segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Quando o Papa nomeia, a sabendas, lobos predadores para Pastores
sexta-feira, 29 de dezembro de 2023
O Menino escondido
Há um conto de Sherlock Holmes, cujo nome não recordo, que narra, simplificando, a existência de um crime homicida, relatado pelos jornais, com toda a informação que a polícia local dispôs, no qual dão por culpada certa pessoa. Ora o famoso detective, partindo dos mesmos indícios e das mesmíssimas informações conclui que aquela condenação é injusta, provando com as suas investigações que o culpado era outro. A sua inteligência superior capacitava-o para ver coisas que todos os outros não percebiam, embora a realidade fosse a mesma.
Mutatis mutandis (mudando o que há a mudar): Um ateu, um pagão, um ignorante, etc., veem na Hóstia Consagrada um bocado de pão. Pelo contrário, um católico, não porque seja mais inteligente que os outros, mas porque, é iluminado pela Fé, um conhecimento infinitamente superior que não contradiz a razão, mas que a supera e a ilumina, vê, com os olhos da Fé, o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ali presente, realmente, verdadeiramente e substancialmente.
S. Francisco Marto adorava e procurava consolar o Jesus escondido nas espécies eucarísticas, e, por isso, passava horas junto a Ele no Sacrário.
Onde está o Menino Jesus? Está no Sacrário, esperando, de braços e Coração aberto a nossa visita e adoração, como sucedeu com os pastores e os magos vindos do oriente, para nos consolar e salvar.
À honra de Cristo. Ámen.
Padre Nuno Serras Pereira
quinta-feira, 2 de novembro de 2023
O Dia dos Fiéis Defuntos
Os Santos que estão no Céu não precisam das nossas orações. Às almas que penam no Inferno de nada lhes aproveitam as nossas súplicas. As almas do Purgatório, essas sim, são auxiliadas pelos nossos sufrágios, que muito agradecem rezando também por nós.
Creio, porém, que na maioria das pessoas que assim rumam aos ‘mortos’ há uma espécie de “instinto” da imortalidade, da eternidade, da Salvação. Essa intuição poderá ser nebulosa, confusa, não explícita, mas é certamente real.
2. No dia 1 de Novembro celebramos e festejamos todos os Santos, canonizados ou não, suplicando a sua intercessão por nós, contemplando os exemplos de suas vidas, tomando consciência da sua companhia. Comemoramos, pois, aqueles que, sem dúvida alguma, nos podem ajudar. Pelo contrário, no dia seguinte, imploramos a Deus por todos aqueles que estão no Purgatório, suplicando que alcancem o Céu o mais rapidamente possível. De facto, essas almas (recorrendo a uma linguagem simples) não se podem ajudar a si próprias, porém, nós podemos e devemos, em virtude do Amor-Caridade a que somos chamados, auxiliá-las muito abreviando os seus padecimentos purificadores, quer aplicando-lhes indulgências, quer fazendo sacrifícios, quer ajudando os pobres (em particular os mais inocentes e indefesos), quer, principalmente, pedindo que se celebrem Missas em sufrágio de suas almas (as esmolas que se dão por ocasião destas celebrações são importantes: 1- para que o fiel que as manda celebrar tenha, em virtude dessa caridade, uma participação mais frutuosa no Santo Sacrifício que é oferecido; 2 - para o sustento dos Sacerdotes e de várias obras da Santa Igreja tais como, por exemplo, obras caritativas e as Missões).
3. Recém Ordenado Padre fui enviado para Coimbra. Cerca de um mês depois calhou o 2 de Novembro. Nesse dia, repetindo-se em outros anos, como era costume nesse convento, cada Padre rezava três Missas seguidas, uma vez que assim é autorizado. Tirante quem sacrificava fora, recordo-me de celebrarmos, nesses tempos, nove Missas seguidas na nossa Igreja, que estava sempre completamente cheia de fiéis transbordantes de devoção.
Era palpável uma enorme consciência do poder da oração, do Transcendente e das Realidades Últimas, em particular da Salvação definitiva e, consequentemente, da Ressurreição. Quando mais tarde deixei aquele convento, não nunca mais voltei a ver o mesmo...
Mas tenhamos Esperança!
Padre Nuno Serras Pereira
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023
Uniões civis sodomitas?
