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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Doutor da Igreja alertou para as horríveis consequências da Sodomia

São Pedro Damião (1007 e 1072) foi um monge reformador, que escreveu um livro a explicar o grande mal das relações entre pessoas do mesmo sexo, especialmente membros do Clero; e a grande corrupção que vinha daí para a Igreja. Este aviso é mais actual do que nunca:

Este vício não é absolutamente comparável a nenhum outro, porque supera a todos em enormidade. Este vício produz, com efeito, a morte dos corpos e a destruição das almas. Polui a carne, extingue a luz da inteligência, expulsa o Espírito Santo do templo do coração do homem, nele introduzindo o diabo que é o instigador da luxúria. 

Conduz ao erro, subtrai totalmente a verdade da alma enganada, prepara armadilhas para os que nele incorrem, obstrui o poço para que daí não saiam os que nele caem. Abre-lhes o inferno, fecha-lhes a porta do Céu; torna herdeiro da infernal Babilónia aquele que era cidadão da celeste Jerusalém, transformando-o de estrela do céu em palha para o fogo eterno. Arranca o membro da Igreja e lança-o no voraz incêndio da geena ardente.

Tal vício busca destruir as muralhas da pátria celeste e tornar redivivos os muros da Sodoma calcinada. Ele viola a temperança, mata a pureza, jugula a castidade, trucida a virgindade, que é irrecuperável, com a espada da mais infame união. Tudo infecta, tudo macula, tudo polui, e tanto quanto está em si, nada deixa puro, nada alheio à imundície, nada limpo. Para os puros, como diz o Apóstolo, todas as coisas são puras; para os impuros e infiéis, nada é puro, mas estão contaminados o seu espírito e a sua consciência (Tit. I, 15).

Esse vício expulsa do coro da assembleia eclesiástica e obriga a unir-se com os energúmenos e com os que trabalham com o diabo, separa a alma de Deus para ligá-la aos demónios. Essa pestilentíssima rainha dos sodomitas torna os que obedecem às leis de sua tirania torpes aos homens e odiáveis a Deus. 

Impõe nefanda guerra contra Deus e obriga a alistar-se na milícia do espírito perverso, separa do consórcio dos Anjos e, privando-a da sua nobreza, impinge à alma infeliz o jugo do seu próprio domínio. Despoja os seus sequazes das armas das virtudes e expõe-os, para que sejam transpassados, aos dardos de todos os vícios. Humilha na Igreja, condena no fórum, conspurca secretamente, desonra em público, rói a consciência como um verme, queima a carne como o fogo.

Arde a mísera carne com o furor da luxúria, treme a fria inteligência com o rancor da suspeita, e no peito do homem infeliz agita-se um caos como que infernal, sendo ele atormentado por tantos aguilhões da consciência quanto é torturado pelos suplícios das penas. Sim, tão logo a venenosíssima serpente tiver cravado os dentes na alma infeliz, imediatamente fica ela privada de sentidos, desprovida de memória, embota-se o gume da sua inteligência, esquece-se de Deus e até mesmo de si. 

Com efeito, essa peste destrói os fundamentos da fé, desfibra as forças da esperança, dissipa os vínculos da caridade, aniquila a justiça, solapa a fortaleza, elimina a esperança, embota o gume da prudência. E que mais direi, uma vez que ela expulsa do templo do coração humano toda a força das virtudes e aí introduz, como que arrancando as trancas das portas, toda a barbárie dos vícios?

Com efeito, aquele a quem essa atrocíssima besta tenha engolido, entre as suas fauces cruentas, impede-lhe, com o peso das suas correntes, a prática de todas as boas obras, precipitando-a em todos os despenhadeiros da sua péssima maldade. Assim, tão logo alguém tenha caído nesse abismo de extrema perdição, torna-se um desterrado da pátria celeste, separa-se do Corpo de Cristo. É confundido pela autoridade de toda a Igreja, condenado pelo juízo de todos os Santos Padres, desprezado entre os homens na terra, reprovado pela sociedade dos cidadãos do Céu, cria para si uma terra de ferro e um céu de bronze. 

Por um lado, não consegue levantar-se, agravado que está pelo peso do seu crime, por outro, não consegue mais ocultar o seu mal no esconderijo da ignorância, não pode ser feliz enquanto vive, nem ter esperança quando morre, porque, agora, é obrigado a sofrer o opróbrio da derrisão dos homens e, depois, o tormento da condenação eterna. 

São Pedro Damião in 'Liber Gomorrhianus' (c. XVI, in Migne, Patristica Latina 175-177)


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segunda-feira, 15 de abril de 2024

Padre Rupnik continua como consultor da Santa Sé

O Padre Marko Rupnik foi acusado por abusos sexuais a duas dezenas de religiosas.

Os detalhes dos abusos, contados pelas vítimas, são escabrosos e incluem graves abusos psicológicos. Ademais, absolveu em confissão alguém com quem tinha cometido o pecado de fornicação, algo que é um pecado muito grave que tem como consequência uma pena canónica, a excomunhão. Entretanto, a excomunhão foi levantada pela Santa Sé.

Por causa da reiterada desobediência, o Padre Rupnik foi expulso da Companhia de Jesus em Junho de 2023. Apesar de tudo isso, aparece no anuário pontifício como consultor do Dicastério para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. Além disso, aparece como sacerdote jesuíta, algo que já não é.


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sábado, 13 de abril de 2019

Por que razão é importante a intervenção de Bento XVI sobre os abusos sexuais?

O que está na raiz da crise que afecta tanto a credibilidade da Fé? Estávamos todos à espera de uma resposta a esta pergunta. E eis que surge uma carta escrita por um bispo velhinho, que durante alguns anos se sentou na cadeira de Pedro. Mesmo oculto aos nossos olhos, a sua voz é inconfundível. É a voz de um pai. Bento XVI escreveu sobre a pergunta que fazíamos.

A sua resposta mais fundamental é tão simples que é desarmante: o Homem afastou-se de Deus.

No entanto, Bento XVI trata o modo como o Homem se afastou de Deus em detalhes morais, sexuais e culturais. Ele concentra-se principalmente no período em que os casos de abuso sexual atingiram o seu apogeu: nos “20 anos, de 1960 a 1980”, pois foi também durante o período mais intenso de abuso que “os padrões até então vinculantes da sexualidade entraram em colapso total e surgiu uma falta de normas."

