quinta-feira, 31 de março de 2016

O Terço ao serviço das forças da autoridade



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Sucessor de S. Josemaria fala aos universitários em Roma

Em 1968, S. Josemaria Escrivá teve a ideia de começar um congresso internacional universitário em Roma, durante a Semana Santa - o famoso UNIV. Quem vai são rapazes e raparigas que recebem formação no Opus Dei e muitos amigos. Desde então, há quase 50 anos, que jovens universitários de todo o mundo vão a Roma passar a Semana Santa com o Santo Padre e formar-se nalgum tema específico, que varia todos os anos.

Além de participarem em conferências na Universidade da Santa Cruz, na audiência do Papa e nas cerimónias da Semana Santa, os universitários são também recebidos pelo Prelado da Obra e fazer-lhe perguntas.

D. Javier Echevarria, 2º sucessor de S. Josemaria, falou aos jovens sobre a oração, apostolado, como ser cristão no mundo das redes sociais, ...



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quarta-feira, 30 de março de 2016

Nossa Senhora que foge na praça em Sulmona (Itália)

De longe, a Virgem reconhece o Filho Ressuscitado. Num ápice, o manto negro e o lenço caem, deixando ver um esplêndido vestido verde, revestido d'ouro e uma rosa encarnada, enquanto se levantam 12 pombas no ar. Ao meio-dia em ponto, Nossa Senhora começa assim o seu percurso, entre os aplausos das pessoas.

Quando Nossa Senhora chega junto do seu Filho, os irmãos da confraternidade abraçam-se, muitas vezes derramando lágrimas de comoção. É uma tradição que se renova há muitos anos graças à Confraternidade de Santa Maria do Loreto em Sulmona.


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Cardeal Sarah e o espírito de oração

O eminente Cardeal Robert Sarah é hoje Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, um dos cargos mais elevados na hierarquia da Igreja. Mas nem sempre foi assim.

No seu recente livro, o Cardeal Sarah fala da sua vida e de como descobriu a vocação. Este homem da África subsariana nasceu numa aldeia no mais interior possível da Guiné - a mais de 500km da capital. Como é possível que alguém de um contexto tão humilde tenha chegado onde chegou? Tudo se deveu à acção de uma pequena comunidade de missionários na aldeia da família do Cardeal Sarah. Aqueles missionários da Congregação do Espírito Santo (Holy Ghost Fathers), hoje conhecidos como padres espiritanos, mudaram a vida daquelas pesssoas, em particular daquele pequeno rapazinho africano de apenas oito anos.

A diferença estava, claro, na sua vida de oração - hoje muito esquecida entre os religiosos Católicos. Vejam como conta o Cardeal Sarah: 

Como descreveria a espiritualidade que os padres espiritanos lhe passaram? 
“Penso que o que mais profundamente me impressionou, desde muito jovem, mesmo já antes de começar a ter catequese, foi a regularidade da sua vida de oração. Nunca esquecerei o rigor espiritual da sua rotina diária.
Os dias dos Espiritanos estavam ordenados como os dos monges. Muito cedo de manhã iam para a Igreja rezar juntos e individualmente. Depois cada um celebrava Missa no seu altar, com alguém a servir. Depois do pequeno-almoço, iam para o seu trabalho. Ao meio-dia encontravam-se outra vez na igreja para a oração do meio-dia e para o Angelus. Assim que acabavam o almoço, regressavam à igreja para fazer acção de graças e a visita ao Santíssimo Sacramento. 
Depois de um período de descanso, eu costumava olhar com curiosidade enquanto eles rezavam individualmente, por volta das quatro da tarde, enquanto liam um pequeno livro. Como podem imaginar, era a recitação do breviário... No final do dia, por volta das 19h, vinha a oração da noite com todos e depois o jantar. Às 21h, à volta da grande cruz, um dos Padres passava tempo connosco com imensa alegria, respondendo a questões e tentando introduzir-nos à vida Cristã, aos valores espirituais e à história sagrada. Acabávamos sempre a nossa vigília com uma música. (...) 
Ourous [a aldeia] era habitada por grandes e santos missionários; estavam completamente consumidos pelo fogo do amor de Deus. Tinham qualidades humanas, intelectuais e espirituais excepcionais, mas todos morriam muito jovens. (...) 
Todos os dias, os Padres do Espírito Santo viviam ao ritmo do Ofício Divino, da Missa, do trabalho e do Terço e nunca fugiam aos seus deveres de homens de Deus. (...) Quantas vezes fiquei profundamente absorvido pelo silêncio que reinava na igreja durante as orações dos Padres! Primeiro, sentado na parte de trás da igreja, eu via estes homens e pensava no que estariam a fazer, ajoelhando-se ou sentados na penumbra, sem dizer nada.... Mas pareciam estar a ouvir e a conversar com alguém na semi-escuridão da igreja, à luz das velas. Eu estava verdadeiramente fascinado pela sua prática de oração e pela atmosfera de paz que se gerava. Acho que é justo dizer que há um verdadeiro heroísmo, grandeza e nobreza nesta vida de oração regular. O homem só é grande quando está de joelhos diante de Deus.
in Sarah, God or Nothing (Ignatius Press, 2015).
[tradução do inglês pelo blog Senza Pagare]



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terça-feira, 29 de março de 2016

O fio da meada

As notícias do Vaticano atropelam-se, com novos livros e documentos a sair a cada momento. Destaco três: o livro «O Nome de Deus é Misericórdia», com uma entrevista ao Papa Francisco; uma lição de Bento XVI, também sob a forma de entrevista, e a Exortação de 200 páginas «Sobre a Família Hoje» promulgada pelo Papa Francisco. 

Qual é o fio da meada deste turbilhão editorial?

