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sábado, 11 de julho de 2026

Conselhos de São Bento aos seus monges

É este zelo que, com ardentíssimo amor, devem exercitar os monges:

1. Antecipem-se uns aos outros na estima recíproca;
2. Suportem com muita paciência as vossas enfermidades, físicas ou morais;
3. Rivalizem em prestar mútua obediência;
4. Ninguém procure o que julga útil para si, mas antes o que o é para os outros;
5. Amem-se mutuamente com pura caridade fraterna;
6. Vivam sempre no temor e no amor de Deus;
7. Amem o vosso abade com sincera e humilde caridade; 
8. Nada absolutamente anteponham a Cristo, que nos conduza todos juntos à vida eterna.


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sábado, 21 de março de 2026

Transitus Patris nostri Benedicti

Passam hoje 1479 da morte de São Bento, Pai do monaquismo no Ocidente e Padroeiro da Europa - os mosteiros beneditinos foram essenciais na edificação do Velho Continente.

Nesta pintura foi imortalizado o episódio em que São Bento destruiu ídolos pagãos. Perto de Monte Cassino, havia capela antiga onde as pessoas iam prestar culto ao deus Apolo. Por causa disso, a floresta circundante estava repleta de demónios.

O Santo Abade entrou na capela, destruiu a estátua do ídolo e o altar onde era oferecido o culto pagão. Em seguida, pegou fogo à floresta infestada pelos demónios. Por fim, transformou a capela num oratório dedicado a São João. Graças a isto e à pregação de São Bento aquela gente converteu-se à Fé Católica.

Estes grandes santos tinham uma abordagem firme em relação ao diálogo inter-religioso. Pelos vistos resultava.

São Bento, rogai por nós.

(Esta obra de Juan Andrés Rizi, monge beneditino, pode ser admirada no Museu do Prado)


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sábado, 17 de janeiro de 2026

Santo Antão, Pai do Monaquismo Oriental

Um dia em que os monges estavam todos reunidos junto de António para ouvir as suas palavras, ele disse-lhes, com a segurança com que fala um profeta: «As Sagradas Escrituras são suficientes para a nossa instrução; no entanto, é bom encorajarmo-nos mutuamente na fé e estimularmo-nos uns aos outros com palavras. Portanto, vós trazeis filialmente ao vosso pai o que sabeis; e eu, vosso irmão mais velho, transmito-vos aquilo de que tenho alguma experiência.

Em primeiro lugar, esforcemo-nos, todos juntos, por não abrandar, depois de termos começado bem, por não desanimar diante das dificuldades, dizendo: já vivemos há muito tempo na ascese. Pelo contrário, aumentemos todos os dias o nosso ardor, como se estivéssemos a começar. Pois a vida do homem é muito curta, comparada com os séculos vindouros, e o tempo presente nada é, em comparação com a vida eterna. Neste mundo, tudo se vende pelo seu valor ou se troca por outra coisa do mesmo preço; mas a promessa da vida eterna compra-se por pouco.

Tendo lutado na Terra, não receberemos uma herança terrena, mas uma herança celestial; e, quando deixarmos este corpo corruptível, retomá-lo-emos, mas incorruptível. Portanto, filhos bem-amados, não desanimemos, nem achemos que ainda temos muito tempo, pensando que já fazemos muito, pois «os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que há de revelar-se em nós» (Rm 8,18); mas permaneçamos firmes na ascese, fugindo da acédia, pois o Senhor colabora connosco, como está escrito: «Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam» (Rm 8,28).

Santo Atanásio in 'Vida de Santo Antão' 16-20


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terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Congregação de Beneditinas cresce e prepara mudança para Abadia histórica


As monjas beneditinas do Mosteiro de Maria, Rainha dos Apóstolos, em Gower, Missouri, vão ocupar a Abadia de Colwich, em Staffordshire, Inglaterra.

Inicialmente, as freiras estabeleceram aí uma residência temporária para as irmãs europeias que não conseguiam obter vistos para os Estados Unidos, mas agora compraram a propriedade.

