quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Família sem filhos?

Dizei-me, vistes já a pequena ave fazer o seu ninho para que permaneça vazio? Ou apenas para que aí chilreie um passarinho? Não. Não há pássaro, não há só um animal que assim faça, mas só o homem. Unicamente o homem descobriu essa coisa insensata: a família sem filhos.

Olhemos de frente esta maneira perniciosa de ver as coisas. É preciso mostrar que a família voluntariamente estéril é como a árvore seca condenada a ser cortada. É preciso demonstrar que o filho pertence à ideia de família; não um, nem dois, mas vários.

Mons. Tihamér Tóth in 'Casamento e Família' - Edit. Vozes, Petrópolis (RJ), 1959


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O Celibato Sacerdotal explicado pelo Papa Bento XVI

Na Vigília para a Conclusão do Ano Sacerdotal, na Praça de São Pedro, vários sacerdotes colocaram as suas dúvidas ao Papa Bento. Um Padre missionário fez uma pergunta sobre o celibato sacerdotal, que tanto tem vindo a ser atacado:

Padre Karol Miklosko: Santo Padre, sou Pe. Karol Miklosko e venho da Europa, exactamente da Eslováquia, e sou missionário na Rússia. Quando celebro a Santa Missa encontro-me a mim mesmo e compreendo que ali encontro a minha identidade, a raiz e a energia do meu ministério. O sacrifício da Cruz revela-me o Bom Pastor que dá tudo pelo rebanho, por cada ovelha, e quando digo: "Isto é o meu corpo... isto é o meu sangue" oferecido e derramado em sacrifício por vós, então compreendo a beleza do celibato e da obediência, que livremente prometi no momento da ordenação. Mesmo com as dificuldades naturais, o celibato parece-me óbvio, olhando para Cristo, mas sinto-me transtornado ao ler tantas críticas mundanas a este dom. Peço-lhe humildemente, Padre Santo, que nos ilumine sobre a profundeza e o sentido autêntico do celibato eclesiástico. 

Papa Bento XVI: Obrigado pelas duas partes da sua pergunta. A primeira, onde mostra o fundamento permanente e vital do nosso celibato; a segunda, que mostra todas as dificuldades nas quais nos encontramos no nosso tempo. A primeira é importante, isto é: o centro da nossa vida deve ser realmente a celebração quotidiana da Sagrada Eucaristia; e aqui são centrais as palavras da consagração: "Isto é o meu Corpo, isto é o meu Sangue", ou seja: falamos "in persona Christi". Cristo permite que usemos o seu "eu", que falemos no "eu" de Cristo, Cristo "atrai-nos para si" e permite que nos unamos, une-nos com o seu "eu". 

E assim, através desta acção, este facto que Ele nos "atrai" para si mesmo, de modo que o nosso "eu" se torna um só com o seu, realiza a permanência, a unicidade do seu Sacerdócio; assim Ele é sempre realmente o único Sacerdote, e contudo muito presente no mundo, porque nos "atrai" para si mesmo e deste modo torna presente a sua missão sacerdotal. Isto significa que somos "atraídos" para o Deus de Cristo: é esta união com o seu "eu" que se realiza nas palavras da consagração. Também no "estás perdoado" – porque nenhum de nós poderia perdoar os pecados – é o "eu" de Cristo, de Deus, o único que pode perdoar. Esta unificação do seu "eu" com o nosso implica que somos "atraídos" também para a sua realidade de Ressuscitado, que prosseguimos rumo à vida plena da ressurreição, da qual Jesus fala aos Saduceus em Mateus, capítulo 22: é uma vida "nova", na qual já estamos além do matrimónio (cf. Mt 22, 23-32). 

É importante que nos deixemos sempre de novo embeber por esta identificação do "eu" de Cristo connosco, por este ser "lançados" para o mundo da ressurreição. Neste sentido, o celibato é uma antecipação. Transcendamos este tempo e caminhemos em frente, e assim "atrairemos" para nós próprios e o nosso tempo rumo ao mundo da ressurreição, à novidade de Cristo, à vida nova e verdadeira. Por conseguinte, o celibato é uma antecipação tornada possível pela graça do Senhor que nos "atrai" para si rumo ao mundo da ressurreição; convida-nos sempre de novo a transcender-nos a nós mesmos, este presente, rumo ao verdadeiro presente do futuro, que hoje se torna presente. E chegamos a um ponto muito importante. 

Um grande problema da cristandade do mundo de hoje é que já não se pensa no futuro de Deus: só o presente deste mundo parece suficiente. Queremos ter só este mundo, viver só neste mundo. Assim fechamos as portas à verdadeira grandeza da nossa existência. O sentido do celibato como antecipação do futuro é precisamente abrir estas portas, tornar o mundo maior, mostrar a realidade do futuro que deve ser vivido por nós como presente. Por conseguinte, viver assim num testemunho da fé: cremos realmente que Deus existe, que Deus tem a ver com a minha vida, que posso fundar a minha vida em Jesus, na vida futura. 

E conhecemos agora as críticas mundanas das quais o senhor falou. É verdade que para o mundo agnóstico, o mundo no qual Deus não tem lugar, o celibato é um grande escândalo, porque mostra precisamente que Deus é considerado e vivido como realidade. Com a vida escatológica do celibato, o mundo futuro de Deus entra nas realidades do nosso tempo. E isto deveria desaparecer! 

Num certo sentido, esta crítica permanente contra o celibato pode surpreender, num tempo em que está cada vez mais na moda não casar. Mas este não-casar é uma coisa total, fundamentalmente diversa do celibato, porque o não-casar se baseia na vontade de viver só para si mesmo, de não aceitar qualquer vínculo definitivo, de ter a vida em todos os momentos em plena autonomia, decidir em qualquer momento como fazer, o que tirar da vida; e portanto um "não" ao vínculo, um "não" à definitividade, um ter a vida só para si mesmos. 

