domingo, 31 de janeiro de 2021

A oração e a pureza estiveram sempre presentes na vida de D. Bosco

D. Bosco rezava sempre. Nele, a união com Deus era contínua. Quem se aproximava dele percebia logo estar diante de um serafim. Era-o tal quando rezava de joelhos; era-o ao celebrar a Santa Missa; era-o no caminhar grave e sereno; tal era quando nas conversações sabia elevar-se a Deus por mais comum que fosse o argumento sem que por isso se tornasse enfadonho ou aborrecido; fazia-o com uma naturalidade incrível. 

A sua palavra, os seus gestos, a sua atitude, em suma, qualquer acção de D. Bosco respiravam uma candura e um aroma tão virginal que arrebatava e edificava a quem quer que se aproximasse dele, fosse embora um desencaminhado. O ar angélico que lhe transparecia no rosto tinha um atractivo especial para conquistar os corações. Dos seus lábios jamais saiu uma palavra que se pudesse taxar de menos própria. 

No seu exterior evitava qualquer gesto ou qualquer movimento que parecesse mundano. Quem o conheceu nos momentos mais íntimos de sua vida, o que achou nele de mais extraordinário foi sem dúvida a suma atenção que sempre usou na prática dos mais vivos cuidados para não lesar a modéstia. 

"Estou absolutamente convencido – declara o Cónego Berrome – que D. Bosco conduziu à tumba a estola da inocência baptismal. Lia-se a virtude da castidade no seu olhar, na sua atitude, na sua palavra e em todos os seus actos; bastava fixá-lo para sentir o perfume desta virtude."

V. Sinistrero in 'Dom Bosco nos guia à Pureza' (Niterói: Escolas Profissionais Salesianas, 1940, pp. 120-124)


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Domingo de Septuagésima

Este Domingo, 31 de Janeiro, é o Domingo de Septuagésima (ou simplesmente "Septuagesima") no calendário antigo (pelo qual se rege a forma extraordinária do Rito Romano). É o nono Domingo antes da Páscoa, e o terceiro antes de Quarta-feira de Cinzas.

Apesar de se chamar Septuagésima, não é o 70º dia antes da Páscoa (assim como o Domingo seguinte, Sexagésima, não é o 60º dia antes da Páscoa), pelo que ainda se debate a origem da nomenclatura. Septuagésima tomou um sentido místico, relacionando-se com os 70 anos de cativeiro do povo judeu na Babilónia. 

Também se dá o nome de Septuagésima ao período de 17 dias que se estende até ao início da Quaresma, e é considerado como uma “pré-Quaresma”, ou seja, um período de preparação para a Quaresma. Este período de três semanas corresponde às três semanas da pré-Quaresma no rito bizantino, que começa com o Domingo do Publicano e do Fariseu; não existe no calendário novo do Rito Romano.

Crê-se que a sua observação deve-se à existência de dias de não-observação do jejum quaresmal, o que levava a que não se chegasse aos 40 dias de jejum. É muito provável que o período de Septuagésima seja um exemplo de “polinização” mútua de ritos, sendo uma prática adoptada da Igreja bizantina (não era costume nesta jejuar aos sábados; e a não-observação do jejum aos domingos era, e é, prática universal). 

Atribui-se a sua instituição na Igreja latina ao Papa S. Gregório Magno (+604), que compilou as orações e leituras para estes domingos pré-quaresmais. Todavia, enquanto que os bizantinos iniciam logo o período de jejum com o Triódion (embora faseado), o período de Septuagésima apenas afecta a liturgia.

Com o início deste período passam a existir algumas mudanças na liturgia. A partir das Completas do Domingo de Septuagésima deixa-se de incluir o “Aleluia” nas orações; e em certos lugares existe até uma cerimónia de “enterro do Aleluia”. A substituir o "Aleluia", a seguir ao “Gradual” aparece o “Tracto”. 

A doxologia maior, “Glória”, e o hino Ambrosiano, “Te Deum”, deixam de ser ditos com o começo deste período. Os paramentos litúrgicos passam a púrpura (a não ser em dias de festa), antecipando assim o período penitencial que se aproxima.

in unavoceportugal

  


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sábado, 30 de janeiro de 2021

Os 7 Domingos em honra de São José

Os 7 Domingos em honra de São José são uma tradição do séc. XVI que consiste numa especial devoção ao Patrono da Igreja, nos 7 Domingos que antecedem a sua Festa (dia 19 de Março). O primeiro desses Domingos é amanhã, dia 31 de Janeiro. O último será no Domingo dia 14 de Março.

Oração:

Pois sois santo sem igual e de Deus o mais honrado:

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
Antes que tivésseis nascido, já fostes santificado, e ao eterno destinado para ser favorecido: nascestes de linhagem e sangue real.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
Vossa vida foi tão pura que, depois de Maria, o mundo não viu mais santa criatura; e assim foi a vossa ventura entre todos sem igual.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
Vossa santidade declara aquele caso soberano, quando em vossa santa mão floresceu a seca vara; e para que ninguém duvidasse, fez o Céu esse sinal.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
À vista desse milagre, todos vos respeitavam e felicitavam com alegria e contentamento pelo casamento com a Rainha Celestial.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
Com júbilo recebestes a Maria por esposa, Virgem pura, santa, com a qual feliz vivestes, e por Ela conseguisteis dons e luz celestial.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
Ofício de carpinteiro exercitastes em vida, para ganhar a comida a Jesus, Deus verdadeiro, e para a vossa Esposa, luzeiro, companheira virginal.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
A vós e Deus deram-se mutuamente com terno amor: Vós lhe destes o suor, e Ele vos deu a vida imortal.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
Vós fostes a concha fina onde se conservou inteira a pureza daquela Pérola Divina, vossa Esposa e Mãe digna, a qual nos tirou do mal.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.

Primeiro Domingo

A dor: Quando estava disposto a repudiar a sua Imaculada esposa.
A alegria: Quando o Arcanjo lhe revelou o sublime mistério da encarnação.

Oh! castíssimo esposo de Maria, glorioso São José, que aflição e angustia a do vosso Coração na perplexidade em que estáveis sem saber se devíeis abandonar ou não a vossa esposa sem mancha! mas qual não foi também a vossa alegria quando o Anjo vos revelou o grande mistério da Encarnação!

Por essa dor e esta alegria vos pedimos consoleis o nosso Coração agora e nas nossas últimas dores, com a alegria de uma vida justa e de uma santa morte semelhante à vossa, assistidos por Jesus e de Maria.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória

Segundo Domingo

A dor: Ao ver nascer o menino Jesus na pobreza.
A alegria: Ao escutar a harmonia do coro dos Anjos e observar a glória dessa noite.

Oh! Bem-aventurado patriarca, glorioso São José, escolhido para ser pai adoptivo do Filho de Deus feito homem: a dor que sentistes vendo nascer o menino Jesus em tão grande pobreza transformou-se, por certo, em alegria celestial ao ouvir o harmonioso concerto dos Anjos e ao contemplar as maravilhas daquela noite tão resplandecente.

