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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Papa Bento XVI: Jesus nasceu mesmo no dia 25 de Dezembro

No seu livro ‘Introdução ao Espírito da Liturgia’, o Cardeal Joseph Ratzinger menciona uma tradição judaica que apresenta 25 de Março como o dia em que Abraão quase sacrificou Isaac no Monte Moriá. O Monte Moriá é Jerusalém (ver 2Cro 34, 1) e 25 de Março foi o dia em que Cristo foi crucificado. Penso que conseguem ver que há aqui um paralelismo temporal e geográfico. Vemos que o Pai oferece voluntariamente o Seu Filho Unigénito.

Ratzinger escreve também que se pensa ter sido 25 de Março o primeiro dia da Criação. Assim sendo, este dia tem um significado cósmico. Resumindo: 25 de Março era a data apontada para a Criação do Mundo, para o sacrifício de Abraão e para o sacrifício do Filho de Deus.

No mesmo livro, o Cardeal Ratzinger observa também que o dia da morte de Cristo também era reconhecido como o dia em que ele foi concebido pelo Espírito Santo no ventre da Santíssima Virgem Maria. 25 de Março teria sido, então, também o dia da anunciação do Arcanjo Gabriel. Acrescentem-lhe nove meses e chegam a 25 de Dezembro como o dia do Seu nascimento.

Depois, Joseph Ratzinger refuta aquilo a que ele chama “as velhas teorias” que ensinam que 25 de Dezembro foi escolhido para substituir os feriados pagãos. Pelo contrário, o Santo Padre reconhece 25 de Dezembro como o verdadeiro dia do nascimento de Cristo Senhor. Ele vai mais além ao dizer que este alinhamento de significados tem um significado litúrgico.

O Papa São Leão Magno falou do significado cósmico do nascimento de Cristo na profundidade do Inverno:

“Mas esta Natividade que deve ser adorada no Céu e na Terra é-nos sugerida por nenhum outro dia que não este quando, com a luz matinal ainda a derramar os seus raios na Natureza, nasce sobre os nossos sentidos o esplendor deste mistério maravilhoso.” (São Leão Magno, Sermão 26)

Para além disso, o Papa Bento XIV argumentou ainda que os padres da igreja deviam saber o dia certo do nascimento de Cristo pelos censos romanos.

Taylor Marshall


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quinta-feira, 29 de maio de 2025

Solenidade da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo

"Dominus Iesus, postquam locutus est eis, assumptus est in Coelum, et sedet a dextris Dei"
"O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus"
Mc 16, 19

I. O lugar que competia a Jesus ressuscitado era o Céu, que é a morada das almas e dos corpos bem-aventurados. Quis Jesus, todavia, permanecer quarenta dias sobre a terra e aparecer repetidas vezes a seus discípulos para os certificar da sua ressurreição e instruí-los nas coisas relativas à sua Igreja: Loquens de regno Dei (1) – “Falando do reino de Deus”. 

Tendo desempenhado esta nobre missão, quis o Senhor, antes de deixar a terra, mostrar-se mais uma vez aos apóstolos em Jerusalém; e depois de lhes exprobrar suavemente a sua dureza, por não acreditarem na sua ressurreição, ordenou-lhes que fossem para o Monte das Oliveiras, o lugar onde tinha começado a sua Paixão, afim de que compreendessem que o verdadeiro caminho para ir ao Céu é o dos sofrimentos. Depois, cercado de cento e vinte pessoas, repetiu-lhes mais uma vez o que já lhes havia ordenado, especialmente que fossem pregar o Evangelho pelo mundo inteiro; feito o que o divino Redentor levantou as mãos e os abençoou.

Em seguida, como medita São Boaventura (2), Jesus abraça a sua santíssima Mãe e aperta-a contra o coração, anima e conforta os seus discípulos, que, entre lágrimas, Lhe beijam os pés e com as mãos levantadas e o semblante extraordinariamente majestoso e amável, coroado e vestido como rei, se eleva lentamente ao Céu, levando em sua companhia as numerosíssimas almas justas, livradas do limbo. – A esta vista todos os presentes ajoelham novamente e Jesus mais uma vez os abençoa. Afinal uma nuvem subtrai o divino Triunfador à sua vista, e Jesus vai sentar-se à direita do Pai, onde não cessa de ser nosso medianeiro e advogado.

Avivemos a nossa fé, e contemplemos o júbilo que a entrada triunfal de Jesus causou no paraíso: alegremo-nos com o nosso divino Chefe e unamos os nossos afectos aos de Maria Santíssima e dos santos discípulos.

II. Como a águia ensina os seus filhos a voarem, assim, no mistério de hoje, Jesus Cristo nos exorta a elevar o nosso vôo e acompanhá-Lo ao Céu, senão com o corpo, ao menos com os afectos. Desprendamos os nossos corações da terra, e suspiremos pela pátria celeste, onde se acha a nossa felicidade: esperando, como diz o Apóstolo, a adopção de filhos de Deus, a redenção de nosso corpo (3). 

Entretanto, tenhamos sempre diante dos olhos os exemplos da vida mortal do Senhor; imitando a sua humildade e mansidão, o seu espírito de mortificação, a sua caridade e o seu zelo pela glória divina. – Numa palavra, despojamo-nos do homem velho, revestindo-nos das virtudes de Jesus Cristo, que são como que o manto, que, à imitação de Elias, ele deixou para seus discípulos, quando subiu ao Céu.

Para vencermos todas as dificuldades que se encontram no caminho do Senhor, recordemos muitas vezes a grande verdade que os anjos ensinaram hoje aos discípulos, que, arrebatados, olhavam o Céu, para o qual acabava de subir o seu amado mestre: Jesus Cristo voltará um dia à terra com a mesma majestade e glória, como Juiz dos vivos e dos mortos: Sic veniet, quemadmodum vidistis eum euntem in coelum (4).

Meu querido Redentor Jesus, regozijo-me pelo vosso triunfo glorioso e rogo-vos que arranqueis de meu coração todo o afecto aos bens miseráveis desta terra, para não suspirar senão pelos do paraíso, que vós merecestes para mim pela vossa paixão. – A mesma graça peço de Vós, ó Pai Eterno. “Concedei-me que, assim como creio firmemente que vosso Filho unigénito e nosso Redentor subiu hoje ao Céu, assim possa continuamente morar ali com o meu espírito e os meus desejos.” (5) – Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo e pela intercessão de Maria Santíssima. (*VIII 643.)

Santo Afonso Maria de Ligório in 'Meditações para todos os dias do ano'
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(1) Act. 1, 3.
(2) Med. vit. Chr.
(3) Rom. 8, 23.
(4) Act. 1, 11.
(5) Or. festi. curr.


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terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Por que razão o Natal é no dia 25 de Dezembro?

