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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

O que são as Têmporas do Advento?

Para iniciar de maneira mais piedosa as quatro estações do ano, já nos primeiros tempos eram celebradas as Têmporas. Estes dias são sempre a Quarta-Feira, a Sexta-Feira e o Sábado, e são dedicados ao jejum e à oração. Foram instituídas para agradecer a Deus as colheitas e para implorar novas bênçãos do Senhor para as searas futuras.

O dia mais solene era o Sábado e ainda hoje é o dia preferido para as ordenações sagradas, no Rito Tradicional. É portanto de sumo interesse para os fiéis, que nestes dias implorem a Deus a dádiva de Pastores zelosos para o rebanho do Senhor.

As primeiras Têmporas são na 3ª semana do Advento, as segundas na 2ª semana da Quaresma, as terceiras na Oitava de Pentecostes e as últimas têm início na Quarta-Feira depois de 14 de Setembro.

O jejum durante as Têmporas de Advento - que neste ano calham nos dias 17, 19 e 20 de Dezembro - tem também como objectivo uma melhor preparação para o Natal.


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quinta-feira, 13 de março de 2025

Jejum na Quaresma

Queres que te mostre que jejum deves praticar? Jejua do pecado, não tomes qualquer alimento de maldade, não aceites refeições de volúpia, não te aqueças com o vinho da luxúria. 

Jejua das más acções, abstém-te de palavras invejosas, guarda-te de maus pensamentos. Não toques em pães roubados de uma doutrina perversa. Não desejes os alimentos enganadores da filosofia, que te afastam da verdade. É esse o jejum que agrada a Deus. 

Ao dizer isto, não quero aconselhar-te a relaxares as rédeas da abstinência cristã, visto que temos os dias da quaresma que são consagrados aos jejuns, para além do quarto e do sexto dias da semana, em que jejuamos, de acordo com o costume estabelecido; e o cristão é livre de jejuar em qualquer momento, não por escrúpulo de observância, mas por virtude de continência.

Pois como havemos de guardar a castidade, se ela não estiver sustentada no rigoroso apoio da abstinência? Como havemos de nos entregar às Escrituras, como havemos de nos aplicar à ciência e à sabedoria? Não será pela continência do ventre e da garganta? 

Eis um bom motivo para os cristãos jejuarem. Mas há outro, também ele religioso, cujo elogio é feito nos escritos dos apóstolos. Com efeito, encontramos a seguinte afirmação numa carta: «Feliz o que jejua também para alimentar o pobre»: o seu jejum é muito agradável a Deus e, na verdade, é extremamente digno, pois imita Aquele que deu a vida pelos seus irmãos.

Orígenes (185-253) in Homilia sobre o Levítico



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terça-feira, 4 de março de 2025

O adeus às panquecas

Hoje é dia de Carnaval. A etimologia desta palavra está relacionada com o adeus à carne. Isto por ser o dia anterior à Quarta-Feira de Cinzas, com o qual inicia a Quaresma e começa a restrição do consumo de carne, até à Páscoa.

Este dia é também conhecido por Terça-Feira Gorda porque as pessoas comiam como se não houvesse amanhã, antes do grande jejum que se aproximava (todos os dias da Quaresma eram dias de jejum menos os Domingos e dias Santos de Guarda).

Relacionado com isso aparece outro nome dado a esta Terça-Feira: dia da Panqueca. Como estivessem também os laticínios restritos durante a Quaresma, as pessoas aproveitavam para comer esta iguaria que é feita à base de ovos, leite e açúcar.

Bom dia da panqueca para todos!



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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Nunca se viu um homem jejuar com discernimento e ser assaltado por maus desejos

Tal como os olhos sãos desejam a luz, assim o jejum efectuado com discernimento suscita o desejo da oração. Quando um homem começa a jejuar, deseja comunicar com Deus nos pensamentos do seu espírito. 

