sábado, 30 de abril de 2022

Ajoelhar-se é estranho para a cultura moderna

Ajoelhar-se é um acto estranho para a cultura moderna – enquanto cultura que se afastou da Fé, e já não conhece Aquele diante do qual o estar de joelhos é a postura justa e necessária. 

Quem aprende a crer aprende também a ajoelhar-se. Uma Fé ou uma Liturgia que já não conhece o ajoelhar-se tem o seu núcleo (o seu coração) doente. Nos lugares onde se perdeu, o acto de se ajoelhar deve ser recuperado

Cardeal Ratzinger (Papa Bento XVI) in 'Introdução ao Espírito da Liturgia'


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Carta de Santa Catarina de Sena a um homem em pecado mortal

Em nome de Jesus Cristo crucificado e da amável Maria, caríssimo irmão, eu, Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus Cristo, vos escrevo no Seu precioso sangue, desejosa de vos ver repudiando o pecado mortal.

É que, de outro modo, não podereis receber a graça divina em vossa alma. Mas nem vós, nem qualquer outra pessoa alcançará a graça sem a iluminação divina (da fé), que dê a conhecer a relevância do pecado e o valor da virtude. Ninguém ama o que desconhece.

Assim, é impossível conhecer e amar algo digno de amor ou repudiar algo digno de repúdio, sem a fé. Portanto, precisamos da luz da fé, que é a pupila da nossa inteligência, supondo que o amor-próprio não a tenha obscurecido. Havendo egoismo na alma, cumpre eliminá-lo, para que nosso olhar interior não seja impedido. Através do amor santo, é preciso afastar o perverso amor da sensualidade, que abafa a graça divina na alma e corrompe toda a actividade. Acontece como numa árvore contaminada, cujos frutos são podres. 

A pessoa cheia de amor sensual perde o sentido da gravidade do pecado mortal. Toda a sua actividade se corrompe, desaparece a sua luz interior. Nas trevas, a alma deixa de ver a verdade. Mais ainda, a sensibilidade espiritual e a tendência da alma são prejudicadas, de modo que as coisas boas lhe parecem más e as más parecem boas. Quem foge do amor a Deus e ao próximo, põe a felicidade nos prazeres e orgias deste mundo. E, quando ama alguém, não o faz por causa de Deus, mas para a própria utilidade. Ao contrário, quem eliminou todo o amor sensual ama o Criador acima de tudo e o próximo como a si mesmo. Mas, para chegar a tal amor, é preciso que a inteligência, iluminada (por Deus), reconheça antes o próprio nada, sua dependência de Deus quanto ao ser e a todo o mais que possui.

Apenas então a pessoa se conhece a si mesma, a própria imperfeição, e como Deus é bom. Também condena a própria imperfeição e a sua fonte, que é o egoísmo. Passa a amar a vida virtuosa por amor do Criador, dispõe-se a sofrer toda dificuldade para não ofender a Deus e não prejudicar a vida na virtude. Enfim, orienta todas as suas actividades espirituais e materiais a Deus. Em qualquer estado de vida se encontre, ama e teme o Criador. Assim, se possui riquezas, alta posição social, filhos, parentes e amigos, tudo considera emprestado, não como coisa sua. E tudo usa disciplinadamente, sem abusos.

Vivendo no matrimónio, comporta-se segundo as normas do sacramento e as leis da santa Igreja. Tendo de conviver com outras pessoas e servi-las, age sem interesses pessoais, sem fingimento, livre e comprometida somente com Deus. Ele regulamenta as faculdades da alma e os sentidos corporais: orienta a memória para recordar-se dos benefícios divinos; a inteligência para conhecer qual é a vontade de Deus, que apenas quer a nossa santificação; a vontade, para amar o Criador acima de toda outra coisa. Assim reguladas as faculdades da alma, põe ordem nos sentidos.

É o que vos peço fazer, caríssimo irmão. Organizai vossa vida, procurai compreender a gravidade do pecado e a imensidão da bondade divina. Se o fizerdes, sereis do agrado divino em todas as condições em que vos encontrardes. Sereis uma árvore frutífera de santas e autêntica virtudes. Já neste mundo começareis a gozar as garantias da vida eterna. 

Julgando eu que de nenhum modo poderemos alcançar a paz, a quietude e a graça (divina) sem a iluminação da fé – que nos permite conhecer a nós mesmos, a gravidade do pecado mortal, a bondade divina e o tesouro das virtudes – afirmei que desejava vos ver repudiando o pecado mortal. Espero que assim façais.

Nada mais acrescendo. Permanecei no santo e doce amor de Deus.

Jesus Doce, Jesus amor.


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quinta-feira, 28 de abril de 2022

Descanonização da Santa Gianna Beretta Molla, Mãe de Família

Todo o filho tem o direito de ser gerado pelos pais biológicos, que devem ser casados (e não por técnicos em laboratório), e de por eles, ambos e dois, ser criado e educado.  Este direito óbvio, em virtude da dignidade incomensurável de cada pessoa em qualquer idade, é nos dias que correm espezinhado por legislações torpes e aberrantes, geralmente repudiado pela mentalidade reinante, por grande parte de cristãos e, mesmo, por membros da Hierarquia, um pouco por todo o mundo.

Infelizmente, por diversas circunstâncias, isso - ser criado e educado por ambos, nem sempre é possível ou, pelo menos, torna deficiente a sua realização. Por exemplo, a morte de um dos pais, a prisão prolongada, o serviço militar em terras estrangeiras numa guerra, por tempo indeterminado, uma doença crónica incapacitante, a violência doméstica (psicológica, física ou moral), (o adultério, motivo que pode ser bastante para uma separação, a poligamia), a conjunção poli-amorosa, etc. Tudo isto, é de um modo geral compreendido e aceite pela generalidade das pessoas e em certa medida pela Igreja.

Porém, quando se trata dos filhos (de católicos validamente matrimoniados, que se divorciam pelo civil e “casam” civilmente) que são fruto dessa relação civil, objectivamente adulterina, considera-se um imperativo absoluto a permanência nesse estado, tido como único meio para não cometer uma grave injustiça para com os rebentos. Claro que, se os pais se decidem a viver como irmãos para o maior bem da prole que se quer salvaguardar, é compreensível que partilhem a mesma morada e se entreajudem no cuidar dos filhos. 

Mas naqueles casos em que um quer viver abstinente e o outro não aceita? Deve  aquele que quer, submeter-se à prepotência fornicadora do outro? Evidentemente que não. E nessa circunstância terá que separar-se, terminando definitivamente com a situação objectiva de adultério público e permanente, mas continuando consoante as suas possibilidades a contribuir para a criação dos filhos. Caso contrário deveríamos, por exe., descanonizar e condenar como gravemente injusta a Santa Gianna Beretta Molla.

