sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Cardeal Müller estabelece uma relação estreita entre abusos sexuais e homossexualidade no clero

A entrevista que se segue é de leitura obrigatória porque vem esclarecer muita coisa que esteve escondida nas últimas décadas. Entrevista do Cardeal Gerhard L. Müller, 71 anos, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 2012 a 2017, ao 'LifeSite News'.

Entrevistador - Uma parte importante da discussão durante a assembleia da Conferência Episcopal dos Estados Unidos foi dedicada ao escândalo do Cardeal McCarrick e como foi possível que alguém como McCarrick pudesse subir até os graus mais altos da Igreja Católica. Qual é a sua opinião sobre o caso McCarrick e o que a Igreja deve aprender com a existência desta rede de silêncio que cercou um homem que, praticando a homossexualidade, seduzindo seminaristas que dependiam da sua autoridade, levando-os para o pecado, e abusando de menores levou uma vida constantemente oposta às leis da Igreja?

Cardeal Müller - Eu não o conheço e por isso prefiro abster-me de julgar. Espero que em breve haja um processo canónico na Congregação para a Doutrina da Fé que traga luz sobre os crimes sexuais cometidos com jovens seminaristas. Quando eu era Prefeito da Congregação (2012-2017) nunca ninguém me disse nada sobre esse caso, provavelmente por causa do medo de uma reacção excessivamente "rígida" da minha parte. O facto de que McCarrick, junto com o seu círculo e uma rede homossexual, ter sido capaz de trazer estragos na Igreja com métodos semelhantes aos da máfia está ligado à subestimação do grau de depravação moral dos actos homossexuais entre os adultos. Se alguém em Roma tivesse ouvido algum rumor de acusações teria que investigar e verificar a veracidade dessas acusações, evitando que McCarrick fosse promovido ao episcopado de uma importante diocese como Washington, e também evitando que fosse nomeado cardeal da Santa Igreja Romana. E já que foram pagas indemnizações por baixo da mesa - com isso admitindo a responsabilidade por crimes sexuais com homens jovens - qualquer pessoa razoável pergunta como tal pessoa pode ter sido conselheira do Papa nas nomeações de bispos. Não sei se isso corresponde à verdade, certamente seria necessário esclarecer. Que um mercenário ajude a procurar bons pastores para o rebanho de Deus é algo incompreensível para qualquer um. Nesse caso, deve haver uma explicação pública sobre factos semelhantes e os vínculos entre as pessoas envolvidas, assim como o quanto é que as autoridades da Igreja envolvidas sabiam sobre cada nível da história.

Entrevistador - Durante os últimos 5 anos ouviu falar de casos em que o então Cardeal McCarrick recebeu ampla confiança, e lhe foram confiadas missões específicas pelo Papa ou pela Santa Sé?

Cardeal Müller - Como eu disse, não fui informado de nada. Dizia-se que a Congregação para a Doutrina da Fé era responsável apenas pelo abuso sexual de menores, não de adultos, como se as ofensas sexuais cometidas por um padre com outra pessoa consagrada ou com um leigo não fossem também uma violação grave da fé e da santidade dos sacramentos. Tenho repetidamente insistido que mesmo os actos homossexuais realizados pelos sacerdotes nunca foram tolerados e que a moralidade sexual da Igreja não foi relativizada pela ampla aceitação secular da homossexualidade. Também é necessário distinguir entre conduta pecaminosa em um caso isolado e uma vida passada em estado contínuo de pecado.

Entrevistador - Um dos aspectos problemáticos do caso McCarrick é que já em 2005 e 2007 houve acordos legais com algumas das suas vítimas, mas a Arquidiocese de Newark - então sob o arcebispo John J. Myers - não informou o público sobre isso e nem mesmo os seus próprios sacerdotes. Reteve, portanto, informações essenciais para aqueles que ainda trabalhavam com McCarrick e confiavam nele. O cardeal Joseph Tobin fez o mesmo quando, em 2017, se tornou arcebispo de Newark. Tanto quanto sei, nem Myers nem Tobin se desculparam por essas omissões e por traírem a confiança dos seus padres. Acha que a arquidiocese deveria ter tornado público esses acordos legais, especialmente depois que o "Acordo de Dallas" exigiu maior transparência em 2002?

Cardeal Müller - Noutras ocasiões acreditava-se que poderíamos resolver esses casos difíceis de maneira discreta e silenciosa. Mas desta forma o culpado foi colocado em posição de continuar a abusar da confiança do seu bispo. Na situação de hoje, os católicos e o público em geral têm o direito moral de conhecer esses factos. Não se trata de acusar alguém, mas de aprender com esses erros.

Entrevistador - Pode um problema moral desta magnitude ser resolvido adoptando novas directrizes ou uma profunda conversão de corações é necessária na Igreja?

Cardeal Müller - A origem de toda esta crise deve ser identificada na secularização da Igreja e na redução do padre ao papel de oficial. Em última análise, é o ateísmo que se espalhou para a Igreja. Esse espírito maligno diz que o Revelação (de Deus) sobre a fé e a moral deve ser adaptada ao mundo, independentemente de Deus, de modo que Ele não possa mais interferir numa vida conduzida por seus próprios desejos e necessidades. Apenas 5% dos perpetradores foram avaliados como pedófilos patológicos. A grande parte deles, por outro lado, deliberadamente espezinhou o sexto mandamento por causa de sua própria imoralidade, desafiando a santa vontade de Deus de maneira blasfema.