Com efeito, o corpo que jejua não suporta dormir toda a noite no seu leito. Quando o jejum sela a boca do homem, este medita em estado de contrição, o seu coração reza, o seu rosto está sério, os maus pensamentos deixam-no; é inimigo das cobiças e das conversas vãs. Nunca se viu um homem jejuar com discernimento e ser assaltado por maus desejos. O jejum feito com discernimento é uma grande casa que protege muito bem… 

Porque o jejum é a ordem que foi dada desde o início à nossa natureza, para não comer o fruto da árvore (Gn 2,17), e é daí que vem aquilo que nos engana… Foi também por aí que o Salvador começou, quando se revelou ao mundo no Jordão. Com efeito, depois do baptismo, o Espírito levou-o ao deserto, onde jejuou quarenta dias e quarenta noites. 

Todos os que partem para o seguir fazem doravante o mesmo: é sobre este fundamento que põem o início do seu combate, porque tal arma foi forjada por Deus… E quando agora o diabo vê essa arma na mão de um homem, este adversário e tirano tem medo. Ele pensa imediatamente na derrota que o Salvador lhe infligiu no deserto, recorda-se e a sua força é quebrada. Consome-se assim que vê a arma que nos deu aquele que nos conduz ao combate. Que arma pode ser mais poderosa e reanimar tanto o coração na sua luta contra os espíritos do mal?

Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul in 'Discursos ascéticos', 1.ª série, n.º 85 


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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Jejum e abstinência nos Códigos de Direito Canónico de 1917 e 1983

Jejum e abstinência no Novo Código de Direito Canónico de 1983

Os dias e períodos de penitência para a Igreja universal são todas as Sextas-Feiras de todo o ano e o tempo da Quaresma [Cân. 1250]. A abstinência de carne ou de qualquer outro alimento determinado pela Conferência Episcopal deve ser observada em todas as Sextas, excepto nas solenidades. [Cân. 1251].

A abstinência e o jejum devem ser observados na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa. [Cân. 1252]. A lei da abstinência vincula a todos que completaram 14 anos. A lei do jejum vincula a todos que chegaram à maioridade, até ao início dos 60 anos [Cân. 1252].

Jejum e abstinência tradicionais conforme o Código de Direito Canónico de 1917

Entre 1917 e o Novo Código de 1983, certos países tinham dias de jejum e abstinência particulares, e.g., os Estados Unidos tinham a vigília da Imaculada Conceição em vez da Assunção como dia de abstinência; dispensas para o dia de São Patrício e São José, etc. Não é possível relacioná-los todos. Publicamos as prescrições do código de 1917, com menção da extensão do jejum e abstinência até meia noite do Sábado Santo que foi ordenada por Pio XII.

Dias de jejum simples:

O jejum consiste numa refeição completa e duas menores, que juntas são menos que uma refeição inteira. Não é permitido comer entre as refeições, mas líquidos podem ser tomados. É permitido comer carne em dia de jejum simples. Os dias de jejum simples são: Segundas, Terças, Quartas e Quintas-Feiras da Quaresma. [Cân. 1252/3]

Todos eram vinculados à lei do jejum a partir dos 21 até aos 60 anos.

Dias de abstinência:

A abstinência consiste em abster-se de comer carne de animais de sangue quente, molhos ou sopa de carne nos dias de abstinência. A abstinência era em todas as Sextas-Feiras, a não ser que fosse um Dia de Guarda [Cân. 1252/4]. A lei da abstinência vinculava a todos que tinham completado 7 anos de idade. [Cân. 1254/1].

Dias de jejum e abstinência:

O jejum e abstinência consistem numa refeição completa e duas refeições menores que juntas são menos que uma refeição inteira. Não era permitido comer carne de animais de sangue quente, molhos e sopas de carne. Não era permitido comer entre as refeições, embora bebidas pudessem ser tomadas. Esses dias eram: Quarta-Feira de Cinzas, todas as Sextas e Sábados da Quaresma (até meia noite no Sábado Santo), cada uma das Quatro Temporas, Vigília de Pentecostes, da Assunção,  do dia de Todos os Santos e do Natal. [Cân. 1252/2]

Os dias tradicionais de abstinência para os que usam o Escapulário de Nossa Senhora do Monte Carmelo são Quartas e Sábados.

in 'The year of Our Lord Jesus Christ 2009' - The Desert Will Flower Press
(Tradução: Fratres in Unum)