As freiras seguem a liturgia em rito romano tradicional. Por isso, o seu crescimento foi rápido. Depois de terem ultrapassado o tamanho do seu mosteiro-mãe em Gower, expandiram-se para outro em Ava, no mesmo estado.

Agora, a comunidade está em vias de abrir mais duas casas religiosas: uma em Evansville, Indiana, e outra em Inglaterra.

in gloria.tv


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segunda-feira, 21 de outubro de 2024

A vida épica de São Hilarião, Abade

Hilarião nasceu de pagãos em Tabatha, na Palestina, por volta do ano 291 da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi enviado para estudar em Alexandria, onde adquiriu boa reputação por causa da sua vida e inteligência. Aí abraçou a religião de Jesus Cristo e fez grandes progressos na fé e no amor. 

Ia com frequência à Igreja, era cuidadoso no jejum e na oração, e não dava valor aos prazeres e luxúrias do mundo. Quando o nome de Santo Antão se tornou famoso no Egipto, Hilarião fez uma viagem ao deserto com o propósito de o ver. Ali permaneceu dois meses com ele, a fim de aprender o seu modo de vida, e depois voltou para casa. 

Depois da morte de seu pai e de sua mãe, deu tudo o que tinha aos pobres. Antes de completar o décimo quinto ano de idade, foi para o deserto e construiu ali uma pequena casa, que mal dava para ele, e onde costumava dormir no chão. O pedaço de pano de saco com que se vestia nunca o lavava nem o mudava, dizendo que o pano de cabelo era uma coisa que não valia a pena limpar. Tinha grande interesse em ler e meditar as Sagradas Escrituras. 

A sua alimentação consistia nuns poucos figos e numas papas de legumes, que não comia antes do pôr do sol. O seu domínio de si e a sua humildade eram inacreditáveis. Com estas e outras armas, venceu diversos e temíveis ataques do demónio e expulsou inúmeros espíritos malignos dos corpos dos homens em muitas partes do Mundo. 

Construiu muitos mosteiros e ficou famoso pelos milagres. Aos 80 anos adoeceu. Perto do último suspiro, disse: “Sai, porque receias? Sai, alma minha! Por que te encolhes? Serviste duramente a Cristo durante 70 anos e tens medo da morte?" E, com estas palavras, expirou.

in Breviário Romano


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segunda-feira, 15 de julho de 2024

Novo Abade de Núrcia: "Preparemo-nos para um longo inverno na Igreja"









O Mosteiro Beneditino de Núrcia celebrou dois importantes eventos em Junho. A 15 de Junho, com mais de 1200 amigos, o mosteiro celebrou o vigésimo quinto aniversário da comunidade beneditina e a inauguração da nova abadia.

A 29 de Junho, festa dos Santos Pedro e Paulo, o Mons. James Conley, Bispo de Lincoln (Nebraska, EUA) abençoou solenemente o primeiro abade, Dom Benedict Nivakoff.

O Abade Nivakoff falou a MessaInLatino.it da sua experiência de vida monástica: "Só quando se está realmente disposto a perder tudo é que se pode receber, e o que se recebe nem sempre é o que se quer.

E: "Há muito tempo que nos preparamos para a nova Primavera da Igreja, mas pelo menos em termos de números - que também eram importantes para Jesus Cristo, porque nos disse para baptizar todas as Nações - o longo Inverno ainda nos persegue".

O Abade Nivakoff quer recomeçar a partir da cruz de Cristo e do túmulo vazio: "Unindo os nossos sofrimentos aos dos primeiros discípulos, cujas esperanças de um triunfo mundano aparentemente não se concretizaram, podemos aprender a colocar a nossa confiança não nos homens, mas em Deus".

"Só Ele pode realizar a ressurreição da Igreja, mas talvez só depois de termos aceite perder tudo".

in gloria.tv


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terça-feira, 25 de junho de 2024

O importante papel do portador de lanterna durante o canto das Matinas

Ficar acordado durante as longas leituras dos Nocturnos (NT: as Matinas estão divididas em vários Nocturnos) era, evidentemente, um problema nos Mosteiros. O costume de Cluny prevê que um portador de lanterna perambule pelo coro para se certificar de que todos estão acordados. Se ele se depara com um monge que adormeceu durante as orações, não fala, apenas move suavemente a lanterna para frente e para trás perto do seu rosto até que acorde.