A revolução cultural de 1968, ao contrário das revoluções anteriores a ela, introduziu uma nova permissividade sexual que desequilibrou o Mundo. Como uma ruptura maníaca pós-traumática da realidade, o colapso cultural teve como repercussões inovações destrutivas na teologia moral, tornando os seminários ainda mais mal preparados para enfrentar o desafio.

Os teólogos morais estavam numa longa missão exploratória para desestabilizar o lugar da lei natural e divina, e para “actualizar” a moralidade de maneiras mais adaptáveis ​​à revolução. Bento admite que esses teólogos eram sofisticados nos seus empreendimentos, mas o objectivo era simples: os inovadores ensinavam que todo acto moral era justificado se o agente tivesse as melhores intenções. Foi uma versão inicial do argumento: "amor é amor". 

Na visão de Bento XVI, a resposta fundamental veio, em 1993, com a Veritatis Splendor, que refutou decisivamente essa forma sofisticada de "ética da situação", também conhecida por “proporcionalismo”. O Papa João Paulo II interveio autoritariamente ensinando o realismo moral: “que há acções que devem ser, sempre e em todas as circunstâncias, classificadas como um mal”.

No que seguramente será uma das linhas mais citadas da carta de Bento XVI, ele observa como essa revolução moral e sexual infestou os seminários: “Em vários seminários foram criados clubes homossexuais, que agiram de forma mais ou menos pública e mudaram bastante o ambiente nos seminários”.

C C Pecknold in 'Catolic Herald'


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quarta-feira, 20 de março de 2019

Cardeal Sarah: "A Igreja, que deveria ser um lugar de luz, tornou-se num antro de trevas"

O Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação do Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, anunciou há cerca de 1 mês que iria lançar o seu livro mais importante. Apresentamos aqui um trecho do livro, no qual o Cardeal explica por que razão se sentiu na obrigação de o escrever:

Por que razão tomei de novo a palavra? No meu livro anterior, convidei-vos ao silêncio. No entanto, eu não posso calar-me. Eu não devo calar-me. Os Cristãos estão desorientados. Todos os dias, recebo de todos os lugares pedidos de ajuda de pessoas que já não sabem em que acreditar. Todos os dias, recebo em Roma sacerdotes feridos e desanimados. A Igreja atravessa a experiência da noite escura. O mistério da iniquidade envolve-a e cega-a.

Diariamente chegam-nos notícias cada vez mais aterradoras. Não passa uma semana sem que um caso de abusos sexuais nos seja revelado. Cada uma dessas notícias dilacera os nossos corações de filhos da Igreja. Como disse Paulo VI, o fumo de Satanás invadiu-nos. A Igreja, que deveria ser um lugar de luz, tornou-se num antro de trevas. Esta deve ser uma casa de família segura e pacífica, mas tornou-se num covil de ladrões! 

Como podemos suportar que os predadores se tenham introduzido nas nossas fileiras? Numerosos sacerdotes fiéis comportam-se todos os dias como pastores solícitos, como pais cheios de doçura, como guias firmes. Mas certos homens de Deus converteram-se em agentes do Maligno. Estes têm procurado profanar a alma dos pequenos. Eles humilharam a imagem de Cristo em cada criança.

Cardeal Robert Sarah in 'Le soir approche et déjà le jour baisse'


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quinta-feira, 14 de março de 2019

Padre absolvido da acusação de abusos sexuais 8 anos depois

Há alguns anos, o Pe. Adam Stanisław Kuszaj, sacerdote polaco, foi em missão para a República Checa, na diocese de Ostrawa-Opava: queria servir os católicos desse país, considerado um dos mais descristianizados da Europa. Ele nunca pensou que acabaria em tribunal, acusado de assédio sexual por uma jovem de 16 anos. 

Há oito anos, O Pe. Kuszaj foi suspenso pelas autoridades eclesiásticas e deixou de poder exercer o ministério sacerdotal. Além disso, foi considerado culpado pelo tribunal e condenado com pena suspensa. Expulso da sua congregação, privado de meios de subsistência e com a infame marca de assédio, ele teve que mudar completamente a sua vida trabalhando como operário.

Oito anos passados, enquanto decorria no Vaticano a recente Cimeira sobre abusos sexuais, o tribunal da cidade de Jesenik absolveu o padre polaco. No apelo à sentença, alguns jovens amigos da suposta vítima revelaram que as alegações de assédio haviam sido inventadas. Até os especialistas afirmaram que as histórias da suposta abusada não eram confiáveis. No final, descobriu-se que a acusadora se queria vingar do Padre porque este não lhe queria dar dinheiro. Como disse o porta-voz da diocese checa, Pavel Suida, depois de considerar esses novos factos, a suspensão do sacerdote foi retirada. Até mesmo os superiores da congregação à qual o sacerdote pertencia devem analisar a nova situação.

O próprio Pe. Kuszaj disse que queria voltar ao ministério sacerdotal o mais rapidamente possível: "Este é o meu sonho e quero que isso aconteça. Sempre quis servir as pessoas e a Deus antes de tudo. Percebo que perdi 9 anos, mas Eu também aprendi muito"- disse o padre absolvido na estação de rádio católica local 'Proglas '.

Ninguém poderá compensar o Pe. Kuszaj pelo sofrimentos e humilhações durante o julgamento, pela perseguição nos meios de comunicação social, pelo distanciamento dificilmente suportável do sacerdócio, pelos anos de trabalho árduo para sobreviver. Mas o seu caso levanta questões: o que teria acontecido se não houvesse testemunhas que revelassem a intriga e se apenas as palavras da acusadora fossem consideradas verdadeiras?

Obviamente, a história da absolvição do Pe. Kuszaj permaneceu não apareceu nos noticiários regionais, e a 'media' mundial não falou a respeito, mesmo que tenha acontecido enquanto decorria a reunião do Vaticano.

A Igreja, promovendo a "tolerância zero", também deve considerar seriamente a possibilidade de falsas acusações feitas a sacerdotes por pessoas desonestas e inescrupulosas, e até mesmo acções premeditadas motivadas pela ideologia.

in acistampa


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terça-feira, 12 de março de 2019

Como lidar com o escândalo dos abusos sexuais no Clero?

Pergunta: Os media vêm noticiando, com frequência cada vez maior, casos escandalosos de abusos sexuais por parte de clérigos, o que leva alguns a duvidarem da Fé católica e afastarem-se da Igreja, ou pelo menos da prática religiosa. Outros dizem que seria melhor eliminar o celibato sacerdotal, alegando que é o responsável por tais abusos. Qual é a melhor defesa que um católico pode fazer da Igreja nessa situação constrangedora? 