Esta médica ginecologista era casada e tinha três filhos quando ficou grávida de uma quarta. “ ... (D)escobriu-se (então)que ela tinha um fibroma no útero e ela tinha três opções: retirar o útero doente (o que ocasionaria a morte da criança), abortar o feto ou, a mais arriscada, submeter-se a uma cirurgia perigosa para preservar a gravidez. Gianna (como médica tinha plena consciência do que lhe viria a suceder) não hesitou e disse: "Salvem a criança, pois tem o direito de viver e ser feliz!".” 

A cirurgia ocorreu a 6 de Setembro de 1961. “ ... deu entrada para o parto no hospital de Monza na Sexta-Feira Santa de 1962. No dia seguinte, 21 de abril, nasceu Gianna Emanuela. Sempre fiel, afirmava: "Entre a minha vida e a do meu filho, salvem a criança!". Gianna faleceu no dia 28 de abril de 1962 em casa.”

Perante as alternativas que lhe foram aconselhadas - não só por médicos como por familiares, pelo próprio marido, lembrando-lhe os três filhos que deixaria desamparados da sua presença materna -, a primeira era moralmente lícita, legítima. E, não obstante, pôs em primeiro lugar a filha que trazia dentro em si.

Se não foi gravemente injusto, muito pelo contrário, o abandono previsto mas não desejado a que Santa G. B. M. votou os filhos em virtude da sua entrega magnânima de amor, por que será gravemente injusto um pai o uma mãe entregar-se também com semelhante longanimidade, renunciando a um comportamento gravemente imoral, para não mais ofender a Deus, unir-se a Jesus Cristo e viver em comunhão com o Seu Corpo que é a Igreja - podendo continuar, embora com limitações, acompanhar seus filhos e contribuir para a sua criação? 

Padre Nuno Serras Pereira


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São Paulo da Cruz, fundador dos Passionistas

Paulo Francisco Danei, piemontês, nascido em Ovala em 1694, é o fundador da Congregação dos Clérigos descalços da Santa Cruz e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tão longo era o título que foi imediatamente simplificado pelo povo cristão no nome 'passionista', que traduz o caráter e a própria essência da nova instituição, cujos membros vivem, meditam e pregam a Paixão do Senhor. 

Paulo Francisco Danei, aos 19 anos, ouvindo um sermão sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, decidiu dedicar-se ao Seu serviço e pensou em executar imediatamente o seu programa alistando-se como voluntário no exército que os venezianos estavam montando para uma expedição contra os turcos. Mas a pretensa cruzada tinha em mira só interesses materiais.

Amadureceu a sua verdadeira vocação dedicando-se à oração e à penitência. Alma eminentemente contemplativa, passava até sete horas consecutivas imerso em profunda meditação. Aos 26 anos recebeu do bispo de Alexandria, Gattinara, o hábito preto de penitente com os sinais da Paixão de Cristo: um coração com uma cruz em cima, com três pregos e o monograma de Cristo. Convenceu o irmão João Baptista a unir-se a ele e juntos se retiraram para um ermo no monte Argentauro, próximo a Orbetello. Viveram aí vida eremítica, em duras penitências corporais. Aos Domingos desciam às cidades próximas para pregar a Paixão de Cristo.

A pregação deles, apaixonada e dramática (às vezes flagelavam-se em público para tornar mais viva a imagem de Cristo sofredor), comovia o povo e convertia até os mais refratários. As suas missões, marcadas por uma cruz de madeira, obtiveram resultados surpreendentes. O Papa Bento XIII concedeu-lhes a licença de erigir a congregação e ordenou presbíteros os dois irmãos. A Regra inicial, escrita por Paulo da Cruz, era muito rígida. Paulo, que tinha bastante prestígio junto de Bispos e Papas (em particular por Clemente XIV, que se incluía entre os seus filhos espirituais), teve de mitigar um pouco a antiga Regra dos passionistas para obter a aprovação eclesiástica definitiva.

À congregação masculina logo se agregou a feminina. Paulo morreu com 81 anos, a 18 de Outubro de 1775, no convento romano anexo à igreja dos santos João e Paulo, no monte Célio. Pio IX incluiu-o no elenco dos santos a 28 de Junho de 1867.

in Missal Quotidiano Completo (editado e impresso nas oficinas tipográficas do Mosteiro de São Bento na Bahia a 23 de Dezembro de 1957)


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quarta-feira, 27 de abril de 2022

Como cientista posso afirmar que a homossexualidade não é inata

O Dr. Jokin de Irala, médico e investigador da Universidade de Navarra, explica que a exclusão desta conduta do manual de doenças da APA só aconteceu por simples votação. Questiona o facto de que todos aqueles que criticam o fenómeno sejam considerados homofóbico.

O médico, mestre em saúde pública e especializado em afectividade e sexualidade humana, aponta na entrevista a necessidade de passar para o plano cientifico o debate sobre a homossexualidade. Afirma que ela é um desenvolvimento inadequado da identidade sexual e assegura que é possível a mudança da conduta daqueles que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo.

- Há alguma prova científica de que se nasce homossexual?

- Como cientista diria que a homossexualidade se faz, não é inata. Tem que se dizer que efectivamente não existe nenhuma evidencia cientifica que prove a teoria genética da homossexualidade ou que ela possa ser inata. Os especialistas em homossexualidade que trabalham em associações científicas como a NARTH nos EUA (associação nacional de investigação e terapia da homossexualidade) afirmam que se trata de um desenvolvimento inadequado da identidade homossexual. Assim, deveríamos pelo menos aceitar que o debate científico sobre este tema possa continuar a existir.

- Onde nasce a corrente de pensamento que afirma que é uma opção sexual normal?

- Esta ideia de que uma pessoa nasce homossexual tem a sua origem nos anos 70 quando os ativistas da homossexualidade nos EUA fizeram um grande lobby para que a APA, a Associação Americana de Psiquiatras, tirasse esse assunto do manual de classificação de doenças. Assim, houve uma votação em que votaram 25% dos membros, cujo resultado foi de 69% a favor de retirar a homossexualidade dessa lista. Que eu saiba, é o único exemplo na medicina onde se decide se algo é ou não uma doença através de uma simples votação de quem assiste a uma reunião. Imagine que se fazia uma votação na sociedade espanhola de endocrinologia para se votar a favor ou contra o facto de que a obesidade é um problema de saúde. Isto não tem precedentes. O que temos que fazer é analisar o problema com estudos científicos. 