Entrevistador - O que lhe parece a ideia de instituir novas normas canónicas que prevejam a excomunhão de padres que sejam culpados de abuso?

Cardeal Müller - A excomunhão é uma sanção coerciva que é removida assim que o gerente se arrepende. Mas, no caso de sérios abusos e ofensas à fé e à unidade da Igreja, deve ser imposta a renúncia permanente do estado sacerdotal, isto é, a proibição permanente de agirem como sacerdotes.

Entrevistador - O antigo código de direito canónico de 1917 previa sentenças claras contra os padres envolvidos em abusos e até mesmo padres homossexuais activos. Essas sanções precisas foram amplamente removidas no código de 1983, que é mais vago e nem sequer menciona explicitamente os actos homossexuais. À luz da grave crise de abuso, acha que a Igreja deveria voltar a um sistema mais rigoroso de penalidades para tais casos?

Cardeal Müller - Foi um erro desastroso. As relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo contradizem completamente e directamente o significado e propósito da sexualidade estabelecido desde a criação. Eles são a expressão de instintos e desejos desordenados, da relação fragmentada entre o homem e o seu Criador, depois da queda do pecado original. O sacerdote celibatário, e o sacerdote casado no rito oriental devem ser modelos para o rebanho e, ao mesmo tempo, devem mostrar pelo seu exemplo como a redenção envolve o corpo e as paixões físicas. A doação física e espiritual, em "ágape", em relação à pessoa do sexo oposto, e não o desejo selvagem de satisfação, é esse o significado e propósito da sexualidade. Isso conduz a responsabilidades para com a família e filhos que Deus nos dá.

Entrevistador - Durante a recente assembleia de Baltimore, o cardeal Blase Cupich disse que é necessário "diferenciar" entre actos sexuais entre adultos consensuais e abuso infantil, implicando assim que as relações homossexuais de um padre com outros adultos não seriam um problema importante. O que esse tipo de configuração responde?

Cardeal Müller - É possível diferenciar qualquer coisa - até para considerar a si mesmo um grande intelectual - mas não um pecado grave que exclui uma pessoa do Reino de Deus, pelo menos não um bispo que tem como dever defender a verdade do Evangelho e não limitar-se a saborear o espírito do tempo. Parece ser chegada a hora "que não suportarão a sã doutrina, mas tendo comichão nos ouvidos amontoarão para si doutores para atender os seus próprios desejos, recusando-se a ouvir a verdade e voltando às fábulas." (2 Tim 4, 3ss)

Entrevistador - No seu trabalho como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, teve a oportunidade de ver numerosos casos de abuso por parte dos sacerdotes examinados pela congregação. É verdade que a maioria das vítimas desses casos eram adolescentes do sexo masculino?

Cardeal Müller - Mais de 80% das vítimas desses abusadores sexuais são adolescentes do sexo masculino. No entanto, não se pode concluir que a maioria dos sacerdotes são propensas a prostituição homossexual, mas sim que a maioria dos abusadores procuraram, segundo a desordem profunda das suas paixões, vítimas masculinas. A partir das estatísticas abrangentes do crime, sabemos que a maioria dos autores de abuso sexual são parentes das vítimas e até pais com os seus filhos. Mas a partir disso, não podemos inferir que a maioria dos pais é propensa a tais crimes. Devemos sempre ter cuidado para não fazer generalizações a partir de casos concretos, para não cair em slogans e preconceitos anticlericais.

Entrevistador - Se esta é a situação - e o estudo do abuso sexual conduzido pelos bispos alemães ou o Relatório John Jay dão números semelhantes - a Igreja não deveria abordar directamente o problema da presença de padres homossexuais?

Cardeal Müller - Na minha opinião não há homens homossexuais ou padres. Deus criou o homem e a mulher seres humanos. Mas pode haver homens e mulheres com paixões desordenadas. A união sexual tem o seu lugar apenas no casamento entre um homem e uma mulher. Fora disso só há fornicação e abuso da sexualidade, tanto com pessoas do sexo oposto quanto com o agravamento anti-natural do pecado com pessoas do mesmo sexo. Apenas aqueles que aprenderam a controlar-se satisfazem as condições prévias para receber a ordenação ao sacerdócio (cf. 1 Tm 3, 1-7).

Entrevistador - No momento, parece haver uma situação na Igreja em que não há consenso em reconhecer que os padres homossexualmente activos têm uma grande parcela de responsabilidade na crise do abuso. Mesmo alguns documentos do Vaticano falam de "pedofilia" ou "clericalismo" como problemas principais. O jornalista italiano Andrea Tornielli chegou a argumentar que McCarrick não tinha relações homossexuais, mas exercia o seu poder sobre os outros. Ao mesmo tempo, há aqueles, como o jesuíta James Martin, que viaja pelo mundo (mesmo convidado para o encontro mundial de famílias na Irlanda) para promover a ideia de "católicos LGBT" e até afirma que alguns santos eram provavelmente homossexuais. . Isso quer dizer que hoje há uma forte tendência na Igreja que leva à minimização do carácter pecaminoso das relações entre pessoas do mesmo sexo. Acha que é assim? E se sim, como poderia - e deveria - remediar?

