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sexta-feira, 19 de março de 2021

5 grandiosas verdades sobre São José

1. A figura de São José no Evangelho
Sabemos que não era uma pessoa rica; era um trabalhador como milhões de homens no mundo. Exercia o ofício fatigante e humilde que Deus escolheu também para Si quando tomou a nossa carne e viveu trinta anos como uma pessoa mais entre nós. A Sagrada Escritura diz que José era artesão.

2. Uma forte personalidade
Das narrações evangélicas depreende-se a grande personalidade humana de S. José: em nenhum momento nos aparece como um homem diminuído ou assustado perante a vida; pelo contrário, sabe enfrentar-se com os problemas, superar as situações difíceis, assumir com responsabilidade e iniciativa os trabalhos que lhe são encomendados.

Não estou de acordo com a forma clássica de representar S. José como um homem velho, apesar da boa intenção de se destacar a perpétua virgindade de Maria. Eu imagino-o jovem, forte, talvez com alguns anos mais do que a Virgem, mas na pujança da vida e das forças humanas.

3. A pureza nasce do amor
Para viver a virtude da castidade não é preciso ser-se velho ou carecer de vigor. A castidade nasce do amor; a força e a alegria da juventude não constituem obstáculo para um amor limpo. Jovem era o coração e o corpo de S. José quando contraiu matrimónio com Maria, quando conheceu o mistério da sua Maternidade Divina, quando vivei junto d'Ela respeitando a integridade que Deus lhe queria oferecer ao mundo como mais um sinal da sua vinda às criaturas. Quem não for capaz de compreender um amor assim conhece muito mal o verdadeiro amor e desconhece por completo o sentido cristão da castidade.

4. Todos os dias, trabalho
José era artesão da Galileia, um homem como tantos outros. E que pode esperar da vida um habitante de uma aldeia perdida, como era Nazaré? Apenas trabalho, todos os dias, sempre com o mesmo esforço. E, no fim da jornada, uma casa pobre e pequena, para recuperar as forças e recomeçar o trabalho no dia seguinte.

Mas o nome de José significa em hebreu Deus acrescentará. Deus dá à vida santa dos que cumprem a sua vontade dimensões insuspeitadas, o que a torna importante, o que dá valor a todas as coisas, o que a torna divina. À vida humilde e santa de S. José, Deus acrescentou - se me é permitido falar assim - a vida da Virgem Maria e a de Jesus Nosso Senhor. Deus nunca se deixa vencer em generosidade. José podia fazer suas as palavras que pronunciou Santa Maria, sua Esposa: Quia fecit mihi magna qui potens est, fez em mim grandes coisas Aquele que é todo poderoso quia respexit humilitatem, porque pôs o seu olhar na minha pequenez.

5. Um homem em quem Deus confiou
José era efectivamente um homem corrente, em quem Deus confiou para realizar coisas grandes. Soube viver exactamente como o Senhor queria todos e cada um dos acontecimentos que compuseram a sua vida. Por isso, a Sagrada Escritura louva José, afirmando que era justo. 

E, na língua hebreia, justo quer dizer piedoso, servidor irrepreensível de Deus, cumpridor da vontade divina; outras vezes significa bom e caritativo para com o próximo. Numa palavra, o justo é o que ama a Deus e demonstra esse amor, cumprindo os seus mandamentos e orientando toda a sua vida para o serviço dos seus irmãos, os homens. 

S. Josemaria Escrivá in Cristo que passa, 40


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sexta-feira, 26 de junho de 2020

Penitência nas coisas concretas do dia-a-dia


Penitência é o cumprimento exacto do horário que te fixaste, mesmo que o corpo resista ou a mente pretenda evadir-se com sonhos quiméricos. Penitência é levantares-te pontualmente. E também, não deixar para mais tarde, sem motivo justificado, essa tarefa que te é mais difícil ou custosa.

A penitência está em saber compaginar as tuas obrigações relativas a Deus, aos outros e a ti próprio, exigindo-te, de modo que consigas encontrar o tempo necessário para cada coisa. És penitente quando te submetes amorosamente ao teu plano de oração, apesar de estares cansado, sem vontade ou frio.

Penitência é tratar sempre os outros com a maior caridade, começando pelos teus. É atender com a maior delicadeza os que sofrem, os doentes e os que padecem. É responder com paciência aos maçadores e inoportunos. É interromper ou modificar os nossos programas, quando as circunstâncias – sobretudo os interesses bons e justos dos outros – assim o requerem.

