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segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Madre Angélica em defesa da Missa em Latim

O Latim é o idioma perfeito para a Missa. É a língua da Igreja, que nos permite melhor fazer oração verbal sem distracções. 

Como sabem, o propósito da Missa é rezar e estar associados à crucifixão e ao glorioso banquete de que participamos na Sagrada Comunhão. Ele está ali. No entanto, muito disto se deteriora com o vernáculo.

Durante a Missa em Latim, tens um missal para se quiseres segui-La na tua língua. É quase mística. Isto dá-te uma consciência dos Céus. Da incrível humildade de Deus que se manifesta em forma de pão e vinho. 

O amor que Ele teve por nós e o Seu desejo de permanecer connosco até ao fim dos tempos é simplesmente impressionante. Podes concentrar-te nesse amor, porque não te distrais com a tua própria língua. Podes ir a qualquer parte do mundo e saber sempre o que está a acontecer. É contemplativo, porque à medida a que a Missa se desenrola, podes fechar os olhos e visualizar o que realmente sucede. [O Calvário.] Podes senti-lo. 

Podes olhar para o Oriente e dar-te conta de que Deus chegou e está realmente presente. Com o sacerdote voltado para o povo, é apenas algo entre o povo e o sacerdote. Muitas (demasiadas) vezes é só uma espécie de get-together (encontro de amigos) e Jesus é quase esquecido.

Madre Angélica in 'Little Book of Life Lessons and Everyday Spirituality'


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domingo, 3 de março de 2024

Missa, Exorcismo e Sacramentos em Latim esmagam a cabeça do Diabo

Os antigos Missais Católicos mostram-nos que o Cânone da Santa Missa em Latim se mantém praticamente inalterados desde o pontificado do Papa Gregório Magno (560-604). O Papa Pio V (1504-1572), modificou apenas ligeiramente este ancestral Missal Gregoriano, em conjunto com algumas das suas rubricas, mantendo no entanto inalterado o Cânone Romano. 

Após isto promulgou esta antiquíssima Missa Romana por todo o mundo cristão (exceptuando locais em que fosse feito uso de outro Rito com pelo menos 200 anos). Isto não incluiu os locais em que se fizesse uso do Rito Bizantino. Importa não esquecermos que a vastíssima maioria dos Católicos eram e são Católicos do Rito Romano.

Desde então foram feitas pequenas alterações, como a introdução de festas de novos Santos, mas em traços gerais o Missal Tridentino, ou Missal de de Pio V, tem sido usado por toda a Igreja do Rito Romano há mais de 400 anos.

Entretanto, em 1965, o Missal Tridentino foi traduzido para o vernáculo (no nosso caso, em Inglês) e desapareceu a obrigatoriedade de se celebrar a Missa apenas em latim. A Novus Ordo (nova missa), do Papa Paulo VI, foi promulgada em Dezembro de 1969 e passou a ser celebrada por todo o mundo Católico de Rito Romano. A partir desse momento a Missa Tridentina foi practicamente suprimida na Igreja (com a excepção de alguns locais específicos ou em paroquias em que os padres, já idosos, não a queriam celebrar ou não conseguiram aprender a nova Missa).

Exactamente na mesma altura em que o latim era erradicado dos Sacramentos da Igreja Católica, os portões do inferno abriram-se para o mundo. Muitos atribuem a desintegração da Fé e civilização Católica à revolução, caracterizada pelo trio “sexo, drogas e rock’n’roll”, ocorrida nos anos 60. Eu argumento que foi o diabo, e a sua companhia (os demónios) que despoletaram essa revolução.

Relembro que o diabo detesta o latim e em particular os antigos Sacramentos, Ritos e Orações da Igreja Católica em latim. Podemos constatar que foi precisamente na altura em que foi removido o latim da vida da Igreja (de 1965-1969), que os portões do infernos se abriram para o mundo.

Muitos perguntam o porquê do diabo odiar o latim e o porquê dessa língua ser aplicada nos exorcismos e exercer poder sobre o diabo. A resposta é que o Latim Eclesiástico foi reservado exclusivamente para o serviço da Igreja de Deus, nas suas orações e Sacramentos. (Paralelamente existe também o Latim Romano clássico, de Cícero, que ainda é estudado nos dias de hoje. Este tipo de latim difere significativamente do Latim Eclesiástico Sagrado)

A nossa língua profana é o inglês. A ela recorremos para insultar, praguejar, intrigar, mentir, enganar e corromper almas, a par com  as outras utilidades comuns de comunicação para as quais dela nos servimos.

Por sua vez, o Latim Eclesiástico é utilizado apenas para o sagrado, é uma língua morta que permanecerá inalterada e está consagrada, há séculos, em exclusivo para a oração (e em especial para a celebração da Missa em  Latim). E é por este motivo que o diabo odeia o latim.

É uma tristeza profunda quando um católico afirma odiar a Missa em Latim. Exprimem literalmente que não gostam ou, em alguns casos, até afirmam que a odeiam, única e exclusivamente por ser em latim. Afirmam  também não querer assistir por não entenderem o que é dito. Eu digo-lhes: Por favor, Deus sustenta-vos a semana inteira, 24 horas por dia 7 dias por semana, e não conseguem oferecer a Deus uma hora de oração sagrada, da maneira que Lhe aprouver? Porque odeiam o mesmo que o diabo odeia? Porque não amar o que Deus ama?

Perguntam, a prova do amor de Deus pela Missa em Latim, é o facto de ter sido por Sua vontade Sua que a Igreja, no mundo do Rito Romano, a tenha celebrado nessa língua durante os últimos 1800 anos? E a única resposta que conseguem encontrar é a de que Deus e a Sua Igreja andaram em erro todos estes anos mas agora, finalmente, nós conseguimos acertar? Que absurdo!

