santo, prostrados diante da Vossa Majestade agradecemos do fundo da nossa alma pelo dom inestimável da fé católica, que Vos dignastes revelar-nos por meio de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Recebemos esta luz divina no santo baptismo e Vos prometemos manter esta fé inviolada até a morte.

Aumentai em nós o Vosso dom da fé católica. Que por Vossa graça ela se fortaleça e se torne inabalável. Aumentai diariamente em nós a compreensão da beleza e profundidade da fé católica, para que possamos viver na profunda alegria de Vossa verdade divina e estar prontos para antes sacrificar tudo, do que fazer compromissos nesta fé ou traí-la. Concedei-nos a graça de estarmos decididos a sofrer mil mortes por um único artigo do Credo.

Recebei de bom grado o nosso acto de humilde reparação por todos os pecados cometidos contra a fé católica pelos leigos e clérigos, especialmente pelos altos clérigos que, contrariando a promessa solene que fizeram na sua ordenação de serem mestres e defensores da integridade da fé católica, se tornaram campeões da heresia, envenenando o rebanho a eles confiado e ofendendo gravemente a Divina Majestade de Jesus Cristo, a Verdade encarnada.

Concedei-nos a graça de ver todos os acontecimentos da nossa vida, e as imensas provações que a nossa santa Mãe Igreja está agora a passar, na luz sobrenatural da fé. Fazei-nos acreditar que Vós fareis surgir do vasto deserto espiritual de hoje um renovado florescimento da fé, que adornará o jardim da Igreja com novas obras de fé e dará origem a uma nova era de fé.

Cremos firmemente que a fé católica é a única verdadeira fé e religião, que Vós convidais cada pessoa a abraçar livremente. Pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, a destruidora de todas as heresias, e dos grandes mártires e confessores da fé, possa a fé santa, católica e apostólica triunfar novamente na Igreja e no mundo, para que nenhuma alma se perca, mas antes, chegue ao conhecimento de Jesus Cristo, o único Salvador da Humanidade, e, através de uma fé reta e uma vida justa, alcance a bem-aventurança eterna em Vós, ó Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. A Vós seja dada toda honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém

+ Dom Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana


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