sexta-feira, 31 de maio de 2019

Cheia de Graça é o nome mais bonito de Maria




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Novena ao Espírito Santo (Pentecostes)


A novena do Espírito Santo é a mais antiga de todas, porque foi celebrada por Maria Santíssima e pelos Santos Apóstolos no Cenáculo, entre muitos prodígios, já que, afinal, foi exactamente 10 dias após a Ascensão do Senhor que o Espírito Santo desceu. 

Lembremos de que ao Divino Paráclito é atribuído especialmente o dom do amor. Convém, portanto, que nesta novena consideremos o grande valor do amor divino. Em primeiro lugar, o amor é aquele fogo que inflamou todos os santos a fazerem grandes coisas por Deus. Se quisermos também ficar abrasados, apliquemo-nos sempre, mas em particular nestes dias, à oração, que é a fornalha onde o fogo do amor divino se acende.

Nesta novena rezaremos as meditações de S. Afonso Maria de Ligório.

1. Oração Preparatória para todos os dias:

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis, e acendei neles o fogo do vosso amor.
V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito e tudo será criado.
R. E renovareis a face da Terra.

Oremos: Ó Deus, que instruís os corações de Vossos fiéis com a Luz do Espírito Santo, fazei que saibamos apreciar rectamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito, e possamos gozar sempre da sua consolação. Por Cristo, Senhor Nosso. Ámen.

2. Meditação de cada dia (ver abaixo)

3. Pai Nosso, Avé Maria, Glória 

4. Antífona final:

V. A graça do Espírito Santo ilumine os nossos sentidos e o nosso coração.
R. Ámen.

1º Dia
Et apparuerunt illis dispertitae liguae, tanquam ignis 

“E apareceram sobre eles repartidos como que línguas de fogo” (At 2, 3)

I – Deus ordenou na antiga Lei que o fogo ardesse continuamente no seu altar. Diz São Gregório que os altares de Deus são nossos corações, onde Ele quer que o fogo de seu santo amor arda sem cessar. Por isso o Eterno Pai, não satisfeito em ter-nos dado Jesus Cristo, seu Filho, para nos salvar por sua Morte, quis dar-nos ainda o Espírito Santo, para que habitasse em nossas almas, e as conservasse continuamente abrasadas de amor.

Jesus mesmo declarou que descera à Terra exactamente para inflamar com este fogo sagrado nossos corações, e que seu único desejo era vê-lo acesso: “Vim lançar fogo à Terra e que coisa Eu quero senão que se acenda?” (Lc 12, 49). Eis aqui porque, esquecendo as injúrias e ingratidões dos homens, logo que subiu ao Céu, nos enviou o Espírito Santo. – Assim, ó Redentor amadíssimo, na vossa glória, como nos vossos sofrimentos e humilhações, nos amais sempre?

Pela mesma razão o Espírito Santo quis aparecer no Cenáculo sob forma de línguas de fogo: “E apareceram sobre eles repartidos como que línguas de fogo.” (At 2,3). Por isso também a Igreja nos faz rezar com estas palavras: “O Senhor, fazei que o vosso divino Espírito nos inflame com o fogo que Jesus Cristo veio trazer sobre a Terra, e que desejou tão ardentemente ver brilhar nela.” – Foi este amor o fogo que inflamou os santos a fazerem grandes coisas por Deus: amar os inimigos, a desejar os desprezos, a despojar-se de todos os bens terrenos e a abraçar com alegria os tormentos e a morte. O amor não pode ficar ocioso e nunca diz: Basta. A alma que ama a Deus, quanto mais faz por seu amado, mais quer fazer ainda para mais lhe agradar e ganhar mais e mais a sua afeição.

II – O Espírito Santo acende o fogo do amor divino por meio da meditação: “Na minha meditação se acenderá o fogo.” (Sl 38,4). Se então, desejamos arder em amor para com Deus, amemos a oração; ela é a feliz fornalha em que o coração se abrasa neste ardor celeste.

Meu Deus, até aqui nada tenho feito por Vós, que tão grandes coisas fizeste por mim. Ah! Quanto a minha frieza deve mover-Vos a rejeitar-me! Peço-Vos, ó Espírito Santo: Aquecei o que está frio. Livrai-me de minha frieza e inspirai-me um grande desejo de Vos agradar. Renuncio a todas as minhas satisfações, e antes quero morrer do que Vos dar o menor desgosto. – Aparecestes sob a forma de línguas de fogo; consagro-Vos minha língua, para que não Vos ofenda mais. Ó Deus, Vós me destes a língua para Vos louvar, e dela tenho me servido para Vos ultrajar e levar os outros também a Vos ofender! Arrependo-me de toda minha alma.

Ah! Pelo amor de Jesus Cristo, que na sua vida Vos honrou tanto com a língua, faça com que de agora em diante não cesse de Vos honrar, celebrando Vossos louvores, invocando-Vos muitas vezes, falando da Vossa bondade e do amor infinito que mereceis. Amo-Vos meu soberano bem; amo-Vos Deus de amor. – Ó Maria Santíssima, sois Vós a Esposa fidelíssima do Espírito Santo; obtende este fogo divino.

2º Dia
Ilumina oculos meos, me unquam obdormiam in morte 

“Ilumina os meus olhos, para que eu não durma jamais na morte” (Ps 12, 4)

I – Um dos maiores danos que nos causou o pecado de Adão, é o obscurecimento da nossa razão pelo efeito das paixões que nos ofuscam o espírito. Mui desgraçada é a alma que se deixa dominar por alguma paixão! A paixão é uma nuvem, um véu, que nos impede de ver a verdade. Como pode fugir do mal aquele que não o conhece? E este obscurecimento da nossa razão aumenta em proporção ao número dos nossos pecados.

Mas o Espírito Santo é também chamado Lux Beatissima, com seus esplendores divinos, não só abrasa o nosso coração em seu santo amor, como também dissipa as nossas trevas e nos faz conhecer a vaidade dos bens terrenos, o valor dos eternos, a importância da salvação, o preço da graça, a bondade de Deus, o amor infinito que Ele merece e o imenso amor que nos tem.

“O homem animal não percebe as coisas que são do Espírito de Deus.” (1Cor 2, 14). O homem chafurdado no lamaçal dos prazeres mundanos pouco percebe as verdades da fé. Eis por que o infeliz tem amor ao que devia odiar, e odeia ao que devia amar. Santa Maria Madalena de Pazzi exclamava: O amor não é conhecido! O amor não é amado! Santa Teresa dizia igualmente que Deus não é amado porque não é conhecido. Os santos pediam a Deus sem cessar luz e mais luz: enviai Vossa luz; dissipai minhas trevas; abri meus olhos, porque sem sermos esclarecidos não podemos evitar o abismo, nem encontrar a Deus.

II – Como fruto desta meditação tomemos a resolução de invocar várias vezes o Espírito Santo nas dificuldades que encontramos não somente nos negócios espirituais da alma, mas também nas corporais, especialmente nos de mais graves consequências. Lembremo-nos, porém, que Deus não nos comunicará as suas luzes sempre imediatamente; as mais das vezes se servirá, para tal fim, dos nossos superiores e pais espirituais que ele deixou como seus representantes na Terra: “Quem vos ouve a mim ouve. Quem vos despreza, a mim despreza.” (Lc 10,16).

Santo e divino Espírito, creio que sois verdadeiramente Deus, com o Pai e o Filho. Adoro-Vos e reconheço-Vos como autor de todas as luzes com as quais me fizeste conhecer o mal que fiz ofendendo-Vos, e quanto sou obrigado a amar-Vos. Dou-vos graças e me arrependo sumamente de Vos ter ofendido. Merecia que me abandonasses nas minhas trevas, mas vejo que ainda não me abandonaste.

