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sexta-feira, 26 de abril de 2024

A Igreja Católica e a escravatura

Começo com uma citação do grande historiador Fernand Braudel (1902-1985): “O tráfico negreiro não foi uma invenção diabólica da Europa. Foi o Islão, desde muito cedo em contacto com a África Negra através dos países situados entre Níger e Darfur e dos seus centros mercantis da África Oriental, o primeiro a praticar em grande escala o tráfico negreiro (...). O comércio de homens foi um facto geral e conhecido de todas as humanidades primitivas. O Islão, civilização esclavagista por excelência, não inventou, tampouco, nem a escravidão nem o comércio de escravos”(10).

Aqui chegamos à escravidão negra. Muitos séculos ANTES da chegada dos brancos europeus à África, tribos, reinos e impérios negros africanos praticavam largamente a escravatura, exactamente como os berberes (e demais etnias muçulmanas). Os europeus do século XVI tinham verdadeiro pavor de deixar o litoral ou mesmo desembarcar dos seus navios e avançar para longe da costa e capturar escravos. Estes eram trazidos pelos próprios africanos, que tinham grandes mercados espalhados pelo interior do continente, abastecidos por guerras entre as tribos, ou mesmo puro sequestro. Isso pode ser facilmente comprovado, por exemplo, com a descrição do império de Mali feita pelo cronista muçulmano Ibn Batuta (1307-1377), um dos maiores viajantes da Idade Média, e o depoimento de al-Hasan (1483-1554) sobre Tumbuctu, capital do império de Songai. Ademais, havia tribos africanas que praticavam sacrifícios humanos, naturalmente de escravos. Às vezes, para interromper a chuva, mulheres negras (e escravas) eram crucificadas(11).

Entretando, a Igreja Católica condenava, reiteradamente, a escravidão. Há inúmeras bulas papais a respeito: Sicut Dudum (1435) – Eugénio IV manda libertar os escravos das ilhas Canárias; em 1462, Pio II instrui os bispos a pregarem contra o tratamento de escravos negros etíopes, e condena a escravidão como um “crime tremendo”; Paulo III, na bula Sublimus Dei (1537) recorda aos cristãos que os índios são livres por natureza (isto é, ao contrário dos negros, eles não praticavam a escravidão); em 1571 o dominicano Tomás de Mercado declarou desumana e ilícita a escravidão; Gregório XIV (Cum Sicuti, de 1591) e Urbano VIII (Commissum nobis, de 1639) condenaram a escravidão(12).

Paro no século XVII. Há muito mais(13). Mas qual é o resumo da ópera? Devemos estudar o passado, não inventá-lo.

Notas:
10. BRAUDEL, Fernand. Gramática das Civilizações. São Paulo: Martins Fontes, 1989, p. 138.
11. COSTA, Ricardo da. “A expansão árabe na África e os Impérios Negros de Gana, Mali e Songai (sécs. VII-XVI)”.In: NISHIKAWA, Taise Ferreira da Conceição. História Medieval: História II. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009, p. 34-53. 
13. Indico, como um excelente resumo da posição da Igreja, a leitura da Carta Apostólica In Supremo, de 3 de Dezembro de 1839, sobre a condenação da escravidão dos indígenas e do comércio dos negros. Há também uma obra com fontes primárias sobre o tema: BALMES, Jaime. A Igreja Católica em face da escravidão. São Paulo: Centro Brasileiro de Fomento Cultural, 1988.

in ricardocosta.com


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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

A Imaculada Conceição e a História de Portugal

As Nações sobrevivem à erosão do tempo e permanecem vivas na história dos povos se prosseguirem na fecundidade que lhes vem da sua espiritualidade e da sua cultura. A diluição espiritual e cultural de um povo significará inevitavelmente a perca da sua identidade e a sua fusão num hoje sem futuro.

A História de Portugal regista dois momentos altos na recuperação da sua independência: a Revolução 1383-1385 e a Restauração de 1640.

Na Revolução de 1383-1385 salienta-se o cerco de Lisboa, que durou cerca de cinco meses e terminou em princípios de Setembro de 1384, acentuando-se durante o assédio, o significado da vitória alcançada por D. Nuno Alvares Pereira em Atoleiros a 6 de Abril de 1384 e a eleição do Mestre de Aviz para Rei de Portugal, curiosamente a 6 de Abril de 1385. Em 15 de Agosto travou-se a Batalha de Aljubarrota, sob a chefia de D. Nuno Alvares Pereira, símbolo da vitória e da consolidação do processo revolucionário de 1383-1385.

No movimento da restauração destaca-se a coroação de D. João IV como Rei de Portugal, a 15 de Dezembro de 1640, no Terreiro do Paço em Lisboa.

A Solenidade da Imaculada Conceição liga estes dois acontecimentos decisivos na História da independência de Portugal e no contexto das Nações Europeias. Segundo secular tradição foi o condestável D. Nuno Alvares Pereira quem fundou a Igreja de Nossa Senhora do Castelo em Vila Viçosa e quem ofereceu a imagem da Virgem Padroeira, adquirida na Inglaterra. Este gesto do Contestável reconhece que a mística que levou Portugal à vitória veio da devoção de um povo a Nossa Senhora da Conceição.

Aliás, já desde o berço, já aquando da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, havia sido celebrado um pontifical de acção de graças, em Lisboa, em honra da Imaculada Conceição.

