terça-feira, 30 de abril de 2019

Santa Catarina de Sena recebeu de Jesus a coroa de espinhos

Enquanto Santa Catarina tratava os doentes foi visitada por Jesus que lhe ofereceu duas coroas: Uma de jóias e outra de espinhos. Perguntou-lhe, então: "Usarás a coroa de espinhos enquanto vives aqui na Terra e receberás a coroa de pedras preciosas na eternidade; ou usarás as jóias aqui na Terra e como tal usarás a coroa de espinhos daí em diante?" 

Catarina agarrou imediatamente a coroa de espinhos pressionando-a contra a sua cabeça. Tal como quando recebeu os estigmas, as marcas eram invisíveis durante a sua vida mas Catarina podia sempre senti-las na sua pele.


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segunda-feira, 29 de abril de 2019

O Missal Romano, desde as suas origens até ao Summorum Pontificum

O Pe. Claude Barthe é um sacerdote diocesano francês, ordenado no final dos anos 70 em Écône por Mons. Lefebvre e, actualmente, capelão do "Coetus Internationalis Summorum Pontificum". Autor de numerosíssimos artigos e obras sobre liturgia (La messe une forêt de symboles, ed. Via Romana, 2011) e questões teológicas (Penser l'œcuménisme autrement, ed. Via Romana, 2014), acabou agora de lançar um compêndio tão exaustivo e minucioso quanto possível sobre a história do missal romano, tema relativamente ao qual, pelo menos na área de língua francesa, não havia qualquer estudo recente. Este livro, pela bibliografia actualizada e pelos documentos que apresenta, será muito útil para os seminaristas e estudiosos, mas também para o conjunto dos sacerdotes e fiéis que se propõem conhecer adequadamente a história da Santa Missa.

No centro deste trabalho do Pe. Barthe, está a obra litúrgica empreendida pelo concílio de Trento e pelos Papas que se lhe seguiram, enquanto esta obra constitui a canonização do culto romano tal como fora definitivamente estabilizado na Idade Média. O autor concentra a sua atenção sobre o período que se abre após esta canonização, cobrindo um panorama que vai de São Pio V a São João XXIII, isto é, quatro séculos de liturgia, que começam com a bula Quo primum, de 1570, e vão até à última edição típica do missal tridentino, de 1962.

Em primeiro lugar, o Pe. Barthe trata largamente a história da missa romana desde as suas origens, concentrando-se sobre as ligações entre o culto cristão e o culto da sinagoga, o seu "gémeo falso"; o nascimento do cânone romano; o enriquecimento franco-romano; e, em seguida, sobre a difusão do missal na Cúria romana segundo o uso que dele fizeram os Papas tanto em Avinhão como em São Lourenço in Palatio. Lembra, além disso, que o missal romano, tal como hoje o conhecemos e usamos, foi fixado no seu conjunto já no século XI.

Na parte final da obra, o Autor interessa-se pela espantosa (auto-)sobrevivência do missal tridentino após o concílio Vaticano II, até que, de novo, foi en fim plenamente reconhecido pela autoridade romana com o motu proprio Summorum Pontificum. Observa, por fim, que a história do missal tridentino está longe de se poder considerar concluída, uma vez que ele representa, hoje mais do que nunca, a garantia da transmissão da lex orandi em toda a sua riqueza e sem corrupção alguma. Neste sentido, este estudo revela-se também como uma espécie de história para o futuro.

Esta obra é intitulada "História do missal tridentino e das suas origens" (Histoire du missel tridentin et de ses originesed. Via Romana). Fiel ao seu título, este livro dedica-se ao estudo do tema que se propôs em três partes. Partindo do desenvolvimento, por vezes paralelo, da liturgia da Igreja e da sinagoga, a primeira parte, que compreende uma centena de páginas, examina a origem tanto do novo culto, consumação do antigo, como dos sacramentários, dos missais e do ordo, e ainda do venerável cânone romano em si mesmo, sem esquecer os abundantes comentários alegóricos que o Autor tanto aprecia: «Este comentário espiritual da liturgia tem o seu início no próprio Novo Testamento. Já o evocámos a propósito do livro do Apocalipse, que precisa que as sete lâmpadas são os sete espíritos de Deus, que as taças de ouro, repletas de perfumes, representam a oração dos santos, que o fino linho, de que está revestido o Esposo, significa a virtude pura dos santos» (p. 99). 

Com dimensão semelhante, a segunda parte - ultrapassando, por vezes, o estrito quadro do missal, a fim de considerar as tendências musicais e arquitectónicas, o jejum eucarístico e o desaparecimento das Vésperas dominicais - traça em pormenor a história do missal desde aquele «herdado pela Cúria no século XI» até à edição típica publicada alguns meses antes da abertura do concílio Vaticano II. Acerca das últimas edições: «É surpreendente que tenham sobrevindo estas publicações, e em especial a do missal, na medida em que havia já uma comissão que preparava activamente o projecto de texto conciliar sobre a liturgia, anunciando uma reforma muito profunda. Pode ser que os dois prefeitos que se sucederam na Congregação dos Ritos e que procederam a estas publicações de 1960-1962 […] tenham querido deixar um marco limite como testemunha. Era aliás lógico que se reunisse todo o trabalho realizado pela Comissão de Pio XII, para assim se chegar a uma mais clara codificação» (p. 201). 

A última parte do livro, muito mais breve (e que fornece talvez a chave de leitura para a imagem que adorna a capa: a celebração de uma missa solene entre as ruínas da catedral de Münster em 1946), trata do motu proprio Summorum Pontificum e da curiosa situação que estamos a viver, em que «esta legislação condiz muito mais com uma situação de facto, formalizando-a e racionalizando-a, mais do que disciplinando-a. Na verdade, o missal tridentino tal como nos é hoje restituído, porque o foi apesar de, e mesmo contra uma reforma litúrgica que estava destinada a substituí-lo, encontra-se por isso mesmo numa espécie de estado de autogestão». «Assim, realizar-se-ia agora, a favor da liturgia pré-conciliar, e de maneira algo cómica, a famosa "inversão da pirâmide hierárquica", tão cara, por exemplo, a Yves Congar» (p. 220). 

Hoje, uma fatia crescente dos católicos, reconhecem que a liturgia, como a própria vida, é transmitida e recebida, e não inventada ex nihilo por cada geração. Donde muitas questões litúrgicas reclamarem não apenas repostas literais ou alegóricas, mas também respostas históricas, sobretudo quando se tem presente que uma resposta histórica não consiste em indicar somente o período ou o autor de uma certa inovação (seja ela retida pela posteridade ou não), mas também as circunstâncias que presidiram à respectiva introdução. 

