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sexta-feira, 25 de abril de 2025

Se o próximo Papa não for ortodoxo arriscamos um cisma na Igreja

Este aviso foi deixado pelo Cardeal Gerhard Müller em entrevista ao TheTimes.co.uk. Disse ainda o ex-Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé:

"O Catolicismo não consiste em obedecer cegamente ao Papa sem ter em consideração a Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição e os ensinamentos da Igreja."

"O próximo Papa não deve «procurar os aplausos do mundo secular, que vê a Igreja apenas como uma organização humanitária voltada para a acção social."

"Os Cardeais têm uma grave responsabilidade: eleger um homem capaz de unir a Igreja na verdade revelada."

"A questão não é conservadores versus liberais, mas ortodoxia versus heresia."


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segunda-feira, 14 de outubro de 2024

O Cardeal Müller está de volta: Não é um Sínodo, mas um Simpósio

O Cardeal Gerhard Ludwig Müller participou pela primeira vez no ex-Sínodo dos Bispos no dia 14 de Outubro. Não pôde estar presente nas duas primeiras semanas da reunião devido a uma hérnia.

Müller tomou imediatamente a palavra para dizer que o simpósio “não era um verdadeiro sínodo”. Criticou o facto de os padres, diáconos, religiosos e leigos também poderem votar ao lado dos bispos.

Numa declaração anterior, o Cardeal Müller tinha dito que não se tratava de um sínodo, “mas de um simpósio”.

Müller estava vestido de cardeal, enquanto a maioria dos bispos e cardeais limita o seu traje episcopal a uma cruz peitoral.

in gloria.tv


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sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Cardeal Müller responde à questão de padrinhos e baptizados "transexuais"

A tarefa do Magistério Romano, seja dire
ctamente do Papa ou mediado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, é preservar fielmente a verdade da Revelação Divina. Ele é instituído por Cristo e actua no Espírito Santo para que os fiéis católicos sejam protegidos de todas as heresias que põem em perigo a salvação e de toda a confusão em matéria de doutrina e de vida moral.

As respostas do Dicastério a várias perguntas de um bispo brasileiro (3 de Novembro de 2023), por um lado, recordam-nos verdades de fé geralmente conhecidas, mas, por outro lado, também abrem espaço para o mal-entendido de que há, afinal, espaço para a coexistência do pecado e da graça na Igreja de Deus.

O Baptismo como porta para uma nova vida em Cristo

O Filho de Deus, nosso Redentor e Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo, instituiu o Sacramento do Baptismo para que todos os homens possam alcançar a vida eterna através da fé em Cristo e de uma vida à sua imitação. O amor incondicional de Deus liberta os homens do domínio mortal do pecado, que mergulha o homem na desgraça e o separa de Deus, fonte de vida. A vontade salvífica universal de Deus (1Tm 2,4s) não diz que basta confessar Jesus como nosso Senhor com os lábios para entrar no Reino de Deus, e, ao mesmo tempo, eximirmo-nos do dever de cumprir a vontade santa e santificadora de Deus, invocando a nossa fraqueza humana (cf. Mt 7,21-23). A simples metáfora "a Igreja não é uma alfândega", que pretende dizer que o cristão não deve ser medido burocraticamente pela letra da lei, encontra o seu limite quando falamos da graça que nos conduz a uma vida nova para além do pecado e da morte.

O Apóstolo Paulo diz que todos nós éramos "escravos do pecado" antes de chegarmos à fé em Cristo. Mas agora, através do Baptismo em nome de Cristo, o Filho de Deus e Ungido com o Espírito Santo, "tornámo-nos obedientes de coração à doutrina a que fomos entregues". Portanto, não devemos pecar, porque já não estamos sujeitos à lei, mas estamos sujeitos à graça. "Por isso, o pecado não dominará o vosso corpo mortal, e já não estareis sujeitos aos seus desejos... como homens que passaram da morte para a vida" (Rm 6,12s).

A mais antiga ordenação da Igreja escrita em Roma (cerca de 200 d.C.) indica os critérios para a admissão ou rejeição (ou mesmo adiamento) [de uma pessoa] ao catecumenacto e à receção do Baptismo e exige que todas as profissões duvidosas, parcerias ilegais e qualquer comportamento imoral que sejam contrários à vida de graça do Baptismo devem ser abandonados (Traditio Apostolica 15-16).

São Tomás de Aquino, que é felizmente citado nas respostas do Dicastério, dá uma resposta dupla e diferenciada à questão de saber se os pecadores podem ser baptizados:

1. Pecadores que pecaram pessoalmente no passado e estão sob o poder do "pecado de Adão" (i.e. pecado original e hereditário) certamente podem ser batizados. Pois o Baptismo é para o perdão dos pecados, que Cristo comprou para nós através da Sua morte na cruz.

2. No entanto, aqueles "que são pecadores, porque vêm ao Baptismo com a intenção de continuar a pecar" e assim resistem à Santa Vontade de Deus, não podem ser baptizados. Isto é verdade não só por causa da contradição interior entre a graça de Deus para connosco e o nosso pecado contra Deus, mas também por causa do falso testemunho para o exterior, que mina a credibilidade do anúncio da Igreja, porque os sacramentos são sinais da graça que transmitem (cf. Tomás de Aquino, Summa theologiae III q. III Quaestio 68, Artigo 4).

Na armadilha da terminologia transhumanista

É confuso e nocivo quando o Magistério se apoia na terminologia de uma antropologia niilista e ateia e parece, assim, emprestar ao seu conteúdo falso o estatuto de opinião teológica legítima na Igreja.

"Não lestes", diz Jesus aos fariseus que queriam armar-lhe uma cilada, "que no princípio o Criador criou o homem e a mulher?" (Mt 19,4) Na verdade, as pessoas transexuais ou homófilas (homoafetivas ou homossexuais) não existem, nem na ordem da natureza da criatura, nem na graça da Nova Aliança em Cristo. Na lógica do Criador do homem e do mundo, dois sexos são suficientes para assegurar a preservação da humanidade e para ajudar as crianças a florescer e desabrochar na comunidade familiar com o seu pai e a sua mãe. Como todos os filósofos e teólogos sabem, uma "pessoa" é um ser humano na sua individualidade espiritual e moral, que o relaciona diretamente com Deus, seu Criador e Redentor.

No entanto, cada pessoa humana existe na natureza espiritual-corporal e concretamente como homem ou como mulher, através do acto de criação em que Deus a criou (e na relação recíproca do casamento) à semelhança da sua Bondade Eterna e do seu Amor Trino. E tal como os criou, Deus ressuscitará também cada ser humano no seu corpo masculino ou feminino, sem se irritar com aqueles que (por muito dinheiro) mutilaram genital ou hormonalmente outras pessoas ou que - confundidos pela falsa propaganda - se deixaram enganar voluntariamente sobre a sua identidade masculina ou feminina.