«O Nome de Deus é Misericórdia» é leitura obrigatória para perceber a Igreja do século XXI e o actual pontificado. Formalmente, é uma entrevista; na realidade é uma síntese, em primeira pessoa, do pensamento de Francisco. O tema central é a reconciliação, o actual ano jubilar dedicado à misericórdia, a pacificação das relações sociais e internacionais, mas sobretudo aquilo que o Papa considera o elemento característico da reconciliação: a Confissão. As explicações são vivas e claras. Por exemplo, acerca da razão para nos confessarmos a um padre em vez de só pedirmos perdão a Deus. São abundantes os neologismos e os «slogans». Por exemplo, «pecadores sim, corruptos não!»: não interessa se as faltas são grandes ou pequenas; pecadores são aqueles que se arrependem e se confessam, corruptos são aqueles que acham que não precisam de se confessar. O Papa alegra-se porque o número de confissões está a aumentar no mundo. Já na Bula do Ano da Misericórdia tinha falado de «tantas pessoas que se estão a aproximar do sacramento da Reconciliação, especialmente muitos jovens... coloquemos novamente no centro, com convicção, o sacramento da Reconciliação, porque permite tocar com a mão a grandeza da misericórdia» («Misericordiæ vultus», 17). Quando o jornalista lhe pergunta o que espera do ano jubilar, o Papa responde: que cada cristão faça uma confissão bem feita.

A entrevista a Bento XVI é uma peça rara, porque o Papa emérito decidiu que a sua actual função é rezar e não discursar. A entrevista dirige-se a um congresso de teologia reunido em Roma e vários dos argumentos inserem-se em discussões teológicas um pouco técnicas. No entanto, o texto tem interesse para o público em geral, sobretudo por dois pontos. Primeiro, que a insistência de Francisco na misericórdia é um «sinal dos tempos», em sentido teológico, ou seja, uma intervenção do Espírito Santo na história da Igreja. Segundo, evangelizar o mundo é um dever de lealdade e de amor para com Jesus Cristo.

O Papa Francisco promulgou a Exortação pós-sinodal sobre a família no dia 19 de Março, festa de S. José. Já se pode reservar, mas vai demorar uns dias a chegar às livrarias. Recentemente, em Lisboa, o Presidente do Pontifício Conselho para a Família deu a primeira notícia: trata-se de um «hino ao amor», de uma afirmação da beleza da vida familiar, de um encorajamento a comprometermo-nos num amor mais forte. O próprio Papa acrescentou algumas explicações: Deus perdoa todos os erros dos homens, ama-nos mais do que podemos imaginar. Ninguém deve pensar que a sua vida está tão embrulhada que não tem solução, como se a saída justa fosse demasiado difícil para o próprio ou para os outros. Mesmo que a pessoa não esteja de momento em condições de comungar, há um caminho a percorrer cheio de confiança. É preciso pedir ajuda a Deus. E o Deus da Misericórdia dará a coragem e mostrará em cada caso o caminho, que é também o caminho do Céu.

O Papa escreve um hino ao amor verdadeiro, quando alguns esperavam que a Igreja declarasse guerra a si própria. O Cardeal Müller (colaborador próximo do Papa, responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé) justifica – num livro que também acaba de sair – que «a misericórdia não é renunciar aos Mandamentos de Deus (...). O maior escândalo da Igreja seria ela desistir de chamar pelo nome a diferença entre o bem e o mal (...)». Em resumo, o nome da misericórdia é conversão.

Por estes dias, o Arcebispo Georg Gänswein (que trabalha com Francisco como Prefeito da Casa Pontifícia e continua a ser o secretário de Bento XVI) deu uma longa entrevista à emissora alemã «Deutsche Welle», que também vale a pena mencionar, sobretudo pelas referências à sintonia entre o Papa actual e o Papa emérito, e porque antecipa que a Exortação que está a chegar às bancas se situa nessa linha.

José Maria André in Correio dos Açores (27/Março/2016)
(imagem acrescentada pelo blog Senza Pagare)


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domingo, 27 de março de 2016

Páscoa em Nova Iorque há 60 anos atrás




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Esperança

Tudo morre neste mundo. Morrem pessoas e árvores, ideologias e línguas, morrem projectos, sonhos e civilizações. Tudo morre, mas o nosso povo sabe quem é a última a morrer: a esperança. "Toda a acção séria e recta do homem é esperança em acto." [Bento XVI, encíclica Spes Salvi (SS 35)].

Aqui reside o paradoxo que define a natureza humana. Como podem coexistir a certeza da morte e a permanência da esperança? Como é possível que do fundo da "caixa de Pandora", de onde brotam todos os males, ainda voe a luz da esperança? Esta é "a situação essencial do homem, uma situação donde provêm todas as suas contradições e as suas esperanças. De certo modo, desejamos a própria vida, a vida verdadeira, que depois não seja tocada sequer pela morte; mas, ao mesmo tempo, não conhecemos aquilo para que nos sentimos impelidos. Não podemos deixar de tender para isto e, no entanto, sabemos que tudo quanto podemos experimentar ou realizar não é aquilo por que anelamos" (SS 12).

"Enquanto há vida, há esperança", diz a sabedoria popular. Mas pode a Esperança vencer a morte? Só pela Fé em Algo maior que o mundo se passa para lá do fim. "Fé é substância da esperança" (SS 10). Na Fé cristã "a porta tenebrosa do tempo, do futuro, foi aberta de par em par. Quem tem esperança, vive diversamente; foi-lhe dada uma vida nova" (SS 2).

Mas esta Esperança que vai para lá da morte tem vindo a ser abandonada. A Idade Moderna é o tempo da ciência, da técnica, do progresso. Essa atitude trouxe avanços extraordinários, maravilhas inimagináveis. Mas também perdeu de vista a Esperança. "Agora, esta 'redenção', a restauração do 'paraíso' perdido, já não se espera da fé, mas da ligação recém-descoberta entre ciência e prática. Com isto, não é que se negue simplesmente a fé; mas esta acaba deslocada para outro nível - o das coisas somente privadas e ultraterrestres - e, simultaneamente, torna-se de algum modo irrelevante para o mundo. Esta visão programática determinou o caminho dos tempos modernos, e influencia inclusive a actual crise da fé que, concretamente, é sobretudo uma crise da esperança cristã" (SS 17).