C.H. Lawrence in 'Medieval Monasticism'


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quarta-feira, 29 de maio de 2024

Mosteiro Beneditino de Núrcia passa a ser uma Abadia

O mosteiro beneditino de Núrcia (Itália), fundado há 25 anos com Rito Tradicional, foi canonicamente elevado ao estatuto de abadia, anunciaram os monges.

O actual prior, Dom Bento Nivakoff, foi eleito abade a 28 de Maio. É o primeiro abade de Núrcia desde 1792, data da morte do abade Benedetto Cipriani.

O Padre Cassian Folsom, fundador dos monges beneditinos de Núrcia, conheceu a Missa Tradicional nos anos 90, quando visitou o mosteiro benedictiono de Le Barroux, em França. A comunidade está a crescer e as instalações do mosteiro, agora abadia, estão a ser ampliadas.



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sábado, 11 de maio de 2024

Qual é a utilidade de ter gente fechada em celas a rezar?

A Ordem dos Cartuxos, fundada por São Bruno, tem como base uma vida de solidão, silêncio e oração. É assim que nos próprios Estatutos a Ordem define a sua missão no Mundo:

Quanta utilidade e gozo divino trazem consigo a solidão e o silêncio do deserto a quem os ama, só o sabe quem o experimentou. Mas esta melhor parte não a elegemos unicamente para nosso próprio proveito. Ao abraçar a vida oculta não abandonamos à família humana, senão que, consagrando-nos exclusivamente a Deus cumprimos uma missão na Igreja onde o visível está ordenado ao invisível, a acção à contemplação.

Se realmente estamos unidos a Deus, não nos encerramos em nós mesmos, pelo contrário, a nossa mente abre-se e o nosso coração dilata-se; de tal forma que possa abarcar o universo inteiro e o mistério salvador de Cristo. Separados de todos unimo-nos a todos para, em nome de todos, permanecer na presença do Deus vivo. Esta forma de vida que, quanto o permite a condição humana, orienta-se a Deus de forma directa e contínua, põe-nos num contacto peculiar com a bem-aventurada Virgem Maria, à que costumamos chamar Mãe singular dos Cartuxos.

Tendendo pela nossa Profissão unicamente para Aquele que é, damos testemunho perante um mundo demasiado implicado nas coisas terrenas, de que fora d'Ele não há Deus. A nossa vida manifesta que os bens celestiais estão presentes já neste mundo, preanuncia a ressurreição e antecipa de algum modo a renovação do mundo.

Por fim, pela penitência tomamos parte na obra redentora de Cristo, que sobretudo com a oração ao Pai e a Sua imolação salvou o género humano cativo e oprimido pelo pecado. Assim, procurando associar-nos a este aspecto mais profundo da Redenção de Cristo, apesar de nos abstermos da actividade exterior, exercemos o apostolado de maneira eminente.

Por isso, entregando-nos à quietude da cela e o trabalhando oferecemos a Deus um culto incessante em Seu louvor, para o qual foi especialmente instituída a Ordem eremítica da Cartuxa, a fim de que, santificados na verdade, sejamos os verdadeiros adoradores que o Pai pretende.

in Estatutos da Ordem dos Cartuxos, 34


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sábado, 27 de abril de 2024

Os Cartuxos limitam a sua produção

No ano passado, os monges cartuxos anunciaram que não iriam acompanhar a procura do mercado para os seus produtos, que são principalmente licores e produtos à base de plantas.

A casa-mãe dos Cartuxos é La Grande Chartreuse, perto de Grenoble, em França. Em 1605, os monges de La Grande Chartreuse receberam um misterioso pergaminho que continha a receita do que viria a ser o licor Grande Chartreuse, à base de 130 plantas.

