segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Cardeal Ratzinger denunciou a ideologia que quer fazer das mulheres homens

É falso querer medir homens e mulheres pela mesma bitola e dizer que essa diminuta diferença biológica não significa absolutamente nada. Nos dia de hoje essa é a tendência predominante.

Pessoalmente continuo a estremecer ao ver que se pretende converter as mulheres em soldados lado a lado com os homens; que elas, que sempre foram as guardiãs da paz, em quem sempre vimos um antídoto ao desejo masculino de lutar e guerrear, saiam agora por aí empunhando metralhadoras, demonstrando que também elas podem ser ferozes guerreiras. 

Ou que as mulheres também tenham o «direito» de recolher o lixo e de descer às minas – coisas a que deveriam ser poupadas por respeito à sua própria dignidade, à sua grandeza, à sua profunda diferença –, um direito que agora se lhes impõe em nome da igualdade. 

Quanto a mim, esta é uma ideologia hostil ao corpo e maniqueísta. 

Cardeal Joseph Ratzinger (futuro Papa Bento XVI) in 'Deus e o mundo' (Ed. Tenacitas, p. 75)


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Missa em tempo de guerra




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domingo, 27 de fevereiro de 2022

Dia de São Gabriel de Nossa Senhora das Dores

Gabriel de Nossa Senhora das Dores, a quem Leão XIII chamava o “São Luiz Gonzaga dos nossos dias”, nasceu em Assis (Itália), a 1 de Março de 1838, filho de Sante Possenti de Terni e Inês Frisciotti. No mesmo dia em que viu a luz do mundo, recebeu a graça do Baptismo, na mesma pia em que foi baptizado o grande Patriarca S. Francisco, na igreja de São Rufino.

O pai, já aos vinte e dois anos, era Governador da cidade de Urbânia, cargo que sucessivamente veio a ocupar em S. Ginésio, Corinaldo, Cingoli e Assis. Como um dos magistrados dos Estados Pontifícios, gozava de grande estima por parte de Papa Pio IX, e Leão XIII honrava-o com a sua sincera amizade. A mãe era de uma nobre família de Civitanova d’Ancona. Estes dois cônjuges eram modelos de esposos cristãos, vivendo no santo temor de Deus, unidos no vínculo de respeito e amor fidelíssimo, que só a morte era capaz de solver. Deus abençoou esta santa união com treze filhos, dos quais Gabriel era o undécimo. Este, no Baptismo recebeu nome de Francisco, em homenagem ao seu avô e ao Seráfico de Assis.

Dando testemunho da educação que recebiam na família, no Processo da beatificação do Servo de Deus, os seus irmãos declararam: “Nós fomos educados com o máximo cuidado no que diz respeito à piedade e à instrução. A nossa mãe era piedosíssima e educou-nos segundo as máximas da nossa santa Religião”.

Nos braços, sobre os joelhos de uma mãe profundamente religiosa, o pequeno Francisco aprendeu os rudimentos da vida cristã e a pronunciar os santos nomes de Jesus Maria.

A grande felicidade que na infância reinava experimentou um grande abalo quando, inesperadamente, o Anjo da Morte veio visitar aquele lar e arrebatar-lhes a mãe. D. Inês, sentindo que se aproximava a última, na compreensão do seu dever de mãe cristã, reuniu todos os filhos à cabeceira do leito mortal, estreitou-os, um por um, ao seu coração, selou a sua fronte com o último beijo, deu-lhes a bênção, distinguindo com mais carinho os de tenra idade, entre estes, Francisco; munida de todos os Sacramentos, confortada pela graça de Deus, aos 38 anos de idade deixou este mundo, para, na Eternidade, perto de Deus, receber o prémio das suas raras virtudes.

Do pai, o próprio Francisco deu o seguinte testemunho ao seu director espiritual:  

“Meu pai”, declarou, “tinha por costume levantar-se bem cedo. Dedicava uma hora à oração e meditação; se neste tempo alguém desejava falar-lhe, havia de esperar pelo fim das práticas religiosas. Terminadas estas, ia à igreja assistir a Santa Missa e costumava levar consigo dos filhos os que não fossem impedidos. Finda a Santa Missa metia-se ao trabalho. À noite, reunia os seus filhos e dava-lhes sábios conselhos e úteis exortações. Falava-lhes dos deveres para com Deus, do respeito devido à autoridade paternal e do perigo das más companhias”. “Os maus companheiros”, dizia ele, “são os assassinos da juventude, os satélites de Lúcifer, traidores escondidos e, por isso, era para temê-los e deles ter cuidado”.

Os biógrafos de Francisco fazem ressaltar, em primeiro lugar, a extraordinária bondade de coração do menino, principalmente para com os pobres. Muitas vezes ficou ele sem a merenda, por tê-la dado aos pobres. Entre os seus irmãos, era ele o anjo da paz, sempre pronto para desculpar e para defendê-los, quando acusados injustamente. Não suportava a injúria, fosse ela atirada a si ou a um dos seus. Com a maior facilidade, se desfazia de objectos de certo valor, com que tinha sido homenageado. Assim, presenteou a um de seus irmãos uma bela corrente de prata que tinha recebido de um parente. Estes bons traços no caráter de Francisco não afastam certas sombras que nele subsistiam também. Os que o conheciam meigo, bondoso, compassivo, sabiam-no também ser nervoso, impaciente, irascível.

Por felicidade sua, o senhor Sante, seu pai, não era daqueles que desculpam os caprichos dos seus filhos, sob o pretexto de “serem crianças”, sem pensar que mais tarde terão de pagar bem caro esta condescendência e fraqueza. O verdadeiro amor cristão fê-lo combater sem tréguas todos os defeitos. Francisco era obediente e tinha grande respeito ao pai, o que, aliás, não impedia que diante de uma severa repreensão desse largas ao seu génio impulsivo, com palavras e gestos demonstrando o seu descontentamento, a sua raiva. Mas tudo isto era fogo fátuo. Logo, voltava às boas; a sua boa índole não permitia que estas revoltas interiores durassem muito tempo. Era encantador ver, momentos depois, o menino desfeito em pranto, procurar o pai e, por seus modos ingénuos e infantis, assegurar-se do perdão e do amor do Sr. Sante. Este, fingindo não dar crédito a estas demonstrações, retrucava bruscamente: “Nada de carícias; quero ver factos”. Então, o menino atirava-se ao colo do pai, beijava-o e sentia-se feliz, em ter voltado à paz, com o perdão paterno. Nesta escola de sábia pedagogia, Francisco cedo aprendeu combater e vencer os seus defeitos.

Durante algum tempo, Francisco ficou entregue aos cuidados de um mestre; depois frequentou o colégio dos “Irmãos das Escolas Cristãs”, onde fez rápidos progressos, figurando sempre entre os melhores alunos. Com sete anos fez a sua primeira confissão. Um ano depois, em Junho de 1846, recebeu o sacramento da confirmação. Tudo isto prova que o menino já se achava bem instruído nas Verdades da nossa Fé, graças ao sólido ensino que lhe dispensavam os beneméritos “Irmãos Sallistas”.