A espiritualidade que brotava da devoção a Nossa Senhora da Conceição foi novamente sublinhada no gesto que D. João IV assumiu ao coroar a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha de Portugal nas cortes de 1646.

Esta espiritualidade "imaculista" foi igualmente assumida por todos os intelectuais, que na prestigiada Universidade de Coimbra defenderam o dogma da Imaculada Conceição sob a forma de um juramento solene.

De tal modo a Imaculada Conceição caracteriza a espiritualidade dos portugueses, que durante séculos o dia 8 de Dezembro foi celebrado como "Dia da Mãe" e João Paulo II incluiu no seu inesquecível roteiro da Visita Pastoral de 1982 dois Santuários que unem o Norte e o Sul de Portugal: Vila Viçosa no Alentejo e o Sameiro no Minho.

O dia 8 de Dezembro transcende o "Dia Santo" dos Católicos e engloba indubitavelmente a comemoração da Independência de Portugal, que o dia 1 de Dezembro retoma. O feriado do dia 8 de Dezembro é religioso, mas é também celebrativo da cultura, da tradição e da espiritualidade da alma e da identidade do povo português.

Não menos importante, e em âmbito religioso e litúrgico, o tema da Imaculada Conceição da Virgem Maria é já abundantemente abordado pelos Padres da Igreja. Será o Oriente cristão o primeiro a celebrá-la. Festividade que chega à Europa Ocidental e ao continente europeu pelas mãos das cruzadas Inglesas nos séc. XI e XII. Vivamente celebrada pelos franciscanos a partir de 1263, será o também franciscano Sixto IV, Papa, que a inscreverá no calendário litúrgico romano em 1477.

De facto, o debate e a celebração desta festividade em toda a Europa é acompanhada pela história do próprio Portugal. Coimbra, como já vimos, tem um importante papel em todo este processo.

Em 8 de Dezembro de 1854, viverá a Igreja o auge de toda esta riqueza teológica e celebrativa. Através da bula "Ineffabilis Deus", Pio IX, após consultar os bispos do mundo, definirá solenemente o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

Não estamos diante de uma simples festa cristã ou de capricho religioso. O dogma resulta de tudo quanto a Igreja viveu até aqui e vive hoje em toda a sua plenitude. Faz parte da identidade da Igreja. Isso mesmo o prova o texto proclamado por Pio IX que apoia a sua argumentação nos Padres e Doutores da Igreja e na sua forma de interpretar a Sagrada Escritura. Ele, de facto, reconhece que este dogma faz parte, depois de muitos séculos, do ensinamento ordinário da Igreja.

Portugal, segundo Nuno Alvares Pereira, ou melhor, São Nuno de Santa Maria, e D. João IV isso mesmo o demonstram, não só como resultado da sua própria fé mas como expressão de um povo deveras agradecido pela sua Independência e Liberdade.

A Conceição Imaculada da Virgem é um dogma de fé segundo o qual Maria é considerada a primeira redimida pela Páscoa de Cristo.

Pe. Francisco Couto,
Reitor do Santuário de Vila Viçosa, professor do Instituto Superior de Teologia de Évora
Pe. Senra Coelho, professor do Instituto Superior de Teologia de Évora, Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa. (O Pe. Senra Coelho é actualmente Arcebispo de Évora)


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quarta-feira, 3 de maio de 2023

O milagre que levou à descoberta da Cruz onde Jesus foi crucificado

No dia 3 de Maio do ano 326 d.C., Santa Helena, mãe do Imperador Constantino descobriu a Vera Cruz em Jerusalém e levou-a para Roma. É neste dia que a Igreja celebra a Invenção (descoberta) da Santa Cruz.

Após aquela insigne vitória que Constantino obteve sobre Maxêncio, quando recebeu de Deus o sinal da Cruz do Senhor ["in hoc signo vinces"], Santa Helena, mãe de Constantino, tendo recebido uma revelação num sonho, foi a Jerusalém para procurar zelosamente a Cruz; aí ela cuidou de destruir a imagem de Vénus de mármore, que os gentios colocaram no lugar da Cruz, para tirar a memória da paixão de Cristo Senhor, e que aí permaneceu por cerca de 180 anos. O mesmo ela fez no presépio do Salvador, onde fôra posto um simulacro de Adónis, e no lugar da ressurreição, onde o fôra um de Júpiter.

Purgado, assim, o local da Cruz, por meio de profundas escavações foram encontradas três cruzes, e, separado delas, a inscrição que fôra colocada sobre a Cruz do Senhor; como não se sabia sobre qual das três ele deveria ser afixado, um milagre sanou a dúvida. Eis que Macário, bispo de Jerusalém, tendo elevado preces a Deus, levou cada uma das cruzes a três mulheres que sofriam de uma grave enfermidade, e, enquanto as demais nada aproveitaram para as mulheres, a terceira Cruz, levada à terceira mulher, curou-a imediatamente. 

