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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Os Estigmas de São Francisco

São Francisco de Assis foi a primeira pessoa a receber os estigmas, isto é as chagas de Nosso Senhor na própria pele. Deixamos aqui a descrição da cena:

E como continuasse neste propósito, um Anjo lhe apareceu em grande glória, trazendo um cálice na mão esquerda e uma flecha na mão direita. Enquanto Francisco se admirava com esta visão, o anjo atravessou o cálice uma vez com sua flecha, e imediatamente Francisco ouviu uma melodia tão doce que sua alma se encheu de encantamento, o que fez que ele ficasse insensível a toda sensação do corpo. 

Como posteriormente contou a seus companheiros, caso o Anjo passasse novamente a flecha pelo cálice, tinha dúvidas se a sua alma não teria deixado seu corpo por causa da doçura intolerável. 

in Segunda Consideração dos Sagrados Estigmas


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domingo, 19 de abril de 2026

Devemos beijar as mãos dos sacerdotes? São Francisco diz que sim

São Francisco de Assis queria que se demonstrasse um grande respeito pelas mãos do sacerdote, porque lhe foi conferido o poder divino de consagrar o Santíssimo Sacramento. Dizia bastante vezes: 

"Se me cruzasse, ao mesmo tempo, com um santo vindo do Céu e um pobre sacerdote cumprimentaria em primeiro lugar o sacerdote e correria a beijar-lhe as mãos. E diria: Espera São Lourenço porque as mãos deste sacerdote tocam o Verbo da vida e possuem um poder sobre-humano!"

Antonio Maria Sicari in 'Il grande libro dei ritratti di Santi'


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sábado, 4 de outubro de 2025

São Francisco de Assis

Hoje é dia do grande Francisco de Assis, que está bem longe do hippie pacifista que nos é apresentado hoje em dia. São Francisco encontrou em Jesus Cristo o único Amor que, nesta Terra, merece ser amado. Viveu a pobreza de forma radical e levou a penitência a sério.

Foi o primeiro santo a receber os estigmas. De nenhum outro vieram tantas ordens e comunidades como de São Francisco. Foi diácono permanente (celibatário, como todos eram) por julgar não ter dignidade para ser sacerdote. Sobre eles, escreveu:

«Devíamos também jejuar e abster-nos dos vícios e pecados e da quantidade exagerada de comida e bebida e ser Católicos. Devíamos também ir às Igrejas com mais frequência e reverenciar os sacerdotes não por eles mesmos, se forem pecadores, mas por causa do seu trabalho e administração do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que eles oferecem no altar e recebem e administram a outros.

E saibamos todos também que ninguém pode ser salvo a não ser pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e pelas santas palavras do Senhor que os sacerdotes dizem e anunciam e distribuem e que só eles podem administrar e não outros.» (Epistola ad Fideles II)


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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Quando São Francisco de Assis recebeu os estigmas

Francisco e um jovem companheiro, nas suas andanças costumeiras, passaram por um grande castelo todo iluminado devido às comemorações relativas à honra de cavaleiro atribuída a um filho da casa. Eles entraram nessa mansão aristocrática, que tomou seu nome do monte Feltro, à sua maneira bela e casual, e começaram a dar o seu próprio tipo de boa-nova. 

Ao menos algumas pessoas ouviram o santo “como se fosse um anjo de Deus”; entre elas estava um cavalheiro chamado Orlando de Chiusi, proprietário de muitas terras na Toscana, que decidiu brindar São Francisco com uma singular e pitoresca cortesia. Ele deu ao santo uma montanha, uma dádiva um tanto fora do comum entre as muitas possíveis.

Pode-se supor que a regra franciscana, que proibia aceitar dinheiro, não previra detalhadamente como agir com respeito à aceitação de montanhas. E é claro que São Francisco só a aceitou como aceitava tudo: como uma conveniência temporária, e não como uma posse pessoal. Então, transformou-a numa espécie de refúgio para a vida eremítica, não para a vida monástica, e se recolhia lá quando desejava uma vida de oração e de jejum, que não pedia nem aos amigos íntimos. Era o Monte Alverno, parte dos Montes Apeninos, monte encimado sempre por uma nuvem escura dotada de uma extremidade ou halo de glória.

Talvez nunca se possa saber o que de facto aconteceu ali. Imagino que a questão tenha sido objeto de controvérsias entre os mais devotos estudiosos da vida santa e entre estes e os estudiosos mais seculares. Talvez São Francisco nunca tenha falado com ninguém sobre o assunto, o que seria bem típico dele. Seja como for, o certo é que, de todo modo, ele falou muito pouco a esse respeito; acho que, pelo que dizem, ele só tratou disso com um único homem. Embora sujeito a essas dúvidas verdadeiramente sagradas, confesso que, para mim, esse relato solitário e indireto que chegou até nós parece bem com um relato de algo real, de algo mais real do que as chamadas realidades quotidianas. 

Até mesmo algo de duplo sentido e de imagem surpreendente, por exemplo, pode dar a impressão de uma experiência capaz de abalar os sentidos – como é o caso da passagem do Apocalipse sobre as criaturas sobrenaturais cheias de olhos. Ao que parece, São Francisco viu o céu acima de si ocupado por um grande ser com asas, semelhante a um serafim, que formava a figura da cruz. Não se sabe ao certo se a figura estava crucificada ou na posição da crucificação, ou se simplesmente a estrutura das suas asas incluía um enorme crucifixo. 