Resposta: Começamos por esclarecer que nem todas as denúncias de abuso divulgadas pelos media ou investigadas pela Justiça são verdadeiras. Sabe-se que em muitos países os veículos de divulgação, como também muitas autoridades da Justiça, são hostis à Igreja Católica, e vão acusando e condenando sacerdotes e prelados sem ouvi-los, desrespeitando assim a presunção de inocência de que goza qualquer acusado até o julgamento.

É inegável, contudo, que muitas das investigações confirmaram grande número de casos de abuso sexual por parte de clérigos, incluindo Bispos e até mesmo um Cardeal de muito destaque. Revelou-se ainda a existência de verdadeiras redes de corrupção dentro de alguns seminários e em organismos ligados à Igreja.

O celibato sacerdotal nada tem a ver com a difusão dessa praga moral do abuso sexual. Estudos estatísticos sérios provam que em mais de 80% dos casos trata-se de abusos de adolescentes ou de jovens de sexo masculino por parte de clérigos homossexuais. Um estudo, em particular, provou que o número desses abusos cresceu exactamente na mesma proporção em que aumentou o número de pessoas com atracção homossexual nas fileiras do Clero.

A arca de Noé continha animais puros e impuros

Essa infiltração deu-se de modo especial a partir da década de 1960, devido ao relaxamento nas condições para a admissão nos seminários e na disciplina destes, bem como pela relativização da Moral nos estudos de Teologia após o Concílio Vaticano II. Contribuiu também a difusão da chamada “homo-heresia”, ou seja, o erro de afirmar que a atracção homossexual não é contrária à natureza, e que as relações homossexuais são lícitas.

Não é a primeira vez na história da Igreja que a heresia e a corrupção moral se espalham como um cancro entre os que são chamados a ser “o sal da terra” e “a luz do mundo” (Mt 5, 13-14). Mas, em cada uma dessas circunstâncias, os Papas e os Santos conseguiram reformar o Clero e restaurar tanto a disciplina eclesiástica como a pureza dos costumes, que deve caracterizar os ministros de Deus. No tenebroso período que atravessamos hoje essa necessária reforma moral das fileiras do Clero e da Hierarquia nem sequer começou.

Diante desses escândalos, e para fortalecer a nossa fé, convém relembrar que, de acordo com o Catecismo do Concílio de Trento, a Santa Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo não é como a imaginavam Lutero e os seus sequazes, ou seja, como uma comunidade puramente espiritual e constituída somente por justos que têm fé.

Ao falar da Igreja militante — “o conjunto dos fiéis que ainda vivem na Terra” —, diz o referido Catecismo: “Há na Igreja militante duas categorias de homens: bons e maus. Certo é que os maus participam, com os bons, dos mesmos Sacramentos, professam a mesma fé, mas não lhes são semelhantes nem na vida, nem nos costumes“. Mais adiante, ainda repete: “A Igreja comporta não só os bons, mas também os maus. Assim o demonstra o Evangelho por muitas parábolas, quando diz, por exemplo, que o Reino dos céus — isto é, a Igreja militante — se compara a uma ‘rede lançada ao mar’ (Mt 13, 47); a um ‘campo semeado em que se espalhou joio’ (Mt 13, 24); a uma ‘eira, na qual o trigo se acha misturado com a palha’ (Mt 13, 12; Lc 3, 17); a ‘dez virgens’, umas loucas, outras prudentes (Mt 25, 1). Muito antes [de tais parábolas], a Arca de Noé, que continha animais puros e impuros (Gn 7, 2; 1 Pd 2, 6; cfr. At 10, 9; 11, 4-18), era também uma imagem e semelhança desta Igreja [militante]. A fé católica sempre ensinou, expressamente, que à Igreja pertencem bons e maus; não obstante, devemos explicar aos fiéis cristãos, em virtude das mesmas normas de fé, que entre ambas as partes há grande diferença de condição. Os maus assistem na Igreja, à semelhança da palha que na eira se mistura com o trigo; ou, como os membros quase mortos, às vezes continuam ligados ao corpo”.

Pagãos, hereges, cismáticos e excomungados não pertencem à Igreja

Em consequência, conforme continua o mesmo Catecismo, apenas três classes de homens estão excluídas da comunhão com a Igreja: os pagãos, que nunca estiveram no seu seio; os hereges e cismáticos, porque apostataram; e os excomungados que foram excluídos judicialmente, enquanto não se reconciliarem com Ela. E acrescenta sabiamente, referindo-se de modo específico aos pastores que levam vida má, mas nem por isso perdem sua autoridade dentro da Igreja: “Quanto aos demais, não há dúvida que continuam ainda no grémio da Igreja, apesar de maus e perversos. Sejam os fiéis bem instruídos neste ponto, para que tenham a firme convicção de que os prelados da Igreja continuam no grémio da mesma, não obstante qualquer deslize moral; e que nem por isso lhes fica diminuída a jurisdição [eclesiástica]”.

Acrescenta ainda o Catecismo que o facto de haver no seio da Igreja membros maus, e até pastores que dão escândalo, não lhe diminui em nada a santidade, porque a santidade lhe vem do facto de ser “consagrada e dedicada a Deus” (Lv 27, 28-30); de estar “unida como corpo a uma Cabeça santa, a Cristo Nosso Senhor (Ef 4, 15-6), fonte de toda a santidade (Dn 9, 24; Is 41, 14; Lc 1, 35); e da qual dimanam os dons do Espírito Santo e as riquezas da bondade divina (Ef 2, 7; 3, 8; 3, 16-19)”; e também do fato de Ela ser a única a possuir “o culto legítimo do Sacrifício e o uso salutar dos Sacramentos”, que são “os meios eficazes, pelos quais Deus opera a verdadeira santidade”. O Catecismo ainda acrescenta: “É impossível haver verdadeiros santos fora desta Igreja”.

A Igreja é santa, apesar dos numerosos pecadores

O Catecismo conclui: “não é de estranhar que a Igreja tenha o nome de santa, apesar de haver nela muitos pecadores. Pois são chamados santos os fiéis que se fizeram povo de Deus (1 Pd 2-9; Os 2, 1), e que pela fé e a recepção do Baptismo se consagraram a Cristo, embora sejam fracos em muitos pontos e não cumpram o que prometeram”.