Já no século I a Igreja celebrava a Anunciação do Anjo a Zacarias, pai de S. João Baptista, a 23 de Setembro, e o nascimento deste a 24 de Junho. A descoberta dos manuscritos do Mar Morto e as investigações subsequentes nas grutas circundantes que levaram ao achamento de rolos manuscritos em muito bom estado veio confirmar, com o livro dos jubileus, esta antiga tradição da Igreja. 

De facto, por este manuscrito ficamos a saber que a semana em que entravam de serviço, no Templo, os Sacerdotes da classe de Abias, à qual pertencia Zacarias, tinha o seu início a 23 de Setembro e terminava a 30 do mesmo mês. Acrescentando 9 meses temos o 24 de Junho. Ora, pelos Evangelhos, nós sabemos, que logo após a Anunciação do Anjo à sempre Virgem Maria, portanto da Encarnação do Verbo no seu seio, ela se dirigiu “à pressa” para auxiliar sua prima Santa Isabel, grávida de seis meses (“ … já está no sexto mês aquela que é tida por estéril” – Lc 1, 37), que vivia a três dias de jornada. 

Seis meses depois da última semana de Setembro é a última semana de Março. A Igreja celebra a Encarnação de Jesus, Deus filho, acontecida aquando da Anunciação do Anjo, por virtude do Espírito Santo, a 25 de Março. Ora 25 de Dezembro é 9 meses depois de 25 de Março. 

Pe. Nuno Serras Pereira


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quinta-feira, 11 de julho de 2024

O tomista Garrigou-Lagrange sobre os erros e a morte da nossa Sociedade

Os perniciosos erros que se espalham pelo mundo, tendem à descristianização completa dos povos. Ora, isto começa no século XVI com a renovação do paganismo, ou seja, com a renovação da soberba e da sensualidade pagã entre cristãos. 

Este declínio avançou com o protestantismo, através da negação do Sacrifício da Missa, do valor da absolvição sacramental e, por consequência, da confissão; pela negação da infalibilidade da Igreja, da Tradição ou Magistério, e da necessidade de se observar os preceitos para a salvação. 

Em seguida, a Revolução Francesa lutou manifestamente para a descristianização da sociedade, conforme os princípios do Deísmo e do naturalismo. O espírito da revolução conduziu ao liberalismo que, por sua vez, queria permanecer numa meia altitude entre a doutrina da Igreja e os erros modernos. 

Ora, o liberalismo nada concluía; não afirmava, nem negava, sempre distinguia, e sempre prolongava as discussões, pois não podia resolver as questões que surgiam do abandono dos princípios do cristianismo. Assim, o liberalismo não era suficiente para agir, e depois veio o radicalismo mais oposto aos princípios da Igreja, sob a capa de ''anticlericalismo'', para não dizer anticristianismo: a maçonaria. 

O radicalismo, então, conduziu ao socialismo e o socialismo, ao comunismo materialista e ateu, como na Rússia, e quis invadir a Espanha e outras nações negando a religião, a propriedade privada, a família, a pátria, e reduzindo toda a vida humana à vida económica como se só o corpo existisse; como se a religião, as ciências, as artes, o direito fossem invenções daqueles que querem oprimir os outros e possuir toda a propriedade privada.

Contra todas essas negações do comunismo materialista, só a Igreja, somente o verdadeiro Cristianismo ou Catolicismo pode resistir eficazmente, pois só ele contém a Verdade sem erro.

Portanto, o nacionalismo não pode resistir eficazmente ao comunismo. Nem, no campo religioso, o protestantismo, como na Alemanha e na Inglaterra, pois contém graves erros, e o erro mata as sociedades que nele se fundam, assim como a doença grave destrói o organismo; o protestantismo é como a tuberculose ou como o cancro, é uma necrose por causa da sua negação da Missa, da confissão, da infalibilidade da Igreja, da necessidade de observar os preceitos.

O que, pois, se segue dos erros citados no que diz respeito à legislação dos povos? Esta legislação torna-se paulatinamente ateia. Não somente desconsidera a existência de Deus e a lei divina revelada, tanto positiva como natural, mas formula várias leis contrárias à lei divina revelada, por exemplo, a lei do divórcio e a lei da escola laica, que termina por tornar-se ateia. Por fim, vem a liberdade total de cultos ou religiões, e da própria impiedade ou irreligião. 

As repercussões destas leis em toda sociedade são enormes. Por exemplo, a repercussão da lei do divórcio: qualquer que seja o ano, qualquer que seja a nação, milhares de famílias são destruídas pelo divórcio e deixam sem educação, sem orientação, crianças que acabam por se tornar ou incapazes, ou exaltadas, ou más, por vezes, péssimas. 

Do mesmo modo, saem da escola ateia, todos os anos, muitos homens ou cidadãos sem nenhum princípio religioso. E portanto, em lugar da fé, da esperança e da caridade cristã, têm eles a razão desordenada, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, o desejo de riqueza e a soberba de vida. Todas essas coisas são erigidas num sistema especialmente materialista, sob o nome de ética laica ou independente, sem obrigação e sanção, na qual às vezes remanesce algum vestígio do decálogo, mas um vestígio sempre mutável.

Portanto, qual é, segundo este princípio, o modo de discernir o falso do verdadeiro? O único modo é a livre discussão, no parlamento ou em algum outro lugar, e esta liberdade é, portanto, absoluta, nada pode ser subtraído à sua jurisdição, nem a questão do divórcio, nem a necessidade da propriedade individual, nem a da família ou da religião para os povos. 

Neste caso, é para se concluir que estas sociedades, fundadas sobre princípios falsos ou sobre uma legislação ateia, tendem para a morte. Nelas, com o auxílio da graça, as pessoas individuais ainda se podem  salvar. Mas estas sociedades, como tais, tendem para a morte, pois o erro, sobre o qual se fundam, mata, como a tuberculose ou o cancro que, progressiva e infalivelmente, destrói o nosso organismo. 

Só a fé cristã e católica pode resistir a estes erros, e tornar a cristianizar a sociedade, mas, para isso, requer-se uma condição: uma fé mais profunda, conforme a Escritura, "Este é o poder vitorioso que venceu o mundo: a nossa fé." (1 Jo 5, 4)

Frei Reginald Garrigou-Lagrange in 'De Sanctificatione Sacerdotum Secundum Nostri Temporis Exigentias'



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terça-feira, 30 de abril de 2024

Santa Catarina: de analfabeta a conselheira do Papa e Doutora da Igreja


Catarina nasceu em Sena no ano de 1347. Ainda muito jovem, ingressou na Ordem Terceira de São Domingos, sobressaindo pelo seu espírito de oração e penitência. Levada pelo seu amor a Deus, à Igreja e ao Romano Pontífice, trabalhou incansavelmente pela paz e unidade da Igreja nos tempos difíceis do desterro de Avignon. Foi a esta cidade e pediu ao Papa Gregório XI que voltasse quanto antes para Roma, de onde o Vigário de Cristo na terra deveria governar a Igreja. “Se morrer, sabei que morro de paixão pela Igreja”, declarou uns dias antes da sua morte, ocorrida no dia 30 de abril de 1380.