Quando se afirma ser a favor de uniões civis de homossexuais, objectivamente, está-se a dizer que a razão dessas “uniões” deverem ser legalizadas consiste nas práticas contra a natureza das pessoas que se “unem”. De facto, não se afirma genericamente que tendo em conta as legislações cada pessoa na sua autonomia possa recorrer às leis existentes para garantir os direitos que são comuns a todos os cidadãos.
Acresce que estas “uniões” civis sempre foram e continuam a ser um cavalo de Tróia para alcançar o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Todos os países que ‘legalizaram’ esse tipo de “casamento” só o conseguiram depois de admitirem na lei as “uniões civis” de homossexuais. De facto, uma vez admitidas estas, inevitavelmente se segue o “casamento”. E de um modo geral essas mesmas “uniões” civis, antes de se conseguir legalizar o “casamento”, são legalmente equivalentes ao casamento civil. Pelo que, asserir que as “uniões” civis homossexuais são diferentes do casamento civil é puro nominalismo.
Alguns contrapõem àquilo que é a Doutrina da Igreja afirmações do Papa Francisco favoráveis, dizem eles, às “uniões civis” de homossexuais. Ora importa afirmar com toda a veemência que o Papa, enquanto Papa, nunca ensinou isso. Quando Jorge Mário Bergoglio dá entrevistas e outras coisas do género não se pronuncia magistralmente como Papa, mas dá somente opiniões de J. M. Bergoglio. As suas palavras e opiniões não são magistério da Igreja. Podem, portanto, e às vezes devem, como é o caso, ser criticadas. Não se entende, de facto, por que é que, enquanto pessoa privada (ou Doutor privado) contraria publicamente a Doutrina do Magistério, que como Papa tem obrigação de defender.
A Doutrina da Igreja está muito bem exposta num documento da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé aprovado pelo Papa João Paulo II. Passo a citar alguns trechos embora valha a pena ser lido na sua totalidade:
“Não é verdadeira a argumentação, segundo a qual, o reconhecimento legal das uniões homossexuais tornar-se-ia necessário para evitar que os conviventes homossexuais viessem a perder, pelo simples facto de conviverem, o efectivo reconhecimento dos direitos comuns que gozam enquanto pessoas e enquanto cidadãos. Na realidade, eles podem sempre recorrer – como todos os cidadãos e a partir da sua autonomia privada – ao direito comum para tutelar situações jurídicas de interesse recíproco. Constitui, porém, uma grave injustiça sacrificar o bem comum e o recto direito de família a pretexto de bens que podem e devem ser garantidos por vias não nocivas à generalidade do corpo social.”
“A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimónio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade actual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do património comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade.”
“Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimónio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que abster-se de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do possível, abster-se também da cooperação material no plano da aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objecção de consciência.”
Padre Nuno Serras Pereira
terça-feira, 28 de dezembro de 2021
Como irão contar o Natal aos vossos filhos e netos
Imediatamente, os sacerdotes do género e os príncipes dos ambientalistas acorreram aos campos até encontrarem num estábulo tudo como lhes tinha sido dito. Os géneristas escandalizados com aquela discriminação claramente homofóbica, logo substituíram o homem por uma mulher, mas ao saberem que a primeira era Virgem, prontamente a vituperaram e expulsaram por constituir um péssimo e devastador exemplo para toda a gente ao renegar tão obstinadamente os ensinamentos dos doutores do género –havia a máxima urgência em retirar a criança àqueles pais, uma vez que era óbvia a sua incapacidade de lhe assegurarem uma formação sexual adequada, livre de preconceitos e discriminações.
Os príncipes dos ambientalistas, por seu turno, ao repararem na vaca, cuja emissão de gazes intestinais constituía um factor alarmante para o aquecimento global e consequente iminente fim do nosso planeta, logo dela se apoderaram para a matar ali mesmo, oferecendo-a como um sacrifício propício à mãe terra, intentando aplacar assim a sua ira – é certo que houve uma grande disputa até tomarem a resolução, pois alguns advogavam que se não se podia matar cães (dentro ou fora de canis), muito menos uma vaca, uma vez que era muito maior pois, de facto, argumentavam, se todos podemos fulminar melgas por serem pequenas, então não se pode aniquilar um bovino por ser muito maior; os sectários da matança do boi (pois, uma vez que a identidade de género não passa de uma construção social, tanto monta uma nomeação feminil como masculina) convenceram, no entanto, os seus adversários, provando que o impacto ambiental do cão era insignificante em comparação com a vaca.