A ânsia do progresso revelou-se no martírio da Igreja. Paroxismos de fúria e crueldade desabaram sobre os cristãos a partir precisamente das ideologias progressistas. Do marxismo ao nazismo, no México, Espanha, Alemanha, URSS, Vietname e tantos outros, confirmou-se a profecia de Daniel: "Vi um quarto animal, horroroso, aterrador, e de uma força excepcional. Tinha enormes dentes de ferro; devorava, fazia em pedaços e o resto calcava-o aos pés. Era diferente dos animais anteriores (Dn 7, 7) Porque razão o progresso tomou a Igreja como inimiga? A Igreja que fundara as universidades, conservara as bibliotecas, preservara a civilização? A Igreja a que pertencia a maioria dos génios, cristãos devotos, que criaram a ciência moderna (Copérnico, Kepler Galileo, Leibniz, Newton, Euler, Ampère, Gauss, Cauchy, Faraday, Mendel, Pasteur e tantos outros)? Tal raiva mostra que a questão fundamental não é progresso e bem-estar, mas algo muito mais profundo. "O progresso é a superação de todas as dependências; é avanço para a liberdade perfeita" (SS 18).

O homem de hoje quer ser senhor de si mesmo, dominar a própria vida, fazer o que lhe apetece. "Ser como Deus", como prometeu a serpente do Éden na suprema tentação (cf. Gn, 3,5). Assim, "torna-se evidente a ambiguidade do progresso. Não há dúvida que este oferece novas potencialidades para o bem, mas abre também possibilidades abissais de mal - possibilidades que antes não existiam. Todos fomos testemunhas de como o progresso em mãos erradas pode tornar-se, e tornou-se realmente, um progresso terrível no mal. Se ao progresso técnico não corresponde um progresso na formação ética do homem, no crescimento do homem interior, então aquele não é um progresso, mas uma ameaça para o homem e para o mundo" (SS 22).

Tudo morre. Apenas Um ressuscitou dos mortos. "Chegar a conhecer Deus, o verdadeiro Deus: isto significa receber esperança" (SS 3).

João César das Neves in Diário de Notícias


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sábado, 26 de março de 2016

Um grande silêncio reina hoje sobre a Terra

Um grande silêncio reina hoje sobre a Terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos. Deus morreu segundo a carne e acordou a região dos mortos. 

Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte, Ele que é ao mesmo tempo seu Deus e seu Filho. 

Entrou o Salvador onde eles estavam, levando em suas mãos a arma vitoriosa da cruz. Quando Adão, nosso primeiro pai, O viu, batendo no peito, cheio de admiração, exclamou para todos os demais: «O meu Senhor esteja com todos». E Cristo respondeu a Adão: «E com o teu espírito». E tomando-o pela mão, levantou-o dizendo: Desperta, tu que dormes; levanta-te de entre os mortos e Cristo te iluminará. 

Eu sou o teu Deus que por ti me fiz teu filho, por ti e, por estes que nasceram de ti; agora digo e com todo o meu poder ordeno àqueles que estão na prisão: ‘Saí’; e aos que jazem nas trevas: ‘Vinde para a luz’; e aos que dormem: ‘Despertai’. 

Eu te ordeno: Desperta, tu que dormes, porque Eu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos. Levanta-te de entre os mortos; Eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, minha imagem e semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em Mim e Eu em ti, somos um só. 

Por ti Eu, teu Deus, Me fiz teu filho; por ti Eu, o Senhor, tomei a tua condição de servo; por ti Eu, que habito no mais alto dos Céus, desci à terra e fui sepultado debaixo da terra; por ti, homem, Me fiz homem sem forças, abandonado entre os mortos; por ti, que saíste do jardim do paraíso, fui entregue aos judeus no jardim e no jardim fui crucificado. 

Vê no meu rosto os escarros que por ti suportei, para te restituir o sopro da vida original. Vê no meu rosto as bofetadas que suportei para restaurar à minha semelhança a tua imagem corrompida. 

Vê no meu dorso os açoites que suportei, para te livrar do peso dos teus pecados. Vê as minhas mãos fortemente cravadas à árvore da cruz, por ti, que outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso. 

Adormeci na cruz, e a lança penetrou no meu lado, por ti, que adormeceste no paraíso e formaste Eva do teu lado. O meu lado curou a dor do teu lado. O meu sono despertou-te do sono da morte. A minha lança susteve a lança que estava dirigida contra ti. 

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo expulsou-te da terra do paraíso; Eu, porém, já não te coloco no paraíso, mas no trono celeste. Foste afastado da árvore, símbolo da vida; mas Eu, que sou a vida, estou agora junto de ti. Ordenei aos querubins que te guardassem como servo; agora ordeno aos querubins que te adorem como a Deus, embora não sejas Deus. 

Está preparado o trono dos querubins, prontos os mensageiros, construído o tálamo, preparado o banquete, adornadas as moradas e os tabernáculos eternos, abertos os tesouros, preparado para ti desde toda a eternidade o reino dos Céus.

in sancto et magno Sábbato: PG 43, 439.451.462-463 (Sec. IV) 


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quinta-feira, 24 de março de 2016

Tríduo Pascal em Lisboa - Quinta-feira às 22h

As celebrações do Tríduo Pascal são as mais importantes do ano. São o berço de toda a liturgia. Todas as Missas do resto do ano litúrgico vêm beber a estas três celebrações: a Ceia do Senhor (Quinta-feira Santa), a Paixão do Senhor (Sexta-feira Santa) e a Vigília da Ressureição (Sábado Santo).

É como se as celebrações fossem uma só celebração dividida por três.

Todas as paróquias costumam ter as suas próprias celebrações. Mas, infelizmente, esta é das celebrações onde se cometem mais abusos eucarísticos. Provavelmente por falta de formação dos sacerdotes, na Quinta-feira Santa muitas paróquias reproduzem a Última Ceia do Senhor num formato parecido a um teatro - uma ideia nunca antes sugerida pelo magistério da Igreja. Ao utilizar pão ázimo em vez das habituais hóstias não consagradas, corre-se o risco enorme de caírem migalhas do pão consagrado (o próprio Corpo de Deus) e de este ser pisado, esquecido, etc. Na verdade, não vemos como é possível não acontecer tal abuso (mesmo sem querer) com o pão ázimo.

Por outro lado, as paróquias que procuram seguir as sugestões, bem precisas, do magistério da Igreja produzem uma liturgia de uma beleza incomparável - é o próprio Céu a descer à Terra.

Numa viagem recente que fiz aos Estados Unidos, encontrei um casal americano que viveu um ano em Portugal. Disseram-me que uma das celebrações mais bonitas a que já assistiram na vida foi provavelmente a Missa de Quinta-feira Santa às 22h em S. Nicolau, na Baixa de Lisboa. Por essa razão recomendamos também essa cerimónia. Mas existem muitas outras que se encontram rapidamente com o google.