Enquanto o celibato é precisamente o contrário: é um "sim" definitivo, é um deixar-se guiar pela mão de Deus, entregar-se nas mãos do Senhor, no seu "eu", e portanto é um acto de fidelidade e de confiança, um acto que supõe também a fidelidade do matrimónio; é precisamente o contrário deste "não", desta autonomia que não se quer comprometer, que não quer entrar num vínculo; é precisamente o "sim" definitivo que supõe, confirma o "sim" definitivo do matrimónio. E este matrimónio é a forma bíblica, a forma natural do ser homem e mulher, fundamento da grande cultura cristã, das grandes culturas do mundo. E se isto desaparecer, será destruída a raiz da nossa cultura. 

Por isso, o celibato confirma o "sim" do matrimónio com o seu "sim" ao mundo futuro, e assim queremos ir em frente e tornar presente este escândalo de uma fé que baseia toda a existência em Deus. Sabemos que ao lado deste grande escândalo, que o mundo não quer ver, existem também os escândalos secundários das nossas insuficiências, dos nossos pecados, que obscurecem o verdadeiro e grande escândalo, e fazem pensar: "Mas, não vivem realmente no fundamento de Deus!". Mas há tanta fidelidade! 

O celibato, mostram-no precisamente as críticas, é um grande sinal de fé, da presença de Deus no mundo. Rezemos ao Senhor para que nos ajude a tornar-nos livres dos escândalos secundários, para que torne presente o grande escândalo da nossa fé: a confiança, a força da nossa vida, que se funda em Deus e em Jesus Cristo!


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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Estudo inédito mostra diferenças enormes entre Católicos que vão à Missa Tradicional e à Missa Nova

O autor deste estudo celebrou durante 20 anos tanto a Missa Nova, ou Novus Ordo (NOM), como a Missa Tradicional em Latim (TLM), e observou diferenças entre as pessoas que frequentam as duas Missas. Os católicos norte-americanos que frequentam a Missa Nova foram inquiridos ​​repetidamente em termos de crenças e práticas (Pew Research e Centro de Pesquisa Aplicada no Apostolado da Universidade de Georgetown [CARA]).

No entanto, o corpo de pesquisa não parece incluir uma descrição dos católicos que frequentam a Missa Tradicional. Esses católicos participam de, pelo menos, 489 Missas dominicais, em todo o país (latinmassdir.org, 2019). Todos os Domingos, estima-se que 100 mil católicos (pouco mais de 200 fiéis por Missa) nos Estados Unidos assistem à Missa Tradicional que, antes da reforma litúrgica dos anos 70, foi celebrada na Igreja Latina durante mais de 1500 anos.

O número crescente de paróquias destinadas apenas à Missa Tradicional permite pesquisas que vão além das observações de um indivíduo. O objectivo deste estudo piloto foi medir o fruto das duas Missas, comparando directamente as respostas dos participantes da TLM e da NOM às mesmas perguntas.

Método

A pesquisa consistiu em 7 perguntas sobre as crenças e atitudes dos entrevistados. Os dados foram recolhidos entre Março de 2018 e Novembro de 2018. As pesquisas foram anónimas e só se podia responder uma vez. Em pesquisas nas igrejas foram inquiridas 1322 pessoas. O número de respostas variou (entre 1.251 e 1.322) conforme a questão em causa. A mesma pesquisa, feita online, recebeu 451 respostas.

Os inquiridos nas igrejas eram dos seguintes Estados: Arizona, Califórnia, Colorado, New Hampshire, Texas.

Os inquiridos online eram dos seguintes Estados: Connecticut, Flórida, Idaho, Kansas, Minnesota, Missouri, Pensilvânia, Nova York, Virgínia, Washington, Virgínia Ocidental.

O inquérito a pessoas que vão à Missa Tradicional foi preparado de tal modo que as perguntas feitas correspondesses a pesquisas já feitas para os católicos que vão à Missa Nova. Estes foram os tópicos:

1. Aprovação de contracepção
2. Aprovação do aborto
3. Frequência semanal da Missa
4. Aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo
5. Percentagem do rendimento doado à Igreja
6. Confissão anual entre os que vão à Missa semanal
7. Taxa de fertilidade
Análise



A sociedade moderna, segundo muitos, é a causa da diminuição da participação sacramental na Igreja Católica. No entanto, a presente pesquisa, comparada com outros dados, revela uma impressionante variação entre os católicos que frequentam a Missa Tradicional e aqueles que frequentam o Missa Nova. Estas diferenças são dramáticas ao comparar crenças, frequência à igreja, generosidade monetária e taxas de fertilidade.

É importante ressaltar que as famílias que vão à Missa Tradicional têm um tamanho de família quase 60% maior. Isto traduzir-se-á numa mudança demográfica dentro da Igreja. Os participantes da Missa Tradicional doam 5 vezes mais à Igreja, indicando que estão mais comprometidos do que os participantes da Missa Nova. A frequência da Missa dominical 4,5 vezes maior quando comparada com a percentagem dos que vão à Missa Nova, 99% daqueles e 22% destes. Isto implica um profundo compromisso com a Fé. A adesão quase universal à Missa dominical retrata os católicos que estão profundamente apaixonados pela sua Fé e não lhes passa pela cabeça faltar à Missa ao Domingo.

Pesquisa futura

Será que os jovens adultos que frequentam a Missa Tradicional têm uma maior probabilidade de se comprometerem com uma vida na Igreja? Esta questão nunca foi estudada desde o início da Missa Nova, em 1970. A pesquisa é necessária para perceber os números das vocações dos participantes da Missa Tradicional. Estudos preliminares deste autor indicam que a Missa Tradicional produz 7 a 8 vezes o número de vocações Sacerdotais e Religiosas comparando com o que vão à Missa Nova. O sacramento do Santo Matrimónio também parece ser mais popular entre os participantes da Missa Tradicional. Por fim, até que ponto a Missa Tradicional entusiasma os jovens adultos depois de terem saído de casa dos pais? Um estudo rigoroso sobre esses tópicos está planeado para 2019.

