sábado, 29 de fevereiro de 2020

O rito da Sagrada Comunhão em tempos de pandemia - D. Athanasius Schneider

A proibição da Comunhão na boca é infundada em comparação com os grandes riscos à saúde da Comunhão nas mãos em época de uma pandemia. Essa proibição constitui um abuso de autoridade.

Ninguém pode nos forçar a receber o Corpo de Cristo de uma maneira que represente o risco de perda dos fragmentos e diminuição da reverência, como ocorre com o modo de receber a Comunhão na mão. Embora seja verdade que se possa receber a Comunhão num pequeno lenço branco e limpo (como um purificador, um pequeno corporal) directamente na boca, nem sempre é possível praticá-lo e é até mesmo recusado por alguns padres.

Nesses casos, é melhor fazer uma Comunhão Espiritual, que enche a alma de graças especiais. Em tempos de perseguição, muitos católicos foram incapazes de receber a Comunhão de maneira sacramental por longos períodos de tempo, mas fizeram uma Comunhão Espiritual com muito benefício espiritual.

A Comunhão na mão não é mais higiénica do que a Comunhão na boca. De facto, pode ser perigoso para o contágio. Do ponto de vista higiénico, a mão carrega uma enorme quantidade de bactérias. Muitos patógenos são transmitidos pelas mãos. Seja apertando as mãos de outras pessoas ou tocando objectos com frequência, como maçanetas ou corrimões e barras de apoio nos transportes públicos, os germes podem passar rapidamente de mão em mão; e com essas mãos e dedos não higiénicos, as pessoas tocam frequentemente no nariz e na boca. 

Além disso, os germes às vezes podem sobreviver durante dias na superfície dos objetos. De acordo com um estudo de 2006, publicado na revista “BMC Infectious Diseases”, o vírus da gripe e vírus semelhantes podem persistir em superfícies inanimadas, como por exemplo maçanetas, corrimões ou barras de apoio em transportes, e prédios públicos, durante alguns dias. 

Muitas pessoas que vão à igreja e recebem a Sagrada Comunhão nas suas mãos tocaram antes em maçanetas ou corrimãos e barras de transporte público ou outros edifícios. Assim, os vírus são impressos na palma e nos dedos das mãos. E então, durante a Santa Missa, com essas mãos e dedos, às vezes tocam no nariz ou na boca. Com essas mãos e dedos, eles tocam a hóstia consagrada, levando o vírus também à hóstia, transportando os vírus através da hóstia para a boca.

A Comunhão na boca é certamente menos perigosa e mais higiénica em comparação com a Comunhão na mão. De facto, a palma da mão e os dedos da mão, sem lavagem intensa, inegavelmente contêm um acumular de vírus.

A proibição da Comunhão na boca é infundada em comparação com os grandes riscos à saúde da Comunhão nas mãos no tempo de uma pandemia. Essa proibição constitui um abuso de autoridade. 

Além disso, parece que algumas autoridades da Igreja estão usando a situação de uma epidemia como pretexto. Parece também que alguns deles têm uma espécie de alegria cínica por difundir cada vez mais o processo de banalização e dessacralização do Santíssimo e Divino Corpo de Cristo no Sacramento Eucarístico, expondo o próprio Corpo do Senhor ao verdadeiro perigo de irreverência (perda de fragmentos) e sacrilégios (roubo de hóstias consagradas).

Há também o facto de que, durante os 2000 anos de história da Igreja, não houve casos comprovados de contágio devido à recepção da Sagrada Comunhão. Na igreja bizantina, o padre dá a Comunhão aos fiéis com uma colher, a mesma colher para todos. E então, o padre ou diácono bebe o vinho e a água com a qual purificou a colher, que às vezes foi tocada com a língua de um fiel durante a recepção da Santa Comunhão. 

Muitos fiéis das igrejas orientais ficam escandalizados quando vêem a falta de fé dos bispos e padres do rito latino, ao introduzir a proibição de receber a comunhão na boca, uma proibição feita em última instância por falta de fé no sagrado e divino carácter do Corpo e Sangue do Cristo Eucarístico.

Se a Igreja nos nossos dias não se esforçar, novamente com o máximo zelo, para aumentar as medidas de fé, reverência e segurança para o Corpo de Cristo, todas as medidas de segurança para os seres humanos serão em vão. Se a Igreja nos nossos dias não se converter e se voltar para Cristo, dando primazia a Jesus, e nomeadamente a Jesus Eucarístico, Deus mostrará a verdade da Sua Palavra, que diz: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem. Se o Senhor não edificar a cidade, em vão vigiam as sentinas.” (Salmo 126, 1-2).

