segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Algumas ideias sobre a União Soviética



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Santo André, o primeiro Apóstolo chamado por Jesus

Santo André nasceu em Bethsaida de Galilea e morreu em Patras (Grecia), por volta do ano 60 d.C. Ao Apóstolo André cabe o título de "Primeiro chamado". E é comovente que, no Evangelho, tenha sido até anotada a hora (4 da tarde) do seu primeiro encontro e primeiro compromisso com Jesus. Depois, foi André comunicar ao seu irmão Simão (Pedro) a descoberta do Messias e a conduzi-lo rapidamente até Ele. 

A sua presença é ressaltada de modo particular no episódio da multiplicação dos pães.  Sabemos também que foi a André que se dirigiram os gregos que queriam conhecer a Jesus, e ele conduziu-os ao Divino Mestre.  Segundo os antigos escritores cristãos, o Apóstolo André evangelizou a Ásia Menor e as regiões ao longo do Mar Negro, chegando até ao rio Volga, sendo por isso honrado como Padroeiro na Roménia, Ucrânia e Rússia. 

Comovente é a Passio - ainda que tardia - que narra a morte do Apóstolo, que teria ocorrido em Partas, em Acaia: condenado ao suplício da cruz, ele próprio pediu para ser pendurado em uma cruz particular, feita em X (cruz que desde então leva o seu nome) e que evoca, em sua própria forma, a inicial do nome grego de Cristo. 

A 'Legenda Aurea' refere que o Apóstolo Santo André foi ao encontro da sua cruz com esta esplêndida invocação nos lábios: "Salve Cruz, santificada pelo Corpo de Jesus e enriquecida pelas gemas preciosas de Seu Sangue... Venho a ti cheio de segurança e alegria, para que tu recebas o discípulo d'Aquele que sobre ti morreu. Cruz boa, há tempos desejada, que os membros do Senhor revestiram de tanta beleza! Desde sempre te amei e desejei abraçar-te... Acolha-me e leva-me até o meu Mestre". 

Patronato: Pescadores 
Etimologia: André = viril, forte, do grego
Emblema: Cruz decussada (em forma de X), rede de pescador 

Entre os Apóstolos, é o primeiro que encontramos nos Evangelhos: o pescador André, nascido em Bethsaida da Galileia, irmão de Simão Pedro. O Evangelho de João (cap. 1) no-lo mostra com um amigo enquanto segue a pregação do Baptista; o qual, vendo passar Jesus por ele baptizado um dia antes, exclama: "Eis o cordeiro de Deus!" Palavras que imediatamente impelem André e o seu amigo até Jesus: Falam com Ele e André corre, depois, para informar o irmão: "Encontrámos o Messias!" Pouco depois, eis também Simão diante de Jesus; o qual "fixando o olhar sobre ele, disse: 'Tu és Simão, filho de João: chamar-te-ás Cefas'." Esta é a apresentação. Depois vem o chamamento. Os dois irmãos haviam voltado ao seu ofício de pescadores no "mar da Galileia": mas deixam tudo para trás quando chega Jesus e diz: "Segui-me, far-vos-ei pescadores de homens" (Mt. 4, 18-20).

Encontramos, depois, André no grupo restrito - com Pedro, Tiago e João - que, no monte das Oliveiras, "à parte", interroga Jesus sobre os sinais dos últimos tempos: e a resposta é conhecida como o "discurso escatológico" do Senhor, que ensina como devemos nos preparar para a vinda do Filho do Homem, "com grande potência e glória" (Mc 13). O nome de André aparece também no primeiro capítulos dos Actos dos Apóstolos com os dos outros Apóstolos que se dirigiam a Jerusalém depois da Ascensão. 

E depois a Escritura nada mais diz sobre ele, mas dele falam alguns textos apócrifos, ou seja, não canónicos. Um desses, do século II, publicado em 1740 por L. A. Muratori, afirma que André encorajou João a escrever o seu Evangelho. E um texto copto contem esta bênção de Jesus a André: "Tu serás uma coluna de luz no Meu reino, em Jerusalém, a minha cidade predilecta. Amém". 

O historiador Eusébio de Cesarea (ca. 265-340) escreve que André pregou o Evangelho na Ásia Menor e na Rússia meridional. Depois, indo para a Grécia, guiou os cristãos de Patras. E aqui sofre o seu martírio por crucifixão: pendurado com cordas, de cabeça para baixo, em uma cruz em forma de X; aquela dita depois "cruz de Santo André". Isto ocorreu por volta do ano 60 d.C., no dia 30 de novembro.  

Em 357 d.C., os seus restos foram levados para Constantinopla; mas a cabeça, menos um fragmento, continuou em Patras. Em 1206, durante a ocupação de Constantinopla (Quarta Cruzada), o Legado Pontifício Cardeal Capuano, de Amalfi transferiu aquelas relíquias para Itália. E, em 1208, são acolhidas solenemente pelos amalfitanos na cripta de sua Catedral. Quando, em 1460, os Turcos (muçulmanos) invadem a Grécia, a cabeça do Apóstolo é levada de Patras para Roma, onde foi guardada na Basílica de São Pedro, durante cinco séculos.  Isto é até que o Papa Paulo VI, em 1964, tenha devolvido a relíquia à Igreja de Patras. 

in Pale Ideas


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Começa hoje a Novena da Imaculada Conceição

Rezar estas orações em cada um dos 9 dias da Novena (de 29 de Novembro a 7 de Dezembro), pedindo em cada um deles pelas intenções pelas quais a quer oferecer.

Avé Maria Puríssima, concebida sem pecado!

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

Louvemos e demos graças à Trindade Augusta de Deus que nos mostrou a Virgem vestida de sol, calçada de lua e coroada de doze estrelas (Pai-Nosso)

Louvemos e demos graças ao Pai Eterno que escolheu Maria para Filha (Glória ao Pai)

1. Louvado seja o Pai Eterno que predestinou Maria para Mãe do Seu Filho (Avé-Maria)
2. Louvado seja o Pai Eterno que preservou Maria de toda a culpa (Avé-Maria)
3. Louvado seja o Pai Eterno que adornou Maria com todas as virtudes (Avé-Maria)
4. Louvado seja o Pai Eterno que deu a Maria por esposo o puríssimo São José (Avé-Maria)

Louvemos e demos graças ao Filho de Deus, que escolheu Maria para Sua Mãe (Glória ao Pai)

5. Louvado seja o Filho de Deus que se encarnou e habitou em Maria Santíssima (Avé-Maria)
6. Louvado seja o Filho de Deus que nasceu de Maria sempre Virgem (Avé-Maria)
7. Louvado seja o Filho de Deus que deu a Maria todo o poder (Avé-Maria)
8. Louvado seja o Filho de Deus que nos deu Maria por Mãe (Avé-Maria)

Louvemos e demos graças ao Espírito Santo que escolheu Maria por sua esposa (Glória ao Pai)

9. Louvado seja o Espírito Santo por Quem Maria foi Virgem e Mãe (Avé-Maria)
10. Louvado seja o Espírito Santo por Quem Maria foi templo da Santíssima Trindade (Avé-Maria)
11. Louvado seja o Espírito Santo por Quem Maria foi assumpta ao Céu (Avé-Maria)
12. Louvado seja o Espírito Santo por Quem Maria foi medianeira de todas as graças (Avé-Maria)

V/ Bendita seja a Santa e Imaculada Conceição.
R/ Da Bem-aventurada Virgem Maria.