O transhumanismo em todas as suas variações é uma ficção diabólica e um pecado contra a dignidade pessoal dos seres humanos, mesmo que sob a forma de transexualismo e terminologicamente enfeitado como "mudança de género autodeterminada". A doutrina e a prática da Igreja Romana prescrevem claramente: "A prostituta, o fornicador, o que se mutila e qualquer outro que faça algo de que não se fala (1 Cor 6, 6-20) devem ser rejeitados [do catecumenacto e do Baptismo]" (Traditio Apostolica 16).

A "sã doutrina" (1Tm 4,3) como a pastoral mais benéfica

O motivo pastoral que nos exorta a tratar aqueles que pecam contra o Sexto e o Nono Mandamento do Decálogo da forma mais "gentil e compassiva" possível só é louvável enquanto o pastor não enganar o seu paciente sobre a gravidade da sua doença, como um mau médico, ou seja, apenas quando o bom pastor "se alegra mais com o céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que [na falsa autoavaliação] não têm necessidade de se arrepender." (Lc 15,6) Há que fazer aqui também uma distinção fundamental entre o sacramento (único) do Baptismo, que anula todos os pecados anteriores e nos confere o carácter permanente de sermos incorporados no Corpo de Cristo, e o sacramento (repetível) da Penitência, que perdoa os pecados que cometemos depois do Baptismo.

É sempre justo, de acordo com o cuidado da Igreja pela salvação, que uma criança possa e deva ser baptizada quando a sua educação católica pode ser garantida pelos responsáveis, especialmente também através de uma vida exemplar.

No entanto, a Igreja não pode deixar dúvidas sobre o direito natural de uma criança a crescer com os seus próprios pais biológicos ou, em caso de emergência, com os seus pais adoptivos, que, num sentido moral e legal, legitimamente os substituem. Qualquer forma de maternidade de substituição ou de produção de uma criança num laboratório (como uma coisa) para satisfazer desejos egoístas é, na opinião da Igreja, uma grave violação da dignidade pessoal de um ser humano que Deus quis que existisse física e espiritualmente através da sua própria mãe e do seu próprio pai, a fim de o chamar a ser filho de Deus na vida eterna.

Porque é que Deus só edifica a Igreja através da verdadeira fé

No âmbito do Sínodo sobre a sinodalidade, esta formulação bíblica foi muitas vezes referida: "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas" (Ap 2,11). Como no último livro da Sagrada Escritura: "a fidelidade à Palavra de Deus e ao testemunho de Jesus Cristo" (Ap 1,2).

O autor do Traditio Apostolica na Roma dos príncipes apóstolos Pedro e Paulo, está convencido de que "a edificação da Igreja se faz pela aceitação da fé correcta". Conclui o seu escrito com as palavras de reflexão que vale a pena considerar: "Porque se todos ouvir a tradição apostólica, segui-la e observá-lae nenhum herege ou qualquer outro homem vos poderá enganar. Pois as muitas heresias surgiram porque os governantes [bispos] não quiseram ser instruídos nos ensinamentos dos apóstolos, mas agiram segundo o seu próprio julgamento e não como convinha. Se nos esquecemos de alguma coisa, amados, Deus revelá-la-á àqueles que são dignos. Pois Ele guia a Igreja para que ela possa chegar ao porto do Seu descanso." (Traditio Apostolica 43).

in Life Site News


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quinta-feira, 7 de maio de 2020

Cardeal Müller: Nenhum Bispo tem o direito de proibir as Missas públicas

Este vírus representou uma tragédia para muita gente. Esta é exactamente a razão pela qual a Igreja tem o dever de propor uma visão do sofrimento e da existência humana, na perspectiva da vida eterna, à luz da Fé. A suspensão das Missas públicas é uma demissão desta missão, é a redução da Igreja à dependência do Estado. É inaceitável”. Em chamada telefónica para La Nuova BussolaQuotidiana, o Senhor Cardeal Gerhard L. Müller, ex-Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, é muito claro no seu juízo sobre o que acontece agora em Itália e muitos outros países.

Eminência, para muitos fiéis o sofrimento da doença significou o sofrimento adicional da proibição de assistir à Missa e das exéquias, e, sobretudo, a sua justificação pela hierarquia eclesiástica.

É muito grave, é o pensamento secularista que entrou na Igreja. Uma coisa é tomar precauções para minimizar o risco de contágio, outra é banir a liturgia. A Igreja não é um cliente do Estado, e nenhum Bispo tem o direito de banir a Eucaristia dessa forma. Mais ainda, vimos sacerdotes serem punidos pelos seus Bispos por celebrar Missa para grupo reduzido, o que significa que eles se concebem como funcionários do Estado. O nosso Supremo Pastor, porém, é Jesus Cristo, não Giuseppe Conte ou qualquer Chefe de Estado. O Estado tem a sua função, e assim também a Igreja.

Parece que para muitos é difícil reconciliar o seu dever para com o Estado com a necessidade do culto público a Deus.

Devemos rezar também publicamente porque sabemos que tudo depende de Deus. Deus é a causa universal, depois há a causa secundária que passa pela nossa liberdade. Nós, criaturas finitas, não sabemos quanto do que acontece depende da causalidade de Deus e quanto depende de nós mesmos: este é o propósito da oração. Temos de rezar a Deus para ultrapassar os desafios da nossa vida pessoal e social, mas sem esquecer a dimensão transcendental, aquela visão da vida eterna e íntima união com Deus e com Jesus Cristo, até no nosso sofrimento. Somos chamados a tomar aos ombros, todos os dias, a nossa cruz, mas, aos fiéis, deve ser também explicado o seu sofrimento com as categorias do Evangelho. Proibir a participação na liturgia vai na direcção oposta. Tomar certas medidas externas é tarefa do estado, a nós cumpre-nos defender a liberdade e a independência da Igreja; e a superioridade da Igreja na dimensão espiritual. Não somos uma agência subordinada ao Estado.

Muitos, entre os quais sacerdotes e Bispos, apercebem-se de que há um elevado risco de perder o sentido da liturgia, dada a proliferação de Missas na televisão e Internet.

Estas formas não podem ser consideradas como substituição da Missa. Evidentemente, se se está numa prisão ou campo de concentração, ou outras circunstâncias excepcionais, pode participar-se espiritualmente na Eucaristia, mas esta não é uma situação normal. Deus criou-nos corpo e alma. Deus acompanhou o Seu povo através da História, libertou-o da escravidão do Egipto realmente, que não virtualmente. Jesus, Filho de Deus, fez-Se carne, nós cremos na ressurreição da carne. É por isto que a presença física é absolutamente necessária para nós. Para nós, não para Deus. Deus não precisa dos Sacramentos, somos nós quem precisamos. Deus instituiu os Sacramentos para nós. O matrimónio não funciona só espiritualmente, é necessária a união do corpo e da alma. Não somos idealistas platónicos, não se pode seguir a Missa de casa, a não ser em circunstâncias particulares. Não, deve-se ir à Igreja, reunir-se com os outros, comunicar a Palavra de Deus. Até o vocabulário da Igreja indica esta necessidade: a “Sagrada Comunhão”, comunhão é reunir-se; a Igreja é o Povo de Deus convocado, junto. Diz o salmo: “Como é bom e agradável que os irmãos vivam juntos”.