A penitência consiste em suportar com bom humor as mil pequenas contrariedades do dia; em não abandonar o trabalho, mesmo que no momento te tenha passado o entusiasmo com que o começaste; em comer com agradecimento o que nos servem, sem caprichos importunos.

São Josemaria Escrivá in 'Amigos de Deus', 138


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quarta-feira, 26 de junho de 2019

12 curtas meditações para quem quer mudar de vida

1- “Essa palavra acertada, a 'piada' que não saiu da tua boca, o sorriso amável para quem te incomoda, aquele silêncio ante a acusação injusta, a tua conversa afável com os maçadores e com os importunos, não dar importância cada dia a um pormenor ou outro, aborrecido e impertinente, de pessoas que convivem contigo... Isto, com perseverança, é que é sólida mortificação interior.”

2 - “Não digas: essa pessoa aborrece-me. - Pensa: essa pessoa santifica-me.”

3 - “Procura mortificações que não mortifiquem os outros.”

4 - “Mortificação interior. - Não acredito na tua mortificação interior, se vejo que desprezas, que não praticas a mortificação dos sentidos.”

5 - “O mundo só admira o sacrifício com espectáculo, porque ignora o valor do sacrifício escondido e silencioso.”

6 - “Tudo o que não te leva a Deus é um estorvo. Arranca-o e atira-o para longe.”

7 - “Vence-te em cada dia desde o primeiro momento, levantando-te pontualmente a uma hora fixa, sem conceder um só minuto à preguiça. Se, com a ajuda de Deus, te venceres, muito terás adiantado para o resto do dia. Desmoraliza tanto sentir-se vencido na primeira escaramuça!” 

8 - “Não sejas frouxo, mole. - Já é tempo de repelires essa estranha compaixão que sentes por ti mesmo.” 

9 - “Acertou quem disse que a alma e o corpo são dois inimigos que não se podem separar, e dois amigos que não se podem ver.” 

10 - “Estes são os saborosos frutos da alma mortificada: compreensão e transigência para as misérias alheias; intransigência para as próprias.” 

11 - “Quantos, que se deixariam cravar numa Cruz, perante o olhar atónito de milhares de espectadores, não sabem sofrer cristãmente as alfinetadas de cada dia! - Pensa então no que será mais heróico.” 

12 - “O minuto heróico. - É a hora exacta de te levantares. Sem hesitar: um pensamento sobrenatural e... fora! - O minuto heróico: aí tens uma mortificação que fortalece a tua vontade e não debilita a tua natureza.” 

Estes 12 pontos, e muitos outros, foram escritos por S. Josemaria Escrivá no seu livro 'Caminho'


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terça-feira, 26 de junho de 2018

17 sinais evidentes de falta de humildade

1. Pensar que o que fazes ou dizes está mais bem feito ou mais bem dito do que o que os outros fazem ou dizem;

2. Querer levar sempre a tua avante;

3. Discutir sem razão ou, quando a tens, insistir com teimosia e de maus modos;

4. Dar a tua opinião sem ta pedirem ou sem a caridade o exigir;

5. Desprezar o ponto de vista dos outros;

6. Não encarar todos os teus dons e qualidades como emprestados;

7. Não reconhecer que és indigno de toda a honra e estima, inclusive da terra que pisas e das coisas que possuis;

8. Citar-te a ti mesmo como exemplo nas conversas;

9. Falar mal de ti mesmo, para fazerem bom juízo de ti ou te contradizerem;

10. Desculpar-te quando te repreendem;

11. Ocultar ao Director Espiritual algumas faltas humilhantes, para que não perca o conceito que faz de ti;

12. Ouvir com complacência quem te louva, ou alegrar-te por terem falado bem de ti;

13. Doer-te que outros sejam mais estimados do que tu;

14. Negar-te a desempenhar ofícios inferiores;

15. Procurar ou desejar singularizar-te;

16. Insinuar na conversa palavras de louvor próprio, ou que dão a entender a tua honradez, o teu engenho ou destreza, o teu prestígio profissional...;

17. Envergonhar-te por careceres de certos bens.

S. Josemaria Escrivá in Sulco, 263


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Peguemos em nossas armas



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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

São Josemaria Escrivá resume o que é a Santa Missa

Toda a Trindade está presente no sacrifício do Altar. Por vontade do Pai, com a cooperação do Espírito Santo, o Filho oferece-Se em oblação redentora. Aprendamos a conhecer e a relacionar-nos com a Santíssima Trindade, Deus Uno e Trino, três pessoas divinas na unidade da sua substância, do seu amor e da sua acção eficaz e santificadora.