V/ Ó Maria concebida sem pecado.
R/ Rogai por nós que recorremos a Vós.

Oração (da Missa de 8 de Dezembro):
Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem preparastes para Vosso Filho digna morada, nós Vos suplicamos humildemente que, assim como, em atenção aos merecimentos desse mesmo Filho, Vos dignastes preservá-la de toda mácula, nos concedais igualmente, por sua intercessão, a graça de chegarmos a Vós limpos do pecado. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Ámen

Oração (escrita pelo Papa São Pio X):
Virgem santa que agradastes ao Senhor a ponto de vos tornardes Sua Mãe, Virgem Imaculada no corpo, na alma, na fé, no amor, olhai com bondade os infelizes que imploram a vossa poderosa protecção. A serpente infernal contra a qual foi lançada a primeira maldição continua a combater e a tentar os pobres filhos de Eva.

Vós, nossa Mãe abençoada, nossa Rainha, nossa advogada, vós que esmagastes a cabeça do inimigo desde o primeiro instante de vossa Conceição, recebei as nossas orações e, nós vos suplicamos, unidos num único coração, apresentai-as diante do trono de Deus, para que nunca nos deixemos cair nas armadilhas que nos são preparadas, mas que cheguemos todos ao porto da Salvação e que, no meio de tantos perigos, a Igreja e a sociedade cristã cantem mais uma vez o hino da liberdade, da vitória e da paz. Ámen


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domingo, 29 de novembro de 2020

A Missa do Papa Pio XII

Às sete horas, Pio XII dirige-se à capela; ajoelha-se no grande genuflexório, onde a sua figura aparece ainda mais esbelta, e prepara-se para o Sacrifício Divino. Dirige-se, então, ao altar e veste os paramentos sagrados. Pronuncia tão claramente as orações do rito que cada sílaba é facilmente compreendida e, ao mesmo tempo, não é dita demasiadamente forte a ponto de incomodar. Iniciam as orações do Introitus. Curvando-se profundamente e colocando a sua alma em cada palavra, recita mentalmente o Confiteor. 

Abre os braços, levanta os olhos e o rosto em direcção ao grande Crucifixo de marfim, particularmente adequado para Pio XII. In medio Ecclesiae aperuit os eius: et implevit eum. A Epístola, o Gradual, o Evangelho adquiriam, pronunciados pelo Santo Padre, uma especial solenidade. Sursum corda! Segue-se o Prefácio. Pode isto ser recitado de maneira mais bela e comovente? Depois, um momento de silêncio.      

O Santo Padre recorda todos aqueles que se confiaram a ele e contam com a sua oração: reza por todos os seus filhos espalhados pelo vasto mundo. Um dia, perguntei-lhe porquê que o seu Memento durava sempre tanto tempo. Respondeu-me: «Pedem-me continuamente orações: o Sacrifício Divino é, precisamente, o momento em que o Pai Eterno não pode recusar nada e eu uso-o da melhor maneira possível». 

A Missa aproxima-se do ponto culminante: rezando com seráfico fervor e com grande paixão, o Santo Padre pronuncia as palavras da Consagração tão lentamente, mas também tão pausadamente, tão ardentes de fé e ricas de amor, que todos os presentes são como que arrastados no sagrado prodígio. Da Cruz, o Eterno Sacerdote olha para o Seu Vigário e concede-lhe o que ele lhe apresenta com fervorosa oração. Novamente, uma longa pausa. Mesmo os entes queridos falecidos não são esquecidos. A Sagrada Comunhão é o momento da união mais íntima com Aquele a quem ele é chamado a imitar e representar na Terra.        

De seguida, os braços abrem-se mais uma vez num amplo abraço voltado para o Crucifixo e a bênção do Vigário de Cristo desce não apenas sobre os presentes, mas sobre o mundo inteiro.           

Pascalina Lehnert, in Pio XII. Il privilegio di servirlo
Publicado em Dies Irae


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sábado, 28 de novembro de 2020

A guerra religiosa do século IV e o nosso tempo

A Igreja avança sempre vitoriosa na História, segundo os desígnios imprevisíveis de Deus. Os primeiros três séculos de perseguição atingiram o seu auge sob o imperador Diocleciano (284-305). Tudo parecia perdido. O desânimo foi uma tentação para muitos cristãos, entre os quais houve os que perderam a Fé.

Mas aqueles que perseveraram tiveram a imensa alegria, alguns anos depois, de ver a Cruz de Cristo brilhar sobre o lábaro de Constantino na batalha de Saxa Rubra (312). Esta vitória mudou o curso da História. O Édito de Milão de 313, que concedeu liberdade aos cristãos, derrubou o senatusconsulto de Nero, que proclamava o Cristianismo como “superstitio illicita”. A cristianização pública da sociedade iniciou-se num clima de entusiasmo e fervor. 

Em 325, o Concílio de Niceia pareceu marcar a revivescência doutrinária da Igreja, com a condenação de Ário, que negava a divindade do Verbo. Em Niceia, graças à contribuição decisiva do diácono Atanásio (295-373), mais tarde Bispo de Alexandria, definiu-se a doutrina da “consubstancialidade” da natureza das três Pessoas da Santíssima Trindade. 

Nos anos seguintes, entre a posição ortodoxa e a dos heréticos arianos, fez caminho um “terceiro partido”, o dos “semiarianos”, divididos em várias correntes. Reconheciam certa analogia entre o Pai e o Filho, mas negavam que Ele fosse “gerado, não criado, da mesma substância do que o Pai”, como afirmou o Credo Niceno. Substituíram a palavra homoousios, que significa “a mesma substância”, pelo termo homoiousios, que significa “de substância similar”. 

Os hereges arianos e semiarianos entenderam que o seu sucesso dependeria de dois factores: o primeiro era permanecer dentro da Igreja; o segundo, obter o apoio do poder político – de Constantino, portanto, e depois de seus sucessores, o que de facto aconteceu. Uma crise nunca antes conhecida irrompeu dentro da Igreja e durou mais de 60 anos. 

Ninguém a descreveu melhor do que o Cardeal Newman no seu livro "Os arianos do século IV", publicano em 1833, com o qual conseguiu colher  todas as nuances doutrinárias da questão. Um estudioso italiano, Prof. Claudio Pierantoni, traçou um esclarecedor paralelo entre a controvérsia ariana e a controvérsia sobre a exortação apostólica Amoris laetitia. Mas, já em 1973, Dom Rudolf Graber (1903-1992), Bispo de Regensburg, recordando a figura de Santo Atanásio no décimo sexto centenário da sua morte, comparou a crise do século IV com a do Concílio Vaticano II (Athanasius und die Kirche unserer Zeit: zu seinem 1600 Todestag, Kral 1973). 