Proponho a teoria de que no momento em que os papas removeram o Latim da Igreja Católica Romana e suprimirem o Rito Tridentino, permitiram a abertura dos portões do inferno sobre a terra. Compete-nos voltar à Missa Tridentina ou a outros Ritos e Orações em Latim para combater o diabo.

Falei apenas do Rito Romano e da Igreja Católica Romana porque o Latim é a nossa língua sagrada. Outros ritos usam outras línguas sagradas como o Grego, Russo e Aramaico. A Maioria desses Ritos não viram alterações Às suas Divinas Liturgias com o advento do Concilio Vaticano II, e mantêm quase intacta a sua forma original.

Cumpramos todos o nosso papel na erradicação das manchas infernais sobre este mundo através do regresso à missa em latim, bem como todos os Sacramentos e Exorcismos em Latim. É uma enormíssima bênção ser defensor da Tradição e poder ter ao nosso alcance estas verdadeiras armas nucleares no combate contra o maligno.

Father Carota in http://www.traditionalcatholicpriest.com
Tradução: Miguel Sottomayor


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quinta-feira, 4 de maio de 2023

Latim, língua da Igreja

Em 25 de Março de 1961, L’Osservatore Romano publicava na primeira página um artigo, assinado com três estrelas, intitulado Latino, lingua della Chiesa, onde se defendia vigorosamente a necessidade que a Igreja tinha de uma língua “universal, imutável e não vulgar“. 

O artigo desenvolvia, em termos amplos e articulados, a afirmação de São Pio X, segundo a qual “a língua latina é considerada, por direito, a língua própria da Igreja“, e a passagem de Pio XI na Epístola Officiorum omnium, de 1 de Agosto de 1922, segundo a qual a Igreja “exige, pela sua própria natureza, uma língua que seja universal, imutável e não vulgar“. Vale a pena recuperar as teses de fundo do referido artigo ao qual nunca foi dada uma resposta convincente:

“O primeiro requisito da língua da Igreja, ensina o Pontífice, é ser universal. Esta língua deve servir, na ordem da instituição eclesiástica, para colocar o centro da Igreja em contato rápido, seguro e igual, com todos os raios que se dirigem a este centro. Se, em discursos proferidos em ocasiões solenes perante este ou aquele povo, os Pontífices não hesitam em usar as respectivas línguas nacionais, já quando se devem dirigir à família católica universal, o uso desta ou daquela língua moderna, própria de uma comunidade singular, seria um favorecimento dessa mesma comunidade, em prejuízo das restantes. 

A Igreja, que, com palavras de São Paulo, proclama ‘ubi non est gentilis et iudaeus […] barbarus et Scyta, servus et liber‘ (Col 3, 11; Gal 3,28; Rom 10,12), não tirará nunca do prato da balança, com o objetivo de favorecer os interesses terrenos de um povo em detrimento de outros, o peso dos valores eternos da qual é a guardiã. Nem em caso algum forçará os povos com menor poder político ou cultural a inclinarem-se diante dos mais fortes, como os feixes no sonho profético de José (Gen 37, 6ss). 

Donde o uso do latim que não é uma língua própria de nenhum povo, nem favorece nem desfavorece parcialmente qualquer deles, cumprindo assim uma condição essencial que tem de ter, na ordem cristã, uma língua universal.

O uso do latim por parte da Igreja não tem apenas a função negativa de eliminar parcialidades e ressentimentos. A facilidade que ele proporciona aos sacerdotes de todo o mundo de compreenderem, prontamente e com precisão e uniformidade, os actos de magistério, de legislação, de exortação do Sumo Pontífice; a possibilidade de seguirem, nos Acta Apostolicae Sedis, as disposições dos dicastérios romanos; a possibilidade de acederem directamente, durante o seu tempo de estudo, e depois, às obras dos Padres e dos grandes mestres; o uso de uma terminologia precisa, imutável, universal; a difusa capacidade que é o fundamento da ciência, de aceder às fontes originais; a rápida compreensão dos textos litúrgicos; e, finalmente, a comunhão numa supercultura que enriquece e não diminui as culturas nacionais; tudo isto constitui um feixe de ligações que contribui para ressaltar a unidade de todos os membros da Igreja, da ordem sacerdotal antes de mais, e, mediante ela, também a de todos os fiéis.

Pio XI (Epístola Officiorum omnium, de 1º de agosto de 1922): ‘É disposição providencial que o latim proporcione aos cristãos mais cultos de cada nação um poderoso vínculo de unidade, permitindo-lhes conhecer mais profundamente aquilo que se refere à Santa Madre Igreja e manter uma coesão mais íntima com o Chefe da família’. E Pio XII resumia e confirmava: ‘A liturgia latina é um vínculo precioso da Igreja Católica.

Além do requisito da aptidão para a universalidade étnica e geográfica, a língua da Igreja deve possuir, afirma o Sumo Pontífice, o atributo da imutabilidade: ‘A Igreja, que está destinada a durar até o fim dos séculos, exige pela sua natureza própria, uma língua que seja imutável.’ É um fato que as línguas vivas estão em permanente mutação; e, quanto mais os povos que as falam participam dos movimentos da história, tanto mais as suas línguas se alteram. […]

O terceiro requisito da língua da Igreja, prossegue o Sumo Pontífice, é que não seja vulgar. Não seria natural que a Igreja, a quem o Senhor pede que ‘olhe propícia para as tribulações da plebe, os perigos dos povos, os gemidos dos prisioneiros, a miséria dos órfãos, as privações dos desterrados, o abandono dos fracos, o desespero dos doentes, a decadência dos velhos, os anseios dos jovens, os votos das virgens, os lamentos das viúvas’ , e que aplica a esta humanidade sofredora as palavras do seu Divino Fundador: ‘Vós sois todos irmãos’, e o comentário de Paulo: ‘Em Cristo, não há judeus nem grego, nem escravo nem homem livre’, a ninguém ocorrerá pensar que a Igreja se deixe tomar por um horaciano desígnio em favor do ‘profanum vulgus‘. 

