segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Médico deixa o Congresso em choque com a descrição de um aborto






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Cardeal Sarah anuncia o lançamento do seu livro mais importante

O Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação do Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, anunciou a data de lançamento do seu novo livro. Depois do enorme sucesso dos dois livros anteriores, o Cardeal diz que este será o seu livro mais importante porque se debruça sobre a  "profunda crise espiritual, moral e política do mundo contemporâneo":

Estou feliz por anunciar o lançamento em França - no próximo dia 20 de Março - do meu novo livro, escrito com o Nicolas Diat, e cujo título será: A noite aproxima-se e o dia está prestes a chegar ao fim. A minha análise concentrar-se-á na profunda crise espiritual, moral e política do mundo contemporâneo.

Depois de 'Deus ou Nada', e 'A Força do Silêncio', 'A noite aproxima-se e o dia está prestes a chegar ao fim' é o último volume do tríptico que eu queria escrever. Este livro será o mais importante. Porque considero que a decadência do nosso tempo tem todos os rostos de um perigo mortal.

RS +


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domingo, 17 de fevereiro de 2019

Depois da Primeira Comunhão (Chicago, 1920)



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Domingo de Septuagésima

Este Domingo, 17 de Fevereiro, é o Domingo de Septuagésima (ou simplesmente "Septuagésima") no calendário antigo (pelo qual se rege a forma extraordinária do Rito Romano). É o nono Domingo antes da Páscoa, e o terceiro antes da Quarta-feira de Cinzas.

Apesar de se chamar Septuagésima, não é o 70º dia antes da Páscoa (assim como o Domingo seguinte, Sexagésima, não é o 60º dia antes da Páscoa), pelo que ainda se debate a origem da nomenclatura. Septuagésima tomou um sentido místico, relacionando-se com os 70 anos de cativeiro do povo judeu na Babilónia. Também se dá o nome de Septuagésima ao período de 17 dias que se estende até ao início da Quaresma, e é considerado como uma “pré-Quaresma”, ou seja, um período de preparação para a Quaresma. Este período é equivalente ao Triódion bizantino e não existe no calendário novo do Rito Romano.

Crê-se que a sua observação deve-se à existência de dias de não-observação do jejum quaresmal, o que levava a que não se chegasse aos 40 dias de jejum. É muito provável que o período de Septuagésima seja um exemplo de “polinização” mútua de ritos, sendo uma prática adoptada da Igreja bizantina (não era costume nesta jejuar aos sábados; e a não-observação do jejum aos domingos era, e é, prática universal). Atribui-se a sua instituição na Igreja latina ao Papa S. Gregório Magno (+604), que compilou as orações e leituras para estes domingos pré-quaresmais. Todavia, enquanto que os bizantinos iniciam logo o período de jejum com o Triódion (embora faseado), o período de Septuagésima apenas afecta a liturgia.

Com o início deste período passam a existir algumas mudanças na liturgia. A partir das Completas do Domingo de Septuagésima deixa-se de incluir o “Aleluia” nas orações; e em certos lugares existe até uma cerimónia de “enterro do Aleluia”. A substituir o "Aleluia", a seguir ao “Gradual” aparece o “Tracto”. A doxologia maior, “Glória”, e o hino Ambrosiano, “Te Deum”, deixam de ser ditos com o começo deste período. Os paramentos litúrgicos passam a púrpura (a não ser em dias de festa), antecipando assim o período penitencial que se aproxima.



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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Confissão de Fé feita por Vasco da Gama ao xeque muçulmano da ilha de Moçambique

A Lei tenho d'Aquele a cujo império
Obedece o visibil e invisibil,
Aquele que criou todo o Hemisfério,
Tudo o que se sente e todo o insensibil;

Que padeceu desonra e vitupério,
Sofrendo morte injusta e insofribil,
E que do Céu à Terra, enfim, deceu,
Por subir os mortais da Terra ao Céu.

Deste Deus-Homem, alto e infinito,
Os Livros que tu pedes não trazia,
Que bem posso escusar trazer escrito
Em papel o que na alma andar devia.

Luís de Vaz Camões in 'Os Lusíadas' (Canto I, 65-66)


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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

A vida do Venerável Servo de Deus Carlo Acutis



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A menina que morreu de amor por Jesus Eucarístico

O exemplo de uma alma enamorada

Em 1331, com apenas 8 anos de idade, Imelda entrou para o convento. Aos 10, recebeu o hábito de monja dominicana. Embora tivesse tão pouca idade era uma freirinha em tudo exemplar nas actividades da vida religiosa. Entretanto, algo a intrigava: que as pessoas recebessem a Sagrada Comunhão e continuassem a viver.

Como Imelda não tinha idade para comungar, costumava perguntar às religiosas: "A Irmã comungou Jesus e não morreu?". As freiras respondiam assustadas: "Que é isso, menina? Porquê morrer?". A pequenina religiosa respondia: "Como pode receber Jesus, em Comunhão, e não morrer de amor e de tanta felicidade?" 

Pois aconteceu que na madrugada do dia 12 de Maio de 1333, véspera do Domingo da Ascensão do Senhor, Imelda estava na Santa Missa e já não aguentava mais de tanta vontade de comungar. Perguntava-se ela: "Se Jesus mandou ir a Ele as criancinhas, por que não posso comungar?". O Padre já tinha acabado de dar a Sagrada Comunhão às religiosas quando todos viram: uma hóstia saiu do cibório e voou pela capela. Parou em cima da cabeça de Imelda. O padre, então, entendeu que era hora dela comungar.

Ao receber a Santíssima Eucaristia, Imelda colocou-se em profunda adoração. Após horas de oração, a Madre Superiora foi até à freirinha e disse: "Está bem, Irmã Imelda. Já adorou bastante a Jesus. Podemos seguir... Vamos para as outras actividades do convento". Imelda, entretanto, permanecia imóvel. Após a insistência da Superiora, nada acontecia. Foi, então, que a Madre pegou amorosamente Imelda pelos bracinhos e ela caiu nos seus braços. Imelda havia morrido na sua Primeira Comunhão. Cumpriu-se a indagação da pequena grande Imelda: "Como pode alguém receber Jesus, na Sagrada Comunhão, e não morrer de felicidade?" Aos 11 anos, Imelda morreu de amor e de felicidade por ter recebido Jesus!