Este estudo histórico, escrito num estilo de fácil leitura e encorajando a uma reflexão quase alegórica sobre o seu tema, aparece apetrechado de amplas referências em nota de rodapé dando acompanhamento à meditação aí contida, o que bem testemunha não apenas o domínio do Autor sobre o tema, mas também o amor evidente que nutre pela Santa Missa.

in Paix Liturgique - Carta 76 em português


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domingo, 28 de abril de 2019

Salve Regina solene cantado por seminaristas em "tom alto"



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Cardeal Mauro Piacenza sobre a Misericórdia

Entrevista com Cardeal Mauro Piacenza, penitenciário-mor do Tribunal da Penitenciária Apostólica

Conversão e confissão, justiça e pastoralidade, liberdade e verdade. Conceitos da Doutrina da Igreja, que correm o risco de permanecer abstractos se não forem aplicados à realidade concreta das pessoas, às suas feridas, aos seus pecados. A questão de todos os tempos: a Igreja deve adaptar-se às necessidades dos tempos? "Recasados" que procuram a absolvição no confessionário, "duas mães" que querem baptizar a filha... É preciso dar ouvidos à opinião pública? Ou continuar a missão de ser luz do mundo, proclamar a verdade, mesmo que, muitas vezes, “incomodando”? Aparentemente perguntas retóricas para um católico, ao mesmo tempo, o centro de muitas polémicas, às vezes, dentro da própria Igreja.

Uma análise lúcida sobre tudo isto é dada pelo cardeal Mauro Piacenza, penitenciário-mor da Santa Sé, "ministro da misericórdia" do Papa Francisco, que explica como a Igreja "administra" a misericórdia e como esta "lei suprema” governa, além da lei e da justiça "humana”.


Qual o significado da devoção da Divina Lisericória e a razão desta forte expressão de fé?



Cardeal Piacenza: O impulso dado por João Paulo II e a origem sobrenatural da devoção. Provavelmente, essa acolhe e expressa a necessidade de confiar em Jesus, própria do coração humano. O mundo e os homens têm necessidade infinita da misericórdia, e o Sagrado Coração ferido e aberto é um ícone maravilhoso. Todos nós precisamos daquele abraço e ninguém que se abre a isso é excluído.


Sobre S. João Paulo II, como era o relacionamento dele com a Divina Misericórdia?

Cardeal Piacenza: Temos de reconhecer uma relação muito especial com Deus. O Santo Papa era um místico e qualquer um podia contemplar isso, era completamente imerso na oração, mesmo em momentos públicos. João Paulo II foi capaz de manter em equilíbrio a relação entre a Divina Misericórdia e a responsabilidade humana.

A Igreja nos últimos tempos, graças ao Papa Francisco, fala bastante de misericórdia. Mas, na realidade, governa por direito. Será uma contradição?

Cardeal Piacenza: Para aqueles não familiarizados com a lei ou que se detêm em ‘clichês’. Não é como no sistema civil, fundamentado numa suposta justiça humana, a complicação é desnecessária. O direito, no mistério da Igreja, é garantia de liberdade e moderação no exercício do poder que, devido aos limites e paixões humanas, corre o risco de corromper-se até a arbitrariedade. O Código diz: "A salvação das almas deve ser sempre a lei suprema na Igreja”. Mais misericórdia do que isso!

Mas como podem estar juntas a justiça e a misericórdia? O que significa então a pastoralidade?

Cardeal Piacenza: Não é cancelar o Evangelho, ou a Doutrina ou a Tradição da Igreja, autenticamente interpretada pelo Magistério. A pastoralidade é, sobretudo, não iludir os homens deixando-os na sua condição de pecado. Mas eu acho que é profundamente pastoral "descer" às feridas da vida de qualquer um, como fez o Senhor, levando a luz da verdade. A Igreja realmente tem certeza de que “a verdade nos liberta”. A Verdade é o único verdadeiro critério de autenticidade para a justiça, a misericórdia e a autentica pastoral. No fundo, todo mundo deseja a liberdade, mas, sem a verdade, não é mais do que a escravidão de sua arbitrariedade subjetiva, que não tem nada a ver com a consciência formada e informada mencionada no Magistério.

Os seus primeiros colaboradores são os penitenciários das basílicas romanas. Qual é a mensagem “confessional”?

Cardeal Piacenza: Roma é a cidade escolhida pela providência para ser a Sé de Pedro, chamado a confirmar os seus irmãos na fé. A fé autêntica sempre traz consigo o dom da consciência das suas próprias limitações e pecados. Por esta razão, Pedro exerce particularmente a sua misericórdia através das penitenciárias apostólicos das basílicas papais. É uma porta sempre aberta para receber de Deus o perdão e a paz, para realizar sacramentalmente o convite de Jesus à conversão. Nos reconcilia também com a Igreja reforçando a comunhão fraterna. O que acontece no silêncio dos confessionários também tem um aspecto social, benéfico para todo o corpo da Igreja.

O que é necessário para uma boa confissão?

Cardeal Piacenza: Um penitente convicto é um bom confessor! É necessário que o penitente, tendo feito o exame de consciência, seja realmente humilde para confessar todos os pecados graves cometidos desde a última confissão, olhando para si próprio na transparência de Cristo. A acusação deve ser acompanhada pela dor dos pecados e por uma resoluta vontade de não os cometer novamente, de se afastar do pecado. O sereno confronto com o confessor, médico e juiz, mestre e pai, irmão e amigo, será de fundamental importância para uma adequada iluminação da consciência pessoal, também através da penitência, que é expressão histórica visível da conversão e ligada ao dom da graça.

Se tivesse que confessar uma pessoa divorciada que mora com outra pessoa, daria a absolvição?

Cardeal Piacenza: Se quiser ouvir de maneira integral os ensinamentos de Jesus, se compreende que não há pecado que não possa ser revertido quando o pecador ouve a palavra de Jesus que diz: "nem eu te condeno, vai e não peques mais". O "não peques mais" está indissoluvelmente ligado à "nem eu te condeno". Clara é a palavra do Senhor e, consequentemente, claro é o Catecismo da Igreja. Para com essas pessoas, no entanto, reserva-se cuidadosa solicitude, ajudando-os a levar uma vida de fé, sustentada pela oração, animada pelas obras de caridade e empenho na educação cristã dos filhos.

Mas tudo pode mudar. Actualmente é impossível não levar em conta a opinião pública...

Cardeal Piacenza: Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre. A opinião pública é outra coisa se comparada ao senso comum da fé. É facilmente condicionada através dos meis de comunicação social, pelo poder dominante, que, no século passado, se tornou uma ferramenta para impor uma ideologia. A Igreja, em dois mil anos, guiada pelo Espírito Santo, evitou sempre identificar-se ou submeter-se a qualquer ideologia ou poder. A Igreja obedece a Cristo e não ao homem, e não podia fazer outra coisa senão ser Lumen Gentium.