O vulgus são as massas imensas da vida quotidiana, com os seus interesses e as suas paixões. E a Igreja, se por um lado aprende e usa também o obscuro dialecto de uma pequena tribo do Congo ou da Amazónia, a fim de evangelizar estes filhos que Cristo lhe confiou, por outro lado sente a necessidade e o dever de confiar o sagrado depósito das suas verdades a uma língua que não se identifique com esta ou aquela de um povo singular, nem esteja genericamente ao nível de paixões e de interesses particulares. 

E também estes requisitos de elevação vai encontrá-los no latim, que, por isso, é ‘uma arca de incomparável excelência’ (Pio XII, discurso Magis quam) para as verdades eternas e imutáveis. Se o latim lhe não tivesse sido oferecido pela Providência no começo da sua longa história, ela ter-se-ia visto forçada a procurar uma língua que possuísse os três requisitos que o Papa Pio XI especificou: ‘Dado que o latim realiza plenamente esta tríplice exigência’, conclui o Pontífice, ‘consideramos ter sido disposto pela Divina Providência que ele se tivesse admiravelmente colocado ao serviço da Igreja docente’

Roberto De Mattei in 'O Concílio Vaticano II – Uma história nunca escrita'


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quinta-feira, 30 de março de 2023

9 orações para saber em latim

1. Sinal da Cruz

In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen

2. Credo

Credo in unum Deum, Patrem omnipotentem, factorem caeli et terrae, visibilium omnium et invisibilium.
Et in unum Dominum Jesum Christum Filium Dei unigenitum. Et ex Patre natum ante omnia saecula. Deum de Deo, lumen de lumine, Deum verum de Deo vero. Genitum, non factum, consubstantialem Patri : per quem omnia facta sunt. Qui propter nos homines, et propter nostram salutem decendit de caelis. Et incarnatus est de Spiritu sancto ex Maria Virgine : Et homo factus est. Crucifixus etiam pro nobis : sub Pontio Pilato passus, et sepultus est. Et resurrexit tertia die, secundum Scripturas. Et ascendit in caelum : sedet ad dexteram Patris. Et iterum venturus est cum gloria, judicare vivos et mortuos : cujus regni non erit finis.
Et in Spiritum sanctum, Dominum, et vivificantem : qui ex Patre Filioque procedit. Qui cum Patre et Filio simul adoratur, et conglorificatur : qui locutus est per Prophetas. Et unam, sanctam, catholicam, et apostolicam Ecclesiam. Confiteor unum baptisma in remissionem peccatorum. Et expecto resurrectionem mortuorum. Et vitam venturi saeculi.

3. Pai Nosso

Pater noster, qui es in caelis, sanctificetur nomen tuum. Adveniat regnum tuum. Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra. Panem nostrum quotidianum da nobis hodie, et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem, sed libera nos a malo. Amen.

4. Avé Maria

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum. Benedicta tu in mulieribus, et benedictus fructus ventris tui, Iesus. Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc, et in hora mortis nostrae. Amen.

5. Glória ao Pai

Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto. Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen.

6. A oração de Fátima 

Domine Iesu, dimitte nobis debita nostra, salva nos ab igne inferiori, perduc in caelum omnes animas, praesertim eas, quae misericordiae tuae maxime indigent.

7. Salve Regina

Salve Regina, Mater misericordiae. Vita, dulcedo, et spes nostra, salve. Ad te clamamus exsules filii Hevae. Ad te Suspiramus, gementes et flentes in hac lacrimarum valle. Eia ergo, Advocata nostra, illos tuos misericordes oculos ad nos converte. Et Iesum, benedictum fructum ventris tui, nobis post hoc exsilium ostende. O clemens, o pia, o dulcis Virgo Maria.
V. Ora pro nobis, Sancta Dei Genitrix. R. Ut digni efficiamur promissionibus Christi.

8. Angelus

V. Angelus Domini nuntiavit Mariae. R. Et concepit de Spiritu Sancto.
Ave Maria...

V. Ecce ancilla Domini, R. Fiat mihi secundum verbum tuum.
Ave Maria...

V. Et Verbum caro factum est, R. Et habitavit in nobis.
Ave Maria...

V. Ora pro nobis, sancta Dei Genetrix, R. Ut digni efficiamur promissionibus Christi.

Oremus. Gratiam tuam, quaesumus, Domine, mentibus nostris infunde; ut qui, Angelo nuntiante, Christi Filii tui incarnationem cognovimus, per passionem eius et crucem ad resurrectionis gloriam perducamur. Per eumdem Christum Dominum nostrum. R. Amen.

9. Oração a São Miguel Arcanjo

Sancte Michael Archangele, defende nos in proelio, contra nequitiam et insidias diaboli esto praesidium. Imperet illi Deus, supplices deprecamur: tuque, Princeps militiae caelestis, Satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute, in infernum detrude. Amen.


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quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Cardeal Ratzinger: Ainda há um Rito Latino?

[O Concílio Vaticano II] havia dito que o rito latino deveria continuar a ser em latim, embora pudesse ser dada alguma abertura ao vernáculo. Hoje podemos perguntar: ainda existe um rito latino? Certamente não há consciência disso. 