No século XVIII, o Chartreuse verte e o Chartreuse jaune foram produzidos pela primeira vez. Os licores Chartreuse tornaram-se rapidamente um grande sucesso. O Chartreuse jaune ficou conhecido como a "rainha dos licores". Outro produto famoso é o Élixir Végétal.

Actualmente, vivem trinta monges no Grande Chartreuse, mas apenas três deles conhecem o segredo do fabrico dos licores Chartreuse. A venda destes produtos permite apoiar financeiramente o Grande Chartreuse e todos os mosteiros cartuxos do mundo.

Em 2022, a Chartreuse Diffusion, a empresa que comercializa os produtos, vendeu 1,6 milhões de garrafas. Mas depois, em 2023, os cartuxos puseram fim ao "crescimento infinito" e limitaram o volume produzido anualmente a 1,2 milhões de litros, porque a principal tarefa dos cartuxos é a oração solitária.

No entanto, em 2023, os Cartuxos lançaram quatro novos chás de ervas. No futuro, seguir-se-ão produtos de aromaterapia e de fitoterapia.



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quinta-feira, 21 de março de 2024

Os monges beneditinos de Núrcia

No Jubileu do ano 2000, os monges de Núrcia levaram uma vida nova para o local de nascimento de São Bento. Armados apenas com a sua fé e o seu zelo, fundaram uma comunidade monástica que vem atraindo os homens de todo o mundo a seguir antiga regra de São Bento. Este documentário foi produzido depois de muitos pedidos dos seus amigos para terem uma visão sobre o funcionamento interno da vida no mosteiro.



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quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Santo Atanásio descreve a vida e tentações de Santo Antão

Antão foi egípcio de nascimento. Os seus pais eram de boa linhagem e abastados. Como eram cristãos, também o menino cresceu como cristão. Depois da morte dos seus pais ficou só com a sua única irmã, muito mais jovem. Tinha então uns dezoito a vinte anos, e tomou cuidado da casa e de sua irmã. Menos de seis meses depois da morte de seus pais, ia, como de costume, a caminho da igreja. Enquanto caminhava, ia meditando e reflectia como os apóstolos deixaram tudo, e seguiram o Salvador (Mt 4,20;19,27); como, segundo se refere nos Actos (4,35-37), os fiéis vendiam o que tinham e o punham aos pés dos Apóstolos para distribuição entre os necessitados, e quão grande é a esperança prometida nos céus para os que assim fazem (Ef 1,18; Col 1,5). 

Pensando estas coisas, entrou na igreja. Aconteceu que nesse momento se estava lendo o evangelho, e ouviu a passagem em que o Senhor disse ao jovem rico: "Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres, depois vem, segue-me e terás um tesouro no céu " (Mt 19,21). Como se Deus lhe houvera proposto a lembrança dos santos, e como se a leitura houvesse sido dirigida especialmente a ele, Antão saiu imediatamente da igreja e deu a propriedade que tinha de seus antepassados: trezentas "aruras", terra muito fértil e formosa. 

Não quis que nem ele nem sua irmã tivessem algo que ver com ela. Vendeu tudo o mais, os bens móveis que possuía, e entregou aos pobres a considerável soma recebida, deixando só um pouco para sua irmã. De novo, porém, entrando na igreja, ouviu aquela palavra do Senhor no evangelho: "Não se preocupem do amanhã" (Mt 6,34). Não pôde suportar maior espera, mas foi e distribuiu aos pobres também este pouco. Colocou sua irmã entre virgens conhecidas e de confiança, entregando-a para que a educassem.

Então dedicou todo o seu tempo à vida ascética, atento a si mesmo e vivendo de renúncia a si mesmo, perto de sua própria casa. Ainda não existiam tantas celas monásticas no Egipto, e nenhum monge conhecia sequer o longínquo deserto. Todo o que desejava enfrentar-se consigo mesmo, servindo a Cristo, praticava sozinho a vida ascética, não longe de sua aldeia. Naquele tempo havia na aldeia vizinha um ancião que desde sua juventude levava na solidão a vida ascética. Quando Antão o viu, "teve zelo pelo bem" (Gl 4,18), e se estabeleceu imediatamente na vizinhança da cidade. 