Soube do baptismo, na Argentina, de uma criança filha de "duas mães"?

Cardeal Piacenza: O baptismo jamais é negado a uma criança! Um bebé é sempre uma criatura de Deus, amado por Ele, e ainda é inocente. Quando eu era vigário paroquial, muitas vezes, recebi casais irregulares, que pediam o baptismo; eu simplesmente pedia-lhes a garantia de, pelo menos, uma abertura para a educação cristã dos filhos e também para escolher uma madrinha ou padrinho que cuidasse. É triste que se instrumentalize um Sacramento a tal ponto. Eu acho que devemos rezar muito pelo futuro da criança.

in Zenit


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sábado, 27 de abril de 2019

Esperança

Tudo morre neste mundo. Morrem pessoas e árvores, ideologias e línguas, morrem projectos, sonhos e civilizações. Tudo morre, mas o nosso povo sabe quem é a última a morrer: a esperança. "Toda a acção séria e recta do homem é esperança em acto." [Bento XVI, encíclica Spes Salvi (SS 35)].

Aqui reside o paradoxo que define a natureza humana. Como podem coexistir a certeza da morte e a permanência da esperança? Como é possível que do fundo da "caixa de Pandora", de onde brotam todos os males, ainda voe a luz da esperança? Esta é "a situação essencial do homem, uma situação donde provêm todas as suas contradições e as suas esperanças. De certo modo, desejamos a própria vida, a vida verdadeira, que depois não seja tocada sequer pela morte; mas, ao mesmo tempo, não conhecemos aquilo para que nos sentimos impelidos. Não podemos deixar de tender para isto e, no entanto, sabemos que tudo quanto podemos experimentar ou realizar não é aquilo por que anelamos" (SS 12).

"Enquanto há vida, há esperança", diz a sabedoria popular. Mas pode a Esperança vencer a morte? Só pela Fé em Algo maior que o mundo se passa para lá do fim. "Fé é substância da esperança" (SS 10). Na Fé cristã "a porta tenebrosa do tempo, do futuro, foi aberta de par em par. Quem tem esperança, vive diversamente; foi-lhe dada uma vida nova" (SS 2).

Mas esta Esperança que vai para lá da morte tem vindo a ser abandonada. A Idade Moderna é o tempo da ciência, da técnica, do progresso. Essa atitude trouxe avanços extraordinários, maravilhas inimagináveis. Mas também perdeu de vista a Esperança. "Agora, esta 'redenção', a restauração do 'paraíso' perdido, já não se espera da fé, mas da ligação recém-descoberta entre ciência e prática. Com isto, não é que se negue simplesmente a fé; mas esta acaba deslocada para outro nível - o das coisas somente privadas e ultraterrestres - e, simultaneamente, torna-se de algum modo irrelevante para o mundo. Esta visão programática determinou o caminho dos tempos modernos, e influencia inclusive a actual crise da fé que, concretamente, é sobretudo uma crise da esperança cristã" (SS 17).

A ânsia do progresso revelou-se no martírio da Igreja. Paroxismos de fúria e crueldade desabaram sobre os cristãos a partir precisamente das ideologias progressistas. Do marxismo ao nazismo, no México, Espanha, Alemanha, URSS, Vietname e tantos outros, confirmou-se a profecia de Daniel: "Vi um quarto animal, horroroso, aterrador, e de uma força excepcional. Tinha enormes dentes de ferro; devorava, fazia em pedaços e o resto calcava-o aos pés. Era diferente dos animais anteriores (Dn 7, 7) Porque razão o progresso tomou a Igreja como inimiga? A Igreja que fundara as universidades, conservara as bibliotecas, preservara a civilização? A Igreja a que pertencia a maioria dos génios, cristãos devotos, que criaram a ciência moderna (Copérnico, Kepler Galileo, Leibniz, Newton, Euler, Ampère, Gauss, Cauchy, Faraday, Mendel, Pasteur e tantos outros)? Tal raiva mostra que a questão fundamental não é progresso e bem-estar, mas algo muito mais profundo. "O progresso é a superação de todas as dependências; é avanço para a liberdade perfeita" (SS 18).

O homem de hoje quer ser senhor de si mesmo, dominar a própria vida, fazer o que lhe apetece. "Ser como Deus", como prometeu a serpente do Éden na suprema tentação (cf. Gn, 3,5). Assim, "torna-se evidente a ambiguidade do progresso. Não há dúvida que este oferece novas potencialidades para o bem, mas abre também possibilidades abissais de mal - possibilidades que antes não existiam. Todos fomos testemunhas de como o progresso em mãos erradas pode tornar-se, e tornou-se realmente, um progresso terrível no mal. Se ao progresso técnico não corresponde um progresso na formação ética do homem, no crescimento do homem interior, então aquele não é um progresso, mas uma ameaça para o homem e para o mundo" (SS 22).

Tudo morre. Apenas Um ressuscitou dos mortos. "Chegar a conhecer Deus, o verdadeiro Deus: isto significa receber esperança" (SS 3).

João César das Neves in Diário de Notícias


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A Santa Missa descrita por São Francisco de Assis

Pasme o homem todo, estremeça a terra inteira, rejubile o céu em altas vozes quando, sobre o altar, estiver nas mãos do sacerdote o Cristo, Filho de Deus vivo! Ó grandeza maravilhosa, ó admirável condescendência! Ó humildade sublime, ó humilde sublimidade! O Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, se humilha a ponto de se esconder, para nosso bem, na modesta aparência do pão.

São Francisco de Assis in Escritos 


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sexta-feira, 26 de abril de 2019

Sexta-Feira da Oitava da Páscoa é dia de Abstinência?

Sexta-Feira é um dia tradicionalmente associado à penitência porque foi o dia no qual Nosso Senhor foi crucificado e morreu na cruz para nos salvar. Para nos associarmos, mesmo que pouco, aos sofrimentos de Jesus também nós fazemos sacrifícios nesse dia da semana. Um dos mais antigos é a abstinência da carne, isto é não comer carne à Sexta-Feira.

Na Lei da Igreja esta obrigatoriedade sempre previu excepções. No Código de Direito Canónico de 1917 eram dias de abstinência obrigatória todas as Sextas-Feiras do ano excepto se fosse um dia de preceito, ou seja um dia tão importante que fosse obrigatório ir à Missa: dia de Natal ou dia da Imaculada Conceição, por exemplo. 

No novo Código de Direito Canónico, de 1983, a excepção a essa abstinência das Sextas-Feiras acontece sempre que nesse dia existe uma Solenidade, mesmo que não seja dia de preceito. 