Recomenda-se a seguinte oração para fazer uma Comunhão Espiritual:

Aos vossos pés, ó meu Jesus, eu me prostro e ofereço-Vos o arrependimento do meu coração contrito, que é humilhado no meu nada e na Tua santa presença. Eu Te adoro no Sacramento do Teu amor, a Eucaristia inefável. Desejo receber-Te na pobre habitação que meu coração te oferece. Enquanto espero a felicidade da Comunhão sacramental, desejo possuir-Te em espírito. Vinde a mim, ó meu Jesus, já que eu, da minha parte, venho a Ti! O amor abraça todo o meu ser na vida e na morte. Eu acredito em Vós, espero em Vós e Vos amo. Amém."

+ Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana

in Rorate Caeli (Tradução: Fratres in Unum)


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Testamento de D. Pedro II ao seu filho D. João V, Rei de Portugal e Algarves

Encarrego-te o bem dever que deves governar e em primeiro lugar te encomendo a fé cathólica, o temor a Deus, o culto divino nos templos e lugares sagrados, lembro-te o muito, que deves amar a todos os teus vassalos e que és rei dos portugueses, os mais honrados e fiéis, que pode haver no mundo e que os reis de Portugal sempre tratarão vassalos como filhos, encarrego-te que premeies os bons e castigues os maos e que na administração da justiça te hajas com grande igualdade, sem attenderes a outros respeitos, mais que aos merecimento de cada hum, e principalmente de guerra não os dês, senão a quem os merecer e no que te aconselharem segue sempre o que for justiça e razão. 

O que for justiça e razão, justiça e razão! (repetiu) Deixo-te o reino de Portugal, de que Deos hum dia te háde pedir contas.

Fonte: A.N.T.T. Fundo Arquivistico Casa Real-Aquivo histórico do ministério das Finanças


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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Superior Geral da Fraternidade de São Pedro visita Portugal

De 29 de Fevereiro a 12 de Março o Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP), Pe. Andrzej Komorowski, estará de visita a Portugal. Divulgamos o programa desta visita, que confiamos ao cuidado do Imaculado Coração de Maria.

Sábado, 29 de Fevereiro – Santuário de Fátima
18.00 - Lugar de encontro: atrás da Capelinha das Aparições em Fátima.
18.30 - Missa numa capela da Casa de Nossa Senhora das Dores.
20.00 - Apresentação da FSSP pelo Superior Geral no Hotel Solar da Marta (R. Francisco Marto 74-76).

Domingo, 1 de Março – Viseu
11.30 - Missa na Igreja de São Miguel do Fetal.
13.30 - Almoço e Apresentação da FSSP pelo Superior Geral no Clube de Viseu.

Terça-Feira, 3 de Março – Lisboa
19.00 - O Superior Geral celebra a Santa Missa na Igreja da Conceição Velha. 
20.30 - Conferência do Superior Geral no VIP Executive Entrecampos Hotel (Avenida 5 de Outubro 295).

Sábado, 7 de Março – Areias, Ferreira do Zêzere
15.00 - Via Sacra solene e Missa celebrada pelo Superior Geral na Igreja Paroquial de Areias.

Terça-Feira, 10 de Março – Porto
21.30 - Apresentação da FSSP pelo Superior Geral na casa anexa à Igreja de Cristo Rei (Dominicanos), junto à Avenida Marechal Gomes da Costa.

Mais informações: fssp.pt@gmail.com


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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Pertence àquele que tem fome o pão que te sobra

Pertence àquele que tem fome o pão que te sobra; àquele que está nu a capa que tens guardada no armário; àquele que está descalço os sapatos que apodrecem em tua casa; ao pobre o dinheiro que tens escondido. 

As obras de caridade que não fazes são as injustiças que fazes.

São Basílio


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A estrondosa queda nas vocações entre os anos 1965 e 2000

Desde 1965 - ano em que acabou o Concílio Vaticano II - até ao 2000 o número de seminaristas diocesanos nos Estados Unidos caiu mais de 90%(1). 