Escreveu inúmeras cartas, das quais se conservam cerca de quatrocentas, algumas orações e elevações, e um só livro, o Diálogo, que relata as conversas íntimas da Santa com o Senhor. Foi canonizada por Pio II e o seu culto estendeu-se rapidamente por toda a Europa. Santa Teresa diz que, depois de Deus, devia a Santa Catarina, muito singularmente, o progresso da sua alma. Pio IX nomeou-a segunda padroeira da Itália e Paulo VI declarou-a Doutora da Igreja.

I. SEM PARTICULAR INSTRUÇÃO, aprendeu a escrever quando já era bastante crescida, e numa existência muita curta, Santa Catarina teve uma vida cheia de frutos, “como se tivesse pressa de chegar ao eterno tabernáculo da Santíssima Trindade”(1). Para nós, é um modelo de amor à Igreja e ao Romano Pontífice, a quem chamava “o doce Cristo na terra”(2), e de clareza e valentia para se fazer ouvir por todos.

Os Papas residiam naquela altura em Avignon, e Roma, o centro da cristandade, ia-se transformando numa grande ruína; como é evidente, tal situação acarretava inúmeras dificuldades à Igreja universal. E o Senhor fez com que Santa Catarina compreendesse a necessidade de que os Papas voltassem à sede romana para darem início à ansiada e imprescindível reforma. E ela correspondeu: orou incansavelmente, entregou-se à penitência, escreveu ao Papa, aos cardeais, aos príncipes cristãos...

Ao mesmo tempo, proclamou por todo o mundo a obediência e o amor ao Romano Pontífice, acerca do qual escreve: “Quem não obedece a Cristo na terra, àquele que está no lugar de Cristo no Céu, não participa do fruto do sangue do Filho de Deus”(3).

Com enorme vigor, dirigiu prementes exortações a cardeais, bispos e sacerdotes, implorando-lhes a reforma da Igreja e a pureza dos costumes. E não deixou de censurá-los gravemente, embora sempre com humildade e respeito pela dignidade de que estavam revestidos, pois “são ministros do sangue de Cristo”(4(. Estava convencida de que da conversão e do exemplo dos pastores da Igreja dependia a saúde espiritual do rebanho.

Pedimos hoje a Santa Catarina de Sena que saibamos alegrar-nos com as alegrias da nossa Mãe a Igreja e sofrer com as suas dores. E nos perguntamos como é a nossa oração pelos pastores que a governam, se oferecemos diariamente algum sacrifício, horas de trabalho, contrariedades suportadas com serenidade... pelas intenções do Santo Padre, desejosos de ajudá-lo a enfrentar essa imensa carga que Deus colocou sobre os seus ombros. Pedimos também a Santa Catarina que nunca faltem bons colaboradores ao lado do “doce Cristo na terra”.

“Para tantos momentos da história, que o diabo se encarrega de repetir, parece-me uma consideração muito acertada aquela que me escrevias sobre lealdade: «Trago o dia todo, no coração, na cabeça e nos lábios, uma jaculatória: Roma!»”(5) Esta única palavra é suficiente para nos ajudar a manter a presença de Deus durante o dia e a manifestar a nossa unidade com o Romano Pontífice e a nossa oração por ele.

II. SANTA CATARINA revelou sempre uma requintada sensibilidade, foi profundamente feminina(6). Ao mesmo tempo, foi extraordinariamente enérgica – como são as mulheres que amam o sacrifício e permanecem junto da Cruz de Cristo –, e não permitia desfalecimentos e fraquezas no serviço de Deus. Estava convencida de que, tratando-se da salvação própria e da salvação das almas, resgatadas por Cristo com o seu Sangue, não tinha cabimento algum enveredar por caminhos de excessiva indulgência, adoptar por comodismo ou covardia atitudes de débil filantropia, e por isso gritava: “Basta de unguentos! Pois com tanto ungüento estão-se apodrecendo os membros da Esposa de Cristo!”

Foi sempre fundamentalmente optimista, e não desanimava se, depois de ter feito o que estava ao seu alcance, os assuntos não se resolviam à medida dos seus desejos. Durante toda a sua vida, foi uma mulher profundamente delicada. Os seus discípulos recordaram sempre o seu sorriso aberto e o seu olhar franco; andava sempre bem arrumada, amava as flores e costumava cantar enquanto caminhava. Quando um personagem da época, incitado por um amigo, a procurou para conhecê-la, esperava encontrar uma pessoa de olhar oblíquo e sorriso ambíguo. Teve a grande surpresa de encontrar uma mulher jovem, de olhar claro e sorriso cordial, que o acolheu “como a um irmão que voltava de uma longa viagem”.

Pouco tempo depois de ter retornado a Roma, o Papa morreu. E com a eleição do sucessor iniciou-se o cisma que tantos rasgões e tantas dores havia de produzir na Igreja. Santa Catarina falou e escreveu a cardeais e reis, a príncipes e bispos... Tudo em vão. Exausta e cheia de pena, ofereceu-se a Deus como vítima pela Igreja. Num dia do mês de Janeiro, quando rezava diante do túmulo de São Pedro, sentiu sobre os seus ombros o imenso peso da Igreja, como aconteceu com outros santos. Mas o tormento durou poucos meses: no dia 29 de abril, por volta do meio-dia, Deus a chamou para a sua glória.

Do leito de morte, dirigiu ao Senhor esta comovente oração: “Ó Deus eterno!, recebe o sacrifício da minha vida em benefício deste Corpo Místico da Santa Igreja. Não tenho outra coisa para oferecer-te a não ser aquilo que me deste”(7). Uns dias antes, tinha dito ao seu confessor: “Asseguro-lhe que, se morrer, a única causa da minha morte será o zelo e o amor à Igreja que me abrasa e me consome...”

Os nossos dias são também de provas e dor para o Corpo Místico de Cristo. Por isso, “temos de pedir ao Senhor, com um clamor que não cesse (cfr. Is LVIII, 1), que os abrevie, que olhe com misericórdia para a sua Igreja e conceda novamente a luz sobrenatural às almas dos pastores e às de todos os fiéis”(8). Ofereçamos a nossa vida diária, com as suas mil pequenas incidências, pelo Corpo Místico de Cristo. O Senhor haverá de abençoar-nos e Santa Maria – Mater Ecclesiae – derramará a sua graça sobre nós com particular generosidade.

III. SANTA CATARINA ensina-nos a falar com clareza e valentia quando se debatem assuntos que afectam a Igreja, o Sumo Pontífice ou as almas. Não serão poucos os casos em que teremos a grave obrigação de esclarecer a verdade, e, nessas ocasiões, poderemos aprender de Santa Catarina, que nunca retrocedeu diante do fundamental, porque tinha a sua confiança posta em Deus.