A Oitava da Páscoa, os 8 dias que se seguem ao Domingo de Páscoa, são tratados, liturgicamente, como se fossem a Solenidade do dia de Páscoa. Por isso esta Sexta-Feira, segundo a lei actual, parece não ser de abstinência. 

Legalmente é esta a conclusão lógica, à luz dos cânones actuais. No entanto quem quiser fazer abstinência não perde nada, sabendo que é um costume que vem dos primórdios da Igreja, associando essa penitência ao arrependimento dos seus pecados e pedindo a graça de não voltar a pecar.

João Silveira


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quinta-feira, 25 de abril de 2019

Noli me tangere


«Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.»



«Dicit ei Jesus noli me tangere nondum enim ascendi ad Patrem meum vade autem ad fratres meos et dic eis ascendo ad Patrem meum et Patrem vestrum et Deum meum et Deum vestrum.»
Jo 20, 17


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Palavras de Jesus sobre o Casamento no Evangelho de São Marcos

1 Saindo dali, foi para a região da Judeia, para além do Jordão. As multidões agruparam-se outra vez à volta dele, e outra vez as ensinava, como era seu costume.
2 Aproximaram-se uns fariseus e perguntaram-lhe, para o experimentar, se era lícito ao marido divorciar-se da mulher.
3 Ele respondeu-lhes: «Que vos ordenou Moisés?»
4 Disseram: «Moisés mandou escrever um documento de repúdio e divorciar-se dela.»
5 Jesus retorquiu: «Devido à dureza do vosso coração é que ele vos deixou esse preceito.
6 Mas, desde o princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher.

7 Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher,
8 e serão os dois um só. Portanto, já não são dois, mas um só. 
9 Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem.»
10 De regresso a casa, de novo os discípulos o interrogaram acerca disto.
11 Jesus disse: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira.

12 E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério
1 Et inde exsurgens venit in fines Iudaeae ultra Iorda nem; et conveniunt iterum turbae ad eum, et, sicut consueverat, iterum docebat illos.

2 Et accedentes pharisaei interrogabant eum, si licet viro uxorem dimittere, tentantes eum.

3 At ille respondens dixit eis: “ Quid vobis praecepit Moyses? ”.
4 Qui dixerunt: “ Moyses permisit libellum repudii scribere et dimittere ”.
5 Iesus autem ait eis: “ Ad duritiam cordis vestri scripsit vobis praeceptum istud.
6 Ab initio autem creaturae masculum et feminam fecit eos.

7 Propter hoc relinquet homo patrem suum et matrem et adhaerebit ad uxorern suam,
8 et erunt duo in carne una; itaque iam non sunt duo sed una caro.
9 Quod ergo Deus coniunxit, homo non separet ”.

10 Et domo iterum discipuli de hoc interrogabant eum.
11 Et dicit illis: “Quicumque dimiserit uxorem suam et aliam duxerit, adulterium committit in eam;

12 et si ipsa dimiserit virum suum et alii nupserit, moechatur”.

Evangelho segundo S. Marcos 10, 1-12

Tradução Portuguesa: Difusora Bíblica
Latim: Nova Vulgata


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quarta-feira, 24 de abril de 2019

Santo Sudário, o negativo resplandecente

Há 121 anos, o advogado Secondo Pia fotografou um extenso lençol, de 4,5 por 1,5 metros, guardado na catedral de Turim como uma relíquia. Ao cabo de atribuladas vicissitudes históricas, o lençol ficou na posse da Casa de Sabóia e, quando a capital desse ducado se transferiu para Turim, no século XVI, a peça foi também levada para lá.

Secondo Pia instalou a sua caixa fotográfica diante do lençol e focou as lentes. Trabalhando no escuro, colocou na caixa uma placa de vidro coberta com uma emulsão fotoquímica e, depois de tudo preparado, destapou as lentes. A luz reflectida pelo lençol irrompeu através do conjunto das lentes, focou-se na lâmina de vidro e queimou a emulsão. Ao fim do tempo de exposição adequado para a emulsão ficar queimada nas zonas de luz, a lâmina foi retirada, de novo às escuras, para ser lavada com produtos químicos e se tornar a partir daí insensível à luz.

Até há poucos anos, as fotografias faziam-se assim, em duas fases. Primeiro, a película fotográfica escurecia por efeito da luz e dava um «negativo», isto é, uma imagem com as cores invertidas: as partes luminosas escuras e as partes negras claras. Na segunda etapa, produzia-se o «negativo do negativo», recuperando a imagem que se pretendia captar. O resultado da dupla inversão era o «positivo» e a película usada na etapa intermédia era o «negativo».

Quando Secondo Pia observou o resultado da primeira etapa, descobriu, para sua surpresa, que já tinha diante de si a imagem natural, o «positivo»! Isso significava que a imagem do lençol era um «negativo».

Até à invenção da fotografia, ninguém tivera a ideia de pintar a luz ao contrário, tornando as imagens irreconhecíveis. A técnica fotográfica primitiva é que criou a essa etapa instrumental para se obter a imagem correcta. Como é que se formou, num lençol de linho com quase dois mil anos de história, guardado e disputado com tanto empenho ao longo dos séculos, uma imagem negativa que só a fotografia dos nossos dias consegue revelar?

A figura deste lençol é o cadáver de um homem forte, com 1,83 m de altura, coberto de feridas. A cabeça marcada por agulhas, os joelhos e o nariz ensanguentados, como quem sofreu uma queda violenta. Uma ferida enorme rasgada no peito, os pulsos e os pés trespassados por pregos, as costas flageladas por vergastadas e os ombros macerados, como quem transportou a trave pesada de uma cruz. Esta fotografia faz-nos recuar dois mil anos, ao momento em que José de Arimateia e outros pediram a Pilatos o Corpo morto de Jesus e, tendo-O despregado da Cruz, O envolveram num lençol de linho fino e depuseram num sepulcro novo, escavado na rocha. Os judeus montaram guarda mas, três dias depois, no Domingo, muito de madrugada, quando os primeiros chegaram ao sepulcro, o corpo já não estava.

A Ressurreição de Jesus revela-nos o que a sua Morte não nos permitia ainda ver. Como um negativo resplandecente, como o triunfo da verdade.

José Maria C.S. André in Correio dos Açores - 21-IV-2019


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terça-feira, 23 de abril de 2019

Victimæ Paschali Laudes: Sequência rezada na Oitava da Páscoa



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Como rezar o Regina Caeli

Durante o tempo pascal, que vai do Domingo de Páscoa até ao Pentecostes, em vez da Oração do Anjo (Angelus) reza-se o Regina Caeli, para sublinhar a alegria cristã pela ressurreição de Nosso Senhor.