Ó Espírito eterno, continuai a esclarecer-me e fazei-me conhecer sempre melhor Vossa bondade infinita e dê-me força para Vos amar no futuro de todo meu coração. Ajuntai graça a graça, para que eu fique docemente unido a Vós e obrigado a amar se não a Vós. Eu Vo-lo suplico pelos merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amo-Vos ó meu soberano bem, amo-Vos mais que a mim mesmo. Quero ser todo Vosso; recebei-me e não permitais que me separe de Vós. – Ó Maria, minha Mãe, assisti-me sempre com Vossa intercessão.


3º Dia
Qui biberit ex aqua, quam ego dabo ei, non sitiet in aeternum 
“Aquele que beber da água que eu lhe der, não terá jamais sede” (Jo 4, 13)

I – O amor é também chamado fonte de água viva. O nosso Redentor disse à mulher samaritana: “Aquele que beber da água que Eu lhe der jamais terá sede.” (Jo 4, 13). O amor é, pois, uma água que mata a sede; aquele que ama Deus sinceramente, não busca nem deseja coisa alguma fora de Deus; porque em Deus encontra todos os bens. Assim, contente em possuir Deus, repete sempre na alegria de seu coração: “Meu Deus e meu tudo!” Ó meu Deus! Vós sois meu único bem. Mas Deus queixa-se de muitas almas que vão mendigar junto das criaturas alguns miseráveis e curtos prazeres, e O abandonam, Bem infinito e fonte de todas as alegrias: “Eles abandonaram a mim que sou fonte de água viva, e cavaram para si cisternas que não podem reter água.” (Jr 2, 13).

Ai está, porque o Senhor que nos ama, e deseja ver-nos contentes, nos clama a todos: “Se alguém tem sede, venha a Mim.” (Jo 7, 37). Quem deseja a verdadeira felicidade, venha a Mim, dar-lhe-ei o Espírito Santo, que o fará feliz, nesta vida e na outra: sentirá correr do seu seio rios de água viva, como os profetas anunciaram.

Aquele, pois, que crê em Jesus Cristo, e o ama, será enriquecido de tantas graças, que do seu coração, ou da sua vontade, que é como seio da alma, fluirão fontes de santas virtudes, que o ajudarão não apenas a conservar a própria vida, mas ainda a comunica-las a outros. A água misteriosa, de que nos fala Nosso Senhor, é precisamente o Espírito Santo, o amor substancial que Jesus nos prometeu enviar após a sua Ascensão: “Isto lhes disse a respeito do Espírito Santo, que haviam de receber os que cressem Nele; porque ainda o Espírito não fora dado, por não ter sido ainda Jesus glorificado.” (Jo 7, 39).


II – A chave que nos abre os canais dessa água desejável é a oração, pela qual obtemos todos os bens em virtude da divina promessa: “Pedi e recebereis.” (Jo 16, 24). Somos cegos, pobres e fracos, mas a oração nos consegue a luz, a riqueza e a força da graça. Com a oração podemos tudo, dizia São Teodoreto. Aquele que ora recebe tudo que deseja. Deus quer dar-nos as suas graças, mas quer que as peçamos.

“Senhor, dai-me desta água.” (Jo 4,15). Meu Jesus, dir-Vos-ei como a Samaritana, dai-me desta água do Vosso santo amor, que me faça esquecer a Terra e viver só para Vós, ó Amável infinito. Regai o que é seco. Minha alma é Terra seca, que não produz senão abrolhos e espinhos do pecado; Ah! Inundai-me com as águas da vossa graça, para que produza algum fruto para Vossa glória, antes que a morte me arrebate deste mundo. Ó fonte de água viva! Ó Bem supremo! Quantas vezes Vos deixei pelas águas lodosas desta Terra, que me privaram de Vosso amor! Ah! Quisera eu ter morrido antes de Vos ofender! Mas no futuro, não quero buscar nada senão Vós somente. Ó meu Deus, socorrei e fazei que Vos seja fiel. Maria Santíssima, minha esperança, cobri-me sempre com Vosso manto.

4º Dia
Fluat ut ros eloquium meum, quasi imber super herbam 

“Distilem como orvalho as minhas palavras, como chuva sobre a erva” (Dt 32, 2)

I – Por duas razões o amor é chamado orvalho. Primeiro, porque torna a alma fecunda em bons desejos e boas obras; segundo, porque tempera o ardor das más inclinações e tentações. Se queremos receber este orvalho celestial, apliquemo-nos à oração mental e nunca deixemos de a fazer, ao menos uma vez por dia. Um quarto de hora de meditação basta para apagar o fogo do ódio ou do amor desordenado, por ardente que seja. Ao contrário, a quem não ama a oração, é moralmente impossível vencer as paixões.

A Igreja manda-nos pedir ao Espírito Santo, que purifique nossos corações e os torne fecundos por seu salutar orvalho: Sancti Spiritus corda nostra mundet infusio, et sui roris intima aspersione foecundet. O amor faz a alma fecunda em bons desejos, santas resoluções e boas obras: tais são as flores e os frutos da graça do Espírito Santo. – O amor é chamado também orvalho, porque tempera o ardor das más inclinações e tentações. Por isso se diz do Espírito Santo que Ele modera o ardor e refrigera – “In aestu temperies, dulce refrigerium”.

Este salutar orvalho desce sobre nossos corações durante a oração. Um quarto de hora de meditação basta para apagar o fogo do ódio ou do amor desordenado, por ardente que seja. A santa meditação é a adega misteriosa de que fala a Esposa dos Cantares: Introduxit me rex in cellam vinariam, ordinavit in me caritatem (!) – “O rei me introduziu na sua adega, ordenou em mim a caridade”. Aí é que nos enchemos da caridade bem ordenada, pela qual amamos ao próximo como a nós mesmos, e a Deus sobre todas as coisas. Quem ama a Deus, ama a oração, e a quem não ama a oração, é moralmente impossível vencer as próprias paixões.

II – Para que não sejamos oprimidos pelos ardores das más inclinações, e afim de que o Espírito Santo possa fertilizar as nossas almas com o orvalho dos seus dons, tomemos hoje a forte resolução de fazer cada dia ao menos uma meia hora de oração mental. São João Crisóstomo compara a oração mental a uma fonte no meio de um jardim; porque sem ela todas as virtudes murcham, ao passo que com ela se conservam frescas e amenas, e se aperfeiçoam constantemente.

Assim como quem sai de um jardim faz um ramalhete das flores que mais o encantam, assim, segundo o aviso de São Francisco de Sales, devemos ao sair da meditação compor um como que ramalhete dos pensamentos que mais nos impressionaram, e durante o dia avivá-los de tempos a tempos, mesmo durante as nossas ocupações.

Ó santo e divino Espírito, não quero mais viver para mim mesmo; em Vos amar e agradar quero empregar tudo que me resta da vida. Com este fim Vos peço que me concedais o dom da oração mental. Vinde a meu coração, e ensinai-me Vós mesmo a praticá-la como se deve. Dai-me a força de não deixá-la por tédio no tempo da aridez; dai-me o espírito de oração, isto é, a graça de sempre orar e de fazer aquelas orações que sejam mais agradáveis ao vosso divino Coração. – Por meus pecados me havia perdido; mas por tantos sinais de vossa ternura, reconheço que quereis a minha salvação e santificação. Quero santificar-me para Vos agradar e amar mais a vossa infinita bondade. Amo-Vos, ó meu soberano Bem, meu amor, meu tudo, e porque Vos amo, dou-me todo a Vós. – Ó Maria, minha esperança, protegei-me.

5º Dia
In pace in idipsum dormiam et requiescam 

“Em paz dormirei nele mesmo e repousarei” (Ps 4, 9)

I – O efeito principal do amor é unir a vontade da pessoa que ama, à do objecto amado, tanto na prosperidade como na adversidade. Para uma alma que ama a Deus, consolar-se nas humilhações, dores e perdas que sofre, basta saber que o Senhor quer vê-la suportar tal pena. Dizendo somente: Assim o quer meu Deus, acharemos a paz e o contentamento no meio das tribulações e sob o peso da cruz.