Nesse mesmo tempo, caiu também a data da sua primeira comunhão, para a qual se preparou com todo o esmero. Testemunha de vista desse grandioso acto diz:  

“O fervor com que o vi chegar-se da sagrada mesa, o espírito de fé que se estampava no seu semblante, o vigor dos seus afectos foram tais que se chegava a crer ser ele levado por um Serafim”.  
 
Esses sentimentos de fé e de piedade, aquelas chamas de amor ao SS. Sacramento não mais se separaram do coração de Francisco nos anos de sua mocidade, nem no meio de uma vida dissipada, de certo modo mundana. Não menos certo é que a frequente recepção da santa comunhão preservou-o de graves desvios no meio das tentações do mundo.

Terminados os estudos elementares, o pai pensou em procurar para Francisco uma educação mais elevada, de acordo com a sua posição social, e confiou o seu filho aos “Padres Jesuítas” que, na cidade de Spoleto, dirigiram um colégio. Neste educandário, passou Francisco os anos todos de sua mocidade no mundo e chegou a cursar os quatro semestres de estudos filosóficos. Estudante inteligente e cumpridor exacto do seu dever, deixou boa memória naquele colégio e formavam-se as mais belas esperanças a seu respeito. Ano não passava que não ganhasse um prémio; e no fim dos seus estudos foi distinguido com uma medalha de ouro. Mestres e colegas também o estimavam. 

Tudo nele encantava: os seus modos delicados e gentis, a modéstia no falar, o sorriso benévolo que lhe aflorava os lábios, o garbo com que se sabia ver em circunstâncias mais solenes, os sentimentos nobres que dominam em todo o seu proceder. Aos seus mestres devotava sempre a máxima estima e profunda gratidão. Das práticas de piedade era rígido observador e com regularidade frequentava os santos Sacramentos. Não há dúvida que, dada a ocasião, o seu génio impetuoso e quente o levava a transportes de veemência e de cólera. Mas estes excessos eram sempre seguidos de lágrimas de arrependimento e de penitência.

Desde a sua infância mostrou devoção particular a Nossa Senhora das Dores, uma imagem da qual se conservava em sua família; e cabia-lhe a ele adorná-la de flores e manter acesa uma lâmpada diante da estátua. Afirma um dos seus irmãos, Eurique Possenti, que viu Francisco, no último ano que passou em casa, usar de cilício de couro com pontinhas de ferro. Outro testemunho, da família Parenzi, declara: 

“A sua conduta religiosa e moral tem sido irrepreensível; dada a grande vigilância deosmeus pais, não teria sido admitido em nossa família, se não fosse realmente virtuoso”. 
 
Para completar a imagem do jovem estudante, e assim melhor poder compreender a mudança que nele mais tarde se efectuou, há que ter em conta a descrição da solene distribuição de prêmios, da última em que Francisco tomou parte no colégio dos Jesuítas em Spoleto, em setembro de 1856. Os melhores alunos tinham sido escolhidos para abrilhantar a cerimónia com discursos e declamações poéticas. Entre eles, Francisco ocupava o primeiro lugar. Ninguém se lhe igualava em elegância exterior, no garbo de representar, na graça de declamar, na graciosidade da gesticulação, no timbre encantador da voz. Podendo representar no palco, parecia estar no seu elemento e fazia-o com toda a naturalidade e perfeição. 

A sua aparência não deixava nada a desejar: tudo obedecia às exigências da última moda: o cabelo esmeradamente penteado, o traje elegante e ricamente adornado, as luvas brancas, gravata de seda, sapatos luzidios e artisticamente acabados, a tudo isso Francisco ligava máxima importância. Em certa ocasião, recitou com tanto ardor e tamanho foi o entusiasmo que excitou no auditório, que o delegado apostólico Mons. Guadalupe, que presente se achava, disse ao pai de Francisco que ao seu lado se achava: “se vosso filho aqui presente estivesse, abraçava-o em vosso lugar”.

As raras qualidades morais que o adornavam, a figura simpática e atraente na flor da mocidade, a extrema vivacidade que nele se observava, não deixaram de emprestar-lhe um leve sombreado de vaidade, que de algum modo chegou a dominá-lo. Esta vaidade se lhe patenteava na exigência que fazia no modo de se trajar, sempre na última moda, de perfumar o cabelo e este sempre tratado com cuidado, de se aborrecer com uma nódoa por mais insignificante que fosse no fato (roupa), no amor que tinha a divertimentos alegres e aos desportos mundanos.

O inimigo das almas tirou proveito dessas fraquezas. Se não conseguiu roubar-lhe a inocência, não foi porque não lhe poupasse contínuos assaltos, bem sucedidos. A paixão pelo teatro, a verdadeira mania por bailes, o amor à leitura de romances eram tantos escolhos, tantos perigos, que é de admirar que o jovem Francisco não caísse presa das ciladas diabólicas. Tão pronunciada era a sua paixão às danças, que lhe importou a alcunha de “bailarino”. Assim um dos seus mestres, Pe. Pinceli, Jesuíta, quando soube da inesperada fuga de Possenti do mundo para o convento, disse: “O bailarino fez isto? Quem esperava uma tal coisa! Deixar tudo e fazer-se religioso no noviciado dos Padres Passionistas!”.

Francisco bem conhecia o perigo em que nadava, e não faltava quem lhe chamasse a atenção, o lembrasse da necessidade da oração, da vigilância, da mortificação, da devoção a Jesus e Maria, de não perder de vista a Eternidade etc. Numa carta que lhe escreveu o Pe. Fedeschini, S.J., há todos estes avisos; o conselho de fugir das más companhias, de dar desprezo à vaidade no vestir e falar, de largar o respeito humano, de fazer meditação diária e receber os Sacramentos.

Com todas as leviandades e as suas perigosas tendências para o mundo, Francisco não deixava de ser um bom e piedoso jovem, a quem homens sábios e virtuosos não pudessem escrever com confiança, benevolência e estima e cujas palavras não fossem aceitas com respeito e gratidão.

“Muitas vezes” – diz quem bem o conhecia – “Possenti sentiu o chamado de Deus, de deixar a vida no mundo e trocá-la com o estado religioso”.

O seu director, Pe. Norberto, Passionista, declara:  

“A vocação, se bem que descuidada e sufocada, estava nele havia muito tempo, e ele a sentiu desde os mais tenros anos. Muitas vezes o servo de Deus disse-me isto, lastimando a sua ingratidão e indiferença”.

O mesmo sacerdote relata:  

“A sua vocação manifestou-se do seguinte modo: Não sei em que ano foi, sentiu-se ele acometido de um mal que o fez pensar na morte. Teve, então, a inspiração de prometer a Deus entrar numa Ordem religiosa, caso recuperasse a saúde. A promessa foi aceite, pois melhorou prontamente e em pouco tempo se achou restabelecido. Mas a promessa ficou como se não fosse feita. O jovem tornou a dar o seu afecto ao mundo e entregou-se à dissipação como antes. 

Não tardou que Deus lhe mandasse outra enfermidade, uma inflamação interna e externa da garganta, tão grave que parecia a morte iminente já na primeira noite, tornando-se-lhe dificílima à respiração. Novamente o enfermo recorreu a Deus e invocando Santo André Bobola, aplicou ao lugar dolorido uma estampa do mesmo Santo e renovou a promessa de abraçar o estado religioso. As melhoras surgiram quase instantaneamente, e teve o enfermo uma noite tranquila e não mais voltaram as angústias da dispneia. Deste extraordinário favor, o jovem lembrou-se sempre com muita gratidão. Manteve também por algum tempo o propósito de fazer-se religioso, mas diferindo-lhe a execução, o amor ao mundo voltou, e no mundo continuou a viver". 
 