Cardeal Müller - É parte da crise que não querer ver as causas reais e escondê-las com a ajuda das frases de propaganda do lobby homossexual. A fornicação com adolescentes e adultos é um pecado mortal e nenhum poder na Terra pode declarar isso moralmente neutro. É a obra do diabo - contra a qual o Papa Francisco frequentemente adverte - declarar que o pecado é bom. De facto é absurdo que, de repente, as autoridades eclesiásticas considerem slogans anticlericais, nazistas e comunistas anticlericais contra os padres sacramentalmente ordenados. 

Os sacerdotes estão investidos da autoridade para proclamar o Evangelho e administrar os sacramentos da graça. Se alguém abusa da sua jurisdição para alcançar objectivos egoístas ele não é clericalista, mas sim anti-clerical, porque nega que Cristo quer trabalhar através dele. O abuso sexual pelo clero deve, portanto, ser chamado de anticlerical no mais alto grau. Mas é óbvio - e poderia ser negado apenas por aqueles que querem ser cegos - que o pecado contra o sexto mandamento do Decálogo têm origem em inclinações desordenadas e por isso são pecados de fornicação que excluem do Reino de Deus, pelo menos até que haja arrependimento e expiação, e intenção firme de evitar tais pecados no futuro. Essa tentativa de ofuscar as coisas é um mau sinal de secularização da Igreja. Isso é pensar como o mundo, não de acordo com a vontade de Deus.

Entrevistador - Rumores do mesmo teor poderiam ser ouvidos no recente Sínodo sobre os jovens em Roma. O documento de trabalho utilizados pela primeira vez a fórmula "LGBT", enquanto o documento final enfatizou a necessidade de boas-vindas nos homossexuais da Igreja, rejeitando "todas as formas de discriminação" contra eles. Não seria esse tipo de afirmação realmente prejudicial à prática constante da Igreja de não empregar homossexuais activos, por exemplo, como professores em escolas católicas?

Cardeal Müller - A ideologia LGBT é baseada em uma falsa antropologia que nega a Deus como Criador. Como é essencialmente ateu ou, pelo menos, coloca o conceito cristão de Deus à margem, não pode ter lugar nos documentos da Igreja. Este é um exemplo da influência insidiosa do ateísmo na Igreja, responsável por mais de meio século da crise da Igreja. Infelizmente, essa ideologia está presente mente de alguns pastores que, na sua ingénua convicção de serem modernos, não percebem o veneno que bebem todos os dias e acabam por o dar de beber aos outros.

Tradução Senza Pagare



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Cardeal Sarah encontrou-se com o Papa Bento XVI

Na passada Quarta-Feira, dia 28 de Novembro, o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, visitou o Papa Bento XVI no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano. Um dos propósitos do encontro foi oferecer ao Papa Bento uma imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus ao colo, feita para comemorar os 50 anos da sua ordenação sacerdotal do Cardeal.




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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Reportagem do "Messa in Latino" sobre a Missa Tradicional em Lisboa

Portugal, Lisboa: a Missa Tradicional está a ter bastante sucesso!

Como é facilmente constatável, viajando por aqui e por ali, os maiores obstáculos à Missa Tridentina encontram-se, ironicamente, nos países de língua latina: França, Itália, Espanha...Assim sendo, perguntámo-nos: e em Portugal como estão as coisas? A este respeito, propomos este breve resumo que nos foi enviado pelo nosso correspondente, que viajou até à capital de Portugal há poucos dias.

Boas notícias: a Missa Tradicional, que começou a ser celebrada recentemente de maneira estável na cidade, está a ter muito sucesso, especialmente entre jovens e famílias. Em Lisboa, até 2017, não existiam celebrações estáveis (NT: diariamente). Bem, por ocasião dos 10 anos do Motu Proprio (NT: Summorum Pontificum), algo mudou.

De facto, há cerca de um ano e meio, um jovem padre diocesano, vigário paroquial da Paróquia São Nicolau (na Baixa de Lisboa), decidiu começar a celebrar de maneira permanente. E assim, a partir de Julho de 2017, a Santa Missa Tridentina é celebrada todos os dias da semana às 19h (e no Sábado às 11h) na igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha (na Rua da Alfândega), a poucos passos da Catedral. 

A iniciativa foi imediatamente um grande sucesso! Embora seja uma mera celebração ferial (de Segunda a Sábado) são muitos jovens e, em geral, os fiéis que nela participam.

Posteriormente, a partir do último mês de Julho de 2018, o vigário paroquial, apoiado por vários fiéis começou a celebrar regularmente aos Domingos de manhã, às 11 horas, na igreja paroquial de São Nicolau. 

Falando da Missa de Domingo, pode-se notar que, embora só tenha começado em Julho passado, a participação é muito significativa!  E, mais uma vez, são principalmente os jovens e as famílias com crianças que acorrem à celebração. 

Em última análise, para aqueles que visitam Lisboa, aqui estão as horas das Missas (atualizadas em Novembro de 2018):

Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha: Segunda a Sexta-Feira às 19h00; Sábado às 11 horas. 
Igreja Paroquial de São Nicolau: Domingo às 11 horas.

Por fim, deve acrescentar-se que estas não são as únicas Missas Tradicionais celebradas na cidade. No passado Sábado, 17 de Novembro, visitando (casualmente!) a impressionante igreja do mosteiro de São Vicente de Fora, deparámo-nos com uma Missa ocasional, celebrada por um aniversário, que não pudemos identificar, referente a um dos últimos Reis lusitanos (NT: Tratava-se de uma Missa pela alma do Rei D. Miguel, por ocasião dos 152 anos da sua morte).

in blog.messainlatino.it


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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Oração pelas Almas do Purgatório



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Morreu o Bispo Robert Morlino

Morreu o Bispo de Madison, Robert Morlino. Tinha 71 anos e era Bispo de Madison há 15 anos. Morreu 3 dias depois de ter tido uma crise cardíaca. 