Atanásio, graças à sua fidelidade à ortodoxia, foi severamente perseguido pelos seus próprios irmãos e forçado cinco vezes, entre 336 e 366, a abandonar a cidade da qual era bispo, passando longos anos de exílio e de lutas árduas em defesa da fé. Duas assembleias de bispos, em Cesareia e Tiro (334-335), condenaram-no por rebelião e fanatismo. E em 341, enquanto um Concílio de 50 bispos proclamava em Roma a sua inocência, o Concílio de Antioquia, com a presença de mais de 90 bispos, ratificava os sínodos de Cesareia e Tiro, e colocava um ariano no trono episcopal de Atanásio. 

O posterior Concílio de Sárdica, no ano 343, terminou com uma cisão: os Padres ocidentais declararam ilegal a deposição de Atanásio e reconfirmaram o Concílio de Niceia; os orientais condenaram não apenas Atanásio, mas também o Papa Júlio I, mais tarde canonizado, que o apoiara. O Concílio de Sirmio, em 351, procurou um meio termo entre a ortodoxia católica e o arianismo. No Concílio de Arles de 353, os Padres, incluindo o legado de Libério, que sucedera como Papa a São Júlio I, assinaram uma nova condenação de Atanásio. Os bispos foram forçados a escolher entre a condenação de Atanásio ou serem exiliados. São Paulino, Bispo de Trier, foi praticamente o único que lutou pela fé de Niceia. 

Exilado na Frígia, ali morreu em consequência dos maus-tratos sofridos nas mãos dos arianos. Dois anos mais tarde, no Concílio de Milão (355), mais de trezentos bispos ocidentais assinaram a condenação de Atanásio, enquanto outro Padre ortodoxo, Santo Hilário de Poitiers, era banido para a Frígia por sua inflexível lealdade à ortodoxia. 

Em 357, o Papa Libério, vencido pelo sofrimento do exílio e pela insistência de seus amigos, mas também impulsionado pelo “amor à paz”, subscreveu a fórmula semiariana de Sirmio e rompeu a comunhão com Santo Atanásio, declarando-o separado da Igreja romana, pelo uso do termo “consubstancial”, como o testemunham quatro cartas de Santo Hilário (Manlio Simonetti, La crisi ariana del IV secolo, Institutum Patristicum Augustinianum, Roma 1975, pp. 235-236). Sob o pontificado do próprio Libério, os Concílios de Rimini (359) e de Selêucia (359), que constituíam um único grande Concílio representando o Ocidente e o Oriente, abandonaram o termo “consubstancial” de Niceia e estabeleceram um equívoco “meio termo” entre os arianos e Santo Atanásio. A heresia desenfreada parecia ter vencido na Igreja. 

Os Concílios de Selêucia e Rimini não estão computados hoje pela Igreja entre os oito concílios ecumênicos da Antiguidade, mas mesmo assim contaram com até 560 bispos, a quase totalidade dos Padres da Cristandade, além de terem sido definidos como “ecuménicos” por contemporâneos. Foi então que São Jerónimo cunhou a expressão segundo a qual “o mundo gemeu e percebeu com espanto que se tornara ariano” (Dialogus adversus Luciferianos, n°. 19, em PL, 23, col. 171). 

O que é importante ressaltar é que não se tratou de uma disputa doutrinária limitada a alguns teólogos, nem um simples entrechoque de bispos no qual o Papa deveria agir como árbitro. Foi uma guerra religiosa em que todos os cristãos estavam envolvidos, desde o Papa até os últimos fiéis. Ninguém se trancou em seu bunker espiritual, ninguém permaneceu na janela como espectador silencioso do drama. Todos desceram para combater nas trincheiras, em ambos os lados do embate. Não era fácil naquele momento alguém entender se seu bispo era ortodoxo ou não, mas o sensus fidei era a bússola para se orientar. 

Falando em Roma no dia 7 de abril de 2018, o Cardeal Walter Brandmüller recordou que “o sensus fidei age como uma espécie de sistema imunológico espiritual que faz os fiéis reconhecer e rejeitar instintivamente quaisquer erros. Nesse sensus fidei repousa, portanto, independentemente da promessa divina, até mesmo a infalibilidade passiva da Igreja, ou seja, a certeza de que a Igreja, em sua totalidade, jamais poderá incorrer em uma heresia”. 

Santo Hilário escreve que durante a crise ariana os ouvidos dos fiéis que interpretavam em sentido ortodoxo as afirmações ambíguas de teólogos semiarianos eram mais piedosos que os corações dos sacerdotes. Os cristãos que haviam resistido durante três séculos aos imperadores resistiam agora a seus próprios pastores, em alguns casos até mesmo ao Papa, culpados, se não de aberta heresia, pelo menos de grave negligência. 

Monsenhor Graber recorda as palavras do livro Athanasius (1838), do escritor Joseph von Görres (1776-1848), publicado na época da prisão do Arcebispo de Colônia [um lance da Kulturkampf bismarckiana], mas que conserva ainda hoje uma extraordinária atualidade: “A terra treme sob os nossos pés. Pode-se presumir com certeza que a Igreja sairá ilesa de tal ruína, mas ninguém pode dizer e conjeturar quem e o quê sobreviverá. Nós, portanto, advertindo, recomendando, erguendo nossas mãos, gostaríamos de prevenir o mal mostrando os seus sinais. Inclusive os jumentos que carregam os falsos profetas encabritam-se, recuam e reprovam com linguagem humana a injustiça daqueles que os espancam e não veem a espada desembainhada (de Deus), que fecha seu caminho (Numeros, XXII, 22-35). Agi, portanto, enquanto é dia, porque à noite ninguém pode trabalhar. De nada serve aguardar: a espera não faz nada além de agravar todas as coisas”. 

Há ocasiões em que um católico é obrigado a escolher entre a covardia e o heroísmo, entre a apostasia e a santidade. Foi o que aconteceu no século IV, é o que está acontecendo hoje.

Roberto de Mattei in Corrispondenza Romana
(Tradução: Hélio Dias Viana,  Fratres In Unum)


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Irmãs da Cruz em Sevilha (Espanha)



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sexta-feira, 27 de novembro de 2020

A Medalha Milagrosa e a conversão de Afonso Ratisbonne

Este é um pequeno resumo da inesperada e súbita conversão do austríaco Afonso Ratisbonne. Afonso era judeu e maçon. Nutria pela Igreja Católica, e tudo o que estivesse relacionado com o catolicismo, um profundo ódio e desdém. Poucos dias antes da sua conversão, tinha aceitado usar no bolso uma medalha de Nossa Senhora das Graças (medalha milagrosa) para provar que não tinha qualquer efeito.