Bibliografia

1. CARA Annual Conf/Weekly Mass Feb 16, 2014 
2. CARA 2017 Mass attendance April 11, 2018 Huffington Post quoting Dr. Mark Gray
3. Catholic Philly.com Donation % May 17, 2013
4. Pew Research Catholic Fertility Rate May 12, 2015
5. Pew Research Contraception Sept 28, 2016
6. Pew Research Abortion Oct 15, 2018 
7. Relevant Magazine Donation % March 8, 2016
8. Daily Wire Same sex marriage July 2, 2017

Autor do Estudo

Fr. Donald Kloster - St. Mary’s Catholic Church, Norwalk, Connecticut, USA.
revfrkloster@yahoo.com

in liturgyguy
Tradução: Senza Pagare


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Cardeal Brandmüller: raiz dos abusos sexuais na Igreja é a "homossexualidade"

Legendas: O Tradutor Católico


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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Nova iluminação da Basílica de São Pedro no Vaticano



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10 coisas que irá perder se for à Missa Tradicional

1. Acólitas 

Pode procurar o mais possível, não as vai encontrar. A justificação para esta inovação moderna vem do Código de Direito Canónico de 1983, e de uma clarificação vinda de Roma em 1994. No Rito Tradicional – que usa as normas e a liturgia de 1962 – a existência de “acólitas” não é permitida.

2. Leigos leitores 

Apenas o padre – na Missa Rezada – ou o Diácono e Subdiácono – na Missa Solene - podem ler as Leituras e o Evangelho uma vez que, obviamente, esta é uma função litúrgica. De facto, antes da sua supressão pelo Papa Paulo VI em 1972, as ordens menores incluíam a ordem de “Leitor” para este mesmo propósito.

3. Ministros Extraordinários da Comunhão

Ou, como são erradamente chamados por vezes: Ministros da Eucaristia. No Rito Romano Tradicional não irá encontrar em parte alguma. Verdadeiros exércitos de leigos – muitas vezes mulheres – tomando de assalto o Presbitério, com trajes seculares, para ajudar na distribuição da Sagrada Comunhão. Quando alguém assiste à Missa Tradicional é garantido que apenas receberá Comunhão distribuída pelas mãos consagradas de um sacerdote.

4. Comunhão na mão

Na Missa Tradicional os fiéis recebem a Comunhão tal como todos os Católicos Ocidentais receberam desde o Primeiro Milénio: ajoelhados e na língua. Isto é, claro, um meio através do qual a Igreja demonstra reverência pela Eucaristia e a nossa certeza firme na Presença Real de Nosso Senhor na Eucaristia. É uma forma de proteger a Sagrada Comunhão de ser profanada.

5. Missa rezada de frente para o povo – versus populum

Não acontece na Missa Tradicional. Tal como o piloto de um avião ou o condutor dum carro, o Padre olha na mesma direcção que os fiéis durante a Missa – ad orientem (para Oriente). É importante relembrar que o Santo Sacrifício da Missa é uma acção direccionada a Deus, e não simplesmente uma cerimónia ou uma conversa entre amigos.

6. Má música

Na Missa Tradicional, não vai encontrar “adaptações” de músicas protestantes nem vai ver autênticos “bailes” dentro da Igreja. No Rito Tradicional vai ficar-se pelo silêncio sagrado da Missa Rezada ou, então, vai ouvir os Próprios cantados, Canto Gregoriano ou, até, Palestrina, Mozart e Bach numa Missa Solene.

7. Estar de pé quando é suposto ajoelhar

Ainda que se mantenha de pé em algumas partes da Missa há, no entanto, três ocasiões distintas nas quais irá ajoelhar-se, em vez de estar de pé: durante o Credo – “E encarnou pelo Espírito Santo…”, para receber a Sagrada Comunhão e, também, para a bênção no final da Missa – depois do “Ite, Missa est”.

8. Improviso 

Na Missa Tradicional, não estará sujeito à personalidade do celebrante, tentativas de humor, ou preferências pessoais do sacerdote. As rubricas do Rito Antigo são muito precisas – alguns dirão “rígidas” – e são assim por um bom motivo: o Rito exige obediência e fidelidade. De facto, foi-nos dado – ao padre e também aos fiéis – e, assim, forma-nos em vez de ser formado por nós.

9. Paz de Cristo

No Rito Antigo, não há interrupção da Missa para conhecer ou cumprimentar o sujeito – e, talvez, a sua família - que se senta no banco atrás do seu. Portanto, não haverá nada, neste momento, que vá desviar a sua atenção do Altar. Estamos todos a percorrer a Liturgia, apenas focados em Nosso Senhor na Sagrada Eucaristia.

10. A língua vernácula 

Este ponto deveria ser óbvio, mas é, ainda assim, importante referi-lo. A língua litúrgica do Rito Romano – o Latim – vai ser ouvido na Missa celebrada na Forma Tradicional do Rito, tal como tem acontecido desde o século III. Porém, e obviamente, a homilia – ou sermão – será proferida na língua vernácula.

Brian Williams in liturgyguy.com
Tradução: Mamede Fernandes


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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Não é um conjunto de células, é um bebé




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A Mulher, o feminismo e a lei da paridade

Os movimentos feministas deviam inquietar-se com questões fundamentais, em especial as relacionadas com a vida laboral e a sua conciliação com o que é a natureza da mulher e as suas reais preocupações

A mulher dita feminista – a que integra as “tribos”, a que se deslumbra com as capas de revistas, a que se diz emancipada, a que não precisa de relações estáveis, a que não quer engravidar para não deformar o corpo nem perder oportunidades profissionais, a que frequentemente foge da elegância no vestir e no estar – optou por se objectificar, pretendendo ser apenas fonte de desejo em relações casuais, rejeitando todo o seu potencial feminino, matrimonial e maternal.