Desde então, quando ouvia que em alguma parte havia uma alma esforçada, ia, como sábia abelha, buscá-la e não voltava sem havê-la visto; só depois de haver recebido, por assim dizer, provisões para sua jornada de virtude, regressava. Aí, pois, passou o tempo de sua iniciação, se afirmou sua determinação de não voltar à casa de seus pais nem de pensar em seus parentes, mas a dedicar todas as suas inclinações e energias à prática contínua da via ascética. Fazia trabalho manual pois tinha ouvido que "o que não quer trabalhar não tem direito de comer" (2 Ts 3,10). Do que recebia guardava algo para sua manutenção e o resto dava-o aos pobres. Orava constantemente, tendo aprendido que devemos orar em privado (Mt 6,6) sem cessar (Lc 18,1; 21,36; 1 Ts 5,17). Além disso, estava tão atento à leitura da Sagrada Escritura, que nada se lhe escapava: retinha tudo, e assim a sua memória lhe servia de livro.

Mas o demónio, que odeia e inveja o bem, não podia ver tal resolução num jovem, e pôs-se a empregar suas velhas tácticas também contra ele. Primeiro tratou de fazê-lo desertar da vida ascética recordando-lhe sua propriedade, o cuidado da sua irmã, os apegos da parentela, o amor do dinheiro, o amor à glória, os inumeráveis prazeres da mesa e todas as demais coisas agradáveis da vida. Finalmente apresentou-lhe a austeridade e tudo o que se segue a essa virtude, sugerindo-lhe que o corpo é fraco e o tempo é longo. 

Em resumo, despertou em sua mente toda uma nuvem de argumentos, procurando fazê-lo abandonar seu firme propósito. O inimigo viu, no entanto, que era impotente em face da determinação de Antão, e que antes era ele que estava sendo vencido pela firmeza do homem, derrotado por sua sólida fé e sua constante oração. Pôs então toda a sua confiança nas armas que estão "nos músculos de seu ventre" (Jo 40,16). Jactando-se delas, pois são sua preferida artimanha contra os jovens, atacou o jovem molestando-o de noite e instigando-o de dia, de tal modo que até os que viam Antão podiam aperceber-se da luta que se travava entre os dois. 

O inimigo queria sugerir-lhe pensamentos baixos, mas ele os dissipava com orações; procurava incitá-lo ao prazer, mas Antão, envergonhado, cingia seu corpo com sua fé, orações e jejuns. Atreveu-se então o perverso demónio a disfarçar-se em mulher e fazer-se passar por ela em todas as formas possíveis durante a noite, só para enganar a Antão. Mas ele encheu seus pensamentos de Cristo, reflectiu sobre a nobreza da alma criada por Ele, e sua espiritualidade, e assim apagou o carvão ardente da tentação. E quando de novo o inimigo lhe sugeriu o encanto sedutor do prazer, Antão, enfadado com razão, e entristecido, manteve seus propósitos com a ameaça do fogo e dos vermes (cf Jd 16,21; Sir 7,19; Is 66,24; Mc 9,48) (20). Sustentando isto no alto, como escudo, passou por tudo sem se dobrar.

Toda essa experiência levou o inimigo a envergonhar-se. Em verdade, ele, que pensara ser como Deus, fez-se louco ante a resistência de um homem. Ele, que na sua presunção desdenhava carne e sangue, foi agora derrotado por um homem de carne em sua carne. Verdadeiramente o Senhor trabalhava com este homem, Ele que por nós tornou-Se carne e deu ao Seu corpo a vitória sobre o demónio. Assim, todos os que combatem seriamente podem dizer: "Não eu, mas a graça de Deus comigo" (1 Cor 15,10). 