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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

O jejum e a alegria - S. Pedro Crisólogo

«Porque é que nós jejuamos e os Teus discípulos não jejuam?» Porquê? Porque para vós o jejum é uma questão de lei. Não é um dom espontâneo. Em si mesmo, o jejum não tem valor; o que conta é o desejo daquele que jejua. Que proveito pensais tirar do vosso jejum, se jejuais constrangidos e forçados por uma lei? O jejum é um arado maravilhoso para lavrar o campo da santidade. Mas os discípulos de Cristo foram enviados a trabalhar no campo já maduro da santidade; eles comem o pão da colheita nova. Como poderiam eles ser obrigados a praticar jejuns agora caducos? «Poderão os convidados para a boda jejuar enquanto o Esposo está com eles?»

Aquele que se casa entrega-se inteiramente à alegria e toma parte do banquete; mostra-se muito afável e alegre para com os convidados; faz tudo o que lhe inspira o seu afecto pela esposa. Cristo celebra as Suas bodas com a Igreja enquanto vive na terra. É por isso que aceita tomar parte nas refeições para as quais é convidado. Cheio de benevolência e amor, mostra-Se humano, acessível e amável. Não veio Ele para unir o homem a Deus e fazer dos Seus companheiros membros da família de Deus?     

Do mesmo modo, diz Jesus: «Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha». Esse pano novo é o tecido do Evangelho, que está em vias de ser entretecido com a lã do Cordeiro de Deus: uma veste real que o sangue da Paixão irá em breve tingir de vermelho. Como aceitaria Cristo unir esse pano novo com a vetustez do legalismo de Israel? 

Assim como «ninguém deita vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho romperá os odres e perde-se o vinho, tal como os odres. Mas vinho novo, em odres novos.» Esses odres novos são os cristãos. O jejum de Cristo é que purificará esses odres de toda a sujidade, para que fique intacto o sabor do vinho novo. O cristão torna-se assim o odre novo, pronto a receber o vinho novo, o vinho das bodas do Filho, pisado na prensa da cruz.

in Sermão sobre Marcos 2; PL 52, 287


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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Normas para o jejum, abstinência e penitência

Determinações relativas ao jejum e à abstinência 

4. O jejum e a abstinência são obrigatórios em Quarta-Feira de Cinzas e em Sexta-Feira Santa. 

5. A abstinência é obrigatória, no decurso do ano, em todas as sextas-feiras que não coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades. Esta forma de penitência reveste-se, no entanto, de significado especial nas sextas-feiras da Quaresma. 

6. O preceito da abstinência obriga os fiéis a partir dos 14 anos completos. O preceito do jejum obriga os fiéis que tenham feito 18 anos até terem completado os 59. Aos que tiverem menos de 14 anos, deverão os pastores de almas e os pais procurar atentamente formá-los no verdadeiro sentido da penitência, sugerindo-lhes outros modos de a exprimirem. 

7. As presentes determinações sobre o jejum e a abstinência apenas se aplicam em condições normais de saúde, estando os doentes, por conseguinte, dispensados da sua observância. 

Determinações relativas a outras penitências

8. Nas sextas-feiras poderão os fiéis cumprir o preceito penitencial, quer fazendo penitência como acima ficou dito, quer escolhendo formas de penitência reconhecidas pela tradição, tais como a oração e a esmola, ou mesmo optar por outras formas, de escolha pessoal, como, por exemplo, privar-se de fumar, de algum espectáculo, etc. 

 9. No que respeita à oração, poderão cumprir o preceito penitencial através de exercícios de oração mais prolongados e generosos, tais como: o exercício da via-sacra, a recitação do rosário, a recitação de Laudes e Vésperas da Liturgia das Horas, a participação na Santa Eucaristia, uma leitura prolongada da Sagrada Escritura. 

10. No que respeita à esmola, poderão cumprir o preceito penitencial através da partilha de bens materiais. Essa partilha deve ser proporcional às posses de cada um e deve significar uma verdadeira renúncia a algo do que se tem ou a gastos dispensáveis ou supérfluos. 