O amor se chama: In labore requies, in fletu solatium – “Alívio nas penas, consolação nas lágrimas”. O amor é um repouso que recreia, porque o ofício principal do amor é unir a vontade da pessoa que ama, à do ser amado. Para consolar-se de todas as humilhações que recebe, dores que sofre, perdas que padece, uma alma que ama a Deus, só precisa conhecer a vontade de seu amado que deseja vê-la suportar tal pena.

Dizendo somente: Assim o quer meu Deus, ela acha paz e contentamento no meio de todas as tribulações. Esta é a paz divina que transcende todos os prazeres dos sentidos: Pax Dei, quae exsuperat omnem sensum. Santa Maria Madalena de Pazzi sentia-se inundada de alegria só com o pronunciar das palavras: vontade de Deus.

II – Nesta vida cada um deve levar sua cruz; mas, diz Santa Teresa: A cruz é dura para quem a arrasta, não, porém, para aquele que a abraça. Assim é que o Senhor sabe ao mesmo tempo ferir e curar, segundo a expressão de Jó: Vulnerat et medetur. Por sua doce unção, o Espírito Santo torna suave e amável até os opróbrios e tormentos. – Ita, Pater, quoniam sic fuit placitum ante te – “Sim, meu Pai, seja, feita a vossa vontade”. Assim orou Jesus Cristo e nós também devemos repetir estas palavras do Salvador todas as vezes que a adversidade nos visitar: Sim meu Pai, assim seja, porque é vossa vontade. Quando trememos sob ameaça de alguma desgraça temporal, repitamos sempre: “Fazei, ó meu Deus: aceito desde já tudo que fizerdes. Protesto que quero viver onde Vós quiserdes, sofrer tudo o que quiserdes e morrer quando quiserdes”. É também utilíssimo oferecer-se muitas vezes a Deus no decurso do dia, como o fazia Santa Teresa.

Ah! meu Deus, quantas vezes, para fazer a minha própria vontade, contrariei a vossa e cheguei a desprezá-la. Disto me aflijo mais que de todos os males. De aqui em diante quero de todo o coração amar-vos e obedecer-vos. Loquere, Domine, quia audit servus tuus – “Falai, Senhor, vosso servo vos escuta”. Dizei o que quereis de mim; quero fazer em tudo a vossa santa vontade. Este será para sempre o meu santo desejo, pois sois o meu único amor. Ajudai a minha fraqueza, ó Espírito Santo. Vós sois a mesma bondade; como, portanto, posso amar outro tesouro senão a vós? Conjuro-vos, atraí para vós, pela doçura de vosso amor, todos os afectos do meu coração. Renuncio a tudo para dar-me a vós sem reserva.

“Recebei, Senhor, toda a minha liberdade. Aceitai a minha memória, a minha inteligência e toda a minha vontade. Tudo o que tenho e possuo fostes vós que me destes; venho vo-Lo restituir e tudo entregar ao vosso beneplácito. Dai-me somente o vosso amor E a vossa graça e rico serei, nada mais vos peço”. – Faço o mesmo pedido a vós, ó Mãe do Belo Amor, Maria, e espero que mo obtenhais pela vossa poderosa intercessão.

6º Dia
Fortis est ut mors dilectio 

“O amor é forte como a morte” (Cant 8, 6)

I – Quanto se trata de agradar ao objecto amado, o amor vence tudo; não há dificuldade que resista ao amor; porque, aquele que ama, não sente o sofrimento, ou se o sente, o ama. O sinal, pois, mais certo para conhecer se uma pessoa ama deveras a Deus é a sua fidelidade na adversidade como na prosperidade. Dizemos que amamos a Deus, mas até agora que fizemos por ele? Como suportamos as cruzes que nos manda para nosso bem?

Assim como não há força criada que resista à morte, assim não há dificuldades que não ceda ao ardor de uma alma amante. Quando se trata de agradar ao objecto amado, o amor vence tudo, perdas, desprezos, dores. Nada é bastante duro para resistir ao fogo do amor, diz Santo Agostinho: Nihil tam durum, quod non amoris igne vincatur. O sinal mais certo, pois, para conhecer se uma pessoa ama deveras a Deus, é sua fidelidade em amar na adversidade como na prosperidade.

Dizia São Francisco de Sales que Deus é tão amável quando nos aflige, como quando nos consola, porque faz tudo por amor e até quando mais nos aflige nesta vida é que nos testemunha mais o seu amor. São João Crisóstomo julgava São Paulo mais feliz nos ferros que arrebatado ao terceiro céu.

II – Também os santos mártires se regozijavam no meio dos tormentos e agradeciam ao Senhor como um grande favor que lhes dispensava o terem que sofrer por seu amor. E os outros santos, que não acharam tiranos para os atormentar, tornaram-se carrascos de si mesmos pelas penitências com que se castigaram, afim de se fazerem agradáveis a Deus. Aquele que ama, diz Santo Agostinho, não sente sofrimento, ou se o sente, o ama: In eo quod amatur, aut non laboratur, aut ipse labor amatur.

Ó Deus da minha alma, digo que vos amo; mas que faço por vosso amor? Nada. É então um sinal de que não vos amo, ou vos amo muito pouco. Meu Jesus, enviai-me o Espírito Santo, que me venha dar a força de sofrer e fazer alguma coisa por vosso amor antes de minha morte. Ah! Meu amado Redentor, não permitais que eu morra neste estado de frieza e ingratidão em que eu tenho vivido até hoje. Concedei-me a graça de amar os sofrimentos, depois de tantos pecados que me tornaram digno do inferno.

Ó meu Deus, todo bondade e todo amor, desejais habitar em minha alma onde tantas vezes vos expulsei; vinde, estabelecei nesta vossa morada, dominai nela e fazei-a toda vossa. Amo-vos, ó meu Senhor, e já que vos amo, comigo estais, como São João afirma: Qui manet in caritate, in Deo manet, et Deus in eo – “Aquele que mora no amor permanece em Deus e Deus nele”. Se, pois, estais comigo, aumentai em mim as chamas de vosso amor, fortificai as cadeias que me prendem a vós, afim de que eu suspire somente por vós, busque somente a vós, e assim unido convosco, não me separe jamais do vosso amor. Ó meu Jesus, quero ser vosso, todo vosso. – Ó minha Advogada e Rainha, Maria, alcançai-me o santo amor e a perseverança.

7º Dia
Ego rogabo Patrem, et alium Paraclitum dabit vobis, ut maneat vobiscum in aeternum 

 “Rogarei a meu Pai, e ele vos enviará outro Consolador, afim de que more sempre convosco” (Jo 14, 16)

I – É esta a magnífica promessa de Jesus Cristo em favor daquele que O ama: Se me amais, rogarei ao Pai, e ele vos enviará o Espírito Santo, afim de que more sempre convosco. Deus, portanto, habita na alma que O ama. Lembremo-nos, porém, de que Deus é cheio de zelos. Quer habitar só na alma, e não está contente, se não o amamos de todo o coração e queremos dividir o nosso amor entre ele e as criaturas.

O Espírito Santo é chamado Hóspede das almas: “Dulcis hospes animae”. É o efeito da magnífica promessa de Jesus Cristo em favor daquele que O ama: “Se me amais, guardai os meus mandamentos; e rogarei ao Meu Pai, e Ele vos enviará outro consolador, o Espírito Santo, afim de que more sempre convosco: “Ut maneat vobiscum in aeternum”. Sim, sempre, porque o Espírito Santo não desampara nunca uma alma, a não ser que seja expulso por ela: “Non deserit, nisi deseratur”.

Deus portanto, habita em toda a alma de que é amado; mas declara não ficar satisfeito, se não o amamos de todo o nosso coração. Escreve Santo Agostinho, que o senado romano se recusou a admitir Jesus Cristo no número dos deuses, dizendo que Ele é um Deus soberbo que quer ser adorado com exclusividade. Isto é verdade: Nosso Senhor não aceita rival num coração que O ama; quer habitar nele só e ser amado mais que todos. Se Ele não se vê amado acima só, tem, por assim dizer, segundo a expressão de São Tiago, zelos das criaturas com que é dividido esse coração, que ele deseja só para si: “Ad invidiam concupiscit vos Spiritus qui habitat in vobis”. Numa palavra, como diz São Jerónimo: Jesus é um Deus cheio de zelos: Zelotypus est Iesus.