Quanto ao burro, que tinha suportado tão grandes humilhações, sendo compelido violentamente, como se fora uma mísera besta, a percorrer tão longo caminho suportando a intolerável carga daqueles humanos – os terríveis predadores da natureza –, a mãe grávida e seu filho, era absolutamente imperativo reconhecer a sua eminente dignidade divina, para reparar uma injúria tão blasfema e sacrílega. Por isso, encaminhando-o para fora daquele reles presépio, de pronto lhe construíram um altar, adorando-o e ofertando-lhe oblações e sacrifícios dignos de tão magnificente divindade, a qual correspondia aos louvores e adorações com jubilosos zurros.
De súbito, um estardalhaço de trovão ribombante atroou os campos articulando palavras retumbantes: Sou o vosso Deus, o vosso Pai, que vos tem conduzido através da história operando prodígios de amor e Este é o Meu Filho humanado que vos enviei para vos resgatar.
Imediatamente, à uma, os sacerdotes do género e os príncipes dos ambientalistas desataram numa gritaria estridente enquanto tapavam os ouvidos, não fossem escutar blasfémias maiores.
Espumando raivas incontidas e ódios viscerais desenfaixaram a criança e enquanto o faziam os príncipes dos ambientalistas logo pontificaram que a ser verdade ou ao menos que houvesse uma suspeita razoável da criança ser deus incarnado seria então necessário condená-lo, sem demora, à morte, uma vez que esse deus era malvado, um perigo extremo para o desenvolvimento sustentável. Não tinha ele arrasado as fertilíssimas terras de Sodoma e de Gomorra, tornando-as totalmente estéreis e matando toda a fauna marítima no mar, que por isso mesmo se chama morto? A esta indignação se ajuntou a ira descontrolada dos sacerdotes do género, acusando esse deus de homofobia, de discriminação, de coração duro, mente fechada, alheio a qualquer tipo de misericórdia.
Entretanto, desenfaixada a criança, verificaram se tratava de um varão, de um menino. Este horror veio irritar e transtornar ainda mais os sacerdotes do género, que, imediatamente, em cóleras desenfreadas acusaram a divindade de ser uma fraude, um resquício de uma projecção patriarcal, pois era evidente que o verdadeiro deus, caso se fizesse homem traria no seu corpo simultaneamente todas as características da sua identidade, a saber, lgbtqi. Aliás, a única divindade era a terra e os que naquela diversidade a habitavam.
Sem mais hesitações, num arrebatamento de indignação, desfizeram a manjedoura, e aproveitando os pregos e as tábuas da mesma, com ela formaram uma pequena cruz. Unanimemente o consideraram culpado, um engano do maligno, e todos concordaram que deveria ser crucificado. Como os pregos se mostraram demasiado grossos para prender os pulsos e os pés do Menino, arranjaram uns alfinetes especiais que serviam o propósito. Alguns dos que o escarneciam, impacientes com a demora da sua morte, recorreram a um canivete suíço para lhe trespassar o coração, do qual brotou sangue e água.
Verificada a sua morte, todos se regozijaram e a celebraram com um grande banquete, pois tinham conseguido salvar o planeta e o prazer promíscuo sem freio.
segunda-feira, 18 de outubro de 2021
Uma Igreja de cócoras, não é a Igreja que Cristo quis
É tristíssimo verificar que a Igreja tem estado de cócoras, ao longo dos últimos anos, diante do poder político-económico...
A sua submissão e subjugação aos poderes do grande capital selvagem das big-tech e aos políticos com eles conluídos é enormemente assustadora.
Limito-me a fazer somente umas perguntas inocentes:
1. Por que é que temos assistido a crescentes nomeações e promoções de Bispos e Cardeais que comprovadamente são favoráveis, e incentivam, os objectivos, antes inconfessáveis, mas actualmente descarados, da ideologia lgbtiq+, chegando aos extremos de perseguir os Sacerdotes fiéis às verdades de sempre proclamadas pela Igreja?