11. Os cristãos que escolherem como forma de cumprimento do preceito da penitência uma participação pecuniária orientarão o seu contributo penitencial para uma finalidade determinada, a indicar pelo Bispo diocesano. 

12. Os cristãos depositarão o seu contributo penitencial em lugar devidamente identificado em cada igreja ou capela, ou através da Cúria diocesana. Na Quaresma, todavia, em vez desta modalidade ou concomitantemente com ela, o contributo poderá ser entregue no ofertório da Missa dominical, em dia para o efeito fixado. 

As formas de penitência não se excluem mas completam-se mutuamente 

13. É aconselhável que, no cumprimento do preceito penitencial, os cristãos não se limitem a uma só forma de penitência, mas antes as pratiquem todas, pois o jejum, a oração e a esmola completam-se mutuamente, em ordem à caridade. 

Normas publicadas pela Conferência Episcopal com data de 28 de Janeiro de 1985


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sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Oração, misericórdia e jejum andam sempre de mão dada

Há três actos, meus irmãos, em que a fé se sustenta, a piedade consiste e a virtude se mantém: a oração, o jejum e a misericórdia. A oração bate à porta, o jejum obtém, a misericórdia recebe. Oração, misericórdia e jejum são uma só coisa, dando-se mutuamente a vida. 

Com efeito, o jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum. Que ninguém os divida, pois não podem ser separados. Quem pratica apenas um ou dois deles, esse nada tem. Assim, pois, aquele que reza tem de jejuar, e aquele que jejua tem de ter piedade, escutando o homem que pede e que, ao pedir, deseja ser escutado. Pois aquele que não se recusa a ouvir os outros quando lhe pedem alguma coisa, esse faz-se ouvir por Deus. 

Aquele que pratica o jejum tem de compreender o jejum; isto é, tem de ter compaixão do homem que tem fome, se quer que Deus tenha compaixão da sua própria fome. Aquele que espera obter misericórdia tem de ter misericórdia; aquele que quer beneficiar da bondade tem de praticá-la; aquele que quer que lhe deem tem de dar.

Sê pois a norma da misericórdia a teu respeito: se queres que tenham misericórdia de ti de certa maneira, em certa medida, com tal prontidão, sê tu misericordioso com os outros com a mesma prontidão, a mesma medida e da mesma maneira. 

A oração, a misericórdia e o jejum devem, pois, constituir uma unidade, para nos recomendarem diante de Deus; devem ser a nossa defesa, pois são uma oração a nosso favor com este triplo formato.

São Pedro Crisólogo in 'Homilia sobre a oração, o jejum e a esmola' (Pl 52,320) 


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sexta-feira, 11 de março de 2022

Jejuar de comida e não só

A honra do jejum não consiste apenas na abstinência da comida, mas também em evitar as acções pecaminosas; quem limita o seu jejum apenas à abstinência de carnes desonra-o. Praticas o jejum? Prova-me através das tuas obras! Perguntas que tipo de obras?
 
Se vires um inimigo, reconcilia-te com ele! Se vires um amigo tendo sucesso, não o invejes! Se vires uma mulher bonita, passa por ela sem olhar!

Que não apenas a boca jejue, mas também os olhos, e os ouvidos, e os pés, e as mãos, e todos os membros dos nossos corpos.

Que as mãos jejuem sendo puras da avareza e da rapina. Que os pés jejuem, deixando de caminhar para espectáculos imorais. Que os olhos jejuem, não se detendo sobre feições belas ou ocupando de belezas exóticas.
 
Pois o que é visto é a comida dos olhos, mas se o que for visto for imoral ou proibido, macula-se o jejum e perturba-se toda a segurança da alma. Mas se for moral e seguro, o que é visto adorna o jejum. 

Pois seria absurdo abster-se da comida permitida por causa do jejum, mas devem os olhos abster-se até de tocar o que é proibido. Não comes carne? Então não te alimentes da luxúria através dos olhos.

Que também os ouvidos jejuem. O jejum dos ouvidos consiste em recusar-se a ouvir assuntos perversos e calúnias. ‘Não receberás notícias falsas’, já foi dito.
 