Logo a seguir ao lavabo, o sacerdote invoca: Recebei, ó Santíssima Trindade, esta oblação que Vos oferecemos em memória da Paixão, Ressurreição e Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, no final da Santa Missa, há outra oração de inflamada reverência ao Deus Uno e Trino: Placeat tibi, Sancta Trinitas, obsequium servitutis meae... agradável Vos, seja, ó Trindade Santíssima, o obséquio da minha vassalagem: fazei que por misericórdia este Sacrifício oferecido por mim, posto que indigno aos olhos da vossa Majestade, Vos seja aceitável, e que para mim e para todos aqueles por quem o ofereci, seja um sacrifício de perdão.

A Santa Missa – insisto – é acção divina, trinitária, não humana. O sacerdote que celebra serve o desígnio divino do Senhor pondo à sua disposição o seu corpo e a sua voz. Não age, porém, em nome próprio, mas in persona et in nomine Christi, na Pessoa de Cristo e em nome de Cristo.

O amor da Trindade pelos homens faz com que, da presença de Cristo na Eucaristia, nasçam para a Igreja e para a humanidade todas as graças. Este é o sacrifício que profetizou Malaquias: desde o nascer do sol até ao poente, o meu nome é grande entre as nações, e em todo o lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura. É o Sacrifício de Cristo, oferecido ao Pai com a cooperação do Espírito Santo, oblação de valor infinito, que eterniza em nós a Redenção, que os sacrifícios da Antiga Lei não conseguiam alcançar. 

in Cristo que passa, 86


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segunda-feira, 26 de junho de 2017

São Josemaria explica que as verdades de Fé e Moral não mudam

Permitam-me que insista repetidamente: as verdades de fé e de moral não se determinam por maioria de votos, porque compõem o depósito – depositum fidei – entregue por Cristo a todos os fiéis e confiado, na sua exposição e ensino autorizado, ao Magistério da Igreja.

Seria um erro pensar que, pelo facto de os homens já terem talvez adquirido mais consciência dos laços de solidariedade que mutuamente os unem, se deva modificar a constituição da Igreja, para a pôr de acordo com os tempos. Os tempos não são dos homens, quer sejam ou não eclesiásticos; os tempos são de Deus, que é o Senhor da História. E a Igreja só poderá proporcionar a salvação às almas, se permanecer fiel a Cristo na sua constituição, nos seus dogmas, na sua moral. 

in Amar a Igreja, 30–31


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sábado, 27 de maio de 2017

A maior das intolerâncias é calar a verdade

"Incomoda-te ferir, criar divisões, demonstrar intolerância... e vais transigindo em posições e pontos (não são graves, garantes-me!) que têm consequências nefastas para muitos.

Desculpa a minha sinceridade: com esse modo de actuar, tu, a quem tanto incomoda a intolerância, cais na intolerância mais néscia e prejudicial - a de impedir que a verdade seja proclamada."


S. Josemaria Escrivá in Sulco, 600


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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

S. Josemaria, D. Javier e a Virgem de Guadalupe

S. Josemaria visitou o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, na Cidade do México nos anos 70. Foi pedir a Nossa Senhora por intenções muito concretas, em particular pela fortaleza da Igreja. No dia em que chegou à Cidade do México pediu para ir directamente do aeroporto ao Santuário, mas D. Pedro Casciaro, que o recebera, sorriu. Não só já era muito tarde, como alguém com a idade de S. Josemaria precisava de descansar da viagem e habituar-se à alta atmosfera da Cidade do México.

Quando chegou ao Santuário no dia seguinte, S. Josemaria ficou horas de joelhos a rezar. As pessoas foram chegando à Basílica, até não caberem mais. S. Josemaria queria fazer uma novena à Virgem de Guadalupe e nos oito dias seguintes voltou à Basílica para rezar um Rosário diante da imagem. Para não chamar as atenções, pediu um lugar mais discreto e por isso, nesses dias, rezou numa pequena varanda interna, por cima do altar, ficando ainda mais próximo da imagem de Nossa Senhora. O Beato Álvaro del Portillo e D. Javier Echevarría acompanharam-no nestas orações e registaram tudo o que ele disse durante a meditação dos mistérios. 