2. Quando ouvimos, o sucessor de Pedro, afirmar imperativamente que a ‘Sagrada Comunhão não é uma recompensa para os santos, mas sim um remédio para os pecadores’, podemos perguntar-nos o que é que se tenta exprimir com este dito, uma vez que ele inteiramente ambíguo?
a) O que é que aí se entende por pecadores? Os que vivem habitualmente em estado objectivo de pecado grave ou mortal? - mas isso seria convidá-los ao sacrilégio contínuo. Ou os penitentes que reconhecendo embora as suas faltas leves, se dirigem, arrependidos, com Fé ao Santíssimo Sacramento que os pode e de facto os purifica alimpando-os?
b) Sucede, ademais, que a Igreja sempre ensinou que as coisas santas são dadas aos santos, pois, como Jesus ensinou, não se podem dar pérolas aos porcos. Os santos são aqueles que em virtude do baptismo são feitos participantes da Santidade de Deus, o único verdadeiramente SANTO, e perseveram nessa Graça que lhes foi, sem mérito algum da sua parte, concedida. Como é que se pode afirmar que a Sagrada Comunhão, na Igreja/Oriental e Ortodoxa a Comunhão seja dada imediatamente após o baptismo e afirmar concomitantemente que Ela é um remédio para os pecadores? É impossível afirmar que um bebé recentemente baptizado seja um pecador, uma vez que está totalmente santificado.
c) Quando é afirmada que a Sagrada Comunhão é um remédio para os pecadores, de novo importa perguntar, o que se entende por pecadores? (Estes slogans, muito correntes neste pontificado, são frases talismãs que nos dispensam de pensar, e que inevitavelmente ao bloquear a nossa mente nos manipulam de uma forma subreptícia ou mesmo subliminar.)
De facto, se por pecadores se entende aqueles que estão em pecado venial, mas que arrependidos procuram a reconciliação e comunhão com Deus; o dito é certíssimo. Porém, se se trata de pecados graves ou mortais, sem prévio arrependimento nem confissão sacramental, a afirmação é ímpia, mesmo herética.
d) É curioso, a meu parecer, que este slogan tenha, tanto quanto sei, aparecido somente a propósito da ‘liberalização’ da Sagrada Comunhão para casais adúlteros (“recasados pelo civil”) proporcionada pela Amoris laeticia e subsequentes interpretações; e agora muito inesperadamente a propósito de conceder ou não a Sagrada Comunhão ao Presidente, que se diz católico, mais poderoso da terra.
e) O actual Presidente dos EUA tem um historial político e religioso demasiado conhecido para poder ser ignorado. Examinando-o atentamente só se pode chegar à conclusão que as Sagradas Comunhões que tem feito somente lhe têem prejudicado, ou envenenado, a alma (como S. Paulo advertiu). De facto, o seu crescendo furioso e exponencial contra a vida humana e a família, patente a todos, evidencia de um modo categórico que as Comunhões sacrílegas que tem feito têm-no, infelizmente, tornado um cúmplice do Diabo.
À honra e Glória de Cristo. Ámen.
Padre Nuno Serras Pereira
sexta-feira, 8 de outubro de 2021
Sigilo e prudência no Sacramento da Confissão
Por esses tempos ouvi um ou outro pregador declarar que na história da Igreja não se conhecia nenhum caso, no que diz respeito ao Sacramento da Confissão, de rompimento do sigilo Sacramental, uma vez que ele era inviolável e sujeito à pena de excomunhão, para que não o cumprisse. Tudo isto era ilustrado, positivamente, com casos autenticados, verdadeiros, de heroísmos e mesmo martírios de Sacerdotes que se negaram, não obstante as enormes pressões, ameaças e torturas terríveis, a revelar toda e qualquer coisa que fosse dita nesse Sacramento.
Infelizmente, porém, como nos contou o nosso Professor de Direito Canónico - um ilustre perito na elaboração do novo Código -, houve, embora raríssimas, quebras do sigilo sacramental. Um dos casos mais paradigmáticos terá sido o daquele padre que ao escutar a confissão do perpetrador do assassínio de seu irmão de sangue não se conteve e assassinou vingativamente o confessado. Evidentemente, que se naquela Igreja houvesse um confessionário como deve ser, isto é, uma armação e disposição que garantisse rigorosamente o anonimato do penitente, isto não aconteceria.
O Direito Canónico prevê sanções muito severas para qualquer sacerdote que em virtude da confissão que ouviu se aproveite, desse saber, para solicitar, durante ou depois do conhecimento sacramental que obteve o ou a penitente para pecar contra o sexto ou/e nono Mandamento da Lei de Deus. Se isto é previsto, será por que poderá acontecer. Que haja também penitentes, de qualquer sexo, que abusando do Sacramento, solicitam o sacerdote, é um dado conhecido de há muito. Todas estas ocasiões ou possibilidades poderiam e deveriam ser evitadas recorrendo a confessionários que garantissem o anonimato dos penitentes.