Que a boca também jejue de dizer coisas vergonhosas e de fazer reclamações. Pois, o que ganhas se te absténs de pássaros e peixes, e mesmo assim mordes e devoras o teu próximo? O que usa da má-língua come a carne do seu irmão e morde o corpo do seu próximo.

São João Crisóstomo


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terça-feira, 1 de março de 2022

Carnaval ou o dia da Panqueca

Apesar de não parecer, hoje é dia de Carnaval. A etimologia desta palavra está relacionada com o adeus à carne. Isto por ser o dia anterior à Quarta-Feira de Cinzas, com o qual inicia a Quaresma e começa a restrição do consumo de carne, até à Páscoa.
 
Este dia é também conhecido por Terça-Feira Gorda porque as pessoas comiam como se não houvesse amanhã, antes do grande jejum que se aproximava (todos os dias da Quaresma eram dias de jejum menos os Domingos e dias Santos de Guarda).
 
Relacionado com isso aparece outro nome dado a esta Terça-Feira: dia da Panqueca. Como estivessem também os laticínios restritos durante a Quaresma, as pessoas aproveitavam para comer esta iguaria que é feita à base de ovos, leite e açúcar.

Bom dia da panqueca para todos!

João Silveira


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sábado, 4 de dezembro de 2021

Oração, Jejum e Misericórdia - São Pedro Crisólogo

Há três coisas, irmãos, pelas quais se confirma a fé, se fortalece a devoção e se mantém a virtude: a oração, o jejum e a misericórdia. O que pede a oração, alcança-o o jejum e recebe-o a misericórdia. Oração, jejum e misericórdia: três coisas que são uma só e se vivificam mutuamente.

O jejum é a alma da oração, e a misericórdia é a vida do jejum. Ninguém tente dividi-las, porque são inseparáveis. Quem pratica apenas uma das três, ou não as pratica todas simultaneamente, na realidade não pratica nenhuma delas. Portanto, quem ora, jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede, pois aquele que não fecha os seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.

Quem jejua, entenda bem o que é o jejum: seja sensível à fome dos outros, se quer que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso, se espera alcançar misericórdia; compadeça-se, se pede compaixão; dê generosamente, se pretende receber. Muito mal suplica quem nega aos outros o que pede para si. Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a prontidão que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e prontidão.

Façamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única operação sob três formas distintas. Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não o saber apreciar; imolemos pelo jejum as nossas almas, porque nada melhor podemos oferecer a Deus, como ensina o Profeta: Sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido; Deus não despreza um coração contrito e humilhado.

Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo fica em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos se podem oferecer a si mesmos.

Mas para que esta oferta seja aceite a Deus, deve acompanhá-la a misericórdia; o jejum não dá fruto se não for regado pela misericórdia; seca o jejum se secar a misericórdia; o que a chuva é para a terra é a misericórdia para o jejum. Por muito que cultive o coração, purifique a carne, extermine vícios e semeie virtudes, nenhum fruto recolherá quem jejua, se não abrir os caudais da misericórdia.

Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu o não possuirás.

Sermões de São Pedro Crisólogo


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terça-feira, 7 de setembro de 2021

Os demónios são afastados pelo jejum

Pelo jejum são os demónios afastados como pela espada, porque lhe não suportam os benefícios: o que eles adoram são a folia e a embriaguez. Por isso, ao olharem o rosto do jejum, não podem tolerá-lo e fogem para bem longe, como nos ensina o Senhor nosso Deus: «estes demónios podem ser expulsos pelo jejum e pela oração» (Mc 9,28). É por isso que o jejum nos traz a vida eterna.

O jejum devolve aos que o seguem a habitação paterna donde Adão foi expulso. Foi o próprio Deus, o amigo dos homens (Sb 7,14), que confiou o homem ao jejum como a uma mãe extremosa ou a um mestre, tendo-o proibido de provar apenas duma árvore (Gn 2,17).

Tivesse o homem observado esse jejum e viveria para sempre com os anjos. Ao rejeitá-lo, causou para si a dor e a morte, a fereza dos espinhos e das silvas, e a angústia duma vida dolorosa (Gn 3,17ss.) Ora, se o jejum se revelou proveitoso no Paraíso, quanto mais o não será neste mundo para nos proporcionar a vida eterna!