O Bispo Morlino era um grande apoiante da Missa Tradicional e das vocações sacerdotais. Quando o Bispo chegou à diocese, em 2003, o seminário contava apenas com 6 seminaristas. Hoje em dia existem cerca de 50 seminaristas naquela diocese.

Roberto Morlino foi também dos Bispos mais activos contra a crise dos abusos sexuais na Igreja americana, tendo escrito recentemente uma dura carta em relação a esse assunto: http://www.madisoncatholicherald.org/bishopsletters/7730-letter-scandal.html

Rezemos pelo descanso eterno deste corajoso Sucessor dos Apóstolos:

Da nobis, Dómine, ut ánimam fámuli tui Roberti Epíscopi, quam de hujus sáeculi eduxisti laborióso certámine, Sanctórum tuórum tríbuas esse consortem. Per Christum, Dóminum nostrum. R. Amen.


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domingo, 25 de novembro de 2018

O Mito da Superpopulação e a Nova Moralidade

Muitos dos que viveram os anos 60 recordam claramente a publicação de “A Bomba Populacional”, de Paul Ehrlich, em 1968, que assustou o público e influenciou os media no que diz respeito à percepção da demografia. Ehrlich reavivou a já desacreditada teoria de Thomas Malthus, do século dezoito, que defendia que a população mundial iria sobrepor-se sempre aos recursos alimentares a não ser que fosse drasticamente reduzida. Ehrlich avisou que na década de 70 se iriam fazer sentir grandes fomes e que até ao fim do século XX centenas de milhões morreriam de subnutrição, a Índia ia colapsar e a Inglaterra desapareceria.

O livro de Ehrlich não foi o primeiro passo no pânico geral sobre a superpopulação, tendo sido antecedida por medidas da administração Johnson. Num discurso nas Nações Unidas em 1965 Johnson disse que “cinco dólares investidos no controlo da população valem cem dólares investidos no crescimento económico”. O Presidente insistiu ainda que fossem implementados programas de esterilização na Índia como condição para apoio alimentar americano.

O controlo populacional tornou-se finalmente um dogma político quando o Memorando de Estudo da Segurança Nacional sobre as “Implicações do Crescimento Populacional Mundial para os Interesses Externos e Segurança dos Estados Unidos”, foi formalmente adoptado como política externa americana. Em 1976 um memorando pedia aos Estados Unidos que “usassem o apoio alimentar para impor o controlo populacional à escala global”.

Esta política mantém-se. Os fundos designados para apoio externo dependem do controlo populacional. Contraceptivos, e não comida ou medicamentos, são frequentemente os principais produtos entregues em áreas estratégicas. Stephen Mosher, autor de Population Control: Real Costs, Illusory Benefits, [Controlo Populacional: Custos Reais, Benefícios Imaginários] cita esta queixa de um obstetra queniano:

“O nosso sistema de saúde está em ruptura. Milhares de quenianos vão morrer de Malária, cujo tratamento custa poucos cêntimos, em clínicas cujas prateleiras estão repletas de comprimidos [contraceptivos], DIU, Norplant, Depo-Provera e por aí fora, no valor de milhões de dólares, a maioria dos quais fornecidos com dinheiro americano.”

Este desejo alargado de diminuir a população mundial é, à primeira vista, algo estranho. É que o mundo não está propriamente a ficar sem espaço. Em 2007 o site www.populationmyth.compublicou um mapa dos Estados Unidos que mostrava como os 6,5 mil milhões de pessoas então vivas no planeta conseguiam caber em cada um dos Estados do país. É verdade que em Rhode Island só se ficava com pouco mais de um metro quadrado por pessoa, mas no Texas dá quase 350 metros quadrados.

Mais recentemente o Instituto de Pesquisa Populacional (www.pop.org) deu seguimento ao exemplo do Texas e publicou no YouTube um cartoon que mostra que se todas as sete mil milhões de pessoas pudessem ser transportadas para o Texas, cada família teria espaço para ter uma casa com jardim (presumivelmente a construção de prédios daria para melhorar a média de metros quadrados por pessoa). Um engenheiro foi ainda mais longe e mostrou no seu blog www.simplyshrug.com que seria possível fornecer água e comida pelo Rio Columbia e terreno agrícola para sustentar esta migração hipotética.


O problema, portanto, não é de falta de espaço. Então o que se quer dizer por superpopulação? Evidentemente o problema é o excesso de pobres, associado à ideia de que se de alguma maneira fosse possível evitar que os pobres se reproduzissem, seriam capazes de escapar à pobreza.

Mas digamos que conseguíamos diminuir a população mundial num terço. Isso significaria a diminuição automática da percentagem de pobres? Não necessariamente. A percentagem poderia até crescer de forma astronómica. Pais envelhecidos, sem a ajuda de um número cada vez menor de filhos e parentes, dependendo do Estado; economias em ruínas devido à falta de trabalhadores, rebeldes a tomar o poder e a criar novas versões de escravatura, líderes políticos a atribuírem mais poder a si mesmos sem quaisquer restrições constitucionais, e por aí fora.