Diz-nos o Apóstolo S. João: "Eis a mensagem que ouvimos de Jesus e vos anunciamos: Deus é luz e nele não há nenhuma espécie de trevas"(9). Aqui estava a origem da força dos primeiros cristãos, bem como da dos santos de todos os tempos: não ensinavam uma verdade própria, mas a mensagem de Cristo que nos foi transmitida de geração em geração. É o vigor de uma Verdade que está por cima das modas, da mentalidade de uma época concreta. Devemos aprender cada vez mais a falar das coisas de Deus com naturalidade e simplicidade, mas ao mesmo tempo com a segurança que Cristo pôs na nossa alma.

Perante a campanha sistematicamente organizada para obscurecer a verdade ou silenciar tudo o que sejam obras boas e retas, que às vezes quase não têm eco nos grandes meios de comunicação, nós, cada um no seu ambiente, temos de atuar como porta-vozes da verdade. Alguns Papas falaram da conspiração do silêncio(10), que se tece em torno das boas obras – literárias, cinematográficas, religiosas, de benemerência social – promovidas por bons católicos ou por instituições organizadas por católicos. São silenciadas ou deixadas na penumbra pelo facto de serem promovidas por católicos, enquanto se orquestram louvores a obras ou iniciativas que atentam contra os valores humanos, que pregam uma falsa liberdade e a anti-solidariedade, ou que cancelam do horizonte do homem as ânsias de Deus.

Nós podemos fazer muito bem neste apostolado da opinião pública. Às vezes, não conseguiremos esclarecer senão os vizinhos, os amigos que visitamos ou nos visitam, os colegas de trabalho... Noutros casos, poderemos ir um pouco mais longe por meio de uma carta aos jornais, de uma chamada telefónica a uma emissora de rádio ou de televisão, não nos furtando a responder ao questionário de uma pesquisa de opinião pública... Devemos afastar a tentação do desalento, o sentimento de que “pouco podemos fazer”. Um rio caudaloso é alimentado por pequenos regatos que, por sua vez, se formaram talvez gota a gota. Que não falte a nossa. Assim começaram os primeiros cristãos.

Peçamos hoje a Santa Catarina que nos comunique um pouco do seu amor à Igreja e ao Sumo Pontífice, e que tenhamos ânsias de dar a conhecer a doutrina de Cristo em todos os ambientes, por todos os meios ao nosso alcance, com imaginação e com amor, com sentido optimista e positivo, sem negligenciar uma única oportunidade. E, com palavras da Santa, peçamos também a Nossa Senhora: “A ti recorro, Maria! Ofereço-te a minha súplica pela doce Esposa de Cristo e pelo seu Vigário na terra, a fim de que lhe seja concedida luz para governar a Santa Igreja com discernimento e prudência”(11).

(1) João Paulo II, Homilia em Sena, 14-X-1980; (2) Santa Catarina de Sena, Cartas, III; (3) idem, Carta 207, III; (4) cfr. Paulo VI, Homilia na proclamação de Santa Catarina de Sena como Doutora da Igreja, 4-X-1970; (5) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 344; (6) cfr. João Paulo II,Homilia, 29-IV-1980; (7) Santa Catarina de Sena, Carta 371, V; (8) Josemaría Escrivá, Amar a Igreja, Prumo-Rei dos Livros, Lisboa, 1990, pág. 59; (9) 1 Jo 1, 5; (10) cfr. Pio XI, Enc. Divini Redemptoris, 10-III-1937; (11) Santa Catarina de Sena, Oração, XI.

Pe. Francisco Fernández Carvajal in hablarcondios.org



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domingo, 3 de março de 2024

A Igreja é intransigente porque crê mas tolerante porque ama

"A Igreja é intransigente em relação aos princípios porque crê, mas é tolerante na prática porque ama. Os inimigos da Igreja são tolerantes em relação aos princípios porque não crêem, mas intransigentes na prática porque não amam."

Pe. Reginald Garrigou-Lagrange, O.P.


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domingo, 4 de fevereiro de 2024

Sermão da Sexagésima - Padre António Vieira

Hoje é Domingo da Sexagésima, no qual o Evangelho é o semeador que saiu a semear (Lc 8, 4-15). Um dos sermões mais famosos do Padre António Vieira foi exactamente o sermão da Sexagésima, pregado na Capela Real em 1655. Deixamos aqui algumas linhas de cada uma das 10 partes dessa obra-prima:

I

E se quisesse Deus que este tão ilustre e tão numeroso auditório saísse hoje tão desenganado da pregação, como vem enganado com o pregador! Ouçamos o Evangelho, e ouçamo-lo todo, que todo é do caso que me levou e trouxe de tão longe.

II

Semen est verbum Dei. O trigo que semeou o pregador evangélico, diz Cristo que é a palavra de Deus. Os espinhos, as pedras, o caminho e a terra boa em que o trigo caiu, são os diversos corações dos homens. Os espinhos são os corações embaraçados com cuidados, com riquezas, com delícias; e nestes afoga-se a palavra de Deus. As pedras são os corações duros e obstinados; e nestes seca-se a palavra de Deus, e se nasce, não cria raízes. Os caminhos são os corações inquietos e perturbados com a passagem e tropel das coisas do Mundo, umas que vão, outras que vêm, outras que atravessam, e todas passam; e nestes é pisada a palavra de Deus, porque a desentendem ou a desprezam. Finalmente, a terra boa são os corações bons ou os homens de bom coração; e nestes prende e frutifica a palavra divina, com tanta fecundidade e abundância, que se colhe cento por um: Et fructum fecit centuplum.

III

Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo, pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus. Para uma alma se converter por meio de um sermão, há-de haver três concursos: há-de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; há-de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; há-de concorrer Deus com a graça, alumiando.

IV

Mas como em um pregador há tantas qualidades, e em uma pregação tantas leis, e os pregadores podem ser culpados em todas, em qual consistirá esta culpa? -- No pregador podem-se considerar cinco circunstâncias: a pessoa, a ciência, a matéria, o estilo, a voz. A pessoa que é, e ciência que tem, a matéria que trata, o estilo que segue, a voz com que fala. Todas estas circunstâncias temos no Evangelho.

V

Será porventura o estilo que hoje se usa nos púlpitos? Um estilo tão empeçado, um estilo tão dificultoso, um estilo tão afectado, um estilo tão encontrado a toda a arte e a toda a natureza? Boa razão é também esta. O estilo há-de ser muito fácil e muito natural. Por isso Cristo comparou o pregar ao semear: Exiit, qui seminat, seminare.

VI

Será pela matéria ou matérias que tomam os pregadores? Usa-se hoje o modo que chamam de 'apostilar' o Evangelho, em que tomam muitas matérias, levantam muitos assuntos e quem levanta muita caça e não segue nenhuma não é muito que se recolha com as mãos vazias. Boa razão é também esta. O sermão há-de ter um só assunto e uma só matéria. Por isso Cristo disse que o lavrador do Evangelho não semeara muitos géneros de sementes, senão uma só: Exiit, qui seminat, seminare semen. Semeou uma semente só, e não muitas, porque o sermão há-de ter uma só matéria, e não muitas matérias.