20 de Janeiro de 1842: Ratisbonne encontrava-se em Roma. Saindo de um café onde acabara de conversar com dois amigos, encontra a carruagem do Barão de Bussière que o convida para dar um passeio. Afonso, sem muito entusiasmo, mas para não fazer uma descortesia àquele do qual pouco antes tinha sido hóspede, aceita o convite. Acharam-se logo diante da igreja de Sant'Andrea delle Fratte. O piedoso conde de Laferronays devia receber as honras fúnebres e o Barão de Bussière fora encarregado de reservar uma tribuna para a família do defunto.

“Será coisa de dois minutos", diz ele a Afonso que, durante este tempo resolve visitar a igreja. Tenta Afonso descrever o que então se passou na sua alma: “Esta igreja é pobre e deserta; creio que nela me achei mais ou menos só… Nenhum objecto de arte atraiu a minha atenção… Subitamente nada mais vejo… ou antes, ó meu Deus, vejo uma só coisa! Como seria possível falar do que vi? Oh! não, a palavra humana não deve tentar exprimir o que se não pode exprimir; toda descrição, por sublime que seja, não seria mais que uma profanação da inefável realidade…”

Tornando à igreja, o Barão de Bussière não encontra Afonso onde o havia deixado, mas ajoelhado diante da capela de São Miguel Arcanjo e de São Rafael, submergido em profundo recolhimento.

“A esta vista, pressentindo um milagre - depõe o barão - apoderou-se de mim um frémito religioso. Dirijo-me a ele, agito-o várias vezes sem que ele dê conta da minha presença. Finalmente, voltando para mim o seu rosto banhado de lágrimas, junta as mãos e me diz: “Oh! como este senhor rezou por mim!”

Compreendi logo que se tratava do falecido Conde de Laferronays. Amparado, quase levado por mim, sobe à carruagem. Onde quereis ir? pergunto-lhe eu.

“Levai-me para onde quiserdes. Depois do que vi, obedeço”.

Declara-me em seguida que só falará com o consentimento de um padre, porque "o que eu vi – acrescenta ele – só o posso dizer de joelhos”.

Conduzido à igreja do Gesú, dos padres jesuítas, ao lado do padre Villefort que o convida a explicar-se, tira Afonso a medalha, abraça-a, mostra-a e exclama: “Eu vi-A! Eu vi-A!… Havia uns instantes que eu estava na igreja, quando repentinamente me senti dominado por uma turbação inexprimível. Ergui os olhos; todo o edifício desparecera à minha vista; só uma capela tinha, por assim dizer, concentrada toda a luz; e, no meio desta irradiação, apareceu, em pé sobre o altar, grande, brilhante, cheia de majestade de doçura a Virgem Maria, tal qual está na minha medalha; uma força irresistível atraiu-me para ela. A Virgem com a mão fez-me sinal para que me ajoelhasse. Pareceu dizer-me: “Está bem! Não me falou nada, mas eu compreendi tudo”.

Mais tarde dirigiu-se Afonso à Basílica de Santa Maria Maior a fim de agradecer à sua celeste benfeitora o grande benefício recebido.

Ao entrar na capela de Nossa Senhora, exclamou: “Oh! como estou bem aqui! Gostaria de ficar aqui para sempre: parece-me que já não estou na Terra!”

Ao fazer a visita ao Santíssimo Sacramento, por pouco não desfaleceu. Apavorado, exclamou: “que coisa horrível estar na presença do Deus vivo sem ser baptizado!”

Afirma o Padre Roothan, geral da Companhia de Jesus, que “depois da sua conversão o senso da fé nele se manifestava de modo tão intenso que lhe fazia sentir, penetrar e reter tudo o que lhe era proposto, tanto que em pouco tempo o julgaram suficientemente instruído para receber o santo Baptismo”.

Ratisbonne recebeu sem dúvida uma assistência toda especial de Deus e da Santíssima Virgem.

A 31 de Janeiro, 11 dias após a aparição, Afonso Ratisbonne abjura solenemente à maçonaria e recebe o baptismo na igreja do Gesú das mãos do cardeal Patrizzi. O vasto e sumptuoso templo estava repleto. Ali se encontrava o escol da sociedade romana e estrangeira. Acompanhado pelo Padre Villefort e pelo seu padrinho, o barão de Bussière, Afonso foi levado à porta da igreja. Vestido de uma longa túnica de damasco branco, trazia o Terço e a medalha de Nossa Senhora nas mãos.

– Que pedes à Igreja de Deus? pergunta-lhe o oficiante.
– A fé!

Ah! diz uma testemunha ocular dessa cena majestosa, já tinha a fé católica aquele a quem a Estrela da Manhã iluminara com os seus raios.

Afonso beija a terra e fica prostrado até ao fim dos exorcismos.

Levanta-se e, guiado pelo pontífice, encaminha-se para o altar entre as bênçãos de uma imensa multidão que respeitosamente se abre à sua passagem.

Perguntam-lhe qual é o seu nome.

– Maria! responde num arrebatamento de amor e de gratidão.
– Que desejas?
– O baptismo.
– Crês em Jesus Cristo?
– Creio!
– Queres ser baptizado?
– Quero!

Com um sorriso de celeste beatitude levantou sua cabeça ainda humedecida da água baptismal. Acabava de transpor um abismo: era cristão.

Afonso, cheio de Deus, radicalmente transformado pela graça, deixa o mundo e entra na Companhia de Jesus. Nela viveu dez anos vida exemplar e só a deixou, desfeito em lágrimas, para fazer a vontade de Deus que o queria ao lado do seu irmão, o Padre Teodoro, para com ele trabalhar numa obra tão grata ao mesmo Deus e de tanta relevância: a conversão dos judeus.

O piedoso Padre Maria Afonso Ratisbonne nunca se esqueceu da sua Mãe amantíssima que o arrancou das trevas da incredulidade para os esplendores da verdadeira fé.

Inclinava-se profundamente sempre que ouvia no canto das ladainhas a invocação: “Refúgio dos pecadores, rogai por nós!”

Os que o ouviam falar da sua Mãe Celeste adivinhavam o que se passava no seu coração; o seu olhar fulgurante parecia que ainda contemplava a mais bela e a mais pura das virgens.

A medalha milagrosa, que exercera papel preponderante na sua conversão, era o seu mais caro tesouro. Julgou um dia que a havia perdido; a sua aflição foi extrema; parecia-lhe que fora abandonado pela Virgem misericordiosíssima. As suas lágrimas não cessaram de correr até que a encontrou.

Maria Santíssima foi a sua consolação em todas as penas e o seu grande motivo de esperança em todas as provações. Dizia que Maria Santíssima não é outra coisa que uma mão de Deus, não a mão que castiga, mas a mão das misericórdias.

Dizem os historiadores que quando o Padre Ratisbonne pregava sobre Nossa Senhora, todos os ouvintes se comoviam, muitos pecadores se convertiam. 

Padre Élcio Murucci in Fratres in Unum


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O que é a Medalha Milagrosa?

Em 1830, Nossa Senhora apareceu três vezes na casa-mãe das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo, situada na R
ue de Bac, em Paris, à humilde noviça (agora Santa) Catarina Labouré. É assim que a Santa descreve como lhe foi revelada a Medalha da Imaculada Conceição:

“Os Seus pés repousavam sobre um globo branco. Vi-lhe três anéis de diferente tamanho em cada um dos dedos - o maior perto da base do dedo, o médio a meio e o mais pequeno na ponta - decorados com jóias, umas maiores que as outras. As jóias grandes emitiam raios maiores que as pequenas, e que caíam sobre o globo branco a Seus pés. 