Finalmente, quando o dragão não pôde conquistar Antão nem por estes últimos meios, mas viu-se arrojado de seu coração, rangendo os seus dentes, como diz a Escritura (Mc 9,17), mudou, por assim dizer, sua pessoa. Tal como é seu coração, assim lhe apareceu: como um moço preto; e como inclinando-se diante dele, já não o molestou com pensamentos - pois o impostor tinha sido lançado fora - mas usando voz humana disse-lhe: "A muitos enganei e venci; mas agora que te ataquei a ti e a teus esforços como o fiz com tantos outros, mostrei-me demasiadamente fraco". "Quem és tu que me falas assim?", perguntou-lhe Antão. Apressou-se o outro a replicar com a voz lastimosa: "Sou o amante da fornicação. A minha missão é espreitar a juventude e seduzi-la; chamam-me o espírito de fornicação. A quantos eu enganei, decididos que estavam a cuidar de seus sentidos! A quantas pessoas castas seduzi com minhas lisonjas! 

Eu sou aquele por cuja causa o profeta censura os decaídos: "Foram enganados pelos espírito da fornicação" (Os 4,12). Sim, fui eu que os levei à queda. Fui eu que tanto te molestei e tão a miúde fui vencido por ti". Antão deu, pois, graças ao Senhor e armando-se de coragem contra ele, disse: "És então inteiramente desprezível; és negro em tua alma e tão débil como um menino. Doravante já não me causas nenhuma preocupação, porque o Senhor está comigo e me auxilia: verei a derrota de meus adversários" (Sl 117, 7). Ouvindo isto, o negro desapareceu imediatamente, inclinando-se a tais palavras e temendo acercar-se do homem.

Assim dominou-se Antão a si mesmo. Decidiu então mudar-se para os sepulcros que se achavam a certa distância da aldeia. Pediu a um dos seus familiares que lhe levasse pão a longos intervalos. Entrou, pois, em uma das tumbas; o mencionado homem fechou a porta atrás dele, e assim ficou dentro sozinho. Isto era mais do que o inimigo podia suportar, pois em verdade temia que agora fosse encher também o deserto com a vida ascética. Assim chegou uma noite com um grande número de demónios e o açoitou tão implacavelmente que ficou lançado no chão, sem fala pela dor. 

Afirmava que a dor era tão forte que os golpes não podiam ter sido infligidos por homem algum para causar semelhante tormento. Pela Providência de Deus - porque o Senhor não abandona os que nele esperam - seu parente chegou no dia seguinte trazendo-lhe pão. Quando abriu a porta e o viu atirado no chão como morto, levantou-o e o levou até a igreja da aldeia e o depositou sobre o solo. Muitos de seus parentes e da gente da aldeia sentaram-se em volta de Antão como para velar um cadáver. Mas pela meia-noite Antão recobrou o conhecimento e despertou. Quando viu que todos estavam dormindo e só seu amigo se achava desperto, fez-lhe sinais para que se aproximasse e pediu-lhe que o levantasse e levasse de novo para os sepulcros, sem despertar ninguém. O homem levou-o de volta, a porta foi trancada como antes e de novo ficou dentro, sozinho. 

Pelos golpes recebidos estava demasiado fraco para manter-se de pé; orava então, estendido no solo. Terminada sua oração, gritou: "Aqui estou eu, Antão, que não me acovardei com teus golpes, e ainda que mais me dês, nada me separará do amor de Cristo (Rm 8,35). E começou a cantar: "Se um exército se acampar contra mim, meu coração não temerá" (Sl 26,3). Tais eram os pensamentos e palavras do asceta, mas o que odeia o bem, o inimigo assombrado de que depois de todos os golpes ainda tivesse valor para voltar, chamou seus cães e arrebatado de raiva disse: "Vêem vocês que não pudemos deter esse tipo nem com o espírito de fornicação nem com os golpes; ao contrário, chega até a desafiar-nos. Vamos proceder contra ele de outro modo". A função de malfeitor não é difícil para o demónio. 

Essa noite, por isso, fizeram tal estrépito que o lugar parecia sacudido por um terremoto. Era como se os demónios abrissem passagens pelas quatro paredes do recinto, invadindo impetuosamente através delas em forma de bestas ferozes e répteis. De repente todo o lugar se encheu de imagens fantasmagóricas de leões, ursos, leopardos, touros, serpentes, víboras, escorpiões e lobos; cada qual se movia segundo o exemplar que havia assumido. O leão rugia, pronto a saltar sobre ele; o touro, quase a atravessá-lo com os chifres; a serpente retorcia-se sem o alcançar completamente; o lobo acometia-o de frente. E a gritaria armada simultaneamente por todas essas aparições era espantosa, e a fúria que mostravam, feroz. 