Mas parece claro que havia dúvidas sobre a possibilidade da crucificação, porque São Boaventura diz com todas as letras que São Francisco duvidava que um serafim pudesse ser crucificado, visto que esses principados não estavam sujeitos a passar pela Paixão. São Boaventura sugere que a aparente contradição deve ter significado que São Francisco seria crucificado como espírito, dado que não seria crucificado como homem. 

Seja qual for o significado da visão, contudo, a sua ideia geral é bem vívida e bastante intensa. São Francisco viu acima de si, ocupando todo o espaço do céu, alguma força inconcebível imemorial, antiga como o Ancião dos Dias (cf. Dan 7), cuja calma os homens tinham concebido na forma de touros alados ou de querubins monstruosos, e todo esse prodígio alado estava sofrendo dores como um pássaro ferido. Esse serafim sofredor, afirma-se, perfurou o coração de São Francisco com uma espada de pesar e piedade; pode-se deduzir que uma espécie de crescente agonia acompanhou o êxtase. Por fim, de alguma maneira o Apocalipse desapareceu do céu e a agonia interior cessou; e o silêncio e o ar natural tomaram conta das primeiras luzes do dia e se assentaram lentamente nos precipícios e nas profundas fendas dos Apeninos.
 
A cabeça do solitário afundou, em meio a todo o relaxamento e tranquilidade em que o tempo pode fluir com a sensação de algo encerrado e completo; e, ao olhar para baixo, ele viu as marcas dos pregos nas suas próprias mãos.

Gilbert Keith Chesterton in Saint Francis of Assisi


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sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Indulgência da Porciúncula a 1 e 2 de Agosto

Numa noite do mês de Julho de 1216, como acontecia em tantas outras noites, na silenciosa solidão da pequena Igreja da Porciúncula, São Francisco ajoelhado, estava profundamente mergulhado nas suas orações, quando, subitamente, uma luz vivíssima e fulgurante encheu todo o recinto e no meio dela, apareceu Jesus ao lado da Virgem Maria sorridente, sentados num trono e circundados por diversos Anjos.

Jesus perguntou-lhe: “Qual o melhor auxílio que desejarias receber, para conseguir a salvação eterna da Humanidade?”

Sem hesitar Francisco respondeu: “Senhor Jesus, peço-Vos que, a todos os arrependidos e confessados, que visitarem esta Igreja, lhes concedais um amplo e generoso perdão, uma completa remissão de todas as suas culpas.”

“O que pedes Francisco, é um benefício muito grande,”disse-lhe o Senhor, “muito embora sejas digno e merecedor de muitas coisas. Assim, acolho o teu pedido, com uma condição, deverás solicitar essa indulgência ao meu Vigário na Terra.”

No dia seguinte, Francisco, acompanhado pelo Frei Masseu, seguiu para Perúgia, a fim de se encontrar com o Papa Honório III. Chegando disse-lhe: “Santo Padre, há algum tempo, com o auxílio de Deus, restaurei uma Igreja em honra a Santa Maria dos Anjos. Venho pedir a Vossa Santidade que concedais, nesta Igreja uma indulgência a quantos a visitarem, sem a obrigação de oferecerem qualquer coisa em pagamento, a partir do dia da dedicação da mesma.”

O Papa ficou surpreendido e comoveu-se com o tal pedido. Depois perguntou: “Por quantos anos pedes esta indulgência?”

“Santo Padre, não peço anos, mas penso em muitos homens e mulheres que precisam sentir o perdão de Deus”, respondeu Francisco.

“Que pretendes, em concreto, dizer com isto?” retorquiu o Papa.

“Se aprouver a Vossa Santidade, gostava que todas as pessoas que venham a visitar a Porciúncula, contritos dos seus pecados, em “estado de graça”, confessados e tendo recebido a absolvição sacramental, obtenham a remissão de todos os seus pecados, na pena e na culpa, no Céu e na Terra, desde o dia do seu baptismo até ao dia em que entre na Porciúncula.”

“Mas não é um costume a Cúria Romana conceder tal indulgência!"

“Senhor, disse o 'Poverello', este pedido não o faço por mim, mas por ordem de Cristo, da parte de quem estou aqui.”

Ouvindo isto, o Papa, cheio de amor, repetiu três vezes:“Em nome de Deus, Francisco, concedo-te a indulgência que em nome de Cristo me pedes.”

Tendo alguns Cardeais, ali presentes, manifestado desacordo, o Papa reafirmou: “Já concedi a indulgência. Todo aquele que entrar na Igreja de Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, sinceramente arrependido das suas faltas e confessado, seja absolvido de toda pena e de toda culpa. Esta indulgência valerá apenas durante um dia, em cada ano, “in perpetuo”, desde as primeiras vésperas, incluída a noite, até às vésperas do dia seguinte.”

A 'consagração' da igrejinha aconteceu no dia 2 de Agosto do mesmo ano de 1216.

A Indulgência da Porciúncula apenas era concedida a quem visitasse a Igreja de Santa Maria dos Anjos, entre a tarde do dia 1 Agosto e o pôr-do-sol do dia 2 Agosto. Mas a 9 de Julho de 1910, o Papa São Pio X concedeu autorização aos Bispos de todo o mundo, só naquele ano de 1910, para que designassem qualquer Igreja Pública das suas Dioceses, a fim de que também nelas, as pessoas recebessem a Indulgência da Porciúncula. (Acta Apostolicae Sedis, II, 1910, 443 sq.; Acta Ord. Frat. Min., XXIX, 1910, 226). 

Este privilégio foi renovado por um tempo indefinido por decreto da Sagrada Congregação de Indulgências, a 26 Março de 1911 (Acta Apostolicae Sedis, III, 1911, 233-4).