Não posso expressar o que vi, a beleza e o resplendor dos raios deslumbrantes. Um halo ovalado formou-se em redor da Santíssima Virgem, dentro do qual estava escrito com letras de ouro: ‘Oh Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós’. Nesse instante todo o quadro pareceu rodar sobre si, aparecendo o verso da Medalha: um M maiúsculo atravessado na parte de cima por uma barra, na qual repousava uma Cruz; debaixo do M estavam os corações de Jesus e de Maria, um coroado de espinhos e o outro trespassado por uma lança. Doze estrelas emolduravam tudo isto. 

Logo uma voz me disse: ‘Faz uma medalha segundo este modelo. Todos aqueles que a usarem receberão muitas graças; devem usá-la ao pescoço. Serão abundantes as graças para quem a usar com confiança’.”

A frente da Medalha representa Maria Santíssima de pé sobre o globo do mundo, com o pé a esmagar a cabeça da serpente e as mãos estendidas, num gesto de compaixão maternal, para todos os que pedirem a Sua protecção. A oração reafirma o Seu título de “Imaculada Conceição”, dogma que foi infalivelmente definido 24 anos mais tarde pelo Beato Papa Pio IX, no dia 8 de Dezembro de 1854, na sua encíclica Ineffabilis Deus. Os raios de luz das mãos da Senhora simbolizam as graças que Ela anseia outorgar a quem usa a Sua Medalha e a quem Lhe reza.

Em dois anos, com a aprovação do Arcebispo de Paris, as primeiras medalhas foram feitas e distribuídas em França. Imediatamente começaram a chover bênçãos sobre aqueles que a usavam e rapidamente ficou a ser conhecida como “Medalha Milagrosa”.  

Em poucos anos, foram distribuídas aos milhões. Nenhum sacramental da Igreja fez tanto impacto desde o Santo Rosário, com o qual foram derrotados os Albigenses e os Turcos. Faz milagres - literalmente - e parece especializar-se no impossível: a conversão de pecadores endurecidos, o cuidado dos doentes sem esperança. Com exceção da Santa Cruz, nenhum outro símbolo cristão se multiplicou tão amplamente, ou foi instrumento de resultados tão maravilhosos.

Graças concedidas àqueles que as pedem

Nossa Senhora disse a Santa Catarina: “Vem ao pé do Alta, ali se derramarão graças sobre todos, grandes e pequenos, que as pedem. As graças derramar-se-ão, especialmente, sobre aqueles que as pedem”.

Algumas das graças que Santa Catarina sugeriu que as pessoas deveriam pedir a Deus, incluem: 
  • a graça de uma disposição alegre, 
  • a graça de reconhecer e aceitar as provações de cada dia como bênçãos de Deus, 
  • estar satisfeito com o seu estado de vida, 
  • entender e apreciar o Santo Sacrifício da Missa 
  • e, especialmente, amar a Deus como Nossa Senhora O amou quando Ela tinha a nossa idade.

Santa Catarina Labouré íntima da Mãe de Deus

Santa Catarina Labouré - que disse que viu a Virgem Maria “em carne e osso” e que teve o privilégio de se ajoelhar a Seus pés e descansar no Seu regaço, favor que não foi concedido a nenhum outro vidente - nasceu durante o repicar dos sinos do Angelus, no dia 2 de Maio de 1806. A mãe morreu-lhe quando tinha só nove anos de idade. Viram-na então a abraçar a estátua da Mãe de Deus, dizendo: “Agora Vós sereis a minha Mãe!” - e alimentava um desejo ardente de ver Nossa Senhora. Era esse o pedido constante nas suas orações, e ela confiava serenamente que se realizaria.

São Vicente de Paulo visitou-a num sonho aos dezoito anos, e foi aceita na sua comunidade em 22 Janeiro de 1830, com a idade de vinte e três anos.  

Santa Catarina considerou as aparições de um modo adequado: não como um favor pessoal (embora em certo sentido o tenham sido), mas como uma bênção geral para a Humanidade. Considerou-se apenas como “um instrumento” e pediu ao seu confessor que lhe prometesse que guardaria sigilo da sua identidade, segredo que foi guardado durante 40 anos, mesmo das próprias religiosas da sua comunidade.

Santa Catarina também tinha o dom da profecia, e uma das suas profecias, ainda não realizada, refere-se ao grande triunfo de Nossa Senhora: 
“Oh que maravilha será ouvir ‘Maria é a Rainha do Universo…’ Será um tempo de paz, gozo e bênçãos que durará por um tempo bastante longo”.

A oração, simples e poderosa, enviado do Céu da Medalha Milagrosa, deve repetir-se três vezes: “Oh Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”. 

RITO de Bênção e Imposição da Santa Medalha da Imaculada Virgem Maria, geralmente chamada “Medalha Milagrosa”  (S.R.C. o dia 19 de Abril de 1895)

    V. A nossa ajuda está no Nome do Senhor,
    R. Que fez o Céu e a terra.
    V. O Senhor esteja convosco.
    R. E com o vosso espírito.

OREMOS - Deus Todo-Poderoso e misericordioso, que através das aparições da Imaculada Virgem Maria na terra, Vos dignastes obrar continuamente milagres para a salvação das almas, abençoai a esta Medalha simbólica, para que aqueles que meditarem Nela piedosamente e devotamente A usarem possam sentir a Sua proteção e obter a Sua misericórdia. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

O sacerdote, então, asperge a Medalha com água benta, e diz ao colocá-la:
Recebei esta Medalha sagrada, usai-a fielmente e tratai-a com a devida veneração, para que a Santíssima e Imaculada Rainha do Céu vos proteja e defenda, e, sempre renovando os milagres da Sua bondade, obtenha misericordiosamente o que com humildade pedis a Deus, para que possais descansar jubilosamente no Seu abraço maternal por toda a vida e na hora da morte. Amém.
O sacerdote continua:
Senhor, tende misericórdia de nós. Cristo tende misericórdia de nós. Senhor tende misericórdia de nós.
    Pai Nosso que estais no Céu ...
    V. E não nos deixeis cair em tentação,
    R. Mas livrai-nos do mal.
    V. Oh Rainha, concebida sem pecado,
    R. Rogai por nós.
    V. Senhor, escutai a minha oração,
    R. E o meu clamor chegue até Vós.
    V. O Senhor esteja convosco,
    R. E com o vosso espírito.