Cardeal Joseph Ratzinger in The Feast of Faith: Approaches to a Theology of the Liturgy (1986), p. 84


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quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Palavras e frases em Latim que qualquer homem deveria saber

latin1
Desde a Idade Média até metade do século XX, o Latim era uma parte central do currículo escolar de um homem do Ocidente. Juntamente com a lógica e a retórica, a gramática (como era conhecido o Latim) estava incluída no Trivium - a base da edução medieval em artes liberais. Foi do Latim que toda a cultura fluiu e o Latim foi verdadeiramente a porta para a vida intelectual, dado que a maior parte da literatura científica, religiosa, legal e filosófica foi escrita nesta linguagem até o século XVI. Para uma pessoa entrar a sério nos estudos clássicos e humanistas, o Latim era obrigatório.
Durante este período, as escolas de gramática na Europa, e especialmente em Inglaterra, eram escolas de Latim, e a primeira escola secundária fundada na América pelos puritanos foi também uma escola de Latim. Mas, a partir do século XIV, os escritores começaram a usar o vernáculo nas suas obras, que começou lentamente a rachar a importância central do Latim na educação. Esta moda pelo ensino em língua inglesa acelerou no século XIX; as escolas pararam de dar futuros padres para dar homens de negócios licenciados que iriam tomar o seu posto numa economia industrializada. O ênfase nas artes liberais começou a dar lugar ao que era considerado como uma educação prática em leitura, escrita e aritmética.
Enquanto recebia uma morte lenta durante centenas de anos, o Latim continuou a ter uma presença forte nas escolas até meados do século XX. A partir dos anos 60, os alunos universitários exigiram que os currículos fossem mais abertos, inclusivos e menos "euro-centrados". Dentro das mudanças que sugeriam estava a eliminação do Latim como um curso obrigatório para todos os estudantes. Para acabar com os protestos estudantis, as universidades começaram lentamente a deixar de lado a obrigatoriedade do Latim e, como as universidades pararam de exigir Latim, muitos liceus na América pararam também de dar aulas de Latim. Mais ou menos na mesma altura a Igreja Católica reviu a sua liturgia e permitiu aos sacerdotes celebrarem a Missa na língua vernácula em vez do Latim, eliminando assim uma das últimas ligações do público à língua antiga.
Apesar de já não ser obrigatório para um homem saber Latim para avançar na vida, ainda é um óptimo assunto para estudar. Eu tive que ter aulas de latim como parte do meu “major em Letras” na Universidade de Oklahoma e gostei imenso. Mesmo que já estejam bem fora da escola, há uma miríade de razões pelas quais deviam considerar obter, pelo menos, um conhecimento rudimentar desta língua:
Saber Latim pode aumentar o vosso vocabulário de inglês. Apesar de o inglês ser uma língua germânica, o Latim influenciou-a fortemente. A maior parte dos nossos prefixos e algumas das raízes do inglês mais comum vêm do Latim. Segundo certas estimativas, 30% das palavras inglesas vêm desta língua antiga. Ao saber o significado destas palavras latinas, se por acaso encontrarem uma palavra que nunca viram antes, podem tentar adivinhar com algumas bases o que significa. De facto, uns estudos mostraram que os alunos de liceu que estudaram Latim tiveram uma média de 647 no exame verbal de SAT, comparando com a média nacional de 505.
Saber Latim pode melhorar o vosso vocabulário de línguas estrangeiras. Muitas das línguas românicas por aí faladas, como o espanhol, o francês e o italiano vêm do Latim vulgar. Vão-se espantar pelo número de palavras românicas que são praticamente iguais aos seus equivalentes latinos.
Muitos termos legais estão em Latim. Nolo contendere. Mens rea. Caveat emptor. Sabem o que isto significa? Na verdade, são frases comuns em direito. Apesar de terem existido avanços para traduzir a linguagem legal para inglês simples, ainda vão encontrar velhas frases em Latim em contractos legais de vez em quando. Para serem cidadãos e consumidores educados, precisam de saber o que significam essas frases. Se estão a planear estudar direito, recomendo muitíssimo que se ponham a pau no Latim. Vão encontrá-lo a toda a hora, especialmente ao ler casos com leis antigas.
Saber Latim pode dar-vos um olhar mais apurado sobre a história e a literatura. O Latim foi a lingua franca do Ocidente durante mais de mil anos. Consequentemente, grande parte da nossa história, ciência e da melhor literatura foi registada em Latim. Ler estes clássicos na língua original pode dar-vos conhecimentos que, caso contrário, teriam perdido se lessem em inglês.
Mais ainda, os escritores modernos (e por moderno quero dizer início do século XVII) normalmente temperam as suas obras com palavras e frases em Latim sem dar uma tradução, porque esperam (razoavelmente) que o leitor esteja familiariazado com elas. Isto é verdade para grandes livros de até mesmo há algumas décadas atrás (hoje em dia parece muito menos comum - o que não é um comentário esperançoso no que toca à direcção da literacia do público, penso). O facto de não terem um conhecimento rudimentar de Latim vai fazer com que não percebam a fundo o que o escritor quis passar.
Em baixo têm uma lista de palavras e frases em Latim para ajudar a espicaçar o vosso interesse em aprender esta língua clássica. Esta lista não é de nenhum modo exaustiva. Incluímos algumas das palavras e frases latinas que se vê mais nos dias de hoje, que são uma boa ajuda para saber e aumentar a vossa cultura literária de todos os lados. Incluímos também alguns ditos viris, aforismos e lemas que podem inspirar-vos para algo maior ou lembrar-nos de verdades importantes. Talvez possam encontrar uma frase em Latim que possam adoptar como o vosso lema pessoal. Semper Virilis!

Palavras e Frases em Latim que qualquer homem devia saber

(mais aqui)
a posteriorido último -- saber ou justificação que depende da experiência
ou de evidência empírica
a priorido que vem antes -- saber ou justificação que é independente
da experiência
faber est suae quisque fortunaecada homem é o responsável do seu próprio futuro --
citação de Ápio Cláudio Cego
acta non verbaobras, não palavras
ad hoca isto -- improvisado ou inventado
ad hominemao homem -- ataque pessoal de baixo nível em vez de
de um argumento razoável
ad honorempela honra
in artofmanliness.com

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segunda-feira, 22 de novembro de 2021

9 citações do Papa João XXIII em defesa do Latim

1 - "Não sem a disposição da Divina Providência, aconteceu que a língua (latina), que por muitos séculos unira tantos povos sob o Império Romano, se tornasse a própria língua da Sé Apostólica e, preservada para a posteridade, reuniu num estreito vínculo, uns com os outros, os povos cristãos da Europa."