S. Josemaria ficou muitos mais dias no México, a visitar alguns dos trabalhos da Obra nesse país, fora da cidade. Houve um dia em que esteve especialmente mal e os médicos obrigaram-no a ficar de cama. À frente da cama, tinha uma representação da última aparição de Nossa Senhora em Guadalupe. Era a cena em que Nossa Senhora colocava umas flores na tilma de S. Juan Diego. Ao ver isto, S. Josemaria disse à Virgem de Guadalupe o quanto gostaria de morrer recebendo flores das mãos d'Ela. Poucos anos depois, S. Josemaria morreu logo depois de cumprimentar a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe que tinha à entrada do escritório, em Roma. 

Durante as suas meditações a rezar Terços diante da “Morenita”, S. Josemaria falou-lhe de um grande Santuário que queria construir, dedicado a Nossa Senhora. Queria com esse Santuário afogar todo o mal do mundo num mar de bem, com graças alcançadas por Nossa Senhora. Nesse momento em Guadalupe prometeu que poria no Santuário uma grande imagem da Morenita, em agradecimento por todas as graças alcançadas por Ela.

O Santuário de Torreciudad, numas montanhas perto dos Pirinéus, em Espanha está já construído há alguns anos. S. Josemaria nunca chegou a ver o Santuário completo, mas acompanhou o início da construção. Anos mais tarde, o Beato Álvaro e D. Javier foram ao Santuário de Torreciudad abençoar a nova imagem da Virgem de Guadalupe. Como conta D. Pedro Casciaro em Sonhai e ficareis aquém, D. Javier começou a ler as palavras que S. Josemaria proferira naqueles dias no México, em que fez aquela promessa. Ao ler comoveu-se e começou a chorar, lembrando S. Josemaria mas também comovido pelas graças que Nossa Senhora não parava de largar. Há 485 anos no México e até aos dias de hoje em todo o mundo.

Não seria extraordinário se também Nossa Senhora de Guadalupe tivesse um papel especial na vida do Padre Javier Echevarría?* 


Obrigado!

Nuno CB

*D. Javier Echevarria acabou mesmo por falecer no dia 12 de Dezembro de 2016.


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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

S. Josemaria e S. Nicolau - Uma amizade sem fim?

Depois de fundar o Opus Dei em 1928, uma das primeiras iniciativas de S. Josemaria foi abrir uma residência de estudantes em Madrid.

Muitos dos primeiros membros da Obra conheceram S. Josemaria através desta residência. Além de residência, a casa era também uma academia onde muitos estudantes iam estudar e ter algumas explicações. Chamava-se Academia DYA, que significava oficialmente Derecho y Arquitectura, mas para S. Josemaria significava Dios y Audacia, um lema que veio a marcar o apostolado da Obra pelo mundo fora.

Uma das audácias de S. Josemaria tinha sido comprar o espaço da residência, vários andares de um prédio no centro de Madrid, sem ter praticamente dinheiro. Mês a mês arranjava dinheiro para pagar as prestações que devia. Em Dezembro de 1934 a situação complicou-se e S. Josemaria não via como arranjar dinheiro para pagar esse mês.

No dia 6 de Dezembro, festa de S. Nicolau, conseguiu resolver o problema. Quando ia celebrar Missa, a subir os degraus para o altar, rezou para dentro e pediu a S. Nicolau para interceder pela situação económica da Academia DYA. Disse que se S. Nicolau ajudasse, o faria intercessor da Obra. Logo a seguir reconsiderou e imediatamente disse que faria de S. Nicolau intercessor da Obra de qualquer maneira, mesmo que não obtivesse a graça que queria. Mas o favor foi obtido e a residência pagou-se a tempo.

Desde então S. Nicolau tornou-se o intercessor oficial da Obra para as questões financeiras. 

in qualquer biografia de S. Josemaria


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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Serenidade. Por que te zangas?

Serenidade. – Por que te zangas, se zangando-te ofendes a Deus, incomodas os outros, passas tu mesmo um mau bocado... e por fim tens de te acalmar? 

Isso mesmo que disseste, di-lo noutro tom, sem ira, e ganhará força o teu raciocínio e, sobretudo não ofenderás a Deus. 

Não repreendas quando sentes a indignação pela falta cometida. – Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda. – E depois, tranquilo e com a intenção purificada, não deixes de repreender. – Conseguirás mais com uma palavra afectuosa, do que ralhando três horas. – Modera o teu génio.

S. Josemaria Escrivá in 'Caminho' (pontos: 8, 9, 10)


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domingo, 4 de setembro de 2016

O director espiritual de Madre Teresa e S. Josemaria

O Fr. Brian Kolodiejchuck M.C. foi Director Espiritual de Madre Teresa de Calcutá. Depois dela morrer, tornou-se o postulador da Causa de Canonização de Madre Teresa e publicou o livro com a compilação das cartas privadas da futura Santa Teresa de Calcutá.