VII

Será porventura a falta de ciência que há em muitos pregadores? Muitos pregadores há que vivem do que não colheram e semeiam o que não trabalharam. Depois da sentença de Adão, a terra não costuma dar fruto, senão a quem come o seu pão com o suor do seu rosto. Boa razão parece também esta. O pregador há-de pregar o seu, e não o alheio. Por isso diz Cristo que semeou o lavrador do Evangelho o trigo seu: Semen suum. Semeou o seu, e não o alheio, porque o alheio e, o furtado não é bom para semear, ainda que o furto seja de ciência.

VIII

Será finalmente a causa, que tanto há buscamos, a voz com que hoje falam os pregadores? Antigamente pregavam bradando, hoje pregam conversando. Antigamente a primeira parte do pregador era boa voz e bom peito. E verdadeiramente, como o mundo se governa tanto pelos sentidos, podem às vezes mais os brados que a razão. Boa era também esta, mas não a podemos provar com o semeador, porque já dissemos que não era ofício de boca. Porém o que nos negou o Evangelho no semeador metafórico, nos deu no semeador verdadeiro, que é Cristo.

IX

As palavras que tomei por tema o dizem. Semen est verbum Dei. Sabeis, Cristãos, a causa por que se faz hoje tão pouco fruto com tantas pregações? É porque as palavras dos pregadores são palavras, mas não são palavras de Deus. Falo do que ordinariamente se ouve. A palavra de Deus (como diria) é tão poderosa e tão eficaz, que não só na boa terra faz fruto, mas até nas pedras e nos espinhos nasce. Mas se as palavras dos pregadores não são palavras de Deus, que muito que não tenham a eficácia e os efeitos da palavra de Deus?

X

Dir-me-eis o que a mim me dizem, e o que já tenho experimentado, que, se pregamos assim, zombam de nós os ouvintes, e não gostam de ouvir. Oh, boa razão para um servo de Jesus Cristo! Zombem e não gostem embora, e façamos nós nosso ofício! A doutrina de que eles zombam, a doutrina que eles desestimam, essa é a que lhes devemos pregar, e por isso mesmo, porque é mais proveitosa e a que mais hão mister.


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segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Só odeia a Igreja quem não a conhece

"Talvez não existam no Mundo mais de 100 pessoas que realmente odeiam a Igreja Católica. Mas existem milhões que odeiam o que acham que é a Igreja Católica." 

Venerável Fulton J. Sheen, Arcebispo


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sábado, 23 de dezembro de 2023

Jesus nasceu mesmo no dia 25 Dezembro: Maria e a Tradição

Perguntem a qualquer Mãe sobre o nascimento dos seus filhos. Ela vai dizer-vos não só a data do nascimento, mas também será capaz de recitar a hora, o local, o tempo, o peso do bébé, o comprimento do bébé e um número de outros detalhes. Eu sou pai de seis filhos abençoados e enquanto que eu algumas vezes me esqueço destes detalhes (mea maxima culpa), a minha mulher não. 

Iria a Santíssima Virgem Maria alguma vez esquecer-se do nascimento do seu Filho Jesus Cristo, que foi concebido sem semente humana, anunciado pelo Anjo Gabriel, nascido de uma forma milagrosa e visitado por Magos? Ela sabia desde o momento da Sua Divina Encarnação no seu ventre que Ele era o Filho de Deus e Messias. Iria ela alguma vez esquecer este dia?

Estariam os Apóstolos interessados em ouvir Maria contar esta história? Claro! Pensam que o santo Apóstolo que escreveu "E o Verbo fez-se carne" não estaria interessado nos detalhes minuciosos do Seu nascimento? Portanto o aniversário exacto (25 de Dezembro) e a hora (meia-noite) deveriam ser conhecidos já no primeiro século. 

Os Padres da Igreja testemunham o 25 de Dezembro

Testemunhos seguintes revelam que os Católicos afirmavam 25 de Dezembro como o Nascimento de Cristo antes da conversão de Constantino e do Império Romano.

O Papa S. Telésforo (reinou de 126 e 137) instituiu a tradição da Missa à Meia-noite na Véspera de Natal. Apesar do Liber Pontificalis não nos dar a data do Natal, este assume que o Natal já era celebrado pelo Papa e que tinha sido acrescentada uma Missa à meia-noite. 

Cerca de 70 anos mais tarde, S. Hipólito escreve de passagem que o nascimento de Cristo ocorreu numa Quarta-Feira dia 25 de Dezembro. Santo Hipólito escreveu algures entre 200 e 211! Eis a citação:
"O Primeiro Advento [vinda] de nosso Senhor na carne ocorreu quando Ele nasceu em Belém, era 25 de Dezembro, uma Quarta-Feira, quando Augustus estava no seu quadragésimo segundo ano, que é cinco mil e quinhentos anos desde Adão. Ele sofreu no trigésimo terceiro ano, dia 25 de Março, Sexta-Feira, do décimo oitavo ano de Tiberius Caesar, enquanto Rufus e Roubellion eram Cônsules."
Santo Hipólito de Roma, Comentário a Daniel
Reparem também na citação acima no significado especial de 25 de Março, que marca a morte de Cristo (25 de Março era visto como o correspondente ao mês hebraico Nisan 14 - a data tradicional da crucifixão).**

Acreditava-se que Cristo, como homem perfeito, tinha sido concebido e morto no mesmo dia (25 de Março). No seu Chronicon, Santo Hipólito diz que a terra foi criada no dia 25 de Março, 5500 a.C. Então, 25 de Março era identificado pelos Padres da Igreja como:

  • a data da Criação do Mundo
  • a data da Anunciação e Encarnação de Cristo
  • a data da Morte de Cristo nosso Salvador
Na Igreja Síria 25 de Março ou a festa da Anunciação era vista como uma das festas mais importantes do ano inteiro. Indicava o dia em que Deus assumiu a sua morada no ventre da Virgem. De facto, a Anunciação e a Sexta-Feira Santa apareciam em conflito no calendário, a Anunciação superava-a - tão importante que era na tradição síria! Isto sem dizer que a Igreja Síria preservou algumas das mais antigas tradições cristãs e tinha um profunda e doce devoção por Maria e a Encarnação de Cristo!

25 de Março era consagrado na mais antiga tradição Cristã e a partir desta é fácil descobrir a data do nascimento de Cristo. 25 de Março (Cristo concebido pelo Espírito Santo) mais nove meses leva-nos a 25 de Dezembro (o nascimento de Cristo em Belém).