Sendo de fé que a Igreja é santa, mas nela há muitos pecadores junto aos bons, não é preciso cobrir com um manto de silêncio os pecados de seus membros que se tornaram públicos, e que dão escândalo aos fiéis (e até aos infiéis). Nas situações históricas em que a imoralidade do Clero se generaliza, e às vezes é até aceita como normal pelas autoridades eclesiásticas, a denúncia pública desse cancro por parte dos fiéis é benéfica e pode tornar-se até obrigatória, por ser o primeiro passo para a necessária reforma.

A esse respeito, no livro Igreja e homens de Igreja, o teólogo passionista Pe. Enrico Zoffoli escreve: “Não temos nenhum interesse em cobrir as culpas dos maus cristãos, dos sacerdotes indignos, dos pastores vis e ineptos, desonestos e arrogantes. Seria ingénuo e inútil o intento de defender a sua causa, atenuar as suas responsabilidades, reduzir o alcance dos seus erros ou fazer uso do ‘contexto histórico’ e de ‘situações específicas’, com a pretensão de tudo explicar e tudo absolver”.

Como dissemos, a veracidade e a santidade da Igreja Católica não dependem da virtude dos seus filhos, os quais, por fraqueza ou por maldade, podem tornar-se infiéis ao seu Baptismo, à sua ordenação sacerdotal, à sua sagração episcopal, ou até mesmo ao seu ministério petrino (a história registra, infelizmente, não poucos casos de Papas que deram grande escândalo). E isso porque a santidade da Igreja provém da sua condição de Corpo Místico de Cristo. Basta, portanto, que um “pequeno rebanho” (Lc 12, 32-34) permaneça inteiramente fiel aos ensinamentos de Nosso Senhor em meio à corrupção geral — como já aconteceu, por exemplo, nos séculos IV e XI —, para que a Igreja não só permaneça santa, mas cresça ainda em graça e santidade, como o Divino Mestre na sua vida terrena.

Nas aparições de 1848 em La Salette, Nossa Senhora disse que os sacerdotes tinham-se tornado cloacas de impureza. Peçamos a Ela que envie almas generosas, as quais implorem dia e noite misericórdia e perdão para o povo, a fim de que Deus se reconcilie com os homens e Jesus Cristo seja novamente servido, adorado e glorificado

Padre David Francisquini in Catolicismo n° 818 (Fevereiro de 2019)


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segunda-feira, 4 de março de 2019

O escandaloso caso contra o Cardeal Pell

O Cardeal George Pell, Arcebispo Emérito de Sydney e ex-responsável pela reforma económica no Vaticano, foi condenado por molestar dois rapazes. Uma dessas supostas vítimas, que agora está morta, sempre negou ter sido molestada. Pensemos nisto durante um momento: o Cardeal é condenado por um crime que, segundo a suposta vítima, não ocorreu.

Há outra suposta vítima, claro. Ele esperou anos para dizer a alguém que havia sido abusado, mas isso não é pouco comum em tais casos. É digno de nota que a única testemunha contra Pell encontrou a sua voz exactamente na época em que o Cardeal, com a sua campanha pela transparência financeira no Vaticano, estava abalando os grandes interesses económicos. O acusador não podia fornecer evidências para apoiar a sua história, e essa história estava cheia de buracos:

- Ele alegou que ele e as outras supostas vítimas, que cantavam no coro da Catedral, saíram do coro. Mas ninguém percebeu que eles estavam desaparecidos, e outros membros do coro acham improvável que a sua ausência pudesse passar despercebida.
- Ele alegou que eles estavam na sacristia bebendo vinho. Ele disse que era vinho tinto. Mas o único vinho do altar em uso era branco.
- Ele alegou que o Cardeal entrou na sacristia sozinho e os apanhou. Mas o cardeal estava invariavelmente fora da catedral após as cerimónias, cumprimentando a as pessoas. Quando ele retornou à sacristia, estava - como sempre - acompanhado por outros sacerdotes.
- Ele alegou que o Cardeal se livrou dos paramentos e vestes e os molestou. Mas as vestes que o Cardeal usava não permitiam o movimento descrito pela suposta vítima.

Como é que um tribunal australiano chegou a uma condenação, sem qualquer evidência, com base em testemunhos tão instáveis? É difícil evitar a conclusão de que “tudo estava já preparado”, que este é o equivalente australiano aos “julgamentos-espectáculo” que resultaram em condenações de outros Prelados que eram impopulares nos regimes comunistas nos anos 50.

Se há alguma justiça no sistema australiano, o Cardeal Pell vai ganhar o apelo. Mas o processo de recurso provavelmente levará meses e, enquanto isso, ele está preso.

Phil Lawler in Catholic Culture


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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

18 anos do Consistório que mudou a História da Igreja

No dia 21 de Fevereiro de 2001, o Papa João Paulo II criou a módica quantia de 44 novos Cardeais. Os nomes foram de tal maneira influentes na vida da Igreja que podemos dizer que foi um conclave que mudou a história da Igreja. 

O primeiro desses nomes foi Jorge Mario Bergoglio, na altura Arcebispo de Buenos Aires, e hoje em dia Papa Francisco.


O segundo foi Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, na altura Arcebispo de Tegucigalpa. O Cardeal Maradiaga foi presidente da Caritas Internacional de 2007 a 2015. Foi nomeado pelo Papa Francisco como coordenador do grupo de Cardeais escolhidos pelo Papa para proceder à reforma da Cúria. Há um ano soube-se que recebia 35 mil euros por mês pagos por uma Universidade das Honduras, mais 54 mil em Dezembro. A notícia gerou alguma polémica mas ficou por aí.


O terceiro foi Claudio Hummes, na altura Arcebispo de São Paulo. É um dos maiores defensores do fim do celibato obrigatório para os sacerdotes e responsável pela organização do Sínodo da Amazónia, no próximo mês de Outubro. 


O quarto foi Walter Kasper, na altura secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O Cardeal Kasper teve vários confrontos doutrinais com o Cardeal Ratzinger (depois Papa Bento XVI). É um dos responsáveis pela "teologia da misericórdia" segundo a qual as leis de Deus devem ser submetidas, por "misericórdia", à vontade dos homens. Fez vários comentários racistas e pejorativos em relação aos Bispos africanos que se recusavam a apoiar a comunhão de "recasados" no Sínodo sobre a Família. Veio depois desmentir essas afirmações, mas o problema é que tinham sido gravadas pelo jornalista Edward Pentin.