II – É este o motivo porque o Esposo celeste louva a alma que, semelhante à rola, vive na solidão escondida do mundo: “Pulchrae sunt genae tuae, sicut turturis”. Não quer que o mundo tenha parte no amor desta alma, deseja-a toda inteira para si. Se ele ainda louva a sua Esposa, chamando-a jardim fechado – Hortus conclusus, soror mea sponsa – , é porque ela não deixa entrar em seu coração nenhum afecto terreno. Ah! Jesus não merece todo o nosso amor? “Totum tibi dedit, nihil sibi reliquit”, diz São João Crisóstomo: Ele nos deu tudo, o seu sangue e a sua vida; mais do que isto não podia nos dar.

Se queremos que Deus habite em nossa alma com a plenitude de sua graça, consagremo-la hoje de novo toda inteira e sem reserva a seu serviço e repitamos esta nossa consagração muitas vezes durante o dia, especialmente na oração mental, na santa comunhão e na visita ao Santíssimo Sacramento.

Lembremo-nos de que há três meios principais pelos quais uma alma se pode dar toda a Deus. Primeiro, evitar todas as faltas deliberadas, ainda que pequenas, e para este fim reprima o mais insignificante desejo desordenado e mortifique a satisfação dos sentidos. Segundo, escolher, entre as coisas boas, a melhor, que mais agrade a Deus. Terceiro, aceitar com paz e gratidão, das mãos do Senhor, tudo o que mortifica o nosso amor próprio e em particular os desprezos. Lembremo-nos de que tem mais valor aos olhos de Deus um desprezo sofrido em paz e por amor a Ele, do que mil mortificações e mil práticas.

Ó meu Deus, bem vejo que me quereis todo para Vós. Tanta vezes Vos expulsei da minha alma. Mesmo assim não Vos dedignais de nela entrar e unir-Vos a mim. Ah! Tomai agora posse de todo o meu ser; dou-me inteiramente a vós. Aceitai-me, ó meu Jesus, e não permitais que eu viva de agora em diante um instante sequer sem vosso amor. Vós me buscais, e eu não busco senão a Vós. Quereis minha alma, e ela só Vos quer a Vós. Vós me amais, e eu também vos amo; e já que me amais, prendei-me tão perfeitamente convosco, que não me aparte mais de vós. – Ó Rainha do céu e minha querida Mãe, Maria, em vós ponho minha confiança.

8º Dia
Super omnia autem caritatem habete, quod est vinculum perfectionis 

“Acima de tudo, tende e caridade, que é o vínculo da perfeição” (Col 3, 14)

I – Antes da vinda de Jesus Cristo, os homens afastavam-se de Deus, e aferrados à Terra, recusavam unir-se ao seu Criador. Mas nosso amável Senhor enviou-nos o Espírito Santo, afim de que, assim como Ele é o vínculo indissolúvel que une o Pai ao Verbo Eterno, assim una nossas almas a Deus pelo amor. Procuremos, pois, estar fortemente ligados por este vínculo de perfeição, e não correremos mais risco de nos afastar de Deus. Antes de tudo, porém, é necessário que livremos nosso coração de todos os laços que o prendem ao mundo.

Assim como o Espírito Santo, amor incriado, é o laço indissolúvel que une o Pai e o Verbo Eterno, assim é este mesmo Espírito que une nossas almas a Deus. A caridade, diz Santo Agostinho, é uma virtude que nos une a Deus: Caritas est virtus coniungens nos Deo. Daí este grito de alegria de São Lourenço Justiniano: Ó Amor, tu és então um vínculo de tal maneira forte, que pudeste encadear um Deus e uni-Lo a nossas almas! O caritas, quam magnum est vinculum tuum, quo Deus ligari potuit! – Os laços do mundo são laços de morte, mas os de Deus são laços de vida e salvação: Vincula illius alligatura salutares. Porquanto são vínculos de amor, e o amor nos une a Deus, nossa única e verdadeira vida.

Antes da vinda de Jesus Cristo os homens separavam-se de Deus; aferrados à Terra, recusavam unir-se ao seu Criador; mas o Senhor, cheio de ternura, os atraiu a si pelos laços de amor, como tinha prometido por Oséas: In funiculis Adam traham eos, in vinculis caritatis – “Eu os atrairei com cordas de Adão, com os vínculos da caridade”. Estes laços são os seus benefícios: luzes, apelos ao seu amor, promessas do paraíso; mais é sobretudo o dom que nos fez de Jesus Cristo no sacrifício da cruz e no Sacramento do altar, e enfim, o dom de Espírito Santo. Por isso exclama o Profeta: Solve vincula colli tui, captiva filia Sion – “Rompe as cadeias de teu pescoço, filha cativa de Sião”. Ó alma, criada para o céu, desfaz-te dos laços da Terra para te unires a Deus pelos laços do santo amor.

II – Caritatem habete, quod est vinculum perfectionis – “Tende a caridade, que é o vínculo da perfeição”. O amor é um laço que reúne todas as virtudes, e torna a alma perfeita. Daí a seguinte palavra de Santo Agostinho: Ama, et fac quod vis – Ama a Deus e faze o que queres, porque quem ama a Deus tem cuidado de evitar tudo que causa desgosto ao objecto do seu amor e procura agradar-lhe em tudo.

Dulcíssimo Jesus, muito me haveis obrigado a amar-Vos; muito Vos custou obter o meu amor. Ingratíssimo seria eu, se Vos amasse pouco, ou dividisse o meu coração entre Vós e as criaturas, depois que por mim derramastes vosso sangue e sacrificastes vossa vida! Quero desapegar-me de tudo, e por em Vós só todos os meus afectos. Muito fraco sou para executar esta resolução; Vós, que me a inspirais, dai-me a força de a cumprir.

Amadíssimo Jesus meu, feri meu pobre coração com a suave seta do vosso amor, para que não cesse de arder no desejo de Vos possuir e consumir-me de amor para convosco. A Vós procure sempre, a Vós só deseje, a Vós ache sempre. Ó meu Jesus, só a Vós quero e nada mais. Fazei com que eu repita sempre durante a minha vida, e sobretudo na hora da minha morte: Meu Jesus, só a Vós quero e nada mais. – Ó Maria, minha Mãe, fazei com que de hoje em diante eu não queira senão a Deus.

9º Dia
Infinitus thesaurus est hominibus; quo qui usi sunt, participes facti sunt amicitiae Dei 

“Ela é um tesouro infinito para os homens; do qual os que usaram têm sido feitos participantes da amizade de Deus” (Sap 7, 14)

I – O coração humano está sempre procurando bens capazes de torná-lo feliz. Enquanto se dirige às criaturas para os obter, nunca se satisfaz, por mais que receba. Ao contrário, um coração que só quer a Deus, acha logo a felicidade, porque o Senhor lhe satisfará todos os desejos e o fará contente mesmo no meio das maiores tribulações. Felizes de nós, se conhecemos o grande tesouro do amor divino e procuramos obtê-lo a todo custo, desapegando-nos das coisas criadas!

O amor é o tesouro de que fala o Evangelho, o qual nos cumpre adquirir a custo de tudo mais. A razão é porque ele é realmente aquele bem infinito que nos faz participante da amizade de Deus. Aquele que acha Deus, acha tudo que pode desejar: Delectare in Domino, et dabit tibi petitiones cordis tui – “Deleita-te no Senhor, e Ele te concederá as petições do teu coração”. O coração humano está sempre procurando bens capazes de torná-lo feliz. Enquanto se dirige às criaturas para os obter, nunca se satisfaz, por mais que receba. Ao contrário, um coração que só quer a Deus, Deus lhe satisfará todos os desejos. Quais são com efeito os homens mais felizes da Terra, senão os santos? E porque? Porque só querem e buscam a Deus.