Santo Agostinho confirma esta tradição de 25 de Março como a concepção messiânica e 25 de Dezembro como o Seu Nascimento:
“Porque se acredita que Cristo foi concebido a 25 de Março, dia em que também sofreu; portanto o ventre da Virgem, onde Ele foi concebido, onde nenhum mortal foi gerado, corresponde ao novo sepulcro onde ele foi sepultado, onde nenhum homem alguma vez esteve nem antes nem desde então. Mas ele nasceu, de acordo com a tradição, a 25 de Dezembro.” 
Santo Agostinho, De trinitate, Livro IV, 5 
Por volta do ano 400, Santo Agostinho também notou como os donatistas cismáticos se recusavam a celebrar a Epifania a 6 de Janeiro, visto que viam a Epifania como uma nova festa sem base na Tradição Apostólica. O cisma donatista começou em 311, o que pode indicar que a Igreja Latina estava a celebrar o Natal a 25 de Dezembro (mas não uma Epifania a 6 de Janeiro) antes disso.

Taylor Marshall


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domingo, 10 de dezembro de 2023

Os impressionantes números do pontificado do Papa Pio XII

Estas são as estatísticas da Igreja nos Estados Unidos durante o Pontificado do Papa Eugenio Pacelli. É impressionante ver o aumento em todas as vertentes eclesiais, sendo de destacar o aumento de 51,5% no número de sacerdotes e 68% no número de católicos.



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quarta-feira, 4 de outubro de 2023

São Francisco nas Cruzadas para converter os Sarracenos

São Francisco participou numa Cruzada, que o levou até ao Egipto. Quando, movido pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, que via ser repudiado pelas hordas de infiéis muçulmanos, combatidos pelos cruzados, aproveitando uma trégua entre os terríveis combatentes, partiu para o deserto com o fito de convertê-los à Fé verdadeira, não pela espada, mas pelo amor a Deus e ao próximo.

Ia Francisco pelo deserto quando soldados do Sultão local, ávidos de sangue, caíram sobre ele, mas, ao notarem os trajes andrajosos e a pobreza do peregrino, e que não trazia armas, mas somente um tosco bornal e um cajado, decepcionaram-se e, maior que ainda foi a surpresa quando ele lhes disse quem era, bradando altaneiro: “Sou arauto do grande Rei, sou a trombeta do Imperador”.

Diante disso, os soldados levaram São Francisco à presença do Sultão que, informado de quem se tratava, mas muito desconfiado e como que querendo divertir-se, indagou-o com descrença:

"Então, és arauto de um Rei. E que Rei é esse, e quais os seus objectivos ao enviar-te a nós assim, desta forma vestido e sem aparato militar que demonstre o seu poder?"

Tirando uma das mãos do seu cajado e apontando para o alto, ao mesmo tempo em que, com grande enlevo, fitava o imenso céu crepuscular do deserto, São Francisco respondeu calmamente:

"Sou arauto do grande Rei, o Deus de Amor, Senhor de todas as coisas que nos enviou o Seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós numa cruz. Mas que vencendo a morte pela morte, ressuscitou e subiu aos Céus, onde está à direita de Seu Pai. E todo aquele que n'Ele crer não morrerá, mas terá a vida eterna. Eu vim para trazer-vos esta boa nova, a fim de que vos torneis seus súbditos."

Os mulás presentes indignaram-se e com fortes brados protestaram pela morte do insolente. O Sultão, percebendo que São Francisco era um cristão, e admirado com a sua coragem e pura intenção, retorquiu:

"Com um arauto tão solene e convincente nas palavras e actos, esse Rei não poderia também, já que é tão grande Senhor, demonstrar o seu poder e riqueza com um séquito mais poderoso? Pois as tuas palavras também me servem para designar Alá, e, ao invés de Cristo, por que tu não crês no profeta Maomé, o verdadeiro enviado de Deus, e não obedeces aos seus mulás que aqui estão?"

Fitando a enorme fogueira que ardia ao lado da tenda, inspirado por Deus, e, vendo que de outra forma não poderia penetrar naqueles corações endurecidos com o suave e salutar dardo do Amor Divino, São Francisco propõe:

"O que é o séquito senão a escolta que protege o emissário, por mais indigno que este seja? Ora, façamos pois uma prova e depois ireis me dizer qual é o verdadeiro emissário, Jesus Cristo ou Maomé. Entremos todos, os mulás e eu, nesta flamejante fogueira. Aquele que detiver o verdadeiro mandato, por mais indigno que seja, sairá ileso e demonstrará com isso a verdade que deve guiar o Homem."

O desafio era entre Cristo e Maomé. E São Francisco deixou de lado o bornal e o cajado e preparava-se para entrar no fogaréu, quando, desesperadamente, o líder dos mulás se lança de joelhos ante o Sultão clamando em prantos loucos de pavor e pedindo suspensão da prova, enquanto os outros se amontoavam assustados num canto da tenda. O sultão, conformado, exclama:

"É, parece que Alá não foi bem servido hoje!" E, voltando-se para São Francisco, suplica-lhe que não entre no fogo, louva-lhe a confiança que depositava em Cristo e, respeitoso e encantado, diz-lhe: "Se outros cristãos dessem o exemplo que tu dás, eu não hesitaria em fazer-me cristão também."

Depois disso, faz com que São Francisco seja conduzido em segurança de volta às linhas cristãs.

Conta-se que no leito de morte, o Sultão, recebeu uma miraculosa visita de São Francisco, que se encontrava ao mesmo tempo na Europa, e se fez baptizar cristão, tendo morrido no seio da Santa Igreja.


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quinta-feira, 4 de maio de 2023

Sacerdote Jesuíta destrói ídolos em África

O Padre Peter Ryan SJ visitou o seu irmão William, um sacerdote Fidei Donum de Washington, na sua paróquia missionária no Togo, África Ocidental. Durante a visita, apareceu uma delegação de uma família importante que tinha decidido renunciar ao seu ídolo ancestral e pediu ao Padre William que o destruísse.

Várias outras famílias vizinhas juntaram-se a eles. O grande dia começou com uma Missa, seguida de uma procissão de centenas de pessoas desde a igreja até às casas, onde foi utilizada água benta e sal exorcizado. O Padre Peter esmagou entusiasticamente os ídolos com uma marreta antes de queimar os seus restos.

Os fiéis cantaram "Yesu enye dzidula! (Jesus é o vencedor!). Por fim, o santuário pagão foi demolido e uma grande cruz foi colocada no meio dos escombros.

in gloria.tv


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quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Jesus nasceu mesmo no dia 25 de Dezembro?

Hoje em dia normalmente assume-se que Nosso Senhor Jesus Cristo não nasceu a 25 de Dezembro. Vou argumentar que esta assumpção é factualmente incorrecta, e que Cristo nasceu no final de Dezembro. Primeiro permitam-me contra-argumentar umas três objecções comuns à datação do nascimento de Cristo a 25 de Dezembro.

Objecção 1: 25 de Dezembro foi escolhido para substituir a festa romana pagã da Saturnália. A Saturnália era um festival popular de inverno e portanto a Igreja Católica prudentemente substituiu o Natal em seu lugar.