O quinto foi Theodore Edgar McCarrick, na altura Arcebispo de Washington. O Cardeal McCarrick levou uma vida de "homossexual activo" ao longo de todo o seu ministério, tendo abusado de inúmeros adolescentes e homens adultos. Como é que um homem destes consegue chegar a Cardeal não deixa de ser assustador. Há poucos dias foi reduzido ao estado laical, apesar dos seus escândalos sexuais serem conhecidos no Vaticano há bastantes anos.

Nesse Consistório foram ainda criados dois Cardeais portugueses: José Policarpo, na altura Patriarca de Lisboa, e José Saraiva Martins, na altura Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos. 

Foi também feito Cardeal Juan Luis Cipriani Thorne, na altura Arcebispo de Lima. Tido como "conservador", e estando à frente de uma das sedes mais importantes da América Latina, o Cardeal Cipriani foi recentemente substituído como Arcebispo de Lima por Castillo Mattasoglio, um sacerdote que ele tinha censurado e proibido de ensinar, por defender teses contra a doutrina da Igreja.

Bastante relevante foi a nomeação de François Xavier Nguyen van Thuan como Cardeal. O Cardeal van Thuan esteve 13 anos na prisão, grande parte deles em solitária, pela sua resistência contra o regime comunista no Vietname. Os seus guardas tinham de ser substituídos frequentemente porque todos se convertiam com a santidade daquele sacerdote em reclusão.

João Silveira


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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Cardeal Burke e Cardeal Brandmüller publicam Carta Aberta sobre abusos sexuais e "lobby gay"

Carta Aberta
aos Presidentes das Conferências Episcopais

Caros irmãos, Presidentes das Conferências Episcopais,

É com profunda aflição que nos dirigimos a todos vós! O mundo católico está desorientado e levanta uma pergunta angustiante: para onde está indo a Igreja?

Diante desta deriva, hoje em curso, pode parecer que o problema se reduz ao problema dos abusos de menores, um crime horrível, especialmente se perpetrado por um sacerdote, que, todavia, não é senão uma parte de uma crise bem mais ampla. 

A chaga da agenda homossexual difunde-se no seio da Igreja, promovida por redes organizadas e protegida por um clima de cumplicidade e de conspiração de silêncio (“omertà”). Como é evidente, as raízes deste fenómeno encontram-se nessa atmosfera de materialismo, relativismo e hedonismo, em que se põe abertamente em discussão a existência de uma lei moral absoluta, ou seja, sem excepções.

Acusa-se o clericalismo de ser responsável pelos abusos sexuais, mas a primeira e a principal responsabilidade do clero não recai sobre o abuso de poder, mas em se ter afastado da verdade do Evangelho. A negação, até mesmo em público, por palavras e nos factos, da lei divina e natural, está na raiz do mal que corrompe certos ambientes da Igreja.

Diante de tal situação, cardeais e bispos calam. Também vós vos calareis aquando da reunião convocada para o próximo dia 21 de Fevereiro, no Vaticano?

Em 2016, estivemos entre os que interpelaram o Santo Padre acerca dos dubia que dividiam a Igreja após a conclusão do Sínodo sobre a família. Hoje, esses dubia não só continuam sem receber qualquer resposta, mas são apenas parte de uma crise da fé mais geral. Por isso, vimos encorajar-vos a que levanteis a vossa voz para salvaguardar e proclamar a integridade da doutrina da Igreja.

Rezamos e pedimos ao Espírito Santo para que assista a Igreja e ilumine os pastores que a guiam. Neste momento, é urgente e necessário um acto resolutório. Confiamos no Senhor que nos prometeu: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20).

Walter Card. Brandmüller
Raymond Leo Card. Burke


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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Bispo americano: A nossa missão é salvar almas não as alterações climáticas

Mons. Joseph Strickland, Bispo da Diocese de Tyler (Texas, EUA), volta a representar a ala "rebelde" do episcopado americano ao recordar que a razão de ser da hierarquia eclesiástica é a salvação das almas.

"Tudo o que se falou neste Verão foi: 'Temos de nos preocupar com o aquecimento global'. Mas esse não é o nosso trabalho", afirma o Bispo de Tyler numa entrevista concedida à Catholic News Agency. "Creio que percebemos tudo mal. Como Bispos a nossa prioridade é a santidade  do povo de Deus, a salvação das almas."

É como se a ordem do Vaticano de proibir que os Bispos Norte-Americanos, reunidos em Baltimore, votassem medidas para combater a crise dos abusos sexuais tivesse sido a gota de água que fez transbordar o copo, e entre os bispos mais determinados a travar o processo de transformação da Igreja americana em mais uma ONG está o Bispo Strickland.

Strickland que, após a divulgação do testemunho de Viganò no passado Verão, foi o primeiro a pedir que se investigassem as acusações feitas pelo ex-núncio, cuja integridade fez questão de enfatizar, referiu-se de forma indirecta, com este primeiro comentário, aos comentários do Cardeal Blaze Cupich, Arcebispo de Chicago, quando referiu publicamente que o Papa não podia perder tempo respondendo a Viganò porque tinha "outros assuntos na agenda".

Não foi a única referência indirecta a clérigos famosos. Na sua intervenção diante dos seus pares, referiu: "Há um sacerdote que agora anda por aí a dizer basicamente que não crê nos ensinamentos da Igreja", numa clara alusão ao mediático Padre Jesuíta James Martin, assessor do Vaticano para a Comunicação, autor e autodenominado "Apóstolo dos LGBT". "Temos de nos questionar e perguntar se deve ter presença nas nossas dioceses". Um grupo de Bispos aplaudiu a declaração.

Strickland pronunciou inclusivamente a palavra proibida, aquela da qual Roma e os Bispos tão habilmente fugiram desde o início da crise ao dizer: "Temos que nos perguntar como pôde acontecer o escândalo McCarrick. Temos que nos confrontar seriamente com a questão da homossexualidade no Clero. É parte do depósito da nossa fé crer que a actividade homossexual é imoral. Cremos ou não na doutrina da Igreja?"

Na entrevista à CNA, Strickland mostrou-se impaciente face à lentidão da investigação ao caso McCarrick que "está a levar demasiado tempo" e defende que a Igreja americana leve a cabo a sua própria investigação em simultâneo com a que supostamente está a ser conduzida por Roma: "Tem de existir arquivos", insiste Strickland. "Ele é americano, todo o seu sacerdócio foi exercido nos Estados Unidos. Certamente que o podemos fazer."