O corpo de Santa Imelda Lambertini encontra-se incorrupto na Capela de São Segismundo, em Bolonha (Itália). O Papa São Pio X proclamou-a  padroeira das crianças que vão fazer a Primeira Comunhão.


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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

A Irmã Lúcia e o Cônsul português em Espanha

Há 14 anos morria a Irmã Lúcia, a mais velha dos pastorinhos. Vale a pena conhecer este episódio da sua vida.

O contexto é: 1945, a Irmã Lúcia ainda era irmã doroteia em Tuy. É sobre um cônsul português em Espanha que, contrariado, acompanha a Embaixatriz Brasileira, numa visita ao convento. Durante esta visita foi mudando de opinião e passado alguns dias volta com a mulher.

Passaram toda a tarde sentados, à sombra, no jardim. O Senhor Cônsul contou à Irmã Lúcia, em síntese, o percurso da sua vida. De ideias comunistas e depois de ter exercido a diplomacia por vários países, onde essas ideias se tinham tornado mais arraigadas, tinha sido enviado para a Espanha, onde não se encontrava muito a seu gosto. Lúcia descreve-nos o tema da conversa:

- Exercendo a sua carreira, percorreu várias Nações; para esclarecer as suas ideias comunistas, fez algumas viagens à Rússia, e agora, dizia lamentando-se: «tive a infelicidade de ser enviado para uma nação onde o comunismo não é compreendido», e continuava lamentando a situação dos pobres, sujeitos a ser criados dos ricos, sem possibilidades para se elevar na sociedade igualando-se, etc. Depois de ter ouvido, interrompi e perguntei:

- Está o Sr. Cônsul disposto a distribuir todos os seus bens pelos pobres para que se elevem e se lhe igualem?

Depois de um momento de silêncio respondeu:

- Irmã, não é bem isso.

- Não é bem isso? Porque então acabámos nós de assistir em Espanha à morte violenta de tantos capitalistas, dizendo que era para distribuírem esses bens pelos pobres e nunca em Espanha se viu tanta miséria! Onde estão esses capitais?

- Vejo que a Irmã é uma adversária!

- Sim , Sr. Cônsul e não vale a pena discutir.

Aproveitando o momento, sem perder tempo, sempre com os olhos fitos no bem de quem dela se aproximava, perguntou ao Sr. Cônsul se tinha fé. Ele confessou não a ter perdido de todo, mas que já tinha esquecido tudo o que aprendera para a Primeira Comunhão. Por ser de Braga tinha muito devoção a Nossa Senhora do Sameiro – era a sua Madrinha.

Com a permissão da Superiora, a Irmã Dores foi buscar um catecismo que ofereceu ao seu ilustre visitante, pedindo que recordasse o Pai Nosso e a Avé Maria, enquanto ela faria dois terços, para ele e a esposa poderem rezar, e pediu a promessa de o fazerem. Então ouviu com surpresa que, às vezes, escutavam a transmissão das cerimónias de Fátima, e ele confessou que se comovia, ao ouvir aquela multidão a rezar.

Passados uns cinco meses do primeiro encontro, tiveram uma grande surpresa. Deixemos que a Pastorinha nos diga essa grande alegria. Foi no dia 8 de Abril de 1946.

Indo neste dia ao Consulado, por motivo de certa documentação, como de costume o Sr. Cônsul recebe-nos com singular satisfação e conduz-nos à sala de trabalho, aí disse:

- Sabe Irmã, estamos resolvidos a confessar-nos e a comungar, mas com a condição que a Irmã nos arranje um confessor português.

- Isso não é nada difícil. Aqui mesmo em Carvalhinho está um sacerdote português que costuma vir a Tuy com certa frequência. É franciscano, Fr. Luís, vou ver se ele poderá para o próximo dia 13, aniversário do seu casamento, não acha que seria uma linda maneira de festejar esse dia?

- Ó! E como foi a Irmã lembrar-se dessa data?

E notei que se comovia.

De volta a casa, contactou o Sacerdote que se disponibilizou não só a confessar o casal, mas a fazer-lhes uma boa preparação, durante três dias para recomeçarem a sua vida cristã. E no dia 13 de manhã, a Irmã Dores teve a consolação de os ver à Mesa da Comunhão, depois de se terem confessado na capela da casa de Tuy. Que alegria para o seu coração poder ajudar a reencaminhar estas almas a Deus!

in 'Um caminho sob o olhar de Maria', cap. 14, p.288


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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

12 anos de aborto livre em Portugal e o aviso da Irmã Lúcia


12 anos, no dia de Nossa Senhora de Lourdes, o 'Sim' ao aborto venceu em Portugal. Nesse dia os direitos humanos e o bem-comum perdeu em Portugal. Entretanto já foram feitos mais de 200 mil abortos legais (e gratuitos) em Portugal. 200 mil vidas humanas inocentes, únicas e irrepetíveis, na fase mais frágil da sua vida foram brutalmente ceifadas, privadas da sua existência.

Os que dizem que ficaram a ganhar os "direitos" das mulheres esquecem-se (ou omitem) que metade desses 200 mil bebés eram do sexo feminino, por isso 100 mil mulheres foram mortas da forma mais violenta possível.



E quanto às consequências desta chacina? Aparentemente nenhumas. Tudo decorre normalmente no nosso País. Todos dormem tranquilamente à noite, os homicídios são feitos em silêncio, sem que as vítimas possam expressar a sua dor ou indignação e sem quem as defenda. 

No entanto, especialmente neste ano do centenário das aparições de Fátima, talvez seja prudente não esquecer o aviso feito pela Irmã Lúcia

"Se Portugal não aprovar o aborto, está salvo; mas se o aprovar, terá muito que sofrer. Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável; mas pelo pecado da Nação paga todo o povo. Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu."