Mais impressionante ainda foi a queda no número de seminaristas de Ordens religiosas:

Jesuitas: - 98% (de 3559 seminaristas para 38)

Franciscanos menores: - 97% (de 2251 seminaristas para 60)

Redemptoristas: - 98% (de 1128 seminaristas para 24)

Beneditinos: - 93%

Dominicanos: - 89%

OMI, Oblatos de Maria Imaculada: - 99%

Vicentinos: - 97%

Franciscanos conventuais: - 90%

Passionistas: - 99%

Agostinianos: - 97%

Capuchinhos: - 91%

La Salette: - 99%

Carmelitas: - 92%

(1) - Michael Davies in 'Liturgical Time Bombs in Vatican II'


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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Procissão de Quarta-Feira de Cinzas em Roma no ano 1960



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9 coisas para saber sobre a Quarta-Feira de Cinzas

1. O que é a Quarta-feira de Cinzas?
É o primeiro dia da Quaresma, ou seja, dos 40 dias nos quais a Igreja chama os fiéis a converter-se e a preparar-se verdadeiramente para viver os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo durante a Semana Santa.

2. Como apareceu a tradição da imposição das cinzas?
A tradição de impor as cinzas vem da Igreja primitiva. Naquela época, as pessoas colocavam as cinzas na cabeça e apresentavam-se diante da comunidade com um “hábito penitencial” para receber o Sacramento da Reconciliação na Quinta-feira Santa.
A Quaresma adquiriu um sentido penitencial para todos os cristãos a partir do séc.V, e a partir do século XI começou a impor-se as cinzas no início desse tempo litúrgico.

3. Por que se impõem as cinzas?
A cinza é um símbolo. A sua função está descrita em um importante documento da Igreja, mais precisamente no artigo 125 do Directório sobre a piedade popular e a liturgia:

“O começo dos quarenta dias de penitência, no Rito romano, caracteriza-se pelo austero símbolo das Cinzas, que caracteriza a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas. Próprio dos antigos ritos nos quais os pecadores convertidos se submetiam à penitência canónica, o gesto de cobrir-se com cinza tem o sentido de reconhecer a própria fragilidade e mortalidade, que precisa ser redimida pela misericórdia de Deus. Este não era um gesto puramente exterior, a Igreja o conservou como sinal da atitude do coração penitente que cada baptizado é chamado a assumir no itinerário quaresmal. Devem ajudar aos fiéis, que vão receber as Cinzas, para que aprendam o significado interior que este gesto tem, que abre a cada pessoa a conversão e ao esforço da renovação pascal."

4. O que simbolizam as cinzas?
A palavra cinza, que provém do latim "cinis", representa o produto da combustão de algo pelo fogo. Sempre teve um sentido simbólico de morte, expiração, mas também de humildade e penitência.
A cinza, como sinal de humildade, recorda ao cristão a sua origem e o seu fim: “O Senhor Deus formou o homem do pó da terra” (Gn 2, 7); “até que voltes à terra de onde foste tirado; porque tu és pó e ao pó voltarás” (Gn 3, 19). 

5. Onde se encontram as cinzas?
Para a cerimónia devem ser queimados os restos dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Estes são benzidos com água benta e aromatizados com incenso.

6. Como se impõem as cinzas?
A imposição acontece durante a Missa, depois da homilia. As cinzas são impostas na testa, em forma de cruz, enquanto o ministro pronuncia as palavras bíblicas: “lembra-te, homem, que és pó e ao pó hás-de voltar” ou “converte-te e acredita no Evangelho”.

7. A imposição das cinzas é obrigatória?
A Quarta-feira de Cinzas não é dia de preceito e, portanto, não é obrigatória. Não obstante, nesse dia muitas pessoas costumam participar da Santa Missa, o que sempre é recomendável.

8. Quanto tempo é necessário permanecer com a cinza na fronte?
Quanto tempo a pessoa quiser. Não existe um tempo determinado.

9. O jejum e a abstinência são necessários?
O jejum é obrigatório na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, para as pessoas maiores de 18 (inclusive) e menores de 60 anos. Fora desses limites, é opcional. Em dia de jejum, os fiéis podem apenas tomar ter uma refeição “principal” (almoço ou jantar) e no máximo duas refeições "menores" (que juntas não cheguem a uma refeição principal).
A abstinência (não comer carne) é obrigatória também na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, para os maiores de 14 anos (inclusive). Todas as Sextas-Feiras da Quaresma também são também de abstinência obrigatória, não se pode comer carne. As outras Sextas-Feiras do ano também, embora hoje em dia poucos conheçam este preceito.

adaptado de acidigital


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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Como cumprir o Jejum e Abstinência que a Igreja nos pede na Quaresma


A Quaresma começa amanhã. A Quaresma é um tempo de penitência pelos pecados cometidos e também de desprendimento das coisas materiais e crescimento nas virtudes. O jejum e a abstinência fazem parte da penitência recomendada pela Igreja desde os primeiros séculos.