Por essa dor e esta alegria alcançai-nos que depois do caminho desta vida possamos ir escutar as adorações dos Anjos e a gozar dos resplandores da glória celestial.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória

Terceiro Domingo

A dor: Quando o sangue do menino Salvador foi derramado na sua circuncisão.
A alegria: Ao ouvir o nome de Jesus.

Oh! executor obedientíssimo das leis divinas, glorioso São José: o sangue preciosíssimo que o Redentor menino derramou na sua circuncisão trespassou-vos o coração; mas o nome de Jesus que então lhe deram, confortou-vos e encheu-vos de alegria.

Por essa dor e esta alegria alcançai-nos viver separados de todo pecado, a fim de expirar alegres, com o santíssimo nome de Jesus no Coração e nos lábios.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória

Quarto Domingo

A dor: A profecia de Simão, ao predizer os sofrimentos de Jesus e Maria.
A alegria: A profecia da salvação e gloriosa ressurreição de inumeráveis almas.

Oh! Santo fidelíssimo, que tivestes parte nos mistérios de nossa redenção, glorioso São José; ainda que a profecia de Simão acerca dos sofrimentos que deveriam passar Jesus e Maria vos tenha causado dor mortal; sem dúvida encheu-vos também de alegria, anunciando, ao mesmo tempo, a salvação e ressurreição gloriosa que dali se seguiria para um grande número de almas.

Por essa dor e por esta alegria consegui-nos de sermos do número dos que, pelos méritos de Jesus e a intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, haverão de ressuscitar gloriosamente.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória

Quinto Domingo

A dor: No seu trabalho de educar e servir ao Filho do Altíssimo, especialmente na viagem para o Egipto.
A alegria: Ao ter sempre com ele a Deus verdadeiro, e vendo a queda dos ídolos do Egipto.

Oh! custódio vigilante, familiar íntimo do Filho de Deus feito homem, glorioso São José, quanto sofrestes tendo que alimentar e servir o Filho do Altíssimo, particularmente na vossa fuga ao Egipto!, mas quão grande foi também a vossa alegria tendo sempre convosco o mesmo Deus e vendo derrubados os ídolos do Egipto.

Por essa dor e esta alegria, alcançai-nos afastar para sempre de nós o tirano infernal, sobretudo fugindo das ocasiões perigosas, e derrubar do nosso coração todos os ídolos de afecto terreno, para que, ocupados em servir a Jesus e Maria, vivamos tão somente para eles e morramos alegres no seu amor.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória

Sexto Domingo

A dor: Ao regressar a sua Nazaré por medo a Arquelau.
A alegria: Ao regressar com Jesus do Egipto a Nazaré e a confiança estabelecida pelo Anjo.

Oh! anjo da terra, glorioso São José, que pudestes admirar ao Rei dos céus, submetido aos vossos mais mínimos mandatos; ainda que a alegria ao trazer-lhe do Egipto se mudou por temor a Arquelau, sem dúvida, tranquilizado logo pelo Anjo, vivestes feliz em Nazaré com Jesus e Maria.

Por essa dor e esta alegria, alcançai-nos a graça de desterrar de nosso Coração todo o temor nocivo, possuir a paz de consciência, viver seguros com Jesus e Maria e morrer também assistidos por Eles.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória

Sétimo Domingo

A dor: Quando sem culpa perde Jesus e o procura com angustia durante três dias.
A alegria: Ao encontra-lo em meio aos doutores no Templo.

Oh! modelo de toda santidade, glorioso São José, que havendo perdido sem culpa vossa o menino Jesus, o buscasteis durante três dias com profunda dor, até que, cheio de alegria, o achastes no templo, em meio dos doutores.

Por essa dor e esta alegria, vos suplicamos com palavras saídas do coração, intercedais em nosso favor para que jamais nos suceda perder a Jesus por algum pecado grave.

Mas, se por desgraça o perdermos, fazei que o busquemos com tal dor que não achemos sossego até encontrar-lo benigno sobre tudo em nossa morte, a fim de irmos ao Céu e cantar eternamente convosco as Suas divinas misericórdias.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória


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Hoje é Sábado de Enterro do Aleluia

Aleluia (do hebr. = Louvai a Deus) é uma aclamação de júbilo, frequentemente usada nos salmos, e adoptada, desde os tempos primitivos do cristianismo, na Liturgia. No Rito romano é suprimido o Aleluia nos Ofícios pelos defuntos e desde a Septuagésima até ao Sábado Santo, o "Sábado de Aleluia".

Existem vários costumes relacionados com a supressão do Aleluia da Liturgia no Domingo da Septuagésima. Nos livros litúrgicos romanos, isso é feito da maneira mais simples possível: no final do Ofício das Vésperas do sábado anterior ao Domingo da Septuagésima, o “Alleluia” é acrescentado duas vezes ao final do “Benedicamus Domino” e “Deo gratias”, que são cantados em tom pascal, sendo substituído pelo Laus tibi Domine, rex aeternae gloriae, no início das horas canónicas. A palavra é então abandonada completamente na Liturgia até a Vigília Pascal.

Em alguns usos medievais, entretanto, o Aleluia foi acrescentado ao fim de cada antífona destas Vésperas. E nos tempos em que a participação do povo na Liturgia era mais intensa, fazia-se, em alguns países, o “enterro” do Aleluia com certa solenidade (antífona e oração próprias) ou até com cerimónias especiais, por exemplo, imitando um enterro cristão. Assim vários costumes, alguns formalmente incluídos na liturgia e outros não, cresceram em torno dessa despedida do Aleluia.

Um dos costumes mais populares é o enterro do Aleluia. Para isso, costuma-se proceder do seguinte modo:

1. Escreve-se a palavra “Alleluia” num grande pedaço de pergaminho e depois das Vésperas enterravam-no no adro da igreja, para que possa ser desenterrado novamente no Domingo de Páscoa.

2. Coloca-se o pergaminho “Alleluia” numa caixa (caixão). Caso contrário, nalgum plástico para garantir que não se estrague.

3. Enterra-se o caixão do Alleluia no chão.

E pode ainda acrescentar-se uma cruz de madeira sobre o túmulo de Aleluia e escreve-se: “Aqui jaz o Alleluia”. Desenterra-se o Aleluia no Domingo de Páscoa!

O enterro é feito com uma procissão da igreja até ao seu adro, onde é feito o enterro. O espírito de tal cerimónia é realmente o de despedida. Quem reza o Breviário vai à Missa Tradicional percebe e sente a falta dessa manifestação de alegria e júbilo na Liturgia, pois a supressão do Aleluia marca o início de várias outras supressões e mudanças na Liturgia até o Tríduo Pascal.







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sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Exame de consciência antes de dormir - São Francisco de Sales

Escolhe alguns minutos antes de dormir e prostra-te diante do teu Deus aos pés do crucifixo, lembrando-te contigo mesmo da dissipação do dia. Reacende no teu coração o fogo da meditação da manhã por actos de profunda humilhação, por suspiros de ardente amor a Deus, e aprofunda-te, abrasado deste amor, nas chagas do amantíssimo Salvador, ou então vai repassando em teu espírito e no fundo do teu coração tudo quanto saboreaste na oração, a não ser que prefiras ocupar-te de um novo objeto.

Quanto ao exame de consciência, que devemos fazer antes de nos deitarmos, não há ninguém que ignore.