Uma Santa Páscoa!




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quarta-feira, 23 de março de 2016

Recorre prontamente à confissão

Se alguma vez caíres, filho, recorre prontamente à Confissão e à direcção espiritual: mostra a ferida!, para que te curem a fundo, para que te tirem todas as possibilidades de infecção, mesmo que te doa como numa operação cirúrgica. 

S. Josemaria, Forja, 192.





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segunda-feira, 21 de março de 2016

Médicos aconselharam aborto mas Mãe recusou

Michael Moloney, um bébé que nasceu com 26 semanas, fez um ano. Às 18 semanas de gravidez rebentaram as águas e os médicos aconselharam a Mãe a abortar imediatamente porque o seu filho não sobreviria. Felizmente a Mãe decidiu não segui o conselho dos médicos para matar o próprio filho, cuja vida desafia todos os prognósticos, Viva a Vida!



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Como os Sacerdotes devem ensinar a Fé - Beato Paulo VI

A encíclica Humanæ Vitæ do Papa Paulo VI ficou famosa por explicar que o uso de contraceptivos no acto conjugal não é bom para o Homem nem agrada a Deus. O que muitas pessoas não sabem, é que o Papa, agora Beato Paulo VI, no final da encíclica escreveu algumas indicações muito importantes sobre como devem os sacerdotes falar da Fé e Doutrina Católicas.

28. Dilectos filhos sacerdotes, que por vocação sois os conselheiros e guias espirituais dos homens, das mulheres e das famílias, dirigimo-nos agora a vós, com confiança. A vossa primeira tarefa - especialmente para os que ensinam a teologia moral - é expor, sem ambiguidades, os ensinamentos da Igreja acerca do matrimónio. Sede, pois, os primeiros a dar exemplo, no exercício do vosso ministério, da leal obediência, interna e externa, que é devida ao Magistério da Igreja. Porque, como sabeis, os pastores da Igreja gozam de uma luz especial do Espírito Santo para ensinar a verdade [1]. Sabeis também que é da máxima importância, para a paz das consciências e para a unidade do povo cristão, que, tanto no campo da moral como no da teologia dogmática, todos obedeçam ao Magistério da Igreja e falem a mesma linguagem. Por isso, com toda a nossa alma, vos repetimos o apelo do grande Apóstolo São Paulo: "Rogo-vos, irmãos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos o mesmo e que entre vós não haja divisões, mas que estejais todos unidos, no mesmo espírito e no mesmo parecer".[2] 
29. Não minimizar em nada a doutrina salvífica de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas. Mas isso deve andar sempre acompanhado também de paciência e de bondade, de que o mesmo Senhor deu exemplo, ao tratar com os homens. Tendo vindo para salvar e não para julgar [3], Ele foi intransigente com o mal, mas misericordioso para com os homens. 
No meio das suas dificuldades, que os cônjuges encontrem sempre na palavra e no coração do sacerdote o eco fiel da voz e do amor do Redentor. 
Falai, pois, com confiança, dilectos Filhos, bem convencidos de que o Espírito de Deus, ao mesmo tempo que assiste o Magistério ao propor a doutrina, ilumina também internamente os corações dos fiéis, convidando-os a prestar-lhe o seu assentimento. Ensinai aos esposos o necessário caminho da oração, preparai-os para recorrerem com frequência e com fé aos sacramentos da Eucaristia e da Penitência, sem se deixarem jamais desencorajar pela sua fraqueza

[1] Lumen Gentium, 25 
[2] 1 Cor 1, 10
[3] Jo 3, 17


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domingo, 20 de março de 2016

Procissão de Domingo de Ramos - Trinità dei Pellegrini (Roma)



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A ideologia de género contra São José e um magistrado inglês

São José em Itália. Um magistrado na Grã-Bretanha. São as duas novas vítimas da ideologia de género.

O pai adoptivo de Jesus, cuja festa (19 de março) é tradicionalmente associada ao Dia do Pai, é obviamente uma figura que os profetas do indiferentismo sexual – sempre prontos para pedir maior tolerância com eles – não toleram de jeito nenhum. O que está a acontecer numa creche do bairro Isola, de Milão, testemunha isso.

Por decisão da direcção da escola, a partir deste ano, para a festa do Pai, as crianças terão que renunciar aos trabalhos feitos à mão e às rimas aprendidas de memória para expressar afecto aos seus pais.

A decisão, dizem os directores da escola infantil, foi tomada para não discriminar eventuais crianças que vivem com casais do mesmo sexo. É assim que, no lugar da tradicional festa em honra aos pais, foi organizada uma programação didáctica dedicada às várias etnias. Um único gesto para alinhar duas escolas de pensamento do politicamente correcto: ideologia de género e melting pot.

Além das frases de circunstância, e da “bênção” da Câmara Municipal de esquerda, fora da instituição os pais demonstram-se relutantes com a ideia de ter que repropor às escondidas a figura de São José para benefício de uma mais anónima aclamação por uma sociedade multicultural.

“Eu não entendo por que eliminar um costume que se concretiza com um gesto de afecto e permanecia no tempo”, desabafa um pai indignado entre tantos pais que fora os muros da escola manifestavam-se por causa da decisão da escola.

Para dar eco ao seu sofrimento, a intervenção de alguns políticos. O ex-vice-prefeito de Milão, Riccardo De Corato destaca que a escola é municipal e, portanto, “não é aceitável que cada um faça o que quiser”. De Corato lembrou também que para a junta Pisapia não é novidade iniciativas focadas a erradicar a família, com a introdução dos termos “genitore 1” e “genitore 2”.

Assim também, é a vontade de expulsar São José da escola italiana. Em Bolonha, três escolas infantis anunciaram que este ano não organizarão iniciativas para a festa do Pai. Já no ano passado, em Roma, a mesma decisão tinha gerado discussão. Um grupo de pais tinha desafiado o instituto, pedindo para retomar os festejos.

A desenvoltura do pequeno grupo de pais romanos é uma generosa tentativa de reacções perante uma ideologia agressiva que se estende por toda parte, pelo menos no mundo ocidental. 

Sofreu as consequências, há algum tempo atrás, um magistrado de 69 anos do Kent, em Inglaterra, de seu nome Richard Page.

