sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Amanhã em Lisboa





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Oração de Libertação adaptada do exorcismo de Leão XIII

Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus Altíssimo, Omnipotente e Bom Senhor, e verdadeiro homem cujo Sagrado Coração se deixou lancear por nosso amor, nós vos pedimos, imploramos e suplicamos que exorcizeis o espírito imundo, a potência satânica, o invasor inimigo infernal, legião ou seita diabólica desenraizai-o e expulsai-o da Vossa Santa Igreja, das almas criadas à Vossa imagem e resgatadas, na Cruz, pelo Vosso Preciosíssimo Sangue, derramado durante a Vossa Paixão. Fazei Senhor que a pérfida serpente não engane mais o género humano, não persiga a Igreja de Deus nem sacuda nem joeire como trigo os eleitos de Deus.


Senhor Deus Altíssimo que “quer(eis) que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (2 Tim.2) esmagai a cabeça da serpente que na sua insolente soberba pretende assemelhar-se a Vós.

 

Que assim, vos pedimos, mande Deus Pai.

Mandai-o Vós, Seu Filho.

E o mande Deus Espírito Santo.

 

Mandai-o Majestade de Cristo, Verbo Eterno de Deus feito homem, que para salvação daqueles a quem perdeste por tua inveja Se humilhou e Se “tornou obediente até à morte” (Fil. 2, 8). Vós que edificaste a Vossa Igreja sobre pedra firme e prometeste que as portas do inferno não prevaleceriam contra Ela, querendo permanecer com Ela “todos os dias até ao fim do mundo” (Mt. 28, 20). Mandai-o, vos pedimos, poderosa Mãe de Deus, Santíssima Virgem Maria, ‘Omnipotência suplicante’, que desde o primeiro instante da Vossa Imaculada Conceição, por Vossa humildade esmagas-te a sua cabeça orgulhosa.

 

Mandai-o, vos suplicamos, a vossa Fé apóstolos Pedro e Paulo e todos os outros santos apóstolos. Mandai-o sangue dos mártires e a piedosa intercessão de todos os Santos e Santas. Esconjurai, vos pedimos, o dragão amaldiçoado e toda a legião diabólica, ó Deus Vivo, ó Deus Verdadeiro, ó Deus Santo, ó Deus que tanto amastes o mundo que lhe destes o Vosso Filho único, para que quem n’Ele acredite, não pereça mas tenha a vida eterna.

 

Fazei, pois, Senhor que cesse de enganar as criaturas humanas e deixe de derramar sobre elas o veneno da condenação eterna. Impedi-o Senhor de danificar a Igreja e de armar laços à sua liberdade. Arredai satanás, inventor e mestre de enganos, inimigo da salvação dos homens. Imperai para que ele, que nada em Vós encontrou das suas obras, Vos ceda o lugar. E ceda o lugar à Igreja - Única, Santa, Católica, Apostólica - que Vós adquiristes com o Vosso próprio Sangue. Humilhai-o Senhor sob a Vossa poderosa mão, que ele trema e fuja quando invocamos o Vosso terrível e Santo Nome que faz tremer o Inferno. Esse Nome ao qual estão submissas as Virtudes dos Céus, as Potestades e as Dominações; e que os Querubins e os Serafins louvam sem cessar, dizendo: “Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus dos Exércitos”.

 

Cede o lugar à Igreja – Única, Santa, Católica, Apostólica – que o próprio Cristo adquiriu com o Seu Sangue. Humilha-te sob a poderosa Mão de Deus, treme e foge à invocação, feita por nós, do Santo e terrível Nome de Jesus que faz tremer o inferno: a Quem as Virtude dos Céus, as Potestades e as Dominações estão submissas; e que os Querubins e os Serafins louvam sem cessar, dizendo: “Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus dos Exércitos.”

 

Oração final (de joelhos)

 

Oremos: Deus do Céu, Deus da Terra, Deus dos Anjos, Deus dos Arcanjos. Deus dos Patriarcas, Deus dos Profetas, Deus dos Apóstolos. Deus dos Mártires, Deus dos confessores, Deus das Virgens. Deus que tendes o poder de dar a vida depois da morte, o repouso depois do trabalho. Porque não há outro Deus senão vós; e, que não pode haver outro a não ser Vós: Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, cujo Reino não terá fim. Com humildade, suplicamos que a Vossa Gloriosa Majestade se digne livrar-nos poderosamente, e sãos e salvos de todo o poder, laço e mentira e malvadez dos espíritos infernais.

 

Das emboscadas do demónio,

R. Livrai-nos Senhor.

Dignai-vos conceder à nossa Igreja a segurança e a liberdade para Vos servir.

R. Nós Vos suplicamos, ouvi-nos Senhor.

Dignai-vos humilhar os inimigos da Santa Igreja.

R. Nós Vos suplicamos, escutai-nos Senhor.


Padre Nuno Serras Pereira



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Cardeal Sarah lança forte ataque contra o Islão

Depois do atentado islâmico que resultou na morte de 3 pessoas - durante a Missa na Basílica de Notre-Dame em Nice - uma delas degolada, o Cardeal Robert Sarah reagiu de forma veemente na sua conta no Twitter:

O islamismo é um fanatismo monstruoso que deve ser combatido com força e determinação. Ele não vai parar a sua guerra. Infelizmente, nós, africanos, sabemos disso muito bem. Os bárbaros são sempre inimigos da paz. O Ocidente, hoje a França, deve entender isso. Rezemos.


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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

A Europa tem que controlar as mesquitas - Pe. Samir Khalil SJ

O Pe. Samir Khalil Samir SJ é um sacerdote jesuíta e um dos maiores estudiosos do Islão. Tornou-se famoso quando veio a público esclarecer alguns pontos da Evangelii Gaudium onde o Papa Francisco falou do Islão

Depois do ataque ao jornal Charlie Hebdo deu uma entrevista à Asia News, na qual se encontra esta reflexão sobre a Europa e o Islão: 

Então e o Ocidente? A relação com os muçulmanos é um problema, visto que muitos deles não se querem integrar, porque o Islão é um sistema, não apenas uma religião. Muitos, a maioria, tenta integrar-se, mas fazem-no lentamente. Em França, os algerianos integravam-se melhor há 50 anos do que agora. 

Agora, em França, a maior parte dos supermercados do país vendem produtos halal (alimentos preparados segundo as regras islâmicas). Agora as escolas e supermercados muitas vezes vendem apenas produtos halal, que até não-muçulmanos podem comprar. 

Isto leva a que os muçulmanos sejam vistos como uma ameaça que pode ameaçar os valores do Ocidente (incluindo o direito a comer carne de porco). Ver os muçulmanos organizados em grupos activistas faz com os que ocidentais se organizem em grupos anti-islâmicos. 