Por outras palavras, aquilo a que se chama “superpopulação” no fundo não passa do problema milenar económico-político de uma justa administração dos recursos mundiais. Trata-se de um problema político e geopolítico complexo que nunca se pode resolver com soluções simplistas como reduzir o número de pessoas no mundo. De facto, a aplicação desta “solução” levou ao perigo de um “Inverno demográfico” entre europeus, russos, japoneses e outras comunidades políticas que, por causa da descida do número de nascimentos, caminham para a “não-renovação” e possibilidade de deixarem de existir dentro de algumas gerações.

A encíclica Humane Vitae, de Paulo VI, sobre a contracepção, surgiu no mesmo ano que o livro de Ehrlich e deu lugar imediatamente a uma tempestade de protestos entre os católicos, começando por uma declaração assinada por 200 teólogos católicos e publicado no New York Times no dia 30 de Julho de 1968, que assegurava todas as pessoas com dúvidas de consciência de que se podia discordar legitimamente do Magistério quando este entrava em conflito com o “sentido dos Fiéis”. As consciências católicas, já formadas pela ortodoxia “científica” de que o mundo já estava muito sobrepovoado, passaram a justificar a sua dissensão no tema da contracepção nesta base.

Surgiram então novos conceitos de virtude. Os casais que usavam contraceptivos podiam-se orgulhar do facto de não estar a contribuir para um problema mundialmente conhecido. Não ter filhos podia ser entendido como a mais alta medida de preocupação social! Os educadores e políticos que ensinavam “sexo seguro” podiam respirar fundo, aliviados pelo facto de estarem a cumprir o seu papel em limitar o número de pobres nas cidades.

Mesmo os pró-vida podiam promover os contraceptivos como forma de diminuir o número de abortos. Governos ditatoriais, como a China, podiam impor políticas do “filho único”, enquanto os Governos de tradição mais democrática, como os Estados Unidos, podiam simplesmente exigir às seguradoras que cobrissem os custos de contraceptivos e processos de esterilização, na esperança de poder chegar a algo do género da política do “filho único” eventualmente, quando se tornasse mais aceitável para os cidadãos.

A desgraça dos grandes problemas é a tentação de recorrer a soluções simplistas para os ultrapassar. A preocupação com o acesso a, refinação ou cultivo de, e distribuição de, recursos humanos é um problema global e político interminável e perene. Mas é um problema que não pode ser resolvido, e até pode ser piorado, pelos movimentos que tentam combater a superpopulação com contraceptivos.

Howard Kainz in 'The Catholic Thing' via 'Actualidade Religiosa'


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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

O sacrifício da Missa sempre foi oferecido virado para Deus

O sacerdote coloca-se diante do altar do sacrifício, não atrás. O mesmo fazia o sacerdote entre os pagãos. No santuário, o seu olhar se dirigia para a representação da divindade a quem se oferecia o sacrifício. 

O mesmo se fazia no Templo de Jerusalém, onde o sacerdote encarregado de oferecer a vítima se colocava diante da “mesa do Senhor” (cf. Ml 1,12), como se chamava o grande altar dos holocaustos situado no centro do Templo, de frente para o templo interior, que guardava a arca da aliança no Santos dos Santos, lugar onde habita o Altíssimo (cf. Sl 16,15). 

O celebrante está separado da multidão e põe-se diante desta, diante do altar e voltado para a divindade. Sempre as pessoas que oferecem um sacrifício estão voltadas para aquele a quem se destina o sacrifício e, nunca, para os que participam na cerimónia.

Klaus Gamber in 'Voltados para o Senhor' (pág. 27 - tradução de Luís A. R. Domingues, ARS)


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Algo não está bem quando os animais têm mais direitos do que os seres humanos



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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Quem rezar salva-se, quem não reza não se salva

Quem reza salva-se, quem não reza não se salva. Todos os santos, excepto as crianças (antes da idade da razão), se salvaram com a oração. Todos os que se condenaram condenaram-se por não rezar, se tivessem rezado não se teriam perdido. E este é, e será, o seu maior desespero no inferno: que poderiam ter-se salvado com tanta facilidade; bastava pedir a Deus as graças, e agora já não é possível pedi-las.

Resumindo, salvar-se sem rezar é dificílimo, diria até impossível; mas rezando, a salvação é segura e facílima.

Santo Afonso Maria de Ligório in 'Del Gran Mezzo della Preghiera'


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Reabertura da esplendorosa Ópera Margrave, obra-prima do barroco



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terça-feira, 20 de novembro de 2018

Ajoelhar-se é estranho para a cultura moderna

Ajoelhar-se é um acto estranho para a cultura moderna – enquanto cultura que se afastou da Fé, e já não conhece Aquele diante do qual o estar de joelhos é a postura justa e necessária. 

Quem aprende a crer aprende também a ajoelhar-se. Uma Fé ou uma Liturgia que já não conhece o ajoelhar-se tem o seu núcleo (o seu coração) doente. Nos lugares onde se perdeu, o acto de se ajoelhar deve ser recuperado

Cardeal Ratzinger (Papa Bento XVI) in 'Introdução ao Espírito da Liturgia'


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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Frei Junípero e a capacidade de suportar as críticas e a maldicência

Frei Junípero, um dos primeiros discípulos e companheiros de São Francisco de Assis, não conseguia manter-se em silêncio quando era repreendido ou quando alguém lhe fazia uma observação desagradável. Para se corrigir desse defeito fez o propósito de, durante seis meses, não dar réplica nem mesmo às mais pesadas injúrias que eventualmente lhe fossem feitas.