São estas três últimas, as características mais belas da mulher!

O potencial feminino refere-se a tudo o que, por norma, caracteriza a mulher. Gosta de se arranjar e de se sentir bonita. Gosta de ter a casa arrumada e bem decorada. Gosta de ver ordem à sua volta. Gosta de cuidar e receber e assume, amiúde, muitas das tarefas domésticas, com toda a sua alma, porque considera ser essa, também, a sua função.

O potencial matrimonial reside, precisamente, no amparo e na necessidade de segurança. A mulher gosta de se sentir útil, de ser a retaguarda e de criar a estabilidade familiar, para que o marido possa ser profissionalmente bem sucedido. Esse sucesso é também o seu sucesso! Por norma, não se incomoda em ter menos rendimentos que o marido, até pelo contrário. Gosta, sim, que seja este a obtê-los, sendo para si um motivo de orgulho. Porquê? Porque lhe confere a sensação de protecção e de segurança. Demonstra-lhe que, apesar poder ter uma carreira mais condicionada, pelo facto de assumir o papel de esposa e mãe, a mulher conta com esse suporte e apoio do marido, para que nada falte. 

Por outro lado, aprecia a ideia de “ter casado bem”, como se fosse este também um ponto de honra. Naturalmente que o contrário não pode ser visto como menos meritório, em particular quando as oportunidades não são equivalentes. Assim, o casal, enquanto um só e actuando em uníssono, pode optar pela inversão destes papéis, que em nada diminuiu qualquer dos elementos, desde que movidos por objectivos comuns e focados no Amor.

O potencial da maternidade é algo biológico! A mulher é provida de um encanto, de uma ternura, que só se encontra na sua relação com os filhos. Ela é o porto de abrigo das crianças. Na maternidade, a mulher sente-se verdadeiramente realizada, pois percebe o que é o verdadeiro e incondicional Amor! Não espanta, pois, que não possa demitir-se dessa função e que a maternidade seja, por norma, um fortíssimo apelo, ainda que subconsciente. Mesmo quando não é mãe, a mulher é a “melhor tia do mundo”, a “melhor madrinha do mundo”. Nela reside a arte do cuidar e do mimar.

O feminismo, que lutou pela igualdade de direitos, pela possibilidade de a mulher poder votar, estudar e trabalhar fora de casa, deter iguais direitos laborais em relação ao homem, está longe de ser representado nos movimentos da actualidade. Pois, embora fazendo parte da natureza da mulher ser esposa e mãe, a “mulher moderna” revela também a necessidade de se completar com um papel social e de cidadania, que vê concretizado no trabalho e, se bem-sucedido, tanto melhor! Gosta de ver reconhecido o seu esforço e mérito profissionais, mas sabe também que poderá ter de fazer escolhas para cumprir com os restantes papéis.

Quantas mulheres estarão dispostas a abdicar da maternidade e de um casamento feliz, em nome de uma carreira de sucesso? Dificilmente poderão estar em pé de igualdade com o homem, que mais facilmente dedica horas extra ao trabalho, abdicando do tempo em Família, em nome da progressão laboral e, está claro, daquilo que é um apelo mais masculino, o do sucesso laboral. É isto discriminação? Não, são escolhas!

A sabedoria popular bem o diz: “Não se pode ter tudo”! Não espanta, assim, que haja menos mulheres em cargos políticos e em posições de poder. A mulher escolhe-o naturalmente, ao dedicar menos tempo que o homem às causas partidárias e ao estudo da História e da actualidade, enquanto conhecimento necessário para defender e representar uma Nação.

É certo que é mais difícil ascender profissionalmente num meio masculino, consequência inevitável desta dinâmica social, mas que na sociedade ocidental tanto se tem esbatido nas últimas décadas, em resultado do esforço de muitas mulheres que mostraram, na prática, o que conseguem fazer e alcançar, com a sua enorme inteligência social e emocional. Prova disso é a representatividade feminina no ensino superior no nosso País, na medicina e na advocacia, que já ultrapassa de forma preocupante a masculina!

Por isso, os movimentos feministas deveriam inquietar-se, sim, com questões fundamentais, particularmente as relacionadas com a vida laboral e a sua conciliação com o que é a natureza da mulher e as suas reais preocupações. Contudo, o activismo feminista actual não procura satisfazer o que as mulheres precisam, mas apenas o que pretende uma poderosíssima minoria de mulheres. 

Este activismo tornou-se, inclusivamente, desprestigiante para a mulher. Priva-a da possibilidade de ascensão social e profissional pelo mérito. Retira-lhe a doçura e candura. Nega-lhe o papel fundamental do matrimónio e da maternidade. Objectifica a mulher, enquanto presa para sexo fácil e espaço de diversão. Promove paradas onde se expõe o corpo de forma grosseira e agreste à visão. Claramente, não representa a “mulher comum”!

A mulher é um ser belíssimo e extraordinário, que já provou conseguir alcançar sonhos e objectivos, sem necessidade de leis movidas por comiseração. A mulher não precisa de quotas obrigatórias para poder aceder à participação na vida política.

Por tudo isso, declaro-me anti-feminista e contra a nova Lei da Paridade!

Joana Bento Rodrigues in Observador


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domingo, 24 de fevereiro de 2019

A poderosa devoção a Nossa Senhora desatadora dos nós

A veneração a Nossa Senhora Desatadora dos Nós surgiu em 1700 quando um Padre alemão pediu a um pintor que fizesse um quadro de Maria, Mãe de Jesus. Na altura em que foi feito, o artista inspirou-se nas palavras de Santo Irineu, que dizia: “Eva, pela sua desobediência, atou o nó da desgraça humana, Maria, pela sua obediência, desatou-o.”