Estando um príncipe a caçar, vi um solitário percorrendo a floresta, e perguntou-lhe o que fazia nesse deserto. Mas vós, Senhor, retorquiu logo o anacoreta, que vindes buscar aqui? – Eu, acudiu o príncipe, ando em busca de caças – E eu, tornou o solitário, busco a Deus.

O tirano que martirizou São Clemente de Ancira, ofereceu-lhe ouro e pedras preciosas para conseguir que ele renegasse a Jesus Cristo; mas o santo, dando um profundo suspiro, exclamou: Pois que! Um Deus posto em paralelo com um pouco de lama! – Feliz de quem conhece o tesouro do divino amor e procura obtê-lo! Quem o conseguir, despojar-se-á por si mesmo de tudo, para não possuir senão a Deus. “Quando o fogo pega na casa”, dizia São Francisco de Sales, “lançam-se todos os utensílios pela janela”. E o Padre Segneri, o moço, grande servo de Deus, tinha costume de dizer: “O amor divino é um roubador que nos tira todos os afectos terrenos ao ponto de exclamarmos então: Senhor, que desejo senão a vós?” Deus cordis mei, et pars mea Deus in aeternum – “Deus de meu coração, e a minha porção, Deus, para sempre”.

II – Ó mundanos insensatos, exclama Santo Agostinho, ó homens, aonde ides para contentar o vosso coração? Bonum quod quaeritis, ab ipso est. Aproximai-vos de Deus, recuperai a sua graça, buscai o seu amor, porque só Ele pode dar-vos a felicidade que andais procurando – Nós ao menos não sejamos tão insensatos, e como nos exorta o mesmo santo Doutor, de hoje em diante, busquemos unicamente o amor de Deus, busquemos o único bem, no qual estão encerrados todos os outros: Quaere unum bonum, in quo sunt omnia bona. Mas não podemos achar este bem, sem renunciar a todo o afecto pelas coisas da Terra, como o ensina Santa Teresa: Desapega o teu coração das criaturas e acharás a Deus.

Meu Deus, no passado não foi a Vós que busquei, mas busquei a mim mesmo e às minhas satisfações; e por elas me apartei de Vós, que sois o Bem supremo. Mas Jeremias me consola, assegurando-me que sois só bondade para os que Vos buscam – Bonus est Dominus animae quaerenti illum. Amadíssimo Senhor meu, compreendo o mal que fiz deixando-Vos, e arrependo-me de todo o coração. Vejo que sois um tesouro de valor infinito; não querendo deixar inútil esta luz, renuncio a tudo, e escolho-Vos para único bem dos meus afectos.

Ó meu Deus, meu amor, meu tudo, por vós suspiro. Vinde, ó Espírito Divino, e com o santo fogo do vosso amor, consumi em mim todo o afecto de que não sois o objecto. Fazei-me todo vosso, e que tudo vença para Vos agradar. Ó Maria, minha advogada e Mãe, ajudai-me com as vossas orações.


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quinta-feira, 30 de maio de 2019

Festa da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo

"Dominus Iesus, postquam locutus est eis, assumptus est in Coelum, et sedet a dextris Dei"
"O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus"
Mc 16, 19

I. O lugar que competia a Jesus ressuscitado, era o Céu, que é a morada das almas e dos corpos bem-aventurados. Quis Jesus, todavia, permanecer quarenta dias sobre a terra e aparecer repetidas vezes a seus discípulos para os certificar da sua ressurreição e instruí-los nas coisas relativas à sua Igreja: Loquens de regno Dei (1) – “Falando do reino de Deus”. 

Tendo desempenhado esta nobre missão, quis o Senhor, antes de deixar a terra, mostrar-se mais uma vez aos apóstolos em Jerusalém; e depois de lhes exprobrar suavemente a sua dureza, por não acreditarem na sua ressurreição, ordenou-lhes que fossem para o Monte das Oliveiras, o lugar onde tinha começado a sua Paixão, afim de que compreendessem que o verdadeiro caminho para ir ao Céu é o dos sofrimentos. Depois, cercado de cento e vinte pessoas, repetiu-lhes mais uma vez o que já lhes havia ordenado, especialmente que fossem pregar o Evangelho pelo mundo inteiro; feito o que o divino Redentor levantou as mãos e os abençoou.

Em seguida, como medita São Boaventura (2), Jesus abraça a sua santíssima Mãe e aperta-a contra o coração, anima e conforta os seus discípulos, que, entre lágrimas, Lhe beijam os pés e com as mãos levantadas e o semblante extraordinariamente majestoso e amável, coroado e vestido como rei, se eleva lentamente ao Céu, levando em sua companhia as numerosíssimas almas justas, livradas do limbo. – A esta vista todos os presentes ajoelham novamente e Jesus mais uma vez os abençoa. Afinal uma nuvem subtrai o divino Triunfador à sua vista, e Jesus vai sentar-se à direita do Pai, onde não cessa de ser nosso medianeiro e advogado.

Avivemos a nossa fé, e contemplemos o júbilo que a entrada triunfal de Jesus causou no paraíso: alegremo-nos com o nosso divino Chefe e unamos os nossos afectos aos de Maria Santíssima e dos santos discípulos.

II. Como a águia ensina os seus filhos a voarem, assim, no mistério de hoje, Jesus Cristo nos exorta a elevar o nosso vôo e acompanhá-Lo ao Céu, senão com o corpo, ao menos com os afectos. Desprendamos os nossos corações da terra, e suspiremos pela pátria celeste, onde se acha a nossa felicidade: esperando, como diz o Apóstolo, a adopção de filhos de Deus, a redenção de nosso corpo (3). 

Entretanto, tenhamos sempre diante dos olhos os exemplos da vida mortal do Senhor; imitando a sua humildade e mansidão, o seu espírito de mortificação, a sua caridade e o seu zelo pela glória divina. – Numa palavra, despojamo-nos do homem velho, revestindo-nos das virtudes de Jesus Cristo, que são como que o manto, que, à imitação de Elias, ele deixou para seus discípulos, quando subiu ao Céu.

Para vencermos todas as dificuldades que se encontram no caminho do Senhor, recordemos muitas vezes a grande verdade que os anjos ensinaram hoje aos discípulos, que, arrebatados, olhavam o Céu, para o qual acabava de subir o seu amado mestre: Jesus Cristo voltará um dia à terra com a mesma majestade e glória, como Juiz dos vivos e dos mortos: Sic veniet, quemadmodum vidistis eum euntem in coelum (4).

Meu querido Redentor Jesus, regozijo-me pelo vosso triunfo glorioso e rogo-vos que arranqueis de meu coração todo o afecto aos bens miseráveis desta terra, para não suspirar senão pelos do paraíso, que vós merecestes para mim pela vossa paixão. – A mesma graça peço de Vós, ó Pai Eterno. “Concedei-me que, assim como creio firmemente que vosso Filho unigénito e nosso Redentor subiu hoje ao Céu, assim possa continuamente morar ali com o meu espírito e os meus desejos.” (5) – Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo e pela intercessão de Maria Santíssima. (*VIII 643.)

Santo Afonso Maria de Ligório in 'Meditações para todos os dias do ano'
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(1) Act. 1, 3.
(2) Med. vit. Chr.
(3) Rom. 8, 23.
(4) Act. 1, 11.
(5) Or. festi. curr.


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quarta-feira, 29 de maio de 2019

Santa Missa na Patagónia





Missa Tradicional celebrada pelo Frei Guido Casillo, O.P., em 'Puerto Parru', um posto naval da Armada Argentina. O posto de 'Puerto Parru' encontra-se na cidade de Ushuaia, província da Terra do Fogo, Antártica e Ilhas do Atlântico Sul, e aí residem 4 militares.