2 - "De facto, pela sua própria natureza, a língua latina está apta a promover junto a qualquer povo toda a forma de cultura; pois que ela não suscita invejas, apresenta-se imparcial a todos os povos, não se constitui em privilégio de ninguém, em fim é totalmente aceita e amiga."

3 -"Não podemos esquecer que a língua latina tem nobreza de estrutura léxica, visto que oferece a possibilidade de «um estilo conciso, rico, harmonioso, cheio de majestade e de dignidade» (Pio XI, Epist. Ap. Officiorum omnium, 01/08/1922: A.A .S. 14), que de modo especial consegue clareza e gravidade."

4 - "Por estes motivos a Santa Sé tem cuidadosamente zelado na conservação e progresso da língua latina e a considera digna de ser utilizada como « magnífica vestimenta da doutrina celeste e das santíssimas leis» (Pio XI, Motu Proprio Litterarum Latinarum, 20/10/1924), no exercício do seu magistério, e quer ainda que seus ministros a utilizem."

5 - «O pleno conhecimento e uso dessa língua, tão ligada à vida da Igreja, não interessa tanto à cultura e às letras quanto à Religião» (Pio XI, Epist. Ap. Officiorum omnium, 01/08/1922), "como disse nosso Predecessor...; o qual, ocupando-se cientificamente do assunto, reuniu três dons desta língua, de modo admirável conforme a própria natureza da Igreja: «De fato, a Igreja, como mantém unidos na sua amplitude todos os povos e durará até a consumação dos séculos... requer, pela sua natureza, uma língua universal, imutável, não vulgar» (Ibidem).

6 - "É necessário que a Igreja utilize uma língua não só universal, mas também imutável. Se, de facto, a verdade da Igreja Católica fosse confiada a algumas ou a muitas das línguas modernas, sujeitas a uma contínua mudança, as quais nenhuma tem maior autoridade e prestígio sobre as outras, resultaria sem dúvida que, devido à sua variedade, não ficaria manifesto para muitos com suficiente precisão e clareza o sentido de tais verdades, nem, por outro lado, se disporia de alguma língua comum e estável, para confrontar o sentido das outras."

7 - "Enfim, visto que a Igreja Católica, por ter sido fundada por Cristo Nosso Senhor, excede sem medida em dignidade sobre todas as sociedades humanas, é sumamente conveniente que ela use uma língua não popular, mas rica de majestade e de nobreza."

8 - "Além disso, a língua latina, que «justamente podemos chamar de católica» (ibidem), pois que é própria da Sede Apostólica, mãe e mestra de todas as Igrejas, e consagrada pelo uso perene, deve ser mantida como « tesouro de incomparável valor» (Pio XII, Alloc. Magis quam, 23/11/1951) e como porta pela qual se abre a todos o acesso às mesmas verdades cristãs, vindas dos tempos antigos, para interpretar o testemunho da doutrina da Igreja (Leão XIII, Epist. Encicl. Depuis le jour, 08/09/1899) e, finalmente, como vínculo mais que idóneo, mediante o qual a época actual da Igreja se mantém unida com os tempos passados e com os tempos futuros de modo admirável».

9 - "Nos nossos dias, o uso do latim é objecto de controvérsia em muitos lugares e, consequentemente, muitos perguntam qual é o pensamento da Sé apostólica sobre este ponto. Por isso nós decidimos tomar medidas oportunas, enunciadas neste solene documento, para que o uso antigo e ininterrupto do latim seja plenamente mantido e restabelecido onde ele quase caiu em desuso."

Todas as citações foram retiradas da Constituição Apostólica 'Veterum Sapientiae' (sobre o uso do latim) e escolhidas pelo site Monfort


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quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Neto de Tolkien relembra como o escritor reagiu à Missa em inglês

Recordo-me perfeitamente de ir à Missa a Bournemouth com o meu Avô [J.R.R. Tolkien], que era um católico romano devoto. Foi logo após a Reforma Litúrgica, quando nas igrejas mudaram a liturgia do latim para o inglês. O meu Avô, obviamente, não concordou com isso e dava todas as respostas muito alto em latim enquanto o resto das pessoas respondia em inglês.

Eu achei toda a experiência bastante aflitiva, mas o meu Avô nem percebia. Ele simplesmente tinha que fazer o que acreditava estar certo. Ele herdou a sua religião da sua Mãe, que foi ostracizada pela sua família após a sua conversão (do anglicanismo ao catolicismo) e depois morreu na pobreza quando o meu Avô tinha apenas 12 anos. 

Simon Tolkien


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segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Beata Ana Catarina Emmerich sobre rezar em latim

Não posso fazer uso das orações da Igreja traduzidas para o alemão. Elas são para mim demasiado insípidas e demasiado molestas. Na oração não estou vinculada a qualquer língua e, ao longo da minha vida, as orações da Igreja em latim sempre me pareceram muito mais profundas e mais inteligíveis. 

No convento, sempre me alegrei antecipadamente quando tínhamos de cantar hinos e responsórios em latim. A festa (litúrgica) tornava-se ainda mais presente para mim e via tudo o que cantava. Especialmente quando cantávamos em latim a ladainha da Santíssima Virgem, tinha uma visão maravilhosa de todas as figuras simbólicas de Maria. Era como se as minhas palavras invocassem essas imagens. No início tinha algum medo, mas depois foi para mim uma graça e fervor que incentivaram bastante a minha devoção. Tenho visto as cenas mais admiráveis.