Jejum consiste em tomar apenas uma das grandes refeições do dia (almoço ou jantar) e depois outras duas pequenas, de tal maneira que estas duas juntas não cheguem a uma grande refeição.
Isto é o mínimo para que se possa considerar que a pessoa fez jejum. Mas há quem passe o dia a pão e água e até quem não coma nada durante esse dia.

Abstinência consiste em não comer carne nem derivados da carne. É também recomendável que nos dias de abstinência se evite refeições muito luxuosas, mesmo que não tenham carne.

Estas são as regras publicadas pela Conferência Episcopal, que têm em conta o Código de Direito Canónico de 1983:

jejum e a abstinência são obrigatórios em Quarta-Feira de Cinzas e em Sexta-Feira Santa

abstinência é obrigatória, no decurso do ano, em todas as Sextas-Feiras que não coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades. Esta forma de penitência reveste-se, no entanto, de significado especial nas Sextas-Feiras da Quaresma

O preceito da abstinência obriga os fiéis a partir dos 14 anos completos. O preceito do jejum obriga os fiéis que tenham feito 18 anos até terem completado os 59. Aos que tiverem menos de 14 anos, deverão os pastores de almas e os pais procurar atentamente formá-los no verdadeiro sentido da penitência, sugerindo-lhes outros modos de a exprimirem. 

As presentes determinações sobre o jejum e a abstinência apenas se aplicam em condições normais de saúde, estando os doentes, por conseguinte, dispensados da sua observância. 


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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Missa privada celebrada pelo Cardeal Burke



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O “Leão de Münster”: a luta de um bispo contra o nazismo


21 de Fevereiro de 1946, Basílica de São Pedro. No seu trono, S.S. o Papa Pio XII, cercado de altos prelados. Atmosfera de grande gala, presentes o corpo diplomático e personalidades vindas do mundo inteiro. O longo cortejo de 32 novos Cardeais estende-se ao longo da nave central. Dentre eles, um sobressai pela sua estatura muito elevada e arrebata o entusiasmo dos fiéis, que começam a aplaudir e a bradar: "Viva o Conde de Galen!"(1)

O Papa havia elevado, em 23 de Dezembro de 1945, ao cardinalato o Bispo de Münster (Alemanha), merecidamente célebre por verberar, já nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, os crimes nazis, especialmente a perseguição à Igreja e a prática abominável da eutanásia contra doentes e idosos.(2)

Quem foi essa personalidade arrebatadora, entusiasticamente aplaudida pelos fiéis romanos? Por que foi tão importante a sua oposição ao nazismo? Alguns breves dados biográficos esclarecerão essas questões.(3)

Tradição católica, ilustre passado, nobre origem

Clemens August conde von Galen (1878-1946) nasceu em 16 de Março no Castelo de Dinklage em Oldenburg, Alemanha, como décimo-primeiro de 12 irmãos. Os seus pais foram o Conde Ferdinand Heribert e Elisabeth, nascida Condessa von Spee. A família, de antiga cepa católica, deu à Igreja almas de escol como arcebispos, bispos, clérigos e numerosas freiras.(4) E também ardorosos defensores dos seus direitos no campo temporal. O Conde Heribert foi um destacado deputado católico do Zentrumspartei (Partido do Centro) no Reichstag (Parlamento alemão).

No seu lar túmido de virtudes cristãs, recebeu o jovem Clemens August uma esmerada educação. Frequentou de 1890 a 1894 a escola jesuítica Stella Matutina em Feldkirch.

Altas virtudes sacerdotais e humanas

Nos dois anos seguintes estudou em Vechta, onde concluiu a escola. Em 1897, acompanhado pelo seu irmão Franz, frequentou a Faculdade de Fribourg, na Suíça. Foi ali que resolveu tornar-se sacerdote. Em 1899 ingressou no seminário jesuíta de Innsbruck. Ordenado em 28 de Maio de 1904 na Catedral de Münster, foi nomeado no mês seguinte vigário capitular e capelão do seu tio, bispo-auxiliar de Münster, Mons. Maximilian von Galen. Em 1906 foi transferido para Berlim, onde se tornou capelão da paróquia de São Matias. Além dos seus cuidados pastorais, dava aulas de Religião.