No quadro desenhado aparece um anjo colocando nas mãos de Nossa Senhora um cordão cheio de nós (uns maiores e outros menores, uns separados e outros juntos), que simbolizam os pecados que impedem o ser humano de alcançar a paz e a glória e todos os nossos males humanos e espirituais. 

Outro Anjo recebe o cordão das Mãos de Nossa Senhora já limpo, sem nós! Foi assim que surgiu o culto de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, aquela que nos ajuda a eliminar todos os males que nos escravizam e prendem a nossa vida.

Oração:

Virgem Maria, Mãe do Amor Formoso,
Mãe que jamais deixais de vir
socorrer os Vossos filhos aflitos.

Mãe cujas Mãos não param nunca
de servir seus amados filhos,
pois são movidas pelo Amor Divino
e a imensa Misericórdia
que existem em Vosso Coração.

Voltai o vosso olhar compassivo sobre mim
e vêde o emaranhado de nós
que há em minha vida.

Vós bem conheceis o meu desespero,
a minha dor e o quanto estou amarrado
por causa destes nós.

Maria, Mãe que Deus
encarregou de desatar os nós
da vida dos seus filhos,
confio hoje a fita da minha vida em Vossas mãos.

Ninguém, nem mesmo o maligno
poderá tirá-la do Vosso precioso amparo.

Em Vossas mãos não há nó
que não possa ser desfeito.

Mãe poderosa, por Vossa graça e Vosso poder intercessor
junto a Vosso Filho e Meu Libertador, Jesus,
recebei hoje em Vossas mãos este nó...(dizer a Nossa Senhora a nossa dificuldade)

Peço-Vos que o desateis para a Glória de Deus, e por todo o sempre.
Vós sois a minha esperança.

Ó Senhora minha,
sois a minha única consolação dada por Deus,
a fortaleza das minhas débeis forças,
a riqueza das minhas misérias, a liberdade,
com Cristo, das minhas cadeias.

Ouvi a minha súplica.
Guardai-me, guiai-me, protegei-me, ó meu seguro refúgio e caminho para Deus.
Mãe, Desatadora dos Nós, rogai por mim.

Rezar 3 Avé Marias


Pe. Henrique Maçarico


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Não se aproximar da Comunhão tendo ódio ou ressentimento contra o próximo

Quando entro na Igreja para adorar e visitar o Santíssimo Sacramento, ou para assistir ao Santo Sacrifício da Missa, e especialmente quando me abeiro da Sagrada Comunhão, tenho o cuidado de primeiro varrer do coração qualquer ódio ou ressentimento contra o próximo?

Meu bom Mestre, assim Vós o ensinastes assim o quero praticar; serei pronto e generoso em perdoar qualquer injúria ou ofensa, para que em meu coração não reinem senão o vosso amor e a vossa paz.


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sábado, 23 de fevereiro de 2019

Doutor da Igreja alertou para as horríveis consequências da Sodomia

São Pedro Damião (1007 e 1072) foi um monge reformador, que escreveu um livro a explicar o grande mal das relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo, especialmente sendo um deles um membro do Clero, e o grande corrupção que vinha daí para a Igreja. Estes avisos são mais actuais do que nunca.

Este vício não é absolutamente comparável a nenhum outro, porque supera a todos em enormidade. Este vício produz, com efeito, a morte dos corpos e a destruição das almas. Polui a carne, extingue a luz da inteligência, expulsa o Espírito Santo do templo do coração do homem, nele introduzindo o diabo que é o instigador da luxúria. 

Conduz ao erro, subtrai totalmente a verdade da alma enganada, prepara armadilhas para os que nele incorrem, obstrui o poço para que daí não saiam os que nele caem. Abre-lhes o inferno, fecha-lhes a porta do Céu; torna herdeiro da infernal Babilónia aquele que era cidadão da celeste Jerusalém, transformando-o de estrela do céu em palha para o fogo eterno. Arranca o membro da Igreja e lança-o no voraz incêndio da geena ardente.

Tal vício busca destruir as muralhas da pátria celeste e tornar redivivos os muros da Sodoma calcinada. Ele viola a temperança, mata a pureza, jugula a castidade, trucida a virgindade, que é irrecuperável, com a espada da mais infame união. Tudo infecta, tudo macula, tudo polui, e tanto quanto está em si, nada deixa puro, nada alheio à imundície, nada limpo. Para os puros, como diz o Apóstolo, todas as coisas são puras; para os impuros e infiéis, nada é puro, mas estão contaminados o seu espírito e a sua consciência (Tit. I, 15).

Esse vício expulsa do coro da assembleia eclesiástica e obriga a unir-se com os energúmenos e com os que trabalham com o diabo, separa a alma de Deus para ligá-la aos demónios. Essa pestilentíssima rainha dos sodomitas torna os que obedecem às leis de sua tirania torpes aos homens e odiáveis a Deus. 

Impõe nefanda guerra contra Deus e obriga a alistar-se na milícia do espírito perverso, separa do consórcio dos Anjos e, privando-a da sua nobreza, impinge à alma infeliz o jugo do seu próprio domínio. Despoja os seus sequazes das armas das virtudes e expõe-os, para que sejam transpassados, aos dardos de todos os vícios. Humilha na Igreja, condena no fórum, conspurca secretamente, desonra em público, rói a consciência como um verme, queima a carne como o fogo.

Arde a mísera carne com o furor da luxúria, treme a fria inteligência com o rancor da suspeita, e no peito do homem infeliz agita-se um caos como que infernal, sendo ele atormentado por tantos aguilhões da consciência quanto é torturado pelos suplícios das penas. Sim, tão logo a venenosíssima serpente tiver cravado os dentes na alma infeliz, imediatamente fica ela privada de sentidos, desprovida de memória, embota-se o gume da sua inteligência, esquece-se de Deus e até mesmo de si. 