O que significa que, actualmente, qualquer igreja franciscana ou paroquial de qualquer país, tem o benefício da indulgência que São Francisco conseguiu para toda Humanidade. 

Deste modo ganhará a indulgência, qualquer pessoa que, estando em "estado de graça":

1. Visitar o santuário da Porciúncula em Assis ou qualquer igreja franciscana;
2. Confessar-se (uma semana antes ou uma semana depois);
3. Comungar neste dia;
4. Rezar um Credo, um Pai-Nosso e um Glória, suplicando ao Criador o benefício da indulgência;
5. Rezar o Credo, um Pai Nosso e uma Avé Maria pelas intenções do Santo Padre.
6. Ter aversão a qualquer pecado, mesmo pecado venial.

Poderão utilizar a indulgência em seu próprio benefício ou em favor de pessoas falecidas.


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segunda-feira, 5 de maio de 2025

Há 85 anos Pio XII proclamava S. Francisco e S. Catarina Padroeiros de Itália

São Francisco de Assis e Santa Catarina de Sena foram proclamados Padroeiros de Itália no dia 5 de Maio de 1940 pelo Papa Pio XII na Basílica de Santa Maria sopra Minerva, em Roma. Nesta Basílica, entregue ao cuidado da Ordem dos Pregadores (Dominicanos), sob o altar-mor, está sepultada Santa Catarina de Sena.













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sábado, 1 de fevereiro de 2025

Um Santo muito ignorado, mesmo desdenhado por Católicos

S. Junípero, um dos primeiros companheiros de S. Francisco de Assis, cuja liturgia é (ou devia ser) celebrada a 29 de Janeiro, é um Santo, na prática, ignorado nas pregações, nas homilias, nas meditações, nos textos franciscanos inclusive. Parece que todos se envergonham dele, tendo-o por um pateta alegre, que melhor estaria internado numa casa de saúde mental.

Infelizmente, assim se perdem motivos de muita alegria e ensinamentos, que bem e correctamente meditados, muito enriqueceriam não só os Cristãos mas a todas as pessoas de Boa-vontade.

Naquele tempo, um Senhor feudal teve notícia de um assassino, que não só queria matá-lo, mas também incendiar o seu castelo. Ora sucedeu que andando Frei Junípero coberto de farrapos, com uma sovela, pelos campos pertencentes ao dito Senhor foi interpelado por um grupo de soldados que lhe perguntaram quem era, ao que vinha - se era traidor, se queria matar o Castelão. Frei Junípero retorquiu que era um grande pecador, um traidor e que se Deus permitisse era capaz de fazer todas essas e muito piores. Concluindo que era culpado lançaram-no ao calabouço, condenaram-no, torturaram-no e condenaram-no à forca. 

Felizmente, alguém preocupado com a salvação da alma daquele condenado à morte dirigiu-se ao convento franciscano daquelas partes pedindo ao Guardião que fosse confessar aquela alma. Quando este deparou com o condenado verificou imediatamente que era S. Frei Junípero, pelo que o deu a conhecer imediatamente aos guardas e em seguida ao tirano. Conhecendo todos a fama de Santidade de Frei Junípero, logo se arrependeram e o libertaram.

Creio que é indiscutível reconhecer que S. Junípero é protótipo do anti-fariseu, daquele que se gabava diante de Deus desprezando o publicano.

Há muitos anos - não obstante as críticas severas e implacáveis que faço às ideologias da morte, de género e de mais outras coisas abomináveis -, que tenho a consciência perfeita de que se não fosse a Graça de Deus era capaz de alinhar em todas essas coisas execrandas e em outras muito piores. Muitos daqueles com quem tenho combatido ao longo destes anos poderão testemunhar isso mesmo.

S. Junípero, rogai por nós.

Padre Nuno Serras Pereira


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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Os mártires de Marrocos, enviados por São Francisco para converterem os muçulmanos

Em 1219, São Francisco de Assis enviou em missão para Marrocos seis dos seus mais destemidos frades menores, apaixonados do Evangelho, precursores de todos os missionários portugueses, lançados ao mar tenebroso e à conquista dos povos para Cristo obedecendo ao mandato do Infante de Assis em serviço do Rei dos reis, Jesus Cristo:

"Meus Filhos, o Senhor disse-me que vos mande aos sarracenos a lhes pregar a fé e a combater a lei de mafoma. Eu vou também a outras terras trabalhar na salvação dos infiéis. Sede prestos a cumprir a vontade do Senhor. Entre vós conservai a paz, a concórdia e a caridade. Sede humildes na tribulação e imitai a Jesus Cristo na pobreza na castidade de na obediência. Ponde as vossas esperanças em Deus, ele vos sustentará e vos guiará. Aquele que vos envia, Ele mesmo velará por vós vos inspirará o que houverdes de dizer." Ajoelharam e S. Francisco concluiu: “Desça sobre vós a benção de Deus Pai, como desceu sobre os Apóstolos Ele vos acompanhe e fortifique nas tribulações. Não temais nada porque Deus está convosco. Ide em Nome do Senhor."

E lá foram os obedientes frades de origem italiana: Vital, Berardo, Otão (sacerdotes), Pedro (Diácono), Acúrsio e Adjuto (Leigos). 