No dia 5 de Setembro de 1933, Pio XI(5) elevou-o ao episcopado, designando-lhe a sede ocupada anteriormente pelo seu tio. No dia da sua sagração episcopal, 28-10-1933, escreveu dele o Cardeal Schulte: “Aussi Clement, qu´Auguste” (Igualmente Clemente e Augusto). O novo bispo de Münster adoptou como lema do seu brasão as palavras “Nec laudibus nec timore” (Não me movo nem por louvores nem por temor), indicando destarte a firmeza de seu carácter. A seu respeito escrevia o “Münstersche Anzeiger” de 12-9-1933: “Assinalam o novo bispo altas virtudes sacerdotais e humanas. Como cura de almas em Berlim, [...] levantou continuamente a sua voz contra a crescente secularização da vida, exigindo um retorno aos claros princípios da Igreja Católica.”(6)

Oito meses antes havia o Partido Nacional Socialista (nazista) galgado o poder. Com sua doutrina pagã da raça ariana pura, o nazismo iria entrar necessariamente em choque com a Igreja, a qual começou a perseguir, de início discreta, mais tarde aberta e ferozmente.

Bispo heróico, apelidado “Leão de Münster”

Mons. von Galen logo percebeu os erros contidos na obra 'Mito do Século XX', de Rosenberg, o ideólogo do partido nazis. E combateu-os rijamente na sua Carta Pastoral de 19 de Março de 1935, denunciando o “mito do sangue” de Rosenberg como uma nova religião pagã.

Empolgados com a coragem do seu bispo, os católicos deram-lhe a alcunha de “Leão de Münster”. Isso se deve não apenas às suas críticas constantes aos erros nazis, mas sobretudo por três famosos sermões(7) que proferiu nos dias 13 e 20 de Julho e 3 de Agosto de 1941 na igreja de São Lamberto, de cujas torres se podem ver ainda hoje penduradas as gaiolas nas quais apodreceram os restos mortais dos chefes anabatistas.

Desafiando os nazis, condena a eutanásia

A “vitória final” não houve. Com a capitulação da Alemanha em Maio de 1945 e o processo de Nuremberga, que julgou os crimes dos principais chefes nacional-socialistas, o nazismo desapareceu ingloriamente do cenário mundial, deixando atrás de si, a exemplo do comunismo: morte, escombros e miséria.

No sermão do dia 13 de Julho, criticou o confisco de mosteiros e conventos, apontando para um “ódio profundo contra o Cristianismo, o qual querem exterminar”. Dia 20 de Julho, empregou a figura da bigorna e do martelo: “Actualmente não somos martelo, mas bigorna. A bigorna não pode e nem precisa rebater. Ela precisa apenas ser firme e dura“. No dia 3 de Agosto, denunciou o crime da eutanásia, praticado em pessoas idosas, paralíticas e com doenças incuráveis. 

A reacção suscitada por este sermão foi imensa. Altos funcionários do partido nazi exigiam que se movesse um processo contra o bispo e o enforcassem numa praça pública de Münster. Goebbels, o ladino ministro da propaganda, percebeu que tal medida alienaria do esforço de guerra os católicos de toda a Alemanha. E recomendou a Hitler que deixasse o “acerto de contas” para depois da “vitória final”. Ele teve de viver com essa espada de Dâmocles sobre a sua cabeça e a aceitou heroicamente, sem recuar.

O alemão ideal, orgulho da Alemanha

Depois de receber o chapéu cardinalício, Mons. von Galen ficou ainda alguns dias em Itália, visitando soldados alemães em diversos campos de concentração. Em meados de Março esperava-o em Münster uma acolhida triunfal. Deus, porém, tinha outros planos para o seu “Leão”. Acometido por uma apendicite aguda, faleceu na tarde do dia 22 de Março de 1946.

No sermão fúnebre, o Cardeal Frings salientou que, enquanto houvesse uma diocese em Münster, Mons. von Galen seria o seu adorno. E acrescentou: “Enquanto houver uma história do povo alemão, ele será apontado como o alemão ideal, o orgulho da Alemanha”.