Das paixões de Francisco, uma das mais fortes foi a da caça. A esta paixão ele pagava tributos bem pesados, e seu director espiritual não hesitou em atribuir a este desporto a cruel moléstia que o ceifou na flor da idade. Certa vez, ao pular uma cerca, chegou a cair e com tanta infelicidade que quebrou-lhe um osso do nariz. O fuzil disparou e o projétil passou-lhe rentinho pela testa, pouco faltando que lhe rebentasse o crânio. Francisco reconhecendo logo a providência deste aviso, renovou a sua promessa. Ficou com as cicatrizes, mas deixou-se ficar no mundo.

A graça divina também não se deu por vencida. Rejeitada três vezes, tentou um quarto golpe, mais doloroso ainda. De todos de sua família, Francisco dedicava terníssima amizade a sua irmã Maria Luzia, nove anos mais velha que ele, e esta amizade era correspondida com todo afecto. Em 1855 irrompeu em Spoleto a cólera, e Maria Luiza foi a primeira vítima da terrível epidemia. Foi no dia de “Corpus Christi”, e a notícia alcançou Francisco quando, na procissão, levava a cruz. A morte da irmã feriu profundamente o coração do jovem e mergulhou sua alma em trevas nunca antes experimentadas. Perdeu o gosto de tudo e se entregou a uma tristeza inconsolável. Parecia que com este golpe a graça divina tivesse removido o último obstáculo de a promessa se cumprir. 

Assim ainda não foi. Todo acabrunhado, Francisco manifestou ao pai sua resolução de entrar para o convento chegando a dizer que para ele tudo se tinha acabado nesta vida. Possenti, receando perder o seu filho a quem muito amava, não recebeu bem a comunicação e pediu-lhe nunca mais tocasse neste assunto. Aconselhou-o a se distrair, a afastar os pensamentos tristes, a procurar a sociedade, frequentar o teatro; chegou a insinuar-lhe a ideia de procurar a amizade de uma donzela distinta, de família igualmente conceituada, na esperança de, nos entendimentos inocentes, ela conseguir fazê-lo esquecer-se dos seus intentos religiosos. 

Na igreja metropolitana de Spoleto, gozava de uma veneração singular uma imagem de Nossa Senhora; a esta imagem chamava simplesmente “a Ícone”. Na oitava do dia 15 de Agosto, esta imagem era levada em solene procissão por dentro da igreja, e não havia quem não se ajoelhasse à sua passagem. Em 1856, Francisco Possenti achava-se no meio dos fiéis e, todo tomado de amor por Maria Santíssima, os seus olhos fixavam-se na venerada imagem como que esperando por uma bênção especial. Pois, quando a “Ícone” vinha aproximando-se do jovem, parecia que Ela lhe atirava um olhar todo especial e lhe dizer: “Francisco, o mundo não é para ti; a vida no convento espera-te”. Esta palavra, qual uma seta de fogo, cravou-lhe no coração; assim, saiu da igreja desfeito em lágrimas. Estava resolvido a realizar desta vez o plano de alguns anos. Tratou, porém, de não dar, por enquanto, nenhuma demonstração do seu intento.

Embora certo da sua vocação, mas desconfiando da sua fraqueza, e para não ser vítima de uma ilusão, procurou o seu mestre no liceu e director espiritual Pe. Bompiani, Jesuíta, e a ele abriu-se inteiramente, fazendo do conselho deste depender a sua resolução definitiva.

O exame foi feito com toda sinceridade, e tendo tomado em consideração todos os factores influentes no passado da vida do jovem, o Pe. Bompiani não duvidou de se tratar de uma vocação verdadeira e animou o jovem a segui-la. Consultas que fez com mais dois sacerdotes da sua inteira confiança tiveram o mesmo resultado. Francisco resolveu então a pedir a sua admissão na “Congregação dos Passionistas”.

Comunicar ao pai a resolução tomada, não foi fácil. Mas desta vez o Sr. Sante, homem consciencioso, vendo a aflição e a firmeza do seu filho, não mais se opôs; tomado, porém, de espanto quando soube que a Congregação por Francisco escolhida, a dos Passionistas, era de todas a mais austera. Se bem que não se opusesse à vontade do filho, tratou de procrastinar a execução do seu plano e impor condições. 

Francisco, porém, ficou firme. Tomou, ainda e pela última vez, parte na solenidade da distribuição dos prémios no colégio dos Jesuítas, fez como sempre um papel brilhante no palco, despediu-se dos seus professores, dos seus amigos e, em companhia de seu irmão Luiz, da Ordem Dominicana, por ordem de seu pai, fez uma visita ao seu tio Cesare, cónego da Basílica de Loreto, e a um parente de seu pai, Frei João Baptista da Civitanova, guardião de um convento dos capuchinhos, levando para ambos carta de Sante Possenti em que este pedia examinassem a vocação do jovem. Tanto o cónego como o capuchinho carregaram bastante as cores da vida austera na Congregação dos Passionistas, que absolutamente não lhe conviria, a ele, moço de dezoito anos, acostumado a seguir as suas vontades, sem restrição de comodidades.  

Quando da visita à Santa Casa, em Loreto, Francisco aproveitou largamente para recomendar-se a Nossa Senhora. Não mais arredou do caminho encetado. De Loreto foi para Convento Morrovale, dos Passionistas, onde em 21 de Setembro de 1856 recebeu o hábito com o nome de Gabriele dell’Adolorata (Gabriel de Nossa Senhora das Dores). Admitido no noviciado, escreveu ao pai e aos irmãos comunicando-lhes o fato. Ao pai, pede perdão; aos irmãos recomenda amor filial e boa conduta. A carta, embora de simplicidade encantadora, é um documento admirável de sentimento filial e católico. Aos companheiros seus de estudo, dirigiu cartas também. Despede-se, pede perdão de maus exemplos que julgava ter dado; aconselha-os a fugir das más companhias, do teatro, das más leituras e das conversas inúteis.

Convencidíssimo da sua vocação religiosa, longe do mundo, da sociedade e da família, não mais teve outro ideal que subir às culminâncias da perfeição.

Inconfundível era sua personalidade no meio dos seus companheiros do noviciado. Sem perder as notas características do seu carácter, a jovialidade, a alegria de espírito, a amenidade de trato, era ele inexcedível não só na exatidão do cumprimento dos exercícios regulares, como também na prática das virtudes cristãs e monásticas. E, se perscrutarmos as causas profundas desta mudança radical na vida de Gabriel, duas conseguiremos encontrar, aliás suficientes e esclarecedoras: o ardente amor a Jesus Crucificado e à Santa Eucaristia, a sua devoção singular à Mãe de Deus (em particular a Nossa Senhora das Dores) e a sua inalterada mortificação, por meio da qual deu morte aos seus desordenados apetites, um por um.