Réu por ter declarado, durante uma entrevista à BBC, que não há provas suficientes que confiar crianças a pares de pessoas do mesmo sexo é do interesse das crianças. Page foi removido do seu cargo pelo Lord Chanceler.

A notícia, que foi lançada pelo 'Observatory on intolerance and discrimination against Christians in Europe', foi divulgada em Itália por Marco Tosatti no jornal La Stampa. Aqui estão as palavras que custaram caro ao juiz inglês: “A minha responsabilidade como magistrado era de fazer o que eu considerava o melhor para as crianças, e a minha sensação, portanto, era de que seria melhor se os pais adoptivos fossem um homem e uma mulher”.

Depois de uma investigação conduzida por uma comissão disciplinar, ele foi removido porque demonstrou com aquela entrevista que tem “um preconceito” com os pais adoptivos do mesmo sexo. Já em 2014, Page tinha conhecido o quão severa pode ser a ideologia de género. Por não estar de acordo com os seus colegas sobre a atribuição de uma criança a um par de pessoas do mesmo sexo, foi forçado a seguir um “curso de re-educação”.

“Como magistrado, deve agir com base em evidências, e muito simplesmente, acho que não haja evidência para me convencer de que colocar uma criança aos cuidados de duas pessoas do mesmo sexo possa globalmente ser benéfico, como seria colocá-los sob o cuidado de uma mãe um pai, como Deus e a natureza querem.”

Palavras que não servem para suavizar a pena emitida contra ele. Os termos “Deus” e “natureza” não aparecem no vocabulário da “neo-língua” orwelliana que os defensores do género querem impor. Esses mesmos defensores que – como diz Andrea Williams, advogado de Page – “procuram calar as opiniões opostas” e “se não o conseguem, esmagam e punem as pessoas que têm essas opiniões”.

Federico Cenci in Zenit


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quinta-feira, 17 de março de 2016

Católicos voltem para casa



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Presidente de Portugal em visita ao Estado do Vaticano

Marcelo Rebelo de Sousa, recém-eleito Presidente de Portugal, escolheu o Vaticano como o primeiro Estado para visitar, depois da sua tomada de posse. Se muitos católicos o criticaram, com toda a razão, pela linguagem dúbia que usou durante a campanha eleitoral, quando comentou algumas questões morais de grande importância nos nossos dias, devem também elogiá-lo por esta escolha. 

As relações com a Santa Sé devem ser valorizadas. Portugal (ainda) é um País católico, mais que não seja historicamente e culturalmente, e deve continuar a sê-lo, sob pena de perder a sua identidade e navegar pelos mares da imoralidade. Infelizmente esta tem sido a rota percorrida nas últimas décadas. Rezemos para que seja invertida enquanto é tempo.


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terça-feira, 15 de março de 2016

Não nos podemos calar!

Por quê calar? 
Por quê escondê-lO? 

Por que não gritar ao mundo inteiro e bradar aos quatro ventos as maravilhas de Deus? 
Por que não dizer às pessoas e a todos os que quiserem entender: vêem o que sou? 

Vêem o que fui? 
Vêem a minha miséria que se arrasta na lama? 

Pouco importa: maravilhem-se; apesar de tudo, possuo Deus. Deus é meu amigo! 
Deus ama-me, a mim, com tal amor que, se o mundo inteiro o compreendesse, todas as criaturas ficariam loucas e bramiriam de assombro. 

Mas isso ainda é pouco. 
Deus ama-me tanto, que nem os próprios anjos o compreendem! (cf 1Ped 1,12) 
A misericórdia de Deus é grande! 

Amar-me, a mim, ser meu Amigo, meu Irmão, meu Pai, meu Senhor, sendo Ele Deus, e eu o que sou! 
Ah, meu Jesus, não tenho nem papel, nem pena. Que posso dizer! Como não enlouquecer?

S. Rafael Arnaiz Barón in Escritos Espirituais (04/03/1938) 


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segunda-feira, 14 de março de 2016

Arrependamo-nos, convertamo-nos

"Arrependamo-nos; convertamo-nos da ignorância ao verdadeiro conhecimento, da loucura à sabedoria, da injustiça à justiça, da impiedade a Deus."

S. Clemente de Alexandria in 'Protréptico', cap. 10


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domingo, 13 de março de 2016

Viagem ao mundo perdido

Os investigadores Luana Giurgevich e Henrique Leitão repararam que, nalguns exemplares da Biblioteca Nacional (em Lisboa), havia marcas de posse de antigos conventos. Por aí começaram a pesquisa, para tentar recuperar o inventário dessas colecções e descobrir os hábitos de leitura e o conhecimento científico dos primitivos possuidores desses livros.

O trabalho de seis anos teve vários resultados. Em primeiro lugar, um livro de quase mil páginas, chamado «Clavis Bibliothecarum», com catálogos e inventários de bibliotecas religiosas em Portugal desde o século X até à extinção das ordens religiosas.

Em segundo lugar, descobriu-se que, há uns séculos, houve em Portugal muitas bibliotecas de grandes dimensões, apetrechadas com os livros científicos mais modernos. Quase todos os livros se perderam. O terramoto de 1755 deu um contributo. Depois, o Marquês de Pombal expulsou os jesuítas e as respectivas bibliotecas foram confiscadas e perderam-se. A seguir, as invasões francesas e principalmente os ataques à Igreja, em particular a extinção das ordens religiosas no século XIX, deram descaminho ao resto. 

Do que foi um património cultural riquíssimo, acumulado e valorizado durante séculos, não resta praticamente nada, a não ser os catálogos do que havia e já não há. Giurgevich e Leitão identificaram mais de um milhar de inventários de livros, provenientes de cerca de quatrocentos mosteiros e casas religiosas no nosso país. Em Portugal, praticamente só a Igreja se interessava por livros e, sobretudo, só a Igreja é que os disponibilizava à população, mas não estávamos mal servidos.

Poucos anos antes de começar a destruição das bibliotecas portuguesas, o Embaixador português em Londres escrevia para Lisboa, ao Rei D. José: «Esta universidade [a de Cambridge] se compõe de 17 colégios e a de Oxford de 23; eu corri todos novamente e a outra tinha visto já também e a sua grande biblioteca, que consta de muitas casas, mas nada digno de notar; já disse a Vossa Senhoria que tudo isto se parece com as bibliotecas dos nossos conventos».