Este aviso deve ser levado a sério. Temos de fazer os possíveis e impossíveis para acabar com a legalização do aborto o mais depressa possível. Não podemos continuar a viver normalmente como se nada fosse.

João Silveira


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A diferença fundamental entre a "Arca da fraternidade" e a caridade cristã

O logotipo da viagem do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos mostra uma pomba com um ramo de oliveira. É uma imagem, explicou o Papa, “que nos traz à memória a narração do dilúvio primordial, presente em várias tradições religiosas. Segundo a narração bíblica, para preservar a humanidade da destruição, Deus pede a Noé para entrar na arca com a sua família. Hoje também nós, em nome de Deus, para salvaguardar a paz, precisamos entrar juntos, como uma única família, numa arca que possa sulcar os mares tempestuosos do mundo: a arca de fraternidade”.
Segundo essa leitura, a Arca de Noé é uma arca da fraternidade na qual convivem homens de diferentes religiões, porque o próprio Deus queria o pluralismo religioso. Com efeito, acrescentou o Papa: “O pluralismo e as diversidades de religião, de cor, de sexo, de raça e de língua fazem parte daquele sábio desígnio divino com que Deus criou os seres humanos”.
Essa interpretação parece deturpar a doutrina do Evangelho. Com efeito, a Arca, que por ordem divina Noé construiu antes do Dilúvio para seu refúgio, dos seus familiares e de todas as espécies animais (Gn 6, 13-22), é apresentada por São Paulo como um refúgio de salvação para os crentes e um sinal de perdição para o mundo (Hebreus 11, 7).
Portanto, a Tradição Católica sempre viu na Arca de Noé o símbolo da Igreja, fora da qual não há salvação (cf. Santo Ambrósio, De Noe et Arca, 6. 9, in Migne, Patrologia Latina, vol. 14 , col. 368-374, e Hugo von Hurter, De arca Noe Ecclesiae typo Patrum sententiae, em Sanctorum Patrum opuscula selecta, III, Innsbruck 1868, pp. 217-233). É por isso que a Igreja tem a missão de preservar e difundir a fé católica.
Nosso Senhor disse aos Apóstolos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for baptizado, será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16, 16). E o Apóstolo dos Gentios reafirma: “Há um só Senhor, uma só fé, um só baptismo” (Ef 4, 5).
É o dogma da fé proclamado pelo IV Concílio de Latrão sob Inocêncio III: “Só há uma Igreja universal dos fiéis, fora da qual não há salvação“.
O princípio “nulla salus extra Ecclesiam” não exclui da salvação aqueles que estão fora da Igreja devido a um erro invencível, mas estão orientados a Ela ao menos por um desejo implícito. No entanto, eles são privados da garantia da salvação e dos meios ordinários para alcançá-la.
Esta verdade da fé foi confirmada, entre outros, por Gregório XVI (Mirari Vos, de 15 de agosto de 1832); Pio IX (Singulari quidem, de 17 de Março de 1856, aos bispos da Áustria); Leão XIII (Satis cognitum, de 29 de Junho de 1896). Na Encíclica Mortalium animos, de 6 de Janeiro de 1928, Pio XI explica, por sua vez, que no campo da fé não se pode chegar à unidade fraterna da mesma maneira que no campo político.
Subordinar a verdade da fé à fraternidade significa professar o indiferentismo religioso, condenado de maneira constante pelo Magistério universal da Igreja.
A “Fraternidade”, juntamente com a “Liberdade” e a “Igualdade”, é um dos princípios fundadores da Revolução Francesa. O trinómio revolucionário reduz a um sistema de relações privado qualquer princípio transcendente ao qual se referir, pelo que, considerado cada um dos três valores supremos como um absoluto eles entram necessariamente em conflito um com os outros.
Carente de um fim superior, a fraternidade, em vez de ser um factor de coesão da sociedade, torna-se a fonte da sua desintegração. Com efeito, se em nome da fraternidade os homens se virem forçados a uma convivência destituída de um objectivo que dê consistência ao affectio societatis, a “Arca” torna-se uma prisão, e, por um impulso centrífugo, a fraternidade imposta no grito estará fadada a dissolver-se na fragmentação e no caos.
A simples afirmação da convivência fraterna não é capaz de justificar o sacrifício, que é a mais alta expressão do amor ao próximo; e isto porque sacrifício significa renunciar a um bem real em nome de bens superiores; mas a fraternidade não propõe nenhum bem superior que seja digno de sacrifício, além da convivência, que não é um valor em si, mas apenas um facto, sem um sentido positivo ou negativo. O mito da fraternidade oculta o mais profundo egoísmo social e representa a antítese da caridade cristã, o único fundamento verdadeiro das relações sociais entre os homens.
A Fraternidade também constitui um dogma da maçonaria, que, na sua ideologia e seus rituais, propõe uma paródia da doutrina e da liturgia cristã. Não foi por acaso que a Grande Loja da Espanha agradeceu ao Papa Francisco pela sua Mensagem natalícia de 2018 com o seguinte tweet“Todos los masones del mundo se unen a la petición del Papa por  ‘la fraternidad entre personas de diversas religiones’” (Todos os maçons do mundo se unem ao pedido do Papa para a ‘fraternidade entre pessoas de diferentes religiões).
 “Na sua mensagem de Natal do balcão central do Vaticano – continuam os maçons espanhóis – o Papa Francisco pediu o triunfo da fraternidade universal entre todos os seres humanos. Fraternidade entre pessoas de todas as nações e culturas. Fraternidade entre pessoas de ideias diferentes, mas capazes de se respeitarem e de ouvir o outro. Fraternidade entre pessoas de diferentes religiões. (…) As palavras do Papa demonstram o distanciamento actual da Igreja do conteúdo da Humanum genus (1884), a última grande condenação católica da maçonaria”.
Na realidade, a maçonaria continua a ser condenada pela Igreja, mesmo que os homens da Igreja, nos mais altos cargos, pareçam abraçar as suas ideias. Mas o ensinamento do Divino Mestre continua a ressoar nos corações fiéis: ali o amor ao próximo só pode ser fundado no amor de Deus. E sem referência ao verdadeiro Deus, que só pode ser amado sobrenaturalmente dentro da Arca de Salvação da Igreja, a fraternidade é apenas uma palavra vazia que esconde o ódio a Deus e ao próximo.