Foram recebidos em Coimbra pela rainha D. Urraca, mulher de Afonso II que então reinava em Portugal. Continuaram para Alenquer onde se apresentaram à infanta D. Sancha, filha de D. Sancho primeiro e irmã do rei D. Afonso II, fundadora do primeiro convento franciscano em Portugal. Seguiram viagem e depois de passarem em Lisboa, chegaram a Sevilha. Aí ficaram uma semana, finda a qual foram à mesquita, precisamente no dia em que os mouros festejavam Maomé e começaram a pregar a doutrina de Jesus e denunciando que o profeta Maomé não passava de uma idolatria. Corridos à pancada para fora da mesquita, passaram a Marrocos, onde começam a percorrer as ruas pregando o nome de Jesus e, quando vêem aproximar-se o Miramolim Aboidil, com mais ânimo continuaram a proclamar a mensagem cristã. 

O Miramolim mandou-os prender e ficaram numas masmorras vinte dias sem comer nem beber. Uma vez libertos, apressaram-se em retomar a sua missão. Decretada mais uma vez a sua morte, o Sultão encarrega o seu filho Abosaide de os prender e decapitar. É chegado então, e definitivamente o momento tão desejado por estes frades, finalmente o martírio pelo nome de Jesus iria por fim acontecer. Foi realmente uma morte violenta a destes cinco frades. 

São açoitados e, atados de mãos e pés, arrastam-nos de um lado para o outro com cavalos e em seguida, sobre seus corpos descarnados deixam cair azeite a ferver, continuando depois a arrastá-los pelo chão mas desta vez sobre vidros e cacos espalhados pelo chão. O Miramolim ainda os tentou com dinheiro e mulheres. Mas não havia nada a fazer e o Miramolim dizia então que só a espada poderia calar aqueles homens decididos e firmes no que diziam. “O nossos corpos miseráveis estão nas tuas mãos sob a tua autoridade, mas as nossas almas estão nas mãos de Deus. 

Com a sua ira no limite, o Miramolim pegou na sua cimitarra a acabou com a vida daqueles cinco frades, rachando-lhes o crânio ao meio e depois decepando-lhes as cabeças. Era o ano de 1220. Dia 16 de Janeiro. Cedo acabou a tarefa missionária daqueles cinco frades, mas a sua voz continua a ecoar por toda a terra e a sua mensagem até aos confins do mundo. Os Mártires de Marrocos foram canonizados pelo Papa Sisto IV em 1481.


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sexta-feira, 4 de outubro de 2024

O inicio da conversão de São Francisco

Certa tarde, após o seu regresso a Assis, os companheiros do jovem Francisco elegeram-no como chefe do seu grupo. E ele, como já fizera muitas outras vezes, preparou um sumptuoso banquete. Terminado o banquete, saíram para a rua e foram percorrendo a cidade a cantar. Os companheiros iam à frente e Francisco, de bastão de chefe na mão, fechava o cortejo, seguindo um pouco atrás, sem cantar e mergulhado nos seus pensamentos. E eis que, subitamente, o Senhor o visitou e lhe encheu o coração de tal doçura que ele deixou de poder falar e se mover.

Quando os companheiros se voltaram e viram que ele tinha ficado para trás, regressaram para junto ele, espantados, e acharam-no como que mudado. «Em que estavas a pensar para te esqueceres de nos seguir?», perguntaram-lhe. «Estarás por acaso a pensar casar-te?». «Tendes razão!», respondeu ele. «Planeio tomar esposa, e é a mais nobre, rica e bela que jamais vistes». Troçaram dele.

A partir de então, começou a esforçar-se por colocar no centro da sua alma a Jesus Cristo e a pérola que desejava comprar depois de ter vendido tudo (cf Mt 13,46). Escondendo-se de quem dele troçava, ia muitas vezes – quase todos os dias – orar em silêncio. Estava, por assim dizer, possuído pelo antegosto da doçura que tantas vezes o visitava, arrastando-o da praça e de outros lugares públicos para a oração.

Há algum tempo que se tornara benfeitor dos pobres, mas prometeu a si mesmo, com mais firmeza que nunca, jamais recusar esmola a um pedinte, mas dar-lha com mais generosidade e abundância. E assim, sempre que encontrava um pobre na rua, se podia, dava-lhe esmola. Se não tinha dinheiro, dava-lhe o barrete ou o cinto, para não o deixar ir embora de mãos vazias. E, se nem isso tinha, retirava-se para um local discreto, despia a camisa e mandava-a em segredo ao pobre, pedindo-lhe que a aceitasse por Deus.

in Narrativa de três companheiros de São Francisco de Assis (c. 1244), § 7-8


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terça-feira, 17 de setembro de 2024

O dia em que São Francisco recebeu os estigmas

O Santo não temia a morte. Tinha cortado, pelo seu despojamento total, os vínculos que o ligavam à terra; tinha, a exemplo do Apóstolo, conquistado o domínio sobre o seu corpo: a sua alma devia desprender-se sem dilaceramentos do seu invólucro físico.

Se não tremia perante a aproximação do momento fatal, queria pelo menos preparar-se para comparecer diante do Soberano Juiz. Partiu, pois, rumo à solidão, para se recolher por algum tempo.

Durante o Verão de 1224 esteve no pequeno convento de Alverne. Era uma clausura rústica, construída precariamente no cimo de uma montanha escarpada. As grutas abertas nas rochas, os bosques povoados de pássaros, o afastamento dos centros habitados tornavam o sítio encantador e particularmente propício aos exercícios da contemplação.

O Santo amava esta morada que outrora lhe tinha sido dada pelo Conde Orlando, senhor de Chiusi. Logo que chegou ao lugar do seu retiro, Francisco iniciou um jejum de 40 dias em honra de São Miguel.  Consagrava o tempo à oração, que lhe propiciava delícias que nunca lhe pareceram tão saborosas.