São Romano, o Melodista in Hino "Adão e Eva", 1-5  


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domingo, 23 de dezembro de 2018

O que comiam os portugueses no Natal há 100 anos

Está a ver aquela posta alta e deliciosa de bacalhau cozido com couves, cenouras, batatas e muito azeite por cima? No início do século XX, isso era coisa que só existia no Norte do País. Do Porto para baixo, a véspera de Natal era passada no mais rígido e rigoroso jejum. A partir do início do Advento, as famílias faziam jejum de carne e, na véspera de Natal, no Sul do país, era jejum total até à Missa do Galo.

A tradição é recordada por Maria de Lourdes Modesto num artigo publicado no jornal Público. A maior especialista em comida portuguesa lembra-se que, na década de 30, depois da Missa tinha finalmente direito a comer qualquer coisa – e normalmente os pais serviam um doce para quebrar o jejum. No dia 25, então, era servido um almoço completo e, no Alentejo, onde vivia com a família, era sempre porco – peru nem vê-lo. 

No Funchal, a tradição também era a do jejum na véspera e a do porco no Dia de Natal. De madrugada, depois da Missa do Galo, era servida uma canja e um cálice de vinho. Na verdade, a festa só começava depois da Missa.

Hoje em dia, a ceia da véspera de Natal tem tanta importância como o almoço de dia 25. Mas, há 100 anos, era coisa que existia essencialmente no Norte do País, acima do Porto. Aí, sim, havia uma tradição de jantar em família, com bacalhau – cozido ou em pastéis –, polvo guisado, arroz de polvo ou outros pratos sem carne. Na véspera de Natal, a família reunia-se à mesa para celebrar a festa em conjunto. E a Missa do Galo não existia na região.

in casalmisterio.com


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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

São Francisco e a salvação que nos chega pelas mãos dos sacerdotes

Devíamos também jejuar e abster-nos dos vícios e pecados e da quantidade exagerada de comida e bebida e ser Católicos. Devíamos também ir às Igrejas com mais frequência e reverenciar os sacerdotes não por eles mesmos, se forem pecadores, mas por causa do seu trabalho e administração do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que eles oferecem no altar e recebem e administram a outros.

E saibamos todos também que ninguém pode ser salvo a não ser pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e pelas santas palavras do Senhor que os sacerdotes dizem e anunciam e distribuem e que só eles podem administrar e não outros.

São Francisco de Assis in 'Epistola ad Fideles II' (Carta aos Fiéis II)


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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Como cumprir o jejum e abstinência: o que a Igreja ensina

Hoje começa a Quaresma.
Para começar bem este tempo de penitência e conversão a Igreja fez com que a Quarta-feira de Cinzas fosse um dia penitência e de jejum.

Mas o que é que a Igreja diz mesmo sobre o assunto? O Código de Direito Canónico remete quase sempre para o que ensina a Conferência dos Bispos de cada país que, neste caso, é Portugal, por isso é o que está aqui de seguida. No entanto, no fim está também um resumo com o que a Igreja Católica desde sempre recomendou.