Voltou a referir-se ao testemunho de Viganò que, disse, "veio trazer à luz, de certa forma, questões de fundo dentro da Igreja, questões relativas à decadência moral no conjunto do Clero."

O Bispo de Tyler insistiu em que "a questão  central" está em procurar a salvação das almas "das vítimas dos perpetradores. Como Bispos temos de nos preocupar com a salvação da alma de Theodote McCarrick."

"Sou um pastor, tenho o meu rebanho", concluiu Strickland. "E as ovelhas estão a sangrar, estão a ser massacradas, estão a ser atacadas pelos lobos. Não podemos estar preocupados com a cor com que vamos pintar o redil."

Tradução: Senza Pagare


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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Cardeal Müller estabelece uma relação estreita entre abusos sexuais e homossexualidade no clero

A entrevista que se segue é de leitura obrigatória porque vem esclarecer muita coisa que esteve escondida nas últimas décadas. Entrevista do Cardeal Gerhard L. Müller, 71 anos, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 2012 a 2017, ao 'LifeSite News'.

Entrevistador - Uma parte importante da discussão durante a assembleia da Conferência Episcopal dos Estados Unidos foi dedicada ao escândalo do Cardeal McCarrick e como foi possível que alguém como McCarrick pudesse subir até os graus mais altos da Igreja Católica. Qual é a sua opinião sobre o caso McCarrick e o que a Igreja deve aprender com a existência desta rede de silêncio que cercou um homem que, praticando a homossexualidade, seduzindo seminaristas que dependiam da sua autoridade, levando-os para o pecado, e abusando de menores levou uma vida constantemente oposta às leis da Igreja?

Cardeal Müller - Eu não o conheço e por isso prefiro abster-me de julgar. Espero que em breve haja um processo canónico na Congregação para a Doutrina da Fé que traga luz sobre os crimes sexuais cometidos com jovens seminaristas. Quando eu era Prefeito da Congregação (2012-2017) nunca ninguém me disse nada sobre esse caso, provavelmente por causa do medo de uma reacção excessivamente "rígida" da minha parte. O facto de que McCarrick, junto com o seu círculo e uma rede homossexual, ter sido capaz de trazer estragos na Igreja com métodos semelhantes aos da máfia está ligado à subestimação do grau de depravação moral dos actos homossexuais entre os adultos. Se alguém em Roma tivesse ouvido algum rumor de acusações teria que investigar e verificar a veracidade dessas acusações, evitando que McCarrick fosse promovido ao episcopado de uma importante diocese como Washington, e também evitando que fosse nomeado cardeal da Santa Igreja Romana. E já que foram pagas indemnizações por baixo da mesa - com isso admitindo a responsabilidade por crimes sexuais com homens jovens - qualquer pessoa razoável pergunta como tal pessoa pode ter sido conselheira do Papa nas nomeações de bispos. Não sei se isso corresponde à verdade, certamente seria necessário esclarecer. Que um mercenário ajude a procurar bons pastores para o rebanho de Deus é algo incompreensível para qualquer um. Nesse caso, deve haver uma explicação pública sobre factos semelhantes e os vínculos entre as pessoas envolvidas, assim como o quanto é que as autoridades da Igreja envolvidas sabiam sobre cada nível da história.

Entrevistador - Durante os últimos 5 anos ouviu falar de casos em que o então Cardeal McCarrick recebeu ampla confiança, e lhe foram confiadas missões específicas pelo Papa ou pela Santa Sé?

Cardeal Müller - Como eu disse, não fui informado de nada. Dizia-se que a Congregação para a Doutrina da Fé era responsável apenas pelo abuso sexual de menores, não de adultos, como se as ofensas sexuais cometidas por um padre com outra pessoa consagrada ou com um leigo não fossem também uma violação grave da fé e da santidade dos sacramentos. Tenho repetidamente insistido que mesmo os actos homossexuais realizados pelos sacerdotes nunca foram tolerados e que a moralidade sexual da Igreja não foi relativizada pela ampla aceitação secular da homossexualidade. Também é necessário distinguir entre conduta pecaminosa em um caso isolado e uma vida passada em estado contínuo de pecado.

Entrevistador - Um dos aspectos problemáticos do caso McCarrick é que já em 2005 e 2007 houve acordos legais com algumas das suas vítimas, mas a Arquidiocese de Newark - então sob o arcebispo John J. Myers - não informou o público sobre isso e nem mesmo os seus próprios sacerdotes. Reteve, portanto, informações essenciais para aqueles que ainda trabalhavam com McCarrick e confiavam nele. O cardeal Joseph Tobin fez o mesmo quando, em 2017, se tornou arcebispo de Newark. Tanto quanto sei, nem Myers nem Tobin se desculparam por essas omissões e por traírem a confiança dos seus padres. Acha que a arquidiocese deveria ter tornado público esses acordos legais, especialmente depois que o "Acordo de Dallas" exigiu maior transparência em 2002?

Cardeal Müller - Noutras ocasiões acreditava-se que poderíamos resolver esses casos difíceis de maneira discreta e silenciosa. Mas desta forma o culpado foi colocado em posição de continuar a abusar da confiança do seu bispo. Na situação de hoje, os católicos e o público em geral têm o direito moral de conhecer esses factos. Não se trata de acusar alguém, mas de aprender com esses erros.

Entrevistador - Pode um problema moral desta magnitude ser resolvido adoptando novas directrizes ou uma profunda conversão de corações é necessária na Igreja?

Cardeal Müller - A origem de toda esta crise deve ser identificada na secularização da Igreja e na redução do padre ao papel de oficial. Em última análise, é o ateísmo que se espalhou para a Igreja. Esse espírito maligno diz que o Revelação (de Deus) sobre a fé e a moral deve ser adaptada ao mundo, independentemente de Deus, de modo que Ele não possa mais interferir numa vida conduzida por seus próprios desejos e necessidades. Apenas 5% dos perpetradores foram avaliados como pedófilos patológicos. A grande parte deles, por outro lado, deliberadamente espezinhou o sexto mandamento por causa de sua própria imoralidade, desafiando a santa vontade de Deus de maneira blasfema.

Entrevistador - O que lhe parece a ideia de instituir novas normas canónicas que prevejam a excomunhão de padres que sejam culpados de abuso?