Ao mesmo tempo, os politicos europeus nunca lidaram com este problema. Eles devia dizer aos imigrantes: Vocês são bem-vindos. Nós recebemo-vos como irmãos e irmãs porque isso faz parte da nossa tradição Cristã. Se quiserem pode ficar aqui, mas vão ter que se integrar. Podem praticar a religião que escolherem ou até serem ateus, mas terão que fazer parte do nosso sistema, integrar-se a nível económico, político e social. 

Infelizmente os políticos preferem não meter o nariz. Preferem proclamar uma vaga ideia de aceitação, empurrando a cultura europeia para a esfera privada. 

Em geral, o que vejo em muitas parte da Europa é que os imigrantes são recebidos com grande abertura. Os muçulmanos também. Mas há um núcleo de muçulmanos que recusa a integração e luta contra ela. 

De modo a dominar a situação, as mesquitas devem ser controladas. À primeira vista, isto é contrário ao nosso espírito europeu, onde existe uma distinção entre Estado e religião. No entanto, no Islão as mesquitas não são apenas um local de culto. São também locais de endoutrinação e formação política, por vezes de modo prejudicial para a comunidade. É por esta razão que os Estados europeu deveriam controlar as mesquitas, tal como acontece em todos os países muçulmanos. No mundo islâmico, as mesquitas são os primeiros locais a serem controlados. 

Infelizmente, este exemplo mostra que as certezas afirmadas pelos grupos islâmicos organizados entram em confronto com um Ocidente cheio de incertezas.


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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Vésperas Solenes no Panteão, em Roma

Na Basílica de Santa Maria ai Martiri (Panteão), em Roma, foram cantadas as Vésperas Solenes de São Rafael Arcanjo; celebradas por Mons. Gianfranco Girotti, Bispo titular de Meta e Regente emérito da Penitenciara Apostólica. A iniciativa partiu da Oremus - Pax Liturgique.














Fotografias: Oremus - Paix Liturgique


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Mãe de 7 filhos confirmada no Supremo Tribunal dos Estados Unidos

O Senado dos Estados Unidos confirmou Amy Coney Barrett como a nova juíza do Supremo Tribunal. A magistrada obteve 52 votos a favor e 48 contra. Amy Barrett já prestou juramento.

Todos os senadores republicanos votaram a favor de Amy Barrett, excepto Susan Collins, senadora pelo Maine, que enfrenta a possibilidade de não ser reeleita nas próximas eleições de Novembro por estar num estado predominantemente democrata.

Barrett torna-se a terceira nomeação de Donald Trump para a mais alta corte durante o seu mandato de quatro anos como Presidente, depois de Neil Gorsuch e Brett Kavanaugh. Isso significa que, independentemente de obter ou não a reeleição, Trump já se tornou no Presidente que terá a maior influência no futuro dos Estados Unidos a nível do judiciário.

A escolha dessa católica fervorosa, mãe de 7 filhos, pode ser essencial para que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos se volte a favor dos princípios religiosos, especialmente os cristãos, que moldaram a nação norte-americana. Barrett admitiu a grande influência que exerceu sobre ela o juiz Antonin Scalia, um ex-juiz do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, também ele católico, cujo legado está agora nas suas mãos. 

Por alguma razão, a Planned Parenthood, uma autêntica multinacional do aborto, fez campanha aberta contra a escolha de Amy Coney Barrett para o Supremo Tribunal.

in infoCatólica


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terça-feira, 27 de outubro de 2020

Abstinência todas as sextas-feiras do ano

Abstinência consiste em não comer carne nem caldo de carne em alguns dias determinados pela Igreja. 

São dias de abstinência; a) todas as sextas-feiras do ano; b) quarta-feira de Cinzas e das Quatro Têmporas; c) sábados da Quaresma e das Quatro Têmporas; d) vigílias do Natal, do Pentecostes, da Assunção e de Todos os Santos, salvo os privilégios da Bula e do Indulto pelo qual só são dias de abstinência a) sextas-feiras do Advento, da Quaresma e das Quatro Têmporas b) vigílias do Pentecostes, Assunção de Nossa Senhora, Todos os Santos e Natal.

Por lei da Igreja são obrigados à abstinência todos os cristãos que completem sete anos de idade e que não estejam legitimamente dispensados. A abstinência é recomendada pelo Apóstolo São Paulo, quando diz: «Bom é não comer carne nem beber vinho, nem coisa em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou enfraqueça» (na fé). Ep. Rom. XIV, 21. 

A Igreja impõe este preceito para que façamos penitência dos pecados passados, evitemos os futuros, mortificando a gula e paixões e santifiquemos as principais épocas e festas do ano. O uso de qualquer comida só constitui pecado por ser proibido pela lei da Igreja, ou por ser prejudicial à saúde, pois, se não é coisa má comer carne ou beber vinho, é coisa má transgredir a lei da Igreja ou prejudicar a saúde. 

Padre José Lourenço in 'Dicionário da Doutrina Católica'

Nota: O Código de Direito Canónico de 1983 manteve a obrigatoriedade da abstinência da carne em todas as sextas-feiras do ano.

Cân. 1251 — Guarde-se a abstinência de carne ou de outro alimento segundo 
as determinações da Conferência episcopal, todas as sextas-feiras do ano, a não 
ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; a abstinência 
e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso 
Senhor Jesus Cristo.

Cân. 1252 — Estão obrigados à lei da abstinência os que completaram catorze 
anos de idade; à lei do jejum estão sujeitos todos os maiores de idade até terem 
começado os sessenta anos. Todavia os pastores de almas e os pais procurem que, 
mesmo aqueles que, por motivo de idade menor não estão obrigados à lei da abstinência e do jejum, sejam formados no sentido genuíno da penitência.

Cân. 1253 — A Conferência episcopal pode determinar mais pormenorizadamente a observância do jejum e da abstinência, e bem assim substituir outras 
formas de penitência, sobretudo obras de caridade e exercícios de piedade, no todo 
ou em parte, pela abstinência ou jejum.

A quem for impossível cumprir esta obrigação, as conferências episcopais explicam que pode compensar cumprindo outra obra de oração e penitência.


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Chesterton sobre o "casamento" gay: Não é gay nem é casamento

Um dos temas prementes na época de Chesterton era o “controlo de natalidade”. Ele não fazia apenas objecção à ideia, mas ao próprio termo, porque significava o oposto do que queria dizer. Não significava nem natalidade, nem controlo. Posso supor que teria as mesmas objecções contra o “casamento gay”. Não só a ideia, como também o nome está errado: o “casamento gay” não é gay, no sentido original do termo, nem é casamento.
  
Chesterton era sempre sensato nos seus pronunciamentos e profecias porque entendia que qualquer coisa que atacasse a família seria nociva para a sociedade. Foi por isso que ele falou contra a eugenia e a contracepção, contra o divórcio e o “amor livre” (outro termo que ele rejeitava pela sua falsidade), mas também contra a escravidão assalariada e a educação estatal compulsória, com mães que contratavam outras pessoas para fazer o que elas tinham sido designadas para fazer. 