Num documento de 1984, os Bispos portugueses explicaram como os fiéis podem cumprir estas normas de jejum e abstinência:
2. O jejum é a forma de penitência que consiste na privação de alimentos. Na disciplina tradicional da Igreja, a concretização do jejum fazia-se limitando a alimentação diária a uma refeição, embora não se excluísse que se pudesse tomar alimentos ligeiros às horas das outras refeições. [fazer jejum é então almoçar e não jantar (ou vice-versa) e comer alimentos ligeiros ao pequeno-almoço e lanche] 
Ainda que convenha manter-se esta forma tradicional de jejuar, contudo os fiéis poderão cumprir o preceito do jejum privando-se de uma quantidade ou qualidade de alimentos ou bebidas que constituam verdadeira privação ou penitência. [os Bispos portugueses dão alguma liberdade no assunto, desde que custe mesmo. No fundo, aqueles que querem podem mesmo passar o dia sem comer nada.]
3. A abstinência, por sua vez, consiste na escolha de uma alimentação simples e pobre. A sua concretização na disciplina tradicional da Igreja era a abstenção de carne. Será muito aconselhável manter esta forma de abstinência, particularmente nas sextas-feiras da Quaresma. [fazer abstinência é não comer carne e esta forma é muito recomendada pelos Bispos] 
Mas poderá ser substituída pela privação de outros alimentos e bebidas, sobretudo mais requintados e dispendiosos ou da especial preferência de cada um. [ou seja, se andam a comer caviar e lagostim todos os dias, é preciso cortar nisso] 
Contudo, devido à evolução das condições sociais e do género de alimentação, aquela concretização pode não bastar para praticar a abstinência como acto penitencial. Lembrem-se os fiéis de que o essencial do espírito de abstinência é o que dizemos acima, ou seja, a escolha de uma alimentação simples e pobre e a renúncia ao luxo e ao esbanjamento. Só assim a abstinência será privação e se revestirá de carácter penitencial. [às vezes, limitar-se a não comer carne já não custa tanto nos tempos de hoje, portanto é importante procurar algo que custe mesmo, como por exemplo uma refeição mais simples] 
4. O jejum e a abstinência são obrigatórios em Quarta-Feira de Cinzas e em Sexta-Feira Santa. [portanto, hoje é obrigatório]
5. A abstinência é obrigatória, no decurso do ano, em todas as sextas-feiras que não coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades. Esta forma de penitência reveste-se, no entanto, de significado especial nas sextas-feiras da Quaresma. [sim, obrigatório.] 
6. O preceito da abstinência obriga os fiéis a partir dos 14 anos completos. [mais uma vezes, os adolescentes e adultos estão todos obrigados a isto] 
O preceito do jejum obriga os fiéis que tenham feito 18 anos até terem completado os 59. 
Aos que tiverem menos de 14 anos, deverão os pastores de almas e os pais procurar atentamente formá-los no verdadeiro sentido da penitência, sugerindo-lhes outros modos de a exprimirem. [as crianças, ainda que não estejam obrigadas, devem ser ensinadas a viver o espírito de penitência cristão. O ponto seguinte diz que os doentes também não estão obrigados, óbvio.]

Atenção, os Bispos, verdadeiros sucessores dos Apóstolos, insistem mesmo que é obrigatório cumprir estes preceitos. Mais ainda, o Código de Direito Canónico [1249] diz que "todos os fiéis, cada qual a seu modo, estão obrigados por lei divina a fazer penitência." Ou seja, é uma ofensa a Deus (=pecado) não cumprir isto. Óbvio que o objectivo é sempre a conversão interior, por isso deve-se dar este carácter espiritual ao jejum e abstinência.

Felizmente, o Código de Direito Canónico antigo também explica, e muito bem, estes preceitos, pelo que fica aqui um resumo final:

  • O jejum consiste numa refeição completa e duas menores, que juntas são menos que uma refeição inteira. [c.1252]
  • A abstinência consiste em abster-se de comer carne de animais de sangue quente, molhos ou sopa de carne nos dias de abstinência. A abstinência era em todas as sextas-feiras, a não ser que fosse um Dia de Guarda [c.1252].


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sábado, 7 de setembro de 2013

Jejum - Pe.Gonçalo Portocarrero de Almada

Para hoje, 7 de Setembro de 2013, o Papa Francisco convocou um dia de jejum e de oração pela paz na Síria e no mundo inteiro. Esta iniciativa pontifícia tem uma abrangência ecuménica, porque todos os crentes e homens de boa vontade estão convidados a unirem-se a esta jornada pela paz mundial.

Na iminência de uma intervenção militar no Oriente Médio, não podia ser mais oportuna esta convocação. É óbvia a necessidade de recorrer, com urgência, a todos os mecanismos políticos e militares susceptíveis de impedir a guerra, quer junto das grandes superpotências mundiais, quer também no âmbito das principais instituições internacionais, como a ONU, a NATO, etc. Mas, talvez não seja tão transparente a eficácia dos meios agora mobilizados pelo Santo Padre a favor da paz.