Português:

V. Rainha do Céu, alegrai-vos, Aleluia!
R. Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso ventre, Aleluia!
V. Ressuscitou como disse, Aleluia!
R. Rogai por nós a Deus, Aleluia!
V. Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria, Aleluia!
R. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!

Oremos. Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, concedei-nos, Vos suplicamos, a graça de alcançarmos pela protecção da Virgem Maria, Sua Mãe, a glória da vida eterna. Pelo mesmo Cristo Nosso Senhor. Ámen.

Latim:

V. Regina caeli, laetare, alleluia.
R. Quia quem meruisti portare, alleluia.
V. Resurrexit, sicut dixit, alleluia.
R. Ora pro nobis Deum, alleluia.
V. Gaude et laetare, Virgo Maria, alleluia.
R. Quia surrexit Dominus vere, alleluia.

Oremus. Deus, qui per resurrectionem Filii tui, Domini nostri Iesu Christi, mundum laetificare dignatus es: praesta, quaesumus; ut per eius Genetricem Virginem Mariam, perpetuae capiamus gaudia vitae. Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.



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segunda-feira, 22 de abril de 2019

A beleza da Vigília Pascal em Roma

Paróquia Trinità dei Pellegrini


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15 razões lógicas para acreditar na Ressurreição

1. HAVIA UM TÚMULO VAZIO
Os fundadores de outras “fés” estão ainda enterrados ou foram cremados e as suas cinzas foram espalhadas por países estrangeiros. Jesus não. Os académicos modernos podem afirmar o que quiserem nos seus programas televisivos...a verdade é que o túmulo estava vazio.

2. O TÚMULO TINHA UM SELO ROMANO
Um pedaço de barro estava preso a uma corda (esticada à volta de uma pedra) e ao próprio túmulo. O selo romano estava estampado no barro. Quem quebra o selo, quebra a lei; e quem quebra a lei, morre.

3. O TÚMULO TINHA GUARDA ROMANA DE SERVIÇO
A guarda era constituída de pelo menos quatro homens (possivelmente mais), soldados altamente treinados. Estes soldados eram especialistas em tortura e combate, não se assustariam facilmente  por um bando de pescadores ou cobradores de impostos. Caso adormecessem ou abandonassem o seu posto, violariam a lei, o que resultaria na sua morte.

4. O TÚMULO TINHA UMA PEDRA À SUA FRENTE
A maior parte dos académicos afirma que a pedra pesaria pelo menos duas toneladas, com provavelmente dois metros e meio de altura. Seria claramente necessário uma equipa para a levantar ou arrastar, não seria trabalho para um ou dois homens.

5. HOUVE VÁRIAS APARIÇÕES PÓS-RESSURREIÇÃO, A CENTENAS DE PESSOAS
Durante seis semanas, Ele apareceu a diversos grupos de variados tamanhos em locais diferentes. Uma vez, apareceu a mais de quinhentas pessoas – um número grande demais para ser uma fraude. Já para não falar que as pessoas a quem Ele aparecia não o viam simplesmente, mas comiam com Ele, andavam com Ele, tocavam-Lhe…Jesus até um pequeno-almoço preparou (Jo 21, 9).

6. O MARTÍRIO DAS TESTEMUNHAS É PROVA
Deixariam as pessoas para trás o seu trabalho, família e vida, iriam até ao fim do mundo, seriam horrível e brutalmente mortas e abandonariam as suas crenças religiosas anteriores, acerca da salvação, só para espalhar uma mentira? Ninguém, enquanto era decapitado, entregue aos leões, queimado em óleo, ou na fogueira, ou até crucificado ao contrário, mudou a sua história. Pelo contrário, cantaram hinos de louvor e confiança, sabendo que o Senhor que derrotou a morte os elevaria também.

7. A IGREJA PERDURA
Se a Ressurreição fosse mentira, ter-se-ia apagado há anos. A Igreja é a maior e mais velha instituição de qualquer tipo, na história da humanidade. A Igreja surgiu com os Apóstolos, após o dia de Pentecostes, no ano em que Cristo ascendeu ao Céu. Ela conquistou impérios, defendeu-se de ataques (quer vindos de dentro quer de fora) e cresceu, apesar dos seus membros pecadores, porque foi fundada por Cristo, e é guiada e protegida pelo Espírito Santo. A Igreja, tal como Cristo, é tanto divina como humana.

8. JESUS PROFETIZOU QUE IA ACONTECER
Jesus anunciou às pessoas que ia acontecer. Para Ele não foi uma surpresa. E não disse apenas: “Eu serei morto” (que outros também poderiam ter previsto) mas também que “Ao fim de três dias se levantaria dos mortos.” Estes detalhes não são ironias, coincidências ou adivinhações — são profecias, e as verdadeiras profecias vêm de Deus.

9. ESTAVA PROFETIZADO NO ANTIGO TESTAMENTO
Já era anunciado séculos antes do próprio Cristo ter nascido ou ressuscitado. Centenas de profecias acerca do Messias, o que Ele diria, faria, como viveria e como morreria… foram anunciadas por pessoas escolhidas por Deus (a maioria sem nunca se ter conhecido, já agora). Isaías, Jeremias, Zacarias, Oseias, Miqueias, ou Elias (só para nomear alguns) todos apontavam para a morte e Ressurreição de Cristo, séculos antes de acontecer.

10. O DIA DO SENHOR MUDOU
Após a Ressurreição, milhares de judeus (quase de um dia para o outro) abandonaram os séculos de tradição de celebrar o Sábado (dia do Senhor) no último dia da semana e passaram a santificar o primeiro dia da semana, o dia em que o Senhor, Jesus Cristo, venceu a morte e selou a nova e eterna aliança com Deus.

11. AS PRÁTICAS DOS SACRIFÍCIOS MUDARAM
Os Judeus sempre foram ensinados (e ensinavam assim os seus filhos) que era necessário oferecer um sacrifício de carne (animal) uma vez por ano, para remissão dos seus pecados. Após a Ressurreição, os judeus convertidos na altura, grande parte deles, pararam estes sacrifícios.

12. É ÚNICA ENTRE TODAS AS RELIGIÕES
Nenhum outro líder religioso, em qualquer altura, afirmou ser Deus, excepto Cristo. Nenhum outro líder religioso alguma vez fez as coisas que Jesus fez. Nenhum outro líder religioso se provou com a Ressurreição. Confúcio morreu. Lao-zi morreu. Maomé morreu. Joseph Smith morreu. Sidarta Gautama (Buda) morreu. Cristo ressuscitou dos mortos.

