Hoje é dia de São
Tiago, ou Santiago. Filho do pescador galileu Zebedeu, era o irmão mais velho
de S. João Evangelista e não de São Tiago Menor, a quem se costuma confundir
como irmão mais novo. Junto com João foi chamado por Cristo para tornar-se, com
Pedro e André, num dos apóstolos. O epíteto o Maior significa justamente que
foi um dos primeiros chamados. Junto a São Pedro e São João assistiu à
Transfiguração e à Agonia de Cristo, no monte das Oliveiras.
O glorioso
Apóstolo Santiago, Maior, Luz e Patrono das Espanhas, foi natural da Província
de Galileia, filho do Zebedeu e de Maria Salomé (filha de Alfeu ou Cleofas,
irmão de São José, e de Maria: Maria de Cleofas), e irmão maior de São João
Evangelista, e primo de Jesus Cristo, segundo a carne. Foram pescadores, ambos
os irmãos, como o foi o Pai Zebedeu, que vivia nas margens do mar da Galileia e
devia ser pescador rico, pois tinha navio próprio e criados. São Jerónimo diz
que eram nobres. Quanto à vida de Tiago, deveremos tirar o que dele e do seu
irmão dizem os sagrados evangelistas.
Estando um dia
com o pai e o irmão a consertar redes, passou Jesus e disse-lhes: “Sigam-me”.
João e Tiago imediatamente obedeceram; deixaram o pai e as redes e seguiram
Jesus, como fiéis discípulos, para todo o sempre. Eles sempre estavam no grupo
dos três: Pedro, Tiago e João. Eram, talvez, os mais íntimos.
Podemos entender
também o pedido feito a Jesus, por Maria Salomé, de que os colocasse no seu
Reino, um à sua direita e o outro à sua esquerda. Era um pedido de mãe; porém,
provavelmente ela expressou o desejo mais íntimo dos dois apóstolos.
Naquele momento,
Jesus, sem considerar o parentesco, repreendeu-os ainda e disse: “Não sabeis o
que pedis. Podeis beber o cálice que eu hei de beber?”. Eles prontamente
responderam: “Podemos”. Por fim o Senhor afirma que tal decisão cabe tão
somente ao Pai.
Depois de os ter
chamado, o Senhor mudou-lhes o nome, chamando-lhes Boanerges, que quer dizer,
Filhos do trovão. Isto é coisa particular, digna de consideração, pois que só a
São Pedro e a estes dois irmãos, entre todos os apóstolos, lemos que o Senhor
lhes trocou os nomes.
A Pedro,
mudando-lhe o nome de Simão em Pedro ou Cefas, porque seria a cabeça da Igreja
e a pedra fundamental sobre a qual, depois de Cristo, ela deveria edificar-se.
E a São Tiago e São João, porque depois de São Pedro, seriam os mais próximos,
familiares, mais favorecidos e prendados, como se vê em muitas coisas que lhes
comunicou, excluindo os restantes.
Levou-os consigo
quando foi ressuscitar a filha do Chefe da Sinagoga, quis que fossem testemunhas
da glória da sua sagrada humanidade, quando se transfigurou, e resplandeceu o
seu divino rosto mais que o Sol no monte Tabor. Somente levou os três consigo,
deixando os outros, quando foi rezar no horto de Getsémani e lhes mostrou a sua
tristeza e agonia, a fim de o verem desfigurado e suando sangue, ao que antes
tinham visto cheio com tanta glória e claridade.
O evangelista
Lucas narra um facto que caracteriza bem a índole dos dois irmãos, como também
a sua dedicação e fidelidade ao Mestre. E deu-lhes o nome de Filhos do trovão,
como principais capitães do seu exército e que com a voz sonora da sua pregação
e doutrina, a jeito de trovão, haveriam de espantar e converter o mundo e
trazê-lo ao conhecimento e Fé no seu criador.
E embora isto seja
mais evidente em S. João, fundador, pai e mestre de todas as igrejas da Ásia, o
qual fixando, como Águia-real, os seus limpos e agudos olhos nos raios do Sol,
nos mostrou a geração do Verbo eterno. E, enquanto se ouviam trovões e
relâmpagos espantosos do céu, também se cumpriu em Santiago, seu irmão que para
além de ter pregado na Judeia e em Espanha, defendeu tantas vezes estes reinos
e como terrível trovão e furioso raio, desbaratou e destruiu os exércitos dos
mouros e de outros inimigos dos cristãos. E, com apoio e protecção deste
glorioso apóstolo, os espanhóis levaram por todo o mundo o estandarte da cruz e
plantaram nas Índias e noutras províncias e reinos a doutrina evangélica e
deram a conhecer a gentes cegas os resplendores da divina luz.
E refere o
evangelista São Lucas que indo o Senhor, próximo da Páscoa, a Jerusalém, enviou
alguns dos seus discípulos adiante à cidade de Samaria onde haviam de passar, a
fim de que preparassem o que haviam de comer. Porventura, como reconheceram,
por seus modos e traje, que eram judeus e de diferente religião da sua, não
foram bem recebidos pelos Samaritanos que não quiseram tratar com eles, nem
admiti-los na sua cidade.
Quando São Tiago
e São João, seu irmão que eram filhos do trovão, viram a descortesia dos Samaritanos,
movidos de zelo e desejosos de vingar a injúria que se fazia a Cristo,
disseram-lhe: Senhor, não quereis que façamos descer fogo do céu e que toda
esta gente seja abrasada? Mas o Senhor respondeu-lhes: Não sabeis de que
espírito sois, dando a entender que aquele espírito e zelo que os movia, era
espírito de vingança e não de brandura, espírito do Velho Testamento e não do
Novo, de Elias e não de Jesus Cristo, o qual como tinha vindo a ensinar e
ganhar os pecadores, assim o modo de os ensinar e ganhar devia ser brandura,
suavidade e caridade evangélica.
Tiago, o irmão
mais velho, sempre foi uma referência para João evangelista e para os demais
discípulos, pois era corajoso e determinado. Santo Epifânio afirma que Tiago
viveu sempre em perfeita castidade.
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