- É uma conduta que pode ser alterada?

- Há dados científicos, estudos publicados em revistas científicas que mostram que a homossexualidade se pode mudar com uma terapia adequada, inclusive nos EUA onde há associações de ex gays. Muitos deles protestam porque dizem que estes grupos de ativistas não deixam que se saiba que a mudança é possível. Não só não deixam que se saiba como não admitem que alguém possa livremente pedir ajuda. Há, por exemplo, o caso de um juiz de Lombardía (Italia) que declarou ilegal ajudar um homossexual, mesmo que ele peça livremente. Isto é inacreditável. É um atentado contra a autonomia do paciente.

- Em que se baseiam?

- Afirmam que a terapia é quase uma tortura, traumática, com choques elétricos. No entanto, não tem nada a ver com isto, o tratamento é basicamente uma psicoterapia. Não se pode impedir que as pessoas escolham livremente pedir ajuda. Mas é preciso dizer que hoje se utiliza o termo AMS para identificar a atração por pessoas do mesmo sexo, porque uma coisa é alguém se sentir atraído por pessoas do mesmo sexo, outra é que alguém, por causa dessas atrações, acabe a ter relações sexuais de tipo homossexual. O facto de que alguém se sinta traído não significa que seja homossexual, de todo. Aliás, hoje em dia, com o ambiente pró-homossexual envolvente e com a cultura que existe, há muitos casos de jovens que simplesmente têm uma confusão e pedem ajuda.

- Quais seriam as causas desta conduta?

- Há muitas causas possíveis, mas parece que a maioria dos casos de homossexualidade está na falta de identificação com a figura de homem ou de mulher da família. É muito comum o panorama do pai autoritário, passivo, ausente da vida de um rapaz que é sensível e perfecionista; ou de uma mãe muito possessiva do ponto de vista emocional. Este é um dos maiores caminhos que leva à homossexualidade.

- Há outras?

- Outro caminho que é visto em conjunto com este é aquele em que esse rapaz, por exemplo, sensível- o que não é uma coisa má-, é rejeitado na escola pelos do seu sexo devido a essa sensibilidade. Esta rejeição pode conduzir a uma diminuição da autoestima e, por conseguinte, quando chega à puberdade, a uma orientação homossexual. Outra causa é a conhecida ambiguidade da identidade sexual nos adolescentes. É normal que um adolescente, rapaz ou rapariga, possa ter dúvidas sobre a sua identidade sexual, mas essa ambiguidade, bem agarrada, fortalecendo a identidade masculina ou femininas dos jovens, não traz problemas, leva à heterossexualidade. O problema atual é que isto está a ser mal levado e diz-se a esse jovem que o que tem de fazer é “sair do armário”.

- Há problemas de saúde ligados à homossexualidade?

- Sim, a atividade sexual de tipo homossexual acarreta problemas de saúde, alguns dos quais são específicos. Para além dos problemas associados à promiscuidade sexual e às infeções de transmissão sexual, que também há entre heterossexuais promíscuos, existem problemas associados à utilização dos órgãos sexuais sem ter em consideração que o seu “desenho” está orientado à complementaridade entre homem e mulher. 

- Porque é que apesar dos dados científicos se continua a negar o problema?

- Há muitas razões. A primeira é que há desinformação. Muitos profissionais não trabalham com estes dados e só têm em conta o manual da APA. Depois estão as ideologias, os interesses económicos e a realidade do medo. Há profissionais que sabem disto, mas o preço que têm de pagar por afirmá-lo é muito caro. Se em Espanha um psiquiatra pusesse numa placa que é terapeuta da homossexualidade o óbvio é que lhe queimassem a porta do seu consultório podendo acabar sem clientes.

- Onde estaria o equilíbrio?

- O equilíbrio está em reivindicar um respeito incondicional por todas as pessoas com sentimentos homossexuais. Teria que se compatibilizar a ciência com o respeito pela liberdade; deve ser possível o debate científico sobre o tema. Deveria haver a possibilidade de eu, como cientista, poder dar a minha opinião sobre a homossexualidade sem que me chamassem homofóbico só porque tenho uma postura contrária à das organizações gays. 

- Há também muito sentimentalismo neste tema…

- Efectivamente. Por isso é preciso tirar este assunto do sentimento e do afeto. Há quem lhe diga: “O meu filho homossexual é boa pessoa e eu amo-o”. Claro que sim, e está certo, mas isso não tem nada a ver com o que estamos a falar. Não é uma questão de ser boa ou má pessoa, não é uma questão de sentimento. Tu podes e deves amar muito o teu filho homossexual; agora, isso não quer dizer que não possas mostrar que a tua opinião é que tem um problema e que há uma solução possível. É como se o debate sobre os diabetes fosse sobre se os diabéticos são ou não boas pessoas, pois isto é levar o debate para o sentimentalismo.

- Todavia, há medo de discriminar.

-Claro que a discriminação é uma barbaridade, mas isso não quer dizer que tenham o direito de adoptar (Nota de edição: a adopção não é um direito universal. Os adoptados, sim, têm direito a ter pai e mãe, e os candidatos a adoptar devem cumprir certas condições. Nem sequer todos os heterossexuais têm o direito de adoptar), por exemplo. Há que não misturar, este é outro problema. O problema é que hoje se tenta etiquetar de homofóbico qualquer pessoa que simplesmente não tenha a mesma visão da linha da homossexualidade política.

in conapfam.pe


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Profissão de Fé de S. Pedro Canísio SJ contra a heresia protestante

S. Pedro Canísio foi um sacerdote jesuíta holandês, nascido no ano 1521. Foi um forte combatente contra a revolução protestante, especialmente na Alemanha, Áustria e Suiça. O seu trabalho foi especialmente importante na Alemanha, onde se diz que a Fé católica permaneceu graças a este santo. Foi declarado Doutor da Igreja em 1925, pelo Papa Pio XI. A partir de 1571 passou a incluir esta profissão de fé em todos os seus livros:

Professo diante de Vós a minha fé, Pai e Senhor do Céu e da terra, meu Criador e Redentor, minha força e minha salvação, que desde os meus mais tenros anos não cessastes de nutrir-me com o pão sagrado da vossa Palavra e de confortar o meu coração.

A fim de que eu não vagasse, errando como as ovelhas transviadas que não têm pastor, Vós me congregastes no seio de vossa Igreja; colhido, me educastes; educado, continuastes a me ensinar com a voz daqueles Pastores nos quais Vós quereis ser ouvido e obedecido como em pessoa pelos vossos fiéis.