OREMOS - Oh Senhor Jesus Cristo, que Vos dignastes glorificar, por inumeráveis milagres, a Santíssima Virgem Maria, Imaculada desde o primeiro momento da Sua Conceição, concedei a todos os que devotamente imploramos a Sua proteção na terra que possam eternamente da Vossa Presença no Céu. Vós que, com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais, Deus, pelos séculos e dos séculos. Amém. 

in Pale Ideas 


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quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Supremo Tribunal remove restrições ao culto religioso em Nova York graças ao voto de Barrett

O Supremo Tribunal dos Estados Unidos proibiu Nova York de impor limites à frequência de igrejas e outros locais de culto em áreas designadas como "fortemente afectadas pela pandemia". O voto da nova juíza do Tribunal, Amy Coney Barrett, foi decisivo.

Os votos dos juízes ficaram divididos em 5-4, com a nova juíza Amy Coney Barrett, uma católica devota, demostrando a importância da sua nomeação pelo Presidente Trump, e inclinando a balança para a ala conservadora do Tribunal. Os três progressistas, bem como o presidente do Supremo Tribunal, John Roberts, discordaram.

A sentença representa uma mudança nos critérios do Supremo Tribunal dos Estados Unidos. No início deste ano, quando a predecessora progressista de Barrett, Ruth Bader Ginsburg, ainda estava viva, os juízes também se dividiram em 5-4, mas a favor de deixar em vigor as restrições que afligiam as igrejas da Califórnia e de Nevada.

A decisão indica que as restrições eram especialmente severas para o culto religioso. E acrescenta:

“Os membros deste tribunal não são especialistas em saúde pública e devemos respeitar o julgamento de quem tem especialização e responsabilidade nesta área. Mas, mesmo durante uma pandemia, a Constituição não pode ser deixada de lado e esquecida. As restrições em questão aqui, ao proibir efectivamente muitos de comparecer aos serviços religiosos, atingem o cerne da garantia da liberdade religiosa da Primeira Emenda."



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As 6 excomunhões cujo levantamento está reservado à Santa Sé

Existem alguns pecados que, pela sua especial gravidade, são punidos com a excomunhão automática, latae sententiae. O aborto é um deles. Normalmente esses pecados podem ser perdoados e a pena medicial, a excomunhão, levantada pelo bispo local. Mas existem 6 que são reservadas à Santa Sé, como explica o Código de Direito Canónico:  

Cân. 1367 — Quem deitar fora as espécies consagradas ou as subtrair ou retiver para fim sacrílego incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica; o clérigo pode ainda ser punido com outra pena, sem excluir a demissão do estado clerical

Cân. 1370 — § 1. Quem usar de violência física contra o Romano Pontífice, incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica; se o delinquente for clérigo, pode acrescentar-se outra pena segundo a gravidade do delito, sem excluir a demissão do estado clerical.

Cân. 1382 — O Bispo que, sem mandato pontifício, conferir a alguém a consagração episcopal, e também o que dele receber a consagração, incorrem em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica.

Cân. 1378 — § 1. O sacerdote que agir contra a prescrição do cân. 977 (Absolvição do cúmplice em pecado contra o Sexto Mandamento, ou seja um pecado contra a castidade), incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica.

Cân. 1388 — § 1. O confessor que violar directamente o sigilo sacramental, incorre em excomunhão latae sententiae, reservada à Sé Apostólica; o que o violar apenas indirectamente seja punido segundo a gravidade do delito.

Além destes, a Congregação para a Doutrina da Fé acrescentou mais um pecado que tem como consequência a excomunhão automática reservada à Santa Sé: Tentar a ordenação sacerdotal de uma mulher.


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quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Vontade, liberdade e pureza de coração

A vontade dos seres criados não está feita para ser livre sendo senhora de si própria; está chamada a conformar-se com a vontade de Deus. Se com ela se conformar por submissão livre, é-lhe dado participar livremente no aperfeiçoamento da criação. Se se recusar a fazê-lo, a criatura livre perde a sua liberdade. 

A vontade do homem mantém o livre arbítrio, mas ele é seduzido pelas coisas deste mundo, que puxam por ele e o empurram em direções que o afastam do desenvolvimento da sua natureza tal como Deus a quis, e da finalidade que ele próprio estabeleceu na sua liberdade original. Para além desta liberdade original, perde a segurança da sua resolução, torna-se vago e indeciso, é importunado por dúvidas e escrúpulos, ou fica endurecido no seu desregramento.

Contra isso, não há outro remédio senão seguir a Cristo, o Filho do homem, que, não só obedecia diretamente ao Pai dos Céus, como também Se submeteu aos homens que para Ele representavam a vontade do Pai. A obediência tal como Deus a quis liberta a nossa vontade escrava de todos os laços com as coisas criadas e devolve-lhe a liberdade. É também o caminho para a pureza do coração. 

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa in 'Meditação para a festa da Exaltação da Santa Cruz'


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S. Frei Junípero e Amizades fraternas entre Santos

A verdadeira amizade que consta das palavras do próprio Jesus Cristo e que é comentada por, entre outros, S. Bernardo de Claravale e mais profundamente por S. Tomás de Aquino tem sido, em virtude de distorções doentias, evidentemente inaceitáveis, suspeita aos olhos de muitos na vida Sacerdotal e Religiosa, sendo nesses denominadas ‘amizades particulares’. Daí as recomendações insistentes, por vezes exageradas, de resguardo e prudência.

 

No entanto, abundam os exemplos de grandes amizades espirituais entre Santos, por exemplo, S. Francisco de Assis, e Frei Leão (seu confessor), mas também Santa Clara (sua filha espiritual), S. Francisco de Sales e S. Joana de Chantal. S. Francisco Xavier e Santo Inácio de Loyola e tantos mais que poderíamos elencar.

 

O franciscano S. Bernardino de Sena, um Santo excecional, nas suas numerosíssimas pregações era sempre acompanhado de um irmão Sacerdote, uma vez que S. Francisco seguindo à letra os Evangelhos queria que os frades andassem sempre dois a dois. S. Bernardino, um portento de inteligência e de erudição, adaptava os seus sermões ao povo simples, de modo a ser compreendido por todos. Para que as suas audiências não tivessem a mínima suspeição de que nas suas pregações se referia a algum pecado de alguém que já se tivesse confessado, entregava esse ministério ao confrade Sacerdote que sempre o acompanhava[1]. Ora esta comunhão Espiritual entre os dois confrades só se veio a manifestar publicamente, com algum escândalo de outros confrades, aquando da morte do confessor. De facto, o grande S. Bernardino chorou copiosissamente e imparavelmente durante três dias e de tal modo que muitos Irmãos começaram a desconfiar da sua Santidade... É caso para dizer, mas que brutos!

 

S. Frei Junípero amava de coração um frade chamado Attienalbene, pois este seu Irmão possuía em elevadíssimo grau as virtudes da paciência e da obediência. Podia ser sovado o dia inteiro que não se queixava de qualquer injúria. Enviado a terras onde a gentalha era rude e cruel dela recebia maus tratos que suportava pacientemente, sem o mínimo lamento. Nas mãos de Frei Junípero umas vezes ria outras chorava conformando-se ao que ele mandava. Se S. Junípero deparava nele alguma falta, sempre leve, pedia-lhe lágrimas de compunção e arrependimento, se o via triste e acabrunhado suscitava nele o riso de modo a que se sentisse contente e alegre.