K. E. Schmoeger in Vie d’Anne-Catherine Emmerich, vol. 1, Pierre Tequi, Paris 1950, 258


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sábado, 26 de setembro de 2020

Prova única de divindade: sentir-se em casa em qualquer altar de qualquer país do mundo

[Neste ponto da história o Padre está num navio a fazer a travessia do Atlântico em direcção à Europa, prestes a oferecer Missa]
Senti-me que nem um bispo ao paramentar-me no pequeno altar - uma violação da lei liturgica que era justificada pela necessidade. Os paramentos de estilo italiano tinham uma sensação um pouco estranha, e o missal e o cálice pareciam muito pequenos. E não havia degraus para subir e descer. Mas eu saí do tapete anterior ao altar, benzi-me e comecei - "Introibo ad altare Dei". Imaginem a minha surpresa quando praticamente toda a congregação respondeu! "Ad Deum qui laetificat juventutem meam". 

Claro, eram italianos, e o Latim é muito parecido com a sua bela língua. Além disto, praticamente todos os homens italianos aprendem a servir à Missa, e em Itália é mais provável ter um homem velho no povo vir a coxear até ao altar para responder às orações do que encontrar um rapazinho em batina e sobrepeliz para servir à nossa Missa.

Então a Missa continuou, com as pessoas a sentarem-se, levantarem-se e ajoelharem-se na altura própria, apesar de o mais pequeno movimento do barco tornarem isto difícil e muitos, com bastante razão se desculparem de se ajoelharem excepto na consagração. Certamente não era uma distracção quando pensei, durante uma pausa nas orações, que bela criatura de Deus é esta nossa Igreja Católica, espalhada por toda a Terra, cobrindo até o mar, trazendo homens e mulheres de todas as terras e línguas a ajoelharem-se perante um altar comum. 

Aqui estava eu, um sacerdote americano, sem o menor conhecimento de qualquer língua estrangeira, a começar uma jornada que me levaria a vários países, e no entanto bastante em casa neste altar no meio do Oceano, tal como estaria em qualquer altar de qualquer dos países que ia visitar. 

Os mesmos arranjos, o mesmo missal, as mesmas orações, as mesmas cerimónias em qualquer lugar, apenas com pequenas e não-essenciais diferenças, o que tornaria o estudo dos costumes eclesiásticos dos vários lugares interessante sem ser distractivo. Certamente, pensei, nenhuma outra religião pode mostrar tamanha prova de divindade como esta. 

Pe. Michael Andrew Chapman, in Open My Heart: Travel Sketches By A Pilgrim Priest (1930)


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domingo, 4 de agosto de 2019

Papa Francisco admite que não é preciso entender a língua para rezar na Liturgia

No vôo de regresso da viagem ao Egipto, o Papa Francisco respondeu deste modo à pergunta da jornalista Vera Shcherbakova, ortodoxa russa:

«Por exemplo, anualmente no dia 6 de Janeiro, ia às Vésperas na vossa catedral, presidia o Patriarca Platon (agora está na área da Ucrânia, é arcebispo): 2 horas e 40 minutos de oração numa língua que eu não compreendia, mas podia-se rezar bem

Que isto sirva de resposta também aos que dizem que a Missa não pode ser em latim porque ninguém fala latim. 


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quinta-feira, 25 de julho de 2019

Latim era a língua perfeita para a Missa

A Madre Angélica foi a fundadora do canal televisivo EWTN e um poço de energia apostólica. Era também conhecida por não ter 'papas na língua'. Na biografia escrita pelo jornalista Raymond Arroyo (Mother Angelica: The Remarkable Story of a Nun, Her Nerve, and a Network of Miracles) Madre Angélica diz qual é a sua opinião sobre a Missa Tradicional:

O latim era a língua perfeita para a Missa. É a língua da Igreja, que nos permite rezar uma oração verbal sem distracções.

O propósito da Missa é rezar e associar-se à crucificação e com aquele banquete glorioso do qual participamos na Santa Comunhão. Ele está lá. Mas muito é estragado pelo vernáculo.

Durante a missa em latim, tínhamos o missal se queríamos seguir a Missa em inglês. Era quase místico. Dava uma consciência do Céu, da humildade impressionante de Deus que Se manifesta sob as espécies do pão e do vinho. O amor que Ele tem por nós. O Seu desejo de permanecer connosco é simplesmente impressionante. Podíamos meditar profundamente nesse amor porque não estávamos distraídos pela nossa própria língua.

Poderíamos ir a qualquer lugar do Mundo e sabíamos sempre o que estava a acontecer. Era contemplativo porque enquanto a Missa estava a ser celebrada podíamos fechar os olhos e ver o que realmente aconteceu. Podíamos sentí-lo. Podíamos olhar para Este e perceber que Deus veio e estava realmente presente. 

Hoje em dia, com o Padre de frente para as pessoas, é algo entre as pessoas e o Padre. Na maior parte das vezes é apenas um género de reunião na qual Jesus é esquecido.


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sábado, 8 de junho de 2019

3 coisas que o Vaticano II não ensinou

Na minha experiência, quando alguém acaba uma frase com: "que é, afinal de contas, o espírito do Vaticano II" ou "o espírito do Papa João XXIII", quase nunca sabe o que está a dizer. De facto, o "espírito" de que normalmente falam está em conflicto directo tanto com o Vaticano II como com João XXIII.

A Sacrosanctum Concilium é o documento do Vaticano II que lida especificamente com a a liturgia. Neste texto dou o exemplo (de uma forma ridiculamente breve) de três coisas que a constituição não disse.