Tendo corrido o ano de provação, Gabriel foi admitido à profissão e mandado para várias casas da Congregação, com o fim de completar os seus estudos de Teologia. Durante os anos de preparação para o sacerdócio, superiores e companheiros viram no santo jovem o modelo mais perfeito de todas as virtudes, e cumpridor exatíssimo dos seus deveres.

Quando chegou à idade de vinte e três anos, anunciaram-se os primeiros sintomas da moléstia que no prazo de um ano havia de levá-lo ao túmulo: a tuberculose pulmonar. O longo tempo da sua enfermagem, Gabriel aproveitou-o para ainda mais se aprofundar na sua devoção predileta à Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo e a Maria Santíssima, Mãe das dores

Em Fevereiro de 1862, ainda pôde andar e receber a santa Comunhão na igreja, junto com os seus companheiros. Inesperadamente o mal se agravou; foi preciso avisá-lo para receber os últimos sacramentos. A notícia assustou-o por um momento só; mas imediatamente recuperou a habitual calma, que logo se transformou numa alegria antes nunca experimentada. O modo de receber o santo Viático comoveu e edificou a todos que assistiram. Não mais largava a imagem do Crucificado, que cobria de beijos, e ao seu alcance tinha a estátua de Nossa Senhora das Dores, que frequentemente apertava ao seu peito, proferindo afetuosas jaculatórias, como estas:

“Minha mãe, faze depressa!”
“Jesus, Maria, José, expire eu em paz em vossa companhia!”
“Maria, mãe da graça, mãe da misericórdia, do inimigo nos protegei, e na hora da morte nos recebei”.

Poucos momentos antes do desenlace, o agonizante, que parecia dormir, de repente, todo a sorrir, virou o rosto para esquerda, fixando olhar para um determinado ponto. Como que tomado de uma grande comoção diante de uma visão impressionante, deu um profundo suspiro de afecto e nesta atitude, sempre sorridente, com as mãos apertando as imagens do Crucifixo e da Mater Dolorosa, passou desta vida para a outra.

Assim morreu o santo jovem na idade de vinte e quatro anos, na manhã de 27 de Fevereiro de 1862. Foi sepultado na igreja da Congregação, em Isola Del Gran Sasso. Trinta anos depois fez-se o reconhecimento do seu corpo. Nesta ocasião, com o simples contacto de suas relíquias verificou-se a cura prodigiosa de uma jovem que a tuberculose pulmonar tinha reduzido ao último estado. Reproduziram-se aos milhares os prodígios que foram constatados à invocação do Santo.

Em 1908 o Papa Pio X inscreveu o nome de Gabriel da Virgem Dolorosa (ou de Nossa Senhora das Dores) no catálogo dos Beatos, e, em 1920, Bento XV decretou-lhe as solenes honras da Canonização. Pio XI estendeu a sua festa a toda a Igreja, em 1932.


ORAÇÃO

Ó Deus, que ensinastes a São Gabriel a honrar com assiduidade as dores de vossa Mãe dulcíssima, e por Ela o elevaste à glória da Santidade e dos milagres, concedei-nos, pela sua intercessão e seus exemplos, a graça de partilharmos tão intimamente as dores de Vossa Mãe Santíssima e que, por sua maternal proteção, consigamos a salvação eterna.


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Septuagésima: um tempo perdido pela maior parte dos Católicos

O tempo de Septuagésima inclui os Domingos (e as semanas) da Septuagésima, Sexagésima e Quinquagésima, e é um tempo de preparação para a Quaresma. Durante este tempo, embora as regras Quaresma não se apliquem, a cor litúrgica é o roxo (penitência), e não é rezado nem Aleluia nem o Glória in Excelsis, que são sinais de alegria (1). Além disso, os textos deste tempo expressam o seu carácter penitencial.

Já no tempo de São Gregório Magno (+604) existia um período de preparação anterior à Quaresma, que, no séc. VI, começava no Domingo da Septuagésima, e, mais tarde, foi estendido para toda a semana da Septuagésima (2). As Leituras do Evangelho são, especialmente, destinadas a preparar os fiéis para a Quaresma e Tempo de Páscoa (3). 

A importância dos três Domingos percebe-se pelas igrejas escolhidas para a Missa Papal naqueles dias, os três basílicas localizadas fora das antigas muralhas de Roma: São Lourenço, São Paulo e São Pedro, respectivamente. O Ofício [Divino], na Septuagesima, começa com a leitura do livro de Génesis, que, por sua vez, continuará nos Domingos da Quaresma. 

O nome destes três Domingos indicam o tempo que decorre até ao primeiro Domingo da Quaresma, dito Quadragésimo. “Septuagésima” lembra os anos 70 anos de exílio na Babilónia, como sublinhou Amalário de Metz, comentador litúrgico medieval (4). 

Os Ritos Orientais contemplam também um tempo antes da Quaresma, que é de grande antiguidade. O "Domingo da Carne" introduz a abstinência da carne. O "Domingo do Queijo" inaugura a abstinência de ovos e lacticínios.

O tempo de Septuagésima está também indicado no 'Book of Common Prayer' anglicano e faz parte da prática histórica em muitas "igrejas" luteranas.

A Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, comenta o ano eclesiástico deste modo: “Reveja-se o ano litúrgico de tal modo que, conservando-se ou reintegrando-se os costumes tradicionais dos tempos litúrgicos, segundo o permitirem as circunstâncias de hoje, mantenha o seu carácter original para, com a celebração dos mistérios da Redenção cristã, sobretudo do mistério pascal.” (5)

É surpreendente, por tanto, que o Consilium (NT: comissão encarregue pela Reforma Litúrgica), após o Concílio, tenha decidido abolir o tempo de Septuagésima, ainda para mais fazendo este parte da preparação para a Páscoa. O Arcebispo Bugnini recorda a discussão sobre este tema: 

"Houve desacordo sobre a supressão do tempo da Septuagésima. Alguns viam essas semanas como uma preparação para a Páscoa. Em dada ocasião, Paulo VI comparou o conjunto composto pela Septuagésima, Quaresma, Semana Santa e Tríduo com os sinos que chamam os fiéis para a Missa de Domingo: esses assinalam quando falta uma hora, depois meia-hora, depois um quarto de hora e por fim cinco minutos para a Missa, o que tem um importante efeito psicológico e prepara os fiéis, material e espiritualmente, para a celebração da liturgia. Naquela época, no entanto, a opinião predominante era que deveria haver uma simplificação: a Quaresma não poderia ser restaurada na sua plenitude importância sem sacrificar a Septuagésima, que é uma extensão da Quaresma." (6)

Fœderatio Internationalis Una Voce - Positio nº 20

(1) O Aleluia é substituído, como na Quaresma, por um Tracto.

(2) Lauren Pristas, “Parachuted into Lent”, em Usus Antiquior, vol. 1, n. 2, 2010, pp. 95-109, onde cita Camille Callewaert e São Gregório Magno (p. 96). Cfr. Homiliae in evangelia XIX.1, e Callewaert L'oeuvre liturgique de Saint Grégoire: la septuagésime et l’allelluia (Louvain, Université Catholique de Louvain, 1937), p. 648 e n. 46.