Roberto de Mattei in 'Corrispondenza Romana' (Tradução: Fratres in Unum)


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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Uma testemunha conta como foi a renúncia do Papa Bento XVI

Há seis anos, Bento XVI tornou-se o primeiro Papa a renunciar nos últimos 600 anos. Aqui está o relato comovente do Arcebispo Leo Cushley sobre o que se passou nesse dia.


11 de Fevereiro é feriado no Vaticano. É o dia em que a Santa Sé celebra o acordo de 1929 da tão conhecida "Questão Romana", a resolução dos 59 anos de disputa entre o Reino de Itália e a Santa Sé, depois da queda de Roma em 1870 para as tropas do Reinado e o fim efectivo dos antigos Estados Papais na Itália central. Por acaso, foi também o dia em que Bento XVI decidiu resignar há um ano atrás. 

A data tinha sido marcada para um pequeno consistório, consistindo numa oração da hora intermédia e o anúncio do Cardeal Angelo Amato de alguns beatos que seriam promovidos a santos. Também já haviam uns suaves e pequenos rumores na Cúria Romana sobre o Santo Padre anunciar uma ou duas mudanças importantes na altura, talvez em relação ao topo da administração, mas este tipo de rumores circulam como gaivotas à volta do Belvedere do Vaticano: andam frequentemente por aí, fazem algum ruído e depois desaparecem outra vez. Por outras palavras, tal como na maior parte dos sítios, nada acontece até acontecer.

Não havia nenhuma indicação de que este dia iria ser diferente. Também era feriado e, apesar de o resto da Cúria estar a desfrutar de um descanso, as poucas pessoas à volta da pessoa do Santo Padre, incluindo eu próprio, estavam de serviço na Sala del Concistoro do Palácio Apostólico para o receber quando ele fosse rezar com os cardeais presentes em Roma e para estar na curta cerimónia.

Como Prelado da Antecâmara, uma espécie de auxiliar de campo, que ajuda os principais convidados do Santo Padre e que assegura que tudo corre de acordo com o previsto quando as pessoas importantes aparecem, cruzei-me com o Santo Padre antes de a cerimónia começar. Como sempre, ele desceu dos seus apartamentos por um elevador privado com o Arcebispo Georg Gänswein e o Msgr. Alfred Xuereb, os seus dois secretários. Parecia bem, mas cansado, e cumprimentou-nos de forma normal.

Como este era um dia de alguma solenidade, o Mestre de Cerimónias estava presente. O Arcebispo Guido Pozzo, na altura Esmoleiro, também lá estava. Quando o Santo Padre ficou pronto para a Liturgia das Horas, todos o seguimos para a Sala del Concistoro para rezar com os cardeais que lá estavam à espera.

Rezámos a hora intermédia da memória de Nossa Senhora de Lourdes (11 de Fevereiro) e depois o Cardeal Angelo Amato fez o seu anúncio relativamente aos que iam ser promovidos aos altares. Até aqui tudo bem.

O Santo Padre tomou então a sua vez de discursar. Era a primeira vez que eu me sentava num consistório, por isso não fazia ideia se isto era normal ou não. Ele falou em Latim, ia ser por isso necessário um esforço maior que o normal para todos nós - sendo o italiano a língua normal da Cúria - portanto era evidente uma certa tensão enquanto tentávamos perceber por onde é que ele estava a ir.

Dentro de segundos tornou-se claro o que se estava a passar. Este não era nenhum discurso normal. Não falou sobre o consistório e os quase-santos, de algumas mudanças na administração ou do aniversário dos tratados lateranenses ou do fim da disputa histórica com Itália. Em vez disso, ele fez história.

O meu estômago virou-se do avesso quando percebi que aqui diante de nós estava uma coisa que não se via há séculos: a resignação voluntária do Romano Pontífice.

Parecia que, em câmara lenta mesmo diante de mim, um cameraman assistente da televisão levou a sua mão à boca num gesto de espanto tipo desenho-animado, o monsenhor sentado ao meu lado começou a soluçar devagar, os ombros do Arcebispo Gänswein pareceram cair. Os cardeais inclinaram-se para a frente para ter a certeza de que tinham percebido exactamente o que estava a ser dito e eu apercebi-me que me estava a certificar se que a minha boca não estava totalmente aberta. Depois fez-se silêncio.

Após uma pausa, o decano do Colégio de Cardeais, o Cardeal Angelo Sodano, levantou-se e começou a falar. Não me lembro precisamente do que ele disse, mas foi breve, calmo e adequado. Estava claro que ele tinha sido informado antes e tinha preparado algumas palavras.

Pelo contrário, as caras dos cardeais mostravam que não tinham tido nenhum aviso do que se ia passar naquela manhã.

Depois do Cardeal Sodano saudar o Papa, nós seguimos o Santo Padre de volta ao hall. O coro tentou cantar uma espécie de canção de saída, mas tudo parecia fora de sítio agora. Eu olhei em volta para ver os cardeais a juntar-se num pequeno círculo, no sítio onde os tínhamos deixado. Olhavam uns para os outros num silêncio estupefacto.

O Papa tinha anunciado que ia largar o cargo daqui a cerca de três semanas, mas já parecia que era o fim. Nós seguimo-lo até ao elevador que sobe até ao apartamento privado. Normalmente, isto passa-se numa dignidade serena. As nossas comuns palavras de despedida - "Até amanhã, Santo Padre", "Tenha um bom almoço, Santo Padre" ou "Boa festa!" - simplesmente não se materializaram, não me lembro de ser capaz de lhe dizer o que quer que seja. Apertámos a sua mão em silêncio ou dissemos algo inaudível. Enquanto lhe apertava a mão achei que ele parecia muito velho e muito pálido. E depois tinha-se ido embora. Virei-me para o leigo que liderava o grupo, apertei-lhe a mão e disse: "Ora, cosa facciamo?" ("O que é que fazemos agora?"). Ele não me deu resposta.