É seguro dizer que Chesterton se levantou contra todas as modas e tendências que hoje nos afligem porque cada uma dessas modas e tendências minava a família. Um Estado intervencionista (Big Government) tenta substituir a autoridade da família, e um Mercado dominador (Big Business) tenta substituir a sua autonomia. Há uma constante pressão comercial e cultural sobre o pai, a mãe e os filhos. Eles são minimizados, marginalizados e, sim, ridicularizados. Mas, como diz Chesterton, “esse triângulo de truísmos — pai, mãe e filho — não pode ser destruído; só se destroem as civilizações que o desprezam”. 

A legalização das uniões homossexuais não é nem o último nem o pior ataque à família, mas tem um valor impressivo, apesar do processo de dessensibilização em que nos colocaram as indústrias de informação e entretenimento ao longo dos últimos anos. Quem tenta protestar contra a normalização do anormal é recebido “com ataques ou com o silêncio” — assim como Chesterton, quando ele tentou argumentar contra as novas filosofias promovidas pela maior parte dos jornais da sua época. 

Em 1926, alertou: “A próxima grande heresia será um ataque à moralidade, especialmente à moral sexual”. O seu aviso passou desapercebido, enquanto a moral sexual decaía progressivamente. Mas vamo-nos lembrar que tudo começou com o controle da natalidade, que é uma tentativa de viver o sexo por ele mesmo, transformando um acto de amor num acto de egoísmo. A promoção e a aceitação do sexo sem vida, estéril e egoísta evoluiu, logicamente, para a homossexualidade. 

Chesterton mostra que o problema da homossexualidade como inimiga da civilização é bem antigo. Em 'O Homem Eterno', ele descreve que o culto à natureza e à “simples mitologia” produziram uma perversão entre os gregos. “Da mesma forma que se tornaram inaturais adorando a natureza, também se tornaram efeminados adorando o homem”. Qualquer jovem, diz Chesterton, “que teve a sorte de crescer de modo sensato e simples” sente um repúdio natural pela homossexualidade porque “ela não é verdadeira nem para a natureza humana, nem para o senso comum”. Ele argumenta que, se tentarmos agir indiferentemente em relação a ela, estaremos a enganar-nos a nós mesmos. É “a ilusão da familiaridade” quando “uma perversão se torna uma convenção”.
  
Em 'Hereges', Chesterton quase faz uma profecia sobre o abuso da palavra “gay”. Ele escreve sobre a “poderosa e infeliz filosofia de Oscar Wilde”, “a religião do carpe diem“. Carpe diem significa “aproveita o dia”, faz o que quiseres, sem pensar nas consequências, vive apenas o momento. “No entanto, a religião do carpe diem não é a religião das pessoas felizes, mas a das absolutamente infelizes”. Há um desespero bem como um infortúnio ligado a isso. 

Quando o sexo é apenas um prazer momentâneo, quando não oferece nada além de si mesmo, não traz nenhuma satisfação. É literalmente sem vida. E, como Chesterton escreve no seu livro 'São Francisco de Assis',“no momento em que o sexo deixa de ser um servo, torna-se um tirano”. Essa é talvez a mais profunda análise do problema dos homossexuais: eles são escravos do sexo. Estão tentando “perverter o futuro e desfazer o passado”. Eles precisam de ser libertados. 

O pecado tem consequências. Ainda assim, Chesterton sustenta que devemos condenar o pecado, não o pecador. E ninguém mostra mais compaixão pelos decaídos do que ele. Sobre Oscar Wilde, que ele chamava “o chefe dos decadentes”, Chesterton diz que ele cometeu um “erro monstruoso”, mas também sofreu monstruosamente por isso, indo para uma terrível prisão, onde foi esquecido por todas as pessoas que antes tinham brindado a sua rebeldia impulsiva. 

Chesterton se referia-se ao comportamento homossexual de Wilde como um pecado “altamente civilizado”, por ser uma das piores aflições entre as classes ricas e ilustradas. Era um pecado ao qual Chesterton nunca havia sido tentado, e ele diz que não é uma grande virtude nunca termos cometido um pecado para o qual não fomos tentados. 

Outra razão pela qual devemos tratar nossos irmãos e irmãs homossexuais com compaixão: Nós conhecemos os nossos próprios pecados e fraquezas o suficiente. Fílon de Alexandria dizia: “Seja gentil, pois todos à sua volta estão a lutar uma batalha terrível”.
  
Compaixão, contudo, não significa compromisso com o mal. Chesterton ressalta aquele equilíbrio pelo qual a nossa verdade não deve ser desprovida de piedade, nem a nossa compaixão deve ser separada da verdade. A homossexualidade é uma desordem. É contrária à ordem. Os actos homossexuais são pecaminosos, ou seja, são contrários à ordem de Deus. Jamais poderão ser normais. Pior ainda, jamais sequer poderão ser vividos normalmente. Como diz o grande detective Padre Brown: “Os homens até podem manter-se num nível razoável de bondade, mas ninguém jamais foi capaz de permanecer num nível de maldade. Essa estrada conduz ao fundo do abismo”. 

O matrimónio é entre um homem e uma mulher. Essa é a ordem. E a Igreja Católica ensina que essa é uma ordem sacramental, com implicações divinas. O mundo tem feito uma sátira do casamento que agora culminou com as uniões homossexuais. Mas foram os homens e as mulheres heterossexuais que pavimentaram o caminho para essa decadência. 

O divórcio, que é algo anormal, é agora tratado como normal. A contracepção, outra coisa anormal, é agora tratada como normal. O aborto ainda não é normal, ainda que seja legal. Legalizar o “casamento” homossexual não o tornará normal, só vai aumentar ainda mais a confusão dos tempos e a decadência da nossa civilização. Mas a profecia de Chesterton permanece: não seremos capazes de destruir a família. Ao desprezá-la, o que vamos fazer é simplesmente destruir-nos a nós mesmos. 

Dale Ahlquist in Crisis Magazine


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segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Aos que dizem que o Terço é uma oração antiquada e monótona

Aos que dizem que o Terço é uma oração antiquada e monótona, devido à repetição das orações que o compõem, eu pergunto-lhes se há alguma coisa que viva sem ser pela repetição continuada dos mesmos actos. 

Deus criou tudo o que existe de modo a conservar-se pela repetição continuada e ininterrupta dos mesmos actos. Assim, para conservarmos a vida natural, inspiramos e expiramos sempre do mesmo modo; o coração bate continuamente seguindo sempre o mesmo ritmo. Os astros, como o Sol, a lua, os planetas, a Terra, seguem sempre a mesma rota que Deus lhes marcou. O dia sucede à noite, ano após anos, sempre do mesmo modo. A luz do Sol alumia-nos e aquece-nos na Primavera, vestem-se depois de flores, dão frutos e voltam a perder as folhas no Outono ou Inverno. 