(3) As leituras do Evangelho dos três Domingos são, respectivamente, a parábola do
trabalhadores da vinha (Mt 20, 1-16), a parábola do semeador (Mt 13, 1-23) e Jesus a caminho de
Jerusalém, com a cura de Bartimeu (Lc 18, 31-43).

(4) Amalarius, De ecclesiasticis officiis, I.1, PL 105.993 ss.

(5) Concílio Vaticano II, Constituição Sacrosanctum Concilium (1963), n. 107.

(6) Bugnini, A., A Reforma do Liturgia. 1948-1975 (trad. Inglês, Collegeville MN, The Liturgical
Imprensa, 1990), p. 307, n. 6. No texto principal, falando sobre o decisões do Consilium em 1965, escreve que “na sua maioria os textos presentes permanecerão inalterados". No entanto, embora isso tenha sido apoiado por consultores cuja opinião havia sido solicitada, revelou-se impossível. O plano de uma série contínua dos Domingos do “tempo comum” antes e depois da Quaresma e do tempo Pascal, significava que um Domingo cai, em determinado ano, imediatamente antes da Quaresma, enquanto noutro ano cai depois do Pentecostes, ou várias semanas antes da Quaresma. Tendo decidido suprimir a Septuagésima como tempo litúrgico separado, os formulários da Missa já não puderam ser retidos no lugar apropriado e, assim, perderam-se. O processo de discussão e o seu resultado são analisados
em detalhes por Pristas, “Parachuted into Lente”, cit.


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sábado, 26 de fevereiro de 2022

15 novos sub-diáconos para a Fraternidade de São Pedro

No seminário da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP) em Wigratzbad, o Arcebispo de Vaduz, Mons. Wolfgang Haas ordenou 10 sub-diáconos: 5 franceses, dois alemães, dois austríacos e um suíço. 

No seminário da FSSP em Denton, Nebraska (Estados Unidos da América), foram ordenados 5 sub-diáconos: 2 norte-americanos, 1 australiano, 1 canadiano e 1 polaco. 

 Deo gratias!











Fotografias: fsspwigratzbad.blogspot.com


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Surge, propera amica mea

Levanta-te, minha amada; vem, formosa minha. 
Eis que o Inverno passou: cessaram e desapareceram as chuvas.
Apareceram as flores na nossa terra, voltou o tempo das canções.
Nas nossas terras já se ouve a voz da rola.
A figueira já começa a dar os seus figos, e a vinha em flor exala o seu perfume.
Levanta-te, minha amada, formosa minha, e vem.

Francisco Guerrero - Surge, propera amica mea


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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Glorioso Patriarca São José




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Inveja, a tristeza por causa do bem do outro

A Inveja é entristecer-se com o bem do alheio e lamentar a felicidade dos outros. 

Inveja dos que são melhores porque o invejoso não se consegue equiparar a eles. Inveja dos piores porque se consideram iguais a ele. Inveja dos iguais porque competem com ele.

Foi assim que Saúl teve inveja de David (1Re 18) e foi assim que os fariseus tiveram inveja de Cristo, de tal maneira que o mataram. Porque a besta é de tal maneira raivosa que não perdoa essa pessoa.

Este pecado no seu género é mortal porque atenta directamente contra a caridade, assim como o ódio.

Frei Luís de Granada in "De los vicios y de sus remedios: remedios contra la envidia'


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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Sacerdote Tradicional ordenado no Brasil

O Padre Thiago de Oliveira Pino, do Instituto do Bom Pastor, foi ordenado no passado dia 19 de Fevereiro pelo D. Fernando Guimarães, Arcebispo Militar do Brasil. A ordenação sacerdotal foi feita segundo a Liturgia Romana Tradicional, na Capela Nossa Senhora das Dores em Brasília.








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Dia de São Matias, o Apóstolo escolhido à "sorte"

Os Actos dos Apóstolos referem que São Matias foi eleito pelos Apóstolos para substituir o traidor Judas Iscariotes, e esta eleição se fez nos dias depois da gloriosa Ascensão de Jesus Cristo e antes da vinda do Espírito Santo.

Da vida anterior do Apóstolo, do seu lugar de origem, nada sabemos. Os martirológios gregos afirmam que Matias pregou o Evangelho na Judeia, em Jerusalém, depois na Etiópia, onde fundou um bispado e terminou a vida na cruz. Outras fontes históricas confirmam a comunicação do martirológio grego e acrescentam que Matias morreu em Sebastópolis, onde foi sepultado perto do templo do sol.

Há outros historiadores que discordam radicalmente das fontes citadas, nada dizendo do martírio do Apóstolo, mas afirmam que Matias morreu em Jerusalém e lá foi sepultado. Há ainda uma outra versão, segundo a qual Matias teria sido apedrejado pelos Judeus e decapitado.

A História deixa-nos, portanto, por completo, na ignorância relativamente ao tempo e ao lugar da morte ou Martírio de São Matias.

A mãe de Constantino, o Grande, Santa Helena, trouxe as relíquias de São Matias para Roma. Uma parte destas relíquias é venerada na Igreja antiquíssima de São Matias em Tréves (Alemanha) e outra na Basílica de Santa Maria Maggiore em Roma. 

Reflexões:

É muito eficaz invocar São Matias nos momentos de sérias contendas, discussões acaloradas, ou agressões mútuas que possam culminar em séria discórdia ou tragédia. Nestes momentos, ele intercede mesmo, dissipando em segundos a ira e restabelecendo a paz.

São Clemente de Alexandria afirma que São Matias recomendava aos neófitos as práticas da mortificação: “Quem quer ser discípulo de Cristo, deve mortificar-se, castigar o corpo, levar a cruz e resistir aos apetites da carne...”.

Nos nossos dias, inventam-se inúmeras desculpas que nos tentam afastar da prática da mortificação. Há muitas pessoas que se sacrificam e mortificam-se com os fardos que o dia-a-dia impõe, mas passam a vida inteira em murmúrios e lamentações.

Saibamos, portanto, aproveitar todas as nossas dores, desde as mais subtis até as provações mais pesadas, oferecendo-as como sacrifícios pessoais em honra à Santíssima Trindade, em desagravo dos pecados cometidos pela Humanidade, pelas almas do Purgatório e por tantas outras intenções! Fazendo assim, caminhamos no Mundo honrando e glorificando a Deus, bem como aliviando e libertando muitas almas do cárcere purgativo.

Lembremo-nos, de oferecer todos os sacrifícios diários a cada manhã, certos que proporcionaremos ao Céu e ao Purgatório muitas alegrias com as nossas amarguras presentes.

in Pagina Oriente


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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Entrevista ao Sacerdote da Fraternidade de São Pedro que se encontrou com o Papa

O Pe. Benoît Paul-Joseph, Superior do distrito da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP) em França, foi um dos dois sacerdotes que recentemente se reuniu com o Papa Francisco para falar sobre as consequências do motu proprio Traditionis Custodes nas comunidades tradicionais que pertenciam à Ecclesia Dei.

- Sr. Padre, qual é a história do seu recente encontro com o Santo Padre?