Suplicou ao Senhor  que lhe desse a conhecer as obras às quais deveria consagrar os últimos dias da vida. Como resposta, Deus cumulou-o com abundância de suavidades interiores. Então o Santo recorreu ao seu procedimento habitual: abriu o Evangelho ao acaso, por diversas vezes, esperando encontrar ali uma indicação.

Por diversas vezes caiu no relato da Paixão. Esta coincidência surpreendeu-o: concluiu que o Salvador queria uni-lo mais intimamente aos seus sofrimentos.

Os calores estivais declinavam; o Alverne já se revestia com os esplendores do Outono. Debaixo das grandes árvores, cuja folhagem se tornava dourada, Francisco pensava na adorável imolação de Cristo, quando subitamente lhe apareceu um Serafim resplandecente de luz. O Anjo aparentava uma semelhança admirável como Salvador pregado no patíbulo.

O Santo reconheceu estupefato os traços do divino Crucificado; a sua alma inflamou-se com amor tão ardente e tão doloroso, que o seu débil corpo não aguentou: caiu em profundo arrebatamento. Que aconteceu durante este êxtase? Os mistérios de amor não se divulgam: São Francisco guardou ciosamente este segredo. Confessou, no entanto, que recebera nessa altura revelações sublimes, mas nunca quis comunicá-las.

Quando a visão se desvaneceu, uma transformação tinha-se operado nele: na sua carne  estavam gravados os sagrados estigmas da Paixão. Grandes feridas lhe rasgavam as mãos e os pés: nas cicatrizes percebiam-se nitidamente as cabeças negras dos pregos. Uma chaga mais larga abria o seu costado e deixava filtrar algumas gotas de sangue. Francisco tornara-se um crucificado vivo.

Um prodígio assim não podia passar inadvertidamente. Apesar de todos os esforços para afastar as curiosidades indiscretas, o Santo não conseguiu esconder inteiramente os estigmas. O seu prestígio, já tão grande, aumentou ainda mais: a sua vida terminava numa espécie de apoteose.

O Serafim que imprimira no seu corpo as chagas de Cristo, também as enterrara no seu coração. A partir daquele dia, Francisco não fez mais do que esmorecer lentamente no duplo martírio da dor e do amor.

Ainda percorria penosamente os caminhos da Úmbria, a pregar menos pela palavra do que pelo exemplo. Deixava, ao caminhar, irradiar da sua alma o imenso amor pelo divino Mestre; manifestava-o em termos tão veementes, que sentia por vezes a necessidade de se desculpar.

“Não fostes Vós  que nos destes – dizia ele ao Salvador – o exemplo desta sublime loucura? Vós vos lançastes á procura da ovelha desgarrada; caminhastes como um escravo, como um homem inebriado de amor”.

Para adornar sua coroa, Deus mandava-lhe as últimas provações. O Santo notava que alguns religiosos, embora poucos, desejavam restringir a pobreza da Ordem: previa que os seus filhos atravessariam, depois da sua morte, uma crise perigosa. A esta tristeza acrescentava-se o peso da doença. A saúde declinava, a vista apagava-se; os remédios mais fortes só lhe davam umas melhoras precárias.

São Francisco mantinha, apesar das dores, uma alegria apaziguadora. Mas o seu espírito desprendia-se cada vez mais das preocupações terrenas; o seu recolhimento tornava-se mais profundo. Os que estavam à sua volta percebiam a aproximação da hora da recompensa.

Pe. Thomas de Saint-Laurent in 'São Francisco de Assis'


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quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Como obter a 'Indulgência da Porciúncula' ou 'Perdão de Assis'

A 'Indulgência da Porciúncula', ou 'Perdão de Assis', pode ser recebida por qualquer peregrino que visite essa pequena igreja na Basílica de Assis. Nos dias 1 e 2 de Agosto essa possibilidade estende-se ao resto do mundo, por isso qualquer fiel, esteja onde estiver, pode receber esta indulgência

As 5 condições são:


1. Visitar uma igreja nos dias 1 ou 2 de Agosto, fazendo uma visita espiritual à igreja da Porciúncula, renovando a profissão de fé através da recitação do Credo, para reafirmar a identidade cristã;

2. Ouvir a Santa Missa e comungar neste dia;

3. Rezar pelas intenções do Santo Padre, neste dia. Normalmente reza-se um Pai-Nosso, uma Avé-Maria e um Glória, no entanto pode ser rezada qualquer oração com a referida intenção.

4. Confessar-se no período desde 8 dias antes a 8 dias depois desta data;

5. Ter ódio ao pecado, não só mortal mas também venial.


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quarta-feira, 4 de outubro de 2023

São Francisco nas Cruzadas para converter os Sarracenos

São Francisco participou numa Cruzada, que o levou até ao Egipto. Quando, movido pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, que via ser repudiado pelas hordas de infiéis muçulmanos, combatidos pelos cruzados, aproveitando uma trégua entre os terríveis combatentes, partiu para o deserto com o fito de convertê-los à Fé verdadeira, não pela espada, mas pelo amor a Deus e ao próximo.

Ia Francisco pelo deserto quando soldados do Sultão local, ávidos de sangue, caíram sobre ele, mas, ao notarem os trajes andrajosos e a pobreza do peregrino, e que não trazia armas, mas somente um tosco bornal e um cajado, decepcionaram-se e, maior que ainda foi a surpresa quando ele lhes disse quem era, bradando altaneiro: “Sou arauto do grande Rei, sou a trombeta do Imperador”.