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O primeiro passo na busca da verdade é a Humildade

A carta 118 de Santo Agostinho é um texto dirigido a Dióscoro. No ponto 22 dessa carta, o Santo explica que sem humildade nenhum acção pode ser boa:

O primeiro passo (na busca da verdade) é a humildade. O segundo, a humildade. O terceiro, a humildade. Se a humildade não preceder, acompanhar e seguir cada boa acção que fazemos - sendo ao mesmo tempo o nosso objectivo, o nosso apoio e a nossa moderação -  o orgulho retira-nos qualquer boa obra pela qual nos congratulamos. Todos os outros vícios podem ser facilmente detectados quando os temos, mas devemos temer o orgulho mesmo quando fazemos boas acções.

Santo Agostinho in Carta 118, 22


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terça-feira, 28 de maio de 2019

Cardeal Sarah visitou Notre-Dame: "Se querem levantar a Catedral fiquem de joelhos"

O Cardeal Robert Sarah visitou as obras de reconstrução da Catedral de Notre-Dame, em Paris, depois do violento incêndio que destruiu parte dessa catedral gótica. O Prefeito da Congregação do Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos fez depois um discurso no qual referiu o simbolismo de Notre-Dame e deixou uma mensagem aos sacerdotes do mundo inteiro: 


Queridos amigos, a Catedral de Notre-Dame tinha uma flecha que parecia um dedo que apontava para o céu. Essa flecha parecia orientar-nos para Deus. No coração de Paris, ela parecia dizer a cada um qual é o sentido último da sua vida.

Essa seta simbolizava a única razão de ser da Igreja: levar-nos a Deus, guiar-nos em direcção a Ele. Uma Igreja que não é orientada para Deus é uma Igreja que entra em colapso e morre.

Vocês querem levantar a Igreja? Então, fiquem de joelhos! Vocês querem levantar esta bela Catedral que é a Igreja Católica? Fiquem de joelhos!

Uma Catedral é, em primeiro lugar, um espaço onde os homens se podem ajoelhar. Uma catedral é um lugar para a presença de Deus no Santíssimo Sacramento.

Eu quero encorajar os padres. Eu quero dizer-lhes: amem o sacerdócio! Tenham orgulho em ser crucificados com Cristo! Não tenha medo do ódio do mundo! 

Eu quero mostrar o meu carinho como pai e irmão aos padres de todo o mundo! Desejo, diante de vós e com vocês, expressar o meu profundo afecto aos sacerdotes fiéis de todo o mundo! Desejo, diante de vós e com vocês, prestar homenagem a todos eles!

Queridos amigos, amem os vossos padres! Não lhes agradeçam pelo que eles fazem, mas pelo que eles são!


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Quem quer ser santo faça estes exercícios piedosos ao longo dia

Um bom cristão, pela manhã, assim que desperta, deve fazer o sinal da Cruz, e oferecer o coração a Deus, dizendo estas ou outras palavras semelhantes: "Meu Deus, eu vos dou o meu coração e a minha alma".

Ao levantar da cama e enquanto nos vestimos, deveríamos pensar que Deus está presente, que este dia pode ser o último da nossa vida; ademais, devíamos levantar-nos e vestir-nos com toda a modéstia possível.

A um bom cristão, apenas se tenha levantado e vestido, convém pôr-se na presença de Deus e ajoelhar-se, se pode, diante de alguma devota imagem, dizendo com devoção: "Eu adoro-vos, meu Deus, e amo-vos de todo o coração; dou-Vos graças por me terdes criado, feito cristão e conservado nesta noite; ofereço-Vos todas as minhas acções, e peço-Vos que neste dia me preserveis do pecado, e me livreis de todo o mal. Ámen". 

E rezar depois o Pai-Nosso, a Ave-Maria, o Credo, e os Actos de Fé, de Esperança e de Caridade, acompanhando-os com um vivo afecto do coração.

O cristão, podendo, deveria todos os dias:

1º. Assistir com devoção à Santa Missa;
2º. Fazer uma visita, por breve que fosse, ao Santíssimo Sacramento;
3º. Rezar o terço do Santo Rosário.

Antes do trabalho, convém oferecê-lo a Deus, dizendo do coração: "Senhor, eu Vos ofereço este trabalho, dai-me a vossa bênção". Deve-se trabalhar para glória de Deus e para fazer a sua vontade.

Antes da refeição, convém fazer o sinal da Cruz, estando de pé, e depois dizer com devoção: "Senhor, abençoai-nos a nós e ao alimento que vamos tomar, para nos conservarmos no vosso santo serviço".

Depois da refeição, convém fazer o sinal da Cruz, e dizer: "Senhor, eu Vos dou graças pelo alimento que me destes; fazei-me digno de participar da mesa celeste".

Quando nos vemos atormentados por alguma tentação, devemos invocar com fé o Santíssimo Nome de Jesus ou de Maria, ou recitar fervorosamente alguma oração jaculatória, como, por exemplo: "Dai-me a graça, Senhor, de que eu nunca Vos ofenda"; ou então fazer o sinal da Cruz, evitando porém que as outras pessoas, pelos sinais externos, suspeitem da tentação.

Quando uma pessoa reconhece ou receia ter cometido algum pecado, convém fazer imediatamente um acto de contrição, e procurar confessar-se quanto antes.

[Quando fora da igreja se ouve o sinal de elevação da Hóstia na Missa solene, ou da bênção do Santíssimo Sacramento] é bom fazer, ao menos com o coração, um acto de adoração, dizendo, por exemplo: "Graças e louvores se dêem a todo o momento ao Santíssimo e diviníssimo Sacramento".

Ao toque das Ave-Marias [pela manhã, ao meio-dia e à noite], o bom cristão recita o Anjo do Senhor ["Angelus"] com três Ave-Marias.

À noite, antes de se deitar, convém pôr-se, como de manhã, na presença de Deus, recitar devotamente as mesmas orações, fazer um breve exame de consciência, e pedir perdão a Deus dos pecados cometidos durante o dia.

Antes de adormecer, farei o sinal da Cruz, pensarei que posso morrer esta noite, e oferecerei o coração a Deus, dizendo: "Meu Senhor e meu Deus, eu Vos dou todo o meu coração. Trindade Santíssima, concedei-me a graça de bem viver e de bem morrer. Jesus, Maria e José, eu Vos encomendo a minha alma’.

No decurso do dia pode-se invocar a Deus frequentemente com as orações breves que se chamam "jaculatórias". [Eis algumas:]

"Senhor, valei-me";
"Senhor, seja feita a vossa santíssima vontade";
"Meu Jesus, eu quero ser todo vosso";
"Meu Jesus, misericórdia";
"Sagrado Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que eu Vos ame sempre e cada vez mais";
"Doce Coração de Maria, sede a minha salvação";

É muito útil recitar, durante o dia, muitas jaculatórias, e podem recitar-se também com o coração, ser preferir palavras, caminhando, trabalhando, etc.

Além das orações jaculatórias, o cristão deveria exercitar-se na "mortificação cristã". Mortificar-se quer dizer privar-se, por amor a Deus, daquilo que agrada, e aceitar o que desagrada aos sentidos ou ao amor-próprio.

Quando é o Santíssimo Sacramento levado a um enfermo, devemos, sendo possível, acompanhá-Lo com modéstia e recolhimento; e, se não é possível acompanhá-Lo, fazer um ato de adoração em qualquer lugar que nos encontremos, e dizer: "Consolai, Senhor, este enfermo, e concedei-lhe a graça de se conformar com a vossa Santíssima vontade e de conseguir a sua salvação".

Ouvindo tocar o sino pela agonia de algum moribundo, irei, se puder, à igreja orar por ele; e, não podendo, encomendarei a Nosso Senhor a sua alma, pensando que dentro em breve hei de encontrar-me também eu nesse estado.