Antão, atormentado e pungido por eles, sentia aumentar a dor em seu corpo; no entanto, permanecia sem medo e com o espírito vigilante. Gemia, é verdade, pela dor que atormentava seu corpo, mas a mente era senhora da situação e, como por debique, dizia-lhes: "Se tivessem poder sobre mim, teria bastado que viesse um só de vocês; mas o Senhor lhes tirou a força e por isso se esforçam em fazer-me perder o juízo com seu número; é sinal de fraqueza terem de imitar animais ferozes". De novo teve a valentia de dizer-lhes: "Se é que podem, se é que receberam poder sobre mim, não se demorem, venham ao ataque! E se nada podem, para que esforçar-se tanto sem nenhum fim? Porque a fé em Nosso Senhor é selo para nós e muro de salvação". Assim, depois de haver intentado muitas argúcias, rangeram os dentes contra ele, porque eram eles próprios que estavam ficando loucos e não ele.

De novo o Senhor não se esqueceu de Antão na sua luta, mas veio ajudá-lo. Quando olhou para cima, viu como se o tecto se abrisse e um raio de luz baixasse até ele. Foram-se os demónios de repente, cessou-lhe a dor do corpo, e o edifício estava restaurado como antes. Notando que a ajuda chegara, Antão respirou livremente e sentiu-se aliviado das suas dores. E perguntou à visão: "onde estavas tu? Por que não aparecestes no começo para deter minhas dores?" E uma voz lhe falou: "Antão, eu estava aqui, mas esperava ver-te enquanto agias. E agora, porque aguentaste sem te renderes, serei sempre teu auxílio e te tornarei famoso em toda parte". Ouvindo isto, levantou-se e orou: e ficou tão fortalecido que sentiu o seu corpo mais vigoroso que antes. Tinha por aquele tempo uns trinta e cinco anos de idade”.

Santo Atanásio in 'Vida de Santo Antão'


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terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Noruega: 500 anos depois, os Monges estão de volta



A Noruega, onde o Luteranismo varreu a Igreja no séc. XVI, é actualmente um dos países mais ateus do Mundo. Muitas ruínas de abadias e mosteiros católicos, destruídos durante a revolta protestante, continuam a dar um testemunho silencioso da fé.

Uma delas é a antiga abadia cisterciense de Munkeby, a norte de Trondheim, onde os monges regressaram, 500 anos depois. A abadia foi originalmente fundada por monges ingleses que viajaram até à Noruega para rezar no túmulo de São Olavo.

Em 2007, a abadia trapista de Cîteaux, em França, decidiu construir um novo mosteiro trapista em Munkeby, conhecido localmente como Munkeby Mariakloster, perto das ruínas da antiga abadia.

Em 2009, a abadia enviou quatro monges para Munkeby, incluindo os seus dois irmãos professos mais jovens. O novo mosteiro não poderia ser construído sobre as ruínas da antiga abadia por razões práticas e históricas, mas os monges encontraram um local adequado a uma curta distância. A igreja do mosteiro foi consagrada no dia 5 de Dezembro.

in gloria.tv


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sexta-feira, 10 de novembro de 2023

São Bento aos seus monges

É este zelo que, com ardentíssimo amor, devem exercitar os monges:

- antecipem-se uns aos outros na estima recíproca;
- suportem com muita paciência as vossas enfermidades, físicas ou morais;
- rivalizem em prestar mútua obediência;
- ninguém procure o que julga útil para si, mas antes o que o é para os outros;
- amem-se mutuamente com pura caridade fraterna;
- vivam sempre no temor e no amor de Deus;
- amem o vosso abade com sincera e humilde caridade; nada absolutamente anteponham a Cristo, o qual nos conduza todos juntos à vida eterna."