Cardeal Müller - A excomunhão é uma sanção coerciva que é removida assim que o gerente se arrepende. Mas, no caso de sérios abusos e ofensas à fé e à unidade da Igreja, deve ser imposta a renúncia permanente do estado sacerdotal, isto é, a proibição permanente de agirem como sacerdotes.

Entrevistador - O antigo código de direito canónico de 1917 previa sentenças claras contra os padres envolvidos em abusos e até mesmo padres homossexuais activos. Essas sanções precisas foram amplamente removidas no código de 1983, que é mais vago e nem sequer menciona explicitamente os actos homossexuais. À luz da grave crise de abuso, acha que a Igreja deveria voltar a um sistema mais rigoroso de penalidades para tais casos?

Cardeal Müller - Foi um erro desastroso. As relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo contradizem completamente e directamente o significado e propósito da sexualidade estabelecido desde a criação. Eles são a expressão de instintos e desejos desordenados, da relação fragmentada entre o homem e o seu Criador, depois da queda do pecado original. O sacerdote celibatário, e o sacerdote casado no rito oriental devem ser modelos para o rebanho e, ao mesmo tempo, devem mostrar pelo seu exemplo como a redenção envolve o corpo e as paixões físicas. A doação física e espiritual, em "ágape", em relação à pessoa do sexo oposto, e não o desejo selvagem de satisfação, é esse o significado e propósito da sexualidade. Isso conduz a responsabilidades para com a família e filhos que Deus nos dá.

Entrevistador - Durante a recente assembleia de Baltimore, o cardeal Blase Cupich disse que é necessário "diferenciar" entre actos sexuais entre adultos consensuais e abuso infantil, implicando assim que as relações homossexuais de um padre com outros adultos não seriam um problema importante. O que esse tipo de configuração responde?

Cardeal Müller - É possível diferenciar qualquer coisa - até para considerar a si mesmo um grande intelectual - mas não um pecado grave que exclui uma pessoa do Reino de Deus, pelo menos não um bispo que tem como dever defender a verdade do Evangelho e não limitar-se a saborear o espírito do tempo. Parece ser chegada a hora "que não suportarão a sã doutrina, mas tendo comichão nos ouvidos amontoarão para si doutores para atender os seus próprios desejos, recusando-se a ouvir a verdade e voltando às fábulas." (2 Tim 4, 3ss)

Entrevistador - No seu trabalho como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, teve a oportunidade de ver numerosos casos de abuso por parte dos sacerdotes examinados pela congregação. É verdade que a maioria das vítimas desses casos eram adolescentes do sexo masculino?

Cardeal Müller - Mais de 80% das vítimas desses abusadores sexuais são adolescentes do sexo masculino. No entanto, não se pode concluir que a maioria dos sacerdotes são propensas a prostituição homossexual, mas sim que a maioria dos abusadores procuraram, segundo a desordem profunda das suas paixões, vítimas masculinas. A partir das estatísticas abrangentes do crime, sabemos que a maioria dos autores de abuso sexual são parentes das vítimas e até pais com os seus filhos. Mas a partir disso, não podemos inferir que a maioria dos pais é propensa a tais crimes. Devemos sempre ter cuidado para não fazer generalizações a partir de casos concretos, para não cair em slogans e preconceitos anticlericais.

Entrevistador - Se esta é a situação - e o estudo do abuso sexual conduzido pelos bispos alemães ou o Relatório John Jay dão números semelhantes - a Igreja não deveria abordar directamente o problema da presença de padres homossexuais?

Cardeal Müller - Na minha opinião não há homens homossexuais ou padres. Deus criou o homem e a mulher seres humanos. Mas pode haver homens e mulheres com paixões desordenadas. A união sexual tem o seu lugar apenas no casamento entre um homem e uma mulher. Fora disso só há fornicação e abuso da sexualidade, tanto com pessoas do sexo oposto quanto com o agravamento anti-natural do pecado com pessoas do mesmo sexo. Apenas aqueles que aprenderam a controlar-se satisfazem as condições prévias para receber a ordenação ao sacerdócio (cf. 1 Tm 3, 1-7).

Entrevistador - No momento, parece haver uma situação na Igreja em que não há consenso em reconhecer que os padres homossexualmente activos têm uma grande parcela de responsabilidade na crise do abuso. Mesmo alguns documentos do Vaticano falam de "pedofilia" ou "clericalismo" como problemas principais. O jornalista italiano Andrea Tornielli chegou a argumentar que McCarrick não tinha relações homossexuais, mas exercia o seu poder sobre os outros. Ao mesmo tempo, há aqueles, como o jesuíta James Martin, que viaja pelo mundo (mesmo convidado para o encontro mundial de famílias na Irlanda) para promover a ideia de "católicos LGBT" e até afirma que alguns santos eram provavelmente homossexuais. . Isso quer dizer que hoje há uma forte tendência na Igreja que leva à minimização do carácter pecaminoso das relações entre pessoas do mesmo sexo. Acha que é assim? E se sim, como poderia - e deveria - remediar?

Cardeal Müller - É parte da crise que não querer ver as causas reais e escondê-las com a ajuda das frases de propaganda do lobby homossexual. A fornicação com adolescentes e adultos é um pecado mortal e nenhum poder na Terra pode declarar isso moralmente neutro. É a obra do diabo - contra a qual o Papa Francisco frequentemente adverte - declarar que o pecado é bom. De facto é absurdo que, de repente, as autoridades eclesiásticas considerem slogans anticlericais, nazistas e comunistas anticlericais contra os padres sacramentalmente ordenados. 

Os sacerdotes estão investidos da autoridade para proclamar o Evangelho e administrar os sacramentos da graça. Se alguém abusa da sua jurisdição para alcançar objectivos egoístas ele não é clericalista, mas sim anti-clerical, porque nega que Cristo quer trabalhar através dele. O abuso sexual pelo clero deve, portanto, ser chamado de anticlerical no mais alto grau. Mas é óbvio - e poderia ser negado apenas por aqueles que querem ser cegos - que o pecado contra o sexto mandamento do Decálogo têm origem em inclinações desordenadas e por isso são pecados de fornicação que excluem do Reino de Deus, pelo menos até que haja arrependimento e expiação, e intenção firme de evitar tais pecados no futuro. Essa tentativa de ofuscar as coisas é um mau sinal de secularização da Igreja. Isso é pensar como o mundo, não de acordo com a vontade de Deus.