1. Devemos agradecer a Deus de nos ter conservado durante o dia.

2. Examinam-se todas as acções, uma a uma, e as suas circunstâncias.

3. Achando-se alguma coisa de bom, feita nesse dia, dá-se graças a Deus; se, ao contrário, se lhe tem ofendido por palavras, por pensamentos e por obras; pede-se-lhe perdão por um acto de contrição, que deve abranger a dor dos pecados cometidos, o bom propósito de corrigi-los e boa vontade de confessá-los na primeira ocasião.

4. Depois disso, recomenda-se a divina Providência o corpo e a alma, a Igreja, os parentes e amigos; invoca-se a Santíssima Virgem, os Santos e os Anjos da Guarda, pedindo-lhes de velar sobre nós. Feito isso, com a bênção de Deus, vamos tomar o repouso que ele quer que tomemos.

Nunca se deve omitir esta oração da noite, assim como a da manhã; pois como, pela oração da manhã se abrem as janelas da alma para o Sol da justiça, assim pela oração da noite elas se fecham para as trevas do inferno.

São Francisco de Sales in 'Filoteia ou a Introdução à Vida Devota'


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As Verdadeiras Amizades - São Francisco de Sales

Ah! quanto é bom amar já na Terra o que se amará no Céu e aprender a amar aqui estas coisas como as amaremos eternamente na vida futura. Não falo simplesmente do amor cristão, que devemos ao nosso próximo, todo e qualquer que seja, mas aludo à amizade espiritual, pela qual duas, três ou mais pessoas comunicam mutuamente as suas devoções, bons desejos e resoluções por amor de Deus, tornando-se um só coração e uma só alma.

Com toda a razão podem cantar então as palavras de David: "Oh! quão bom e agradável é habitarem juntamente os irmãos!" Sim, Filoteia, porque o bálsamo precioso da devoção está sempre a passar dum coração para o outro através duma contínua e mútua participação; de tal modo que se pode dizer que Deus lançou sobre esta amizade a sua bênção, por todos os séculos dos séculos.

Todas as outras amizades são como as sombras desta e os seus laços são frágeis como o vidro, ao passo que estes corações ditosos, unidos em espírito de devoção, estão presos por uma corrente toda de ouro. Filoteia, todas as tuas amizades sejam desta natureza, isto é, todas aquelas que dependem da tua livre escolha, porque não deves romper nem negligenciar as que a natureza e outros deveres te obrigam a manter, como em relação aos teus pais, parentes, benfeitores e vizinhos.
Hás de ouvir que não se deve consagrar afecto particular ou amizade a ninguém, porque isto ocupa demais o coração, distrai o espírito e causa ciúmes; mas é um mau conselho, porque, se muitos autores sábios e santos ensinam que as amizades particulares são muito nocivas aos religiosos, não podemos, no entanto, aplicar o mesmo princípio a pessoas que vivem no meio do mundo — e há aqui uma grande diferença.

Num mosteiro onde há fervor, todos visam o mesmo fim, que é a perfeição do seu estado, e por isso a manutenção das amizades particulares não pode ser tolerada ai, para precaver que, procurando alguns em particular o que é comum a todos, passem das particularidades aos partidos.

Mas no mundo é necessário que aqueles que se entregam à prática da virtude se unam por uma santa amizade, para mutuamente se animarem e conservarem nesses santos exercícios. Na religião os caminhos de Deus são fáceis e planos e os que ai vivem se assemelham a viajantes que caminham numa bela planície, sem necessitar de pedir a mão em auxílio. Mas os que vivem no meio do mundo, onde há tantas dificuldades a vencer para ir a Deus, parecem-se com os viajantes que andam por caminhos difíceis, escabrosos e escorregadios, precisando sustentar-se uns nos outros para caminhar com mais segurança.

Não, no mundo nem todos têm o mesmo fim e o mesmo espírito e dai vem a necessidade desses laços particulares que o Espírito Santo forma e conserva nos corações que lhe querem ser fiéis. Concedo que esta particularidade forme um partido, mas é um partido santo, que somente separa o bem do mal: as ovelhas das cabras, as abelhas dos zangões, separação esta que é absolutamente necessária.

Em verdade não se pode negar que Nosso Senhor amava com um amor mais terno e especial a S. João, a Marta, a Madalena e a Lázaro, seu irmão, pois o Evangelho o dá a entender claramente. Sabe-se que S. Pedro amava ternamente a S. Marcos e a Santa Petronila, como S. Paulo ao seu querido Timóteo e a Santa Tecla.

S. Gregório Nazianzeno, amigo de São Basílio, fala com muito prazer e ufania da sua íntima amizade, descrevendo-a do modo seguinte: "Parecia que em nós havia uma só alma, para animar os nossos corpos, e que não se devia mais crer nos que dizem que uma coisa é em si mesma tudo quanto é e não numa outra; estávamos, pois, ambos em um de nós e um no outro. Uma única e a mesma vontade unia-nos nos nossos propósitos de cultivar a virtude, de conformar toda a nossa vida com a esperança do Céu, trabalhando ambos unidos como uma só pessoa, para sair, já antes de morrer, desta Terra perecedora."

Santo Agostinho testemunha que Santo Ambrósio amava a Santa Mónica unicamente devido às raras virtudes que via nela e que ela mesma estimava este santo prelado como um anjo de Deus.

Mas para quê deter-te tanto tempo numa coisa tão clara? S. Jerónimo, Santo Agostinho, S. Gregório, S. Bernardo e todos os grandes servos de Deus tiveram amizades particulares, sem dano algum para a sua santidade.

S. Paulo, repreendendo os pagãos pela corrupção de suas vidas, acusa-os de gente sem afecto, isto é, sem amizade de qualidade alguma. S. Tomás de Aquino reconhecia, com todos os bons filósofos, que a amizade é uma virtude e entende a amizade particular, porque diz expressamente que a verdadeira amizade não pode se estender a muitas pessoas.

A perfeição, portanto, não consiste em não ter nenhuma amizade, mas em não ter nenhuma que não seja boa e santa.

in Filoteia, Introdução à Vida Devota (Cap. XIX)


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Tentações sacerdotais

Os Padres, Bispos, Cardeais e Papas, são vasos de barro, que trazem em si um tesouro Imenso, Infinito. Como vasos de argila são frágeis, facilmente quebradiços e sujeitos a muitas e tremendas tentações. Estas, como se sabe não são pecado, aliás, no Pai-nosso não pedimos a Deus que nos livre das tentações (embora todos têm a estricta obrigação moral de não se colocar em ocasião delas), imploramos sim que não nos deixe cair nelas, isto é, que nos conceda o Seu auxílio, a Sua Graça, para as vencermos, e não pecarmos.
 
Há tentações claras, diria evidentes, que de tão manifestas poderão ser repudiadas prontamente e com veemência. Outras, porém, são mais subtis, como que disfarçadas, seduzindo com grandes aparências de bem.
 
Uma muita perigosa é a do narcisismo. O narcisismo pode encontrar-se em muitos tipos de sacerdotes, quer nos impropriamente chamados avançados ou progressistas quer nos inadequadamente apelidados de tradicionalistas. Os primeiros, procurarão sobressair pelas celebrações litúrgicas criativas, por homilias fantasiosas, de mentalidade secularista, e declarações bombásticas desenquadradas, ou mesmo à margem, da Doutrina da Igreja, da Sagrada Escritura e da Tradição. 