A 9 de Outubro de 2005, o Cardeal von Galen foi beatificado pelo Papa Bento XVI, que na ocasião enalteceu a luta do novo bem-aventurado contra a eutanásia.

Após 60 anos da queda do nazi, muitos se perguntarão talvez que importância tem, para os nossos dias, a resistência do bispo de Münster ao nazismo. Na Praça de São Pedro, milhares de fiéis — só da diocese de Münster compareceram cerca de cinco mil — acompanharam nos ecrãs a cerimónia que se desenrolava no interior da Basílica, também ela repleta de convidados especiais, entre os quais se encontrava a Condessa Johanna von Westfalen, sobrinha do novo Beato e destacada líder anti-abortista na Alemanha.

O desassombro de Mons. von Galen ao condenar o crime da eutanásia é mais actual do que nunca. Numa época como a nossa, em que mundialmente dezenas de milhões de nascituros são abortados, em que a eutanásia vai entrando na legislação de muitos países, é preciso ter coragem para defender a vida inocente. Mesmo com perigo de morte, o “Leão de Münster” não se acovardou. Magnífico exemplo a ser seguido.

Renato Murta de Vasconcelos in Revista 'Catolicismo'

Notas:

1. Um “applauso trionfale”, escreveram os jornais italianos. O secretário de Mons. von Galen, P. Heinrich Portmann, fala de “um verdadeiro furacão”. O Pe. Portmann é autor da excelente biografia Kardinal von Galen – Ein Gottesmann seiner Zeit (Cardeal von Galen – Um homem de Deus de seu tempo). São também de sua lavra: Bischof von Galen spricht (Sermões do Bispo von Galen) e Dokumente um den Bischof von Galen (Documentos relativos ao Bispo von Galen)
2. Integravam igualmente o conjunto de novos cardeais dois heróis da resistência anticomunista: Mons. Mindszenty, Arcebispo de Eztergom e Primaz da Hungria, que se tornaria mais tarde famoso por sua inflexibilidade diante dos títeres comunistas húngaros; o prelado croata Mons. Stepinac, também ele intrépido opositor do regime vermelho, falecido em 1960 em conseqüência dos maus tratos sofridos nas enxovias comunistas. Mons. Stepinac foi beatificado em 1998 e seus restos mortais repousam incorruptos num escrínio de cristal diante do altar-mor da catedral de Zagreb.
3. Catolicismo publicou, em sua edição de fevereiro de 1984, matéria a respeito, sob o título Cardeal von Galen, indômito adversário do nazismo.
4. Entre essas destaca-se a figura ímpar da Condessa Maria Droste zu Vischering, prima-irmã do Cardeal von Galen e Superiora do Convento do Bom Pastor na cidade do Porto. Falecida em 1899, foi beatificada por Paulo VI em 1975.
5. Pio XI nutria especial simpatia pelo Bispo de Münster. Certo dia, após recebê-lo em audiência, comentou com Mons. Ruffini: “Gigas est corpore, sed non tantum corpore” (Ele é gigante de corpo, mas não só de corpo).
6. Citado por Lothar Groppe SJ, Zur Seligssprechung von Kardinal Graf von Galen, Katholische Bildung, Oktober 2005, p. 7
7. A respeito dos sermões de fogo de Mons. von Galen, escreveu o protestante e antigo Ministro do Reich, Conde Schwerin v. Krosigk, em seu livro Es geschah in Deutschland: “Os sermões do Conde Galen, bispo católico de Münster, vão entrar para todo o sempre na história da resistência interna (ao nazismo). Os sermões e comunicados do Bispo eram difíceis de ser incriminados, porque se abstinham de entrar na política; não atacavam ninguém pessoalmente; [...] apenas apontavam o pecado, aquilo que segundo a concepção cristã é pecado”.


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domingo, 23 de fevereiro de 2020

A Igreja Católica de volta para os católicos!

Defender a devolução da Igreja aos católicos não significa descuidar o grande diálogo com o mundo e com a cultura contemporânea, nem abandonar o fervor missionário e evangelizador, nem diminuir eventuais esforços de diálogo ecuménico e inter-religioso. O problema é que, muitas vezes, a pretexto destes diálogos, nós católicos perdemos a noção de quem somos. 