Somente mais um exemplo da fortíssima conveniência de garantir o anonimato do penitente. Por agora é ainda incipiente, mas, alguns estados, ainda poucos, estão propondo que qualquer sacerdote seja criminalizado caso tenha ouvido a confissão sacramental de um pedófilo e o não tenha denunciado às autoridades.
O objectivo último, é evidentemente criminalizar todo e qualquer sigilo Sacramental e atacar a Igreja. Isto que se inicia aos poucos, invocando casos particularmente repugnantes, tornar-se-á gradualmente aceitável na opinião pública em todos os outros pecados, como temos verificado com outras monstruosidades. Ora, como está de ver, se o Padre não tiver possibilidade de conhecer o penitente nunca poderá ser acusado de não ter denunciado o pecador - é uma questão de prudência. Mais poderia dizer sobre o assunto, mas por agora fico por aqui.
Padre Nuno Serras Pereira
segunda-feira, 20 de setembro de 2021
Francisco I e Bento XVI
[1] Este documento com a carta aos Bispos que o enquadra tem dados incorrectos, contraditórios e falsos. Acresce que somente 30% dos Bispos responderam ao inquérito da Sagrada Congregação da Doutrina da Fé - algo inédito. Enigmaticamente, as respostas estão na posse do Papa e em segredo Pontifício. Não se pode, pois, verificar da veracidade ou da falsidade das informações de Oficiais da Sagrada Congregação para a D. da Fé, as quais afirmam que muitas das respostas eram favoráveis, no que diz respeito aos grupos, comunidades e paróquias que celebravam a Missa de S. Gregório Magno, aperfeiçoada e confirmada por S. Pio V, após o Concílio de Trento.
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
A Gravidez é uma Presença, não uma Doença
É cousa conhecida e sabida que o uso de mensagens subliminares é o melhor meio de alcançar os objectivos da propaganda – basta lembrar Goebbels. Estas mensagens de tão subtis parecem que o não são, ou seja, que não existem, e de tão repetidas tornam-se «evidências» indiscutíveis.
Isto é claro, por exemplo, no que diz respeito à anticoncepção ou, como hoje costuma dizer-se, contracepção. Nos dias que correm, há uma convicção generalizada de que estas substâncias e artefactos, a que se recorre para evitar a concepção, são medicamentos. Por isso o Estado os subsidia, com o dinheiro dos nossos impostos; os médicos - nos hospitais, nos centros de saúde, nas consultas da caixa, na clínica privada - receitam-nos largamente; as farmácias promovem-nos e vendem-nos; algumas consultas de «planeamento familiar» distribuem-nos gratuitamente; os meios de comunicação social publicitam-nos; os «educadores sexuais» recomendam-nos com insistência desusada... Por outro lado, quem contra ela (a anticoncepção) bradar é tido como retrógrado, perigoso fundamentalista, hostilizador da ciência, adverso ao progresso, inimigo da medicina.
Ora, convém lembrar que um medicamento é uma substância a que se recorre para curar ou aliviar enfermidades. A mensagem que passa é, pois, a seguinte: a gravidez, pelo menos a «não desejada», é uma doença. «Uma doença sexualmente transmissível». Isto que é dito, implicitamente, através desta mentalidade, destes usos e costumes, é afirmado (as citações são muito abundantes) explicitamente e com todas as letras pelos ideólogos que décadas atrás começaram a promover este estado de coisas.
E no entanto, uma mulher saudável é naturalmente fértil. Enquanto que uma outra que não consiga ter filhos, por padecer de esterilidade ou de infertilidade, procura ansiosamente tratamento para a sua enfermidade. De onde se conclui que há muitas mulheres que tomam substâncias para adoecer o seu corpo de modo a que não possam conceber. É caso para perguntar quem é retrógrado e inimigo da medicina.