Confesso em alta voz, para a minha salvação, tudo aquilo que os católicos sempre acreditaram de bom direito nos seus corações.; não quero ter nada em comum com eles, porque não falam nem ouvem rectamente, nem possuem a única regra da verdadeira Fé proposta pela Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana.

Uno-me, em vez disso, na comunhão, abraço a fé, sigo a religião e aprovo a doutrina daqueles que ouvem e seguem a Cristo, não apenas quando ensinada nas Escrituras, mas também quando julgada pela boca dos Concílios Ecuménicos e definida pela boca da Cátedra de Pedro, testemunhando-a com a autoridade dos Padres.

Professo-me também filho daquela Igreja Romana que os ímpios blasfemos desprezam, perseguem e abominam como se fosse anticristã; não me afasto de nenhum ponto da sua autoridade, nem me recuso a dar a vida e derramar o meu sangue em sua defesa, e creio que os méritos de Cristo podem obter a minha salvação e a de outros somente na unidade desta mesma Igreja.

Confesso essa Fé e doutrina que aprendi ainda criança, confirmei na juventude, ensinei como adulto, e que agora, com a minha débil força, defendo. Professo francamente, com São Jerónimo, ser uno com quem é uno à Cátedra de Pedro, e protesto, com Santo Ambrósio, seguir em todas as coisas a Igreja Romana que reconheço respeitosamente, com São Cipriano, como raiz e mãe da Igreja universal.

Ao fazer esta profissão, não me move outro motivo senão a glória e honra de Deus, a consciência da verdade, a autoridade das Sagradas Escrituras, o sentimento e o consenso dos Padres da Igreja, o testemunho de fé que devo dar aos meus irmãos e, finalmente, a salvação eterna que espero no Céu e a felicidade prometida aos verdadeiros fiéis.

Se acontecer de eu vir a ser desprezado, maltratado e perseguido por causa desta minha profissão, considerá-lo-ei uma graça e um favor extraordinários, porque isso significará que Vós, meu Deus, me destes a ocasião de sofrer pela justiça e não quereis que me sejam benevolentes aqueles que, como inimigos declarados da Igreja e da verdade católica, não podem ser vossos amigos.

No entanto, perdoai-os, Senhor, porque, instigados pelo diabo e cegados pelo brilho de uma falsa doutrina, não sabem o que fazem, ou não querem saber.

Concedei-me, contudo, esta graça: de que na vida e na morte eu renda sempre um testemunho autêntico da sinceridade e fidelidade que devo a Vós, à Igreja e à verdade, que não me afaste jamais do vosso santo amor, e que esteja em comunhão com aqueles que Vos temem e guardam os vossos preceitos na Santa Igreja Romana, a cujo juízo, com ânimo pronto e respeitoso, eu me submeto e toda a minha obra.

Todos os santos, triunfantes no Céu ou militantes na terra, que estais indissoluvelmente unidos no vínculo da paz na Igreja Católica, mostrai a vossa imensa bondade e rezai por mim.

Vós sois o princípio e o fim de todos os meus bens; a Vós sejam dados, em tudo e por tudo, louvor, honra e glória sempiterna. Ámen.

PF


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terça-feira, 26 de abril de 2022

Benedictio Dei Omnipotentis: Patris et Filii et Spiritus Sancti descendat super vos et maneat semper




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A primeira Missa no Brasil: 26 de Abril do ano 1500

Viu um deles umas contas de rosário, brancas; acenou que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço. Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e de novo para as contas e para o colar do Capitão, como dizendo que dariam ouro por aquilo. (...)

Quando saímos do batel, disse o Capitão que seria bom irmos direitos à Cruz, que estava encostada a uma árvore, junto com o rio, para se erguer amanhã, que é sexta-feira, e que nos puséssemos todos de joelhos e a beijássemos para eles verem o acatamento que lhe tínhamos. E assim fizemos. A esses dez ou doze que aí estavam, acenaram-lhe que fizessem assim, e foram logo todos beijá-la. Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logo cristãos, porque eles, segundo parece, não têm, nem entendem em nenhuma crença. (...)

Enquanto a ficaram fazendo, ele com todos nós outros fomos pela Cruz abaixo do rio, onde ela estava. Dali a trouxemos com esses religiosos e sacerdotes diante cantando, em maneira de procissão. Eram já aí alguns deles, obra de setenta ou oitenta; e, quando nos viram assim vir, alguns se foram meter debaixo dela, para nos ajudar. Passamos o rio, ao longo da praia e fomo-la pôr onde havia de ficar, que será do rio obra de dois tiros de besta. Andando-se ali nisto, vieram bem cento e cinquenta ou mais.

Chantada a Cruz, com as armas e a divisa de Vossa Alteza, que primeiramente lhe pregaram, armaram altar ao pé dela. Ali disse Missa o padre frei Henrique, a qual foi cantada e oficiada por esses já ditos. Ali estiveram connosco cinquenta ou sessenta deles, assentados todos de joelhos, assim como nós.

E quando veio ao Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles se levantaram connosco e alçaram as mãos, ficando assim, até ser acabado; e então tornaram-se a assentar como nós. E quando levantaram a Deus, que nos pusemos de joelhos, eles se puseram assim todos, como nós estávamos com as mãos levantadas, e em tal maneira sossegados, que, certifico a Vossa Alteza, nos fez muita devoção.

Estiveram assim connosco até acabada a comunhão, depois da qual comungaram esses religiosos e sacerdotes e o Capitão com alguns de nós outros. 

Alguns deles, por o sol ser grande, quando estávamos comungando, levantaram-se, e outros estiveram e ficaram. Um deles, homem de cinquenta ou cinquenta e cinco anos, continuou ali com aqueles que ficaram. Esse, estando nós assim, ajuntava estes, que ali ficaram, e ainda chamava outros. E andando assim entre eles falando, lhes acenou com o dedo para o altar e depois apontou o dedo para o Céu, como se lhes dissesse alguma coisa de bem; e nós assim o tomamos. 

Acabada a missa, tirou o padre a vestimenta de cima e ficou em alva; e assim se subiu junto com altar, em uma cadeira. Ali nos pregou do Evangelho e dos Apóstolos, cujo dia hoje é, tratando, ao fim da pregação, deste vosso prosseguimento tão santo e virtuoso, o que nos aumentou a devoção. 