Há teólogos e Bispos para quem a Eucaristia é sobrevalorizada e não é necessária a Missa Dominical.

Até há um Bispo como Victor Fernandez, que diz orgulhosamente ser um ghost writer do Papa Francisco, que defende que o dever de ir à Missa ao Domingo é um preceito introduzido pela Igreja. É mais um exemplo de desastrosa formação teológica. O terceiro mandamento funda-se no direito divino: obriga os Judeus a santificar o Dia do Senhor. Para nós Cristãos, é o Dia da Ressureição. É também o mandamento de Jesus: “Fazei isto em memória de mim”. E S. Paulo diz “Todas vezes, pois, que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a morte do Senhor” (1 Cor 11:26). Esta é a representação real e sacramental da morte salvífica de Jesus e da Sua ressurreição. Na Missa participamos no Mistério Pascal. O Concílio Vaticano II deixou-o claro na Sacrosanctum Concilium e Lumen Gentium (Nr. 11). E ainda assim há Bispos que dizem que alguns fiéis estão demasiado fixados na Eucaristia. É absurdo. A Eucaristia é a única verdadeira adoração de Deus por meio de Jesus Cristo. Não é só uma entre as tantas formas litúrgicas, mas antes todas as formas litúrgicas têm a sua razão de ser na Eucaristia. Tudo recebe força e consistência da Eucaristia.

Vossa Eminência também vê a manifestação de um claro ataque à Eucaristia, coração da Igreja?

Sim. Basta a pensar naqueles que antes e durante o Sínodo da Amazónia afirmavam veementemente que os povos indígenas tinham absoluta necessidade da Eucaristia e por isso era necessário ordenar sacerdotes entre os homens casados. Agora as mesmas pessoas, sem pudor, defendem o exacto oposto: que não temos necessidade da Eucaristia. Pensam como os protestantes, ignorando que, desde o princípio da Reforma Protestante, é precisamente a Eucaristia o ponto central da controvérsia. E agora temos Bispos que se dizem Católicos que não compreendem o valor central da Eucaristia. É um verdadeiro escândalo: são estes os verdadeiros rígidos, os verdadeiros clericais, não aqueles que levam a sério a palavra de Jesus e a doutrina da Igreja. É uma verdadeira perversão do pensamento. Mas este Catolicismo “moderno” é uma ideologia autodestrutiva. Há necessidade, sobretudo em Itália, de Bispos da estatura de S. Carlos Borromeo, e quem está na Cúria deveria ter como exemplo o Cardeal Roberto Bellarmino.

Nestes meses, ouvimos os vértices da Hierarquia da Igreja afirmar frequentemente que o primeiro dever é salvaguardar a saúde.

É uma Igreja burguesa, secularizada, não uma Igreja que vive da Palavra de Jesus Cristo. Jesus disse “procurai primeiro o Reino de Deus”. De que vale a vida, todos os bens deste mundo, incluindo a saúde, se depois de perde a própria alma? Esta crise mostrou-nos que tantos dos nossos pastores pensam como o mundo, concebem-se mais como funcionários de um sistema religioso social que como pastores de uma Igreja que é comunhão íntima com Deus e com os Homens. Devemos sempre conjugar Fé e Razão. Obviamente que não somos fideístas, não somos como aquelas seitas cristãs que dizem que não temos necessidade da medicina, que confiamos só em Deus. De facto, confiar-se a Deus não contradiz a valorização de todas as possibilidades oferecidas pela medicina moderna. Mas a medicina moderna não substituiu a oração: são duas dimensões que não devem ser separadas nem sequer sobrepostas.

Para justificar a suspensão das Missas com povo, alguns dizem que, se infectamos os outros, somos nós os responsáveis da sua eventual morte.

Os médicos também correm este risco, um risco que existe em toda a actividade humana. Devemos estar atentos a não colocar em perigo a vida e a saúde dos outros, mas este não é o valor supremo. Infelizmente esta situação fez-nos ver que há muitos sacerdotes e Bispos de boa qualidade a quem faltam as bases teológicas para reflectir sobre esta situação e oferecer um juízo coerente com o Evangelho e a doutrina da Igreja.

Talvez também seja por isso que tantos Bispos tenham esnobado o pedido dos fiéis para a consagração ao Imaculado Coração de Maria. No caso italiano, este tornou-se acto de dedicação, e ao final foi realizado de forma negligente e fraudulenta.

Há uma subvalorização do aspecto sobrenatural. Estamos imersos numa concepção naturalista que vem do Iluminismo. Não se pode explicar a Igreja, a Graça, os Sacramentos, na dimensão natural. O coração da nossa Religião Cristã é o Deus transcendente que se faz imanência na nossa vida, é Cristo verdadeiro homem e verdadeiro Deus pela Incarnação.

Parece quase que nos resignámos a seguir um mundo que pensa só em termos naturais, e chamamos a isto realismo.

É a ideologia do pragmatismo. Hoje, por exemplo, prevalece na Igreja a ideia de que necessitamos de Bispos que sejam só pastores, i.e., pragmáticos. Mas o Bispo é ministro da Palavra, deve reflectir sobra a Palavra. S. Paulo e S. Pedro não eram idiotas, os Padres da Igreja não foram só pragmáticos, reflectiram sobre a Fé Cristã e as suas implicações. Um bom Mestre da Fé deve ser capaz de explicar uma situação como a que atravessamos a partir da Fé, no seu sentido sobrenatural, não com o naturalismo. Mais uma vez se deve considerar juntamente as duas dimensões: não podemos reduzir a existência humana à mera natureza, e ao mesmo tempo também não podemos pensar – como sustentam os marxistas – que o Cristianismo tenha que ver só com o além. Em Jesus Cristo temos a unidade entre o além e a imanência da vida. Um bom cristão deve saber ser um óptimo médico e cientista, mas tal não contradiz a confiança em Deus. Há uma integração entre Fé e Razão, entre confiança em Deus e competência nas ciências naturais.


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sábado, 9 de fevereiro de 2019

Cardeal Müller publica Manifesto para combater a confusão doutrinal

O Cardeal Gerhard Müller, anterior Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, acabou de publicar um Manifesto com um resumo da Fé Católica. O Cardeal diz que este Manifesto lhe foi pedido por muitos clérigos e fiéis preocupados com a actual confusão doutrinal na Igreja.

Declaração de Fé

“Não se perturbe o vosso coração!” (Jo 14, 1)

Diante de uma confusão cada vez mais generalizada no ensino da fé, muitos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos da Igreja Católica pediram-me para dar testemunho público da verdade da Revelação. A tarefa dos pastores é guiar os homens que lhes são confiados pelo caminho da salvação, e isso só pode acontecer se tal caminho for conhecido e se eles forem os primeiros a percorrê-lo. 