Os segundos, que gostam muito de ser vistos, pelo contrário, buscam distinguir-se por celebrações cuidadas e devotas, regozijando-se com a admiração e elogios dos fiéis. Como os primeiros, embora de forma oposta, preocupam-se em fazer homilias que possam ser apreciadas, como que aplaudidas. Em vez de procurarem que as pessoas depois do sermão saiam insatisfeitas consigo próprias - arrependidas de seus pecados e empenhando-se por uma conversão cada vez maior -, esforçam-se para que os fiéis saiam muito satisfeitos e contentes com o pregador.
 
Todos os que padecem de narcisismo, embora de modos contraditórios, procuram a singularidade, não suportando passar despercebidos.
 
Outras tentações muito insidiosas, e que frequentemente vão juntas, são a do medo e a do “carreirismo” eclesiástico. Não poucos Padres e Párocos receosos de perderem as Paróquias ou os títulos que adquiriram querem fazer figura diante dos seus Bispos independentemente de se eles estão certos ou errados nas questões Doutrinais-Disciplinares. 

Assim, são capazes de escrever artigos ou fazer homilias advogando aquilo em que não acreditam e contra as suas consciências, por exemplo, darem a Comunhão a Pecadores públicos obstinados, com a desculpa esfarrapada de que não veem as pessoas a quem A distribuem. Não contentes com a desfaçatez hipócrita barram, recorrendo a falsas razões, a Celebração Eucarística a outros Padres, que seguindo o Magistério perene da Igreja e a Sua Sagrada Tradição se recusam a ser cúmplices facilitando os sacrilégios.
 
E o Padre ou Padres que são sistematicamente excluídos por estas razões e outras semelhantes, que deve fazer? Evidentemente, dar Graças a Deus e agradecer-lhe muito do fundo do coração que a Sua Providência Bendita lhe tenha concedido esta Graça da de poder viver e experimentar a humilhação. De facto, ninguém se torna humilde de não padecer humilhações.
 
À honra de Cristo. Ámen.

Padre Nuno Serras Pereira


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quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

São Pedro Nolasco fundador do Mercedários

São Pedro Nolasco nasceu em 1190. Os pais constatavam com muita satisfação, que ao desenvolvimento físico do filho, correspondia igual progresso moral. Era admirável a terna compaixão que Pedro, criança ainda, revelava pelos pobres. O aspecto da miséria causava-lhe tanta tristeza, que os pais, querendo consolá-lo, haviam de dar-lhe esmolas para os pobres. 

Mais tarde, quando estudante, repartia com os pobres tudo que dos pais recebia. Com o maior cuidado guardava o tesouro da pureza do coração, e todo o seu desejo era poder servir a Deus do modo mais perfeito. Daí a fuga de tudo que pudesse desagradar a Deus, ou ser um perigo para a sua alma. 

Pedro tinha 15 anos quando perdeu o pai. A mãe, desejando ter uma auxiliar no governo da casa, insistiu com Pedro para que estabelecesse família, ao que este se opôs terminantemente. Mais ainda: fez os votos de castidade e de pobreza, com o propósito de repartir os bens entre os pobres.

A França, naquela época, estava tomada por sérias desordens que infestavam todo o território sul, dentre as quais os abusos dos albigenses (facção maniqueísta que alastrou-se pelo país). Para evitar qualquer contato com os hereges, Pedro associou-se ao conde Simão Monfort, comandante do Exército Católico. Com ele mudou-se para a Espanha, onde lhe foi confiada a educação do príncipe Jaime de Aragão.

Ofereceu-se-lhe ocasião de observar a tristíssima sorte dos cristãos que tiveram a infelicidade de cair no poder dos muçulmanos, que corriam grande perigo de perder a fé. Diante disto Pedro aplicou toda a sua fortuna no resgate daqueles infelizes, mas como a quantidade de escravos era enorme, acabou tendo de recorrer à caridade de outras pessoas que, caridosamente contribuíram com elevadas somas para a redenção dos pobres cativos.

No primeiro de Agosto de 1223, Pedro teve uma revelação da Santíssima Virgem, a qual mostrando grande satisfação pelo bem que fizera aos cristãos, deu-lhe a ordem de fundar uma congregação com o fim determinado da redenção dos cativos. Pedro comunicou este facto a São Raimundo de Penaforte, seu confessor e ao Rei Jaime, e grande surpresa teve quando deles soube, que ambos, na mesma noite, haviam tido a mesma aparição. 

Tendo assim tão claramente a revelação da vontade divina, Pedro sem demora pôs mãos à obra e emitiu os três votos, de pobreza, castidade e obediência, acrescentando o quarto, de sacrificar os bens e a própria liberdade, se necessário fosse, pela redenção dos captivos. Do bispo Berengário, de Barcelona, recebeu estes seus votos.

São Raimundo de Penaforte, por sua vez, organizou as constituições da regra da nova ordem, e impôs a Pedro o hábito nomeando-o primeiro Superior. A nova instituição teve gratíssimo acolhimento da parte do povo e com Raimundo, mais dois fidalgos receberam o hábito.

A nova regra obteve, já em 1235, a aprovação da Santa Sé. Durante o espaço de trinta e um anos dirigiu os destinos da Ordem, e por milhares contaram-se os cristãos que lhe deveram a libertação do cativeiro mourisco.

Grande desejo tinha tinha de visitar o túmulo do apóstolo São Pedro, a quem dedicava especial devoção. Quando, na hora das matinas apresentou a Deus o pedido de ver realizado esse desejo, apareceu-lhe São Pedro, fazendo-lhe ver que não era a vontade de Deus que fizesse aquela viagem. Pedro contentou-se inteiramente com esta resposta.

Os últimos anos da sua vida foram-lhe amargurados pela impossibilidade de trabalhar. Sentindo-se ao fim da peregrinação terrena, reuniu todos os religiosos de sua Ordem, para lhes dar os últimos conselhos e a bênção. As últimas palavras que disse, foram: "Eu vos louvarei, Senhor, porque a salvação trouxestes ao povo". São Pedro Nolasco morreu a 25 de Dezembro de 1256.

in paginaoriente.com


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quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Os Anjos estão presentes na Santa Missa

"Enquanto a Missa é celebrada, o santuário enche-se de inúmeros anjos 
que adoram a Vítima Divina oferecida sobre o altar."

São João Crisóstomo


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Perdão

Cristo pede-nos duas coisas: que condenemos os nossos pecados e perdoemos os dos outros, e que façamos a primeira coisa por causa da segunda, que será então mais fácil, pois aquele que pensa nos seus pecados será menos severo para com o seu companheiro de miséria. E perdoar não apenas por palavras mas «do fundo do coração», para que não se vire contra nós o ferro com que cremos trespassar os outros. 

Que mal te pode fazer o teu inimigo, que se possa comparar com aquele que fazes a ti próprio? Se te deixas levar pela indignação e pela cólera, serás ferido, não pela injúria que ele te fez, mas pelo ressentimento com que ficas.