Essa luta contra si mesmo custou-lhe grandes sacrifícios. Certa vez, ao ser insultado de forma brutal, fez um tal esforço para se conter que sentiu subir-lhe aos lábios uma golfada de sangue que vinha do seu peito. Nesse dia, muito aflito, o bom frade entrou numa igreja, prostrou-se diante de um crucifixo e exclamou:

– Vede, meu Senhor, o que suporto por amor a Vós!

Então, cheio de temor e encanto, viu o divino Crucificado despregar do madeiro a mão direita e colocá-la sobre a chaga aberta pela lança do centurião, enquanto que lhe dizia:

– E Eu, o que suporto por amor a ti? Profundamente emocionado, Junípero era outro homem ao levantar-se. Ele, que antes não conseguia aturar sem sofrimento qualquer pequena injúria, passou a receber com alegria as mais graves ofensas, como se fossem pedras preciosas para ornar a sua alma.


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Apenas a verdade consegue atrair



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domingo, 18 de novembro de 2018

Novena da 'Medalha Milagrosa'

Quando Nossa Senhora das Graças apareceu a Santa Catarina Labouré pediu-lhe que fizesse uma medalha, através da qual teria muitas graças para dar a quem a usasse com devoção. Foram tantos os milagres que hoje em dia é conhecida como "Medalha Milagrosa".

Quem quiser fazer a Novena a Nossa Senhora da Graças e da Medalha Milagrosa terá que rezar as seguintes orações em cada um dos próximos 9 dias: 

Ó Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, ao contemplar-vos de braços abertos derramando graças sobre os que vo-las pedem, cheios de confiança na vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa das nossas inúmeras culpas, acercamo-nos de vossos pés para vos expôr, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades (momento de silêncio e de pedir a graça desejada).

Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes vos solicitamos, para maior Glória de Deus, engrandecimento do vosso nome, e o bem das nossas almas. E,  para melhor servirmos ao vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado e dai-nos coragem de nos afirmar sempre como verdadeiros cristãos. Ámen.

Rezar 3 Avé-Marias e 3 vezes a jaculatória: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós."


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Missa Tradicional regressa a Huelva, 50 anos depois

Os católicos de Huelva (e arredores) voltaram a ver a Missa Tradicional na sua cidade, 50 anos depois da reforma litúrgica do Papa Paulo VI. Huelva fica localizada no sul de Espanha, a cerca de 60 quilómetros da fronteira com Portugal (Vila Real de Santo António). 

A Missa Tradicional tem vindo a ser celebrada em cada mais cidades espanholas, sempre com grande afluência de pessoas. Em Portugal, infelizmente, o assunto é quase sempre alvo de desprezo e escárnio por parte da hierarquia da Igreja, sem qualquer justa causa. Rezemos para que os direitos dos fiéis nesta matéria comecem a ser respeitados.





Fotografias: Una Voce Sevilla


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sábado, 17 de novembro de 2018

As duas formas conhecidas de discutir com um Comunista - G.K. Chesterton

Há duas formas conhecidas de discutir com um comunista; e ambas estão erradas. Há também uma terceira forma que é correta mas que não é conhecida. Agora tenho a noção de que, por um motivo ou outro, uma parte considerável do nosso tempo cedo ou tarde será consumida discutindo com comunistas. E vou descrever em poucas palavras o que considero ser a forma certa de fazê-lo. 

Curiosamente, as duas maneiras mais comuns de contradizer o comunismo também se contradizem entre si. A primeira consiste em acusar o bolchevista de todos os vícios. A segunda, curiosamente, consiste em acusá-lo de todas as virtudes. Consiste realmente em contrapor os nossos vícios às virtudes, ou supostas virtudes, dele.

Este é o truque mais perigoso e até suicida dos dois, e a sua natureza exige uma pequena explicação. O primeiro método, ou método convencional, é bastante simples. O capitalista diz ao comunista, “Não permito que entres em minha casa porque sei que a irias destruir; não permito que fales com a minha família porque sei que a irias explodir; és um ladrão e um assassino, eu sou uma pessoa moral e respeitável. Não somos como os russos.” Eu não gostaria de falar assim com um bolchevista, porque eu não falaria assim nem com um ladrão. É portar-se como um fariseu; e o fariseu é um inimigo do cristão mais antigo que o marxista.

Eu prefiriria o outro método, o qual me parece extremamente comum entre aqueles que afirmam defender a propriedade ou o individualismo contra a heresia marxista. Consiste em dizer ao comunista que ele é um idealista, ou, em outras palavras, que ele está errado porque tem ideais. Neste segundo caso, o capitalista diz ao comunista, “Tu acreditas num monte de disparates sobre a irmandade entre os homens; mas eu digo, como um homem prático, que cada um quer obter o máximo possível para si, e agrediria o próprio irmão por um negócio se pudesse. Cada homem deve obedecer ao seu instinto aquisitivo.” (Eu li exatamente estas palavras num ataque à teoria bolchevista.) “Não se pode manter as coisas funcionando sem empresas privadas; e não se pode produzir empresas privadas sem suborná-las ou recompensá-las com os louros oriundos da propriedade privada.” As pessoas usam estes argumentos contra o comunismo como se estes fossem argumentos somente contra o comunismo, e depois se surpreendem porque um grande número de jovens entusiasmados se tornam comunistas.