 

Um dia, quando Deus foi servido, morreu Frei Attienalbene com odor e fama de grande Santidade, e Frei Junípero, quando o soube, mostrou uma imensa amargura, uma aflição e angústia como nunca tinha sentido por coisas temporais e terrenas. Espontâneo e expressivo como era exclamava em altas vozes: “Ai de mim! Como sou infeliz! Já não me resta bem algum. Todo o mundo se acabou para mim com a morte do meu bondoso e amicíssimo Irmão, Attienalbene”.

À honra de Cristo. Ámen.


Pe. Nuno Serras Pereira


[1] Esta será uma das razões, entre outras mais, pela qual se tornou costume em muitas paróquias que o Pároco chame vários outros Sacerdotes a atenderem confissões nas suas Paróquias. Santa Teresa de Jesus, contrariamente a alguns costumes da sua Ordem, sempre advogou, e levou avante, que nos seus mosteiros as Irmãs pudessem escolher entre vários confessores e Directores Espirituais, talvez não por algumas das mesmas razões por que as Paróquias o fazem, mas precisamente para que cada alma possa dispor do Confessor ou Assistente Espiritual que mais convenha à sua santificação.



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terça-feira, 24 de novembro de 2020

Tomada de bábito na comunidade dominicana de Saint-Vincent-Ferrier




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Quando S. Frei Junípero foi ajudar a fundar um Convento em Terra Estranha

Eles eram quatro, Frei Junípero e mais três Irmãos que se puseram de acordo nomeando o nosso Santo como o responsável em tratar das coisas necessárias durante a viagem. Chegados a uma terra famintos e sem terem onde pernoitar, começou frei Junípero a bradar: Não há quem nos hospede? Não há quem nos esmole? Não há quem nos agasalhe?

Aquelas gentes que ainda não conheciam o maltrapilho hábito franciscano e surpreendidos com o insólito da gritaria estavam naturalmente apreensivas. Houve, no entanto, um habitante mais ousado que depois de os observar detidamente lhes perguntou quem eram e por que elevavam as vozes daquele jeito. Ao que Frei Junípero retorquiu: ‘Nós somos enormes pecadores e penitentes e buscamos o necessário à vida, mas, realmente, não merecemos que nos acolham, nos hospedem ou façam esmola, porque temos ofendido a Deus com muitos e grandes pecados’. 


Rendido com a ingenuidade, sinceridade e humildade da resposta, tudo inspirado pelo Espírito Santo, recebeu-os com muita alegria e agasalho, dispondo-se, além disso a acolhê-los sempre, e a todos os que pertencessem à sua Ordem.


Prosseguindo viagem os quatros confrades adiantou-se-lhes o demónio em forma humana persuadindo o castelão de uma terra por onde teriam de passar que por ali passariam quatro homens disfarçados com um hábito singular que não passavam de ser perversos traidores.


Quando eles se aproximavam do Castelo logo os soldados investiram ferocissimamente contra eles.  Frei Junípero imediatamente ofereceu o pescoço desnudado à espada que o ameaçava enquanto os três companheiros se prostraram por terra esperando a morte iminente. Vendo o castelão que vinham desarmados desacreditou do que lhe fora dito. Mas, estúpido como Pilatos, que, não obstante, ter reconhecido a inocência de Jesus O mandou flagelar, ordenou que surrassem Frei Junípero. S. Junípero, sempre igual a si próprio no seguimento de Jesus, depois da tareia logo se ergueu, dando os agradecimentos ao castelão, e fazendo-lhe uma reverência, continuou, com seus confrades, o seu caminho para a povoação em que tinham de fundar o convento.


Passado algum tempo, sucedeu que o castelão foi assistir à Missa a esse convento. Frei Junípero, sem ser reconhecido, logo o topou. Informado da sua residência e despojado de bens temporais instou com um amigo que lhe fizesse o favor de lhe enviar um grande dom que fosse digno de presentear a um homem de grande honra que lhe tinha prestado um grande favor. Recebida a prenda, logo a mandou ao castelão instruindo o portador que informasse o destinatário que lhe era enviada da parte de um Frade Menor como reconhecimento e recompensa de uma enorme prova de amizade que em determinada ocasião lhe tinha demonstrado.

 

O castelão confundido, agradeceu ao portador, não imaginando quem o teria oferecido; e curioso, depois do repasto, encaminhou-se onde o convento para se informar do tal frade que o tinha presenteado com um sinal de tamanha amizade. Adiantando-se Frei Junípero, logo confessou ser ele e mais adiantou o seu reconhecimento pela excelência do modo como tinha domesticado o seu inimigo.


Mas que inimigo é esse? perguntou o castelão. Disponho-me inteiramente para fazer sempre o que é do teu agrado. “O meu inimigo - respondeu S. Frei Junípero - é este irmão corpo, que vós domastes muito bem, quando me fizestes espancar no vosso castelo, porque desde então me tem sido mais obediente do que dantes”.


À honra de Cristo. Ámen.


Pe. Nuno Serras Pereira




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Oração para uma boa Confissão

Oração para uma boa confissão (antes da confissão):

Meu Deus, por causa dos meus pecados crucifiquei de novo o Vosso Divino Filho e escarneci d'Ele. Por isto sou merecedor da Vossa cólera e expus-me ao fogo do Inferno. E como fui ingrato para conVosco, meu Pai do Céu, que me criastes do nada, me redimistes pelo preciosíssimo sangue do Vosso Filho e me santificastes pelos Vossos santos Sacramentos e pelo Espírito Santo! Mas Vós poupastes-me pela Vossa misericórdia, para que eu pudesse fazer esta confissão. 

Recebei-me, pois, como Vosso filho pródigo e dai-me a graça de uma boa confissão, para que possa recomeçar a amar-Vos de todo o meu coração e de toda a minha alma, e para que possa, a partir de agora, cumprir os Vossos Mandamentos e sofrer com paciência os castigos temporais que possam cair sobre mim. Espero, pela Vossa bondade e poder, obter a vida eterna no Paraíso. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

Acto de Contrição (no final da confissão):

Meu Deus, porque sois infinitamente bom e Vos amo de todo o meu coração, pesa-me de Vos ter ofendido, e com o auxílio da Vossa divina graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Peço e espero o perdão das minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia. Ámen.


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segunda-feira, 23 de novembro de 2020

São Clemente I, Papa e Mártir

São Clemente I, também conhecido como Clemente Romano, foi o quarto Papa da Igreja Católica, entre 88 e 97 dC. Nascido em Roma, nos arredores do Coliseu, por volta do ano 35dC, de família hebraica, foi um dos primeiros a receber o baptismo de São Pedro, que também o sagrou Bispo. 

Foi sucessor de Anacleto I (ou Cleto) e autor da Epístola de Clemente aos Coríntios (segundo Clemente de Alexandria e Orígenes), o primeiro documento de literatura cristã, endereçada à Igreja de Corinto. Foi também o primeiro Padre da Igreja. 