Não digas: «Ele ultrajou-me, ele caluniou-me, ele causou-me inúmeros males.» Quanto mais disseres que ele te fez mal, mais demonstras que ele te fez bem, pois deu-te oportunidade de te purificares dos teus pecados. 

Deste modo, quando mais ele te ofende, mais hipóteses te dá de obteres de Deus o perdão dos teus pecados. Porque, se quisermos, ninguém poderá prejudicar-nos; até os nossos inimigos nos prestam um grande serviço. Reflecte portanto nas vantagens que obténs de uma injúria suportada com humildade e doçura.

São João Crisóstomo in 'Homilia sobre São Mateus, nº61'


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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Sacrifício Infantil ao longo da História



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Gens Cornelia

Desde há muitos séculos, a Igreja continua a celebrar no dia 26 de Janeiro a memória de uma mulher que morreu nessa data em Belém no ano 404. Chamava-se Paula, nascida em Roma 57 anos antes (5 de Maio de 347), da estirpe dos Cornelia, uma família da mais alta nobreza romana, que deu ao Império romano mais homens de Estado que qualquer outra na história de Roma. Com 16 anos, Paula casou-se com Toxotius, um senador ilustre, com quem teve cinco filhos: quatro filhas (Blesila, Paulina, Eustóquia, Rufina) e um filho, Toxotius, com o mesmo nome do pai.

Paula e o marido possuíam uma cultura invulgar. Ele descendia de gerações de jurisconsultos célebres e ela, no meio do luxo em que foi educada, teve oportunidade de estudar. Sabemos da história com algum pormenor porque S. Jerónimo, que a conheceu bem, escreveu a sua biografia («Epitaphium sanctae Paulae»).

O palácio onde viviam, no centro de Roma, situava-se onde existem hoje a igreja e os edifícios de San Girolamo della Carità. No antigo palácio se hospedou S. Jerónimo quando esteve em Roma e, na construção actual, viveu S. Filipe de Neri no século XVI, funcionaram durante vários séculos uma obra assistencial e um importante centro cultural (célebre sobretudo no âmbito da música) e encontram-se hoje a igreja de S. Jerónimo da Caridade e a biblioteca central da Universidade Pontifícia da Santa Cruz, confiadas ao Opus Dei.

No seu enorme palácio, por onde passava meia Roma, Paula conheceu alguns cristãos e ainda mais nas suas viagens, refastelada num trono carregado em ombros por uma comitiva de escravos. Em particular, conheceu Marcela, também de ascendência nobre, uma mulher de qualidades extraordinárias, em cuja casa se reuniam muitas senhoras, em obras de assistência, de estudo e de oração. Paula, cada vez mais amiga de Marcela e de todo o grupo, decide converter-se. Quando o marido morre, tinha Paula 32 anos, muda-se praticamente para o palácio de Marcela, onde o grupo vivia com grande austeridade, que surpreendia a cidade de Roma. Que umas nobres romanas fossem viver naquelas condições causou furor e escândalo violento.

Foi Marcela quem apresentou Paula a S. Jerónimo, chegado a Roma em 382, com os bispos de Salamina e de Antioquia, chamado pelo Papa S. Dâmaso, para rever a tradução latina da Bíblia, participar num concílio e o ajudar nalgumas tarefas. Paula compreendeu o alcance do trabalho de revisão das traduções e foi essa a razão de S. Jerónimo e os dois companheiros se terem hospedado em casa de Paula nos três anos que viveram em Roma.

Em 385, um mês depois de S. Jerónimo regressar à Terra Santa, Paula parte com a filha Eustóquia para seguirem lá uma vida monástica austera. Em Belém, fundam dois mosteiros, um de homens e outro de mulheres, que deixaram uma grande marca espiritual e cultural e foram centros de acolhimento de gente necessitada.

O convento foi completamente destruído pelas hordas de assaltantes que aterrorizavam a Terra Santa, tiveram de fugir, mas voltaram e recomeçaram.

Paula e a filha, além de dominarem o grego e o latim, estudaram hebraico a fundo para colaborarem com S. Jerónimo na tradução e no comentário teológico da Bíblia. Trabalhavam também na execução de cópias manuscritas dos textos, que eram enviadas de Belém para todo o mundo. Ao mesmo tempo, tiveram êxito numa tarefa difícil: embora santo, o grande Jerónimo era um pessimista inveterado, de trato muito azedo com todos, e o conselho delas foi providencial para lhe corrigir o mau génio.

A amiga Marcela continuou em Roma, trocando cartas com Paula, que lhe contava notícias dos conventos de Belém e não desistia de a tentar convencer a ir ter com elas à Terra Santa.

A filha Blesila casou-se com um nobre, enviuvou passados 7 meses e levou uma vida desleixada até que, pela oração da mãe, se converteu e se juntou ao grupo de cristãs em casa de Marcela. Paulina casou-se com Pamáquio, um senador da estirpe dos Camilli, modelo de patrício cristão. Eustóquia acompanhou a mãe, como se disse, e sucedeu-lhe como abadessa do convento feminino. Rufina morreu de parto, muito nova. O filho Toxotius também se converteu e uma das suas filhas juntou-se ao convento de Belém e acompanhou S. Jerónimo no leito de morte.

Quando Paula morreu, no tal dia 26 de Janeiro de 404, colocaram o corpo na basílica da Natividade, em Belém. Participou no funeral todo o episcopado da Palestina, juntamente com os monges e as monjas dos conventos, muitos cristãos e uma multidão imensa de pobres; contam os relatos que a afluência foi impressionante. Anos depois, a filha Eustóquia foi sepultada ao lado da mãe e, ao lado delas, sepultaram S. Jerónimo, o antigo sábio irrascível mudado em sábio simpático.

A Igreja canonizou Marcela, Paula, Eustóquia, Blesila e Jerónimo. Tão diferentes, tão amigos.

José Maria C.S. André


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Padre Brancos em Cartago



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segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Dia da Conversão do grande São Paulo

Saulo, cidadão romano por privilégio da sua cidade natal, Tarso, era um judeu convicto, formado na escola de Gamaliel, em Jerusalém. Opôs-se decididamente à nova fé que começava a propagar-se na Palestina e arredores. Clamou pela morte de Estêvão, e tomou parte nela, guardando as capas dos que apedrejavam o protomártir. Perseguiu violentamente os crentes em Jesus Cristo. O seu nome causava terror nas comunidades cristãs. Ao dirigir-se para Damasco para prender os cristãos que lá encontrasse e conduzi-los a Jerusalém, encontrou Jesus ressuscitado. 

Esse encontro mudou-lhe para sempre a vida, com a sua forma de crer e de pensar. Jesus ressuscitado, que ele perseguia, tornou-se o centro da sua espiritualidade e da sua teologia. Em Antioquia, Saulo faz a sua primeira experiência de vida cristã. Tornado apóstolo do Evangelho, com o nome de Paulo, Antioquia será também o ponto de partida para as suas viagens missionárias. Funda diversas comunidades na Ásia e na Europa. Escreve-lhes cartas que testemunham o seu amor a Jesus Cristo e à Igreja, e nos dão elementos importantes da sua teologia. Como apóstolo verdadeiro e autêntico, Paulo tem sempre o cuidado de voltar a Jerusalém para se confrontar com os outros apóstolos e não correr em vão.