A esse respeito, o Apóstolo advertiu: “Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu próprio recebi” (1Cor 15, 3). Hoje, muitos cristãos nem sequer conhecem os fundamentos da fé, com um crescente perigo de não encontrarem o caminho que leva à vida eterna. No entanto, a tarefa própria da Igreja continua a ser levar as pessoas a Jesus Cristo, a luz dos gentios (cf. LG 1). Nesta situação, alguém se pergunta como encontrar a orientação correcta. Segundo João Paulo II, o Catecismo da Igreja Católica representa uma “norma segura para o ensino da fé” (Fidei Depositum IV). Foi escrito para fortalecer os irmãos e irmãs na fé, uma fé posta à prova pela “ditadura do relativismo”.

1. Deus uno e trino, revelado em Jesus Cristo

O epítome da fé de todos os cristãos reside na confissão da Santíssima Trindade. Nós tornamo-nos discípulos de Jesus, filhos e amigos de Deus, através do Baptismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. A diferença das três pessoas na unidade divina (254) marca uma diferença fundamental na fé em Deus e na imagem do homem em relação às outras religiões. Reconhecido Jesus Cristo, os fantasmas desaparecem. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, encarnado no ventre da Virgem Maria pela obra do Espírito Santo. O Verbo feito carne, o Filho de Deus é o único Salvador do mundo (679) e o único mediador entre Deus e os homens (846). 

Por esta razão, a primeira carta de João refere-se àquele que nega a sua divindade como o anticristo (1Jo 2, 22), visto que Jesus Cristo, Filho de Deus, desde a eternidade é um único ser com Deus, seu Pai (663). É com clara determinação que é necessário enfrentar o reaparecimento de antigas heresias que em Jesus Cristo viam apenas uma boa pessoa, um irmão e um amigo, um profeta e um exemplo de vida moral. Ele é, antes de tudo, a Palavra que estava com Deus e é Deus, o Filho do Pai, que tomou a nossa natureza humana para nos redimir e que virá para julgar os vivos e os mortos. Só a Ele adoramos em união com o Pai e o Espírito Santo como o único e verdadeiro Deus (691).

2. A Igreja

Jesus Cristo fundou a Igreja como sinal visível e instrumento de salvação, que subsiste na Igreja Católica (816). Ele deu à sua Igreja, que “nasceu do coração trespassado de Cristo morto na cruz” (766), uma estrutura sacramental que permanecerá até ao pleno cumprimento do Reino (765). Cristo, cabeça, e os crentes como membros do corpo são uma pessoa mística (795), por essa razão a Igreja é santa, visto que Cristo, o único mediador, a estabeleceu na terra como um organismo visível e continuamente a apoia (771). Por meio dela, a obra redentora de Cristo torna-se presente no tempo e no espaço com a celebração dos Santos Sacramentos, especialmente no Sacrifício Eucarístico, a Santa Missa (1330). Com a autoridade de Cristo, a Igreja transmite a revelação divina, “que se estende a todos os elementos da doutrina, incluindo a moral, sem a qual as verdades salvíficas da fé não podem ser guardadas, expostas ou observadas” (2035).

3. A Ordem sacramental

A Igreja é em Jesus Cristo o sacramento universal da salvação (776). Ela não se reflecte a si mesma, mas a luz de Cristo, que resplandece no rosto, e isso só acontece quando o ponto de referência não é a opinião da maioria, nem o espírito dos tempos, mas a verdade revelada em Jesus Cristo, que confiou à Igreja Católica a plenitude da graça e da verdade (819): Ele mesmo está presente nos Sacramentos da Igreja. 

A Igreja não é uma associação criada pelo homem, cuja estrutura pode ser modificada pelos seus membros à vontade: é de origem divina. “O próprio Cristo é a origem do ministério na Igreja. Ele instituiu-a, deu-lhe autoridade e missão, orientação e fim” (874). A admoestação do Apóstolo ainda é válida hoje, segundo a qual é amaldiçoado alguém que proclama outro Evangelho, “nós mesmos, ou um anjo do céu” (Gl 1, 8). A mediação da fé está intrinsecamente ligada à credibilidade humana dos seus pregadores: em alguns casos, abandonaram aqueles que lhes haviam sido confiados, perturbando-os e prejudicando seriamente a sua fé. Para eles cumpre-se a palavra da Escritura: “virão tempos em que o ensinamento salutar não será aceite, mas as pessoas acumularão mestres que lhes encham os ouvidos, de acordo com os próprios desejos” (2 Tm 4,3-4).

A tarefa do Magistério da Igreja para com o povo de Deus é “protegê-lo de desvios e falhas” para que possa “professar sem erro a fé autêntica” (890). Isto é especialmente verdadeiro em relação aos sete sacramentos. A Sagrada Eucaristia é “a fonte e o cume de toda a vida cristã” (1324). O Sacrifício Eucarístico, em que Cristo nos envolve no sacrifício da cruz, visa a união mais íntima com Ele (1382). Por isso, a Sagrada Escritura alerta para as condições para receber a Sagrada Comunhão: “Assim, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor” (1Cor 11, 27) e, em seguida, “Quem está ciente de que cometeu um pecado grave, deve receber o sacramento da Reconciliação antes de receber a Comunhão” (1385). 

Da lógica subjacente ao sacramento percebe-se que os divorciados e recasados civilmente, cujo casamento sacramental diante de Deus ainda é válido, bem como todos aqueles cristãos que não estão em plena comunhão com a fé católica e também todos aqueles que não estão devidamente preparados, não recebem a Sagrada Eucaristia frutiferamente (1457), porque deste modo não os leva à salvação. Realçá-lo, corresponde a uma obra de misericórdia espiritual.

O reconhecimento dos pecados na Santa Confissão, pelo menos uma vez por ano, é um dos preceitos da Igreja (2042). Quando os crentes já não confessam os seus pecados recebendo a absolvição, a salvação trazida por Cristo torna-se vã, pois Ele fez-se homem para nos redimir dos nossos pecados. O poder do perdão, que o Ressuscitado conferiu aos Apóstolos e aos seus sucessores no Episcopado e no Sacerdócio, restaura os pecados graves e veniais cometidos depois do Baptismo. A prática actual da confissão mostra que a consciência dos crentes não está suficientemente formada. A misericórdia de Deus é-nos dada para que possamos cumprir os seus Mandamentos para nos conformarmos à sua santa vontade e não para evitar o chamamento à conversão (1458).