Diante disso, os soldados levaram São Francisco à presença do Sultão que, informado de quem se tratava, mas muito desconfiado e como que querendo divertir-se, indagou-o com descrença:

"Então, és arauto de um Rei. E que Rei é esse, e quais os seus objectivos ao enviar-te a nós assim, desta forma vestido e sem aparato militar que demonstre o seu poder?"

Tirando uma das mãos do seu cajado e apontando para o alto, ao mesmo tempo em que, com grande enlevo, fitava o imenso céu crepuscular do deserto, São Francisco respondeu calmamente:

"Sou arauto do grande Rei, o Deus de Amor, Senhor de todas as coisas que nos enviou o Seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós numa cruz. Mas que vencendo a morte pela morte, ressuscitou e subiu aos Céus, onde está à direita de Seu Pai. E todo aquele que n'Ele crer não morrerá, mas terá a vida eterna. Eu vim para trazer-vos esta boa nova, a fim de que vos torneis seus súbditos."

Os mulás presentes indignaram-se e com fortes brados protestaram pela morte do insolente. O Sultão, percebendo que São Francisco era um cristão, e admirado com a sua coragem e pura intenção, retorquiu:

"Com um arauto tão solene e convincente nas palavras e actos, esse Rei não poderia também, já que é tão grande Senhor, demonstrar o seu poder e riqueza com um séquito mais poderoso? Pois as tuas palavras também me servem para designar Alá, e, ao invés de Cristo, por que tu não crês no profeta Maomé, o verdadeiro enviado de Deus, e não obedeces aos seus mulás que aqui estão?"

Fitando a enorme fogueira que ardia ao lado da tenda, inspirado por Deus, e, vendo que de outra forma não poderia penetrar naqueles corações endurecidos com o suave e salutar dardo do Amor Divino, São Francisco propõe:

"O que é o séquito senão a escolta que protege o emissário, por mais indigno que este seja? Ora, façamos pois uma prova e depois ireis me dizer qual é o verdadeiro emissário, Jesus Cristo ou Maomé. Entremos todos, os mulás e eu, nesta flamejante fogueira. Aquele que detiver o verdadeiro mandato, por mais indigno que seja, sairá ileso e demonstrará com isso a verdade que deve guiar o Homem."

O desafio era entre Cristo e Maomé. E São Francisco deixou de lado o bornal e o cajado e preparava-se para entrar no fogaréu, quando, desesperadamente, o líder dos mulás se lança de joelhos ante o Sultão clamando em prantos loucos de pavor e pedindo suspensão da prova, enquanto os outros se amontoavam assustados num canto da tenda. O sultão, conformado, exclama:

"É, parece que Alá não foi bem servido hoje!" E, voltando-se para São Francisco, suplica-lhe que não entre no fogo, louva-lhe a confiança que depositava em Cristo e, respeitoso e encantado, diz-lhe: "Se outros cristãos dessem o exemplo que tu dás, eu não hesitaria em fazer-me cristão também."

Depois disso, faz com que São Francisco seja conduzido em segurança de volta às linhas cristãs.

Conta-se que no leito de morte, o Sultão, recebeu uma miraculosa visita de São Francisco, que se encontrava ao mesmo tempo na Europa, e se fez baptizar cristão, tendo morrido no seio da Santa Igreja.


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Vida de S. Francisco de Assis

§97
Desde o início da sua conversão até ao dia da sua morte, o bem-aventurado Francisco sempre foi muito duro com o seu corpo. Mas a sua principal e maior preocupação era possuir e conservar sempre, interior e exteriormente, a alegria espiritual. 

Afirmava que se o servo de Deus se esforçasse por possuir e conservar a alegria espiritual, interior e exterior, que procede da pureza do coração, os demónios não poderiam fazer-lhe mal algum, pois seriam obrigados a reconhecer: «Dado que este servo de Deus conserva a sua alegria tanto na tribulação como na prosperidade, não encontramos nenhum meio de lhe prejudicar a alma.» 

Um dia, repreendeu um dos seus companheiros que tinha um ar triste e o rosto amargurado: «Porque manifestas assim a tristeza e a dor que sentes dos teus pecados? Isso é entre ti e Deus. Pede-Lhe para te dar, pela Sua bondade, a alegria da salvação (Sl 50,14). À minha frente e à frente dos outros, trata de te mostrares sempre feliz, porque não convém que um servo de Deus apareça diante dos irmãos ou dos outros homens com um rosto triste e carrancudo.»

Vida de S. Francisco de Assis (Anónimo de Perugia) 


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sábado, 12 de agosto de 2023

São Francisco dava prioridade à Liturgia e ao cuidado com o Santíssimo Sacramento

É impossível evangelizar hoje sem uma Liturgia linda e mística. É impossível chegar ao coração dos homens e mulheres sem a beleza dos ritos da liturgia católica, Liturgia essa do próprio Cristo, Senhor da Vida! É impossível falar ao coração humano sobre a Páscoa, sobre a Ressurreição sem a Liturgia solene e sóbria da Semana Santa! É impossível uma nova evangelização sem a Liturgia milenar, santa, da Tradição, do Evangelho, dos Santos e Santas. 

A liturgia jamais será um detrito do passado, mas é o lugar privilegiado para a verdadeira catequese, linguagem de Deus aos homens e linguagem dos homens a Deus. Só para lembrar: São Francisco de Assis jamais foi um homem "a-litúrgico", ele foi sim um homem que bebeu da "Liturgia" a Água viva, bebeu o Evangelho, bebeu a santidade. Assim São Francisco pensava sobre a Eucaristia:

Na Carta a toda a Ordem, pede-o especialmente aos seus irmãos: «E por isso a todos vós, irmãos, imploro no Senhor, beijando-vos os pés e com quanta caridade eu posso, que presteis toda a reverência e toda a honra que puderdes, ao santíssimo Corpo e Sangue de nosso Senhor.» A alguns movimentos heréticos que negam «a presença real de Cristo sob as espécies, fora da celebração», Francisco responde com um amor muito grande ao santíssimo Sacramento. 