Há muitos séculos que a festa da conversão de S. Paulo foi fixada no dia 25 de Janeiro, talvez por causa da data da transladação do seu corpo, que atualmente repousa na Basílica de S. Paulo Fora dos Muros, em Roma.

Meditatio

Em S. Paulo revela-se verdadeiramente o poder de Deus. Inimigo acérrimo do nome de Cristo, Saulo encontra-se com o Senhor no caminho de Damasco, acolhe-o na fé e torna-se seu Apóstolo entusiasta, com uma fecundidade extraordinária, que ainda não terminou. O seu itinerário de fé é símbolo do nosso.

Acreditar implica, antes de mais, encontrar pessoalmente Jesus de Nazaré, Deus feito homem. O cristão não se acredita numa doutrina, num sistema, mas numa pessoa, a pessoa humano-divina de Jesus. Ter fé é aderir vitalmente a Jesus, de tal modo que já não se pode viver sem Ele.

Realizado o encontro, passa-se ao diálogo, uma vez que a fé é encontro e adesão entre pessoas inteligentes e livres. A quem se dispõe ao diálogo, Deus revela a Si mesmo, revela a sua vontade e os seus projetos. Este diálogo vital leva aqueles que o realizam a uma forma de vida cada vez mais elevada.

Mas a fé cristã também é obediência, submissão, abandono total da criatura ao Criador. Obedecer não significa abdicar da própria liberdade ou dos próprios direitos. Significa, sim, perceber a imensa distância que existe entre si o interlocutor e, ao mesmo tempo, intuir que a adesão à vontade divina leva à total satisfação e realização de si mesmo.

Finalmente, a fé cristã é também missão. Não se pode privatizar um bem que, por sua natureza, é comunitário. Quem recebeu de Cristo o dom da salvação em Cristo, sente-se intimamente obrigado a fazer dele um dom para os outros.

O Apóstolo Paulo é nosso guia em tempos de aprofundamento espiritual e de renovação apostólica. Como ele, o apóstolo dos tempos novos deve procurar, em primeiro lugar, a inteligência do Mistério de Cristo num apego inquebrantável ao seu Amor (cf. Ef 3, 4; Rm 8, 35; Fl 3, 8-10). É apóstolo, em primeiro lugar, pelo testemunho da visão de Cristo (At 26, 1) e tornando-se no Espírito imagem viva do Salvador morto e ressuscitado. É a caridade do Senhor que vive nele e que o impele em direção aos homens para lhes anunciar o Evangelho de Deus, o Evangelho que todos podem ler na sua vida e nos seus escritos. Ensina-nos o serviço ardente e inteligente em favor do Reino. Vivendo de Cristo, a ponto de ser identificado com Ele pela graça (Gl 2, 20), lembra-nos que o serviço apostólico enraíza numa verdadeira consagração a Deus e dá à nossa oblação capacidade para se manifestar e aprofundar no trabalho generoso para que a humanidade se torne «uma oblação agradável santificada pelo Espírito Santo (XV Capítulo Geral, DOC VII, n. 167).

Oratio

Apóstolo S. Paulo, na tua juventude, deixaste-te levar por um zelo ardente mas errado em favor da unidade do povo de Deus. Por isso, perseguiste duramente os cristãos. Deus converteu-te e introduziu-te na Igreja, Corpo de Cristo, onde deve integrar-se quem quiser viver na verdadeira fé. Mas a tua adesão a Cristo e a tua integração na Igreja não te fizerem esquecer o teu povo, pelo qual sentias uma dor profunda e permanente. Que a minha alegria de estar em Cristo não me faça esquecer a situação do antigo Povo de Deus, nem a dos cristãos divididos, que tardam em chegar à unidade que Deus quer. Ámen.

Contemplatio

S. Paulo recolhe-se alguns dias, depois começa a pregar a divindade de Jesus Cristo. Será um dos mais poderosos apóstolos pela palavra e pelo sofrimento. «Escolhi-o, dizia Nosso Senhor, para levar o meu nome diante das nações e dos reis e dos filhos de Israel, e hei de mostrar-lhe quanto terá de sofrer pelo meu nome». A sua conversão e a sua vocação são devidas à misericórdia do Coração de Jesus. O Coração de Jesus ama as almas ardentes, zelosas, dedicadas. Mas a oração de Santo Estêvão contribuiu para estas grandes graças. Santo Estêvão rezava pelos seus perseguidores, entre os quais S. Paulo era o mais ardente. Se soubermos rezar e sofrer pelas almas, obteremos grandes graças, ilustres conversões, vocações poderosas. Ofereçamos as nossas orações, as nossas cruzes, os nossos sofrimentos ao Coração de Jesus para que envie à sua Igreja, nestes tempos difíceis, apóstolos poderosos em palavras e em obras (L. Dehon, OSP 3, p. 90s.).

Actio

Repete muitas vezes e vive hoje a palavra: “Que hei de fazer, Senhor?” (At 22, 10).  

in dehonianos.org


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Servir à Missa é uma escola de vocações




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domingo, 24 de janeiro de 2021

O mais santo acto de religião

"Sabe, cristão, que a Missa é o mais santo acto de religião. Tu não consegues fazer nada que glorifique mais a Deus, não há nada pelo qual a tua alma lucre mais do que pela tua devoção a assistir à Missa e assistir à mesma o maior numero de vezes possível."

São Pedro Julião Eymard (1868) é conhecido hoje como o Apóstolo da Eucaristia devido ao seu grande amor por Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento. Como fundador de um instituto religioso na sua terra natal, França, e um proponente da Comunhão e da adoração Eucarística frequentes, devemos refletir nas suas palavras sobre a Santa Missa. 

Em todas as missas nós somos participantes no mesmo acto da nossa própria redenção. Pensemos sobre isto por um momento. O Bispo Fulton Sheen relembrou-nos que a Missa é o “acto de coroação do culto cristão” e que, no altar, é reencontrada a memória da Sua Paixão. Nós estamos lá, no Calvário, sempre que vamos à Missa. Quando o sacerdote oferece o Santo Sacrifício do Filho ao Pai, nós participamos unindo as nossas orações com as dele, oferecendo-as também a Deus. 

É óbvio pelo declínio geral visto nas presenças na Missa durante as últimas quatro décadas que poucos compreendem esta dimensão sobrenatural da sagrada liturgia. Demasiados católicos simplesmente não percebem o que está a acontecer na Missa. Aqueles de nós que escrevem sobre o assunto com regularidade fazem-no com esta verdade infeliz em mente. 

Restaurar a ideia do sagrado, instigando uma compreensão do sentido sobrenatural da Missa e reconhecendo que a Missa é, de facto, a “coroação do culto cristão” e “o mais santo acto de religião” não é somente um problema intelectual. A catequese é mais do que transmitir uma ideia; é também experienciar conhecimento. A ignorância sobre a Missa é uma falha litúrgica e de catequese. Lex orandi, lex credendi. 

Como podemos imaginar, outros famosos santos da Santa Madre Igreja, escreveram sobre a verdade e o poder da Missa. São Francisco de Assis disse uma vez: "Os Homens deviam tremer, o mundo devia abanar, todo o Céu devia ser profundamente movido quando o Filho de Deus aparece no altar nas mãos do padre."