Padres da Igreja, Santos Padres ou Pais da Igreja foram influentes teólogos, professores e mestres cristãos e importantes Bispos. Os seus trabalhos académicos foram utilizados como precedentes doutrinários para séculos vindouros. Os Padres da Igreja viveram entre o século II e VII. O estudo dos escritos dos Padres da Igreja é denominado Patrística.

Discípulo de São Pedro, São Clemente, após eleito restabeleceu o uso do Crisma seguindo o rito do primeiro Papa, e iniciou o uso da palavra Amém nas cerimônias religiosas. 

A Primeira Epístola de Clemente, também conhecida literalmente como Clemente aos Coríntios, abreviada como I Clemente, é uma carta endereçada aos cristãos da cidade de Corinto. A carta foi datada como sendo do final do século I ou começo do século II d.C. e, juntamente com o Didaquê e o Evangelho de Tomé, é um dos mais antigos - se não o mais antigo - documentos cristãos sobreviventes fora dos Evangelhos canónicos.

Durante o seu Pontificado ocorreu uma segunda perseguição aos cristãos, na época de Domiciano. Mais tarde, Clemente foi preso no reinado de Trajano. Após ser detido e condenado ao exílio, com trabalhos forçados nas minas de cobre de Galípoli (no ano 97 dC), decidiu que os cristãos não podiam ficar sem um guia espiritual, renunciando em favor de Santo Evaristo. 

Converteu muitos presos e, por isso, por volta do ano 100, foi atirado ao mar com uma pedra amarrada ao pescoço, tornando-se um dos mártires dos princípios da Cristandade. O seu corpo foi recuperado da águas e sepultado em Quersoneso, na Crimeia, de onde, mais tarde, por ordem de Nicolau I, foi levado para Roma.

in Pale Ideas


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sábado, 21 de novembro de 2020

A Guerra Sexual contra as Crianças




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Apresentação de Nossa Senhora no Templo

Bendita a Vossa Pureza!
Eternamente bendita!
Que até Deus Se delicia
Com tão graciosa beleza!
A Vós, celeste Princesa
Sagrada Virgem Maria
Vos ofereço neste dia
Alma, vida e coração!
Olhai-me com compaixão!
Não me deixeis, ó Maria!


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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Pai Nosso pelas Almas do Purgatório ensinado por Santa Matilde

Um dia em que Santa Matilde havia acabado de comungar e oferecer a Deus a Hóstia Preciosíssima a fim de que Ela servisse para a libertação das Almas do Purgatório, com a remissão dos seus pecados e a reparação de suas negligências, ouviu o Senhor dizer-lhe: “Reze por elas um Pai Nosso em união com a intenção que Eu tive, ao tirá-lo do Meu Coração, a fim de ensiná-lo aos homens”. 

Ao mesmo tempo, a inspiração Divina desvendou a Santa Matilde as intenções do Pai Nosso Pelas Almas. E quando Santa Matilde acabou de rezar o Pai Nosso nessas intenções, ela viu uma grande multidão de Almas, rendendo graças a Deus pela sua libertação do Purgatório, numa alegria extrema. A cada vez que a Santa rezava essa oração, via uma legião de Almas subindo para o Céu. Socorramos as pobres Almas do Purgatório, que nada podem para si mesmas, a não ser sofrer, esperando pelos nossos sufrágios, rezar por nós e serem gratas.

PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU

Peço-Vos humildemente: Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, que perdoeis às almas do Purgatório, por não Vos terem amado nem prestado toda a honra que Vos é devida, a Vós, Seu Senhor e Pai,  que por pura graça as adoptastes como Vossas filhas. Pelo contrário, por causa dos pecados, fecharam os seus corações onde Vós queríeis habitar para sempre. Em reparação destas faltas, ofereço-Vos o amor e a veneração que o Vosso Filho Encarnado Vos testemunhou ao longo da Sua Vida terrestre e ofereço-Vos todos os actos de penitência e de reparação que Ele cumpriu e pelos quais pagou e expiou os pecados dos homens.

SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME 

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às almas do Purgatório, por não terem honrado dignamente o Vosso Santo Nome: elas pronunciaram-n`O muitas vezes distraidamente e tornaram-se indignas do nome de cristãos pela sua vida de pecado. Em reparação das faltas que cometeram, ofereço-Vos toda a honra que o Vosso Filho Bem-Amado rendeu ao Vosso Nome, por palavras e actos ao longo de toda a Sua Vida terrestre.

VENHA A NÓS O VOSSO REINO 

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às almas do Purgatório porque não procuraram nem desejaram o Vosso Reino, com intenso fervor e empenho, este Reino que é o único lugar onde reina o verdadeiro repouso e a paz eterna. Em reparação pela indiferença em fazer o bem, ofereço-Vos o desejo do Vosso Divino Filho através do qual Ele quis ardentemente torná-las, a elas também, herdeiras do Seu Reino.

SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às almas do Purgatório por não se terem sempre submetido com devoção à Vossa Vontade. Elas não procuraram cumprir a Vossa Vontade em todas as coisas e muitas vezes cederam a agiam fazendo unicamente a sua própria vontade. Em reparação da sua desobediência, ofereço-Vos a perfeita conformidade do Coração cheio de Amor do Vosso Filho à Vossa Santa Vontade e a submissão total que Ele Vos testemunhou, obedecendo-Vos até à Sua Morte na Cruz. 

O PÃO DE CADA DIA NOS DAI HOJE

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às almas do Purgatório,  por não terem recebido sempre o Santo Sacramento da Eucaristia com intenso desejo. Receberam-n`O muitas vezes sem recolhimento, sem amor, ou indignamente ou mesmo negligenciando recebê-l`O. Em reparação de todas estas faltas que cometeram, ofereço-Vos a plena santidade e o grande recolhimento de Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Divino Filho, bem como o ardente amor, através dos quais nos ofereceu este dom incomparável. 

PERDOAI-NOS AS  NOSSAS OFENSAS  ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às almas do Purgatório, todas as faltas de que se tornaram culpadas sucumbindo aos sete pecados capitais e também quando não quiseram amar, nem perdoar aos seus inimigos. Em reparação de todos estes pecados, ofereço-Vos a Oração cheia de Amor que o Vosso Divino Filho Vos dirigiu em favor dos Seus inimigos quando estava na Cruz. 

E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às almas do Purgatório, porque muitas vezes não resistiram às tentações e paixões, mas seguiram o Inimigo de todo o bem e abandonaram-se ás fraquezas da carne. Em reparação de todos estes pecados em múltiplas formas, dos quais se reconhecem culpadas, ofereço-Vos a gloriosa Vitória que Nosso Senhor Jesus Cristo trouxe ao mundo assim como a Sua Vida Santíssima, o Seu trabalho e penas, o Seu sofrimento e a Sua Morte crudelíssima. 

MAS LIVRAI-NOS DO MAL 

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, livrai-nos de todos os flagelos, pelos méritos do Vosso Filho Bem-Amado e conduzi-nos, bem como às almas do Purgatório, ao Vosso Reino de Glória eterna, que se identifica Convosco. Amen. 


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