Porém, o mais grave é que a aceitação desta mentalidade faz com que consideremos a pessoa humana concebida, essencialmente, uma doença – como consequência lógica se falha a contracepção recorre-se ao aborto. De tão habituados que estamos a definir a gravidez a partir da mãe, esquecemo-nos de que o mais importante é reconhecê-la a partir daquilo que faz com que a mulher se torne mãe. Este «aquilo» é um «aquele» ou «aquela», isto é, alguém - um filho ou uma filha. De facto, a gravidez só secundariamente é um estado da mulher adulta, porque esse estado é consequência de uma presença. A presença de uma pessoa pequenina que está a crescer no seio de sua mãe. Isto é, a nossa presença, alguns anos, poucos ou muitos, atrás.
Desde o primeiro instante, ou seja, desde a concepção, quando se uniram o património genético do nosso pai e da nossa mãe, que começámos a ser, com uma identidade genética única, singular e irrepetível. Iniciámos a nossa jornada da vida sendo uma só célula, invisíveis a olho nu, incipientes, extremamente vulneráveis, desabrochando para a vida com a inocência mais absoluta que se possa imaginar, frágeis, indefesos, totalmente confiados à protecção da mãe, e fomos crescendo numa continuidade, sem dissolução, sem saltos qualitativos, sendo que a única coisa que se nos «acrescentou» foi a alimentação. Por isso a «interrupção voluntária da gravidez» é um homicídio na forma de aborto, uma morte violenta e cruel, de que não poucas vezes, a mulher, por muitas e variadas razões, na altura não se apercebe, mas que mais tarde virá a pagar caro, tornando-se também uma vítima do crime perpetrado.
quinta-feira, 11 de março de 2021
Apelo à Insurreição
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021
Eu quero morrer!
Evidentemente que não, pois isso não seria morrer, mas sim ser assassinado.
Tendo em conta, porém, que nesta crise pandémica parece haver um pavor generalizado da morte, quero afirmar peremptoriamente que quero morrer. Mas, confesso, que não quereria morrer de qualquer modo, mas sim com as predisposições necessárias para, pelo menos, ir para o Purgatório; e para isso conto com as vossas preciosas orações e sacrifícios.
De facto, e isto não é uma lamentação nem uma queixa, o meu apostolado sacerdotal, na prática, morreu. É certo que celebro Missa quotidiana para os doentes e enfermos (no nosso convento), mas também é verdade que alguns deles, sacerdotes, poderiam fazer o mesmo com maior proveito e fruto espiritual para todos. Actualmente, e seguramente com toda a razão, sou considerado incapaz de Celebrar, e homiliar em outras Eucaristias, de confessar, de dar assistência Espiritual ou de colaborar em qualquer outra actividade. Ninguém pense, pelas almas, que isto seja algum queixume. Não passa de uma verificação factual, dos desígnios da Providência Divina.
Sem pôr de modo nenhum em causa a minha Ordenação Sacerdotal nem o apostolado que exerci, com a Graça de Deus, nos primeiros anos, parece-me justo concluir que aquilo que Nosso Senhor me concedeu foi por tempo limitado e que, por isso, Lhe devo dar muitas Graças, aceitando e acolhendo com muita alegria a radical substituição por outros.
Finda, como estou persuadido, a minha missão só peço ao Pai Misericordiosíssimo que por Seu Filho Jesus Cristo, caso eu esteja preparado, me leve o mais depressa possível, purificando-me de todos os pecados, para Si.
À honra de Cristo. Ámen.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021
Arrependimento e Reparação
Sem uma intervenção de Deus, sem a Sua Graça, somos incapazes de nos arrepender, quando o fazemos é sempre uma resposta a esse maravilhoso e gratuito Dom que Ele nos concede. Esta é uma das razões que nos deve levar a evitar a todo o custo qualquer tipo de pecado, principalmente o grave, mas também o leve ou venial, posto que, como diz a Sagrada Escritura. “quem descuida as pequenas coisas cai insensivelmente nas grandes”.
De facto, podemos tornar-nos insensíveis à Graça do arrependimento verdadeiro. E não sabemos até quando Deus na Sua infinita Misericórdia e Justiça suportará a nossa dureza de Coração. Estas e outras coisas que a seguir se dirão foram durante séculos objecto de pregação, ensino e meditação. Nos tempos que correm acha-se que a Salvação está no papo e que Deus é um avozinho ternurento incapaz de castigar. Mas esse não é o Deus Bíblico.