Mas há uma pergunta que nos devemos fazer: Nós trememos? Vemos com o olhar da fé que o Filho de Deus está mesmo ali nas mãos do padre? Ou a verdade sobrenatural da Santa Missa está muitas vezes escondida dos nossos olhos, obstruída por inovações profanas e minimalismos puritanos?

A aversão pós-conciliar à beleza, ao tiro, à música sagrada, ao espaço sagrado e até à reverência formou uma geração de Católicos. Infelizmente a lição aprendida por muitos destas liturgias banais e antropocêntricas, foi a de que a Missa, longe de ser o mais santo acto de religião, era algo que fazemos mais por nós do que por Deus. 

Isto leva-nos ao ressurgimento da Missa tradicional durante os últimos anos, a qual é muitas vezes chamada Missa em latim ou Forma Extraordinária do Rito Romano. Ela permanece na modernidade, trazendo beleza e tradição quando tantos dentro e fora da Igreja não a têm. Muito dos fiéis têm descoberto uma maneira de adorar a Deus que transcende uma era específica, uma cultura ou preconceitos culturais. Beleza, silencio, consistência, confiança, universalidade… Tudo o que tantas vezes está ausente da sociedade é exatamente aquilo que encontramos na Missa antiga. 

É importante relembrar que o Sacrifício da Missa é oferecido para quatro fins: adoração, reparação, acção de graças e súplica. Quando assistimos devotamente à sagrada liturgia nós estamos a preencher cada um destes quatro fins. Redescobrir este entendimento mais profundo da nossa participação na Missa, a ideia de assistir verdadeiramente à Missa, deve ser levada em consideração. 

“Tu não consegues fazer nada que glorifique mais a Deus, não há nada pelo qual a tua alma lucre mais do que pela tua devoção a assistir à Missa e assistir à mesma o maior numero de vezes possível.” 

É importante perceber o que São Pedro Julião Eymard, um padre do século XIX, poderia querer dizer quando se referiu a assistir à Missa de forma devota. Não se trata de participar como hoje se entende o sentido da palavra. Nem é o movimento e a ocupação tão frequentemente encontrados na liturgia pós-conciliar. Mais do que isso, o santo está a falar da acção interior por parte dos fiéis; uma coisa muito mais fácil de discernir quando mais reverente e tradicional for a Missa. É a diferença entre estar e fazer. 

Abordando este mesmo assunto em 2008, o Cardeal Malcom Ranjith da Congregação Para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos disse: “Este tipo de participação na cação de Cristo, o Sumo Sacerdote, requere de nós nada menos do que uma atitude de total absorção n’Ele… Participação ativa, portanto, não é dar lugar a qualquer activismo mas a uma assimilação integral e total na pessoa de Cristo, que é verdadeiramente o Sumo Sacerdote daquela eterna e ininterrupta celebração da liturgia celestial.” 

Para entrarmos verdadeiramente na Missa devemos reconhecer a profundidade sobrenatural da sagrada liturgia. Para assistir devotamente não podemos ter medo das implicações. Isto não é uma questão de ver quais as funções litúrgicas que podem ser ampliadas para envolver os leigos; temos de transcender essa compreensão correctiva da participação. Em vez disso, a discussão deve ser sobre a melhor maneira de glorificar a Deus e lucrar almas. 

Brian Williams in Liturgy Guy 


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sábado, 23 de janeiro de 2021

Bispos americanos criticam veementemente Biden por defender o aborto

A Conferência Episcopal dos Bispos Norte-Americanos emitiu um comunicado como resposta à defesa que o Presidente, Joe Biden, tinha feito do "direito" ao aborto, no dia em que se comemoravam 48 anos do julgamento 'Roe vs Wade':

«É profundamente perturbador e trágico que qualquer Presidente elogie e se comprometa a consagrar uma decisão do Supremo Tribunal que nega aos nascituros o seu direito humano e civil mais básico, o direito à vida, sob o disfarce eufemístico de um serviço de saúde. 

Aproveitamos esta oportunidade para lembrar a todos os católicos que o Catecismo afirma: 

"Desde o primeiro século, a Igreja tem afirmado o mal moral de cada aborto voluntário. Este ensino não mudou e permanece imutável." 

Os funcionários públicos são responsáveis ​​não apenas pelas suas crenças pessoais, mas também pelos efeitos de suas acções públicas. A elevação do aborto, com o Roe vs Wade, ao estatuto de direito protegido, e a sua eliminação das restrições estaduais, pavimentou o caminho para a morte violenta de mais de 62 milhões de crianças inocentes por nascer e para o facto de inúmeras mulheres passarem pela dor da perda, abandono e violência.

Instamos veementemente o Presidente a rejeitar o aborto e a promover uma ajuda que defenda a vida às mulheres e às comunidades necessitadas.»


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São Raimundo de Penhaforte, padroeiro dos Canonistas

Grande canonista e moralista
  
Pregou a cruzada contra os mouros e compôs uma Suma de casos de consciência, que exerceu sobre o Direito Canónico e a moral influência durável através dos séculos.

Raimundo nasceu por volta de 1176 no castelo de Penhaforte, próximo de Villafranca del Panadés, na Catalunha, Espanha. O seus pais, ricos e nobres, descendiam dos antigos condes de Barcelona. Eram também aparentados com a casa real de Aragão.

Fez os seus estudos na escola da catedral de Barcelona e formou-se depois em letras, com tal êxito que o Bispo o convidou para nela lecionar retórica e lógica. Tinha então 20 anos. Desapegado de qualquer interesse humano, ensinava gratuitamente, dando a todos o exemplo com as suas virtudes.

Em 1210 foi estudar Direito civil e eclesiástico na famosa universidade de Bolonha, na Itália. Fez a viagem a pé, pedindo esmolas pelo caminho.

Ao passar por Briançon, em França, presenciou um estupendo milagre operado por Nossa Senhora de Delbeza. Um jovem fora assaltado por ladrões, que lhe furaram os olhos e cortaram as mãos. A Virgem restituiu-lhe mãos e olhos. O relato autêntico desse facto passou para a História narrado pelo próprio São Raimundo.

Doutor em Direito canônico e civil

Estudando com diligência, auxiliado por boa inteligência e feliz memória, doutorou-se com brilho em 1216. Foi então escolhido, por aclamação, para ensinar na própria universidade, onde os alunos eram sobretudo nobres e letrados. Ensinou com êxito durante dois anos, não exigindo nenhuma remuneração. Entretanto, o senado da cidade concedeu-lhe um soldo anual, que utilizava para auxiliar os párocos pobres e os necessitados em geral.

Um novo acontecimento veio mudar totalmente o rumo da sua vida. Em 1218 o Bispo de Barcelona, Berenguer de Palou, no desejo de obter para a sua diocese alguns frades da nova ordem dos dominicanos, foi à Itália para encontrar-se com São Domingos de Gusmão. Passando por Bolonha, ouviu os maiores elogios a Raimundo, e quis tê-lo como professor do seminário que ia fundar. Depois de muita insistência — alguns autores dizem mesmo que o Papa interveio no assunto — ele aceitou.