Desde aquele dia até 28 de Fevereiro, o último dia do pontificado, o calendário do Papa Bento simplesmente ganhou mais e mais velocidade. Parecia que todas as pessoas queriam vir e dizer-lhe adeus. Reuniões extra foram marcadas, mesmo nas noites, para que ele pudesse ver toda a gente que queria vir. Mas até isso parecia quase como que uma morte anunciada.

No penúltimo dia do pontificado, houve a última audiência geral do Papa na Praça de S. Pedro. Eis outra coisa que eu nunca tinha visto antes e uma das mais comoventes que alguma vez testemunhei. Em vez da multidão normal de peregrinos, turistas curiosos e visitantes, aqui estava toda a Roma Católica na praça, tinham vindo para se despedir do Papa. No meu trabalho desse dia, estava sentado por trás do Santo Padre e tinha a mesma vista que ele sobre a Praça. Era um dia frio, luminoso e bonito. A audiência começou normal o suficiente dadas as circunstâncias. O Santo Padre fez-nos o seu discurso de despedida e todos ouvimos.

De repente, apercebi-me que, em vez dos movimentos normais da multidão - com canções a distrair, bandeiras a mexer e uma onda de festa - vi cada uma das caras até à outra ponta da Praça de S. Pedro virar-se atentamente para o Papa Bento. Aqui estava um enorme grupo de pessoas - pelo menos 100 mil - a ouvir cada uma das coisas que o Papa dizia com a maior das atenções.

Ouviam com cuidado, aplaudiam cada conjunto de frases e tentavam (com sucesso, penso) comunicar algo que um Papa nunca viu na sua vida: uma mensagem de enorme gratidão e de despedida afectuosa. Isto é uma coisa que os pontífices só recebem quando é tarde demais, quando já se foram embora, quando estão a ser elogiados.

Dado o fantástico e abnegado serviço que este cavalheiro da Baviera deu à Igreja, sempre me pareceu que ele mereceu ver e sentir um pouco a enorme gratidão de imensas pessoas pelo mundo fora por ter tomado a grande cruz de liderança da Igreja, por ter perseverado sob o calor e o suor de cada dia e por ter escolhido sabiamente o momento certo para pousar esse terrível fardo.

No dia 28 de Fevereiro juntei-me a muitos colegas da Secretaria de Estado no Pátio de S. Dâmaso a cerca das 16h30. O Santo Padre veio ao pátio, acenou-nos em despedida e deu-nos a sua benção. Nós aplaudimo-lo de uma forma moderada mas solidária, enquanto ele era levado do pátio e foi com uma grande mistura de sentimentos que voltei a subir as escadas para o meu escritório para ver na televisão o resto da sua viagem para o exílio. Apesar de ser um momento triste, Roma raramente estava tão bonita no crespúsculo cinzento e azul do inverno enquanto o helicóptero que levava o Santo Padre para Castel Gandolfo era filmado por outro helicóptero.

O homem que depois apareceu brevemente na varanda em Castel Gandolfo parecia tão abatido que nenhum dos meus colegas esperava vê-lo durar muitas mais semanas.


Felizmente, no entanto, eu pude ver Bento XVI bem outra vez, mais uma vez, antes de deixar Roma. Cerca de seis meses depois da sua resignação, em Agosto desse ano, ele pediu para me ver no seu pequeno mosteiro no Vaticano, que é a sua nova residência.


Usava uma batina branca folgada sem a faixa e caminhava com a sua bengala normal, mas estava bem e relaxado e parecia feliz, rodeado dos seus velhos amigos: a sua considerável biblioteca de livros. Também tinha a sua cor e sorriso de volta.

Falámos sobre Edimburgo e sobre alguns dos tempos em que tínhamos trabalhado juntos, especialmente a sua visita de estado à Bretanha e os seus vários momentos, incluindo o seu encontro com a Rainha, que tinha dado um início tão bem sucedido à visita. Foi bom saber que houve uma conclusão feliz para o Calvário que eu tinha visto o Papa Bento subir no dia em que anunciou a sua decisão para deixar o papado.

Às vezes pergunto-me a mim mesmo, daqui a 100 anos, quantas pessoas vão estar a ler o corpus literário deixado por Joseph Ratzinger? Mas penso que já não há pequena dúvida de que este modo corajoso e sábio de partir vai dar a Bento XVI um lugar especial na história dos Papas.

Mons. Leo Cushley (Arcebispo de St. Andrews e Edimburgo) in 'The Catholic Herald'


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O segredo do sucesso da Nutella é Nossa Senhora de Lourdes

Há 4 anos, após alguns meses doente, contando já com 89 anos de idade, morreu Michele Ferrero, o pai da Nutella. Foi também responsável pelo aparecimento de outras marcas conhecidas, como: Mon Cheri, Kinder, Ferrero Rocher, Fiesta, Pocket Coffee e de todos os produtos que saíram da empresa Ferrero, fundada por si próprio em Alba no ano de 1946.

Como disse Michele Ferrero, nas celebrações dos 50 anos do início da sua empresa: “O sucesso da Ferrero é devido a Nossa Senhora de Lourdes, sem Ela pouco podemos fazer”. E de facto encontrava-se uma estátua de Nossa Senhora em cada um dos estabelecimentos do grupo, espalhados pelo mundo inteiro.

Michele Ferrero era a pessoa mais rica de Itália, com um património avaliado em 26,8 mil milhões de dólares, e um homem com uma grande fé. Teve uma vida longe dos holofotes e da fama. Todos os anos ia em peregrinação a Lourdes, levando consigo o executivo mais importante na empresa, e organizava a visita ao santuário francês também para os seus empregados.

Construiu o seu império valorizando o melhor de Itália, com produtos de qualidade e capacidade de inovação. Mas o seu talento principal consistia em saber motivar os colaboradores e ter uma especial atenção para com todos, valorizando-os (in Il Goirnale, 15 de Fevereiro de 2015).