Santa Helena, tendo encontrado a Cruz da salvação, construiu aí uma magnificentíssima igreja, na qual depositou parte da Cruz em urnas de prata, e outra parte entregou a seu filho, Constantino, que a levou a Roma, à igreja da santa Cruz de Jerusalém, edificada no palácio Sessoriano. Ela também entregou ao filho os cravos que trespassaram o santíssimo corpo de Jesus Cristo. Naquele tempo, Constantino sancionou uma lei para que, desde então, ninguém fosse condenado ao suplício da cruz, e aquilo que antes era castigo e maldição para os homens, passou a ser glória e objecto de veneração. 

in Breviário Romano


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terça-feira, 3 de maio de 2022

O nome do Brasil é Terra de Santa Cruz

A 3 de Maio do ano 1500, um Domingo, o Frei Henrique de Coimbra, confessor de D. João II e futuro bispo de Ceuta, celebrou a primeira Santa Missa no Brasil, que desde então recebeu o nome de Terra de Santa Cruz:

"O dia em que o capitão-mor Pedro Álvares Cabral levantou a cruz (...) foi a 3 de Maio, quando se celebra a invenção da Santa Cruz em que Cristo Nosso Redentor morreu por nós, e por esta causa pôs nome à terra que havia descoberto de Santa Cruz e por este nome foi conhecida muitos anos. 


Porém, como o demónio com o sinal da cruz perdeu todo o domínio que tinha sobre os homens, receando perder também o muito que tinha sobre os desta terra, trabalhou para que se esquecesse o primeiro nome e ficasse o de Brasil, por causa de um pau assim chamado de cor abrasada e vermelha com que se tingem panos, em vez do daquele divino pau, que deu tinta e virtude a todos os sacramentos da Igreja..."

Frei Vicente do Salvador, in História do Brasil (1627)



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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Servos ou escravos?

A palavra servo foi muitas vezes mal compreendida porque se confundiu a servidão, própria da Idade Média, com a escravatura que foi a base das sociedades antigas e da qual não se encontra qualquer rasto na sociedade medieval... 

Ora, a condição do servo é totalmente diferente da do escravo antigo: o escravo é uma coisa, não uma pessoa; está sob a dependência absoluta do seu dono que possui sobre ele direito de vida e de morte; qualquer actividade pessoal é-lhe recusada; não conhece nem família, nem casamento, nem propriedade.

O servo, pelo contrário, é uma pessoa, não uma coisa, e tratam-no como tal. Possui uma família, uma casa, um campo e fica desobrigado em relação ao seu senhor logo que pague os censos. Não está submetido a um patrão, está ligado a um domínio: não é uma servidão pessoal, mas uma servidão real. 

A restrição imposta à sua liberdade é que não pode abandonar a terra que cultiva. Mas, notemo-lo, essa restrição não deixa de ter uma vantagem, já que, embora não possa deixar a propriedade, também não podem tirar-lha; esta particularidade não estava longe, na Idade Média, de ser considerada um privilégio... 

O rendeiro livre está submetido a toda a espécie de responsabilidades civis que tornam a sua sorte mais ou menos precária: se se endivida, podem confiscar-lhe a terra; em caso de guerra, pode ser forçado a tomar parte nela, ou o seu domínio pode ser destruído sem compensação possível. O servo, esse, está ao abrigo das vicissitudes da sorte; a terra que trabalha não pode escapar-lhe, da mesma maneira que não pode afastar-se dela.

Esta ligação à gleba é muito reveladora da mentalidade medieval, e, notemo-lo, a este nível, o nobre está submetido às mesmas obrigações que o servo, porque ele tampouco pode em caso algum alienar o seu domínio ou separar-se dele de qualquer forma que seja: nas duas extremidades da hierarquia encontramos essa mesma necessidade de estabilidade, de fixação, inerente à alma medieval, que produziu a França e de uma maneira geral a Europa ocidental. 

Não é um paradoxo dizer que o camponês actual deve a sua prosperidade à servidão dos seus antepassados; nenhuma instituição contribuiu mais para o destino do campesinato francês; mantido durante séculos sobre o mesmo solo, sem responsabilidades civis, sem obrigações militares, o camponês tornou-se o verdadeiro senhor da terra; só a servidão poderia realizar uma ligação tão íntima do homem à gleba e fazer do antigo servo o proprietário do solo. 

Se a condição do camponês na Europa oriental, na Polónia e noutros lugares, permaneceu tão miserável, é porque não houve esse laço protector da servidão; nas épocas de perturbação, o pequeno proprietário, entregue a si próprio, responsável pela sua terra, conheceu as mais terríveis angústias que facilitaram a formação de domínios imensos; donde um flagrante desequilíbrio social, contrastando a riqueza exagerada dos grandes proprietários com a condição lamentável dos seus rendeiros. 

Se o camponês francês pôde desfrutar até aos últimos tempos de uma existência fácil, em relação ao camponês da Europa oriental, não é apenas à riqueza do solo que o deve, mas também e sobretudo à sabedoria das nossas antigas instituições.

Régine Pernoud in 'Lumiére du Moyen Age' (Edit. Grasset et Fasquelle, 1981)


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domingo, 21 de novembro de 2021

Vídeo da Conferência sobre os 450 anos da Batalha de Lepanto

Oradores:

- Exmo. Senhor General Alexandre de Sousa Pinto
- Exmo. Senhor Doutor Jaime Nogueira Pinto
- Exmo. Senhor Doutor Ibsen Noronha


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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Alguns Papas que erraram redondamente

O dogma da Fé não pode falhar, mas as inovações podem falhar-nos. Os homens podem falhar; os leigos podem falhar; os Sacerdotes podem falhar; os Bispos podem falhar; os Cardeais podem falhar; e até o Papa pode falhar em assuntos que não envolvam o Seu carisma de infalibilidade - tal como a História nos demonstra com mais do que um Papa que ensinou, ou pareceu ensinar, alguma inovação. 