Esses, que à pregação sempre estiveram, quedaram-se como nós olhando para ele. E aquele, que digo, chamava alguns que viessem para ali. Alguns vinham e outros iam-se. E, acabada a pregação, como Nicolau Coelho trouxesse muitas cruzes de estanho com crucifixos, que lhe ficaram ainda da outra vinda, houveram por bem que se lançasse a cada um a sua ao pescoço. Pelo que o padre frei Henrique se assentou ao pé da Cruz e ali, a um por um, lançava a sua atada em um fio ao pescoço, fazendo-lha primeiro beijar e alevantar as mãos. Vinham a isso muitos; e lançaram-nas todas, que seriam obra de quarenta ou cinquenta. 

Pêro Vaz de Caminha, escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral, em carta escrita a El-Rei D.Manuel


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segunda-feira, 25 de abril de 2022

Ladainhas Maiores a 25 de Abril

A Igreja romana conta ainda hoje quatro dias de Rogações: as grandes Ladainhas, a 25 de abril (procissão de São Marcos) e as pequenas Ladainhas, nos três dias que precedem a Ascensão (as Rogações). São dias que a Igreja consagra à prece constante, a fim de implorar a misericórdia de Deus em todas as necessidades temporais e espirituais e particularmente para obter a bênção sobre os frutos da terra.

Na antiga Igreja esses dias de orações eram muitas vezes prescritos. Ora eram regulares e se celebravam anualmente, ora eram extraordinários e prescritos em necessidades particulares como por exemplo para afastar a peste. As Ladainhas maiores datam da época que precedeu a S. Gregório I (cerca do ano 600). Este Papa fixou a sua data em 25 de abril, dia em que, segundo a tradição, S. Pedro chegara pela primeira vez a Roma. Ele instituiu a igreja de S. Pedro como a igreja da estação desse dia litúrgico.

A Roma pagã celebrava nesse dia a “robigália”, procissão em honra de um deus pagão. As Ladainhas substituíram estas festas. A festa de S. Marcos não tem relação com as Ladainhas maiores e só foi marcada, muito depois, para 25 de Abril. A procissão realiza-se por isso neste dia, mesmo quando a festa de S. Marcos é transferida para outro dia.

A cerimónia consiste na procissão das Ladainhas e o ofício da estação que se segue. Na procissão temos um último vestígio das procissões de estação de que os Cristãos de outrora gostavam tanto e que faziam quase quotidianamente durante a Quaresma e a semana de Páscoa. Eles reuniam-se numa igreja chamada igreja da reunião (ecclesia collecta) de onde vem o nome da oração camada Colecta. Dali dirigiam-se em procissão com o Bispo e o clero para uma outra igreja. Durante caminho os fiéis recitavam as ladainhas dos Santos com o Kyrie eleison. A segunda igreja chamava-se igreja da estação (statio). Nela se celebrava-se a Santa Missa.

Os quatro dias das Ladainhas conservaram esse uso venerando que nos é tão caro. Realmente não devemos apenas com perseverança mas também rezar juntos. A essa oração perseverante e em comum, Cristo prometeu a força e o sucesso. Na procissão cantam-se as antigas Ladainhas dos Santos nas quais imploramos para todas as nossas necessidades a intercessão de toda a Igreja triunfante. As Orações finais das Ladainhas são belíssimas e muito edificantes.

Dom Pius Parsch in 'Testemunhas do Cristo' (1951)


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Dia de São Marcos, Apóstolo e Evangelista

São Marcos era filho de Maria de Jerusalém, em cuja casa São Pedro se refugiou depois de ser libertado do cárcere (cf. At 12, 12). Era primo de Barnabé. Acompanhou o São Paulo na sua primeira viagem a Roma (cf. Col 4, 10) e esteve próximo dele durante a sua prisão em Roma (Fm 24). 

Depois, tornou-se discípulo de São Pedro, de cuja pregação se fez intérprete no Evangelho que escreveu (cf. 1 Pe 5, 13). O seu Evangelho é comumente reconhecido como o mais antigo, utilizado e completado por São Mateus e por São Lucas. Parece que também os grandes discursos da primeira parte do Atos dos Apóstolos são uma retomada e desenvolvimento do Evangelho de São Marcos, a partir de Mc 1, 15. É-lhe atribuída a fundação da Igreja de Alexandria. 

São Marcos amava Nosso Senhor sem qualquer reserva; estava maduro para o Martírio. Os seus sucessos e os progressos da Fé exasperavam os pagãos, e em particular os sacerdotes de Serapis. Apoderaram-se dele durante a solenidade da Páscoa do ano 68. Fizeram-no sofrer durante dois dias um horrível suplício, arrastando-o com cordas por terrenos pedregosos dos subúrbios de Buroles; mas o amor é mais forte do que a morte, e o Santo bendizia a Nosso Senhor e dava-Lhe graças por ter sido julgado digno de sofrer por seu amor. 

Durante a noite que separou os dois dias de torturas, o Santo foi reconfortado por visitas celestes. Foi primeiro um Anjo, que lhe disse: "Marcos, servo de Deus e chefe dos ministros de Cristo, no Egipto, o vosso nome está escrito no livro da vida, e as Potências celestes virão em breve procurar-vos para vos conduzirem ao Céu". Depois, apareceu-lhe o próprio Nosso Senhor, como o tinha conhecido na Galileia: "A paz esteja convosco, Marcos Nosso evangelista", diz-lhe; depois desapareceu. Esta palavra de encorajamento bastava. São Marcos foi de novo arrastado e dilacerado pelas pedras, enquanto bendizia a Deus: "Meu Deus, nas vossas mãos entrego a minha alma". 

São Jerónimo in 'A vida de São Marcos Evangelista'


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domingo, 24 de abril de 2022

Dia do Santíssimo Milagre de Santarém

No ano de 1247, vivia em Santarém uma pobre mulher, a quem o marido muito ofendia , andando desencaminhado com outra. Cansada de sofrer, foi pedir a uma bruxa judia que, com os seus feitiços, desse fim à sua sorte.

Prometeu-lhe esta remédio eficaz, para o que necessitava uma Hóstia Consagrada. Depois de naturais hesitações, consentiu no sacrilégio a pobre mulher; foi à Igreja de Santo Estêvão, confessou-se e pediu Comunhão. Recebida a Sagrada Partícula, com suma cautela a tirou da boca, embrulhando-a no véu. Saiu prestes, da Igreja, e encaminhou-se para a casa da feiticeira. Mas, então, sem que ela o notasse, do véu começou a escorrer Sangue, que, visto por várias pessoas, as levou a perguntar à infeliz que ferimentos tinha que tanto sangue jorravam. Confusa em extremo, corre logo para casa, e encerra a Hóstia Miraculosa numa das suas arcas.