Ao ouvir sinais pela morte de alguém, procurarei rezar um "De profundis" ou um "Requiem", ou um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, pela alma desse defunto, e renovarei o pensamento da morte.  

in Catecismo Maior de São Pio X


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segunda-feira, 27 de maio de 2019

Peregrinação Paris-Chartres: O regresso à Tradição

Entre 8 e 10 de Junho muitos milhares de pessoas, na sua maioria jovens, percorrerão a pé os caminhos entre Paris e Chartres. Esta peregrinação contará pela primeira vez com um capítulo português cujas inscrições ainda se encontram abertas: Peregrinação Paris-Chartres: 
Vídeo: The Remnant Newspaper


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Obstáculos à Vida Sobrenatural

1. Os obstáculos que ameaçam a existência ou crescimento da nossa vida sobrenatural podem resumir-se aos seguintes:

- O pecado mortal, que é o obstáculo radical, porque destrói por completo a vida divina da alma;
- O pecado venial, principalmente deliberado, a tristeza, o hábito do pecado venial deliberado, e as imperfeições: todos estes, sem destruir nem diminuir a graça da vida sobrenatural, empenha a sua beleza, debilita a sua actividade e freia o seu crescimento;
- As inclinações viciosas, os defeitos naturais, e principalmente o defeito dominante: são a fonte ordinária dos nossos pecados e imperfeições.

2. O pecado tem uma triple causa:

- A carne, que é a nossa natureza desordenada, na qual o pecado original deixou uma tripla concupiscência que nos arrasta ao pecado: a concupiscência dos olhos, o afã desordenado de bens e riquezas temporais; a concupiscência da carne, o afã desenfreado dos prazeres dos sentidos; e a concupiscência do espírito, o afã desmedido das honras e vontade própria;
- O demónio, que é o conjunto de anjos caídos que nos puxam ao pecado instigando a nossa tripla concupiscência por meio das tentações;
- O mundo, que é o conjunto de homens que se regem pela triple concupiscência, e de que o demónio se serve como de instrumento para conduzir as almas à eterna condenação, pelas suas falsas máximas, modas, escândalos, espectáculos, perseguições, etc.

3. Assim como para crescer na vida sobrenatural há que desenvolver o gérmen da vida que Deus estabeleceu nas nossas almas pela graça, assim também para protegê-la e defendê-la há que combater esse triplo gérmen de morte (mundo, demónio, e carne) por meio de uma luta enérgica, vigilante e contínua. A mortificação cristã é uma condição indispensável e necessária para conservar a vida sobrenatural no nosso presente estado de prova.

Padre José Maria Mestre - apontamentos 
Tradução: ASCENDENS


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domingo, 26 de maio de 2019

O grave pecado da murmuração explicado por São Filipe Néri

São Filipe perguntou a uma senhora que, na confissão, se acusava frequentemente  de maledicência e murmuração: "Fala desse modo muitas vezes sobre as outras pessoas?" "Muitas vezes, Padre", respondeu a senhora. "Filha, o seu pecado é grave. É necessário que faça penitência. Vá até casa, pegar numa galinha e traga-a até mim, depenando-a ao longo da estrada.”

A mulher obedeceu e apresentou ao santo com a galinha depenada. "Agora", disse São Filipe, "volte pelas ruas de Roma e apanhe as penas da galinha uma a uma." "Mas é impossível, Padre", respondeu a senhora. "Com o vento já estão todas espalhadas, é impossível encontrá-las todas."

"Eu sei", concluiu o santo, "mas queria que entendesse que, tal como se espalham facilmente e incontroladamente as penas de uma galinha levadas pelo vento, também se espalham as falsidades e a sua murmuração em relação à vida das outras pessoas."


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sábado, 25 de maio de 2019

Abade de Clear Creek celebra Missa Solene no Vale dos Caídos

O Abade do Mosteiro Beneditino de Clear Creek, situado em Oklahoma (Estado Unidos da América), celebrou uma Missa Solene no Vale dos Caídos, um memorial às vítimas da guerra civil espanhola (1936-1939) no qual se encontra também uma abadia beneditina. 

Dom Philip Anderson foi também um dos fundadores do Mosteiro de Clear Creek, que pertence à pertence à Congregação de Solesmes, como o Mosteiro de Fontgombault, em França. Os monges celebram exclusivamente no Rito Tradicional Romano.

Como é costume na abadia do Vale dos Caídos, as luzes da Basílica são desligadas durante a consagração, ficando apenas as luzes das velas.


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Rádio Renascença publica texto a favor do aborto em certos casos


A Rádio Renascença publicou um texto do Henrique Raposo, um dos seus 'opinion makers', que me deu a volta ao estômago logo nas duas primeiras frases que li: «Impedir um aborto nos casos de violação e incesto é impor um mal sobre outro mal. É como impedir a legítima defesa num caso de homicídio.»

Isto está completamente ao contrário. Abortar para tentar "resolver" uma violação é que seria impor um mal sobre outro mal. A violação é um sempre um acto mau ex toto genere suo, quer isto dizer que não há qualquer possível boa intenção ou boas circunstâncias que possam justificar esse crime. Mesmo que disso dependesse salvar a vida de alguém esse acto continuaria a ser mau, injustificável e digno do castigo eterno. 

O sofrimento de uma mulher violada é indescritível e é mais do que natural a repulsa ao seu agressor. Ter um filho dele no seu ventre é o que menos quereria. Mas aquele filho também é dela. E não tem culpa dos pecados do seu pai. A "solução" apresentada por Henrique Raposo traduz-se por condenar à morte o filho pelo crime do pai. É nada menos do que a aplicação da pena de morte; não ao culpado, porque aplicar a pena de morte a um criminoso é "imoral" (dizem), mas ao inocente, que nada fez para merecer que lhe seja tirada a vida. Isto sim é impor um mal sobre outro mal. 

A analogia com a legítima defesa não faz qualquer sentido. A legítima defesa aplica-se quando existe um agressor injusto e quando os dois bens em causa são proporcionais, por exemplo: vidas humanas inocentes contra a vida do agressor. No caso de que falamos o bebé não é um agressor injusto, por isso a sua vida nunca poderia ser suprimida. Além disso os dois bens que estão em causa: uma vida humana contra um suposto alívio da mulher por não ter um filho de quem a violou, não têm o mesmo valor, nem sequer se aproximam.

Henrique Raposo faz um disclaimer, dizendo que é contra o aborto. Isto não é verdade, é contra o aborto em certos casos, que são a maioria, mas é a favor do aborto noutros casos, que ele próprio descreve. O cronista justifica as supostas "zonas cinzentas" na possibilidade de abortar com a frase: "só Deus é absoluto". Que só Deus é absoluto ninguém duvida. E por isso mesmo existe um mal absoluto no desrespeito da lei por Ele criada, na lei natural, que é a lei através da qual o homem conhece o que por sua natureza é honesto e necessário ao fim último e aquilo que lhe é contrário. 

Um dos preceitos dessa lei impede o homicídio voluntário de uma vida inocente. Este, tal como a violação, é um pecado grave ex toto genere suo, o que implica que não admite excepções. Nunca se pode matar um inocente, nem que daí dependesse a salvação de toda a Humanidade. E por isso mesmo é que o aborto é sempre um acto profundamente imoral e injusto. 

A Rádio Renascença, Emissora Católica Portuguesa, não pode publicar um texto escandalosamente contrário à doutrina Católica e à lei natural. A Rádio Renascença deve retirar imediatamente aquele texto, desmarcar-se publicamente do mesmo e fazer um pedido de desculpa aos seus leitores e a todos os católicos portugueses. 

Deixo aqui o e-mail, caso alguém queria enviar a sua opinião directamente à Emissora Católica Portuguesa: mail@rr.pt

João Silveira


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Nem nós conseguimos destruir a Igreja

Durante as invasões napoleónicas, os exércitos franceses invadiam país atrás de país por essa Europa fora. Uma vez que a Igreja Católica era vista como uma ameaça, Napoleão disse ao Cardeal Ercole Consalvi, secretário de Estado do Papa Pio VII: 

- Vou destruir a vossa Igreja!

O Cardeal respondeu:

- Não vai conseguir!

O Imperador insistiu:

- Vou destruir a vossa Igreja!!

E o Cardeal explicou:

- Não é possível porque nem nós conseguimos fazê-lo. Se milhares de pecadores não a conseguiram destruir de dentro, como é que a vai destruir de fora?