Por exemplo, o Papa Honório foi postumamente condenado pelo Terceiro Concílio de Constantinopla, no ano 680, por ser auxiliar e cúmplice de heresia, condenação essa que foi aprovada pelo Papa Leão II e reiterada por Papas subsequentes. No Século XIV (1333), o Papa João XXII proferiu homilias - não definições solenes - em que insistia que as bem-aventuradas almas dos defuntos não gozam da Visão Beatífica antes do dia do Juízo Final. Por causa disto foi denunciado e corrigido por teólogos até que, por fim, retratou a sua opinião herética já no leito de morte. 

Neste último caso, os Católicos bem informados dessa época (que eram os teólogos) sabiam que João XXII estava enganado no seu ensino sobre o Juízo Particular. Sabiam que havia algo de errado no ensinamento de João XXII, por contradizer aquilo em que a Igreja tinha sempre acreditado - mesmo que, a essa altura, ainda não fosse uma definição infalível. Então, os Católicos que no século XIV conheciam a sua Fé, não se ficaram a dizer simplesmente: 'Ora bem, o Papa fez esta homilia a dizer isto…portanto, nós devemos mudar aquilo em que acreditamos'. Olhando ao ensino constante da Igreja de que os defuntos, falecidos na bem-aventurança, gozam da Visão Beatífica imediatamente a seguir ao Purgatório, os teólogos sabiam que João XXII estava enganado - e disseram-Lho. 

E aconteceu que, com o passar do tempo, o carácter imediato da Visão Beatífica foi solene e infalivelmente definido em 1336, pelo sucessor de João XXII, o que arrumou o assunto e o pôs acima de todo e qualquer debate ulterior - ora é precisamente para isso que uma definição infalível foi necessária. O mesmo se pode dizer em relação a todos os outros assuntos infalivelmente definidos pela Igreja. Podemos, e devemos, confiar nestas definições infalíveis com absoluta certeza, e rejeitar todas as opiniões em contrário - mesmo se as opiniões contrárias vierem de um Cardeal ou até de um Papa. (...) 

Outro exemplo é o do Papa Libério que, em 357, errou ao assinar um Credo que lhe fora proposto pelos Arianos e que omitia qualquer referência ao facto de o Filho ser consubstancial ao Pai. Resta esclarecer que o Papa Libério consentiu nisto depois de sofrer dois anos no exílio, e sob ameaça de morte. Falhou também (sob prisão e no exílio) ao condenar e excomungar erradamente - na realidade, dando só a aparência de excomungar - Santo Atanásio, que defendia a Fé neste assunto. 

Libério, o primeiro Papa a não ser proclamado santo pela Igreja, errou, porque Atanásio ensinava a Doutrina Católica - a verdadeira e infalível doutrina - ensinada infalivelmente pelo Concílio de Niceia no ano de 325 d.C. E era essa definição infalível - não o ensino errôneo do Papa Libério - que tinha de ser seguido naquele caso.

Pe. Paul Kramer in 'O Derradeiro Combate do Demónio' - Associação Missionária, pp. 223-224, Coimbra (Portugal), 2003


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sábado, 2 de janeiro de 2021

Cardeal jesuíta: "Os católicos de hoje são tão abertos ao mundo que quase se afogam no secularismo"

O Cardeal Avery Dulles, SJ, foi criado presbiteriano, mas quando estudava em Harvard já era mais agnóstico que presbiteriano. As suas dúvidas religiosas foram diminuídas durante um momento pessoal profundo em que saiu para um dia chuvoso e notou uma árvore a começar a florescer próxima do Charles River; após esse momento nunca mais "duvidou da existência de um Deus omnipotente e bom". Ele notou como o seu teísmo depressa se tornou numa conversão ao catolicismo: "Quanto mais examinava, mais impressionado ficava com a consistência e sublimidade da doutrina Católica." Converteu-se ao catolicismo no Outono de 1940, tornando-se depois jesuíta e feito em 2001 Cardeal pelo Papa João Paulo II.

«Nos anos noventa os problemas mudaram novamente. Os católicos hoje têm menos razões para se sentirem sobrecarregados pela bagagem acumulada dos séculos passados. Deixaram de ser forçados a aderir aos rígidos padrões estabelecidos pelos seus antepassados. Em países como os Estados Unidos, a gente nova não pode sequer imaginar o que teria sido viver na Igreja Católica de há cinquenta anos atrás. Estes celebram normalmente em igrejas ou auditórios despojados, sem altares nem imagens. Não sabem nada sobre as respostas do catecismo que os seus pais e avós memorizavam. Praticamente não sabem orações de cor, e são, talvez, incapazes de rezar o Angelus ou o Terço. Eles são tão abertos ao mundo que quase se afogam no secularismo. Tudo o que lhes é familiar veio à existência ontem e vai provavelmente desaparecer amanhã. Nas suas vidas nada parece estável e seguro. Não surpreende que muitos deles tenham de novo fome da riqueza e estabilidade de uma tradição católica a que eles quase perderam o acesso.

A recuperação da tradição estável não será fácil, mas os sinais dos tempos nos anos noventa são, em alguns aspectos, mais favoráveis às “tradições” do que os dos anos sessenta. Quatro considerações podem ser aqui propostas: 

1. O historicismo do passado recente exagerou a transitoriedade de todas as coisas humanas. As estruturas profundas da natureza, incluindo a natureza humana, são surpreendentemente resistentes à mudança. Quando lemos Homero ou Sófocles, o Êxodo ou os Provérbios, somos surpreendidos pelo pouco que as coisas realmente mudam. As tradições religiosas fornecem símbolos que expressam, de forma viva e concreta, a situação permanente e universal do ser humano diante da alteridade transcendente de Deus. Gestos como curvar-se e ajoelhar-se, o uso de velas e incenso, água e óleo, e a manutenção de espaços sagrados em lugares de culto – estes e mil outros costumes põe os fiéis em contacto com as estruturas profundas da realidade e promovem uma autêntica experiência religiosa. Nada na situação contemporânea convida a que estas ajudas para a celebração da liturgia sejam abandonadas. 