Esse amor a Cristo, presente em todas as igrejas do mundo, é que o levava a não suportar vê-l’O em lugares indignos, em igrejas sujas e descuidadas. Aliás, o «testemunho mais eloquente dessa fé concreta e realista de Francisco [na eucaristia] é talvez a sua extrema susceptibilidade para com as faltas de respeito ao Sacramento.» Ainda no mundo, antes da sua entrega total a Deus, comprava objetos «que servissem de adorno das igrejas e fazia-os chegar secretamente aos sacerdotes pobres»; e quando saía pelas aldeias, levava consigo uma vassoura para varrer as igrejas e capelas por onde passasse.

O seu respeito para com o Santíssimo Sacramento era tal que, «Um dia, teve a ideia de enviar os irmãos pelo mundo com píxides preciosas, com a missão de colocarem o mais dignamente possível esse divino penhor da nossa redenção onde vissem que o conservavam com pouca reverência e decoro.»

Mas esse respeito não o movia apenas a um cuidado muito grande com a limpeza das igrejas, das alfaias sagradas e das píxides; também o levava a preparar-se, por meio de uma contínua purificação interior, para comungar o Corpo do Senhor do modo mais digno possível. Francisco tinha bem presente a advertência de São Paulo: «todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. 


Portanto, examine-se cada um a si próprio e só então coma deste pão e beba deste vinho; pois aquele que come e bebe, sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação». Daí não se cansar de a repetir nos seus escritos, convidando «todos os cristãos, religiosos, clérigos e leigos, homens e mulheres», e ainda «todas as autoridades e cônsules, juízes e reitores, em qualquer parte da terra» a fazerem penitência e a receberem o Corpo do Senhor com humildade e veneração.

Ah! Como é linda, é o céu aqui a Liturgia da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica!


Frei Cácio Petekov, Ofmcap


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segunda-feira, 24 de julho de 2023

São Francisco de Assis não brincava em serviço

Não tinha por hábito afagar os vícios dos grandes, mas tratá-los com vigor; nem condescender com a vida dos pecadores, mas admoestá-los severamente. Censurava pequenos e grandes com a mesma firmeza de espírito, e tinha a mesma alegria em falar a pequenos grupos e a grandes multidões. 

Homens e mulheres, jovens e velhos, acorriam para ver e ouvir este homem novo enviado do Céu; ele percorria as várias regiões, anunciando com fervor o Evangelho; e «o Senhor cooperava, confirmando a palavra com os sinais que a acompanhavam» (Mc 16,20). De facto, em nome do Senhor, este arauto da verdade expulsava os demónios, e curava os enfermos (Mc 16,17; 6, 13)

São Boaventura (Doutor da Igreja) in 'Legenda Maior: Vida de São Francisco de Assis' (Cap. 12)


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sexta-feira, 14 de julho de 2023

A pobreza de São Francisco por São Boaventura

[O jovem] Francisco assistia devotamente à Missa em honra dos apóstolos; o Evangelho era aquele em que Jesus envia os Seus discípulos a pregar e lhes ensina a maneira evangélica de viver: «Não possuais ouro, nem prata, nem cobre em vossos cintos; nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado». 

Logo que compreendeu e interiorizou este texto, ficou apaixonado por essa pobreza dos apóstolos e gritou, num transporte de alegria: «É isto que eu quero! É isto que desejo com toda a minha alma!» E, sem mais, tirou os sapatos, deixou cair o cajado, abandonou o alforje e o dinheiro como objectos dignos de repúdio, ficou apenas com uma túnica, e deitou fora o cinto, que substituiu por uma corda: pôs todo o seu empenho em concretizar o que acabara de ouvir e quis conformar-se em tudo com esse código de perfeição, dado aos apóstolos.

Um impulso comunicado por Deus levou-o, desde então, à conquista da perfeição evangélica e a uma campanha de penitência. Quando ele falava as suas palavras eram totalmente impregnadas pela força do Espírito Santo: penetravam até ao mais profundo dos corações e mergulhavam os ouvintes em espanto. Toda a sua pregação era um anúncio de paz, e começava cada um dos seus sermões por esta saudação ao povo: «Que o Senhor vos dê a paz!» «Foi uma revelação do Senhor que me ensinou esta fórmula», declarou mais tarde. 

Falava-se cada vez mais do homem de Deus, dos seus ensinamentos tão simples e da sua vida, e alguns, com o seu exemplo, eram tocados por esse espírito de penitência e logo se juntavam a ele e, deixando tudo e vestindo-se como ele, começaram a partilhar a sua vida.


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sábado, 7 de janeiro de 2023

São Francisco de Assis iniciou o costume de fazer presépios vivos no Natal

A celebração da festa de Natal remonta aos primeiros séculos da Igreja, sendo uma comemoração especificamente católica. Desde o século IV as relíquias da manjedoura da gruta de Belém são veneradas na Basílica de Santa Maria Maior em Roma. Encontram-se num precioso relicário de ouro e cristal, onde podem ser admiradas e adoradas por todos. A liturgia própria da festa era chamada ad praecepe, de onde vem a palavra presépio, e que significa literalmente em volta do berço.
Em 1223, São Francisco de Assis criou o primeiro presépio vivo, com personagens reais, na sua igreja de Grecchio, em Itália. Os figurantes (o Menino Jesus numa manjedoura, Nossa Senhora, São José, os Reis Magos, os pastores e os anjos) eram representados por habitantes da aldeia. Os animais, o boi, o burrico, as ovelhas e outros, também eram reais. Este piedoso costume medieval espalhou-se rapidamente.