Eles não percebem que, para os jovens, o capitalista em questão parece que diz simplesmente: “Eu sou um patife ganancioso, e proíbo-te de ser qualquer coisa diferente disso.”

Mas o verdadeiro argumento final e completo contra o comunismo é que a propriedade privada é muito mais importante que a empresa privada. Um ladrão de carteiras realiza um empreendimento privado, mas não se pode dizer que ele apoia a propriedade privada. A propriedade privada não é uma recompensa que existe para manter a empresa privada. 

Pelo contrário, a empresa privada é somente uma ferramenta ou uma arma, que pode às vezes ser útil para preservar a propriedade privada. E é necessário preservar a propriedade privada simplesmente porque ela é um outro nome para a liberdade. Não é meramente um respeito convencional. 

Pelo contrário, é somente o homem com alguma propriedade e privacidade que pode viver sua própria vida livremente. E tampouco é uma simples licença comercial, e menos ainda uma licença para a fraude. 

Pelo contrário, toda a questão da propriedade gira em torno do fato de que ela somente pode ser nutrida com o sentimento da honra. Seria necessário mais espaço aqui para expor esta tese, e levaria mais tempo ainda para expô-la a um comunista. Mas um comunista certamente a escutaria por mais tempo do que a um homem meramente gabando-se da sua própria rectidão ou a um homem que se gaba da própria avareza.”

G. K. Chesterton in 'How Not To Do It'


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Santo Afonso Maria de Ligório sobre a Santa Missa

Uma só Missa presta a Deus maior honra que todas as orações e penitências dos santos, todos os trabalhos dos apóstolos, todos os sofrimentos dos mártires, todo o amor dos serafins e mesmo da Mãe de Deus, porque todas as honras dos homens são de natureza finita, enquanto que a honra que Deus recebe pelo santo sacrifício da missa é infinita, visto que lhe é prestada por uma pessoa divina. 

Devemos por isso reconhecer, com o santo Concílio de Trento, que a Santa Missa é a mais santa e divina de todas as obras. (...) Ainda que se sacrificasse a vida de todos os anjos e santos, mesmo assim, esse sacrifício não prestaria a Deus essa honra infinita, que lhe dá uma única Santa Missa.

Pe. Saint-Omer, C. Ss.R. in 'Obra compilada dos escritos de Santo Afonso Maria de Ligório' (Edit. Vozes, Petrópolis, 1955)


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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Jordan Peterson sobre os erros e incongruências do Feminismo



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Oração de Santa Gertrudes para libertar Almas do Purgatório

Eterno Pai,
ofereço o Preciosíssimo Sangue
de Vosso Divino Filho Jesus,
em união com todas as missas
que hoje são celebradas
em todo o Mundo,
por todas as santas Almas
do Purgatório,
pelos pecadores, em todos os lugares,
pelos pecadores,
na Igreja Universal,
pelos da minha casa e meus vizinhos.
Ámen.



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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Missas de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos em Roma

A Trinità dei Pellegrini, em Roma, é uma paróquia que foi entregue há 10 anos à Fraternidade de São Pedro. Desde aí, a liturgia ali celebrada tem sido belíssima, contribuindo para a vida espiritual dos muitos fiéis que frequentam a igreja. 

Nestas fotografias podemos observar o contraste entre o dia 1 de Novembro - dia de Todos os Santos - com uma quantidade enorme de relíquias no Altar, e o dia seguinte - dia dos Fiéis Defuntos - com o Altar praticamente despojado, a austeridade da celebração e a presença do catafalco, que nos relembra todos os que já morreram e que também nós morreremos.













Fotografias: Elvir Tabaković, Can.Reg.


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7 pecados que "deixaram de ser pecado"

O mundo actual, com o seu ritmo de vida acelerado, com um maior acesso à informação e às novas tendências, parece ter deixado de lado a contrição e considera que o pecado e o inferno já não existem. Mas isso não é verdade. O pecado é algo sério, o inferno existe e é o destino dos pecadores que não se arrependem. São Paulo disse: “Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis.” (1 Coríntios 6, 9)

Entretanto, devemos ter esperança, pois, por meio da graça de Deus, podemos nos apartar de nossos pecados e encontrar a salvação em Jesus Cristo. Mas, antes de mais, devemos reconhecer os nossos pecados e que precisamos ser salvos. A partir do momento que tenhamos uma vida nova em Cristo, a vida cristã começa e somos chamados a colaborar com a graça de Deus para crescer em santidade.

Por isso, apresentamos uma lista dos pecados que o mundo considera “normais”, mas devemos levá-los a sério:

1) A mentira

“O que aconteceria se a pessoa nunca descobrisse? Que tal se for apenas por conveniência? Ou que tal se for para conseguir um bem maior? ”

Não. Mentir é mentir e está mal. Mentir é dizer uma falsidade com a intenção de enganar e sempre está mal porque é uma ofensa contra a verdade, que é Cristo (João 14, 6). Recordemos que a mentira é a língua nativa do demónio, a quem Jesus chama “o pai da mentira” (João 8,44). O livro da Sabedoria adverte: “a mentira destrói a sua alma” (Sabedoria 1,11).

2)  Imoralidade sexual

“Foge da imoralidade sexual!” (Coríntios 6, 18).

Mas, por que não podemos fazer o que queremos com nossos corpos? Enquanto a pessoa estiver de acordo, vale tudo?