2. As tradições religiosas, precisamente porque não seguem a última moda, prestam um importante serviço, dispondo os crentes à comunhão com o sagrado e com o divino. Não devemos esquecer a importância do canto, dos ícones e das antigas línguas sacrais – como são para os cristãos, o hebraico, o grego e o latim. Mesmo o vernáculo usado no culto, se se quer evocar reverência para com o divino, deve ser distinto do jargão usado habitualmente no mercado. 

3. Nas religiões históricas, tal como o cristianismo, a tradição tem ainda outra função. Esta liga o crente contemporâneo aos eventos fundadores nos quais se alicerça a comunidade. Os dias de festa tradicionais, as leituras e rituais reactualizam de uma forma poderosa as experiências do Êxodo, do Sinai, da conquista da Terra Santa, do retorno do exílio babilónico e, para os cristãos, as acções redentoras de Jesus Cristo. Os actos comuns, tal como a bênção e efusão da água, ou a consagração do pão e do vinho, ultrapassam as próprias potencialidades simbólicas da natureza. Estes permitem-nos participar nos acontecimentos salvíficos que se encontram nas próprias fontes da nossa existência religiosa. 

4. As tradições são necessárias para iniciar e integrar os indivíduos em qualquer comunidade que exija lealdade e compromisso por parte dos seus membros. Para uma nação, a bandeira, feriados nacionais, hinos, e promessas de lealdade, são uma grande ajuda para estabelecer solidariedade entre os cidadãos. A Igreja precisa de tradições semelhantes. Sem o uso de crucifixos, de dias de festa, de hinos e profissões de fé, o Catolicismo dificilmente se poderia manter como uma sociedade mundial duradoura. Muitas dessas tradições foram severamente abaladas nos anos que se seguiram ao Vaticano II. Hoje precisam de ser reconstituídas e reforçadas. Sem uma integração mais efectiva na Igreja, pode acontecer que os fiéis deixem de ter a possibilidade de aceitar ou de interpretar correctamente as Escrituras, os símbolos normativos, e as afirmações de fé que vêm do passado.» 

Avery Dulles, The Craft of Theology. From Symbol to System, (1992), 101-103


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sexta-feira, 31 de julho de 2020

O 'Gato de Cheshire' e a decadência do Cristianismo liberal


O projecto para destruir o Cristianismo está em curso há mais de três séculos, mas foi só nos últimos 50 anos que os anticristãos descobriram a sua arma mais eficiente.

Este projecto teve o seu início cerca do ano 1700 com o aparecimento do deísmo como alternativa ao Cristianismo. Surgiram umas quantas variedades de deístas. Alguns (por exemplo Voltaire e Tom Paine) detestavam o Cristianismo. Outros (como Jefferson e Kant), não odiavam o Cristianismo, simplesmente consideravam-no um sistema de crenças inferior, um sistema que contém alguns belos princípios morais, mas também algumas superstições perniciosas. Voltaire tentou destruir o Cristianismo (apelando à eliminação “da coisa infame” – Ecraszez l’infame) fazendo troça dele, como no seu Dicionário Filosófico. 

E como era um homem com grande sentido de humor, até teve um certo sucesso. Jefferson tentou destruir o Cristianismo mostrando o quão porreiro Jesus era, desde que a sua imagem pudesse ser libertada das muitas superstições adicionais que os cristãos tinham afixado nele, como quem coloca decorações numa árvore de Natal. Vejam, nesse sentido, “A Vida e Moral de Jesus de Nazaré” que é, literalmente, uma edição de corta e cola do Novo Testamento.

Este tipo de ataque levou algumas pessoas a abandonar o Cristianismo, mas não muitas. Para ser afectado por críticas destas era preciso ler livros, e lê-los com alguma atenção. Por outras palavras, era preciso ser intelectual ou semi-intelectual.

Na segunda meta do século XIX surgiu outro grande ataque ao Cristianismo. Desta vez os anticristãos usaram a teoria de Darwin da evolução das espécies, a filosofia do agnosticismo de Spencer e a história crítica alemã da Bíblia para bater na velha religião. Mais uma vez, tratou-se de um ataque bastante intelectual, que apelava a pessoas que liam livros e artigos de revistas sérias. Contudo, devido ao grande crescimento da prosperidade económica durante o século XIX, o mundo tinha muito mais intelectuais e semi-intelectuais do que no século anterior. Por isso este ataque produziu muito mais deserções do Cristianismo. Não obstante, o Cristianismo continuaria, de longe, a ser o sistema de crenças dominante do mundo ocidental.

Um dos efeitos secundários deste ataque da era vitoriana foi o protestantismo liberal, que acreditava estar a adaptar o Cristianismo para o tornar mais apetecível ao homem moderno, mas que acabou por conduzir, nos primeiros sessenta e tal anos do século XX, a um grande número de deserções, algumas inconscientes, do protestantismo clássico. Um protestante liberal podia abandonar um após outro os artigos do Credo tradicional, tal como o nascimento virginal, a divindade de Cristo, a expiação e a Ressurreição, enquanto se continuava a apelidar de cristão e acreditar, mais ou menos honestamente, que o era. (Outro efeito secundário foi o Modernismo Católico, porém esse foi morto à nascença por Pio X).