Com efeito, essa peste destrói os fundamentos da fé, desfibra as forças da esperança, dissipa os vínculos da caridade, aniquila a justiça, solapa a fortaleza, elimina a esperança, embota o gume da prudência. E que mais direi, uma vez que ela expulsa do templo do coração humano toda a força das virtudes e aí introduz, como que arrancando as trancas das portas, toda a barbárie dos vícios?

Com efeito, aquele a quem essa atrocíssima besta tenha engolido, entre as suas fauces cruentas, impede-lhe, com o peso das suas correntes, a prática de todas as boas obras, precipitando-a em todos os despenhadeiros da sua péssima maldade. Assim, tão logo alguém tenha caído nesse abismo de extrema perdição, torna-se um desterrado da pátria celeste, separa-se do Corpo de Cristo. É confundido pela autoridade de toda a Igreja, condenado pelo juízo de todos os Santos Padres, desprezado entre os homens na terra, reprovado pela sociedade dos cidadãos do Céu, cria para si uma terra de ferro e um céu de bronze. 

Por um lado, não consegue levantar-se, agravado que está pelo peso do seu crime, por outro, não consegue mais ocultar o seu mal no esconderijo da ignorância, não pode ser feliz enquanto vive, nem ter esperança quando morre, porque, agora, é obrigado a sofrer o opróbrio da derrisão dos homens e, depois, o tormento da condenação eterna. 

São Pedro Damião in 'Liber Gomorrhianus' (c. XVI, in Migne, Patristica Latina 175-177)


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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

18 anos do Consistório que mudou a História da Igreja

No dia 21 de Fevereiro de 2001, o Papa João Paulo II criou a módica quantia de 44 novos Cardeais. Os nomes foram de tal maneira influentes na vida da Igreja que podemos dizer que foi um conclave que mudou a história da Igreja. 

O primeiro desses nomes foi Jorge Mario Bergoglio, na altura Arcebispo de Buenos Aires, e hoje em dia Papa Francisco.


O segundo foi Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, na altura Arcebispo de Tegucigalpa. O Cardeal Maradiaga foi presidente da Caritas Internacional de 2007 a 2015. Foi nomeado pelo Papa Francisco como coordenador do grupo de Cardeais escolhidos pelo Papa para proceder à reforma da Cúria. Há um ano soube-se que recebia 35 mil euros por mês pagos por uma Universidade das Honduras, mais 54 mil em Dezembro. A notícia gerou alguma polémica mas ficou por aí.


O terceiro foi Claudio Hummes, na altura Arcebispo de São Paulo. É um dos maiores defensores do fim do celibato obrigatório para os sacerdotes e responsável pela organização do Sínodo da Amazónia, no próximo mês de Outubro. 


O quarto foi Walter Kasper, na altura secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O Cardeal Kasper teve vários confrontos doutrinais com o Cardeal Ratzinger (depois Papa Bento XVI). É um dos responsáveis pela "teologia da misericórdia" segundo a qual as leis de Deus devem ser submetidas, por "misericórdia", à vontade dos homens. Fez vários comentários racistas e pejorativos em relação aos Bispos africanos que se recusavam a apoiar a comunhão de "recasados" no Sínodo sobre a Família. Veio depois desmentir essas afirmações, mas o problema é que tinham sido gravadas pelo jornalista Edward Pentin.


O quinto foi Theodore Edgar McCarrick, na altura Arcebispo de Washington. O Cardeal McCarrick levou uma vida de "homossexual activo" ao longo de todo o seu ministério, tendo abusado de inúmeros adolescentes e homens adultos. Como é que um homem destes consegue chegar a Cardeal não deixa de ser assustador. Há poucos dias foi reduzido ao estado laical, apesar dos seus escândalos sexuais serem conhecidos no Vaticano há bastantes anos.

Nesse Consistório foram ainda criados dois Cardeais portugueses: José Policarpo, na altura Patriarca de Lisboa, e José Saraiva Martins, na altura Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos. 

Foi também feito Cardeal Juan Luis Cipriani Thorne, na altura Arcebispo de Lima. Tido como "conservador", e estando à frente de uma das sedes mais importantes da América Latina, o Cardeal Cipriani foi recentemente substituído como Arcebispo de Lima por Castillo Mattasoglio, um sacerdote que ele tinha censurado e proibido de ensinar, por defender teses contra a doutrina da Igreja.

Bastante relevante foi a nomeação de François Xavier Nguyen van Thuan como Cardeal. O Cardeal van Thuan esteve 13 anos na prisão, grande parte deles em solitária, pela sua resistência contra o regime comunista no Vietname. Os seus guardas tinham de ser substituídos frequentemente porque todos se convertiam com a santidade daquele sacerdote em reclusão.

João Silveira


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O Enterro do Aleluia

Aleluia (do hebr. = Louvai a Deus) é uma aclamação de júbilo, frequentemente usada nos salmos, e adoptada, desde os tempos primitivos do cristianismo, na Liturgia. No Rito romano é suprimido o Aleluia nos Ofícios pelos defuntos e desde a Septuagésima até ao Sábado Santo, o "Sábado de Aleluia".

Existem vários costumes relacionados com a supressão do Aleluia da Liturgia no domingo da Septuagésima. Nos livros litúrgicos romanos, isso é feito da maneira mais simples possível: no final do Ofício das Vésperas do sábado anterior ao Domingo da Septuagésima, o “Alleluia” é acrescentado duas vezes ao final do “Benedicamus Domino” e “Deo gratias”, que são cantados em tom pascal, sendo substituído pelo Laus tibi Domine, rex aeternae gloriae, no início das horas canónicas. A palavra é então abandonada completamente na Liturgia até a Vigília Pascal.