1. ACABAR COM O LATIM NA LITURGIA

No parágrafo 54, a constituição diz: "Em Missas que são celebradas com o povo, pode-se dar um lugar próprio à língua vernácula. Isto é para aplicar em primeiro lugar às leituras e à Oração Comum. Mas também se pode aplicar às respostas das pessoas, se as condições locais o permitirem.

No entanto, a constituição continua, "Ainda assim, devem ser dados passos para que os fiéis também sejam capazes de rezar ou cantar juntos em Latim as partes do Ordinário da Missa que lhes correspondem" (isto é, as partes que não mudam e que rezamos todos os Domingos, como o Credo, o Glória ou o Pai Nosso).

2. DAR À MÚSICA CONTEMPORÂNEA UM LUGAR DE DESTAQUE

No parágrafo 116, o documento diz: "A Igreja reconhece o Canto Gregoriano como o canto próprio da Liturgia Romana; por isso, este terá, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar nas acções litúrgicas.”

3. QUE O SACERDOTE SE VIRE PARA O POVO NA LITURGIA

Em nenhum sítio do documento se diz que a Missa devia ser celebrada virada para as pessoas. Vejam vocês mesmos. O fundador e presidente da Ignatius Press, o Pe. Joseph Fessio, diz "A Missa virada para o povo não é um requisito do Vaticano II; não está no espírito do Vaticano II; definitivamente não está nos textos do Vaticano II. É algo que foi introduzido em 1969.”

in mattfradd.com


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segunda-feira, 20 de maio de 2019

A importância do latim, segundo Pio XII

"O uso da língua latina vigente em grande parte da Igreja, é um caro e nobre sinal de unidade e um eficaz remédio contra toda corrupção da pura doutrina."

Papa Pio XII in Carta Encíclica 'Mediator Dei', 60


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terça-feira, 2 de abril de 2019

10 coisas que muita gente não sabe sobre João Paulo II

O Papa João Paulo II morreu há 14 anos, no dia 2 de Abril de 2005, primeiro Sábado. Deixamos aqui 10 factos sobre o Papa Wojtyla:

1. O Papa João Paulo II conseguia falar latim fluentemente. Uma arte rara nos dias de hoje. Ah, e além do seu polaco de nascença ele também conseguia conversar em: eslovaco, russo, italiano, francês, espanhol, português, alemão, ucraniano e inglês. 

2. O Papa João Paulo II percebeu a sua vocação para o sacerdócio quando uma vez por acaso "apanhou" o seu pai a rezar durante a noite, de joelhos. 

3. O Papa João Paulo II era um especialista em São João da Cruz e da tradição mística carmelita. O título de uma das suas dissertações de doutoramento era "A Doutrina da Fé em São João da Cruz". 

4. O Papa João Paulo II foi o primeiro Papa a visitar a Casa Branca nos Estados Unidos. 

5. O Papa João Paulo II visitou 129 nações durante o seu pontificado - mais do que qualquer outro Papa. 

6. O Papa João Paulo II tem a honra de ser o ser humano que juntou o maior número de pessoas no mesmo local! Nas Jornadas Mundiais da Juventude em 1995, nas Filipinas, a estimativa diz que 5 milhões de pessoas foram à Santa Missa que Sua Santidade celebrou. 

7. O Papa João Paulo II foi alvejado no dia 13 de Maio, 1981 - ... e 13 de Maio é o aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima! 

8. O Papa João Paulo II foi eleito Papa a 16 de Outubro: o dia de festa de Santa Margarida Maria Alacoque, a famosa santa que promoveu a devoção ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isto é apropriado visto que a devoção à Divina Misericórdia é um florescimento consequente da devoção ao Sagrado Coração! 

9. O Papa João Paulo II recebia comida pré-processada através de um tubo no nariz durante a sua última semana de vida. 

10. Como é que ele morreu? O Vaticano disse que ele morreu de um "colapso cardio-circulatório e choque séptico". 


Taylor Marshall


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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Bispo português explica a importância da Missa Antiga nos nossos dias

Sobre a Constituição da Sagrada Liturgia, tive a ocasião de escrever este ano, após 50 anos do Concílio, algumas considerações nas Pedras Vivas, no Jornal da Madeira e revi a legislação Pontifícia do Papa João Paulo II sobre a faculdade do uso do Missal Romano editado em 1962 pelo Papa João XXIII, e em 1988 com a carta apostólica Ecclesia Dei. O Papa Bento XVI, com a carta apostólica sob forma de Motu próprio, regularizou o uso do «rito tradicional» ou «missa tridentina», também chamada a «missa de sempre» de S. Pio V. 

Ao ser convidado pelos Cavaleiros de Colombo (Knights of Columbus) para nos Estados Unidos promover a Liga de Orações (Gebetsliga), para a canonização do beato Carlos de Áustria, a organização dos «cavaleiros» procurou informar-se se eu sabia latim, e conhecia o canto gregoriano para a celebração da Eucaristia, devido a terem adaptado o «rito antigo», ou «rito romano clássico», em latim, como fora regulamentado pelos Papas para a Igreja latina. 

A minha resposta foi afirmativa. Durante os dez primeiros anos de sacerdócio celebrei a missa em latim, cantei todas as missas em gregoriano, tanto no Funchal, como em Roma, e nos países onde estudei línguas (França, Inglaterra, Alemanha, Jordânia e Israel). Além disso, como aluno das Universidades Gregoriana e Bíblico, sempre tive aulas e exames em latim. Após o Concílio, já em Roma, celebrei a missa em italiano e português, tendo usado o latim nos grandes santuários internacionais como Lourdes, Roma, Londres, Paris e Jerusalém.