E, assim, tudo o mais segue a lei que Deus lhe marcou, e ainda ninguém lhe ocorreu dizer que era monótono, por isso prescinde-se; é que precisamos disso para viver! Pois bem, na vida espiritual temos a mesma necessidade de repetir continuamente as mesmas orações, os mesmos actos de fé, de esperança e de caridade, para termos vida, visto que a nossa vida é uma participação continuada da vida de Deus. 

Quando os discípulos pediram a Jesus Cristo que os ensinasse a orar, Ele ensinou-lhes, como vimos atrás, a bela fórmula do "Pai-Nosso", dizendo: "Quando orardes dizei: "Pai..." (Lc 11,4). O Senhor mandou-nos rezar assim, sem nos dizer que, passado um certo número de anos, buscássemos nova fórmula de oração, porque esta teria passado a ser antiga e monótona. 

Quando os namorados se encontram, passam horas seguidas a repetirem a mesma coisa: "amo-te!". O que falta aos que acham a oração do Terço monótona é o Amor; e tudo o que não é feito por amor não tem valor. Por isso, nos diz o Catecismo que os dez Mandamentos da Lei de Deus se encerram num só, que é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. 

Os que rezam diariamente o seu Terço são como os filhos que todos os dias dispõem de alguns momentos para ir até junto de seu pai, para lhe fazer companhia, manifestar-lhe o seu agradecimento, prestar-lhe os seus serviços, receber os seus conselhos e a sua bênção. É o intercâmbio e a troca do amor, do pai para com o filho e deste para com o pai, é a dádiva mútua. 

Irmã Lúcia in Apelos da Mensagem de Fátima


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Obras de Misericórdia: caminho para o Céu




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domingo, 25 de outubro de 2020

O rapaz que morreu enquanto gritava: "Viva Cristo Rei"

Aos 13 anos, diante da perseguição que sofria a Igreja, José Sanchez del Río, apresentou-se e disse: "Vim aqui para morrer por Cristo Rei." E isso confirmou-se quando, mesmo preso e torturado, continuou a proclamar: “Viva Cristo Rei e a Virgem de Guadalupe!" 

Quem foi esse rapaz tão especial? 

José Luíz Sanchez Del Río nasceu a 28 de Março de 1913, na cidade Sahuayo, província de Michoacan, México. Vivia uma vida comum, como qualquer outro menino do interior do México, até que esta normalidade foi quebrada pela ascensão de Plutarco Elias Calles à chefia do poder daquela nação. 

Este presidente empreendeu em todo o país uma das maiores perseguições que a Igreja Católica sofreu no século XX. Com o pretexto de “livrar a nação do fanatismo religioso", Plutarco Calles iniciou uma investida militar contra sacerdotes, religiosos e fiéis leigos que demonstrassem qualquer sinal da fé católica. Confiscou todas as Igrejas, prendeu e matou padres, bispos, frades e freiras, dentre muitos outros. Após tanta perseguição, um grupo de fiéis católicos viu-se obrigado a pegar em armas para garantir a sua sobrevivência. Este conflito ficou conhecido como Cristiada ou Guerra Cristeira, em homenagem aos soldados cristãos que eram conhecidos como Cristeros. 

Um dia, José viu os soldados comunistas entrarem a cavalo na sua igreja e enforcarem o velho sacerdote. Foi então visitar o túmulo do beato mártir Anacleto González Flores, que havia morrido durante a perseguição de maneira brutal e impiedosa. Rezou a Deus, pedindo para que também ele pudesse morrer em defesa da sua Fé. 

Aos 13 anos de idade foi procurar o general Prudencio Mendoza, que tinha a sua base na vila de Cotija, para que pudesse ingressar no exército cristero. Ao chegar, dirigiu-se ao general que o indagou: 
- O que viste fazer aqui meu rapaz? Ele respondeu: 
- Vim aqui para morrer por Cristo Rei. 

A sinceridade daquelas palavras e o vívido olhar destemido daquele nobre rapaz ressoaram profundamente no coração do general cristero, que autorizou a sua entrada na milícia. Ao longo de um ano, José Sanchez del Río combateu em muitos confrontos ferozes contra o exército do governo comunista e maçom. 

Por ser o menor, José ia à frente dos revolucionários com um estandarte com a imagem da Virgem de Guadalupe. Muitos cristãos morreram em combate. José escreveu à sua Mãe: “Nunca foi tão fácil ganhar o Céu.” 

Numa dessas lutas, o general dos cristeros perdeu o cavalo e ia ser capturado. José disse-lhe: “Meu general, aqui está meu cavalo, salve-se, mesmo que me matem! Eu não faço falta, o senhor sim”. 

Foi dessa forma corajosa que José foi capturado, pelos sádicos soldados do governo de Plutarco. Na intenção de fazer com que o menino renunciasse à Fé, descamaram a planta dos seus pés até aos nervos e amarraram-no a um cavalo, obrigando-o a andar durante cerca de 14 quilómetros a pé e descalço. Não é necessário referir aqui o nível de dor que esta pobre criança sentiu, mas, mesmo assim, nos momentos em que as dores lhes eram insuportáveis, o menino, cheio da Graça Divina, bradava em voz alta e vigorosa “Viva Cristo Rei e a Virgem de Guadalupe!" 

Sem sucesso na tentativa de que José abjurasse da Fé por meio da dor mais causticante e alucinante possível, os soldados tentaram intimidá-lo de outra maneira. Ao chegarem à vila em que nascera, para ser executado no dia seguinte, os soldados fizeram com que a Mãe do menino lhe escrevesse uma carta pedindo para que ele abjurasse da Fé católica, para poder ser libertado. José Sanchez del Río respondeu assim ao bilhete da sua mãe: 

“Minha querida Mãe: Fui feito prisioneiro em combate neste dia. Creio que daqui a pouco tempo vou morrer, mas não importa, nada importa, Mãe. Resigna-te à vontade de Deus; eu morro muito feliz porque no fim de tudo isto, morro ao lado de Nosso Senhor. Não te aflijas pela minha morte, que é o que me mortifica. Antes, diz aos meus outros irmãos que sigam o exemplo do mais pequeno, e tu faz a vontade do nosso Deus. Tem coragem e manda-me a tua bênção juntamente com a do meu Pai. Saúda a todos pela última vez e recebe, por último, o coração do teu filho que tanto te quer e tanto desejava ver-te antes de morrer." 

No dia seguinte, 10 de Fevereiro de 1928, Sexta-Feira, o menino que estava prestes a completar 15 anos ofereceu a sua vida terrena para não perder a vida eterna ao lado de Jesus Cristo, em Quem ele depositou a sua Fé com bravura e fidelidade. 