Passou o dia, entretanto, e, à tarde, voltou o marido. Alta noite, acordam os dois, e vêem a casa toda resplandecente. Da arca saíam misteriosos raios de luz. Inteirado o homem do acto pecaminoso da mulher, de joelhos, passaram o resto da noite, em adoração.

Mal rompeu o dia, foi o pároco informado do prodígio sobrenatural. Espalhado o sucedido, meia Santarém acorreu pressurosa a contemplar o Milagre. A Sagrada Partícula foi então levada, processionalmente, para a Igreja de Santo Estêvão, onde ficou conservada dentro de uma espécie de custódia feita de cera. Mas, passado tempo, ao abrir-se o Sacrário para expor à adoração dos fiéis o Santo Milagre, como era costume, encontrou-se a cera feita em pedaços, e, com espanto, se viu estar a Sagrada Partícula encerrada numa âmbula de cristal, miraculosamente aparecida.

Esta pequena âmbula foi colocada numa custódia de prata dourada onde ainda hoje se encontra. No ano de 1997, por decisão do 1º Bispo de Santarém, D. António Francisco, a Igreja de Santo Estêvão foi elevada a Santuário do Santíssimo Milagre de Santarém.

in santissimomilagredesantarem.pt


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Domingo Quasimodo

Neste Domingo, a Missa em latim começa com "Quasi modo". Se soa familiar é simplesmente porque se trata do nome do Corcunda de Notre-Dame, a personagem principal do romance 'Notre-Dame de Paris'. Com o recente incêndio na Catedral de Paris voltou a escrever-se sobre essa personagem.

Mas por que razão Victor Hugo chamou "Quasimodo" ao Corcunda mais famoso do Mundo? Simplesmente porque teria sido encontrado no Domingo a seguir ao Domingo de Páscoa, cujo introito começa com: "Quasi modo geniti infantes..." (Como bebés recém-nascidos...), uma passagem da primeira carta de São Pedro.

Este Domingo é tradicionalmente conhecido por "Dominica in Albis". Isto porque as pessoas eram baptizadas no dia de Páscoa e, para comemorar a pureza que tinham na sua alma pelo perdão do pecado original e dos pecados pessoais, usavam uma túnica branca durante toda a semana. O Domingo seguinte era o primeiro dia sem essa túnica branca, por isso dizia-se: "Dominica in Albis Depositis" (Domingo em que se tira a veste branca).

João Silveira


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sábado, 23 de abril de 2022

Sabbato in Albis




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São Jorge, o grande mártir

Devem ter sido espetaculares as circunstâncias da sua morte para que os Orientais lhe tenham sempre chamado "o grande mártir", e para que a sua pessoa se tenha, bem depressa, tornado lendária. Não há culto mais antigo nem mais espalhado. 

Já no Século IV, o Imperador Constantino mandou construir uma igreja em honra a São Jorge. Na Inglaterra, principalmente, o seu culto tornou-se, ainda e é, mais popular. Em 1222 o concílio nacional de Oxónia ou Oxford estabeleceu uma festa de preceito em sua honra.

Nos primeiros anos do Século XV, o arcebispo de Cantuária ordenou que tal festa fosse celebrada com tanta solenidade como o Natal. Antes disso o rei Eduardo III tinha fundado, em 1330, a célebre Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, conhecidos também pelo nome de Cavaleiros da Jarreteira. Vários artistas, como Rafael, Donatello e Carpaccio representaram São Jorge.

No lugar onde esteve içada a bandeira de Portugal, por ocasião da batalha de Aljubarrota, foi construída, em 1388, uma ermida dedicada a São Jorge. Em 1387, por ordem de Dom João I, rei de Portugal, a imagem deste Santo foi incorporada à procissão de Corpus Christi.


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sexta-feira, 22 de abril de 2022

Exorcismos durante o Baptismo no Rito Tradicional

No ritual tradicional, os dois exorcismos propriamente ditos são particularmente explícitos: 

«Exorcizo-te, espírito imundo, em nome do Pai † e do Filho † e do Espírito † Santo, vai-te, retira-te deste servo de Deus: é o mesmo Deus que te comanda, maldito, o mesmo cujos pés caminharam sobre o mar e cuja mão direita susteve Pedro que investia. Por isso, demónio maldito, aceita a tua sentença e dá honra ao Deus vivo e verdadeiro, dá honra a seu Filho Jesus Cristo e ao Espírito Santo, e deixa este servo de Deus...» 

O exorcismo conclui-se então com o traçar do sinal da Cruz: 

«E este sinal da Santa Cruz † que nós traçamos sobre a sua fronte, tu, demónio maldito, nunca ouses violar.» E o segundo exorcismo: 

«Exorcizo-te, espírito imundo, em nome de Deus † Pai todo-poderoso, e em nome do seu Filho Jesus † Cristo, Nosso Senhor e Juiz, e pela virtude do Espírito † Santo; vai-te desta criatura de Deus...»


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quinta-feira, 21 de abril de 2022

Sexta-Feira da Oitava da Páscoa é dia de Abstinência?

Sexta-Feira é um dia tradicionalmente associado à penitência porque foi o dia no qual Nosso Senhor foi crucificado e morreu na cruz para nos salvar. Para nos associarmos, mesmo que pouco, aos sofrimentos de Jesus também nós fazemos sacrifícios nesse dia da semana. Um dos mais antigos é a abstinência da carne, isto é não comer carne à Sexta-Feira.

Na Lei da Igreja esta obrigatoriedade sempre previu excepções. No Código de Direito Canónico de 1917 eram dias de abstinência obrigatória todas as Sextas-Feiras do ano excepto se fosse um dia de preceito, ou seja um dia tão importante que fosse obrigatório ir à Missa: dia de Natal ou dia da Imaculada Conceição, por exemplo. 

No novo Código de Direito Canónico, de 1983, a excepção a essa abstinência das Sextas-Feiras acontece sempre que nesse dia existe uma Solenidade, mesmo que não seja dia de preceito. 

A Oitava da Páscoa, os 8 dias que se seguem ao Domingo de Páscoa, são tratados, liturgicamente, como se fossem a Solenidade do dia de Páscoa. Por isso esta Sexta-Feira, segundo a lei actual, parece não ser de abstinência. 

Legalmente é esta a conclusão lógica, à luz dos cânones actuais. No entanto quem quiser fazer abstinência não perde nada, sabendo que é um costume que vem dos primórdios da Igreja, associando essa penitência ao arrependimento dos seus pecados e pedindo a graça de não voltar a pecar.