Não. São Paulo diz: “Foge da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1 Coríntios 6, 18-20).

Nós não podemos pecar contra nossos próprios corpos. Deus criou-nos e formou a nossa sexualidade com dignidade, valor e ordem, a qual deve ser respeitada e querida. Recordemos que Cristo pregou sobre a luxúria no coração: “Não cometerás adultério. Mas eu lhes digo que qualquer pessoa que olhe para uma mulher com luxúria já cometeu adultério com ela no seu coração”.

3) Roubo

“Não furtarás.” (Êxodo 20, 15)

Roubar é tomar posse de algo que não nos pertence. Isto pode incluir também, consoante o caso, coisas que se encontram na internet. Este pecado inclui também pedir coisas emprestadas e depois não as devolver.

4)  Alcoolismo

O álcool é um maravilhoso dom de Deus. Jesus converteu a água em vinho e os monges cristãos estavam acostumados a fazer a melhor cerveja do mundo.

Mas beber muito até o ponto de embriagar-se e perder o controle é um pecado: “Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus?” (1 Coríntios 6, 9-10). “Não se embriaguem com vinho, porque isso é libertinagem”. 

5) Gula

Obviamente, precisamos comer, há um tempo para festejar e a comida pode ser desfrutada maravilhosamente. Mas, assim como o álcool, tudo deve ser desfrutado com moderação. A gula é um amor incontrolável pela comida e não só pode trazer sérias consequências à sua saúde, como também para sua alma.

“Porque há muitos por aí, de quem repetidas vezes vos tenho falado e agora o digo chorando, que se portam como inimigos da cruz de Cristo, cujo destino é a perdição, cujo deus é o ventre, para quem a própria ignomínia é causa de envaidecimento, e só têm prazer no que é terreno” (Filipenses 3, 18-19).

6) Vingança

A justiça é importante e qualquer justiça que não foi dada pelo governo será rectificada por Deus no final. Mas agora, Deus nos chama a um plano superior:

“Não vos vingueis uns aos outros, caríssimos, mas deixai agir a ira de Deus, porque está escrito: A mim a vingança; a mim exercer a justiça, diz o Senhor. Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber. Procedendo assim, amontoarás carvões em brasa sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem.” (Romanos 12, 17, 19-21)

Também deve guardar os ensinamentos de Jesus acerca do perdão: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai Celeste também vos perdoará” (Mateus 6, 14-15).

7) Assassinato

O assassinato é a morte voluntária e directa de uma vida humana inocente, inclusive se a pessoa for pequena e está em desenvolvimento no ventre de sua mãe; e também se a pessoa estiver em desvantagem ou estiver doente e for difícil de cuidar, ou ainda se a pessoa for idosa e não tiver muito tempo de vida.  O aborto e a eutanásia são cada vez mais aceites e praticados em toda a nossa sociedade.

O assassinato é uma ofensa contra Deus porque os seres humanos foram feitos à Sua imagem e semelhança (Génesis 1,27).

Quem tiver cometido algum destes pecados, arrependa-se e peça perdão - confessando-se a um sacerdote - e aceite a misericórdia de Deus.

adaptado de Aci Digital


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As últimas palavras do Papa Pio XII: "Orai, Orai, Orai!"



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terça-feira, 13 de novembro de 2018

A atitude da Europa em relação ao Islão

Qual é a raiz ideológica da atitude que hoje - na Europa - temos em relação ao Islão? É a ideia de que não existe um dualismo lógico entre verdade e erro nem um dualismo moral entre bem e mal, mas que tudo é relativo às necessidades e interesses do indivíduo no momento presente.

Relativismo moral e pragmatismo político são duas faces desta abordagem à realidade que não se alimenta da realidade mas da utopia, porque crê num mundo fictício e irreal que o desejo de poder, mascarado de debilidade, do indivíduo pós-moderno é incapaz de conquistar.

Se a Europa quer sobreviver deve modificar esta atitude psicológica e cultural. Mas como é que podemos contribuir para esta mudança? Começando por reavivar a ideia de que existe o bem e o mal, em sentido objectivo e absoluto, e que a verdade e os princípios, sobre os quais está fundada a nossa civilização, não são para arquivar como ideias do passado ou preconceitos ideológicos.

Roberto di Mattei (historiador) in 'Corrispondenza Romana'


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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Acusar-se com clareza dos pecados mortais na Confissão

Se uma alma, que aspira à perfeição, tem a infelicidade de cometer, num momento de fraqueza, alguns pecados mortais, é necessário acusá-los com toda a sinceridade e clareza, desde o princípio da confissão, sem os afogar na multidão dos pecados veniais, dando bem a conhecer o seu número e espécie, com toda a lisura e humildade, indicando as causas dessas quedas e pedindo instantemente os remédios necessários para a cura. 

É sobretudo indispensável ter deles contrição profunda, com firme propósito de evitar para o futuro não somente as faltas em si mesmas, mas as ocasiões e as causas que nos levaram ao abismo. Obtido o perdão do pecado, resta-nos conservar na alma um vivo e habitual sentimento de penitência, um coração contrito e humilhado, com o desejo sincero de reparar o mal cometido por uma vida austera e mortificada, por um amor ardente e generoso. 

Pe. Adolphe Tanquerey in 'Compêndio de Teologia Ascética e Mística' (Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 4ª Edição, 1948, p. 160)


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