13. A MENSAGEM VALIDA-SE POR SI MESMA
Um coração humilde é muito mais esclarecido e iluminado do que a lógica ou razão. Um verdadeiro crente não precisa de todos os factos para crer na Ressurreição, porque o Espírito Santo revela-nos Cristo, intima e poderosamente. S. Paulo fala disto. Corações duros e cegos nunca verão Deus, até aceitarem que não são Deus.

14. O MILAGROSO FIM ENCAIXA COM A VIDA MILAGROSA
Não se percebe a lógica? Jesus curou os cegos, os surdos e dos mudos. Alimentou as multidões, curou os leprosos e curou os pecadores. Fez com que os coxos andassem e trouxe outros de volta à vida. Multiplicou comida, andou sobre as águas e acalmou tempestades apenas com a Sua voz. O milagre da Sexta-Feira Santa é que Ele não fez nenhum milagre. Ele morreu. O milagre do Domingo de Páscoa é que Ele ressuscitou dos mortos – um fim miraculoso para uma vida miraculosa. O que mais poderíamos esperar?

15. (E A ÚNICA RESPOSTA QUE REALMENTE PRECISAMOS) . . .  JESUS CONTINUA A SER RESPOSTA
O mundo não pode oferecer nenhuma cura para o sofrimento. O mundo pode ignorá-lo, insultá-lo, debatê-lo, bombardeá-lo, medicá-lo…mas não existe nenhuma cura ou sentido para o sofrimento sem olhar para Jesus Cristo. N’Ele, o nosso sofrimento faz sentido e vale a pena. Longe d’Ele, o sofrimento não tem qualquer sentido e é estéril. A fonte da eterna juventude não existe. Não existe uma droga miraculosa. Não existe cura para a morte, excepto Jesus Cristo. O que é ilógico é pensar que o Deus da Vida não deseja que vivamos eternamente.

“Como é que alguns de entre vós dizem que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. Mas se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã é também a vossa fé. E resulta até que acabamos por ser falsas testemunhas de Deus, porque daríamos testemunho contra Deus, afirmando que Ele ressuscitou a Cristo, quando não o teria ressuscitado, se é que, na verdade, os mortos não ressuscitam. Pois, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé e permaneceis ainda nos vossos pecados.” (1Cor 15, 12-18)

Irmãos e Irmãs, porque sabemos o que aconteceu na Última Ceia, na cruz e no sepulcro há 2000 anos, conhecemos Deus-Pai intimamente, caminhamos com o Filho diariamente e somos guiados pelo Espírito Santo eternamente. Esta é a verdade, e que bela verdade é.

Mark Hart in lifeteen.com


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Páscoa em Nova Iorque: 3 cruzes nos aranha-céus

Em 1956 a Páscoa foi celebrada na zona financeira de Manhattan com 3 arranha-céus iluminados, representando as 3 cruzes do Calvário. Foi apenas há 60 anos, mas hoje em dia isto seria impensável, graças à perseguição que está a ser feita no Ocidente aos símbolos cristãos.

Rezemos pelos que consideram ofensiva a imagem de Deus que morre numa cruz para salvar os homens.




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domingo, 21 de abril de 2019

Christus Resurrexit! Vere Resurrexit! Alleluia, Alleluia!

Santa Páscoa, caros amigos!

Ao raiar do terceiro dia, os amigos de Cristo quando chegaram ao local viram o sepulcro vazio e a pedra rolada para o lado. De várias formas eles aperceberam-se da nova maravilha; mas mesmo assim não se aperceberam bem que o mundo tinha morrido durante a noite. O que eles contemplavam era o primeiro dia de uma nova criação, um novo Céu e uma nova Terra.

E, no semblante de um jardineiro, Deus passeava de novo no jardim, na brisa, não da tarde, mas da madrugada.

G.K. Chesterton in 'O Homem Eterno' (1925)


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quinta-feira, 18 de abril de 2019

O Sacerdote na celebração do Tríduo Pascal

A Carta aos Hebreus é o único texto do Novo Testamento que atribui a Nosso Senhor Jesus Cristo os títulos de “Sacerdote”, “Sumo Sacerdote” e “Mediador da Nova Aliança”, graças à oferenda do sacrifício do Seu corpo, antecipado na Ceia mística da Quinta-Feira Santa, consumado sobre a cruz e apresentado ao Pai com a ressurreição e a ascensão ao Céu (cf. Hb 9,11-15). Este texto é meditado na Liturgia das Horas da quinta semana da Quaresma – ou da Paixão, como no calendário litúrgico da forma extraordinária do Rito Romano – e na Semana Santa.


Nós, sacerdotes católicos, devemos contemplar sempre Cristo e ter os mesmos sentimentos d’Ele; esta ascese acontece com a conversão permanente. Como se realiza a conversão em nós, sacerdotes? No rito da ordenação é-nos pedido o ensino da fé católica, não das nossas ideias; “celebrar com devoção os mistérios de Cristo – isto é, a liturgia e os sacramentos – segundo a tradição da Igreja”, e não segundo o nosso gosto; sobretudo, “estar cada vez mais unidos a Cristo Sumo Sacerdote, que, como vítima pura, Se ofereceu ao Pai por nós”, isto é, conformar a nossa vida segundo o mistério da Cruz.


A Santa Igreja honra o sacerdote e o sacerdote deve honrar a Igreja com a santidade da sua vida – este foi o propósito de Santo Afonso Maria de Ligório no dia da sua ordenação –, com o zelo, com o trabalho e com o decoro. Ele oferece Jesus Cristo ao Pai Eterno e por isso deve estar revestido das virtudes de Jesus Cristo, para preparar-se para o encontro com o Santo dos Santos. Que importante é a preparação interior e exterior para a sagrada liturgia, para a Santa Missa! Trata-se de glorificar o Sumo e Eterno Sacerdote, Jesus Cristo. Pois bem, tudo isso se realiza em grau máximo na Semana Santa, a Grande e Santa Semana, como dizem os orientais. Vejamos alguns dos seus principais actos, com base no cerimonial dos bispos.

1. Com a Missa in Cena Domini, da Quinta-Feira Santa, o sacerdote entra nos principais mistérios – a instituição da Santíssima Eucaristia e do sacerdócio ministerial –, assim como no mandamento do amor fraterno, representado pelo lava-pés, gesto que a liturgia copta realiza ordinariamente cada Domingo. Nada melhor para expressá-lo do que o canto Ubi caritas. Após a comunhão, o sacerdote, usando o véu umeral, sobre ao altar, faz a genuflexão e, ajudado pelo diácono, segura a píxide com as mãos cobertas pelo véu umeral. É o símbolo da necessidade de mãos e corações puros para aproximar-se dos mistérios divinos e tocar o Senhor!