Com um conhecimento tão profundo da vida interior de uma Santa, vale a pena ler como ele compara a futura Sta. Teresa de Calcutá com S. Josemaria Escrivá:
"É surpreendente comprovar quão diferentes são os carismas e os caracteres dos santos na Igreja. Às vezes parece mesmo que se opõem entre si, mas quando se chega a conhecer com profundidade a vida e o espírito de cada um, acaba por se perceber o comum denominador que os une: ser reflexo do modo de ser de Cristo, o Santo por excelência. "
"Assim acontece no caso de duas das grandes personagens da Igreja católica do século XX: o Beato Josemaría Escrivá e a Madre Teresa, duas pessoas e dois carismas muito diferentes, e ao mesmo tempo com tantos pontos em comum."
"É casualidade a coincidência temporal: a Providência divina quis que nos mesmos dias em que a Madre Teresa chegasse a Dublin vinda de Skopje (Macedónia) para iniciar a sua vida religiosa, a finais de Setembro ou inícios de Outubro de 1928, o beato Josemaría, em Madrid, visse a Vontade de Deus acerca do que seria o Opus Dei. "
"Entre esses pontos em comum não posso deixar de assinalar o grande amor à Igreja, ao Papa, à confissão sacramental; ou a fé indiscutida no valor da oração como ponto de partida de toda a acção apostólica; e tantos outros aspectos, como a capacidade de empreender iniciativas ambiciosas ao serviço dos outros. "
"Até mesmo algumas facetas do carácter dos dois reflectem muitas vezes este denominador comum, e também a capacidade de resolver instantaneamente problemas que pareciam humanamente insolúveis. "
"Entre outros muitos pontos, gostava de me referir a um particularmente característico do carisma da Madre Teresa: o seu amor pelos pobres, pelos doentes, pelos moribundos, em última análise, pelos mais necessitados de ajuda. Neles, a Madre Teresa via o próprio Cristo. "
"Também na vida do Beato Josemaria encontramos um grande compromisso por ajudar Cristo presente nas pessoas que padecem necessidade. Não só por meio do grande esforço que o Opus Dei desenvolve para formar as pessoas, manifestado em tantos centros, colégios, universidades, etc. Existe também um grande esforço de compromisso social por melhorar as condições de todos os seres humanos e, mais importante ainda, e por ajudar a todos a ser capazes de entender o sentido verdadeiro e o valor sobrenatural destes sofrimentos. Vêmo-lo muito particularmente nos primeiros anos da história do Opus Dei, tal como se regista em vários dos testemunhos recolhidos neste livro, e sobretudo nas palavras daqueles que testemunharam o trabalho pastoral do beato Josemaría nos hospitais de Madrid, como a Irmã Maria Jesus Sanz, Asunción Muñoz e Irmã Isabel Martín. Os pobres, os doentes, os desenganados, foram as armas para vencer na sua batalha para que o Opus Dei abrisse caminho. "
"Em ambos os casos, tanto para o fundador do Opus Dei como para a Madre Teresa, na raiz deste compromisso reconhecia-se a fé, que lhes permitia descobrir Cristo em cada homem".


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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A Santidade também foi difícil para os Santos

Um dos momentos mais difíceis na história da Igreja em Espanha foi, sem dúvida, a Guerra Civil Espanhola de 1936 a 1939. Milhares e milhares de pessoas foram mortas sob o jugo do comunismo e do anti-clericalismo só por serem Católicas. Leigos, mas também padres, freiras e religiosos. Desde há anos, sempre que sai um documento da Congregação para as Causas dos Santos, há sempre uma confirmação da Santa Sé de que mais dezenas de pessoas morreram pela Fé.

S. Josemaria viveu em Madrid durante parte da guerra e viu muitos dos seus amigos sacerdotes, e muitos outros que não conhecia, serem mortos. Alguns mesmo à sua frente. Era altamente improvável que ele sobrevivesse. Muitos dos que sobreviveram tinham conseguido fugir antes da Guerra.