“É o sacerdote que continua a obra da redenção na terra” (1589). A ordenação, que confere ao sacerdote “um poder sagrado” (1592), é insubstituível porque, através dele, Jesus torna-se sacramentalmente presente na sua acção salvadora. Os sacerdotes escolhem voluntariamente o celibato como “um sinal dessa nova vida” (1579). Trata-se da entrega de si para o serviço de Cristo e do Seu Reino vindouro. A fim de conferir a ordenação validamente nos três graus do Sacramento, a Igreja reconhece-se como limite para a escolha feita pelo próprio Senhor, “por esta razão a ordenação de mulheres não é possível” (1577). A este respeito, falar de discriminação contra as mulheres demonstra claramente uma incompreensão deste Sacramento, que não diz respeito a um poder terrestre, mas à representação de Cristo, o Esposo da Igreja.

4. A lei moral

Fé e vida são inseparáveis, porque a fé sem as obras feitas no Senhor é morta (1815). A lei moral é o trabalho da sabedoria divina e leva o homem à beatitude prometida (1950). Consequentemente, a “lei divina e natural mostra ao homem o caminho a seguir para fazer o bem e alcançar o seu objectivo” (1955). A sua observância é necessária para que todas as pessoas de boa vontade alcancem a salvação eterna. De facto, aquele que morre em pecado mortal sem arrependimento permanecerá para sempre separado de Deus (1033). Isto implica consequências práticas na vida dos cristãos, entre os quais é oportuno recordar aquelas que hoje são mais frequentemente negligenciadas (cf. 2270-2283; 2350-2381). A lei moral não é um fardo, mas faz parte dessa verdade libertadora (cf. Jo 8, 32), através da qual o cristão caminha no caminho da salvação e não deve ser relativizado.

5. Vida Eterna

Muitos hoje perguntam porquê a Igreja ainda existe se os próprios bispos preferem agir como políticos, em vez de mestres da fé e proclamar o Evangelho. O olho não se deve deter em questões secundárias, mas é mais necessário do que nunca para a Igreja assumir a sua própria tarefa. Todo o ser humano tem uma alma imortal, que na sua morte é separada do corpo, mas com a esperança da ressurreição dos mortos (366). A morte toma a decisão do homem a favor ou contra Deus. Todos terão que enfrentar o juízo pessoal imediatamente após a morte (1021): ou será necessária uma purificação ou o homem irá directamente para a felicidade celestial e será permitido contemplar Deus face-a-face. 

Mas há também a terrível possibilidade de que uma pessoa, até ao fim, permaneça em contradição com Deus: rejeitando definitivamente o seu amor, “chorará imediatamente para sempre” (1022). “Deus, que nos criou sem nós, não nos quis salvar sem nós” (1847). A eternidade da punição do Inferno é uma realidade terrível, que, de acordo com o testemunho das Sagradas Escrituras, diz respeito a todos aqueles que “morrem em estado de pecado mortal” (1035). O cristão atravessa a porta estreita, “porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele” (Mt 7, 13).

Manter em silêncio estas e outras verdades da fé ou ensinar o oposto é o pior engano contra o qual o Catecismo adverte vigorosamente. Esta representa a última prova da Igreja, ou “uma impostura religiosa que oferece aos homens uma solução aparente para os seus problemas, ao preço da apostasia da verdade” (675). É o engano do Anticristo, que vem “com todo o tipo de seduções de injustiça para os que se perdem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos” (2Ts 2, 10).

Apelo

Como trabalhadores na vinha do Senhor, todos nós temos a responsabilidade de recordar estas verdades básicas que se agarram ao que nós mesmos recebemos. Queremos dar coragem para percorrer o caminho de Jesus Cristo com determinação, a fim de obter a vida eterna seguindo os Seus mandamentos (2075).

Pedimos ao Senhor que nos deixe saber quão grande é o dom da fé católica, através do qual a porta para a vida eterna é aberta. “Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos” (Mc 8, 38). Portanto, estamos comprometidos em fortalecer a fé confessando a verdade que é o próprio Jesus Cristo.

O aviso que Paulo, o apóstolo de Jesus Cristo, dá ao seu colaborador e sucessor Timóteo é dirigido particularmente a nós, bispos e padres. Ele escreveu: “Diante de Deus e de Cristo Jesus, que há-de julgar os vivos e os mortos, peço-te encarecidamente, pela sua vinda e pelo seu Reino: proclama a palavra, insiste em tempo propício e fora dele, convence, repreende, exorta com toda a compreensão e competência. Virão tempos em que o ensinamento salutar não será aceite, mas as pessoas acumularão mestres que lhes encham os ouvidos, de acordo com os próprios desejos. Desviarão os ouvidos da verdade e divagarão ao sabor de fábulas. Tu, porém, controla-te em tudo, suporta as adversidades, dedica-te ao trabalho do Evangelho e desempenha com esmero o teu ministério” (2Tm 4, 1-5).

Que Maria, Mãe de Deus, implore a graça de nos apegarmos à confissão da verdade de Jesus Cristo sem vacilar.

Unidos em fé e na oração,
Gerhard Cardeal Müller
Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 2012 e 2017

Nota: Os números que aparecem no texto correspondem ao Catecismo da Igreja Católica.

Tradução: Dies Irae


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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Cardeal Müller estabelece uma relação estreita entre abusos sexuais e homossexualidade no clero

A entrevista que se segue é de leitura obrigatória porque vem esclarecer muita coisa que esteve escondida nas últimas décadas. Entrevista do Cardeal Gerhard L. Müller, 71 anos, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 2012 a 2017, ao 'LifeSite News'.

Entrevistador - Uma parte importante da discussão durante a assembleia da Conferência Episcopal dos Estados Unidos foi dedicada ao escândalo do Cardeal McCarrick e como foi possível que alguém como McCarrick pudesse subir até os graus mais altos da Igreja Católica. Qual é a sua opinião sobre o caso McCarrick e o que a Igreja deve aprender com a existência desta rede de silêncio que cercou um homem que, praticando a homossexualidade, seduzindo seminaristas que dependiam da sua autoridade, levando-os para o pecado, e abusando de menores levou uma vida constantemente oposta às leis da Igreja?

Cardeal Müller - Eu não o conheço e por isso prefiro abster-me de julgar. Espero que em breve haja um processo canónico na Congregação para a Doutrina da Fé que traga luz sobre os crimes sexuais cometidos com jovens seminaristas. Quando eu era Prefeito da Congregação (2012-2017) nunca ninguém me disse nada sobre esse caso, provavelmente por causa do medo de uma reacção excessivamente "rígida" da minha parte. O facto de que McCarrick, junto com o seu círculo e uma rede homossexual, ter sido capaz de trazer estragos na Igreja com métodos semelhantes aos da máfia está ligado à subestimação do grau de depravação moral dos actos homossexuais entre os adultos. Se alguém em Roma tivesse ouvido algum rumor de acusações teria que investigar e verificar a veracidade dessas acusações, evitando que McCarrick fosse promovido ao episcopado de uma importante diocese como Washington, e também evitando que fosse nomeado cardeal da Santa Igreja Romana. E já que foram pagas indemnizações por baixo da mesa - com isso admitindo a responsabilidade por crimes sexuais com homens jovens - qualquer pessoa razoável pergunta como tal pessoa pode ter sido conselheira do Papa nas nomeações de bispos. Não sei se isso corresponde à verdade, certamente seria necessário esclarecer. Que um mercenário ajude a procurar bons pastores para o rebanho de Deus é algo incompreensível para qualquer um. Nesse caso, deve haver uma explicação pública sobre factos semelhantes e os vínculos entre as pessoas envolvidas, assim como o quanto é que as autoridades da Igreja envolvidas sabiam sobre cada nível da história.