2. Na Sexta-Feira Santa in Passione Domini, o sacerdote é convidado a subir ao Calvário. Às três da tarde, às vezes um pouco mais tarde, acontece a celebração da Paixão do Senhor, em três momentos: a Palavra, a Cruz e a Comunhão. Dirige-se em procissão e em silêncio ao altar. Depois de ter reverenciado o altar, que representa Cristo na austera nudez do Calvário, ele prostra-se por terra: é a proskýnesis, como no dia da ordenação. Assim, expressa a convicção do seu nada diante da Majestade divina, e o arrependimento por se ter atrevido a medir-se, por meio do pecado, com o Omnipotente. Como o Filho que se anulou, o sacerdote reconhece o seu nada e assim tem início a sua mediação sacerdotal entre Deus e o povo, que culmina na oração universal solene.

Depois faz-se a ostensão e a adoração da Santa Cruz: o sacerdote dirige-se ao altar com os diáconos e lá, em pé, recebe-a e descobre-a em três momentos sucessivos – ou mostra-a já descoberta – e convida os fiéis à adoração, em cada momento, com as palavras: Eis o madeiro da cruz, no qual esteve suspenso o Salvador do mundo

O sacerdote, após ter depositado a casula, se possível descalço, aproxima-se da Cruz, ajoelha-se diante dela e beija-a. A teologia católica não teme em dar aqui à palavra “adoração” o seu verdadeiro significado. A verdadeira Cruz, banhada com o sangue do Redentor, torna-se, por assim dizer, uma só coisa com Cristo e recebe a adoração. Por isso, prostrando-nos diante do lenho sagrado, dirigimo-nos ao Senhor: “Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz redimistes o mundo”.

3. A Páscoa do Reino de Deus realizou-se em Jesus: oferecida e consumida a Ceia, “na noite em que ia ser entregue”; imolada sobre o Calvário na Sexta-Feira Santa, quando “houve escuridão sobre toda a Terra”, mais uma vez a noite recebe a consagração da aprovação divina, na ressurreição de Cristo Senhor: por João, sabemos que Maria Madalena se aproximou do sepulcro “bem de madrugada”; portanto, aconteceu nas últimas horas da noite após o Sábado pascal.

No Novus Ordo, o sacerdote, desde o início da Vigília, está vestido de branco, como para a Missa. Ele abençoa o fogo e acende o círio pascal com o novo fogo, após ter aplicado, como na liturgia antiga, uma cruz. Depois grava sobre o lado vertical da cruz a letra grega alfa e, abaixo, a letra omega; entre os braços da cruz, faz a incisão de quatro algarismos para indicar o ano em curso, dizendo: Cristo ontem e hoje. Depois, feita a incisão da cruz e dos demais sinais, pode aplicar no círio cinco grãos de incenso, dizendo: Pelas suas santas chagas. Depois, cantando o Lumen Christi, guia a procissão rumo à igreja. O sacerdote está à cabeça do povo dos fiéis aqui na Terra, para poder guiá-lo ao céu.

É o sacerdote que entoa solenemente "Eis a luz de Cristo!". Ele canta-o três vezes, elevando gradualmente o tom da voz: o povo, depois de cada vez, repete-o no mesmo tom. Na liturgia baptismal, o sacerdote, estando de pé diante da fonte, abençoa a água, cantando a oração: Ó Deus, por meio dos sinais sacramentais; enquanto invoca: Desça, Pai, sobre esta água, pode introduzir nela o círio pascal, uma ou três vezes.

O significado é profundo: o sacerdote é o órgão fecundador do seio eclesial, simbolizado pela fonte baptismal. Verdadeiramente, na pessoa de Cristo Cabeça, ele gera filhos e, como pai, fortifica-os com o crisma e nutre-os com a Eucaristia. Também em razão destas funções maritais em relação à Igreja esposa, o sacerdote não pode senão ser um homem. Todo o sentido místico da Páscoa manifesta-se na identidade sacerdotal, chegando à plenitude, o plếroma, como diz o Oriente. Com ele, a iniciação sacramental chega ao cume e a vida cristã se torna o centro.

Portanto, o sacerdote, que subiu com Jesus à cruz na Sexta-Feira Santa e desceu ao sepulcro no Sábado Santo, no Domingo de Páscoa pode afirmar realmente: “Sabemos que Cristo verdadeiramente ressuscitou dentre os mortos”.

Mons. Nicola Bux, Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice


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quarta-feira, 17 de abril de 2019

Participar na Santa Missa como os Santos - Parte #4

Do Pai Nosso à comunhão do Sacerdote
Imagens do filme 'A Paixão de Cristo'


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Herói de Paris pertencia à Fraternidade Sacerdotal de São Pedro

O capelão dos bombeiros de Paris, o Padre Jean-Marc Fournier, arriscou a vida ao entrar na Catedral de Notre-Dame, enquanto esta ardia, para salvar o Santíssimo Sacramento e a Coroa de Espinhos com a qual Nosso Senhor Jesus Cristo foi coroado, uma das relíquias mais importantes do Mundo.

O Padre Fournier é um ex-membro da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP). De 2000 a 2006 foi Assistente do Superior Geral da FSSP.

Em 2006, tornou-se capelão militar em Sissonne, França, trabalhando durante vários anos para a diocese militar francesa. Durante a sua primeira missão no Afeganistão a sua companhia foi emboscada e 10 militares foram mortos, mas o Padre Fournier escapou incólume.

Não é a primeira vez que o sacerdote demonstra a sua coragem na cidade de Paris. Em 2015, após o ataque terrorista contra o Bataclan no qual 89 pessoas foram mortas, ele correu para dentro da sala de espectáculos para dar uma absolvição geral, permitida pela Igreja em situações limite como essa.

adaptado de Gloria Tv


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Não é Notre-Dame que arde, é a Igreja Católica

Diante do horror de ver a Catedral de Notre-Dame ser devorada pelas chamas surge um sinal de esperança: um grupo que diante da tragédia reza o terço cantado, muitos deles de joelhos.

O incêndio que destruiu parte da Catedral de Paris é uma imagem quase perfeita do estado da Igreja em França e no Ocidente. No período pós-Concílio Vaticano II grande parte dos Bispos e sacerdotes traíram a sua missão. Deveriam ter entregado o que tinham recebido: um tesouro inestimável; a maior história de amor que o mundo alguma vez viu. Em vez disso fizeram da sua missão destruir o que podiam e ocultar o resto desse tesouro.