“A minha única preocupação, disse uma vez, é que a empresa seja cada vez mais sólida e forte para garantir um emprego seguro a todos os que lá trabalham (in La Stampa, 25 de Junho de 2006).

Sob o seu comando, a empresa da Nutella tornou-se um dos principais grupos de doçaria a nível mundial, presente em 53 países, com mais de 34 mil trabalhadores, 20 unidades produtivas e 9 unidades agrícolas. Por vontade sua, nasceu em 1983 a Fundação Ferrero, que, além de se ocupar dos ex-trabalhadores, promove iniciativas culturais e artísticas, com o lema “Trabalhar, criar, doar” (in Avvenire, 15 de Fevereiro de 2015).

in Aleteia


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O Islão é uma religião de paz?

O Islão é uma religião pacífica? Não vamos perguntar aos jornalistas nem aos professores de Estudos Islâmicos. Vamos olhar para o que o Corão diz. 
Antes disso, aqui ficam três considerações:

  1. Maomé foi um líder militar. Tinha mais de general do que de guru. Provas históricas (islâmicas e seculares) falam das batalhas e ataques de Maomé. Aqui está um verso do Corão que fala disso: Corão (8:68) - "Não é dado a profeta algum fazer cativos, antes de lhes haver subjugado inteiramente a região."
  2. Pelos critérios de Maomé, os líderes do Islão não são imãs, pastores nem padres. Eles são líderes militares. Aqui está um verso do Corão em relação a este assunto: Corão (47:37) - "Não fraquejeis (ó fiéis), pedindo a paz, quando sois superiores; sabei que Deus está convosco e jamais defraudará as vossas acções."
  3. Porque é que as Cruzadas começaram no Médio Oriente depois do Islão ter invadido e atacado os povoados cristãos desde o século VIII até ao XI? Será que o Islão introduziu alguma novidade na esfera política ásio-europeia que fez com que as coisas deixassem de funcionar?
(Os textos foram retirados deste site)
O Corão manda matar

O primeiro exemplo explica o que deve acontecer aos que fazem guerra contra Alá. Devem ser:
  • crucificados
  • assassinados
  • as suas mãos devem ser amputadas
  • os seus pés devem ser cortados
  • feitos prisioneiros
Corão (5:33) – “O castigo, para aqueles que lutam contra Deus e contra o Seu Mensageiro e semeiam a corrupção na terra, é que sejam mortos, ou crucificados, ou lhes seja decepada a mão e o pé opostos, ou banidos. Tal será, para eles, um aviltamento nesse mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo.”
Aqui está um verso onde Maomé critica os "pacíficos" que se recusam a lutar:
Corão (4:95) – Os fiéis, que, sem razão fundada, permanecem em suas casas, jamais se equiparam àqueles que sacrificam os seus bens e suas vidas pela causa de Deus; Ele concede maior dignidade àqueles que sacrificam os seus bens e suas vidas do que aos que permanecem (em suas casas). Embora Deus prometa a todos (os fiéis) o bem, sempre confere aos combatentes uma recompensa superior à dos que permanecem (em suas casas).
Corão (2:191-193) – “Matai-os onde quer se os encontreis e expulsai-os de onde vos expulsaram, porque a perseguição é mais grave do que o homicídio. Não os combatais nas cercanias da Mesquita Sagrada, a menos que vos ataquem. Mas, se ali vos combaterem, matai-os. Tal será o castigo dos incrédulos. Porém, se desistirem, sabei que Deus é Indulgente, Misericordíssimo. E combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus. Porém, se desistirem, não haverá mais hostilidades, senão contra os iníquos.
Corão (2:216) – “Está-vos prescrita a luta (pela causa de Deus), embora o repudieis. É possível que repudieis algo que seja um bem para vós e, quiçá, gosteis de algo que vos seja prejudicial; todavia, Deus sabe todo o bem que fizerdes, Deus dele tomará consciência.”  Este verso não só estabelece que a violência pode ser virtuosa, mas também contradiz o mito que o combate deve ser apenas desejado como auto-defesa, pois a audiência não estava sempre sob ataque. Sabe-se que este verso foi narrado quando Maomé tentava motivar o seu povo para atacar caravanas de mercadores de modo a ficar com as mercadorias.
Corão (4:74) – “Que combatam pela causa de Deus aqueles dispostos a sacrificar a vida terrena pela futura, porque a quem combater pela causa de Deus, quer sucumba, quer vença, concederemos magnífica recompensa.
Corão (4:76) – “Os fiéis combatem pela causa de Deus; os incrédulos, ao contrário, combatem pela do sedutor. Combatei, pois, os aliados de Satanás, porque a angústia de Satanás é débil.
Corão (4:89) – “Anseiam (os hipócritas) que renegueis, como renegaram eles, para que sejais todos iguais. Não tomeis a nenhum deles por confidente, até que tenham migrado pela causa de Deus. Porém, se se rebelarem, capturai-os então, matai-os, onde quer que os acheis, e não tomeis a nenhum deles por confidente nem por socorredor.
Corão (8:39) – “Combatei-os até terminar a intriga, e prevalecer totalmente a religião de Deus. Porém, se se retratarem, saibam que Deus bem vê tudo o quanto fazem.
Corão (8:57) – “Se os dominardes na guerra, dispersai-os, juntamente com aqueles que os seguem, para que meditem.
Estas são as palavras do Corão. Se alguém quiser entender uma religião tem que ir aos textos originais. Estes mostram a verdade das coisas. Agora cada um tire as suas próprias conclusões.
Taylor Marshall


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sábado, 9 de fevereiro de 2019

Cardeal Müller publica Manifesto para combater a confusão doutrinal

O Cardeal Gerhard Müller, anterior Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, acabou de publicar um Manifesto com um resumo da Fé Católica. O Cardeal diz que este Manifesto lhe foi pedido por muitos clérigos e fiéis preocupados com a actual confusão doutrinal na Igreja.