Os primeiros presépios em escala reduzida com imagenzinhas, entraram nas igrejas no século XVI por obra dos padres jesuítas. Nessa época os jesuítas eram heróis na luta contra o protestantismo seco e hirsuto que desconhece o presépio e os seus imponderáveis divinos que enchem as almas de gáudio. Por volta dos séculos XV e XVI ficaram famosos os presépios de Nápoles, Itália, pela proliferação de figurinhas.

No início do século XIX, após a anticatólica Revolução Francesa, em França parecia que o costume tinha morrido. Mas, os habitantes da região de Provence (sul) deram novo impulso a esta piedosa devoção a partir de 1803 em casas particulares e igrejas criando famosos santons (figurinhas de massa).
Na hora de montar o presépio, em geral, deixa-se a manjedoura vazia. Nela, o Menino Jesus será instalado na noite do dia 24 para o 25. Forma parte do costume colocar uma estrela no topo do presépio. Ela lembra-nos da estrela que no Céu guiou os três santos Reis de Oriente que foram venerar o Salvador do mundo.

Os três Reis Magos (Gaspar, Melchior e Balthazar), simbolizam o conjunto dos povos da terra. Em geral, são representados com camelos, ou até elefantes e dromedários que lhes teriam servido de montaria. É um costume muito praticado, colocá-los longe da gruta e, dia após dia, aproximá-los dela, até introduzi-los na gruta na festa da Epifania (6 de Janeiro). Epifania significa a irradiação da glória externa de Deus, precisamente posta em relevo pela adoração dos potentados de Oriente.

A presença dos anjos é de rigor, relembrando o cântico angélico “Glória a Deus nos Céus e paz na terra aos homens de boa vontade” de que nos falam as Escrituras.

Luis Dufaur in luzesdeesperanca.blogspot.com


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segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Frei Junípero e a capacidade de suportar as críticas e a maldicência

Frei Junípero, um dos primeiros discípulos e companheiros de São Francisco de Assis, não conseguia manter-se em silêncio quando era repreendido ou quando alguém lhe fazia uma observação desagradável. Para se corrigir desse defeito fez o propósito de, durante seis meses, não dar réplica nem mesmo às mais pesadas injúrias que eventualmente lhe fossem feitas.

Essa luta contra si mesmo custou-lhe grandes sacrifícios. Certa vez, ao ser insultado de forma brutal, fez um tal esforço para se conter que sentiu subir-lhe aos lábios uma golfada de sangue que vinha do seu peito. Nesse dia, muito aflito, o bom frade entrou numa igreja, prostrou-se diante de um crucifixo e exclamou:

– Vede, meu Senhor, o que suporto por amor a Vós!

Então, cheio de temor e encanto, viu o divino Crucificado despregar do madeiro a mão direita e colocá-la sobre a chaga aberta pela lança do centurião, enquanto que lhe dizia:

– E Eu, o que suporto por amor a ti? Profundamente emocionado, Junípero era outro homem ao levantar-se. Ele, que antes não conseguia aturar sem sofrimento qualquer pequena injúria, passou a receber com alegria as mais graves ofensas, como se fossem pedras preciosas para ornar a sua alma.


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domingo, 9 de outubro de 2022

A Carta de São Francisco de Assis aos Clérigos

1. Reflitamos, todos os clérigos, sobre o grande pecado e sobre a ignorância que alguns têm sobre o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e sobre os Sacratíssimos Nomes e Palavras dele escritos, que santificam o corpo.

2. Sabemos que não pode haver o corpo se não for primeiro santificado pela palavra.

3. Pois nada temos e vemos corporalmente neste século do próprio Altíssimo a não ser o Corpo e o Sangue, os Nomes e as Palavras, pelos quais fomos feitos e remidos da morte para a vida (1Jo 3,14).

4. Portanto, todos os que administram tão santíssimos mistérios, considerem dentro de si, principalmente os que administram indiscretamente, como são vis os cálices, os corporais e panos em que é sacrificado Seu Corpo e Sangue. 

5. E é colocado por muitos em lugares vis, abandonado, é carregado de maneira miserável e é recebido indignamente, e administrado a outros indiscretamente.

6. Também os Seus Nomes e Palavras escritas às vezes são pisados;

7. Porque o homem animal não compreende as coisas que são de Deus (1Cor 2,14).

8. Será que não somos movidos pela piedade de todas essas coisas se o próprio piedoso Senhor se apresenta nas nossas mãos e O tratamos e recebemos todos os dias na nossa boca?

9. Ou ignoramos que devemos cair nas suas mãos?

10. Portanto, emendemo-nos depressa e firmemente disto tudo e de outras coisas;

11. E onde quer que esteja o Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo ilicitamente colocado e abandonado, seja removido desse lugar e colocado e confiado num lugar precioso.

12. De maneira semelhante, os nomes e palavras do Senhor escritas, onde quer que se encontrem em lugares imundos, sejam recolhidos e colocados em lugares honestos.

13. E sabemos que temos que observar todas essas coisas acima de tudo, de acordo com os preceitos do Senhor e as constituições da santa mãe Igreja.

14. E quem não fizer isso, saiba que deverá prestar contas no dia do juízo (Mt 12,36) diante de Nosso Senhor Jesus Cristo.


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