João Silveira


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Santo Anselmo, Doutor Magnífico

Anselmo de Aosta, conhecido também como Anselmo da Cantuária — nascido em Aosta, em 1033 ou 1034, e falecido em Cantuária (Canterbury), na Inglaterra, aos 21 de abril de 1109 — foi um Santo, teólogo, filósofo, monge e Arcebispo, um dos máximos expoentes do pensamento cristão medieval. É conhecido sobretudo pelos seus argumentos que provam a existência de Deus. Em particular o chamado argumento ontológico teve importante influência sobre grande parte da filosofia posterior.

O celebérrimo Santo é uma das maiores glórias do Piemonte e da Vale de Aosta, no norte da Itália. A sua mãe, Ermemberga, era uma perfeita mãe de família, enquanto seu pai, Gandolfo, vivia envolvido com seus compromissos seculares. A sua educação foi confiada a um parente, que não soube cuidar bem da saúde do menino. Então, foi confiado aos beneditinos de Aosta. Aos quinze anos, começou a sentir desejo de ser monge, mas o pai não concordou porque lhe queria deixar a sua herança. Graça a isso, os atrativos do mundo e as paixões dominaram o jovem, especialmente após a morte da mãe. O pai — que acabou por morrer monge — tomou aversão pelo filho, e Anselmo decidiu abandonar a família e a Pátria em companhia de um servo.

Depois de três anos entre a Borgonha e a França central, Anselmo foi para Avranches, na Normandia, onde conheceu a Abbaye Notre-Dame du Bec (Abadia de Nossa Senhora de Bec, ou simplesmente Abadia de Bec) e a sua escola, fundada em 1034. Foi até lá para conhecer o prior, Lanfranco de Pavia (famoso por defender a Transubstanciação), e ficar junto dele, como muitos outros clérigos atraídos pela fama de seus conhecimentos. Os progressos nos estudos foram tão surpreendentes que o próprio Lanfranco passou a preferi-lo e até mesmo a fazer-se ajudar por Anselmo no ensino. Assim, o Santo voltou a sentir o desejo de vestir o hábito de monge.

Em 1060, entrou para o seminário beneditino do Bec. Depois de apenas três anos de regular observância mereceu suceder a Lanfranco no cargo de prior e de director da escola, uma vez que este foi designado a governar a Abbaye de Saint'Etienne-de-Caen (Abadia de Santo Estevão de Caen, também conhecida como Abbaye aux Hommes, ou seja, Abadia dos Homens).

Não obstante que as responsabilidades se tivessem multiplicado, o Santo nunca negligenciou a dedicação cada vez maior a Deus e ao estudo, preparando-se, assim, para resolver as mais obscuras questões até então não resolvidas. Não bastando o dia, para aprofundar-se nas Escrituras e nos Padres da Igreja, Anselmo costumava passar parte da noite em oração e corrigindo manuscritos. Podemos ter ideia do seu ensino lendo os opúsculos e os diálogos que deixou, alguns dos quais são verdadeiras pequenas obras de arte pedagógicas e dogmáticas.

Santo Anselmo foi um grande pensador, mas também uma grande director de almas. A fama do seu mosteiro espalhou-se por toda a parte, e atraiu uma elite ávida de ciência e de perfeição religiosa. Ele ocupava-se disso pessoalmente e com cuidado especial. Muitas das suas 447 cartas mostram a arte que possuía de ganhar os corações, adaptando-se à idade de cada um e utilizando modos afáveis.

Quando, a 26 de Agosto de 1078, morreu o Abade São Herluin, fundador da Abadia em 1034, os confrades, unanimemente, designaram Anselmo para suceder-lhe. A agudeza da inteligência, a extraordinária doçura de carácter e a santidade de vida lhe mereceram uma grande ascendência, tanto no mosteiro quanto fora dele. Estreitou relações com o mestre Lanfranco, nomeado Arcebispo de Cantuária em 1070, e colaborou com a organização de alguns mosteiros ingleses: isto permitiu que fosse conhecido pela nobreza do País e apreciado pela corte de Londres.

Em 1076, Anselmo publicou o “Monologion” para atender ao desejo dos monges de meditar sobre a essência divina. Esta sua primeira obra revelou-se uma obra-prima pela densidade e lucidez de pensamento acerca da existência de Deus, os seus atributos e a Trindade. A esta obra seguiu o “Proslogion”, mais célebre que a precedente por causa do muito discutido argumento que excogitou — o argumento ontológico, sob forma de oração contemplativa — para demonstrar a existência do Ser supremo, em substituição dos longos e tediosos raciocínio que havia exposto no “Monologion”. “Deus é o Ser do qual não se pode pensar em um maior; o conceito de tal Ser está emna nossa mente, mas tal Ser deve existir também na realidade, fora da nossa mente, porque, se existisse apenas na mente, poderíamos pensar noutro maior, um, isto é, que existisse não apenas na mente, mas também na realidade fora dela”.

A fama de Anselmo difundiu-se ainda mais por toda a Europa. Era de tal forma venerado e amado em Inglaterra que, no dia 6 de Março de 1093, por causa das pressões dos Bispos, dos Nobres e de todo o povo, foi eleito pelo Rei Guilherme II, o Ruivo, como Arcebispo de Cantuária, cuja Sé estava vacante por causa da morte de Lanfranco em 1089. Anselmo resistiu tenazmente, mas foi inútil, e, referindo-se às dificuldades de entendimento entre o Rei e o Primaz, afirmou, como os Bispos e os Nobres que o acompanhavam: “Vós quereis subjugar juntos um touro não domado e uma pobre ovelha. O touro arrastará a ovelha para os arbustos e a fará em pedaços sem que tenha tido qualquer utilidade. A vossa alegria tornar-se-á em tristeza. Vereis a igreja de Cantuária voltar à viuvez vivente do seu pastor. Nenhum de vocês ousará resistir, depois de mim, e o rei pisotear-vos-á a seu bel prazer”.

A situação da Igreja inglesa era efectivamente muito triste naquele período, por causa da simonia, da decadência dos costumes e da violação da liberdade religiosa (verdadeira) por parte do rei. Santo Anselmo tentou remediar a tudo isso, na esteira da reforma adotada por São Gregório VII, promovendo a reforma do clero, as formas tradicionais do culto e da liturgia, lutando ardorosamente pela liberdade da Igreja na Inglaterra, o que lhe acarretou não poucos dissabores e o exílio por duas vezes. Não surpreendeu, portanto, que, em 1095, tivesse rebentado entre a autoridade secular e a autoridade religiosa um grave conflito acerca do reconhecimento do Papa Beato Urbano II. 