Vemos alguns dos nossos pastores, ou os seus delegados, a título de "diálogo com o mundo contemporâneo", tornarem-se tão mundanos quanto o mundo. A título de "diálogo com a cultura actual", renegarem o legado da Tradição católica. Ou a título de diálogo ecuménico, tornarem-se mais protestantes do que os protestantes. 

Para que o diálogo entre os católicos e estas realidades aconteça realmente, é preciso que do lado dos católicos haja verdadeiros católicos. Dialogar não significa renunciar à nossa identidade, nem encher a Igreja de gente sem Fé. Caso contrário, não se trata de diálogo, mas de renúncia e destruição da própria Igreja.

Assim, como intenções propostas para quando se reza o terço, em prol da Fé católica, sugerimos as seguintes:

- Que os sacerdotes estejam disponíveis aos fiéis leigos para os sacramentos e que aconselhem o povo de Deus a ouvir Missa frequentemente e educar os seus filhos na Fé católica;

- Que os sacerdotes voltem a estar disponíveis para confessar o povo e ensinem aos leigos que a confissão sacramental, aliás a participação efectiva na vida sacramental como um todo, nunca foi revogada pelo Concílio Vaticano II;

- Que os sacerdotes voltem a usar trajes eclesiásticos, de acordo com o direito canónico;

- Que os religiosos voltem a rezar e a usar os hábitos estabelecidos pelas respectivas regras de vida;

- Que as escolas e universidades católicas voltem a ser confessionais e não apenas vagamente “espiritualizadas”;

- Que os professores e formadores de seminário ensinem aos seminaristas a recta fé cristã, e sejam, caridosamente, impedidos de usar autores que desvirtuam e destroem a Fé católica, já notificados ou não pela Congregação da Doutrina da Fé. Que todo o marxismo, toda a teologia liberal protestante e todo o enfraquecimento das normas de castidade e da disciplina sacerdotal sejam banidos dos seminários;

- Que a liturgia da Igreja tenha a sua referência no Missal romano, corrigindo-se as traduções aberrantes, como por exemplo “Ele está no meio de nós” quando toda a Igreja disse desde sempre “Et cum spirito tuo”;

- Que invenções locais bizarras, como o uso de música popular, as “respostas às orações eucarísticas” e a substituição de textos canónicos por poemas e outros textos não-bíblicos sejam proibidos. Que se eliminem as “homilias” paralelas feitas por “apresentadores” e “comentadores” da Missa que mais parecem os verdadeiros presidentes das celebrações, e que introduzem ritos descabidos que descaracterizam o verdadeiro rito litúrgico, a ponto do fiel desavisado duvidar se está mesmo numa Missa;

- Que se esvaziem os presbitérios das multidões de leigos uniformizados, devolvendo o centro da vida litúrgica para os sacerdotes e o centro da vida social e política para os leigos. Pela reversão da tendência de "clericização dos leigos", juntamente com a tendência de "laicização do clero";

- Que os catequistas ensinem aos catequizandos a verdadeira doutrina católica, e não uma “sociologia das religiões” ou uma espiritualidade meio difusa estilo new age. Que os sacerdotes se comprometam com a catequese, e acompanhem efectivamente os catequistas leigos no seu dia-a-dia;

- Que a língua utilizada nas celebrações litúrgicas seja uma língua humana, deixando as línguas angélicas para as celebrações ocorridas nas esferas dos anjos;

- Que as homilias passem a ser de novo para a edificação das almas na Fé e na moral, e não para a “luta social” ou para a promoção de um “ecumenismo” vago ou uma “religiosidade” abstracta;

- Que as editoras católicas publiquem a verdadeira doutrina católica, e sejam fortemente recomendadas a retirar do seu catálogo autores já notificados pela Congregação da Doutrina da Fé ou pelas respectivas Conferências Episcopais dos países de origem;

- Que os Bispos de todas as dioceses voltem a ser os nossos guias seguros na Fé e moral;

- Que os marxistas, os ateus e os não-católicos em geral que actualmente compõem as “comissões de Justiça e Paz” sejam convidados a converter-se e sejam efectivamente evangelizados e encaminhados para viver uma vida sacramental;

- Que as campanhas da fraternidade e as “vias-sacras”, bem como os documentos da Igreja, deixem de lado as categorias sociológicas da “opressão” e da “luta de classes”, e a ideia de que os “pobres”, e não Jesus Cristo, são o centro da fé, para reflectir a verdadeira Doutrina Social da igreja existente no respectivo Compêndio;

- Que os nossos Bispos e Padres deixem de ser “intelectuais orgânicos”, líderes políticos ou militantes sociais e voltem a ser Bispos e Padres católicos.