Declaração de Fé

“Não se perturbe o vosso coração!” (Jo 14, 1)

Diante de uma confusão cada vez mais generalizada no ensino da fé, muitos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos da Igreja Católica pediram-me para dar testemunho público da verdade da Revelação. A tarefa dos pastores é guiar os homens que lhes são confiados pelo caminho da salvação, e isso só pode acontecer se tal caminho for conhecido e se eles forem os primeiros a percorrê-lo. 

A esse respeito, o Apóstolo advertiu: “Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu próprio recebi” (1Cor 15, 3). Hoje, muitos cristãos nem sequer conhecem os fundamentos da fé, com um crescente perigo de não encontrarem o caminho que leva à vida eterna. No entanto, a tarefa própria da Igreja continua a ser levar as pessoas a Jesus Cristo, a luz dos gentios (cf. LG 1). Nesta situação, alguém se pergunta como encontrar a orientação correcta. Segundo João Paulo II, o Catecismo da Igreja Católica representa uma “norma segura para o ensino da fé” (Fidei Depositum IV). Foi escrito para fortalecer os irmãos e irmãs na fé, uma fé posta à prova pela “ditadura do relativismo”.

1. Deus uno e trino, revelado em Jesus Cristo

O epítome da fé de todos os cristãos reside na confissão da Santíssima Trindade. Nós tornamo-nos discípulos de Jesus, filhos e amigos de Deus, através do Baptismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. A diferença das três pessoas na unidade divina (254) marca uma diferença fundamental na fé em Deus e na imagem do homem em relação às outras religiões. Reconhecido Jesus Cristo, os fantasmas desaparecem. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, encarnado no ventre da Virgem Maria pela obra do Espírito Santo. O Verbo feito carne, o Filho de Deus é o único Salvador do mundo (679) e o único mediador entre Deus e os homens (846). 

Por esta razão, a primeira carta de João refere-se àquele que nega a sua divindade como o anticristo (1Jo 2, 22), visto que Jesus Cristo, Filho de Deus, desde a eternidade é um único ser com Deus, seu Pai (663). É com clara determinação que é necessário enfrentar o reaparecimento de antigas heresias que em Jesus Cristo viam apenas uma boa pessoa, um irmão e um amigo, um profeta e um exemplo de vida moral. Ele é, antes de tudo, a Palavra que estava com Deus e é Deus, o Filho do Pai, que tomou a nossa natureza humana para nos redimir e que virá para julgar os vivos e os mortos. Só a Ele adoramos em união com o Pai e o Espírito Santo como o único e verdadeiro Deus (691).

2. A Igreja

Jesus Cristo fundou a Igreja como sinal visível e instrumento de salvação, que subsiste na Igreja Católica (816). Ele deu à sua Igreja, que “nasceu do coração trespassado de Cristo morto na cruz” (766), uma estrutura sacramental que permanecerá até ao pleno cumprimento do Reino (765). Cristo, cabeça, e os crentes como membros do corpo são uma pessoa mística (795), por essa razão a Igreja é santa, visto que Cristo, o único mediador, a estabeleceu na terra como um organismo visível e continuamente a apoia (771). Por meio dela, a obra redentora de Cristo torna-se presente no tempo e no espaço com a celebração dos Santos Sacramentos, especialmente no Sacrifício Eucarístico, a Santa Missa (1330). Com a autoridade de Cristo, a Igreja transmite a revelação divina, “que se estende a todos os elementos da doutrina, incluindo a moral, sem a qual as verdades salvíficas da fé não podem ser guardadas, expostas ou observadas” (2035).

3. A Ordem sacramental

A Igreja é em Jesus Cristo o sacramento universal da salvação (776). Ela não se reflecte a si mesma, mas a luz de Cristo, que resplandece no rosto, e isso só acontece quando o ponto de referência não é a opinião da maioria, nem o espírito dos tempos, mas a verdade revelada em Jesus Cristo, que confiou à Igreja Católica a plenitude da graça e da verdade (819): Ele mesmo está presente nos Sacramentos da Igreja. 

A Igreja não é uma associação criada pelo homem, cuja estrutura pode ser modificada pelos seus membros à vontade: é de origem divina. “O próprio Cristo é a origem do ministério na Igreja. Ele instituiu-a, deu-lhe autoridade e missão, orientação e fim” (874). A admoestação do Apóstolo ainda é válida hoje, segundo a qual é amaldiçoado alguém que proclama outro Evangelho, “nós mesmos, ou um anjo do céu” (Gl 1, 8). A mediação da fé está intrinsecamente ligada à credibilidade humana dos seus pregadores: em alguns casos, abandonaram aqueles que lhes haviam sido confiados, perturbando-os e prejudicando seriamente a sua fé. Para eles cumpre-se a palavra da Escritura: “virão tempos em que o ensinamento salutar não será aceite, mas as pessoas acumularão mestres que lhes encham os ouvidos, de acordo com os próprios desejos” (2 Tm 4,3-4).

A tarefa do Magistério da Igreja para com o povo de Deus é “protegê-lo de desvios e falhas” para que possa “professar sem erro a fé autêntica” (890). Isto é especialmente verdadeiro em relação aos sete sacramentos. A Sagrada Eucaristia é “a fonte e o cume de toda a vida cristã” (1324). O Sacrifício Eucarístico, em que Cristo nos envolve no sacrifício da cruz, visa a união mais íntima com Ele (1382). Por isso, a Sagrada Escritura alerta para as condições para receber a Sagrada Comunhão: “Assim, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor” (1Cor 11, 27) e, em seguida, “Quem está ciente de que cometeu um pecado grave, deve receber o sacramento da Reconciliação antes de receber a Comunhão” (1385). 

Da lógica subjacente ao sacramento percebe-se que os divorciados e recasados civilmente, cujo casamento sacramental diante de Deus ainda é válido, bem como todos aqueles cristãos que não estão em plena comunhão com a fé católica e também todos aqueles que não estão devidamente preparados, não recebem a Sagrada Eucaristia frutiferamente (1457), porque deste modo não os leva à salvação. Realçá-lo, corresponde a uma obra de misericórdia espiritual.