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quinta-feira, 23 de maio de 2019

Papa Pio XII e a obstinação de Nossa Senhora

O Papa Pio XII ficou conhecido como o Papa de Fátima, tal a devoção que tinha às aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria. Chegou a confidenciar a seriedade com que tinha acolhido a mensagem da Mãe de Deus: 

Estou obcecado pelas confidências da Virgem à pequena Lúcia de Fátima. Essa obstinação de Nossa Senhora diante do perigo que ameaça a Igreja é um aviso divino contra o suicídio que representaria a alteração da fé, na sua liturgia, na sua teologia e na sua alma. (...)

Ouço em redor de mim os inovadores que querem desmantelar a Capela Sagrada, destruir a chama universal da Igreja, rejeitar os seus ornamentos, fazê-la ter remorsos do seu passado histórico. Pois bem, (...) estou convicto de que a Igreja de Pedro deve assumir o seu passado ou então ela cavará a sua sepultura. (...)

Dias virão em que o mundo civilizado renegará o seu Deus, em que a Igreja duvidará como Pedro duvidou. Ela será tentada a crer que o homem se tornou Deus, que o Seu Filho é apenas um símbolo, uma filosofia como tantas outras, e nas igrejas os cristãos procurarão em vão a lâmpada vermelha em que Deus os espera. Como Maria Madalena, chorando perante o túmulo vazio, perguntarão: "Para onde O levaram?"

Cardeal Eugenio Pacelli, futuro Papa Pio XII, em declaração do ano de 1936. Monsenhor Georges Roche e Philippe St. Germain. ''Pie XII Devant l'Histoire''. Edit. Laffont, Paris, 1972, pp., 52–53


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Peregrinação da Fraternidade de São Pedro a Espanha e Portugal

Alguns sacerdotes e seminaristas da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP) fizeram uma peregrinação por Espanha e Portugal, tendo visitado várias igrejas e santuários. Entre os sacerdotes encontrava-se o Padre Fernando António e entre os seminaristas o Manuel Pinho Sousa, ambos portugueses.

Rezemos pelo apostolado da FSSP em Portugal.
Quem considera a vocação sacerdotal, clique aqui: Quero ser Padre!
Málaga


Jerez


Sevilha




Córdoba

Fátima

Alcobaça


Braga


Lisboa



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quarta-feira, 22 de maio de 2019

A Rússia já foi consagrada ao Imaculado Coração de Maria?

A Rússia foi consagrada ao Imaculado Coração de Maria, como a Santíssima Mãe pediu em Fátima? 

"Para evitar isto, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos Primeiros Sábados. Se os meus pedidos forem ouvidos, a Rússia converter-se-á e haverá paz; se não, ela irá espalhar os seus erros pelo mundo fora, causando guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados; o Santo Padre vai ter muito que sofrer; várias nações serão destruídas. No fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre vai consagrar a Rússia a mim e ela converter-se-à e um período de paz será concedido ao mundo."

Maria diz que o Santo Padre vai consagrar a Rússia e que a Rússia se converterá. Vários Papas consagraram "o mundo" a Maria. O debate centra-se apenas sobre se consagrar "o mundo" é o mesmo que consagrar "a Rússia". Entretanto já se deram, pelo menos, 7 consagrações pelos Papas ao Imaculado Coração:

Lista das consagrações ao Imaculado Coração

1) A 31 de Outubro de 1942, o Papa Pio XII fez uma Consagração ao Imaculado Coração de Maria do mundo inteiro.

2) A 7 de Julho de 1952, o Papa Pio XII consagrou os povos da Rússia ao Imaculado Coração de Maria pela sua carta apostólica  Sacro Vergente Anno. Pio XII disse:
"Tal como há alguns anos Nós consagrámos a raça humana inteira ao Imaculado Coração da Virgem Maria, Mãe de Deus, também hoje Nós a consagramos e de uma forma especial Nós confiamos todos os povos da Rússia a este Imaculado Coração."

3) A 21 de Novembro de 1964, o Papa Paulo VI renova, na presença dos Padres do Concílio Vaticano, mas sem a sua participação, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração.

4) A 13 de Maio de 1982 o Papa João Paulo II convida os bispos do mundo a unirem-se a si a consagrar o mundo e, com ele, a Rússia ao Imaculado Coração. Muitos não receberam o convite a tempo da viagem do Papa a Fátima, onde ele fez a consagração. A Irmã Lúcia diz mais tarde que não foram cumpridas as condições.

5) Em Outubro de 1983 o Papa João Paulo II, no Sínodo dos Bispos, renova a consagração de 1982.

6) A 25 de Março de 1984 o Papa João Paulo II, "unido com todos os pastores da Igreja numa ligação especial sob a qual constituem um corpo e um colégio", consagra "o mundo inteiro, especialmente as pessoas pelas quais, por virtude da sua situação, vós tendes um amor e solicitude particular."
A 29 de Agosto de 1989, a Irmã Lúcia afirma na sua correspondência que a consagração da Rússia "foi feita" e que "Deus manterá a Sua palavra."

Eventos seguintes:
9 de Novembro de 1989, Queda do Muro de Berlim
25 de Dezembro de 1991, Dissolução da União Soviética
26 de Julho de 2000, revelação do Terceiro Segredo de Fátima pelos Cardeais Bertone e Ratzinger

7) A 13 de Outubro de 2013 o Papa Francisco consagra o mundo ao Imaculado Coração.
A Rússia foi mesmo consagrada?

Apesar das consagrações distintas do mundo pelos Papas (uma mencionava a Rússia), as pessoas ainda debatem sobre se a Rússia foi especificamente consagrada como as instruções da Santíssima Virgem Maria em Fátima.

Os dois lados do debate

Aqueles que dizem que a Rússia não foi bem consagrada apontam dois problemas:

1) Os Papas não consagraram especificamente a "Rússia" em união com os bispos. É certo que o mundo foi consagrado e que a Rússia pertence ao mundo. A Rússia foi consagrada como parte de um grupo de nações, mas não especificamente. É a diferença entre um sacerdote abençoar a congregação em que vocês estão presentes e abençoar-vos a vocês especificamente por nome.

2) A Rússia está longe de se "converter" como Maria prometeu que ia acontecer se a consagração fosse feita. Se a Rússia estivesse mesmo consagrada, não se devia converter e não estaríamos a viver um "período de paz concedido ao mundo" tal como prometido por Maria? Como a Rússia não se converteu e como não estamos num período de paz, a consagração da Rússia, dizem eles, não aconteceu.

Aqueles que dizem que a Rússia foi consagrada apresentam duas provas:

1) A Irmã Lúcia disse que a consagração da Rússia foi feita pela acção do Papa João Paulo II a 25 de Março de 1984. Se alguém o sabia era a Irmã Lúcia, ela é que recebeu a mensagem de Maria.

2) A Santa Sé, na revelação do Terceiro Segredo a 26 de Junho de 2000, indicou que a consagração foi feita. A Irmã Lúcia, segundo parece, mostrou que concordava.
Como podem ver, aqueles que dizem que a Rússia não foi bem consagrada têm que dizer que a Irmã Lúcia, a receptora da mensagem de Maria, ou se enganou ou estava a fazer algum tipo de reserva mental para enganar todas as pessoas nesse assunto. É preciso dizer também que o Cardeal Ratzinger, o futuro Papa Bento XVI, teria usado uma discrição enorme para enganar o mundo neste assunto a 26 de Junho de 2000.

Por outro lado, não parece certo que a Rússia se tenha "convertido" como Nossa Senhora prometeu.

Independentemente de que lado estiverem, lembrem-se de que nós os leigos temos a nossa "responsabilidade de Fátima" - rezar o Terço todos os dias e manter a devoção dos Primeiros Sábados. Para mim pessoalmente, a "questão da Rússia" tem que incluir o abraço dos leigos ao Terço e verdadeira devoção a Maria. Ela deseja que os nossos corações sejam consagrados ao Sagrado Coração de Jesus através do seu Imaculado Coração. 

Taylor Marshall


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