Numa aventura incrível, ele e alguns dos primeiros membros do Opus Dei conseguiram fugir clandestinamente das regiões comunistas. No meio de imenso frio e muita fome e sempre a caminhar à noite, atravessaram os Pirinéus para passarem a fronteira. A primeira coisa que fizeram foi ir a Lourdes agradecer a Nossa Senhora. Logo de seguida, S. Josemaria quis voltar para Espanha. Arranjaram um sítio para viver na região espanhola onde a Igreja não era perseguida. Burgos foi a cidade de base, mas a partir daí percorreu muitos quilómetros. Confessava pessoas, dava Direcção Espiritual a muitos dos que o tinham conhecido em Madrid e pregava retiros. 

Nessa altura, Juan Jimenez Vargas era um dos membros mais antigos do Opus Dei e aquele que mais tinha a confiança de S. Josemaria. Também ele tinha atravessado os Pirinéus. Como era médico, foi imediatamente chamado para o exército nacional assim que entrou em Espanha e portanto não conseguiu ficar em Burgos a acompanhar S. Josemaria. Por essa razão, a sua correspondência por carta tornou-se abundante. É nesse contexto que surge esta carta:

"Estive em Valência, Valladolid, Salamanca, Ávila e Bilbao. Vim esgotado de Bilbao, (...). 
No dia 9 saio outra vez para Salamanca. 
Que pouca vontade tenho desta dança! De boa vontade me encerraria num convento, a rezar e a fazer penitência, até que acabasse a guerra... Mas seria a primeira ocasião em que faria a minha vontade e, naturalmente - melhor, sobrenaturalmente -  também não a farei agora" 
S. Josemaria Escrivá a Juan Jimenez Vargas, Carta de 7 de Fevereiro de 1938

S. Josemaria em Burgos, 1938
Nuno CB


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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Afogar o mal com o bem

Servir os outros, por Cristo, exige que sejamos muito humanos. Se a nossa vida é desumana, Deus nada edificará nela, porque habitualmente não constrói sobre a desordem, sobre o egoísmo, sobre a prepotência. 

Precisamos de compreender todas as pessoas, temos de conviver com todos, temos de desculpar todos, temos de perdoar a todos. Não diremos que o injusto é o justo, que a ofensa a Deus não é ofensa a Deus, que o mau é bom. 

Todavia, perante o mal, não responderemos com outro mal, mas com a doutrina clara e com a boa acção; afogando o mal em abundância de bem. 

S. Josemaria Escrivá in Cristo que passa, 182


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sábado, 25 de junho de 2016

Como tudo começou: os 3 primeiros padres do Opus Dei

A formação dos futuros sacerdotes é um tema da maior importância. Descubram porquê com esta história.

Os três primeiros sacerdotes ordenados a 25 de Junho de 1944 pelo Bispo de Madrid foram o Pe. Álvaro del Portillo, o Pe. José Maria Hernández de Garnica e o Pe. José Luís Múzquiz, todos três engenheiros.


O primeiro que S. Josemaria convidou foi Álvaro del Portillo, depois de insistir com ele na sua liberdade de decisão, estimulando na sua alma o desejo de servir: Se sentes que está disposto – dizia-lhe -, se o desejas, e não vês inconvenientes, poderás ser ordenado sacerdote, com plena liberdade; e chamo-te ao sacerdócio não por seres melhor, mas para servir os outros (1).

José Maria Hernández de Garnica, a quem chamavam familiarmente Chiqui, pertencia ao Opus Dei desde Julho de 1935.

José Luís Múzquiz, tinha pedido a admissão em 1940, embora se tivesse encontrado pela primeira vez com o Fundador em 1935, quando acabava de terminar o curso de engenharia civil. Tinha assistido a círculos de formação na Residência de Ferraz até ao começo da guerra que o apanhou numa viagem de estudo pela Europa, e em 1939 continuou a ter direcção espiritual com o fundador do Opus Dei. Por fim, num dia de recolecção, depois de ouvir a meditação pregada pelo Pe. Josemaria – como o próprio conta -, «sem que me convidasse expressamente, manifestei-lhe vontade de ser da Obra. E ele disse-me apenas – Que Deus te abençoe, é coisa do Espírito Santo. Isto passou-se no dia 21 de Janeiro de 1940» (2).
Pe. José Luís Muzquiz com S. Josemaria

S. Josemaria era o único sacerdote no Opus Dei desde 1928.

(...)

Resumindo algumas das causas e dos motivos pelos quais a Obra precisava de sacerdotes, o Fundador escreve:Os sacerdotes também são necessários para o atendimento espiritual dos membros da Obra: para administrarem os sacramentos, colaborarem com os directores leigos na direcção das almas, darem uma profunda instrução teológica aos restantes sócios do Opus Dei e – ponto fundamental na própria constituição da Obra – ocuparem alguns cargos de governo (5).