É bom ficar a saber, com dados muito concretos, que Portugal teve a oportunidade de ser um país muito avançado, culturalmente e cientificamente. Só é pena termos perdido, logo a seguir, essa oportunidade, em nome da tentativa de erradicar a influência da Igreja católica.
Por que é que os conventos multiplicavam as bibliotecas, atafulhadas em livros? Os monges acreditavam que «claustrum sine armario, quasi castrum sine armamentario» (claustro sem biblioteca, era como uma fortaleza sem armas). O argumento soa belicoso, mas naquela época era convincente, a julgar pelos milhares e milhares de livros destas centenas de bibliotecas das instituições da Igreja.

Havia de tudo. Literatura, teologia, história, ciências da natureza, medicina, matemática... mas havia também arte e livros preciosos, como as quatro Bíblias conservadas no mosteiro de Alcobaça dentro da arca chamada «das três chaves».

Há uma semana, na sessão de lançamento do livro, D. Manuel Clemente comentou que este imenso catálogo desvendou algo da cultura do nosso país nessas épocas passadas: a primeira indicação é que era uma cultura sistemática.

Realmente, a dispersão do espólio das antigas bibliotecas portuguesas tinha tirado contexto aos livros que sobreviveram. Os poucos que restavam pareciam exemplares soltos, até esta recuperação dos inventários mostrar a estrutura lógica das colecções.

A investigação que deu origem ao «Clavis Bibliothecarum» começou como um meio para compreender e caracterizar os mecanismos de aquisição e circulação das ideias e dos livros científicos. Porque o desenvolvimento da ciência num país depende muito da formação científica e das bibliotecas e isso explica, em parte, o actual atraso português. Quando outros países puseram a render o seu património de conhecimento, em Portugal, dedicámo-nos a destruir os lugares privilegiados da ciência. Deu trabalho, sem dúvida, arruinar tão completamente o que havia, mas, ao fim de três séculos, conseguiu-se.

Os autores do «Clavis Bibliothecarum» passaram seis anos a abrir caixas e consultar documentação sobre o património perdido. Um trabalho brilhante, que respeita minuciosamente a história. Mas deixa o leitor desassossegado, a pensar como podia ser hoje o nosso país, se não fosse esta militância destruidora da cultura católica.

José Maria C.S. André in Correio dos Açores, 13-III-2016


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sábado, 12 de março de 2016

Revolução sexual: Tolos ou Mentirosos

Os actuais defensores da Revolução Sexual – esse grande pântano de esgoto, miséria humana, famílias disfuncionais, entretenimento decadente e advogados – garantem que a ruptura antropológica mais radical que a humanidade alguma vez conheceu, a desvinculação entre o casamento, a procriação e os simples factos da vida, não terá qualquer efeito (nenhum, não se preocupem) sobre o casamento, a procriação, a família e a vida comunitária.


Ao que eu respondo: “Não foi isso que disseram das outras vezes?” Precisamente qual das previsões dos revolucionários sexuais é que se confirmou?



Disseram-nos que a liberalização das leis de divórcio não teria qualquer efeito, nenhum, não se preocupem, sobre as taxas de divórcio. A nova lei apenas tornaria o divórcio menos doloroso para o casal e, por isso, menos doloroso para os filhos. Porque aparentemente existem “bons” divórcios.

Através de uma demonstração milagrosa de simpatia e maturidade fora do alcance da sua idade, as crianças ficariam felizes por ver os seus pais felizes. Aliás, de outra forma a sua felicidade não seria possível. Ninguém se deu ao trabalho de perguntar como é que os pais poderiam ser felizes perante a infelicidade dos seus filhos. Mas os revolucionários enganaram-se em relação a isso. Ou então estavam a mentir, das duas, uma.

Disseram-nos que toda a gente fazia “aquilo”, sendo que “aquilo” se tornou gradualmente mais imoral e antinatural, e basearam as suas afirmações em investigação levada a cabo pelo pedófilo e fraude Alfred Kinsey. Ver com bons olhos a fornicação, disseram, não mudava nada, apenas libertava as pessoas da censura e permitia-lhes fazer aberta e honestamente aquilo que até então tinham feito desonestamente e em segredo. 

Em apenas uma geração a relação entre os sexos transformou-se completamente até que as raparigas e os rapazes que queriam praticar a normal virtude da prudência, e até a mais difícil virtude da castidade, se viram isolados e sós. Antigamente o coração de um rapaz entraria em sobressalto se a rapariga lhe desse um beijo. Agora, mal consegue fingir um bocado de afecto se ela não o levar ao clímax. Também aqui os revolucionários se enganaram. Ou então estavam a mentir.

Disseram-nos que a pornografia era um passatempo inocente para uma minoria que gostava. Não tinha nada a ver com violência, não seria prejudicial para a cultura. Seria possível proteger os nossos filhos dela. Não teria qualquer efeito, nenhum, não se preocupem. Vale a pena sequer comentar esta? Enganaram-se, ou então estavam a mentir.

Disseram-nos que com a pílula ia haver menos crianças concebidas fora do casamento, e que a liberalização das leis do aborto não afectaria, de todo, não se preocupem, o número de mulheres que o procuram. O Papa Paulo VI, na Humanae Vitae, previu o contrário. Actualmente 40% das crianças na América nascem fora de casamentos, a maior parte cresce sem um lar estável. Segundo o próprio Supremo Tribunal, o aborto tornou-se uma parte tão intrínseca da vida de uma mulher, como uma protecção de último recurso contra fazer um filho quando se faz a coisa que faz filhos, que não pode ser limitado. Mais uma vez, os revolucionários enganaram-se, ou estavam a mentir.

Talvez deva dizer que estavam a mentir outra vez, porque as provas que levaram até ao tribunal tinham sido sempre um monte de mentiras.

Disseram-nos que o facto de pequenas crianças serem introduzidas ao prazer sexual por pessoas queridas e mais velhas não tinha grande mal, a não ser que os pais reagissem de forma exagerada. Durante algum tempo tiveram de se esquecer que o tinham dito, mas agora que a Igreja Católica pôs a casa em ordem outra vez estão a esquecer-se de que se tinham esquecido e começam a cantar novamente a mesma melodia: não tem qualquer mal, nenhum, não se preocupem. Estavam, e estão, enganados, ou estavam e estão a mentir.