Entrevistador - Rumores do mesmo teor poderiam ser ouvidos no recente Sínodo sobre os jovens em Roma. O documento de trabalho utilizados pela primeira vez a fórmula "LGBT", enquanto o documento final enfatizou a necessidade de boas-vindas nos homossexuais da Igreja, rejeitando "todas as formas de discriminação" contra eles. Não seria esse tipo de afirmação realmente prejudicial à prática constante da Igreja de não empregar homossexuais activos, por exemplo, como professores em escolas católicas?

Cardeal Müller - A ideologia LGBT é baseada em uma falsa antropologia que nega a Deus como Criador. Como é essencialmente ateu ou, pelo menos, coloca o conceito cristão de Deus à margem, não pode ter lugar nos documentos da Igreja. Este é um exemplo da influência insidiosa do ateísmo na Igreja, responsável por mais de meio século da crise da Igreja. Infelizmente, essa ideologia está presente mente de alguns pastores que, na sua ingénua convicção de serem modernos, não percebem o veneno que bebem todos os dias e acabam por o dar de beber aos outros.

Tradução Senza Pagare



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domingo, 30 de setembro de 2018

5 Bispos estabeleceram que se reze a oração a São Miguel Arcanjo depois da Missa


Cinco Bispos dos Estados Unidos da América já informaram os seus sacerdotes que devem rezar a oração a São Miguel Arcanjo depois de rezarem cada Santa Missa. Esta medida visa combater a grave crise que várias décadas de abusos sexuais, por parte de Padres e até Bispos na grande maioria a rapazes adolescentes, gerou nos Estados Unidos.


O últimos destes cinco Bispos, que restauraram este costume, foi o Arcebispo de Portland, Mons. Alexander Sample.

A oração a São Miguel Arcanjo fazia parte das 'Orações Leoninas', que o Papa Leão XIII tornou obrigatório que fossem rezadas no fim da Missa. Isto porque teve uma visão horrível sobre os futuros ataques do Demónio à Igreja. O Papa compôs uma grande oração a São Miguel, da qual veio a oração que conhecemos:

Sancte Michael Archangele, defende nos in proelio, contra nequitiam et insidias diaboli esto praesidium. Imperet illi Deus, supplices deprecamur: tuque, Princeps militiae caelestis, Satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute, in infernum detrude. Amen. 

Infelizmente, depois da revolução litúrgica do final dos anos 60 as orações leoninas deixaram de ser rezadas, e, do mesmo modo, a oração a São Miguel Arcanjo. A realidade já demonstrou que esta oração é mais necessária do que nunca.

São Miguel, rogai por nós.


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terça-feira, 25 de setembro de 2018

Carta do Grão-Mestre da Ordem do Santo Sepulcro sobre os abusos sexuais na Igreja

Aos Membros da Ordem de Cavalaria do Santo Sepulcro,

Muitos de vós se recordarão do livro e do filme Tempestade Perfeita [The Perfect Storm] - quando vários padrões meteorológicos ocorrem em simultâneo - entram em colisão e originam danos terríveis.

A nossa Igreja Católica encontra-se no meio de uma tempestade perfeita - uma tempestade demoníaca perfeita: o Chile, a Irlanda, a Holanda, a Austrália, os Estados Unidos - e quantos mais países se juntarão?! A revoltante vida dupla, profundamente vergonhosa, de um Cardeal da Igreja. O relatório quase pornográfico, de 900 páginas, resultante da investigação do Grande Júri da Pensilvânia – actos de depravação indizíveis contra jovens e pessoas vulneráveis. As acusações de um antigo Núncio do Vaticano contra as mais altas autoridades da Igreja.

Já lhe chamaram “UMA OBRA-PRIMA DIABÓLICA”!

Os poderes de Satanás [estão] em acção procurando minar as próprias fundações da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica – e vindo do seu interior!

Estamos num momento de grave crise, provavelmente a maior crise que a nossa Igreja enfrentou em muitos séculos.

Hoje, como ao longo da história da Igreja, aos fiéis – a vós – é oferecida uma escolha:

· Há a tentação de fugir, de abandonar a Igreja – obtendo Satanás uma vitória;

· Ou podemos cerrar fileiras. A nossa fé não radica nos seres humanos, mas em Jesus Cristo. Os Cavaleiros do Santo Sepulcro jamais desertaram. Pelo contrário, mantiveram-se firmes na sua posição de defesa da Igreja, em tempos das maiores crises.

Exorto todos os nossos membros que se mantenham firmes: que redobrem esforços, voltando-se para os recursos da Fé que nos foram concedidos por Deus: a oração, a Eucaristia, a adoração ao Santíssimo Sacramento, a penitência e o jejum.

· Participai nas liturgias e vigílias de oração promovidas pelas paróquias e dioceses, em reparação dos deploráveis sacrilégios perpetrados contra os

inocentes indefesos pelos que receberam o sacramento da Ordem [diáconos, presbíteros e bispos]. Traições escandalosas à confiança depositada nos que se comprometeram a ser outros Cristos.

· Apoiai a grande maioria dos sacerdotes nos vossos meios - os vossos bons sacerdotes, que lutam diariamente para se tornarem Cristo para vós. Eles estão em grande sofrimento.

· Também eu requeri, juntando-me à Conferência Episcopal, Católica, dos Estados Unidos, na investigação promovida pelo Vaticano, envolvendo especialistas leigos, com especiais competências, para apurar responsabilidades na progressão do Arcebispo McCarrick dentro da hierarquia.

Ao longo da história, Deus tem demonstrado ser capaz de fazer sair o bem a partir do pior dos males. Basta olhar para um crucifixo!

Rezai para que deste pesadelo possa sair a purificação da nossa Igreja e a restauração da confiança na sua liderança.

Reconhecei que Jesus Cristo é o Senhor da Ressurreição, Ele que transformou o momento horrível de uma morte vergonhosa num momento de salvação.

E rezai juntamente com o Santo Padre, o Papa Francisco, para que Nossa Senhora, que envolveu nos seus braços o corpo crucificado e martirizado de seu Filho, o faça novamente. Que, nestes tempos, segure nos seus braços o Corpo ensanguentado, agredido e sofredor - o Corpo d’Ele, a Igreja - próximo do seu coração, e em oração pela cura.

Os meus agradecimentos a todos pela vossa firme lealdade e fidelidade.

No Senhor,
Edwin O’Brien, Cardeal


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