- O Pe. Ribeton, Reitor do seminário europeu da nossa Fraternidade, e eu escrevemos directamente ao Papa no dia 28 de Dezembro para expressar a nossa consternação e nossa incompreensão pela publicação do Traditionis Custodes e da Responsa. Apelámos confiantes na sua solicitude. Respondeu-nos pessoalmente no dia seguinte (foi por scan, mas a carta tinha sido escrita à mão), tranquilizando-nos e convidando-nos a ir ao seu encontro para conversarmos. Então, entrámos em contacto com o secretária do Papa e foi marcada a data de 4 de Fevereiro de 2022; esse é o dia em que o Pe. Ribeton e eu viajámos para Roma.

Fomos recebidos na Casa de Santa Marta durante, quase, uma hora. O Papa foi muito gentil durante toda a conversa, mostrou uma preocupação verdadeira. Confirmou oralmente o que tinha insinuado por escrito, a saber, que distinguia realmente a nossa situação da dos sacerdotes que não são membros das ex-comunidades Ecclesia Dei e que, no nosso caso particular, uma vez que o nosso Instituto tem a especificidade de utilizar os livros litúrgicos antigo, este documento não se destinava a nós.

- Então as vossas preocupações esvaneceram-se?

- Sim, de facto. O Papa indicou-nos que no motu proprio, onde se fala dos antigos institutos Ecclesia Dei, diz que estarão doravante sob a jurisdição de um novo dicastério: Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica, e que foi intencional não termos sido mencionados directamente neste documento, pois estaríamos sob uma nova jurisdição. "Vocês não são afetados por essas restrições", disse-nos, "porque vocês mantêm o vosso direito próprio, concedido na fundação em 1988." O Papa ficou muito emocionado com a história de nossa Fraternidade, com a ida de nossos fundadores ao Santo Padre, em 1988, para expressar sua consternação, como fizemos desta vez. O Santo Padre considera que é um acto de fé que merece ser honrado e encorajado. Garantiu-nos que manteríamos o uso de todos os livros litúrgicos, inclusive o pontifical para as ordenações.

- Agora têm todas as garantias?

Com respeito, perguntámos-lhe se isso poderia ser formalmente colocado por escrito. Recebemos o documento no Sábado, dia 19 de fevereiro, razão pela qual não quisemos falar sobre ele publicamente até então. Este decreto repete o decreto da Comissão Ecclesia Dei, de Setembro de 1988, confirmando o uso dos livros litúrgicos de 1962 para nossa Fraternidade, mas desta vez é assinado pelo Papa (o decreto de 1988 foi assinado pela Comissão Ecclesia Dei).

- A vossa posição está então confirmada diante dos Bispos?

Os Bispos continuam livres para nos aceitar ou não nas suas dioceses, mas, a partir do momento em que exercemos um apostolado numa diocese, não nos pode ser pedido, em razão da obediência ao Sucessor de Pedro ou ao documento anterior, que usemos o livros litúrgicos actuais, pois nosso direito próprio é preservado através de uma isenção.

E as ordenações?

Ainda há uma pequena área cinzenta: nenhum Bispo é membro da Sociedade de São Pedro. Recentemente, foi adito que os Bispos já não têm o direito de usar o antigo pontifical, e isso pode gerar hesitação em alguns deles. Mas o Papa ficou feliz por nos ouvir falar sobre as nossas futuras ordenações, e a posição dele é clara em relação a isso.

Sabem se outros Institutos receberão o mesmo tratamento que a Fraternidade, ou esse assunto não foi abordado nesta visita?

Oralmente, durante a audiência, o Papa usou o plural para falar de "Institutos", ou seja, os antigos institutos Ecclesia Dei. Não posso ser mais específico, mas foi isso que foi dito na conversa.



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Tratado para acabar com a Sodomia entre o Clero escrito por S. Pedro Damião

Quando o humilde monge e futuro santo, Pedro Damião, apresentou a sua carta 31 - o Livro de Gomorra - ao Papa Leão IX, no ano 1049, deixou claro que a sua preocupação primeira e primordial era a salvação das almas. Embora o trabalho fosse dedicado especificamente ao Santo Padre, a sua distribuição foi destinada à Igreja Universal, especialmente aos Bispos do clero secular e aos superiores das ordens religiosas.

Na introdução, o santo escritor deixa claro que a vocação divina da Sé Apostólica faz com que a sua consideração principal seja “o bem das almas”. Portanto, ele exorta o Santo Padre a tomar medidas contra “um certo vício abominável e assaz vergonhoso”, o qual identifica abertamente como “o cancro corruptor da sodomia”, que assola tanto as almas do clero e o rebanho de Cristo na sua região, antes que Deus descarregue a Sua justa ira contra o povo. 

Reconhecendo o quão nauseante a própria menção da palavra sodomia deve ser ao Papa, ele no entanto pergunta com franqueza brusca: “...se um médico ficar horrorizado com o contágio da praga, quem é que vai manejar o cautério? Se ele fica enjoado quando está prestes a aplicar o remédio, quem vai restaurar a saúde aos corações feridos?”

Evitando qualquer dubiedade, Damião distingue entre as várias formas de sodomia e as fases de corrupção sodomita, começando pela masturbação solitária e mútua e terminando na estimulação interfemoral (entre as coxas) e coito anal. Destaca que há uma tendência entre os prelados de tratar os primeiros três graus do vício com uma “leniência imprópria”, preferindo reservar a expulsão do estado clerical somente àqueles homens que comprovadamente se envolveram com penetração anal. 

O resultado, diz Damião, é que um homem, culpado do vício em graus “menores”, aceita as suas penitências mais suaves, mas permanece livre para poluir outros sem o menor receio de perder a sua posição. O resultado previsível da leniência do superior, diz Damião, é que o vício se espalha. O culpado fica mais ousado em seus actos ilícitos pois sabe que não irá sofrer qualquer perda do seu estado clerical, perde todo o temor a Deus e o seu último estado é pior do que o primeiro.

Damião condena a audácia de homens que estão “habituados à porcaria desta doença purulenta”, e ainda assim ousam apresentar-se para o sacerdócio ou, se já ordenados, permanecer em seus cargos. Não foi em razão de tais crimes que Deus Todo-Poderoso destruiu Sodoma e Gomorra, e matou Onan por deliberadamente derramar a sua semente no chão?, pergunta. Citando a epístola de São Paulo aos Efésios (Ef 5, 5), ele continua, “...se um homem impuro não tem absolutamente nenhuma herança no Céu, como pode ser ele tão arrogante de assumir uma posição de honra na Igreja, que é certamente o reino de Deus?”

O santo monge assemelha os sodomitas que buscam o sacerdócio aos cidadãos de Sodoma que ameaçaram “usar de violência contra o justo Lot” e estavam já quase arrombando a porta quando foram feridos com cegueira por dois anjos e não conseguiram mais encontrá-la. Tais homens, ele diz, foram feridos com uma cegueira semelhante, e “pela justa decisão de Deus caíram em treva interior.” Se fossem humildes seriam capazes de achar a porta que é Cristo, mas estão cegos por sua “arrogância e vaidade”, e “perdem Cristo por causa do seu apego ao pecado”, nunca encontrando, lamenta Damião, “o portão que leva à habitação celeste dos santos”.

Não poupando os eclesiásticos que conscientemente permitem que sodomitas ingressem no sacerdócio ou permaneçam em posições clericais maculando o seu cargo, o santo monge ataca os “superiores de clérigos e padres que nada fazem”, lembrando-os de que eles deveriam tremer por eles mesmos se terem tornado “parceiros na culpa de outros”, ao permitirem que “a praga destruidora” da sodomia continuasse nas suas fileiras.”