Não se preocupem... 

Disseram-nos que as leis de igualdade de género não resultariam em consequências absurdas, como o envio de mulheres para as frentes de combate, casas de banho unissexo e a normalização da homossexualidade. Não teria qualquer efeito, nenhum, não se preocupem. Enganaram-se, ou estavam a mentir.

Em que é que acertaram? Alguma vez as relações entre homens e mulheres estiveram mais marcadas pela suspeita, raiva e vergonha? De acordo com os seus próprios testemunhos, as nossas faculdades são agora selvas incontroláveis de assédio e violação. Não era assim antes de os revolucionários meterem mãos à obra.

Disseram-nos que o aborto não conduziria à eutanásia. Agora dizem ainda bem que o aborto conduziu à eutanásia mas dizem que a eutanásia, a morte medicamente assistida, não levará à matança de idosos sem o seu consentimento. Mas por acaso isso já aconteceu. Todos os dias há idosos a serem sujeitos a asfixia lenta e supostamente indolor, em todos os hospitais do país. Não terá qualquer efeito, nenhum, não se preocupem.

Disseram-nos que o alargamento da noção (não a realidade, que é impossível, mas a pretensão) de casamento a pessoas do mesmo sexo não teria qualquer efeito, nenhum, sobre qualquer outra coisa no país. Não afectará o que os nossos filhos aprendem na escola, não afectará o número de jovens a experimentarem coisas antinaturais, não afectará a liberdade religiosa, não afectará a liberdade de expressão.

Não poderia ter qualquer efeito sobre essas coisas porque, garantiram-nos, o comportamento em questão é perfeitamente natural, levado a cabo por pessoas perfeitamente saudáveis. Não teria qualquer efeito, nenhum, não se preocupem, agora concordem ou sejam destruídos.

Alguma vez as previsões desta gente se confirmaram? Porque é que havemos de confiar neles agora?

Anthony Esolen in 'Catholic Thing' (Traduzido no blog 'Actualidade Religiosa')


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sexta-feira, 11 de março de 2016

O assombroso milagre do Beato Estanislau

O Vaticano anunciou a aprovação de um milagre atribuído à intercessão do Beato Estanislau de Jesus e Maria Papczyński (1631-1701), fundador da Congregação dos Padres Marianos da Imaculada Conceição da Bem Aventurada Virgem Maria.

O Vaticano anunciou a aprovação do milagre a 21 de Janeiro. O milagre tratou-se da cura de uma mulher polaca de 20 anos, pouco antes da beatificação do Beato Estanislau. A mulher sofria de um problema respiratório semelhante a uma gripe comum. Todas as tentativas de tratamento com uma variedade de antibióticos não resultavam e a sua condição piorou, levando-a a perder a consciência e o seu corpo a “desligar-se”. O médico informou a família que os seus pulmões estavam destruídos e que a sua morte era iminente.

Após consultarem a família, os médicos decidiram removê-la do suporte de vida. Isto aconteceu na quarta-feira da Semana Santa. A mãe, cheia de dor, foi à igreja paroquial para rezar. Uma catequista reparou que ela estava a chorar, aproximou-se e deu-lhe um livro que continha instruções sobre como rezar uma novena pedindo a intercessão do Beato Estanislau. A catequista insistiu com a mãe que recitasse a novena colocando a sua confiança na graça de Deus através do Beato Estanislau. A mãe, junto do marido e de outros familiares, começou a rezar a novena.

Embora o suporte básico de vida tivesse sido removido, a mulher não morreu. Pelo contrário, voltou a estar consciente. Após alguns dias do início da novena, a mulher recuperou totalmente. Assistindo à reviravolta da sua condição, os médicos fizeram um raio-x aos seus pulmões, no último dia da novena. Para seu total espanto, os pulmões estavam plenamente sarados, num estado semelhante aos de um recém-nascido.

Ela teve alta do hospital durante a semana de Páscoa com uma cura médica inexplicável. Casou-se pouco depois, conforme havia planeado. Casou com o jovem que não largou a sua cabeceira no hospital, e agora têm duas crianças e a sua saúde está perfeitamente bem.

Uma equipa médica da Santa Sé analisou o caso, e a 17 de Setembro de 2015 (coincidentemente, o 314.º aniversário da morte do Beato Estanislau), afirmou unanimemente que a cura desta mulher não teve qualquer explicação natural ou científica. A 10 de Novembro, a equipa de teólogos declarou que a cura ocorreu pela intercessão do Beato Estanislau. A Congregação para a Causa dos Santos aprovou o milagre a 13 de Janeiro, e a 21 de Janeiro o Papa Francisco autorizou a promulgação do decreto da Congregação para a Causa dos Santos.

in ncregister.com


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quarta-feira, 9 de março de 2016

Desmascarando o feminismo



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O problema do mal


I. A versão lógica

Todos nós conhecemos o problema do mal... desde a queda que o mal afecta o ser humano, quer seja pela utilização indevida da sua liberdade, quer seja através de doenças, catástrofes, e outros problemas que, à partida, parecem não ter nada a ver com os defeitos humanos, mas que causam grande transtorno às pessoas por eles afectadas.

Mas como conciliar este problema com a ideia Católica de Deus? Um Deus Omnipresente, Omnipotente, Omnisciente, Bom e Misericordioso, que nos ama a todos mas, ainda assim, permite que nos aconteçam coisas desagradáveis... não será uma visão um pouco contraditória? Este raciocínio está na base do argumento do mal contra a existência de Deus e, neste pequeno texto, vou abordar a versão lógica deste argumento e explicar porque é que, do ponto de vista racional, a existência do mal não é contraditória com a existência do Deus Católico. Vou parecer um pouco frio, mas essa é a consequência de levar a discussão para o plano da argumentação lógica.

Para começar, quando se coloca o argumento numa forma mais explícita como, por exemplo, "Deus é Bom, Omnipotente e Omnisciente; O mal existe; Logo Deus não existe." notamos que há uma falha no raciocínio, a conclusão não segue das premissas. Na verdade há uma premissa implícita, a de que um Deus Bom, Omnipotente e Omnisciente não permitiria a existência de mal no mundo... e esta premissa é altamente duvidosa.