Quando o Papa Pio XI soube de José e o que os cristãos estavam sofrendo no México, escreveu: “Queridos irmãos, entre aqueles adolescentes e jovens existem alguns – e eu não consigo segurar as lágrimas ao recordá-los – que, levando nas mãos o rosário e aclamando Cristo Rei, sofrem espontaneamente a morte.” 

José Sanchez del Río foi declarado beato pelo Cardeal Saraiva Martins na cidade de Guadalajara, no dia 20 de Novembro de 2005. Foi canonizado pelo Papa Francisco, na Praça de S. Pedro, no dia 16 de Outubro de 2016. 

São José Sanchez del Río, rogai por nós. 

in coisasdesantos.blogspot.com


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Festa de Cristo Rei

A Festa de Cristo Rei foi estabelecida pelo Papa Pio XI, que quis motivar os católicos para reconhecer em público que o líder da Igreja é Cristo Rei. 

Mas o que levou o Papa Pio XI a dedicar a primeiríssima encíclica do seu Pontificado à criação de uma Festa de Cristo Rei? (cf. Carta Encíclica “Quas primas”, 11/12/1925).  

No início do século XX, o Mundo, que ainda estava recuperava da Primeira Guerra Mundial, fora varrido por uma onda de secularismo e de ódio à Igreja, como nunca visto na história do Ocidente. O fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha, o comunismo na Rússia, a revolução maçónica no México, anticlericalismos e governos ditatoriais grassavam por toda parte.

É neste contexto que, sem medo de ser literalmente “politicamente incorrecto”, o Pio IX institui uma festa litúrgica para celebrar uma verdade de nossa Fé: mesmo em meio a ditaduras e perseguições à Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo continua a reinar, soberano, sobre toda a história da Humanidade.

Recordar que Jesus é Rei do Universo foi um gesto de coragem do Santo Padre. Com as revoluções que se seguiram ao fim do primeiro conflito mundial, em 1917, o título de Cristo Rei tornara-se um tanto impopular. Se o Papa tivesse exaltado Jesus como profeta, mestre, curador de enfermos, servo humilde, vá lá! Qualquer outro título teria sido mais aceitável. Mas Cristo Rei?!…

Mesmo assim, nadando contra a correnteza e se opondo ao secularismo ateu e anticlerical, o Vigário de Cristo na Terra instituiu esta solenidade para nos recordar que todas as coisas culminam na plenitude do Cristo Senhor: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim de todas as coisas” (Ap 1, 8). É necessário reavivar a fé na restauração e na reparação universal realizadas em Cristo Jesus, Senhor da vida e da história.

Com esta solenidade o Papa Pio IX esperava algumas mudanças no cenário mundial:

- Que as nações reconhecessem que a Igreja dever estar livre do poder do Estado (Quas primas, 32).
- Que os líderes das Nações reconhecessem o devido respeito e obediência a Nosso Senhor Jesus Cristo (Quas primas, 31).
- Que os fieis, com a celebração litúrgica e espiritual desta solenidade, retomassem coragem e força e renovassem sua submissão a Nosso Senhor, fazendo com que ele reine em seus corações, suas mentes, suas vontades e seus corpos (Quas primas, 33).

Encerrar o Ano Litúrgico com a Solenidade de Cristo Rei é consagrar a Nosso Senhor o mundo inteiro, toda a nossa história e toda nossa vida. É entregar à sua infinita misericórdia um mundo onde reina o pecado.

Pilatos pergunta a Jesus se ele é rei. Nosso Salvador responde que seu Reino não é deste mundo. Ou seja, não é deste mundo “inventado” pelo homem e pelo pecado: o mundo da injustiça, da escravidão, da violência, do ódio, da morte e da dor. Ele é rei do Reino de seu Pai e, como rei-pastor, desde o alto da cruz, guia a sua Igreja em meio às tribulações.

Sabemos que o Reinado de Cristo não se realizará por um triunfo histórico da Igreja. Mesmo assim, no final, haverá sem dúvida uma vitória de Deus sobre o mal. Só que esta vitória acontecerá como acontecem todas as vitórias de Deus: através da morte e da ressurreição.

A Igreja só entrará na glória do Reino se passar por uma derradeira Páscoa. A Esposa deve seguir o caminho do Esposo.

Assim sendo, nesta festa, o manto vermelho de Cristo assinala a realeza de Nosso Senhor, mas também nos recorda o sangue de tantos Mártires Cristãos da nossa História. Foram fieis católicos que, ouvindo os apelos do Sucessor de Pedro, não tiveram medo de entregar suas próprias vidas e de morrer aos brados de “Viva Cristo Rei!”



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sábado, 24 de outubro de 2020

Sarah?




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Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael

Que há anjos, muitas páginas da Sagrada Escritura o atestam… Mas é preciso saber que a palavra “anjo” designa a sua função: ser mensageiro. E chamamos “arcanjos” aos que anunciam os grandes acontecimentos. Foi assim que o arcanjo Gabriel foi enviado à Virgem Maria; para este ministério, para anunciar o maior de todos os acontecimentos, impunha-se enviar um anjo da mais alta estirpe…

De igual forma, quando se tratou de manifestar um poder extraordinário, foi Miguel que foi enviado. Na verdade, a sua acção, tal como o seu nome que quer dizer “Quem como Deus?”, fazem compreender aos homens que ninguém pode realizar o que compete apenas a Deus. O antigo inimigo, que desejou por orgulho fazer-se semelhante a Deus, dizia: “Eu escalarei os céus; erigirei o meu trono acima das estrelas; serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14,13). 

Mas o Apocalipse diz-nos que, no fim dos tempos, quando for abandonado à sua própria força, antes de ser eliminado pelo suplício final, ele terá de combater contra o arcanjo Miguel: “Houve um combate nos céus: Miguel e os seus anjos combateram contra o Dragão. E também o Dragão combatia com os seus anjos; mas não venceu e foi precipitado no abismo” (Ap 12,7).

À Virgem Maria, foi então Gabriel, cujo nome significa “Força de Deus”, que foi enviado; não é verdade que ele vinha anunciar aquele que quis manifestar-se numa condição humilde, para triunfar do orgulho do demónio? Foi, pois, pela “Força de Deus” que foi anunciado aquele que vinha como “o Senhor dos exércitos, poderoso nos combates” (Sl 23,8). 

Quanto ao arcanjo Rafael, o seu nome significa “Deus cura”. Na verdade, foi ele que livrou das trevas os olhos de Tobias, tocando-os como toca um médico vindo do céu (Tb 11,17). Aquele que foi enviado para cuidar o justo na sua enfermidade merece bem ser chamado 'Deus cura'.

São Gregório Magno, Papa in Homilias sobre o Evangelho



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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Exame de Consciência de Santo Inácio de Loyola: Para fazer todas as noites antes de dormir

1. Primum punctum est, gratias agere Deo Domino nostro pro acceptis beneficiis. O Primeiro ponto é dar graças a Deus nosso Senhor pelos benefícios recebidos.