Mas o maior golpe contra o Cristianismo, o golpe que parece ter sido em grande medida bem-sucedido no objectivo de reduzir o Cristianismo a um estatuto minoritário no mundo ocidental, foi a revolução sexual, que começou na década de 60. Não era preciso ser um intelectual ou um semi-intelectual para se participar na revolução sexual. Não era preciso ler livros ou artigos de revistas nem participar em conferências chiques.

Bastava cometer aquilo que o mundo cristão até então tinha chamado um pecado sexual e ao mesmo tempo sentir que o que tinha feito, longe de ser um pecado, era de facto um gesto bom. Nem sequer era preciso cometer este pecado pessoalmente, bastava dar a sua aprovação ao pecado em geral. A revolução foi só em parte uma alteração em grande escala do comportamento sexual. Em maior medida constituiu uma mudança na avaliação moral do comportamento sexual, transformando os sinais negativos em positivos.

Claro que o protestantismo liberal (a que se juntou, depois do Vaticano II, o Catolicismo neomodernista que tinha recuperado do golpe aparentemente mortal que lhe tinha sido infligido no início do século XX por Pio X) fez aquilo que faz melhor e disse que se podia ser um cristão mesmo enquanto se repudiava a moral sexual que remonta aos primórdios do Cristianismo. Num acto incrível de auto-ilusão, muitos protestantes e católicos conseguiram mesmo convencer-se de que isso é verdade. Mas este tipo de ilusão tem pouco poder de permanência. É tão claramente ridículo que não é o género de coisa que possamos passar a gerações futuras.

Vivemos numa era em que o Cristianismo, tal como o Gato de Cheshire – de Alice no País das Maravilhas – está gradualmente a apagar-se na maior parte dos países mais desenvolvidos do mundo. O Gato de Cheshire deixou apenas o seu sorriso. O Cristianismo liberal, seja protestante ou católico, também está a deixar para trás o que parece ser um sorriso, um sorriso que diz, “sou um grande fã de Jesus, o tipo porreiro cuja mensagem intemporal se resume às magníficas palavras, ‘não julgues para que não sejas julgado’”.

David Carlin in thecatholicthing.org (traduzido por 'Actualidade Religiosa')


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segunda-feira, 20 de julho de 2020

76 anos de mais uma tentativa de matar Hitler com envolvimento da Hierarquia Católica

O atentado falhado contra Hitler

Às 12h daquele 20 de julho de 1944, em Rastemburg, o aristocrata coronel Claus Schenk von Stauffenberg se recolheu em oração uns poucos minutos, antes de entrar na “Toca do lobo” e instalar o explosivo que a faria saltar pelos ares. Mas naquele dia, mais uma vez, Adolf Hitler saiu ileso do encontro com a morte. O golpe de Estado, que talvez pudesse ter poupado a vida de milhões de pessoas e resgatado ao menos a honra da Alemanha, havia fracassado. O resto é história conhecida. Naquela mesma noite, Stauffenberg e os outros militares conjurados são fuzilados.

Envolvimento da Hierarquia Católica no atentado

Mas o que sabia a alta hierarquia eclesiástica sobre o atentado? Os prelados alemães tinham ciência do plano dos conspiradores? E qual foi sua atitude? A Gestapo de Colónia, num relatório enviado a Berlim, destacava “que muitos se admiraram com a ausência de comentários por parte dos bispos” e que “a maior parte do clero lamenta em seu coração que o atentado a Hitler tenha fracassado”. A reserva assumida pela Igreja Católica diante do atentado foi comentada assim por um membro da hierarquia nazi: “É uma postura típica do clero o facto de não haver nem ao menos um sacerdote, inclusive bispo, que tenha encontrado uma palavra de desprezo pelo atentado dos traidores contra o Führer, ou que se tenha alegrado por sua salvação”.

Segundo argumentou amplamente o jesuíta Giovanni Sale, historiador e escritor da Civiltà Cattolica, deve-se considerar que o núncio apostólico junto ao Reich, Cesare Orsenigo, “tenha sido mantido completamente às escuras pelos conjurados quanto aos preparativos do atentado a Hitler de 20 de Julho”. “A dinâmica dos fatos que ele expõe na forma de uma nota informativa enviada à Secretaria de Estado vaticana um ano depois do atentado fracassado”, afirma Sale, “evidencia que a tese que ele sustentava a res­peito era a de um falso complot político” e que ele, de qualquer forma, “no dia seguinte ao atentado aceitava ser boa, como todas as chancelarias europeias, a versão dos factos divulgada por Hitler”.

No entanto, já foi evidenciado que nos anos de 1942-1943 o Vaticano não ignorava totalmente a tentativa de derrubar Hitler. A Santa Sé dispunha de outros canais de informação, por meios dos quais o próprio Pio XII se mantinha em contato com a resistência alemã. E não apenas a partir das notícias secretas trazidas pelo advogado, católico praticante, Josef Müller, “o homem de ligação entre os serviços secretos alemães do Abwehr e o Vaticano”. 