O reconhecimento dos pecados na Santa Confissão, pelo menos uma vez por ano, é um dos preceitos da Igreja (2042). Quando os crentes já não confessam os seus pecados recebendo a absolvição, a salvação trazida por Cristo torna-se vã, pois Ele fez-se homem para nos redimir dos nossos pecados. O poder do perdão, que o Ressuscitado conferiu aos Apóstolos e aos seus sucessores no Episcopado e no Sacerdócio, restaura os pecados graves e veniais cometidos depois do Baptismo. A prática actual da confissão mostra que a consciência dos crentes não está suficientemente formada. A misericórdia de Deus é-nos dada para que possamos cumprir os seus Mandamentos para nos conformarmos à sua santa vontade e não para evitar o chamamento à conversão (1458).

“É o sacerdote que continua a obra da redenção na terra” (1589). A ordenação, que confere ao sacerdote “um poder sagrado” (1592), é insubstituível porque, através dele, Jesus torna-se sacramentalmente presente na sua acção salvadora. Os sacerdotes escolhem voluntariamente o celibato como “um sinal dessa nova vida” (1579). Trata-se da entrega de si para o serviço de Cristo e do Seu Reino vindouro. A fim de conferir a ordenação validamente nos três graus do Sacramento, a Igreja reconhece-se como limite para a escolha feita pelo próprio Senhor, “por esta razão a ordenação de mulheres não é possível” (1577). A este respeito, falar de discriminação contra as mulheres demonstra claramente uma incompreensão deste Sacramento, que não diz respeito a um poder terrestre, mas à representação de Cristo, o Esposo da Igreja.

4. A lei moral

Fé e vida são inseparáveis, porque a fé sem as obras feitas no Senhor é morta (1815). A lei moral é o trabalho da sabedoria divina e leva o homem à beatitude prometida (1950). Consequentemente, a “lei divina e natural mostra ao homem o caminho a seguir para fazer o bem e alcançar o seu objectivo” (1955). A sua observância é necessária para que todas as pessoas de boa vontade alcancem a salvação eterna. De facto, aquele que morre em pecado mortal sem arrependimento permanecerá para sempre separado de Deus (1033). Isto implica consequências práticas na vida dos cristãos, entre os quais é oportuno recordar aquelas que hoje são mais frequentemente negligenciadas (cf. 2270-2283; 2350-2381). A lei moral não é um fardo, mas faz parte dessa verdade libertadora (cf. Jo 8, 32), através da qual o cristão caminha no caminho da salvação e não deve ser relativizado.

5. Vida Eterna

Muitos hoje perguntam porquê a Igreja ainda existe se os próprios bispos preferem agir como políticos, em vez de mestres da fé e proclamar o Evangelho. O olho não se deve deter em questões secundárias, mas é mais necessário do que nunca para a Igreja assumir a sua própria tarefa. Todo o ser humano tem uma alma imortal, que na sua morte é separada do corpo, mas com a esperança da ressurreição dos mortos (366). A morte toma a decisão do homem a favor ou contra Deus. Todos terão que enfrentar o juízo pessoal imediatamente após a morte (1021): ou será necessária uma purificação ou o homem irá directamente para a felicidade celestial e será permitido contemplar Deus face-a-face. 

Mas há também a terrível possibilidade de que uma pessoa, até ao fim, permaneça em contradição com Deus: rejeitando definitivamente o seu amor, “chorará imediatamente para sempre” (1022). “Deus, que nos criou sem nós, não nos quis salvar sem nós” (1847). A eternidade da punição do Inferno é uma realidade terrível, que, de acordo com o testemunho das Sagradas Escrituras, diz respeito a todos aqueles que “morrem em estado de pecado mortal” (1035). O cristão atravessa a porta estreita, “porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele” (Mt 7, 13).

Manter em silêncio estas e outras verdades da fé ou ensinar o oposto é o pior engano contra o qual o Catecismo adverte vigorosamente. Esta representa a última prova da Igreja, ou “uma impostura religiosa que oferece aos homens uma solução aparente para os seus problemas, ao preço da apostasia da verdade” (675). É o engano do Anticristo, que vem “com todo o tipo de seduções de injustiça para os que se perdem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos” (2Ts 2, 10).

Apelo

Como trabalhadores na vinha do Senhor, todos nós temos a responsabilidade de recordar estas verdades básicas que se agarram ao que nós mesmos recebemos. Queremos dar coragem para percorrer o caminho de Jesus Cristo com determinação, a fim de obter a vida eterna seguindo os Seus mandamentos (2075).

Pedimos ao Senhor que nos deixe saber quão grande é o dom da fé católica, através do qual a porta para a vida eterna é aberta. “Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos” (Mc 8, 38). Portanto, estamos comprometidos em fortalecer a fé confessando a verdade que é o próprio Jesus Cristo.

O aviso que Paulo, o apóstolo de Jesus Cristo, dá ao seu colaborador e sucessor Timóteo é dirigido particularmente a nós, bispos e padres. Ele escreveu: “Diante de Deus e de Cristo Jesus, que há-de julgar os vivos e os mortos, peço-te encarecidamente, pela sua vinda e pelo seu Reino: proclama a palavra, insiste em tempo propício e fora dele, convence, repreende, exorta com toda a compreensão e competência. Virão tempos em que o ensinamento salutar não será aceite, mas as pessoas acumularão mestres que lhes encham os ouvidos, de acordo com os próprios desejos. Desviarão os ouvidos da verdade e divagarão ao sabor de fábulas. Tu, porém, controla-te em tudo, suporta as adversidades, dedica-te ao trabalho do Evangelho e desempenha com esmero o teu ministério” (2Tm 4, 1-5).

Que Maria, Mãe de Deus, implore a graça de nos apegarmos à confissão da verdade de Jesus Cristo sem vacilar.

Unidos em fé e na oração,
Gerhard Cardeal Müller
Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 2012 e 2017

Nota: Os números que aparecem no texto correspondem ao Catecismo da Igreja Católica.

Tradução: Dies Irae


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