Entre a incerteza dos primeiros empenhamentos e a esperança, tangível e segura, da preparação dos três filhos seus para o sacerdócio, medeiam nada menos que dez anos de oração e mortificação. E haviam de decorrer mais quatro anos até à sua ordenação, em 1944. Anos e anos de pedidos e trabalhos insistentes.

Rezei com esperança e confiança, durante tantos anos, pelos vossos irmãos que haveriam de se ordenar, e por todos os que, mais tarde, seguiriam o seu caminho, e rezei tanto, que posso afirmar que todos os sacerdotes do Opus Dei são filhos da minha oração (7).

O Fundador insistiu muitas vezes em que a vocação ao sacerdócio não é uma espécie de “coroação” da vocação para a Obra. Pelo contrário, pela sua inteira disponibilidade para as tarefas apostólicas e pela formação recebida, pode dizer-se que todos os numerários reúnem as condições necessárias exigidas para o sacerdócio e estão dispostos a receber a ordenação sacerdotal, se o Senhor lho pedir e o Padre os convidar a servir a Igreja e a Obra dessa maneira.

Entre as resoluções que o Fundador do Opus Dei tomou em Novembro de 1941, está a seguinte: Orar, sofrer e trabalhar sem descanso até serem uma realidade na Obra os Sacerdotes que Jesus quer nela. Falar deste ponto com o nosso Bispo de Madrid, meu Pai (8).

Formação dos sacerdotes

O assunto a tratar com o Sr. Bispo de Madrid era o dos estudos eclesiásticos, que normalmente eram feitos em centros docentes oficiais, geralmente nos seminários diocesanos ou nas universidades pontifícias. Dadas as circunstâncias dos estudantes, a sua idade e cursos civis, receberiam aulas de professores particulares no centro da Rua de Diego de León; era seu Director de Estudos o Pe. José Maria Bueno Monreal que, entre 1927 e aquela altura, fora professor de Direito Canónico e Teologia Moral no Seminário de Madrid (9).

Na Primavera de 1942 estavam já os estudantes «em muito boas condições para fazerem os exames», segundo o Director de Estudos.

Quando preparei os primeiros sacerdotes da Obra, exagerei – se é possível – a sua formação filosófica e teológica, por diversas razões: a segunda, para agradar a Deus; a terceira, porque havia muitos olhos cheios de carinho postos em nós, e não podíamos defraudar essas almas; a quarta, porque havia quem não gostasse de nós, e procurasse uma oportunidade para nos atacar; depois, porque na vida profissional sempre exigi aos meus filhos a melhor preparação, e não ia fazer menos com a sua formação religiosa. E a primeira razão – uma vez que posso morrer de um momento para o outro, pensava -, porque tenho de dar contas a Deus do que fiz e desejo ardentemente salvar a minha alma (10).

Entre as fichas antigas soltas que se conservam do Fundador há dois pensamentos que têm muito a ver com esta matéria. Um deles diz: A formação sacerdotal… isso sim, tem de ser Opus Dei! E a outra: O sacerdócio recebe-se no momento da ordenação, mas a formação sacerdotal… (11). A formação abarca toda a vida. Porque a vida é progresso; e quem se detém atrasa-se, e acabará na valeta. (12).

Os três candidatos receberam a preparação pastoral para as Sagradas Ordens directamente do Padre, que teve o cuidado de os ir formando nas virtudes sacerdotais. E, no que se refere aos estudos, não fizeram as disciplinas de Sagrada Teologia no Seminário, mas no Centro de Estudos Eclesiásticos da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz, com sede na Rua de Diego de León, e formalmente constituído em Dezembro de 1943 (13).