Através de um relatório dos serviços secretos americanos (OSS), datado de 20 de Agosto de 1944, baseado numa conversa do agente H. Stuart Hughes com o jesuíta bávaro Georg Leiber, que havia sido secretário de Pacelli na época da nunciatura na Alemanha e estava em contacto com Pio XII, fica claro que as fontes de informação do jesuíta Leiber se encontravam na dissidência que incluía alguns membros do Círculo de Kreisau, o general Hans Oster, líder da resistência junto à contra-espionagem militar, Hans von Dohnanyi, e também o teólogo protestante Dietrich Bonhoeffer. 

Depois da prisão destes e de Müller, o intermediário entre os dissidentes e o Vaticano passou a ser Hans Bernd Gisevius, delegado do Abwehr na Suíça, o qual, em 20 de Julho, estava entre os conjurados presentes no edifício da Bendlerstrasse no qual Stauffenberg e os outros altos oficiais foram fuzilados. Além disso, não é mistério que o próprio Stauffenberg, católico praticante, era amigo de alguns adeptos do Círculo de Kreisau, de influentes jesuítas e de numerosos prelados alemães.

Nesta altura, a pergunta é se alguns desses prelados encorajou com seu conselho e sua tácita aprovação o atentado contra o ditador; atentado que alguns conjurados consideravam, utilizando categorias conceituais próprias da moral católica, um verdadeiro tiranicídio.

A fonte escrita em que se encontram elementos que provam os contactos e intercâmbios entre os ambientes da dissidência activa tanto civil quanto militar e as altas hierarquias eclesiásticas alemãs é representada pelo diário e pelas cartas do conde Von Moltke, fundador do Círculo de Kreisau.

Pelo diário de Von Moltke, sabemos que alguns bispos de destaque estavam próximos da resistência. No diário, os nomes de dois prelados estão entre os mais decididos adversários do nazismo: Konrad von Preysing, bispo de Berlim, e Clemens August von Galen, bispo de Münster; a estes se acrescentam o bispo de Fulda, Johannes Dietz, presidente da Conferência Episcopal, e o cardeal de Munique, Michael von Faulhaber. 

O bispo Von Preysing figura até na lista dos “participantes ocasionais” das reuniões do Círculo que aconteciam em Berlim, normalmente na casa de Peter Yorck. Von Moltke havia estabelecido relação com o bispo em Setembro de 1941 e, a partir dessa data, os encontros entre os dois tornaram-se frequentes: “A tarde de ontem, com Preysing”, anota Von Moltke no seu diário, “foi muito satisfatória. Pareceu-me que ele também estivesse satisfeito. [...] Logo me convidou a voltar, e é o que farei em intervalos regulares de três semanas”. 

A 13 de Novembro, o conde voltou a ver o bispo. O encontro foi confidencial. O bispo falou-lhe, entre outras coisas, do idoso arcipreste da Catedral, Bernhard Lichtenberg, que havia sido preso sob a acusação de “atitude anti-nazi” por ter rezado ao lado dos judeus, e leu a ele o relatório dos interrogadores que lhe fora expedido naquele mesmo dia pela Gestapo. A relação entre “a alma” do Círculo de Kreisau e o bispo de Berlim, como fica claro por diversas outras passagens do diário, tornou-se intensa.

A 1 de agosto de 1942, Von Moltke escreve: “À noite chegaram de Munique o padre Delp e o padre König, que, passando por Fulda, haviam-se encontrado com o bispo daquela cidade. [...] Creio que entre essas pessoas tenha-se criado a base de confiança necessária para continuar em frente, tanto mais que, o que é ainda mais importante, Delp, que veio sob encargo dos bispos Faulhaber, Preysing e Dietz, transmitiu a Karl Miriendorff e a mim o convite para um encontro...”. Em Janeiro de 1943, von Moltke, de passagem por Munique (onde encontrou os seus amigos jesuítas Rösch, König, Delp e o advogado Josef Müller), teve a oportunidade de encontrar o cardeal Von Faulhaber e o pôs a par dos planos que estavam sendo preparados. “Depois de me ouvir”, anota o conde no seu diário, “o cardeal insistiu em que se estipulasse uma concordata entre o Vaticano e o novo Estado alemão”, que deveria se instaurar no dia seguinte ao golpe de Estado.

É certo, além disso, que pouco antes de 20 de Julho o próprio artífice do atentado, Stauffenberg, havia-se encontrado com o bispo Von Preysing. O prelado, todavia, mesmo depois do fim da guerra, não quis revelar o conteúdo daquela conversa. Nem disse uma palavra a res­peito dos seus contactos directos com os membros da dissidência. Sabemos, todavia, como lembra o jesuíta alemão Peter Gumpel, que o bispo de Berlim estava na mira das investigações levadas a cabo pelo Tribunal do Povo, mas Von Preysing escapou das garras do famigerado Roland Freisler graças à morte deste, acontecida em Fevereiro de 1945 durante um bombardeio aéreo.

Stefania Falasca in 30giorni.it


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segunda-feira, 25 de maio de 2020

Curiosidades Papais

A palavra Papa
Derivada do grego pappas e do latim pappa. Ambas significam pai. Em 1073, o Papa Gregório VII proibiu que o termo fosse utilizado por qualquer outra pessoa. Até aquela data, bispos e padres também recebiam o tratamento de papa.

A autoridade Papal
Segundo a tradição católica, a liderança de São Pedro perante os 12 apóstolos, confiada por Jesus Cristo, é que define a supremacia do Sumo Pontífice.

Mais jovem
João XII tinha apenas 18 anos quando foi eleito.

Mais idoso
Honório III. Eleito com 90 anos.