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quarta-feira, 8 de novembro de 2023

O Monge Cartuxo que morreu com uma espingarda na mão

O site CartusiaLover.Wordpress.com contou a história do Cartuxo Padre Pedro de Mortisac.

- Foi o último amante de Mata Hari, a famosa dançarina, atriz e agente secreta holandesa, e assistiu à sua execução pelos franceses em 1917.

- Pertencente a uma família francesa muito rica, Mortisac foi educado pelos jesuítas e tornou-se um mulherengo.

- Uma adolescente que ele tinha usado e descartado suicidou-se.

- Após a morte de Mata Hari, Mortisac vendeu tudo: um castelo perto de Paris, uma casa de campo perto de Londres e uma vivenda em San Sebastián.

- Antes de entrar na Cartuxa de Miraflores, em Burgos (Espanha), por volta de 1920, vagueia sem abrigo durante dias pelos subúrbios.

- Mais tarde, foi transferido para a Cartuxa de Aula Dei, em Saragoça, que foi atacada em Julho de 1936, durante a guerra civil espanhola, por criminosos comunistas, agora glorificados pelos regimes ocidentais.

- Os Cartuxos foram informados do assalto iminente e o prior ordenou aos monges que se vestissem como civis e que rapassem as suas tonsuras e barbas.

- Os monges mais jovens tentaram salvar os objectos de culto e negociaram para que o mosteiro da Cartuxa não fosse incendiado.

- Segundo uma história não confirmada, Mortisac recusou-se a sair e defendeu a casa de Deus com uma espingarda, mas foi assassinado.

in gloria.tv


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sexta-feira, 6 de outubro de 2023

A vida de São Bruno mudou com este sermão feito por um morto

Três dias após a morte de Raymond Diocrès, em Paris, foi oferecida uma grande Missa de Requiem para pedir o repouso eterno da sua alma. Diocrès era um professor da Sorbonne e um homem com reputação universal de erudito e de aparente virtude.

Centenas compareceram no funeral; inúmeras velas foram acesas e orações foram feitas por aqueles que haviam admirado o grande conhecimento e virtudes do ilustre falecido. O seu caixão, maravilhosamente adornado com os símbolos da sua profissão, foi levado até à Catedral com solenidade, acompanhado pelos seus colegas professores, por um grande grupo de estudantes e muitos sacerdotes. 

À medida que o serviço fúnebre avançava, o coro chegou à passagem no Ofício dos Mortos, que reza: “Quantas são as minhas iniquidades e pecados? Fazei-me saber quais os meus crimes e ofensas.” - o que Job pede na Escritura - de repente o cadáver, que jazia exposto no seu esquife, moveu-se diante dos olhos de todos, sentou-se e gritou com uma voz de desesperada que combinava com o desespero expressos nos seus olhos: "Pelo julgamento de Deus, fui acusado, julgado e condenado".

Tendo dito isso, caiu para trás. O professor de renome mundial tinha ocultado o vício sob a aparência de virtude. Mas Nosso Senhor, Deus Todo-Poderoso, que perscruta os corações, conhecia os seus pecados e puniu-o por eles.

Horrorizado com este macabro sermão, São Bruno de Colónia (1030-1101), que ali estava por ser aluno de Diocrès, decidiu rejeitar os prazeres deste mundo e fundar a Ordem da Cartuxa. Esta é, até hoje, considerada a mais rigorosa e ascética de todas as ordens de clausura.



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sábado, 2 de setembro de 2023

O Rito Tradicional dá mais frutos

A Abadia Beneditina de Sainte-Marie de La Garde, fundada por Le Barroux em 2002, abençoou a pedra angular do novo edifício do mosteiro na diocese de Agen, em França, a 15 de Agosto.

A fundação começou com oito monges numa antiga quinta com estábulos e cresceu para cerca de 20. Passou a Abadia em 2021.

Nos próximos 16 anos, serão construídas três alas de estilo românico com refeitório, casa do capítulo, celas dos monges e sacristia (seis mil metros quadrados). Os alicerces já foram lançados. O refeitório será utilizado temporariamente como capela.







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