2. Secundum, petere gratiam ad cognoscenda peccata, eaque expellenda. Segundo, pedir graça para conhecer os pecados, e libertar-se deles.

3. Tertium, exigere rationem ab anima, incipiendo ab hora qua surrexit quis, usque ad examen praesens, per horas singulas, vel per sigula tempora, ac primum de cogitatione, deinde de verbo, ac postea de opere, eodem ordine quo dictum est in Examen particulari. Terceiro, pedir conta à alma, desde a hora em que se levantou até ao exame presente, hora por hora ou período por período: primeiro, dos pensamentos, depois das palavras, e depois das obras, pela mesma ordem que se disse no exame particular.

4. Quartum, petere veniam a Deo Domino nostro de defectibus. Quarto, pedir perdão, a Deus nosso Senhor, das faltas

5. Quintum, proponere emendationem cum ejus gratia. Pater noster. Quinto, propor emenda, com sua graça. Pai Nosso.




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9 pecados veniais que convém especialmente evitar

A alma deve evitar todos os pecados veniais, especialmente os que abrem caminho ao pecado grave. Ó minha alma, não chega desejar firmemente antes sofrer a morte do que cometer um pecado grave. É necessário ter uma resolução semelhante em relação ao pecado venial. Quem não encontrar em si esta vontade, não pode sentir-se seguro. 

Não há nada que nos possa dar uma tal certeza de salvação eterna do que uma preocupação constante em evitar o pecado venial, por insignificante que seja, e um zelo definido e geral, que alcance todas as práticas da vida espiritual — zelo na oração e nas relações com Deus; zelo na mortificação e na negação dos apetites; zelo em obedecer e em renunciar à vontade própria; zelo no amor de Deus e do próximo. Para alcançar este zelo e conservá-lo, devemos querer firmemente evitar sempre os pecados veniais, especialmente os seguintes:


1. O pecado de dar entrada no coração de qualquer suspeita não razoável ou de opinião injusta a respeito do próximo. 
2. O pecado de iniciar uma conversa sobre os defeitos de outrem, ou de faltar à caridade de qualquer outra maneira, mesmo levemente. 

3. O pecado de omitir, por preguiça, as nossas práticas espirituais, ou de as cumprir com negligência voluntária. 

4. O pecado de manter um afecto desregrado por alguém. 

5. O pecado de ter demasiada estima por si próprio, ou de mostrar satisfação vã por coisas que nos dizem respeito. 

6. O pecado de receber os Santos Sacramentos de forma descuidada, com distracções e outras irreverências, e sem preparação séria. 

7. Impaciência, ressentimento, recusa em aceitar desapontamentos como vindo da Mão de Deus; porque isto coloca obstáculos no caminho dos decretos e disposições da Divina Providência quanto a nós. 

8. O pecado de nos proporcionarmos uma ocasião que possa, mesmo remotamente, manchar uma situação imaculada de santa pureza. 

9. O pecado de esconder propositadamente as nossas más inclinações, fraquezas e mortificações de quem devia saber delas, querendo seguir o caminho da virtude de acordo com os caprichos individuais e não segundo a direcção da obediência.

Santo António Maria Claret


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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Rito de Lião, celebrado pelo Santo Cura d'Ars




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Um católico pode ser a favor do "casamento gay"?

A 3 de Junho de 2003, a Congregação para a Doutrina da Fé emitiu um documento assinado pelo seu prefeito, Cardeal Joseph Ratzinger, sobre o reconhecimento legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo. O documento é muito claro ao explicar que nenhum católico pode ser favorável a qualquer tipo de união desse género.

ARGUMENTAÇÕES RACIONAIS
CONTRA O RECONHECIMENTO LEGAL
DAS UNIÕES HOMOSSEXUAIS
De ordem relativa à recta razão
A função da lei civil é certamente mais limitada que a da lei moral. A lei civil, todavia, não pode entrar em contradição com a recta razão sob pena de perder a força de obrigar a consciência. Qualquer lei feita pelos homens tem razão de lei na medida que estiver em conformidade com a lei moral natural, reconhecida pela recta razão, e sobretudo na medida que respeitar os direitos inalienáveis de toda a pessoa. As legislações que favorecem as uniões homossexuais são contrárias à recta razão, porque dão à união entre duas pessoas do mesmo sexo garantias jurídicas análogas às da instituição matrimonial. Considerando os valores em causa, o Estado não pode legalizar tais uniões sem faltar ao seu dever de promover e tutelar uma instituição essencial ao bem 
comum, como é o matrimónio.

Poderá perguntar-se como pode ser contrária ao bem comum uma lei que não impõe nenhum comportamento particular, mas apenas se limita a legalizar uma realidade de facto, que aparentemente parece não comportar injustiça para com ninguém. A tal propósito convém reflectir, antes de mais, na diferença que existe entre o comportamento homossexual como fenómeno privado, e o mesmo comportamento como relação social legalmente prevista e aprovada, a ponto de se tornar numa das instituições do ordenamento jurídico. 

O segundo fenómeno, não só é mais grave, mas assume uma relevância ainda mais vasta e profunda, e acabaria por introduzir alterações na inteira organização social, que se tornariam contrárias ao bem comum. As leis civis são princípios que estruturam a vida do homem no seio da sociedade, para o bem ou para o mal. «  Desempenham uma função muito importante, e por vezes determinante, na promoção de uma mentalidade e de um costume  ». As formas de vida e os modelos que nela se exprimem não só configuram externamente a vida social, mas ao mesmo tempo tendem a modificar, nas novas gerações, a compreensão e avaliação dos comportamentos. A legalização das uniões homossexuais acabaria, portanto, por ofuscar a percepção de alguns valores morais fundamentais e desvalorizar a instituição matrimonial.

De ordem biológica e antropológica
Nas uniões homossexuais estão totalmente ausentes os elementos biológicos e antropológicos do matrimónio e da família, que poderiam dar um fundamento racional ao reconhecimento legal dessas uniões. Estas não se encontram em condição de garantir de modo adequado a procriação e a sobrevivência da espécie humana. A eventual utilização dos meios postos à sua disposição pelas recentes descobertas no campo da fecundação artificial, além de comportar graves faltas de respeito à dignidade humana, não alteraria minimamente essa sua inadequação.

Nas uniões homossexuais está totalmente ausente a dimensão conjugal, que representa a forma humana e ordenada das relações sexuais. Estas, de facto, são humanas, quando e enquanto exprimem e promovem a mútua ajuda dos sexos no matrimónio e se mantêm abertas à transmissão da vida.