Papa que não era clérigo
Conde Tusculum (João XIX) foi eleito em 1024 sendo leigo e senador.

Papado mais longo
São Pedro ficou 33 anos no trono.

O mais curto
Urbano VII. Durou apenas 13 dias.

Insígnias do papado
O anel do pescador. Quando o Papa morre, o seu anel, que é usado na mão direita, é partido numa bigorna, com um martelo de ouro.

As chaves de São Pedro
Simbolizam o poder que foi dado a São Pedro.

Sede gestatória
Poltrona montada sobre um andor, carregada pelos oficiais do Vaticano quando o Papa saía em Procissão. João Paulo II substituiu-a pelo Papamovel.

Batina branca
Usada pela primeira na Idade Média, quando o Papa começou a usar regularmente o título de Vigário de Cristo, para representar a pureza de Cristo.

Tiara pontifícia
A tiara é imposta ao novo Papa pelo Cardeal protodiácono pronunciando a seguinte fórmula: "Recebe a tiara ornada com três coroas e sabe que és o pai dos príncipes e dos reis, o reitor do mundo, o vigário na terra do Salvador nosso Jesus Cristo, ao qual se deve toda a honra e toda a glória pelos séculos dos séculos". Paulo VI usou apenas uma vez e João Paulo I recusou-se a usá-la.

Renúncias
Celestino V (Pierre de Morrone) (Celestino V), porque não se considerava capaz de exercer o pontificado. O mesmo aconteceu com o Papa Bento XVI (Joseph Ratzinger) em 2013.

Papas assassinados (não mártires)
João VIII, Estêvão VI, Leão V, João X, João XII, Bento VI, João XIV, Clemente II. 
  
Papas canonizados
Há 81 papas canonizados e 8 beatificados.



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sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Palavras duras de Dom Bosco sobre Maomé e o Islão

Na sua conceituada obra ''História Eclesiástica", São João Bosco descreveu o Islão e o seu fundador, Maomé, nos seguintes modos:

Maomé e a sua religião

Nasceu este famoso impostor em Meca, cidade da Arábia, de família pobre, de pai gentio e mãe judia. Em busca de fortuna, encontrou-se com uma viúva negociante em Damasco, que o nomeou seu procurador e mais tarde casou-se com ele. 

Como era epilético soube aproveitar-se desta enfermidade para provar a religião que tinha inventado e afirmava que as suas quedas eram outros tantos êxtases, durante os quais falava com o arcanjo Gabriel. A religião que pregava era uma mistura de paganismo, judaísmo e cristianismo. Ainda que admita um só Deus, não reconhece a Jesus Cristo como filho de Deus, mas como seu profeta.

Como dissesse com jactância que era superior ao divino Salvador, instavam com ele para que fizesse milagres como Jesus fazia; porém ele respondia que não tinha sido suscitado por Deus para fazer milagres, mas para restabelecer a verdadeira religião mediante a força. 

Ditou as suas crenças em árabe e com elas compilou um livro que chamou Alcorão, isto é, livro por excelência; narrou nele o seguinte milagre (ridículo em sumo grau): Disse que tendo caído um pedaço da lua na sua manga, ele soube fazê-la voltar ao seu lugar; por isso os maometanos tomaram por insígnia a meia lua. 

Sendo conhecido por homem perturbador, os seus concidadãos trataram de dar-lhe morte; sabendo disto o astuto Maomé fugiu e retirou-se para Medina com muitos aventureiros que o ajudaram a apoderar-se da cidade. A fuga de Maomé deu-se o nome de Egira, isto é, perseguição; e desde então começou a era muçulmana, correspondente ao ano 622 de nossa era.

O Alcorão está cheio de contradições, repetições e absurdos. Não sabendo Maomé escrever, ajudaram-no na sua obra um judeu e um monge apóstata da Pérsia chamado Sérgio. 

Como o maometismo favorecesse a libertinagem teve prontamente muitos sequazes; e como pouco depois se visse o seu autor à frente de um formidável exército de bandidos, pode com as suas palavras e ainda mais com suas armas introduzi-lo em quase todo o Oriente. 

Maomé depois de ter reinado nove anos tiranicamente, morreu na cidade de Medina no ano 632.

São João Bosco in 'História Eclesiástica'


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terça-feira, 29 de outubro de 2019

Onde estão enterrados os Apóstolos?

Os Apóstolos foram enviados por Nosso Senhor a evangelizar o Mundo de inteiro. Mas onde se encontram hoje em dia os seus corpos?
1
São Pedro

Basílica Papal de São Pedro - Vaticano
2
São Paulo

Basílica de São Paulo fora dos Muros - Roma, Itália
3
São Mateus

Catedral de Mateus o Apóstolos - Salerno, Itália
4
São Tiago Maior

Catedral de Santiago de Compostela - Galiza, Espanha
5
São Tiago Menor e São Filipe

Basílica dos Santos Doze Apóstolos - Roma, Itália
6
São Bartolomeu

Basílica de São Bartolomeu, na ilha tiberina - Roma, Itália
7
Santo André

Catedral de Santo André - Amalfi, Itália
8
São Simão o zelota e São Judas Tadeu

Altar de São José, Basílica de São Pedro - Vaticano
9
São Tomé

Basílica do Santuário Nacional de São Tomé - Chennai, Índia
10
São Matias

Abadia de São Matias - Trier, Alemanha
11
São João

Ruinas da Basílica de São João - Éfeso, Turquia


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