in pt.josemariaescriva.info

Notas:
1. Álvaro del Portillo, PR, p.958
2. José Luis Múzquiz de Miguel, Sum. 5791
5. Carta 14-II-1944, n. 9. Os sacerdotes não eram simples auxiliares das actividades de um grupo de leigos; sacerdotes e leigos - em cooperação orgânica – eram igualmente essenciais, como o são na Igreja; com efeito, desde o princípio que a Obra foi vista pelo Fundador como uma porção do Povo de Deus, uma pequena parte da Igreja.
7. Carta 8-VIII-1956, n. 5
8. Apuntes, n. 1854, de 9-XI-1941
9. D. José Maria Bueno Monreal conheceu o Padre Josemaria em 1927 ou 1928, na Faculdade de Direito. Interveio na preparação dos documentos para a aprovação da Obra como Pia União, como atrás se disse. Encarregou-se da direcção de estudos dos três primeiros membros do Opus Dei que receberam a ordenação sacerdotal. No final de 1945, foi nomeado Bispo de Jaca, e depois de Vitória. Em 1954, foi nomeado Arcebispo Coadjutor de Sevilha e, quatro anos mais tarde, Cardeal de Sevilha. Morreu em 1987.
10. Carta 8-VIII-1956, n. 13. «Teologia não era, pois, uma coisa extraordinária, porque com o tempo seria normal na Obra: todos os membros devem possuir a formação doutrinal religiosa conveniente. Por isso, logo a seguir começariam a estudar outros, e mais outros, sem interrupção, como sucedeu efectivamente. Tudo isto mo dizia como algo que pertencia à essência apostólica da Obra, e que era, pois, claramente de Deus» (José López Ortiz, em: Beato Josemaria Escrivá de Balaguer, un hombre de Dios. Testimonios sobre el Fundador del Opus Dei, Madrid, 1994, p. 232-233)
11. RHF, AVF-0079, de II-1944
12. A vossa formação nunca se considera acabada: durante toda a vossa vida, com uma maravilhosa humildade, precisareis de aperfeiçoar a vossa preparação humana, espiritual, doutrinal-religiosa, apostólica e profissional (Carta 6-VI-1945, n. 19)
13. A constituição do Centro de Estudos Eclesiásticos da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz, com sede na Rua de Diego de León (Lagasca, n. 116), que funcionava há algum tempo como centro de estudos, foi comunicada ao Sr. Bispo de Madrid-Alcalá com data de 10 de Dezembro de 1943, isto é, dois dias depois do decreto de erecção da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz (cf. RHF, D-15140)


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sexta-feira, 27 de maio de 2016

As Mãos de Deus: Casamento, família e S. Josemaria

Lançamento amanhã (Sábado, 28 de Maio) às 17h00m
no Auditório da Feira do Livro de Lisboa



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quarta-feira, 23 de março de 2016

Recorre prontamente à confissão

Se alguma vez caíres, filho, recorre prontamente à Confissão e à direcção espiritual: mostra a ferida!, para que te curem a fundo, para que te tirem todas as possibilidades de infecção, mesmo que te doa como numa operação cirúrgica. 

S. Josemaria, Forja, 192.





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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Um Santo do século XX fala de Misericórdia

Deus não se cansa de perdoar

A sagrada Escritura adverte que até o justo cai sete vezes. Sempre que leio estas palavras, a minha alma estremece com um forte abalo de amor e de dor. Uma vez mais, vem o Senhor ao nosso encontro, com essa advertência divina, para nos falar da sua misericórdia, da sua ternura, da sua clemência, que nunca acabam. Estai seguros: Deus não quer as nossas misérias, mas não as desconhece e conta precisamente com essas debilidades para que nos façamos santos.

Um abalo de amor, dizia-vos. Considero a minha vida e, com sinceridade, vejo que não sou nada, que não valho nada, que não tenho nada, que não posso nada; mais: que sou o nada! Mas Ele é o tudo e, ao mesmo tempo, é meu, e eu sou d'Ele, porque não me repele, porque se entregou por mim. Contemplastes amor maior?

E um abalo de dor, pois examino a minha conduta e assombro-me perante o conjunto das minhas negligências. Basta-me examinar as poucas horas decorridas desde que me levantei hoje, para descobrir tanta falta de amor, de correspondência fiel. Penaliza-me deveras este meu comportamento, mas não me tira a paz. Prostro-me diante de Deus e exponho-lhe claramente a minha situação. Logo tenho a segurança da sua assistência e oiço no fundo do meu coração o que ele me repete devagar: meus es tu!. Sabia - e sei - como és; para a frente!

Não pode ser de outra maneira. Se acorrermos continuamente a pôr-nos na presença do Senhor, aumentará a nossa confiança, ao comprovarmos que o seu Amor e o seu chamamento permanecem actuais: Deus não se cansa de nos amar. A esperança demonstra-nos que, sem Ele, não conseguimos realizar nem o mais pequeno dever; e com ele, com a sua graça, cicatrizarão as nossas feridas; revestir-nos-emos da sua fortaleza para resistir aos ataques do inimigo e melhoraremos. Em resumo: a consciência de que somos feitos de barro ordinário há-de servir-nos, sobretudo, para afirmarmos a nossa esperança em Cristo Jesus.

S. Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, 215.



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