Entrevistador - Durante os últimos 5 anos ouviu falar de casos em que o então Cardeal McCarrick recebeu ampla confiança, e lhe foram confiadas missões específicas pelo Papa ou pela Santa Sé?

Cardeal Müller - Como eu disse, não fui informado de nada. Dizia-se que a Congregação para a Doutrina da Fé era responsável apenas pelo abuso sexual de menores, não de adultos, como se as ofensas sexuais cometidas por um padre com outra pessoa consagrada ou com um leigo não fossem também uma violação grave da fé e da santidade dos sacramentos. Tenho repetidamente insistido que mesmo os actos homossexuais realizados pelos sacerdotes nunca foram tolerados e que a moralidade sexual da Igreja não foi relativizada pela ampla aceitação secular da homossexualidade. Também é necessário distinguir entre conduta pecaminosa em um caso isolado e uma vida passada em estado contínuo de pecado.

Entrevistador - Um dos aspectos problemáticos do caso McCarrick é que já em 2005 e 2007 houve acordos legais com algumas das suas vítimas, mas a Arquidiocese de Newark - então sob o arcebispo John J. Myers - não informou o público sobre isso e nem mesmo os seus próprios sacerdotes. Reteve, portanto, informações essenciais para aqueles que ainda trabalhavam com McCarrick e confiavam nele. O cardeal Joseph Tobin fez o mesmo quando, em 2017, se tornou arcebispo de Newark. Tanto quanto sei, nem Myers nem Tobin se desculparam por essas omissões e por traírem a confiança dos seus padres. Acha que a arquidiocese deveria ter tornado público esses acordos legais, especialmente depois que o "Acordo de Dallas" exigiu maior transparência em 2002?

Cardeal Müller - Noutras ocasiões acreditava-se que poderíamos resolver esses casos difíceis de maneira discreta e silenciosa. Mas desta forma o culpado foi colocado em posição de continuar a abusar da confiança do seu bispo. Na situação de hoje, os católicos e o público em geral têm o direito moral de conhecer esses factos. Não se trata de acusar alguém, mas de aprender com esses erros.

Entrevistador - Pode um problema moral desta magnitude ser resolvido adoptando novas directrizes ou uma profunda conversão de corações é necessária na Igreja?

Cardeal Müller - A origem de toda esta crise deve ser identificada na secularização da Igreja e na redução do padre ao papel de oficial. Em última análise, é o ateísmo que se espalhou para a Igreja. Esse espírito maligno diz que o Revelação (de Deus) sobre a fé e a moral deve ser adaptada ao mundo, independentemente de Deus, de modo que Ele não possa mais interferir numa vida conduzida por seus próprios desejos e necessidades. Apenas 5% dos perpetradores foram avaliados como pedófilos patológicos. A grande parte deles, por outro lado, deliberadamente espezinhou o sexto mandamento por causa de sua própria imoralidade, desafiando a santa vontade de Deus de maneira blasfema.

Entrevistador - O que lhe parece a ideia de instituir novas normas canónicas que prevejam a excomunhão de padres que sejam culpados de abuso?

Cardeal Müller - A excomunhão é uma sanção coerciva que é removida assim que o gerente se arrepende. Mas, no caso de sérios abusos e ofensas à fé e à unidade da Igreja, deve ser imposta a renúncia permanente do estado sacerdotal, isto é, a proibição permanente de agirem como sacerdotes.

Entrevistador - O antigo código de direito canónico de 1917 previa sentenças claras contra os padres envolvidos em abusos e até mesmo padres homossexuais activos. Essas sanções precisas foram amplamente removidas no código de 1983, que é mais vago e nem sequer menciona explicitamente os actos homossexuais. À luz da grave crise de abuso, acha que a Igreja deveria voltar a um sistema mais rigoroso de penalidades para tais casos?

Cardeal Müller - Foi um erro desastroso. As relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo contradizem completamente e directamente o significado e propósito da sexualidade estabelecido desde a criação. Eles são a expressão de instintos e desejos desordenados, da relação fragmentada entre o homem e o seu Criador, depois da queda do pecado original. O sacerdote celibatário, e o sacerdote casado no rito oriental devem ser modelos para o rebanho e, ao mesmo tempo, devem mostrar pelo seu exemplo como a redenção envolve o corpo e as paixões físicas. A doação física e espiritual, em "ágape", em relação à pessoa do sexo oposto, e não o desejo selvagem de satisfação, é esse o significado e propósito da sexualidade. Isso conduz a responsabilidades para com a família e filhos que Deus nos dá.

Entrevistador - Durante a recente assembleia de Baltimore, o cardeal Blase Cupich disse que é necessário "diferenciar" entre actos sexuais entre adultos consensuais e abuso infantil, implicando assim que as relações homossexuais de um padre com outros adultos não seriam um problema importante. O que esse tipo de configuração responde?

Cardeal Müller - É possível diferenciar qualquer coisa - até para considerar a si mesmo um grande intelectual - mas não um pecado grave que exclui uma pessoa do Reino de Deus, pelo menos não um bispo que tem como dever defender a verdade do Evangelho e não limitar-se a saborear o espírito do tempo. Parece ser chegada a hora "que não suportarão a sã doutrina, mas tendo comichão nos ouvidos amontoarão para si doutores para atender os seus próprios desejos, recusando-se a ouvir a verdade e voltando às fábulas." (2 Tim 4, 3ss)

Entrevistador - No seu trabalho como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, teve a oportunidade de ver numerosos casos de abuso por parte dos sacerdotes examinados pela congregação. É verdade que a maioria das vítimas desses casos eram adolescentes do sexo masculino?

Cardeal Müller - Mais de 80% das vítimas desses abusadores sexuais são adolescentes do sexo masculino. No entanto, não se pode concluir que a maioria dos sacerdotes são propensas a prostituição homossexual, mas sim que a maioria dos abusadores procuraram, segundo a desordem profunda das suas paixões, vítimas masculinas. A partir das estatísticas abrangentes do crime, sabemos que a maioria dos autores de abuso sexual são parentes das vítimas e até pais com os seus filhos. Mas a partir disso, não podemos inferir que a maioria dos pais é propensa a tais crimes. Devemos sempre ter cuidado para não fazer generalizações a partir de casos concretos, para não cair em slogans e preconceitos anticlericais.