Resposta à objecção 1: A Saturnália celebra o solstício de Inverno. No entanto o solstício de inverno calha a 22 de Dezembro! É verdade que as celebrações da Saturnália começavam tão cedo como 17 de Dezembro e se estendiam até 23 de Dezembro. No entanto, as datas não correspondem.

Objecção 2: 25 de Dezembro foi escolhido para substituir o feriado pagão romano Natalis Solis Invicti ("Nascimento do Sol Invencível")

Resposta à objecção 2: Comecemos com o culto do Sol Invencível. O Imperador Aurélio introduziu o culto do Sol Invictus ("Sol Invencível") em Roma a 274 AD. Aurélio encontrou tensão política com este culto, porque o seu próprio nome "Aurélio" deriva da palavra latina aurora que quer dizer "nascer do Sol". As moedas revelam que o Imperador Aurélio se chamava a si mesmo Pontifex Solis ou "Pontífice do Sol". Assim, Aurélio simplesmente ajustou um culto solar genérico e identificou-o com o seu nome até ao fim do terceiro século.

Mais importante ainda, não existe registo histórico de uma celebração do Sol Invictus a 25 de Dezembro antes de 354 AD. Mesmo em 354 AD, a data é designada simplesmente por "Invictus" sem falar num aniversário. A data só se tornou explicitamente o "nascimento do Sol Invencível" sob (tambores por favor) o Imperador Juliano, o Apóstata, que tinha sido Cristão mas que tinha apostatado e regressado ao paganismo romano. A história revela que foi um Imperador Cristão (que odiava Cristo) que erigiu uma festa pagã a 25 de Dezembro. Pensem nisto por um bocado.

Porque é que tudo isto interessa? Significa que o Sol Invencível não era uma divindade muito popular no Império Romano. Isto implica que as plebes romanas não precisavam de ser desligadas de um feriado dito tão antigo. Mais ainda, a tradição de uma celebração a 25 de Dezembro encontrou lugar no calendário romano depois da cristianização de Roma. O feriado do "nascimento do Sol Invencível" era dificilmente tradicional e pouco popular. A Saturnália (mencionada em cima) era muito mais popular, tradicional e divertida. Parece, antes, que Juliano, o Apóstata, tentou introduzir um feriado pagão com o objectivo de substituir o feriado Cristão!

Objecção 3: Cristo não podia ter nascido em Dezembro, visto que S.Lucas descreve pastores a pastorear nos campos perto de Belém. Os pastores não saem durante o Inverno. Logo Cristo não nasceu no Inverno.

Resposta à Objecção 3: Esta objecção é a pior de todas. Lembrem-se que a Palestina não é a Inglaterra, a Rússia ou o Alasca. Belém tem latitude de 31,7. A minha cidade de Dallas, Texas, tem uma latitude 32,8 e ainda é confortável na rua em Dezembro. Como o grande Cornelius a Lapide nota, durante o seu tempo de vida uma pessoa podia ver pastores e ovelhas nos campos de Itália durante os últimos dias de Dezembro... e a Itália é geograficamente a Norte de Belém.

Agora seguimos para estabelecer o aniversário de Cristo a partir da Sagrada Escritura em dois passos:

Passo Um: Determinar o Aniversário de João Baptista

Podemos descobrir que Cristo nasceu no final de Dezembro reparando primeiro na altura do ano em que S. Lucas descreve S. Zacarias no templo Isto dá-nos uma data aproximada da concepção de S. João Baptista. A partir daqui podemos seguir a cronologia que S. Lucas dá e isso calha mesmo precisamente no fim de Dezembro.

S. Lucas diz que Zacarias serviu no "curso de Abias" (Lc 1, 5) que a Escritura recorda como o oitavo curso entre os 24 cursos sacerdotais (ver Nh 12, 17). Cada curso servia uma semana no templo duas vezes por ano. O curso de Abias servia durante a oitava e a trigésima segunda semana do ciclo anual.* No entanto, quando é que o ciclo dos cursos começava?

Consultanto a pesquisa académica de Friedlieb (Leben J. Christi des Erlösers, Münster, 1887, p. 312), descobrimos que o primeiro curso sacerdotal de Jojarib estava em serviço durante a destruição de Jerusalém, no 9º dia do mês judeu de Av. Assim o curso sacerdotal de Jojarib estava em serviço durante a segunda semana de Av. Isto significa, sem dúvida nenhuma, que o curso sacerdotal de Abias (o curso de S. Zacarias) estava a servir durante a segunda semana do mês judeu de Tishri - a mesma semana do Dia da Expiação no 10º dia de Tishri. No nosso calendário, o Dia da Expiação no 10º Tishri calha nalgum dia entre 22 de Setembro e 8 de Outubro.

Zacarias e Isabel conceberam João Baptista imediatamente depois de Zacarias ter servido o seu curso. Isto significa que S. João Baptista teria que ser concebido algures no fim de Setembro, colocando o nascimento de João no fim de Junho, confirmando a celebração da Igreja Católica da Natividade de S. João Baptista a 24 de Junho.

O Protoevangelho de Tiago do segundo século também confirma uma concepção do Baptista no final de Setembro, visto que o texto mostra S. Zacarias como sumo sacerdote e a entrar no Santo dos Santos - não era meramente o lugar santo com o altar do incenso. Este é um erro factual porque Zacarias não era sumo sacerdote, mas um dos sacerdotes chefes.** Mesmo assim, o Protoevangelium mostra Zacarias como sumo sacerdote e isto associa-o com o Dia da Expiação, que calha no décimo dia do mês hebreu de Tishri (cerca do fim do nosso Setembro). Imediatamente depois desta entrada no templo e da mensagem do anjo Gabriel, Zacarias e Isabel concebem João Baptista, o que coloca o nascimento de João Baptista no fim de Junho - mais uma vez correspondendo à data Católica da Natividade de S. João Baptista a 24 de Junho.

Passo dois: Determinar o Aniversário de Cristo
O resto das datas é muito simples. Lemos que depois da Virgem Maria Imaculada ter concebido Cristo, ela foi visitar a sua prima Isabel que estava grávida de seis meses com João Baptista. Isto significa que João Baptista era seis meses mais velho que Nosso Senhor Jesus Cristo (Lc 1, 24-27,36). Acrescentem seis meses a 24 de Junho e isso revela 24-25 de Dezembro como o aniversário de Cristo. Subtraiam nove meses a 25 de Dezembro e isso revela que a anunciação foi a 25 de Março. Todas as datas estão perfeitamente de acordo.

Portanto, se João Baptista foi concebido pouco depois do Dia da Expiação judaico, então as datas Católicas tradicionais estão essencialmente correctas. O nascimento de Cristo devia ser perto de ou a 25 de Dezembro. 

Taylor Marshall

* Eu sei que há dois cursos de Abias. Esta teoria só funciona se Zacarias e Isabel conceberam João Baptista depois do segundo curso de Zacarias - o curso de Setembro. Se S. Lucas  se refere ao primeiro curso, isto então colocaria o nascimento de João Baptista no final do ano e o nascimento de Cristo no final da Primavera. No entanto, penso que a tradição e o Protoevangelium sustentam que o Baptista foi concebido no final de Setembro.