Randy Engel in 'St. Peter Damian's Book of Gomorrah: A Moral Blueprint for Our Times'


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terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Vigiai e Orai




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Dia da Cátedra de São Pedro em Antioquia

"Em Antioquía, a Cadeira [Cátedra] de São Pedro Apóstolo, onde os Discípulos se começaram a chamar Christãos." (Martirológio Romano)

Festejar a Cadeira de São Pedro é festejar a Primazia do Príncipe dos Apóstolos como cabeça da Igreja Universal. Existem duas festas da Cadeira de São Pedro: a de hoje, que é anterior, ocorre muitas vezes durante a Quaresma, pelo que se começou, muito cedo, a celebrar também no dia 18 de Janeiro. A de 22 de Fevereiro comemora a Cátedra de São Pedro em Antioquia e a de dia 18 de Janeiro a Cátedra de Roma.

A festa da Cátedra de São Pedro é uma celebração bastante antiga na História da Igreja, datando, pelo menos, de 354 d.C., quando esse festejo foi elencado na Chronographia Romana, um calendário antigo de observâncias civis e religiosas. Enquanto inicialmente a festa celebrava o início do Episcopado de São Pedro, com foco no Primado do Papa, ao longo dos séculos a festa passou a focar o serviço do Papa como chefe da Igreja unificada.

Sabemos pela Tradição da Igreja que o Apóstolo Pedro residiu durante algum tempo em Antioquia, a cidade onde os Discípulos começaram a chamar-se Cristãos. Nela, pregou o Evangelho e, de seguida, voltou a Jerusalém, onde algum tempo depois se desencadeou uma sangrenta perseguição: o rei Herodes mandou degolar São Tiago e, vendo que isso agradava aos Judeus, mandou também prender São Pedro.

Libertado por intervenção de um Anjo, Pedro abandonou a Palestina, indo para outro lugar. Os Actos dos Apóstolos não nos dizem para onde foi, mas sabemos pela Tradição que se dirigiu para a Roma, a Cidade Eterna.

São Jerónimo afirma que Pedro chegou a Roma no segundo ano do reinado de Cláudio – que corresponde ao ano 43 d.C. – e que ali permaneceu durante vinte e cinco anos, até a morte. Alguns falam de duas viagens a Roma: a primeira, depois de partir de Jerusalém; a segunda, por volta do ano 49, data em que participou do Concílio de Jerusalém para logo depois retornar a Roma e empreender algumas viagens missionárias.

São Pedro chegou a Roma, centro do mundo naquele tempo, "para que a luz da verdade, revelada para a salvação de todas as nações, se derramasse mais eficazmente da cabeça para todo o corpo do mundo", afirma São Leão Magno. "Pois, de que raça não havia então homens naquela cidade? Ou que povos podiam ignorar o que Roma ensinasse? Era o lugar apropriado para refutar as teorias da falsa filosofia, para desfazer as loucuras da sabedoria terrena, para destruir a impiedade dos sacrifícios; ali, com suma diligência, tinha-se ido reunindo tudo o que os diferentes erros tinham inventado".

O pescador da Galileia converteu-se, assim, em alicerce e rocha da Igreja e estabeleceu a sua sede na Cidade Eterna. Dali, anunciou o seu Mestre, como tinha feito na Judeia e na Samaria, na Galileia e em Antioquia. Da Cátedra de Roma governou toda a Igreja, instruiu todos os Cristãos e, para confirmar a sua pregação, derramou o seu sangue a exemplo do Mestre.

O túmulo do Príncipe dos Apóstolos situa-se debaixo do altar da Confissão, na Basílica Vaticana – conforme afirma unanimemente a Tradição, ratificada pelas descobertas arqueológicas, dando assim a entender, também de um modo material e visível, que Simão Pedro é, por expressa vontade divina, a rocha firme, segura e inamovível, que sustém o edifício da Igreja através dos séculos. No seu magistério e no dos seus Sucessores, ressoa de modo infalível a voz de Cristo.

Como símbolo de que Pedro tinha estabelecido a sua sede em Roma, o povo romano tinha grande apreço por uma verdadeira cadeira de madeira, portátil, onde, conforme uma Tradição imemorial, o Príncipe dos Apóstolos se tinha sentado.

São Dâmaso, no Séc. IV, mandou colocá-la no baptistério do Vaticano, construído por ele. Durante muitos séculos esteve bem visível e foi venerada pelos peregrinos de toda a Cristandade que iam a Roma. Quando se construiu a actual Basílica de São Pedro, foi guardada como relíquia. 

Hoje, pode ser vista no fundo da abside, como imagem principal, a chamada "glória de Bernini", um grande relicário onde se conserva a cadeira do Apóstolo coberta de bronze e ouro; sobre ela, irradia o Espírito Santo irradia a sua assistência. Como muitos relicários medievais, a escultura de Bernini toma a forma da coisa que ele encerra. 

in Pale Ideas


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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

500 mil pessoas em San Francisco para rezar o Terço (ano 1961)




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Traditionis Custodes não se aplica aos Institutos Ecclesia Dei, disse o Papa Francisco

A Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP) divulgou hoje um comunicado no qual informa que o Superior do Distrito de França, Abbé Benoît Paul-Joseph, e o Reitor do Seminário do Seminário em Wigratzbad, Abbé Vincent Ribeton, se reuniram com o Papa Francisco no dia 4 de Fevereiro.

Perante algumas incertezas sobre o futuro da FSSP, o Papa disse-lhes que o motu proprio Traditionis Custodes, que infligiu sérias restrições à Missa Tradicional, não se aplica aos Institutos Ecclesia Dei.

O Papa decidiu ainda assinar um decreto dirigido à FSSP, escrito em latim e em espanhol, cuja tradução para português aqui publicamos:

O Santo Padre Francisco, a todos e cada um dos membros do Instituto de Vida Apostólica, "Fraternitas Sancti Petri", fundado a 18 de Julho de 1988 e reconhecido pela Santa Sé com o estatuto jurídico de "direito pontifício", concede permissão para celebrar o sacrifício da Missa, o ritual dos sacramentos e outros ritos sagrados, bem como para recitar o Ofício Divino, de acordo com as edições típicas dos livros litúrgicos em vigor em 1962, a saber, o Missal, o Ritual, o Pontifical e o Breviário Romano.

Podem usar esta faculdade nas suas próprias igrejas ou oratórios; porém, noutros locais apenas com o consentimento do Ordinário local, excepto para a celebração privada da Missa.

Não obstante o acima exposto, o Santo Padre sugere que, na medida do possível, as disposições do motu proprio Traditionis Custodes devam também ser reflectidas.

Dado em Roma, em São Pedro, a 11 de Fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes, no ano de 2022, nono do meu Pontificado.