Aos fiéis que deles esperavam a verdade entregaram-lhes apenas meias-verdades, nada mais do que um presente envenenado. Em lugar de ser a Igreja a mudar o mundo, um dos três inimigos da nossa alma, passou a ser o mundo a mudar a Igreja, deformando-a. Muitos dos fiéis deixaram de o ser, porque a salvação passou a ser tão fácil como o pecado. Outros continuaram a ser “fiéis” mas de outra "fé"; não a que tinha sido guardada religiosamente durante vinte séculos depois do próprio Jesus Cristo, Deus feito homem, ter dito que sem aquela Fé ninguém se poderia salvar. E o propósito da nossa existência é a salvação da nossa alma, é ficar para sempre na presença de Deus, nosso Criador e Redentor. Nisso consiste a felicidade, e não em algo que o mundo nos possa prometer.

Com as portas escancaradas ao mundo, o Maio de 68 entrou e fez muitos estragos. A “homossexualidade” e a libertinagem sexual começaram a fazer parte da vida de muitos que deveriam viver como anjos. Não satisfeitos com a própria corrupção foram corromper os mais fracos, os que não se podiam defender. O escândalo dos abusos sexuais nas últimas décadas foi um dos maiores contra testemunhos que o Clero poderia dar. Os rapazes adolescentes deveriam olhar para um sacerdote e ver um homem, um exemplo a seguir, não um cobarde luxurioso pronto a aproveitar-se do seu corpo para ter um prazer efémero que na eternidade se vai traduzir em sofrimentos inenarráveis.

Hoje em dia muitas dioceses e muitas paróquias continuam a ser guiadas por pessoas com vergonha (e até ódio) do passado da Igreja. Muitos deles falam da História como se a Igreja tivesse começado verdadeiramente há 50 anos, e antes disso fosse apenas um bando de malfeitores. Uns fazem-no por ignorância, outros por má-fé. Os pecados que Deus nos disse que eram especialmente graves como a sodomia, o adultério e o aborto são nas suas igrejas tolerados, quando não incentivados.

Mas a Igreja não é deles, é de Jesus Cristo. E por isso vemos jovens como aqueles que ali rezaram - cheios de fé, esperança e caridade - o rosário enquanto o mal parecia vencer. Eles são a imagem dos jovens que muitos bispos e sacerdotes consideram tradicionalistas, fundamentalistas, extremistas. Constroem muros para se afastarem deles, enquanto se dedicam a construir pontes com os inimigos da Igreja, com os que a querem destruir. A estes tudo é permitido, àqueles tudo é proibido. A estes tudo é concedido, àqueles tudo é recusado. Fecham-lhes portas, declinam recebê-los, traem a cultura de diálogo que propagam a plenos pulmões à frente de qualquer microfone.  

A Igreja está a arder. Arde como ardeu ontem Notre-Dame. Somos muito menos do que éramos. Os fiéis são muito mais ignorantes em relação à Fé. Há uma apostasia silenciosa. As pessoas estão confusas. Já nada é certo, nada é garantido. Uma coisa é verdade hoje mas amanhã pode ser mentira. Uma Igreja sem Fé não pode ter caridade, ninguém pode amar o que não conhece.

Mas diante das chamas que parecem tudo destruir eis que aparece um sinal de esperança, uma nova geração que quer levar as coisas a sério. Esta geração quer aprender o que a Igreja sempre disse para poder ensinar o mundo, para poder salvar o mundo, e não perder-se no meio dele. Este “pequeno rebanho” estará disposto a dar a vida para que a Igreja volte a ser o que sempre foi. Deus vult!

João Silveira


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terça-feira, 16 de abril de 2019

Católicos cantam o terço ajoelhados enquanto Notre-Dame arde

Um gesto de grande Fé mesmo no meio da desgraça

Vídeo: LeHuffPost


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A profecia de Nossa Senhora de La Salette sobre França

O trágico incêndio na Catedral de Notre-Dame, em Paris, e a situação instável em França faz-nos lembrar uma profecia feita por Nossa Senhora: 

Paris será incendiada e Marselha submergida; muitas grandes cidades serão abaladas e soterradas por terramotos: acharão que tudo está perdido; não se verão a não ser homicídios, não se ouvirão senão ruídos de armas e blasfémias. 

Os justos sofrerão muito; as suas preces, a sua penitência e as suas lágrimas subirão até o Céu, e todo o povo de Deus pedirá perdão e misericórdia como também a minha ajuda e a minha intercessão.

Nossa Senhora de La Salette (1846)


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segunda-feira, 15 de abril de 2019

A teoria do Big Bang foi proposta por um Padre Católico

Para muitos o pai da teoria do Big Bang chama-se George Gamov, físico russo nacionalizado americano; mas poucos sabem que anos antes já esta teoria, que procura explicar a origem do Universo, tinha sido proposta pelo sacerdote Georges Lemaître.

O Pe. Lemaître nasceu em Charleroi (Bélgica), em 1894. Era filho de um médico e já desde a sua infância se distinguiu pela sua habilidade para as matemáticas e o seu espírito curioso. Essa atracção pelas ciências enriquece com a sua vocação sacerdotal.

Graças aos seus estudos, na década de 1920, teve a intuição de que o universo tinha uma história e se encontrava em evolução; opondo-se assim à concepção de todos os cientistas da época, especialmente Albert Einstein.

Assim, em 1930 propôs um modelo de universo com o nome de universo Lemaître-Einstein ou hipótese do átomo primitivo, que mais tarde foi conhecido como Big Bang. A sua reflexão baseou-se nos dados obtidos pela observação dos espectros de certas galáxias, recentemente descobertas.

Segundo o sacerdote, a história do universo divide-se em três períodos.

O primeiro é chamado “a explosão do átomo primitivo”. Segundo ele, há cinco biliões de anos existia um núcleo de matéria hiper-densa e instável que explodiu sob a forma de uma super-radioactividade. Esta explosão propagou-se durante um bilião de anos e os astrónomos percebem os seus efeitos nos raios cósmicos e nas emissões X.

Depois vem o período de equilíbrio, ou o universo estático de Einstein. Afirma que finalizada a explosão estabelece-se um equilíbrio entre as forças de repulsão cósmicas, na origem do acontecimento, e as forças de gravitação. Durante esta fase de equilíbrio, que dura dois biliões de anos, nascem as estrelas e galáxias.

Finalmente seguem-se os períodos de expansão, iniciados há dois biliões de anos. Afirma que desde aí o Universo se encontra em expansão a uma velocidade de 170 km por segundo, de maneira indefinida.

A sua teoria foi rejeitada nos Estados Unidos, e também por Albert Einstein. O Pe. Lemaître, que nunca procurou honras nem reconhecimento, deixa os seus trabalhos de cosmologia.

Anos depois, em 1948, Gamov propõe uma nova descrição do início do Universo, cujas bases estavam nitidamente presentes na cosmologia do Pe. Lemaître, que foi presidente da Pontifícia Academia das Ciências entre 1960 e 1966.

in acidigital


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