Em alguns usos medievais, entretanto, o Aleluia foi acrescentado ao fim de cada antífona destas Vésperas. E nos tempos em que a participação do povo na Liturgia era mais intensa, fazia-se, em alguns países, o “enterro” do Aleluia com certa solenidade (antífona e oração próprias) ou até com cerimónias especiais, por exemplo, imitando um enterro cristão. Assim vários costumes, alguns formalmente incluídos na liturgia e outros não, cresceram em torno dessa despedida do Aleluia.

Um dos costumes mais populares é o enterro do Aleluia. Para isso, costuma-se proceder do seguinte modo:

1. Escreve-se a palavra “Alleluia” num grande pedaço de pergaminho e depois das Vésperas enterravam-no no adro da igreja, para que possa ser desenterrado novamente no Domingo de Páscoa.

2. Coloca-se o pergaminho “Alleluia” numa caixa (caixão). Caso contrário, nalgum plástico para garantir que não se estrague.

3. Enterra-se o caixão do Alleluia no chão.

E pode ainda acrescentar-se uma cruz de madeira sobre o túmulo de Aleluia e escreve-se: “Aqui jaz o Alleluia”. Desenterra-se o Aleluia no Domingo de Páscoa!

O enterro é feito com uma procissão da igreja até ao seu adro, onde é feito o enterro. O espírito de tal cerimónia é realmente o de despedida. Quem reza o Breviário vai à Missa Tradicional percebe e sente a falta dessa manifestação de alegria e júbilo na Liturgia, pois a supressão do Aleluia marca o início de várias outras supressões e mudanças na Liturgia até o Tríduo Pascal.







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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Um Papa em Veneza

O actor John Malkovich percorre as ruas de Veneza vestido de Papa, durante as gravações da nova série "The New Pope".


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Breve biografia de São Francisco Marto

“Ao beato Francisco, o que mais o impressionava e absorvia era Deus naquela luz imensa que penetrara no íntimo dos três. (…) Na sua vida, dá-se uma transformação que poderíamos chamar radical, uma transformação certamente não comum em crianças da sua idade. (…) Suportou os grandes sofrimentos da doença que o levou à morte, sem nunca se lamentar. Tudo lhe parecia pouco para consolar Jesus.” Papa João Paulo II, 13 de Maio de 2000

O Francisquinho, pastorinho de Fátima

O Beato Francisco nasceu no dia 11 de Junho de 1908 e foi baptizado nove dias depois. Muito parecido com os outros meninos da sua terra nas coisas que fazia e na maneira de vestir – boina, calças compridas e casaco curto –, por dentro Francisco tinha sementes de grandes virtudes: era muito humilde, calmo, paciente e meigo. Desde muito cedo começou a tomar conta dos rebanhos do pai e, todos os dias, ia para o campo com a sua irmã dois anos mais nova, a Jacinta, e a prima Lúcia. Nestes dias de brincadeira, em que o Francisco tocava o pífaro e cantava e a Jacinta e a Lúcia dançavam, tiravam sempre tempo para rezar o Terço (ainda que à pressa!), tal como os pais lhes tinham ensinado

As aparições do Anjo

Em 1916, tinha o Francisco 8 anos, apareceu-lhes um jovem Anjo “que o sol tornava transparente como se fora de cristal” disse a irmã Lúcia. Este Anjo apareceu aos três pastorinhos 3 vezes ao longo do ano. A 2ª aparição deu-se no Verão, quando os pastorinhos estavam a brincar. É inacreditável o que o anjo começa por dizer: “Que fazeis? Orai, orai muito. Os Corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei, constantemente, ao Altíssimo orações e sacrifícios.”

Na última aparição, o anjo deu aos pastorinhos a Primeira Comunhão: “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.” Este pedido penetrou bem dentro da alma do Francisco, que apenas se preocupava em consolar Nosso Senhor na terra e no Céu.

As aparições de Nossa Senhora

De 13 de Maio a 13 de Outubro de 1917, Nossa Senhora apareceu aos três pastorinhos na Cova da Iria. Em todas as aparições Nossa Senhora pedia-lhes que rezassem o Terço todos os dias. O Francisco, especialmente, tinha que rezar muitos terços se queria ir para o Céu. Nossa Senhora pediu-lhes se podiam fazer sacrifícios em reparação dos pecados dos homens que ofendem muito a Deus e pela conversão dos pecadores. Nestas aparições, os santos pastorinhos viram o Imaculado Coração de Maria cravado de espinhos pelos nossos pecados e o inferno.

Em Agosto os três meninos foram presos e ameaçados de morte se não contassem o que Nossa Senhora lhes tinha revelado. Perante isto, os pastorinhos mostraram-se firmes à Vontade de Deus, preparados para morrer mártires. Em Agosto, Nossa Senhora fez-lhes um pedido que definiu para sempre a vida deles: “Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas.” 

Na última aparição Nosso Senhor realizou o milagre prometido pela Sua Mãe meses atrás. Quando acabou de conversar com os pastorinhos, Nossa Senhora tomou um aspecto mais triste e disse “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido.”

Um pequeno herói

Nestas aparições, o tema da oração e da mortificação em reparação dos pecados e pela conversão dos pecadores foi dos mais importantes na mensagem de Nossa Senhora. No entanto, foi-nos assegurado que, no fim, o Imaculado Coração de Maria triunfará! O Francisco tinha 9 anos quando assistiu a tudo isto. Depois de saber qual a Vontade de Deus, a sua vida não pôde continuar a mesma. 

Ele, a Jacinta e a Lúcia souberam responder aos apelos de Nossa Senhora mortificando-se de vários modos: davam os seus almoços aos pobres, passaram um mês de Verão sem beber água, traziam atado à cintura uma corda apertada, … Outra escolha importante que os três fizeram foi decidir rezar mais, tirando algum tempo às brincadeiras que tinham. É assim que são os santos, tiram do seu tempo e oferecem-no a Deus.