Si vis pacem, para bellum, diziam os antigos. Isto é: se queres a paz, prepara-te para a guerra. Outra é, contudo, a lógica cristã: se queres a paz, reza e jejua. Estes meios podem parecer muito sobrenaturais, mas são também, por estranho que pareça, muito humanos. De facto, ante uma injustiça, qualquer cidadão tende a manifestar-se junto do poder, que é o que fazem os cristãos, quando rezam ao Senhor dos exércitos. Para reforçar as suas pretensões, algumas pessoas, mesmo não sendo crentes, fazem greve da fome, que outra coisa não é do que a versão laica do jejum cristão.

Estas são as principais armas do exército do Papa, que Estaline desdenhou, mas que pôs termo, sem um tiro sequer, a mais de setenta anos de impiedoso imperialismo soviético. Já não é preciso ter fé para crer no poder da oração e do jejum, basta ter alguma memória histórica.

Bem-aventurados sejam os que promovem a paz! in jornal i


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domingo, 1 de setembro de 2013

Santo Padre pede que 7 de Setembro seja um dia de jejum e oração

“Irmãos e irmãs, decidi convocar para toda a Igreja, no próximo dia 7 de Setembro, véspera da Natividade de Maria, Rainha da Paz, um dia de jejum e de oração pela paz na Síria, no Médio Oriente, e no mundo inteiro. E convido também a unirem-se a esta iniciativa, no modo que considerem mais oportuno, os irmãos cristãos não católicos, aqueles que pertencem a outras religiões e os homens de boa vontade.”


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sexta-feira, 17 de junho de 2011

O jejum, a oração e a esmola - Santo Agostinho

Os epicuristas, que não esperam vida alguma depois da morte, que não esperam outra coisa senão os prazeres da carne, dizem assim: «comamos e bebamos, que amanhã morreremos» (1Cor 15,32). Mas os cristãos, acreditando de verdade numa outra vida depois da morte, uma vida muito mais feliz, não digam «comamos e bebamos, que amanhã morreremos». Sem esquecer que amanhã morreremos, digam antes «jejuemos e rezemos, que amanhã morreremos», e esse jejum que aqui refiro vos sirva, em terceiro lugar, como preceito irrecusável e indescurável para assim matar a fome a quem é pobre. Se não puderdes jejuar, dai antes de comer àqueles cuja saciedade vos alcançará misericórdia, e digam então os cristãos: «jejuemos, rezemos e demos aos pobres, que amanhã morreremos».

Mas exijo ainda outra coisa, uma terceira condição, pois não quero silenciar aquilo que é necessário observar acima de tudo: que o vosso jejum sirva para saciar a fome do pobre. Se não podeis jejuar, aplicai-vos ainda mais a alimentar aquele cuja fome apaziguada vos obterá o perdão. Eis, pois, aquilo que os cristãos devem dizer: «jejuemos, rezemos e demos aos pobres, que amanhã morreremos».


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sexta-feira, 18 de março de 2011

O meu jejum - Rui Corrêa d’Oliveira

Nesta Quaresma, Senhor, que jejum me pedes?
É bom e justo fixar um “ponto de esforço”, concreto e objectivo,
que me vá recordando, dia-a-dia, que o desprendimento e a mudança
são passos verdadeiros de conversão.

Mas estes pequenos gestos têm de ser sinais de uma decisão mais funda
de um querer mais decidido, de um desejo mais verdadeiro de perfeição.
Se assim não for, fico-me pela “rama”,
pelo possível e razoável, mas acabo adiando a verdadeira questão:
mudar o meu coração!

É este o jejum que me pedes.
Só pode ser este: mudar, mudar mesmo, mudar até ao fundo.
Ainda que doa...mesmo que doa.

Mudar é cumprir aquele Teu desejo sobre mim
de ser tal como me pensaste:
homem inteiro, de coração aberto á verdade,
capaz de ser feliz, já e agora, apesar de toda a contingência do caminho.

Para que se cumpra o Teu desejo, tenho que me libertar
do que me prende ao que não dura,
e do que me amarra à ilusão.

É esta a mudança, é este o jejum.
Ajuda-me Senhor!


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