Entrevistador - Se esta é a situação - e o estudo do abuso sexual conduzido pelos bispos alemães ou o Relatório John Jay dão números semelhantes - a Igreja não deveria abordar directamente o problema da presença de padres homossexuais?

Cardeal Müller - Na minha opinião não há homens homossexuais ou padres. Deus criou o homem e a mulher seres humanos. Mas pode haver homens e mulheres com paixões desordenadas. A união sexual tem o seu lugar apenas no casamento entre um homem e uma mulher. Fora disso só há fornicação e abuso da sexualidade, tanto com pessoas do sexo oposto quanto com o agravamento anti-natural do pecado com pessoas do mesmo sexo. Apenas aqueles que aprenderam a controlar-se satisfazem as condições prévias para receber a ordenação ao sacerdócio (cf. 1 Tm 3, 1-7).

Entrevistador - No momento, parece haver uma situação na Igreja em que não há consenso em reconhecer que os padres homossexualmente activos têm uma grande parcela de responsabilidade na crise do abuso. Mesmo alguns documentos do Vaticano falam de "pedofilia" ou "clericalismo" como problemas principais. O jornalista italiano Andrea Tornielli chegou a argumentar que McCarrick não tinha relações homossexuais, mas exercia o seu poder sobre os outros. Ao mesmo tempo, há aqueles, como o jesuíta James Martin, que viaja pelo mundo (mesmo convidado para o encontro mundial de famílias na Irlanda) para promover a ideia de "católicos LGBT" e até afirma que alguns santos eram provavelmente homossexuais. . Isso quer dizer que hoje há uma forte tendência na Igreja que leva à minimização do carácter pecaminoso das relações entre pessoas do mesmo sexo. Acha que é assim? E se sim, como poderia - e deveria - remediar?

Cardeal Müller - É parte da crise que não querer ver as causas reais e escondê-las com a ajuda das frases de propaganda do lobby homossexual. A fornicação com adolescentes e adultos é um pecado mortal e nenhum poder na Terra pode declarar isso moralmente neutro. É a obra do diabo - contra a qual o Papa Francisco frequentemente adverte - declarar que o pecado é bom. De facto é absurdo que, de repente, as autoridades eclesiásticas considerem slogans anticlericais, nazistas e comunistas anticlericais contra os padres sacramentalmente ordenados. 

Os sacerdotes estão investidos da autoridade para proclamar o Evangelho e administrar os sacramentos da graça. Se alguém abusa da sua jurisdição para alcançar objectivos egoístas ele não é clericalista, mas sim anti-clerical, porque nega que Cristo quer trabalhar através dele. O abuso sexual pelo clero deve, portanto, ser chamado de anticlerical no mais alto grau. Mas é óbvio - e poderia ser negado apenas por aqueles que querem ser cegos - que o pecado contra o sexto mandamento do Decálogo têm origem em inclinações desordenadas e por isso são pecados de fornicação que excluem do Reino de Deus, pelo menos até que haja arrependimento e expiação, e intenção firme de evitar tais pecados no futuro. Essa tentativa de ofuscar as coisas é um mau sinal de secularização da Igreja. Isso é pensar como o mundo, não de acordo com a vontade de Deus.

Entrevistador - Rumores do mesmo teor poderiam ser ouvidos no recente Sínodo sobre os jovens em Roma. O documento de trabalho utilizados pela primeira vez a fórmula "LGBT", enquanto o documento final enfatizou a necessidade de boas-vindas nos homossexuais da Igreja, rejeitando "todas as formas de discriminação" contra eles. Não seria esse tipo de afirmação realmente prejudicial à prática constante da Igreja de não empregar homossexuais activos, por exemplo, como professores em escolas católicas?

Cardeal Müller - A ideologia LGBT é baseada em uma falsa antropologia que nega a Deus como Criador. Como é essencialmente ateu ou, pelo menos, coloca o conceito cristão de Deus à margem, não pode ter lugar nos documentos da Igreja. Este é um exemplo da influência insidiosa do ateísmo na Igreja, responsável por mais de meio século da crise da Igreja. Infelizmente, essa ideologia está presente mente de alguns pastores que, na sua ingénua convicção de serem modernos, não percebem o veneno que bebem todos os dias e acabam por o dar de beber aos outros.

Tradução Senza Pagare



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domingo, 29 de julho de 2018

Cardeal Müller alerta para o perigo que a Igreja se converta ao mundo e não a Deus

Entrevista do Catholic World Report (CWR) ao Cardeal Gerhard Müller, ex-Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé

CWR: Desde 2014, tem havido, dentro da Igreja, uma contínua onda de conflitos e tensões que envolvem muitos bispos da Alemanha. Qual o contexto desse fenómeno? Qual é a fonte desses diversos conflitos sobre eclesiologia, Sagrada Comunhão e assuntos relacionados?

Cardeal Gerhard Müller: Um grupo de bispos alemães, com o seu presidente [i.e., da Conferência Episcopal] na dianteira, vêem-se como lançadores de tendências na Igreja Católica em direcção à modernidade. Eles consideram a secularização e a descristianização da Europa como um desenvolvimento irreversível. Por essa razão, a Nova Evangelização — programa de João Paulo II e Bento XVI — é, na visão deles, uma batalha contra o curso objetivo da história, assemelhando-se à batalha de Dom Quixote contra os moinhos de vento. Portanto, todas as doutrinas da fé que se opõem ao “mainstream”, ao consenso social, devem ser reformadas.

Uma consequência disso é a demanda para que se distribua a Sagrada Comunhão mesmo a pessoas sem a Fé Católica e também àqueles Católicos que não estão em estado de graça. Também estão na agenda: bênção para parelhas de pessoas do mesmo sexo, intercomunhão com protestantes, relativização da indissolubilidade do sacramento do matrimónio, introdução dos viri probati e abolição do celibato sacerdotal; aprovação de relações sexuais antes e fora do casamento. Essas são as metas, e para alcançá-las eles estão dispostos a aceitar até a divisão da conferência episcopal.

Os fiéis que levam a doutrina Católica a sério são rotulados como conservadores e empurrados para fora da Igreja, expostos a campanha difamatória dos media liberais e anti-católicos.

Os muitos bispos, a revelação da verdade e da profissão da Fé Católica é só mais uma variável no jogo de poder político intra-eclesial. Alguns deles citam acordos individuais com o Papa Francisco e pensam que as suas declarações em entrevistas com jornalistas e figuras públicas distantes de serem católicos oferecem uma justificativa mesmo para “diluir” verdades de Fé definidas, infalíveis (=dogmas). Tudo isso dito, estamos lidando com um patente processo de protestantização.

O ecumenismo, pelo contrário, tem a sua meta na plena unidade de todos os cristãos, que já está sacramentalmente realizada na Igreja Católica. O mundanismo do episcopado e do clero no século XVI foi a causa da divisão da cristandade, que é diametralmente oposta à vontade de Cristo, fundador da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. A doença daquela era é agora supostamente o remédio com o qual a divisão deve ser superada. A ignorância da Fé Católica naquela época era catastrófica, especialmente entre Bispos e Papas, que se dedicavam mais à política e ao poder do que em testemunhar a verdade de Cristo.