Em Barcelona recebeu um canonicato e foi elevado à dignidade de arcediago da catedral. Cheio de zelo pela casa de Deus, aproveitava todas as ocasiões para aumentar o decoro da Catedral e a majestade do culto divino. As novas e maiores rendas permitiram-lhe também socorrer com mais liberalidade os pobres, a quem chamava “meus credores”.

Muito devoto do mistério da Anunciação, obteve do Bispo e do capítulo da Catedral que passassem a festejar com maior solenidade essa festa. Deixou para isso parte deasua renda.

Desejoso de levar vida mais recolhida e penitente, pediu admissão nos dominicanos em 1222, apenas oito meses depois de São Domingos falecer. Ia completar 47 anos de idade, mas começou o noviciado com o fervor do mais jovem postulante.

Co-fundador da Ordem de Na. Sra. das Mercês

São Raimundo pediu ao seu superior que lhe impusesse severa penitência, a fim de expiar a vã complacência que supunha haver tido quando catedrático em Bolonha. Tendo em vista a grande capacidade e conhecimento que o noviço possuía do Direito e dos cânones, o superior mandou-o escrever uma Suma de casos de consciência para que, por ela, se orientassem os confessores da Ordem. O Papa Clemente VIII afirmou que esse trabalho de São Raimundo era “tão útil aos penitentes quanto necessário aos confessores”. Foi o primeiro escrito do gónero, tendo alcançado grande difusão.

Segundo a tradição, nessa época Nossa Senhora apareceu em sonhos, na mesma noite, a São Raimundo, ao seu dirigido São Pedro Nolasco, e ao Rei Jaime I, inspirando-lhes o desejo de fundar uma ordem religiosa e militar cujos membros se obrigassem, por voto, a redimir os cativos em poder dos mouros. Assim surgiu, no dia 10 de agosto de 1223, a Ordem de Nossa Senhora das Mercês para a Redenção dos Cativos. São Raimundo redigiu o corpo de prescrições e regras para a nova Ordem, inspiradas na regra dos dominicanos. Mais tarde, em fevereiro de 1235, foi ele também quem obteve do Papa Gregório IX a aprovação definitiva da Ordem.

Pregador de cruzada,confessor do Papa, inquisidor
 
Em 1229 o Cardeal João Helgrin d’Abbeville, legado da Santa Sé em Espanha, foi encarregado de uma tríplice missão: pregar a cruzada contra os mouros; declarar nulo o casamento de Jaime de Aragão com Eleonora de Castela; e fazer a visita canónica das igrejas, pondo em vigor, onde necessário, os decretos do Concílio de Latrão. O Cardeal associou a si São Raimundo de Penhaforte, que percorreu as cidades da região a fim de preparar o povo para receber o legado. Pregava a indulgência da cruzada, ouvia confissões e dispunha com prudência os corações, de maneira que, chegando o legado, encontrasse já os ânimos muito bem dispostos para as novas medidas.

Finda a missão, o Cardeal d’Abbeville, ao dar ao Papa conta de sua missão, ressaltou a preciosa ajuda de São Raimundo, a quem cobriu de elogios. Gregório IX encarregou então o santo de pregar nas províncias de Arles e Narbona em favor da expedição do rei Jaime de Aragão contra os mouros.

No ano seguinte o Papa chamou-o à corte pontifícia, escolhendo-o para seu confessor, capelão e penitenciário. Nessa qualidade o santo redigiu grande número de documentos para o Soberano Pontífice. Como confessor, impunha ao Papa, como penitência, despachar com misericórdia e brevidade as causas dos pobres que acudiam à corte pontifícia e não tinham protector.

Tomou ainda parte activa na introdução da Inquisição em Aragão e deu o seu parecer sobre o procedimento a seguir em relação aos hereges da província de Tarragona. Vagando a sé dessa cidade, Gregório IX nomeou-o seu Bispo. São Raimundo protestou tanto e chegou a adoecer tão gravemente, que o Papa revogou a nomeação, pelo temor de perdê-lo.

Ordena a coleção das Decretales

O trabalho intelectual mais importante que se deve a São Raimundo de Penhaforte na corte pontifícia foi o de ordenar e editar a nova coleção das Decretales (os vários decretos e decisões pontifícias regulando pontos da disciplina eclesiástica e civil), destinada a substituir as várias existentes, que estavam em profunda desordem e confusão. O santo trabalhou durante quatro anos nessa tarefa. Gregório IX, mediante bula de 5 de Setembro de 1234, enviou a nova coleção às universidades de Paris e Bolonha, em caráter oficial.

Em 1237, Gregório IX encarregou-o de absolver o rei Jaime de Aragão da excomunhão em que havia incorrido, devido ao atentado cometido, através dos seus agentes, contra o Bispo eleito de Saragoça. O santo exerceu as funções de penitenciário até 1237 ou começo de 1238. Tendo então adoecido gravemente, os médicos aconselharam-lhe os ares da pátria.  

No capítulo geral dos dominicanos realizado em Bolonha, apesar de ausente, foi eleito por unanimidade para substituir o geral Jordão de Saxe, falecido num naufrágio.

Tendo que aceitar o cargo por obediência, promoveu uma nova redação das constituições da Ordem, que foram aprovadas em 1239 no capítulo geral de Paris.

Em 1240 demitiu-se do generalato devido à idade e pouca saúde, e voltou para o seu convento de Barcelona. Mas lá não permaneceu inativo. Promoveu uma campanha de apostolado em relação aos judeus e mouros da Espanha e da África, e trabalhou com sucesso para a repressão da heresia na Espanha.

Foi também por iniciativa sua que se abriu em Múrcia uma escola de hebreu, para facilitar o ministério apostólico com os judeus.

A tradição conservou um milagre ocorrido com São Raimundo nessa época. O Rei Jaime I – que tinha o santo em grande consideração, e frequentemente recorria ao seu ministério e conselhos – levou-o consigo numa viagem à ilha de Mallorca. Levou também ocultamente uma mulher com quem mantinha relações ilícitas. Ao descobrir isso, pediu ao Rei que despedisse a mulher, caso contrário ele se retiraria. O soberano prometeu atendê-lo, mas não cumpriu a promessa. Para impedir o santo de deixar a ilha, ordenou a todos os portos que não o aceitassem a bordo. São Raimundo estendeu então o seu manto sobre as águas, e nesse barco improvisado atravessou o braço do Mediterrâneo até Barcelona.

São Raimundo de Penhaforte morreu no dia 6 de Janeiro de 1275, já nonagenário, sendo canonizado em 1601.

Plinio Maria Solimeo in catolicismo.com.br

Obras consultadas:

A. Teetaert, Raymond de Penyafort, in Dictionnaire de Théologie Catholique, Letouzey et Ané, Éditeurs, Paris, 1903, Tomo XIII, cols. 1806 e ss.

Les Petits Bollandistes, Saint Raymond de Pennafort, in Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo I, pp. 576 e ss.

Edelvives, San Raimundo de Peñafort, in El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1946, tomo I, pp. 231 e ss.

Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., San Pedro Nolasco y San Raimundo de Peñafort, in Año Cristiano, Ediciones Fax, Madri, 1945, tomo I, pp. 197 e ss.


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