Na visita pastoral aos Estados Unidos às comunidades portuguesas celebrei sempre em português e inglês. Desta maneira o encontro com os Cavaleiros de Colombo proporcionou-me um conhecimento actual da enorme expansão do rito tradicional, ou latim, nos Estados Unidos, o que acontece também em grande escala no Canadá, Brasil, Argentina, França, Suíça e, de forma mais reduzida noutros países católicos do mundo. Portugal é conhecido por não ter celebrações em latim, a não ser algumas partes do Cânone em Fátima, sendo a língua de Cícero cada vez mais desconhecida de padres e bispos portugueses. De facto, na diocese do Funchal durante os 25 anos de ministério episcopal nunca celebrei pontifical ou missa solene em latim e, em relação com o canto gregoriano, procurei que ele não se extinguisse, como recomenda a Congregação para o Culto Divino, ao menos para as melodias simples. 

Quem reabrir os documentos conciliares encontrará na Constituição sobre a Sagrada Liturgia (nº 36, §1): “Deve conservar-se o uso do latim nos Ritos Latinos, salvo o direito particular”, e (nº 101, §1), diz-se que, conforme à tradição secular do rito latino, a língua a usar no Ofício Divino é o latim, contudo o ordinário pode dar a «faculdade de usar uma tradução em vernáculo». Quanto à Música Sacra, (no cap. VI nº 116), «a Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana, o canto gregoriano», não «excluindo todos os outros géneros de música sacra». 


Atmosfera de oração e reverência 


A visita de Outubro aos Estados Unidos apresentou-me um panorama espiritual novo na celebração da Eucaristia que muito me impressionou, tanto na missa em latim, como em grego, nos ritos orientais dos católicos ucranianos. Até alguns jovens acólitos e meninos da catequese, respondiam e cantavam em latim, e em grego no rito oriental de São João Crisóstomo. É certo que os fiéis participam normalmente no culto em inglês, mas um vasto número de jovens padres, leigos e fiéis descobrem na missa tradicional o sentido sagrado ou do celeste que se atenuou na missa em língua vernácula, dizendo que se colocou o homem no centro da celebração e não Cristo Senhor. 

O Concílio Vaticano II privilegiou na liturgia a “acção de Deus” ou “acção de Cristo”. Existe um perigo latente, o sacerdote pode pensar que ele é o centro da liturgia, e o rito pode apresentar o aspeto de teatro ou performance de um apresentador de televisão. O celebrante não é o protagonista da ação litúrgica, não é o ponto de referência, para ter mais sucesso perante o público. Embora não seja para imitar mas os budistas e os muçulmanos demonstram reverência a Deus quando oram, colocando a cabeça por terra.

O uso do latim apoia a universalidade da Igreja e da unidade dos fiéis, mas os missais ao lado do texto latino devem ter uma tradução na própria língua, como encontrei na catedral de Washington e noutras igrejas. É opinião comum dos que optaram pelo latim que a missa mantém melhor o silêncio interior e exterior e uma atmosfera de oração e reverência.

É permitida a missa em latim em todas as circunstâncias? Tudo foi regulamentado pelo Papa Bento XVI que, na Carta Apostólica, afirma que o Missal Romano promulgado por Paulo VI é a expressão ordinária da «lex orandi» (lei de orar) no rito latino; o missal romano, aprovado por São Pio V e reeditado pelo Papa João XXIII, deve ser considerado como expressão extraordinária da mesma «lei de orar» e gozar da devida honra pelo seu uso venerável e antigo, são dois usos do único rito romano. Por isso “é licito celebrar o sacrifício da missa segundo a edição típica do missal romano promulgado pelo beato João XXIII em 1962, e nunca abrogado, como forma extraordinária da liturgia da Igreja”. 

Na Missa com ausência de povo, o celebrante pode celebrar tanto num rito como noutro, com excepção do Tríduo Pascal, e não necessita de autorização da Sé Apostólica nem do seu Ordinário. As comunidades ou Institutos de Vida Apostólica, nos conventos ou oratórios próprios, podem usar o missal de Pio V e, se quiserem de um modo frequente ou habitual, precisam da decisão dos seus Superiores Maiores. Nas paróquias, se houver um número notável de fiéis que prefira a missa em latim, aconselha-se o pároco a acolher o seu pedido, sob orientação do bispo diocesano para evitar a discórdia e desunião na Igreja. O bispo pode erigir uma paróquia pessoal para a celebração antiga. 

Estas permissões foram concedidas a 7 de Julho de 2007 por Bento XVI e permitem compreender a sua expansão em centenas e milhares de igrejas nos EUA e noutros países. Celebrei num mosteiro de carmelitas que escolheu o rito latino e, em New York, no centro de Manhattan, na igreja dos Santos Inocentes celebra-se todos os dias a missa em latim com canto gregoriano às 18h, assim como se reza todas as semanas a missa pelas crianças não nascidas, devido aos abortos. Devo afirmar que nas igrejas onde celebrei em latim nunca faltou o número suficiente de padres e acólitos para o pontifical romano nem uma numerosa participação de fiéis que, algumas vezes, cantavam o gregoriano da própria festa. 

Não o escrevo para ser imitado, mas entre os padres mais novos e alguns mais velhos, há uma natural procura da Missa em latim e canto gregoriano, levando alguns padres a um estudo mais profundo da língua latina. Que posso dizer destes factos? “Admiro-me com as turbas”, como dizia o Padre António Vieira. Afirmo também que não me envergonho de saber latim, nem cantar gregoriano, ou vestir os paramentos que usei nos primeiros anos do meu sacerdócio. O que torna o sacrifício eucarístico impuro, o que mancha e envergonha o espírito não são as vestes, o latim ou o cântico, mas o que São Paulo escreve ao discípulo Tito: “Todas as coisas são puras para os puros, mas para os impuros e infiéis nada é puro, porque o seu espírito e a sua consciência estão contaminados” (Tito 1, 15ss). 

Funchal, 10 de Novembro de 2013 
† Teodoro, Bispo emérito do Funchal


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