Paulo Vasconcelos Jacobina in Zenit


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Comunhão na Liturgia Bizantina

Eis o que diz o sacerdote, e os fiéis, ao comungar, na Liturgia Bizantina de São João Crisóstomo:

Creio, Senhor, e confesso que em verdade Tu és Cristo, Filho de Deus vivo e que vieste ao mundo para salvar os pecadores, do qual eu sou o primeiro. 

Creio ainda que este é o Teu Puríssimo Corpo e que este é Teu Próprio e Precioso Sangue. 

Suplico-Te, pois, tem misericórdia de mim e perdoa-me as minhas faltas voluntárias e involuntárias, que cometi por palavras ou acções, com conhecimento ou por ignorância e concede-me, sem condenação, receber os Teus puríssimos Mistérios para a remissão dos pecados e para a vida eterna. Amém. 

Da Tua ceia mística, aceita-me hoje como participante, ó Filho de Deus, pois não revelarei o Teu Mistério aos Teus inimigos, nem Te darei o beijo como Judas, mas como o ladrão me confesso: lembra-Te de mim, Senhor, no Teu reino! 

Que não seja para juízo ou condenação a recepção dos Teus Santos Mistérios, Senhor, mas para a cura da alma e do corpo. Amém.


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sábado, 22 de fevereiro de 2020

A importância do acólito



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A Cátedra de São Pedro


Aqui está a estátua de S. Pedro, na Basílica Vaticana, devidamente preparada - com pluvial (a capa), tiara papal e o anel de pescador - neste dia da Cátedra de S. Pedro. Esta festa começou a ser celebrada no séc. III e tem como propósito relembrar o local de onde S. Pedro ensinava os cristãos de Roma e o que isso implicava. 

A cátedra (cadeira, em latim) simboliza a autoridade de um Bispo para ensinar onde tem jurisdição, ou seja onde é ele a mandar. No caso de um Bispo diocesano é a sua diocese. O Papa tem jurisdição universal, por isso quando fala a partir da cátedra não se dirige apenas à diocese de Roma mas ao mundo inteiro. 

Segundo o dogma da Infalibilidade Papal, quando o Papa ensina "ex cathedra" (a partir da cadeira) uma verdade de Fé ou de moral não pode errar, pela especial assistência que lhe é dada nesse momento pelo Espírito Santo. Infelizmente este dogma tem sido muito mal compreendido e as pessoas acham que tudo o que o Papa diz é infalível. Isso não é verdade, um Papa pode errar nas coisas que diz e faz no dia-a-dia. Aconteceu com todos os Papas, ao longo da História, basta olhar para S. Pedro, que traiu Jesus. 

"E o Senhor disse: «Simão, Simão, olha que Satanás pediu para vos joeirar como trigo. Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desapareça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos.» Ele respondeu-lhe: «Senhor, estou pronto a ir contigo até para a prisão e para a morte.» Jesus disse-lhe: «Eu te digo, Pedro: o galo não cantará hoje sem que, por três vezes, tenhas negado conhecer-me»." Lc 22, 31-33

João Silveira


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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

12 ideias para resistir à tentação e crescer em virtude

1. Praticar a custódia dos sentidos: o mau uso dos cinco sentidos pode tornar-se uma porta de entrada para o mal.

2. Não negligenciar Deus e a oração: cultivar uma vida Eucarística, tornar-se n'O que se recebe.

3. Orar pelo desapego do pecado: optar pela santidade.

4. Confiar em Deus: a ansiedade pode levar a mais tentações.

5. Evitar reclamar e negatividade: cultivar a gratidão e oração em todas as circunstâncias.

6. Perdoar e aceitar o perdão de Deus.

7. Viver o momento presente: na presença de Cristo, Virgem Maria, Anjos e Santos.

8. Ler e orar com a Palavra de Deus viva: usá-la como uma arma contra a tentação.

9. Confiar no poder de Deus, não no nosso: discernir, resistir e correr para o Senhor.

10. Sacramentais: Na fé, usá-los pro-activamente como protecção.

11. Sacramentos: os sacramentos são recursos perpétuos e poderosos para receber a graça.

12. Liberdade: conhecer a capacidade do livre arbítrio para escolher o bem e o mal.


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