Nuno CB


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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Cardeal Burke e Cardeal Brandmüller publicam Carta Aberta sobre abusos sexuais e "lobby gay"

Carta Aberta
aos Presidentes das Conferências Episcopais

Caros irmãos, Presidentes das Conferências Episcopais,

É com profunda aflição que nos dirigimos a todos vós! O mundo católico está desorientado e levanta uma pergunta angustiante: para onde está indo a Igreja?

Diante desta deriva, hoje em curso, pode parecer que o problema se reduz ao problema dos abusos de menores, um crime horrível, especialmente se perpetrado por um sacerdote, que, todavia, não é senão uma parte de uma crise bem mais ampla. 

A chaga da agenda homossexual difunde-se no seio da Igreja, promovida por redes organizadas e protegida por um clima de cumplicidade e de conspiração de silêncio (“omertà”). Como é evidente, as raízes deste fenómeno encontram-se nessa atmosfera de materialismo, relativismo e hedonismo, em que se põe abertamente em discussão a existência de uma lei moral absoluta, ou seja, sem excepções.

Acusa-se o clericalismo de ser responsável pelos abusos sexuais, mas a primeira e a principal responsabilidade do clero não recai sobre o abuso de poder, mas em se ter afastado da verdade do Evangelho. A negação, até mesmo em público, por palavras e nos factos, da lei divina e natural, está na raiz do mal que corrompe certos ambientes da Igreja.

Diante de tal situação, cardeais e bispos calam. Também vós vos calareis aquando da reunião convocada para o próximo dia 21 de Fevereiro, no Vaticano?

Em 2016, estivemos entre os que interpelaram o Santo Padre acerca dos dubia que dividiam a Igreja após a conclusão do Sínodo sobre a família. Hoje, esses dubia não só continuam sem receber qualquer resposta, mas são apenas parte de uma crise da fé mais geral. Por isso, vimos encorajar-vos a que levanteis a vossa voz para salvaguardar e proclamar a integridade da doutrina da Igreja.

Rezamos e pedimos ao Espírito Santo para que assista a Igreja e ilumine os pastores que a guiam. Neste momento, é urgente e necessário um acto resolutório. Confiamos no Senhor que nos prometeu: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20).

Walter Card. Brandmüller
Raymond Leo Card. Burke


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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Médico deixa o Congresso em choque com a descrição de um aborto






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Cardeal Sarah anuncia o lançamento do seu livro mais importante

O Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação do Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, anunciou a data de lançamento do seu novo livro. Depois do enorme sucesso dos dois livros anteriores, o Cardeal diz que este será o seu livro mais importante porque se debruça sobre a  "profunda crise espiritual, moral e política do mundo contemporâneo":

Estou feliz por anunciar o lançamento em França - no próximo dia 20 de Março - do meu novo livro, escrito com o Nicolas Diat, e cujo título será: A noite aproxima-se e o dia está prestes a chegar ao fim. A minha análise concentrar-se-á na profunda crise espiritual, moral e política do mundo contemporâneo.

Depois de 'Deus ou Nada', e 'A Força do Silêncio', 'A noite aproxima-se e o dia está prestes a chegar ao fim' é o último volume do tríptico que eu queria escrever. Este livro será o mais importante. Porque considero que a decadência do nosso tempo tem todos os rostos de um perigo mortal.

RS +


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domingo, 17 de fevereiro de 2019

Depois da Primeira Comunhão (Chicago, 1920)



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Domingo de Septuagésima

Este Domingo, 17 de Fevereiro, é o Domingo de Septuagésima (ou simplesmente "Septuagésima") no calendário antigo (pelo qual se rege a forma extraordinária do Rito Romano). É o nono Domingo antes da Páscoa, e o terceiro antes da Quarta-feira de Cinzas.

Apesar de se chamar Septuagésima, não é o 70º dia antes da Páscoa (assim como o Domingo seguinte, Sexagésima, não é o 60º dia antes da Páscoa), pelo que ainda se debate a origem da nomenclatura. Septuagésima tomou um sentido místico, relacionando-se com os 70 anos de cativeiro do povo judeu na Babilónia. Também se dá o nome de Septuagésima ao período de 17 dias que se estende até ao início da Quaresma, e é considerado como uma “pré-Quaresma”, ou seja, um período de preparação para a Quaresma. Este período é equivalente ao Triódion bizantino e não existe no calendário novo do Rito Romano.

Crê-se que a sua observação deve-se à existência de dias de não-observação do jejum quaresmal, o que levava a que não se chegasse aos 40 dias de jejum. É muito provável que o período de Septuagésima seja um exemplo de “polinização” mútua de ritos, sendo uma prática adoptada da Igreja bizantina (não era costume nesta jejuar aos sábados; e a não-observação do jejum aos domingos era, e é, prática universal). Atribui-se a sua instituição na Igreja latina ao Papa S. Gregório Magno (+604), que compilou as orações e leituras para estes domingos pré-quaresmais. Todavia, enquanto que os bizantinos iniciam logo o período de jejum com o Triódion (embora faseado), o período de Septuagésima apenas afecta a liturgia.

Com o início deste período passam a existir algumas mudanças na liturgia. A partir das Completas do Domingo de Septuagésima deixa-se de incluir o “Aleluia” nas orações; e em certos lugares existe até uma cerimónia de “enterro do Aleluia”. A substituir o "Aleluia", a seguir ao “Gradual” aparece o “Tracto”. A doxologia maior, “Glória”, e o hino Ambrosiano, “Te Deum”, deixam de ser ditos com o começo deste período. Os paramentos litúrgicos passam a púrpura (a não ser em dias de festa), antecipando assim o período penitencial que se aproxima.



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