Para podermos amar a Deus é necessário que sejamos livres. O amor é um acto livre que só é possível quando quem ama tem liberdade para dizer não. Se alguém nos apontasse uma pistola à cabeça e pedisse para dizermos que a amávamos, até poderíamos dizer isso, mas o sentimento não seria amor pois não é possível obrigar alguém a amar.

Posto isto, é necessário que o Homem seja livre mas, com esta liberdade, vem também a possibilidade de negar Deus e cair no pecado.

A partir do momento em que existem seres livres, apesar de haver a possibilidade teórica de eles fazerem sempre as escolhas correctas, não é fazível criar um Universo no qual o mal não exista. A única forma de isto acontecer seria não existirem seres livres mas, nesse caso, não existia amor nem, consequentemente, salvação (por não ser possível amar Deus). Além disso, é possível que certos males sejam requisito para que um Bem maior possa ocorrer.
Daqui tiramos que a versão lógica do argumento do mal é falaciosa, uma vez que, existindo seres livres, é possível a existência do mal no mundo, mesmo com um Deus Bom. Por este motivo trata-se de um mau argumento contra a existência de Deus.

II. Tipos de mal

Apesar de termos visto que a existência do mal não implica a não existência de Deus, há ainda algumas questões que podemos colocar sobre o mal.

À primeira vista podemos catalogar dois tipos de mal, o mal que vem dos seres livres e o mal natural, que inclui catástrofes naturais, doenças, entre outros. A existência do primeiro é bastante óbvia, como foi dito na parte I deste texto, a existência de seres livres permite automaticamente este tipo de mal...

O problema aqui é o mal natural. Já que o outro tipo não se pode evitar, porque permitiria Deus a existência do mal natural? É algo que não vem, na maioria das vezes, da liberdade do Homem mas da própria natureza e que apenas parece piorar as coisas.

Esta questão daria bastante que falar, contudo gostaria de salientar apenas um ponto, nada nos garante que o mundo teria, no total, menos mal se existisse apenas o mal da liberdade, basta olharmos para a nossa história recente.

No século XX vários milhões de pessoas foram mortas pelo regime Nazi e pelos regimes Comunistas da União Soviética e da China, entre outros. Neste período histórico qualquer catástrofe natural de grandes dimensões que tenha ocorrido é practicamente desconhecida para o público em geral, uma vez que a sua gravidade é “desprezável” quando comparada com os genocídios destes governos.

Vemos assim que o mal que causamos com a nossa liberdade consegue ser muito pior que o mal vindo da natureza. Nada nos garante, por isso, que um mundo sem catástrofes naturais seria, em geral, um mundo melhor do que aquele que temos. É bastante razoável acreditar que este tipo de mal, ao mudar as condições em que as pessoas se encontram, permita que muitas mudem a forma como vivem, despertando o desejo por ajudar os outros e tornar o mundo melhor... vemos isto quando se levantam ondas de solidariedade para apoiar as vítimas de terramotos e outros cataclismos.

É, então, bastante provável que, mesmo com catástrofes naturais, este mundo seja melhor do que seria sem estas.

III. O mal e a Salvação

Uma das grandes dificuldades quando lidamos com o problema do mal é o facto de nos focarmos demasiado nas coisas deste mundo.

O grande objectivo das nossas vidas deve ser a Santidade, a nossa ida para junto de Deus após a nossa morte. A presença de Deus terá um efeito incomparavelmente superior a todo o mal deste mundo. Além disso, uma vez que a salvação é para toda a eternidade, a sua "duração" (se é que se pode usar esta palavra neste contexto) também excede por uma margem mais que confortável a duração da nossa vida sofredora. Deste ponto de vista, os males que sofremos neste mundo não passam de alguns bagos de areia numa imensa praia...

Tendo em conta que Deus quer que O escolhamos de livre vontade para nos poder salvar, possibilidades que podemos conceber para o melhor mundo seria aquela em que, desde o início até ao fim dos tempos, o maior número possível de pessoas opta livremente por amar Deus e seguir o Seu caminho.

Como vimos na parte II, nada nos garante que um mundo sem o mal natural fosse melhor deste ponto de vista e, como tal, não temos forma de saber se tal mundo conduziria a um maior número de almas salvas no fim dos tempos... há simplesmente demasiadas variáveis que não conhecemos.

Mas há ainda outro aspecto a notar... nunca devemos tirar da mente que Jesus Cristo, Deus feito Homem, veio ao nosso mundo e sofreu pelos nossos pecados... também Ele se sujeitou ao mal... Aquele que, pela Sua Perfeição e ausência de pecado menos merecia ser exposto ao sofrimento, entrega-Se por amor... para nos salvar... assim, apesar de ser difícil gerir emocionalmente, devemos, através da oração, unir os nossos sofrimentos à Cruz redentora de Nosso Senhor e oferece-los como forma de Santificação das nossas almas.

IV. O mal como argumento para a existência de Deus

Para terminar esta série de reflexões sobre o problema do mal gostaria de fazer uma pequena referência à forma como é possível dar a volta à questão e usar a existência do mal para argumentar a favor da existência de Deus.

Se Deus não existe então tudo o que temos são interacções cegas entre partículas... não existe uma referência absoluta sob a qual julgar o certo e o errado, o mal e o bem, e tudo não passam de sensações para os nossos sentidos. Pessoas diferentes podem ver o mundo de formas diferentes e, não havendo um termo de comparação absoluto, nenhuma delas tem um ponto de vista mais válido do que a outra. Assim, se discordarem quanto a certa coisa ser boa ou má, não há forma de confirmar... não existe objectivamente forma de fazer esta classificação.

Assim, se Deus não existe, então o mal não existe... não há forma de o definir... o problema é que, como todos concordamos, o mal existe... o que, seguindo as regras da lógica, nos permite concluir que Deus existe.

Nota: Pessoalmente não concordo a 100% com este argumento, pelo menos se passarmos para o plano da moralidade, pois mesmo admitindo a não existência de Deus, é possível argumentar para uma moralidade partindo das causas finais de Aristóteles. Esta via parte do princípio que um acto moral é aquele que respeita as causas finais das entidades intervenientes. Gostava só de acrescentar que, admitindo a existência de causas finais, já se está no caminho para admitir a existência de Deus (ver 5ª via de Santo Tomás de Aquino).

Gonçalo Andrade
Finalista do Mestrado de Física, Instituto Superior Técnico


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