Como a experiência confirma, a falta da bipolaridade sexual cria obstáculos ao desenvolvimento normal das crianças eventualmente inseridas no interior dessas uniões. Falta-lhes, de facto, a experiência da maternidade ou paternidade. Inserir crianças nas uniões homossexuais através da adopção significa, na realidade, praticar a violência sobre essas crianças, no sentido que se aproveita do seu estado de fraqueza para introduzi-las em ambientes que não favorecem o seu pleno desenvolvimento humano. Não há dúvida que uma tal prática seria gravemente imoral e pôr-se-ia em aberta contradição com o princípio reconhecido também pela Convenção internacional da ONU sobre os direitos da criança, segundo o qual, o interesse superior a tutelar é sempre o da criança, que é a parte mais fraca e indefesa.

De ordem social
A sociedade deve a sua sobrevivência à família fundada sobre o matrimónio. É, portanto, uma contradição equiparar à célula fundamental da sociedade o que constitui a sua negação. A consequência imediata e inevitável do reconhecimento legal das uniões homossexuais seria a redefinição do matrimónio, o qual se converteria numa instituição que, na sua essência legalmente reconhecida, perderia a referência essencial aos factores ligados à heterossexualidade, como são, por exemplo, as funções procriadora e educadora. Se, do ponto de vista legal, o matrimónio entre duas pessoas de sexo diferente for considerado apenas como um dos matrimónios possíveis, o conceito de matrimónio sofrerá uma alteração radical, com grave prejuízo para o bem comum. Colocando a união homossexual num plano jurídico análogo ao do matrimónio ou da família, o Estado comporta-se de modo arbitrário e entra em contradição com os próprios deveres.

Em defesa da legalização das uniões homossexuais não se pode invocar o princípio do respeito e da não discriminação de quem quer que seja. Uma distinção entre pessoas ou a negação de um reconhecimento ou de uma prestação social só são inaceitáveis quando contrárias à justiça. Não atribuir o estatuto social e jurídico de matrimónio a formas de vida que não são nem podem ser matrimoniais, não é contra a justiça; antes, é uma sua exigência.

Nem tão pouco se pode razoavelmente invocar o princípio da justa autonomia pessoal. Uma coisa é todo o cidadão poder realizar livremente actividades do seu interesse, e que essas actividades que reentrem genericamente nos comuns direitos civis de liberdade, e outra muito diferente é que actividades que não representam um significativo e positivo contributo para o desenvolvimento da pessoa e da sociedade possam receber do Estado um reconhecimento legal especifico e qualificado. As uniões homossexuais não desempenham, nem mesmo em sentido analógico remoto, as funções pelas quais o matrimónio e a família merecem um reconhecimento específico e qualificado. Há, pelo contrário, razões válidas para afirmar que tais uniões são nocivas a um recto progresso da sociedade humana, sobretudo se aumentasse a sua efectiva incidência sobre o tecido social.

De ordem jurídica
Porque as cópias matrimoniais têm a função de garantir a ordem das gerações e, portanto, são de relevante interesse público, o direito civil confere-lhes um reconhecimento institucional. As uniões homossexuais, invés, não exigem uma específica atenção por parte do ordenamento jurídico, porque não desempenham essa função em ordem ao bem comum.

Não é verdadeira a argumentação, segundo a qual, o reconhecimento legal das uniões homossexuais tornar-se-ia necessário para evitar que os conviventes homossexuais viessem a perder, pelo simples facto de conviverem, o efectivo reconhecimento dos direitos comuns que gozam enquanto pessoas e enquanto cidadãos. Na realidade, eles podem sempre recorrer – como todos os cidadãos e a partir da sua autonomia privada – ao direito comum para tutelar situações jurídicas de interesse recíproco. Constitui porém uma grave injustiça sacrificar o bem comum e o recto direito de família a pretexto de bens que podem e devem ser garantidos por vias não nocivas à generalidade do corpo social.


COMPORTAMENTOS DOS POLÍTICOS CATÓLICOS
PERANTE LEGISLAÇÕES FAVORÁVEIS
ÀS UNIÕES HOMOSSEXUAIS
Se todos os fiéis são obrigados a opor-se ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, os políticos católicos são-no de modo especial, na linha da responsabilidade que lhes é própria. Na presença de projectos de lei favoráveis às uniões homossexuais, há que ter presentes as seguintes indicações éticas.

No caso que se proponha pela primeira vez à Assembleia legislativa um projecto de lei favorável ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, o parlamentar católico tem o dever moral de manifestar clara e publicamente o seu desacordo e votar contra esse projecto de lei. Conceder o sufrágio do próprio voto a um texto legislativo tão nocivo ao bem comum da sociedade é um acto gravemente imoral.

No caso de o parlamentar católico se encontrar perante uma lei favorável às uniões homossexuais já em vigor, deve opor-se-lhe, nos modos que lhe forem possíveis, e tornar conhecida a sua oposição: trata-se de um acto devido de testemunho da verdade. 


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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Quando o remédio é pior do que a cura (qualquer semelhança com a situação actual não é pura coincidência)

Não tenho conhecimento de nenhuma outra máxima cujos efeitos práticos sejam mais perversos do que aquela que afirma ser a prevenção o melhor remédio.

Naturalmente, esta máxima, é verdadeira apenas em abstracto; se pudéssemos prever todos os males possíveis muito antes que viessem a acontecer, e se fôssemos capazes de modificá-los ou evitá-los sem esforço e sem prejudicar nada ou ninguém, obviamente deveríamos ficar contentes por poder fazê-lo. Mas isso é simplesmente impossível; todas as nossas antecipações em relação às coisas incertas tendem, necessariamente, a desorganizar as coisas certas.

É bem possível, por exemplo, que um belo dia eu venha a entalar um dedo numa das portas de minha casa. 

Os especialistas e cientistas modernos, juntamente com os modernos burocratas da saúde, da sociologia, e tutti quanti, agarram-se a essa possibilidade e julgam-se no direito de me ditar comportamentos e de me inundar de conselhos, que, invariavelmente, se dividem em dois grandes tipos: os que prescrevem que eu me prive de todas as minhas portas, e os que recomendam que eu me prive de todos os meus dedos.

Remover todas as portas da minha casa, incluindo a da rua, certamente impediria que uma delas me viesse, um dia, a estraçalhar um dedo, mas não creio que isso aumentasse, de facto, o meu conforto. 

Cortar todos os meus dedos à machadada, seguramente evitaria que, mais tarde, eu pudesse vir a ter um deles, preso numa porta, mas, nesse caso, não creio que se pudesse afirmar que a prevenção tinha sido melhor que a cura. 

No fundo, o que realmente importa, no que a medidas preventivas diz respeito, é saber se elas criam, ou não, uma atmosfera mórbida ao tentarem obsessivamente antecipar-se ao mal. Tornar-se-ão elas maléficas por estarem sempre a pensar no mal? 

Porque, estar-se sempre saudável sob tutela dos médicos e das autoridades sanitárias mais não é do que se deixar transformar num inválido imortal. 