Hoje, para muitos, ser aceite pelos media é mais importante que a verdade, pela qual devemos também sofrer. Pedro e Paulo sofreram o martírio por Cristo em Roma, centro do poder naquela época. Eles não eram celebrados pelos grandes desse mundo como heróis, mas zombados como Cristo na cruz. Nunca nos devemos esquecer a dimensão martirológica do ministério Petrino e do múnus episcopal.

CWR: Por que razão alguns bispos alemães desejam permitir o acesso à Sagrada Comunhão a protestantes?

Cardeal Müller: Nenhum bispo tem autoridade para administrar a Sagrada Comunhão a cristãos que não estão em plena comunhão com a Igreja Católica. Apenas em situações de perigo de morte um protestante pode pedir a absolvição sacramental e a Sagrada Comunhão como viaticum, se ele compartilha de toda a Fé Católica e, assim, ingressa em plena comunhão com a Igreja Católica, embora não tenha ainda declarado sua conversão oficialmente.

Infelizmente, até Bispos já não conhecem a Fé Católica na unidade da comunhão sacramental e eclesial, e justificam a sua infidelidade à Fé Católica com uma suposta preocupação pastoral ou com explicações teológicas que, entretanto, contradizem os princípios da Fé Católica. Toda a doutrina e praxis devem ser fundamentadas na Sagrada Escritura e na Tradição Apostólica, e não devem contradizer os pronunciamentos anteriores do Magistério da Igreja. Este é o caso da permissão para cristãos não católicos receberem a Comunhão durante a Santa Missa.

CWR: Como avalia, em primeiro lugar, o estado da Fé Católica na Alemanha e, depois, na Europa? Pensa que a Europa pode ou irá recobrar o sentido de sua identidade cristã anterior?

Cardeal Müller: Há muitas pessoas que vivem a sua Fé, amam a Cristo e a sua Igreja, e colocam toda a sua esperança em Deus, na vida e na morte. Mas, entre eles, há muitos que se sentem abandonados e traídos pelos seus pastores. Ser popular perante a opinião pública é, actualmente, critério para supostamente ser um bom Bispo ou Padre. Experimentamos agora uma conversão ao Mundo, não a Deus, contrariamente à afirmação do Apóstolo Paulo: “Por acaso eu procuro o favor dos homens, ou de Deus? Estou tentando agradar aos homens? Se ainda estivesse a agradar aos homens, não deveria ser servo de Deus.” (Gal 1, 10).

Precisamos de Padres e Bispo cheios do zelo pela casa de Deus, dedicados inteiramente à salvação dos seres humanos na peregrinação de Fé para a nossa casa eterna. Não há futuro para um Cristianismo "light”. Precisamos de cristãos com espírito missionário.

CWR: A Congregação para a Doutrina da Fé reiterou recentemente o ensino perene da Igreja de que as mulheres não podem ser ordenadas ao sacerdócio. Por que pensa que este ensinamento, que já foi repetido diversas vezes nos anos recentes, continua a ser contestado por muitos na Igreja?

Cardeal Müller: Infelizmente, actualmente, a Congregação para a Doutrina da Fé não é particularmente estimada, e seu significado para o primado Petrino não é reconhecido. O Secretariado de Estado e os serviços diplomáticos da Santa Sé são muito importantes para a relação da Igreja com diversos Estados, porém, a Congregação para a Doutrina da Fé é mais importante para a relação da Igreja com a sua Cabeça, da qual toda graça procede.

A Fé é necessária à salvação; a diplomacia Papal podem fazer muito bem ao mundo. Mas a proclamação da Fé e da doutrina não devem ser subordinados às demandas e condições dos actores do poder terreno. A Fé sobrenatural não depende de poderes terrenos. Na Fé é absolutamente claro que o Sacramento da Ordem só pode ser recebido validamente por um homem católico baptizado, porque apenas ele pode simbolizar e sacramentalmente representar Cristo como Esposo da Igreja. Se o ministério sacerdotal é compreendido como uma posição de poder, então essa doutrina da exclusividade das Sagradas Ordens a católicos de sexo masculino é uma forma de discriminação contra as mulheres.

Mas essa perspectiva de poder e prestígio social é falsa. Apenas se virmos toda a doutrina da Fé e dos sacramentos com olhos teológicos, e não em termos de poder, a doutrina da Fé sobre os pré-requisitos naturais para o sacramento da Sagrada Ordem e do matrimónio serão também evidentes para nós. Apenas um homem pode simbolizar Cristo enquanto Esposo da Igreja. Apenas um homem e uma mulher podem simbolicamente representar a relação de Cristo e da Igreja.

CWR: Recentemente apresentou a edição italiana do livro de Daniel Mattson, Why I Don’t Call Myself Gay [Por que não me chamo gay]. O que o impressionou no livro e na sua abordagem? Como se distingue de algumas abordagens “pro-gay” e posturas adoptadas por alguns Católicos? O que pode ser feito para explicar, em termos positivos, o ensinamento da Igreja sobre sexualidade, casamento e assuntos relacionados?

Cardeal Müller: O livro de Daniel Mattson foi escrito a partir de uma perspectiva pessoal. Ele é fundamentado em uma profunda reflexão intelectual sobre a sexualidade e o matrimónio, que o faz diferente de qualquer forma de ideologia. Portanto ajuda pessoas com atracção para o mesmo sexo a reconhecer a sua dignidade e a seguir um benéfico caminho no desenvolvimento da sua personalidade, e a não se deixarem ser usados como peças nos jogo de poder de ideológico. Um ser humano é uma unidade interior de princípios espirituais e materiais, e, consequentemente, uma pessoa e um sujeito livremente actuante de uma natureza que é espiritual, corpórea e social.

O homem é criado para uma mulher e a mulher para um homem. A meta da comunhão matrimonial não é o poder de um sobre o outro, mas, antes, a unidade num amor que se doa, no qual ambos crescem e juntos alcançam o objectivo em Deus. A ideologia sexual que reduz o ser humano ao prazer é hostil à sexualidade pois nega que a meta do sexo e do eros é agape. Um ser humano não pode permitir ser degradado ao status de um animal mais desenvolvido. Ele é chamado a amar. Apenas se amo o outro por si mesmo eu chego a mim mesmo; só assim sou libertado da prisão do meu egoísmo primitivo. Não se pode ser realizado às custas dos outros.

A lógica do Evangelho é revolucionária num mundo de consumismo e narcisismo. Pois apenas o grão de trigo que cai no chão e morre não permanece sozinho, mas produz muitos frutos. “Quem amar a sua vida perdê-la-á, e quem odiar a sua vida neste mundo a guardará para a vida eterna.” (Jo 12, 25)

Tradução: Fratres In Unum


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