**A tradição grega em especial celebra S. Zacarias como "sumo sacerdote". Ainda assim, Actos 5, 24 revela que haviam várias "sacerdotes chefes" (ἀρχιερεῖς), e portanto a ideia de que Zacarias era um "sumo sacerdote" pode não indicar uma contradição. A tradição grega identifica Zacarias com um arce-sacerdote e mártir, baseada na narrativa do protoevangelho de Tiago e em Mateus 23, 35: "Que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel, até ao sangue de Zacarias filho de Baraquias, que vós matastes entre o templo e o altar.” (Mateus 23, 35)


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quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Palavras e frases em Latim que qualquer homem deveria saber

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Desde a Idade Média até metade do século XX, o Latim era uma parte central do currículo escolar de um homem do Ocidente. Juntamente com a lógica e a retórica, a gramática (como era conhecido o Latim) estava incluída no Trivium - a base da edução medieval em artes liberais. Foi do Latim que toda a cultura fluiu e o Latim foi verdadeiramente a porta para a vida intelectual, dado que a maior parte da literatura científica, religiosa, legal e filosófica foi escrita nesta linguagem até o século XVI. Para uma pessoa entrar a sério nos estudos clássicos e humanistas, o Latim era obrigatório.
Durante este período, as escolas de gramática na Europa, e especialmente em Inglaterra, eram escolas de Latim, e a primeira escola secundária fundada na América pelos puritanos foi também uma escola de Latim. Mas, a partir do século XIV, os escritores começaram a usar o vernáculo nas suas obras, que começou lentamente a rachar a importância central do Latim na educação. Esta moda pelo ensino em língua inglesa acelerou no século XIX; as escolas pararam de dar futuros padres para dar homens de negócios licenciados que iriam tomar o seu posto numa economia industrializada. O ênfase nas artes liberais começou a dar lugar ao que era considerado como uma educação prática em leitura, escrita e aritmética.
Enquanto recebia uma morte lenta durante centenas de anos, o Latim continuou a ter uma presença forte nas escolas até meados do século XX. A partir dos anos 60, os alunos universitários exigiram que os currículos fossem mais abertos, inclusivos e menos "euro-centrados". Dentro das mudanças que sugeriam estava a eliminação do Latim como um curso obrigatório para todos os estudantes. Para acabar com os protestos estudantis, as universidades começaram lentamente a deixar de lado a obrigatoriedade do Latim e, como as universidades pararam de exigir Latim, muitos liceus na América pararam também de dar aulas de Latim. Mais ou menos na mesma altura a Igreja Católica reviu a sua liturgia e permitiu aos sacerdotes celebrarem a Missa na língua vernácula em vez do Latim, eliminando assim uma das últimas ligações do público à língua antiga.
Apesar de já não ser obrigatório para um homem saber Latim para avançar na vida, ainda é um óptimo assunto para estudar. Eu tive que ter aulas de latim como parte do meu “major em Letras” na Universidade de Oklahoma e gostei imenso. Mesmo que já estejam bem fora da escola, há uma miríade de razões pelas quais deviam considerar obter, pelo menos, um conhecimento rudimentar desta língua:
Saber Latim pode aumentar o vosso vocabulário de inglês. Apesar de o inglês ser uma língua germânica, o Latim influenciou-a fortemente. A maior parte dos nossos prefixos e algumas das raízes do inglês mais comum vêm do Latim. Segundo certas estimativas, 30% das palavras inglesas vêm desta língua antiga. Ao saber o significado destas palavras latinas, se por acaso encontrarem uma palavra que nunca viram antes, podem tentar adivinhar com algumas bases o que significa. De facto, uns estudos mostraram que os alunos de liceu que estudaram Latim tiveram uma média de 647 no exame verbal de SAT, comparando com a média nacional de 505.
Saber Latim pode melhorar o vosso vocabulário de línguas estrangeiras. Muitas das línguas românicas por aí faladas, como o espanhol, o francês e o italiano vêm do Latim vulgar. Vão-se espantar pelo número de palavras românicas que são praticamente iguais aos seus equivalentes latinos.
Muitos termos legais estão em Latim. Nolo contendere. Mens rea. Caveat emptor. Sabem o que isto significa? Na verdade, são frases comuns em direito. Apesar de terem existido avanços para traduzir a linguagem legal para inglês simples, ainda vão encontrar velhas frases em Latim em contractos legais de vez em quando. Para serem cidadãos e consumidores educados, precisam de saber o que significam essas frases. Se estão a planear estudar direito, recomendo muitíssimo que se ponham a pau no Latim. Vão encontrá-lo a toda a hora, especialmente ao ler casos com leis antigas.
Saber Latim pode dar-vos um olhar mais apurado sobre a história e a literatura. O Latim foi a lingua franca do Ocidente durante mais de mil anos. Consequentemente, grande parte da nossa história, ciência e da melhor literatura foi registada em Latim. Ler estes clássicos na língua original pode dar-vos conhecimentos que, caso contrário, teriam perdido se lessem em inglês.
Mais ainda, os escritores modernos (e por moderno quero dizer início do século XVII) normalmente temperam as suas obras com palavras e frases em Latim sem dar uma tradução, porque esperam (razoavelmente) que o leitor esteja familiariazado com elas. Isto é verdade para grandes livros de até mesmo há algumas décadas atrás (hoje em dia parece muito menos comum - o que não é um comentário esperançoso no que toca à direcção da literacia do público, penso). O facto de não terem um conhecimento rudimentar de Latim vai fazer com que não percebam a fundo o que o escritor quis passar.
Em baixo têm uma lista de palavras e frases em Latim para ajudar a espicaçar o vosso interesse em aprender esta língua clássica. Esta lista não é de nenhum modo exaustiva. Incluímos algumas das palavras e frases latinas que se vê mais nos dias de hoje, que são uma boa ajuda para saber e aumentar a vossa cultura literária de todos os lados. Incluímos também alguns ditos viris, aforismos e lemas que podem inspirar-vos para algo maior ou lembrar-nos de verdades importantes. Talvez possam encontrar uma frase em Latim que possam adoptar como o vosso lema pessoal. Semper Virilis!

Palavras e Frases em Latim que qualquer homem devia saber

(mais aqui)
a posteriorido último -- saber ou justificação que depende da experiência
ou de evidência empírica
a priorido que vem antes -- saber ou justificação que é independente
da experiência
faber est suae quisque fortunaecada homem é o responsável do seu próprio futuro --
citação de Ápio Cláudio Cego
acta non verbaobras, não palavras
ad hoca isto -- improvisado ou inventado
ad hominemao homem -- ataque pessoal de baixo nível em vez de
de um argumento razoável
ad honorempela honra
in artofmanliness.com

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