Ser assim mantido perpetuamente saudável é, no fim de contas, o mesmo que estar perpetuamente doente. Pois o que define o inválido não é o perigo, que é o orgulho do herói, nem a dor, que é o orgulho do mártir, é, sim, a limitação - o facto de estar preso a uma vida anormal. 

Não, a prevenção não é melhor do que a cura. A cura é saudável, pois acontece num momento em que falta saúde. A prevenção é doentia, uma vez que acontece num momento em que há saúde.
 
Não há vantagem alguma em estar sempre com os olhos fechados por medo de ficar cego; esperar por ficar cego e, só então, ir a um oftalmologista não seria pior. 

Da mesma forma, arrancar toda a relva do jardim para evitar que um búfalo a coma, não faz sentido algum; seria bem melhor esperar por ele e, então, calma e humildemente, resolver o assunto – provavelmente com uma caçadeira.

Por essa razão eu sempre fui, por instinto, contrário a todas as formas de ciência ou ética que professem ser particularmente prescientes ou preventivas.

É sabido que alguns especialistas – os eugenistas, influenciados por doutrinas darwinistas, queriam ansiosamente matar certas criancinhas com medo que elas, quando crescessem, se tornassem más. Mas eu digo-lhes o seguinte: 

Não, meus caros especialistas, por favor, não matem as criancinhas, esperem que elas cresçam e se tornem más e, então (se tivermos sorte), talvez elas vos matem primeiro”.

G. K. Chesterton, 30 de Maio de 1908


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O perigo e a injustiça dos Juízos Temerarios

O Senhor previne-nos contra os juízos temerários e injustos, pois pretende que ajamos com um coração simples, olhando sempre só para Deus. 

Dado que ignoramos os motivos de muitas acções, seria temerário da nossa parte julgá-las. Os mais dispostos a fazer juízos temerários e a condenar os outros são aqueles que preferem condená-los a corrigi-los e conduzi-los ao bem, uma atitude que denota orgulho e mesquinhez. 

Por exemplo, um homem peca por cólera, e tu repreende-lo com ódio. Ora, entre a cólera e o ódio vai a mesma distância que separa a trave do argueiro. O ódio é uma cólera inveterada que, com o tempo, assumiu proporções tais que bem merece o nome de trave. 

Pode acontecer que te encolerizes quando pretendias corrigir, mas não deves nunca deixar-te levar pelo ódio. Afasta primeiro o ódio para longe de ti, e poderás depois corrigir aquele que amas.

Santo Agostinho in 'Explicação do Sermão da Montanha' (19, 63)


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terça-feira, 20 de outubro de 2020

Stop comunhão na mão

Fiéis católicos na Polónia lançam campanha publicitária pelo fim da Comunhão na mão.

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Como São Francisco lidou com um pecado de Frei Leão

Tendo passado S. Francisco perto de uma festa/torneio promovida pelo Conde Orlando subiu ao muro que o separava dos rumores e entoou um cântico cujo conteúdo essencial rezava assim: A imensidade do Bem que me espera é tão superior, que todo o sofrimento é para mim redentor. O Conde alegrou-se com aquela simplicidade de ser e de cantar, e convidou-os para a sua mesa. 

A impressão causada pelo Santo e por sua conversação foi tanta que o aristocrata ofereceu-lhe como propriedade, o monte Alverne, para se poder retirar e recolher em suas orações e contemplações. Ora aí se escondia um grande malfeitor, a quem chamavam o Lobo por ser terrível nas suas rapinas e feroz nas suas crueldades. S. Francisco, com a sua reconhecidíssima paciência, grande mansidão e profunda humildade alcançou a conversão desta fera.
 
O extraordinário Níkos Kazantzákis, prémio Nobel da literatura, era um escritor admirável. Infelizmente só li três livros dele: Os irmãos inimigos, O Cristo recrucificado e a vida de S. Francisco de Assis. Não obstante as suas posições filosóficas, com as quais não concordo, era arguto e tinha intuições magníficas. Por exemplo, na sua biografia do Santo de Assis pega na narração do Irmão Lobo do Monte Alverne e cria uma história extraordinária, que eu ainda não encontrei nas Fontes Franciscanas, mas que, de qualquer modo, retrata, quanto a mim, na perfeição a mentalidade e o modo de ser de S. Francisco.
 
O Irmão Lobo, apesar de convertido, não tinha alcançado ainda o estado de perfeição. Daí que não só resolveu banquetear-se, numa quaresma, como seduziu, Frei Leão, Padre e confessor de S. Francisco. Toda a tentação foi desenvolvida com aparências de bem. Afinal todo o repasto magnífico com suas guloseimas eram um dom de Deus! Frei Leão, deixou-se seduzir e repastou-se gulosamente com o Irmão Lobo. No dia seguinte, caindo em si, e muito arrependido, vai “confessar” o seu pecado ao Diácono S. Francisco. 
O Santo deteve-se em silêncio, como que meditando em seu coração, até que retorquiu: Frei Leão o teu pecado é grave, como penitência eu farei um jejum rigoroso em tais e tais dias. Isto é, S. Francisco assumiu sobre si o pecado do outro unindo-se vicariamente a Jesus Cristo de modo a reparar a ofensa e a implorar o perdão. Disse a verdade, mas não condenou, não repreendeu, não acusou, pelo contrário ofereceu-se ao Crucificado para que participando nos Seus sofrimentos pudesse alcançar a Graça do arrependimento e da conversão dos que por fraqueza pecaram.
 
Um dos Santos franciscanos, muito desconhecido (mais um...), S. Francisco Solano, a certa altura da sua vida foi mandado exercer o cargo de Mestre de Noviços - (para quem não está por dentro desta deste jargão diga-se, com pouco rigor) diga-se, para nos entendermos, que o noviciado é a recruta dos frades. Ora, S. Francisco Solano acompanhou durante esses anos noviços, com muitos defeitos e não poucos pecados. Mas contrariamente a outros Mestres não se irritava, pelo menos exteriormente, não ralhava, não repreendia. Porém, às ocultas empenhava-se com grande sacrifício e generosidade em compensar ou reparar aquilo em que eles tinham falhado. 

Se faltavam à oração ou nela eram descuidados, se não faziam as penitências devidas nem os trabalhos próprios da sua educação tudo isso ele fazia pela calada oferecendo-se por eles. O resultado desta formação, considerada original ou mesmo singular, foi um fortalecimento e ainda um renascimento das vocações. Mais tarde foi mandado para as missões na América do Sul onde continuou o seu trabalho extraordinário. Agiu à maneira de S. Francisco, por isso não admira a fecundidade apostólica que obteve.
 
Poderemos nos dias de hoje conseguir, através deste método, os frutos apostólicos, que S. Francisco e muitos dos seus sucessores alcançaram? Eu creio que sim.

Padre Nuno Serras Pereira


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