Francisco


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domingo, 20 de fevereiro de 2022

Para Ronald Reagan os Pastorinhos de Fátima são mais poderosos do que o exercito americano



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Dia de São Francisco e Santa Jacinta Marto, Pastorinhos de Fátima

Apesar de bastante novos, os Pastorinhos tinham muita Fé - acreditavam verdadeiramente em Deus e em tudo o que Ele revelou - e tinham também bastantes virtudes, entre elas a coragem. Imaginem crianças que são presas injustamente e ameaçadas de serem postas num caldeirão de azeite a ferver; no entanto, vivem essa experiência desta maneira:

«Quando, passado algum tempo, estivemos presos, a Jacinta, o que mais Ihe custava era o abandono dos pais; e dizia, com as lágrimas a correrem-lhe pelas faces:
– Nem os teus pais nem os meus nos vieram ver. Não se importaram mais de nós!
– Não chores-lhe disse o Francisco.
– Oferecemos a Jesus, pelos pecadores.

E levantando os olhos e mãozinhas ao Céu, fez ele o oferecimento:
– Ó meu Jesus, é por Vosso amor e pela conversão dos pecadores.

A Jacinta acrescentou:
 
– É também pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.
 
Quando, depois de nos terem separado, voltaram a juntar-nos em uma sala da cadeia, dizendo que dentro em pouco nos vinham buscar para nos fritar, a Jacinta afastou-se para junto duma janela que dava para a feira do gado. Julguei, a princípio, que se estaria a distrair com as vistas; mas não tardei a reconhecer que chorava. Fui buscá-la para junto de mim e perguntei-Ihe por que chorava:

– Porque – respondeu – vamos morrer sem tornar a ver nem os nossos pais, nem as nossas mães! E com as lágrimas as correr-lhe pelas faces: – Eu queria sequer, ver a minha mãe!
– Então tu não queres oferecer este sacrifício pela conversão dos pecadores?
– Quero, quero. E com as lágrimas a banhar-lhe as faces, as mãos e os olhos levantados ao Céu, faz o oferecimento:

– Ó meu Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores, pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria. Os presos que presenciaram esta cena quiseram consolar-nos:

– Mas vocês – diziam eles – digam ao Senhor Administrador lá esse segredo. Que Ihes importa que essa Senhora não queira?
– Isso não! – respondeu a Jacinta com vivacidade. – Antes quero morrer.

Determinámos, então, rezar o nosso Terço. A Jacinta tira uma medalha que tinha ao pescoço, pede a um preso que Ihe pendure em um prego que havia na parede e, de joelhos diante dessa medalha, começamos a rezar. Os presos rezaram connosco, se é que sabiam rezar; pelo menos estiveram de joelhos.
Terminado o Terço, a Jacinta voltou para junto da janela a chorar.

– Jacinta, então tu não queres oferecer este sacrifício a Nosso Senhor? – Ihe perguntei.
– Quero; mas lembro-me de minha mãe e choro sem querer.

Então, como a Santíssima Virgem nos tinha dito que oferecêssemos também as nossas orações e sacrifícios para reparar os pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria, quisemos combinar a oferecer cada um pela sua intenção. Oferecia um pelos pecadores, outro pelo Santo Padre e outro em reparação pelos pecados contra o Imaculado Coração de Maria. Feita a combinação, disse à Jacinta que escolhesse qual a intenção por que queria oferecer.

– Eu ofereço por todas, porque gosto muito de todas.


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sábado, 19 de fevereiro de 2022

A ignorância é pecado? São Tomás de Aquino responde

A ignorância difere da nesciência em que significa a simples negação da ciência. Por isso, pode-se dizer daquele a quem falta a ciência de alguma coisa, que não a conhece. Desse modo Dionísio afirma haver nesciência nos anjos. 

A ignorância implica uma privação de ciência, a saber, quando a alguém falta a ciência daquelas coisas que naturalmente deveria saber. Entre essas coisas há as que se é obrigado a saber, isto é, aquelas sem o conhecimento das quais não se pode fazer corretamente o que é devido. Assim, todos são obrigados a saber, em geral, as verdades da fé e os preceitos universais da lei. 

E cada um em particular, o que diz respeito ao seu estado e sua função. Ao contrário, há coisas que não se é obrigado a saber, se bem que seja natural sabe-las, por exemplo, os teoremas da geometria, e excepto em certos casos, os acontecimentos contingentes.

Evidentemente todo aquele que negligencia ter ou fazer o que é obrigado ter ou fazer, peca por omissão. Portanto, por causa de uma negligência, a ignorância das coisas que se devia saber é um pecado. Mas não se pode imputar a alguém como negligência o não saber o que não se pode saber. 

Por isso, essa ignorância é chamada invencível, porque nenhum estudo a pode vencer. Como tal ignorância não é voluntária, porque não está em nosso poder rechaçá-la, por isso ela não é um pecado. Por aí se vê que a ignorância invencível nunca é um pecado. Mas a ignorância vencível é, se ela se refere ao que se deve saber. Mas, ela não o é, se se refere ao que não se é obrigado a saber. 

Suma Teológica I-II, q.76, a.2


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São Teotónio, o primeiro santo português

18 de Fevereiro é dia de São Teotónio, o primeiro santo português que ajudou a fundar Portugal. São Teotónio nasceu em Valença, em 1082, tendo sido criado pelo seu tio-avô e Bispo de Coimbra, D. Crescónio. Formado em Teologia e Filosofia em Coimbra e Viseu, tornar-se-ia Prior da Sé desta cidade em 1112.

Peregrinou por duas vezes à Terra Santa. Quando regressou da primeira, foi-lhe oferecido o Bispado de Viseu, que recusou. Ao voltar da segunda, em 1131, fundou com outros dez homens de grande virtude o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, tornando-se o seu primeiro prior, revelando-se um membro eminente e muito admirado, nomeadamente por S. Bernardo de Claraval.

Em 1153 o Papa Adriano IV quis fazer de São Teotónio Bispo de Coimbra, seguindo o legado do seu tio-avô, mas o santo recusou.

São Teotónio assumir-se-ia desde cedo como um fervoroso apoiante da independência portuguesa, sendo inclusive conselheiro de D. Afonso Henriques. Tido como homem muito respeitado e de grande valor, terá sido ele a convencer o Rei a libertar milhares de moçárabes que tinham sido feitos cativos na sequência da guerra de Reconquista realizada pelas tropas portuguesas.

São Teotónio foi um importante participante no processo político-religioso que culminaria com o reconhecimento da independência de Portugal pelo Papa Alexandre III em 1179, com a bula “Manifestis Probatum”.

Falecido a 18 de Fevereiro de 1162, não chegaria a assistir a tal momento marcante da História portuguesa, tendo sido sepultado numa capela do Mosteiro de Santa Cruz, mesmo ao lado do local onde se encontra o túmulo de D. Afonso Henriques.

Em 1163, um ano após a sua morte, o Papa Alexandre III canonizou-o, tornando-se deste modo São Teotónio o primeiro santo português reconhecido pela Santa Sé. O seu culto foi espalhado pelos agostinianos um pouco por todo o mundo, sendo até aos dias de hoje o santo padroeiro da cidade de Viseu e da respetiva diocese. É ainda padroeiro da sua terra natal, Valença.

No concelho de Odemira, uma extensa freguesia foi também batizada com o nome do santo, que evidentemente é também seu padroeiro. A Igreja Católica celebra-o no dia da sua morte, 18 de fevereiro.

Miguel Louro in 'Nova Portugalidade'


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