O arrependimento, a conversão, não consiste somente na dor de ter ofendido a Majestade Divina, mas requer uma mudança de vida disposta a reparar o mal feito (pensamentos, palavras e obras) ou o bem por fazer (omissões). Reparação a Deus, pela falta de correspondência ao Seu Amor, e reparação ao(s) próximo(s). A Deus repara-se pela confissão e Comunhão/adoração Eucarística, e demais orações. Mas em relação ao próximo, exceptuando, casos de impossibilidade, as orações, evidentemente, não bastam.
Se eu roubo dinheiro ou preciosidades a outrem, podem dar-me todas as absolvições, que se eu, podendo (e sem necessidade de me denunciar), não restituir o que furtei não sou perdoado. Nem o poder do Vigário de Cristo, como ensina o P. António Vieira, me poderá dispensar da restituição.
Do mesmo modo, quem comete actos carnais de impureza com outrem ou o/a tenta nessa mesma matéria, terá de pedir perdão e fazer tudo ao seu alcance para os persuadir à Pureza. A oração e o jejum rigoroso muito podem ajudar nesta purificação e reparação.
Alguns dos pecados, às vezes veniais e frequentemente graves, mais cometidos, nos dias de hoje, com uma leviandade assustadora, são os pecados da língua. A intriga, a murmuração, a maledicência, a inconfidencialidade, a insinuação, a difamação, a calúnia, reinam soberanas e impunes. Alguém, nos tempos que correm, ainda se confessará destes pecados? E, no entanto, os seus efeitos são devastadores.
Aqui lembro tão só alguns princípios gerais, deixando para outro texto um aprofundamento.
1. As conversas privadas são exclusivamente de âmbito privado. Delas não se pode fazer uso com outros.
2. Toda e qualquer pessoa tem direito à honra, ao bom nome e à boa fama.
3. Quem revela um pecado grave oculto (que não é público) comete um pecado grave.
4. Há circunstâncias em que se pode ou mesmo deve declarar algo sobre outrem, a saber, a quem, pelo cargo que exerce, pode e deve ajudar a resolver a situação, ou quando se dá um crime que exige intervenção imediata, ou em caso de aconselhamento espiritual, ou numa necessidade de desabafo urgente, com pessoa que saiba guardar sigilo.
5. A difamação e a calúnia são infames.
6. A intriga e a murmuração são péssimas.
7. O segredo da Confissão é absolutamente inviolável.
8. O que é dito em direcção espiritual é de si mesmo sigilosa, não admitindo comentários nem revelações.
Poderia continuar, mas não me quero alongar. Chamo somente a atenção para a necessidade imprescritível de reparação. Por exemplo, repondo o bom nome das pessoas, etc.
À honra de Cristo. Ámen.
Padre Nuno Serras Pereira
sexta-feira, 29 de janeiro de 2021
Tentações sacerdotais
Há tentações claras, diria evidentes, que de tão manifestas poderão ser repudiadas prontamente e com veemência. Outras, porém, são mais subtis, como que disfarçadas, seduzindo com grandes aparências de bem.
Uma muita perigosa é a do narcisismo. O narcisismo pode encontrar-se em muitos tipos de sacerdotes, quer nos impropriamente chamados avançados ou progressistas quer nos inadequadamente apelidados de tradicionalistas. Os primeiros, procurarão sobressair pelas celebrações litúrgicas criativas, por homilias fantasiosas, de mentalidade secularista, e declarações bombásticas desenquadradas, ou mesmo à margem, da Doutrina da Igreja, da Sagrada Escritura e da Tradição.
Todos os que padecem de narcisismo, embora de modos contraditórios, procuram a singularidade, não suportando passar despercebidos.
Outras tentações muito insidiosas, e que frequentemente vão juntas, são a do medo e a do “carreirismo” eclesiástico. Não poucos Padres e Párocos receosos de perderem as Paróquias ou os títulos que adquiriram querem fazer figura diante dos seus Bispos independentemente de se eles estão certos ou errados nas questões Doutrinais-Disciplinares.
E o Padre ou Padres que são sistematicamente excluídos por estas razões e outras semelhantes, que deve fazer? Evidentemente, dar Graças a Deus e agradecer-lhe muito do fundo do coração que a Sua Providência Bendita lhe tenha concedido esta Graça da de poder viver e experimentar a humilhação. De facto, ninguém se torna humilde de não padecer humilhações.
À honra de Cristo. Ámen.
Padre Nuno Serras Pereira