Nada foi capaz de demover o Arcebispo e fazê-lo mudar de ideias. E, depois de muitas dificuldades, em 1097, pôde ir a Roma para consultar o próprio Papa. Este recebeu-o com grandes manifestações de estima e, em 1098, o enviou ao Segundo Concílio de Bari, convocado para reconduzir à unidade da Igreja os que tinham aderido ao Grande Cisma do Oriente, de 1054. Nas questões discutidas, Anselmo foi o teólogo dos latinos, confutando vitoriosamente as objecções dos adversários contra a procedência do Espírito Santo das duas outras pessoas da Santíssima Trindade. 

Em 1099, Anselmo tomou parte também do Sínodo de Roma, no qual foram reafirmados os decretos contra a simonia, o concubinato dos clérigos e a reinvestitura leiga (A investidura leiga era a nomeação de bispos, abades e outros oficiais da Igreja por senhores feudais e vassalos). Depois, partiu para Lyon, onde foi obrigado a ficar porque o Rei não o autorizava a voltar à sua Sé. Na Itália, havia completado o seu grande tratado sobre os “Motivos da Encarnação”. Em Lyon, terminou outro: “Da Concepção Virginal e Do Pecado Original”.

Em 1110, Henrique Beauclerc (Henrique I da Inglaterra) sucedeu ao seu irmão Guilherme no trono inglês e, desejando ter o Arcebispo da Cantuária entre os que o apoiavam, o convidou a voltar. O novo soberano não tinha, porém, intenção alguma de renunciar ao domínio sobre a Igreja, motivo pelo qual, em 1103, Anselmo, inflexível na defesa dos seus direitos, teve que ir uma segunda vez a Roma, em exílio. Após longas tratactivas com o novo Papa Pascoal II, o soberano renunciou, enfim, à investidura dos feudos eclesiásticos, contentando-se apenas com a homenagem.

Em 1106, o Primaz pôde retornar à sua Sé e dedicar ao intenso trabalho pastoral os últimos anos de sua vida. Não podendo mais caminhar, se fazia transportar diariamente à igreja para assistir à Missa. No leito de morte, lamentou apenas não ter tido tempo de esclarecer o problema da origem da alma.

Santo Anselmo morreu no dia 21 de Abril de 1109, em Cantuária, e foi sepultado na célebre catedral. O Papa Alexandre III, em 1163, concedeu ao Arcebispo São Tomás Becket de proceder à "elevação" do corpo do seu predecessor, acto que à época correspondia, para todos os efeitos, a uma canonização.

Santo Anselmo de Aosta foi, enfim, declarado Doutor da Igreja por Clemente XI, a 8 de Fevereiro de 1720. O Martyrologium Romanum e o Calendário litúrgico da Igreja Universal comemoram o Santo no aniversário de seu nascimento ao Céu.

in Pale Ideas


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quarta-feira, 20 de abril de 2022

Victimæ Paschali Laudes: o hino cantado durante a Oitava da Páscoa



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Quarta-Feira na Oitava da Páscoa: Bênção dos Agnus Dei

Hoje, Quarta-Feira na Oitava da Páscoa, é o dia em que em Roma os papas benziam os Agni Dei (Agnus Dei no singular), habitualmente no primeiro ano de pontificado e depois de 7 em 7 anos.

O Agnus Dei é um antiquíssimo sacramental (talvez o mais antigo da Igreja), com referências históricas até pelo menos o séc. VI, feito da cera de Círios Pascais passados, tendo de um lado a imagem do Cordeiro de Deus, donde lhe vem o nome, e no reverso uma imagem pia. Um dos conhecidos efeitos associados a esta devoção é a protecção contra doenças e contra pestes e epidemias (algo que até nos parece apropriado, hoje).

Não se trata dum qualquer amuleto ao qual associamos superstição. Trata-se dum sacramental, cuja primeira função é lembrar-nos de Deus e do Seu lugar nas nossas vidas, podendo assim ser veículo de Graça, através das bênçãos concedidas ao Agnus Dei e das orações do Papa que o consagrou.

Como no Círio Pascal, a cera tipifica a carne virginal do Senhor, o cordeiro com a cruz a ideia da vítima oferecida em sacrifício e, como o sangue do cordeiro pascal protegeu cada casa do anjo da morte, também o propósito deste sacramental é proteger quem o tem de toda a influência maligna. Nas orações de bênção encontramos referência directa ao perigo das tempestades, da peste, dos incêndios, das cheias e ainda dos perigos a que as mulheres estão expostas na gravidez e parto.


Na imagem, o meu Agnus Dei (oferecido por um caro amigo), consagrado pelo Papa Leão XIII (tanto quanto se consegue perceber) em 1894.

PF


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terça-feira, 19 de abril de 2022

"Temos falta de acólitos"

 
Algo que nunca foi dito onde se celebra a Missa Tradicional.



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Páscoa em Nova Iorque: 3 cruzes nos arranha-céus

Em 1956 a Páscoa foi celebrada na zona financeira de Manhattan com 3 arranha-céus iluminados, representando as 3 cruzes do Calvário. Foi apenas há 66 anos, mas hoje em dia isto seria impensável, graças à perseguição que está a ser feita no Ocidente aos símbolos cristãos.

Rezemos pelos que consideram ofensiva a imagem de Deus que morre numa cruz para salvar os homens.





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segunda-feira, 18 de abril de 2022

Páscoa no Vaticano em 1946



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Como rezar o Regina Caeli

Durante o tempo pascal, que vai do Domingo de Páscoa até ao Pentecostes, em vez da Oração do Anjo (Angelus) reza-se o Regina Caeli, para sublinhar a alegria cristã pela ressurreição de Nosso Senhor.

Português:

V. Rainha do Céu, alegrai-vos, Aleluia!
R. Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso ventre, Aleluia!
V. Ressuscitou como disse, Aleluia!
R. Rogai por nós a Deus, Aleluia!
V. Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria, Aleluia!
R. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!

Oremos. Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, concedei-nos, Vos suplicamos, a graça de alcançarmos pela protecção da Virgem Maria, Sua Mãe, a glória da vida eterna. Pelo mesmo Cristo Nosso Senhor. Ámen.

Latim:

V. Regina caeli, laetare, alleluia.
R. Quia quem meruisti portare, alleluia.
V. Resurrexit, sicut dixit, alleluia.
R. Ora pro nobis Deum, alleluia.
V. Gaude et laetare, Virgo Maria, alleluia.
R. Quia surrexit Dominus vere, alleluia.


Oremus. Deus, qui per resurrectionem Filii tui, Domini nostri Iesu Christi, mundum laetificare dignatus es: praesta, quaesumus; ut per eius Genetricem Virginem Mariam, perpetuae capiamus gaudia vitae. Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.



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